Dissertações/Teses

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2020
Descrição
  • MARIANA SIQUEIRA MENEZES
  • Eventos traumáticos e comportamentos autolesivos em adolescentes.
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 22/07/2020
  • Dissertação
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  • A presente dissertação contemplou três estudos relacionados aos temas eventos traumáticos e comportamentos autolesivos. Eventos traumáticos (ET) são experiências de estresse intensas e inesperadas, capazes de prejudicar a saúde como um todo e de desencadear traumas psicológicos. Comportamento autolesivo diz respeito à ação de causar danos, de forma deliberada, ao tecido corporal e costuma ser mais comum entre adolescentes. Tanto os ET quanto a prática de autolesão podem ser considerados problemas de saúde pública e há evidências de que existe relação entre eles. Contudo, ambos os fenômenos, inclusive a interação entre eles, precisam ser melhor investigados. Para tanto, pretendeu-se, por meio desta dissertação, ampliar o conhecimento científico acerca dos ET e dos comportamentos autolesivos. O estudo 1 consistiu em uma revisão narrativa da literatura, cujo objetivo foi reunir as principais definições e características dos ET. Os resultados do estudo 1 identificaram os tipos mais comuns de ET, suas repercussões físicas, psicológicas e sociais, seus impactos sobre a saúde mental, as variáveis de enfrentamento e adaptação positiva utilizadas frente aos ET e as medidas mais utilizadas na sua avaliação. O estudo 2 teve como objetivo traduzir, adaptar e avaliar as primeiras evidências psicométricas da versão simplificada do Deliberate Self-Harm Inventory (DSHI-s) para o português. Os resultados do estudo 2 indicaram que o instrumento apresentou características psicométricas satisfatórias, podendo ser considerado válido e confiável para mensurar comportamentos autolesivos em adolescentes brasileiros. No estudo 3, foi realizada uma pesquisa empírica a fim de verificar a relação entre ET infantis e a ocorrência de comportamentos autolesivos em adolescentes. Os resultados do estudo 3 revelaram altas taxas de ET na infância e de autolesão entre adolescentes, além de evidenciar que ET na infância são preditores de autolesão na adolescência. Ainda de acordo com os achados do terceiro estudo, a idade apresentou efeito de moderação limítrofe na interação entre ET na infância e autolesão em adolescentes. Desta forma, entende-se que a presente dissertação poderá impulsionar o avanço da investigação sobre esses tópicos no contexto brasileiro e auxiliar no entendimento da relação entre ET e comportamentos autolesivos. Poderá, ainda, servir para orientar a elaboração de ações que auxiliem crianças e adolescentes traumatizados psicologicamente e/ou que praticam autolesão.

  • JEAN JESUS SANTOS
  • Sexualidade na educação básica e na formação de professores: desafios para promoção do respeito à diversidade sexual e de gênero.
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 30/03/2020
  • Dissertação
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  • Nesta dissertação buscamos analisar como são abordadas questões sobre diversidade sexual e de gênero em escolas brasileiras, bem como a influência de cursos de licenciatura nos níveis de preconceito contra diversidade sexual e de gênero e em crenças sobre educação sexual. Para isso, foram propostos quatro estudos que são apresentados em formato de artigo. O Estudo 1 consiste em um ensaio teórico que analisa a organização do currículo educacional brasileiro e as propostas que visam combater a discriminação de minorias sexuais e de gênero. O Estudo 2 apresenta os resultados de uma revisão sistemática da literatura científica brasileira que utiliza os termos homofobia e escola para se referir ao fenômeno da discriminação homofóbica no contexto escolar. Os dois últimos estudos têm delineamento quantitativo e são oriundos de uma pesquisa empírica da qual participaram 580 estudantes da Universidade Federal de Sergipe. O Estudo 3 trata do processo de adaptação transcultural e da produção de evidências de validade de uma escala para medir crenças sobre educação sexual na escola no Brasil. Já no Estudo 4 foram analisadas diferenças nos níveis de preconceito contra diversidade sexual e de gênero, bem como crenças sobre educação sexual, por áreas do conhecimento e entre estudantes ingressantes e concludentes de cursos de licenciatura. Os estudos 1 e 2 mostram que a escola continua sendo um ambiente onde se mantém a discriminação contra a diversidade sexual e de gênero. E com os estudos 3 e 4 foi possível constatar que concludentes de cursos de licenciatura têm crenças mais positivas sobre educação sexual, entretanto, esses não diferem dos ingressantes nos níveis de preconceito contra diversidade sexual e de gênero. Concluímos que continuam sendo necessários investimentos em estratégias mais efetivas para promoção do respeito à diversidade que envolvam tanto a educação do Ensino Básico quanto a de formação inicial de professores.

  • JÉSSICA FERNANDES PINTO
  • TRANSBORDOS DE NARRATIVA
  • Orientador : MICHELE DE FREITAS FARIA DE VASCONCELOS
  • Data: 24/03/2020
  • Dissertação
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  • Esse texto-ensaio parte de três apostas: 1. Na interseção entre clínica e arte, numa perspectiva de clínica descendente da palavra Clinâmen, ou seja, da clínica do desvio, que aprende com a arte que todas as formas são provisórias; 2. No pequeno mundo de todos os dias como lugar e tempo de (re)existência, nas práticas singulares e em singularização de mulheres e homens comuns, anônimos, imersos no cotidiano; 3. Numa política de narratividade interessada nas miudezas e delicadezas dos restos, nos rastros de histórias da vida ordinária a contradizer memórias e narrativas oficiais, na dimensão artística intrínseca a toda forma de produção e atividade humana: transformar o mundo em que vive, criar a própria existência, produzir sentidos provisórios e precários, narrar-se para transmutar. Apostando no cotidiano como palco de germinação e afirmação de uma vida, a intenção foi a de fabular contos do cotidiano, os contidianos, cujo mote esteve na possibilidade de alinhavar o gesto à palavra. A arte apareceu aqui como meio, como a possibilidade de fazer existir e insistir as diferenças, pois é no encontro com alteridades que se cria o novo. O novo que vaza da repetição do cotidiano e que produz modos de existir: reinventar políticas subjetivas e relacionais que produziram corpos e saúde.

  • EDILEUZA SANTOS DO NASCIMENTO CRUZ
  • CAMINHANDO POR HISTÓRIAS DA UFS: a produção da experiência de si pelas relações de poder-saber que se cruzam na SAES.
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 10/03/2020
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa trata dos processos de subjetivação no contexto universitário de graduação. Nela, busco apresentar modos como a experiência de si vai sendo produzida pelas relações de poder-saber, que se cruzam na Secretaria de Assistência Estudantil do Campus Professor Alberto Carvalho- UFS/Itabaiana, campo de trabalho que se fez campo de pesquisa. As noções de processos de subjetivação e relações de poder estão ancoradas nos entendimentos foucaultianos, que enfatizam o caráter positivo e capilarizado do poder, bem como sua atuação na produção da realidade e de modos de vida. Por isso, a pesquisa se construiu por um esforço de olhar genealógico, conforme Michel Foucault, para tentar acessar o caráter múltiplo, não-natural e não-essencialista da experiênc ia produ zida pelo terreno da Educação, no contexto universitário. Isso se fez pelo historiar experiências do cotidiano de trabalho na assistência estudantil, através de uma escrita narrativa, de inspirações ensaísticas, que se situa na produção de uma história do presente, enquanto tentativa de afastamento das grandes narrativas, que buscam encaminhar a realidade em que vivemos pelo passado. Apresento três narrativas, tecidas a partir de situações vividas na universidade, no cruzamento de trajetórias educacionais com a assistência estudantil: “A carta”; “Entre balões cheios e vazios”; “A universidade é um mundo”. Por meio das histórias, aciono as discussões sobre a educação, em sua função de produção de sujeitos, assim como as ideias de universidade, poder e saber. As situa ções trazem a atuação das relações de poder-saber, marcadas por lógicas que tentam individualizar e segmentar os entendimentos das questões que perpassam a experiência universitária. A educação na sua forma pedagogizada e disciplinada se mostra impulsionada por uma racionalidade neoliberal, que traz para a universidade e para a vida a cultura da empresa, tornando o sujeito da educação empreendedor de si. As narrativas tentam expor como operam as relações de saber-poder marcados pela dimensão coletiva, social e institucional, produzindo modos de ser, ao mesmo tempo em que sinalizam o que faz esvaziar a experiência e o que aqui pode ser recusado, a fim de que seja possível pensar de que outras formas é possível habitar a vida na universidade.

  • ARCI GARDÊNIA ALVES SANTOS
  • Mulher-Maravilha, Feminismo e Psicanálise.
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • Nesta pesquisa, analisamos como o feminismo e a psicanálise produziram efeitos na cultura contemporânea e, defendemos a ideia de que a personagem Mulher-Maravilha pode ser considerada um desses efeitos no século XX. Para tanto, partimos de uma contextualização sobre o universo dos quadrinhos e o conceito de Indústria Cultural, com o objetivo de apresentar um panorama que permita conhecer o cenário de onde emerge a história em quadrinhos (HQ) da Mulher-Maravilha, em 1941. Em seguida, abordamos as principais questões referentes à situação da mulher e do feminismo, especialmente, do final do século XIX ao início do século XXI; e, como a psicanálise esteve inserida nesses processos. Em nosso percurso, abordamos temas como o da diferença sexual, gênero e relações entre masculino e feminino. Assim, percorremos os principais momentos que marcaram o movimento feminista no que se refere à história de enfrentamentos e impactos socioculturais, sem nos esquecermos de fazer a articulação que nos interessa nessa pesquisa, ou seja, destacar os pontos que marcaram a convergência entre feminismo e psicanálise. A personagem Mulher-Maravilha aparece para nós como um marcador histórico interessante uma vez que a sua criação esteve ligada a todos esses movimentos, mesmo que indiretamente. Neste trabalho, mostraremos como a luta pelo sufrágio feminino (1848 a 1920), as Grandes Guerras Mundiais e os movimentos sociais, como a "movimentação pela libertação feminina" das décadas de 1960 e 1970, marcaram de alguma forma a existência e história dessa personagem até a atualidade.

  • NOEMIA ALICE NERY LOBAO CRUZ
  • A construção dos sentidos do estigma do trabalho doméstico.
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • O trabalho doméstico é a ocupação de 18% das mulheres negras e 10% das mulheres brancas no Brasil. Destas, com a recente ampliação na legislação, apenas 29,3% das trabalhadoras negras tinham carteira assinada, enquanto as brancas atingiram 32,5% (IPEA - Retrato das desigualdades de gênero e raça, 2015). Diante desse cenário, este estudo realizará uma análise da percepção das empregadas domésticas sobre o acesso aos direitos, antes e depois da promulgação da PEC das Domésticas, investigação de como estas trabalhadoras percebem o estigma da profissão, o seu processo identitário, além de suas relações de/ no trabalho. Foram realizadas 22 entrevistas estruturadas, e utilizada a técnica da análise de conteúdo de Bardin para análise de dados, buscando verificar elementos do estigma da profissão e dos processos identitários que propõem e influenciam o movimento de conhecimento e reconhecimento da profissão, de direitos ou não, de relações.

