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Banca de QUALIFICAÇÃO: YASMIN LIMA DE JESUS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: YASMIN LIMA DE JESUS
DATA: 31/08/2018
HORA: 17:00
LOCAL: a definir
TÍTULO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES AO ENSINO DE CIÊNCIAS EM UMA ESCOLA INDÍGENA BAKAIRI A PARTIR DA PESCA COM O TIMBÓ: PERSPECTIVAS INTERCULTURAL E DECOLONIAL
PALAVRAS-CHAVES: Educação Escolar Indígena, Ensino de Ciências Naturais, Perspectivas Intercultural e Decolonial, Povo indígena Bakairi, Pesca com o timbó.
PÁGINAS: 95
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Educação
SUBÁREA: Ensino-Aprendizagem
RESUMO:

A presente investigação almeja – de modo a contribuir com o que apontam as demandas e lutas do movimento indígena brasileiro e as normativas legais que orientam o ensino na modalidade Educação Escolar Indígena a partir de uma escola que seja específica, diferenciada, bilíngue/multilíngue, comunitária e intercultural – compreender as possibilidades e os desafios encontrados na elaboração de uma proposta didática com a temática “Pesca com o timbó” para o ensino de Ciências em uma escola indígena bakairi numa perspectiva intercultural e decolonial. A pesca com timbó é realizada por alguns grupos indígenas com a utilização de um cipó (denominado popularmente como timbó) que, depois de “esmagado” na água, intoxica os peixes. A intoxicação é causada por uma substância denominada rotenona, presente no “caldo” do timbó. Os peixes, após serem intoxicados, começam a emergir, em outras palavras, a “boiar”, e podem ser apanhados facilmente à mão, com o auxílio do arco e da flecha ou de uma lança. Nesse ínterim, a proposta didática visa abordar as diferentes perspectivas para a pesca com o timbó a partir dos pressupostos da perspectiva intercultural crítica (WALSH, 2007; 2012; 2013; CANDAU, 2010; 2013; FLEURI, 2003; 2012; 2014) promovendo o entrelugar (BHABHA,1998), por meio do qual os conhecimentos científicos escolares (cultura científica) e os do cotidiano bakairi (cultura bakairi) se encontram e dialogam, apresentando que há diferentes formas de ver e agir no mundo. Nos fundamentamos, também, nos pressupostos teóricos da decolonialidade (QUIJANO, 2012; GROSFOGUEL, 2015), propondo construir uma proposta didática que busca promover a descolonização dos currículos de ciências nessa escola e apontando outras epistemológias (SANTOS, 2006; 2009). O estudo possui como abordagem metodológica a pesquisa qualitativa do tipo descritiva etnográfica (BOGDAN; BIKLEN, 2003; FLICK, 2007) e com perspectiva (GEERTZ, 1989). Sendo realizada em uma escola indígena do povo Bakairi da aldeia Aturua, no município de Paranatinga, estado do Mato Grosso. Os sujeitos dessa pesquisa são: dois anciões dessa comunidade, lideranças espiritual e política (o pajé e o cacique) o professor de ciências dessa escola e alguns ex-alunos. Para a constituição dos dados foi realizada análise documental, entrevistas, observações e elaboração, em colaboração com alguns ex-alunos Bakiri e o professor de ciências dessa escola, de uma proposta didática com a temática “Pesca com o timbó”. A análise dos dados será realizada a partir da Análise de Discurso, no sentido da noção de gêneros do discurso de Bakhtin (2003). Como resultados preliminares identificamos a partir da análise documental e das observações que o ensino de Ciências, de forma mais contundente, não considera as características e especificidades da comunidade indígena investigada se distanciando das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Indígena. Nesse sentido, a partir dessa constatação defendemos um ensino que de fato leve em consideração os aspectos específicos e culturais, valorizando seus saberes e formas próprias de construção e validação de conhecimento. Destarte, que possibilite a promoção do encontro entre essas diferentes visões de mundo, buscando a formação do cidadão indígena, sua autonomia e empoderamento. Uma educação que seja libertadora ao invés de opressora e que promova a cidadania e a autonomia dessas classes populares como defendido por Paulo Freire. Além disso, contribuir para o registro e manutenção de conhecimentos ancestrais antes compartilhados de geração em geração restritamente por meio da oralidade e de um ensino de ciências que contribua para esses povos. Contudo, ressaltamos que, compreender e mobilizar o encontro entre essas diferentes visões de mundo é um desafio, pois, compreende o rompimento com a lógica do pensamento colonial.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1212624 - EDINÉIA TAVARES LOPES
Interno - 1039338 - ADJANE DA COSTA TOURINHO E SILVA
Externo à Instituição - SUZANI CASSIANI
Notícia cadastrada em: 23/08/2018 10:08
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