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Dissertações/Teses

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2024
Descrição
  • CATHARINA PENA GOMES
  • A POLÍTICA DE COMBATE AO FEMINICÍDIO EM ITABAIANA/SE:REBATIMENTOS ESPACIAIS
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 20/02/2024
  • Dissertação
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  • A violência contra mulher continua sendo uma marca da sociedade, presente na realidade das brasileiras e de outras nações do mundo. A naturalização dessa violência tem o poder de ofuscar sua visibilidade e descriminalizá-la no imaginário social e até mesmo, especificamente, no imaginário das mulheres. Mas longe de colocar como uma questão pessoal ou cultural, a violência contra mulher faz parte da constituição das relações sociais, desde a família, ao trabalho, atravessando as esferas pública e privada. Isso é resultado das relações de poder, de dominação e privilégios estabelecidos pela sociedade capitalista patriarcal. Apesar de essa violência não ser contemporânea, o que se constata é a visibilidade política e social desta problemática nos últimos 50 anos. Diante disso, essa dissertação objetiva analisar a política de combate ao feminicídio no município de Itabaiana, Sergipe, a luz das políticas de combate à violência contra mulher, suas contradições e rebatimentos socioespaciais. Buscou-se para análise o Plano Nacional de combate ao feminicídio, a Coordenadoria de Mulheres e a Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (Revim) na relação com a formulação de diretrizes, planos estadual e municipal, além da ampliação dos instrumentos legais no combate à violência contra mulher. O fato da realidade que motivou a pesquisa foi a constatação do precário registro de dados e as subnotificações a respeito das ocorrências de violência contra a mulher. Ao constatar essa realidade, optou-se pela definição da Lei 11.340/2015 – Lei que criminaliza o feminicídio como marco temporal porque se trata de uma pesquisa cuja ênfase está calcada na ação/condução do Estado no tratamento das questões que envolvem a mulher. O estudo da política de combate ao feminicídio em Itabaiana foi fundamentado no materialismo histórico e dialético, que permite um olhar sobre as determinações sociais e históricas, e a interpretação da realidade concreta. Os procedimentos metodológicos para o estudo foram a pesquisa qualitativa, a realização de entrevistas, aplicação de questionário e registros fotográficos, além de fontes secundárias que desvelaram as contradições dos equipamentos de combate à violência contra mulher. No andamento da pesquisa observou-se a inexistência de uma rede de enfrentamento à violência contra mulher no município de Itabaiana, a falta de um protocolo de atendimento às mulheres vítimas de violência e a urgência da criação de equipamentos efetivos de combate à violência contra mulher pelo governo municipal . Por fim, constatou-se que as relações de gênero são constitutivas das relações sociais capitalistas, marcadamente desiguais. Os rebatimentos espaciais em relação às questões de gênero se revelam nos registros de violência em toda a área pesquisada, sobretudo, nos bairros com precária infraestrutura urbana e desassistidos socialmente. A Geografia permite compreender as relações desiguais produtoras do espaço. Nelas estão as relações de gênero que colocam a mulher no lugar de sujeição, levando-a ao enfrentamento por direitos, de vida e liberdade.

2023
Descrição
  • REUEL MACHADO LEITE
  • AGROECONEGÓCIO: O IMPOSSÍVEL VIÉS ECOLÓGICO DO AGRONEGÓCIO
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 18/12/2023
  • Tese
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  • Nosso foco com este trabalho é investigar o processo de generalização e diferenciação da (re)produção do espaço sob a determinação do mundo da mercadoria em um contexto em que a lógica capitalista se expande no espaço agrário criando o circuito de acumulação baseado em alimentos-mercadoria orgânicos, nutrindo-se da sua própria crise estrutural. Isso demonstra que a necessidade de reprodução ampliada do capital em um contexto de crise estrutural produz novos espaços de acumulação. Esse processo se desenrola no contexto do circuito de alimentação orgânica e/ou saudável pelo agroeconegócio, que é conceituado como um sistema global de produção, processamento, circulação, certificação e consumo de alimentos orgânicos. Não mais limitado às redes locais de produtores e consumidores, hoje o circuito de alimentos orgânicos se insere no contexto do capitalismo globalizado articulando espaços e territórios em escala global. O grande capital, por meio de corporações transnacionais e nacionais, tem se territorializado no setor de produção orgânica a partir de várias frentes: na produção de sementes (M&M Mars), por meio de grandes redes de supermercado (Whole Foods, Pão de Açúcar em escala nacional), dominando e concentrando grandes extensões de terra para a produção de carne orgânica e na produção de alimentos processados ou industrializados (Coca-Cola, WhiteWave, Nestlé, Danone, Unilever etc.). No Brasil, podemos destacar algumas empresas que atuam no circuito capitalista de alimentos orgânicos, tais como a Mãe Terra (Unilever) na área de lanches processados, o Grupo Balbo, possuidor da marca Native, e o Instituo Biodinâmico (certificação de produtos orgânicos). A análise crítica do agronegócio brasileiro revelou uma série de aspectos preocupantes: a dependência de insumos importados, controle oligopolista transnacional, foco na exportação em detrimento das necessidades internas, agroindustrialização sob controle estrangeiro, e a dependência de incentivos governamentais. Estes fatores contribuem para a homogeneização genética, monoculturas, e outros problemas ambientais e sociais graves. Por fim, nos permitiu compreender a existência de um circuito de acumulação de alimentos-mercadoria orgânicos no Brasil e como este se relaciona com a dinâmica de igualização e diferenciação do espaço. Observamos a monopolização dos territórios, a exploração da renda da terra e do carbono, e a territorialização dos monopólios do agroeconegócio. Ademais, analisamos a experiência de produção camponesa de laranja orgânica no litoral norte da Bahia, evidenciando como esta se encaixa no circuito global de alimentos-mercadoria orgânicos, e como a produção local é afetada pelos processos de subordinação e exploração impostos pelo agronegócio.


  • IVONICE SENA DE SOUZA
  • Dinâmica da Paisagem Costeira e os Impactos da Elevação do Nível Médio do Mar na Reserva Extrativista Marinha da Baía do Iguape, no Recôncavo Baiano
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 12/12/2023
  • Tese
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  • As zonas costeiras estão expostas aos riscos ambientais provocados pelas mudanças climáticas provenientes de ações antrópicas e, dentre suas consequências, destaca-se a provável Elevação do Nível Médio Relativo do Mar (ENMRM). As projeções apontam para um cenário de impactos em diversas cidades e ecossistemas costeiros, até o final do século XXI. Neste contexto, ressalta-se que de todos os elementos que compõem a paisagem costeira, o ecossistema manguezal é considerado o mais vulnerável aos impactos de ENMRM devido ao aumento da salinidade que poderá ser provocado por este evento. Pesquisas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) preveem um cenário alarmante até 2100, quando poderá chegar a mais de um metro. Neste sentido, o estudo tem como objetivo geral analisar os efeitos sistêmicos relativos à elevação do nível médio do mar sobre os manguezais e nas comunidades pesqueiras na Reserva Extrativista Marinha da Baía do Iguape (RESEX Baía do Iguape), localizada no Recôncavo Baiano. No recorte espacial optou-se por gerar um buffer de 500 metros no entorno da poligonal da RESEX. A percepção de território para comunidades tradicionais nem sempre está limitada às demarcações legais. Neste sentido, buscou-se por meio de um modelo espacialmente explícito, baseado em autômatos celulares e Sistema de Informações Geográficas, identificar padrões de resistência, migração e/ou inundação desses manguezais. Nesta perspectiva, o método cientifico que direciona este estudo é o hipotético-dedutivo, com base na análise integrada da paisagem na perspectiva sistêmica. Os procedimentos metodológicos englobaram etapas de gabinete e campo, o primeiro corresponde a pesquisa bibliográfica, organização de um banco de dados geográficos em ambiente SIG, tabulação de dados, tratamento e geração de produtos cartográficos, processamento digital de imagens de satélite, confecção de mapas de uso e cobertura da terra, estimativas de temperatura de superfície terrestre e modelagem dos impactos de ENMRM sobre os manguezais. Já a etapa de campo corresponde a observação e verificação in loco, coleta de coordenadas geográficas, registro fotográfico, identificação florística e medições da estrutura dos mangues e entrevistas com pescadores e marisqueiras. A simulação dos impactos decorrentes da elevação do nível do mar compreende o intervalo temporal de 2022 a 2100. O espaço celular desenvolvido para a área de estudo foi preenchido com informações geográficas de uso e cobertura da terra, altimetria e solo. Para ocorrer o procedimento de inundação utilizou-se como referência a altura da coluna de água em relação à topografia das áreas adjacentes. Quando ocorre a ENMRM em direção ao continente, as áreas de manguezais podem ser inundadas/erodidas. Na RESEX Baía do Iguape nos últimos 36 anos (1986 a 2022) houve expansão da área de manguezal. Na estimativa de temperatura da superfície da terra, foi detectado que as áreas antropizada e o apicum apresentaram as maiores temperaturas e as áreas de florestas ombrófilas densas, as menores. De acordo com os resultados obtidos a partir da modelagem, a área de mangue migrada não compensará a área de manguezal extinta. A perda de manguezais implicará na redução dos espaços de pesca e mariscagem. O avanço dos manguezais em direção ao continente se darão em áreas de apicum e de vegetação. As áreas favoráveis a migração dos manguezais estão ameaçadas, estas encontram-se sobre o uso antrópico. Além disso, os resultados indicam que o ecossistema manguezal encontrará barreiras que inviabilizarão a sua migração para o continente. A migração dos manguezais estará condicionada ao uso que se dará ao solo em seu entorno. As atividades antrópicas podem acelerar o processo de degradação dos manguezais frente à elevação do nível do mar, quando estas atuam como fatores que inviabilizam a migração do mangue para o continente. Na reserva foram registrados três espécies de mangue distribuídos em Laguncularia racemosa (mangue-branco), Rhizophora mangle (mangue-vermelho) e Avicennia germinans (mangue-preto). Dessa forma, é de fundamental importância conhecer os usos e cobertura da terra que possivelmente serão impactados pelo aumento do nível das marés. Nesta conjuntura, as simulações ambientais são essenciais na busca de compreensão dos padrões de resposta do manguezal ao possível evento de ENMRM, sobretudo em áreas de uso e ocupação complexos onde há uma intensa ocupação e exploração antrópica, permitindo gerar diagnósticos e prognósticos para um melhor gerenciamento do espaço costeiro, auxiliando no desenvolvimento de estratégias de adaptação frente a ENMRM. O uso de técnicas de modelagem é fundamental para prever e entender os possíveis impactos antes que estes ocorram.

  • JOSIENE FERREIRA DOS SANTOS LIMA
  • A DUPLICAÇÃO DA BR-101/SE: AVANÇOS E DESAFIOS DA NOVA CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL
  • Data: 11/12/2023
  • Tese
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  • A pesquisa visou apresentar a nova configuração territorial com a implantação da adequação e duplicação da BR-101/SE, com influência direta em 14 municípios sergipanos. A abordagem girou em torno da produção, consumo e circulação, face às relações espaciais ou geográficas, ou seja, sobre a forma e o movimento necessários ao funcionamento da engrenagem socioeconômica e até política e cultural. O ajuste espacial provocado pela duplicação da BR-101 deu novo sentido à configuração territorial e viabilizou a intensificação de fluxos em suas mais variadas formas. Como problema, observa-se que comunidades lindeiras não têm sido capazes de lidar adequadamente com o aumento de tráfego nas estradas. O estudo pretendeu analisar o espaço transformado e consumido, tendo como objeto as obras de infraestrutura viária. O método utilizado para pesquisa é o hipotético-dedutivo, do tipo exploratório e descritivo. Como resultado verificou-se a transformação do espaço através da duplicação e adequação da BR-101, os impactos causados com a instalação do empreendimento e uma análise das mudanças produzidas no consumo do espaço no atendimento de programas pelo Plano Básico Ambiental.


  • ANDRÉ LUÍS CARDOSO SANTOS
  • A FINANCEIRIZAÇÃO DO MERCADO IMOBILIÁRIO E SEUS REFLEXOS NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO: O CASO DE SALVADOR–BA
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 06/10/2023
  • Tese
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  • Esta tese trata dos reflexos da financeirização do mercado imobiliário na produção do espaço urbano em Salvador–BA. A crise do regime fordista de acumulação implicou no rompimento do tratado de Bretton Woods e no início de um novo regime de acumulação caracterizado pela hegemonia do capital financeiro representado na doutrina neoliberal. Esta doutrina foi disseminada em vários países por meios diversos (políticos, constrangimentos econômicos e extra econômicos); no Brasil esta penetração do neoliberalismo, e a progressiva financeirização da economia, se deu a partir da década de 1980 por constrangimento econômico (como condicionantes nas renegociações da dívida externa contraída principalmente durante a Ditadura Militar). A abertura do mercado financeiro, resultante da assunção destas políticas, criou as condições para que o capital estrangeiro passasse a atuar diretamente na economia nacional como acionista em diversas empresas, incluindo as incorporadoras. A produção imobiliária em Salvador passou, durante o século XX, por algumas fases que refletem os anseios do capital e as diretrizes e organização do financiamento imobiliário; mas sempre caracterizada pela desigualdade socioespacial. A cada novo ciclo do capital, Salvador replica esta desigualdade de maneira ampliada. O último destes ciclos foi marcado pelo financiamento via BNH/SFH, em um contexto de industrialização através das multinacionais, sendo o capital industrial o capital hegemônico. O vácuo deixado pelo BNH foi preenchido por soluções neoliberais, como o SFI e a abertura de capital das incorporadoras; ambos extensivamente financiados com recursos do SBPE e do FGTS. Estas mudanças na forma de financiamento se associam às mudanças na regulamentação da produção do espaço urbano via plano diretor que, em seus resultados práticos, significou a flexibilização dos regramentos de uso e ocupação do solo em benefício do capital imobiliário. Nesta conjuntura de retomada do financiamento imobiliário e de flexibilização do uso e ocupação do solo as empresas incorporadoras, capitalizadas pela abertura de capital, ampliaram o escopo de atuação para outros estados e para outras faixas de renda. Uma das estratégias de atuação das empresas foi a formação de extensos bancos de terrenos que correspondiam a mais de 5 anos de produção das empresas. Desta forma as empresas interferiram na dinâmica de produção do espaço urbano em várias localidades nas principais cidades do país. Para o caso de Salvador foi identificada a adequação de instrumentos e diretrizes do plano diretor aos interesses do mercado imobiliário e especificamente às empresas incorporadoras de capital aberto. A atuação destas empresas redundou na implantação de 117 empreendimentos espalhados por quase todo do território municipal, com algumas áreas apresentando concentração de empreendimentos, com destaque para a Estrada do CIA e a um aglomerado destas áreas de concentração em um setor este que será definido como Nucleação Alphaville/Patamares/Piatã. Estes dois setores estão se constituindo em novas centralidades urbanas e são perceptíveis nestas áreas, notadamente na Nucleação Alphaville/Patamares/Piatã ações especulativas com os bancos de terrenos. O capital internacional, assim organizado para atuar na produção do espaço urbano, acessa diretamente a renda urbana para alimentar o seu processo de acumulação, agora sob a hegemonia do capital financeiro.

  • BRUNA LEIDIANE PEREIRA SANTANA
  • GEODIVERSIDADE DAS UNIDADES DE PAISAGEM DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PIAUÍ/SERGIPE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 28/09/2023
  • Tese
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  • Geodiversidade se estabelece como a pluralidade dos componentes abióticos que constituem as paisagens e ambientes terrestres em conjunto com seus processos de origem, dinâmica e interação com a biodiversidade. Litologia, relevo, cobertura pedológica e recursos hídricos configuram-se como a estrutura de existência e manutenção da fauna, flora e produção humana. Em evidência, a tese objetivou analisar a bacia hidrográfica do rio Piauí com ênfase nas suas unidades de paisagem, a partir da integração de metodologias que possibilitasse sua inventariação, quantificação e avaliação ecossistêmica. Por princípio, a compartimentação da paisagem resultou nas unidades Tabuleiro do Rio Real subdividido em Superfície Estrutural de Cimeira, Superfície de Aplainamento Cárstica, Superfície Dissecada em Colinas, Superfície Aplainada Conservada, Colinas e Morros Baixos, Superfície Pediplanada e Serras Baixas e Morros e Tabuleiro Costeiro com as subunidades Colinas de Topo Convexo e Espigões, Superfície Subhorizontal e Colinas e Espigões Alongados. Para efetivação da tese, a metodologia propiciou identificar que, os maiores índices da diversidade geológica, pedológica e geomorfológica estão manifestados nas subunidades do Tabuleiro do Rio Real, bem como, os geossítios inventariados, Serra do Cruzeiro, Serra da Pedra Branca, Serra dos Palmares, Nascente do rio Piauí e Caverna Toca da Raposa. Para os serviços ecossistêmicos pode-se avaliar os serviços de regulação, suporte, provisão e conhecimento. No critério destaca-se, o serviço de suporte com elevada relevância nos Tabuleiros Costeiros, através dos bens e processos de solos, plataforma, materiais de construção e recursos hídricos. A metodologia desenvolvida apresentou resultados significantes sobre a diversidade da bacia, possibilitando inferir que os diferentes ambientes que compõem a paisagem da bacia hidrográfica do rio Piauí apresentam potencialidades naturais para a valorização da geodiversidade nos aspectos científico, educacional e geoturístico. Por outra ótica é perceptível que, a difusão de ações de conservação e divulgação ocorrem de forma pontual, em que pese sua significação.

  • JORDANA RABELO DE MENEZES
  • LIDERANÇAS FEMININAS NO TERRITÓRIO DE IDENTIDADE SEMIÁRIDO NORDESTE II
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 31/08/2023
  • Dissertação
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  • A subordinação da mulher é uma realidade no modo de produção capitalista que utiliza do patriarcado para manutençao de uma estrutura de poder, fundamentada na desigualdade social e na dominação do homem sobre a mulher. A divisão sexual do trabalho, a economia doméstica organizada, opressão dos trabalhadores e, principalmente da mulher, são condições para a exploração da força de trabalho. A emancipação plena feminina e a liberdade efetiva se encontram dentro do movimento da contradição do capital diante de uma realidade que aponta conflitos e disputas que impõem mudanças nas relações sociais. Diante dessa realidade, o presente trabalho objetivou analisar a atuação das lideranças femininas no Território de Identidade Semiárido Nordeste II, considerando a influência que exercem sobre as decisões tomadas, assim como, o papel que representam nas instâncias deliberativas e sua função no âmbito do trabalho doméstico. Os cargos de lideranças femininas exercidos nos conselhos e colegiados da política territorial se apresentam como uma situação controversa a partir do momento em que as mulheres disputam os espaços, tradicionalmente, ocupados por homens. Para esta análise foi primordial estudar a realidade em sua totalidade a partir do método materialismo histórico dialético, que permite interpretar a realidade em sua essência e contradições inerentes à sociedade capitalista. Relações tradicionais como o patriarcado são preservadas, incorporando o trabalho das mulheres no âmbito da produção capitalista de modo marginal e ainda mais explorado. A análise empírica da realidade estudada foi centrada na configuração do Território de Identidade Semiárido Nordeste II, com foco no Colegiado Territorial de Desenvolvimento Sustentável (CODETER) que é um espaço de planejamento de programas e projetos que integram 108 pessoas das quais 35 são mulheres. A pesquisa revelou que a busca por posições de liderança pelas mulheres enfrenta barreiras enraizadas nas estruturas de poder. A atuação das mulheres líderes na política de Desenvolvimento do Território está profundamente ligada à sua posição dentro de uma estrutura de poder e dominação em que o homem exerce papel prepoderante. Para que as mudanças ocorram e seja promovida a igualdade, é necessária a luta constante pela emancipação das mulheres e pela superação da sociedade capitalista patriarcal.

  • PATRICK OLIVEIRA SILVA
  • TRANSFORMAÇÕES NO MUNDO DO TRABALHO E IMPACTOS NAS RELAÇÕES PRODUTIVAS NA ZONA CANAVIEIRA ALAGOANA
  • Orientador : CHRISTIANE SENHORINHA SOARES CAMPOS
  • Data: 31/08/2023
  • Dissertação
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  • As transformações no mundo social vêm alterando, de forma significativa, as relações de trabalho, empregabilidade, renda, bem-estar dentre outras. Alguns autores entendem que esse conjunto de mudanças que afeta múltiplas dimensões da vida implicariam em uma sociedade pós-industrial. Segundo o criador desse conceito, Domenico De Masi (1999), esse arquétipo de sociedade é caracterizado por elementos intrínsecos ao know-hall, tal como o saber produtivo. Nessa perspectiva as relações de trabalho atualmente se apoiariam cada vez mais no desenvolvimento da ciência e da tecnologia, demandando dos trabalhadores mais conhecimento intelectual que esforço físico. Todavia, quando se observa o perfil das ocupações que mais crescem no país se evidencia muitas contradições entre a retórica do pós-industrialismo e a realidade social, uma vez que na maior parte dos empregos gerados atualmente se exige pouca qualificação e muito esforço. Não há dúvidas que vem ocorrendo grandes transformações no mundo do trabalho decorrentes de processos como a reestruturação produtiva do capital, mas elas estão longe de resultar em ocupações menos degradantes da saúde física e mental dos trabalhadores. No caso do espaço agrário do Brasil, a reestruturação produtiva do capital vem contribuindo para a expansão do agronegócio, resultando no aprofundamento de mazelas sociais, como o trabalho temporário e informal. No centro dessa discussão, o trabalho passa por um processo de reconfiguração, ancorado em uma lógica neoliberal que torna as condições políticas e socioeconômicas muito desfavoráveis para os trabalhadores, sobretudo aqueles que já tinham menor acesso a direitos como os trabalhadores rurais. Diante dessas novas formas de organização produtiva, a consolidação de um pensamento crítico e coletivo, pautados no materialismo histórico e dialético, faz-se necessário para se compreender as dinâmicas do capital e buscar respostas para uma questão que requer permanentes análises: para onde caminha o trabalho? No campo brasileiro a história do processo de modernização da agricultura resultou em grandes mudanças nas relações de trabalho que já foram amplamente analisadas por autores de diferentes áreas do conhecimento (GRAZIANO SILVA, 1982; DELGADO, 1985; MÜLLER, 1989; OLIVEIRA, 2010; 2016). Entretanto, o vai vem do desenvolvimento desigual e combinado do capital (SMITH, 1988) vem produzindo reconfigurações significativas nos processos produtivos, que demandam continuamente análises das tendências que predominam. Nesse sentido, o objetivo geral desse estudo é analisar as transformações recentes no mundo do trabalho, sobretudo os rebatimentos destas no campo brasileiro em geral e, na zona canavieira em Alagoas em particular. Em termos de procedimentos metodológicos este estudo se alicerça em pesquisa bibliográfica, estatística descritiva e trabalho de campo, no qual foram realizadas entrevistas com alguns trabalhadores da zona canavieira alagoana. Por meio das entrevistas se pode se perceber como as mudanças que ocorrem no espaço agrário provocam adoecimento, mobilidade e pobreza, além do estranhamento do trabalho pelos cortadores de cana e a não compreensão dos processos que engendram essas atividades laborais, impulsionadas pela dependência alagoana do setor sucroalcooleiro.

  • CARLA APENBURG TRINDADE
  • DA LAMA AO CAOS, DO CAOS A LAMA, UMA ‘MULHER’ ‘VIOLENTADA’ NUNCA SE ENGANA": OS TERRITÓRIOS PESQUEIROS Sà CRISTOVENSES EM CONFLITO
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 30/08/2023
  • Dissertação
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  • O modelo civilizatório moderno, legitimado sob uma lógica colonial, imperialista e capitalista, baseia e se estrutura a partir da expropriação, violação de direitos, exploração e violência contra os sujeitos que possuem um modo de vida baseado na economia natural. Com isso, retomamos a teoria de Chayanov (1966) a fim de delimitar e diferenciar o trabalho camponês e de povos tradicionais que, a partir do cultivo, pesca, coleta e cata de mariscos na terra-lama-água busca satisfazer as necessidades de suas famílias e comunidades. Logo, esses povos são reconhecidos por estabelecerem em seus territórios, uma relação simbiótica entre os ciclos complexos da natureza e seu modo de vida permeado por saberes e práticas ancestrais (Diegues, et. al., 2000). Adquirem também uma marca condicionante de gênero, pois o trabalho de mariscagem – central neste estudo – é desenvolvido, em grande parte, por mulheres. Essa é uma característica que se conforma historicamente, uma vez que há maior proximidade entre o mar-de-dentro – rios, estuários e mangues – com os domicílios, do que com o mar de fora – marítimo – (Ramalho, 2006). Essa condição se faz necessária tendo em vista que as mulheres conciliam seus trabalhos profissionais, seja na pesca e mariscagem ou na elaboração de produtos artesanais, com os afazeres domésticos (Álvares; Maneschy, 2011) e, devido a esta proximidade, também é possibilitado que as marisqueiras levem seus filhos e filhas para ocupar as margens das regiões estuarinas, mangues ou rios. Esses, além de acompanhá-las também aprendem e trabalham no ofício da pesca e captura de mariscos desde muito cedo. Em Ilha Grande, São Cristóvão, a prática de extração de mariscos é predominantemente feminina, tendo poucos homens que executam a atividade de forma esporádica. Essas mulheres vivem e trabalham no berçário da biodiversidade considerado por tantos, mera fonte de recursos: os manguezais. A partir dos empreendimentos de infraestrutura, agrohidronegócio e atividades de desenvolvimento capitalista, estes ecossistemas se tornam caras engrenagens da acumulação de capital promovendo, por meio da apropriação de frações de natureza, a violência, exploração, expropriação e degradação socioambiental contra as mulheres, natureza e seus territórios. Assim, a presente pesquisa objetiva compreender como os conflitos por terra e água, decorrentes deste cenário, também reafirmam a lógica patriarcal que violenta estrutural e cotidianamente os corpos e territórios das mulheres marisqueiras. Para isso, o estudo foi fundamentado nos pressupostos teórico-metodológicos do materialismo histórico dialético e operacionalizado a partir de pesquisa bibliográfica e pesquisa exploratória utilizando-se do instrumental das entrevistas semi-estruturadas (Triviños, 1987). À vista disso, os estudos realizados demonstraram que o nó estrutural do Patriarcado-Capitalismo-Racismo (Saffioti, 1987) sustenta a contradição que preside cada uma dessas estruturas, que unidas, apresentam uma dinâmica própria, permeando também os conflitos que atingem os corpos e territórios das marisqueiras de maneira específica. Materializa-se então, através das situações de violência que decorrem dos conflitos territoriais, a condição patriarcal de controle que subordina as mulheres enquanto reprodutoras, corpos objetificados e força de trabalho mais passível à exploração e os territórios à lógica expansiva e destrutiva intrínseca ao desenvolvimento capitalista. Uma vez imersas na lama e nas águas, as marisqueiras experienciam o contato direto com o mangue, que segue cada vez mais envenenado pela ganância dos atores do capital. A contaminação da terra e água, juntamente à exploração de petróleo e gás, o cercamento das águas e espaços historicamente designados ao uso comum na atividade da pesca e mariscagem, a expansão da especulação imobiliária, construção de tanques artificiais para a execução da atividade da carcinicultura, desvelando o avanço do agrohidronegócio nos territórios tradicionais (Romero et al. 2018) representam, simultaneamente, a imposição da lógica predatória do capital contra a natureza e patriarcal sobre as mulheres marisqueiras e seus territórios.

  • LEOMARCOS REIS ALMEIDA
  • DESMONTE DAS POLÍTICAS DE FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA CAMPONESA E INSEGURANÇA ALIMENTAR: O QUILOMBO SERRADINHA – FÁTIMA (BA) COMO ESTUDO DE CASO
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 29/08/2023
  • Dissertação
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  • A questão agrária deve ser pensada a partir do território, tendo em vista que as diferentes posições refletem as disputas territoriais e de interpretação da realidade. Inserido de modo contraditório no capitalismo, o campesinato tem a renda da terra apropriada pelo capital no circuito da mercadoria, ao mesmo tempo em que expressa resistências construídas a partir do seus territórios. No contexto da mundialização do capitalismo e da liberalização da agricultura, a extração da renda da terra deixa de ser local e passa a ser internacional, transformando a produção do campo em commodities. Nessa perspectiva, os organismos internacionais defendem que o direito à alimentação possa ser assegurado através do aumento da produtividade e pela atuação do livre-comércio, tendo o mercado e não o Estado como regulador do processo produtivo e distributivo dos alimentos. Todavia, a segurança alimentar precisa estar articulada a vários campos do conhecimento e ter por base os territórios em que os sujeitos sociais estão inseridos. Para tanto, não poderá ser alcançada sem que os povos tenham assegurado a sua soberania e autonomia para definir políticas de oferta, produção e acesso a alimentos de qualidade a partir da agricultura camponesa. No entanto, nos últimos anos o Brasil tem enfrentado uma conjuntura de desmonte das políticas públicas voltadas à agricultura camponesa, sendo uma de suas consequências mais evidentes, o recrudescimento da fome no país. Nesse sentido, considera-se a necessidade de compreender como os camponeses estão inseridos nessa realidade, a partir do estudo da produção de alimentos e sua relação com a segurança alimentar. O método de análise deste estudo qualitativo foi o materialismo histórico e dialético, considerado enquanto instrumento para a elucidação dos fenômenos sociais em seu processo de transformação.

  • BRUNO VINÍCIUS SANTOS VIEIRA
  • POLÍTICA E PODER: INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA FRANCO NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO SERGIPANO
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 28/08/2023
  • Dissertação
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  • O poder de dominação política e econômica de famílias tradicionais é sustentado pela inserção de seus membros em cargos representativos do legislativo ou do executivo, como também, pelas alianças políticas que se dão em torno de grupos que se perpetuam nos mandatos eletivos. Entre as características dessa dominação, estão as práticas patrimonialistas de uso privado da coisa pública, o que alimenta uma cultura do favor e torna refém a população. Em Sergipe, a família Franco é possuidora de vasta extensão de terras, controla meios de comunicação e atividades econômicas da indústria e do comércio. A concentração de terras, somada à hegemonia política e ao controle do Estado (máquina pública) outorgam à família Franco elevado poder econômico (domínio dos meios de produção), com repercussões espaciais no campo e na cidade. Esta pesquisa objetivou analisar a dimensão espacial da influência política e econômica da família Franco em Sergipe, notadamente nos municípios Riachuelo, Laranjeiras, Areia Branca, Itaporanga D’ Ajuda, São Cristóvão, Aracaju, Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora do Socorro, por se tratar de uma área sob forte intervenção dessa família, no que se refere ao domínio territorial e influência política e empresarial, fatores preponderantes na (re)produção do espaço. O método de interpretação foi o materialismo histórico dialético por permitir que a realidade investigada em suas determinações evidenciasse o conteúdo das relações políticas e as materialidades que se inscrevem no espaço, revelando o poder e a dominação exercidos no estado de Sergipe. Como procedimentos metodológicos, a pesquisa de campo foi importante recurso para prover os fundamentos empíricos da pesquisa através do levantamento de dados sobre a propriedade da terra, das atividades produtivas da família, entrevista com trabalhadores, lideranças políticas e comunidades dos municípios da área de estudo. Os dados secundários foram pesquisados em sites oficiais como INCRA, IBGE, assim como visita técnica à Junta comercial para levantamento de empreendimentos da família. A pesquisa revelou que a propriedade da terra, dos meios de comunicação e o controle de atividades econômicas são constituintes da dominação política e do poder de grupos no comando político do executivo e do legislativo em diferentes escalas.

  • JOSÉ VINÍCIUS ALMEIDA
  • DISPUTA PELA ÁGUA NOS HIDROTERRITÓRIOS DO PLATÔ DE NEÓPOLIS - SE
  • Orientador : GICÉLIA MENDES DA SILVA
  • Data: 28/08/2023
  • Dissertação
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  • A discussão sobre recursos hídricos vem se tornando cada vez mais uma temática relevante e necessária por envolver uma das principais engrenagens para o desenvolvimento do modo de produção capitalista: a água. Devido a isto, a água pode ser motivadora de conflitos, gerados tanto pela forma de acesso a ela quanto em razão de sua gestão. Como consequência desses conflitos, das disputas pelos estoques de água, surgem hidroterritórios, cujo elemento chave para a análise é o recurso hídrico e as formas de acesso a ele. Assim, esta pesquisa buscou, a partir do olhar da ciência geográfica, analisar as contradições socioespaciais decorrentes da apropriação desigual dos recursos hídricos no Platô de Neópolis - SE, com a finalidade de identificar os hidroterritórios nele existentes. Para alcançar os objetivos propostos, a pesquisa pautou-se em uma abordagem quantitativa/qualitativa, por meio de alguns procedimentos metodológicos: levantamento bibliográfico, levantamento cartográfico, trabalhos de campo. A partir desta análise, foi possível identificar os agentes que detêm o controle da água no hidroterritório assim como apontar caminhos para possíveis encaminhamentos que venham a minimizar o modo de apropriação da água e os impactos ambientais acarretados por essa apropriação.

  • WYLAMYS BERNARDO SANTOS DE LIMA
  • DINÂMICA DO CAPITAL E (DES) CONFIGURAÇÕES DO TRABALHO: A (RE)PRODUÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO ENGENDRADA PELO AGRONEGÓCIO – UMA ANÁLISE A PARTIR DE SIMÃO DIAS -SE
  • Orientador : CHRISTIANE SENHORINHA SOARES CAMPOS
  • Data: 28/08/2023
  • Dissertação
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  • A partir da segunda metade do século XX, o campo brasileiro sofreu transformações significativas devido às políticas agrícolas e agrárias e à industrialização da agricultura. Estas mudanças foram intensificadas com o crescimento do agronegócio no século XXI, particularmente na produção de commodities, como o milho, em resposta à demanda de economias consideradas emergentes como China e Índia. Estas alterações foram marcadas pela intensificação do uso de tecnologias e maquinários, bem como de agrotóxicos e sementes transgênicas, visando aumento da produção e produtividade. Essas transformações no processo produtivo têm como consequência a alteração nas configurações do trabalho agrário, a partir da alteração da composição orgânica do capital, com o aumento dos investimentos de capital constante e redução da participação do capital variável, ampliando sobremaneira a superpopulação relativa. Além disso, a expansão do agronegócio tem cerceado e limitado a unidade de produção camponesa familiar e intensificado o monocultivo, tudo isso influenciado por uma aliança entre Estado e capital. Considerando esse contexto espaço-temporal, essa pesquisa tem como objetivo analisar as (re)configurações do trabalho no espaço agrário resultantes da dinâmica de expansão do agronegócio, a partir do município de Simão Dias, em Sergipe. É profícuo compreender como as mudanças tecnológicas impactaram as práticas de trabalho, produzindo uma força de trabalho sobrante e alterações significativas na produção agrícola municipal. Para alcançar uma compreensão aprofundada, fez-se necessário investigar os aspectos históricos e sociais de Sergipe e de Simão Dias, entender a relação entre o agronegócio e as transformações no trabalho e analisar os rebatimentos do agronegócio do milho na sociabilidade no campo. Essa pesquisa está fundamentada no método materialista histórico dialético, por possibilitar uma apreensão da dinâmica do modo de produção capitalista no campo, especificamente as interações entre capital-trabalho, buscando compreender a totalidade das relações Inter existentes no processo produtivo do agronegócio do milho. Os procedimentos metodológicos incluíram observações sistemáticas e assistemáticas, pesquisa bibliográfica, análise documental, trabalho de campo e entrevistas semiestruturadas. Essa estratégia metodológica permitiu observar e registrar fenômenos relacionados à produção do milho enfocando diferentes fases do processo produtivo. Esta abordagem multifacetada possibilitou uma análise mais aprofundada do tema, conectando o debate teórico com os processos empíricos. Os resultados indicam que no município de Simão Dias, o setor do agronegócio, através da implementação de avançados pacotes tecnológicos remodela profundamente a produção do espaço agrário. A introdução e intensificação dessas tecnologias, possibilita o aumento do capital constante, isto é, dos investimentos em meios de produção. Por sua vez, tem implicações diretas no capital variável, que em suma diminui sua participação direta nesse processo produtivo. A confluência dessas relações produz a diminuição da utilização de força de trabalho, e a interconexão entre o processo de composição orgânica do capital, o metabolismo Capital-Trabalho e o setor do agronegócio evidenciam um contexto em que a busca por acumulação de capital e a adoção de tecnologias avançadas proporciona uma reconfiguração das relações sociais de trabalho e na produção agrícola no município.

  • BRUNO NASCIMENTO NEVES BASTOS
  • O Papel do CNDH no derramamento do óleo: Resistência dos Povos e Comunidades Tradicionais frente a Espoliação dos territórios.
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 24/08/2023
  • Dissertação
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  • A devastação causada pelo evento-crime do derramamento de óleo ocorrido em 2019, além de afetar praias, rios e manguezais, reverberou em impactos diretos na vida dos Povos e Comunidades Tradicionais sentidos ainda hoje na redução dos pescados, afetação na saúde e perda de renda. As articulações realizadas pelos PCT´s para cobrar medidas de reparação e indenização do Poder Público, na época resultaram na missão emergencial realizada pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). Entretanto, passados 4 (quatro) anos do evento-crime e das recomendações enviadas pelo CNDH às três esferas do Estado, percebe-se que praticamente nada foi feito para mitigar os impactos nos territórios. Nesse sentido, o objetivo desta dissertação foi analisar o papel do Estado no evento-crime do derramamento do óleo, a partir da atuação do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) nos territórios de Povos e Comunidades Tradicionais. Nos objetivos específicos, buscamos analisar a conflitualidade e espoliação dos territórios afetados pelo derramamento de óleo, discutir a relação entre Estado-Capital e Direitos Humanos, identificar os impactos do evento-crime nos territórios de Siribinha (BA) e Carapitanga (SE) e avaliar na missão emergencial realizada pelo CNDH, o cumprimento das suas recomendações pelo Poder Público. Partindo da reprodução ampliada capitalista, entendemos este evento-crime intrínseco a acumulação por espoliação e permanente conflitualidade nos territórios, caracterizada por impulsionar com forte atuação do Estado-Capital a abertura de novas fronteiras à privatização e pilhagem da natureza, que ocorre de maneira concomitante a tentativa de expulsão das comunidades. Com base na pesquisa-participante e aplicação de entrevistas nas visitas a campo realizadas em Carapitanga (SE) e Siribinha (BA), foi evidente a conflitualidade permanente nestes territórios e as violações de direitos humanos decorrentes desta. Relacionada a disputa por terra e água, foram relatados conflitos entrelaçados ao evento-crime, envolvendo grandes latifundiários, turismo de massa, Estado e Carcinicultura.. Através da pesquisa exploratória e documental, avaliamos as recomendações emitidas pelo CNDH ao Poder Público, constatando a omissão deliberada do Estado no evento-crime, no qual o governo federal, responsável por articular e executar as ações de reparação e indenização, foi ineficaz no cumprimento dessas medidas, contribuindo para o agravamento dos impactos e violações. Contudo, entendemos a realidade como processo dialético e contraditório realizado em múltiplas determinações. Assim, diante deste evento-crime, ampliam-se as possibilidades de estratégias contrárias ao capital, como observamos na resistência dos Povos e Comunidades Tradicionais em defesa dos seus territórios. Realizando mutirões para retirada das manchas, promovendo ações de denúncia aos impactos e atuando na cobrança judicial por indenização, evidenciaram a negligência e pressionaram em diversas frentes o Poder Público. Portanto, acreditamos que sem essa atuação, a magnitude dos impactos teria sido mais ampla, assim como não haveria nenhuma responsabilização por parte do Estado.

  • MARA IRIS BARRETO LIMA
  • ENTRE O SEMEAR E VENDER: A BATATA-DOCE SOB O AMARGOR DA SUBORDINAÇÃO CAMPONESA NO AGRESTE CENTRAL SERGIPANO
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 21/08/2023
  • Dissertação
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  • A presente dissertação compreende os resultados da análise sobre a subordinação camponesa na produção de alimentos para o mercado capitalista. A pesquisa partiu de um objetivo geral: analisar, no contexto de expansão do capitalismo no campo, a sujeição da renda camponesa na produção de batata-doce para o mercado, no espaço agrário do Agreste Central Sergipano. Considerou-se também como objetivos específicos: discutir o campesinato enquanto classe e sujeito social em movimento; investigar o trato com a terra na produção de batata-doce em um estado que tem a estrutura fundiária concentrada e processos constantes de fracionamento dessas terras, sobremodo nas unidades de produção familiar; entender as formas de organização do campesinato e as estratégias de apropriação da renda na área da pesquisa. O campesinato, além de reproduzir-se a partir do produto do seu trabalho, foi compelido a produzir mercadorias e, nesse contexto, há uma crescente demanda de produção para o mercado, em que os trabalhadores aparecem no bojo de uma realidade de sujeição ao capital, o que vem reduzindo a produção para subsistência. Esse quadro, presente no cultivo de batata-doce em Sergipe, especialmente nos municípios de Moita Bonita, Itabaiana, Malhador e Riachuelo, se agrava mais pela predominância do minifúndio, frequentemente alargado por diferentes vias (venda de terras, divisão por herança e/ou pelo sistema de comodato, todos esses processos se ampliam conforme denunciam os últimos Censos do IBGE). Nesses dados, mais de 80% das unidades de produção familiar camponesa nos municípios, com presençaa de batata doce, têm área de tamanho inferior a 1 hectare. A monopolização da produção e a dificuldade de diversificação dos cultivos em virtude do tamanho da propriedade são condições que exigem organização dos produtores diretos para assegurarem renda. Nessa direção, o cooperativismo aparece como uma estratégia importante no seio dos desafios impostos pelo mercado. No entanto, o movimento da contradição cria e reproduz diferentes determinações, pois ainda há permanência da sujeição do campesinato ao capital, que avança criando novas relações de poder de forma desigual e articulada, como um germe que tenta negar a condição histórica da classe camponesa. Tal quadro, sob o crivo da dialética, permite entender a produção do espaço agrário sergipano como simulacro das relações capitalistas e as formas camponesas de reprodução e os níveis de reafirmação da mercadoria, cenário em que ocorre a subordinação na produção de alimentos. Contudo, compreendemos também a importância da permanência do camponês pela realização do seu trabalho, enquanto sujeito histórico e de luta, mostrando-nos como é possível a sua reprodução social na terra que é expressão de território de vida.

  • MARIANA ALMEIDA ROCHA
  • TRANSFORMAÇÕES NA PAISAGEM DE BARRA DOS COQUEIROS: USO E OCUPAÇÃO DA TERRA ENTRE 1985 E 2021, COMO SUBSÍDIO AO ORDENAMENTO TERRITORIAL
  • Orientador : NEISE MARE DE SOUZA ALVES
  • Data: 21/08/2023
  • Dissertação
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  • A ocupação da zona costeira brasileira está relacionada a fatores históricos e econômicos. Nos dias atuais, essa ocupação está associada a ideia de bem estar e qualidade de vida que o litoral oferece. O crescimento acelerado e desordenado traz a preocupação com a conservação dos ambientes costeiros, tornando o ordenamento territorial uma necessidade premente. Nessa perspectiva, este estudo visou analisar a dinâmica do uso e ocupação da terra do município de Barra dos Coqueiros, entre 1985 a 2021, como subsídio ao ordenamento territorial. Os estudos foram fundamentados em bases teórico-metodológicas sistêmicas, que permitiram a análise integrada da dinâmica ambiental da paisagem. Os procedimentos metodológicos utilizados incluíram o levantamento bibliográfico e cartográfico, a realização de trabalhos de campo, o processamento e interpretação de dados e imagens de satélite obtidas pelo MapBiomas, e a elaboração de produtos cartográficos. Os resultados mostraram que, ao longo do recorte temporal analisado, o município experimentou intensa transformação na paisagem decorrente de mudanças no uso e ocupação da terra. Entre 1985 e 2021, as categorias de uso que apontaram maior crescimento foram: área urbanizada que passou de 48 ha para 1.060 ha, correspondente a 2.208,0%, e a aquicultura que ocupava 3,34 ha e passou a 12,3 ha, cerca de 368%. Em sentido contrário, as classes de uso que sofreram maior redução foram: mosaico de usos e lavouras temporárias ambas com 53%, e praia, duna e areal com aproximadamente 46%. Os tipos de uso que apresentaram retração refletem a expansão urbana que se verifica no município nos últimos anos, devido a melhorias na acessibilidade, com a construção da ponte sobre o rio Sergipe que faz ligação de Barra dos Coqueiros com a capital do estado, e a pavimentação e/ou requalificação de rodovias estaduais. Na atualidade, as antigas fazendas de coco-da-baía cedem lugar aos empreendimentos imobiliários. Por outro lado, há possibilidades do surgimento de novas orientações de uso no território, com a implantação da usina termoelétrica e o parque eólico. Assim, se faz necessário a implementação de instrumentos do ordenamento territorial – Plano Diretor, Planos de Manejo de Unidades de Conservação – visando a gestão dos recursos naturais ainda presentes no município, uma vez que a área apresenta ambientes de morfodinâmica instável, e com usos especiais e restritos segundo a legislação brasileira.

  • LUCAS MELO COSTA
  • AGRAVOS E VULNERABILIDADE NA SUB-BACIA DO RIO GARARU NO SEMIÁRIDO SERGIPANO.
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 07/07/2023
  • Dissertação
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  • Estudos sobre vulnerabilidade emergem como uma importante ferramenta para compreensão e análise integrada na ciência geográfica, ao envolver os contextos, social e ambiental, com o objetivo de compreender a paisagem numa totalidade e assim identificar os agravos sofridos pelo ambiente, devendo contribuir na viabilização do planejamento e gestão do manejo. A sub-bacia do Gararu é um afluente do Rio São Francisco no seu baixo curso e está localizada no semiárido sergipano, no qual abrange quatro municípios: Feira Nova, Graccho Cardoso, Itabi e Gararu. Observa-se neste recorte, limitações nas relações socioeconômicas que deriva principalmente dos aspectos físiográficos gerando assim vulnerabilidades ambientais e sociais. A dissertação que se encerra tem por objetivo analisar a vulnerabidade ambiental da sub-bacia, em Sergipe, como subsídio para melhorar o uso e planejamento por parte da população e do Estado. Em termos metodológicos, pauta-se em métodos já sedimentados na ciência geográfica, cujos procedimentos espelham-se no geossistema e na vulnerabilidade ambiental, que visam identificar interação entre os sistemas antrópicos e ambientais. Em se tratando de espaço semiárido, após análises, podemos constatar que, dos componentes ambientais, a maior vulnerabilidade deriva do comportamento irregular da pluviosidade, mas que os riscos estão associados ao conjunto natural e as ações sociais. Como os diferentes transtornos climatológicos causados pelas intensas chuvas de verão observados na área da sub-bacia causando enchentes, desmonte de pontes, movimentos de massa e lixiviação. Por fim, percebeu-se uma vulnerabilidade ambiental que versa de Média a Alta nos seus diferentes pontos de acordo com a metodologia aplicada. Entre unidades espaciais analisadas, Itabi se notabiliza pela maior vulnerabilidade, em que pese sua localização a leste, mais próxima da zona de transição, na entrada do sertão. O município de Gararu é o que denota características mais secas, com índices pluviais abaixo da média. Graccho Cardoso por se localizar no alto curso da sub-bacia retrata pontos de vulnerabilidade ambiental média. Feira Nova se insere na sub-bacia, em extremidade e pouca significação. Por conseguinte, e pela análise empreendida, a conclusão é de que há setores diferenciados em suas paisagens e índices de vulnerabilidade.

  • RODRIGO SOUZA MELLO
  • O HIDROPATRIMÔNIO A PARTIR DA ANÁLISE INTEGRADA DA PAISAGEM EM CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO E PIRAMBU, SERGIPE.
  • Orientador : MARCIA ELIANE SILVA CARVALHO
  • Data: 14/06/2023
  • Dissertação
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  • O hidropatrimônio é um conjunto de elementos hídricos que possuem valores de uso científico, educacional e cultural, tornando-os passíveis de proteção. Essa parcela da geodiversidade é considerada patrimônio natural, sendo a base da vida no planeta Terra, e sua qualidade é um dos principais fatores que influenciam a sua valoração. Compreender as dinâmicas ambientais e territoriais que envolvem a água é fundamental para identificar os locais de interesse hidrológico e elaborar estratégias para sua conservação. Um dos principais desafios relacionados aos diferentes tipos de uso da água é o monitoramento e análise de sua qualidade. A falta de estudos pode gerar impactos negativos na saúde da população que consome uma água contaminada, além de afetar a biodiversidade e os ecossistemas aquáticos. Outro ponto a ser considerado é a relação entre as atividades de lazer desordenadas e a descaracterização dos elementos da geodiversidade que compõem o hidropatrimônio. Essa descaracterização pode gerar impactos negativos na paisagem e na biodiversidade, além de afetar a qualidade da água e comprometer os diferentes usos econômicos e sociais da água no território. A presente pesquisa tem como objetivo analisar o hidropatrimônio dos municípios de Canindé de São Francisco/SE e Pirambu/SE sob a ótica do GTP, a fim de compreender as dinâmicas territoriais e ambientais, caracterizar o recorte espacial da pesquisa e identificar os Locais de Interesse Hidrológicos (LIH), a metodologia utilizada para alcançar os objetivos propostos correspondem as propostas de Foleto e Costa (2021) e Simic; Milovanovic; Glavonjic(2014), associadas a atividades em campo e ao uso de geotecnologias. Os locais avaliados foram a Cachoeira do Lajedão em Canindé de São Francisco e a Cachoeira do Roncador e Lagoa Redonda em Pirambu. No entanto, esses locais não alcançaram a avaliação mínima para serem considerados Hidrossítios, tendo o critério ecológico sido o principal fator de não classificação. A partir da identificação das potencialidades e tensões presentes nos LIH, foram ponderadas estratégias de geoconservação para as áreas dos LIH, visando melhorar os critérios avaliados. Concluiu-se que é necessária a criação e execução de ações relacionadas a geoconservação que compreenda as dinâmicas ambientais e territoriais referentes aos diferentes usos da água, de modo que prezem pela sua qualidade, além do fortalecimento da gestão integrada e participativa dos recursos hídricos.

  • ANA CAROLINA NUNES DE AZEVEDO
  • ENTRE LUGARES DE SENTIMENTOS E ESPAÇOS DE LIBERDADE: ENCONTROS GEOGRÁFICOS COM O ROMANCE JULIETA, COISA E TAL DE OSMAR RODRIGUES MARQUES
  • Data: 30/05/2023
  • Dissertação
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  • No contexto da relação entre Geografia e Literatura e de sua aproximação com a geografia humanista, esse estudo foi impulsionado pelo desvelamento das relações espaciais apreendidas no romance Julieta, Coisa e tal, produzido por Osmar Rodrigues Marques, publicado em 1986. O texto dá ênfase à categoria lugar, viabilizando o sentimento de pertencimento e identidade, ao trazer o cotidiano do prostíbulo Casa Amarela, situado na área central da cidade de Caxias – a princesa do sertão maranhense. No tempo, o romance está ambientado entre as décadas de 1970/1980, quando a trajetória da personagem Julieta é detalhada pelos relacionamentos, locais frequentados e, sobretudo, por sua percepção com relação às práticas, decorrentes do ambiente vivido. Nesse sentido, conduzimos a pesquisa com o objetivo de analisar o sentimento de pertencimento e identidade presente na geografia e na história da personagem Julieta no romance literário “Julieta Coisa e Tal” de Osmar Rodrigues Marquês, considerando a articulação entre o enredo, o narrador, os personagens e o espaço da obra, a cidade de Caxias/Maranhão. Os objetivos específicos delimitaram nosso caminho acadêmico ao procurar (i) identificar as relações, experiências e vivências de Julieta construtoras e constituintes de sua identidade; (ii) conhecer as distintas formas de apropriação do sentimento de identidade de Julieta e, (iii) refletir sobre a identidade espacial assim como o sentimento de pertencimento ao lugar geográfico expressos na obra de Rodrigues Marques. Para a construção da dissertação realizamos uma pesquisa documental e bibliográfica com o intuito de aproximar e entender a realidade do objeto estudado, ressaltando a relevância dos documentos e estudos acessados para compreensão dos elementos que moveram a pesquisa e auxiliaram o entendimento das questões postas nos objetivos. Trata-se de um enredo repleto de vivencias e experiencias, resultado da percepção e interpretação dos lugares descritos e, nesse sentido, o enlace da afetividade ao espaço caxiense nos demostrou a sensibilidade do autor para com as relações imbricadas nos aspectos políticos, econômicos, culturais e naturais. A construção do sentimento de pertencimento é um elemento relevante em todo enredo da obra em questão. Os personagens em sua essência existencial, o comportamento e expressões de quem habita o prostíbulo criam, ao longo da narrativa, um sentimento de afeto e participação ao tempo em que ao leitor é possibilitado transitar por ruas e praças de Caxias e pelo interior da Casa Amarela. Entendemos que espaço vivido na literatura é atuante na construção do imaginário pois, através de descrições e nomeações os lugares são representados com características afetivas distintas provocando a geografia, no caso de nosso estudo, em suas reflexões sobre observação e pertencimento dos lugares e, construção de identidades.

  • ANTONIO SIDNEI RIBEIRO CARDOSO
  • AS DUAS FACES DO ESPELHO DO “AGRO – NEGÓCIO”: TERRA DE VIDA – TERRA DE FOME NA SUBSUNÇÃO DO TRABALHO E DA TERRA AO CAPITAL.
  • Data: 28/04/2023
  • Dissertação
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  • O Vale do São Francisco, em especial o Sertão, foi capturado pela lógicamodernizadora da agricultura mercadológica. A semiaridez do clima foi ajustificativa encontrada para concretizar a política de irrigação sustentada nodiscurso da produção de alimentos para a diminuição da fome. O Estadoinvestiu nos Projetos Públicos e Privados de Irrigação, através de váriasEmpresas nacionais e estrangeiras, direcionadas ao setor frutícola, que seinstalaram na região, apropriando-se da terra e do trabalho camponês,subordinando-os a produção-comercialização da fruticultura. Nesse contexto, oobjetivo da presente Dissertação é refletir sobre a real face contraditória do“agro-negócio” no processo da subsunção do trabalho e da terra ao capital,escolha já feita na produção, e no seu corolário — o consumo. Nesse contextoos complexos empresariais do agronegócio expropriam a terra e o trabalho daunidade de produção familiar - camponesa, no município de LagoaGrande/Pernambuco. Sobre a égide do discurso do desenvolvimento local/territorial, o discurso ideológico serve para encobertar todo processo desubsunção do trabalho, da expropriação da terra, e evidentemente da próprianatureza, a partir da inserção do Grupo GVS FRUIT COMPANY no SubmédioSão Franciscano, deixando evidente como, no campo, o capital, sustentadopelo Estado, se reproduz a partir das relações predadoras, transformando tudoem matéria prima para geração de valor, em contraposição a reproduçãocampesina que resiste à reestruturação produtiva que se estabelece desde adécada de 1970, intensificada nos últimos anos com a financeirização daeconomia, do modelo do Agronegócio. Foi possível verificar nos resultados dapesquisa que os Complexos Industriais provocam de forma intensiva adesapropriação da terra, sob a funcionalidade do Estado via discurso do“desenvolvimento,” a partir de políticas de governo como o programa TitulaBrasil, garantindo judicialmente o fim dos assentamentos de Reforma agraria, areforma agrária, a reconcentração da terra, o controle total político da terra, atransformação em massa dos assentados em trabalhadores rurais e urbanosem mercadorias livres para ofertar sua força de trabalho, o aumento do exércitode reserva garantidor de mais valia relativa, para o lucro capitalista. A presenteDissertação foi desenvolvida a partir do método do materialismo histórico-dialético, que garante a análise da realidade na sua totalidade nainterdependência dos fenômenos, em um conjunto amplo de interrelações.Como modo de operacionalizar a investigação, utilizamos a pesquisabibliográfica, a pesquisa documental, o trabalho de campo, a entrevistaestruturada e semiestruturada e a fotografia.

  • DANIELE LUCIANO SANTOS
  • Nos Trotes dos Cavalos: espaços e tempos das cavalgadas, cavalhadas, vaquejadas e pegas de boi – SE
  • Data: 29/03/2023
  • Tese
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  • Em todo o território sergipano a manutenção de diversas manifestações culturais comanimais de montaria ocorre em consonância com as diferentes formas de apropriação,pela persistente satisfação e sentido simbólico dado pelos participantes e, em parte, pelocrescente interesse da iniciativa privada e de gestões municipais e estaduais. Nessecontexto, o objeto da tese é o fenômeno em movimento pelas diferentes formas deapropriação dessas manifestações culturais que resultam em suas ressignificaçõestraduzidas pelas (re)invenções, coexistências e sobreposições. Tem por objetivo analisaras apropriações e ressignificações das manifestações com animais de montaria, a saber:cavalgada, cavalhada, vaquejada e pega de boi em Sergipe, e de forma específica: (i)compreender a linha do tempo e os significados dessas manifestações; (ii) apreender asrepresentações e as relações empreendidas para a permanência das mesmas no estado;(iii) investigar a relevância cultural, política e econômica dessas expressões da cultura;(iv) averiguar os distintos sentidos atribuídos pelas representações a essas manifestaçõese (v) discutir as perspectivas das manifestações estudadas. Para tal, estabeleceu-se umdiálogo com autores para a compreensão dos sentidos das apropriações na dinâmica daprodução cultural: apropriação enquanto sentimento de posse e pertencimento, dereconhecer algo como seu e de se reconhecer pertencente a algo (GEERTZ, 1989;TUAN, 2012); apropriação inserida no jogo de poder como propriedade material(RAFFESTIN, 1993) ou no contexto da manipulação político-ideológica da memória(HALBWACHS, 2006). Tomou-se como caminho a pesquisa qualitativa que sugereuma análise integrada do fenômeno no contexto em que ele ocorre e do qual faz parte,para isso a investigação busca ‘captar’ as formas de apropriação das manifestaçõesestudadas por meio de uma abordagem fenomenológica (MERLEAU-PONTY, 2011),com um percurso etnogeográfico (CLAVAL, 1999) articulado ao pensamento dasmultiplicidades rizomáticas (DELEUZE E GUATTARI, 1995). Os procedimentos einstrumentais adotados foram as pesquisas bibliográfica e documental, observação,diário de campo, levantamento e registro fotográfico, questionários, entrevistas etratamento das informações por meio análise do discurso (PEDROSA, 2008). Destemodo, as formas de apropriação são apontadas como determinantes para amultiplicidade do processo de ressignificação, invenção, reinvenção, sobreposições ecoexistências das manifestações culturais que se revelam entre a essência e a aparêncianos territórios e nas paisagens.

  • LAERTE FREITAS DIAS
  • DA EXPANSÃO URBANA ÀS TRANSFIGURAÇÕES SOCIOAMBIENTAIS: RISCO E VULNERABILIDADE EM FEIRA DE SANTANA – BA
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 09/03/2023
  • Tese
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  • A tese em pauta se encaminhou pela Dinâmica Ambiental, apropriando-se de conceitos analíticos da Geografia. Tem por objetivo analisar risco e vulnerabilidade socioambiental às inundações em meio a expansão urbana de Feira de Santana-BA. Pela premissa, traçou-se os seguintes objetivos específicos: compreender o avanço do tecido urbano sobre o sistema natural; configurar os aspectos climáticos e a dualidade histórica de convívio em meio as secas e as inundações; avaliar condicionantes biofísicos e a suscetibilidade às inundações urbanas; caracterizar os lugares e os grupos sociais vulneráveis. O estudo se justifica a partir dos processos de inundação e de alagamento em contexto semiárido, pela apropriação desigual do espaço urbano e das ações insustentáveis de dominação da natureza. Em termos metodológicos, tem-se revisão bibliográfica, coleta de dados secundários em órgãos oficiais, uso de fontes históricas (jornais impressos e mídias eletrônicas), processamento digital de imagens de satélite e criação de banco de dados em ambiente SIG. Além dessas, há registros de campo, tanto em períodos secos quanto chuvosos, a fim de validar os produtos gerados e descrever as configurações socioambientais. Observou-se que Feira de Santana está em pleno processo de expansão da mancha urbana, com a permanência de ações que desconsideram o sistema natural, prevalecendo os interesses dos agentes imobiliários na constituição da cidade. A exposição social às inundações perpassa pela produção da cidade, pelo uso desigual do espaço urbano, pelo avanço do processo de impermeabilização do solo e pela ocupação irrestrita aos corpos hídricos, sobretudo às lagoas. Logo, os episódios de desastres estão correlacionados a intervenção social na constituição do espaço, sobretudo ao desconsiderar os condicionantes naturais. Com base nos dados de suscetibilidade biofísica às inundações e de vulnerabilidade social, identificou-se pontos de maior risco. Os bairros Novo Horizonte, Campo Limpo, Estação Nova, Lagoa Salgada, Baraúnas e Queimadinha se destacam especialmente pela carência social em responder aos contextos de desastre. Ressalta-se a sobreposição da problemática, pois a magnitude de determinada vulnerabilidade pode configurar na permanência e no aparecimento de outras, inserindo, assim, a inundação ao contexto dos riscos híbridos. Nas áreas direcionadas à expansão urbana, conforme o Plano Diretor, foram constatados locais suscetíveis às inundações, porém de menor risco, dado ao grau de ocupação. Tal fato remete a necessidade em formular e implementar ações de planejamento capazes de considerar o sistema biofísico ao longo do avanço acelerado da mancha urbana.

  • BISMARQUE LOPES PINTO
  • GEODIVERSIDADE E GEOCONSERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO GEOMORFOLÓGICO DO MUNICÍPIO DE JACOBINA/BA
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 28/02/2023
  • Tese
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  • O entendimento da Geodiversidade e da Geoconservação surge a partir da problemática ambiental global apontada inicialmente no campo da geologia, onde se percebeu um rastro quase que irreversível de desequilíbrio nos sistemas geológicos sensíveis às ações antropogênicas e essenciais para a manutenção da vida. Nesse aspecto, a Geodiversidade está fundamentada no reconhecimento sistêmico dos Locais de Interesse Geomorfológico (LinGeo) e sua relação com as atividades humanas. A pesquisa teve como objetivo geral inventariar o patrimônio geomorfológico do município de Jacobina/BA para o estabelecimento de estratégias à geoconservação dos Locais de Interesse Geomorfológico (LinGeo’s). Para cumprimento dos objetivos estabelecidos, no decorrer do processo investigatório, adotou-se os princípios teóricos/metodológicos da geodiversidade e da geoconservação, articulados com a proposta elaborada por Libout (1971), que define os quatro níveis da pesquisa geográfica e direciona as etapas em uma sequência compreensível para apresentação dos resultados. Assim, os procedimentos metodológicos em distintas fases seguiram os níveis compilatório, correlativo, semântico e normativo. O processo de inventariação seguiu a demonstração da raridade e potencialidade dos ambientes frente às ações antropogênicas e às funcionalidades natural, científica e turística. Os LinGeo’s foram devidamente ordenados em patamares de maior necessidade para a geoconservação. As proposições sinalizadas são práticas, de baixo impacto econômico e podem ser facilmente acatadas pelo poder público, além da instalação dos painéis geoinformativos que garantem à comunidade e aos turistas um entendimento didático da evolução e configuração geomorfológica de cada ambiente seriado. As ações antropogênicas, especialmente destacadas pela mineração, turismo e urbanização, vêm pressionando negativamente os sistemas geomorfológicos do município de Jacobina. Na mineração, isso se comprova no desenvolvimento de sequenciais processos erosivos, levando a perdas de solos, comprometimento da biodiversidade e assoreamento dos canais fluviais próximos às serras, além das duas barragens de rejeitos que promovem um alto risco para a população urbana e para toda a morfodinâmica local, em caso de rompimento. Portanto, o inventário do patrimônio geomorfológico do município de Jacobina é peça-chave para o planejamento e ordenamento do seu uso e ocupação, para a realidade atual e futura, haja vista que o documento produzido classifica os ambientes geomorfológicos que requerem maiores cuidados para a sua geoconservação.

  • LUIZ CARLOS TAVARES DE ALMEIDA
  • EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA: (DES) SOCIALIZAÇÃO E SUBSUNÇÃO DO TRABALHO AO CAPITAL
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 28/02/2023
  • Tese
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  • Partindo do pressuposto de que a educação possui uma relação “orgânica” com a estrutura social a qual pertence, uma vez que é parte desta totalidade e é por ela engendrada, o objetivo geral dessa tese é analisar o processo de empresariamento da educação pública e sua relação com a promoção do empreendedorismo no currículo escolar, com destaque para o processo de reestruturação curricular do Ensino Médio da educação pública do estado de Sergipe. Para tanto, seu desenvolvimento amparou-se na análise e questionamento da radical interferência dos setores empresariais na elaboração e condução da política educacional, sobretudo, ao editar, por dentro dos processos educacionais, a imposição irrestrita de um ideal de formação humana tendente ao conformismo e à adaptação dos sujeitos à precariedade própria das relações de trabalho atuais. Imbuída de um caráter ideológico instrumental, a Reforma do Ensino Médio foi imposta como um processo natural de modernização, tratada como medida alheia às relações de poder e sem historicidade. Nesses termos, o ponto nodal da chamada “educação empreendedora”, preconizada pela reforma do ensino médio e pela nova BNCC, é afirmar o individualismo como princípio ético-político para legitimar a noção de meritocracia, estabelecendo nexos entre a empregabilidade, o empresariamento de si, o modelo de Estado mínimo, o trabalho flexível e o padrão de acumulação nos termos neoliberais. Para dar conta dessas múltiplas determinações definidoras do real concreto, essa pesquisa foi estruturada em três pilares fundamentais - Estado, capital e trabalho. Segundo Mészáros (2015), esses pilares lastreiam todo sistema do capital, são eles os responsáveis por alimentar, a partir de contradições estruturais, um círculo vicioso de práticas corretivas e de coesão social historicamente insustentáveis. Em termos de método, esta tese está fundamentada no materialismo histórico-dialético, adotado como método de interpretação da realidade, visão de mundo e práxis, e na teoria Histórico-Crítica, referência analítica sem a qual não teríamos avançado na compreensão e questionamento da dinâmica instrumentalizadora do trabalho educativo. Os trabalhos de campo foram pensados e articulados tendo em vista a necessidade de captar a dinâmica concreta objetivada pelos sujeitos da pesquisa. Todo esse cenário tem apontado para um processo em curso – o aprofundamento da dualidade educacional, da instrumentalização dos processos formativos e do aprimoramento de uma cultura educacional (fortemente influenciada pelas pedagogias do “aprender a aprender”) comprometida com o desenvolvimento de pautas individualistas e com a adequação do trabalho (via transferência de competências e habilidades de teor instrumental) a precariedade própria do mercado informal.

  • GREIZIENE ARAÚJO QUEIROZ DE SOUSA
  • A EXPRESSÃO TERRITORIAL DA COMIDA DE RUA EM ILHÉUS E ITABUNA-BA
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 27/02/2023
  • Tese
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  • O objetivo desta tese é compreender a expressão territorial da comida de rua em Ilhéus e Itabuna-BA. Em consonância com esse desígnio, foram traçados os seguintes objetivos específicos: estabelecer os nexos entre a história da alimentação e a técnica; analisar o sistema alimentar urbano com ênfase na comida de rua; investigar as etapas de elaboração, comércio e consumo que compõem o circuito da comida de rua e discutir a função da comida de rua nos âmbitos econômico e sociocultural. O estudo proposto centra-se em três categorias de análise, são elas: a técnica, o trabalho e o território. Para investigar a técnica, recorre-se à história da alimentação, aos saberes e fazeres e aos objetos envoltos na temática. O trabalho é elucidado por meio das etapas de elaboração, comércio e consumo da comida. O território é evidenciado nas relações de consumo, econômicas e culturais, na apropriação do espaço pelo trabalho informal, nos alimentos identitários e nos vínculos territoriais. Parte-se da problemática do desemprego estrutural e seus desdobramentos para aqueles que vivem da comida de rua. Metodologicamente, optou-se pela pesquisa bibliográfica e pela coleta de dados secundários em instituições oficiais. Utilizou-se também do diário de campo, de planilha de observação, de registros fotográficos, com a utilização de estúdio portátil, entrevistas semiestruturadas com a técnica snowball para obtenção de dados primários. Os resultados apontam para a necessidade de reformulação do conceito de comida de rua, proposto nesta pesquisa como alimentos, comidas e bebidas territorializados nos espaços públicos, portadores de vínculos territoriais e de sociabilidade. Considera-se também que a comida de rua se manifesta sem constrangimento por ser acessível quanto ao preço e à localização. Expressa-se pela visibilidade, espraiada em ruas, praças, praias e calçadões em forma de bancas, barracas, bicicletas, carrinhos, trailers, food trucks ou do corpo humano portando objetos como sacos plásticos, isopor, caldeirão e caixas plásticas. Seja na fixidez cotidiana enraizada nas praças, nos quiosques, em torno das instituições públicas, como também pela fluidez no movimento de circularidade territorial que adentra lojas, clínicas e prédios comerciais, o trânsito e as areias do litoral. Expressa-se na organização do trabalho individual, familiar ou em relações patronais e também na mudança fisionômica da comida de rua do café da manhã, do almoço e do jantar em função do trabalho e/ou do lazer. Conclui-se que a comida de rua contribui com a circulação do dinheiro na cidade no consumo equipamentos, insumos e alimentos para elaboração da comida; é parte importante do sistema de refeições a um custo acessível, o que ameniza a fome oculta e a fragilidade alimentar nos centros urbanos; enaltece a cultura local; contribui com o bem-estar pela saciedade, pela comensal idade pela mixofilia e pelo lazer; e ainda é uma ocupação temporária na alta estação, uma renda extra para os que possuem emprego formal e um ofício para os que se dedicam exclusivamente a essa atividade.