  • HENIO DOS SANTOS RODRIGUES
  • RACISMO SEXUAL, DESPERSONIFICAÇÃO E PRETERIMENTO DA MULHER NEGRA: O AMOR TEM COR.
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • O racismo impacta a vida afetiva e sexual da(o) negra(o), delimitando usos dos seus corpos e sentimentos, sendo estes permeados pela lógica excludente da branquitude. Nela o belo e “namorável” é o branco; e a(o) negra(o) é posto como o “objeto”, “feio”, “animalesco”, que não pode ser amado, sendo excluído da possibilidade de receber afeto. O presente trabalho teve como objetivo investigar o racismo sexual e a despersonificação no processo de produção de preterimento de mulheres negras, bem como, compreender como esse preterimento incide sobra a vida afetiva e sexual dessa mulher. O estudo 1 intentou analisar despersonificação/objetificação das mulheres negras em tarefas de formação de impressões por parte de heterossexuais de sexo masculino. Para tanto, participaram da pesquisa 98 homens com idades entre 18 e 39 anos. Em sua maioria pardos (63,3%), brancos (22,4%) e pretos (14,3%). Os participantes foram submetidos a medidas de associação implícita (T.A.I.) e a Escala de Motivação Interna e Externa para Responder sem Preconceito. Os resultados obtidos confirmam a nossa hipótese de objetificação da mulher negra em relação à branca. No estudo 2 foi investigado a partir de questionário on-line os níveis felicidade, autoestima, satisfação corporal e medo de ficar solteiro de mulheres brancas e negras. Os resultados, não demonstraram efeitos nos índices de bem-estar psicológico, autoestima e medo de ficar solteiras das mulheres em função da cor da pele. O estudo 3 foi de caráter qualitativo, teve como objetivo principal analisar os discursos de mulheres negra frente ao racismo sexual, e a sua possível relação padrões de beleza e estereótipos. A partir de um questionário semiestruturado, 15 mulheres negras, com idade entre 17 e 32 anos foram questionadas acerca da vivência dos fenômenos em suas vidas, bem como, na de terceiros. Os resultados encontrados demonstram que o racismo sexual, padrões de beleza e estereótipos permeiam as relações afetivas e sexuais de mulheres negras, impactando significativamente em sua autoestima, bem-estar e consequentemente em sua vida amorosa.

  • CHARLES VINICIUS BEZERRA DE SOUZA
  • Identidades masculina e sertaneja e suas relações com o sexismo e cultura da honra no sertão sergipano
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • O objetivo geral da dissertação foi analisar as identidades sertaneja e masculina dos homens do sertão de Sergipe e suas relações com sexismo e cultura da honra. Partindo da hipótese que há uma relação correlação positiva entre essas representações identitárias e a cultura da honra e o sexismo. A parte empírica foi composta por um estudo no qual participaram 117 estudantes de uma universidade no sertão sergipano, sendo todos do sexo masculino e residentes na região semiárida do Nordeste. Para coleta de dados foi utilizado um questionário contendo: dados sociodemográficos, um instrumento de evocação livre de palavras baseado no Inventário Psicossocial de Zavalloni (1984), a Escala de Concepções da Masculinidade (Oransky & Fisher, 2009), o Inventário de Sexismo Ambivalente (Glick & Fiske, 1996) e um instrumento sobre Honra Conjugal por nós desenvolvido. Os resultados indicam que as representações identitárias sobre o sertanejo foram caracterizadas por traços que enfatizam a força e a resiliência, imagem que associada as representações compartilhadas do sertão e seu povo, identificada no imaginário popular como uma região “problema”. Nas representações identitárias ligadas ao masculino foi perceptível uma constituição de gênero que está ligada a manutenção da estrutura patriarcal, o que reforça a ideia de uma masculinidade hegemônica, reafirmando a superioridade masculina em detrimento do feminino, delimitada a partir de uma perspectiva estereotipada da “mulher frágil”.Encontramos ainda uma correlação positiva entre cultura da honra, sexismo e as concepções da masculinidade, assim como esses constructos também se relacionaram com as identidades masculina e sertaneja, demonstrando que esse modo de conceber a masculinidade e sua associação entre sexismo e a defesa da honra sugere uma naturalização de práticas tradicionais de sexismo e comportamentos violentos em defesa da reputação. Contudo, não foi constatado sexismo nos identificados com o sertão, e com baixa adesão a cultura da honra, ou seja, os resultados demonstram que a defesa da honra é um preditor maior de comportamentos sexistas que da identidade sertaneja. Esses resultados foram analisados a partir da teoria da Teoria da Identidade Social (TIS), de Henri Tajfel (1982).

  • UELITON SANTOS MOREIRA PRIMO
  • EXPERIÊNCIAS DE RACISMO E O DESENVOLVIMENTO DA IDENTIDADE ÉTNICO-RACIAL EM CRIANÇAS NEGRAS E BRANCAS.
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • O racismo é uma experiência difundida na vida dos cidadãos negros brasileiros que começa na infância. Como estressor psicossocial, o racismo compromete as trajetórias de desenvolvimento através de vários mecanismos, incluindo efeitos sobre o bem-estar psicológico e físico. No entanto, pouco se sabe sobre as experiências de racismo que as crianças enfrentam em suas vidas e de como se dá o desenvolvimento da identidade étnico-racial nessa fase tão importante da vida. O objetivo desta dissertação é analisar impactos do racismo em crianças, especificamente em suas trajetórias escolares, no desenvolvimento da identidade étnico-racial e em ocorrências de racismo e discriminação racial. Para responder a esse objetivo, a dissertação foi organizada em cinco capítulos. O primeiro capítulo é um estudo teórico, que teve como objetivo fazer breves apresentações conceituais e históricas sobre o preconceito, a discriminação e o racismo no Brasil, trazendo elementos contemporâneos dessas discussões, como a ideologia do branqueamento, o mito da democracia racial e a negação do racismo. Os quatro capítulos seguintes estão em formatos de artigos. O primeiro artigo é uma revisão integrativa da literatura sobre os efeitos do racismo na trajetória escolar de crianças brasileiras. O segundo artigo possui dois estudos empíricos, realizado em duas amostras distintas. No primeiro estudo, verificou-se a predição da idade e da cor da pele no desenvolvimento da identidade étnico-racial em 65 crianças negras e brancas, com idades variando dos cinco aos onze anos, residentes no interior da Bahia. O segundo estudo contou com uma amostra de 76 crianças negras e brancas, com idades variando dos seis aos onze anos, residentes em João Pessoa, capital da Paraíba. Neste estudo, analisou-se o desenvolvimento da identidade étnico-racial e a percepção do valor social do próprio e do outro grupo. O terceiro artigo é um estudo empírico que buscou descrever as ocorrências e frequências de racismo e discriminação percebida por crianças, incluindo os conteúdos, os perpetradores e contextos em que ocorre. Finalmente, no quinto e último capítulo, analisou-se os significados emocionais atribuídos por dez crianças negras em decorrência de suas experiências de racismo. Em síntese, verifica-se que a ocorrência de situações de racismo é uma realidade comum no cotidiano das crianças, expressando-se, sobretudo, no contexto escolar. Consequentemente, contextos onde crianças negras são expostas a racismo e discriminação racial contribuem para o desenvolvimento negativo da identidade étnico-racial. Conclui-se defendendo que medidas antirracistas sejam urgentemente empreendidas na escola e em toda a sociedade, para tal, algumas considerações são feitas sugerindo como, especialmente, a comunidade escolar deveria se envolver nessa forma de educação. Em suma, esta dissertação contribuiu para um entendimento maior acerca dos impactos do racismo na infância, evidenciando que o racismo é uma experiência que, quando difundida na vida de crianças negras, compromete negativamente suas trajetórias escolares, o desenvolvimento da identidade étnico-racial e o bem-estar emocional, psicológico, físico e social.

  • DANIELA MELO DA SILVA CARVALHO
  • A escola no enfrentamento ao racismo.
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • A comunidade escolar está cada vez mais heterogênea e possivelmente a escola será o ambiente que oferecerá às crianças as primeiras oportunidades de contato direto com outros grupos sociais. É nesse contato com o outro que as diferenças são salientadas, sendo elas de gênero, sociais, étnica, dentre outras. O racismo tem sido estudado por pesquisadores sociais e sua manifestação na escola traz consequências principalmente para os alunos que estão em desenvolvimento e construindo sua trajetória escolar. Entender como o racismo se manifesta nesse ambiente, saber que estratégias utilizar para enfrentá-lo e qual a responsabilidade e contribuição dos membros da comunidade escolar nesse processo é fundamental para que a escola possa enfrentar o racismo. Nesse sentido, o presente trabalho se propôs a analisar o papel da escola no enfrentamento ao racismo. Para isso, foram realizados três estudos: o primeiro, trata-se de um artigo teórico que revisa os principais conceitos relacionados à temática racial e discute a função da escola no enfrentamento ao racismo; o segundo, um artigo de revisão integrativa da literatura sobre as estratégias de enfrentamento do racismo na escola; e o terceiro, um estudo empírico que analisa o enfrentamento a partir das atribuições de responsabilidade e contribuições dos membros da comunidade escolar. Os três estudos de uma maneira geral contribuíram para a produção de conhecimento sobre as questões raciais e a escola, reunindo as principais estratégias que podem contribuir para o enfrentamento e incluindo todos os membros da comunidade escolar como responsáveis pelas questões raciais na escola e pela luta antirracista.