  • RAFAEL DA CRUZ
  • MORFODINÂMICA DE PRAIAS DISSIPATIVAS E OS PROCESSOS EROSIVOS INTRAURBANOS NO MUNICÍPIO DE ARACAJU/SE
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 27/02/2023
  • Dissertação
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  • O espaço urbano se apresenta como uma das maiores expressões de transformação do meio físico. Uma delas é o desenvolvimento da erosão acelerada com a quebra do equilíbrio ambiental pelas atividades humanas. Para todos os casos, o uso e o manejo inadequado do solo urbano e/ou rural levam a ocorrência dos processos erosivos acelerados, muitas vezes de caráter irreversível. Aracaju não fugindo a regra dos demais centros urbanos em expansão, vem ao longo do tempo apresentando problemas relacionados a erosão tanto na zona costeira, quanto na zona intraurbana, sobretudo nas encostas localizadas nas porções norte e oeste da cidade que se constituem em áreas potenciais de risco para a população mais carente. Neste contexto, a pesquisa, em termos gerais, visou analisar a morfodinâmica costeira e os processos erosivos intraurbanos no município de Aracaju, na perspectiva de contribuir para a implementação de políticas públicas que compatibilizem a natureza com a sociedade direcionando a gestão territorial local no processo de ocupação e uso do solo. Para cumprimento dos objetivos, no decorrer da investigação utilizou-se a Teoria Geral dos Sistemas como método de abordagem, articulada com a análise quali-quantitativa. Os procedimentos metodológicos conduzidos em etapas distintas, basearam-se no levantamento bibliográfico e de documentos cartográficos e outros registros; trabalho de campo, com registro fotográfico e trabalho de gabinete, com análise laboratorial. Dentre outros resultados, constatou-se que na zona costeira, a ocupação nas proximidades da linha de costa, desde o início desordenada, contribuiu para a intensificação do processo erosivo, com maiores ocorrências nas desembocaduras dos rios Sergipe (Praia dos Artistas - Coroa do Meio) e Vaza Barris (Praia do Viral - Mosqueiro) onde a destruição causada pelo movimento das ondas e dinâmica das marés caracterizam a ação do balanço sedimentar negativo. No espaço intraurbano municipal, a ação erosiva ganha expressividade nas encostas que exibem feições em estágios diferenciados de evolução (sulcos, ravinas e voçorocas) indicando possibilidades de riscos para a população que as ocupam e das suas proximidades. Conclui-se, portanto, que o litoral do município em diversas escalas temporais vem experimentando avanços e recuos da linha de costa demonstrando tendência à progradação, à estabilidade e à erosão em graus de exposição e vulnerabilidade física bem diversificados, sendo perceptível a manifestação do fenômeno erosivo severo e em grau moderado nas desembocaduras fluviais e em alguns pontos específicos gerando déficits no balanço sedimentar. No espaço intraurbano, as localidades potencialmente favoráveis ao desenvolvimento de sulcos, ravinas e voçorocas, devem contemplar, na elaboração da carta Geotécnica, estudos de suscetibilidade à erosão, permitindo orientações, não somente de caráter preventivo contra o surgimento de voçorocas, mas, também, como condição básica para a correta concepção e o sucesso de obras de correção, quando o processo erosivo já está instalado.

  • JEFERSON MARQUES DA SILVA
  • O avanço do agronegócio em Nossa Senhora de Lourdes/SE: dissipação dos cultivos tradicionais e desconfiguração da cultura alimentar
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 24/02/2023
  • Dissertação
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  • O alimento, sua produção, comercialização e consumo se constituem em uma temática relevante, principalmente a partir da conformação do modelo dominante de produção agrícola vigente, denominado de agronegócio. Trata-se de um modelo que prioriza as commodities, alicerçado pelo uso exacerbado de insumos químicos, impacta de forma negativa nos ambientes alimentares com a redução de forma drástica do cultivo de alimentos, contribui para a formação de desertos alimentares e reflete no crescimento da insegurança alimentar e nutricional. O objetivo desta pesquisa consiste em analisar as transformações na dinâmica produtiva da agricultura no território do município de Nossa Senhora de Lourdes/SE e suas implicações na produção, na comercialização e no consumo de alimentos. A dissertação está fundamentada nos parâmetros de uma pesquisa qualitativa. Os procedimentos metodológicos basearam-se na revisão teórica da categoria geográfica território, discussões a respeito do agronegócio, ambientes alimentares e soberania e segurança alimentar e nutricional. Na sequência foram realizadas análises documentais de dados secundários e informações que tratam das dimensões socioeconômicas e agropecuárias do recorte da pesquisa. Foram realizadas as entrevistas semiestruturadas, pautadas na técnica snowball com agricultores, proprietários de estabelecimentos que comercializam alimentos, consumidores, feirantes e representante das secretarias de agricultura e saúde. Constatamos que, embora o município esteja distante dos centros econômicos do Brasil, foi influenciado pelos ideais apregoados pelo agronegócio, com aumento da produção agrícola de mercadorias – milho em detrimento de alimentos básicos da dieta dos habitantes. Em contrapartida, observamos nos estabelecimentos comerciais o predomínio dos alimentos ultraprocessados e minguados alimentos in natura e minimamente processados. A elevada oferta dos produtos ultraprocessados e a facilidade de acesso contribuem para alterações de hábitos alimentares da população. Portanto, consideramos fulcral o desenvolvimento de ações intersetoriais em âmbito municipal que estimulem também a prática agrícola de alimentos com vista a garantir a Segurança Alimentar e Nutricional dos munícipes e a difusão de projetos educacionais com vistas a educação alimentar.

  • KAROLAINE SANTOS SILVA
  • A MANIFESTAÇÃO DAS ARBOVIROSES E SUAS ASSOCIAÇÕES AOS CONDICIONANTES SOCIAIS E DE SAÚDE NO AMBIENTE CITADINO DE TOBIAS BARRETO/SE
  • Orientador : MARCIA ELIANE SILVA CARVALHO
  • Data: 15/02/2023
  • Dissertação
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  • As arboviroses denominam um grupo de doenças que são transmitidas para o ser humano por vetores, como os mosquitos. Dentre as arboviroses comuns estão: dengue, Chikungunya e Zika, que são doenças endêmicas e epidêmicas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, principalmente em ambientes citadinos. Estas enfermidades afetam o processo saúde-doença das populações por meio da influência dos fatores sociais, econômicos e ambientais, ou seja, estão correlacionadas aos condicionantes sociais e de saúde para permanência e ocorrência delas. A integração desses fatores permite evidenciar que são vários os indicadores que afetam a dinâmica espaço-temporal das arboviroses. Assim, tem-se como objetivo geral analisar a configuração das arboviroses e a influência dos condicionantes sociais e de saúde para a ocorrência destas doenças na população da cidade de Tobias Barreto/SE. No território analisado, apresenta-se anualmente múltiplos casos de arboviroses na população, isso torna importante realizar estudos que corroborem para o entendimento da manifestação dessas doenças na população. Para atingir o objetivo proposto, a metodologia adotada consistiu no levantamento bibliográfico, cartográfico, documental e pesquisa de campo, utilizando-se dos conhecimentos da Geografia da Saúde e da Geografia Socioambiental para analisar os dados obtidos, com elaboração de gráficos, tabelas, modelos e mapeamentos acerca da realidade encontrada. Os resultados obtidos no Sinan/Net, no período de 2010 a 2020 permitem concluir que dentre as arboviroses no município de Tobias Barreto/SE, a dengue apresentou os maiores quantitativos de casos notificados e confirmados, com 2.072 casos confirmados. Após, o ano de 2015 surgem as notificações das outras duas arboviroses. Destas, no período de 2015 a 2021, a Chikungunya registrou 18 casos confirmados por análise laboratorial e a Zika que apresentou somente um caso confirmado da doença. Grande parte dos casos confirmados localizavam-se na cidade e no bairro Centro. Elemento este, que indica incompletude dos dados, e que se reforça pelos dados do LIRAa tobiense de 2021 e 2022 em que a configuração denota que os bairros periféricos possuem as condições propicias para desenvolver os possíveis locais criadouros do mosquito vetor. De modo geral, na cidade de Tobias Barreto/SE os condicionantes sociais e de saúde expressados pelo esgotamento sanitário, coleta de lixo, abastecimento de água, alfabetização e renda, dentre outros fatores permitiram concluir que as áreas com graus mais elevados de contrair as arboviroses estão localizadas nas periferias, principalmente nos aglomerados situados nas bordas citadinas. Para além disso, constatou-se que deve ser realizado o planejamento territorial urbano e as ações em saúde adequados pelos atores políticos para tomar as decisões de combate, controle e erradicação das doenças com o intuito de sensibilizar os atores sociais.

  • MICHELLE PEREIRA DA COSTA DA SILVA
  • CLIMA URBANO: INTERFACES TERMODINÂMICA E HIDRODINÂMICA NO CONTEXTO SOCIOAMBIENTAL DE FEIRA DE SANTANA - BA
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 10/02/2023
  • Tese
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  • A urbanização tem notabilizado que é necessário considerá-la como fenômeno integrante da dinâmica ambiental, visto que as transformações decorrentes desse processo causam modificações e configuram novas características aos componentes biofísicos. Perante tal reflexão, considera-se interfaces dos processos hidrodinâmicos e termodinâmicos como subsistemas do clima urbano. Situa-se neste contexto, o município de Feira de Santana – Bahia, considerando seu espaço urbano em expansão e com significativas alterações na paisagem – como ambiente favorável ao desenvolvimento de um clima próprio. Evidenciam-se os objetivos específicos: caracterizar os aspectos geoecológicos, com ênfase no comportamento climático; identificar a morfologia e os atributos geourbanos da paisagem; avaliar os subsistemas térmicos e hidrodinâmicos; definir tipo e padrão sazonal das implicações socioambientais dos processos hidrodinâmicos. Para tanto, relações sistêmicas convocam uma apreciação geográfica, que possibilita relacionar causas e efeitos socioambientais, tendo a paisagem como categoria de análise, pautada no Sistema Clima Urbano (SCU). A metodologia apresenta conjunto de procedimentos, atributos qualitativos e quantitativos, organizados nas seguintes dimensões: clima, metabolismo e morfologia urbana, regularização biohidroclimática e impactos hidrodinâmicos. Apresenta-se amplitude, assimetria e a dispersão das chuvas na escala mensal e anual, comprovando que os meses com maior variabilidade ocorrem no início do verão e no outono. É neste período sazonal que o maior número de registro jornalístico sobre o campo hidrodinâmico foi identificado na escala temporal de 1990-2021. Bairros como Campo Limpo, Queimadinha e George Américo convivem historicamente com problemas de alagamentos e/ou inundações. Por outro lado, o campo termodinâmico apresentou aumento da amplitude térmica, formando ilha de calor, decorrentes da diminuição de área coberta de vegetação e aumento das superfícies impermeáveis. Medidas itinerantes em transectos apontam condições de temperatura e umidade do ar em função das características geourbanas; Diferença térmica caracteriza extremos de formação de ilha de calor e áreas redutoras de temperatura. Ratifica-se o potencial das lagoas e áreas verdes como amenizadoras da temperatura e aumento da umidade. Em síntese, a ampliação da mancha urbana representa não só a produção do espaço seguindo interesses estratégicos – especulação imobiliária, mas também um cenário sujeito a omissão, sobretudo em problemas estruturais locais que permeiam o tecido urbano, face às vulnerabilidades socioambientais urbanas.

  • ELAYNNE MIRELE SABINO DE FRANÇA
  • SAVANIZAÇÃO ANTRÓPICA DE AMBIENTES NO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 06/02/2023
  • Tese
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  • Alterações antrópicas de espaços naturais, de maneira irrestrita e constante, vêm contribuindo para perturbações no quadro ecológico. Tal aspecto instaurado com a supressão ou conversão da vegetação no âmbito semiárido, de caráter heterogêneo, instala o cerne para degradação ambiental de terras com formação florestal e Caatinga Agrestada. Assim, a monotonia de paisagens respalda na compreensão de espaços sujeitos a em virtude da transformação fitofisionômica e geoecológica. No contexto, a pesquisa teve por objetivo analisar as interações bioclimática e antrópica enquanto fomentadores para modificação e/ou intensificação do processo de savanização no semiárido pernambucano, tendo como referências, os municípios de Garanhuns, Caetés e Venturosa. Tomou-se como aporte teórico-metodológico a abordagem sistêmica, pois constitui elemento para análise da complexidade da paisagem, orientados pelas dimensões estrutural e antropogênica. Além do uso de técnicas de processamento digital e elaboração de dados com auxílio das geotecnologias e atividades de campo. A área é caracterizada por regime hidrotérmico em três tipologias do clima, a saber: Sub úmido, Sub úmido Seco e Semiárido. Recepciona influência de sistemas meteorológico-climáticos que interferem na variabilidade da precipitação, perante o comportamento anual e balanço hídrico. Ademais, fornece condições para ocorrência de elementos bióticos como a vegetação, de formação florestal e savânica com característica estacional xerófita caducifólia. Assim a dinâmica clima, vegetação e ação antrópica associadas interferem em processos biogeoquímicos de autorregulação do sistema natural. Inclusive o uso e cobertura da terra demonstrou evidências a respeito do estado ambiental da paisagem e alerta sobre indícios de espaços degradados. Infere-se que diante do quadro em tela determinadas porções das unidades apreciadas revelam ocorrência da savanização antrópica.

2022
Descrição
  • CECÍLIA LAÍS SANTANA DA SILVA
  • CADEIA PRODUTIVA DO LEITE E A PEQUENA PRODUÇÃO EM SANTA ROSA DO ERMÍRIO (POÇO REDONDO/SE): ASSIMETRIAS E SUBORDINAÇÕES
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 14/12/2022
  • Dissertação
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  • A pecuária leiteira está presente em pequenas propriedades, sendo tradição no semiárido sergipano. Devido à sua relevância histórica e econômica, o leite e a produção de seus derivados têm sido alvo de pesquisas em Sergipe, posto que é fonte de renda e de sobrevivência. Nesse sentido, Poço Redondo é o município que mais produz leite em Sergipe atualmente, o que pode indicar um processo de reorganização da bacia leiteira do Alto Sertão. Diante disso, busca-se entender em qual contexto surge este aumento produtivo; analisar a inserção do pequeno produtor na cadeia produtiva do leite do povoado Santa Rosa do Ermírio em Poço Redondo/SE face à subordinação, à assimetria. Para a consecução desse objetivo: identificou-se a estrutura da cadeia leiteira produtiva local, no que se refere à produção sócio-espacial e ao seu impacto regional; explicar a funcionalidade do Estado, através da Assistência Técnica, da Extensão Rural, das políticas de financiamento e de acesso à tecnologia, para inserção dos agricultores na cadeia leiteira local; compreender as relações de produção, circulação e consumo do leite estabelecidas pelos produtores; avaliar as mudanças e as permanências socioeconômicas provocadas pelo arranjo leiteiro local no povoado. Assim, como decurso da aplicação do materialismo histórico, as nuances da produção leiteira no Povoado Santa Rosa do Ermírio - A Terra do Leite - podem ser compreendidas enquanto parte de uma macroestrutura do sistema econômico-político e em sua relação com o município de Poço Redondo e o estado de Sergipe. Nessa perspectiva, a partir da aplicação de questionário semi-estruturado foi observado que a realidade no que tange a produção de leite no povoado é complexa: não há uma homogeneização entre os produtores, quanto aos tipos e/ou tamanho de propriedade, de modo que há variabilidade grande tanto entre a produção de leite (litro), quanto no que se refere às estruturas das propriedades e no capital de giro para reinvestimento na atividade. Além disso, verificou-se em campo que a produção de leite no povoado tem aumentado nos últimos dez anos. Isto posto, apesar da produção de leite ter aumentado como um todo, é visível que a daqueles produtores maiores cresceu consideravelmente, o que pode ter levado ao aumento exponencial da produção de leite total do povoado. O aumento produtivo é atribuído a alguns fatores, principalmente, ao fator melhoramento genético. Outro aspecto interessante é a disseminação de tecnologia (material genético) ocorre de forma direta e indireta: os maiores proprietários adquirem de forma direta os meios reprodutivos de material genético ou compra de gado selecionado: e de forma indireta, com recria do gado e venda dos bezerros há disseminação pelo povoado de gado geneticamente modificado, não só mais resistentes às condições climáticas, que favorecem o manejo sanitário, como os animais são mais propícios a ganhos de produção maiores. Ademais, o Estado tem papel importante na melhoria genética através ações de extensão, como por exemplo, cursos sobre inseminação artificial no Território do Alto Sertão direcionados aos produtores de leite. E não menos significativo, o que contribui para a produção de leite no povoado é o histórico dessa atividade econômica, que é tradição na geração de renda destes sertanejos e que se perpetua entre gerações diferentes.

  • PAULO HENRIQUE NEVES SANTOS
  • Avaliação geoecológica da produção de energia eólica onshore no litoral sul e norte de Sergipe
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 07/12/2022
  • Dissertação
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  • As agendas mundiais em torno das problemáticas climáticas demandam da humanidade práticas mais sustentáveis que minimizem os impactos derivados das atividades humanas sobre a paisagem. Nesse sentido, a produção de energia eólica é destacada como uma das práticas mais promissoras no segmento energético para atender as agendas sustentáveis. Entretanto, a implantação de parques eólicos onshore na zona costeira vem desencadeando problemáticas socioterritoriais, em muito, causado pela marginalização do contexto socioterritorial, apontado como um dos principais impactos dessa matriz energética. Diante disso, o presente estudo busca contribuir na mediação entre as necessidades da humanidade no embate contra as problemáticas climáticas, ao mesmo tempo que se esforça em propor modos de exploração da paisagem que não desencadeem conflitos socioterritoriais. Para isso, foi adotado uma abordagem teórico-metodológica que se fundamenta sobre os preceitos do enfoque funcionalista da Geoecologia das Paisagens, analisando os condicionantes geoambientais para a produção de energia eólica onshore, classificandos-os a partir da matriz SWOT, em um recorte de 5 km de distância da linha de costa, tanto no litoral sul e quanto no litoral norte do estado de Sergipe. Composto por morfologias do Terciário e do Quaternário, a morfoestrutura do litoral norte e sul sergipano é marcada pela dinamicidade e instabilidade, em geral, frágil frente aos processos urbano-industriais, onde está inserido um complexo mosaico socioterritorial, sendo encontrado o predomínio de atividades turísticas, de segundas-residências, de produção de camarão e por práticas de subsistências por comunidades tradicionais e quilombolas. A partir das avaliações, foi evidenciado que as morfologias Quaternárias não são adequadas para a implantação de parques eólicos, uma vez que são intrinsecamente atreladas à dinâmica dos ventos, onde qualquer alteração artificial desta dinâmica pode desencadear processos de degradação dos campos dos depósitos arenoquartzosos, fundamentais para a proteção do litoral sergipano frente aos cenários de variação do nível médio do mar. Por outro lado, as morfologias Terciárias, quando situadas a uma distância inferior a 5 km da faixa litorânea, podem ser as áreas mais indicadas para a implantação de energia eólica onshore no litoral sul e norte de Sergipe, uma vez que se apresentam com uma morfoestrutura relativamente mais estável do que a Planície Litorânea, possuem infraestrutura rodoviária adequada e tem baixo potencial para geração de conflitos socioterritoriais frente aos usos que são desenvolvidos neste recorte espaço-temporal. Nesse sentido, considerando o recorte espacial adotado, as morfologias dos Tabuleiros Costeiros situadas no litoral norte de Sergipe são as áreas geoecologicamente mais adequadas para a produção de energia eólica onshore, embora seu relevo possua certo grau de rugosidade, os Tabuleiros apresentam uma estrutura morfológica mais estável do que as morfologias Quaternárias, dispõem de uma incidência dos ventos similar a Planície e apresentam potencial para conflitos socioterritoriais relativamente menor pela dinâmica socioeconômica atual.

  • ACACIA SANTOS DE ARAUJO
  • O protagonismo das Marisqueiras de Ilha Grande/SE como Agentes de Desenvolvimento Local
  • Orientador : DEAN LEE HANSEN
  • Data: 31/08/2022
  • Dissertação
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  • Ao dialogarmos sobre a categoria território realizamos uma abordagem conceitual nos diferentes estudos da Geografia, considerando-o como parte ou resultado das relações sociais a partir do vivido. Através das dimensões conceituais sobre o território, podemos destacar as relações sociais e simbólicas que influenciam na dinâmica econômica contribuindo assim no desenvolvimento local, que por sua vez é incentivado pela mobilização e organização comunitária que são importantes para a criação de estratégias sociais impulsionando a cadeia produtiva para melhor contribuir no desenvolvimento humano, social e econômico. Nesse contexto, se faz necessário destacar os impactos ambientais que afetam o ecossistema manguezal e causam danos irreparáveis e a sustentabilidade que é importante para que o uso dos recursos naturais seja segurado, beneficiando assim a geração atual e as gerações futuras. Nesse cenário que as marisqueiras se encontram, elas são invisíveis ao mesmo tempo que são protagonistas no que se refere a atividade pesqueira, que, tendo em vista as circunstâncias dessa dualidade, torna-se um ambiente de trabalho precarizado, marginalizado e desregulamentado que abrange uma parcela significativa da prática desenvolvida por mulheres, sendo ainda exploradas pela Divisão Social do Trabalho, fato que afirma o quão o trabalho feminino é incorporado de forma desigual pelo sistema capitalista através da desigualdade de gênero. A pesquisa foi realizada com base no método empírico analítico, a partir dos seguintes procedimentos metodológicos: aplicação de questionários e realização de entrevistas semiestruturadas entre os atores sociais, tabulação, sistematização e análises dos dados.

    O protagonismo das Marisqueiras de Ilha Grande/SE como Agentes de Desenvolvimento Local

  • FABIANA DOS SANTOS PINHEIRO
  • FINANCEIRIZAÇÃO E COOPERATIVISMO DE CRÉDITO SOLIDÁRIO: UMA ANÁLISE DA ASCOOB-COOPEC EM SERGIPE
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 31/08/2022
  • Dissertação
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  • As cooperativas de crédito são entidades de natureza civil que se constituem a partir do capital social, advindo das cotas-parte, para financiar a riqueza real de mercadorias. Desse modo, diferentemente das instituições financeiras convencionais, no espaço rural essas organizações tem caráter social na medida em que subsidiam a produção dos seus cooperados, que também são pequenos produtores rurais. Ademais, recentemente observou-se que no Brasil, alguns grupos cooperativos têm optado por integrar os princípios solidários nas suas relações de trabalho. Isso em função de se construir processos sociais mais consolidados e duradouros. Para tanto, apesar da expansão das finanças de especulação, as microfinanças – provenientes das cooperativas de crédito – tem ganhado destaque, principalmente na última década. Dessa forma, a presente pesquisa tem como proposta analítica de investigação: analisar o cooperativismo de crédito solidário frente ao processo de financeirização do campo, a partir das ações da ASCOOB-COOPEC atuando com os pequenos produtores rurais e comerciantes locais, dentro dos seus limites e contradições. Para isso, visando atingir tal proposição, os seguintes caminhos metodológicos foram adotados: pesquisa bibliográfica e reuniões para orientação, coleta e cruzamento de dados secundários, trabalhos de campo e, finalmente, sistematização das informações e construção/delineamento das reflexões contidas aqui. Por sua vez, vale acrescentar que as experiências cooperativas no Brasil tiveram um aspecto particular, tendo em vista os limites institucionais estabelecidos pelo Banco Central (entidade pública que regula o sistema financeiro nacional). Sendo assim, far-se-á uma leitura crítica sobre a atuação das cooperativas de crédito, considerando seus limites e contradições, sobretudo no atual período da financeirização. Acrescido de uma análise acerca da questão regional do cooperativismo no Nordeste e ainda destacando a condição da COOPEC neste processo. Portanto, considera-se importante debater a área de atuação geográfica da cooperativa e o seu papel social para o município de Poço Verde. Também, realiza-se ainda uma análise das mudanças recentes pelas quais a cooperativa passa e como isso atinge a dinâmica de organização dos cooperados. Ademais, busca-se compreender como essas instituições sociais vem se reproduzindo diante dos interesses privados exercidos pelas cooperativas confederadas e até que ponto isso gera conflitos de ordem local. Por fim, apesar dos gargalos, foi pontuado entre outras coisas, sua importância social, tanto para as demais cooperativas quanto para os seus cooperados.

  • GABRIEL CARVALHO SANTOS
  • PROCESSOS SOCIOAMBIENTAIS NO ESTUÁRIO DO RIO SERGIPE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 31/08/2022
  • Dissertação
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  • As relações entre homem/natureza significam interações e impactos de ordens diversas, aporte de interesse da Geografia e referência do presente estudo. A pesquisa tem como objetivo compreender os processos que provocam impactos socioambientais, vulnerabilidade na foz do rio Sergipe, e a mortandade dos manguezais, tomando como referência a urbanização, o uso e ocupação da terra, atrelados à necessidade de propor medidas de recuperação da área. Para alcançar os objetivos propostos e explanar os resultados, fez-se o uso da metodologia quali-quantitativa baseada no método sistêmico, considerando a abordagem geossistêmica. Mediante ao estudo realizou-se uma revisão teórica como subsídio, levantamentos de dados cartográficos e confecção de mapas, busca por documentação em órgãos públicos municipais, estaduais e federais, notícias em sites e jornais, trabalho in loco para fins de comprovação da teoria e registros fotográficos. O município de Aracaju passa pelo processo de urbanização acelerada, desordenada e com ocupação de APP’s – Áreas de Proteção Permanente, a exemplo da construção do Calçadão da Praia Formosa, além do aterramento de grandes campos de manguezais e planícies costeiras. Considera-se que o aumento da especulação imobiliária em direção as áreas nobres e, até mesmo de menor valor especulativo, promoveram problemas de cunho ambiental e socioeconômico. Por se tratar de um município localizado na zona costeira com clima tropical, as precipitações são maiores entre as estações do outono e inverno. Cortado por afluentes, rios, lagoas, alagados, regiões de manguezais, Aracaju possui um lençol freático rico em águas, mas que, com a instalação de redes de esgotamento há contaminação de todo complexo hídrico, uma vez que são localizados próximos a superfície, se constituindo uma problemática socioambiental.

  • ÍVIA REJANE FERREIRA SILVA
  • DECLÍNIO HÍDRICO DO BAIXO SÃO FRANCISCO: DESAFIOS SOCIOAMBIENTAIS EM PIRANHAS/AL
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 30/08/2022
  • Dissertação
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  • Os estudos realizados a partir da perspectiva da Geografia Socioambiental têm contribuído para compreensão das problemáticas advindas da interação entre a natureza e a sociedade. Dentre as problemáticas enfrentadas pelas sociedades nos dias atuais destaca-se a seca pluvial e hídrica compreendida neste trabalho de pesquisa como um risco socioambiental. Localizado na Região Nordeste, no semiárido do Estado de Alagoas, o município de Piranhas em suas relações com o sertão do baixo curso do rio São Francisco é a referência de estudo para a presente pesquisa. Nas recentes décadas (2000 a 2020), as cidades localizadas na região hidrográfica do sertão do baixo São Francisco enfrentaram períodos de escassez pluvial e, no mesmo período, o baixo curso do rio São Francisco passou por acentuado declínio hídrico. Tendo estas como problemática, realizou-se pesquisa com dados pluviométricos do município de Piranhas e de vazão do Baixo São Francisco na área que compreende o território de Piranhas em uma série histórica de janeiro de 2000 a dezembro de 2020, totalizando 21 anos e, constatou-se que de fato ocorreu o evento de seca extrema. Diante da exposição da população desta cidade distribuída em três aglomerados urbanos, Piranhas (Centro Histórico, Bairros Nossa Senhora da Saúde e Xingó), Distrito Entremontes e Distrito Piau, ao eminente risco, seca pluvial e hídrica, buscou-se a partir da percepção climática e ambiental da população reafirmar o evento climático de seca extrema e averiguar se o mesmo caracteriza-se como um risco socioambiental para a população urbana da pequena cidade sertaneja de Piranhas, localizada as margens do rio São Francisco. Constatou-se que a seca pluvial e hídrica se representa como risco para o Sistema Socioambiental Urbano de Piranhas causando impactos principalmente no setor socioeconômico do município, entretanto, verificou-se que tais impactos se manifestam de maneira distinta a depender da atividade socioeconômica e do lugar onde esteja sendo realizada, ou seja, do aglomerado urbano do município. A partir desse contexto buscou-se identificar e classificar as populações e os aglomerados urbanos socioambientalmente vulneráveis. Com o propósito de alcançar os objetivos e, por meio destes, os resultados da presente pesquisa, buscou-se empregar a metodologia quali-quantativa pautada no método geosistemico GTP (Geossistema-Território-Paisagem), auxiliados pelos procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica; pesquisa documental (levantamento pluviométrico, hídrico, cartográfico e socioambiental urbano); pesquisa de campo (observação empírica; levantamento fotográfico e aplicação de entrevistas semiabertas e questionários semiabertos). Estudos como estes são relevantes para a avaliação da vulnerabilidade socioambiental e se tornam exemplo para análises do Sistema Socioambiental Urbano de outras cidades sertanejas e ribeirinhas semelhantes a Piranhas.

  • AURELANE ALVES SANTANA
  • CATIVEIROS DO AGRONEGÓCIO NO CAMPO BRASILEIRO: uma análise da escravidão contemporânea a partir do Oeste da Bahia
  • Orientador : CHRISTIANE SENHORINHA SOARES CAMPOS
  • Data: 26/08/2022
  • Tese
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  • A presente tese tem por finalidade discutir a relação entre trabalho escravo e o desenvolvimento do capitalismo. Para tanto, debruça-se sobre a análise da funcionalidade e contribuição histórica do escravismo colonial no processo de acumulação primitiva do capital e dos fatores socioeconômicos que ocasionam a reprodução de relações laborais análogas à da escravidão no século XXI. O objetivo é afastar o entendimento do trabalho escravo contemporâneo da leitura que o compreende como uma anomalia dentro do sistema capitalista – isto é, como um fenômeno que resulta da coexistência do arcaico e do moderno, na qual as relações laborais não acompanham o avanço do capital constante e permanecem atrasadas e vistas como elementos inerentes apenas aos primórdios do capitalismo. Com este propósito, o estudo se ampara nas características da natureza do capital para mostrar que a exploração do trabalhador ao máximo, ou seja, à exaustão é intrínseca à acumulação capitalista, não sendo, portanto, algo estranho à sociabilidade que esse modo de produção impõe no tempo e no espaço. Atrelado à essa perspectiva, se evidencia que, além de produto da natureza do capital, o trabalho escravo contemporâneo também resulta da convergência de vários fatores econômicos, políticos, jurídicos e socioespaciais que viabilizam sua reprodução a partir da correlação de forças entre as classes sociais, historicamente desfavorável aos trabalhadores, e da atuação do Estado. A discussão inicia-se mostrando como a escravidão foi utilizada no continente americano e no Brasil enquanto fonte primária de trabalho para gerar riquezas às metrópoles europeias, promover o desenvolvimento do capitalismo a partir da acumulação primitiva do capital e alicerçar as estruturas de classe no interior das colônias. Com a abolição da escravidão e implementação do mercado de trabalho brasileiro, as formas de exploração que passaram a ser executadas pelo capital acarretaram no consumo excessivo da força de trabalho, com inúmeras tentativas de ampliação da jornada de trabalho, da incorporação de diferentes mecanismos de retenção da mais-valia, da baixa remuneração, etc. Diante dessas condições dadas de trabalho, debate-se como os processos de lutas da classe trabalhadora foram e são fundamentais na conquista de direitos trabalhistas, não partindo dos capitalistas nem do Estado moderno o estabelecimento de limites quanto à exploração do trabalho. Na exemplificação dessa realidade, analisa-se a incidência do trabalho análogo ao de escravo no rural da Bahia – em especial na região Oeste deste estado – e a sua relação com a expansão do agronegócio que concentra terras e se apropria de formas de exploração e expropriação que precarizam e degradam as condições de vida dos trabalhadores. A consideração em que se chega é a de que não há incompatibilidade entre a existência do trabalho análogo ao de escravo com a moderna produção de commodities verificada no agronegócio do Oeste baiano. Isto se justifica no fato de que a reprodução na contemporaneidade de relações laborais semelhantes à da escravidão decorre do desenvolvimento desigual e combinado do capital, que propicia a divisão do trabalho a partir da conjunção de distintas condições econômicas, políticas, jurídicas e socioespaciais de uma determinada formação social, bem como da natureza específica do capital de reproduzir formas de exploração do trabalho que potencializam a extração do sobretrabalho e que convergem para a reprodução do trabalho análogo ao de escravo nos dias atuais.

  • ELAYNE CRISTINA MENEZES SILVA
  • A maquinaria digital e a extração do valor em tempos de crise estrutural: entregadores de plataformas digitais e precarização do trabalho em Aracaju
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 26/08/2022
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa analisa a precarização do trabalho dos entregadores das plataformas digitais. A precarização do trabalho evidencia-se como dinâmica predominante desde a década de 1970 no Brasil, em resposta à crise estrutural do capital. As novas expressões da classe trabalhadora estão cada vez mais atreladas aos serviços, e o trabalho, a única mercadoria do trabalhador, permanece subjugado na era digital para atender aos interesses do capital, na produção de lucro, na compressão do tempo via aceleração do trabalho e pela expropriação dos resultantes. A análise da espacialização e dos movimentos contraditórios do trabalho dos trabalhadores por aplicativos digitais, à luz das mudanças no mundo do trabalho no quadro atual das relações capitalistas, norteou esse estudo, exigindo a delimitação de objetivos específicos, tais como: analisar a natureza da crise estrutural e as conceituações do trabalho no mundo contemporâneo; refletir sobre o poder da ideologia do não-trabalho e do empreendedorismo como estratégia de convencimento, subordinação e exploração do trabalho; compreender o uso de técnicas e tecnologia como parte das mudanças no mundo do trabalho, no atual estágio do capitalismo, e as contradições das plataformas digitais de intermediação do trabalho; analisar a reforma trabalhista brasileira e suas repercussões no mundo do trabalho, e compreender o perfil de trabalho e remuneração dos trabalhadores entregadores por aplicativos a partir do caso de Aracaju. Sob a perspectiva do materialismo histórico e dialético, a pesquisa ressalta a realidade dos entregadores dos aplicativos sergipanos como ponto de partida para o entendimento de que as novas formas de organização e produção do trabalho, em seu conteúdo, não diferem do trabalho assalariado. A estratégia do capital em aumentar seu poder tornou o trabalho mais precário e os trabalhadores menos propensos a enfrentar a exploração, com a negação dos direitos trabalhistas, revelando uma agenda de desmonte de direitos e precarização massiva do trabalho. A pesquisa de campo ocorre no município de Aracaju, se justificando pela presença expressiva de entregadores escancarando o desemprego estrutural e os altos índices de informalidade do trabalho no estado de Sergipe. A informalidade e/ou desregulamentação, vistas nos tempos de hoje, foram sempre elementos presentes no capitalismo. Ao invés de as tecnologias estarem a serviço do bem-estar social, elas reforçam o caráter instrumental e opressor da lógica do modo capitalista de produção, reduzindo o trabalhador na exata medida das demandas do capital e coloca-o inteiramente disponível ao trabalho, mesmo que nem sempre seja remunerado para isso.

  • LUCAS FEITOSA DOS SANTOS
  • AS CONTRADIÇÕES DO ESPAÇO RURAL DO MUNICÍPIO DE JAPARATUBA/SE: DA PRODUÇÃO DE COMMODITIES AOS ALIMENTOS AGROECOLÓGICOS
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 24/08/2022
  • Dissertação
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  • A agricultura brasileira é enfatizada pelo setor do agronegócio e da bancada ruralista no congresso como geradora de lucro e de desenvolvimento para a economia nacional. O seu valor de troca está relacionado, sobretudo, quando destinada à produção de commodities para o mercado externo, cotada nas bolsas de valores e em detrimento da produção de alimentos saudáveis destinados ao consumo humano. A partir da década de 1960 com o desenvolvimento da agricultura alicerçada no paradigma da Revolução Verde, incentivada por políticas públicas e financiamentos disponibilizados pelo Estado, ocorreram transformações mais aceleradas no espaço rural, assim como, contribuiu para a concentração de terras, de riquezas e de poder. À medida que avança o monocultivo de diferentes produtos (cana-de-açúcar, soja, milho), eleva-se o uso de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas e, em contrapartida, reduzem-se as áreas de produção de alimentos para o abastecimento interno, acentuando as problemáticas sociais e ambientais no campo com a expansão da agricultura comercial-convencional-industrial e/ou Agronegócio. Em contraposição ao modelo convencional-conservador de desenvolvimento da agricultura, emerge o paradigma da produção agroecológica baseada numa agricultura sustentável que visa o cultivo de alimentos saudáveis e sem a utilização de agrotóxicos, praticada pelos agricultores familiares camponeses organizados em entidades como a Via Campesina, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra — MST, Movimentos dos Pequenos Agricultores — MPA, Movimento Camponês Popular- MCP entre outros. Os movimentos sociais, acadêmicos e setores da sociedade civil defendem a produção agroecológica e ressaltam a importância da Segurança e da Soberania Alimentar dos povos para decidirem o que, onde e como produzir, criando alternativas ao sistema agroalimentar corporativo. Esta pesquisa se caracteriza como de abordagem qualitativa e, para o seu desenvolvimento, foram utilizadas referências como os livros, teses, dissertações e artigos que abordam a temática estudada. Paralelamente a revisão bibliográfica, realizou-se levantamento de informações e visitas de campo para as comunidades rurais na qual foram realizadas entrevistas com os agricultores familiares camponeses. A coleta de dados secundários foi extraída dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017 e da Pesquisa Agrícola Municipal — PAM realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE. Buscamos, por meio do território como categoria de análise geográfica, compreender as múltiplas dimensões, a produção dos elementos materiais e imateriais de reprodução dos sujeitos sociais estudados. Esta pesquisa também discute a produção agroecológica de alimentos no município de Japaratuba/SE, localizado no Território Leste Sergipano, as contradições, desafios e perspectivas para o cultivo de alimentos saudáveis, sem uso de agrotóxicos como estratégias de reprodução social e econômica dos agricultores familiares camponeses em contraposição ao avanço do modelo agroexportador de commodities da cana-de-açúcar, territorializado no recorte espacial estudado desde o período colonial.

  • RAIMUNDA JOYSSE PEREIRA DOS REIS NASCIMENTO
  • USOS DAS ÁGUAS DA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PAGÃO EM UMBAÚBA-SE
  • Orientador : GICÉLIA MENDES DA SILVA
  • Data: 22/08/2022
  • Dissertação
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  • As questões a respeito da disponibilidade da água na superfície terrestre estão cada vez mais atuais. Desde o surgimento da vida na Terra que a água se constitui como elemento primordial à manutenção da vida. O avanço tecnológico adquirido pelo homem, de modo mais marcante no pós Revolução Industrial, tem possibilitado cada vez a exploração da natureza e de seus recursos, dentre eles a água. Esse consumo expressivo tem direcionado os olhares do mundo para discussões a respeito da preservação e manutenção de tão escasso recurso. O objetivo deste trabalho é identificar os usos atribuídos às águas da sub-bacia do rio Pagão em Umbaúba-SE. Adotamos para este trabalho as categorias Território, Paisagem e o recorte Bacia Hidrográfica, considerando que os usos das águas delimitam territórios e modificam as paisagens. Para a obtenção dos resultados a metodologia utilizada perpassou por etapas de pesquisa bibliográfica e documental, trabalho de campo e análise e construção de material cartográfico. Os resultados alcançados dão conta de que os usos da água na sub-bacia obedecem ao padrão de uso nacional, sendo a captação majoritariamente voltada aos usos agrícolas, abastecimento humano urbano, abastecimento humano rural, industrial além de usos não consuntivos como pesca e lazer. Os estudos realizados apontam ainda que os usos aplicados às águas da sub-bacia condicionam relações de conflitos de interesse. Deste modo, esperamos, com este trabalho, suscitar discussões relacionadas à gestão das águas e manutenção da rede de drenagem no município de Umbaúba e na sub-bacia como um todo.

  • LETÍCIA MENEZES SANTOS
  • COMERCIALIZAÇÃO DOS ALIMENTOS AGROECOLÓGICOS E ORGÂNICOS NOS CIRCUITOS CURTOS EM ARACAJU/SE
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 22/08/2022
  • Dissertação
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  • Nas últimas décadas, tem crescido o número de agricultores familiares camponeses envolvidos na construção de novas alternativas agroalimentares que respeitam não só o meio ambiente, mas também os saberes tradicionais. Além do aumento dos cultivos, observa-se, também, o surgimento de diferentes espaços alternativos para a comercialização dos alimentos. Tais estratégias fortalecem a diversificação da produção agrícola, assim como contribuem para a autonomia, soberania e segurança alimentar nutricional dos agricultores. Considerando a situação atual da realidade praticada pelos povos tradicionais, pelos movimentos sociais, que lutam pela terra e pelos debates acadêmicos propostos por profissionais da área, a agroecologia pode ser definida como um movimento contra hegemônico, numa perspectiva transdisciplinar, que vai muito além da aplicação de técnicas sustentáveis ​​para geração de recursos, tendo em vista incluir, também, princípios que integram homem e natureza. Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a relevância e a dinâmica social, cultural e econômica dos agricultores familiares camponeses nos circuitos curtos de comercialização de produtos agroecológicos e orgânicos em Aracaju – SE. Para desenvolver este estudo, foi realizada a revisão bibliográfica com a leitura de teses, dissertações, livros e artigos científicos que abordam a produção agroecológica e os circuitos curtos de comercialização. Além da revisão bibliográfica, também realizamos pesquisa documental utilizando as bases e os documentos oficiais. De forma concomitante, foi realizada a pesquisa de campo nas feiras agroecológicas e nos mercados municipais, utilizando-se, como mecanismo, a observação participante, o registro fotográfico, o diário de campo e a entrevista semiestruturada, seguida da sistematização e da análise dos dados coletados. Ao considerar os resultados desta pesquisa, podemos concluir que a agroecologia avança no campo e na cidade. A necessidade de uma agricultura sustentável leva o homem a buscar novas estratégias para promover cultivos sustentáveis, “socialmente justo”, “economicamente viável” e “ecologicamente equilibrado”. Neste sentido, a agricultura agroecológica e orgânica praticada pelos agricultores familiares camponeses em Sergipe se apresenta como alternativa viável para cultivar alimentos, alicerçada por saberes e fazeres transmitidos por diferentes gerações, às quais contribuem na construção de novas formas de relações socioambientais, baseadas na cooperação, na solidariedade e no respeito à vida. Ademais, nos circuitos curtos, constata-se a demanda dos consumidores por estes alimentos nos espaços de comercialização e, na atualidade, por meio das redes sociais ou dos mercados digitais, mantendo o fortalecimento dos laços entre campo e cidade, a visibilidade dos grupos familiares, das associações, a efetiva atuação das redes de agricultores aos movimentos sociais e a relevância da agricultura agroecológica e orgânica para a reprodução social destes agricultores familiares camponeses.

  • JOYCE ALMEIDA SANTOS
  • A Barragem da Ribeira em Campo do Brito: um olhar a partir do abastecimento de água
  • Orientador : GICÉLIA MENDES DA SILVA
  • Data: 22/08/2022
  • Dissertação
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  • A região nordeste do Brasil é marcada pelos baixos índices pluviométricos. Um dos meios encontrados pelos habitantes da região para amenizar esta situação foi a construção de barragens e reservatórios. Esses represamentos das águas dos canais fluviais trazem consequências positivas e negativas à sociedade e ao meio ambiente. Dentre as positivas destacam-se o abastecimento de água, a dessedentação animal, a agricultura irrigada. Entre as negativas estão os impactos ambientais, perda de porções consideráveis da vegetação local, diminuição dos fluxos hídricos, contaminação das águas. A presente dissertação tem como objetivo analisar os usos das águas da Barragem da Ribeira em Campo do Brito e as consequentes modificações da paisagem. O foco da análise será sobre os múltiplos usos das águas do reservatório, com destaque para o abastecimento. Como caminho metodológico foram seguidas duas etapas: visitas a campo e pesquisa bibliográfica. Espera-se, como resultado do trabalho, oferecer uma melhor compreensão dos usos da água da Barragem da Ribeira no município de Campo do Brito e, consequentemente, subsidiar outros estudos desta natureza na região.

  • DÉBORA PAULA DE ANDRADE OLIVEIRA
  • NAS FISSURAS DO AGROHIDRONEGÓCIO BROTAM TERRITORIALIDADES DE ESPERANÇA EM MUCUGÊ-BAHIA
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 27/07/2022
  • Tese
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  • O objetivo desta tese é compreender as territorialidades de esperança criadas pelos agricultores familiares camponeses no contexto das transformações decorrentes da expansão do agrohidronegócio no município de Mucugê, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. Busca-se analisar, sob a ótica dos sujeitos sociais da agricultura familiar camponesa essas territorialidades, compreendidas como estratégias alternativas à manutenção e reprodução social da vida, que tem como pilar o vínculo com identitário com o território e a dimensão simbólica do trabalho na terra, elaborada em suas práticas sociais cotidianas e com o saber-fazer aprendido nos contextos da comunidade e do grupo familiar no campo. A tese está ancorada na análise qualitativa e crítica da realidade. No que tange aos aspectos de ordem teórico e metodológica, o território foi elencado como categoria central de análise, atrelado as discussões sobre territorialidade e identidade territorial, lidas como elos essenciais com o a dimensão vivida do território. Para refletir no plano conceitual sobre as territorialidades de esperança, sedimentou-se no entendimento do esperançar como movimento da luta coletiva e da organização das pessoas em prol do bem comum. A discussão teórica acerca da questão agrária e do agrohidronegócio foram alicerçados na leitura das contradições intrínsecas a reprodução e expansão das contradições do capitalismo no campo. Paralelamente, buscou-se sistematizar dados secundários relativos às condições sociais de vida da população local, além da elaboração de mapeamentos e pesquisas de campo in locus, que envolve observações diálogos e vivências, além da realização de entrevistas semiestruturadas. Na leitura da realidade em questão, constatou-se que o agrohidronegócio transformou os territórios rurais de Mucugê, impondo lógicas capitalistas de trabalho na terra. Além das repercussões sociais, relativas à exploração e precarização da força de trabalho no campo, verificou-se também a degradação dos ambientes com os riscos de contaminação dos recursos naturais com as aplicações dos agrotóxicos usados nas lavouras do monocultivo de batata inglesa. A implantação da barragem do Apertado, em 1998 acentuou o processo de dominação territorial e concentração fundiária no município, de modo a reduzir o território destinado a agricultura familiar, que mesmo em condições tão desfavoráveis, r-existe. Nessa r-existência persistem formas alternativas de trabalho e vida pautados na sociabilidade camponesa, com iniciativas agroecológicas e de economia solidária baseado no trabalho coletivo nas comunidades rurais. Os índices socioeconômicos locais repercutem as contradições sociais intrínsecas ao agrohidronegócio, nos quais foi possível comprovar que a enunciada riqueza e o desenvolvimento proclamado pelos defensores do agrohidronegócio raramente têm contribuído para a melhoria das condições de vida da população local. A criação das territorialidades de esperança pelos sujeitos da agricultura familiar camponesa constitui-se como uma estratégia de reprodução social e permanência nos seus territórios de vida e trabalho no campo.

  • FRANCIELY SANTOS CUNHA
  • A produção capitalista no/do espaço rural-urbano: o caso do Povoado Flechas em Itabaiana/Sergipe
  • Data: 30/06/2022
  • Dissertação
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  • A presente Dissertação tem como tema o estudo do processo de produção do espaço no modo de produção capitalista, através da articulação entre o mercado imobiliário e o capital financeiro em áreas periurbanas. Nesse contexto, em sua lógica de acumulação e ampliação do lucro, o modo capitalista de produção, necessita criar novos espaços, bem como adaptar e recriar espaços já existentes. A análise capitalista marxista sob a tríade: proprietários fundiários, incorporadores imobiliários e Estado na produção do espaço aponta para a transformação da cidade como negócio. Em seu processo de expansão, o capital faz uso de diferentes estratégias de ação. Em áreas rurais-urbanas, uma das formas encontradas pelo capital para continuar se reproduzindo é através da atuação do capital financeiro imobiliário, consequentemente, a especulação imobiliária promovida em áreas rurais altera as relações sociais e promove a alienação dos sujeitos na produção do espaço. A partir dessa perspectiva, o presente estudo tem como objetivo geral analisar o processo de expansão do capital financeiro imobiliário em áreas rurais-urbanas, tendo como área de estudo o Povoado Flechas em Itabaiana/SE. Nas áreas limítrofes ao referido Povoado, constatou-se nos últimos anos o lançamento e implantação dos Loteamentos Santa Mônica I e II. Tal empreendimento estabelece uma relação dialética no espaço rural-urbano, fomentada pelo processo de acumulação do capital. Para atingir o objetivo proposto optou-se pelo método materialismo histórico e dialético, que possibilita compreender como as contradições inerentes ao modo de produção capitalista se materializam na produção do espaço. Como procedimentos metodológicos, utilizamos a pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, trabalhos de campo e registros fotográficos. As transformações produzidas no espaço garantem a lógica de acumulação de capital, permitindo a continuidade do modo de produção capitalista, caracterizado por contradições e desigualdades impostas tanto ao campo como a cidade.

  • VICTOR DE SOUZA CARDOSO
  • A Embrapa na reprodução do capital no campo
  • Data: 31/05/2022
  • Dissertação
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  • Desde sua criação à contemporaneidade, a Embrapa perpetuou-se como sustentáculo da expansão capitalista no campo brasileiro, articulando e viabilizando os meios científico-tecnológicos necessários não somente para a garantia dos altos níveis de produtividade como também para assegurar as condições ideais da produção agropecuária. Para tanto, a empresa pública alterou suas estratégias, incorporando conceitos e práticas em seu repertório, à medida que surgiram novas demandas político-econômicas ao longo do tempo. Tais transformações não significaram uma modificação no seu objetivo principal, isto é: a agregação de competitividade do agronegócio brasileiro – mesmo que, nos últimos anos, à luz de signos como o do desenvolvimento rural, da inclusão social e da sustentabilidade ambiental. Nesse cenário, a presente pesquisa objetivou analisar a produção de ciência e tecnologia na reprodução do capital no campo sergipano através da Embrapa Tabuleiros Costeiros (CPATC). Para isso, o estudo foi fundamentado nos pressupostos teórico-metodológicos do materialismo histórico-dialético, operacionalizando-os por meio de dois instrumentos metodológicos, a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental. À vista disso, os estudos realizados permitem afirmar a centralidade da Embrapa como ferramenta controladora, fiscalizadora e organizadora da pesquisa agropecuária pública nacional que, conjuntamente com o crédito e a extensão rural, permitem a continuidade da acumulação capitalista no campo. Em Sergipe, as ações do CPATC estão direcionadas especialmente – mas não somente – para algumas cultivares, como a cana-de-açúcar, os citros, o milho e, recentemente, a soja – essa última por meio da construção de uma nova fronteira agrícola para o Nordeste destinada a sojicultura e composta por parte dos munícipios dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia, a SEALBA. Por outro lado, em harmonia com as diretrizes gerais da empresa para a inclusão social dos considerados “não ajustados” à lógica mercantil, o referente centro de pesquisa passou a atuar na construção das formas alternativas de produção de base ecológica como instrumentos de inserção dos pequenos agricultores camponeses ao mercado.

  • BARTIRA ALVES DE MELO
  • DERIVAÇÕES ANTROPOGÊNICAS NO PADRÃO FITOFISIONÔMICO DO PARQUE NACIONAL SERRA DE ITABAIANA - SERGIPE
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 22/04/2022
  • Dissertação
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  • O Parque Nacional Serra de Itabaiana (PARNASI) é um exemplo de paisagem heterogênea modelada por agentes tanto geológicos quanto antrópicos. Situado em uma área de transição entre Domínio Florestal Atlântico e a Caatinga, o parque é ocupado em sua maior área por serras da faixa de dobramento sergipana (Meso/Neoproterozoico) . Essa configuração associada ao uso do solo para atividades agropecuárias e de mineração testemunha o modelado da paisagem atual. Ainda que as morfoestruturas das serras que compõem o parque indiquem semelhanças, sua fitofisionomia não testemunha essa vinculação genética. Acredita-se que, dentre outros fatores, o padrão fitofisionômico esperado para as serras pode ser influenciado pela dinâmica de uso e ocupação do parque e do entorno. Assim, tem por objetivo geral, estabelecer os padrões fitofisionômicos através das alterações entre as áreas core e ecotonais do Parque Nacional Serra de Itabaiana. Desse modo, a pesquisa seguiu quatro etapas de procedimentos: Determinação dos limites dos Sítios; Determinação dos limites dos Estados; Descrição dos atributos biofísicos e de uso da terra nas parcelas; Produção de perfil esquemático dos perfis topográficos. Com a conclusão da pesquisa, pode-se corroborar a hipótese de que a interferência das formas de usos da terra no PARNASI exerce papel decisivo nas alterações dos padrões fitofisionômicos da área. Observou-se também, a atuação da resiliência em áreas de ecótono, as quais são mais afetadas pelo fogo dos incêndios florestais.

  • PAULO ADRIANO SANTOS SILVA
  • A TERRITORIALIZAÇÃO DO AGRONEGÓCIO DO MILHO TRANSGÊNICO NO MÉDIO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : DEAN LEE HANSEN
  • Data: 22/03/2022
  • Tese
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  • Sob a égide do agronegócio, a produção de milho transgênico tem se expandido territorialmente em Sergipe, impulsionada pela atuação sistemática do Estado, na difusão das políticas de crédito e no incentivo ao uso dos pacotes tecnológicos. A expansão deste modelo produtivo de milho, baseado na lógica do mercado de commodities, tem acelerado o processo de territorialização do capital monopolista no campo, e, por conseguinte, ampliado contradições de viés produtivo, financeiro e ambiental. Com isso, o objetivo desta pesquisa é analisar o processo de territorialização do agronegócio do milho e a constituição de novas configurações na dinâmica produtiva da agricultura, tendo como lócus de pesquisa o Território do Médio Sertão de Sergipe. Para alcançar este objetivo, utilizou-se o método “circular-interativo”, ancorado na abordagem quantiqualitativa, e respaldando-se nos seguintes procedimentos metodológicos: levantamento bibliográfico; pesquisa documental; trabalho de campo; sistematização e análise dos dados primários e secundários; e reflexão dos resultados. Além disso, adotou-se, durante a pesquisa empírica, a técnica “snowball”, criada por Bailey (1994), para facilitar o processo de identificação dos sujeitos da pesquisa. Nesse contexto, constatou-se que o recrudescimento da produção de milho transgênico, no Médio Sertão de Sergipe, configura-se como reflexo de um macroprojeto estrutural do agronegócio, que se territorializou nessa área com o intuito de ampliar capital e retroalimentar outros setores produtivos, a exemplo do setor granjeiro e industrial. Baseando-se em um modelo de commodities, o agronegócio sedimentou terreno para a entrada do capital agroindustrial e financeiro, neste território. Se por um lado, a edificação da produção de milho acarretou o aumento exponencial dos índices de produtividade, por outro, ela também ocasionou o aumento da dependência dos pacotes tecnológicos, a ampliação do desmatamento e dos riscos de contaminação pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. Para além dos problemas de ordem ambiental, a territorialização do agronegócio do milho desencadeou processos de destituição de valores sociais, culturais e produtivos, outrora presentes nos hábitos alimentares e no modo de vida do povo sertanejo. Diante disso, concluiu-se que, toda construção política, ideológica e econômica, orquestrada pelo Estado, nas suas diferentes instâncias e organizações, foram instituídas, no Território do Médio Sertão sergipano, com o intuito de alavancar a produtividade de milho e ampliar o ganho de capital das empresas monopolistas, integrando-o ao macroprojeto de uma economia agrícola mundializada.

  • JOYCE KELLY DE JESUS SANTOS
  • Habitação popular na cidade capitalista: luta por moradia e MTST em Aracaju
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 14/03/2022
  • Dissertação
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  • A emergência do modo de produção capitalista ocasionou mudanças na sociedade. O desenvolvimento da indústria fez nascer um proletariado moderno que chegara as cidades despossuído para vender a sua força de trabalho. Tal processo trouxe impactos para a urbanização que passou a atender a lógica de acumulação de capital e precisou incorporar a massa de trabalhadores na sua dinâmica. Na cidade, existem várias contradições que refletem o modo de produção capitalista, sendo a moradia uma delas. Desse modo, o processo de urbanização moderna foi permeado de resistências e luta dos trabalhadores pelo direito à moradia. Atualmente no Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) cumpre o papel de organização da luta por moradia em vários estados e se firma como o maior movimento social na luta por habitação. O MTST, por meio de suas ocupações, produz o espaço urbano da cidade capitalista em uma lógica contra-hegemônica àquela imposta pelo capital, uma vez que, para esse movimento, a cidade, antes de se constituir o espaço da reprodução do capital, é onde ocorre a reprodução de vida. Como forma de luta para garantir o direito à habitação, em 2017, o MTST começou sua organização em Aracaju/SE, com atuação a partir das ocupações mapeadas na Zona Norte e na Zona Sul da cidade. O objetivo geral desta pesquisa é analisar a habitação popular no desenvolvimento da cidade capitalista. Para tanto, a fim de desvelar o fenômeno da luta dos trabalhadores por moradia em suas conexões com a exploração da classe trabalhadora e como parte da estrutura social capitalista, a pesquisa se funda no materialismo histórico e dialético, lançando mão da categoria geográfica, produção do espaço. Foram adotados os seguintes caminhos metodológicos: estudo de teorias que corroboraram com a fundamentação do trabalho, revisão do estado da arte do temário, pesquisas de campo, com aplicação de entrevistas semi-estruturadas, mapeamento das áreas de atuação do movimento, sistematização e análise das informações coletadas na pesquisa. Isso posto, a espacialização do MTST em Aracaju revela que a falta de moradia é um dado da realidade material no município, presente entre os trabalhadores mais pobres e precarizados. As ocupações se dão por esses trabalhadores em áreas mais pobres, o que reflete a organização da sua base social.

  • JOSÉ DANILO SANTANA SILVA
  • A GEOGRAFIA E A DISSIMULAÇÃO DA CRISE ESTRUTURAL na trilha do agronegócio e da barbárie
  • Data: 25/02/2022
  • Tese
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  • A inauguração histórica de período permanente de crise no sistema do capital marca uma catastrófica mudança no ritmo de acumulação. O processo de crise em seu atual estágio não representa mais um período de ajustes inerentes e necessários ao próprio sistema, no último meio século foram ativados os limites absolutos do capital de forma que todas as crises estão ancoradas numa única crise de caráter estrutural e que põe em xeque as bases que sustenta o sistema. A crise estrutural não pode ser mais ignorada, apesar de ser politicamente, economicamente, ideologicamente ou estrategicamente subdimensionada. Atualmente na Geografia, no que pese sua diversidade de abordagens e metodologias, a crise ora é internalizada como parte da sua própria constituição enquanto ciência, ora como caminho a ser superado pelo planejamento ambiental e o reordenamento territorial, ou se torna um processo desprezado face o carisma pelo culturalismo e as pautas estritamente identitárias. Por diferentes caminhos, a Geografia atua na dissimulação da crise estrutural. A economia financeirizada e em constante crise tem promovido alterações substanciais na desregulamentação das economias nacionais, impondo severas políticas de austeridade para os trabalhadores, afiançando - através do Estado - a precarização e superexploração da força de trabalho, solapamento as políticas sociais e acelerada degradação da natureza em várias partes do mundo. No Brasil, a financeirização da economia avançou também sobre o campo e encontrou no agronegócio uma forma de lucrar através do processo especulativo. Foi no curso da Revolução Verde que a agricultura financeirizada irá se desenvolver com base na tríade Estado-capital-mercado, adotando pacotes tecnológicos que gradativamente tornaram a produção do campo dependente e subordinada aos monopólios mundiais. O trator e o uso de fertilizantes NPK iniciaram esse processo que hoje tem como base o uso de agrotóxicos e sementes transgênicas. No mesmo lado da moeda, a máxima especulação financeira no mercado de commodities, bolsas de mercadorias e de futuro, fundos de renda fixa das LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e das CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e Fundos de Investimento para o Agronegócio. Em nossa tese entendemos que a estratégia do capital em garantir o controle direto ou indireto da produção está alicerçado na verdadeira natureza do agronegócio que é o processo especulativo e não a produção em si. Paradoxalmente, decorre daí a incansável preocupação do agronegócio em propagandear a exaustão que é produtivo, o “Agro é Tudo”. O real processo de lucro do agronegócio não está preocupado com seu caráter destrutivo uma vez que a fluidez da especulação possibilita um rápido deslocamento dos investimentos para qualquer parte do mundo. O modelo do agronegócio é o resultado da universalização da barbárie promovido pela crise estrutural do capital: destruindo a natureza, violentando a força de trabalho e especulando todas as esferas da vida no planeta até o máximo esgotamento.

  • FELIPE SANTOS SILVA
  • PARA ALÉM DO PLANTAR E DO COLHER: SABERES E (RE)EXISTÊNCIAS DOS AGRICULTORES GUARDIÕES DE SEMENTES CRIOULAS
  • Data: 24/02/2022
  • Dissertação
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  • Os modos de vida tradicionais e rurais são lastreados pela resistência cultural e simbólica em diferentes territórios. Ao observá-los em solo alagoano, percebeu-se uma consistente organização social no entorno dos Bancos Comunitários de Sementes (BCS) e, com isso, as territorialidades na busca pela salvaguarda desses organismos vivos. Nesse contexto, esta dissertação tem como objetivo compreender as estratégias dos agricultores guardiões de sementes crioulas para a construção de territórios alternativos de saberes e de (re)existências, pois se entende que esses sujeitos são guardiões de saberes, herdam essas sementes por gerações e (re)existem pelo cuidado diante das forças globalizantes que buscam dominar territórios rurais e tradicionais em diferentes partes do globo. Na busca dessa compreensão, foram traçados os seguintes objetivos específicos: (i) discutir o território como espaço político, social, simbólico e cultural, construtor de pertencimento e identidades; (ii) identificar as práticas dos agricultores guardiões para com as sementes crioulas; (iii) distinguir os significados materiais e imateriais das sementes crioulas para os agricultores guardiões e (iv) apreender os sentidos de ser agricultor guardião. Esta pesquisa elege o enfoque qualitativo para atingir a compreensão do fenômeno em estudo e desvelar o universo de sentidos criados no bojo das tessituras territoriais dos agricultores guardiões de sementes crioulas. Dentre os procedimentos, técnicas e instrumentos adotados estão: observação, revisão da literatura, pesquisa documental, roteiro de observação, roteiro de entrevista, diário de campo, levantamento fotográfico, gravação de áudio, transcrição e análise de conteúdo. Com os balizamentos filosóficos fundantes, foram encontrados a sociedade de consumidores (BAUMAN, 2008), como reflexo do modo de produção capitalista, e o modo-de-ser-cuidado (BOFF, 2004), como opção ao imperativo social que tem levado o planeta Terra ao atual estágio de degradação e crise civilizacional. Essas bases permitem uma análise da complexidade da sociedade contemporânea e enfatizam o modo de ser dos agricultores guardiões de sementes crioulas como exemplo de cuidado perante a sociedade e a natureza. As sementes crioulas fazem emergir desses territórios alternativos diversas territorialidades pela salvaguarda das sementes e pelas estratégias de (re)existências fundadas cuidado. A perseverança dos agricultores guardiões de sementes crioulas gera uma ética social em defesa da natureza, permitindo uma alimentação saudável, nutritiva, diversificada e afetiva com a Mãe Terra, e, nesse contexto, se cria um elo entre os agricultores e as sementes crioulas.

  • JÚNIO ANDRADE MENEZES
  • PREVIDÊNCIA SOCIAL COMO ESTRATÉGIA DE FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO ESPAÇO RURAL DO AGRESTE CENTRAL SERGIPANO
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 23/02/2022
  • Dissertação
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  • O espaço rural no Brasil apresenta relações dinâmicas e heterogênicas, sendo os agricultores familiares os atores sociais de maior destaque. Os respectivos atores, muitas das vezes, ficam à mercê das precárias políticas públicas ou privados de acessarem direitos sociais. Nesse contexto, os atores sociais que hoje são classificados como agricultores familiares passaram meio século segregados de acessarem um sistema previdenciário justo e democrático no país. Diante disso, o presente trabalho buscou refletir num viés empírico-analítico, os efeitos da previdência social na reprodução dos agricultores familiares no espaço rural do Agreste Central Sergipano. Os procedimentos metodológicos perpassaram por reflexões teóricas, levantamentos de dados secundários no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e trabalho de campo. No ano de 2020, eram pouco mais de 9,6 milhões de atores sociais com benefícios previdenciários rurais ativos no Brasil, sendo mais da metade do sexo feminino. Além disto, os agricultores familiares correspondem a aproximadamente 30% da clientela existente atualmente na previdência brasileira. O Nordeste do país é o recorte espacial com maior percentual de agricultores familiares com benefícios no INSS. No estado de Sergipe, eram 211.319 aposentadorias ativas em abril de 2021 e destas, 53,3% eram rurais. A agência do INSS no espaço rural do Agreste Central Sergipano possui o maior percentual de benefícios rurais do estado e a segunda em montantes financeiros. A previdência social rural não é uma renda oriunda da produção agrícola, mas é fruto de anos de trabalho realizado na terra. Deste modo, não é uma política assistencialista ou de governo, mas um direito social constitucional e institucionalizado. A previdência social dissipa diversas melhorias socioeconômicas individualmente e coletivamente no espaço rural do Agreste Central Sergipano. A demora na análise dos requerimentos, burocracias, exigências fora da realidade produtiva de alguns agricultores familiares, judicialização e desmonte do INSS por medidas neoliberais adotadas pelo governo atual, são alguns dos entraves institucionais e sociais que dificultam o acesso dos agricultores familiares ao sistema previdenciário rural brasileiro.

  • FERNANDA MONTEIRO
  • DESENHO URBANO NA PERSPECTIVA DA SUSTENTABILIDADE DAS PAISAGENS EM ARACAJU/SE
  • Data: 17/02/2022
  • Dissertação
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  • contribuído para uma sequência de degradação das paisagens no que se refere à sustentabilidade urbana. Neste sentido, esta dissertação desenvolve-se ancorada pela seguinte questão: o desenho urbano visto como instrumento estruturador de uma boa forma de cidade, tem a perspectiva de influenciar as dinâmicas territoriais e contribuir para a qualidade urbano ambiental? Diante das recorrentes situações de enchentes e alagamentos da cidade de Aracaju, e a heterogeneidade de qualidade das paisagens que margeiam os rios inseridos nos limites territoriais municipais, influenciados pela desordenada ocupação antrópica, foram selecionadas duas áreas da capital sergipana, entrecortadas por cursos d ìáguas derivados do Rio Sergipe, com o seguinte objetivo geral: analisar o desenho urbano de duas áreas de Aracaju na perspectiva da sustentabilidade das paisagens e das diretrizes de uma cidade caminhável (walkability cities). Neste sentido, foram elaborados os seguintes objetivos específicos: (i) mapear o desenho urbano das áreas selecionadas; (ii) conhecer as dinâmicas territoriais das áreas estudadas; (iii) identificar as características socioambientais das áreas de estudo; (iv) propor planos de ações na perspectiva de melhoria ambiental em função da sustentabilidade urbana. Esta pesquisa fundamenta-se teoricamente nas categorias espaço geográfico e paisagem, avança para conceituações sobre o desenho urbano e alinha-se às diretrizes de cidades sustentáveis mediante o entendimento da cidade como um ecossistema urbano para respaldar o planejamento ambiental. Insere-se, ainda, na discussão sobre as cidades caminháveis e sustentáveis para concatenar à sustentabilidade das paisagens urbanas. Em relação aos aspectos metodológicos, respalda-se na abordagem sistêmica, segundo as reflexões de Suertegaray (2018), e apresenta caráter qualitativo, somado ao uso de índices quantitativos. Para isto, inicia-se com um trabalho pré-campo, fazendo uso de um diário de pesquisa, e prossegue com os seguintes instrumentos metodológicos utilizados no trabalho de campo: i) pré-campo e diário de pesquisa para observações e anotações referente às primeiras impressões da área de estudo e conhecimento das dinâmicas territoriais; ii) trabalho de campo com preenchimentos de quadros e mapas para mensurar indicadores da trama urbana ancorado nos parâmetros de cidades caminháveis; iii) registros fotográficos e classificação do estado degradativo da paisagem a partir dos critérios de Rodriguez et al. (2017) para sequência de análise de degradação dos geossistemas; e iv) uso do sistema SIG para espacialização das tipologias referente ao estado ambiental das paisagens registradas e dos indicadores de caminhabilidade pertinentes. Em síntese, os indicadores de desenho urbano, na proposta de cidades caminháveis, e a repercussão na qualidade das paisagens, foi notório nos resultados e discussões desta dissertação, tornando-se possível fundamentar o desenvolvimento de planos de ações que possam intermediar as competências de manutenção e preservação dos ecossistemas urbanos.