  • PATRÍCIA MODESTO MATOS
  • SOCIALIZAÇÃO ÉTNICO-RACIAL PARA A REDUÇÃO DO RACISMO NO CONTEXTO ESCOLAR
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • O racismo está presente nas relações humanas, sendo manifestado de diferentes modos de acordo com o contexto social, histórico e cultural. Apesar de ser uma temática frequente nas pesquisas acadêmicas, ainda é evidente na sociedade atual a presença de resistências para compreendê-lo, inclusive nas escolas, comprometendo o desenvolvimento de ações efetivas que possam combatê-lo. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo investigar a percepção de docentes e discentes em relação à socialização étnico-racial, em escolas públicas localizadas em municípios do estado da Bahia e Sergipe. Bem como identificar fatores que determinariam a implicação da socialização étnico-racial nas escolas. Esta pesquisa teve como aporte teórico a literatura sobre a socialização étnico-racial, o racismo na educação e a Lei 10.639/2003 que é uma das políticas afirmativas promulgadas para a implementação, valorização e reconhecimento da diversidade étnico racial nas escolas. Para tanto, o presente relatório está estruturado em 4 capítulos apresentados no formato de artigos (2 revisões integrativas e 2 estudos empíricos). No capítulo 1, foi elaborada uma revisão integrativa da literatura que analisou as formas de racismo mais evidentes no espaço escolar, bem como as consequências desse fenômeno na trajetória escolar de estudantes negros brasileiros em quatro bancos de dados (SciELO, PePSIC, LILACS e PsycINFO). O capítulo 2 averiguou através de uma revisão integrativa as formas como a implementação da Lei 10.639/2003 está ocorrendo nas escolas e identificou possíveis entraves que implicam na efetivação da referida lei. A coleta foi realizada no período entre 2003 a 2018, utilizando o SciELO, o Periódicos Capes, a BDTD e o Google Acadêmico como bancos de dados. O capítulo 3 teve como amostra 120 alunos dos anos finais do ensino fundamental de escolas públicas e verificou a percepção desses sujeitos acerca da socialização étnico-racial e seus efeitos na identidade étnico-racial, bem como averiguou as implicações do racismo na trajetória escolar dos estudantes negros. A percepção desses participantes evidenciou que a socialização dos saberes afro-brasileiros e africanos contribui para uma identidade étnica positiva dos alunos negros e que não houve diferenças significativas no desempenho escolar dos estudantes negros e brancos. O capítulo 4 analisou se os docentes consideram que o racismo causa efeitos negativos na trajetória escolar dos discentes negros, bem como investigou se a identidade étnico-racial do professor afeta as práticas que promovem a igualdade racial. Os 87 docentes, que atuam na educação básica, colaboraram com o estudo preenchendo um questionário autoaplicável. Os dados foram analisados através de uma análise de mediação moderada, utilizando a cor da pele do professor como variável preditiva, o uso de estratégias de socialização étnico-racial como variável dependente e a percepção de que o racismo prejudica o desempenho escolar de alunos negros como variável mediadora, evidenciou-se que a percepção de que o racismo prejudica o desempenho escolar de alunos negros é a variável subjacente à relação entre a cor do docente e o uso de estratégias de socialização voltadas para a transmissão de uma imagem positiva do negro por parte do professor.

  • THIAGO DE OLIVEIRA FELIZMINO
  • Bullying e abuso sexual: um estudo com estudantes e professores de escolas públicas.
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 20/02/2020
  • Dissertação
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  • O interesse em compreender sobre as violências em que os adolescentes estão susceptíveis tem levado pesquisadores de todo o mundo a investigar de forma isolada, principalmente, dois fenômenos: o bullying e o abuso sexual. Tanto no Estado de Sergipe, quando nas demais unidades da federação brasileira, é notável a carência de estudos publicados sobre bullying e abuso sexual correlacionados, ou seja, o abuso sexual sendo perpetrado na forma de bullying. Face a essa lacuna percebida, realizou-se este estudo com o objetivo de analisar e discutir ambos os fenômenos partir dos entendimentos de estudantes e professores da Grande Aracaju. Convém ressaltar que parte dos desdobramentos presentes nesta dissertação é fruto da participação do projeto de pesquisa “Violência Escolar: discriminação, bullying e responsabilidade”, cujo alcance é maior, tanto nacional quanto internacional. Assim sendo, esta dissertação foi composta por cinco estudos. O primeiro deles, um estudo teórico com o objetivo de promover a problematização do bullying e do abuso sexual em adolescentes, através da discussão dos principais conceitos, das epidemiologias, ambientação e consequências. O segundo estudo, uma revisão integrativa, teve o objetivo de reunir as principais discussões associando adolescentes e situações de bullying e/ou abuso sexual, publicadas entre 2008-2018. O terceiro estudo, teve o objetivo de investigar práticas de violência escolar em relação ao bullying sofrido e praticado; verificar os maus tratos vivenciados pelos alunos, averiguando se os provocadores são autoritários; se há relação entre autonomia diante da autoridade e prática da violência em geral; e o índice de manifestação de preconceitos. O quarto estudo, teve o objetivo de identificar as crenças que os estudantes têm frente ao abuso sexual infantojuvenil. Bem como, verificar se estas interferem na autoindicação do bullying. O quinto estudo, a amostra foi comporta por 12 professores, de ambos os sexos, que lecionavam aos estudantes participantes dos estudos anteriores. Seu objetivo foi verificar quais são os conhecimentos e sentimentos que professores do ensino fundamental têm sobre o abuso sexual em adolescentes, bem como suas atitudes frente à revelação da vivência desta violência sexual por parte dos discentes. O diferencial, portanto, desta dissertação está em combinar ambos fenômenos, de modo que foi possível perceber, através dos adolescentes, a autoindicação do bullying em voga nas realidades pesquisadas, suas implicações quanto a elementos motivacionais (autoritarismo/fascismo, autonomia e preconceito), sua manifestação na forma de abuso sexual, bem como quais são as crenças que os mesmos têm que legitimam/validam o abuso sexual, e os entendimentos, sentimentos e atitudes de professores em relação a esse último fenômeno.

  • DAIANE NUNES DOS SANTOS
  • Autoeficácia, Construtos Correlatos e Depressão na Adolescência
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 19/02/2020
  • Dissertação
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  • A presente dissertação buscou investigar a relação entre autoeficácia, construtos correlatos (autoconceito e autoestima) e a ocorrência de sintomas depressivos em adolescentes do ensino médio. Para tanto, três estudos foram conduzidos. No Estudo 1, realizou-se uma revisão narrativa da literatura com objetivo de compreender o papel da autoeficácia nos processos e fenômenos em saúde, tais como comportamentos em saúde e ocorrência de Transtornos Mentais Comuns. O Estudo 2 consistiu em uma revisão integrativa da literatura acerca das evidências da relação entre autoeficácia e depressão em adolescentes. Buscou-se identificar e analisar as características bibliométricas e psicométricas das medidas utilizadas para mensurar as variáveis nos estudos primários. Além disso, realizou-se análise do conteúdo dos principais achados reunidos na amostra. Por fim, o Estudo 3, de caráter empírico, objetivou analisar a capacidade de predição da autoeficácia e construtos correlatos sobre a sintomatologia depressiva em adolescentes. Realizou-se, ainda, o rastreamento de sintomas de depressão nesse público e análise de moderação das variáveis sexo e idade na relação entre construto cognitivo preditor e sintomatologia. A efetivação desse conjunto de estudos possibilitou a apreensão e relevância da autoeficácia no entendimento dos fenômenos em saúde, em especial, na ocorrência de depressão em adolescentes. Espera-se que o conhecimento científico então gerado auxilie no levantamento das características individuais que vulnerabilizam ou protegem os adolescentes quanto à presença de sintomas de depressão. Por fim, pretende-se contribuir com a prática de psicólogos e trabalhadores da saúde atuantes na atenção a esse público, auxiliando no processo de investigação e tratamento da depressão.

  • BRENDA FERNANDA PEREIRA DA SILVA
  • Psoríase e Ajustamento Psicológico: Relação entre Sintomas Depressivos, Ansiosos e Regulação Emocional
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 19/02/2020
  • Dissertação
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  • A presente dissertação buscou investigar facetas do ajustamento psicológico em pacientes acometidos pela psoríase, bem como sua implicação para desfechos de saúde mental, a saber, sintomatologia depressiva e ansiosa. Para tanto, foram realizados três estudos. O Estudo 1 constituiu-se por uma revisão narrativa da literatura, que objetivou caracterizar o campo da Psicodermatologia e apresentar o estresse como modelo explicativo para a relação entre doenças de pele e aspectos psicológicos. Além disso, buscou apontar algumas das principais doenças de pele e a carga de sofrimento associada a elas, bem como apresentar achados sobre construtos psicológicos relacionados ao ajustamento, pontuando a relevância de intervenções psicológicas frente a condições dermatológicas. O primeiro estudo evidenciou o quanto a regulação emocional é uma variável que tem sido associada ao ajustamento psicológico que merece ser melhor estudada em relação às doenças de pele. No Estudo 2 desenvolveu-se uma revisão integrativa da literatura, visando a reunir evidências acerca da associação entre a regulação emocional e transtornos depressivos e ansiosos. Neste, observou-se que a reavaliação cognitiva tem sido positivamente correlacionada a sintomas psicopatológicos, ao passo que a supressão emocional se correlaciona de forma negativa a sintomas depressivos e ansiosos. Constatou-se quanto à lacuna de estudos realizados no Brasil acerca dessa temática, bem como sobre a necessidade de se investigar o funcionamento da regulação emocional em grupos distintos, a fim de comparar a utilização dessas estratégias em populações diferentes. Finalmente, o Estudo 3 consistiu em uma investigação empírica com pacientes psoriáticos e indivíduos sem psoríase, visando a avaliar a relação entre as estratégias de regulação emocional e a ocorrência de transtornos depressivos e ansiosos em ambos os grupos, bem como evidenciar se essa relação diferia entre os grupos amostrais. Os resultados obtidos indicaram que pacientes com psoríase tiveram mais chances de possuir um transtorno ansioso do que o grupo sem psoríase, bem como evidenciaram que a estratégia de supressão emocional pareceu funcionar de maneira adaptativa para pacientes com psoríase sem diagnóstico de ansiedade, visto que, ao exibir alta supressão, esses indivíduos não tenham demonstrado índices significativos de ansiedade. Frente às evidências do quanto a psoríase pode ser limitante, a presente dissertação constatou como variáveis associadas ao ajustamento psicológico, tais como a regulação emocional, podem auxiliar a compreender a ocorrência de sintomas psicopatológicos nas doenças de pele. Ainda, considera-se que os achados aqui apontados poderão contribuir para a realização de intervenções psicológicas visando à promoção de saúde mental desses pacientes, proporcionando melhor enfrentamento da doença e maior qualidade de vida.

  • CYSNEY PETALA JESUS BOMFIM DOS SANTOS
  • Autoconceito, bullying e preconceito: uma análise a partir de estudantes de escolas públicas
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 19/02/2020
  • Dissertação
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  • Esta dissertação buscou analisar relações entre Autoconceito, Bullying e Preconceito entre estudantes de escolas públicas. Para alcançar esse objetivo, foram desenvolvidos três capítulos em formato de artigos. O Capítulo 1, um artigo teórico, conceituou as variáveis Autoconceito, Bullying e Preconceito, compreendendo os pontos de interação existente entre os fenômenos. Nesse capítulo foi possível observar que preconceito e bullying, embora imbuídos de aspectos similares, são constructos distintos e, portanto, carecem de intervenções diferentes. Ademais, o texto expôs que a imersão em situações de bullying produz e recebe influência das dimensões do autoconceito, sendo essa interferência distinta a depender do papel ocupado pelo estudante nesse tipo de violência escolar. O Capítulo 2, uma revisão integrativa de artigos empíricos compreendidos entre 2008 e 2018, descreveu o perfil metodológico e os principais resultados de publicações envolvendo autoconceito e bullying entre estudantes. Os resultados obtidos nesse capítulo indicaram relação entre autoconceito e bullying, evidenciando que os diversos aspectos/dimensões do autoconceito interagem com tal forma de violência e com os papéis que dela decorrem. O Capítulo 3, um estudo empírico, investigou a relação entre as dimensões/fatores familiar, acadêmica, social e física do autoconceito com o bullying e com o preconceito numa amostra de estudantes adolescentes do ensino fundamental de escolas públicas sergipanas. Os resultados obtidos nesse trabalho indicaram que o público masculino se destaca positivamente quando analisadas as dimensões física, social e familiar do autoconceito. Ademais, evidenciou-se que, em situações de bullying, a dimensão física tem relação com os autores das agressões, enquanto a dimensão acadêmica tem relação com os alvos. Apesar da interação entre autoconceito e manifestação de preconceito, os resultados mostraram inexistência de influência entre eles.