  • LUANA PEREIRA LIMA
  • PROCESSOS E FEIÇÕES GEOMORFOLÓGICAS NA FAIXA DE DOBRAMENTOS SERGIPANA DO DOMÍNIO VAZA-BARRIS
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 17/02/2022
  • Tese
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  • A leitura da paisagem na concepção geomorfológica, além de ser dinâmica, representa a interação entre os componentes físicos, bióticos e antrópicos. Ela é, portanto, uma herança de processos que atuaram ao longo do tempo, condicionando estruturalmente as incidências sobre as formas e, a partir das variações climáticas, intensificando e tipificando o desgaste e modelação. Diversas Teorias e abordagens geomorfológicas genéticas e evolutivas auxiliaram na interpretação da paisagem poligenética e morfologia atual do Domínio Vaza-Barris. A pesquisa visou analisar os processos evolutivos na dinâmica geomorfológica da paisagem do Domínio Vaza-Barris, levando-se em consideração a natureza interativa dos componentes ambientais no condicionamento da morfogênese, morfodinâmica e morfoescultura. Para cumprimento dos objetivos no decorrer da investigação, utilizou-se a Teoria Geral dos Sistemas como abordagem metodológica articulada com a proposta elaborada por Libout (1971), que define os quatro níveis da pesquisa geográfica e direciona as etapas em uma sequência compreensível para a apresentação dos resultados. Em termos gerais, a pesquisa consistiu na compilação dos dados existentes e na aquisição de novos dados, no tratamento e interpretação dos dados necessários a elucidação dos fatos, na sistematização dos resultados, e na síntese conclusiva. Os procedimentos metodológicos em fases distintas seguiram os níveis compilatório, correlativo, semântico e normativo. Os elementos físicos-naturais condicionantes do relevo acham-se expressos na paisagem do Domínio Vaza-Barris através da geologia, marcada por dobras e fraturas provenientes das zonas de cisalhamento; do clima, classificado em úmido litorâneo, subúmido de transição e semiárido; dos tipos de solos que vão de incipientes e a bem desenvolvidos; e da cobertura vegetal, que varia de ombrófilas a estacionais. Os índices morfométricos e morfoestruturais extraídos revelaram a intensidade da atuação da rede de drenagem em consonância com a estrutura, culminando na denudação e na diferenciação do relevo do Domínio Vaza-Barris. Conclui-se, portanto, que a análise dos condicionantes e dos índices, resultaram na compartimentação geomorfológica, sendo identificada a morfoestrutura Remanescente das Raízes de Dobramentos; a região geomorfológica Baixos Planaltos Marginais à Bacia Tucano-Jatobá; e a unidade geomorfológica Tabuleiro Dissecado do Vaza-Barris. Em quarta ordem de grandeza, foram identificados os modelados de acumulação (Rampas de Colúvio); dissolução (Colinas cársticas, Cristas Cársticas e Poljer); aplanamento (Superfícies Aplanadas suavemente onduladas, Superfícies Aplanadas parcialmente conservadas e Rampas em pedimentos); e dissecação (Serras Baixas, Serras Residuais, Superfícies Dissecadas em colinas e feições estruturais, Superfícies Dissecadas em metacalcários, Superfícies Dissecadas em colinas, Superfícies Dissecadas em colinas e morros baixos, Tabuleiros Dissecados e Vales Estruturais).

  • FERNANDA FLORES SILVA DOS SANTOS
  • CLIMA E DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS NO ESPAÇO URBANO DE ARACAJU/SE
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 16/02/2022
  • Tese
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  • A preocupação sobre a dualidade saúde-doença do homem é historicamente antiga. Já a vinculação entre clima e saúde remonta desde a antiguidade clássica e foi evoluindo cientificamente de acordo com o tempo e espaço analisado. Em decorrência de uma nova condição de sociedade urbanizada intensificada ao longo do século XX agregando modificações nas características atmosféricas, é que a interação entre clima e sociedade passou a obter mais notoriedade. Nessa perspectiva, a pesquisa visou analisar a ocorrência e distribuição dos casos de Leptospirose e Dengue no espaço urbano de Aracaju, levando-se em consideração os aspectos climáticos e os fatores socioambientais intervenientes no período 2000 a 2019. Para cumprimento dos objetivos no decorrer da investigação, utilizou-se a Teoria Geral dos Sistemas como método de abordagem, articulada com o modelo de Análise Rítmica desenvolvido por Monteiro (1976). Os procedimentos metodológicos em fases distintas, basearam-se na incidência, técnicas estatísticas de correlação (r), estimador de densidade de Kernel e indicadores sínteses de vulnerabilidade socioambiental, possibilitando, através da Cartografia Digital, a espacialização em mapas temáticos das doenças confirmadas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificações (SINAN). Dentre outros resultados, observou-se aumento de casos de Leptospirose no período outono/inverno, nos meses de abril, junho e julho, considerados os mais chuvosos, sobretudo pela propagação da Frente Polar Atlântica e outros sistemas atmosféricos que exercem ação direta na costa litorânea do município de Aracaju. Embora a influência climatológica tenha se mostrado perceptível, o fator socioeconômico nas zonas de risco classificadas, demonstrou ser um dos mais preponderantes na configuração espacial da doença. No caso da dengue, a relação de incidência não se mostrou tão clara, visto que nem sempre as áreas de maior risco epidemiológico culminaram nas maiores ocorrências da enfermidade, evidenciando que os fatores socioambientais tiveram um peso sobre as incidências, mas não foram determinantes. Sob o ponto de vista climático, constatou-se que Aracaju possui condições favoráveis durante todo o ano a propagação dessas doenças de veiculação hídrica, pois estatisticamente houve correlação de moderada a forte entre os elementos climáticos e as ocorrências tanto para a Leptospirose, quanto para a Dengue. Conclui-se, portanto, que os condicionantes socioambientais das doenças podem servir de contribuição para planejamentos de políticas públicas a fim de realizar ações preventivas considerando os fatores de risco existente no espaço urbano de Aracaju que favorecem a disseminação das enfermidades e que são desiguais, atingindo em proporções diferentes a saúde dos citadinos.

  • THIAGO LIMA SANTANA DUARTE
  • EVENTOS EXTREMOS DE CHUVAS EM BARRA DOS COQUEIROS/SE: Circunstâncias e resiliências.
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 02/02/2022
  • Dissertação
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  • O estudo do clima urbano (Monteiro, 1976) em sua análise rítmica tem servido de referência para compreender como as alterações na dinâmica socioespacial de áreas urbanas alcançam os sistemas atmosféricos e como os seus efeitos afetam, sobretudo, a vida em sociedade. Localizado na faixa litorânea do estado de Sergipe, o município de Barra dos Coqueiros, foco de análise do presente trabalho, tem seu espaço urbano expandido desde a década de 2000 e permanece, nos dias atuais, atraindo atividades econômicas, prestações de serviços e, principalmente, migrantes motivados pela especulação imobiliária. Com predominância do clima tropical quente e úmido, a ocorrência de eventos pluviais extremos concentrados no outono e no inverno é motivada pela influência da ZCIT e dos DOLs; como consequência, as precipitações produzem pontos de alagamento pelo sítio urbano devido à topografia plana. Por ser margeada pelos rios Sergipe e Pomonga, a influência dos fluxos e refluxos das marés de sizígia também contribui com a ocorrência de inundações na cidade. Diante dessa situação, oriunda da urbanização de Barra dos Coqueiros e de falhas na rede de drenagem (que impede o escoamento do acumulado de chuva), a população expõe-se aos riscos híbridos que se intensificam nos espaços sociais e ambientalmente vulneráveis, ocupados pelos habitantes de menor padrão socioeconômico, a exemplo daqueles que residem na região central, ao longo do canal Guaxinim e na periferia semiestruturada da cidade, nos setores Atalainha, Travessa dos Pedreiros e em lugares pontuais do bairro Atalaia Nova. A partir de tal contexto, ressalta-se a percepção dos moradores em relação ao clima e aos impactos sobre os espaços da cidade e sobre o cotidiano da vida social. Nesse caso, as chuvas são vistas como um problema para parcela dos habitantes. Por fim, apresentam-se resultados consistentes sobre a vulnerabilidade e sobre os agravos na qualidade de vida, bem como medidas de resiliência ambiental adotadas para gerenciar a crise e aquelas que deveriam ser aplicadas para gerenciar os riscos híbridos que ocorrem em Barra dos Coqueiros. Esse estudo serve como exemplo para outras cidades menores; tais cidades devem ser analisadas com rigor acadêmico, a título do que ocorre em grandes centros urbanos. Com o intuito de alcançar os objetivos e de dimensionar os resultados, buscou-se fazer uso de uma metodologia quali-quantitativa com base sistêmica cujos procedimentos evidenciam as questões dessa pesquisa. Isso ocorreu pela revisão teórica, pelo levantamento cartográfico, pela documentação histórica e pelo trabalho em campo (com registros fotográficos e de jornais, com a aplicação de questionários, além da coleta de dados junto aos órgãos competentes).

2021
Descrição
  • SHEYLA FARIAS SILVA
  • CURRAIS E ROÇAS: O ESPAÇO AGRÁRIO DE ESTÂNCIA E PORTO DA FOLHA/SERGIPE (1850-1900)
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 20/12/2021
  • Tese
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  • A formação da estrutura agrária brasileira está fundada na concentração fundiária originada desde o período colonial com a política de sesmarias e reafirmada pela de Lei de Terras de 1850. Ao estudarmos a estrutura agrária brasileira nos oitocentos, é fundamental atentarmos para as formas de apropriação do solo e para as relações delas decorrentes, além de analisar o papel desempenhado pelas políticas e práticas de organização do território. Embasada na premissa de indissociabilidade entre o tempo e o espaço e nos fundamentos da Geografia Histórica, esta tese busca analisar as transformações ocorridas na configuração socioespacial de Sergipe durante o século XIX. Para melhor operacionalizar os dados a serem trabalhados nesta tese, elegemos como palco de investigação, a partir da disponibilidade das fontes e das condições geo-históricas, os municípios de Estância e de Porto da Folha como representantes, respectivamente, da região da Mata Sul e São Franciscana. Mediante consulta de fontes cartorárias, buscamos analisar as formas de apropriação jurídica da terra quanto às formas de propriedades e seus usos, bem como identificar os homens e as mulheres que viveram em Estância e em Porto da Folha entre 1850 e 1900 e por que escolheram tais espaços para viverem, quais relações estabeleceram com o espaço, como esses homens moldaram e foram moldados pelo espaço, quais atividades econômicas praticavam e que papéis sociais exerciam, assim estabelecendo um perfil desses moradores e a composição de suas fortunas. Ainda mapeamos os conflitos e as redes de sociabilidade e solidariedade construídas por esses homens. Este estudo nos permitiu desvendar os projetos econômicos, políticos, militares e simbólicos em jogo que, por diferentes vias, procuraram se consolidar. Assim como os interesses de classes, as diversas concepções políticas e econômicas, as relações de poder privadas ou do estado e a resistência de grupos marginalizados que se tornam evidentes nas formas espaciais.

  • GIVALDO SANTOS DE JESUS
  • Terra e trabalho: uma abordagem da Memória do espaço e da História rural do Sertão sergipano (1960-2018)
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 29/10/2021
  • Tese
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  • As transformações ocorridas no espaço rural, em função do avanço das relações capitalistas no campo, tem sido um objeto amplo para o desenvolvimento de estudos em diversos áreas das ciências. A Geográfica, por sua vez, tem procurado novas narrativas com bases teóricas e metodológicas no sentido de explicar os fatos que implicam na dinâmica e configuração do espaço. A presente tese tem como objetivo abordar as dimensões da questão da terra e do trabalho, reconstruindo a memória e a história rural, na perspectiva das mudanças e permanências da agricultura familiar no espaço rural do sertão sergipano, na trajetória de 1960 a 2018. Esta pesquisa tem um caráter geográfico e busca a interdisciplinaridade com a História. Em termos metodológicos, realizamos ampla revisão bibliográfica com autores clássicos e atuais sobre a temática trabalhada; aplicamos entrevistas por meio da metodologia da História oral temática com o objetivo de resgatar as memórias individuais e coletivas dos atores sociais que atuaram e/ou atuam no espaço rural do sertão sergipano e foram entrecruzadas com dados quantitativos e documentos oficiais como: Censos Agropecuários, Mensagens de Governo e jornais do período estudado. O sertão é uma região dinâmica com um vasto patrimônio político, econômico, social, cultural e ambiental com expressiva diversidade alimentada por um conjunto de memórias e representações sociais que nos permitem identificar a contraditória e histórica concentração fundiária, a partir do domínio pecuarista de algumas famílias, como Britto, Feitosa, Carvalho e Leite, e a luta dos trabalhadores rurais sem terra, organizada em um primeiro momento pela igreja católica e depois pelo MST para ter acesso a terra e garantir a sobrevivência em uma região do semiárido. As secas constantes obrigam o sertanejo a desenvolver algumas estratégias de convivência, destacando-se o plantio de palmas, silagem e armazenamento de água das chuvas em barragens e cisternas. E o Estado, por sua vez, atuou com o desenvolvimento de projetos de desenvolvimento como o Polonordeste, Sertanejo e o Chapéu de Couro, em que a maioria de suas ações acabaram incentivando o processo de modernização desigual e o crescimento da pecuária em detrimento da pequena produção familiar. A produção agropecuária no sertão sergipano passou por um processo de crescimento e crise, destacando-se a mandioca, o algodão, o feijão, o milho e o rebanho bovino, cada um com suas especificidades. No tempo presente, o agronegócio do milho tem avançado no sertão, beneficiando os grandes produtores e a produção de leite que, mesmo pulverizada entre os agricultores familiares, tem garantido a sua sobrevivência e permanência no campo. Na verdade, o acesso à terra, os investimentos em políticas públicas e o crescimento da produção de milho e da bacia leiteira têm proporcionado um desenvolvimento no sertão. E, mesmo desigual, tem apresentado crescimento e melhorias nas condições de vida do povo sertanejo. Um exemplo dessa realidade é o desenvolvimento registrado em Nossa Senhora da Glória nas últimas três décadas, considerada a capital do sertão e do leite. Portanto, a maior contribuição desta pesquisa foi construir um arcabouço histórico e geográfico sobre o desenvolvimento rural do sertão sergipano para que o sertanejo mantenha a luta pela sobrevivência e a valorização da terra como meio de produção e reprodução das unidades familiares.

  • TEREZA SIMONE SANTOS DE CARVALHO
  • A POLÍTICA DE FECHAMENTO DE ESCOLAS DO CAMPO COMO COROLÁRIO DA QUESTÃO AGRÁRIA BRASILEIRA
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 27/08/2021
  • Tese
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  • A educação destinada aos povos da zona rural, denominada de educação rural, historicamente negou o campo como espaço de reprodução social e espaço de produção de conhecimento, estando atrelada, desde os seus primórdios, aos interesses político-econômicos de cada época. A superação da educação rural emergiu da resistência dos movimentos sociais camponeses, que nos anos 1990, propuseram a educação do campo para pôr fim àquela educação distanciada do universo cultural dos sujeitos que ali vivem e contrária ao seu modo de vida. A educação do campo vem mostrar que esse espaço social produz vida e é capaz de ter um projeto de formação humana vinculado à cultura, enquanto produto do trabalho. Por sua vez, a década de 1990 foi marcada também por um projeto de Estado de fechamento das escolas do campo motivado por sua atuação recriadora da questão agrária no Brasil pautada unicamente em maior expansão do capitalismo nesse setor. Nesse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo descortinar a relação entre a questão agrária brasileira e sua particularidade em Sergipe e o fechamento de escolas do campo, analisando as contradições e as resistências a esse processo. Foi realizada pesquisa quali-quantitativa, com base em levantamentos bibliográficos sobre a questão agrária brasileira, sobre a literatura da educação rural e do campo, da legislação pertinente a esta, bem como estudos junto ao Censo Escolar/INEP, no período de 1998 a 2020, das escolas rurais e urbanas, estaduais e municipais ativas e fechadas e do número de matrículas. As interpretações respaldadas pelo materialismo histórico dialético apontaram para um quadro persistente de fechamento das escolas rurais, sobretudo municipais, durante os anos investigados, no Brasil e em Sergipe. De 1998 a 2020, de acordo com os dados extraídos dos Censos escolares/INEP, no Brasil foram fechadas 83.718 escolas públicas (estaduais e municipais) localizadas no campo (67,3%). As regiões Sul e Centro Oeste registram o maior percentual de escolas rurais fechadas (70,6% e 70,2%); no Nordeste o percentual foi de 57,9%. Em Sergipe, o fechamento dessas escolas também é alarmante. Em 1998 haviam 1621 escolas localizadas na zona rural; no ano de 2020, foram encerradas as atividades de 865 escolas situadas no campo, o que equivale a uma redução de 46,6% das escolas. Dentre os territórios de planejamento do estado, o Alto Sertão concentra o maior número de estabelecimentos fechados (65,3), seguido do Centro Sul (51,5%) e do Médio Sertão (49,2). Merece destaque entre os municípios sergipanos, o de Nossa Senhora da Glória, que em 1998 tinha 45 escolas rurais e chegou em 2020 com apenas 5 unidades de ensino; um percentual de fechamento no período investigado de 88,9%. Destarte, o fenômeno do fechamento das escolas do/no campo no Brasil, acentuado desde a primeira década dos anos 2000, se configura como uma política de Estado ou como uma contra-política ao coincidir com o acirramento das lutas pelo direito à educação do e no campo por parte dos movimentos sociais que a concebem como uma forte arma de resistência ao processo de expropriação oriundo do avanço do capitalismo no espaço agrário. Com uma natureza vinculada à sustentação da relação capital-trabalho, que na particularidade do campo se materializa nas ações voltadas à expansão da agricultura capitalista e correspondente fortalecimento da concentração da terra, o Estado não só é responsável pelo fechamento de escolas que atendem aos filhos dos camponeses, negando o direito público a esse grupo social, como autoriza a irrefreável mobilidade do trabalho campo-cidade pelos filhos dos camponeses, obstando ainda mais a materialização do campo como espaço de vida e trabalho.

  • HUELITON DA SILVEIRA FERREIRA
  • A GOVERNANÇA NA GESTÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA AMAZÔNIA: O SNUC EM QUESTÃO
  • Orientador : LILIAN DE LINS WANDERLEY
  • Data: 11/08/2021
  • Tese
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  • Este estudo intitulado A GOVERNANÇA NA GESTÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA AMAZÔNIA: O SNUC EM QUESTÃO aborda as políticas públicas para criação e gestão de Unidades de Conservação (UCs), reguladas pela Lei 9.985/2000 que instituiu o SNUC-Sistema Nacional de Unidades de Conservação, incidente nas esferas da União, Estado e Município. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), das mais de 800 Unidades no território brasileiro, 56,5% estão sob a administração federal, 40% a estadual e apenas 3,5% sob a gestão municipal, abrangendo 15% da área continental do país e 26% da área marinha sob proteção especial. São analisados os modelos de gestão vigentes nos órgãos específicos, a estrutura e o aparato organizacional, político-administrativo e institucional adotados que geram reflexos na dinâmica da gestão territorial praticada nas 824 Unidades de conservação de diversas categorias, magnitudes e tipologia de espaços naturais e socioambientais na Amazônia Legal. Foram identificadas e classificadas as diferenças no arranjo institucional e político que implementa, instrumentaliza e operacionaliza as Unidades de Conservação, com o objetivo de caracterizar e confrontar, criticamente, cada modelo de gestão adotado e o aparato infraestrutural e superestrutural nos diversos níveis de governança ambiental e territorial. Focalizou-se os mecanismos e dinâmicas socioespaciais geradoras de diferenciação na organização territorial, em função dos modelos de gestão ambiental praticados nas variadas esferas de governo, dentro do arranjo político institucional de descentralização das políticas ambientais. Os procedimentos da pesquisa incidiram sobre a bibliografia específica, em documentos internos e relatórios divulgados, na coleta de dados primários em campo por prospecção amostral do universo de interesse, e em dados secundários estatísticos e cartográficos. O suporte teórico recaiu na ontologia do espaço geográfico enquanto sistema de objetos e de ações em um espaço geográfico híbrido, de acordo com o arcabouço de Milton Santos (1977), que desenvolve o conceito de formação socioespacial dialética, a partir do qual uma sociedade se torna concreta através do espaço produzido por ela em termos de estrutura, processo, função e forma. Foi aplicada a abordagem território- territorialidade às unidades de conservação enquanto espaços orientadamente protegidos e buscou-se ancoragem filosófica sobre governamentalidade em Foucault. De acordo com a conceituação de governamentabilidade como ferramenta teórica desenvolvida por esse autor na década de 1990, um conjunto de instituições, procedimentos, análises, reflexões, cálculos e táticas permitem exercer uma forma de poder específica e complexa que é governar. Ao longo do trabalho foi construída a base teórico-conceitual e metodológica, o delineamento específico e concreto do objeto proposto para estudo, e postulada, com base nas hipóteses estruturadas, a tese de que atualmente o Brasil não pratica um sistema nacional como proposto pelo SNUC, mas um sistema postulado em nível federal que se pode denominar “SIFUC”. Nesta tese desenhou-se a viabilidade de ajustar sistemas estaduais e municipais compatíveis com o SNUC e fomentar a sua necessária criação em Estados e municípios de forma eficiente e articulada com a governança do território nas diferentes escalas de planejamento interinstitucional e intersetorial, com vistas alcançar a proteção efetiva da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e dos modos de vida dos moradores dessas Unidades e suas áreas de influência.

  • JULIANA LIMA DA COSTA
  • IR, VIR E RESISTIR: A Mobilidade do Trabalho Camponês em Itabaiana
  • Orientador : MARLEIDE MARIA SANTOS SERGIO
  • Data: 30/07/2021
  • Dissertação
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  • O processo circunscrito ao esvaziamento do campo no bojo do desenvolvimento do capitalismo como tendência mundial, segue no Brasil, particularmente, a partir da década de 1930. Nesse período, o Estado intensifica sua ação com o intento de uma maior inserção do país na dinâmica reprodutiva do capital, o que resultou em profundas transformações nas relações de trabalho e de produção no campo e na cidade. A base da economia até então agrário-exportadora, passa a ser, em sua concepção, urbano-industrial, não obstante frações significativas da burguesia de origem agrária continuarem vinculadas aos propósitos econômicos, políticos e sociais que consideravam a atividade industrial como perspectiva de superação do atraso. No interior da dinâmica espacial, registra-se uma progressiva redução da população do campo com o correlato e acelerado processo de urbanização. Constata-se, sobretudo a partir da década de 1960, uma mobilidade do trabalho cada vez mais intensa. Essa mobilidade, compreendida como um fenômeno que promove o deslocamento espacial, setorial e profissional do trabalhador, com o objetivo do Capital explorar sua força de trabalho e acumular excedente econômico, materializa sua condição de sujeição ao Capital. Partindo desse pressuposto, o objetivo da pesquisa é analisar a mobilidade do trabalho camponês em Itabaiana, haja vista o crescente número de camponeses que residem na cidade mas continuam a trabalhar em seus sítios. Buscou-se entender se tal fato faz parte do processo de desemprego estrutural que subordina o trabalhador, ou configura-se como uma forma de resistência do campesinato ao continuar reproduzindo seu modo de vida na terra, mesmo residindo na cidade. A partir do método de interpretação Materialismo Histórico Dialético, bem como dos procedimentos metodológicos próprios de uma pesquisa qualitativa, tais como, entrevistas e aplicação de questionários, foi possível analisar as singularidades presentes no contexto de expansão do capitalismo no campo. Observou-se que os motivos que levaram os camponeses a migrar para a cidade são diversos, haja vista que o campesinato é uma classe não homogênea e possui diferenciações. Mas, sobretudo, destaca-se a ausência efetiva da propriedade da terra, impossibilitada pelo aumento do valor das terras, resultante do processo de valorização e especulação. No recorte escolhido, a herança e o comodato predominam como forma de posse das terras. Desse modo, o terreno é fragmentado, e com o tamanho reduzido, muitas vezes acaba impossibilitando a reprodução de toda a família, o que resulta na ida para a cidade. Portanto, morar na cidade e trabalhar no campo tem se configurado como uma forma do camponês continuar se reproduzindo em meio a lógica do Capital que o subordina ao se apropriar da renda da terra como forma de acumulação, tornando esse bem natural uma forma de capital fictício.

  • ANDRESSA ARAÚJO SOUZA
  • O trabalho na indústria têxtil em Itabuna-Ba, no contexto da reestruturação produtiva
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 29/07/2021
  • Dissertação
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  • A pesquisa analisa os desdobramentos do trabalho têxtil pós reestruturação produtiva do capital, no município de Itabuna, na Bahia. Os anos de 1990 marcam a chegada das empresas Penalty e Triffil no município de Itabuna, como resposta ao ajuste espacial do capital e sua busca de condições favoráveis de acumulação. É nesse contexto que as empresas se espacializam com a proposta de geração de emprego e renda para o exército industrial de reserva associado à crise estrutural do capital, que se prolonga desde a década de 1970. Partiu-se de uma revisão da literatura sobre a ontologia do Trabalho e sobre as mudanças no mundo do trabalho no contexto da acumulação flexível para em seguida apresentar a reestruturação produtiva como pano de fundo da apropriação de espaços, tornando-os territórios de consumo do trabalho vivo precarizado. As empresas, que são importantes fontes de trabalho do município, na ânsia pela adequação à concorrência capitalista, vem promovendo nos últimos anos o enxugamento das respectivas fábricas, com demissões de trabalhadores e constante rotatividade do trabalho no seu interior, submetendo os que permanecem a pressões exercidas com o trabalho polivalente e flexível. As condições presentes no trabalho fabril apontam um processo de coisificação do trabalho, dadas as condições de ausência de direitos e submissão às regras impostas no cenário recente, que prejudicam principalmente as mulheres e ampliam as desigualdades de gênero. Assim, as marcas encontradas na nova configuração do trabalho são preocupantes, devido a inserção dos trabalhadora/es na lógica destrutiva que afeta todas as esferas da vida humana, e que dificultam sua organização por melhores condições de reprodução social.

  • CAMILA SILVA SANTOS
  • A multiplicação das chácaras e a questão agrária na segunda residência no município de Lagarto-Se
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 29/07/2021
  • Dissertação
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  • A pesquisa elucida o movimento de ocupação do espaço agrário na Unidade de planejamento do rio Piauí, no município de Lagarto-Se, a partir da presença e expansão de chácaras na década de 1990, e seus rebatimentos para a economia local camponesa. Tratam-se de terrenos, cujos usos como segunda residência, representam para os seus proprietários momentos de descanso da rotina de trabalho urbano ou a fuga do mundo do trabalho nos fins de semana, para em seguida realizar o retorno à vida criativa e laboral. Essa realidade se desenvolve em um país cuja concentração da terra é reconhecidamente uma questão estrutural, responsável por desigualdades de renda e poder e em um estado onde a minifundização se intensifica ano a ano, conforme confirmam os dados do Censo Agropecuário de 2017 (IBGE). Na área da pesquisa identificamos que as terras do entorno da Unidade de planejamento do rio Piauí são tradicionalmente ocupadas por unidades de produção camponesas, nas quais se desenvolvem a produção de cultivos alimentares e a presença dos citrus, tradicionalmente representativos da economia regional. Considera-se que a espacialização de chácaras como domicílios de uso ocasional em terrenos de alta valorização no campo, ajuda a aprofundar a questão agrária em Sergipe. Sua ocupação por trabalhadores que veem no campo um “refúgio”, e como estabelecimentos com área inferior a 1 há, expõe contraditoriamente a fragmentação da unidade de produção camponesa, a manutenção da estrutura fundiária concentrada no município de Lagarto e o não uso produtivo de terras férteis, meios de produção essenciais à reprodução da vida no campo.

  • RONIEX DA SILVEIRA
  • ANÁLISE INTEGRADA DA PAISAGEM DA SUB-BACIA DO RIO PAGÃO-GUARAREMA/SERGIPE: UM OLHAR PARA A FRAGILIDADE AMBIENTAL
  • Orientador : NEISE MARE DE SOUZA ALVES
  • Data: 29/07/2021
  • Dissertação
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  • Os processos naturais da dinâmica terrestre atuaram e atuam na elaboração das paisagens. Com o uso de técnicas na organização do espaço, os atores sociais as redimensionam e suas intervenções se repercutem nos componentes biofísicos. Na atualidade, há metodologias que permitem avaliar o estado do sistema ambiental e subsidiar o ordenamento territorial minimizando as consequências negativas. Assim, esse trabalho tem por objetivo analisar a paisagem da sub-bacia do rio Pagão-Guararema/SE com base na fragilidade ambiental, expressa na proposta teórico-metodológica de Ross (1994). Para isso, realizou-se pesquisa bibliográfica, levantamento de material cartográfico e trabalhos de campo. Constatou-se na paisagem a distribuição dos seguintes percentuais de área para classes de: Fragilidade Potencial – Muito Baixa: 0,62%, Baixa: 47,80%, Média: 49,01% e Alta: 2,46%; e, para Fragilidade Emergente – Muito Baixa: 4,83%, Baixa: 21,27%, Média: 71,43% e Alta: 2,46%. Portanto, predomina na sub-bacia a Fragilidade Ambiental de categoria Média. As unidades de paisagem, topos dos tabuleiros e fundos de vale apresentam classes de fragilidade Baixa e Muito Baixa devido ao fraco gradiente de declividade. Nos topos ele atenua o escoamento superficial e favorece a infiltração. Nos fundos de vale, ele interfere na dinâmica condicionada pela proximidade do lençol freático da superfície. Em ambas unidades os tipos de uso concorrem para desencadear processos que elevam a fragilidade. As vertentes e o modelado dissecado em colinas e espigões representam as unidades onde predominam as classes de fragilidade Média e Alta, em razão da maior declividade e processos de movimentos de massa, além dos tipos de uso – pastagem com alto pisoteio, solo exposto e cultivos sem manejo de práticas conservacionistas. Na foz do rio Pagão-Guararema, a planície fluviomarinha, os terraços fluviomarinhos e marinhos apresentam as classes de Baixa e Média fragilidade, favorecidos pela baixa declividade e composição textural. Estas são unidades sujeitas a permanente modificação por processos naturais do ambiente, e as intervenções humanas podem produzir desequilíbrios irreversíveis. Ainda na foz, onde ocorrem colinas cujos solos se encontram cobertos por floresta densa, prevalecendo as classes Muito Baixa e Baixa. Diante do estado das unidades de paisagem da sub-bacia do rio Pagão-Guararema cabe repensar o ordenamento das atividades produtivas de acordo com os limites dos componentes naturais e a forma como os atores sociais vêm se relacionando com esta paisagem.

  • LUIZ ANDRÉ MAIA GUIMARÃES GESTEIRA
  • A Territorialização do Capital Financeiro e as Multideterminações da Expropriação Capitalista no Litoral Norte Sergipano
  • Data: 17/06/2021
  • Tese
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  • O especulativo mercado imobiliário e a indústria do turismo, com toda as facetas que adquiriram na contemporaneidade, ganharam importância fundamental dentre as estratégias garantidoras do processo de reprodução capitalista. Como estratégias de expansão da acumulação, fetichizam a partir da possibilidade da apropriação privada e consumo da natureza, ao mesmo tempo em que encampam ideologicamente o discurso da sustentabilidade social e ambiental, dissimulando os intensos e deletérios processos que provocam de expropriação territorial. Seguindo a lógica capitalista dos ajustes espaciais, devido a seus atributos paisagísticos, o litoral norte do estado de Sergipe vem sendo inserido de forma progressiva desde meados da década de 2000 em um intenso decurso de especulação turístico-imobiliária fundamentalmente caracterizado pela ação funcional do Estado ao capital. Processo que teve como estopim a construção da Ponte que liga o município de Barra dos Coqueiros - porta de entrada do litoral norte sergipano - ao município de Aracaju, no ano de 2006, mas que inclui ainda uma série de outras mediações do Estado no sentido de fomentar a expansão do capital financeiro na região, a exemplo da projeção, construção e ampliação de diversas rodovias e demais infraestruturas de transportes nos municípios de Pirambu, Pacatuba e Brejo Grande, interligando todo o litoral norte de Sergipe, ao passo em que liga-o também ao turisticamente badalado litoral alagoano, ampliando de forma relevante as fronteiras da especulação turístico-imobiliária na região. Esse processo de expansão do capital vem promovendo, em conjunção à sua territorialização um pernicioso decurso de expropriação territorial das comunidades tradicionais locais, ao reduzir sobremaneira a oferta de terras disponíveis à atividade extrativista, ao precarizar as condições socioambientais de permanência e ao possibilitar ainda a demarcação de perímetros urbanos no espaço agrário de algumas dessas comunidades, viabilizando assim a possibilidade de cobrança de altas taxas de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em algumas áreas desses municípios. Outrossim, a ação conjunta Estado, capital tem colocado em prática também um vultoso projeto de exploração de combustíveis fósseis no bojo da implementação do Parque Energético que viabilizará a Construção de um Complexo Industrial no entorno do Porto de Sergipe, acentuando sobremodo as vicissitudes socioambientais já materializadas na região. Dessa forma, o planejamento regional do Estado para a integração rodoviária e expansão turístico-imobiliária e industrial no litoral norte de Sergipe revela-se como o projeto de uma integração falaciosa, uma vez que na realidade tem por consequência a dissimulada desintegração das comunidades locais, ao inserir novas e deletérias sociabilidades no espaço agrário, produzindo o espaço de acordo com a lógica da expansão sociometabólica do capital, ou seja, a partir da segregação socioespacial e da apropriação privada e desmedida da natureza.

  • JOÃO PEDRO CELESTINO DOS SANTOS
  • OFÍCIO DA CARPINTARIA DE MÓVEIS EM ITABAIANA/SE: TRABALHO, MOVIMENTO E PERMANÊNCIA
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 31/03/2021
  • Dissertação
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  • O mundo do trabalho no século XXI é marcado pela permanente submissão do trabalhador, pela precarização, baixos salários, longas jornadas, informalidade e perda de direitos que foram conquistados através de lutas. Também é marcado pela ideologia neoliberal de individuação do sujeito e criação da ilusão de ser ele, patrão de si mesmo. Mergulhados nesse mundo de trabalho estão os ofícios mecânicos tradicionais que são capturados no modo de produção capitalista em suas nuanças, suas habilidades técnicas, seus saberes e fazeres. A carpintaria é um desses ofícios que permanece como atividade artesanal, mas que apresenta dinamismo e mudanças que são determinadas pela lógica da produção industrial capitalista. Assim sendo, o objetivo geral desta pesquisa é analisar o ofício da carpintaria de móveis mediante as mudanças no mundo do trabalho e da produção especializada de móveis em grande escala. A investigação da realidade da carpitnaria em Itabaiana-SE foi fundamentada no Materialismo Histórico e Dialético, método relevante para análise da prática social em sua concretude e determinações sociais e históricas. Os procedimentos metodológicos para o estudo da realidade concreta foram a pequisa qualitativa que permite o encontro com os sujeitos envolvidos na produção da carpintaria e realizadas entrevistas, aplicação de questionários e registro fotográfico, além da pesquisa em fontes secundárias que desvelaram o real. A investigação empírica, fundamentada no materialismo histórico dialético conduziu para desvelar a permanência deste ofício na contemporaneidade. A carpintaria subsiste, mas não é somente o carpinteiro que a produz. Este ofício está pautado pelas relações capitalistas de produção que reconfigura as técnicas, substitui as ferramentas manuais por máquinas, emprega novos mecanismos tecnológicos como os painéis de madeira reconstituída na confecção de mobiliário. Além disso, o carpinteiro de móveis já não é o único a produzir, também há os trabalhadores que vivem da produção moveleira como uma atividade, sem que representa um saber-fazer acumulado historicamente

  • MARCUS HENRIQUE OLIVEIRA DE JESUS
  • POLÍTICAS TERRITORIAIS NO LITORAL NORTE DA BAHIA: ENTRE OS MEIOS GEOGRÁFICOS E A AVALIAÇÃO AMBIENTAL ESTRATÉGICA.
  • Data: 30/03/2021
  • Dissertação
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  • O Litoral Norte da Bahia (LNB) passa por diversas transformações socioespaciais que impactam a organização social do território usado e são responsáveis por diversos conflitos socioambientais em sua zona costeira. Essas mudanças foram motivadas: pelo processo de industrialização da região, iniciado em 1975; pelo processo de metropolização ocorrido em Salvador-BA vinculado ao aumento da urbanização e ao boom imobiliário; e por investimentos do capital turístico-imobiliário associados às políticas públicas governamentais para o desenvolvimento do turismo. Assim, o Estado se destaca como protagonista da produção do espaço por meio da concepção e execução das políticas territoriais (PTs). Neste sentido, esta pesquisa teve como objetivo analisar duas PTs propostas pelo governo do estado da Bahia (2000-2020) para transformar a região do LNB. Foi realizada Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) seguindo as diretrizes de Partidario (2007) e adaptando seus protocolos, elaborados para Portugal, à realidade brasileira e baiana. AAE é um instrumento desenvolvido para ajudar a avaliar o andamento das ações do governo e das empresas que impactam a dinâmica territorial. Sua relevância se justifica por considerar os aspectos socioambientais para tornar mais eficazes as políticas, planos e programas (PPPs) futuros. Associada a essa metodologia, a categoria geográfica de Santos (1998) território usado auxiliou nas críticas feitas aos dois PTs analisados e nas reflexões sobre a transformação do meio geográfico do LNB. Os resultados desta investigação demonstram o que é necessário para minimizar os danos ao ambiente costeiro. Observou-se durante esta pesquisa a necessidade de implantação de diretrizes para o uso e ocupação sustentável das áreas costeiras, que motivam os processos de planejamento e tomada de decisão. No entanto, há problemas de dois tipos nos instrumentos: em ambos, a continuidade, a sistematicidade e a avaliação permanente dos PTs são inconsistentes. Por outro lado, há questões relativas à boa governança em uma das propostas. Esta pesquisa pode subsidiar futuras políticas territoriais para a região estudada.

  • ANA MARIA SEVERO CHAVES
  • DINÂMICA GEOECOLÓGICA E CENÁRIOS POTENCIAIS PARA CONSERVAÇÃO DA PAISAGEM SEMIÁRIDA NA BACIA DO RIACHO SÃO JOSÉ EM PERNAMBUCO
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 16/03/2021
  • Tese
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  • O ambiente semiárido apresenta singular potencialidade no tocante aos recursos naturais, pois compreende o bioma único do Brasil, a caatinga, feições geomorfológicas que testemunham diferentes paisagens, as quais configuram equilibradas interações estabelecidas pelos componentes geoecológicos: geologia, solo, relevo, hidrografia, clima e vegetação. Essas interações dão forma e cor à superfície terrestre da Bacia do Riacho São José, a qual vem sendo apropriada e transformada pela sociedade em um sistema territorial, devido a construção do território nas interfaces das relações econômicas, políticas, ambientais e culturais. Por conta disso, ao longo do tempo, a paisagem semiárida agreste tem refletido o esgotamento dos modos de apropriação e usos feitos da Terra, o que vem causando problemas como desmatamento, substituição da vegetação primária por atividades agrícolas, aumento de processos degradantes como erosão, assoreamento dos cursos hídricos e interferência na dinâmica e funções ecológicas dos ecossistemas, o que afeta a prestação de serviços ecossistêmicos, entres outros processos de degradação ambiental. Nesse contexto, a presente pesquisa foi desenvolvida sob matrizes da Geografia Física Aplicada, tendo como objetivo “analisar a dinâmica geoecológica da bacia do Riacho São José, no Agreste de Pernambuco, para propor cenários prospectivos com fins para a conservação da paisagem semiárida”. Nessa intenção, a tese teve como método de estudo o hipotético-dedutivo, desenvolvido dentro da abordagem da análise integrada da paisagem, compreendendo trabalho de gabinete, atividades de campo e confecção de materiais cartográficos em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), os quais possibilitaram a realização de diferentes procedimentos aplicados à geoecologia. Assim, os resultados apresentam as relações intrínsecas que configuram a paisagem semiárida da área de transição agreste, através da caracterização geoecológica da Bacia do Riacho São José (BRSJ); expõem a dinâmica fitogeográfica em suas estruturas horizontal e vertical, por meio da espacialização da vegetação pelo Índice de Vegetação Normalizada (NDVI), a construção de Pirâmides de Vegetação (PV) e a diversidade florística por meio de índices; abordou-se a evolução espaço temporal dos padrões e mudanças da cobertura da Terra e a relação entre usos antrópicos, o sistema territorial e a prestação de serviços ecossistêmicos; discorre sobre as interações dos componentes geoecológicos da bacia para a mensuração dos níveis de adequabilidade geoecológica aos modos de usos e cobertura da Terra e se construiu cenários prospectivos voltados para a conservação da paisagem em perspectivas realísticas e conservacionistas. Assim, acredita-se que as questões norteadoras foram respondidas ao longo dos capítulos e que a tese construída produziu resultados que refletem a dinâmica geoecológica da realidade estudada, pois, para construção de cenários futuros viáveis, se faz necessário conhecer o contexto geoecológico e socioambiental que compõem a bacia do Riacho São José. Logo, a pesquisa compreende um documento importante no tocante às propostas metodológicas aplicadas no estudo e ao planejamento ambiental em ambiente semiárido, pensando dentro das potencialidades e possibilidades paisagísticas do semiárido.

  • ANTONIO MARCOS PONTES DE MOURA
  • EFEITOS DO PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS – PAA, NO ESTADO DE ALAGOAS NA PERSPECTIVA DO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL RURAL.
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 26/02/2021
  • Tese
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  • O Programa de Aquisição de Alimentos – PAA é um programa essencial para a inclusão produtiva do agricultor familiar e promoção da segurança alimentar e nutricional no contexto do desenvolvimento rural no território, por isso, buscou-se compreender as políticas territoriais a exemplo dos Territórios da Cidadania em Alagoas, em especifico o Território do Agreste, como elemento de convergências de políticas públicas direcionadas a esse propósito, entre estes destaque para o PAA, objeto de estudo da pesquisa. O PAA é um programa criado em 2003, ainda no âmbito do Programa Fome Zero, no governo Lula e que tinha por meta o combate a fome e a pobreza. Posteriormente regulamentado, o PAA continuou como política de segurança alimentar, devido o seu caráter social, e que em quase 20 anos vem promovendo impactos econômicos e sociais importantes. É um programa direcionado a agricultura familiar que potencializa as cadeias produtivas existentes, favorecendo a reprodução dessa categoria social por gerar inclusão produtiva, renda e fixação no campo. O PAA possui muitas modalidades que exercem essa função, a exemplo da formação de estoques, que agrega valor ao produto da agricultura familiar e ao mesmo tempo envolve um elemento social muito importante que justifica a sua ação no território, pois a produção dos seus gêneros alimentícios vão atender ao público de insegurança alimentar e vulnerabilidade social pela modalidade Compra com Doação Simultânea – CDS, que possibilita a distribuição dos alimentos aos mais carentes representados em Entidades Recebedoras das Redes Socioassistenciais, causando um impacto social e territorial considerado, ajudando a diminuir a fome e a pobreza em Alagoas, a exemplo do Território do Agreste Alagoano, justificando esta pesquisa (tese). Nesse parâmetro, o presente trabalho analisa os efeitos do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA no Estado de Alagoas na perspectiva do Desenvolvimento Territorial Rural. A pesquisa é de caráter empírico-analítico, apreciando dados quantitativos e qualitativos, ou quali-quantitativos, que foram levantados em órgãos públicos considerados como dados oficiais, com entrevistas aplicadas aos seus representantes das cooperativas participantes, agricultores fornecedores, unidades recebedoras, ainda se pode-se realizar registros fotográficos e mapeamentos específicos. Pode-se selecionar dois municípios no Território do Agreste Alagoano, Arapiraca e Palmeira dos Índios por operacionalizarem o PAA na modalidade compra com doação simultânea, com trabalho de campo especifico nos Centros de Abastecimento e Distribuição de Alimentos em ambos os municípios, e a unidade recebedora – associação comunitária Capiatã e povoado Amaro, respectivamente. Levantou-se bibliografias em atendimento a temática Territórios da Cidadania e PAA, outros materiais teóricos de abrangência plural academicamente, possibilitaram abordar categorias de análises, como agricultor familiar, Estado, segurança alimentar, dentre outros. Essas informações proporcionaram uma análise qualitativa da pesquisa e deram as condições de avaliar o PAA no estado de Alagoas, os dados colhidos em campo comprovam que o PAA não é fator determinante para o desenvolvimento territorial rural, mas contribui com esse processo, principalmente quando era somado as políticas rurais que os Territórios da Cidadania conseguiam agregar. Apesar de tudo, o PAA ajuda a manter a renda fundiária do agricultor familiar, pois por ter acesso ao mercado institucional evita o atravessador, promove inclusão produtiva, melhoramento das condições sociais da família do agricultor, bem como cumpri papel social essencial no combate a fome e a pobreza no estado de Alagoas, quando opera na modalidade compra com doação simultânea. Atualmente essa modalidade é protagonizada no Território do Agreste Alagoano, pelos municípios de Arapiraca e Palmeira dos Índios na execução do PAA Municipal via Termo de Adesão. O desenvolvimento territorial rural é compreendido como um processo que tem suas complexidades, sendo importante fortalecer as territorialidades de grupos sociais como da agricultora familiar.

  • JOSÉ NATAN GONÇALVES DA SILVA
  • TERRITÓRIOS QUEIJEIROS: tradição e ressignificação no Sistema Agroalimentar Localizado do leite em Alagoas
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 26/02/2021
  • Tese
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  • A produção de alimentos sempre consistiu temática de interesse da humanidade em função do papel vital que assume na reprodução dos grupos sociais. A centralidade desta tese situa-se nas atividades agroalimentares, que conformam a territorialidade dos atores rurais, potencializa os mercados locais e dispõem de produtos com referenciais nutritivos, simbólicos e identitários para quem produz e consome. O objetivo consiste em analisar o Sistema Agroalimentar Localizado – Sial do leite em Alagoas e a sua relação com a dinâmica social, econômica e cultural dos espaços apropriados e conformados em territórios. Para a execução dos estudos foi definido como recorte empírico o Território da Bacia Leiteira – TBL, que historicamente apresenta vocação no desenvolvimento da pecuária e de práticas vinculadas a produção de derivados de leite no sertão alagoano. A metodologia baseou-se em pesquisas teóricas, que teve como eixos norteadores a leitura das abordagens sobre o Sial e das concepções acerca de conceitos-chaves como território, identidade, produção de queijo, circulação e consumo. Na sequência foram realizadas análises documentais de dados secundários e informações, que versam sobre as dimensões socioeconômicas, agropecuárias, a atuação política do Estado e a legislação sanitária dos produtos de origem animal. Entre 2019 e 2020 os procedimentos metodológicos estiveram orientados, sobretudo, para a efetuação da pesquisa de campo junto aos proprietários das unidades de produção do queijo, comerciantes, consumidores e representantes de associações e cooperativas. Nessa etapa foram realizadas intervenções exploratórias e entrevistas pautadas na técnica snowball, no uso do diário de campo e na realização de registros iconográficos. Os resultados denotam a constituição de um Sial do leite formado por três modalidades de estabelecimentos agroalimentares: queijarias caseiras, fabriquetas de queijo e laticínios. Essas unidades são mantidas, predominantemente, por agricultores de base familiar e pequenos empresários rurais, que interagem com comerciantes integrados em circuitos curtos nas escalas local e regional. Nota-se ainda inter-relações com os consumidores, que se inserem no grupo de segmentos atentos ao consumo de bens alimentícios com referenciais de qualidade atrelados a origem, ao saber-fazer, ao modo de produção artesanal e com aporte identitário. Logo, considera-se que o protagonismo desses atores contribui para a consolidação de práticas agroalimentares tradicionais e inovadas que, embora parcialmente ressignificadas, traduzem, concomitantemente, processos de potencialização econômica e enraizamento cultural.

  • PEDRO PAULO DE LAVÔR NUNES
  • CRÍTICA DOS ESTUDOS DO TERRITÓRIO: PARA ALÉM DE ANTINOMIAS E METÁFORAS
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 24/02/2021
  • Tese
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  • A Geografia no Brasil, em maior presença nos últimos quarenta anos, tem produzido estudos conceituais do território com fundamento em concepções liberais e irracionalistas, sob o manto da “pluralidade” e de uma “abordagem relacional”, tendo objetivo atender as perspectivas voltadas aos estudos da territorialidade e aos projetos e planejamentos investidos à escala local, assim como, amparar e legitimar diversos discursos e políticas públicas liberais sob interesse da burguesia. Dentre tais estudos, ressaltam-se no Brasil os estudos realizados por Rogério Haesbaert, tanto pela quantidade de pesquisas que o utiliza como fundamentação teórica básica, quanto pelo esforço teórico na conceituação/problematização do território, conjugando antinomias e metáforas espaciais, do que ele relaciona entre processos concreto-funcionais e simbólico-identitários. Se, por um lado, o conceito de território enquanto localidade, territorialidade ou lugar foi (re)valorizado, por outro, ocorreu a completa banalização das questões econômico-políticas, reduzindo rigorosamente o debate sobre os conflitos, a dominação de determinadas classes sociais sobre as outras, o caráter ativo do Estado burguês e as múltiplas relações e determinações abarcadas na totalidade da produção capitalista do espaço. Esta tese propõe uma reflexão epistemológica de fundamento para a crítica e avaliação dos estudos conceituais de Haesbaert sobre o território, no compromisso de contribuir com uma orientação teórico-metodológica para compreender a realidade social em espaços de apropriação e dominação territoriais. Assim, espaço, dialética, materialidade, escalas espaciais e totalidade serão processualmente evidenciados, sob perspectiva da concepção materialista da história, sendo respaldada a tríade direção crítica-reflexiva-operacional. Portanto, como o método elaborado por Marx, realizou-se o estudo do real contraditório através da crítica aos fundamentos e das movimentações teóricas ante concepções liberais e de negação da transformação de mundo.

  • MARÇAL LUKAS MARTINS PRATA
  • COMPARTIMENTAÇÃO GEOSSISTÊMICA DO CAMPO DUNAR DA PLANÍCIE COSTEIRA DO MUNICÍPIO DE ESTÂNCIA - SERGIPE
  • Orientador : NEISE MARE DE SOUZA ALVES
  • Data: 18/02/2021
  • Dissertação
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  • A zona costeira é uma área caracterizada por múltiplos usos e crescente ocupação pelas sociedades humanas. Tais condições contribuem para o surgimento de problemas ambientais, frequentemente, devido à falta de uma avaliação minuciosa das potencialidades e limitações dos componentes da paisagem. Nesse contexto, encontra-se a planície costeira de Estância, caracterizada por um conjunto de morfologias, onde está inserido o campo dunar composto por dunas móveis, semifixas e fixas. O objetivo deste estudo é compartimentar o campo dunar da planície costeira de Estância segundo os pressupostos geossistêmicos. Para tanto, adotou-se a análise sistêmica esboçada no modelo teórico de Bertrand (2004), cujo tripé – potencial ecológico, exploração biológica e ação antrópica, permite a análise integrada da paisagem. No Geossistema Campo Dunar, foram identificadas as Geofácies - Dunas Ativas Primárias, Dunas Ativas Secundárias e Dunas Inativas Pleistocênicas. A denominação das unidades baseou-se na classificação de Sloss; Sheperd; Hesp (2012) e de Giannini et. al. (2005). Dentre os procedimentos metodológicos utilizados estão pesquisas bibliográfica e documental, trabalhos de campo, análise de imagens de satélite e fotografias aéreas. A Geofácies Dunas Ativas Primárias se caracteriza pela dinâmica interligada ao sistema praial e sofre interferência dos processos oceânicos. Ela encontra-se composta por dunas de baixa altitude, como as dunas de sombra e as nebkhas, colonizadas por restinga herbácea. Nesse compartimento a morfodinâmica é forte, inerente ao estágio de Resistasia com Geomorfogênese Natural. A Geofácies Dunas Ativas Secundárias reúne feições que evoluíram das Dunas Ativas Primárias, mas que adquiriram maior altura, comprimento e largura. Nela são encontradas dunas barcanas e dunas residuais ocupadas por restinga arbustiva e/ou arbórea, que controla parcialmente a intensidade da morfodinâmica, que varia de média a forte. Esta unidade reflete o estágio evolutivo em Mosaico Associado de Biostasia e Resistasia. A Geofácies Dunas Inativas Pleistocênicas situa-se afastada da linha de costa e apresenta modelados com restinga arbórea, principalmente. De modo generalizado, a ação dos processos eólicos é reduzida e a morfodinâmica é fraca. Tais atributos confirmam o estágio de Biostasia com Dinâmica Regressiva. Embora as Geofácies do Geossistema Campo Dunar configurem uma dinâmica de interdependência, elas possuem especificidades. O uso e ocupação das terras concorre para que estas unidades estejam sujeitas a problemas relacionados com a perda da biodiversidade, erosão costeira e reativação do processo eólico, que se repercutem no contexto ambiental e social.

2020
Descrição
  • RONALD DOS SANTOS PEREIRA
  • O SETOR PORTUÁRIO DE SERGIPE E ALAGOAS: FLUXOS DE MERCADORIAS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
  • Orientador : NELSON FERNANDES FELIPE JUNIOR
  • Data: 07/12/2020
  • Dissertação
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  • Resumo: O sistema de transportes e, em especial, o modal marítimo é, por um lado, um reflexo da economia regional/nacional e, por outro, um fator que impulsiona o desenvolvimento. O transporte marítimo contribui com a circulação de produtos no território brasileiro (cabotagem) e articula o Brasil a outros países (longo curso), sendo relevante para as redes, os fluxos, as interações espaciais e o desenvolvimento econômico. Com a reestruturação econômica e produtiva, as tecnologias ligadas à circulação, a grande capacidade dos navios cargueiros e a otimização logística, têm-se intensas repercussões na produção e no comércio. Grandes quantidades de cargas, atualmente, podem ser transportadas em menos tempo e com custos mais baixos, aparecendo sucessivamente no mercado (reabastecimento rápido do estoque), não sendo necessário, portanto, a armazenagem em larga escala. A logística privada e as infraestruturas possuem uma relação de coexistência, contudo, possuem significados distintos. Em muitos casos, as estratégias logísticas atenuam os pontos de estrangulamento existentes no sistema de transportes, sem que isso represente melhorias nos fixos. Diante disso, na dissertação realiza-se uma análise da dinâmica portuária e marítima dos estados de Sergipe e Alagoas, com destaque aos fluxos de mercadorias, aos investimentos públicos e privados, aos pontos de estrangulamento e às modernizações, pois trata-se de um setor importante para o desenvolvimento regional. A dinâmica portuária de Sergipe e Alagoas, especialmente do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB) (Barra dos Coqueiros/SE) e do Porto de Jaraguá (Maceió/AL), é pouco expressiva quando se compara a outros portos e terminais do Nordeste e do Brasil (caso, por exemplo, de Salvador/BA, Suape/PE, Pecém/CE e Itaqui/MA), sendo importante a expansão e modernização para atender as demandas internas e externas. Fomentar o setor portuário sergipano e alagoano é relevante para o desenvolvimento regional, entretanto, os insuficientes investimentos públicos e privados e o modelo de concessão neoliberal (Estado não regulador) prejudicam a economia dos dois estados.

  • THAIS MOURA DOS SANTOS
  • GUARDIÃS DE SEMENTES CRIOULAS DO ALTO SERTÃO DE SERGIPE: NO CULTIVO DA DIVERSIDADE, CONSTRUINDO AUTONOMIA CAMPONESA
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 30/10/2020
  • Dissertação
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  • O presente estudo teve como objetivo compreender a importância do trabalho feminino na conservação das sementes crioulas, e como esse processo contribui na construção da autonomia camponesa nas localidades sergipanas Bom Jardim/Poço Redondo e Lagoa da Volta/Porto da Folha. Para subsidiar nossas análises, adotamos como procedimentos metodológicos a leitura de referencial teórico, trabalho de campo, entrevistas semiestruturadas e caderno de campo, que a posteriori foram traduzidos em dados quantitativos e qualitativos. Pudemos concluir no trilhar dos diálogos que perfizeram esse estudo, que a guarda de sementes ancestralmente se faz presente nas comunidades, sendo uma prática que se liga a necessidade de armazenar material genético de uma colheita, para dar origem às lavouras seguintes. Com a entrada das sementes transgênicas no campo sergipano, muitos camponeses foram induzidos a abandonar as sementes de família, acentuando o fenômeno da erosão genética. Como forma de combater a perda da diversidade a figura do Guardião e da Guardiã de sementes, sujeito histórico constituído a partir das tradições comunitárias, passou a ganhar visibilidade. Nas comunidades percebemos a forte presença das mulheres nesse processo de conservação e multiplicação das sementes crioulas. Sempre utilizando os quintais, arredores de casa e roças as Guardiãs produzem ampla variedade de alimentos e sementes, que além, de servirem para a autossuficiência alimentar, são comercializadas, permitindo a obtenção de mercadorias não produzidas dentro da Unidade de Produção Familiar Camponesa, fato que tributa à reprodução de uma vida digna. São também as mulheres que se responsabilizam pelo armazenamento das variedades crioulas nas casas comunitárias de sementes, prática que diminui o risco de perda e atesta a qualidade do material genético, além de garantir ações de sociabilidade camponesa. A presença de mediadores sociais tais como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) impulsiona estratégias e ações de conservação e multiplicação das sementes como intercâmbios, formações e oficinas. Como saldo desses processos de mediação as Guardiãs passaram a discutir e entender as sementes em seu sentido político de embate a lógica do agronegócio e perceberem a importância do seu trabalho para a manutenção da vida e aporte para construção de autonomia camponesa.

  • DENIZE DOS SANTOS PONTES
  • ENTRE SECAS E CARÊNCIAS: DEMANDAS COTIDIANAS DE ÁGUA NA SUB BACIA DO RIACHO DO SERTÃO-ALAGOAS
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 20/10/2020
  • Tese
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  • A especificidade do semiárido e suas dinâmicas refletidas em elementos, físicos, bióticos (animais e vegetais) e na ocupação humana, resultam uma paisagem única do Nordeste brasileiro. As concepções de ocupação foram de dominação da natureza, buscando atender as demandas de uma sociedade cuja apropriação é intensa e degradante. Nesse contexto definiu-se como objetivo geral analisar a sub bacia hidrográfica do riacho do Sertão na perspectiva socioambiental. Entendemos as carências de água e as necessidades básicas de abastecimento e de reprodução das atividades econômicas, urbanas e rurais. As discussões desse trabalho foram pautadas na proposta teórico-metodológica sistêmica, que traz uma abordagem articulada e complexa, ao inserir os sistemas físicos, estruturas e funcionamentos, engrandecidos pelas relações de apropriação e de poder do ser humano. Ele constrói, modela e remodela, influenciado pela oferta, pela demanda e pela cultura. A delimitação da sub bacia hidrográfica do Riacho do Sertão no semiárido alagoano, afluente do rio Traipu, constituinte da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, referenda o movimento das águas nos sistemas ambientais, inclusive no armazenamento de água para consumo. Como procedimentos e instrumentos, a pesquisa bibliográfica e de dados secundários permitiram o entendimento das informações relevantes do local, assim como se deu com o trabalho de campo, onde o empírico enaltece os dados e a nova configuração do semiárido alagoano. O trabalho de campo permitiu o registro fotográfico, coleta de coordenadas e o contato com a área de estudo, possibilitando entender as dinâmicas que vão além das condicionantes do semiárido. A presença de açudes de médio porte na área é resultado do contexto histórico, das políticas públicas do semiárido, onde o combate a um fenômeno climático norteava todas as ações. Outras opções são ofertadas pelas necessidades da população que buscam nos pequenos barramentos alternativas para o acúmulo de água, de acordo com o conhecimento e as possiblidades de recursos financeiros de cada um. Reservatórios como as cisternas e demais tecnologias sociais presentes tornam o acesso aos recursos hídricos uma realidade. Chegar a essa conjuntura onde o consumo humano é atendido, mesmo nos períodos de maior seca significa compreender e tornar possível se conviver com o semiárido e diminuir suas carências. É uma tentativa de solução para uma questão secular, mas que se agrava com as demandas antropogênicas.

  • LEANDRO SACRAMENTO SANTOS
  • Mangues, águas e modos de vida sob ataque: o processo de acumulação de capital por meio da carcinicultura - uma análise a partir de Brejo Grande – SE
  • Orientador : CHRISTIANE SENHORINHA SOARES CAMPOS
  • Data: 15/09/2020
  • Dissertação
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  • A apropriação capitalista do espaço litorâneo brasileiro vem ocorrendo de múltiplas formas ao longo da história desse modo de produção no país. A partir de meados do século XX todos os processos de acumulação de capital foram implementados sob a retórica do desenvolvimento, como se fossem produzir impactos positivos para tudo e para todos. Entretanto, o resultado dos grandes investimentos capitalistas neste espaço tem sido a degradação de extensas áreas naturais, impondo transformações no modo de vida de povos e comunidades tradicionais em todo o litoral. Atualmente a carcinicultura é uma dessas formas de apropriação capitalista em franca expansão no litoral de Sergipe, engendrando profundas transformações na relação sociedade-natureza historicamente construída por estas populações, mediadas pelo trabalho da pesca artesanal, da mariscagem, da agricultura camponesa e do extrativismo. O avanço da carcinicultura no estado é responsável pela perda da qualidade da água, diminuição dos recursos pesqueiros e pela onda crescente de privatização de grandes áreas do estuário (para a construção dos tanques) o que tem provocado o fechamento dos portos locais que permitem o acesso das comunidades de pescadores artesanais aos rios, manguezais, praias e marés. Sergipe saltou da 6ª posição em 2013 para a 3ª posição em produção de camarão em cativeiro no ano de 2017. No município de Brejo Grande desde 2016 vem sendo incentivada a carcinicultura através de ações, realizadas por meio da parceria entre governo do estado e a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC). De modo que desde 2018 o município ocupa a segunda posição no ranking dos maiores produtores de camarão em cativeiro em Sergipe. Este trabalho tem por objetivo analisar a expansão da carcinicultura no município de Brejo Grande e seus impactos no processo de reprodução social dos pescadores e pescadoras artesanais, evidenciando as transformações que esta atividade econômica vem produzindo na relação sociedade-natureza de povos e comunidades tradicionais, bem como fazer a crítica do papel do Estado e da retórica do desenvolvimento neste processo. Para isso utilizou-se o materialismo histórico dialético como método, buscando trazer à tona as contradições engendradas por essa forma específica de acumulação capitalista (carcinicultura), compreendendo-a na totalidade do processo de reprodução do capital no contexto contemporâneo. A abordagem da pesquisa é quantitativa e qualitativa. Neste sentido, os métodos de procedimentos incluiram estatística descritiva, análise de imagens, cartografia e trabalho de campo, com observação e entrevistas semiestruturadas, que possibilitaram mensurar e caracterizar a expansão desta atividade econômica no município de Brejo Grande, além de identificar como as pescadoras e pescadores artesanais analisam o avanço da carcinicultura sobre seus territórios e os rebatimentos em seus modos de vida.

  • JULIO CESAR PEREIRA BATISTA
  • ESPACIALIZAÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE CRÉDITO FUNDIÁRIO NO MUNICÍPIO DE LAGARTO/SE
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 31/08/2020
  • Dissertação
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  • A atual conjuntura da agricultura nacional no Séc. XXI, direciona para o retorno da política pública de financiamento de aquisição de terras semelhantes às ocorridas na década de 90, onde foram beneficiados os pequenos agricultores, os médios e grandes latifundiários. A luz do processo de constituição da ocupação territorial no Brasil originou-se numa estrutura fundiária altamente concentrada, que inicialmente estruturou-se no séc. XIX, enquanto componente de compra e venda a partir da Lei de Terras de 1850. Essa legislação marcou o início do mercado de terras no país, bem como a restrição à demanda por terras, já que apenas tinham direito de acesso pessoas que obtinham vultuosos recursos financeiros. De outra forma, já no séc. XX, o Estatuto da Terra, constituído em 1964, definiu os principais objetivos da reforma agrária, dentre os quais destacam-se o estabelecimento da relação entre o uso da terra e o bem-estar social, sendo assim um elemento para o combate à formação das grandes propriedades como forma de reduzir a concentração de terra, onde prevalece o uso da terra a sua função social, a qual é considerada juridicamente a partir de três pilares; o bem-estar dos proprietários, a manutenção dos níveis de produtividade e a preservação ambiental, onde na ausência de um destes itens o proprietário poderia perder a terra e ela tornar-se passível de desapropriação para fins de efetivação da reforma agrária. Com a observância de que os critérios utilizados pelo Estatuto da Terra para desapropriação mostrou-se ineficiente para a implementação da reforma agrária, como citado anteriormente, a “Reforma Agrária de Mercado”, conforme alguns autores citam, oferece linha de crédito para o aquisição de propriedades e a sua infraestrutura produtiva. A estrutura agrária brasileira na contemporaneidade exige compreender e ter o conhecimento das políticas responsáveis da origem da propriedade de terra centralizada, principalmente, na grande propriedade, onde fundamentou-se as relações de produção e dos fenômenos que proporcionaram o seu desenvolvimento. Assim, o objetivo principal dessa pesquisa é apresentar os resultados da dinâmica espacial e analisar a trajetória socioeconômica dos assentados do crédito fundiário inseridos no espaço agrário, junto as fazendas Massurepe I e II que aconteceram respectivamente no ano de 2004, desvendando seus desdobramentos e as condições de permanência destes agricultores beneficiários do programa no município de Lagarto/SE, na medida em que, ao se tornarem beneficiários do programa enquadram-se em outras políticas públicas. Nas últimas décadas a agricultura familiar tem sido protagonista de um novo modelo de atuação do Estado no meio rural através da implementação de políticas públicas para esse público, em destaque com o fomento a sua integração ao mercado, diante da valorização do Programa Nacional de Agricultura Familiar-PRONAF, caracterizado como política de capitalização dessas unidades produtivas rurais. Para melhor dinamismo de análise deste estudo, o método de investigação geográfica adotada será o Estruturalismo inserido na análise contraditória dos processos econômicos, históricos, políticos e sociais na vida dos assentados do programa, obtendo como resultados esperados uma melhor compreensão da participação e envolvimento dos assentados, das ações públicas acessadas a partir do Crédito Fundiário, seus impactos esperados e o realmente efetivado e assim obter um diagnóstico preciso da sua função social diante do investimento realizado. Apesar da existência dessas políticas ao longo desta década proposto, elas não se mostraram eficientes e eficazes para eliminar ou minimizar a concentração de terras no Brasil. Ademais, a concentração de terras, principalmente no Nordeste, intensifica-se mais ainda os problemas sociais no meio rural, como por exemplo, o desemprego, o endividamento, o analfabetismo e a mortalidade infantil. Neste contexto, a pesquisa em desenvolvimento pretende contribuir para o diagnosticar os impactos da espacialização da reforma agrária de mercado através da análise do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) no município de Lagarto, realizado no ano de 2004, verificando as condições atuais dessas famílias, junto às propriedades rurais adquiridas de Massurepe I e II, após uma década de acesso a esta política pública.

  • JOSÉ ARNALDO DOS SANTOS NETO
  • Avaliação Ecodinâmica das Unidades de Paisagem da Sub-bacia do Rio do Sal
  • Orientador : NEISE MARE DE SOUZA ALVES
  • Data: 21/08/2020
  • Dissertação
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  • Área Rural e Área Urbana classificadas respectivamente como Meios Relativamente Instáveis e Meios Urbano-ecodinâmicos Relativamente Instáveis. A Geofácies Vertente dissecada em colinas convexas suaves e espigões alongados inclui Área Rural – Meios Relativamente Instáveis e Área Urbana – Meios Urbano-ecodinâmicos Relativamente Instáveis. A Geofácies Planície fluviomarinha também está integrada por Área Rural – Meios Fortemente Instáveis e Área Urbana – Meios Urbano-ecodinâmicos Fortemente Instáveis. Finalmente, a Geofácies Terraços marinhos – pleistocênicos e holocênicos, que possui apenas Área As novas tecnologias propiciaram à sociedade moderna acreditar possuir conhecimento e ferramentas necessárias para controlar a dinâmica da natureza e ampliar o uso dos recursos naturais. Dentre os mais explorados destaca-se a água como recurso hídrico. A área desta pesquisa engloba a Sub-bacia hidrográfica do rio do Sal, principal afluente da margem direita, do Rio Sergipe, limite natural entre Aracaju e Nossa Senhora do Socorro. Este estudo tem por objetivo avaliar o estado das unidades de paisagem da Sub-bacia hidrográfica do rio do Sal, segundo os princípios da Ecodinâmica (TRICART, 1977). Em razão da sub-bacia possuir duas áreas com características de uso e ocupação distintas, uma Área rural e uma Área Urbana, os meios ecodinâmicos originais foram adaptados para essa realidade. Os estudos apoiaram-se na abordagem sistêmica, na categoria paisagem, e o modelo geossistêmico (BERTRAND, 2004) aplicado na compartimentação das unidades de paisagem, com base na geomorfologia. Os procedimentos metodológicos adotados incluíram: pesquisa bibliográfica, levantamento do acervo documental e cartográfico, análise de dados socioeconômicos obtidos junto aos órgãos estaduais e federais, interpretação de imagens de satélite, elaboração de mapas temáticos e realização de trabalhos de campo. Os mapas temáticos foram confeccionados com a aplicação de softwares de geoprocessamento. Os resultados obtidos indicam que a paisagem da sub-bacia está composta por dois Geossistemas e quatro Geofácies: – Geossistema Tabuleiros Costeiros formado pelas Geofácies Superfície dissecada em colinas, interflúvios tabulares e morros, e Geofácies Vertente dissecada em colinas convexas suaves e espigões alongados; – Geossistema Planície Costeira integrado pelas Geofácies Planície fluviomarinha e Geofácies Terraços marinhos – pleistocênicos e holocênicos. Cada unidade de paisagem encontra-se em determinado estágio evolutivo. No entanto, em razão da dinâmica de ocupação, os processos naturais são alterados. A Geofácies Superfície dissecada em colinas, interflúvios tabulares e morros apresenta Urbana inserida nos Meios Urbano-ecodinâmicos Fortemente Instáveis. No cômputo geral, predominam na sub-bacia os Meios Relativamente Instáveis, na Área rural e Meios Urbano-ecodinâmicos Relativamente Instáveis, na Área Urbana. às vezes de difícil controle ou irreversíveis. O estudo realizado na Sub-bacia hidrográfica do rio do Sal, torna evidente a importância da análise geoambiental e da avaliação do estado da paisagem, como forma de auxiliar tomada de decisões para a gestão territorial, possibilitando a melhoria da qualidade de vida da população e a conservação doA inserção da ação humana na dinâmica natural se traduz em alterações na paisagem e problemas ambientais, s recursos naturais, que podem utilizados de maneira consciente.

  • LUCAS SILVA LEITE
  • Dinâmica Geoambiental e Repercussões sobre os Recursos Hídricos do Município de Nossa Senhora das Dores/Sergipe – 1970 a 2018
  • Orientador : NEISE MARE DE SOUZA ALVES
  • Data: 21/08/2020
  • Dissertação
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  • A compreensão da dinâmica dos sistemas naturais e a delimitação de unidades de paisagem possibilita identificar o grau de susceptibilidade dos ambientes às ações antrópicas. O município de Nossa Senhora das Dores, possui 74,2% de suas terras drenadas pela rede hidrográfica da bacia do rio Sergipe e 25,8% do rio Japaratuba. Seu território apresenta diferenças nos componentes físico-bióticos, na distribuição espacial da população e nos tipos de uso das terras. A demanda por água é crescente, tanto pelo aumento do contingente populacional, como pelas atividades agropecuárias. Assim, a presente pesquisa tem por objetivo analisar a dinâmica do sistema geoambiental e as repercussões sobre os recursos hídricos de Nossa Senhora das Dores, num recorte temporal de 1970 a 2018. Os estudos foram desenvolvidos segundo a concepção sistêmica, orientada pelos pressupostos do modelo teórico-metodológico do geossistema (BERTRAND; TRICART, 1968), que permite realizar a análise integrada da dinâmica do sistema ambiental da paisagem. Os procedimentos metodológicos incluíram: pesquisa bibliográfica, levantamento do acervo documental e cartográfico; realização de trabalhos de campo; processamento de imagens de satélite e fotografias aéreas; criação de shapefiles, elaboração de produtos cartográficos e interpretação dos dados. Os resultados obtidos, revelam para Nossa Senhora das Dores uma paisagem derivada da combinação dinâmica dos componentes biofísicos e antrópicos. Nela se materializam as intervenções antrópicas, por meio dos diferentes tipos de uso das terras, cuja inter-relação com os elementos do sistema ambiental resultam em repercussões na dinâmica hidrográfica e nos recursos hídricos. Os principais condicionantes dos recursos hídricos da área de estudo são: o clima, com duas estações bem definidas – seca e chuvosa, que favorece o regime fluvial intermitente; a geologia – litologias sedimentares e metamórficas com graus de fraturamento diferenciados, associadas respectivamente aos aquíferos granular e fissural, que possuem potenciais distintos de armazenamento da água subterrânea; a geomorfologia – topografia e altimetria do modelado, que interferem nos processos de infiltração e escoamento superficial; e o processo histórico de uso e ocupação das terras – as atividades agropecuárias e a ampliação da infraestrutura urbana, que implicam na supressão da cobertura vegetal e na demanda crescente por água. Nesse contexto, os mananciais são impactados pelo desmatamento e descarte de efluentes residenciais. No recorte temporal analisado, a crescente demanda por água, obrigou a administração pública a buscar outros pontos de captação para o abastecimento público, até mesmo fora dos limites político-administrativos. Os mananciais onde era realizada a captação foram substituídos por outros em que a vazão se apresentava suficiente para atender o consumo, ocorreram três mudanças – Pedreiras, riacho Pedrinhas e rio Sangradouro. Na atualidade, mais de 70% da população é abastecida por água do rio Sangradouro, captada no município Siriri, e o restante da água consumida provém – do rio São Francisco, através da Adutora Sertaneja; de carros-pipas; de poços tubulares; da captação de água da chuva em cisternas; entre outros. Diante dessa realidade, faz-se necessário o planejamento e gestão dos recursos naturais e, em particular dos recursos hídricos no município.

  • POLIANA MACHADO DA SILVA MOREIRA
  • CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS DA ATIVIDADE MINERADORA NO MUNICÍPIO DE BRUMADO – BA
  • Data: 28/04/2020
  • Tese
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  • A sociedade atual alcançou um nível elevado de modernização caracterizada pela evolução da informação, a produção de riquezas e a criação de novas tecnologias, o que permitiu melhores condições de vida para o homem. Em contrapartida manifestam-se profundas crises ambientais relacionadas ao uso indiscriminado dos recursos naturais e às variadas formas de degradação socioambiental. Dentre as atividades realizadas pelo homem na modificação do meio natural, a mineração se destaca. Uma atividade industrial importante e necessária, embora modificadora do meio ambiente, frequentemente associada às questões sociais, envolve conflitos de uso do solo e geração de áreas degradadas, os quais são gerados pela falta de estratégias de intervenção que reconheçam a pluralidade dos interesses envolvidos. Esta pesquisa tem como local de estudo o município de Brumado situado no sudoeste baiano, a 650 km de Salvador. A organização geoeconômica da produção mineral em Brumado caracteriza-se por inserir no cenário econômico do país os chamados minerais não metálicos. Desde a implantação das mineradoras o município transformou-se em um expoente na exploração mineral, o que trouxe uma nova dinâmica socioespacial. Nesse contexto concebe-se a tese de que a atividade mineradora gera conflitos socioambientais, norteada pelo objetivo geral de compreender como a atividade mineradora vem produzindo novas territorialidades no município decorrente de sua dinâmica econômica. O método escolhido para a interpretação do problema é o estruturalista e os procedimentos metodológicos para a análise foram: levantamento bibliográfico e documental, entrevistas, aplicação de questionário semiestruturado, diário de campo e mapeamento. Os resultados evidenciam que a população e o poder público local, pelo discurso de que a mineração trouxe o desenvolvimento, enxergam na atividade mineradora uma oportunidade de desenvolvimento econômico e de ascensão social, deixando de promover outras atividades. Na realidade o que se observa é que os empregos especializados são trazidos de outras localidades, restando empregos formais nas empresas terceirizadas, subordinados a condições precárias de trabalho, atuando em funções como segurança, serviços de limpeza e manutenção e, assim, o desenvolvimento não ocorre, pois, o município é incapaz de estabelecer as bases para que esse possa acontecer. Os conflitos mais expressivos entre a população e as empresas mineradoras estão relacionados com as condições precárias de exploração do trabalho, doenças causadas pela inalação de pó advinda da mineração e, a defesa dos territórios. Embora a atividade mineradora promova a circulação de capital e a movimentação da economia no local em que está instalada, os grandes empreendimentos de mineração possuem interesses divergentes de grande parte da população. Dessa forma, os conflitos ambientais vêm sendo pensados sob uma perspectiva que identifica as lutas sociais estabelecidas em torno de recursos naturais constituídos na base territorial e, os objetivos e o controle social desse território variam de acordo com o modo de vida da sociedade, sejam eles indivíduos, grupos sociais/culturais, o Estado, empresas, instituições como a Igreja etc.

  • DANIELA SANTOS FEITOZA
  • ECONOMIA SOLIDÁRIA E REDES DE COOPERAÇÃO NO ESPAÇO RURAL DO MUNICIPIO DE SALGADO/SERGIPE
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 31/03/2020
  • Dissertação
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  • A Economia Solidária é uma forma e processo de organização coletiva que busca autonomia na produção e reprodução social do trabalho. Pautada nos princípios da Solidariedade, Cooperação, Autogestão, Comércio Justo, e Consumo Solidário, a Economia Solidária no Brasil associa-se a uma alternativa em meio às crises e contradições do capitalismo sendo esta, vislumbrada apenas e somente enquanto “ação antálgica” no período de realização do Capital. À medida que o avanço do grau de desenvolvimento e amadurecimento do modo de produção capitalista transcende, via fase Ultra-Neoliberal a Economia Solidária se estrutura e espacializa com o apoio do Estado através da institucionalização como política pública. Neste sentido, nossa preocupação se estabelece a partir da análise de estudo de caso com base no que seja a organização da Economia Solidária no Território de Planejamento Centro-Sul do estado de Sergipe. Ao passo que elencamos temas que permeiem essa coletividade econômica solidária, traçamos nossos objetivos fundamentados no estudo das Redes de Cooperação forjadas no espaço rural do município de Salgado/SE. Nosso intuito se apresenta como entendimento da função social e uma tentativa de contribuir para o conhecimento geográfico através da compreensão da Economia Solidária do ponto de vista do espaço social, através da análise dos limites, alcances e possibilidades destas redes solidárias na articulação e na relação produção- comércio- consumo enquanto mecanismo central na dinâmica do desenvolvimento local, buscando compreender o espaço das trocas inseridas nestas redes de cooperação no âmbito da Economia Solidária, na quais compõem esferas imprescindíveis de reprodução da atividade econômica dos sujeitos envolvidos nas práticas socioespaciais do trabalho. Nos objetivos específicos, procuramos entender a relação e a participação dos sujeitos/agentes inseridos nas redes de cooperação solidária através dos circuitos curtos de comercialização investigando como se formata e materializa a eficiência das redes enquanto acessório de integração e coesão comunitária no território. E ainda refletir as implicações das redes de cooperação na “promoção” do desenvolvimento local, verificando os rebatimentos desta politica publica no modo de vida dos agricultores familiares no espaço rural. A análise deste estudo está ancorada pelo método Empírico-Analítico em face da dinamicidade e realidade do campo de pesquisa nesse sentido, buscou-se entender os arranjos institucionais das redes de cooperação avaliando as possibilidades que as relações sociais baseadas nos princípios da Economia Solidária têm de se reproduzir abrigada no espaço mediado pelo capitalismo. Nessa lógica, traçamos o perfil da Economia Solidária em Sergipe através da instrumentalização da política publica via processos e ações que ensaiaram uma espécie de experiência ainda que embrionária no estado. Sendo possível avaliar o grau de inserção no território Centro-Sul, sobretudo no espaço rural em que a organização da Agricultura Familiar afina-se nas redes de cooperação configuradas fundamentalmente por associações e cooperativas combinando solidariedade e ação coletiva como alternativa frente ao mercado excludente e competitivo do Capital, nessa perspectiva é preciso pensar horizontes para a Economia Solidária e seu potencial gerador de espaços de esperanças, que nega o modelo dominante empreendedor/individual sem o caráter territorial. Para tanto, é importante salientar que ao passo que a Economia Solidária se desenvolve carrega contradições pelo fato de coexistir com o modelo capitalista apresentando-se como par dialético no espaço.

  • ALYSON FERNANDO ALVES RIBEIRO
  • GEOGRAFIA AGRÁRIA E MODERNIDADE NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: “TERRAS ESPLENDIDAS, QUE PODERIAM DAR A TODOS O QUE A QUASE TODOS NEGAM”
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 26/03/2020
  • Tese
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  • A mercadoria é a gênese fenomênica do capital. A dinâmica do capital é subjugar tudo ao processo de mercantilização. A presente tese tem por objetivo central analisar terra-mercadoria como fenômeno de reiteração da permanência da modernidade e do processo de acumulação primitiva do capital na Amazônia brasileira. Sendo assim, a escolha da Amazônia como “fronteira” de acumulação não escapa dos princípios que o sistema capitalista lhe concebe. A hipótese elencada nesta tese estrutura-se na argumentação da persistência do parâmetro filosófico da modernidade mediante uma materialidade geográfica na qual a (re)produção da terra-mercadoria na Amazônia Legal, pelo processo de acumulação primitiva, é a condição-meio-produto fundante da relação capital-espaço, no seio da negação histórica da reforma agrária. O presente estudo concebeu o materialismo histórico dialético como método estruturante, o que obriga a considerar o espaço como uma parte do todo; um produto histórico, uma projeção da sociedade através das relações de produção emanadas de contradições desiguais e combinadas do capitalismo. Esse olhar permitiu admitir que por meio das várias fases de invasão, a Amazônia oferece seus recursos maturais, principalmente terra e água, para satisfazer as necessidades do mercado mundial. No quadro atual das relações capitalistas, a Amazônia apresenta-se como recurso-resposta para as crises de acumulação. Trata-se de um território que sempre foi explorado-consumido pelo que havia de mais “novo” em cada momento histórico, em um processo de simbiose entre o arcaico e o moderno, oriundos da concepção burguesa trágica de progresso linear como curso derrisório: Plano Nacional de Integração (PIN); Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (POLAMAZÔNIA); Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND I, PNDII); Programa de Redistribuição de Terras e Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste (PROTERRA); Colonização. A presidência de Michel Temer sancionou, no dia 12 de maio de 2017, em Brasília, a Lei 13.465/2017, que flexibiliza a regularização fundiária de terras da União, com o nome de Programa Nacional de Regularização Fundiária. O referido reordenamento jurídico, constitutiva da agenda territorial do agronegócio, possui como principal inovação, o alargamento da área de regularização em terras da União, que passa de 1.500 para 2.500 hectares, em todo território nacional, o que inclui o aumento de posses a serem legalizadas pelo Programa Terra Legal na Amazônia. Essa “nova lei de terras do Brasil” representa uma agenda territorial para agrohidronegócio. Como reflexo deste panorama, a geografia dos conflitos agrários na Amazônia brasileira cresceu (re)produzindo conflitos pela terra e pelo território. A barbárie como manifestação da violência aparece como estrutura sistêmica do capitalismo, é um presente vivo, engana-se quem acredita que é passado. A terra indígena (TI) da etnia Uru-Eu-Wau-Wau está sendo invadida, desmatada e loteada por grileiros e madeireiros. Desta forma, a acumulação primitiva em curso na Amazônia é estrutural e não apenas genérica, busca a transformação de tudo em mercadoria, através da capacidade produtiva do capital e sua dinâmica do mais-valor.

  • FAGNER SANTOS DE OLIVEIRA
  • CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO LITORAL SUL EM ESTÂNCIA/SE
  • Orientador : MARCIA ELIANE SILVA CARVALHO
  • Data: 11/03/2020
  • Dissertação
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  • A Área de Proteção Ambiental do Litoral Sul de Sergipe compreende a faixa costeira dos municípios de Itaporanga d’Ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhi e Indiaroba. Trata-se de Unidade de Conservação de Uso Sustentável, na qual encontramos espécies de fauna e flora litorâneas, bem como dunas, afloramentos lagunares e a foz do Rio Real. Desde seu processo histórico de ocupação em 1575 até os dias hodiernos essa área passa por contínuas transformações decorrentes das ações antrópicas, o que justifica per si a escolha da mesma como objeto dessa dissertação, uma vez que trata-se de uma UC instituída numa área de colonização tardia, ou seja, marcada pela ação do homem ao longo de mais de quatrocentos anos. Ademais, muitos dos conflitos socioambientais existentes decorrem do desconhecimento, por parte dos atores envolvidos, do que seja e de qual finalidade possui uma APA; associada à negligência do poder público efetivar ações de fiscalização local. O presente estudo tem como objeto, portanto, a Área de Proteção Ambiental (APA) que perpassa pela faixa litorânea do município de Estância/SE e tem como objetivo geral analisar conflitos socioambientais ali existentes. Nesse sentido, os objetivos específicos do supradito são: entender a dinâmica dos Conflitos Socioambientais na APA Litoral Sul dentro dos limites de Estância; ponderar o conhecimento que os atores dos conflitos possuem acerca da natureza e finalidades jurídicas da APA em destaque; e analisar, classificar e elaborar um mapa dos Conflitos Socioambientais existentes na mesma. O método hipotético-dedutivo foi o adotado para escopo do trabalho, bem como a metodologia de diagnóstico dos conflitos socioambientais, proposta pela categorização literário-analítica dos Conflitos Socioambientais de Paul Little (2001), numa abordagem quali-quantitativa. Em relação aos procedimentos metodológicos, os mesmos se deram em três etapas: fundamentação teórica; coleta de dados; e análise dos dados. Na fundamentação teórica realizou-se consistente pesquisa bibliográfica para embasamento do estudo. Posteriormente foram coletados dados, por meio de visitas in loco, da fotografia georeferenciada (através do aplicativo Open Camera), de imagens de satélite (do UTM Geo Map), tendo sido realizados entrevistas e questionários semiestruturados aplicados aos principais atores envolvidos nos conflitos. Por fim, realizou-se a análise dos dados, e a elaboração de um mapa de Conflitos Socioambientais, segundo o modelo do GESTA (Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais) da UFMG, por meio do programa QGis 2.18. Esses procedimentos deram o suporte necessário para o alcance dos objetivos almejados, pois, constatou-se, pela análise final dos dados, o aumento nos conflitos socioambientais nessa área decorrentes não apenas do desconhecimento da natureza e das atribuições de uma UC e uma APA, mas também oriundos de interesses mercadológicos, turísticos, empresariais, entre outros; os quais geram uma tensão constante no equilíbrio e na conservação da biodiversidade da mesma. Os Conflitos Socioambientais encontrados atualmente na APA foram categorizados em três tipos: em torno do controle dos recursos naturais, em torno dos impactos ambientais e sociais gerados pela ação humana e natural, e em torno do uso dos conhecimentos ambientais, identificando seus atores em disputa e o bem (recurso) disputado. Estes resultados podem ser utilizados como subsídios para a leitura dos Conflitos Socioambientais existentes na APA, tendo em vista a busca por ações eficazes em prol do uso sustentável de seus recursos naturais.

  • MURILO MATEUS SOARES DE MATOS
  • OS DESAFIOS E AS CONTRIBUIÇÕES DO PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR – PNAE PARA O FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR CAMPONESA EM ITAPICURU/BA
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa tem por objetivo analisar os desafios e as contribuições do PNAE para a agricultura familiar camponesa no município de Itapicuru/BA. O Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, regulamentado pela Lei nº 11.947/2009, estabelece nas suas diretrizes que no mínimo 30% dos recursos financeiros repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, sejam direcionados para a aquisição de produtos provenientes da agricultura familiar camponesa, preferencialmente de assentamentos de reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas. Constatamos que essa diretriz foi executada a partir de 2017 no município com a inserção dos alimentos produzidos pelos agricultores na alimentação escolar. Essa conquista foi fruto do movimento dos agricultores e da intervenção dos membros do CAE aos gestores municipais tendo em vista as problemáticas relacionadas à produção e a circulação dos alimentos produzidos pelos agricultores locais. Como procedimentos metodológicos adotamos o estudo de caso, a investigação apresenta um caráter qualitativo, está estruturado com uma revisão teórica acerca da temática, levantamento de dados quantitativos, pesquisas de campo, e sistematização das informações coletadas. Os resultados evidenciam os entraves enfrentados pelos agricultores para inserção no programa, a mudança na gestão do programa proporcionou a inserção dos alimentos produzidos por um número reduzido de agricultores familiares camponeses no mercado institucional da alimentação escolar e a renda gerada é considerada complementar, contribui para a reprodução social e permanência no espaço rural.

  • RONILSON BARBOZA DE SOUSA
  • A QUESTÃO AGRÁRIA NA FORMAÇÃO TERRITORIAL BRASILEIRA - UMA PERSPECTIVA DE CARACTERIZAÇÃO ESTRATÉGICA
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 28/02/2020
  • Tese
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  • O golpe que destituiu Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), da presidência da república do Brasil, em 2016, impulsionou, entre outras questões, uma avaliação sobre a experiência petista de hegemonia da classe trabalhadora, e (re)colocou, no centro do debate, entre as organizações de esquerda e os intelectuais, a questão da estratégia da revolução brasileira. Buscou-se contribuir com esse debate, a partir da análise da questão agrária – compreendida como expressão de uma relação sociedade-espaço, como a sociedade se relaciona e se apropria da terra, seu controle e o da produção, e como isso é colocado em questão no movimento real de classes sociais. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi analisar a questão agrária na formação territorial brasileira desde uma perspectiva de caracterização estratégica, dialogando com as estratégias da esquerda brasileira, que hegemonizaram a classe trabalhadora, em diferentes momentos. A análise está orientada na perspectiva do método do materialismo histórico e dialético e, portanto, na teoria marxista, por viabilizar o entendimento da essência do modo de produção capitalista, dos problemas sociais gerados pela sua dinâmica, e apontar o caminho da sua superação, da superação da sociedade de classes. Desse modo, o marxismo possui uma dimensão teórica estratégica: é a estratégia da revolução comunista (internacional). Nessa perspectiva, a geografia torna-se fundamental, pela compreensão da dinâmica da produção capitalista do espaço, da formação territorial brasileira e, desse modo, da questão agrária. Por outro lado, a importância para a geografia ocorre na medida em que, apesar da diversidade e da relevância das pesquisas sobre a questão agrária, não há tantos estudos com a preocupação de entendê-la a partir de uma perspectiva de caracterização estratégica. Muitas organizações e intelectuais, ainda, analisam a formação territorial brasileira pelo suposto dualismo de setores independentes, do “atraso” e da “modernidade”. Um considerado moderno, porque percorreu um caminho capitalista; e o outro atrasado (ainda que, em alguns casos, não utilize explicitamente essa palavra), em que predomina a economia de base agrária, que atrasa o seu desenvolvimento e o do setor moderno. A conclusão dessas análises é não apontar diretamente para uma estratégia e uma revolução de caráter socialista. É preciso uma mediação democrática, para, só em seguida, realizar o socialismo. Na configuração atual da questão agrária no Brasil, há uma integração de capitais de vários setores e origem (nacional e internacional): aquisições, fusões e associações entre capitais; Além do controle de empresas estrangeiras sobre terras no Brasil. Houve uma articulação do capital monopolista na grande propriedade fundiária, conhecido como agronegócio, e que tem provocado mudanças estruturais, com a sua expansão sobre o campo brasileiro. A expansão do agronegócio, a combinação de capitais no campo, a exploração capitalista do trabalho, não pode ser considerada tarefa democrática em atraso, pois, não apenas faz parte da forma como o capitalismo se expande no país, como, também, se coloca diretamente num terreno socialista. Todavia, além dessa realidade, temos a utilização da terra para especulação, reserva de valor, a integração subalterna de agricultores familiares e camponeses ao capital, povos indígenas, quilombolas e camponeses, que reivindicam terras e recursos para produzir alimentos e garantir a reprodução do seu modo de vida. Todas essas questões estão articuladas, no entanto, essa última realidade não coloca diretamente a contradição capital-trabalho e a socialização do trabalho, e, por isso, podem ser consideradas como tarefas e/ou reivindicações democráticas. Todavia, ela também se choca com o capital e a sua forma de se expandir no campo. Nessa perspectiva, avaliamos que a questão agrária no Brasil constitui uma combinação entre tarefa democrática e socialista, que, ao se chocar com o capital, aponta a necessidade de sua superação.

  • ANA PAULA ALMEIDA SILVA
  • Reprimarização da economia e o monocultivo do milho em Sergipe
  • Orientador : MARLEIDE MARIA SANTOS SERGIO
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • A produção do espaço se realiza na esfera da sociedade e da natureza transformada continuamente através das relações sociais desenvolvidas pelos agentes produtores do espaço. A expansão de monoculturas sobre o espaço agrário da América Latina, corrobora as relações imperialistas entrelaçadas ao capital que amplia suas amarras sobre essa região através do processo de reprimarização econômica. Terras, águas, trabalho humano e todos os demais recursos são explorados de forma profunda no atual contexto de crise do capital, tendo, entre os desdobramentos, a acentuação da produção de commodities direcionada à exportação. Esse processo tem reflexos sobre o aumento da concentração de terras nas mãos de uma diminuta parcela de proprietários, alargamento das áreas de pobreza, corrosão da soberania alimentar, além das armadilhas intrínsecas ao progresso técnico como o mortífero poder exercido pela indústria dos agrotóxicos e sementes transgênicas. No Brasil, a expansão das áreas de monocultivos é respaldada pelo Estado, que implementa e viabiliza as estruturas essenciais ao capital; nessa conjuntura, a agricultura assume fluxos cada vez mais desimpedidos diante da flexibilidade destinada ao agronegócio. No Nordeste, a demanda por grãos para alimentação do setor avícola tem repercutido na ampliação das áreas de produção de milho em diversos estados da região. Nesse contexto, a crescente ampliação dos monocultivos/desertos verdes se torna atrativa. Em Sergipe, o avanço das áreas ocupadas pelo monocultivo do milho assume expressão por diversos municípios, consolidando a força do capital. A pesquisa vigente se volta para a compreensão dos processos intrínsecos à territorialização do capital sob a produção do milho. Assim, esse trabalho se propõe a entender e analisar a expansão desse cultivo, considerando as hierarquias escalares circunscritas à produção do espaço e à relação sociedade/natureza. A análise é fundamentada no Materialismo Histórico e Dialético, cuja leitura da realidade busca situar os sentidos da essência dos fenômenos produzidos no espaço geográfico. A expansão do monocultivo do milho em Sergipe é respaldada pelas ações do Estado que viabiliza diversas políticas públicas voltadas à ampliação desse cultivo, como programas de assistência técnica, distribuição de sementes, horas de tratores e infraestrutura, acompanhadas pela retórica do desenvolvimento econômico. O capital ao se territorializar sob a forma do monocultivo do milho, tem produzido diversas facetas nesse espaço agrário como a escassez de terras, ameaças às relações de soberania alimentar, contaminações produzidas pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e sementes transgênicas, mobilidade de trabalhadores, endividamentos de milhares de camponeses sucumbidos aos ditames desse modelo agrícola. Verifica-se que o crescimento econômico associado à produção do cultivo do milho em Sergipe retrata em sua essência as contradições do império do capital que se movimenta por meio de relações assimétricas na produção do espaço, além de que, a especialização produtiva em bens primários na América Latina representa a dominância do capital para auferir lucros a qualquer custo no contexto de sua própria crise.

  • FLÁVIO DOS SANTOS
  • Resistência para um modo de existência: luta camponesa em defesa das Sementes Crioulas no Semiárido Alagoano
  • Orientador : CHRISTIANE SENHORINHA SOARES CAMPOS
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • No âmbito da reprodução social camponesa as sementes se constituem como um elemento essencial, pois se tratam de organismos importantes para as atividades agrícolas realizadas por esses trabalhadores, fato que proporciona o surgimento de conhecimentos únicos, materializados no plantar, no germinar, no manejo e na colheita. Como fruto desse processo destacamos as chamadas sementes crioulas, organismos que possuem traços biológicos e culturais originados no trabalho camponês, uma semente pura, livres de qualquer melhoramento feito em laboratório, sendo repassadas de geração em geração. Perante esse cenário, corporações empresariais sementeiras vêm intensificando a aplicação dos pacotes biotecnológicos na agricultura, com o intuito de dominar a produção mundial de sementes. Diante desses ataques, camponeses têm realizado ações de resistência a fim de proteger os organismos crioulos, fato que também ocorre no Semiárido alagoano, onde vem sendo empreendido um processo de luta que se materializa na formação de uma rede estadual de Bancos Comunitários de Sementes, espaços de guarda das sementes crioulas e de articulação política. Tendo como aporte metodológico o Materialismo Histórico-Dialético e pautados em uma abordagem quantitativa e qualitativa, esta pesquisa de dissertação teve por objetivo analisar o processo histórico de resistência realizado pelo campesinato em defesa das sementes crioulas no Semiárido alagoano no contexto da mundialização da agricultura, bem como, sob uma ótica multiescalar, desvelar as políticas adotadas pelo Estado voltadas para facilitar o processo de acumulação de capital. Os resultados da pesquisa apontam que a partir da década de 1960, com a modernização da agricultura, o Brasil adentrou nos trilhos para se transformar em um grande produtor de commodities, fato consumado com o advento da economia do agronegócio, movimento que teve como uma de suas faces a produção das sementes melhoradas em laboratório: híbridas e transgênicas, as quais, atualmente, vêm sendo disseminadas no espaço agrário brasileiro com maior intensidade. Na realidade alagoana, constatamos que esse avanço tem ocorrido através de políticas públicas, bem como por meio da venda em casas agropecuárias. Frente a esse contexto, camponeses vêm ampliando as estratégias de resistência a fim de proteger as sementes crioulas, processo empreendido perante a intensificação do desenvolvimento desigual e combinado, o qual se espacializa no Semiárido alagoano e, em conjunto com as ações do Estado, vem potencializando as contradições na produção espacial, engendrando múltiplos desafios para que os Bancos Comunitários de Sementes sigam escrevendo sua história de resistência.

  • RICARDO MENEZES SANTOS
  • A Lei de Diretrizes e Base/LDB como estratégia do Estado para a acumulação capitalista e suas reconfigurações na produção desigual do espaço.
  • Data: 20/02/2020
  • Tese
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  • A presente Tese de Doutorado objetiva refletir sobre as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, e seu direcionamento no processo desigual e combinado na produção do espaço/campo-cidade. A lógica da educação no sistema do capital é fundamental para o funcionamento e a reprodução do sistema parasitário capitalista, através da ordenação do trabalho; nessa direção o Estado é subordinado para a sua organização e institucionalização, como responsável direto e eficaz para a reprodução do capital. No Brasil, em cada período histórico, as matrizes capitalistas determinaram e determinam na atualidade, formas diferenciadas de atuação para atender às transformações impostas pelo mercado. Embora aparentemente ausente/presente, o Estado do período Colonial a República garantiu o domínio agrário exportador. A partir de 1930 a divisão territorial do trabalho foi articulada para garantir a expansão do capital via indústria, sendo moldada a partir da cidade, desconfigurando a realidade até então existente. Nessa lógica, toda relação de trabalho devia ser convertida para a extração do mais valor, em um processo de extração/acumulação do trabalho. Desse modo, o campo foi subordinado à cidade e a agricultura à indústria. Sob a tutela do Estado a primeira Lei de Diretrizes e Base/LDB oficializada foi a 4.024/61, refletida nas relações estabelecidas entre os modelos agrário-exportador e urbano industrial, atendendo aos imperativos do sistema capitalista, abrindo as possibilidades de concretização de um modelo educacional institucionalizado. A segunda lei, 5.692/71 foi estruturada a partir da internacionalização da economia brasileira configurando o ensino técnico como essencial para o desenvolvimento das relações de trabalho, o Estado desenvolvimentista assumiu toda a estruturação educacional para favorecimento do mercado. A terceira e atual lei, a 9.394/96, reorientou a política educacional para o atendimento à reestruturação produtiva sob as bases neoliberais. Nesse sentido, o Estado retirou-se aparentemente (ausência-presença) do processo de ordenamento do trabalho e da educação, como responsável pela sua estruturação, embora mantendo o papel de regulador social do capital. Conclui-se que, dinâmicas diferenciadas conforme as necessidades sociometabólicas do capital, o Estado no movimento dialético contraditório da ausência/presença, assume quando necessário, a efetividade das ações, sendo estruturador direto/presente no período desenvolvimentista brasileiro, (leis 4024/61 e 5692/71) para a materialização da acumulação do capital. E, com a mesma finalidade, torna-se aparentemente ausente, quando no neoliberalismo assume o discurso. Do Estado mínimo para as políticas sociais (lei 9394/96). Nessa projeção na atualidade, a produção capitalista no/do campo evidencia a expansão do agronegócio e a constatação do fechamento de escolas, expropriando os camponeses/camponesas do direito à educação, ao tempo que fomenta a precarização do trabalho no campo e na cidade. O que comprova-se nossa Tese de que, as engrenagens institucionais do poder do Estado estruturam as leis de diretrizes de base da educação brasileira para garantir a negação da questão agrária e da condição camponesa, no favorecimento da lógica capitalista, subsumindo os discursos geográficos críticos no/para o processo de acumulação que produz espaços desiguais.


  • VIVIANE MELO SANTOS
  • TERRITORIALIDADES EM CONSTRUÇÃO NO QUILOMBO TERRA DURA E COQUEIRAL EM CAPELA/SE
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 18/02/2020
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa analisa as territorialidades no Quilombo Terra Dura e Coqueiral em Capela/SE como elementos em construção na configuração do território. As relações territoriais podem ser lidas através das formas de ocupação, apropriação e uso da terra, bem como da luta pela legitimação dos territórios tradicionais quilombolas diante da estrutura concentradora da terra no Brasil. De acordo com o artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais e Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988, os quilombolas encontram um amparo legal para ter acesso à terra historicamente negada e apropriada por uma minoria. A presente análise parte do pressuposto que a desigualdade está assentada na concentração da terra historicamente constituída, apropriada por uma elite conservadora, arcaica e patrimonialista. Diante disso, pesquisar as territorialidades abre possibilidades para um pensar geográfico que se propõe analisar as múltiplas determinações que definem esse território, tais como: o processo de dominação hegemônica configurado através da propriedade privada, consolidada pelo sistema canavieiro como demonstrado através dos resultados preliminares do Censo Agropecuário (2017) e dos referenciais teóricos a exemplo de Delgado (2017; 2012), Júnior, Barbosa e Sá (2017), Stedile (2012). É preocupação de pesquisa compreender a constituição do território quilombola, considerando a identidade étnica determinada através de relações opressivas, como o sistema escravocrata, reconhecer a escravidão como uma contradição da acumulação capitalista, bem como seus rebatimentos na organização social brasileira, discutir sobre as narrativas de inferiorização do negro na construção da nação brasileira e compreender a formação territorial histórica da Comunidade Quilombola Terra Dura/Coqueiral. A necessidade de investigação da realidade leva em conta a constatação de que materializar a legislação no espaço torna-se um desafio, na medida em que essa realidade, em sua aparência, é por vezes explicada como resistência de luta e alcance da conquista da demarcação do território quilombola nas relações de forças, conflitos e interesses. A Comunidade Quilombola Terra Dura/Coqueiral conquistou a certificação de reconhecimento da identidade em 2011, a qual foi concedida pela Fundação Cultural Palmares, conforme regulamentação do Decreto 4.887/2003. Diante da conjuntura política e econômica atual que engendra esforços para dificultar o reconhecimento dos territórios tradicionais quilombolas no país, bem como o decreto oficial de propriedade coletiva da terra, a comunidade vem construindo uma trajetória de luta, perpassando pelas etapas de levantamento de práticas territoriais próprias que os caracterizam enquanto quilombolas, além do levantamento das características físicas da área demarcada.

  • BRUNO ANDRADE RIBEIRO
  • A CONDIÇÃO CAMPONESA SOB O ESPECTRO DA INFORMALIDADE
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 17/02/2020
  • Dissertação
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  • Sob o crivo da realidade, a informalidade no/do mundo do trabalho se dissemina e generaliza como um processo contraditório de exclusão/inclusão de sujeitos que buscam ocupações variadas e caraterizadas pela instabilidade. Todavia, em sua complexidade, entender o trabalho informal na atual fase de acumulação exige a crítica às perspectivas dualistas que reduzem a compreensão ao plano jurídico (Carteira de Trabalho ou CNPJ) ou a expressões da questão urbana, como o comércio ambulante e a camelotagem. O capital enquanto relação social dominante prescinde do trabalho abstrato e cindido ao ser para perpetuar-se, e se a precarização e precariedade são processo e condição da história do sistema capitalista, a informalidade se insere na atualidade como expressão da crise da sociedade do trabalho. Diante dos pressupostos, a presente dissertação analisa a condição camponesa sob o espectro da informalidade, com fundamentação que contribui para um entendimento sobre como o campo brasileiro é marcado pela pobreza e desigualdade, em que a estrutura fundiária concentrada nega as condições de reprodução social aos que formam o campesinato nacional. Na simbiose moderno-arcaico, a consolidação do padrão de acumulação urbano-industrial como um pacto entre burguesia e proprietários fundiários foram responsáveis pela negação dos direitos trabalhistas para a população rural brasileira e a acentuação de desigualdades históricas. As entrevistas realizadas em povoados do Agreste Central Sergipano, cuja permanência da condição camponesa é proeminente, revelam/ocultam a informalidade como espectro fantasmagórico que subordina a terra e a produção camponesa. Na afirmação ou negação, as entrevistas desvelam como o fardo do trabalho se associa a um processo de subordinação que força camponeses a uma lógica perversa de luta contra o tempo para perpetuarem o consumo de mercadorias. A terra permanece como substrato essencial para a unidade familiar em um sentido de morada; porém, com cada vez menos espaço para reprodução social, depende-se de outras fontes de renda baseadas não no plantio/cultivo diretos, mas na revenda de uma produção adquirida em mercados hortifrutigranjeiros (CEASA) ou através dos chamados ‘atravessadores’. Como Sísifos que sobem e descem montanhas todos os dias, a repetição de um cotidiano marcado pelo cansaço aproxima mito e realidade. Contudo, se no primeiro é a condenação eterna que move o sujeito, na segunda, se ultrapassa o misticismo na crítica ao capital e ao individualismo como regra no mundo do trabalho.

  • ADINEIDE OLIVEIRA DOS ANJOS
  • ANÁLISE GEOAMBIENTAL COMO SUBSÍDIO AO ORDENAMENTO TERRITORIAL DE BARROCAS/BA
  • Orientador : MARCIA ELIANE SILVA CARVALHO
  • Data: 10/02/2020
  • Dissertação
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  • A ocupação humana tem se tornado cada vez mais intensa nos espaços. Esse fato é decorrente do modo de vida contemporâneo, intensificado por diversos fatores, como os avanços tecnológicos, o crescimento populacional, a expansão urbana e industrial, que pressionam e degradam os bens naturais. Muitas vezes, essa organização espacial carece de elementos voltados para o ordenamento territorial. Desse modo, este trabalho tem por objetivo analisar os componentes geoambientais do município de Barrocas/BA com vista ao ordenamento territorial local, valorizando o potencial socioambiental e a conservação dos recursos naturais. Os estudos desenvolvidos sobre a égide das concepções geoambientais configuram-se como importantes ferramentas para obtenção de informações dos meios biofísicos, socioeconômicos e de processos de degradação in loco, culminando como instrumentos essenciais para o planejamento territorial-ambiental e a gestão municipal. Destarte, o desenvolvimento desta pesquisa foi norteado pelo método geossistêmico proposto por Bertrand (1972; 2004), que indica analisar os elementos constituintes da paisagem pelo emprego da escala têmporo-espacial de uso e ocupação das terras, abraçando a proposta de produção do conhecimento sistêmico/integral. O município em estudo faz parte do Território de Identidade do Sisal, está inserido no semiárido baiano, geomorfologicamente no Pediplano sertanejo e se configura como um território recentemente instituído enquanto ente federativo (emancipado no ano 2000), mas bastante antropizado, decorrente das atividades humanas para suprir as necessidades socioeconômicas. A escolha pela unidade de análise de município decorre do fato de ser uma escala de gestão pública dos recursos naturais sobre a égide do poder público municipal, que também é compatível para delimitação dos geossistemas, metodologia aqui adotada. Em virtude disso, a realização deste estudo possibilitou analisar as condições geoambientais, os usos e ocupação, as pressões antrópicas e os impactos associados. Mediante o zoneamento geoambiental realizado, foi possível identificar, nas terras municipais de Barrocas, dois Geossistemas (Serra do Barandão e Superfície de aplainamento) e seis geofácies (Cimeira estrutural conservada, Cimeira estrutural dissecada, Superfície dissecada em colinas, Serras rebaixadas, Planície aluvial inclinada e uma Superfície de desestruturação artificial). Com o (re)conhecimento das unidades de paisagem, propôs-se um esboço de ordenamento territorial no intuito de subsidiar usos mais sustentáveis para as terras do município em questão. Ressalta-se que o processo de zoneamento, seja ele qual for, é de grande importância, sendo um poderoso instrumento fornecedor de informações úteis ao processo de gestão do território, e o município é o laboratório ideal para sua experimentação, por se tratar de uma escala de planejamento e gestão territorial e ambiental. Sendo assim, a partir da análise da dinâmica da paisagem in loco, constatou-se o quão intensa tem se dado a atuação antropogênica no território de Barrocas. Contudo, verificou-se que os sistemas ambientais ainda resistem, sendo observado que o tempo está permitindo o processo de regeneração e adaptação dos geossistemas, mantendo-os em funcionalidade. Desse modo, novas atitudes e ações precisam ser colocadas em prática, pois disso depende a vida do homem e do planeta, considerando que os recursos naturais são esgotáveis. Portanto, deseja-se que a população e o poder público barroquense busquem alternativas socioeconômicas mais sustentáveis a fim de promover resultados mais efetivos, fazendo valer as leis ambientais e a promoção da conscientização quanto à questão ambiental.

  • DOUGLAS VIEIRA GÓIS
  • CENÁRIOS DE DESERTIFICAÇÃO, NO SEMIÁRIDO SERGIPANO.
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 10/02/2020
  • Tese
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  • As regiões áridas e semiáridas do globo possuem peculiaridades geoecológicas, em especial a variabilidade pluviométrica, que dificultam o desenvolvimento da agricultura. Tal condição, aliada ao quadro histórico de exploração excessiva dos recursos naturais, atrelado às atividades predatórias exercidas sobre o quadro geoambiental frágil desse espaço dá origem ao processo de degradação ambiental em grande intensidade, denominado desertificação. O processo de desertificação consiste na degradação das terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, advinda de vários fatores, incluindo as variações climáticas e as derivações antropogênicas, resultando em impactos negativos tanto para os domínios ambientais, como para a população por ela afetada. De acordo com o Programa de Ação Estadual de Combate a Desertificação (PAE-SERGIPE), no estado de Sergipe uma área ao Noroeste do estado apresenta alto risco de desertificação, e uma porção ao Sudoeste que apresenta risco moderado ao desencadeamento do processo. Contudo, tal constatação baseia-se em estudos projetados para grandes escalas, ancorando-se, sobretudo em dados secundários que não conotam as particularidades da área de estudo, resultando assim resultados generalizantes. Nesse sentido, a presente pesquisa objetivou desenvolver um modelo para avaliação dos cenários biofísicos de desertificação nos municípios do semiárido Sergipano (Canindé de São Francisco e Poço Verde), avaliando os principais vetores de degradação e as correlações com derivações antropogênicas na configuração cenários de avanço das áreas degradadas/desertificadas. Para alcançar tal intento, foram utilizados múltiplos procedimentos metodológicos, a saber: revisão bibliográfica; pesquisa documental; elaboração e análise de documentos cartográficos, a partir de técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, com foco na modelagem geoestatística; além de trabalhos de campo para análise in loco dos indicadores de desertificação propostos. Pode-se destacar que no município de Canindé de São Francisco há uma preponderância de ambientes com elevada suscetibilidade, onde 63% do território se enquadra nessa classe. No que diz respeito ao município de Poço Verde, por enquadrar-se numa área de maiores coeficientes pluviométricos e por consequinte, possuir sistemas produtivos com menor potencial de impacto ao solo, o referido município possui 46% do território com elevada suscetiblidade à desertificação. Todavia, a intensificação dos sistemas monocultores pode configurar um aumento desse processo de degradação. Ademais, deve-se destacar que a dinâmica climática associada às derivações antropogênicas no município de Canindé de São Francisco configura um território com cenário com tendência à expansão do processo de degradação/desertificação.

  • CÍCERO BEZERRA DA SILVA
  • ENTRE MARGENS, TERRAS E GENTES: CONVIVIALIDADES E IDENTIDADES NO SERTÃO DO BAIXO RIO SÃO FRANCISCO
  • Data: 04/02/2020
  • Dissertação
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  • A elaboração desta pesquisa tem orientação epistemológica na Geografia de abordagem cultural e parte do pressuposto de que a busca pela compreensão das relações espaciais e das espacialidades consubstancia um movimento capaz de desvelar as experiências vividas, quão reveladoras da própria realidade geográfica e dos sentidos de ser e estar no mundo. Destarte, o intuito primeiro da dissertação consiste em analisar as relações identitárias e de pertencimento, considerando-se a convivialidade e os saberes reveladores da geograficidade no sertão do baixo rio São Francisco, entre os estados de Alagoas e Sergipe. Para isso, apresenta-se como respaldo teórico a construção da categoria lugar-território como fundamento-chave à compreensão do pertencimento e das identidades que fazem o “Ser” ribeirinho sertanejo. Quanto à orientação metodológica, buscou-se aporte no arcabouço da pesquisa qualitativa de natureza relacional e fenomênica, sob os pressupostos da fenomenologia existencial de Maurice Merleau-Ponty (1996 [1945]) e da geograficidade de Eric Dardel (2015 [1952]). Dentre os procedimentos e instrumentais de investigação, por sua vez, destacam-se a pesquisa bibliográfica e os trabalhos/jornadas de campo. Na pesquisa, a observação dirigida e as entrevistas semiestruturadas foram realizadas com um roteiro delineado pela compreensão dos modos de vida, da convivialidade e do pertencimento, em que pese o registro dos saberes e fazeres na linha do tempo dos entrevistados, auxiliado pela caderneta de apontamentos e pelos registros fotográficos. Por esse caminho dialógico, apreendemos, no contexto do pensamento social brasileiro, os sentidos de sertão e de sertanejo por três fundamentos. No primeiro, sertão e sertanejo são adjetivações que remetem à ideia de dominação; o segundo diz respeito ao sertão enquanto espaço/lugar de vivência, reprodução da vida e materialização cultural, e o terceiro corresponde à abstração em que a essência é a subjetividade. Quanto à multiplicidade das identidades, estas estão fortemente associadas ao processo histórico de enraizamento no/pelo lugar, assim como às relações de pertencimento e às transformações sociais, ambientais e culturais às quais o rio e suas gentes foram submetidos, sobretudo após a segunda metade do século XX. No pesquisa, a análise das identidades foi conduzida tendo por fundamento a classificação de Bassand (1989) e Almeida (2008a, 2008b) sobre a qual foram designadas cinco tipologias identitárias: i. Apáticos e resignados; ii. Migrantes Potenciais; iii. Modernistas; iv. Tradicionalistas e v. Regionalistas. A construção do ser ribeirinho sertanejo observou, portanto, o amálgama entre natureza e cultura como expressão viva das identidades em que o rio São Francisco e o(s) sertão(ões) formam um contínuo de materialidade e subjetividade, de ser não tão somente ribeirinho, mas, também, de ser sertanejo no/do rio São Francisco.

  • HEBERTY RUAN DA CONCEIÇÃO SILVA
  • ENTRE MANGUEZAIS, RIOS E RESTINGAS: SOBERANIA ALIMENTAR DOS POVOS TRADICIONAIS PESQUEIROS E A CARCINICULTURA NO MUNICÍPIO DE BREJO GRANDE/SE
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 03/02/2020
  • Dissertação
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  • Nos territórios tradicionais pesqueiros de Brejo Grande, a produção e o consumo de alimentos estão associadas as práticas produtivas desenvolvidas nos manguezais, rios, restingas e áreas cultivadas. O objetivo dessa dissertação é compreender como a soberania alimentar dos povos tradicionais pesqueiros de Brejo Grande/SE tem sido afetada pela prática da carcinicultura. Para isso, nos embasamos nos pressupostos metodológicos da pesquisa qualitativa, com destaque para as seguintes instrumentais: revisão bibliográfica, pesquisas de campo constituídas de roteiros de entrevistas semiestruturada, observação, coleta de relatos informais, registro e levantamento fotográfico e diário de campo. Foi possível constatar que a soberania alimentar dos povos tradicionais está atrelada à autonomia no acesso e na realização das práticas produtivas como o cultivo, pesca e extrativismo de espécies nativas de peixes, crustáceos, moluscos, frutas, grãos e legumes. Essas atividades proporcionam as bases da alimentação, assim como da reprodução socioeconômica dos sujeitos. Entretanto, nos últimos anos, as comunidades têm vivenciado o avanço da criação de camarão em cativeiro, esta atividade se apropria dos recursos naturais, impõe novas condições socioambientais que afetam diretamente a manutenção da soberania alimentar dos povos tradicionais pesqueiros do município de Brejo Grande.

  • PATRÍCIA QUIRINO ROCHA
  • MULHERES QUE "BOTAM BANCA" NA FEIRA DE EUCLIDES DA CUNHA-BA
  • Data: 03/02/2020
  • Dissertação
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  • Esta dissertação possui como sujeito/objeto de estudo as mulheres que “botam banca” na feira em Euclides da Cunha/BA, partindo da compreensão de que mulheres e homens produzem diferentes territórios e lugares e, por isso é imprescindível investigar pela perspectiva do gênero. Com o objetivo de analisar as práticas e saberes das mulheres feirantes, buscamos apreender suas vivências como mulheres e feirantes, seus vínculos com os produtos de suas barracas e refletir sobre suas territorialidades, possuindo com contexto geográfico, cultural, político e econômico: o sertão. A investigação é de abordagem qualitativa, operacionalizada pela percepção, caminho metodológico que escolhemos para desvendar como enxergamos os outros e a nós mesmos, conscientes de que foram pelos sentidos corporais que apreendemos, pelos “de fora” e pelos “de dentro”, o mundo vivido das mulheres feirantes. A feira de Euclides da Cunha é, desde os primórdios de sua fundação, elemento importante na sua formação, e revelador da cultura regional. Além disso, caracteriza-se como lugar no qual são tecidas relações de amizade, solidariedade e companheirismo. É, pois, pelo “botar banca” que as mulheres feirantes tecem suas existências e, neste “ir e vir” das suas localidades para a feira, são forjadas materialidades e imaterialidades reveladas em suas práticas e saberes.

2019
Descrição
  • VANESSA PALOMA ALVES RODRIGUES
  • O ESTADO, AS POLÍTICAS PÚBLICAS E SUA FUNCIONALIDADE NA DISSEMINAÇÃO DA ORDEM REPRODUTIVA SOCIOMETABÓLICA DO CAPITAL NO CAMPO.
  • Data: 16/12/2019
  • Tese
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  • A presente Tese de Doutorado busca desvelar a funcionalidade do Estado na expansão política da garantia da propriedade privada, enquanto mantenedor das relações de classes em um intricado sistema de regras e normatizações da exploração da terra e do trabalho, que viabiliza a (re)produção sóciometabólica do capital. Alicerçamos nossas reflexões sustentadas no método do materialismo histórico dialético, que nos permite a leitura processual da realidade, a partir das contradições, no movimento do ir e vir, para entender a totalidade das múltiplas determinações e relações que a compõe. Nossa reflexão, se prende ao estudo do Estado de Direito e os (re)ajustes do Estado neoliberal para atender o modelo de desenvolvimento e expansão do sistema do capital financeirizado. Parte-se do princípio de que as Políticas Públicas se afirmam enquanto “públicas” definindo e interferindo nas possibilidades e limites de utilização dos espaços e dos serviços públicos, para a garantia dos interesses do privado, na medida em que se estabelece na Esfera Pública; esfera da mediação da sociedade burguesa, falseada enquanto lócus da democracia, em que o Estado perde a aparência de sua feição classista e converte-se, deste modo, enquanto Estado democrático como garantidor de direitos de todos, atenuando as tensões e contradições do capital, ao tempo em que viabiliza a reprodução do capital. O Estado por meio da concessão de alguns direitos e de Políticas Públicas, escamoteia a sua funcionalidade como parte da reprodução da sociedade capitalista pela via da ideologia da neutralidade, e organiza sua estratégia política centrada em criar uma falsa aparência da realidade no discurso de cidadania e democracia. Concluímos que as Políticas Públicas e direitos sociais no movimento da complexa e enredada contradição, ao tempo que apaziguam precariamente algumas mazelas do capital, aprofundam e perpetuam um perverso conjunto de relações de exploração que permanecem arcaicas em sua essência, e se apresentam enquanto novas, com a aparência do moderno, mas escondem as velhas formas de exploração do trabalho, da pobreza e da miséria afiançadas pelo capital. Na atualidade, em tempos de crises cada vez mais curtas, o capital impele ao Estado uma nova/velha conformação política para continuar a garantir a existência do mundo da mercadoria enquanto sistema dominante estabelecendo à total rapina das riquezas da natureza, das terras e do trabalho.

  • ELIANY DIONIZIO LIMA
  • CAMPO-CIDADE: UNIDADE DIALÉTICA NA RELAÇÃO DESIGUAL DA LÓGICA DO CAPITAL
  • Data: 13/12/2019
  • Tese
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  • A presente Tese de Doutorado parte do pressuposto de que a relação campo-cidade constitui uma unidade dialética contraditória para a garantia da acumulação do capital. Sua aparente dualidade se sedimenta no discurso ideológico da separação natural campo-cidade, fortalecendo a estrutura capitalista das desigualdades espaciais sustentada na ideia de superioridade da cidade em relação ao campo. Para entender a dialetização dessa relação analisamos as formas que se apresentam as mediações do trabalho, sua divisão social, territorial, sua mobilidade, nos diferenciados tempos da formação histórica, especificamente na sociedade capitalista no Brasil. A referente Tese está sustentada no método do materialismo histórico-dialético. O pensar crítico reflexivo permite analisar o movimento da circularidade do capital versus trabalho nas formas em que se revestem as relações capitalistas de produção. Procura-se identificar e analisar as alterações que foram produzidas ao longo do processo histórico, observando as formas de apropriação do espaço (campo e cidade); de que maneira os projetos de desenvolvimento implementados no Brasil garantem a ampliação da acumulação do capital, nesses espaços, e estabelecem a dinâmica da relação campo-cidade nos últimos anos com a consolidação do capital financeiro com o Estado neoliberal. Nesse sentido foi fundamental refletir sobre a ação do Estado impondo novas lógicas para a sua apropriação. As metamorfoses que ocorrem nesses espaços (campo e cidade) demonstram as formas como o capital se reinventa e se mantem em meio às contradições das quais é dependente, em tempo de crise. A análise da totalidade dessas relações permitiu constatar que a articulação/justaposição dos elementos necessários para que a lógica do capital se realize é definida na divisão social do trabalho; campo-cidade se constituem espaços produzidos de modo a atender as necessidades da garantia da acumulação do capital, evidenciando que não se tratam de espaços distintos em decorrência das atividades predominantes, mas, produzidos de forma desigual e combinada na unidade dialética das suas contradições. As transformações observadas evidenciam que esses espaços são produzidos para garantir a efetivação do ciclo total do capital, e a forma como se estabelece a divisão social e territorial do trabalho é o determinante para o funcionamento sociometabólico do capital.

  • JOAB ALMEIDA SILVA
  • ORGANIZAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DO TURISMO DE ARACAJU/SE: A GOVERNANÇA COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO
  • Data: 11/12/2019
  • Tese
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  • A análise dos elementos constitutivos do sistema de produção e consumo do espaço turístico com seus objetos fixos de apoio aos viajantes e o próprio fluxo de turistas é fundamental para o entendimento da complexidade do fenômeno turístico. Os pontos de convergência entre os principais agentes de produção envolvidos (empresas, turistas, governos e comunidades) deveriam nortear as estratégias de planejamento da atividade turística, portanto, incorporam este trabalho que tem por objetivo analisar a organização sócio-espacial do turismo de Aracaju com foco na governança como dimensão de competitividade. Seu alcance foi motivado pelos objetivos específicos de discutir os desdobramentos das políticas públicas de turismo; analisar as interações entre as partes integrantes do sistema turístico de Aracaju; caracterizar as condições de competitividade do destino Aracaju a partir das dimensões do projeto destinos indutores do turismo nacional; propor alternativas de monitoramento e controle do desenvolvimento turístico a partir da governança. O trabalho foi estruturado com reflexões sobre os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial do turismo, da governança e da competitividade, além da análise das categorias geográficas nas orientações e critérios das políticas públicas de turismo. Em seguida, foram abordados os fundamentos teórico-metodológicos que dão base a pesquisa, tendo como principal elemento a investigação qualitativa com o princípio teórico da análise sistêmica associada à geografia do turismo. Enquanto tipo de pesquisa optou-se pela observação participante que oportunizou uma imersão nas relações estabelecidas pelos indivíduos da cadeia de produção do turismo, tanto em reuniões das governanças instituídas, quanto em eventos promovidos pelos órgãos oficiais de turismo e outras instituições ligadas à atividade turística. Entre as técnicas utilizadas estão: pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, pesquisa de campo e aplicação de entrevistas, por meio das quais foi possível organizar um marco teórico das discussões ligadas aos temas norteadores da pesquisa, acessar documentos técnicos e jurídicos ligados à produção do turismo de Aracaju, visitar áreas de uso turístico e órgãos do poder executivo que promovem intervenções espaciais, além de possibilitar a rememoração de agentes de produção que, em alguns casos, há mais de três décadas estão envolvidos com o planejamento e desenvolvimento do turismo. Entre os principais resultados estão: 1. Identificação das partes formadoras do sistema turístico de Aracaju; 2. Reconhecimento dos agentes de produção do turismo sobre o incipiente uso dos planos de desenvolvimento da atividade e da falta de estratégia comum para o desenvolvimento turístico; 3. Proposição de reorganização da governança turística. Este trabalho comprova a tese de que a governança participativa aumenta a competitividade turística ao passo em que interfere na organização sócio-espacial do turismo.

  • RAMON OLIVEIRA VASCONCELOS
  • EMPREENDEDORISMO RURAL COMO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO: Limites à realidade da agricultura familiar em Sergipe.
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 10/12/2019
  • Tese
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  • O estudo sobre a questão do empreendedorismo no espaço rural sergipano visa abordar os condicionantes rebatidos na agricultura familiar que adotaram a partir de processos de inovação, da absorção de tecnologia, da gestão da propriedade, formar cadeias produtivas, cria mecanismos de comercialização que contribuem para aumentar e diversificar a produção e com isso intensificar a renda das famílias. Esse se justifica a partir de diversas variáveis que indicam e caracterizam o desempenho do produtor rural que vai além da concepção tradicional da agricultura familiar. Trabalho realizado com pesquisa de campo entre os atores empreendedores, de natureza qualitativa, levando em consideração a relevância da abordagem empírica e indutiva. O empreendedor rural traça metas, tem planejamento, visão de mercado busca capacitações constantes, está envolvido com a comunidade local, tem preocupações e ações ambientais. Faz-se necessário uma análise autocrítica dos limites do empreendedorismo enquanto processo social e econômico, além de seu aspecto ideológico, que impactam na formação de uma geração de atores individualistas. Portanto, a agricultura familiar da região em estudo encontra-se trabalhada no ciclo de transformação que se expressa pelo sistema de produção e de aplicação do empreendedorismo. Isso demonstra que um novo padrão de produção tem incrementando a renda, e com isso seja capaz de melhorar as condições de vida do agricultor e da família enquanto mecanismo particular de gestão na linha da eficiência empreendedora.

  • ÍTALA SANTANA SOUZA
  • APLS DE CASAS DE FARINHA EM SERGIPE: DIALÉTICA ESPACIAL DA MODERNIZAÇÃO DA MANDIOCULTURA E SUBORDINAÇÃO DO CAMPESINATO
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 28/11/2019
  • Tese
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  • A análise da produção do espaço nos faz perquirir os vários níveis da realidade em suas diferentes escalas. Esse movimento permite apreender os momentos diferenciados da reprodução geral da sociedade em sua complexidade e neles, as determinações do fenômeno que estamos estudando. A investigação sobre o espaço da mandiocultura em Sergipe, que realizamos por meio desta Tese, vem explicar a dinâmica espacial dessa atividade produtiva, no contexto de reestruturação produtiva do capital no campo, que implicou em alterações técnicas e na formação de Arranjos Produtivos Locais (APLs) de casas de farinha no estado. Tal dinâmica exigiu a elucidação de como o processo de mundialização do capital impulsiona alterações no espaço agrário sergipano, assim como da relação capital-Estado e todos os seus desdobramentos territoriais. Partiu-se de uma revisão da literatura sobre produção do espaço no capitalismo, as metamorfoses da relação homem natureza nos diferentes momentos da reprodução. Deu-se ênfase ao debate das mudanças para o regime de acumulação flexível, quando a forma de expansão capitalista aponta para um processo de descentralização político-administrativa com foco em um desenvolvimento endógeno, denunciando a natureza da política neoliberal abraçada em correspondência ao momento novo da mobilidade geográfica do capital. O quadro real mostrou por meio das pesquisas de campo realizadas na área de maior domínio da mandiocultura em Sergipe, qual seja, o município Lagarto, maior produtor de mandioca e de farinha de mandioca no estado, o município de Campo do Brito e o município de São Domingos. Em que pese a ampliação de formas de aproveitamento da mandioca e as possibilidades geradas de agregação de valor e comercialização de subprodutos geradas nos últimos anos, a quase totalidade da produção de mandioca é vendida in natura para um terceiro. O camponês perde o controle da produção e comercialização do produto final mais importante, que é a farinha. Se estabelece uma relação de estranhamento entre o sujeito da produção e o produto do trabalho, mas sobretudo, uma redução da renda do produtor. Nesse cenário, a realidade mostrou que o espaço da mandiocultura, tradicionalmente dominado pelo campesinato brasileiro, vai sendo tomado por um processo de monopolização da produção por agentes com maior poder econômico. A política de arranjo produtivo local ligada às casas de farinha intensificou a divisão da renda camponesa, transformou o camponês em um empregado na sua própria terra ou nas/das casas de farinha, ampliou o trabalho feminino e infantil, na atividade, agora de forma mercantilizada, naturalizando esse último como ajuda. Trata-se de um quadro que demanda preocupação por que além do discurso de que o APL produz visibilidade para a atividade, se difunde uma compreensão do caráter inevitável dessa chamada modernização, negligenciando-se a natureza desse modelo de desenvolvimento rural que nega aos camponeses as possibilidades de autogestionarem o produto do seu trabalho. Uma realidade que mostra a atualidade do debate da questão agrária no Brasil e da necessidade de organização do campesinato como classe, que deve lutar para se reproduzir longe do domínio do capital.

  • JOSÉ AUGUSTO MENEZES DOS SANTOS
  • A Luta do Povo Quilombola: Mussuca/SE, organização política e resistência
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 30/08/2019
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa objetivou avaliar a espacialização da luta dos remanescentes quilombolas em Sergipe e do Território quilombola Mussuca, de forma específica, seus desafios para o reconhecimento do território e as condições de reprodução social das famílias. Os remanescentes de quilombo constituem-se grupos étnico-raciais definidos pelo requisito da declaração dos próprios sujeitos e estabelecem relações territoriais próprias, associada à ancestralidade negra e a resistência à histórica opressão sofrida, em decorrência do modelo escravagista instaurado no Brasil colônia, mas que permanece recorrente na trajetória da formação territorial brasileira. A CF de 1988, nas suas Disposições Transitórias reconheceu o direito da propriedade definitiva das terras para os remanescentes dos quilombos que estivessem ocupando suas terras, cabendo ao Estado, a emissão dos respectivos títulos. Entretanto, foi somente em 2003 que o Decreto 4.887 regulamentou da identificação à titulação das terras. No quadro atual das relações capitalistas, as relações políticas pautadas pelos interesses dos grupos detentores de terras no Brasil, ameaçam esse direito expondo um cenário de intensificação da luta com repercussões no acirramento da violência no campo. No estado de Sergipe existem 30 processos por titulação em andamento e 4 territórios titulados, das 170 comunidades tituladas no país. São elas: Lagoa dos Campinhos, no município de Porto da Folha, com 89 famílias; Mocambo, em Porto da Folha, com 185 famílias; Serra da Guia, em Poço Redondo, com 197 famílias e Pirangi, em Capela, com 47 famílias. Nessa pesquisa, a partir das contradições dos processos de formação territorial e luta por terras em Sergipe, buscamos elucidar os desafios enfrentados pelos quilombolas da comunidade Mussuca, no município de Laranjeiras. A aplicação de quarenta e um questionários apontaram para o desvelamento sobre a condição de luta contínua da comunidade quilombola da Mussuca: com aproximadamente mil famílias, em sua maioria com relações de parentesco. Desde os anos 80, os moradores se articulam em busca da titulação das terras, que são originárias da doação secular de um fazendeiro local. Contudo, a falta de um documento que comprove a posse vem dificultando a titulação. No movimento de resistência, exige-se continuamente o enfrentamento contra projetos de destituição da identidade quilombola, a exemplo da proposta de instalação de exploração de calcário para a indústria de cimentos, sob o discurso de ‘geração de empregos’ e ‘sustentabilidade’, negada e contraposta pela maioria dos quilombolas. A comunidade apresenta uma estrutura fundiária dividida em lotes de terras coletivas, sem distinções de tamanho ou hierarquizações, em que se plantam leguminosas, verduras, tubérculos, frutas e plantas medicinais. As pescadoras e pescadores compõem a maior parcela dos moradores, organizados em uma Associação para reuniões e discussões sobre problemas a serem enfrentados, formas de articulação com instâncias governamentais e manifestações em geral. A comunidade enfrenta a necessidade de melhor infraestrutura local, a citar: as obras inacabadas do posto médico local, após uma década do início da construção, a falta de atendimento médico-hospitalar para todos os moradores; bem como, a defasagem e inadequação dos Projetos Político-Pedagógicos das escolas, dissociados da realidade quilombola e do movimento negro. A necessidade de ingresso de jovens quilombolas em universidades e a insuficiência de postos de trabalho também são demandas dos habitantes da Mussuca. Uma realidade que marca o conjunto dos territórios quilombolas brasileiros, que apesar das conquistas constitucionais permanecem áreas à margem de condições mínimas para a reprodução das famílias, que em geral têm negados direitos básicos. De acordo com lideranças do movimento de defesa do território Mussuca, o quadro de resistência da identidade e de lutas por direitos sociais se agravou a partir do golpe de 2016 e da eleição da ultradireita brasileira em 2018. Para eles os rebatimentos na demora da consolidação do seu território são os mesmos que estão para o conjunto dos quilombolas brasileiros, pois se trata de um cenário de acirramento de conflitos contra a população quilombola e, consequentemente, dificuldades como a possibilidade de transferência das demarcações de terras do INCRA para o controle do Ministério da Agricultura, além da defesa explícita em conceder terras indígenas e quilombolas para a exploração de mineradoras, demarcando uma realidade que vem exigindo dos povos quilombolas a crítica e resistência ao projeto denominado ‘integrador’ pelos membros do Governo Federal.

  • CLEANE SANTOS NUNES
  • TERRITÓRIOS DA CONSERVAÇÃO: PRESERVAÇÃO E CONFLITOS NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE BOA NOVA- BA
  • Orientador : LILIAN DE LINS WANDERLEY
  • Data: 27/08/2019
  • Dissertação
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  • Unidades de conservação (UCs) são áreas com características naturais relevantes, definidas e delimitadas pelo poder público com o propósito de proteger importantes habitats e ecossistemas. Com frequência a criação de áreas protegidas é acompanhada de conflitos que envolvem múltiplas dimensões (política, SUD quando se tratam de UCs de proteção integral, ou seja, quando o território instituído como área protegida é controlado por preceitos restritivos de uso e manejo, sendo admitido apenas o uso indireto dos recursos naturais. Isso é o que ocorre nas unidades de conservação federais do município de Boa Nova, o Parque Nacional e o Refúgio de Vida Silvestre, localizados no sudoeste do Estado da Bahia, que possuem como objetivo básico proteção dos ambientes naturais do ecótono Caatinga - Mata-Atlântica, sobretudo a Floresta Estacional Semidecidual de Altitude, conhecida como Mata de Cipó, que é o habitat da ave Rhopornis ardesiacus (Wied 1831), espécie endêmica e ameaçada de extinção, de grande importância a nível nacional. As UCs de Boa Nova possuem conflitos de caráter socioambientais desencadeados, sobretudo, pelo baixo nível de implementação; por terem a totalidade dos seus territórios compostos por propriedades privadas, em grande parte antropizados pela intensa ocorrência da pecuária extensiva, agricultura, extração de recursos florestais e a cultura de desmatamento e queimadas. Assim, diante da problemática das relações estabelecidas no recorte territorial, esta pesquisa se propôs analisar os conflitos socioambientais entre a preservação ambiental e os usos dos territórios da conservação de Boa Nova, utilizando-se do aporte da ecologia política para apreensão dos quadros conflituosos nas vertentes políticas, sociais e ambientais no território. Para se delinear os principais elementos da análise dos conflitos socioambientais, optou-se pelas tipologias de conflitos desenvolvidas por Little (2001) e Zhouri; Laschefski (2010). Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, pautada no estudo de caso, levantamento bibliográfico e análise documental. Para a coleta de dados, foram realizadas visitas técnicas de campo, registros fotográficos, observação sistemática com o auxílio do diário de campo, e realização de entrevistas semiestruturadas com as instituições públicas e Organizações Não Governamentais (ONGs) atuantes nas áreas protegidas. Como síntese da análise realizada se observa que as UCs de Boa Nova foram criadas por um motivo nobre de proteção da flora e fauna ameaçadas de extinção, tendo em vista que antes do Decreto de Criação das UCs, nº 12.642, de 11 de junho de 2010, não haviam iniciativas legais que garantissem a conservação ambiental da área. Contudo, por se tratar de territórios muito antropizados, com uma população rural altamente dependente dos recursos naturais, a escolha pelas categorias “proteção integral” criou situações conflitivas entre as normas legais e as necessidades socioeconômicas, sobretudo pela ineficiência financeira do órgão federal gestor para a desapropriação e indenização das terras e implementação das Unidades de Conservação instituídas no território.