  • NEURACI GONÇALVES DE ARAÚJO
  • PREVENÇÃO DA ANSIEDADE E DEPRESSÃO PERINATAL BASEADA NA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL: DA REVISÃO SISTEMÁTICA AO ENSAIO CLÍNICO
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 27/01/2020
  • Dissertação
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  • Esta dissertação teve por objetivo conhecer efeitos de programas baseados na Terapia Cognitivo-Comportamental na prevenção da depressão perinatal e ansiedade, a partir de três estudos, aqui relatados em formato de artigo. O primeiro foi uma revisão sistemática que visou apresentar os conteúdos dos programas e analisá-los em relação aos fatores de risco e impacto das intervenções, demostrando que a maioria delas reduz sintomas depressivos e incluiu no conteúdo: psicoeducação sobre depressão pós-parto, estratégias de resolução de problemas, relaxamento, habilidades de comunicação com o parceiro, rede de apoio e parentalidade. O segundo estudo rastreou sintomas de depressão, ansiedade e a percepção de suporte social em gestantes do município de Aracaju convidadas a participar de um estudo posterior acerca da prevenção de sintomas de ansiedade e depressão, identificando que são elevados os indícios de sintomatologia dos referidos transtornos. Estiveram associados aos sintomas de ansiedade e depressão os fatores: moradia, renda familiar, planejamento da gestação, histórico de transtorno mental pessoal (entre eles depressão anterior) e familiar. Os sintomas ansiosos apresentaram associação significativa ainda com o status do relacionamento, problemas de saúde e tratamento psiquiátrico atual. Os sintomas de depressão, ansiedade e a percepção de suporte social apresentaram-se correlacionados. O terceiro estudo investigou o efeito de um programa de pré-natal psicológico na prevenção da depressão perinatal e ansiedade, encontrando reduções significativas dos sintomas ansiosos e depressivos nas participantes da intervenção, em comparação ao grupo controle, oferecendo evidências de eficácia do programa na prevenção da depressão e ansiedade perinatais. No geral, considera-se que essa dissertação cumpriu seus objetivos, ao demonstrar, a partir dos efeitos dos programas, que é possível prevenir depressão e ansiedade no puerpério.

2019
Descrição
  • IGOR HENRIQUE FARIAS SANTOS
  • Bullying e dislexia: um estudo a partir do preconceito nas escolas da grande Aracaju
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 19/12/2019
  • Dissertação
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  • Este estudo teve como objetivo geral investigar a caracterização do bullying nas escolas da Grande Aracaju e sua ocorrência contra estudantes considerados em situação de inclusão, em específico, naqueles que convivem com o quadro de dislexia. Visando alcançar este objetivo, foram elaborados quatro capítulos. O capítulo 1, uma revisão integrativa, buscou-se analisar as produções científicas sobre os transtornos específicos de aprendizagem (TEAp), identificar como essa condição de vida é representada no ambiente escolar e verificar a associação dessa temática com o fenômeno do preconceito e do bullying. As buscas ocorreram nas Bases de dados científicas da Web of Science, Scopus, SciELO e LILACS, utilizando os descritores “transtorno de aprendizagem específico”, “ambiente escolar”, “preconceito” e “bullying”, tendo como resultado final 13 artigos, publicados entre 2008-2018. Os resultados evidenciaram que os TEAp são percebidos pelas suas limitações e dificuldades, bem como relativa escassez de trabalhos que relacionasse o bullying aos transtornos de aprendizagem, os quais, em sua maioria destacavam a dislexia. No capítulo 2, buscou-se investigar o grau de inclusão nas escolas públicas da Grande Aracaju a partir da equipe diretiva e dos estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, a fim de comparar as instituições de ensino e verificar as manifestações de violência escolar contra estudantes em situação de inclusão. Para isso, foram utilizados, junto aos diretores, dois questionários para caracterização das escolas e identificação do grau de inclusão nas mesmas e, com os estudantes, aplicou-se as escalas de manifestação de preconceito e de autoindicação de bullying. Os resultados indicaram um alto grau de inclusão escolar em cinco centros de ensino, uma diferença na manifestação de preconceito entre escolas com baixo e alto grau de inclusão, dependência entre menor frequência de bullying e maior nível de inclusão escolar, assim como a presença de uma maior manifestação de preconceito contra pessoas consideradas frágeis e com necessidade educacional especial. No capítulo 3, fizeram parte 24 docentes, responsáveis pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Educação Física e Artes. Neste, o objetivo foi caracterizar o bullying através do discurso dos professores, verificando as causas, quem pratica, quem sofre e o que é necessário para combatê-lo. A partir dos resultados percebeu-se a presença da naturalização do bullying no ambiente escolar, sendo sua prática passível por qualquer estudante, enquanto os alvos geralmente são aqueles cujas características destoam do padrão social. As estratégias apontadas vão de encontro a ações de caráter multidisciplinar que envolvam professores, funcionários, familiares, estudantes e a sociedade. Por fim, no capítulo 3, dessa vez com 12 professores, investigou-se a ocorrência de bullying e preconceito em alunos disléxicos, bem como o conhecimento que os docentes possuíam sobre dislexia e suas atitudes e estratégias frente a este quadro. Os resultados identificaram que alunos disléxicos sofrem mais bullying e preconceito, em comparação ao demais, bem como que há carência quanto ao conhecimento sobre dislexia por parte desses profissionais e suas atitudes e estratégias são mais intuitivas do que assertivas. De modo geral, a partir dos resultados obtidos em torno desta pesquisa, possibilitou-se ampliar os estudos no campo do preconceito, bullying, dislexia e educação inclusiva. Identificou-se que as escolas carecem de um maior cuidado com as práticas de violência entre seus estudantes, principalmente contra aqueles considerados em situação de inclusão. Assim como, constatou-se pouco conhecimento por parte dos educadores sobre as necessidades dos discentes com alguma necessidade educacional especial.

  • ALINE POMPEU SILVEIRA
  • ABERTURA EM MULHERES LÉSBICAS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE MENTAL, ACESSO AO SERVIÇO DE SAÚDE E PREVENÇÃO SEXUAL E REPRODUTIVA
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 18/12/2019
  • Dissertação
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  • A abertura da orientação sexual em mulheres lésbicas tem sido associada, na literatura científica, a aspectos concernentes à saúde física, mental, sexual e reprodutiva, além de estar diretamente relacionada à ocorrência de um atendimento integral em serviços de saúde. Apesar de sua grande relevância, a abertura da orientação sexual não é um conceito recorrentemente utilizado em pesquisas brasileiras e/ou em português. Reunir dados científicos que demonstrem a importância da abertura para os cuidados com a saúde de mulheres lésbicas pode servir para embasar documentos de orientação para profissionais da saúde, de forma a ampliar o alcance e a qualidade do atendimento prestado. Dessa forma, a presente dissertação propôs uma investigação acerca da influência da abertura na saúde de mulheres lésbicas no contexto brasileiro. Para isto, dois estudos foram realizados: uma revisão integrativa da literatura sobre abertura da orientação sexual e suas implicações para a saúde de mulheres lésbicas e um segundo estudo, de natureza quantitativa, que visou observar como a variável abertura se relaciona à saúde mental, acesso ao serviço de saúde e prevenção sexual e reprodutiva de mulheres lésbicas no contexto brasileiro. Discute-se que a abertura da orientação sexual de mulheres lésbicas é determinada por fatores sociodemográficos. Além disso, que a abertura interfere no acesso de mulheres lésbicas a serviços de saúde, bem como na qualidade do atendimento, o que por conseguinte afeta sua prevenção sexual e reprodutiva.

  • CARLOS ALBERTO ALVES DE OLIVEIRA
  • A PRODUÇÃO DA SUBJETIVIDADE ENTRE APRECIADORES DO “DEATH METAL” A PARTIR DA RELAÇÃO ENTRE CULTURA E MORTE
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 30/08/2019
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa visa entender a produção da subjetividade entre apreciadores do “Death Metal” a partir da relação entre cultura e morte. O Metal da Morte diz respeito a uma das inúmeras ramificações do Rock and Roll, mais especificamente, à vertente do Heavy Metal, ou Metal Pesado, como é conhecido na cena musical. De modo mais preciso, objetiva-se compreender os processos de subjetivação a partir do Death Metal. Busca-se descrever o início da história do Rock and Roll e suas derivações, dentre elas o Heavy Metal e seus atributos culturais, compreender a relação da morte com o Death Metal e, por fim, observar a influência da estética no sentido das vestimentas e da sonoridade do gênero musical dos sujeitos pesquisados. A presente dissertação desenvolve-se através de uma pesquisa descritiva e de abordagem qualitativa, na qual são utilizados registros de campo, recursos audiovisuais, discografia, entrevista em mídia especializada, variado conjunto documental e questionário semiestruturado com inspiração metodológica na Etnografia. Apoia-se em autores como Laplantine (2004), Guattari (1989, 1992), Guattari e Ronilk (1986), Geertz (2013), Lemos (2007) e outros, para discutir o fato de que a morte possui diversos significados, crenças, valores e interpretações, variando de cultura para cultura, acrescido de aportes histórico-culturais, considerando-se que a morte biológica é a falência/deterioração do corpo, enquanto a morte simbólica é sempre histórico-cultural. Como principal resultado, foi possível observar que não há negação da morte, mas sobretudo o reconhecimento da sua existência. Ainda que se perceba o medo em torno dela, sobressai-se a convicção de que este é o final do homem. Logo, a morte que se destaca nas letras do Death Methal também é propulsora de outros sentimentos: liberdade, poder, exaltação, força, identificação, bem como pessimismo, indignação, revolta etc. Estes sentimentos são decorrentes dos processos de subjetivação dos sujeitos na relação com o Death Metal, com a cultura, com a sociedade, com a vida. Deste modo, este trabalho se justifica por contribuir para a compreensão da relação entre música e morte na constituição dos sujeitos.

  • CESAR GOMES GAMA JÚNIOR
  • Atravessamentos e transversalizações na vida de moradores de rua: reflexões a partir de um lugar institucional no município de Aracaju-SE.
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 30/08/2019
  • Dissertação
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  • Em nosso cotidiano, passamos por pessoas que não percebemos, algumas vezes cegados pela velocidade e correria diária, outras vezes, pela dificuldade de conceber e aceitar as diferenças, as enxergamos pelo prisma inapropriado de um modelo de vida que é produzido de forma continua, ininterrupta e que se instituiu como hegemônico. Essas pessoas que fazem das ruas e suas possibilidades moradia e sustento se afastam desse modelo de vida ideal, produtivo, burguês e acabam compondo uma espécie de paisagem urbana na contemporaneidade moderna e capitalista. São nessas pessoas, que na rua e da rua vivem, que desconstroem e reconstroem políticas públicas, modos de viver e de pensar com suas histórias de vida e peculiaridades. A pesquisa tem como foco os atravessamentos e transversalizações do cotidiano e tempo socio-histórico do morador de rua.