  • MÁRIO ARTUR BARBOSA DA ROCHA
  • Reprodução socioespacial do campesinato no Alto Sertão sergipano através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 27/08/2019
  • Dissertação
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  • Nosso estudo teve como objeto de pesquisa o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, instituído pela Lei Ordinária 11.947/2009, cujo artigo 14, prevê que um mínimo de 30% dos recursos da alimentação escolar, repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE às entidades executoras do programa devem ser destinados à compra de alimentos oriundos do setor familiar da agricultura. A problemática deste estudo está em investigarmos a relação dos camponeses organizados na COOPAC - Cooperativa de Produção Agroindustrial e Comercialização do Estado de Sergipe no Alto Sertão Sergipano, com o mercado institucional estabelecido pelo PNAE, assim como a evolução do cumprimento da referida lei no estado de Sergipe entre os anos de 2011 - 2015. Estes sujeitos são assentados no Projeto de Assentamento Jacaré-Curituba, situado no município de Poço Redondo. Esta área nos chama à atenção por, um lado em face da magnitude da infraestrutura de irrigação implantada, a vastidão de terras e famílias beneficiadas com a reforma agrária, bem com por apresentar uma série de contradições que emergem diante das investidas do capital. O objetivo geral desta pesquisa é investigar a relação entre o campesinato e as políticas públicas voltadas para a comercialização de seus produtos, em especial o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Território Alto Sertão sergipano, particularmente com os camponeses organizados na Cooperativa de Produção Agroindustrial e Comercialização do Estado de Sergipe (COOPAC). Nossa metodologia se baseou em revisão da literatura em relação aos marcos da governança global do combate à fome e a miséria (FAO, 1973; 1974; 2017), situando essas políticas nas escalas nacional e local. Para interpretar a realidade através dos processos socioespaciais consideramos pertinente trazer para o nosso estudo os conceitos de espaço social (LEFÉBVRE, 1976), a territorialização do capital com (OLIVEIRA, 2007), o conceito de campesinato (SHANIN, 2008) e desvelando as chaves da exploração camponesa na esfera da circulação capitalista com (VERGÉS, 2011). A revisão do marco jurídico que institui o PNAE dentro de um contexto histórico foi realizada principalmente através dos estudos de (PEIXINHO, 2011). A pesquisa de campo ocorreu no Assentamento Jacaré-Curituba, onde se localiza a sede da COOPAC e onde residem os sujeitos entrevistados. Foram entrevistadas ao todo 15 pessoas entre homens e mulheres. Todas as entrevistas foram realizadas entre os meses de setembro e outubro de 2018.

  • PRISCILA PEREIRA SANTOS
  • VERANEIO, TURISMO DE SOL E PRAIA E IMOBILIÁRIO-TURÍSTICO: A FORMAÇÃO DA REGIÃO TURÍSTICA ENTRE O LITORAL SUL DE SERGIPE E O LITORAL NORTE DA BAHIA
  • Data: 26/07/2019
  • Tese
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  • A fluidez territorial entre o Litoral Sul de Sergipe e o Litoral Norte da Bahia conecta Aracaju (SE) e Salvador (BA) e aponta para a formação de uma nova lógica urbano-regional reticular, dinamizada pelos seguintes elementos regionalizadores: veraneio, o turismo de sol e praia e o imobiliário-turístico. Nesta interligação territorial, essa tríade regionalizadora destaca-se nos municípios de Estância, Sul de Sergipe, especificamente na Praia do Saco, e Mata de São João, Litoral Norte da Bahia, com relevo na Praia do Forte. Neste contexto, defende-se a tese que a partir da articulação rodoviária litorânea entre Aracaju (SE) e Salvador (BA), a dinâmica territorial do veraneio, do turismo de sol e praia e do imobiliário-turístico entre os municípios de Estância, Litoral Sul de Sergipe, e Mata de São João, Litoral Norte da Bahia, tendem a configurar em territórios-zona, entre estes litorais, e território-rede, entre a Praia do Saco (SE) e a Praia do Forte (BA), uma região turística sob a égide do Estado e do Mercado Turístico e Imobiliário. Deste modo, o objetivo geral desta pesquisa foi analisar a dinâmica territorial do veraneio, do turismo de sol e praia e do imobiliário-turístico entre o Litoral Sul de Sergipe e o Litoral Norte da Bahia sob a perspectiva da formação de uma região turística. Esta proposta de análise ancora-se no método pós-estruturalista. O pós-estruturalismo defende o movimento da diversidade do pensamento, as múltiplas possibilidades de analisar as realidades que são colocadas ao pesquisador. Os procedimentos metodológicos utilizados foram: pesquisa bibliográfica, documental e de campo. A vivência e a re-interpretação das realidades dos sujeitos analisados fundamentaram-se na observação simples, sistemática e participante. As anotações de campo, os registros fotográficos, as entrevistas semi-estruturadas, por pautas e focalizadas foram os instrumentos metodológicos utilizados na pesquisa de campo. Os agentes e os sujeitos entrevistados foram interpretados por meio da Análise do Discurso (AD). A estrutura histórico-genética da expansão e extensificação territorial da segunda residência entre o Litoral Norte da Bahia e o Litoral Sul de Sergipe conecta esses litorais ao mesmo tempo em que articula as particularidades da Praia do Forte e da Praia do Saco. Ambas destacam-se pela densidade territorial da segunda residência. Assim, os contextos urbano-regionais são alargados pelas particularidades estruturais da segunda residência, ou, em outras palavras, pelas continuidades históricas. Mas ao conectar-se em territórios-rede pelas suas particularidades, a Praia do Forte e a Praia do Saco desconectam-se diante das singularidades, ou, melhor, pelas descontinuidades das diferentes temporalidades e territorialidades na articulação escalar global-regional-local, é a diversidade territorial (re)(des)construindo as estruturas do jogo de poder da globalização. Nesse contexto, observa-se a formação da região turística entre o Litoral Sul de Sergipe e o Litoral Norte da Bahia como produto-produtora de processos de diferenciação espacial, como produto-produtora de dinâmicas globalizantes e de fragmentação socioespacial na articulação entre o Estado e o Mercado, concomitantemente a região turística também é construída através da ação de diferentes sujeitos sociais.

  • VANESSA SANTOS COSTA
  • Novos Territórios da Energia Eólica no Brasil: apropriações e conflitos.
  • Data: 19/07/2019
  • Tese
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  • A energia elétrica é um dos insumos mais relevantes para o desenvolvimento econômico e social. Contudo, um terço da população mundial não possui acesso à eletricidade e, na busca de atender essa carência e ao rápido crescimento do consumo mundial, as fontes energéticas renováveis apresentaram-se, sobretudo após a crise de 1970 como uma das soluções. A consciência da preservação ambiental chamou atenção para a necessidade da geração de energia que suprisse a demanda sem incidir poluição. O presente estudo destaca a energia eólica por ser considerada uma das fontes renováveis menos poluentes. Nossa tese está construída com a compreensão de como a implantação de empreendimentos eólicos no Brasil gera territórios-redes que estabelecem relações, conexões e ligações entre os atores e os sujeitos envolvidos com rebatimentos socioespaciais de apropriações e conflitos multiescalares. A análise possibilitou entender a “nova” configuração do espaço geográfico pelas redes de verticalidade e horizontalidade, que por estar conectado com fixos e fluxos (materiais e imateriais) permitem o seu ligamento com diversos pontos, seja pelas técnicas e tecnologias, seja no sistema financeiro, sistemas de transportes, que nesse caso, nos auxilia na análise da implantação de empreendimentos eólicos. Tomamos como caminho metodológico a pesquisa qualitativa executada por levantamentos bibliográfico e documental, diário de campo e trabalho de campo em Sergipe, Ceará e Bahia, com aplicação de entrevistas e levantamento de matérias em jornais e mídias digitais. Na análise da socioespacialidade dos parques eólicos no país utilizamos uma matriz com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica que situa e qualifica 583 parques eólicos instalados no Brasil de 1998 a dezembro de 2018, distribuídos pelas regiões Nordeste, Sul e Sudeste. Numericamente os parques eólicos concentram no litoral do Rio Grande do Norte, porém, o maior potencial gerador, ainda em fase de implantação localiza-se no Sudoeste da Bahia, na região do semiárido com os benefícios de altimetria da Chapada Diamantina. Este será o maior parque eólico não apenas do nosso país, mas também da América Latina. Quanto ao capital empregado para implantação desses empreendimentos constata-se que há uma parceira entre capital estrangeiro, com predomínio de tecnologia espanhola, com empresas locais e de médio porte. Evidenciamos que a política de energia eólica no Brasil foi consolidada por ações das instituições reguladoras vinculadas ao setor e pela participação efetiva de bancos que fomentaram e financiaram a instalação dos empreendimentos o que contribuiu para ampliar o cenário energético. Entretanto, observa-se o processo de ampliação do setor pela abertura de mercado com a efetiva participação de multinacionais em detrimento dos possíveis avanços em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e instalação de parques nacionais. Evidenciamos a maneira como as empresas gestoras se apropriaram das localidades e provocaram transformações na paisagem e mudanças no cotidiano das comunidades de entorno, além de gerar conflitos ligados a questões de ordem política, econômica, ambiental e social.

  • LUCAS DE ANDRADE LIRA MIRANDA CAVALCANTE
  • DE CAMPONÊS A “EMPRESÁRIO RURAL”: O ASSENTAMENTO JACARÉ-CURITUBA
  • Data: 21/06/2019
  • Dissertação
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  • A presente dissertação de mestrado objetivou analisar o modelo do empreendedorismo rural como estratégia de subordinação da terra e do trabalho camponês ao capital, no Projeto de Assentamento Jacaré-Curituba/SE. Nossa pesquisa foi sustentada no método do materialismo histórico-dialético, que permitiu compreender as contradições do processo de expansão do capital, sob o discurso do modelo de modernização desenvolvimentista, no movimento da diferenciação e de igualização do espaço agrário. Nossos estudos identificaram a importância do processo de formação territorial do Assentamento Jacaré-Curituba, para a consolidação dos movimentos sociais no campo, particularmente o MST, na luta pela terra de Reforma Agrária, no Alto Sertão Sergipano. A referente pesquisa foi desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa documental; estudo dos Relatórios da CODEVASF, da EMDAGRO, do INCRA e do IBGE; levantamento bibliográfico; pesquisa de campo, via observações locais; anotações em diário de pesquisa; e aplicação de questionários semiestruturados com os assentados residentes. Constatou-se que o modelo do empreendedorismo rural no Projeto de Assentamento Jacaré-Curituba contradiz a lógica da pequena produção camponesa, de base familiar, da terra como condição autônoma de vida, passando a considerá-la como mercadoria. Conclui-se que: o modelo do empreendedorismo rural não tem atendido à demanda necessária para a permanência da família camponesa, resultando inclusive na mobilidade dos jovens para outras localidades. O discurso da inclusão como camponês, via o empreendedorismo rural, é ideológico e se estabelece para a sua subordinação ao capital, pela apropriação da renda da terra camponesa, e a subordinação do trabalho por meio do processo da subsunção da terra ao capital.

  • ALDA LISBOA DE MATOS SILVA
  • ESTRUTURAÇÃO SOCIOAMBIENTAL NA MICRORREGIÃO DE BOQUIM/SERGIPE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 17/06/2019
  • Tese
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  • A natureza é fundamental para o desenvolvimento das sociedades, mas essa relação sociedade-natureza nem sempre se mostrou harmoniosa, pois pode gerar mudanças que impacte negativamente as paisagens com perda da vegetação original, pressão nos mananciais, descontrole biológico, desequilíbrio biofísico e socioeconômico. As ações predatórias que a sociedade imprime nas paisagens podem ser vistas em ambientes urbanos e rurais, e se manifestam em múltiplas dimensões, do local ao global. Nesse sentido, a Tese tem por objetivo analisar as feições e mudanças socioambientais da paisagem pelo sistema GTP (Geossistema, Território e Paisagem) na Microrregião de Boquim/SE. O modelo teórico conceitual e metodológico proposto por Georges Bertrand, estuda o território do meio ambiente, com base em três entradas: o geossistema é a fonte; o território é o recurso; a paisagem é a identidade. O método adotado foi o sistêmico, pois corrobora na compreensão do estudo da dinâmica geográfica de forma integrada. A partir desse referencial, foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliografica, documental e de campo. O estudo identificou unidades de paisagens em Resistasia antrópica, Bioestasia, e área com dinâmica Regressiva. Verificou-se que a Microrregião de Boquim apresenta uma estrutura ambiental marcada pela pressão antrópica, motivada pelo potencial econômico da monocultura de laranja, processo singular formado pelas pequenas propriedades familiares. A ocupação desse território desenvolveu-se com base na implantação de pequenos lotes agrícolas direcionado a citricultura, a qual na atualidade ainda é a atividade que passa por um período de readaptação de mercado e é a marca da paisagem dessa microrregião. Verificou-se que os atores sociais carregam as lembranças desse período de muita dinâmica da produção como algo promissor para o futuro da região. Na paisagem as marcas de um passado grandioso e nas comunidades a luta para superar os desafios que permeiam a citricultura no contexto da Microrregião de Boquim. A estrutura ambiental, e suas características biofísicas, associadas as múltiplas formas de territorialidades revelam a aptidão territorial e as manifestações socioculturais por meio de marcas expressas na paisagem e na identidade de seu povo.

  • ADELLI CARLA SILVA NASCIMENTO DE ANDRADE
  • CIRCUITO ESPACIAL DA PRODUÇÃO E CÍRCULOS DE COOPERAÇÃO NA CITRICULTURA NO ESTADO DE SERGIPE
  • Data: 31/05/2019
  • Tese
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  • É sabido que o capital se apresenta das mais variadas formas e se utiliza das mesmas para apropriar-se do lucro, seja através da monopolização da produção, e/ou da sua territorialização no meio, seja mantendo o atraso para privilegiar o mais moderno, ou ainda, via mundialização do capital e protagonismo no mercado, dentre outros maneiras. A base da mundialização está no distanciamento das etapas que compõem o circuito espacial produtivo, que são produção - distribuição - troca - consumo, contudo, o processo de produção torna-se possível devido aos círculos de cooperação que aproximam esses lugares, estes perpassam do material ao imaterial, e tem como objetivo unir o que está disperso. Por meio dos circuitos produtivos o foco da produção não se restringe ao espaço de origem da mercadoria, e abrange o meio que o circunda, deixando de ser algo restrito para compreender a dinâmica do espaço geográfico. Nesse contexto, a presente tese teve como objetivo analisar a dinâmica espacial da produção de laranja em Sergipe, bem como, compreender a situação periférica do estado em relação à região Sudeste do país, pois esta região lidera a produção. Embora Sergipe se configure como periferia do circuito, a citricultura representa muito para os municípios, mesmo diante do quadro de crise desde a década de 1990. Os principais municípios produtores da laranja em Sergipe são Lagarto, Riachão do Dantas, Arauá, Boquim, Cristinápolis, Itabaianinha, Pedrinhas, Salgado, Tomar do Geru, Umbaúba, Estância, Indiaroba, Santa Luzia do Itanhy e Itaporanga D’Ajuda. Para tanto, foi considerado tanto as indústrias de congelamento de sucos, como a base da sua produção (laranja), que envolve toda a complexidade da questão agrária no estado e no país, assim como, os círculos de cooperação, que entrelaçam cada uma das fases dos circuitos espaciais da produção, não esquecendo o camponês inserido nesse processo do mercado de commodities. No estado de Sergipe, o pequeno produtor não tem visto saídas para superar a crise, a maior plantação é da indústria, e grande parte das laranjas utilizadas para a produção do suco vem de outros estados, desse modo, muitos camponeses estão deixando de planta-la, ou seguem cultivando-a junto a outros plantios, além de buscarem outros modos de reproduzirem-se socialmente, contudo, embora modificados pelo tempo, mantêm o modo de vida campesina, a relação com a terra, a maneira peculiar de contornar seus desafios em tempos de crise, e a garra para superar os obstáculos. São resilientes, fortes, estão sempre buscando alternativas para a sua reprodução e permanência na terra.

  • PATRÍCIA OLIVEIRA DO NASCIMENTO
  • DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: O CAPITAL SOCIAL E O PROINF NO TERRITÓRIO DO SERTÃO OCIDENTAL SERGIPANO
  • Orientador : DEAN LEE HANSEN
  • Data: 30/05/2019
  • Dissertação
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  • O desenvolvimento rural tem sido pauta de discussões nos meios acadêmicos nas últimas duas décadas, os formuladores de políticas públicas passaram a analisar o desenvolvimento rural dentro de uma perspectiva de “política territorial”, que visa potencializar o local e promover um desenvolvimento de natureza territorial, preocupando-se com as dimensões econômica, social, ambiental, cultural e de identidade. O Apoio a Projetos de Infraestrutura e Serviços em Territórios Rurais (Proinf), vem demarcando-se como mecanismo de inclusão produtiva, que contribui na qualificação de processos de produção, comercialização e capacitação. O presente estudo tem como objetivo analisar as ações e efeitos de estruturação do Proinf no Território do Sertão Ocidental Sergipano, tomando como recorte, os munícipios de Simão Dias e Poço Verde, no período de 2003 a 2016. Tem como abordagem o método empírico – analítico, com base em dados qualitativos e quantitativos. Os procedimentos metodológicos consistem em: revisão bibliográfica com foco nos temas Território; Desenvolvimento rural e territorial; governança; gestão social e capital social. No trabalho de campo foi realizado entrevistas com 27 atores sociais envolvidos no proinf, entre eles representações do colegiado territorial, (assessor territorial, representante estadual do colegiado, MST, CEFAC, ASCOB, EMDAGRO, IADH, representante do poder público, proponente do Proinf (prefeitura de Poço Verde); e com a associação de apicultores do município de Poço Verde; Realizou-se visitas técnicas a 03 projetos do proinf (centro de formação de agricultores, pontos de coleta do mel, centro de comercialização da agricultura, e aplicação de questionários, junto aos 19 beneficiários do proinf que atendeu a apicultura. Dessa forma, o levantamento de dados permitiu observar quais projetos foram desenvolvidos pelo colegiado territorial e de qual forma se materializaram no território. A dissertação concluiu, que a participação social foi elemento importante na construção dessa política territorial. O PTC criou mecanismos para fomentar o capital social nos territórios, fortalecendo a participação da sociedade civil no âmbito da formulação e elaboração dos projetos que atendam ao meio rural, em especial a agricultura familiar, com a implantação de infraestrutura, aquisição de equipamentos e capacitação, para dinamizar as atividades produtivas. No território do sertão ocidental constatou-se projetos que não atenderam a demanda territorial e projetos de baixo retorno social com deficiências na elaboração, além de existir uma polarização de proinfs em especificamente dois municípios. Porém ao longo dos anos o território tem se fortalecido, compôs um colegiado participativo, onde foram definidos projetos, discutidos demandas e o modelo de gestão social fortaleceu grupos, também amadureceu as propostas de proinf. Por esse contexto é importante frisar a importância de fomentar políticas que desenvolvam o meio rural. Ao longo de mais de uma década da criação dessas políticas pode-se destacar avanços significativos no meio rural, mesmo havendo diversos gargalos que precisam ser superados. Porém vale ressaltar que os resultados não são a curto prazo, fomentar o capital social e desenvolvimento requer mecanismos e nessa conjuntura o território é muito importante nesse contexto sendo uma construção social com uma diversidade de atores envolvidos.

  • JORGENALDO CALAZANS DOS SANTOS
  • PAISAGEM CÁRSTICA E TURISMO NO ESTADO DE SERGIPE
  • Data: 10/05/2019
  • Tese
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  • A paisagem cárstica no estado de Sergipe, vem estimulando o interesse e a possibilidade de seu uso pelo turismo. A preocupação está na forma em que as práticas turísticas estão sendo desenvolvidas no estado, pelo fato de não existir estudos mais aprofundados sobre esse tema. O foco desta pesquisa está na análise das relações socioespaciais que se estabelecem na paisagem cárstica do estado de Sergipe, no sentido de avaliar suas possibilidades para o desenvolvimento do turismo. A paisagem aqui é apreendida em seu sentido simbólico produzido pelas relações dos sujeitos que habitam o entorno das grutas, elementos de destaque das paisagens cársticas. Com esses referenciais, observamos a paisagem cárstica na vertente do Geoturismo pautado nos princípios de sustentabilidade. Neste sentido a hipótese de tese que levantamos fundamentada na prerrogativa da paisagem cultural, na perspectiva de que as grutas cársticas do estado de Sergipe possuem atributos necessários para servir como recurso para prática do geoturismo. Salientamos que, além das entrevistas, foram realizadas pesquisas de campo que consistiram em observação com roteiro pré-estabelecido e registros fotográficos. Selecionamos seis grutas para comporem o estudo, levando em consideração como critérios o acesso, infraestrutura, proximidade, beleza interior, extensão, disponibilização para visitação, dentre outros. As grutas selecionadas foram: Casa do Caboclo localizada no município de Japaratuba; Matriana, Pedra Furada e Pedra Furada II localizadas no município de Laranjeira; Dorinha e Toca da Raposa localizadas no município de Simão Dias. Com leituras baseadas nos autores que abordam a geografia cultural como Sauer (2004; 2006); Berque (2004); Besse (2006); Dardel (2011), instrumentalizamos nossas discursões com a percepção do lugar turístico em Almeida (2003; 2004; 2008), intercalando nessa construção conceitual os fundamentos da sustentabilidade de Leff (2001; 2004) e Sachs (1994; 2002; 2004; 2007). As visitas que ocorram em todas as grutas estudadas são realizadas por pesquisadores e estudantes, vindo do próprio município e de outras localidades fora do estado. Concluímos ao final da pesquisa que existem potenciais para o desenvolvimento do geoturismo, mediante a significância dos elementos culturais ligados as grutas, além da existência de atrativos naturais em suas proximidades, potenciais para a criação de roteiros fundamentados nesse segmento turístico. Mesmo com ausência de estruturas que facilitem a visitação, a pesquisa constatou a existência de interesse em desenvolver o turismo nas grutas, tanto pelas as agências de viagens, quanto pelos órgãos públicos que tratam do tema.

  • ANTONIO SANTIAGO PINTO SANTOS
  • USO DE GEOTECNOLOGIAS NO ESTUDO DA ORGANIZAÇÃO SOCIOESPACIAL DA REGIÃO METROPOLITANA DE ARACAJU.
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 28/03/2019
  • Tese
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  • Elementos analíticos complexos integram a Região Metropolitana de Aracaju – RMA, oficialmente criada pela Lei Complementar nº 25/1995, a qual aglomera núcleos urbanos com funções diversificadas, sobretudo com a expansão urbana verificada nas últimas décadas do século XX e início do atual século. Neste sentido, o desenvolvimento urbano e regional implica na necessidade de um melhor planejamento e gestão de seus espaços, considerando a infraestrutura de saneamento básico, energia elétrica, coleta de lixo, disposição de sistema viário, de serviços de transporte, da oferta de educação, saúde e segurança pública. Para isso, a legislação vigente estabelece diretrizes gerais para o planejamento e gestão das “Funções Públicas de Interesse Comum – FPICs” em regiões metropolitanas. A área dessa pesquisa abrange uma zona litorânea tropical onde estão dispostos os complexos estuarinos dos rios Sergipe e Vaza Barris. Imbricada nesse cenário, encontra-se um sítio urbano com eixos estruturantes que interligam os municípios em vias de conurbação. Neste aspecto, a presente pesquisa priorizou como objetivo geral analisar a organização socioespacial da Região Metropolitana de Aracaju a partir do uso de geotecnologias como ferramentas de suporte para o planejamento urbano e regional. Com o emprego desse recurso tecnológico, formou-se uma base digital de dados espaciais (BDDE) e mapeou-se a dinâmica da Paisagem no período de 1984 a 2018, utilizando-se de variáveis socioespaciais dos setores censitários do IBGE do ano de 2010. A identificação das funções do espaço geográfico foi realizada através da fotointerpretação que viabilizou o mapeamento do uso do solo em onze classes temáticas adotadas por sua importância no ambiente urbano. Fez-se a quantificação de cada classe, destacando-se as classes “Urbano” com 139,3 Km2 e “Manguezal” com 61,4 Km2 no mapeamento de 2018. O cruzamento dos dados censitários com a classificação realizada permitiu a elaboração de um Índice de Desenvolvimento Social Básico, demonstrando, finalmente, que as tecnologias de Geoprocessamento se constituem em ferramentas eficientes para análise espacial, podendo ser usada como suporte de decisão para o Planejamento Urbano e Regional.

  • WESLEY ALVES DOS SANTOS
  • A BARRAGEM DE XINGÓ E OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS NO BAIXO SÃO FRANCISCO SERGIPANO
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 28/03/2019
  • Tese
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  • A construção do reservatório da barragem de Xingó no baixo curso da bacia do rio São Francisco perenizou parte do curso principal, alterando a dinâmica natural do sistema fluvial no conjunto do sistema ambiental e os aspectos socioeconômicos dos municípios que estão localizados a jusante de suas margens. Desde as obras de construção, a população que vive na região do Baixo São Francisco, enfrenta graves problemas que vão desde as alterações do ambiente físico, aos aspectos socioeconômicos, promovidos pelo próprio poder público, responsável pela execução do projeto de barramento do rio para fins de geração de energia elétrica visando atender ao setor econômico do país. As bases metodológicas para fundamentação da tese foram alicerçadas na Teoria Geral dos Sistemas. Para investigação do objeto de pesquisa, priorizou-se como objetivo geral analisar a barragem de Xingó e os impactos socioambientais decorrentes dessa grande obra de engenharia no Baixo São Francisco Sergipano. Na perspectiva de cumprir esse e outros objetivos específicos, fez-se uso de procedimentos metodológicos distintos, priorizando o levantamento bibliográfico, cartográfico e o trabalho de campo. Constatou-se, entre outros resultados, que a ação do homem interferiu diretamente no meio natural e refletiu nas relações socioeconômicas e ambientais. A situação considerada como a mais crítica foi a dos ribeirinhos e da fauna e flora aquática que apresentaram significativas alterações (perdas) ao longo das duas últimas décadas, mostrando-se, em muitos casos, irreversíveis aos impactos sofridos. Por outro lado, mesmo com tamanho impactos hidrológicos, microclimáticos, geomorfológicos e bióticos, verificou-se ainda que muitos projetos de desenvolvimento econômicos foram implementados após a construção da barragem de Xingó, que além de proporcionarem a geração de renda e empregos diretos e indiretos, o uso intenso de agrotóxicos comprometeu a qualidade da água e do solo, e consequentemente todo o ambiente natural do Baixo São Francisco. Demais disso, a referida barragem provocou o aumento dos conflitos, que se acentuaram pela disputa dos recursos água e solo interferindo nas práticas sociais, na forma de utilização do território e dos recursos naturais disponíveis. Assim, em razões conclusivas, evidencia-se a necessidade de práticas efetivas que utilizem o uso sustentável dos recursos naturais disponíveis em conformidade com as leis ambientais vigentes, visto que a retenção de sedimentos e o barramento do rio São Francisco comprometeram a fauna e flora a jusante de Xingó levando ao desequilíbrio de diversas espécies. Além disso, a barragem de Xingó está entre aquelas no Brasil consideradas de alto risco, sem, no entanto, existir até os dias atuais um plano emergencial como exigido legalmente.

  • ALIZETE DOS SANTOS
  • VULNERABILIDADE E RISCOS HIDROLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS NA REGIÃO DA GRANDE ARACAJU/SE
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 27/03/2019
  • Tese
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  • O processo de urbanização no Brasil tem se caracterizado pela forma rápida e desordenada estimulando a ocupação de moradias em ambientes fisicamente vulneráveis ao uso e ocupação do solo. Essa dinâmica, sem dúvida, coloca a população de poder aquisitivo baixo em situações de exposição aos riscos ambientais, sejam eles geomorfológicos e/ou hidrológicos. A Região da Grande Aracaju, área dessa investigação científica, nas últimas três décadas, vem apresentando altas taxas de crescimento urbano. Aliado a isso, o processo de favelização e segregação socioespacial tem sido uma das representações da vulnerabilidade social frente aos eventos ambientais. Neste sentido, priorizou-se como objetivo geral, analisar as áreas de vulnerabilidade e riscos ambientais hidrológicos e geomorfológicos nos municípios da Região da Grande Aracaju. Assim, visando cumprir esse e outros objetivos específicos aqui delineados, utilizaram-se procedimentos metodológicos distintos, associados a diferentes fases, tais como: levantamento bibliográfico, cartográfico e trabalho de campo. Dentre os resultados obtidos, verificou-se que a vulnerabilidade social na referida região apresenta evidentes desigualdades, não somente entre os municípios, mas também dentro deles. Aracaju, capital do Estado, apresenta concentração das riquezas e de melhores indicadores no quesito acesso à educação e renda, mas o padrão de ocupação e da favelização em sua periferia, pesaram de forma significativa na determinação do índice de vulnerabilidade social, enquadrada como muito alta, cuja situação assemelha-se ao do município de Nossa Senhora do Socorro. No que pese aos eventos hidrológicos, constatou-se que na Região da Grande Aracaju eles são mais frequentes em detrimento dos riscos geomorfológicos, manifestados pontualmente em certas porções do território da Grande Aracaju, onde têm suas maiores ocorrências nos municípios de Aracaju, São Cristóvão e Maruim. A fim de espacializar a ocorrência desses eventos, buscou-se apoio na Cartografia Digital e no Geoprocessamento para elaboração de duas importantes cartas temáticas de suscetibilidade aos riscos hidrológicos (inundações e alagamentos) e riscos geomorfológicos (movimentos gravitacionais de massa e erosão). Conclui-se, portanto, pela necessidade urgente de investimentos em pesquisas científicas que discutam a temática, educação e planejamento no campo de prevenção, mitigação e ações após ocorrência dos desastres naturais.

  • HELENO DOS SANTOS MACEDO
  • AMBIENTES CÁRSTICOS EM SERGIPE: VULNERABILIDADE E INSTRUMENTOS PARA SUA GESTÃO
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 27/03/2019
  • Tese
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  • O processo de uso e ocupação do solo em paisagens cársticas vem ocorrendo de forma desordenada em todos os lugares. Em Sergipe, essa situação vem colocando as paisagens cársticas em ameaça. As paisagens cársticas levadas a efeito na investigação, referem-se ao Carste Tradicional Bacia Sergipe, localizado na Província Costeira e Margem Continental e Carste Tradicional Olhos d’Água/Frei Paulo, inserido na Faixa de Dobramentos Sergipana no Domínio Vaza-Barris. O método de análise para fundamentos da pesquisa, baseou-se na Teoria Geral dos Sistemas, com viés nas abordagens da Teoria do Caos, dos Sistemas Dinâmicos Complexos e da Geometria Fractal. Esse estudo, delineou como objetivo geral analisar os ambientes cársticos em Sergipe, enfatizando a vulnerabilidade natural e ambiental para fins de propostas de planejamento e gestão. Assim, para cumprimento desse e outros objetivos específicos, adotaram-se procedimentos metodológicos distintos, associados a diversas fases, priorizando, portanto, a revisão bibliográfica, o levantamento cartográfico e os trabalhos de campo. Dentre outros resultados, verificou-se que os ambientes cársticos em Sergipe apresentam desenvolvimentos incipientes, devido a fatores relacionados ao tamanho do pacote rochoso, tipo de litologia, ausência de rochas com porosidade secundaria devido à falta de ativação tectônica, baixo gradiente do relevo, mudanças climáticas e, sobretudo, pelo metamorfismo dos carbonatos no Carste Olhos d’Água/Frei Paulo e cobertura das rochas carbonáticas no Carste Bacia Sergipe pelo Grupo Barreiras. No que pese ao exocarste sergipano, observou-se que se constitui por feições de lapiás, dolinas, vales cegos e planícies de dissolução (poljés), enquanto o endocarste, acha-se constituído por 171 cavidades autogênicas e com baixo desenvolvimento horizontal, localizadas, em sua maioria, no Carste Olhos d’Água/Frei Paulo. No que se refere ao uso e ocupação do solo, destaca-se a presença de mineradoras de calcário para produção de cimento e corretivo para solo, a prática de pastagem e agricultura, principalmente no Carste Bacia Sergipe. A vulnerabilidade natural e ambiental do Carste Bacia Sergipe é alta, devido a inadequação dos usos e ocupação do solo. Já o Carste Olhos D’Água/Frei Paulo encontra-se em uma situação de vulnerabilidade natural e ambiental muito alta, devido a fatores associado ao uso intensivo para a pastagem provocando a retirada da vegetação e acelerando sua degradação. Em razões finais, frisa-se que nas áreas cársticas, urge a necessidade de medidas preventivas e mitigadoras. Daí a proposição do Zoneamento Ambiental para o carste, com divisão em cinco zonas, a saber: Zonas de Uso Possível para Agropecuária (ZUPA); Zonas de Proteção das Paisagens Cársticas (ZPPC); Zonas de Conservação das Paisagens Cársticas (ZCPC); Zonas de Conservação e Desenvolvimento Urbano (ZCDU) e as Zonas de Uso para Mineração e Industria (ZUMI). Além disso, fez-se também a proposição da inserção de medidas de conservação do carste nos Planos Diretores e criação de duas áreas de proteção ambiental: APA Taquari Maruim, no Carste Bacia Sergipe e APA Olhos D’Água, no Carste Olhos D’água/Frei Paulo.

  • MARÍLIA ANDRADE FONTES
  • Redes de Agroecologia na construção da autonomia camponesa
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 28/02/2019
  • Tese
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  • A questão agrária no Brasil é desigual e contraditória. Portanto avança incorporando terras, produzindo relações capitalistas, mas produz também, contraditoriamente, relações camponesas de produção (Oliveira, 1990). Martins (1981) explica que a expansão do capitalismo no campo se dá pela sujeição da renda territorial ao capital, seja comprando terra, para explorar ou vender, ou subordinando a produção de tipo camponês. O campesinato possui como principal instrumento para sua criação e recriação a luta pela terra (Fernandes, 2008). Ainda existe a luta na terra que é a luta contra a subordinação ao capital, pela construção de autonomia e fortalecimento dos territórios camponeses. Essa pesquisa-ação se realiza atuando junto a um campesinato que recriado através da luta pela terra, organizou uma Rede Camponesa de Agroecologia como uma estratégia de luta na terra que impulsiona a resistência e enfrentamento à subordinação do capital. Essa rede foi organizada por meio de intercâmbios de trocas de saberes, baseados nos princípios metodológicos “camponês a camponês”, que segundo Holt-Gimenez (2008) produz conhecimento por meio de intercâmbio de trocas de saberes que ressignificam as experiências camponesas, criam processos de irradiação da agroecologia, orientados pela horizontalidade e protagonismo camponês. A tese central desse trabalho é que as Redes Camponesas de Agroecologia são capazes de construir processos que contribuem com a autonomia camponesa, ampliando o controle de seus territórios, e dessa forma, fortalecendo a luta na terra. Para isso, foram elucidadas as formas de subordinação do campesinato pelo capital, assim como as estratégias de construção da autonomia camponesa. Ainda, o resgate histórico da construção do movimento agroecológico no Brasil e a compreensão teórica da agroecologia, constituíram-se no ponto de partida para compreender e identificar os processos de autonomia impulsionados pela Rede Camponesa de Agroecologia. Essa pesquisa tem ainda como objetivos específicos: i) descrever o processo de construção da Rede Camponesa de Agroecologia por meio dos intercâmbios orientados pela metodologia “camponês a camponês”; ii) identificar e analisar os resultados/impactos da Rede Camponesa de agroecologia; iii) analisar o processo de fortalecimento e construção de territórios camponeses e da agroecologia a partir da experiência de organização em rede. Essa pesquisa-ação ou pesquisa-militante utilizou como metodologias a observação participante, os círculos de culturas e sistematização de experiências. Considero, por fim, que frente a expansão do capital no campo o campesinato cria e recria estratégias para ampliar sua autonomia, entre elas, a experiência de construção da Rede Camponesa de Agroecologia nos deixa o aprendizado do significado e centralidade da autonomia camponesa e suas dimensões. Aponta importantes caminhos para impulsioná-la, mostrando que por meio da agroecologia é possível ampliar a autonomia camponesa, transformando não apenas as relações de produção, mas alterando também as relações políticas, sociais e econômicas, fortalecendo o modo de vida e o território camponês.

  • JOSÉ CARLOS DOS SANTOS
  • AVANÇOS E CONFLITOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE ITABAIANA/SE
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • Atualmente, observa-se que estudiosos e pesquisadores têm-se debruçado na discussão e avaliação dos resultados sobre a importância da participação e decisão dos atores sociais nas institucionalidades, face à descentralização dos recursos públicos direcionados aos municípios e estados. Sendo assim, desde as últimas décadas do século XX, as políticas públicas voltadas para o espaço rural têm criado mecanismos institucionais que incentivam a participação dos atores sociais, as contribuições dessas políticas são de suma importância para o desenvolvimento rural. O presente estudo tem como objetivo entender as ações desenvolvidas pelo Estado, no que se referem às políticas públicas descentralizadas, que visam garantir a gestão, monitoramento e avaliação dessas políticas no município de Itabaiana/SE, especificamente as ações desenvolvidas pelo governo estadual. Sendo assim, essas ações por meio daagricultura familiar, bens e serviços com seus rebatimentos no Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDS), tem proporcionado aos agricultores uma alternativa de racionalidade econômica, conseguindo organizar a produção e comercializar seus produtos. Observa-se que, produção e comercialização são os maiores entraves para o êxito das atividades no meio rural. A pesquisa em tela está fundamentada na abordagem empírico-analítica e tem como metodologia a pesquisa qualitativa, subsidiada pelos dados quantitativos com a utilização dos seguintes procedimentos teórico-metodológicos: levantamento e análise de fontes primárias e secundárias, orientadas por pesquisas bibliográficas e documentais; realização de entrevistas e aplicação de questionários aos atores sociais, que serão tabulados e analisados. Os Conselhos Municipais surgem como espaços importantes para a institucionalidade das políticas públicas no meio rural brasileiro, desse modo, para que aconteça a descentralização do poder público é necessária à participação dos atores sociais no processo de democratização que insira os agricultores familiares nesse circuito do mercado garantindo sua reprodução social saindo da linha de pobreza. Neste sentido, o Estado deve agir como agente responsável em reduzir as precárias condições de trabalho e reinventar oportunidades dignas favoráveis ao ser social, principalmente para a população que reside no meio rural. Neste contexto, torna-se necessário o entendimento de como opera à relação entre o poder público e a sociedade civil por meio de um arranjo, através das organizações associativas de agricultores familiares com a utilização de técnicas que programam o desenvolvimento rural na comunidade, levando em consideração os aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais dos atores sociais que estão envolvidos no processo de gestão social das políticas públicas no município de Itabaiana - SE. Logo os resultados dos estudos apontam que mesmo com os avanços das políticas públicas no município de Itabaiana-SE, por meio da aprovação e execução dos projetos sociais em 18 comunidades rurais ainda assim, o poder público municipal CMDS através do arranjo colegiado do juntamente com a secretaria municipal de agriculturaatuam na assistência técnica e social para os agricultores de forma insatisfatória, o que os impossibilita de sereproduzir socialmente de maneira organizada e assim poderem ter inserção no mercado para comercializar seus produtos. Assim, o trabalho vem demonstrar a necessidade da participação do Estado na transformação do meio rural através das políticas públicas, por meio de um processo de gestão social, a fim de empoderar os agricultores familiares para assumir o compromisso e a responsabilidade de organizar uma nova geração de agricultores autoconfiantes e tecnicamente competentes para viver sem a dependência das políticas sociais oriundas do Estado. Portanto, a pesquisa se faz entender ser um desafio à democratização de políticas públicas para o meio rural, principalmente em função da falta de envolvimento das pessoas que são responsáveis por gerir tais atividades, pois os projetos após sua aprovação são executados sem o devido acompanhamentoe avaliação uma que os representantes do poder público não dão a devida assistência aos atores que dependem dessas práticas para melhorar sua qualidade de vida no meio rural do município estudado na pesquisa.

  • RAFAELA DOS SANTOS
  • Comida de casa, comida da escola: as contribuições do PNAE na preservação dos hábitos alimentares em Coruripe, Alagoas
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • As territorialidades, como as práticas de reprodução social e os hábitos alimentares, estão alicerçadas nas identidades culturais e conformam elementos materiais e simbólicos que incrementam os territórios. Ao longo dos séculos, as inovações tecnológicas ampliaram a escala de produção e de alcance dos alimentos, fato que, somado à sucessão de intercâmbios culturais impulsionados pelas redes de comunicação e transporte, possibilitaram o estabelecimento de impérios alimentares, bem como a disseminação de alimentos industrializados. Todavia, essas reconfigurações acerca da produção e consumo não dizimaram problemáticas como a fome, a subnutrição e outros problemas de saúde, sociais e ambientais relacionados à alimentação na atualidade. Em 1948, foi elaborada a Declaração dos Direitos Humanos, documento que, pela primeira vez, instituiu a alimentação adequada como direito humano. No Brasil, o tema é foco de outros instrumentos normativos, como a Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Essa política pública está vinculada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que repassa recursos financeiros para aquisição de gêneros alimentícios para as escolas públicas e filantrópicas do país. As diretrizes da Lei 11.947/2009 estabelecem, para além do atendimento às necessidades nutricionais dos estudantes, a exigência de aplicação de no mínimo 30% dos recursos para aquisição de alimentos produzidos no âmbito da Agricultura Familiar, a promoção da Educação Alimentar e Nutricional e a elaboração de cardápios que respeitem os hábitos alimentares locais. Nessa perspectiva, traça-se neste estudo de cunho qualitativo uma avaliação sobre a influência do PNAE nos hábitos alimentares em comunidades escolares do município de Coruripe, Alagoas. Para desenvolver a pesquisa, realizamos ampla revisão bibliográfica, levantamento de dados secundários em sites oficiais e primários com pesquisa de campo em duas unidades de ensino localizadas em comunidades rurais de Coruripe. Agricultores familiares, nutricionistas, merendeiras, moradores, pais e alunos das duas escolas foram os sujeitos que constituíram as fontes dos dados primários obtidos por meio de entrevistas dirigidas e atividades de produção textual. Os resultados apontam para adequações na aquisição dos alimentos e nos cardápios escolares com foco na valorização das territorialidades, das práticas de reprodução social das famílias de produtores e dos hábitos alimentares locais. Contudo, ressaltamos a necessidade de ações que visem a ampliação ou inclusão de novos agricultores familiares ao Programa, debates sobre produção agroecológica e aprofundamento das questões relativas aos problemas advindos do sistema produtivo dominante

  • INGRID MICHELLE COELHO SAMPAIO FELIX
  • As marcas da ferrovia nos limites das mediações Estado - Capital no circuito da produção, distribuição, circulação na reconfiguração espacial.
  • Data: 28/02/2019
  • Tese
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  • A presente tese de doutorado analisa a mediação: Estado – Capitala partir das políticas públicas de infraestrutura que propõem alteração da lógica de circulação e distribuição com a implantação de um novo sistema ferroviário, baseado no encurtamento das distâncias via desenvolvimento dos meios de transporte, tendo como ponto de partida o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. O neodesenvolvimentismo coloca-se como determinante para o Estado assumir a função de dinamizar o setor produtivo e cumprir as funções de provisão de bens públicos e de proteção social de caráter universalista e redistributivista. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. caracteriza-se como um plano estratégico de resgate e de retomada dos investimentos, público e privado em setores e obras estruturantes do país. Nesse contexto, os projetos ferroviários tomam fôlego e reaparecem como importante elemento e instrumento de integração nacional, apresentados como uma das principais necessidades para desfazer o gargalo na infraestrutura e na circulação de mercadorias. Para que a circulação do capital possa ser iniciada e sustentada é necessária a produção, mobilização e absorção dos excedentes de capital e da força de trabalho, principais elementos do desenvolvimento capitalista. O fomento das vias de circulação velozes, em períodos de crise, serve para que o sistema capitalista continue a se reproduzir mais rápido gerando lucros, tendo em vista que o consumo finaliza e (re)inicia o ciclo do capital (produção, distribuição, circulação e consumo). Nossos estudos demonstram que, o sistema ferroviário a partir de uma proposta modernizante é posto a cumprir esse papel, de transportar mercadorias nos novos arranjos espaciais definidos em parte por políticas que vão desencadear em um reordenamento territorial voltado ao desenvolvimento. Nesse sentido a Estrada de Ferro 334 - Ferrovia de Integração Oeste Leste (EF-334 -FIOL) se apresentou como uma das principais obras de infraestrutura do PAC, prevalecendo a lógica de produção e circulação que interessa ao setor produtivo de grãos e minério. A lógica dessa política está pautada em atender as necessidades da esfera privada de produção. Trata-se de um corredor de escoamento de produtos voltados para o agronegócio. Assim, o modo de produção capitalista reduz os custos de transporte para a mercadoria individual por meio do desenvolvimento dos meios de transporte, bem como da concentração do transporte. Dessa forma, escancara a funcionalidade do Estado na garantia dos interesses privados, imprescindível à acumulação de capital, no processo de reordenamento territorial, tendo o setor financeiro como incentivador e articulador das políticas de Estado para a garantia ampliada e expansionista do sistema do capital.

  • LAIANY ROSE SOUZA SANTOS
  • A espacialização da luta das mulheres camponesas em Sergipe: feminismo e resistência
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 28/02/2019
  • Tese
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  • Essa tese objetiva analisar a dinâmica de enfrentamento das mulheres camponesas, organizadas em mais de 105 grupos no campo sergipano, pertencentes a movimentos sociais de mulheres, movimentos sindicais, movimentos mistos com setores de mulheres e/ou gênero, de forma articulada ou isolada. Tal dinâmica expressa que a rebeldia está na ordem do dia. Tomou-se a política pública de desenvolvimento territorial rural (DTR), na sua relação com a questão agrária sergipana, e a atuação das mulheres camponesas organizadas e suas pautas, como estruturantes do tipo de participação empreendida por elas. Optou-se pela realização de um diálogo com as Epistemologias do Sul, apontadas como uma terceira via, cujas narrativas sugerem dar voz aos subalternizados, aos povos silenciados na história contada a partir dos dominantes e com o Marxismo, que analisa a sociedade a partir do modo de produção capitalista, em que as forças econômicas se constituem preponderantes na explicação da realidade. Tal diálogo se efetiva na tese como caminho para se elucidar o objeto, qual seja, a organização das mulheres camponesas. Entretanto, optamos pelo materialismo histórico dialético, pela necessidade de compreensão das transformações sócio econômicas espaciais a partir do desenvolvimento do sócio metabolismo do capital e da inerente luta de classes. Considera-se que o apreendido deve ser usado para explicar o particular sem perder de vista a totalidade, o que pressupõe que as vozes dos sujeitos devem ser desveladas a partir da sua inserção no contexto histórico social. Assim, ainda que as teorias aqui adotadas pertençam a lugares geográficos distintos, elas dialogam à medida que foram/são subalternizados pela modernidade/colonialidade hegemônica. A reflexão sobre a realidade agrária brasileira, assim como o movimento de luta das mulheres exigiu caminhar pelas categorias espaço, território e feminismo a partir das quais foi possível compreender as relações desiguais produtoras do espaço, que colocam a mulher no lugar dominado, cobrando delas um posicionamento político frente às relações de poder diversamente manifestadas no patriarcalismo, machismo e dominação de classe, levando-as ao enfrentamento por direitos, território de vida e liberdade. Por sua vez, as mulheres re-existem, organizadas como força de enfrentamento ao capital e ao Estado, desde o campo a partir do feminismo camponês, como estratégia de luta anticapitalista, abordando pautas que revelam as suas demandas e condição social.

  • ELIS REGINA SILVA DOS SANTOS OLIVEIRA
  • EXPANSÃO DA PRODUÇÃO DO MILHO NO ESTADO DE SERGIPE E SUA INTERFACE COM A AGRICULTURA FAMILIAR
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 27/02/2019
  • Tese
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  • O agronegócio do milho em Sergipe é um fenômeno recente, tendo o seu apogeu nos últimos dez anos com a participação de grupos ligados a empresas de insumos e maquinários na economia dos municípios. Esse processo vem implantando nas áreas estudadas relações contraditórias entre um agronegócio emergente e os processos de produção tradicionais da agricultura familiar. Nesse sentido, a presente pesquisa visa compreender como o agronegócio vem estabelecendo, nos municípios de Carira e Simão Dias, um novo contexto social e econômico a partir dessa produção, retratando a ação desse fenômeno na dinâmica da agricultura sergipana, além de explicar todo o sistema produtivo do milho. Temas como: insumos, novos serviços implantados nos municípios e impactos ambientais instalados nas áreas de estudo transcorrerão na pesquisa. A questão fundante desta tese é analisar as interfaces do agronegócio do milho com a agricultura familiar em Sergipe, suas particularidades e especificidades, além dos desdobramentos desse sistema. A análise constitui-se na abordagem empírico-analítica, que possui a fundamentação teórica como primeiro procedimento, seguida pela utilização de técnicas de coleta, com a obtenção de dados primários: a partir da aplicação de questionários semiestruturados com os atores sociais, bem como a realização de entrevista em alguns órgãos e entidades; e de dados secundários: com a coleta de dados em órgãos como IBGE, EMDAGRO, EMBRAPA e CODISE. Por fim, seguem as etapas de tabulação e de análise das informações obtidas. Ao verificar os dados da produção municipal (IBGE, 2013), foi constatado que os maiores produtores de milho do estado de Sergipe são Carira, com 196.560 toneladas, e Simão Dias, com 186.000 toneladas. Com o estudo, observou-se que a expansão desenfreada do cultivo do milho nesses municípios veio acompanhada do uso intensivo de defensivos e adubos químicos, como também de maquinários, o que promove desde a compactação do solo até a contaminação de pessoas pelo uso errôneo dos defensivos. Outro aspecto destacado na pesquisa são as adversidades climáticas que vêm alterando os dados da produção em decorrência da grande estiagem que tem afetado os municípios estudados. Por outro lado, o agronegócio vem promovendo uma nova dinâmica econômica nos municípios com a inserção de novas atividades relacionadas ao cultivo do milho. A pesquisa tem em vista contribuir a partir de um novo olhar sobre as repercussões da ação do agronegócio na dinâmica da agricultura sergipana.

  • RODRIGO SANTOS DE LIMA
  • PERCEPÇÃO DAS ÁGUAS E DO LUGAR NA SUB-BACIA DO RIO DAS LAJES/SERGIPE
  • Data: 27/02/2019
  • Tese
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  • O surgimento da pauta ambiental no planeta é relativamente recente e, nela são apontados inúmeros problemas, bem como possíveis soluções, comumente, atadas às questões de planejamento. Nesse contexto a bacia hidrográfica foi considerada importante, pois a água, ao realizar o seu ciclo, contribui para o equilíbrio do sistema. A conservação dos bens naturais perpassa pelo planejamento elaborado pelo poder público, realizado por meio de diagnóstico acerca da situação local. Tal diagnóstico utiliza variáveis para construir seus principais indicadores sendo que, nos planejamentos atuais os mesmos são, normalmente, utilizados de maneira ampla, basicamente com uso de informações secundárias. Nesse sentido, a tese é de que, tomando uma bacia hidrográfica como unidade de estudo, a percepção de seus moradores pode ser tomada como critério de avaliação de sustentabilidade e contribuir para a elaboração de planejamentos e gestão dos recursos hídricos. A delimitação do lócus de investigação foi a sub-bacia do rio das Lajes, afluente do alto curso do rio Sergipe, situada no semiárido sergipano. O caminho metodológico assentou-se na pesquisa qualitativa, ancorada nas experiências e vivências dos sujeitos com o lugar. Discutiu-se o lugar sob enfoque da geografia humanística-cultural, que o examina dando ênfase às questões subjetivas adquiridas pela percepção humana para com o meio que ocorre no espaço. Foram analisadas as questões de sustentabilidade e sua importância no contexto da governança, indicando que é necessário criar uma nova centralidade ambiental baseada na natureza. A pesquisa constatou que o cotidiano dos sujeitos com as águas dos rios da sub-bacia é praticamente inexistente, havendo assim, uma subutilização, restrita basicamente à dessedentação animal e à pesca quando há água nos leitos. A percepção mostrou que há topofilia dos sujeitos para com o lugar, mas com relação as águas, há indiferença e descaso, ao passo que revelou ser um caminho para entender os usos e práticas dos sujeitos com os rios e, assim, subsidiar projetos e ações nos planos de gestão. Desse modo, na elaboração dos planos de bacia, torna-se relevante considerar os sujeitos, compreender suas percepções e como estas estão intrinsecamente associadas às atitudes frente ao meio.

  • ADRIANA LISBOA DA SILVA
  • Efeitos da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) na agricultura familiar do Alto Sertão de Alagoas: o caso dos municípios de Inhapi e Mata Grande.
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 27/02/2019
  • Dissertação
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  • O presente estudo teve como objetivo esboçar a dinâmica da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) nos municípios de Inhapi e Mata Grande no Alto Sertão de Alagoas e de que maneira ela influencia na vida dos agricultores familiares desses municípios. A agricultura familiar desempenha um papel importante na economia brasileira, ao lado do agronegócio tem se tornado responsável pelo aumento do PIB e movimentado bilhões de reais com a produção de milho, soja e carnes, em especial nas exportações. As políticas públicas que possibilitam o desenvolvimento rural exercem importante papel que possibilita melhorias na qualidade de vida dos agricultores familiares que necessitam da participação do Estado para sua reprodução no campo. A assistência técnica e a extensão rural são instrumentos importantes para o desenvolvimento da agricultura familiar, em especial daquela parcela de agricultores que têm uma produção de menor escala quando comparada aos grandes produtores, que tem acesso fácil a políticas de crédito que facilitam a comercialização dos seus produtos. A ATER desempenha um papel estratégico como articuladora de políticas públicas A motivação do trabalho surgiu a partir da percepção da importância que a Política de Assistência Técnica e Extensão Rural tem, face a seu papel estratégico como ação articuladora de outras políticas públicas que servem de ferramenta institucional para a melhoria das condições de produção e qualidade de vida dos agricultores familiares. Do ponto de vista dos estudos rurais, ATER não é um tema muito explorado, mas é necessário resgatar um pouco dessa figura da Assistência Técnica porque ela atua como base estrutural para outras políticas públicas, sobretudo,quando se refere ao Agricultor Familiar mais pobre e mais vulnerável da região Nordeste. Faz-se necessário o estudo dos efeitos da ATER porque ela está vinculada a uma análise fundada nas ciências sociais rurais que é a chamada articulação de políticas públicas. Pois não adianta estudar uma política pública focalizada, por exemplo, a do Microcrédito, sem que se tenha em sua base operacional a estrutura de assistência técnica para que o agricultor familiar tenha um real aproveitamento desse crédito. Nos municípios estudados é possível perceber o quanto a aproximação entre técnicos e beneficiários se faz necessária para permanência dessa política como realidade na vida dos agricultores, para aqueles que recebem essa assistência as dificuldades com a manutenção da produção são solucionadas e quanto a comercialização dos seus produtos é possível alcançar mercados quando melhora as condições da mesma. A proposta metodológica estará baseada na revisão bibliográfica, para que seja possível a compreensão de cada um dos temas que são alcançados a partir da leitura de Ater, assim como trabalhos de campo para a realização de entrevistas com os atores sociais dos dois municípios estudados e os próprios técnicos que prestam o serviço de Ater.

  • EDUINA BEZERRA FRANÇA
  • ORDENAMENTO TERRITORIAL NA PERSPECTIVA DA GOVERNANÇA EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO LITORAL SUL DE ALAGOAS.
  • Data: 26/02/2019
  • Dissertação
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  • O litoral é um espaço integrado formado por diferentes sistemas ambientais e por sistemas territoriais dinâmicos com características diversificadas que comporta uma mosaico de ecossistemas. Tendo em vista a fragilidade, intrínseca dos ambientes complexos como os litorâneos, se amplia o crescente interesse por ações estratégicas de conservação. As unidades de conservação são áreas protegidas por lei, e no Brasil dividem-se em dois grandes grupos: proteção integral e uso sustentável. As Áreas de Proteção Ambiental (APAs) compõem o grupo de uso sustentável e visam o ordenamento dos espaços de forma que garanta a utilização dos recursos naturais, e a conservação e manutenção de seus ecossistemas. No Brasil, a gestão de unidades de conservação ainda é pouco discutida no sentido de governança e ao mesmo tempo direciona os olhares para aplicação de metodologias e políticas de Ordenamento Territorial que venham a mitigar os conflitos e efetivar práticas mais democráticas e participativas. A presente pesquisa versa sobre uma Área de Proteção Ambiental (APA). Pretende-se entender o Ordenamento Territorial de forma integrada entre os elementos físicos e sociais no âmbito de uma visão sistêmica. Assim, o objetivo geral é analisar o Ordenamento Territorial na perspectiva da governança na Área de Proteção Ambiental de Piaçabuçu, Litoral Sul de Alagoas. A metodologia consiste em: levantamento bibliográfico, fundamentação teóricometodológica, levantamento documental em órgãos públicos de caráter histórico e legal, mapeamento básico, visita de campo, entrevista com gestores, comunidades tradicionais, colônia de pescadores e representante do órgão municipal. A análise de governança em UC foi realizada sob a ótica do decálogo proposto pelo geógrafo espanhol Barragán Muñoz (2014a), que busca valorar os ambientes geográficos e sistematizar um modelo de governança efizaz em zonas costeiras. Estudar unidade de conservação costeira na prospectiva de governança é um desafio, uma vez que se refere à um sistema singular, conflitivo e integrado.

  • JUCILEIDE DA SILVA SOBREIRA
  • USOS E PRÁTICAS TURÍSTICAS NA ORLA MARÍTIMA DE CORURIPE/AL
  • Data: 26/02/2019
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa tem como objetivo central analisar os usos e as práticas turísticas desenvolvidas nas orlas do Pontal de Coruripe e na Lagoa do Pau, Coruripe/AL e suas respectivas consequências socioambientais. Parte-se do pressuposto que o espaço litorâneo é frágil, por se tratar de uma zona de transição entre o oceano e o continente, e apresenta uma valorização social e econômica crescente. Essa natureza ambígua do litoral se revela nas formas que assume a configuração territorial, nas atividades de uso do espaço e nas ações da iniciativa privada e do poder público. Nesse sentido, considera-se o turismo como um dos principais vetores de valorização e ocupação territorial do litoral. Compreende-se o turismo como uma prática socioespacial, econômica e cultural que vem crescendo muito nas últimas décadas, principalmente no segmento sol e praia, cuja ação viabiliza o uso e a apropriação da natureza no litoral desencadeando um conjunto variado de implicações socioambientais, econômicas, culturais e na configuração territorial. Assim, a presente pesquisa busca discutir e analisar os fatores que contribuíram para o desenvolvimento da vilegiatura marítima no Pontal de Coruripe e na Lagoa do Pau e suas respectivas consequências, identificar os sujeitos envolvidos na dinâmica turística, assim como, as políticas que garantem o uso sustentável desses espaços, para que o turismo de sol e praia não impacte de forma irreversível o meio socioambiental. Para tanto, foi realizado entrevistas com 88 sujeitos sociais e 2 agentes públicos, como também se utilizou de observação direta com auxílio de caderno de campo e registro fotográfico. Assim, a presente pesquisa se caracteriza enquanto exploratória e explicativa, como delineamento trata-se de um estudo de caso e como procedimento de coleta de dados foram utilizadas pesquisa bibliográfica, análise documental e pesquisa de campo. Os resultados apontam que os principais fatores que contribuíram para o desenvolvimento das segundas residências foram as características rústicas do lugar, trazendo alterações socioespaciais mais acentuadas no Pontal de Coruripe e envolvendo o poder público, os turistas, veranistas e a comunidade local. É preciso considerar também que os serviços da hotelaria e meios de alimentação vão se desenvolver através da crescente ascensão das segundas residências, e as poucas iniciativas de ordenamento territorial por parte dos órgãos competentes.

  • LEANDRO BARROS DE SANTANA
  • FRAGILIDADE E VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NA REGIÃO METROPOLITANA DE ARACAJU
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 26/02/2019
  • Tese
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  • A rápida urbanização da população brasileira, a partir da década de 1950, gerou uma desordenada expansão das cidades, sobretudo daquelas que compõem as regiões metropolitanas, nestes locais as políticas incentivadoras da metropolização superpuseram infraestruturas urbanas a sítios inadequados a ocupação, por se constituírem em áreas susceptíveis a processos naturais perigosos. Os municípios pertencentes à região metropolitana de Aracaju não fogem a este quadro. Assim, com o objetivo de identificar e espacializar os setores da população dos municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão em situação de vulnerabilidade social e ambiental foram elaborados os índices sintéticos de vulnerabilidade social e a fragilidade ambiental com base no conceito de Ecodinâmica de Tricart (1977), através das metodologias desenvolvidas por Ross (1994) e Crepani (1999, 2001). O índice sintético de vulnerabilidade social foi extraído do banco de dados do IBGE (2010), agregado por 1136 setores censitários, foram selecionadas 369 variáveis que através da estatística multivariada foram reduzidas a 21 variáveis relacionadas à educação, renda, condições da habitação e arranjo familiar. Todas as informações cartográficas foram preparadas em ambiente de sistemas de informações geográficas e posteriormente espacializadas. Foram gerados os mapas de litologia, geomorfologia declividade, solos e uso da terra, além dos mapas com os indicadores sociais envolvendo educação, renda, condições de habitação e arranjo familiar. A cartografia da vulnerabilidade social mostra que os índices mais preocupantes estão distribuídos espacialmente nas periferias dos quatro municípios da região metropolitana, com jovens analfabetos entre 10 a 19 anos com baixos rendimentos financeiros, comprometidos com a subsistência das suas famílias, sendo responsáveis pelos domicílios e habitando locais precários. Concentração de mulheres maiores de 64 anos de idade como chefes de família e analfabetas no centro e nos bairros a norte e oeste da capital. Saneamento básico deficitário nos loteamentos edificados nas franjas das sedes municipais e conjuntos habitacionais de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros, além dos bairros Porto Dantas, Santa Maria e Zona de Expansão em Aracaju. Tais indicadores coincidiram com as áreas de alta e muito alta fragilidade potencial com 169,62 km2 de extensão (25,53% da área estudada) abrangendo as planícies fluviais do Vaza-Barris, Paramopama, canal Santa Maria, Poxim-Mirim e Poxim-Açu, Poxim, do Sal e canal do Pomonga, os terraços holocênicos de Aracaju e Barra dos Coqueiros. Áreas suscetíveis a inundações em épocas de chuvas concentradas em curtos períodos de tempo, principalmente durante o outono-inverno conjugada com as altas marés de sizígia. No bairro Santa Maria, apresenta riscos dos movimentos de massa aliados às altas declividades (superiores a 30%) pela presença do Morro do Avião e Piçarreira. Risco semelhante ocorre nos bairros Porto Dantas, Coqueiral, Cidade Nova e Industrial e na cidade de São Cristóvão. O presente trabalho sugere que as autoridades competentes através da análise da fragilidade ambiental e vulnerabilidade social planejem e executem politicas públicas compensatórias para atenuar os índices elevados de exclusão social, como exemplo ampliar a oferta de serviços de educação e saúde nas localidades mais carentes, redistribuição de renda através de programas sociais, obras de infraestrutura para atenuar os alagamentos e movimentos de massa, fiscalização constante para coibir a ocupação de áreas de proteção permanente e inadequadas à moradia.

  • LUCIANA CHAGAS UCHÔA DE MENDONÇA PEREIRA BATISTA
  • DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: ARRANJOS INSTITUCIONAIS E AÇÕES PÚBLICAS EFETIVADAS NO TERRITÓRIO DO LITORAL NORTE ALAGOANO
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 25/02/2019
  • Dissertação
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  • O estudo se propôs analisar as relações existentes entre os arranjos institucionais que atuam direta ou indiretamente na gestão social do desenvolvimento territorial e das ações públicas efetivadas no Território do Litoral Norte Alagoano, fazendo um diagnóstico sobre a intervenção dessas ações no processo de desenvolvimento territorial e avaliando se de fato elas alavancaram o crescimento social e econômico da população residente nesta área do Estado de Alagoas, por ser uma área com condições climáticas, econômicas e sociais distintas. O estudo foi iniciado com levantamento histórico do processo seguido pela sistematização das principais fases do processo de descentralização da região, centrando-se na experiência da atuação do Colegiado Territorial enquanto arranjo mas com forte poder de decisão e de busca por políticas públicas. Foi realizada análise dos arranjos institucionais existentes bem como seus níveis de atuação e das ações públicas implementadas por meio do Programa dos Territórios da Cidadania, além da avaliação da eficácia da ação estatal e da questão da participação social no planejamento, implementação e acompanhamento das estratégias de desenvolvimento da região. Inicialmente foi realizada revisão bibliográfica sobre o tema além da análise documental e entrevistas abertas e semiestruturadas. Como resultado da pesquisa, pretendeu-se contribuir com reflexões para dinamização e qualificação dos processos já existentes de aplicação dos recursos públicos através das ações já implementadas pelos atores públicos envolvidos junto ao Território. Insta salientar que a complexidade do Programa Territórios da Cidadania, inicialmente planejado e formatado pelo Governo Federal, mas cuja execução ficava a cargo das instâncias locais, terminava pondo em destaque os conflitos sociais no campo e a queda de braços dos grupos existentes na composição do Colegiado quanto as relações de poder e o posicionamento político do Estado no Território. Por fim, nota-se que o Território teve grande aporte de recursos via PTC, sendo que nem todas as ações se deram através do Colegiado, mas que deve se analisada da mesma forma, pois o número de ações que poderiam ter sido implementadas através de uma gestão social coesa é consideravelmente importante para uma reflexão analítica.

  • ROSANGELA FÁTIMA DE OLIVEIRA MACHADO
  • Territorialização da saúde: distância entre determinantes ambientais e o cotidiano da saúde, no contexto de Lagarto (SE).
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 14/02/2019
  • Tese
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  • A Atenção Primária à Saúde tem como um de seus pilares o vínculo construído entre profissionais e população. A territorialização da saúde é uma das ferramentas para identificar aspectos sociais e ambientais que possam contribuir para reflexão e ações mais adequadas a cada lugar, conforme suas demandas específicas. A Constituição Federal apregoa a promoção da saúde e prevenção de agravos como componentes fundamentais no cotidiano do trabalho da equipe. Embora a revolução bacteriana tenha enfraquecido essa tese por um tempo, os determinantes socioambientais continuaram sendo estudados e nos últimos anos passou a ter uma relevância mundial, a partir das considerações e encaminhamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS) aos seus países filiados. No entanto, o modelo biomédico, centrado no corpo, ainda predomina. As propostas relacionadas à identificação do território e seus determinantes como componentes do processo saúde-doença não têm sido considerados com a ênfase que se faz necessária. O resultado disso se traduz em alto índice de doenças tipicamente de origem ambiental. O objetivo do presente trabalho é pesquisar como os determinantes ambientais são observados, percebidos, retratados, relacionados e trabalhados pela equipe de saúde, no município Lagarto (SE), no interior do território estabelecido como área de atuação. Os procedimentos metodológicos fundamentam-se na pesquisa de natureza qualitativa, que proporciona uma compreensão mais profunda em relação à percepção e ação dos profissionais da saúde. A pesquisa documental, entrevistas e estudo de campo com as equipes de saúde favorecem a construção do estudo. Os resultados confirmam a importância da inclusão de forma enfática dos determinantes ambientais nas ações em saúde e mostram a possibilidade de construção de um modelo que contribua para inseri-los na agenda da rotina dos profissionais da equipe de saúde da família. Lagarto (SE), município pesquisado, é exemplo das iniquidades e problemas associados ao abastecimento de água e saneamento, por conta de suas características de porosidade e permeabilidade do solo, tipo aquífero granular que contaminam o lençol freático. Portanto, o território deve ser a prioridade da atuação dos profissionais, o lugar da escuta, além de que a saúde seja mais relevante do que a doença.