  • FABYANNE WILKE COSTA SANTOS
  • RISO, HUMOR E RACISMO: NARRATIVA DE EXCLUSÃO
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 30/08/2019
  • Dissertação
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  • Esta dissertação se debruçou na tentativa de compreender as denominadas “piadas de preto”, as quais se caracterizam como os exemplos eloquentes de narrativas humorísticas racistas. Para isso, o trabalho se encontra dividido em três capítulos. O primeiro objetivou dar conta do fenômeno do humor e suas compreensões conceituais e contemporâneas sobre o tema. A partir dessa pesquisa, o humor se apresentou com o viés transgressor e agressor. Na tentativa de dar conta desses pontos divergentes, compreende-se o que Minois (2003) aludiu sobre o riso progressista e o riso conservador, acreditando que o primeiro objetiva mudar normas sociais, enquanto o segundo não tem a intenção de mudança, reflexão política ou progresso social. Embora Alberti (2002) acredite que a agressão e a benevolência sejam concomitantes ao contexto risível. Logo, para a autora, toda transgressão carregaria uma agressão. Porém, as piadas que tomam como objeto de riso um grupo minoritário, já fragilizado socialmente, tais como o negro, o gay, a lésbica, a mulher, o pobre etc. se apresentariam como exemplos eloquentes do humor eminentemente agressivo e conservador. Tendo em vista o processo identificativo da autora e também as demandas dos dados bibliográficos, optou-se, como objeto de estudo as narrativas humorísticas que tomam como objeto de chacota o negro. A partir disso, surge o segundo capítulo, com intenção de encontrar a compreensão sobre o racismo no Brasil e também sobre os elos entre humor e racismo brasileiro. Percebeu-se, diante dos dados, que o Brasil é caracterizado por atitudes atípicas de racismo, que se estrutura a partir de ações simbólicas de preconceito e discriminação. O preconceito étnico-racial aqui se apresenta por atitudes cordiais e disfarçado de democracia racial, diferentemente de outros países que sofreram por processos segregacionistas declarados; é o chamado racismo à brasileira. E, o humor e a piada se apresentam, assim como outras narrativa informais, como uma forma aprazível de preconceito, pois conseguem ultrapassar as normas estabelecidas socialmente e reafirmam a posição subjugada do negro (sujo, ladrão, vagabundo e incompetente), sem serem apontadas como discurso racista. Por fim, o terceiro capítulo apresenta uma série de piadas que ora aparentam a agressão do discurso racista, ora apresentam uma certa denúncia da existência do racismo.

  • FLÁVIA DOS SANTOS NASCIMENTO
  • JUVENTUDE E POLÍTICA: conversas com os jovens eleitores de Jair Bolsonaro
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 30/08/2019
  • Dissertação
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  • Em diferentes países do mundo, o aumento das políticas de direita vem se destacando através do fortalecimento de organizações conservadoras, evidente nos Estados Unidos com a eleição de Trump e, com o crescimento de partidos conservadores como na Espanha e Argentina. Desde as manifestações de maio de 2013 às ruas voltaram a serem espaços de fazer política e de luta por direitos. Ao longo desse período de manifestações, ao mesmo tempo em que surgiram novos movimentos de juventude conservadora, também aparecem novas organizações com pautas progressistas. Para podermos entender esses atravessamentos nas relações entre juventude e política, neste trabalho empreendemos uma investigação a respeito do fenômeno da difusão do conservadorismo entre a juventude na contemporaneidade, diante da corrida eleitoral de 2018 no Brasil. Com isso, vem o desejo de compreender este fenômeno social que surge a ideia de desenvolver esta pesquisa, e de realizarmos entrevistas com jovens votantes em Bolsonaro, para ouvir o que eles têm a dizer e tentar compreender como é que o jovem, ‘supostamente’ veículo da mudança e do progresso, supostamente progressista quase que por natureza, pode votar em Bolsonaro? O que aconteceu? Este trabalho foi construído a partir do do método de pesquisa em psicanálise, as falas dos jovens foram analisadas através do aporte psicanalítico.

  • MILENA DE ANDRADE BAHIANO
  • Depressão e enfrentamento de adversidades em pessoas sob condição de privação de liberdade
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 22/08/2019
  • Dissertação
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  • A presente dissertação buscou investigar o acometimento de sintomatologia depressiva e o uso de estratégias de enfrentamento em pessoas presas pela primeira vez no sistema prisional. Além disso, buscou compreender, a partir da perspectiva da pessoa privada de liberdade, a repercussão de sua primeira experiência na prisão e suas expectativas quanto ao futuro. Para tanto, três estudos foram realizados. O objetivo do primeiro estudo foi uma revisão integrativa da literatura acerca da depressão e fatores associados a sua ocorrência em pessoas presas no ambiente prisional. Nos resultados, viu-se que a ocorrência de depressão foi evidente em todos os artigos avaliados. Os fatores sociodemográficos, institucionais e o apoio social recebido também mantiveram relação significativa com sintomas de depressão na prisão. No estudo dois, objetivou-se analisar, por meio da técnica de evocação livre de palavras e a partir dos termos indutores “prisão” e “futuro”, o modo como os indivíduos já sentenciados (G1) e em regime provisório (G2) percebiam o confinamento. Os resultados indicaram que ambos os grupos percebiam a prisão como um lugar de adoecimento físico e mental. Já o estudo três objetivou investigar a ocorrência de sintomatologia depressiva e analisar as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos indivíduos em seu processo de adaptação ao primeiro aprisionamento. Quanto aos resultados encontrados, observou-se que a maioria dos participantes foram identificados pela escala de rastreamento da CESD-R com presença de sintomas depressivos. Verificou-se, também, que os participantes que fizeram uso da estratégia Planejamento tiveram em torno de duas vezes e meia mais chances de apresentarem sintomas positivos de depressão na prisão. Finalmente, espera-se que estes estudos possam vir a contribuir para a minoração de danos à saúde mental das pessoa privadas de liberdade, bem como auxiliar no desenvolvimento de ações voltadas ao incremento de fatores protetivos e a redução de fatores de risco à depressão no ambiente prisional.

  • ARIANA MOURA DE JESUS
  • Regulação Emocional, Transtornos de Ansiedade e/ou Depressivos em pacientes com e sem queixa de Enxaqueca
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 16/08/2019
  • Dissertação
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  • A proposta deste trabalho foi estudar a relação entre Regulação Emocional (RE), transtornos de ansiedade (TA) e/ou transtornos depressivos (TD) em pacientes com enxaqueca. Para alcançar essa proposta foram realizados dois estudos. O objetivo do Estudo I foi realizar uma revisão integrativa da literatura nacional e internacional sobre os estudos que tiveram como foco a relação entre enxaqueca, TA e/ou TD em periódicos científicos da área da saúde e da psicologia. Ao final do estudo I se confirmou que os TD e TA comumente ocorrem como comórbidos à enxaqueca e que a enxaqueca é mais comum no sexo feminino. O objetivo do Estudo II foi analisar a relação entre RE, sintomas de ansiedade e/ou depressão e a presença de queixa de enxaqueca. Para tanto, investigou-se a ocorrência de sintomas relacionados a TA e/ou TD em pacientes com e sem queixa de enxaqueca. Posteriormente, examinou-se a utilização de estratégias de RE dos participantes e por fim, analisou-se a relação entre RE e sintomas relacionados a TA e/ou TD comparando dois grupos: indivíduos com e sem queixa de enxaqueca. Nos resultados, observou-se que 57% das pessoas obtiveram resultado positivo para enxaqueca no ID-Migraine™. Sobre a associação entre sexo e enxaqueca, constatou-se que as mulheres apresentaram enxaqueca mais comumente que homens, além de possuir duas vezes mais chances de ter queixa de enxaqueca. Quanto à relação entre enxaqueca e ansiedade, verificou-se que, dentre aqueles que tiveram diagnóstico positivo na HADS, a ampla maioria estava no grupo com enxaqueca e possuíam quase quatro vezes mais chances de estarem no grupo com enxaqueca. Por fim, viu-se que a comparação entre as variáveis de regulação emocional (reavaliação cognitiva e supressão emocional) e enxaqueca não evidenciou diferença estatisticamente significativa entre os grupos.

  • DANIELLE ALVES MENEZES
  • SINTOMAS DEPRESSIVOS, REGULAÇÃO EMOCIONAL E INCAPACIDADE FÍSICA NA LOMBALGIA CRÔNICA
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 15/08/2019
  • Dissertação
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  • Lombalgia crônica (LC) é a dor lombar que persiste por mais de três meses. Indivíduos com esse ​ diagnóstico podem apresentar melhora do quadro em poucas semanas, porém, há pacientes que ​não exibem resultados favoráveis no tratamento. Isso se deve a fatores físicos, neurológicos e/ou ​ psicológicos, dentre os quais, sintomas depressivos. O presente estudo teve como objetivo ​ investigar a relação entre LC e depressão. Para isso, foram propostos três capítulos. O primeiro ​ capítulo é uma revisão integrativa que reuniu os principais fatores psicológicos associados à ​ depressão em pessoas com LC. Os resultados evidenciaram que pessoas com idade a partir de 40 ​anos são mais vulneráveis à coocorrência dessas doenças. A piora do desempenho físico e ​ ocupacional, ansiedade, insônia, baixa resiliência, estratégias de enfrentamento menos eficientes, ​ crenças de baixa auto eficácia, de incapacidade e de solicitude também foram associadas aos ​sintomas depressivos na LC. O segundo capítulo constituiu uma revisão narrativa que apresentou ​ o modelo de regulação emocional de James Gross como possibilidade de compreensão acerca de​ como as emoções interferem na adaptação dos indivíduos aos contextos de adoecimento, em ​especial, de sintomas depressivos na LC. Foi possível verificar presença de processamento ​emocional disfuncional, com predomínio de estratégias supressivas, o que poderia contribuir para ​ expor indivíduos com LC a sintomas depressivos, para a persistência da dor e maiores níveis de ​incapacidade. O terceiro capítulo analisou as relações entre depressão, regulação emocional e ​incapacidade a partir de dados coletados de pacientes de um centro de reabilitação de Aracaju​-SE. Foi verificada ocorrência de sintomas depressivos em pouco mais da metade da amostra. ​ Constatou-se presença de incapacidade física e/ou incapacidade física mais severa, e uso de ​ estratégias de supressão emocional como os principais fatores de risco. ​

  • JAMILLE MARIA DE ARAUJO FIGUEIREDO
  • SEXUALIDADE DAS PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS SEVEROS NA PERSPECTIVA DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE MENTAL E USUÁRIOS DE CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS)
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 26/07/2019
  • Dissertação
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  • A sexualidade ainda é usualmente negligenciada ou reprimida, sobretudo quando relacionada às pessoas com transtornos mentais. A negação do exercício da sexualidade a esses sujeitos pode comprometer a oferta do cuidado integral em saúde, conforme propõe a política de saúde mental brasileira. Nessa perspectiva, realizou-se a presente pesquisa com o objetivo de investigar as crenças de profissionais, com nível superior que atuam nos serviços de saúde mental do estado de Sergipe, acerca da sexualidade das pessoas com transtornos mentais severos, bem como a vivência da sexualidade desses sujeitos a partir das narrativas de usuários dos CAPS III de Aracaju-SE. Para alcançá-lo foram realizados quatro estudos. O primeiro foi uma revisão sistemática de literatura, dos artigos publicados entre 2013 e 2018 nas plataformas Medline/Pubmed, SciELO, LILACS e PEPsic. No segundo foi desenvolvida uma escala de crenças acerca da sexualidade das pessoas com transtornos mentais severos (ECS- TMS). No terceiro foi aplicado a 59 profissionais de saúde mental de Sergipe um questionário estruturado online no qual constou a escala supracitada. Os dados foram analisados a partir do programa estatístico SPSS. No quarto estudo participaram 62 usuários dos CAPS III de Aracaju-SE. Os dados foram produzidos mediante oficinas de histórias sobre sexualidade. Os textos elaborados foram analisados por meio da técnica de análise textual discursiva. Os principais resultados apontaram que as pessoas com transtornos mentais severos não reconhecem a saúde sexual como direito. Isso se dá devido aos estigmas em torno das psicopatologias e do contexto social de exclusão que foram submetidos ao longo da história. Além disso, foi evidenciado na revisão de literatura o despreparo de profissionais de saúde mental em lidar com questões sexuais nos serviços que atuam. Quanto à ECS-TMS, a sua versão final é composta por 15 itens e as análises manifestaram sua adequação e propriedades psicométricas. O estudo com profissionais demonstrou que quanto maior foi o tempo de experiência profissional na saúde mental, maior foi o preconceito contra a diversidade sexual e havia mais crenças negativas sobre a sexualidade do referido grupo populacional. Acredita-se que esses trabalhadores tragam resquícios do modelo hospitalocêntrico que vivenciaram antes da reforma psiquiátrica. Com os usuários de CAPS foi possível identificar que ao associarem a vivência da sexualidade com a condição psicopatológica, os discursos revelavam aspectos negativos. As experiências narradas refletem contextos de exclusão social, preconceitos e vulnerabilidades. Espera-se com este trabalho contribuir para a construção de estratégias de assistência às pessoas com transtornos mentais que contemplem a sexualidade.

  • ANDRÉIA SANTANA FELICIO
  • Ansiedade, estresse e estratégia de coping em adolescentes de instituições particulares que irão prestar vestibular.
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 25/07/2019
  • Dissertação
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  • Esta dissertação tem por objetivo geral analisar as relações entre ansiedade, estresse e estratégias de coping utilizadas por adolescentes de instituições particulares que irão prestar vestibular. Para alcançar tais objetivos, foram propostos dois estudos: um qualitativo e outro quantitativo. O estudo 1 é uma revisão integrativa da literatura de 13 estudos, que apresentam os níveis de ansiedade e estresse e avaliam quais as principais estratégias de enfrentamento utilizadas por adolescentes para diminuir os sintomas de ansiedade e estresse. Nos resultados foi possível identificar que o risco da presença da ansiedade e estresse é maior no gênero feminino. A principal estratégia de enfrentamento para combater a ansiedade era o apoio social. Os riscos que aumentavam a presença do estresse, eram voltadas a questões familiares e a pressões geradas na escola, incluindo a alta carga de atividades acadêmicas. A principal estratégia de enfrentamento para combater os sintomas eram aceitar a responsabilidade e o gerenciamento do tempo. O estudo 2 tem por hipótese que os estudantes que prestaram vestibular mais de uma vez, apresentariam maiores níveis de ansiedade e estresse, pois cria-se uma expectativa da família e do próprio adolescente que a experiência de conhecer como funciona o processo seletivo facilita a aprovação no vestibular. Utilizou-se a Escala de Estresse para Adolescentes (ESA), a Escala de Ansiedade de Sarason (TAS) adaptada para contexto de provas escolares por Gonzaga (2016), e o Inventário de Estratégias de Coping (Brief-Cope). Nos resultados foi percebida uma relação significativa entre ansiedade e estresse nos adolescentes, sendo que as participantes do gênero feminino apresentaram maiores níveis de ansiedade e estresse. Não houve uma relação entre número de vestibular realizado com os níveis de ansiedade e estresse. As estratégias de coping que ajudaram a combater os níveis de ansiedade são focados na emoção, como por exemplo, aceitar o problema, reinterpretá-lo, e ter um suporte de um amigo ou familiar. As estratégias assertivas que ajudaram a diminuir o estresse foram estratégias com o foco no problema, como por exemplo, a aceitação e a tentativa de buscar enfrentar a situação com um planejamento (coping ativo).

  • GABRIELA DE QUEIROZ CERQUEIRA LEITE
  • Psicodermatologia: autoestima e autoimagem na relação entre doenças de pele, ansiedade e depressão
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 11/07/2019
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  • O presente estudo tem como objetivo geral analisar a relação entre autoestima (AE) e autoimagem (AI) e os sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com doenças de pele. Para alcançar tais objetivos, foram propostos três estudos. No estudo 1, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, a fim de apresentar evidências do impacto das doenças de pele sobre a AE e AI. 13 artigos foram recuperados e analisados quanto à suas características bibliométricas, seus tópicos metodológicos e conteúdo apresentado. Observou-se que as doenças de pele causam prejuízos na AE e/ou AI, bem como constatou-se que quanto mais severa a doença, maior o impacto sobre tais construtos. No segundo estudo, também uma revisão integrativa, buscou-se reunir evidências da relação entre AE e/ou AI e transtornos de ansiedade ou depressão, além de analisar como tais relações acontecem em amostras variadas, a partir da identificação das características bibliométricas e de conteúdo dos estudos incluídos. Foram reunidos resultados de 24 artigos publicados nos últimos 5 anos (de janeiro de 2013 até setembro de 2018). Verificou-se que quanto mais rebaixada a AE, maior a incidência de sintomas ansiosos e depressivos. Os trabalhos selecionados também revelaram a capacidade preditiva da AE sobre a sintomatologia ansiosa e depressiva. Quanto às possíveis relações entre autoimagem, ansiedade ou depressão, nos estudos revisados não foram encontrados dados de correlação ou capacidade preditiva. Por fim, no terceiro estudo, se analisou empiricamente a relação entre autoestima, sintomatologia ansiosa e depressiva em pessoas com e sem doenças de pele. O estudo baseou-se nas hipóteses de que a autoestima tende a ser rebaixada no grupo pesquisa (GP), e que os sintomas ansiosos e depressivos são mais frequentes naqueles acometidos por uma doença de pele. Compuseram a amostra 118 pessoas, sendo 58 sujeitos do GP e 60 indivíduos saudáveis (GC). Utilizou-se a Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR) e a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). Nos resultados viu-se que a autoestima teve pontuação mais baixa no GP, mas sem fazer distinção entre as possíveis dermatoses, no entanto não se constatou diferença estatisticamente significativa quanto à frequência de sintomatologia ansiosa ou depressiva entre os grupos pesquisa e controle.

  • ALANA NAGAI LINS DE CARVALHO
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE A SEXUALIDADE DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: UM ESTUDO COM UNIVERSITÁRIOS COM E SEM DEFICIÊNCIA FÍSICA
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 14/03/2019
  • Dissertação
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  • O presente estudo tem como objetivo geral analisar as representações sociais de universitários, com e sem deficiência, sobre a sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência. Alvejando este objetivo, foram desenvolvidos quatro capítulos. O primeiro, de caráter teórico, apresenta um apanhado histórico e os principais conceitos da Teoria das Representações Sociais, relacionando-a a temáticas estudadas, explicando-as como objetos da teoria e a importância de se conhecer suas representações sociais. O segundo capítulo analisa, sistematicamente, o estado da arte sobre sexualidade das pessoas com deficiência, investigando as principais temáticas, objetivos e resultados alcançados. As buscas aconteceram nas bases de dados Index Psi Periódicos, PePSIC, LILACS, SciELO e Web of Science, utilizando os descritores “sexualidade”, “pessoas com deficiência”, “representação social” e “direitos sexuais e reprodutivos”, nos idiomas português, inglês e espanhol, resultando em 38 artigos, publicados entre janeiro de 2007 e dezembro de 2017. Os resultados se concentraram em quatro categorias temáticas (vivência da sexualidade; percepções sobre a sexualidade; infecções sexualmente transmissíveis e direitos sexuais e reprodutivos), evidenciando condições sociais que impedem o desenvolvimento e o exercício da sexualidade pelas pessoas com deficiência. O terceiro capítulo teve como objetivo identificar e analisar as representações sociais de universitários com deficiência física sobre a sexualidade das pessoas com deficiência, a partir de um roteiro de entrevista semiestruturado, associado a um questionário sociodemográfico, que foram analisados, respectivamente, pelo software IRAMUTEQ, em uma Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e pela estatística descritiva, com o pacote estatístico SPSS. Os resultados apresentados no dendograma expuseram as representações sociais sobre a sexualidade das pessoas com deficiência ligadas às perspectivas subjetiva e social, acerca do conceito e vivência da sexualidade, da participação familiar, da importância dada ao corpo, da construção da identidade como pessoa com deficiência e dos direitos. Seguindo a mesma estrutura de análise, o quarto capítulo discute a sexualidade das pessoas com deficiência à luz da Teoria das Representações Sociais (TRS), utilizando as fotografias, como técnica, para identificação dessas representações, a partir de uma pesquisa com universitários sem deficiência e com deficiência física. Os dados resultaram em dois corpora, a saber: 1º corpus: experiências de sexualidade na deficiência e 2º corpus: percepções sobre a sexualidade na deficiência, que reúnem, respectivamente, as representações sociais das pessoas com e sem deficiência, sobre as temáticas: a vida com deficiência e as limitações; o corpo com deficiência e a autoimagem; relação sexual; casamento; reprodução; e família. Os artigos empíricos e teóricos sinalizam que, apesar de serem seres sexuais, que demonstram conhecimentos, desejos e práticas de sexualidade, as pessoas com deficiência vivenciam um exercício desigual dessa dimensão humana.