  • TAMIRES APARECIDA BATISTA DE OLIVEIRA
  • DA CONSTITUIÇÃO A CONSOLIDAÇÃO: A ORGANIZAÇÃO E A (RE)PRODUÇÃO DO ESPAÇO NO ASSENTAMENTO CHE GUEVARA EM LAGARTO (SE)
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 04/02/2019
  • Dissertação
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  • A internalização da reforma agrária como pauta de diferentes movimentos sociais é considerada um marco histórico no processo de transformações no meio agrário brasileiro. A composição dos assentamentos rurais integra um conjunto de transformações socioeconômicas, que consolidaram a formação destas novas unidades de produção rural, que refletem a luta pela democratização do acesso à terra nas últimas décadas. Os resultados das políticas que visavam a ampliação da reforma agrária repercutiram na manutenção e consolidação dos assentamentos rurais. Ao realizarmos um panorama histórico acerca das primeiras pautas do movimento MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o seu posicionamento na última década, é evidente a necessidade de discutir a efetividade dos atuais mecanismos de constituição dos assentamentos rurais face às contradições existentes. É notório que a questão dos assentamentos possui diferentes faces de acordo com a vivência do agricultor e as etapas que se sucedem no cotidiano do seu lote. Deste modo, considerando estas discussões, este trabalho teve por objetivo compreender as dinâmicas socioespaciais do Assentamento Che Guevara, localizado no município de Lagarto (SE). Focalizamos nosso debate na constituição e na consolidação de áreas de assentamentos rurais de reforma agrária, sob o lastro da produção e reprodução do espaço, bem como do cotidiano e vivência das famílias assentadas. Para essa abordagem, utilizou-se a pesquisa de campo como via principal para coleta de dados, que foram analisados sob a perspectiva do método dialético como construtor de uma interpretação do real que vai além de uma representação caótica do todo, típico das vivências cotidianas. Logo o método dialético pode auxiliar neste processo. Por meio do roteiro de entrevistas e aplicação de questionários e coleta de dados secundárias (IBGE, INCRA, entre outros), buscou-se realizar uma análise da trajetória social e a dinâmica do espaço agrário dos produtores que integram o assentamento. Verificou-se uma complexidade no assentamento, e observando elementos ligados a monetarização da vida social desta unidade, que foram irremediavelmente inseridas na estrutura capitalista, onde autoconsumo e comercialização integram essa dinâmica. Dessa forma, este trabalho acentua a importância em conhecer o processo de luta pela terra do assentamento Che Guevara, materializado com a constituição, até sua consolidação enquanto organização, produção e de sua reprodução na qual certamente poderemos extrair suas particularidades em termos da sociabilidade.

  • BRUNA LEIDIANE PEREIRA SANTANA
  • AVALIAÇÃO MORFODINÂMICA E FRAGILIDADE AMBIENTAL DA PAISAGEM DO SISTEMA HIDROGRÁFICO DO RIO ARAUÁ/SERGIPE
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 31/01/2019
  • Dissertação
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  • A organização espacial dos sistemas ambientais como as bacias hidrográficas resultam

    de interações biofísicas e antrópicas que dinamizam o fluxo de energia e matéria. As

    diferentes propriedades inerentes a esses sistemas definem sua fragilidade e

    potencialidade ambiental. Considerando a importância da temática para evidenciar a

    relação sociedade/natureza, o trabalho objetivou avaliar as condições ambientais do

    sistema hidrográfico do rio Arauá com ênfase nas fragilidades dos componentes da

    paisagem em relação ao uso e ocupação das terras. O aporte teórico-metodológico está

    alicerçado na abordagem sistêmica com destaque para as contribuições de Tricart

    (1977), Ross (1994) e Crepani et al. (1996; 2001). Esta análise possibilitou a

    compartimentação do sistema hidrográfico do rio Arauá nas unidades de paisagem

    Tabuleiro do Rio Real e Tabuleiro Costeiro. O Tabuleiro do Rio Real constitui-se da

    subunidade de Paisagem Superfície Pediplanada, subunidade de Paisagem Dissecada

    em Colinas e Espigões e subunidade de Paisagem Superfície Residual com

    características morfodinâmicas condicionadas, principalmente pela declividade e solos.

    Quanto a fragilidade ambiental, predominam as classes de instabilidade potencial baixa

    e muito forte e as classes de média e baixa para instabilidade emergente. No Tabuleiro

    Costeiro, a subunidade de Paisagem Superfície Subhorizontal Degradada e Subunidade

    de Paisagem Dissecada em Vertentes apresentaram atuação morfodinâmica

    potencializada pela declividade e pelo atual uso e ocupação das terras. Na fragilidade

    potencial prevaleceu a média e muito forte e na fragilidade emergente a média e forte.

    Atuação morfodinâmica nas subunidades é sinalizada pela presença de feições erosivas

    como sulcos, terracetes e pontuais movimentos de massa e a instabilidade evidenciada

    no sistema tem reflexos negativos sobre os recursos hídricos.

2018
Descrição
  • RAQUEL KOHLER WYPYSZYNSKI
  • INTERAÇÕES ENTRE VEGETAÇÃO E AS ÁREAS CENTRAIS DE ARACAJU/SE E MACEIÓ/AL: ÍNDICE SOCIOECOLÓGICO E PAISAGÍSTICO URBANO
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 10/12/2018
  • Tese
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  • A partir da discussão da temática sociedade-natureza, aborda-se os aspectos referentes à complexa relação entre vegetação e paisagem urbana. Entende-se que a função da vegetação neste contexto extrapola a estética, uma vez que pode constituir-se em uma infraestrutura funcional e influir positivamente na qualidade ambiental, social e econômica. A revisão bibliográfica aponta que indicadores e índices urbanos como subsídio para políticas públicas e para o planejamento são amplamente utilizados, observando-se no entanto, uma fragilidade no que se refere especificamente a indicadores e índices relacionados a vegetação urbana. A partir desta consideração, o propósito da tese foi desenvolver um instrumento de análise da vegetação na paisagem urbana para prover aos tomadores de decisão um suporte para o planejamento e a gestão, com base na visão ecossistêmica da cidade. A metodologia consiste em um conjunto de dez indicadores que ponderados resultam no Índice Socioecológico e Paisagístico Urbano. Os indicadores propostos baseiam-se na mensuração da vegetação urbana a partir de categorias espaciais determinadas pelas suas funções específicas, relacionando-as com os graus de artificialização da paisagem, com a diversidade das espécies e com a distribuição espacial da população residente. Os dados espaciais vetoriais e o banco de dados alfanuméricos da Grade Estatística do IBGE, as técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, bem como os softwares escolhidos se mostraram eficazes para a finalidade da pesquisa. E a partir da análise dos dados coletados junto aos órgãos públicos, trabalhos de campo e interpretação das imagens de satétite, a metodologia proposta foi testada em recortes espaciais correspondente as áreas centrais de Aracaju/SE e Maceió/AL, possibilitando a comparação de dados, bem como os ajustes na metodologia. Os resultados dos indicadores e do índice, dos recortes espaciais analisados ficaram abaixo do patamar considerado adequado, sendo que os desequilíbrios encontrados referem-se especialmente a alta artificialização da paisagem, impermeabilização do solo e a baixa quantidade de vegetação em algumas categorias espaciais. Também destaca-se o não atendimento as especificidades locais em relação aos ecossistemas naturais, a fragmentação e a distribuição e diversidade desequilibrada da vegetação. Os resultados da pesquisa apontaram que os indicadores e o Índice socioecológico e paisagístico urbano propostos são adequados e que a metodologia pode ser aplicada em diferentes escalas e contextos urbanos. Em que pese a sua importância para análise de tendências futuras, a proposta mostra-se como um sistema passível de ser retroalimentado para avaliação sistêmica das práticas de planejamento e da gestão do verde urbano.

  • LUAN LACERDA RAMOS
  • MATERIALIDADES E SIMBOLISMOS DO BARCO-DE- FOGO
  • Data: 06/12/2018
  • Dissertação
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  • A produção de Barco-de-fogo é uma atividade tradicional que singulariza o município de Estância, Sergipe. Consiste em um pequeno barco de madeira e papelão enfeitado com criatividade e “recheado” de tabocas com pólvora que atado a um longo varal se desloca pela combustão da pólvora encerrando um espetáculo de cores e sons únicos em poucos segundos de percurso. Nesta prática os produtores desse artefato imprimem um conjunto de materialidades e significados que vivificam as ruas do município durante os festejos juninos. Nosso maior propósito foi analisar as territorialidades dos produtores de Barco-de-fogo do bairro Porto D’Areia considerando suas práticas e as projeções futuras deste saber-fazer, pois sua produção teve origem nesse bairro. A pesquisa é delineada pela abordagem da pesquisa qualitativa e de estudo de caso, trilhada pelos pressupostos do método da fenomenologia da percepção. Os procedimentos da pesquisa compreendem a aplicação de entrevistas semiestruturadas, observação livre, levantamento e registro fotográfico, coleta de dados em fontes institucionais e revisão bibliográfica. Os dados e informações levantados por esses procedimentos são tratados pela análise do discurso (Orlandi, 2009) em paralelo ao mapeamento de itinerários – indicado para que o pesquisador, tomado como forasteiro em relação aos sujeitos residentes no local da área de estudo, possa conhecer os delineamentos territoriais apontados pelos próprios sujeitos envolvidos direta ou indiretamente no fenômeno investigado (Tim Ingold, 2005). Os encaminhamentos da pesquisa permitiram alcançar os objetivos específicos de conhecer as atividades e as ocupações dos sujeitos produtores de Barco-de-fogo; avaliar as materialidades e os significados dessa produção para os produtores; apreender as perspectivas de futuro dos produtores e compreender o grau de importância econômica, social e cultural dessa produção em múltiplas escalas. Constatou-se que a delimitação territorial dos produtores desvela uma história que legitima a relação entre produtores e comunidade, demonstrando que o Barco-de-fogo é tomado como símbolo cultural e identitário do município de Estância e de Sergipe. Constatou-se também que pelo saber e, como expressam, pela “ciência” do Barco-de-fogo, significam o presente e as expectativas para com o futuro da tradição.

  • MARIA SALOMÉ LOPES FREDRICH
  • Tramas territoriais de tessituras multidimensionais em Comunidades Quilombolas na Paraíba
  • Data: 10/10/2018
  • Tese
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  • A resistência da população negra na Paraíba, frente às crueldades da escravidão e em diversos contextos, que formaram territórios de resistência e de vivência – como os quilombos –, têm sido recentemente recuperada com olhares mais críticos, inclusive na ciência geográfica, sobremaneira, em pesquisas que tomam a abordagem cultural como aporte teórico-metodológico. É nessa perspectiva que nossa análise se insere. Nesse estudo recuperamos a vivência, os significados, o cotidiano, a multidimensionalidade das redes alicerçadas nas estratégias de mobilidade e de permanências, enfatizando como os territórios e as territorialidades das comunidades quilombolas na Paraíba estão sendo apropriados. No sentido posto, buscamos analisar as dinâmicas e as tramas territoriais de Pedra D’Água, localizada no município de Ingá, na Mesorregião do Agreste Paraibano. Procuramos reconstruir a ascendência histórica e os referenciais multidimensionais entre os territórios de Pedra D’Água, Matão, Grilo e Matias. A abordagem se faz a partir das situações do presente e da escala local, porém sem desprezarmos as escalas mais amplas. As redes estabelecidas pelas comunidades quilombolas possibilitam territorialidades multidimensionais, notadamente pelas dimensões de pertença material e simbólica projetadas sobre o território de uso tradicional. Assim, os argumentos foram construídos, fundamentalmente, na discussão de território, rede, territorialidade e identidade, entrelaçando a correspondente relação entre a materialidade e imaterialidade do território, e autores como Raffestin (1993), Bonnemaison (2002), Almeida (2005, 2008), Haesbaert (2004, 2009), Souza (2003), Almeida e Vargas et al. (2011), Vargas (2015), Marques (2015), Santos (2015), Hall (2011), Rodrigues (2011), Bauman (2005), entre outros, auxiliam nessa interpretação. A transversalidade constituiu a fase basilar para fins de análise e dos resultados, e assim percorremos por algumas situações analíticas acerca das práticas de resistências das comunidades quilombolas, tais como: a territorialidade dos quilombolas de Pedra D’Água envolve, entre outras questões, uma rede de sociabilidades entre grupos que expressam sua identidade diferenciada? Há uma unidade de práticas culturais e um universo simbólico compartilhado via redes entre Pedra D’Água, Matão, Grilo e Matias? As territorialidades emanadas da apropriação do território de vivência marcam a identidade negra e quilombola em Pedra D’ Água? Procedemos às pesquisas documentais na Seção Regional do INCRA/PB e nos portais oficiais da FCP e da SEPPIR. Também levantamos informações na literatura sobre o tema na Paraíba, além dos trabalhos de campo nos referidos territórios, especialmente, em Pedra D’Água, nos quais foi possível recorrer as falas dos interlocutores e das interlocutoras por apreendermos que esse exercício se faz indispensável na interpretação dos referenciais sociais, culturais e políticos. Concluímos que as territorialidades surgem em meio ao liame entre o permanecer no território e as mobilidades, que numa perspectiva mais abstrata, mediam outras relações em termos espaciais, voltadas às interações e (re) criação de sociabilidades e territorialidades mediadas pelas demandas e articulações eminentemente identitárias e políticas.

  • MAX ALBERTO NASCIMENTO SANTOS
  • Na dissimulação do Turismo, a estruturação da especulação imobiliária no Litoral de Sergipe
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 09/10/2018
  • Tese
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  • Até a construção das pontes litorâneas a partir da década de 1990, os municípios da zona costeira sergipana apresentavam fragilidade de comunicação viária para a realização de atividades turísticas, entre outras. Após os anos 1990, uma nova orientação de desenvolvimento econômico se processou no país com a adoção de políticas públicas associadas a acordos internacionais com agências multilaterais para o desenvolvimento pelo turismo, especialmente no Nordeste brasileiro. O estado de Sergipe seguiu essa tendência de investimentos para o desenvolvimento do turismo com a construção de rodovias litorâneas, interligações hidroviárias, construção de pontes e a criação de outras infraestruturas para o turismo, que facilitou, intensificou e diversificou fluxos geográficos dos municípios da zona costeira e contribuiu de modo significativo na (re)produção deste espaço . O objetivo desse estudo é analisar a dinâmica regional e as reconfigurações territoriais que se processaram no litoral sergipano depois da instalação da infraestrutura de pontes e rodovias, sustentado na tese de que: as políticas públicas de implementação de infraestruturas (pontes e rodovias) na fachada litorânea de Sergipe, justificadas pelo discurso do desenvolvimento do turismo, elitizam e intensificam a segregação socioespacial dessa porção do litoral sergipano, por promover e dar suporte à facilitação da entrada do capital especulativo por meio da intensificação dos fluxos, sobretudo na implementação de investimentos imobiliários privados, que (des)territorializam, supervalorizam a terra, atraem novos investimentos, geram impactos ambientais e desencadeiam acentuados contrastes sociais e paisagísticos, além de intensificarem a dinâmica regional. A pesquisa proposta está assentada na análise dialética, considerando as contradições da produção do turismo e o papel do Estado na condução dessa política pública que na promoção do turismo, (re) produz a segregação socioespacial e a valorização do capital, via empreendimentos imobiliários.

  • JOSÉ DANILO SANTOS CAVALCANTI DE ARAUJO
  • A MOBILIDADE DO CAPITAL COMO MARCA DA ACUMULAÇÃO CAPITALISTA NA MINERAÇÃO
  • Data: 31/08/2018
  • Dissertação
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  • Desde o processo de ocupação/invasão do/no território sergipano, a exploraçãodos recursos minerais esteve respaldada no desenvolvimento das relações deprodução capitalista, materializadas nas incursões exploratórios para localizarreservas minerais que legitimassem e viabilizassem a ocupação do território. Asexpedições mineralógicas consubstanciavam-se para a acumulação primitiva quegarantiu as condições objetivas da consolidação do capitalismo europeu. Partindodesse pressuposto a presente pesquisa teve como objetivo analisar asarticulações Estado-Capital-Trabalho na viabilização da exploração mineral noBaixo Cotinguiba. A referente pesquisa está ancorada no método do materialismohistórico dialético e busca refletir o real concreto de forma processual a partir dascontradições estabelecidas historicamente na relação capital/trabalho em suatotalidade. Nossos estudos permitem afirmar que a mineração passou a serelencada como atividade motriz para o desenvolvimento socioeconômico emSergipe, a partir da segunda metade do século XX, através da ideologiadesenvolvimentista, nesse processo, o Estado assume o papel de indutor dodesenvolvimento, atuando na realização de estudos mineralógicos que resultaramna descoberta de reservas de petróleo, gás natural, sais potássicos, calcário esalgema, além da garantia de infraestrutura necessária à circulação-mobilidade docapital, na construção de portos marítimos, implementação de rodovias e de umsistema dutoviário. Com a emergência da crise estrutural, o modelo do Estadointerventor tornou-se insuficiente para atender as demandas do capital e o EstadoNeoliberal assumiu a tônica do desenvolvimento capitalista, reorganizando a basede reprodução social e difundindo a privatização e a tercerização. No bojo dessaconjuntura a mobilidade do capital reificada na privatização e terceirização revela-se como espectro da ativação dos limites últimos absolutos do capital, substanciaesse processo, a privatização da Vale e sua posterior captura pela MosaicCompany, transnacional com sede nos EUA e pertencente ao grupo Cargil, alémda privatização da Petrobrás de forma paulatina mediante a concessão doscampos de exploração de petróleo e gás natural, privatização de empresassubsidiárias como a Fafen-Sergipe, como também a terceirização das atividadesoperacionais da empresa ao capital privado nacional e internacional. De formacomplementar a esse processo o Estado atua legitimando a intensificação daexploração e precarização do trabalho, submetendo a classe trabalhadora apadrões de acumulação flexível, como a terceirização das atividades e a retiradade direitos trabalhistas. A mobilidade do capital é a marca da lógica capitalista deacumulação na exploração mineral que subjuga as necessidades humanas aoimperativo do capital e transforma o trabalho em carcaças do tempo.

  • CESAR AUGUSTO FRANÇA RIBEIRO
  • Limites e Fronteiras: perspectivas emancipatórias no povoado São José da Caatinga em Japaratuba / SE
  • Data: 30/08/2018
  • Dissertação
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  • Partimos do pressuposto de que as atuais formas, delimitações, limites e fronteiras da atual malha territorial brasileira decorrem de um longo processo de mudanças. Neste contexto, a criação de municípios é um tema que gera infindáveis reflexões, haja visto, o caráter geográfico, político e social que intrinsecamente se encontram neste tema. A fim de contribuir com essa temática, nos propomosanalisar as relações políticas e cotidianas que possibilitam ou não as intenções emancipatórias no povoado São José da Caatinga em Japaratuba /SE. Para tanto, temos como objetivos específicos apreender as origens e a evolução sócio espacial do povoado; compreender as transformações nas leis que versam sobre emancipação municipal e suas implicações na malha territorial sergipana; compreender as bases político-jurídica e simbólico-cultural que sustentam os movimentos reivindicatórios da emancipação; comparar as fronteiras intencionadas com as fronteiras político-administrativas. Valemos-nos da abordagem hermenêutico-fenomenológica ancorada em Heidegger (1989; 2003; 2015), para que se torne possível compreender as relações de cotidianidade dos moradores do povoado e os seus quereres territoriais. As reflexões deste estudo estão amparadas na categoria território, tendo como principais teóricos Raffestin (1993) para a análise das relações de poder; Cigolini (2012), Cataia (2001) e Ratzel (1990) para as reflexões político-institucionais; Dardel (1999), Bonnemaison (2002) e Holzer (1997) para as reflexões simbólico-identitárias. Metodologicamente foi utilizado o estudo de caso como abordagem qualitativa para compreender o fenômeno emancipatório de maneira particular no povoado. Com base no exposto consideramos que tanto o poder da linguagem política constitucional, quanto às relações cotidianas podem construir territórios no espaço geográfico. Por um lado, há instituição do território municipal, por outro lado a ‘delimitação’ que é envolta por relações simbólicas e identitárias que geram marcas no território.

  • RAÍ VINÍCIUS SANTOS
  • PERCEPÇÃO SOBRE A VEGETAÇÃO NO MUNICÍPIO DE CALÇADO-PE
  • Orientador : GICÉLIA MENDES DA SILVA
  • Data: 30/08/2018
  • Dissertação
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  • Historicamente, o homem se apropria da terra numa busca inerente à sua existência e manutenção. Por vezes, esta relação caracteriza, através do olhar sobre o fenômeno, o modo pelo qual se dá o processo de uso de uma determinada paisagem. Assim, este trabalho apresenta, como objetivo geral, analisar a relação da população do Distrito Pitombeira, Calçado-PE, com a vegetação nativa, bem como suas práticas na evidenciação de conservação e potencial econômico. Para tratar a discussão, foram abordadas categorias analíticas fundamentais no âmbito da Geografia, assim como as reflexões sobre a questão ambiental em consonância à Geografia Humanística, orientadas pelas perspectivas de Yi-Fu-Tuan e Dardel (1953), na compreensão da realidade por meio da experiência vivida do sujeito. Assim, o estudo assume uma postura humanista cultural, pois trata de questões que se estabelecem a partir da percepção do homem sobre o seu meio. O método utilizado para alicerçar esta pesquisa fundamenta-se no método de estudo de caso, que se enquadra na perspectiva que busca a interpretação do mundo através da consciência do sujeito, formulada com base em suas experiências. Para a coleta de dados, foram realizadas entrevistas focalizadas com uma amostra por saturação, que evidenciaram, a partir da fala e do contato direto com o objeto, as variáveis que fomentaram as análises subsequentes. Ainda sobre os caminhos metodológicos, adotou-se, como balizador dos dados obtidos, a técnica proposta por Bardin (2011), determinando a organização e as reflexões quanto aos resultados. Neste sentido, as conclusões revelam que o relacionamento dos sujeitos com a vegetação nativa perfaz, sobretudo, um caminho que está entre a exploração e o pertencimento, e isso tem feito emergir aspectos que enriquecem o debate no campo geográfico, pois caracterizam as realidades que propiciam a compreensão de suas categorias analíticas.

  • JECSON GIRÃO LOPES
  • O CONHECIMENTO DO MUNDO COMO GEOGRAFIA FILOSÓFICA E FILOSOFIA GEOGRÁFICA EM IMMANUEL KANT.
  • Data: 30/08/2018
  • Tese
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  • Immanuel Kant (1724-1804), filósofo que ficou conhecido pela mudança nos rumos dopensamento filosófico ocidental, por aquilo que ele chamou de despertar do sonodogmático, ou ainda de revolução copernicana do pensar, a filosofia crítica, lecionougeografia na universidade de Königsberg no ano de 1756, iniciou sua carreira docente,até 1796, fim de suas atividades oficiais de docência na universidade, perfazendo umtotal de 49 cursos de geografia ao longo de 40 anos de ensino. A geografia, portanto,passa por todas as etapas de desenvolvimento docente acadêmico e de sua filosofia,desde o período chamado de pré-crítico, antes de 1781, ao período crítico, das críticasda Razão Pura (1781A/1787B), da Razão Prática (1788) e da Faculdade de Julgar(1790), mostrando o papel insubstituível que a geografia teve no desenvolvimento desuas atividades docentes e filosóficas, ao ponto de ser considerada como oconhecimento do mundo sem o qual não se avançava ao filosofar crítico, não escolar,mas esclarecido e mundano, dado espaço-temporalmente. Kant, nesse sentido,desenvolve uma relação estreita entre uma filosofia que se manifesta geograficamente euma geografia eminentemente filosófica. Assim, a relação entre filosofia e geografia edesta com a filosofia no pensamento do professor de geografia e filósofo deKönigsberg, bem como as nuances que dessa relação emergem, é o objetivo central denossa empreitada investigativa, que será evidenciada pela complexidade que a geografiapara Kant vai se tornando ao longo do tempo, por ser a ciência que concatena a relaçãoentre o ser humano e a natureza, fundamentando as relações humano-naturais dentro doslimites das fronteiras do conhecimento científico humanamente válido, o fenomênico,tanto do ponto de vista universal quanto singular. No desenvolvimento da pesquisa,passamos por obras que se estendem dos anos de 1755 ao período pós Terceira Críticade 1790, mostrando que a relação espaço-temporal, geográfica, natural-humana, doconhecimento do mundo em Kant se estabelece por uma relação dinâmica, que resultaem uma sistematicidade e uma organicidade que é não só mecânico-causal, mas tambémteleológica, que carece de observação, descrição e explicação, portanto, de uma filosofiageográfica e de uma geografia filosófica, sem a qual não se aprende a filosofar, logo,não se esclarece e não se torna um cidadão geográfico, do mundo.

  • MARIA MORGANA SANTOS SANTANA
  • A MOBILIDADE DO TRABALHO EM COMUNIDADE CAMPONESA DO MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES (MPA) NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Data: 29/08/2018
  • Dissertação
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  • As transformações resultantes do ápice do capital engendraram um processosimultâneo da materialização da riqueza/pobreza no campo, em que produzconcomitantemente a expropriação e a mobilidade do trabalho dos sujeitos oriundos daterra, nessa direção a presente dissertação de mestrado tem como objetivo analisar amobilidade do trabalho diante do processo de subordinação/resistência dos camponesesem meio a lógica do agronegócio do milho no Alto Sertão Sergipano, maisespecificamente na comunidade camponesa do Garrote do Emiliano que faz parte doMovimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A pobreza, a expropriação e amobilidade do trabalho são mazelas sociais que foram intensificadas no campobrasileiro após a década de 1990, sobretudo, por meio da ação do Estado funcional areprodução do capital. A presente dissertação está ancorada no materialismo históricodialético, vez que este método permite analisar o espaço a partir das contradições.Foram feitas leituras bibliográficas de autores que abordam a temática – especialmentegeógrafos, sociólogos, e historiadores – que possuem uma visão dialética de mundofundamentada na totalidade das relações sociais historicamente estabelecidas, comotambém foram realizados trabalhos de campo na comunidade estudada. Os resultadosdessa pesquisa revelam que o camponês é posto na qualidade de trabalhador móvel pelocapital, garantindo desta forma a intensificação da extração de mais-valor. Diante dessasituação, a mobilidade do trabalho se expande, conduzindo camponeses da comunidadedo MPA a um movimento sazonal que os leva para os estados de São Paulo e Goiás. Aoutra face desse processo se expressa nos camponeses que permanecem na terra e sãoinseridos na lógica de acumulação do capital por outros mecanismos de subordinaçãodo trabalho e da produção camponesa, como ocorre na comunidade Garrote doEmiliano. Por um bom tempo estas famílias usaram o crédito proveniente de políticaspúblicas para se sustentar, mas em contrapartida comprometem sua autonomiacamponesa por serem forçados pelas regras dos contratos dos empréstimos a seadequarem ao pacote que atende aos interesses do agronegócio, e do grande capital.

  • MARIO JORGE SILVA SANTOS
  • A (RE)PRODUÇÃO DA SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL NA REGIÃO METROPOLITANA DE ARACAJU(SE): INTERFACES DA AÇÃO DO ESTADO E DO CAPITAL
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 28/08/2018
  • Tese
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  • O tema segregação socioespacial pode ser discutido sob vários aspectos. As diferenciações socioespaciais nas cidades estão cada vez mais acentuadas, observando-se a constituição de processos segregativos que as retalham e constituem espaços de riqueza e de pobreza. A capacidade de apropriação do espaço pelos grupos sociais produz uma organização espacial própria, onde é possível identificar a dinâmica das relações sociais impressas espacialmente. É importante compreender que a reprodução capitalista encontra no Estado o veículo de dominação da classe trabalhadora e facilitador do enriquecimento em benefício da classe dominante. É o aparato institucional essencial das estratégias de classe, tornando as cidades adequadas em todos os aspectos para acumulação capitalista.. Para Carlos (2013), a segregação socioespacial é resultado contraditório da produção social da cidade e sua apropriação privada. A existência da propriedade privada da riqueza apoiada numa sociedade de classe e a constituição do espaço como valor de troca geram a luta pelo “direito à cidade”. Diante desses pressupostos teóricos, a presente tese tem como objetivo analisar a (re)produção da segregação socioespacial na Região Metropolitana de Aracaju(RMA) vinculando essa produção a ação do Estado e do capital que através das políticas de habitação construíram ao longo do tempo (1968-2014) conjuntos e empreendimentos habitacionais na região, tendo como consequência a divisão do espaço por classes sociais e a transformação da habitação em uma mercadoria, servindo à lógica de reprodução do capital financeiro imobiliário. A Região Metropolitana de Aracaju (RMA) localizada no estado de Sergipe, nordeste do Brasil, é um aglomerado urbano regional, legalmente estabelecido e constituído pelos municípios de Aracaju (SE), Barra dos Coqueiros (SE), Nossa Senhora do Socorro (SE) e São Cristóvão (SE). A dimensão e o crescimento urbano de Aracaju, a principal cidade da região metropolitana, avançaram na sua expressão espacial em direção aos municípios vizinhos formando uma única mancha urbana, uma produção marcada por um processo de fragmentação, hierarquização e segregação socioespacial. As políticas de habitação da COHAB/SE, INOCOOP/BASE, PAR e do PMCMV são tomadas para explicar esse processo de produção do espaço urbano regional segregado, subordinando sua produção à lógica do sistema capitalista que em interface com Estado promovem desigualdades nas condições habitacionais e socioeconômicas entre os municípios que formam a região, delimitando verdadeiros territórios de segregação socioespacial na RMA. Na configuração regional atual, o PMCMV é um instrumento do capital para a continuidade desse processo e as contradições dessa política de habitação se expressam na medida em que os empreendimentos habitacionais (2009-2014) fracionam o espaço, elitizam áreas, promovem a periferização da população e (re)produzem a segregação socioespacial em territórios historicamente já segregados. A ação do Estado e do capital, na construção desses empreendimentos habitacionais, portanto, produz uma região metropolitana segregada com determinações impostas numa separação nas condições de vida das populações que vivem nestes territórios, separando as pessoas por sua condição de classe e estruturando, via Estado, as condições necessárias para a mercantilização do espaço na região metropolitana, (re)produzindo ainda mais a segregação socioespacial.

  • JUDSON AUGUSTO OLIVEIRA MALTA
  • FITOGEOGRAFIA URBANA E CONDICIONANTES SOCIOAMBIENTAIS EM ARACAJU-SE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 24/08/2018
  • Tese
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  • A conformação dos espaços urbanos é proveniente de uma construção histórica, resultante das configurações na relação sociedade-natureza que modelam a paisagem. Observa-se na dinâmica fitogeográfica do espaço urbano, um processo dialético entre a tese de seus condicionantes e características naturais e, a antítese de sua elaboração artificial e sociocultural. A paisagem urbana é estabelecida como a cristalização de um fazer social, e a materialização de um projeto político de sociedade que promove a intensificação, e concentração da exploração e dos impactos socioambientais nas cidades. Nessa contextura, a presente tese analisa a dinâmica fitogeográfica na paisagem urbana de Aracaju/SE em seus âmbitos espaciais, estruturais e funcionais através de uma modelagem socioambiental urbana. Com esta finalidade, foram realizados levantamentos de dados bibliográficos, estatísticos e geográficos; além de trabalhos de campo com a utilização de Veículo Aéreo Não Tripulado para elaboração de um acervo audiovisual. Também, foram estudados os aspectos teórico-conceituais, a saber, relação sociedade-natureza, Geografia Socioambiental, Urbanização e a Dinâmica Fitogeográfica que resultaram nas reflexões dos capítulos um e dois. Os dados coletados foram congregados em um banco de dados geográfico, no qual foram realizados processos de edição, restituição, fotointerpretação, modelagem geoestatística, e análises. Esses resultados possibilitaram uma caracterização socioambiental de Aracaju a partir da abordagem integrada das esferas das águas, da terra e do ar e seus impactos (no capítulo três); da urbanização, população e serviços (no capítulo quatro); e por fim, dos usos do solo, dinâmica fitogeográfica e modelagem socioambiental (no capítulo cinco). A partir das análises e resultados, conlui-se que as transformações do espaço urbano, a dinâmica da paisagem, os impactos socioambientais e a fitogeografia, podem ser melhor entendidos a partir das tessituras da relação sociedade-natureza.

  • MARÍLIA MATOS BEZERRA LEMOS SILVA
  • ÁREAS VULNERÁVEIS E FATORES DE RISCO A OCORRÊNCIA DA ESQUISTOSSOMOSE EM SERGIPE
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 23/08/2018
  • Tese
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  • Atualmente, entre as doenças parasitárias que afetam o homem a esquistossomose é uma das mais difundidas no mundo. Em Sergipe, a magnitude de sua prevalência associada à sua importância socioeconômica confere a endemia grande relevância enquanto problema de saúde pública (SVS, 2017). A capacidade de apontar a distribuição espacial desta parasitose, bem como, determinar áreas potenciais a sua ocorrência terá implicações importantes nas ações de planejamento dos programas de controle. Nesta perspectiva, a partir de uma abordagem sistêmica, o presente estudo objetiva avaliar áreas vulneráveis e fatores de risco associados a ocorrência da esquistossomose no estado de Sergipe. O estudo sugerido na tese fundamenta-se na concepção de estrutura epidemiológica definida por Loureiro et al., (1979); na percepção de vulnerabilidade de Cutter (1996); nas contribuições metodológicas de Batelle (DEE, 1973); e no uso de técnicas de geoprocessamento (distribuição e análise espacial - IDW e Krigagem). A pesquisa apresenta-se dividida em três etapas. Inicialmente, realiza um estudo ecológico misto descritivo de séries temporais e analítico para avaliar a evolução e a distribuição geográfica da doença ao tempo que verifica a associação entre as áreas de alta prevalência e variáveis sociodemográficas e ambientais do estado (teste de Mann-Whitney). Ato contínuo, propõe um modelo de avaliação da vulnerabilidade a ocorrência da esquistossomose em áreas endêmicas do estado. Por fim, é realizado um estudo epidemiológico analítico observacional de corte transversal em duas áreas hiperendêmicas, visando apresentar os distintos padrões epidemiológicos e os fatores de risco (regressão logística) associados a transmissão da doença nestas localidades. Na análise temporal realizada não foi evidenciada mudança no perfil epidemiológico estadual, apontando tendência positiva decrescente da esquistossomose para os próximos anos. A despeito de ter se confirmado a hipótese da redução da prevalência constataram-se taxas de infecção humana com situações de positividade muito alta em quase todo o território sergipano. As análises desenvolvidas revelaram indicadores envolvidos na conformação e manutenção da estrutura endêmica, bem como, identificou áreas de atenção prioritária. Foi observado também que indicadores de qualidade de vida e variáveis ambientais estão associados a disseminação da doença no estado. Os estimadores de densidade apontaram vulnerabilidade alta nos territórios da Grande Aracaju, Baixo São Francisco e Sul Sergipano, áreas historicamente endêmicas que apresentam grupos populacionais com alto risco de infecção, validando o modelo proposto. Ademais, apontaram áreas vulneráveis em regiões onde faltam dados concretos de endemização da doença, o território do Médio Sertão Sergipano é citado como exemplo. As análises de regressão logística apontaram associação significativa entre a infecção humana por S. mansoni e as variáveis: gênero, ocupação, escolaridade, renda, condições de habitabilidade e tempo de contato com as fontes hídricas, em ambas as áreas investigadas, apontando diversidade no risco e transmissão da doença. Os produtos gerados no âmbito desta tese doutoral auxiliarão propostas de planejamento e gestão de ações integradoras que visem à promoção da saúde, prevenção da doença e direcionamentos dos programas de controle.

  • ELINE ALMEIDA SANTOS
  • MULHERES PESCADORAS-MULHERES MANGABEIRAS: O DESVELAR DAS TERRITORIALIDADES DAS EXTRATIVISTAS EM INDIAROBA/SE
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 22/08/2018
  • Tese
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  • As populações tradicionais de Sergipe enfrentam problemas socioeconômicos, ambientais e culturais, reflexo da intensa exploração dos recursos naturais, monocultura, especulação imobiliária, desmatamento de campos nativos e cercamento de terras. Envoltas nesse cenário, as mulheres extrativistas testemunham o esfacelamento da atividade e do seu modo de vida. Em Indiaroba, recorte espacial da pesquisa, o extrativismo da mangaba (Hancornia speciosa Gomes), praticado predominantemente por mulher, e a pesca constituem como atividades relevantes para as famílias, uma vez que se manifestam como principais fontes de renda. O estudo em tela apresenta como objetivo central analisar a apropriação biogeográfica dos recursos ambientais a partir do trabalho feminino, destacando o processo de organização das mulheres, formas de resistências e representatividade nas decisões em defesa dos direitos e fortalecimento do grupo social. Território, paisagem e gênero aparecem como categorias norteadoras e fundantes da investigação, em razão de propiciar a compreensão do espaço a partir das relações de poder estabelecidas na apropriação dos recursos ambientais na área de estudo. A abordagem sistêmica e a complexidade entrelaçam a base científica do estudo em evidência, estando tecida a partir da resiliência das comunidades e dos sistemas socioecológicos com a aplicação da metodologia de Indicadores de Resiliência em SEPLS. Os procedimentos metodológicos englobaram observação, registro fotográfico, entrevistas e oficinas de mapeamento participativo e de pontuação dos indicadores. A relevância do estudo da espacialidade de gênero numa perspectiva geográfica está na análise e compreensão da estruturação do trabalho de homens e mulheres nas atividades de base artesanal; da organização social, política e econômica das mulheres; das resistências e dos conflitos diante da concepção de que os recursos ambientais estão se tornando escassos. Além de ressaltar grupos que são excluídos do discurso geográfico. As pescadoras-catadoras de mangaba são as mais afetadas com as transformações locais, posto que devido o processo de degradação do sistema estuário-manguezal, o desmatamento das áreas de restinga e os cercamentos de antigos portos tiveram o aumento das distâncias e do tempo para o acesso aos recursos, prejudicando os rendimentos e diminuindo a produtividade. Além disso, enfrentam as desigualdades assinaladas pela hierarquização de gênero que baseia-se na diferenciação biológica, definindo para as mulheres o espaço privado, da reprodução e aos homens espaço público, da produção. A divisão sexual do trabalho no extrativismo contribue para que as mulheres não ocupem os espaços de poder (o rio/mar, a colônia e associações), para a desvalorização financeira do seu trabalho e para que a sua atuação no setor seja negada. O estuário aparece como espaço interdito, pois a identidade da pesca é masculina. Porém, as pescadoras-marisqueiras mostram que desenvolvem a atividade, dado que ela possui múltiplas facetas e uma delas é feminina. Já o manguezal e a restinga são os espaços da emancipação feminina, pois dominam todas as etapas da atividade desde a coleta até a comercialização. O acesso as áreas de extração tem sido uma das principais reivindicações desse grupo, uma vez que o não contato com os elementos que forjam a sua identidade pode levar a expropriação do seu modo de vida. No processo de fazer e desfazer-se, as extrativistas investigadas, se afirmam no território como pescadoras-mangabeiras, se fortalecem e disputam o poder que lhes é negado.

  • RAFAELA SANTOS PAZ
  • A ESPACIALIDADE DO TRABALHO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SERGIPE
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 17/08/2018
  • Dissertação
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  • Os sujeitos que hoje definimos como crianças e adolescentes, durante o período medieval e sob o modo de produção feudal, eram vistos como adultos em miniatura. A prática laboral realizada por eles é um fenômeno que existe há séculos. No entanto, no modo de produção capitalista, ela é intensificada e ressignificada para atender as necessidades de obtenção do lucro. Marx já revelava a busca pela força de trabalho de crianças e adolescentes nas nascentes indústrias da Inglaterra, onde esses pequenos meninos e meninas eram vislumbrados como necessários à extração da mais-valia absoluta. A continuidade da exploração desses sujeitos na sociedade atual figura as contradições do modo de produção, que perpetua desigualdades sociais. A busca incessante pela recuperação das taxas de lucro, como resultado da crise estrutural, no quadro atual das relações capitalistas, tem provocado sérios problemas à reprodução da classe trabalhadora. Reestruturações que repercutem em transformações profundas no setor produtivo e privilegiamento do financeiro, com desdobramentos agressivos no mundo do trabalho, como o desemprego estrutural, o subemprego, o achatamento dos salários e expropriação de direitos sociais, ampliam na sociedade atual, velhos problemas como a miséria e a pobreza, aprofundando a Questão Social, que tem como uma das expressões, a inserção de crianças e adolescentes na prática laboral, a fim de ajudar seus pais a garantirem a reprodução familiar. Esta pesquisa analisa a realidade da exploração da força de trabalho infantil e adolescente na cidade e no campo do estado de Sergipe, revelando a situação de precariedade a que esses sujeitos estão expostos e dos quais são vítimas. Para entender esta realidade, foram privilegiadas duas categorias como nucleares. A categoria Trabalho, como central na realização do homem enquanto ser social, mas que no capitalismo é apropriado e transformado em mercadoria, e a categoria Espaço, por que materializa a dialética riqueza x pobreza, da qual os sujeitos desta pesquisa são a expressão. A análise do objeto, calcada pelo materialismo histórico e dialético, com revisão bibliográfica adequada e trabalhos de campo, nos permitiu o desmascaramento do discurso do trabalho na infância e adolescência como edificador da moral e alternativa à marginalidade. Ao contrário, a inserção em muitas modalidades de trabalho, aproxima esses sujeitos da violência, do mundo do crime, do adoecimento, do abandono escolar e da perpetuação do ciclo da pobreza. Assim, percebemos que a exploração do trabalho de crianças e adolescentes, visa garantir a lei geral da acumulação capitalista, que se vale dessa força de trabalho barata, dócil, ágil e por vezes gratuita, por meio de relações contraditórias de reprodução social que expõem a produção da pobreza materializada no espaço.

  • LUIS EDUARDO CUNHA SILVA
  • O ESTADO E O TERRITÓRIO DE IDENTIDADE DO SISAL: CONFLITOS DA POLÍTICA TERRITORIAL
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 12/07/2018
  • Dissertação
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  • A ideologia do desenvolvimento, por meio das políticas públicas, acompanha o processo de produção espacial no Nordeste brasileiro. No ano de 2007, o estado da Bahia passou a adotar os territórios de identidade como política de desenvolvimento, baseado no Programa Desenvolvimento Sustentável de Territórios Rurais (PDSTR) em escala nacional, que define como eixo central a gestão social e sustentável dos territórios. Essa política de Estado está pautada na descentralização do poder e consequente emancipação social redefinindo o papel da participação da sociedade civil nas políticas públicas. Entretanto, compreende-se que o PDSTR implantado no na Bahia através dos Territórios de Identidade, insere-se no plano econômico neoliberal em substituição ao Estado desenvolvimentista e interventor. De acordo com os fundamentos neoliberais, o modelo anterior, baseado no Estado como centralidade econômica para o país havia se esgotado. Na presente dissertação, o Estado é concebido em sua condição totalizadora do sistema capitalista, atuando como unidade do comando político do capital e as políticas públicas territoriais também atuam neste sentido. A escala de análise para o entendimento desta problemática é definida no Território do Sisal-BA, situado nos municípios de Queimadas, Retirolândia, Santa Luz e Valente que apresentam uma articulação em função da cadeia produtiva da fibra do sisal, o que permitiu ao longo dos anos a consolidação de uma rede de infraestrutura que acaba for favorecer a consolidação de ações da política territorial em torno das políticas de crédito e inserção da mão de obra camponesa aos moldes de produção da agricultura de mercado. Nesse contexto, o presente trabalho objetiva analisar o Território de Identidade do Sisal-BA, considerando sua gestão na condição de instância de planejamento inserida em uma relação entre o Estado, por meio das políticas de créditos e os interesses dos grupos que compõem o território e pertencem a diferentes classes sociais. Os procedimentos metodológicos foram elaborados a partir da pesquisa bibliográfica e trabalhos de campo nas localidades delimitadas para compreensão da realidade, estudada com base na dialética. Por esta análise, a Geografia assume a função de interpretação das contradições deste processo e estratégias de controle do capital.

  • VANILZA DA COSTA ANDRADE
  • PROGRAMA MINHA CASA, MINHA VIDA: FINANCEIRIZAÇÃO DA POLÍTICA HABITACIONAL E RELAÇÕES PATRIMONIALISTAS EM SERGIPE
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 09/07/2018
  • Tese
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  • No capitalismo financeiro, investimentos e juros são adquiridos por meio de transaçõesfinanceiras que incluem formas de empréstimos, dívida pública, financiamento dehabitação e aplicações financeiras em escala mundial. Considera-se que há uma relaçãoentre programas habitacionais e a financeirização da economia. Dessa forma, o objetivodessa pesquisa é analisar o Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) no âmbito damundialização financeira e o fortalecimento das relações de poder local em Sergipe.Para atingir o objetivo foi realizada uma leitura geográfica crítica, na qual se buscoucompreender a totalidade concreta, analisando PMCMV em um movimento histórico(presente/passado). A problemática do déficit habitacional e/ou crise da moradia queafeta a classe trabalhadora emergiu com o processo de consolidação do capitalismo. Aspolíticas públicas habitacionais no Brasil desde sua criação em meados do século XX,estiveram alinhadas com os interesses hegemônicos e, a relação patrimonialista doEstado brasileiro. Dentre as políticas de habitação, está o Programa Minha Casa, MinhaVida, criado em 2009 que teve como discurso ideológico resolver o problema dehabitação do Brasil, atendendo famílias com rendimentos de até dez salários mínimos, eao mesmo tempo, atenuar os efeitos da crise imobiliária dos Estados Unidos de 2008que atingiu todo mundo capitalista. O Programa Minha Casa, Minha Vida ganhoudestaque na lógica da mundialização financeira do capital no Brasil, pois se tornou uminstrumento capaz de permitir a abertura de novos espaços para a acumulação ampliadado capital via financiamento imobiliário e ampliação do crédito habitacional individual.O PMCMV é importante instrumento da reprodução da questão patrimonialista emSergipe, sendo nutridas e reproduzidas, sobretudo, no espaço local através da relação detroca de favores entre os sujeitos participantes do programa. Desse modo, esta políticahabitacional foi explicada a partir dos interesses de ordem política, econômica, social eespacial, pois só assim, a natureza contraditória desta desvelou a continuidade dareprodução destrutiva do capital, e ao mesmo tempo, o incremento de práticaspatrimonialistas, aprofundando as desigualdades sociais e espaciais.

  • VERÔNICA FERRAZ DE OLIVEIRA
  • A mobilidade da força de trabalho no centro da relação campo-cidade e a produção do espaço geográfico no município de Vitória da Conquista-BA
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 17/05/2018
  • Tese
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  • Este estudo discute a relação campo-cidade e a produção do espaço, apresentando como base fundante a centralidade da força de trabalho, e sustentação empírica o município de Vitória da Conquista-BA. Portanto, o estudo tem como o objetivo analisar as vinculações do rural com o urbano e a produção do espaço, fundando-se na mobilidade da força de trabalho, neste município. O alicerce teórico discute as abordagens conceituais da relação campo cidade, os conceitos e a evolução histórica do trabalho, preenchida por suas diferentes fases, bem como as concepções e historicidade das migrações, deslocamentos e mobilidades humanas, no intuito de responder a questionamentos acerca da relação do rural com o urbano. Quanto aos aspectos metodológicos, foi efetivada uma intensa revisão bibliográfica e aplicados questionários. Além disso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas e observações diretas, nos anos de 2014 a 2018. As análises deram suporte às descobertas que vão para além dos objetivos propostos no projeto de pesquisa acerca da relação campo-cidade, pois foi realizado um amplo estudo sobre a população rurícola, para entender a ligação que ela possui com a sede do seu município. No processo de investigação, verificou-se uma articulação significativa do campo com Vitória da Conquista, por meio de vários elementos, mas a mobilidade da força do trabalho é o que mais se destaca. Constatou-se, ainda, que esse deslocamento não provoca, de forma expressiva, a perda do vínculo e da condição de homem rural. Foram identificados, também, os fixos e fluxos socioespaciais advindos do deslocamento de pessoas em função de suas atividades laborativas, bem como os fatores que contribuem para este processo. Ademais, descobriu-se a produção do espaço como procedimento intrínseco ao processo norteador da relação campo-cidade, pois o movimento que as pessoas realizam de um lugar para outro produz dialeticamente o espaço, tanto do rural quanto do urbano. Além disso, a pesquisa revelou a falta de alguns aspectos infraestruturais nas vilas, como: serviços de correios, bancos, lotéricas, hospitais, escolas, delegacia, dentre outros. Esta carência promove uma articulação intensa com a sede do município, porque as pessoas declararam que necessitam se deslocar, cotidianamente, para utilização de serviços bancários, de saúde, de educação e ainda precisam ir à cidade para fazer compras de alimentos, de roupas e de outros bens, uma vez que as vilas não possuem comércio que supra as necessidades dos produtos utilizados no dia a dia. As análises revelaram a precariedade do trabalho em que vive o homem da zona rural de Vitória da Conquista, pois os índices de trabalhadores que não possuem vínculo empregatício e direitos trabalhistas são altos. Além do mais, observou-se, também, um grau de escolaridade baixo, com indicativos surpreendentes de analfabetismo. Este fato está intimamente relacionado com as atividades que os trabalhadores rurícolas desenvolvem, quais sejam: empregadas domésticas, pedreiros, faxineiras, vigilantes, zeladores etc. Nesse sentido, confirma-se a tese de que o trabalho é uma categoria central na relação entre campo e cidade, no município de Vitória da Conquista-BA.

  • ISABELA SANTOS DE MELO
  • Dinâmica e fragilidade ambiental na paisagem da microbacia do rio Paripueira-SE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 25/04/2018
  • Dissertação
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  • A microbacia hidrográfica do rio Paripueira está situada no município de Itaporangad’Ájuda, Sergipe, destacando-se como uma unidade espacial em que as interaçõessocioambientais se expressam no manejo dos recursos hídricos e no uso dos solos.Nesse sentido, a presente pesquisa tem como principal objetivo, dentre outros aspectos,analisar a dinâmica ambiental integrada, a partir da caracterização das unidades depaisagens e da avaliação da fragilidade ambiental da área de estudo. Para o alcance dosobjetivos propostos foram realizados alguns procedimentos metodológicos, tais comolevantamento bibliográfico e de material cartográfico, elaboração de mapas temáticos; etrabalho de campo. Baseando-se no arcabouço teórico sistêmico, este estudo teve comoaporte metodológico os modelos geossistêmico e ecodinâmico, associados aopressuposto de avaliação da fragilidade ambiental potencial e emergente. Os resultadosdeste estudo demonstram que a microbacia apresenta diferentes níveis de fragilidadeambiental de acordo com as características dos componentes naturais e o grau deintervenção antrópica. Apesar da reduzida ocupação humana, a paisagem da área deestudo tem sido gradativamente modificada em razão do desenvolvimento dasatividades de carcinicultura, da pecuária extensiva, do cultivo de cocoicultura e,sobretudo, da mineração, acarretando dentre as principais alterações ambientais, adescaracterização da paisagem através do desmonte de colinas, a supressão da coberturavegetal, e ocorrência de processos erosivos e assoreamentos em alguns trechos doscursos d’água. Assim, a realização da presente pesquisa ratifica a importância deestudos em pequenas bacias, e deverá servir de subsídio à formulação de políticas deplanejamento e de gestão do território que beneficiem a qualidade de vida da populaçãolocal e minorem os problemas ambientais que abrangem a referida área.

  • SANDRA FREITAS SANTOS
  • NATUREZA E DERIVAÇÕES ANTROPOGÊNICAS: CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS NO ALTO CURSO DO RIO SUBAÉ, BAHIA.
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 19/04/2018
  • Dissertação
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  • As derivações antropogênicas materializam no espaço geográfico diversas contradições, sendoestas, fomentadas pelas intervenções econômicas, políticas, sociais e culturais das relaçõeshumanas com a natureza, provindas do acelerado aumento do consumo, da falta deplanejamento e de gestão socioambiental que respeite as fragilidades do meio ambiente.Compreendendo tal realidade, a dissertação foi construída com a perspectiva de realizar análiseintegrada da paisagem, considerando a herança dos processos biofísicos, articulado asintervenções positivas e/ou negativas. Nessa dimensão, o objetivo central direciona-se paraavaliar potencialidades hídricas, ao lado de processos antropogênicos, na perspectivasocioambiental, em nascentes do alto curso do rio Subaé, em Feira de Santana-BA. E paraalcançar tal norte, a pesquisa foi guiada pelo conhecimento teórico-conceitual de discussõessobre Bacias Hidrográficas (unidade de gestão espacial), Paisagem (categoria integradora daciência geográfica) e a abordagem socioambiental no contexto dos conflitos entre sociedade enatureza, articulado ao esforço prático realizado através das atividades de campo, onde foramverificados e atualizados os dados empíricos coletados e ao mesmo tempo, espaço deidentificação das nuanças das relações históricas desenvolvidas nesse ambiente, além do apoiode instituições que fomentam a pesquisa no Estado e no país, como: UEFS, CONDER e INMETque forneceram dados secundários imprescindíveis para a compreensão da análise temporal.Dessa forma, a junção de tais informações contempla o entendimento dos cenários da área deestudo. Haja vista, que o alto curso do rio Subaé apresenta importante potencialidadepaisagística que foi moldada ao longo do tempo geológico, e que, de certo modo, favorece amanutenção das características e dinâmicas biofísicas da atualidade. Essa capacidade adaptativaé que garante a manutenção da rede de drenagem, tendo em vista, a diversidade climática,biológica, estrutural que apresenta. Compreendendo tal dinâmica, conclui-se que: através doincentivo da União, o rio Subaé e consequentemente as nascentes terão grande dificuldade depermanecerem presentes na paisagem no setor localizado na cidade de Feira de Santana. Asderivações antropogênicas negativas identificadas promovem um cenário nada otimista depreservação ou recuperação dessas áreas. O avanço através da invasão da especulaçãoimobiliária, da atração de novas indústrias ou ampliação das que já existem reforçam a lógica dedegradação ambiental já existente, pois o descuido com condicionantes ambientais vemapresentando desconfortos intensos nos meios urbanos e rurais, como: enchentes, aumento datemperatura, alto índice de perda de solo (erosão) e cobertura vegetal, redução ou falta de água,além da dificuldade do desempenho das atividades agropecuárias e industriais. Essa setorizaçãoda drenagem no alto curso implicará na reorganização da dinâmica hídrica, na alteração dofluxo d’água e da interrelação com os demais condicionantes ambientais, principalmente oantrópico.

  • CARLA ALESSANDRA MELO DE FREITAS BASTOS
  • DESAFIOS E PERSPECTIVAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO CENTRO DE ABASTECIMENTO DE FEIRA DE SANTANA-BAHIA
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 03/04/2018
  • Dissertação
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  • Os resíduos sólidos se configuram como elemento significativo no estudo da relação sociedade/natureza de modo que as ações antropogênicas revelam posturas socioculturais, sobretudo o grau de conscientização no que concerne a organização socioespacial e o cuidado ambiental. No caso específico das Centrais de Abastecimento, a ausência de um planejamento adequado voltado para o manejo dos resíduos, bem como as limitações financeiras, tem refletido em impactos socioambientais no interior desses estabelecimentos. Neste contexto, a Ciência Geográfica oferece uma proposta de visão holística, pautada numa abordagem interdisciplinar e integradora da realidade, tornando-se uma ferramenta importante para o entendimento destas questões. O objetivo geral da pesquisa consiste em analisar o sistema de gerenciamento integrado de resíduos sólidos no Centro de Abastecimento de Feira de Santana, Bahia. Quanto aos objetivos específicos, estão divididos em: identificar os aspectos positivos e negativos no sistema de gerenciamento integrado; averiguar a efetividade dos aspectos jurídicos da gestão municipal dos resíduos sólidos; analisar a organização espacial do Centro de Abastecimento; caracterizar a dinâmica socioambiental do gerenciamento integrado dos resíduos. O problema que norteia a pesquisa baseia-se no questionamento de como estão sendo gerenciados os resíduos sólidos e a hipótese tem como princípio de que as práticas no manejo de resíduos sólidos no Centro de Abastecimento têm ocasionado impactos socioambientais. Os procedimentos utilizados para o desenvolvimento do estudo consistem na pesquisa bibliográfica, levantamento de dados secundários (pesquisa documental) e primários (entrevistas, aplicação de questionários, registro fotográfico), atividades de campo, elaboração cartográfica, análise e discussão integrada dos dados. Resultados confirmam, por um lado, que apesar de possuir um sistema de manejo dos resíduos, por meio dos órgãos competentes, e ter avançado na abrangência da coleta/transporte, por outro lado, carece de acompanhamento e fiscalização das ações e procedimentos que configuram a sua realidade local. O não cumprimento às ordens legais é um dos fatores de maior relevância para o atual cenário do Centro. O volume de resíduos gerado é bastante expressivo, em torno de 200 a 320 toneladas/mês, em maior quantidade de origem orgânica (80%), tendo em vista as atividades desenvolvidas na área. Contudo, o manejo inadequado destes, resulta em problemas como aumento do desperdício e diminuição da vida útil do aterro sanitário, visto que todo o resíduo coletado na área é direcionado ao mesmo. Dessa forma, verifica-se a premência de um programa sistematizado de coleta seletiva e Educação Ambiental, conforme exigido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

  • VANESSA MODESTO DOS SANTOS
  • FEIRA DE LAGARTO/SE: CORES, CHEIROS, SONS, SABERES E FAZERES
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 03/04/2018
  • Dissertação
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  • As feiras na região Nordeste do Brasil são importantes espaços econômicos e culturaistradicionais. Sua periodicidade associa-se à organização de cada localidade, geralmenteacontecendo em dias alternados nos espaços circunvizinhos. Os moradores dascomunidades mais distantes se deslocam para comercializar o fruto de sua produção,bem como adquirir produtos de que necessitam para a sua sobrevivência. Neste trabalhotomamos como recorte espacial o município de Lagarto/SE, localizado na microrregiãoCentro-sul do estado, com o objetivo de compreender a dinâmica social, cultural eeconômica das feiras realizadas na cidade de Lagarto/SE. Nesse município observamosque a feira acontece aos domingos, segunda-feira, quinta-feira e sábado e encontra-seenraizada na identidade da população que demanda produtos agrícolas, alimentostradicionais, carnes, vestimentas, calçados, animais vivos e produtos industrializados,além de bens de consumo diversos. A metodologia utilizada é de caráter qualitativo ebaseia-se em revisão da literatura e pesquisas in loco – com as quais realizamosentrevistas semiestruturadas com os feirantes e consumidores, utilizando o diário decampo como ferramenta de auxílio ao pesquisador para posteriormente realizar asanálises das informações obtidas para a organização da dissertação. A configuração doespaço de comercialização da feira está inserida no mercado do setor informal, e suasrelações estão fundamentadas, principalmente, no uso do dinheiro líquido, indispensávelpara a reprodução social e econômica dos grupos familiares ali inseridos. Para além deespaço comercial, as feiras conformam um lugar do encontro, da troca, um territóriomarcado pela mistura de cores, sons, cheiros, sabores, saberes, signos e significados, eda diversidade de ações, funções e atividades. É comum constatarmos na rede de atoresem questão as relações de poder, sobretudo a partir dos fiscais e guardas municipais queo exercem no sentido de delimitar os microterritórios dos feirantes, e, por vezes,envolvem-se em conflitos resolvidos no local. Porém, em contraposição a essacaracterística, evidenciamos a constituição e o fortalecimento das relações desociabilidade e de proximidade entre os grupos de feirantes, bem como entre osfeirantes e os consumidores, relações essas permeadas pela confiança, de modo que, noato de “fazer a feira”, vão se conformando vínculos de amizade. O dia da feira constituinão somente um encontro eminentemente econômico, mas, um dia diferenciado no qualsão partilhadas experiências, saberes e fazeres e fortalecidas as redes de sociabilidades.

  • DANIELE LUCIANO SANTOS
  • As Sócio-Espacialidades e Ressignificações das Cavalgadas – Itaporanga d’Ajuda/SE
  • Data: 02/04/2018
  • Dissertação
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  • A variação ocorrida desde a década de 1990 na composição e na estrutura da cavalgada emItaporanga d’Ajuda/SE levou-nos a questionar sua manifestação como prática festivatradicional e contemporânea. Nesse contexto, tivemos por objetivo analisar os territórios dascavalgadas no município pelas práticas sócio-espaciais mantenedoras e propulsoras de suarealização. E, como objetivos específicos tivemos: i) traçar a linha do tempo das cavalgadas eseus cortejos; ii) apreender os sujeitos e as relações empreendidas para a realização dascavalgadas; iii)compreender as práticas sócio-espaciais dos produtores e dos participantes dascavalgadas; iv) e averiguar as bases materiais e simbólicas dos territórios da cavalgada. Paratal, fundamentamos o território relacionando-o tanto no sentido concreto quanto no sentidosimbólico, pois interessa-nos averiguar a produção e manutenção das cavalgadas pelasrelações de poder e pelos interesses de grupos políticos locais. As sócio-espacialidades dascavalgadas foram apreendidas e discutidas com auxilio de autores que destacam a construçãodo espaço social e do espaço cultural pela organização, significação da produção evalorização dos aspectos simbólicos. Discutimos a multidimensionalidade do território pelaspráticas políticas, culturais e econômicas que reconduzem a cavalgada como tradiçãoressignificada e determinam seus territórios em Itaporanga d’Ajuda. A pesquisa é de naturezaqualitativa ao eleger o fenômeno cavalgada como objeto de estudo e ao buscar compreende-lapor meio das práticas sócio-espaciais que a mantem e que se desenrolam no território. Alémda revisão bibliográfica, adotamos como metodologia a pesquisa documental em sites ejornais e a pesquisa de campo com uso da observação, realização de entrevistas, aplicação dequestionários e registro fotográfico. Discutimos e expomos as representações e os territóriosdas cavalgadas como festa popular e como evento político. A festa é apreendida comomanifestação tradicional ressignificada que dá sentido e valoriza os aspectos simbólicos dospovoados. Enquanto evento político, embora prática antiga, ressignificou-se como práticamercadológica, como “moeda de troca de favores políticos”. A festa e o evento que seproduzem nas cavalgadas se distingue ainda, respectivamente, pelo sentido de patrimônioapropriado pelo saber fazer popular e pelo patrimônio instituído por normas legais.

  • JULIANA ANTERO DA SILVA
  • PROINF NO TERRITÓRIO DA CIDADANIA DO MÉDIO SERTÃO DE ALAGOAS: UM CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL RURAL?
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 16/03/2018
  • Dissertação
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  • Nos países europeus, as políticas públicas no espaço rural entre o final do século XX e o início do século XXI começam a ser reestruturadas sob a perspectiva do Desenvolvimento Territorial rural. No Brasil, os debates sobre o Desenvolvimento emergemmediante os entraves históricos estrutural do rural. Em meados da década de 1990, a implantação de políticas públicas descentralizadas emerge diante das pressões dos movimentos sociais, sindicais e da própria necessidade de superação da pobreza rural, principalmente nas regiões mais carentes, como no Nordeste e no Norte do país. Neste contexto, destacam-se as políticas públicas direcionadas a agricultura familiar, notadamente o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). Este programa apresentou inicialmente três linhas principais de financiamento: capacitação; infraestrutura e serviços; e crédito rural. Sob a perspectiva do Desenvolvimento Territorial Rural, sobressaem-se o Programa Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (PRONAT) implantado em 2003 e o Programa Território da Cidadania (PTC) do ano de 2008. A linha de financiamento Infraestrutura e Serviços do PRONAF esteve em execução entre 1996 e 2002. A inserção desta linha em escala municipal apresentou conflitos que provocaram mudanças na sua política e na sua escala de atuação. Em 2003, essa linha integrou-se ao PRONAT e passou a denominar-se “Ações de Projetos de Infraestrutura e Serviços” (PROINF). Na adequação ao PRONAT, o PROINF começa a operar na dimensão territorial.O objetivo geral do PROINF é financiar projetos de infraestrutura e serviços indutores do Desenvolvimento Territorial Rural. Neste contexto, buscou-se analisar as ações dos Projetos de Infraestrutura e Serviços (PROINF) no Território da Cidadania do Médio Sertão alagoano sob a perspectiva do Desenvolvimento Territorial Rural. A pesquisa teve abordagem qualitativa ancorada na pesquisa bibliográfica, na pesquisa documental e na pesquisa de campo. As técnicas de pesquisa utilizadas nos trabalhos de campo foram: observação participante, registro fotográfico, entrevista informal e entrevista semiestruturada. O Território do Médio Sertão tem um total de treze contratos do PROINF’s relacionados à aquisição de equipamentos, veículos e infraestrutura. Destes contratos, seis foram concluídos, 2 estão em situação normal, 2 estão paralisados, 2 ainda não foram iniciados e 1 projeto está com status de atrasado. Entre 2005 e 2016, verificou-se que os investimentos nas ações dos PROINF’s no Médio Sertão alagoano efetivaram-se de modo inoperante para os agricultores familiares no Território. Sem a concretização da finalidade dos projetos, coloca-se em risco a política de Desenvolvimento Territorial Rural, o fortalecimento da agricultura familiar é fragilizado e a autonomia produtiva reduz-se à dependência.

  • RENATA SIBÉRIA DE OLIVEIRA
  • A CENTRALIDADE DA POBREZA NA TRAMA DO CAPITAL FINANCEIRO: POLÍTICAS DE MICROCRÉDITO PRODUTIVO NO ESTADO DE PERNAMBUCO
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 28/02/2018
  • Tese
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  • Esse estudo analisa o uso que se faz da pobreza, no quadro atual das relações capitalistas, como categoria fundante e legitimadora de políticas de investimentos bancários, garantidores de lucros na esfera financeira. Estas políticas são implementadas sob exigências do mercado e ancoradas em fundamentos teórico-práticos que fortalecem uma visão de pobreza como produto de decisões individuais e que por isso é responsabilidade do indivíduo, que deve encontrar meios próprios de superação. No cenário da ampliação da atividade financeira um significativo volume de recurso tem sido destinado para atrair a maior parcela possível da classe que vive do trabalho para o empreendedorismo individual. São ações que fizeram do microcrédito uma alternativa para um seguimento da população, que diante do crescimento exponencial do desemprego, após os anos de 1990, foi absorvida pela ideologia empresarial como saída para sua reprodução. Para uma melhor compreensão dos rebatimentos sócioespaciais das políticas de microcrédito produtivo orientado, analisamos o Programa Crediamigo do Banco do Nordeste, maior expressão desta política na América Latina e no Brasil, a partir de pesquisa com trabalhadores dos mais vaiados seguimentos de atividades produtivas, na região que compreende a atuação da Unidade de Petrolina, no estado de Pernambuco. Para tanto, o método dialético nos permitiu desvendar as contradições das complexas relações que se estabelecem no movimento de produção do espaço mediado pelo capitalismo financeiro. Os esforços empreendidos pelo governo brasileiro para o fortalecimento do empreendedorismo como política social, ampliou a circulação desta forma de capital beneficiando sua expansão e reprodução no país, neste sentido, atividades antes descartadas e desinteressantes, se tornaram essenciais a sua reprodução. O aumento de agências públicas e privadas de crédito, nas duas primeiras décadas do século XXI, comprova o fôlego do Estado na reprodução desta modalidade de capital no país. A focalização no pobre se constitui a metodologia de ação para fazer chegar o endividamento à superpopulação relativa por meio do pagamento de juros e da relação de dependência que se estabelece com este tipo de política. Ao incorporar a pobreza à política de crédito informando-a como única possibilidade de sua superação, o Estado, expõe sua condição de superestrutura de comando do capital e agente de articulação global do lucro especulativo. Por sua vez, nega que o processo que transformou o homem em força de trabalho, separando-o dos meios de produção, através de variados mecanismos de expropriação intensificados no desenvolvimento do capitalismo, é em primeira instância, o responsável pela produção da riqueza e da pobreza. Em tempo, individualiza a superação da pobreza no pobre/indivíduo. É uma estratégia mercadológica de individualização das causas da pobreza que obscurece o seu sentido como produto da Lei geral da acumulação.