  • FÁBIO SANTOS
  • Análises da ansiedade entre surdos
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • O interesse em compreender sobre a saúde mental das pessoas surdas também tem levado pesquisadores de todo o mundo a investigar a sua ansiedade. Todavia, alega-se que a
    literatura sobre o assunto carece de novas pesquisas e demonstra ser limitada. O Brasil é um país onde há falta de estudos sobre a ansiedade e a saúde mental da população surda. A realização de pesquisas no país permitiria uma maior compreensão da ansiedade entre as pessoas surdas, o que inclui entender o quão ansiosas podem ser, seus fatores ansiogênicos e como lidam com isso. Esta pesquisa teve o objetivo de analisar e discutir a ansiedade entre pessoas surdas, considerando suas experiências de comunicação e em meio a adversidades. Foram realizados três estudos, capítulos desta dissertação. O primeiro deles foi uma Revisão Integrativa (RI) cujo objetivo foi descrever as pesquisas que investigaram a respeito da ansiedade entre pessoas surdas no período de 2000 a 2017 nas seguintes bases de dados: PubMed, SCOPUS, Medline, LILACS, PePSIC e Periódicos CAPES. Dos 749 artigos
    resultantes, foi possível recuperar 13 publicações que datavam de 2006 a 2017. Os aspectos descritos na RI abrangeram o país e ano de realização, periódicos de publicação, abordagem e
    delineamento de pesquisa, características das amostras, instrumentos, formas de coletar dados
    e temáticas exploradas. O segundo capítulo, um estudo teórico, teve o objetivo de apresentar e discutir a influência da comunicação, do gênero, do nível educacional e das características
    da surdez sobre a ansiedade das pessoas surdas. Nele, pesquisas empíricas e aspectos conceituais abordaram a surdez no mundo e no Brasil, a influência dela sobre a ansiedade e saúde mental das pessoas surdas e os fatores de influência elegidos para discussão. O último
    capítulo foi realizado com uma amostra formada por 10 estudantes surdos, de ambos os gêneros, fluentes em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) cuja idade variou de 18 a 24 anos (M = 20,2 e DP = 1,88). Esse capítulo teve o objetivo de investigar e descrever as experiências de jovens surdos durante situações adversas, comunicacionais e ansiogênicas, bem como a maneira como lidam com tais eventos. Os participantes foram entrevistados e
    responderam a 12 perguntas abertas sobre ansiedade, comunicação e enfrentamento. Os dados foram analisados pelo software IRaMuTeQ por meio da Classificação Hierárquica
    Descendente (CHD), que gerou 5 classes, denominadas Relações interpessoais;
    Comunicação; Cotidiano e ansiedade; Família, ansiedade e cotidiano; e Problemas e seu enfrentamento. Os resultados contribuem valiosamente para a comunidade científica
    interessada em entender mais em torno da saúde mental das pessoas surdas, especialmente as brasileiras. As limitações identificadas em cada uma das pesquisas descritas requerem a
    realização de novos estudos no Brasil. É importante que mais pesquisas sejam conduzidas e que psicólogos e outros profissionais e pesquisadores se envolvam em estudos e intervenções
    em torno da saúde mental da população surda brasileira. Isso precisa ser feito com a preservação da perspectiva socioantropológica.

  • MOZER DE MIRANDA RAMOS
  • AFEMINAÇÃO E PROCESSOS DE HIERARQUIZAÇÃO EM HOMENS GAYS, BISSEXUAIS E QUE FAZEM SEXO COM HOMENS
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 04/02/2019
  • Dissertação
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  • Esta dissertação tem por objetivo compreender como a afeminação e a antiafeminação estão inseridas no cotidiano de homens gays e bissexuais brasileiros. Foram desenvolvidos três artigos: um teórico e dois quantitativos. O primeiro artigo é uma revisão crítica de literatura e objetivou delinear um panorama acerca da afeminação e suas repercussões sociais em homens gays e bissexuais, demonstrando haver um contexto de desigualdade e hierarquia relacionado às expressões de gênero nesses homens. O segundo artigo trata do processo de adaptação e produção de evidências de validade para o Brasil da Escala de Atitudes Negativas sobre Afeminação (ANA), os resultados sugerem que a versão adotada da ANA apresenta boa adaptação e bons índices fatoriais. O terceiro artigo investiga a relação entre a antiafeminação e a relação com a própria afeminação diante de homofobia internalizada, abertura e importância dada a masculinidade do parceiro. Os resultados demonstraram que uma relação positiva com a afeminação está associada a uma menor homofobia internalizada, menos atitudes negativas sobre afeminação, menor importância dada a masculinidade do parceiro e maior abertura da orientação sexual. De modo geral, considera-se que essa dissertação cumpriu com seus objetivos, demonstrando que a afeminação é uma importante categoria de análise para o estudo sobre homens e suas sexualidades no Brasil.

  • VALÉRIA MARIA AZEVEDO GUIMARÃES
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE A SEXUALIDADE: UM ESTUDO COM DISCENTES SURDOS
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 01/02/2019
  • Dissertação
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  • A sexualidade está presente no desenvolvimento do ser humano, sendo manifestada de diferentes modos de acordo com cada fase do sujeito. Apesar de ser uma temática divulgada na mídia, ainda é notória a existência de mitos e tabus na sociedade atual, o que compromete a transmissão de informações sobre esse assunto. Nesse sentido, esse estudo tem como objetivo compreender as representações sociais que os discentes surdos possuem acerca da sexualidade, sendo suas ações influenciadas por estas representações. Esta pesquisa teve como aporte teórico a Teoria das Representações Sociais, que permite elucidar os aspectos históricos, culturais e políticos que cercam o sujeito e com isso acessar o conhecimento proveniente do senso comum, com o entendimento científico sobre a sexualidade. Para tanto, a dissertação foi estruturada em 3 capítulos apresentados no formato de artigo (2 revisões sistemáticas e 1 estudo empírico). No Capítulo 1, foi elaborada a revisão sistemática sobre as representações sociais e a surdez, no período de 1990 a 2017, em cinco bancos de dados (SciELO, PePSIC, LILACS, PsycINFO e Scopus). O Capítulo 2 abordou a sexualidade e surdez através da revisão sistemática, no período de 2000 a 2017, utilizando o SciELO, PePSIC, LILACS, PsycINFO e Scopus como bancos de dados. O Capítulo 3 teve como amostra 10 alunos surdos dos ensinos fundamental maior (9º ano) e médio (1º, 2º e 3º ano). As representações sociais da sexualidade destes participantes estavam ancoradas no cuidado com a saúde sexual, nas relações com os pares, com a família e nas relações íntimas de afeto. As análises dos estudos empíricos foram elaboradas pelo software IRAMUTEQ. De acordo com os capítulos produzidos, percebeu-se a escassez de estudos referentes as representações sociais, surdez e sexualidade e que a temática da sexualidade é pouco debatida no ambiente familiar. Desta forma, os amigos, o(a) namorado(a) e os professores foram os mais citados como fontes de informações. Vale ressaltar que o foco das orientações recebidas, pelos estudantes, estava voltado para a prevenção de comportamentos de risco dos jovens surdos.

  • ANNA LUIZA DANTAS SALIM
  • Um estudo psicanalítico dos narcóticos anônimos
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 18/01/2019
  • Dissertação
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  • Este trabalho efetuou um estudo de orientação lacaniana do grupo de mútua-ajuda Narcóticos Anônimos (NA) mediante a análise de sua literatura institucional. O primeiro capítulo abordou o conceito psicanalítico de toxicomania, em suas relações com os conceitos de pulsão, gozo e identificação. O segundo capítulo apresentou os diferentes eixos e éticas de tratamento das toxicomanias a partir da teoria lacaniana dos discursos. O terceiro capítulo caracterizou a lógica da abstinência e a lógica de tratamento do sujeito nas toxicomanias. Para a análise de dados, utilizou-se o método da psicanálise aplicada. O quarto capítulo versa sobre as especificidades desse método de pesquisa. O quinto capítulo abarca a apresentação e análise dos resultados. Foram encontrados quatro elementos fundamentais para a terapêutica do NA: a concepção de adicção, o programa, a relação com outro adicto e a relação com o Poder Superior. Os principais fundamentos da terapêutica do NA encontrados na sua literatura institucional foram: a obediência ao S1, a suplência imaginária promovida pela identificação horizontal com outro adicto, o enfoque dado ao Eu concebido como instância imaginária capaz de gerir o próprio gozo e a crença no Poder Superior, exercendo a função de identificação vertical e amparo psíquico. Os resultados indicam que a terapêutica do NA é embasada no discurso do mestre, possuindo como S1 o programa, o qual abarca os Doze Passos e as Doze Tradições, como S2 o “adicto em recuperação”, detentor de um saber sobre o mais-de-gozar da droga e cuja produção está ligada à droga como objeto mais-de-gozar, (a), embora de forma negativa como abstinência e que a verdade escamoteada do discurso do NA é a da ideologia do self made man.

2018
Descrição
  • KARINE DAVID ANDRADE SANTOS
  • Assédio Moral e Autocuidado no Trabalho de Assistência a Vítimas de Violência contra a Mulher
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 17/09/2018
  • Dissertação
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  • A atividade de assistência a vítimas de violência contra a mulher suscita um leque de emoções nos trabalhadores desta área cujos desdobramentos podem ocasionar a reprodução das relações violentas assistidas através do assédio moral entre os membros da equipe e o adoecimento em níveis individual e grupal. Para minimizar estes impactos e preservar a saúde destes profissionais, o autocuidado é apontado como ferramenta fundamental para esta finalidade. Assim, o presente estudo aborda o assédio moral no trabalho e a saúde dos profissionais da assistência a vítimas de violência contra a mulher, um intento que se estendeu em descrever as práticas de assédio moral no trabalho, retratar a experiência de atendimento a mulheres vítimas de violência e observar as práticas de autocuidado exercidas pelos participantes em níveis pessoal, profissional, coletivo e institucional. Para alcançar estes objetivos, foram desenvolvidos seis estudos que serão apresentados em seis capítulos em forma de artigos. Assim, o Estudo 1 empreendeu uma análise conceitual sobre assédio moral no trabalho, autocuidado e discutiu a vulnerabilidade destes profissionais promovida pelo Estado alicerçado em bases econômicas neoliberais. No Estudo 2, foi desenvolvida uma revisão sistemática sobre adoecimento e o autocuidado em profissionais da assistência a vítimas de violência através da busca destas temáticas em três bancos de dados: IndexPsi, Scielo e PsycInfo. Após a aplicação dos critérios de inclusão e de exclusão, foram recolhidos 41 artigos para análise cujos resultados apontam para necessidade de produções direcionadas para os fatores que facilitam e dificultam o cuidado de si destes profissionais. O Estudo 3 teve o objetivo de verificar as práticas de autocuidado nos níveis individual, profissional, coletivo e institucional efetivadas por profissionais de assistência a vítimas de violência contra a mulher. Para tal feito, doze profissionais de quatro centros de atendimento a vítimas de violência contra a mulher da cidade de Aracaju e interior de Sergipe foram submetidos a um roteiro de entrevista com perguntas sobre os aspectos em questão. Através do uso do software Iramuteq, os achados apontaram para a limitação do autocuidado individual aos espaços familiares, os obstáculos no desvelo com a saúde física e a ausência pelas participantes e insuficiência do autocuidado em âmbito institucional. Ainda com este mesmo público, instrumento e através da análise de conteúdo, foi elaborado o estudo 4 que objetivou descrever o assédio moral no trabalho vivenciado por profissionais da assistência a vítimas de violência contra a mulher. Os dados indicaram que as participantes estão sujeitas a desvalorização, difamação e intimidação que se materializavam em situações específicas de suas atividades laborativas por parte dos superiores hierárquicos, ocasionando consequências para a saúde física, mental e, principalmente, na motivação para o trabalho dos assediados. Já o Estudo 5, também empreendido com os mesmos participantes, instrumento e com o uso do software Iramuteq,teve como finalidade descrever as condições de trabalho, investigar a experiência de atendimento a mulheres vítimas de violência e observar as práticas de autocuidado exercidas pelo grupo profissional em níveis pessoal, profissional, coletivo e institucional. Os resultados traçaram um quadro de exposição a conflitos e relações de trabalho violentas, a condições de trabalho precárias, a uma dinâmica institucional personalista e a dificuldades para seguimento e acompanhamento dos casos atendidos. Por sua vez, o Estudo 6 foi construído com o mesmo objetivo do estudo anterior e foi operacionalizado através da aplicação de um roteiro de entrevista com 10 profissionais de assistência a vítimas de violência contra a mulher de associações públicas e privadas na Espanha cujas informações recolhidas foram analisadas pelo método informático Iramuteq. Nesta investigação, foram constatados que as pesquisadas estão expostas a condições de trabalho precarizadas, encontrados indícios de adoecimento pela aproximação com a realidade atendida e os esforços de autocuidado pessoal através da psicoterapia individual, uma insuficiência e inexistência de autocuidado institucional e indícios da presença de relações violentas no trabalho. Os resultados sinalizam para a importância da efetivação dos programas de autocuidado vigentes e de elaboração de propostas de cuidar da equipe profissional que leve em consideração as particularidades sociais, econômicas e culturais dos locais de intervenção.