  • KATINEI SANTOS COSTA
  • Trabalho e Ideologia: o Discurso da Autonomia e da Liberdade no Beneficiamento da Castanha de Caju
  • Data: 28/02/2018
  • Tese
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  • A presente Tese de Doutorado partiu da hipótese de que a ideologia daautonomia e do não-trabalho no processo de beneficiamento da castanha decaju no espaço agrário sergipano mascara a exploração do trabalho. A partir dopressuposto de que a ideologia é uma falsa ideia que se perpetua para garantiros interesses da classe dominante, o discurso do não-trabalho é usado comoestratégia de exploração e subordinação do trabalhador ao capital, uma vezque é na negação do trabalho, que o trabalho se realiza. A ideologia do nãotrabalho é usada como forma de dominação e exploração dos trabalhadoresque são explorados da forma mais perversa no processo de beneficiamento dacastanha de caju. Estes não se veem como trabalhadores, alienados pela falsaideia da autonomia e da liberdade. É necessário que o trabalhador aceite ascondições que lhe são impostas, que não perceba a sua condição desubordinação e exploração, e não se oponha ao sistema. A análise da nossaTese está sustentada no materialismo histórico dialético como método deanálise, que permite uma leitura das contradições dos sujeitos que estãoinseridos na cadeia produtiva da castanha de caju, possibilitando compreenderas relações sociais nas suas contradições, na relação capital-trabalho que seestabelece na totalidade das relações sociais de produção e de trabalho. Oconfronto da teoria com a realidade foi o alicerce na construção doconhecimento teórico epistemológico que permitiu compreender ascontradições da relação homem e natureza. Nossa análise foi fundamentadano entendimento do trabalho como categoria ontológica da própria condiçãohumana histórica. Nesse sentido, foi identificado que o valor trabalho éapropriado pelo capital nas inter-relações escalares que se configuram nobeneficiamento da castanha de caju, que se torna uma atividade econômicalucrativa para o capital, e se estabelece no espaço agrário sergipano comopossibilidade de renda e de trabalho, produzindo e reproduzindocontraditoriamente a miséria e riqueza. A sinalização da perda da centralidadedo trabalho foi analisada a partir das metamorfoses do trabalho para atender asexigências de reprodução do sistema do capital que cria e recria nova/velhasrelações de exploração da força de trabalho, como o trabalho informal, ascooperativas, o trabalho coletivo familiar, a terceirização e a precarização, paramanter seu ciclo reprodutivo. O trabalho alienado como condição de exploraçãodo trabalho se sustenta nos fetiches que permeia a relação capital-trabalho,nos significados de autonomia e liberdade que são apropriados pelo capitalpara ocultar as condições precárias dos trabalhadores e trabalhadoras dobeneficiamento da castanha de caju. O discurso do não-trabalho aliena,degrada, precariza e escraviza o trabalhador, e cada vez mais desumaniza oser social. O trabalhador vive uma ilusão constante de liberdade, que cega ealiena, como se ele pudesse escolher, como se fosse ele que escolheu ainformalidade, quando na realidade essa foi a condição imposta. O trabalhadornão é livre para escolher, ele não tem escolha, há uma falsa liberdade que lheé imposta, pois é necessário ser livre para ser ainda mais explorado.

  • ELAYNNE MIRELE SABINO DE FRANÇA
  • CONTRASTES SOCIOAMBIENTAIS NA MICROBACIA DO RIACHO FLAMENGO, GARANHUNS-PE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 27/02/2018
  • Dissertação
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  • As interações entre homem e natureza se constituem no ambiente geográfico de análise, e,dada relação acontece e repercute ora de modo positivo ora negativo, principalmente quandose sucede no âmbito de uma microbacia hidrográfica de elevada vulnerabilidade ambiental.Tal repercussão pode ser apreendida ao longo do tempo e espaço através da paisagem, quecongrega as transformações socioambientais executadas pela ação antrópica e por forçasnaturais. Assim, objetivou-se compreender como a dinâmica do ambiente configurou oscontrastes socioambientais, a partir da abordagem do sistema, na paisagem da microbacia doRiacho Flamengo (MRF) em Garanhuns-PE. Tomou-se como subsídio metodológico eprocedimental a revisão da literatura, para reflexão teórica e execução dos procedimentosrelativos à temática, tendo como suporte técnico o sensoriamento remoto e ferramentas dogeoprocessamento, além de atividades de campo. Resultados obtidos pela análisemorfométrica demonstram que predominam os canais de 1ª ordem e estes são responsáveispela manutenção do escoamento fluvial e pluvial nos cursos d água; A linearidade dos canaisapresenta características do tipo dendrítica, endorreica e meandrante; A constituição arealdemonstrou propensão mediana para enchentes; Evidenciou no uso e ocupação da Terra,degradação da cobertura vegetal; Desencadeou processos erosivos com surgimento de ravinae voçoroca; compactação do solo pelas práticas tradicionais de manejo; solo exposto com viasà expansão urbana; Confirmou-se a ampliação do processo de urbanização pelo aumento dedomicílios permanentes particulares (DPPs), o que tem contribuído para avolumar osproblemas socioambientais, na ocupação inadequada de encostas e em área de preservaçãopermanente. Mas, em contrapartida ficou expresso que a evolução dos DPPs também éacompanhada pelo atendimento e ampliação de parâmetros que asseguram a populaçãoqualidade socioambiental e econômica. Inferiu-se que as pressões da atuação antrópicarefletiram, na maioria dos casos, para reorganização do sistema em virtude da supressãovegetal; a urbanização se configura de modo acentuado na área de topografia suave aondulada e com aspecto aprazível, mesmo que em casos tenham superado esse limite eocupado locais de elevado risco ambiental, todavia as derivações antropogênicas podem terdesencadeado circunstâncias extremas.

  • SHAUANE ITAINHARA FREIRE NUNES
  • A mediação natureza/sociedade e as lógicas espaciais e territoriais da luta pela água sob a dimensão dos pressupostos teóricos luckacsianos da ontologia do trabalho.
  • Data: 26/02/2018
  • Tese
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  • A presente Tese de doutorado parte do pressuposto de que a mediaçãonatureza/sociedade condição de existência ontológica do trabalho e deprodução de vida, comum dos povos das terras e das águas é subsumida porrelações capitalistas de trabalho e de produção alterando territórios eterritorialidade. Nessa direção analisamos a pesca artesanal a partir daconcepção lukacsiana da ontologia, do trabalho como mediador da relaçãosociedade/natureza, que tem o caráter de transição, do ser biológico ao sersocial, dessa maneira dá sentido ao ser social e as suas sociabilidades. Com areprodução do capital voltada à natureza; a terra e a água são cada vez maisapropriadas na condição de meio universal de produção sobreposto ao valor deuso. Realizamos nossa pesquisa com o estudo da pesca artesanal no estadode Sergipe, nas suas lógicas espaciais e territoriais, diante da territorializaçãodo capital na forma do agrohidronegócio, no consumo da natureza enquantopaisagem a ser vendida, para a especulação imobiliária, turismo, expropriaçãoda propriedade da terra e da água. A consolidação do avanço do sistema docapital tem no Estado a propagação do discurso da produtividade e do controleda natureza, na forma de investimentos e políticas, tendo a aquicultura comosolução na cadeia produtiva de pescados para garantir o país como grandeprodutor mundial. Os rebatimentos para a pesca artesanal em Sergipe sãoverificados na diminuição dos pescados, nos limites impostos no acesso à águae aos meios de vida, via políticas a nível local de incentivos a carcinicultura e apiscicultura que ignoram o modo de vida das comunidades pesqueiras,sujeitando as forças da natureza como forma de mercadoria com o objetivo deacumulação do capital, sendo o mercado condição ontológica para a alienação.Concluímos na nossa Tese que a socialização da natureza como condição devida dos homens, pode ser determinada pela relação de dominação, ou pelaprodução da vida social a partir de necessidades que não representem adestruição da condição humana. É na compreensão da relação necessidade,
    qualidade e uso, em contraposição ao círculo vicioso do sistema reificado docapital, que transforma os homens em coisas, que se garante a crescenteampliação da riqueza de produção. Resistir significa reconstituir perspectivasque desloquem o metabolismo do capital para um metabolismo além do capitale consequentemente no devir da condição humana.

  • JOSÉ ADAILTON BARROSO DA SILVA
  • Sinaes:Política de ordenamento para controle e poder do território.
  • Data: 23/02/2018
  • Tese
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  • A expansão dos cursos superiores a partir da década de 1990 institui o SistemaNacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), através da lei 10.861, de 14de abril de 2004, tendo como base a avaliação de três componentes principais: aavaliação das instituições, avaliação dos cursos e o desempenho dos estudantes.Esse sistema de avaliação passa a aferir a qualidade e expansão de novoscursos e controlar a oferta de vagas. A análise desenvolvida nessa tese entendeque esse sistema faz parte da expansão do projeto neoliberal na educação, ondeos Estados-nações passaram a reestruturar o ensino superior com o objetivo deatender à chamada Revolução Técnico-Científica. Este sistema foi implantado nasdiferentes escalas geográficas, seguindo o modelo implantado na Europa, paracolocar as universidades europeias no mesmo nível de competição dasuniversidades norte-americanas, objetivando, medir a qualidade do ensinomediante metas de produtividade e eficiência de cursos e instituições. Nessesentido a análise da Tese é conduzida a partir do entendimento da inclusão daeducação no âmbito da lógica do sistema neoliberal. O olhar geográfico éfundante para o debate ao estabelecer a crítica ao Sinaes como condutor dodiscurso do desenvolvimento regional, e como um instrumento de poder naregulação do território para atender ao interesse da ação hegemônica do capital,apontando para uma política condutora de um discurso de qualidade, imposto poratores sintagmáticos, que envolvidos na implementação, discussão e embatecontraditório entre a necessidade de regulação e controle, ordena o território elegitima a reprodução das desigualdades socioespaciais.

  • RICLAUDIO SILVA SANTOS
  • "Análise Integrada da Paisagem do Geocomplexo Alto Sertão Sergipano".
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 22/02/2018
  • Dissertação
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  • O território do Alto Sertão Sergipano compreende os municípios incluídos no Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo da Pecuária de Leite e Derivados – Alto Sertão, do Núcleo Estadual de Arranjos Produtivos Locais (APL-SE). Tendo em vista que todos os municípios deste território possuem em comum a atividade da pecuária de leite, e levando-se em conta que esta produção apresenta crescimento contínuo nos últimos anos, este trabalho busca compreender, por meio do sistema GTP, como esta atividade media a relação sociedade-natureza e quais as derivações antropogênicas provocadas no meio ambiente. O texto apresenta reflexões a respeito dos elementos característicos que compõem o semiárido brasileiro, assim como da aplicação do pensamento sistêmico na Geografia. Utilizando o Sensoriamento Remoto e o Geoprocessamento para o levantamento de dados sobre os diferentes componentes ambientais (geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação, precipitação atmosférica), buscando a análise integrada do espaço geográfico, empregando os conceitos de Geossistema, Território e Paisagem. Pretende-se compreender a configuração espaço-temporal da vegetação desta porção do semiárido sergipano, a influência das condições climáticas, e como a pecuária de leite presente na Bacia Leiteira do estado de Sergipe se relaciona com os componentes ambientais.

  • LILLIAN MARIA DE MESQUITA ALEXANDRE
  • (RE) INVENÇÃO DO TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NO LITORAL SUL DE SERGIPE: TURISMO E ECONOMIA CRIATIVA COMO ELOS DE GESTÃO PARTICIPATIVA
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 06/02/2018
  • Tese
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  • O turismo é um fenômeno social, complexo e diversificado tanto que, devido a sua abrangência, hoje não se idealiza apenas como atividade de lazer, mas também permite a inserção de novas formas de analisá-lo, mobilizando pessoas pelos mais variados motivos, para os mais diversos destinos. A compreensão de que ele se baseia em um sistema complexo, integrado e dinâmico é necessário para refletir novas possibilidades na gestão, onde uma interação não só no âmbito econômico, mas também no social, cultural e ambiental, fortalecem as ações das políticas públicas de turismo. Neste sentido, o desenvolvimento dessa pesquisa visou, em termos gerais, analisar o modelo de desenvolvimento proposto pelo Turismo de Base Comunitária (TBC) junto às comunidades tradicionais do Litoral Sul Sergipano, levando-se em consideração os municípios que fazem parte do Polo Costa dos Coqueirais, a saber: Itaporanga D’Ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba. A pesquisa é de caráter qualitativo, baseado no método fenomenológico, amparado na Teoria da Complexidade de Morin (1985). Para cumprimento dos objetivos específicos, utilizaram-se diferentes procedimentos metodológicos, priorizando a entrevista com os diversos atores sociais locais, a observação direta participante e do registro fotográfico para coleta dos dados e a análise do discurso para a crítica, por meio da categorização de dados que se relacionam com o Turismo Criativo e a Economia Criativa. Os impactos negativos advindos pela falta de controle da ocupação dos espaços, o (des) ordenamento territoriais causados pelas construções de empreendimentos imobiliários (Segunda Residência), o aumento da especulação imobiliária e da violência urbana nessas áreas, mostram algumas consequência dos conflitos gerados por ocupações desordenadas e pela falta de políticas públicas eficientes. Neste aspecto, é preciso atentar para que a efetivação de políticas públicas municipais tenham na participação dos atores sociais locais (e não só atores públicos e privados), uma construção coletiva e como tal, um novo olhar para o planejamento participativo. Mudanças socioespaciais advindas de ações, principalmente, do PRODETUR (utilizado como política pública federal e estadual) devem ser minimizadas a partir de um planejamento participativo eficiente. Observou-se também, a criação de territórios de poder, refletidos na imposição de empreendedores de fora das localidades, de subempregos gerados e da não empregabilidade dos jovens na chamada “geração de emprego e renda” promovido pelo turismo. Portanto, construir esse novo modelo de gestão a partir do TBC, é construir um modelo de referência para o desenvolvimento turístico local, chegando-se o mais perto possível das premissas da sustentabilidade local, cuidando dos espaços coletivos, do lugar e consequentemente, fazendo emergir um território turístico passível de fomentar inclusão social de qualidade e minimizando os impactos pontuados.

  • BISMARQUE LOPES PINTO
  • DINÂMICA GEOMORFOLÓGICA DE VOÇOROCAS NO MUNICÍPIO DE TUCANO/BA
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 31/01/2018
  • Dissertação
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  • O entendimento evolutivo e atual das cicatrizes erosivas na paisagem dão subsídios para uma melhor compreensão da dinâmica do ambiente natural pretérito e contemporâneo de modo que o seu comportamento geomorfológico denunciam a atuação dos condicionantes ambientais no processo de esculturação do relevo. Assim, para melhor entendimento das cicatrizes erosivas em seus diferentes estágios, objetivou-se analisar as estruturas geomorfológicas de 02 (duas) voçorocas na zona rural do município de Tucano (BA) para avaliar a dinâmica evolutiva e contemporânea das feições erosivas exibidas na área. Neste sentido, para cumprimento desse e outros objetivos norteadores da pesquisa, utilizaram-se diferentes procedimentos metodológicos, priorizando a revisão da literatura, o trabalho de campo e a elaboração de cartas temáticas sobre os condicionantes geoambientais do perímetro das voçorocas e perfis topográficos associados, entre outros. Os resultados desse estudo mostram que a Voçoroca 01 apresenta dimensões em torno de 13,37 km², com aspecto morfológico ramificado, constituído de 04 canais secundários e padrão desconectado a rede de drenagem. Localiza-se no terço superior e médio da vertente do tabuleiro dominante na área. Sua divisão setorial permitiu melhor compreender a dinâmica erosiva com maior expressividade entre os terços superior de maior atuação da erosão, abrangendo área em torno de 9,12 km², e inferior que se caracteriza pelo acúmulo de sedimentos ocupando área aproximada de 4,24 km². A setorização, sem dúvida, facilitou a identificação das feições internas de pedestais, marmitas residuais, costelas e escamamentos. Finalmente, registrou-se uma perda de solo aproximada de 2,45 m³. No que pese a Voçoroca 02, verificou-se a sua abrangência areal correspondente a 10,97 km². Entretanto, pelo fato de apresentar uma dinâmica evolutiva avançada em relação a voçoroca 01, possui uma configuração retangular sem a presença de canais secundários. Em sua setorização, observou-se foco erosivo de 9,00 km² predominando nos terços superior e médio da voçoroca que apresenta um sistema de morfologias internas com 08 alcovas de regressão no topo da cicatriz erosiva, além da formação de dutos, pedestais, queda de blocos, sulcos e ravinas generalizadas. Na porção inferior de maior acumulação de sedimentos abrangendo 1,97 km², constatou-se um extenso banco de sedimentação consolidado. Seu posicionamento encontra-se desconectado a rede de drenagem, com perda de solo estimada em 3,04 m³.

2017
Descrição
  • LILIAN OLIVEIRA SILVA
  • Aspectos da Espacialização do Pronaf A no Estado de Sergipe: o caso do Assentamento Adão Preto em Nossa Senhora da Glória/SE.
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 31/08/2017
  • Dissertação
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  • O município de Nossa Senhora da Glória está localizado no Alto Sertão Sergipano. Nomunicípio há um total de 12 assentamentos rurais, sendo o Assentamento Adão Preto omaior deles com 104 famílias assentadas com uma área total de 2462.8226 Km². Diantedessa realidade o estudo foi embasado na análise espacial do Programa deFortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), na modalidade A, que volta-se aapoiar financeiramente os assentados da reforma agrária. Contudo analisar aespacialização do PRONAF A no estado de Sergipe e seus desafios frente a viabilidadesocioeconômica: o caso do Assentamento Adão Preto no município de Nossa Senhorada Glória constitui o objetivo geral da pesquisa. A metodologia utilizada teve comobase a categoria geográfica espaço e a e Conceitos de Desenvolvimento Rural, ReformaAgrária, Assentamentos Rurais e a Política Pública Pronaf. O presente estudo centrou-se em um método empírico-analítico de forma quantitativa e qualitativa, que analise osaspectos gerais e reflita as informações da realidade, para isso foi realizado os seguintesprocedimentos metodológicos: levantamento e revisão bibliográfica, busca e análise dedados secundários, trabalho de campo, no qual foram realizadas entrevistassemiestruturadas , com atores sociais que integram institucionalmente a questão doPronaf A no Assentamento estudado e a aplicação de questionário com os tomadores decrédito do Pronaf A. Como resultado constatou-se que o Pronaf A tem um papelsignificativo na mudança da qualidade de vida dos assentamentos mas, as melhoriastêm um prazo pequeno já que os fatores naturais como baixo índice de pluviosidadeinterfere na atividade econômica de todo o município. Diante disso nota-se que o uso dorecurso do Pronaf tem que ser atrelado a politicas públicas que contribuam para oconvívio com a seca.

  • CLARA SUZANE SILVA GOMES
  • A ESPACIALIDADE DO TRABALHO DOS AGENTES DA LIMPEZA PÚBLICA DE ARACAJU
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 31/08/2017
  • Dissertação
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  • Esse estudo analisa a espacialidade do trabalho na limpeza urbana de Aracaju, no estado de Sergipe. O sentido é explicar como se estabelecem e se configuram as condições e relações de trabalho na realidade concreta dos Garis e Margaridas, a partir das lógicas e determinações de controle do trabalho pelo capital. Partimos da compreensão de que a categoria trabalho é central para entender o quadro subjacente a produção do espaço na contemporaneidade e condição de existência e sociabilidade do homem. A forma como se espacializa e se singulariza responde aos anseios da reprodução do lucro capitalista. O desemprego estrutural, resultante da crise do sistema do capital com rebatimento na formação da crescente massa de trabalhadores “supérfluos”, ociosos, garante às condições de precarização do trabalho na limpeza urbana, que se configura pela desproteção ao trabalhador, na dilapidação dos direitos e perda de garantias e nas diversas formas de exploração do trabalho. Esses sujeitos assujeitados pela sua condição de expropriados dos meios de produção são os mesmos que vivem a segregação sócioespacial, econômica e cultural na cidade. Residem nos bairros pobres de Aracaju e em tais condições, se submetem aos baixos salários e aos riscos em acidentes de trabalho diversos: quedas do carro de coleta, cortes, micoses, dores no corpo, dores de cabeça, enjoos, irritação nos olhos, infecções. Tais condições incorrem em agravos à saúde do trabalhador, bem como a demandas por formas de articulação e organização política desses sujeitos. Esses são os aspectos que traduzem claramente a submissão do trabalho ao Capital e que buscou-se responder nessa pesquisa. A metodologia foi norteada pelo método de investigação, que é o materialismo histórico e dialético, por entender que é a forma mais adequada de apreender a realidade, a partir da totalidade das relações. Como procedimentos de pesquisa, realizamos entrevistas semi-estruturadas, questionários e observação de campo.

  • ANNA MARIA VIANA ALVES
  • A Política Territorial e suas contradições: Análise da efetivação dos mercados institucionais no Território rural do Alto sertão Alagoano
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 30/08/2017
  • Dissertação
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  • Com base no processo histórico que permeia a formação e construção do meio ruralbrasileiro, marcado pelas desigualdades no contexto social, cultural e econômicodestaca-se as políticas públicas criadas para essas áreas a partir da década de 1990,como estratégias de diminuir essas disparidades, contribuindo para o desenvolvimentorural. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar de que forma as políticaspúblicas particularmente os mercados institucionais, Programa de Aquisição deAlimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) estão sendoefetivadas no território do Alto Sertão Alagoano, levando em consideração os desafios econtribuições para os agricultores familiares fornecedores e para o desenvolvimentoterritorial. A metodologia utilizada teve como lastro a categoria geográfica território,território institucional e a categoria social agricultores familiares. Os procedimentosmetodológicos foram, revisão da literatura; pesquisa de campo tendo como critérios depesquisa a aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas com AgricultoresFamiliares cooperados e associados que tiveram acesso ao mercados institucionais ecom grupo de agricultores familiares que não acessam os programas, participação dasreuniões do Colegiado Territorial, bem como levantamento de dados secundários deórgão públicos como IBGE, MDA, SDT, FNDE, CONAB. Como resultados, constatou-se que, o acesso pelos agricultores familiares do Alto sertão Alagoano ao PAA ocorreprincipalmente via a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e o PNAE viaas prefeituras locais, no entanto, diante das intempéries climáticas nos últimos dois anoshouve diminuição da produção e comercialização nesses mercados. Identificou-setambém que o acesso a esses canais de comercialização se constitui individualmente,cooperativas e associações, nas quais a venda dos produtos é realizada para o PAA ouPNAE e corresponde entre 80% a 99% da produção; em contrapartida os agricultoresque não vendem para os programas, não participam de grupos formais e desconhece aexistência dessas políticas públicas, comercializando apenas o excedente para osatravessadores locais. Dessa maneira, destaca-se como principal desafio para efetivaçãodas políticas de aquisição de alimentos no Território do Alto sertão Alagoano, a
    incipiente articulação de políticas voltadas ao meio rural, bem como, a necessidade dedisseminação das tecnologias voltadas ao semiárido, ainda assim, os resultados desseestudo demostra que o acesso aos mercados institucionais contribuem positivamentepara a melhoria nas condições de vida dos agricultores familiares fornecedores e para odesenvolvimento territorial.

  • MARIA CRISTINA SANTOS TEIXEIRA
  • A Perspectiva Pluriativa como Estratégia de Reprodução da Agricultura Familiar na Microrregião do Agreste de Itabaiana-SE
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 30/08/2017
  • Dissertação
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  • O final da década de 1990 no Brasil, foi caracterizado pelas mudanças econômicas,políticas e sociais, repercutindo na dinâmica do meio rural e nas formas de organização e produçãoda agricultura. Período de avanços significativos para a agricultura familiar no Brasil, fortalecidaem função do reconhecimento governamental de uma categoria social e também pelodirecionamento de políticas públicas para o meio rural. A agricultura brasileira atravessou umcaminho árduo até se firmar enquanto categoria social, teve um papel fundamental na sociedade econtinua tendo uma função social muito importante. Nessa mesma década surgiu o debate sobrepluriatividade que ganhou notoriedade a partir, do Projeto Rurbano que identificou que asatividades não agrícolas representavam maior percentual entre as pessoas ocupadas no meio ruralbrasileiro, sendo compreendida como pluriativo a unidade familiar em que pelo menos um membroda família desenvolve atividades agrícolas combinada a outra atividade não-agrícola. Apluriatividade surgiu como uma alternativa para dinamizar a agricultura familiar, é um processo queocorre de forma natural na sociedade, principalmente em áreas onde os agricultores demonstram acapacidade empreendedora e facilidade em adaptar-se as adversidades, além de ter um grande poderde flexibilização. O referido trabalho teve como objetivo analisar a pluriatividade da agriculturafamiliar como uma estratégia de reprodução social e econômica das unidades familiares naMicrorregião do Agreste de Itabaiana-SE e os seus rebatimentos sócio espaciais. Para que fossepossível alcançar o objetivo proposto nesta pesquisa foi trilhado um caminho com objetivosespecíficos, que permitiram a composição do trabalho como um todo. Os procedimentos teóricos emetodológicos foram: levantamento bibliográfico, que foi indispensável para a construção e revisãoda literatura, foram feitas coletas de dados secundários junto aos órgãos públicos que se encontramem plataformas digitais como: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o InstitutoNacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Ministério de Desenvolvimento Agrícola(MDA), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Censo Agropecuário. A pesquisa decampo, aconteceu de forma direta com os (agricultores familiar), foi utilizando o método daamostragem que aconteceu de forma aleatória, também aplicados questionários em diversospovoados que fazem parte da Microrregião. A preocupação desta pesquisa foi buscar evidências quepermitissem analisar a importância da pluriatividade na agricultura familiar é a importância para areprodução da unidade familiar na Microrregião do Agreste de Itabaiana, e tem se mostradofundamental para a melhoria da qualidade de vida rural, criando maiores possibilidades derendimento e crescimento pessoal. A partir, das discursões da literatura e também fundamentado emdados secundários pode-se concluir que a Microrregião do Agreste de Itabaiana apresenta aexistência da pluriatividade e a importância para a reprodução da agricultura familiar.

  • REINALDO SOUSA
  • Da Luta por Acesso à Terra aos Desafios da Permanência: uma Contribuição ao Estudo da Questão Agrária no Brasil e Cuba
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 28/08/2017
  • Tese
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  • A questão agrária, por estar presente em economias capitalistas como a brasileira e socialistas como a
    cubana, é defendida neste trabalho como estrutural dos modos de produção. Estrutural por apresentar
    problemas que, apesar das particularidades de cada sistema, são de difícil superação. Nesse sentido,
    buscamos compreender, a partir destas duas realidades, como ela se manifesta e quais as nuances em cada
    uma das realidades. Contesta-se aqui, o discurso de que no Brasil não existe questão agrária
    (ABRAMOVAY, 1992; VEIGA, 1991; NAVARRO, 2013 e SILVA, 1981) e defende-se aqui a tese de que
    em Cuba a questão agrária não fora superada com a revolução de 1959 e as sucessivas reformas agrarias.
    Buscou-se, afim de permitir uma melhor apreensão das duas realidades, apontar elementos que demonstrem
    que ela [a questão agrária] é estrutural nos dois modos de produção a partir de uma revisão bibliográfica de
    clássicos da questão agrária como Chayanov (1974, 1981), Kautsky (1980), Lênin (1982), Prado Junior
    (2014) e Shanin (1983, 2008); de acadêmicos mais contemporâneos que também debatem a questão agrária,
    a exemplo de Alentejano (1986), Bartra 2011, Carvalho (2014), Fabrini (2010), Felício (2006, 2011),
    Fernandes (1998, 2001, 2008, 2010, 2013), Oliveira (1991, 2007); Ramos Filho (2008, 2013) e autores que
    pensam, contrariamente, estas perspectivas, defendem o paradigma do capitalismo agrário ou que, de alguma
    forma, reforçam a tese da inexistência de uma questão agrária ou necessidade de reforma agrária como
    Abramovay (1992, 2012), Navarro (2010, 2013), Veiga (1981), Silva (1981), Martins (2000) e Navarro
    (2010, 2013). Para uma caracterização da realidade agrária em Cuba, reunimos autores como Aguirre (1961),
    Albelo (2005), Bernal (2013), Burchrdt (2000), González (2013), Guevara (2009), Monzote e Funes (2010),
    Paz (1997, 2011, 2014), Sorzano (1999, 2012, 2014, 2015), Valdes (1990) dentre outros. Para uma melhor
    interpretação da realidade-mundo optou-se, enquanto método, pelo materialismo histórico dialético. Esse
    método apresenta-se em Marx como uma resolução prática, como um problema da realidade e busca
    distinguir entre as representações e os conceitos das coisas (SILVA, 2005). Trata-se de um método “[...] que
    quer conhecer adequadamente a realidade, que não se contenta com os esquemas abstratos da própria
    realidade, nem com suas simples e também abstratas representações [...]” (KOSIK, 1976, p. 20). Disso
    advém a nossa opção por trabalhar com a dialética, por acreditar que ela permite uma maior aproximação da
    realidade a partir da análise das contradições das aparências. Em linhas gerais este método pauta-se em três
    leis gerais: lei da passagem da quantidade à qualidade (e vice-versa); lei da interpenetração dos contrários e a
    lei da negação da negação. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma revisão bibliográfica. Para nossa
    análise, foram consideradas como principais categorias, entendendo categoria como um sistema de classes
    resultantes das características intrínsecas ou fundamentais de cada conceito (KOBASHI, 2011): o território,
    como materialização do poder; o modo de produção, como organização social de uma dada atividade
    econômica e que envolve o processo de produção, circulação, distribuição, além da troca; a renda da terra,
    como uma forma de tributo pago aos proprietários de terras para que ela passe a produzir e a questão agrária
    como como um conjunto complexo de problemas relacionados com o desenvolvimento desigual, porém
    combinado, da agropecuária. Em Cuba, além da revisão bibliográfica realizamos entrevistas semi-
    estruturadas com camponeses das províncias de Havana, Camaguêy, Guantánamo, Artemisa e Pinar Del Rio.
    O estudo das duas realidades evidenciou que a questão agrária é insuperável, que ela não se restringe aos
    problemas da reforma agrária e que apesar de ser estrutural, os camponeses continuam encontrando formas
    de se reproduzir pelos meandros dos dois modos de produção. Restou claro, por fim, que a superação de um
    modo de produção, como no caso cubano em 1959, ou o simples acesso à terra, como em vários processos de
    desapropriação que ocorreram no Brasil, não significam, necessariamente, a eliminação da questão agrária.

  • JORGE EDSON SANTOS
  • A LUTA POR HABITAÇÃO POPULAR: a espacialização do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU)
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 22/08/2017
  • Dissertação
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  • No ano de 2007, no estado de Sergipe, surgiu o Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU). Realizando sua espacialização a partir da organização de famílias na capital e no interior, o Movimento fomenta a construção de uma consciência de classe onde alguns sujeitos são levados a ter uma postura de contestar o descumprimento da função social da terra e da propriedade privada no espaço urbano. A partir da ocupação de terrenos públicos e privados, empreendimentos inacabados ou abandonados há anos, o MOTU objetiva conseguir políticas sociais de Estado. Assim, atualizam a luta por habitação/terra através de suas ações e reivindicam a Reforma Urbana (RU), demonstrando o habitar enquanto valor de uso. Desse modo, nosso principal objetivo é analisar o processo de espacialização e/ou territorialização através das lutas do MOTU no contexto das questões urbana e agrária sergipanas. No decorrer dessa abordagem, levantamos as seguintes questões de pesquisa: a) A espacialização e o agravamento da luta por habitação/terra na Região Metropolitana de Aracaju (RMA) se dá, enquanto resultado/reflexo da permanência de uma alta concentração da estrutura fundiária, a partir da não realização das políticas de Reforma Agrária (RA) e RU, que deveriam ser prioridade do Estado em contrapartida à aplicação e fortalecimento de contrarreformas? b) As políticas públicas habitacionais recentes têm se mostrado efetivas na promoção da igualdade social? c) Essas lutas populares utilizam os conceitos de habitação enquanto valor de uso, confrontando o discurso da cidade enquanto espaço de valor de troca ou será que tais conceitos, na realidade, não são aceitos na matriz discursiva das organizações? d) Na luta por habitação/terra na RMA, há o dimensionamento do espaço de socialização política? Adotamos como procedimentos metodológicos a revisão da literatura para elucidar interpretações teóricas sobre os conceitos de Estado, espaço, território, espacialização e territorialização, movimento socioterritorial, déficit habitacional, reforma agrária, e reforma urbana, função social da terra e da propriedade e habitação; além do levantamento de dados quantitativos junto ao movimento socioterritorial, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (IPEA), Ministério de Trabalho e Emprego (MTE), Secretária de Estado do Planejamento (SEPLAG), Companhia de Habitação e Obras Públicas (CEHOP) e Superintendência de Patrimônio da União (SPU), entre outros. Os temas e informações elencados nesta pesquisa estão representados sob a forma de gráficos, tabelas, quadros, organogramas e mapas. A partir da consciência de que muitas das informações sobre o tema não podem ser quantificadas e necessitam de uma interpretação mais ampla e cuidadosa, procura-se, no presente trabalho, desenvolver também um estudo qualitativo. Nesse contexto, refletimos que os processos de lutas por habitação/terra que desencadeiam a espacialização do Movimento se expressam como sendo fruto da produção/apropriação e dominação desigual e contraditória do espaço geográfico no modo capitalista de produção, o que gera a segregação socioespacial e socioeconômica contribuindo para o empobrecimento da classe trabalhadora.

  • MARIANA BARBOSA ANDRADE
  • DESTERRITORIALIZAÇÃO DO LATICÍNIO UNIÃO NO ASSENTAMENTO BARRA DA ONÇA EM POÇO REDONDO/SE
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 21/08/2017
  • Dissertação
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  • No território do Alto Sertão Sergipano, a produção de leite é considerada aprincipal atividade econômica e o seu crescimento na área deve-se a investimentos depolíticas públicas voltadas ao melhoramento genético do rebanho, práticas de manejoadequado ao clima semiárido e como estratégia de reprodução dos agricultoresfamiliares. Em Poço Redondo/ Se, no assentamento Barra da Onça, a ação dessaspolíticas possibilitou a ampliação da miniusina formada pela Associação de PequenosProdutores Rurais da Barra da Onça, que a transformaram em 2001 no Laticínio União.A produção do laticínio estava centrada no leite pasteurizado tipo C e derivados. Taisprodutos eram comercializados no próprio estabelecimento comercial, localizado nacidade de Poço Redondo e na capital Aracaju, municípios circunvizinhos e outrosEstados. O Laticínio União participou dos projetos sociais governamentais Pró – Leite,PAA- Leite (Programa de Aquisição de Alimentos) e o Programa Nacional deAlimentação Escolar (PNAE) - principais compradores das pequenas agroindústriascertificadas do S.I.E. (Serviço de Inspeção Estadual). O leite adquirido pelo PAA-leiteabastecia famílias em situação de vulnerabilidade nutricional residentes nos municípiosde Poço Redondo, Canindé do São Francisco e Monte Alegre de Sergipe. A atuaçãodesses programas proporcionou a ampliação de agroindústrias para atender àsnecessidades do mercado consumidor em todo o Estado de Sergipe. Porém, oencerramento do programa do PAA-leite acelerou o processo de desterritorialização doLaticínio União e novas territorialidades foram formadas a partir dele. Portanto, estapesquisa tem como objetivo analisar o processo de territorialização, desterritorializaçãoe (re) territorialização da cadeia produtiva de leite no assentamento rural da Barra daOnça em Poço Redondo/Se, a partir da fundação e fechamento do Laticínio União. Oestudo em questão adotou uma abordagem qualitativa, na qual visa compreender aarticulação das redes sociais no funcionamento dos programas sociais, bem comoentender a participação dos atores, mediadores e sujeitos no direcionamento da cadeiaprodutiva do leite. Portanto, esta pesquisa demonstrará como essa desterritorialização doLaticínio União transformou diretamente a economia do assentamento Barra da Onça,provocando o surgimento de novas estratégias de reprodução social.

  • KARLA CHRISTIANE RIBEIRO TANAN
  • A MONOPOLIZAÇÃO DO TERRITÓRIO CAMPONÊS NO MUNICIPIO DE IGRAPÍÚNA/BA E O AGRONEGÓCIO DA BORRACHA NATURAL
  • Data: 16/08/2017
  • Dissertação
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  • A presente Dissertação teve como objetivo analisar o processo da monopolização daterra pelo capital nos territórios camponeses no município de Igrapiúna-Bahia a partir dainserção do Grupo Michelin no espaço rural desse município. Nossa análise teve comoponto de partida a introdução da Revolução Verde e os seus desdobramentos face àmodernização técnica/científica e a integração agricultura – indústria (os complexosagroindustriais) via políticas de subsídios, assistência técnica e de crédito. Apontamos aprimazia da atividade econômica da borracha no Brasil, mediante a internacionalizaçãodo capital, no primeiro momento na região amazônica e posteriormente com aterritorialização em escala nacional e mundial através dos monopólios industriais.Destaca-se que a atividade econômica da produção da borracha estabeleceu uma divisãosocial e territorial do trabalho. Esta pesquisa fundamenta-se epistemologicamente nométodo do materialismo histórico dialético, para reflexão crítica das contradiçõesexistentes no espaço agrário. Como resultado evidenciou-se que nas últimas décadas,ocorreu uma intensa apropriação do território pelo capital nas unidades de produçãofamiliar camponesa, mediante as intervenções públicas e privadas com o incentivo daexpansão da fronteira agrícola da borracha natural no estado da Bahia. Neste contexto,podemos destacar o Projeto Ouro Verde Bahia, desenvolvido pela multinacionalMichelin e o Programa de Desenvolvimento do Setor da Borracha Natural(PRODEBON), criado pelo Estado, com a finalidade da expansão do agronegócio daborracha e subordinação da produção em unidades de produção familiar camponesa pormeio do Sistema Agroflorestal (SAF). As atuais políticas de desenvolvimento para oagronegócio da borracha no estado da Bahia são apresentadas como sinônimo dedesenvolvimento e melhoria das condições de vida dos sujeitos do campo. Porém, o quese tem apontado é que a inserção da indústria na agricultura objetiva a acumulação eprodução do capital assegurando a extração de mais-valor. Verifica-se que a produçãode seringueiras está atrelada ao circuito do capital: produção, circulação, distribuição econsumo, em dimensão multiescalar, local/global. O campo brasileiro vem sendoconduzido, a partir de políticas públicas/privadas que reforçam a manutenção dadesigualdade, e da expropriação e/ou da sujeição dos sujeitos do campo.

  • FRANCIELE DOS SANTOS SANTANA
  • DERIVAÇÕES ANTROPOGÊNICAS NA ÁREA DO PERÍMETRO IRRIGADO DE BETUME/SE
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 27/07/2017
  • Dissertação
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  • A Geografia, enquanto ciência de relações, tem como objeto de estudo o espaço
    geográfico, configurado a partir da relação homem-natureza. Assim, a paisagem se torna
    reflexo das relações e das derivações associadas às formas de organização social que
    impõem funcionalidades. No Estado de Sergipe ao se analisar o processo histórico de
    ocupação, constatam-se significativas derivações antropogênicas, decorrentes dos tipos
    de uso da terra pelos grupos sociais, pela implantação de políticas públicas e pela falta
    de assistência técnica que interferem na dinâmica natural. O objeto deste estudo
    corresponde ao perímetro irrigado de Betume, inserido na sub-bacia do rio Betume,
    situado na margem direita do rio São Francisco, abrangendo parcialmente os municípios
    de Ilha das Flores, Neópolis e Pacatuba, que fazem parte do território do Baixo São
    Francisco Sergipano. A partir dos anos 70 passou a ter maior investimento financeiro do
    governo federal para implantação de políticas públicas vinculadas a atividades
    econômicas – agricultura irrigada. O perímetro irrigado de Betume foi implantado como
    medida compensatória, após a construção da barragem de Sobradinho, no estado da
    Bahia, durante os anos de 1973-1977, visto que, a mesma trouxe consequências para a
    população local que sobrevive da rizicultura. O objetivo deste estudo é analisar as
    derivações antropogênicas na dinâmica da paisagem, tendo como fundamentos teórico-
    metodológicos a concepção sistêmica, segundo a abordagem geossistêmica.
    Atualmente, o perímetro irrigado passa por condições precárias em sua infraestrutura,
    além de problemas relacionados com pragas, doenças e ervas daninha para as lavouras
    de arroz, contribuindo no uso indiscriminado de agrotóxicos; outro elemento que
    interfere no sistema de irrigação são as condições ambientais atuais do rio São
    Francisco, em virtude da diminuição da vazão e do processo de assoreamento,
    favorecendo a insuficiência hídrica e comprometendo a produtividade dos lotes. Além
    disso, a pressão antrópica decorrente da exploração, poluição e usos dos recursos
    naturais, sem o devido planejamento, favorece a existência de possíveis riscos
    potenciais socioambientais. Sendo assim, a elaboração deste estudo poderá subsidiar o
    planejamento ambiental e a tomada de decisões da área.

  • ROBERTTA DE JESUS GOMES
  • REDES, TEIAS E LAÇOS NA PRODUÇÃO DE FOGOS: TRADIÇÃO E RESSIGNIFICAÇÃO EM ESTÂNCIA/SE
  • Orientador : SONIA DE SOUZA MENDONCA MENEZES
  • Data: 25/07/2017
  • Dissertação
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  • Estância, cidade localizada na região Sul do estado de Sergipe, apresenta nos seus festejos
    juninos tradições singulares. Além dessas festividades, o lugar é destaque por sua produção de
    fogos juninos e a cultura do barco de fogo. Esta pesquisa tem por objetivo analisar a produção
    de fogos como estratégia de renda alicerçada na tradição para a reprodução de grupos
    familiares. Buscou-se compreender a relação entre essa tradição identitária e a paisagem
    cultural, bem como também o papel das redes, os laços e as teias que são construídas e
    mantidas pela manutenção e fortalecimento dessa atividade cultural. Para além das
    contribuições geográficas, pretende-se dar visibilidade aos sujeitos invisíveis – produtores de
    fogos. Para atingir tais objetivos o caminho metodológico adotado partiu da coleta de
    informações teóricas com através de pesquisa bibliográfica relacionada às temáticas
    relacionadas a cultura, identidade, festas, patrimônio, saberes, fazeres, relações de
    proximidade e o conceito de paisagem cultural. Em seguida, foi realizado o trabalho de campo,
    quando foram coletadas as informações primárias através de entrevistas semiestruturadas
    com os fogueteiros, ajudantes, comerciantes de fogos, representantes de instituições públicas
    e população local. Como resultado, contatou-se que, para a população local, a produção de
    fogos é relevante para o município, constituindo o principal atrativo da festa junina, e que,
    para os fogueteiros, consiste na preservação de um saber fazer tradicional local que
    proporciona renda. Foram identificados os “barracões” de produção nos bairros (Porto D’areia,
    Bonfim, Alecrim e Povoado Disilena), foi evidenciada as etapas, materiais e processos da
    produção bem como as relações de proximidade entre os fogueteiros, o alcance da
    comercialização dos fogos juninos para outros municípios sergipanos até estados como Rio de
    Janeiro, São Paulo e Bahia. Embora a produção tenha se modernizado em alguns aspectos,
    com a inserção de algumas máquinas e equipamentos, a essência da tradição continua, já que
    a fabricação de fogos e de barcos de fogo aponta que os modos tradicional e moderno
    coexistem. Constatou-se que os fogueteiros anseiam por algumas mudanças no tocante ao
    cumprimento dos prazos de pagamentos dos seus fogos, à construção de barracões de
    maiores dimensões pela prefeitura municipal e à participação na organização das normas das
    competições de fogos que ocorrem anualmente durante o ciclo junino. Para a população local
    e os fogueteiros, a produção de fogos e as festividades juninas em Estância conformam uma
    paisagem cultural.

  • ADRIANA DAVID FERREIRA GUSMÃO
  • INDÚSTRIA, CAPITAL E FORMAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO PARA A PRODUÇÃO ALIMENTÍCIA EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BA
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 17/07/2017
  • Tese
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  • A tese discute aspectos da constituição da indústria brasileira no modo de produção
    capitalista, relacionando com a formação da força de trabalho e teve como principal
    objetivo a análise dos entrelaces do modo de produção com a coisificação do homem no
    que diz respeito à qualificação ou desqualificação para a prática laboral, discutindo
    também a legislação sobre o ensino profissional e a mercantilização da educação
    técnica. A base teórica discute o histórico da indústria capitalista brasileira, os conceitos
    de capital e trabalho, tendo como base empírica a indústria alimentícia do município de
    Vitória da Conquista, na Bahia. A formação da força de trabalho e as relações de
    contratação contribuem para a compreensão da dinâmica capitalista no contexto da
    fabricação de alimentos e reflete um papel contraditório da qualificação profissional
    que, por sua vez, faz parte de uma rede solidária que se materializa no espaço sob a
    forma de modos de viver, de circular imersa na diversidade socioespacial e
    socioeconômica na perspectiva da atividade capitalista. A força de trabalho, vista como
    apêndice da máquina se estabelece no cotidiano e se acomoda face à escassez do
    emprego ou mesmo ao medo de se manifestar. O trabalhador, com renda mínima é
    responsabilizado pela baixa qualificação que, contraditoriamente, significa a
    possibilidade de estar empregado. Os condicionantes do emprego refletem aspectos do
    que se denomina de transformação de trabalho especializado em trabalho simples. Com
    isso, observa-se a manutenção da faixa salarial, mesmo com aumento de produtividade e
    da mais-valia. Para fundamentar a análise das informações coletadas em campo e as
    ideias na escrita da tese foi realizado um aprofundamento teórico com base nos estudos
    de Antunes (2006, 2007 e 2010), Chesnais (1996), Harvey (vasta obra), Kuenzer (2003
    e 2007), Marx (vasta obra), Mészáros (2002 e 2008), Moreira (2011, 2013 e 2016),
    Pochmann (2006 e 2007), Santos (2004 e 2008), entre outros importantes nomes da
    ciência. Ao trato teórico foram associadas informações coletadas nas bases eletrônicas
    do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa
    Econômica Aplicada (IPEA), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do
    Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e do Departamento
    Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Além disso, foram
    aplicados 290 questionários direcionados aos trabalhadores das indústrias alimentícias,
    realizadas entrevistas semiestruturadas com os responsáveis pelas indústrias e com
    representante do sindicato da categoria. A partir das análises ficou evidente que a falta
    de qualificação profissional é um mecanismo utilizado pelas indústrias para contratação
    de força de trabalho barata e que o trabalhador deve apenas realizar a tarefa para a qual
    foi contratado, sem que haja necessidade de realização de cursos ou afins. O
    trabalhador, assim, é visto como parte de uma engrenagem, da mecânica capitalista. Os
    trabalhadores do referido segmento industrial são, em sua maioria, nascidos em Vitória
    da Conquista e moram na própria cidade. As contradições analisadas à luz da teoria de
    base marxista retratam os pressupostos do modo de produção capitalista e enquadram a
    força de trabalho como principal vítima desse sistema.

  • SHEYLLA PATRÍCIA GOMES DO NASCIMENTO
  • SEMIÁRIDO ALAGOANO: DINÂMICA SOCIOAMBIENTAL DE NASCENTES EM POÇO DAS TRINCHEIRAS - AL
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 22/06/2017
  • Dissertação
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  • O Semiárido nordestino brasileiro, durante o seu processo de ocupação, foi uma região de
    estimulado valor econômico, no auge da criação bovina, e pelas terras férteis, nas quais se
    formaram aglomerados urbanos, a maioria próxima aos rios e riachos intermitentes. Com o
    adensamento populacional nos núcleos urbanos resultou na procura de outros locais, sendo
    que o povoamento se estendeu pelas vastas terras que abrigavam o interior dessas cidades,
    principalmente nas áreas circundadas por serras isoladas, conhecidas como brejos de altitude,
    dotadas de clima mais úmido, mata exuberante e afloramento de nascentes. Assim tornaram-
    se ambientes favoráveis em detrimento do sistema natural, pelo uso contínuo de água, de suas
    fontes naturais. Sabe-se que, a região semiárida no Nordeste do Brasil sofre com a
    insuficiência hídrica, onde é suprida por suas bacias hidrográficas, cujas nascentes são
    consideradas por lei, áreas de preservação permanente – APP’S, e visam estabelecer o
    sustento contínuo do fornecimento de água. A pesquisa vigente busca em seu objetivo geral
    analisar a dinâmica socioambiental das nascentes em Poço das Trincheiras, semiárido
    alagoano, sendo o recorte espacial da pesquisa na Serra do Poço, classificada como um brejo
    de altitude e que, devido as condições ambientais, foram ocupadas, formando assim o
    Povoado Serra do Poço. O município integra a região hidrográfica do Rio São Francisco, e é
    drenado pelas sub - bacias do Rio Ipanema, Capiá e Riacho Grande. Poço das Trincheiras é
    banhado por rios intermitentes, mas com muitas fontes naturais ou olhos d’água que se
    originam sobre as serras, provenientes do afloramento das águas subterrâneas. Devido aos
    estresses hídricos e anomalias climáticas enfrentados pelos viventes dos sertões, as nascentes
    são fontes primordiais de utilização da população para vencer problemas relacionados a
    escassez de água, estabelecendo assim uma relação direta entre sociedade e natureza. Para tal,
    a pesquisa desenvolvida delineou-se, a partir da abordagem sistêmica, tendo como categoria
    de análise geográfica a paisagem. Quanto aos procedimentos metodológicos consistem em:
    pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, pesquisa experimental e tratamento dos dados.
    Realizou-se um referencial teórico acerca da temática, posteriormente uma análise integrada
    da paisagem através da caracterização dos condicionantes ambientais e socioeconômicos da
    área de estudo e por fim, o estudo dessas nascentes. Enfim, conclui-se que as nascentes áreas
    protegidas por lei evidenciadas no município, em especial no Povoado Serra do Poço
    encontram-se, em pequenas propriedades rurais, totalizando 12 (doze), servindo de uso local
    para a comunidade, seja no cultivo de subsistência ou dessedentação de animais, algumas
    perturbadas, outras degradadas pelas ações antrópicas, mas que não existe nenhum tipo de
    fiscalização e nem aplicabilidade da legislação na área.

  • MICHELLE PEREIRA DA COSTA DA SILVA
  • DINÂMICA DOS RECURSOS HÍDRICOS E DERIVAÇÕES ANTROPOGÊNICAS NO ALTO CURSO DO RIO SUBAÉ -BA.
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 21/06/2017
  • Dissertação
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  • A ciência geográfica, a partir do estudo da produção do espaço geográfico, insere no
    cerne da questão ambiental a relação entre sociedade e natureza e seus rebatimentos nos
    sistemas biofísicos. Assim entendendo, pesquisa dissertativa objetivou analisar as
    derivações antropogênicas na dinâmica do alto curso do rio Subaé – Bahia, área de
    estudo localizada a aproximadamente 107 km da capital baiana. Para tanto, a proposta
    foi investigada a partir de objetivos específicos: identificar aspectos geoambientais e
    derivações que configuram a paisagem; refletir sobre impactos políticos de gestão nos
    recursos hídricos e sobre conflitos socioambientais em Áreas de Preservação
    Permanente, inseridas na área pesquisada. A proposta metodológica está estruturada na
    perspectiva do zoneamento, planejamento e gestão ambiental. Instrumentos utilizados
    consistem no levantamento bibliográfico, uso do Sistema de Informações Geográficas
    (SIG) para elaboração do material cartográfico, trabalho de campo e análise,
    interpretação e correlação dos dados e informações. A dissertação se encontra
    estruturada com base teórica nas discussões sobre sociedade e natureza, paisagem como
    categoria de análise e bacia hidrográfica como unidade de gestão dos recursos hídricos e
    os processos da urbanização. Os condicionantes geoambientais apontam que o alto
    curso situa-se sobre domínio hidrogeológico com elevada permeabilidade e com
    condições favoráveis ao armazenamento de água subterrânea. Agrega-se a esse fato, a
    interferência do comportamento pluviométrico anual no regime hídrico, observado na
    série temporal entre 1994 a 2015, que demonstra duas sazonalidades, marcadas por um
    período seco e outro demoderamente mais chuvoso. Os meses com maior intensidade
    pluviométrica abrangem meados do verão, outono e início inverno. O período mais
    seco, por sua vez, ocorre durante o fim do inverno, na primavera e início do verão, os
    quais apresentam maior regularidade durante os anos analisados. O uso e ocupação da
    área de estudo demonstram o jogo de forças entre a manutenção dos ambientes hídricos
    e a expansão do tecido urbano, que competem diante do processo de urbanização, sobre
    o qual materializa fenômenos socioambientais e repercutem na vitalidade dos recursos
    hídricos. Diante disso, as lagoas, nascentes e riachos que têm regimes influenciados
    pelas precipitações pluviométricas sofreram impactos das derivações antropogênicas,
    com os aterramentos e ocupação irregular nos períodos da redução da lâmina d’água.
    Sobre a política de gestão dos recursos hídricos, observou-se avanços históricos
    positivos nos aspectos normativos, bem como na criação do comitê de bacias
    hidrográficas no corpo estrutural do Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos
    Hídricos. O comitê de bacia hidrografica que o rio Subaé faz parte, encontra-se em
    processo de estruturação técnica e organização interna, para que possa desempenhar as
    suas atribuições. O estado da Bahia possui um sistema de gestão coerente com a Política
    Nacional dos Recursos Hídricos, todavia, precisa maior articulação com as esferas
    municipais.

  • EDILSA OLIVEIRA DOS SANTOS
  • CONFIGURAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PLANÍCIE COSTEIRA NO MUNICÍPIO DE PARIPUEIRA – ALAGOAS
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 20/06/2017
  • Dissertação
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  • As áreas litorâneas são ambientes dinâmicos e instáveis, frágeis e vulneráveis, que compreendem
    a zona de transição entre o continente e o mar, reunindo paisagens peculiares, porém complexas, devido a
    sua dinâmica natural, associados ás atividades socioeconômicas que configuram esses espaços. É uma
    porção territorial de grande diversidade de recursos naturais, seja em relação à fauna ou à flora. Essas
    características são atrativas, sejam para repouso, recreação, lazer, práticas esportivas ou atividades
    econômicas. Em regiões onde as construções na linha de costa têm sido intensificadas de maneira direta
    ou indireta, tornam-se perceptíveis as alterações no balanço dos sedimentos costeiros e consequentemente
    a descaracterização desse ambiente, acelerado por fatores sociais. Neste sentido, evidenciam-se a
    importância das questões socioambientais, assim como as fragilidades ambientais dos ambientes
    costeiros, no intuito de fornecer subsídio para o ordenamento territorial, materializado na paisagem
    litorânea. Espaço e a paisagem constituem-se as categorias de análise da pesquisa em desenvolvimento,
    cujo objetivo geral é analisar a dinâmica socioambiental na Planície Costeira do município de Paripueira,
    localizado no litoral norte de Alagoas. Para tanto, foi feita a caracterização dos elementos físicos, com o
    intuito de compreender o funcionamento do sistema ambiental como também a fragilidade ambiental do
    recorte espacial da pesquisa. Para a construção adotou-se como procedimentos metodológicos três níveis
    da pesquisa: exploratório, descritivo e explicativo, divididos em três etapas, realizados mediante revisão
    bibliográfica, pesquisa documental, trabalho de campo e gabinete, com a confecção dos mapas temáticos
    em ambiente dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Conclui-se que a Planície Costeira em
    questão é formada por depósitos datados do Quaternário, desenvolvida a partir dos eventos de
    transgressões e regressões marinhas. Constituída por terraços marinhos, planície fluviolagunar,
    fluviomarinho, dunas, cordões litorâneos, e mangues. Sua estrutura aponta nível de fragilidade ambiental
    acentuado, pelos usos conferidos a esse ambiente que têm apresentado crescimento populacional e
    econômico. A ocupação urbana apresenta-se distribuída de forma irregular, com modificação e
    degradação na paisagem natural, tendo como principal agente motivador, as atividades turísticas. Infere-
    se, portanto, que é preciso despertar na sociedade o reconhecimento através de pesquisas cientificas,
    ações de gerenciamento e monitoramento e tentar encontrar uma situação de equilíbrio entre o uso e
    preservação das regiões costeiras, através de investimentos que vise minimizar os danos ao meio
    ambiente, e programas de educação ambiental junto à população local na busca de mudar atitudes e
    comportamentos das pessoas em relação ao meio ambiente.

  • AURO DE JESUS RODRIGUES
  • CIBERESPAÇO: DA SEGURANÇA PÚBLICA NO CONTROLE DO ESPAÇO
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 09/06/2017
  • Tese
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  • Nas últimas décadas, vem ocorrendo uma forte disseminação das tecnologias de controle e vigilância eletrônica no mundo inteiro. O Brasil e, particularmente, Aracaju, não foge à regra, pois a disseminação dessas tecnologias tem aumentado com o crescimento da violência criminal. É inegável que as mudanças no âmbito da produção e no trabalho têm implicações tanto sobre as causas da criminalidade quanto sobre as reações contra ela, visto que as causas da criminalidade estão, principalmente, relacionadas à injustiça social e a desigualdades socioeconômicas espaciais. Para o controle e/ou redução da violência criminal, o Estado capitalista recorre a “máxima” - é necessário mais investimentos em sistemas de segurança pública e privada. No Brasil, uma das formas para o controle e/ou redução da violência criminal é a implantação de Centros Integrados de Operações em Segurança Pública reticular, com a utilização do ciberespaço da videovigilância. Em Sergipe, foi implantado o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), com esse mesmo objetivo. Nesse sentido, a hipótese de pesquisa é que a inserção de um ciberespaço da videovigilância reticular da segurança pública no espaço urbano de Aracaju, necessariamente não implica no controle e/ou na redução da violência criminal, mas viabiliza e reforça o controle socioespacial. A tese foi desenvolvida objetivando analisar o ciberespaço da videovigilância da segurança pública como forma de controle socioespacial, considerando o processo espacial de integração em rede do sistema de segurança pública em Aracaju. Para a realização da pesquisa, buscou-se contextualizar o ciberespaço, delineando-o como viés de controle e segurança e explicar o processo de virtualização eletrônica do espaço geográfico, através do ciberespaço, para fins de segurança e controle. Além disso, foi necessário explicar a reticularização virtual do espaço como forma de controle, constatando-se que a inserção da videovigilância da segurança pública não implica em solução para o problema da violência, especificamente no Brasil e em Sergipe. Justifica-se a realização desta pesquisa, na medida em que oferece subsídios para discussões em relação à reticularização do espaço geográfico através do ciberespaço da videovigilância, à questão do controle social e da violência criminal; a importância do entendimento do ciberespaço como parte do espaço geográfico na relação sociedade-natureza. Para o desenvolvimento metodológico da pesquisa foi realizada pesquisa bibliográfica; pesquisa de campo em Aracaju como “recorte” espacial de análise; e, pesquisa em fontes estatísticas a partir do Mapa da Violência 2016, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2016, do Atlas da Violência 2016 e do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP). A tese foi desenvolvida através de uma pesquisa explicativa, buscando analisar o fenômeno a partir de relações e mediações que envolvem a produção do espaço. Como resultados, foi possível elucidar as contradições que permeiam a violência e segurança através do ciberespaço como controle e virtualização do espaço.

  • EDIVALDO ALVES DE OLIVEIRA
  • OS TERRITÓRIOS DOS MARACATUS DO POVOADO BREJÃO – BREJO GRANDE/SERGIPE -BRASIL
  • Orientador : MARIA AUGUSTA MUNDIM VARGAS
  • Data: 15/05/2017
  • Dissertação
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  • Este trabalho se propôs a analisar, no contexto da Geografia Cultural, os territórios dos
    maracatus que se manifestam no povoado Brejão, pertencente ao município de Brejo Grande e
    situado próximo à foz do Rio São Francisco, em Sergipe. Como manifestações culturais e
    simbólicas buscou-se analisar quais elementos contribuem para a construção e formação dos
    folguedos no povoado. Para compreensão e análise das manifestações populares em estudo
    foram adotadas as categorias espaço e território para a apreensão das territorialidades e,
    metodologicamente, a abordagem qualitativa, desenvolvida por um conjunto de
    procedimentos: pesquisa documental em textos acadêmicos, relatórios, sites e censos;
    entrevistas com os brincantes dos maracatus e com a população; oficina com estudantes de 10
    a 29 anos da Escola Estadual do povoado e, pesquisa participante junto ao Maracatu Nação
    Porto Rico (MNPR) na cidade do Recife antes e durante o carnaval de 2016. Para entender as
    origens dos maracatus, recorreu-se a textos históricos sobre a diáspora africana e o cotidiano
    laboral, religioso e festivo dos africanos de forma a compreender o sincretismo entre o
    candomblé e a religião católica mas, sobretudo, na atualidade, os vínculos entre as
    festividades católicas e a manifestação dos grupos de maracatu. A realização da oficina
    possibilitou a identificação das expressões culturais existentes no povoado, dentre elas, as que
    dão sustentação identitária, ressaltando o Maracatu como uma das referências do lugar. Das
    entrevistas com os brincantes, pode-se apreender que os Maracatus do Brejão se manifestam,
    nos momentos de ‘folga’ do trabalho; têm a mesma origem familiar e brincam com formação
    de parentes e agregados. A história do maracatu como manifestação popular de negros se
    confunde com a história do povoado que, embora formado no século XIX, se insere numa
    região que desde o século XVIII registra a formação de quilombos. Pela oralidade, até o ano
    de 2006 existia no povoado apenas o Maracatu Patrocínio do Brejão (MPB), originário da
    formação do Mestre Plácido e conduzido por sua sobrinha Mestre Lila desde 1940. Com a
    inserção do povoado Brejão no Território Quilombola Brejão dos Negros criado pelo governo
    Federal ocorreu um cisma no folguedo e o Mestre Adalto, brincante do MPB, cria o Maracatu
    Raízes do Quilombo (MRQ), distinguindo, na origem, por ser uma formação que apoia o
    movimento de incorporação do povoado como quilombo. Ambos se manifestam como o
    MNPR por já estarem dissociados dos cortejos populares do ciclo natalino, por manterem
    elementos da corte e os tambores no sentido da brincadeira, porém, são distintos por não
    associarem a formação aos rituais do candomblé. Foram observados elementos singulares no
    sentido de brincar, na formação dos territórios e nas práticas dos maracatus estudados, ambos,
    referência cultural do povoado, seja ele Brejão ou Brejão dos Negros.

  • ALESSANDRA OLIVEIRA TELES
  • O COMÉRCIO INFORMAL EM FEIRA DE SANTANA (BA) – PERMANÊNCIAS E MUDANÇAS
  • Data: 26/04/2017
  • Tese
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  • O comércio informal em Feira de Santana, particularmente o que ocorre nas
    ruas da cidade, passou por significativas transformações no intervalo que
    marca a origem do município e da cidade com a feira livre e a feira de gado
    bovino até a atual organização, na qual os produtos industrializados
    predominam. Esta situação é um indicativo de que houveram inclusões, nesta
    atividade, de processos de acumulação de capital. Sua organização e
    relevância é reflexo do poder que possui em atrair um elevado fluxo de
    pessoas, em especial, de sua microrregião, e da capacidade em promover a
    circulação de capital, caracterizando o centro comercial como local de maior
    valor para todo tipo de comércio informal, incluindo o comércio de rua. É no
    comércio onde se encontra a força da economia de Feira de Santana, nesta
    perspectiva, determinou-se o comércio informal como objeto desse estudo,
    considerando sua relevância. As permanências e mudanças no comércio de
    rua em Feira de Santana também são repercussões locais de situações
    globais. As transformações no cenário internacional estabelecidas num curto
    período de tempo vão reconfigurar politicamente as nações e promover
    profundas alterações econômicas e políticas no mundo contemporâneo. A
    prática do comércio de rua para esses produtos é um modelo já conhecido que
    ganha um novo padrão quando observado o que passa a ser vendido, pois a
    feira livre é responsável, principalmente, por produtos de origem agropecuária
    ou manufaturados simples. Na atual organização, a produção industrial,
    sobretudo a tecnológica, é a que mais encontra espaço nesse tipo de comércio.
    Ele é resultado de um processo histórico que o consolida, das ações
    governamentais, das leis trabalhistas, bem como das mudanças nas relações
    de produção e trabalho em nível global com repercussões locais que
    resultaram num processo de reestruturação produtiva. Uma vez que muitos
    cidadãos retiram seu sustento, de forma honesta, dessa atividade e muitas
    indústrias consideradas regulamentadas conseguem ver seu capital se elevar
    destinando parte de suas mercadorias para este segmento comercial. Entre as
    permanências e mudanças evidenciadas percebe-se que o comércio de rua
    estudado segue a lógica e modelo de sociedade para o qual se destina. Nesse
    sentido, o comércio realizado por ambulantes e camelôs vem refletindo
    interesses e necessidades da clientela. Ao concluir esta pesquisa, percebeu-
    se que o comércio informal em Feira de Santana apresenta uma grande
    heterogeneidade, complexidade e relevância para a sociedade e a economia.
    Desse modo, as permanências e mudanças nessa atividade permitem diversos
    estudos posteriores.

  • ALBERLENE RIBEIRO DE OLIVEIRA
  • A DESERTIFICAÇÃO DO ALTO SERTÃO DE SERGIPE NO CONTEXTO GEOGRÁFICO
  • Orientador : JOSEFA ELIANE SANTANA DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 20/04/2017
  • Tese
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  • A relação sociedade-natureza é conflituosa e provoca crises socioambientais, desencadeando a
    desertificação, que, por sua vez, é complexa e apresenta um dinamismo que desestabiliza o
    equilíbrio da natureza e da sociedade. O Brasil, especificamente o nordeste brasileiro, se
    constitui de núcleos de desertificação, estudados e analisados em seus múltiplos e particulares
    aspectos, e, em Sergipe, o Alto Sertão Sergipano representa a área mais susceptível. As
    alterações na periodicidade da sazonalidade climática, associadas ao uso e ocupação das terras,
    evidenciaram significativas manifestações relacionadas à desertificação. Nesse sentido, esta
    Tese teve por objetivo analisar as transformações socioambientais no Alto Sertão de Sergipe,
    considerando o conjunto de interrelações, fundamentadas na abordagem Sistêmica, visando a
    obter uma visão geográfica, integralizada e dinâmica. Para tanto, foram utilizados os seguintes
    procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica, documental e de campo. As alterações
    socioambientais que ocorreram nas paisagens do Alto Sertão de Sergipe nas décadas de 1980,
    1990 e 2000 revelaram avanços da degradação e novas formas de apropriação do espaço. Desse
    modo, os resultados apresentados revelaram que no Alto Sertão de Sergipe ocorre desertificação
    ecológica, principalmente nos municípios de Poço Redondo, Canindé de São Francisco e
    noroeste de Porto da Folha, que demonstraram expansão de solos expostos e pavimentos
    detríticos de afloramentos rochosos, aumento de sulcos e ravinas, redução da biodiversidade,
    salinidade, diminuição da vazão das fontes de água e déficit hídrico. Nos municípios de Monte
    Alegre de Sergipe, Gararu, Nossa Senhora da Glória e Nossa Senhora de Lourdes, é menos
    intenso, mas a não utilização de técnicas adequadas pode avançar e tornar irreversível ao longo
    do tempo. Verificou-se também que o avanço da degradação ambiental surgiu a partir dos anos
    90, com o desmatamento excessivo para a realização das atividades agropecuárias, originando
    manchas pontuais de desertificação que foram evoluindo. Tais indicadores contribuíram para a
    diminuição da produção agrícola ao longo dos anos, tendo como consequências diretas
    observáveis: solo infértil; redução de terras cultiváveis; migração da população para a zona
    urbana, principalmente os mais jovens, devido à falta de perspectiva de qualidade de vida no
    campo e ao desemprego.

  • LUANA SANTOS OLIVEIRA MOTA
  • AVALIAÇÃO GEOECOLÓGICA E DOS RISCOS AMBIENTAIS NA PLANÍCIE COSTEIRA DE ARACAJU/SE
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 07/04/2017
  • Tese
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  • A paisagem apresenta-se como o resultado material da junção entre o meio natural e o meio antrópico. Dentre as paisagens que apresentam maior complexidade diante de tal relação, destaca-se a costeira, a qual possui uma composição biofísica que revela elevada fragilidade ambiental. Não obstante tal característica, a crescente ocupação da faixa litorânea tem resultado em uma grande valorização e consequente exploração imobiliária da orla marítima. Partindo para a análise dos conflitos resultantes deste processo, observa-se que a junção de componentes biofísicos frágeis associado a uma elevada pressão antrópica pode alargar consideravelmente os riscos associados à ocupação. Dentro desse contexto, destaca-se a paisagem costeira do município de Aracaju/SE, a qual vem passando por grandes transformações nas últimas décadas, guiadas pela ação conjunta do poder estatal, da especulação imobiliária e outras demandas socioeconômicas. Diante de tal problemática o presente trabalho tem por escopo realizar uma análise geoecológica da paisagem costeira do munícipio de Aracaju/SE, tendo em vista a avaliação dos riscos associados aos atuais e futuros cenários de ocupação. O início da ocupação da frente litorânea do referido município deu-se no pós-década de 1960, inicialmente nos bairros da Atalaia e Coroa do Meio, avançando, posteriormente, para o restante da frente litorânea do município, em que se destaca a Zona de Expansão de Aracaju. Tal ocupação está assentada em uma paisagem composta por feições geomorfológicas, das quais destacam-se o terraço marinho, os cordões litorâneos, dunas e manguezais. É sobre essa base biofísica, cuja análise geoecológica revela fragilidade e elevada variabilidade natural, que está ocorrendo o contínuo aumento populacional. Tendo por pressuposto a análise geoecológica, entende-se que a partir do momento que o homem espacializa-se na paisagem há um processo de modificação das estruturas preexistentes, muitas vezes danosas ao ambiente, pois este tem suas funções modificadas a ponto de não conseguir recuperar-se naturalmente. A partir do momento que o ambiente perde tal capacidade, também é suprimida a sua propensão a responder a eventos de ordem natural e, por conseguinte recobrar-se destes. De tal modo, paisagens intensamente antropizadas são muito mais suscetíveis a eventos de cunho natural. Por conseguinte, para o caso de Aracaju, o complexo de inter-relações entre meio biofísico e as consequentes derivações antropogênicas da paisagem costeira, tem alargado consideravelmente os riscos. Estes estão associados à ocupação desmedida e não planejada de grande parte das unidades naturais, fato que é diagnosticado na área de estudo. Para além deste diagnóstico, acredita-se os cenários futuros tendem a apontar para a ampliação das modificações, fruto do processo de derivação antropogênica das paisagens matriciais, e consequentemente, potencializar os riscos associados à ocupação.


  • DAYSE MARIA SOUZA
  • A ASFIXIA DO CAPITAL SOBRE O TRABALHO NO ESPAÇO AGRÁRIO NO LITORAL SUL DA BAHIA
  • Orientador : ALEXANDRINA LUZ CONCEICAO
  • Data: 31/03/2017
  • Tese
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  • A presente Tese de doutorado analisa o processo de mobilidade do trabalho no Espaço
    Agrário do litoral sul da Bahia. Inicialmente foi desenvolvida uma leitura sobre os
    aspectos que envolvem a submissão do trabalho ao capital a partir da sua lógica de
    valorização. A tendência da reprodução sociometabólica do capital é tornar a força de
    trabalho cada vez mais supérflua, representando uma das contradições da lógica
    irracional e destrutiva do seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que apresenta a
    necessidade de ampliar o caráter produtivo do trabalho ele cria a sua própria negação.
    Compreende-se que, a lógica da expansão capitalista, ao desenvolver suas
    potencialidades criadoras de valor a partir do aumento da capacidade produtiva da força
    de trabalho este tende a diminuir sua parte variável, empregando uma quantidade cada
    vez menor de força de trabalho, intensificando os níveis de exploração, criando assim
    uma asfixia necessária aos verdadeiros criadores de valor. A asfixia necessária se
    materializa, por um lado, para um campo cada vez mais perverso de ampliação da
    camada do exército industrial de reserva, negando a venda da força de trabalho para
    grande parte dos trabalhadores (em toda a hierarquia social da divisão do trabalho); e
    por outro, aqueles que conseguem vender sua mercadoria força de trabalho, acabam
    realizando extensas horas de trabalho, intensificando os níveis de exploração,
    acarretando um aumento do processo de degradação da vida humana em seus aspectos
    mais gerais. Atrelada à crise estrutural e ao desemprego estrutural, a condição do caráter
    móvel do trabalho, portanto, ganha uma materialidade diferenciada nas formas de
    reprodução do capital do século XXI, há uma intensificação das formas de submissão
    cada vez mais perversa do trabalho ao capital, seguida do movimento de precarização e
    fluidez da força de trabalho. Com a tendência cada vez mais asfixiante do capital sobre
    o trabalho, as determinações que envolvem as relações de trabalho na realidade
    estudada, por exemplo, acompanhada do caráter expansivo do sistema do capital
    evidencia uma reestruturação espacial que repõe uma nova lógica de sua reprodução no
    Espaço Agrário do litoral sul da Bahia. Constata-se nesse processo, uma maior
    desvalorização da força de trabalho e uma intensificação do seu caráter móvel,
    ampliando a camada dos supérfluos, ponto os verdadeiros produtores de mais-valor
    rumo aos caminhos da incerteza do labor.

  • VOLNANDY DE ARAGÃO BRITO
  • OS FEITOS SOCIOECONÔMICOS DO AGROAMIGO: UMA ESTRATÉGIA DO FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO ESTADO DE SERGIPE (E SEUS COMPROMETIMENTOS NA ECONOMIA LOCAL.
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 24/03/2017
  • Tese
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  • O Agroamigo é um programa de microcrédito rural inserido no contexto
    metodológico do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar e do
    Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). É
    Operacionalizado no Banco do Nordeste do Brasil nos Estados do Nordeste e norte de
    Minas Gerais e Espirito Santo através de parceria com o Instituto Nordeste Cidadania.
    Sua missão é promover o desenvolvimento rural através da concessão de pequenos
    financiamentos (visão quantitativa) para investimentos e custeio, em atividades
    agropecuárias e não agropecuárias, de forma rotativa ou não, bem como orientação
    creditícia e acompanhamento técnico (visão qualitativa) no decurso do prazo do
    financiamento. Como crédito rural produtivo e orientado, o Agroamigo, transcede a
    mera concessão de crédito bancário e figura como instrumento de uma política de
    desenvolvimento local e regional, que deverá estar integrado às outras políticas de
    desenvolvimento regional como o PAA, o PGPAF, o Proagro, o Bolsa Família, o Luz
    Para Todos, etc, de forma a maximizar seus efeitos sociais e econômicos. Este trabalho
    tem como objetivo explicitar quais efeitos na perspectiva individual e na perspectiva
    loco-regional vem trazendo o Agroamigo, considerando o crescimento vertiginoso e
    ascendente no quantitativo de operações contratadas nessa metodologia. Investiga se
    esse crescimento quantitativo vem sendo acompanhado de mudanças sociais e
    financeiras nos tomadores de crédito e suas externalidades socioeconômicas nos
    municípios, ao induzir maior fluxo de capital e circulação de bens e serviços. O espaço
    regional analisado é os principais municípios “tomadores de crédito” no Estado de
    Sergipe, tendo sido definido a linha de tempo de 2005 a 2015. Inicia-se com uma
    abordagem conceitual e histórico-factual sobre o PRONAF, o surgimento do
    Agroamigo e sua inserção na metodologia PNMPO. Prossegue com a apresentação dos
    dados coletados, a pesquisa de campo realizada, os resultados esperados. Por fim
    discute os dados e informações à luz da tese levantada dos efeitos do Agroamigo no
    desenvolvimento regional. A análise dos dados ratificou os impactos positivos do
    Agroamigo na geração de renda e seus efeitos na economia local, o que justifica a
    escolha do tema como problemática relevante no âmbito da politica de desenvolvimento
    regional e no processo de organização do espaço rural.

  • EDUARDO GABRIEL ALVES PALMA
  • GOVERNANÇA DAS ÁGUAS NO BRASIL: APLICAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS E SEUS IMPACTOS NO TERRITÓRIO DA BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 22/03/2017
  • Tese
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  • A redução da oferta de água em bom estado de qualidade ambiental tem causado sinalizações acerca da importância da proteção dos mananciais de abastecimento superficiais e subterrâneos. Neste sentido, a emergência de medidas quanto ao comando e controle do uso dos recursos hídricos em diversas partes do mundo tem forçado a um debate importante, qual seja: de quem é a responsabilidade sobre a governança da água? Nesse contexto, a presente pesquisa trata dos pilares da governança das águas no Brasil, e, de modo específico, na bacia do rio São Francisco, com o objetivo geral de analisar o impacto da aplicação da Política Nacional dos Recursos Hídricos na referida bacia e seu consequente rebatimento no território. No primeiro momento fez-se um levantamento bibliográfico de autores que tratam do tema e de documentos oficiais vigentes acerca da governança da água no território nacional e na área de investigação, como Planos de Desenvolvimento, Planos Diretores, marcos regulatórios internacionais, nacionais e regionais, bem como sua aplicação na unidade hidrográfica. O levantamento de dados primários em campo consolidou a discussão empírica da temática abordada, quando da constatação de elementos da governança que se encontram em conflito pela apropriação da terra e da água. Esses aspectos auxiliaram a uma reflexão teórico-metodológica sobre a governança das águas no Brasil e seus impactos no território da bacia do São Francisco, interagindo com autores especializados no tema e de diversas áreas do conhecimento, abordando três aspectos fundamentais, a saber: a) A bacia hidrográfica como unidade preferencial de planejamento e gestão das águas; b) Princípios e Fundamentos de governança das águas no Brasil e no rio São Francisco e c) A outorga dos recursos como instrumento de acesso seletivo e assimétrico dos recursos hídricos. Além disso, observa-se que, a utilização das águas por todos os segmentos de usuários, tem provocado um acesso desigual e assimétrico a este recurso por meio da reserva e autorização via outorga e cobrança pela Agência Nacional de Águas quando utiliza a vazão de referência da bacia hidrográfica, e seu impacto no território e na governança das águas do São Francisco.

  • MÁRCIA MARIA DE JESUS SANTOS
  • INTERAÇÕES ESPACIAIS DA CIDADE DE ITABAIANA NO SUBSISTEMA URBANO DE ARACAJU
  • Orientador : VERA LUCIA ALVES FRANCA
  • Data: 20/03/2017
  • Tese
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  • A rede urbana é composta por cidades de diferentes tamanhos e distintos exercícios
    funcionais dentro de cada contexto escalar. O espaço urbano se configura de modo
    unitário e com vários vetores de atuação, que, a partir das suas singularidades,
    articulam-se com o externo, fator que reforça a trama urbana. As relações espaciais que
    são mantidas com sua região são associadas à essa dinâmica. A partir da força da
    centralidade de cada cidade, essa região pode expandir sobre escalas geográficas mais
    amplas. Esta tese tem como objetivo analisar as interações espaciais interurbanas da
    cidade de Itabaiana – SE, centro intermediário do subsistema urbano de Aracaju, a fim
    de desvendar os seus desdobramentos e sua abrangência dentro da rede urbana. Em
    Sergipe, essa rede apresenta uma concentração de funções urbanas na capital do estado,
    sendo que a maioria das cidades é categorizada como pequenas, não apenas no que se
    refere ao número de habitantes, mas também à disponibilidade dos equipamentos e das
    funções urbanas presentes. Outro ponto relevante da rede que perfaz esse subsistema
    urbano é o pequeno número de cidades consideradas intermediárias. Dentro desse grupo
    de cidades, destaca-se Itabaiana, localizada na porção central do estado, com relevante
    vocação comercial e de prestação de serviços. Para a consecução dos objetivos, foi
    realizada intensa pesquisa bibliográfica e documental. As singularidades locais foram
    desveladas a partir de trabalho de campo, utilizando a aplicação de entrevistas com os
    órgãos regulamentadores do transporte público coletivo intermunicipal, e de
    questionários aos usuários desse transporte e do levantamento de dados junto às
    instituições de serviços de educação e de saúde. A análise dos resultados da pesquisa
    direta, à luz dos postulados teóricos adotados, permitiu verificar a abrangência da área
    de influência que a cidade de Itabaiana exerce sobre os centros urbanos menores. Outro
    elemento importante apontado na pesquisa é o prevalecimento da influência do referido
    município sobre as cidades localizadas na sua circunscrição territorial, assim como
    sobre aquelas localizadas ao noroeste do estado, com abrangência da centralidade sobre
    algumas cidades do estado da Bahia. O detalhamento dessas relações espaciais permitiu
    não apenas identificar a força de atuação de Itabaiana num contexto regional, como
    também verificar a fragilidade na oferta de serviços essenciais nas cidades que estão sob
    influência direta dessa urbe, fator que fortifica a tese do desequilíbrio da rede urbana em
    Sergipe e no Brasil.

  • LUIZ ANDRÉ MAIA GUIMARÃES GESTEIRA
  • A Ação do Estado-Capital na Produção do Espaço e a Expropriação das Comunidades Tradicionais no Município de Barra Dos Coqueiros/SE.
  • Orientador : ALEXANDRINA LUZ CONCEICAO
  • Data: 16/03/2017
  • Dissertação
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  • A atividade extrativista desempenhada pelas catadoras de mangaba do município de Barra dos Coqueiros tem sido historicamente marcada por disputas e conflitualidades nas comunidades tradicionais locais e os proprietários de terras onde essas trabalhadoras realizam parte considerável de sua atividade. Todavia, mesmo esse cenário desfavorável à reprodução social e cultural dessas comunidades, regido pelas relações desiguais estabelecidas no conflito entre o uso e a propriedade legal da terra, nunca chegou a por em risco a continuidade da atividade patrimonial das catadoras de mangaba e tampouco sua perspectiva de permanência no área rural do município. Entretanto, desde a primeira década do século XX, o processo de produção do espaço regido pelo capital financeiro e que teve como estopim a construção da Ponte Aracaju – Barra dos Coqueiros no ano de 2006 tem provocado uma danosa intensificação da especulação imobiliária no município, especializada de acordo com a lógica sociometabólica da acumulação capitalista que, em seus ajustes espaciais, vem se apropriando de vastas áreas do seu espaço rural a partir da construção de uma série de empreendimentos imobiliários, como condomínios fechados de casas, de apartamentos e de lotes urbanizados além da criação de extensas áreas de loteamentos abertos. Esse processo de apropriação do espaço pelo mercado imobiliário tem atingido amplamente o modo de vida e trabalho das comunidades tradicionais locais, que seguem uma lógica de trabalho e produção que depende, sobremodo, do extrativismo em áreas das quais não detêm a propriedade legal. Dessa forma, esses sujeitos sociais tem sido seriamente precarizados com o processo de expansão urbana que reduz intensamente as áreas disponíveis para o extrativismo dos frutos da restinga, comprometendo por completo sua autonomia a partir da terra, e com isso, também sua permanência no espaço agrário do município. A ação do Estado, viabilizada pela própria administração municipal de Barra dos Coqueiros tem também promovido sérios empecilhos à sobrevivência e à permanência das catadoras de mangaba ao definir as áreas dos Povoados locais como perímetros urbanos, impondo com isso a cobrança de altas taxas de IPTU, as quais dificilmente poderão ser pagas pelos pequenos proprietários. Dessa forma, em multideterminações o Estado-capital estabelece a proposta da expansão urbana como modelo de desenvolvimento, frente aos sujeitos sociais precisam articular-se e organizar-se em sua luta, inscrita na universalidade da expansão do capital sobre os territórios camponeses, luta para permanecer na terra, condição de vida, trabalho e autonomia.

  • LUIZ HENRIQUE DE BARROS LYRA
  • DINÂMICA GEOMORFOLÓGICA E AMBIENTAL DAS ILHAS DO MASSANGANO E RODEADOURO, SUBMÉDIO SÃO FRANCISCO, NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 15/03/2017
  • Tese
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  • Estudar a dinâmica da geomorfológica Semiárida Brasileira é um exercício investigativo de grande interesse para a ciência contemporânea. Particularmente a análise integrada dos processos geomórficos fluviais com as diversas condições naturais e socioeconômicas, na região Submédia do rio São Francisco têm um propósito ainda mais relevante diante do seu contexto geográfico e para a história evolutiva recente da Terra. Nesta perspectiva, esta pesquisa se baseou na abordagem sistêmica e no aspecto estrutural e fisiológico da paisagem para analisar a dinâmica geomorfológica e ambiental das ilhas do Massangano e Rodeaouro, situadas no Submédio São Francisco, como subsídio para o planejamento do uso e ocupação adequados de suas terras. Por conseguinte, adotou procedimentos metodológicos associados a diferentes etapas, destacando-se entre eles o levantamento documental (bibliográfico e cartográfico), trabalho de campo e análise laboratorial. Especificamente, técnicas de geoprocessamento e mapeamento, como o modelo digital de elevação (MDE) e a correlação de planos de informações, análise de dados geologicos, pedológicos e gemorfológicos, foram utilizados para delimitar as unidades morfoestruturais e deposicionais que compõem a compartimentação geomorfológica local, bem como, a drenagem e o uso e ocupação das terras. Também, realizaram-se a descrição de perfis baseados na abordagem morfoestratigráfica para coleta, análise e datação por Luminescência Opticamente Estimulada (LOE) de sedimentos (morfoscopia e granulometria) nos depósitos aluviais, distinguindo sua gênese e evolução morfogenética e o contexto ambiental em que se encontram nas ilhas. Os resultados obtidos permitiram inferir que os sedimentos de origem fluvial foram remobilizados pelos ventos, sendo pouco trabalhados por fluxos de transporte e deposição com curta distância, de uma fonte relativamente próxima e associada a eventos extremos como as cheias, que ainda hoje são recorrentes nesta região. Também indicam uma possível geocronologia dos eventos paleoclimáticos holocênicos, como os períodos de El Niño prolongados e a denominada Pequena Idade do Gelo que intensificaram a semiaridez nesta região. As ilhas e toda bacia do Submédio São Francisco, nos últimos 38 anos, também sofreram profundas alterações decorrentes das intervenções hidrodinâmicas com implicações morfológicas e ambientais. As barragens ao longo do curso do rio, como a de Sobradinho a montante, controlaram as oscilações entre as secas e cheias, mantendo a vazão regular, contudo ocasionaram alterações no fluxo e no ciclo erosivo/deposicional, na recarga e capacidade de transporte de material, evidenciadas pelo rebaixamento da vazão d’água, o assoreamento de seu leito e o desaparecimento de vários tributários. Desta forma, também expandiram a ocupação das terras marginais com alta densidade populacional e atividades agrícolas, turísticas e de lazer, o desmatamento e a erosão das margens com a consequente colmatação do leito do rio e a formação de barras e bancos arenosos temporários, removidas ou submersas, que associadas a soleiras rochosas a jusante do canal proporcionam uma concentração de sedimentos mais coesos com feições intermitentes e até permanentes em que a vegetação se coloniza rapidamente, transformando-as em novas ilhas e interceptando o fluxo com o anastomosamento. As técnicas aplicadas para interpretação dos sedimentos selecionados na ilha demonstraram-se eficientes, contudo devem ser correlacionadas com a coleta e análise de depósitos em outras superfícies geomórficas de acumulação.

  • CHRISTIAN JEAN MARIE BOUDOU
  • DA "CIDADE - SAÚDE" À "CIDADE TURISMO": A INVENÇÃO DA PRAIA TURÍSTICA DE GUARAPARI (ES): UMA GEOGRAFIA HISTÓRICA DOS USOS DO LITORAL
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 14/03/2017
  • Tese
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  • Os espaços litorâneos concentram atualmente a maior parte da população mundial. Dentre os diversos usos destes territórios, o turismo emerge como sendo um dos fenômenos que mais transformam estes espaços. Historicamente constata-se que o olhar projetado às praias pelas sociedades ocidentais transformou progressivamente suas funções e seus usos. Espaço atrativo na Antiguidade (Mediterrâneo) e repulsivo na Idade Média, a praia tornou-se lugar de contemplação com funções terapêuticas a partir do século XVIII e no século XX caracteriza-se por excelência por ser um espaço hedonista. No início do século XXI, o balneotropismo e o heliotropismo provocaram profundas transformações nos litorais, modificando as relações da sociedade com estes espaços. Os usos das praias são cada vez mais complexos e não cessam de se renovar: frequentadas no inverno e posteriormente no verão, durante o dia e atualmente a noite, para fins terapêuticos e hoje para o prazer. A presente tese teve por objetivo analisar as sucessivas “invenções” da praia de Guarapari e elaborou, através dos métodos da Geografia Histórica, uma periodização temporal dos usos e funções das praias de Guarapari (ES) para compreender a evolução (a produção do espaço), culminando na sua “invenção” enquanto espaço de lazer e de turismo. A análise em questão foi fundamentada em diversos procedimentos metodológicos: levantamentos bibliográficos referentes à Geografia Histórica e sobre o espaço litorâneo, levantamentos bibliográficos e cartográficos dos períodos históricos selecionados para análise, coleta de informações históricas referentes aos diversos usos pretéritos e atuais das praias de Guarapari e por fim, trabalho de campo para descrever e caracterizar as praias turísticas estudadas. A análise das “invenções” ocorridas em Guarapari evidencia que a Geografia não compreende o turismo como sendo fruto de uma “atração”, “vocação” ou “potencial” do espaço turistificado. As invenções mostraram que, em todos os períodos analisados, o espaço geográfico foi transformado segundo os usos feitos pela sociedade. Cada uso do espaço feito pela sociedade em determinado momento histórico, fez ocorrer uma valorização diferenciada, transformando o espaço de maneira diferente nos períodos analisados. A produção do espaço em Guarapari responde hoje aos usos, práticas e valorização que a sociedade contemporânea projeta sobre suas praias, fazendo desta cidade o maior polo turístico do estado do Espírito Santo

  • JISLAINE LIMA DA SILVA
  • Experiências de desenvolvimento territorial: a questão do Proinf e da gestão social no território da cidadania na Bacia Leiteira/AL
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 14/03/2017
  • Dissertação
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  • A partir da necessidade de promover ações de combate à pobreza e desigualdades no
    meio rural brasileiro, o Estado, a partir de políticas públicas de abordagem territorial,
    vem promovendo ações de fortalecimento da agricultura familiar e de dinamização das
    áreas rurais, de maneira que a sociedade civil e poder público assume papel ativo nesse
    processo. A política de desenvolvimento territorial rural, surge no Brasil a partir do
    programa Territórios Rurais no ano de 2003, sendo implementada em diversos
    territórios brasileiros, a exemplo do caso do Território da Cidadania da Bacia Leiteira
    (TCBL) no estado de Alagoas. O território é composto por 11 municípios, que será
    analisado no presente trabalho a partir da perspectiva do desenvolvimento territorial e
    da análise do Proinf, que é criado c om o objetivo de fomentar recursos para projetos de
    desenvolvimento rural sustentável dentro da abordagem territorial. Analisar a
    dinamização econômica do Proinf no Território da Bacia Leiteira em uma perspectiva
    espacial e a importância da gestão social: implicações, avanços e contradições na
    política de Desenvolvimento Territorial, constitui o objetivo geral da pesquisa. Para
    alicerçar a pesquisa é utilizado a categoria território e os conceitos de desenvolvimento
    rural, desenvolvimento territorial, gestão social e Projeto de Infraestrutura e Serviços
    em Territórios Rurais (PROINF). Trazendo um método empírico-análitico de forma
    quantitativa e qualitativa, que analisa os aspectos gerais e reflete as informações da
    realidade, para isso, foram realizados os seguintes procedimentos metodológicos:
    levantamento e revisão bibliográfica, busca e análise de dados secundários, realização
    de entrevistas semiabertas com atores sociais do Colegiado e trabalho de campo
    analisando, por amostra, projetos do Proinf de 2003 a 2014. Decorrente da conjuntura
    instaurada a partir da política de desenvolvimento territorial rural, surge a necessidade
    de se fazer um estudo mais expressivo da questão do território da Bacia Leiteira como
    estudo de caso, sabendo-se que um dos objetivos dos Territórios da Cidadania é integrar
    os espaços em um ideal em comum, na busca por desenvolvimento rural nos
    municípios, entre eles destaca-se os Proinfs e seus desdobramentos sócio-espaciais. Em
    suma, a política territorial tem permitido o fortalecimento e inclusão de diversos
    segmentos sociais que viviam marginalizados. No TCBL, os Proinfs tem trazido
    resultados positivos e são bem avaliados pelos atores sociais do território e mesmo com
    problemas de logística tem conseguido realizar uma boa articulação com a política
    territorial. No que diz respeito a gestão social ainda é necessário que os sujeitos sociais
    compreendem sua importância e a exerçam.

  • VANESSA DIAS DE OLIVEIRA
  • POLÍTICAS PÚBLICAS E TRABALHO PRECÁRIO: A RETÓRICA DA AUTONOMIA EMPREENDEDORA E A PERMANÊNCIA DO DESEMPREGO.
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 13/03/2017
  • Tese
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  • Diante do desastroso quadro do desemprego, uma ideologia se difunde nas políticas sociais hodiernas: a do trabalho “autônomo” como meio de inserção viável para garantir a empregabilidade. Isso se estabelece justamente após os desdobramentos da crise estrutural no Brasil nas décadas de 1980/90, quando a reestruturação produtiva e todo seu pacote flexível fundiu o esgotamento do padrão de industrialização com o projeto Neoliberal, desmontando o frágil estatuto de políticas sociais que mal havia sido implantado após a Constituição de 1988. A financeirização do capital ao impor a reforma administrativa do Estado, os cortes nos gastos sociais, a abertura comercial, as privatizações, a apropriação do fundo público e sobretudo a desregulamentação das relações de trabalho, busca capturar nos territórios mais estratégicos o trabalho mais barato e desprotegido. A barbarização da “questão social” manifesta-se pelo desemprego crônico, terceirização, intensificação das relações informais, piora na qualidade dos postos de trabalho e aumento da pobreza, especialmente nos espaços urbanos. Para enfrentá-la implantou-se no país um sistema público de emprego a partir de 1990 formado por políticas de transferência de renda (abono salarial, seguro-desemprego), intermediação da força de trabalho, estímulo a qualificação profissional além da concessão de crédito via Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER). À vista disso, a tese objetivou desvelar o papel das políticas públicas de “emprego” trabalho e renda, através do maior Programa de combate ao desemprego da América Latina, o PROGER (Programa de Geração de Emprego e Renda – Urbano) no recuo ou favorecimento do crescimento da superpopulação relativa. O fundamento teórico marxiano/marxista aliado as pesquisas e informações no Fundo de Amparo ao Trabalhador, Ipea, Dieese, IBGE, das entrevistas com gestores municipais e dos trabalhadores excluídos do PROGER-Urbano em Aracaju/SE, permitem afirmar que a política de concessão de crédito opera em duas linhas e não atingem os sujeitos mais vulneráveis, sendo inócua no combate mínimo ao desemprego. Os princípios de gestão do Proger-Urbano tem dependência da burocracia das instituições financeiras (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, etc.), e as próprias condições de funcionamento do mercado de trabalho brasileiro, cuja precariedade e informalidade são traços essenciais, afinam-se à acumulação financeira predatória, impedindo a geração de trabalho e renda nos moldes propostos pelo programa. Na realidade aracajuana os “inempregáveis”, que sobrevivem à margem das políticas de mercado de trabalho, ingressam na incerteza de ocupações informais, vinculadas ao “terceiro setor” por meio do trabalho “voluntário e solidário” no lixo, caso da Cooperativa dos Agentes de Reciclagem (CARE). Os demais trabalhadores que permanecem sem ocupação buscam a intermediação de “mão-de-obra para disputar as vagas no mercado de trabalho; acabam sendo canalizados para a formação de cursos técnicos de qualificação oferecidos pelo SINE/FAT na Fundação Municipal do Trabalho, ou permanecem desempregados, avolumando o contingente funcional ao capital. Em todas estas dimensões a ausência da relação empregador x empregado aparece como caminho ao perfil empreendedor, escamoteando o conflito capital x trabalho. A subsunção real, camuflada pelo contra-proprismo, assume uma feição de tal modo reificada, que obscurece a função do Estado e do capital no controle do trabalho, permitindo a extração da mais-valia absoluta e relativa em novos formatos, favorecida pelo aumento dos “inempregáveis”.

  • LUANA PEREIRA LIMA
  • ORDENAMENTO DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA PLANÍCIE FLUVIOLAGUNAR DO RIO BETUME/SE
  • Orientador : HELIO MARIO DE ARAUJO
  • Data: 20/02/2017
  • Dissertação
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  • Os ambientes costeiros são complexos devido sua dinâmica natural, fragilidades e os múltiplos interesses socioeconômicos. São ambientes peculiares e de caráter diferenciado, que devem ser considerados em sua singularidade, e necessitam de atenção especial para um correto planejamento e gestão. A nova racionalidade de ocupação dos ambientes costeiros associa a demanda de uma sociedade de lazer a uma demanda por zonas de trabalho e habitação. Diante disso, há a necessidade de estudos que apresentem propostas de ordenamento ambiental visando um equilíbrio entre o uso e manutenção dos recursos naturais. A proposta desse estudo foi analisar de forma integrada a dinâmica ambiental e socioeconômica da planície fluviolagunar associada ao rio Betume na perspectiva do ordenamento do uso e ocupação do solo. Para tanto adotou-se a abordagem sistêmica como caminho de investigação da paisagem, afim de possibilitar o entendimento da realidade local e assim propor um zoneamento resultante da aplicação da metodologia pressão-estado-impacto-resposta. Os procedimentos metodológicos adotados para sustentação da temática investigada consistiram em revisão bibliográfica, pesquisa documental, trabalhos de campo e elaboração de documentos cartográficos, os quais no conjunto, subsidiaram a análise integrada das dimensões ambiental e social culminando em uma proposta de zoneamento. A planície formada por depósitos fluviolagunares associada ao Rio Betume tem uma evolução geológico-geomorfológica desenvolvida a partir de eventos de transgressões e regressões marinhas do Quaternário e encontra-se inserida entre cordões de dunas em terraços marinhos e paleofalésias do Grupo Barreiras. Sua estrutura aponta um nível de fragilidade ambiental acentuado. Em contrapartida os usos atribuídos a esse ambiente tem apresentado crescimento, a saber: atividades e interesses voltados para o turismo; atividades econômicas primárias de pesca, carcinicultura, pastagens, agricultura e atividades de extrativismo vegetal. O nível de ocupação está distribuído de forma irregular, assim como a intensidade de modificação e degradação. Neste sentido, O zoneamento, oriundo dos diagnósticos ambiental e socioeconômico, propõe orientações de uso e ocupação do solo visando a sustentação da qualidade ambiental.

  • ANA MARIA SEVERO CHAVES
  • INDICADORES DE QUALIDADE AMBIENTAL DE ÁREAS VERDES PÚBLICAS DA CIDADE DE GARANHUNS-PE
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 08/02/2017
  • Dissertação
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  • Com base na abordagem sistêmica da paisagem e usos sociais, analisa-se a qualidade ambiental urbana da cidade de Garanhuns a partir de indicadores das áreas verdes públicas. Os indicadores possibilitam analisar e visualizar espacialmente as áreas verdes públicas na paisagem urbana de Garanhuns, atuando como indicadores de caráter qualitativo e quantitativo. Um dos objetivos deste trabalho é estudar a cidade como um sistema ambiental urbano, em que a paisagem é a categoria geográfica referencial. A paisagem corresponde a uma herança dos elementos naturais e das construções humanas sobre um substrato natural de diferentes momentos histórico em um sistema ambiental aberto a trocas de energia internas e externas sob constante influência antrópica. Nessa perspectiva a qualidade ambiental possibilitada pelas áreas verdes públicas contribui para certo equilíbrio na relação sociedade e natureza. Os procedimentos metodológicos envolveram a contextualização teórica do tema, pesquisa de campo, elaboração de material cartográfico, uso das ferramentas disponíveis e operacionalizadas em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs). Por meio desses procedimentos e de parâmetros estabelecidos, observou-se a espacialização das áreas verdes, a dinâmica fitogeográfica, índices de densidade e sombreamento arbóreo, a variação da temperatura da superfície, o adensamento urbano e os usos sociais como os indicadores de qualidade ambiental aqui analisado. Os resultados permitiram constatar que a presença da vegetação é fator para um sistema ambiental equilibrado e que a diversidade arbórea oferece maior plasticidade e embeleza a paisagem urbana. Consequentemente, quanto melhor o índice maior é a qualidade das áreas verdes. No entanto, ainda que algum índice não tenha se enquadrado no parâmetro esperado, isso não evidenciou uma qualidade ambiental inferior, caso a vegetação das AVPs estivesse em harmonia com os equipamentos públicos e as trilhas de passagem. Além disso, os usos sociais são mais diversificados nos parques, o que os leva a serem mais frequentados. Por fim a pesquisa mostra-se relevante para o atual debate ambiental sobre as cidades, essa conseguiu corresponder aos objetivos traçados, comprovando que nas áreas verdes públicas existe uma gama de indicadores que podem ser utilizados para se verificar a qualidade ambiental urbana.

  • CARLA NORMA CORREIA DOS SANTOS
  • ENTRE O LITORAL SUL DE SERGIPE E O LITORAL NORTE DA BAHIA: ONDE AS POLÍTICAS TERRITORIAIS SE ENCONTRAM
  • Data: 30/01/2017
  • Tese
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  • Nos municípios de Indiaroba, localizado no Litoral Sul de Sergipe, e Jandaíra, situado no Litoral Norte da Bahia, o desenvolvimento do turismo e da atividade imobiliária, através da ocupação das terras por parcelamentos para fins de segunda residência ou veraneio, promoveu uma reconfiguração territorial e econômica. Estes municípios são contíguos e estão localizados em limites extremos de seus respectivos estados, o que os colocou durante muito tempo em situação de isolamento geográfico em relação à Aracaju e Salvador, embora sempre tenha existido uma conexão entre eles, estabelecida pela proximidade geográfica e laços de vizinhança. A ação estatal através da construção de uma rede viária, de transportes e comunicação favoreceu uma maior conexão entre Indiaroba e Jandaíra, e entre municípios próximos, tanto em Sergipe quanto na Bahia, estabelecendo assim relações econômicas intraregionais. De territórios “invisíveis”, estes municípios, tornam-se territórios desejados, pois lugares de alto valor imobiliário, como praias, dunas, lagoas e estuários têm se tornados atrativos ao capital privado para a construção de condomínios residenciais, casas de veraneio, hotéis e resorts. Desta forma, em Indiaroba e Jandaíra, interesses externos, as verticalidades, introduzem ou planejam implantar novas funções e novas formas, segundo suas lógicas e interesses e nesse processo são formados novos espaços e novas territorialidades. Assim, admite-se como tese que a reconfiguração territorial e econômica de Indiaroba e Jandaíra se processa a partir das horizontalidades ou dinâmicas internas, endógenas à sociedade, e das verticalidades ou movimentos externos à sociedade, produzindo espaços diferenciados. No processo de investigação da pesquisa foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, pesquisa cartográfica e pesquisa de campo. A presente tese teve por objetivo analisar as horizontalidades e as verticalidades na reconfiguração territorial e econômica de Indiaroba e Jandaíra. À vista disso, a abordagem qualitativa se mostrou a mais adequada para interpretar tal fenômeno. Os municípios de Indiaroba e Jandaíra embora tenham sido apropriados, ainda apresentam uma ocupação rarefeita, existindo alguns povoados que ainda permanecem “invisíveis” e pouco integrados economicamente às capitais, mantendo-se como espaços periféricos, como “fronteiras” ou “fundos territoriais”. As horizontalidades expressam os objetivos e as dinâmicas das sociedades locais e ajudam a desenvolver mecanismos de agregação e solidariedade entre Indiaroba e Jandaíra, gerando uma coesão da sociedade local e um processo de autonomia de decisão, o que constitui uma forma de resistência a reconfiguração econômica e territorial pela qual estes municípios vêm passando para atender as demandas do mercado global. Tais reconfigurações foram impulsionadas pelas verticalidades, disseminadas tanto por atores locais quanto globais, que correspondem aos fatores externos que determinam as modalidades internas das ações e atendem aos interesses de grupos hegemônicos, muitas vezes desestruturando as solidariedades locais criadas pelas horizontalidades e ocasionando conflitos.

2016
Descrição
  • GEISEDRIELLY CASTRO DOS SANTOS
  • Interações Geoecológicas nas Planícies de Marés do Litoral Centro-Sul Sergipano
  • Orientador : ROSEMERI MELO E SOUZA
  • Data: 14/12/2016
  • Tese
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  • A dinâmica estuarina no estado de Sergipe favoreceu a formação de planícies de marés em todas as desembocaduras fluviais, em áreas abrigadas da ação mecânica das ondas e que sofrem a influência do regime de marés, totalizando uma área estimada em cerca de 260 km². O objetivo da presente tese foi analisar a evolução da paisagem das planícies de marés existentes no litoral Centro-Sul de Sergipe. A pesquisa utilizou como procedimentos metodológicos, norteados pelo método da Geoecologia das Paisagens: aquisição, processamento das imagens de satélite e fotografias aéreas, criação dos shapes e construção dos mapeamentos temáticos; quantificação da área das classes temáticas; trabalho de campo e interpretação dos dados. As análises mostraram que as assinaturas energéticas das planícies de marés que compõem a área de estudo são similares, excetuando-se pela influência do tensor natural: dinâmica fluviomarinha e pelos tensores antropogênicos que atuam sobre a área de estudo. A análise evolutiva da planície de Maré entre os bairros 13 de Julho e Jardins (Aracaju/SE) mostrou que a redução da vegetação de mangue foi decorrente do assoreamento promovido pela erosão do pontal arenoso da Coroa do Meio e devido à baixa disponibilidade de nutrientes no sistema ambiental; A dinâmica evolutiva das planícies de marés da desembocadura do rio Vaza Barris (Itaporanga D’Ajuda/SE) revelou que as planícies de marés desenvolvidas em longo prazo estão em estabilidade, e as de curto prazo estão em instabilidade com tendência à redução pela erosão fluviomarinha e baixa disponibilidade de nutrientes; A análise evolutiva da desembocadura dos rios Piauí/Real (Estância/SE) revelou a ocorrência de planícies de marés de longo prazo que sofreram perdas severas de vegetação de mangue em decorrência da erosão fluviomarinha, com perda total de vegetação neste setor de 44.000 m². Concluiu-se a partir dos resultados que todas as planícies de marés localizadas nas desembocaduras analisadas possuem tendência geral à perda de vegetação de mangue tanto por influência fluviomarinha (Vaza Barris) como por influência fluviomarinha e antropogênica (Piauí/Real e Sergipe). O estudo geoecológico proposto serve de instrumento para auxiliar no planejamento ambiental da zona costeira sergipana no tocante ao reordenamento das ocupações humanas. Essas ações devem ocorrer em observância à variabilidade das linhas de costas associadas a desembocaduras fluviais, e no sentido da conservação dos sistemas ambientais, como segurança de sobrevivência para as comunidades, que dependem dos manguezais, e para manutenção da biodiversidade que se reflete em garantia de oferta alimentar para a sociedade como um todo.

  • JOSEMAR HIPÓLITO DA SILVA
  • ARRANJO PRODUTIVO LOCAL RURAL E AGROECOLOGIA: uma estratégia de desenvolvimento rural no território da Mata Alagoana/AL
  • Orientador : JOSE ELOIZIO DA COSTA
  • Data: 14/11/2016
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa tem como objetivo realizar uma análise do processo de desenvolvimento rural, a partir das ações do Arranjo Produtivo Local Fruticultura no Vale do Mundaú e da agroecologia, analisando as dimensões, econômica, político institucional, social, ambiental e cultural no território da Mata Alagoana, Alagoas. Partiu-se do pressuposto de problemas vivenciados pelos agricultores familiares a partir das recorrentes enchentes no rio Mundaú, em especial a ocorrida no ano de 2010. Foi a partir desta que, iniciou-se a falência das usinas de beneficiamento de cana-de-açúcar no território. Assim, foi preciso o Estado realizar a inserção dos municípios atingidos por esses problemas no Programa de Arranjos Produtivos Locais – PAPL, esse processo resultou em um novo arranjo produtivo para esse território, pautado em potencialidades já existentes, como a prática da cultura da fruticultura tendo como carro chefe os cultivos da Laranja Lima (Orgânica) e da Banana (prata e cumprida). Foi neste cenário que o APL potencializou características produtivas, humanas dos agricultores familiares que estão inseridos nos projetos e ações. A agroecologia exerce importância na valorização das mulheres e jovens, bem como a inserção a novos nichos de mercados pautados na certificação orgânica e na valorização das dimensões aqui analisadas. Neste contexto busca-se desenvolver práticas metodológicas que utiliza a análise de documentos técnicos e dados oficiais, relatórios de pesquisas, atas de reuniões, questionários e entrevistas gerados nas respectivas pesquisas e uma revisão bibliográfica focada nas temáticas discutidas, buscando atrelar as ações e projetos realizados pelo APL a proposição de parâmetros e indicadores ofereçam o devido suporte e possibilitem atender as questões e objetos requeridos na pesquisa. É possível identificar uma análise comparativa do acesso e abrangem das políticas públicas no Território com os municípios que integram o APL, para constatar a existência do desenvolvimento rural. Essa análise ganha reforço a partir dos processos que buscam a valorização da pequena agroindústria familiar, dos produtos locais, da inserção de grupos vulneráveis, constatando-se uma mudança na realidade produtiva, econômica, social e ambiental dos municípios envolvidos nas ações do APL.

  • EDÉSIO ALVES DE JESUS
  • AGROHIDRONEGÓCIO DO EUCALIPTO EM SERGIPE E REBATIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS.
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como proposta mostrar os interesses do capital na apropriação
    da terra e da água como pressuposto emergencial para a geração de energia renovável a
    partir do derivado do monocultivo de eucalipto, que rebate sobre as áreas destinadas a
    produção alimentar, nos municípios de Estância e Itaporanga d’Ajuda, no estado de
    Sergipe. O avanço do agrohidronegócio de eucalipto revela dois processos definidos por
    Oliveira (1991; 2004; 2007): O primeiro, a monopolização do território, em que o
    capitalista não imobiliza dinheiro na compra da terra, e a produção sempre é realizada
    com trabalho dos pequenos e médios proprietários, que passam a substituir a produção
    alimentar pelo cultivo de eucalipto. Porém, quem define o preço da mercadoria final são
    os grandes produtores. O Segundo, a territorialização do capital, em que os grandes
    produtores de eucalipto detêm a terra, contratam trabalhadores e destinam a produção
    energética do eucalipto para abastecer os fornos e caldeias das indústrias. Esse cenário
    impõe uma centralidade nas disputas territoriais nos municípios da pesquisa, em que
    diferentes estratégias do agrohidronegócio asseguram a usurpação da renda do
    trabalhador e da natureza para usufruto da indústria. Como metodologia, adotamos a
    dialética materialista e como procedimentos, realizamos revisão bibliográfica em livros,
    teses, dissertações, revistas eletrônicas, trabalho de campo e documentos técnicos. Esses
    últimos foram buscados junto ao IBGE, relatório da IBÁ e as informações em órgãos e
    instituições e Secretaria de Estado, que disponibilizou a Base Cartográfica do Atlas
    Digital sobre os Recursos Hídricos do Estado de Sergipe, nos permitindo a elaboração
    dos mapas físicos e socioeconômicos. Observa-se que com o desenvolvimento do
    capitalismo na agricultura a questão agrária torna-se complexa. As tramas sobre a
    monopolização da terra, e hoje, do acesso e controle da água acirram as disputas
    territoriais e os problemas socioeconômicos e ambientais se expandem. A apropriação
    da natureza, portanto, se intensifica com a crescente demanda de matéria-prima. No
    Brasil, com a modernização na agricultura, novas áreas são incorporadas como garantia
    de produtividade de alguns produtos agrícolas; milho, soja, trigo, cana-de- açúcar e,
    recentemente, floresce o setor de plantio de floresta através do monocultivo de
    eucalipto, que torna o Brasil um dos principais exportadores de produtos derivados
    dessa cultura para a produção de madeira, celulose, papel, madeira em tora, pasta de
    celulose, carvão vegetal, etc. Em Sergipe, o agrohidronegócio se apropria da natureza
    com amplo apoio do Estado, que desde a década de 1990, com a implantação do
    Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial acelera o processo produtivo das
    indústrias sergipanas, fazendo crescer a necessidade de recursos energéticos, o que
    promove a indução dos pequenos e médios proprietários de terra a cultivar eucalipto
    pelo discurso da viabilidade de renda e emprego, principalmente para os trabalhadores
    de assentamentos rurais, o que repercute de maneira diferenciada no campo impondo a
    luta pela terra.

  • EDÉSIO ALVES DE JESUS
  • AGROHIDRONEGÓCIO DO EUCALIPTO EM SERGIPE E REBATIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS.
  • Orientador : JOSEFA DE LISBOA SANTOS
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como proposta mostrar os interesses do capital na apropriação
    da terra e da água como pressuposto emergencial para a geração de energia renovável a
    partir do derivado do monocultivo de eucalipto, que rebate sobre as áreas destinadas a
    produção alimentar, nos municípios de Estância e Itaporanga d’Ajuda, no estado de
    Sergipe. O avanço do agrohidronegócio de eucalipto revela dois processos definidos por
    Oliveira (1991; 2004; 2007): O primeiro, a monopolização do território, em que o
    capitalista não imobiliza dinheiro na compra da terra, e a produção sempre é realizada
    com trabalho dos pequenos e médios proprietários, que passam a substituir a produção
    alimentar pelo cultivo de eucalipto. Porém, quem define o preço da mercadoria final são
    os grandes produtores. O Segundo, a territorialização do capital, em que os grandes
    produtores de eucalipto detêm a terra, contratam trabalhadores e destinam a produção
    energética do eucalipto para abastecer os fornos e caldeias das indústrias. Esse cenário
    impõe uma centralidade nas disputas territoriais nos municípios da pesquisa, em que
    diferentes estratégias do agrohidronegócio asseguram a usurpação da renda do
    trabalhador e da natureza para usufruto da indústria. Como metodologia, adotamos a
    dialética materialista e como procedimentos, realizamos revisão bibliográfica em livros,
    teses, dissertações, revistas eletrônicas, trabalho de campo e documentos técnicos. Esses
    últimos foram buscados junto ao IBGE, relatório da IBÁ e as informações em órgãos e
    instituições e Secretaria de Estado, que disponibilizou a Base Cartográfica do Atlas
    Digital sobre os Recursos Hídricos do Estado de Sergipe, nos permitindo a elaboração
    dos mapas físicos e socioeconômicos. Observa-se que com o desenvolvimento do
    capitalismo na agricultura a questão agrária torna-se complexa. As tramas sobre a
    monopolização da terra, e hoje, do acesso e controle da água acirram as disputas
    territoriais e os problemas socioeconômicos e ambientais se expandem. A apropriação
    da natureza, portanto, se intensifica com a crescente demanda de matéria-prima. No
    Brasil, com a modernização na agricultura, novas áreas são incorporadas como garantia
    de produtividade de alguns produtos agrícolas; milho, soja, trigo, cana-de- açúcar e,
    recentemente, floresce o setor de plantio de floresta através do monocultivo de
    eucalipto, que torna o Brasil um dos principais exportadores de produtos derivados
    dessa cultura para a produção de madeira, celulose, papel, madeira em tora, pasta de
    celulose, carvão vegetal, etc. Em Sergipe, o agrohidronegócio se apropria da natureza
    com amplo apoio do Estado, que desde a década de 1990, com a implantação do
    Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial acelera o processo produtivo das
    indústrias sergipanas, fazendo crescer a necessidade de recursos energéticos, o que
    promove a indução dos pequenos e médios proprietários de terra a cultivar eucalipto
    pelo discurso da viabilidade de renda e emprego, principalmente para os trabalhadores
    de assentamentos rurais, o que repercute de maneira diferenciada no campo impondo a
    luta pela terra.

  • EDILMA JOSÉ DA SILVA
  • A TERRITORIALIZAÇÃO DA POLÍTICA DE NUCLEAÇÃO E O FECHAMENTO DE ESCOLAS NO CAMPO EM UNIÃO DOS PALMARES/AL (2005-2015)
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • A educação escolar brasileira tem suas origens marcadas por um contexto de opressão e exclusão da classe dominante sobre a classe trabalhadora, em especial aquela que vive e trabalha no campo e, nesse sentido, ao considerarmos as políticas educacionais voltadas para o campo percebemos que essas empenharam-se somente na formação de capital humano para atender às demandas econômicas do país. Essa ênfase dada à formação de capital humano caracterizou todas as legislações que se voltaram para a educação rural. No sentido inverso ao que elas propõem, os movimentos socioterritorias empenharam-se em construir propostas que, pela via política, apresentam novas possibilidades de pensar a educação, pautada no conceito contra hegemônico da educação do campo. No contexto dessa disputa entre o que impõe o Estado e o que propõem os movimentos socioterritoriais, este estudo tem por objetivo analisar o processo de territorialização da política de nucleação e o fechamento das escolas no campo em União dos Palmares/AL, no período entre 2005 e 2015. Para isso, em seus capítulos, ele apresenta o processo histórico de formação territorial e educacional de Alagoas; trata do processo de construção da educação brasileira, com ênfase no desenvolvimento de políticas públicas educacionais que atendem aos sujeitos do meio rural; apresenta um panorama da realidade educacional e identifica as iniciativas governamentais no âmbito municipal quanto a territorialização da política de nucleação de escolas no município em estudo; bem como analisa a perspectiva das famílias acerca do processo de nucleação a fim de confrontar essas falas com os discursos oficiais da secretaria de educação. A política analisada aqui surge com a intenção de concentrar recursos e racionalizar custos, com o discurso de melhoramento da qualidade educacional, pautada em um discurso neoliberal enraizado, que, na prática, se traduz na precarização e consequente fechamento das escolas no campo. As bases metodológicas da pesquisa estão fundamentadas entre a teoria e a prática e levarão em consideração sua natureza qualitativa e quantitativa, destacando-se revisões da literatura acerca das temáticas trabalhadas, além de levantamentos de dados primários e secundários, para compor um panorama situacional da realidade do objeto pesquisado no município estudado. O trabalho de campo, enquanto elemento que dá subsídio a uma pesquisa qualitativa, foi realizado mediante entrevistas semiestruturadas in loco comrepresentantes da Secretaria Municipal de Educação de União dos Palmares – AL, gestores, professores e pais de alunos das escolas polos estudadas.

  • EDILMA JOSÉ DA SILVA
  • A TERRITORIALIZAÇÃO DA POLÍTICA DE NUCLEAÇÃO E O FECHAMENTO DE ESCOLAS NO CAMPO EM UNIÃO DOS PALMARES/AL (2005-2015)
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • A educação escolar brasileira tem suas origens marcadas por um contexto de opressão e exclusão da classe dominante sobre a classe trabalhadora, em especial aquela que vive e trabalha no campo e, nesse sentido, ao considerarmos as políticas educacionais voltadas para o campo percebemos que essas empenharam-se somente na formação de capital humano para atender às demandas econômicas do país. Essa ênfase dada à formação de capital humano caracterizou todas as legislações que se voltaram para a educação rural. No sentido inverso ao que elas propõem, os movimentos socioterritorias empenharam-se em construir propostas que, pela via política, apresentam novas possibilidades de pensar a educação, pautada no conceito contra hegemônico da educação do campo. No contexto dessa disputa entre o que impõe o Estado e o que propõem os movimentos socioterritoriais, este estudo tem por objetivo analisar o processo de territorialização da política de nucleação e o fechamento das escolas no campo em União dos Palmares/AL, no período entre 2005 e 2015. Para isso, em seus capítulos, ele apresenta o processo histórico de formação territorial e educacional de Alagoas; trata do processo de construção da educação brasileira, com ênfase no desenvolvimento de políticas públicas educacionais que atendem aos sujeitos do meio rural; apresenta um panorama da realidade educacional e identifica as iniciativas governamentais no âmbito municipal quanto a territorialização da política de nucleação de escolas no município em estudo; bem como analisa a perspectiva das famílias acerca do processo de nucleação a fim de confrontar essas falas com os discursos oficiais da secretaria de educação. A política analisada aqui surge com a intenção de concentrar recursos e racionalizar custos, com o discurso de melhoramento da qualidade educacional, pautada em um discurso neoliberal enraizado, que, na prática, se traduz na precarização e consequente fechamento das escolas no campo. As bases metodológicas da pesquisa estão fundamentadas entre a teoria e a prática e levarão em consideração sua natureza qualitativa e quantitativa, destacando-se revisões da literatura acerca das temáticas trabalhadas, além de levantamentos de dados primários e secundários, para compor um panorama situacional da realidade do objeto pesquisado no município estudado. O trabalho de campo, enquanto elemento que dá subsídio a uma pesquisa qualitativa, foi realizado mediante entrevistas semiestruturadas in loco comrepresentantes da Secretaria Municipal de Educação de União dos Palmares – AL, gestores, professores e pais de alunos das escolas polos estudadas.

  • GABRIELA SILVEIRA ROCHA
  • Capital social, Pluriatividade e Desenvolvimento local: tratos e retratos do sudoeste da Bahia.
  • Orientador : DEAN LEE HANSEN
  • Data: 31/08/2016
  • Tese
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  • A modernização da agricultura, a integração do setor agrícola aos demais setores da economia, a emergência de novas atividades que foram acrescidas ao rural em adaptação à reestruturação produtiva da agricultura e o aparecimento de novas ruralidades alteraram as relações de trabalho no campo e também modificaram a forma de organização da agricultura familiar. Com base nessas mudanças, a noção de pluriatividade passou a ser usada para entender a multiplicidade de formas de trabalho que ocorrem dentro e fora da propriedade. Já que a pluriatividade incorpora conceitos de diversificação produtiva e de agricultura em tempo parcial, sendo consideradas atividades pluriativas todas as atividades exercidas por todos os membros dos domicílios, inclusive as ocupações por conta própria, o trabalho assalariado e não assalariado, realizado dentro e/ou fora da exploração agrícola. Frente ao contexto apresentado, este estudo analisa a repercussão da pluriatividade e do capital social utilizadas pelas famílias pluriativas para combater a pobreza rural e estimular o desenvolvimento local em sete municípios (Anagé, Belo Campo, Barra do Choça, Caraíbas, Planalto, Tremedal, Vitória da Conquista) do Território de Identidade de Vitória da Conquista. Para atingir esse objetivo, construiu uma concepção teórica fundamentada em autores da Geografia, da Economia e da Sociologia Rural que discutem as categorias território, capital social, desenvolvimento local/endógeno e a pluriatividades. A tese buscou respaldo teórico em Raffestin, Haesbaert, Sen, Amaral Filho, Schneider dentre outros, para discutir como o território pode ser usado por seus atores para gerar melhores condições de vida e combater a pobreza rural. Como procedimentos metodológicos foram utilizados instrumentos da pesquisa indireta (coleta de dados em instituições e órgãos públicos) e direta (operacionalizada com atores sociais e institucionais por amostragem aleatória); nessas etapas, foram aplicados questionários semiestruturados com os pluriativos e realizadas entrevistas com representantes das Secretarias de Infraestrutura, Agricultura e Planejamento das Prefeituras da região, sindicatos, associações e cooperativas. As conclusões apontam que houve no território uma melhoria da qualidade de vida com a adoção de práticas pluriativas e com a presença do capital social entre as famílias pluriativas. No entanto, não existe um planejamento formal e estratégico destinado ao território a fim de unir as famílias em torno da atividade pluriativa e do capital social para combater a pobreza rural.

  • GABRIELA SILVEIRA ROCHA
  • PLURIATIVIDADE E CAPITAL SOCIAL: ESTRATÉGIAS UTILIZADAS NOS MUNICÍPIOS DO TERRITÓRIO DE IDENTIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BA PARA COMBATER A POBREZA RURAL E ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO LOCAL
  • Orientador : DEAN LEE HANSEN
  • Data: 31/08/2016
  • Tese
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  • A modernização da agricultura, a integração do setor agrícola aos demais setores da economia, a emergência de novas atividades que foram acrescidas ao rural em adaptação à reestruturação produtiva da agricultura e o aparecimento de novas ruralidades alteraram as relações de trabalho no campo e também modificaram a forma de organização da agricultura familiar. Com base nessas mudanças, a noção de pluriatividade passou a ser usada para entender a multiplicidade de formas de trabalho que ocorrem dentro e fora da propriedade. Já que a pluriatividade incorpora conceitos de diversificação produtiva e de agricultura em tempo parcial, sendo consideradas atividades pluriativas todas as atividades exercidas por todos os membros dos domicílios, inclusive as ocupações por conta própria, o trabalho assalariado e não assalariado, realizado dentro e/ou fora da exploração agrícola. Frente ao contexto apresentado, este estudo analisa a repercussão da pluriatividade e do capital social utilizadas pelas famílias pluriativas para combater a pobreza rural e estimular o desenvolvimento local em sete municípios (Anagé, Belo Campo, Barra do Choça, Caraíbas, Planalto, Tremedal, Vitória da Conquista) do Território de Identidade de Vitória da Conquista. Para atingir esse objetivo, construiu uma concepção teórica fundamentada em autores da Geografia, da Economia e da Sociologia Rural que discutem as categorias território, capital social, desenvolvimento local/endógeno e a pluriatividades. A tese buscou respaldo teórico em Raffestin, Haesbaert, Sen, Amaral Filho, Schneider dentre outros, para discutir como o território pode ser usado por seus atores para gerar melhores condições de vida e combater a pobreza rural. Como procedimentos metodológicos foram utilizados instrumentos da pesquisa indireta (coleta de dados em instituições e órgãos públicos) e direta (operacionalizada com atores sociais e institucionais por amostragem aleatória); nessas etapas, foram aplicados questionários semiestruturados com os pluriativos e realizadas entrevistas com representantes das Secretarias de Infraestrutura, Agricultura e Planejamento das Prefeituras da região, sindicatos, associações e cooperativas. As conclusões apontam que houve no território uma melhoria da qualidade de vida com a adoção de práticas pluriativas e com a presença do capital social entre as famílias pluriativas. No entanto, não existe um planejamento formal e estratégico destinado ao território a fim de unir as famílias em torno da atividade pluriativa e do capital social para combater a pobreza rural.

  • MARIA JOSEANE COSTA SANTOS
  • O Programa de microcrédito Crediamigo: microfinanças e mercado de trabalho na política de geração de emprego e renda em Itabaiana-SE
  • Orientador : ANA ROCHA DOS SANTOS
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • A crise do sistema capitalista pós década de 1960 iniciou uma nova fase da produção e acumulação do capital voltada à finanaceirização da economia e mudanças no mundo do trabalho que passou a ser flexível e ainda mais precário. Nesse cenário, ações foram direcionadas a diversos setores produtivos que possibilitaram a extração da mais-valia dos trabalhadores, como a implementação de políticas de financiamento, dentre as quais se destaca a de crédito destinada aos mais pobres. No Brasil, as políticas de financiamento direcionadas ao combate à pobreza ganharam destaque em âmbito nacional, sobretudo, a partir dos anos 2000, com a criação do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), voltado para a promoção da inclusão social. Tal política, no entanto, introduz os que possuem menor renda na financeirização da economia através da facilitação ao crédito e abertura de negócios sob a forma de compartilhamento solidário entre os que solicitam os recursos conjuntamente. O crédito está associado à ideia de direitos sociais, emancipação individual e inclusão social dos sujeitos na escala local. Analisar a política de financiamento do microcrédito por meio do Programa Crediamigo, oferecido pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e suas implicações espaciais sobre o mundo do trabalho em Itabaiana/SE foi o objetivo desta pesquisa. Para desenvolvê-la fez-se uma leitura geográfica crítica do Programa Crediamigo e sua relação com a financeirização da economia, na medida em que a política de microcrédito apresenta um desdobramento espacial. Em Itabaiana, o Programa Crediamigo possui mais de quinze mil clientes vinculados na agência bancária do município, que inclui clientes dos municípios de Areia Branca, Campo do Brito, Itabaiana, Frei Paulo, Macambira, Malhador, Moita Bonita, Nossa Senhora Aparecida, Ribeirópolis, São Domingos e São Miguel do Aleixo. Da clientela do Banco do Nordeste, inserida no Crediamigo, na região mais de 50% são da sede municipal de Itabaiana, demonstrando a intensa inserção dos moradores locais na lógica da financeirização sob o discurso da promoção do emprego e renda propiciando a captação de valor criado na esfera produtiva pelos trabalhadores para acumulação capitalista. Este município se destaca por ser conhecido pela sua “vocação empreendedora” como o local de vocação comercial, capaz de realizar o desenvolvimento pela capacidade empreendedora dos indivíduos constituindo-se em um espaço fecundo para mobilização e implementação de programas de crédito como o Crediamigo. Este é um dos programas mais efetivos no estado como revelam os balanços disponibilizados pelo BNB. Entretanto, o que se vê no Programa Crediamigo é o estímulo ao endividamento dos trabalhadores, os quais são induzidos ao término de cada quitação buscar novos empréstimos, funcionando como um círculo vicioso, que mantém os trabalhadores associados ao fomento das microfinanças e à transferência de valor para esfera finanaceira por meio do pagamento de empréstimos. Observou-se que na maioria das vezes, os tomadores de empréstimos dessa linha de financiamento estão inclusos em ocupações de baixa remuneração e informais, as quais oferecem pequena estabilidade financeira e nenhuma garantia trabalhista. Nesse sentido, revela-se a configuração de um programa que desfruta da precariedade dos sujeitos “beneficiados”, os quais são levados a ingressarem em uma linha de crédito por meio do consentimento da responsabilização do seu “sucesso” ou “fracasso” a partir do direito de possuir um negócio garantido pela liberação capital para sua abertura. Foi destacado também que apesar do Programa estar associado, em sua concepção, à oferta de acompanhamento e orientação, esta ocorre no momento da liberação do primeiro empréstimo, após este momento, há orientação apenas se houver problemas com o pagamento, revelando a natureza do Programa, atrelado à reprodução ampliada do capital via financeirização. Desse modo, a partir da realidade estudada, o Programa Crediamigo se destaca como catalisador para incluir a classe trabalhadora local no circuito capitalista, que necessita submeter todos no mercado de trabalho, não importa se através de relações de trabalho precárias, configurando uma inclusão restritiva, que não garante a realização humana. Foi identificado o envolvimento dos trabalhadores com formas precarizadas de trabalho e também como uma segunda renda para complementar outro tipo de atividade já realizada. Assim, a pesquisa apontou que para os envolvidos na política de microcrédito (Crediamigo), não é restrita a garantia de produção de emprego e renda, mas de sobrevivência diante do quadro da lógica destrutiva do capital que impõe a milhões de trabalhadores a condição de superfluidade.

  • PAULO HENRIQUE SILVEIRA LIMA
  • A CADEIA PRODUTIVA DA BORRACHA NATURAL BRASILEIRA
  • Orientador : DEAN LEE HANSEN
  • Data: 31/08/2016
  • Tese
  • Mostrar Resumo
  • Esta tese analisa a cadeia produtiva da borracha natural brasileira. Como a borracha natural tem propriedades que nenhum outro produto possui, tais como resiliência, antiabrasividade, isolamento, impermeabilidade a líquidos e gases, é um produto insubstituível e estratégico. Portanto, além de ser utilizada na fabricação de mais de quarenta mil objetos, é essencial para a mobilidade humana, uma vez que é o principal componente na fabricação dos pneus utilizados nos meios de transporte mundiais, da bicicleta ao avião, além das naves aeroespaciais e das vedações nos transportes aquáticos. Visto que no atual período técnico-científico-informacional a informação se baseia na comunicação e na circulação, a borracha natural é um produto indispensável. Assim, a presente tese investiga os motivos do Brasil, país de origem da seringueira, ter perdido sua produtividade e competitividade, deixado de ser hegemônico e exportador, enquanto os países do Sudeste asiático que levaram ilegalmente as sementes de seringueira do Brasil assumiram a hegemonia da produção da borracha natural consumida no mercado mundial. O objetivo geral foi analisar a cadeia produtiva da borracha natural brasileira, demonstrando que a forma de uso da ciência, tecnologia e inovação (CT&I), das políticas e das estratégias públicas e empresariais, nas distintas regiões produtivas do país, têm sido determinantes nos resultados de produtividade e competitividade de toda a cadeia. O conceito de cadeia produtiva tem sido utilizado para encadear as diversas etapas e agentes envolvidos na produção, distribuição, comercialização, assistência técnica, crédito etc. e consumo de uma determinada mercadoria, a fim de permitir uma visão sistêmica, ao invés de fragmentada das diversas etapas pelas quais passa um produto, antes de alcançar o consumidor final. Esse conceito foi utilizado nesta tese como instrumento sistêmico e prospectivo para representar a produção de borracha natural no Brasil, comandada por agentes hegemônicos globais, representados pelas grandes redes de industriais de pneumáticos, mas com a etapa de cultivo da seringueira sendo processada localmente, pela agricultura familiar e usinas e/ou por sistemas agroindustriais. A metodologia utilizada nesta tese foi a coleta de dados em revistas especializadas, artigos e trabalhos científicos, sítios oficiais e privados, visitas a seringais, participação e pesquisa em congressos e entrevistas. Os resultados foram tabulados em gráficos, tabelas, mapas e painéis fotográficos. Uma das principais conclusões foi a de que enquanto os países asiáticos que levaram ilegalmente as sementes de seringueira do Brasil produzem cerca de 93% da borracha natural mundial, o Brasil que já produziu 100% desse total produz atualmente 1%; e que em toda a região Norte que já produziu 100% da borracha natural do país atualmente se produz cerca de 3%. Enquanto apenas o estado de São Paulo já produz 54% desse total, tornando-se o principal produtor do país, seguido pela Bahia com 17%. A explicação é que na cadeia produtiva de borracha natural da Ásia e nas regiões produtivas da cadeia em São Paulo e da Bahia os programas de estado e empresariais com aporte de ciência, tecnologia e inovação foram determinantes para essa boa produtividade e competitividade. Como essas tecnologias não estão igualmente distribuídas nas diversas regiões produtivas brasileiras, e nem em todos os setores da cadeia, o país tem tido baixa produtividade e competitividade. Até as modernas redes de pneumáticas brasileiras, o setor com melhor capacidade produtiva da cadeia, está perdendo competitividade para as pneumáticas da Europa e da Ásia.

  • REUEL MACHADO LEITE
  • A AGROECOLOGIA NECESSITA DE LICUTIXO: Contribuições do Método Camponês a Camponês e da Produção Agroecológica Integrada e Sustentável à resistência camponesa em assentamentos de reforma agrária, Estância - SE .
  • Orientador : ERALDO DA SILVA RAMOS FILHO
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
  • Mostrar Resumo
  • Após a segunda guerra mundial, foi desenvolvida com o apoio de fundações privadas, como a Rockfeller, um pacote tecnológico chamado de Revolução Verde, baseado no uso de insumos químicos, agrotóxicos, na monocultura, e na seleção de sementes e de animais, na motorização e mecanização. Devido aos graves impactos deste modelo surgiram movimentos de agricultura alternativa, que possuem como base de sustentação a agroecologia. O objetivo de nossa dissertação é analisar a contribuição da Rede Camponês a Camponês (RCAC) e da tecnologia social Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) para a resistência camponesa nos assentamentos de reforma agrária de Estância – Sergipe, tendo como recorte analítico as estratégias camponesas criadas para a construção/difusão da agroecologia. A RCAC está fundamentada na troca de saberes entre camponeses, tendo como base o Modo Camponês de Fazer Agricultura (MCFA) e a agroecologia. Já a PAIS é uma tecnologia social reaplicável, que visa a melhoria da alimentação de populações pobres no campo, bem como o aprendizado de conhecimento agroecológicos. Esta tem como um dos seus escopos empreendedorismo social e o combate a pobreza. Portanto, busca-se aqui analisar as contradições do processo de construção da agroecologia. Para tal, delimitamos como recorte empírico, três assentamentos de reforma agrária, a saber: Rosa Luxemburgo, 17 de abril e Paulo Freire II. Nossa pesquisa possui elementos quantitativos e qualitativos. Na primeira, reunimos dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural, para nos auxiliar na leitura da estrutura fundiária sergipana e estanciana; dados do Relatório de Impactos Socioterritóriais (RIST), aplicados nos assentamentos supracitados; e por fim os dados do Senso Agropecuário, que nos auxiliou no tocando ao consumo de agrotóxicos e de adubos químicos e orgânicos. Em sua dimensão qualitativa, a partir da perspectiva da observação participante, buscamos participar dos intercambios da RCAC, além da aplicação de entrevistas semiestruturadas junto aos camponeses da rede. Para nos auxiliar em nossa análise da RCAC e do PAIS, nos valemos da leitura das disputas em torno dos territórios imateriais forjados a partir dos estudos agrários, que são eles: o Paradigma da Questão Agrária (PQA) e o Paradigma do Capitalismo Agrário (PCA). Uma das questões levantadas por nós neste estudo reside na relação que estes paradigmas possuem com a agroecologia praticada pela RCAC e pela PAIS. Outro elemento importante, se refere a análise da expanção do capital monopolista da citricultura em Sergipe, fundamental para enterdemos o processo de resistência no município de Estância. Este último processo está relacionado ao processo de territorialização do campesinato pela luta pela terra, pela luta na terra. A partir desta dissertação analisamos a contribuição da Rede de Camponês a Camponês (RCAC) e da tecnologia social Produção Agroelógica Integrada e Sustentável (PAIS) para resistência camponesa nos assentamentos de Estância – Sergipe. Abordamos também o papel ativo do campesinato ao selecionar e experimentar experiências, fato que permite à própria rede delimitar um conceito próprio de agroecologia. Demarcamos também o conceito de agroecologia estabelecido na RCAC e no PAIS. Após a segunda guerra mundial, foi desenvolvida com o apoio de fundações privadas, como a Rockfeller, um pacote tecnológico chamado de Revolução Verde, baseado no uso de insumos químicos, agrotóxicos, na monocultura, e na seleção de sementes e de animais, na motorização e mecanização. Devido aos graves impactos deste modelo surgiram movimentos de agricultura alternativa, que possuem como base de sustentação a agroecologia. O objetivo de nossa dissertação é analisar a contribuição da Rede Camponês a Camponês (RCAC) e da tecnologia social Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) para a resistência camponesa nos assentamentos de reforma agrária de Estância – Sergipe, tendo como recorte analítico as estratégias camponesas criadas para a construção/difusão da agroecologia. A RCAC está fundamentada na troca de saberes entre camponeses, tendo como base o Modo Camponês de Fazer Agricultura (MCFA) e a agroecologia. Já a PAIS é uma tecnologia social reaplicável, que visa a melhoria da alimentação de populações pobres no campo, bem como o aprendizado de conhecimento agroecológicos. Esta tem como um dos seus escopos empreendedorismo social e o combate a pobreza. Portanto, busca-se aqui analisar as contradições do processo de construção da agroecologia. Para tal, delimitamos como recorte empírico, três assentamentos de reforma agrária, a saber: Rosa Luxemburgo, 17 de abril e Paulo Freire II. Nossa pesquisa possui elementos quantitativos e qualitativos. Na primeira, reunimos dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural, para nos auxiliar na leitura da estrutura fundiária sergipana e estanciana; dados do Relatório de Impactos Socioterritóriais (RIST), aplicados nos assentamentos supracitados; e por fim os dados do Senso Agropecuário, que nos auxiliou no tocando ao consumo de agrotóxicos e de adubos químicos e orgânicos. Em sua dimensão qualitativa, a partir da perspectiva da observação participante, buscamos participar dos intercambios da RCAC, além da aplicação de entrevistas semiestruturadas junto aos camponeses da rede. Para nos auxiliar em nossa análise da RCAC e do PAIS, nos valemos da leitura