  • CARMEM EMANUELA SANTOS SILVA
  • IDENTIDADE, DIÁSPORA, EXÍLIO: UM ESTUDO SOBRE O INTELECTUAL PÓS-COLONIAL
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 30/08/2018
  • Dissertação
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  • Este trabalho debruça-se sobre os impactos da globalização e da chamada modernidade tardia nas identidades culturais e, por conseguinte, na atividade intelectual. Imprime-se um breve diagnóstico da modernidade, das características da globalização e do aparecimento de identidades heterogêneas, cujo projeto unificador tratava-se de uma construção. Nosso objetivo é mapear, no contexto da modernidade, como o intelectual apropria-se das resultantes da descolonização e do surgimento de identidades diaspóricas para a condução de seu trabalho pela via da suspensão de certos ideais nacionalistas. As velhas nações europeias criaram suas identidades nacionais a partir de um imperativo homogeneizante de exclusão das diferenças em nome de uma segurança ontológica. O mundo pós-Guerra, em específico, foi marcado pela independência de muitas antigas colônias e o estrangeiro, que teve sua diferença capturada no antigo projeto unificador, reaparece como protagonista de tensões nas antigas identidades até então, bem resolvidas. O movimento diaspórico (real e metafórico) dos indivíduos no exílio servirá de modelo ao intelectual para, inserido em jogos de poder que o convocam a conformar-se com discursos de dominação, criar fissuras, justamente, nos desmandos do poder. Para dar conta dessas problematizações, o estudo dividiu-se em alguns capítulos. O primeiro deles representou um recuo às questões pertinentes às mudanças nos sentidos da identidade cultural na modernidade tardia através, sumariamente, das análises de Stuart Hall e da ótica dos Estudos Culturais. O segundo pretende explorar alguns caminhos elencados brevemente no capítulo anterior a partir da apresentação de elementos nacionais como construções: a nação, a comunidade imaginada e a tradição inventada, bem como, neste contexto, a defesa da diáspora como uma subversão dos modelos nacionais homogêneos. O terceiro concentra a problemática do fazer intelectual daquele que assume o exílio como destino através das análises de Edward Said e Gayatri Spivak. No limite, no tempo da diáspora, o intelectual é convocado a assumir um posicionamento não submetido ao poder e provocar, tal qual o estrangeiro na estabilidade das nações, ranhuras nas fronteiras da dominação.

  • LYCIA RINCO BORGES PROCÓPIO
  • Centro-Dia para Idosos: relações de amizade e valorização das memórias
  • Orientador : LIVIA GODINHO NERY GOMES AZEVEDO
  • Data: 30/08/2018
  • Dissertação
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  • Mesmo com todos os prognósticos sobre o processo de envelhecimento da população brasileira, onde os idosos serão um segmento da sociedade proporcionalmente mais representativo e numeroso, o sujeito idoso ainda é concebido como ultrapassado e incapaz. Esta compreensão da condição da velhice nas sociedades ocidentais acarreta aumento do isolamento social dos idosos, ocasionando, consequentemente, perda na qualidade de vida, aumento nos casos de depressão e suicídio. Uma nova modalidade de espaço de convivência para os idosos vem se expandindo no Brasil, os chamados “Centros-Dia”. Esses espaços estão sendo considerados como um contraponto às Instituições de Longa Permanência de Idosos, denominadas também de Asilos, pois permitem que os idosos continuem mantendo relações sociais com os familiares, além do vínculo com a sua casa, o seu local de moradia. Todavia, muitas dúvidas ainda pairam sobre a real contribuição dos Centros-Dia no Brasil. Diante desse novo cenário, o trabalho objetivou investigar se os Centros-Dia para idosos podem ser ambientes que promovam relações de amizade, além de permitir que os idosos exerçam sua função social de lembrar e contar suas memórias. Para isso, foi realizado um estudo de narrativas sob inspiração etnográfica, constituindo-se de uma pesquisa de cunho qualitativo e descritivo. Foram entrevistados idosos usuários de um Centro-Dia público, localizado no interior do Estado de São Paulo. Verificou-se que o Centro-Dia pode se configurar em um espaço promotor de amizade, aproximando e incentivando os usuários a experimentar novas relações interpessoais que passam a fazer parte de sua rede de sociabilidade. As amizades consolidadas no Centro-Dia podem atuar como um componente terapêutico, auxiliando os idosos no combate a quadros depressivos, atenuando sentimentos de solidão, rejeição e abandono. Além disso, esses idosos usuários do Centro-Dia adquiriram um forte sentimento de pertencimento de grupalidade. A função social dos idosos de lembrar e contar suas memórias precisa ser fortalecida junto à programação de atividades do Centro-Dia, bem como pela incorporação na equipe de um profissional com formação voltada a ações de escuta grupal e individual. Esses idosos tiveram e tem uma vida rica de sentidos e significados, passaram por diversas situações opressoras, como o trabalho infantil, a privação do estudo, a ditadura militar e a ideologia do machismo. É necessário e valioso evocar, registrar e tornar público o trabalho de memória realizado nos e pelos sujeitos idosos. A análise dos dados coletados nesta pesquisa aponta que o Centro-Dia não se configura como “depósito diurno de idosos”, podendo ser um contraponto às Instituições de Longa Permanência de Idosos. A instalação de novos Centros-Dia não deve ficar de fora da pauta das políticas públicas de amparo e proteção aos idosos nas diversas esferas governamentais, com a participação de outros segmentos da sociedade.

  • KEZIAH DA COSTA SILVA REZENDE
  • O CUIDADO EM WINNICOTT: DO DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL AO SETTING ANALÍTICO
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 30/08/2018
  • Dissertação
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  • O interesse dessa dissertação foi investigar o termo cuidado especificamente na obra de Donald W. Winnicott, psicanalista inglês. O cuidado pode ser entendido de um modo geral na psicologia, porém para cada autor o termo assume um sentido específico, ou seja, se refere a realidades diferentes. Isto posto, o presente estudo aborda o cuidado de acordo com o paradigma winnicottiano. Os diferentes paradigmas são incomparáveis, pois fazem menção a diferentes conceitos e cada um possui a sua “verdade”. Dessa forma, cada paradigma tem uma estrutura semântica conceitual específica e lê a realidade de uma determinada maneira e a interpreta. Isto é, a obra de Winnicott traz especificidades, um universo semântico teórico próprio. Destarte, o termo cuidado na obra winnicottiana difere do senso comum e assume uma relevância que se distingue de outras abordagens dentro da própria psicanálise. Com o intuito de estabelecer um panorama geral do cuidado na visão winnicottiana, partiu-se da investigação do termo na obra de Winnicott e foi feito um mapeamento do que vem sendo discutido por comentadores brasileiros contemporâneos winnicottianos. Tanto nas fontes primárias quanto nas secundárias a discussão acerca do cuidado parte do desenvolvimento emocional (cuidado na infância) ao setting analítico (cuidado na fase adulta). A fim de explicitar esse processo e como o indivíduo se desenvolve emocionalmente, ou seja, como o psiquismo é estruturado, na ótica de Winnicott, discutiu-se o papel desempenhado pelo cuidado e sua contribuição. Quanto ao setting analítico foram abordadas as efetivas ações psicoterápicas do cuidado em diferentes tipos de estruturas psíquicas, no adulto, demarcando também, quais as técnicas que Winnicott considerou essenciais para o tratamento dos indivíduos. Foi estabelecida uma relação entre o cuidado nas primeiras fases de desenvolvimento e cuidado no setting analítico, visto que a compreensão da teoria do desenvolvimento emocional contribui para o analista saber quais os tipos de intervenções deve efetuar de acordo com a estruturação psíquica de cada paciente. Desse modo, o cuidado em Winnicott, assume a posição de “conceituação científica”, ou seja, difere da conceituação cotidiana proposta pelo dicionário, requer um grau maior de abstração e é necessária a utilização de outros conceitos winnicottianos para sua compreensão.

  • ISRAEL JAIRO SANTOS
  • A AMEÇA DOS ESTEREÓTIPOS EM JOVENS NEGROS NA ESCOLHA PROFISSIONAL
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 24/08/2018
  • Dissertação
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  • Neste estudo objetivou-se verificar a influência da ameaça dos estereótipos em jovens negros e brancos diante da escolha profissional por profissões de alto e baixo status social. Sabe-se que os estereótipos são ideias compartilhadas a respeito de um grupo e servem para a manutenção da ordem e status quo do grupo dominante (Tajfel, 1981). E a teoria da ameaça do estereótipo explicita que a manutenção da ordem social é favorecida na medida em que no momento de uma avaliação, se forem suscitados os estereótipos do grupo ao qual o avaliado pertence e, se tais estereótipos tiverem relação com a avaliação, a ameaça de confirmar a estereotipia negativa faria com que o desempenho do sujeito fosse diminuído, confirmando os estereótipos a respeito do grupo alvo (Steele & Aronson, 1995). No Brasil, os estereótipos sobre a ocupação profissional dos negros foram construídos desde a escravidão e, na atualidade, se faz necessária a compreensão de em qual medida a ameaça aos estereótipos podem se constituir numa explicação para a manutenção da ordem social instaurada nesta sociedade, uma vez que os negros ocupam as profissões de baixo status social. Sendo assim, para a consecução do objetivo citado, realizou-se dois estudos. O estudo 1 analisou a percepção social das ocupações quanto ao status social a elas atribuído e a composição racial destas ocupações. Participaram 253 adolescentes, entre 15 e 21 anos, alunos do ensino médio de três escolas da rede pública estadual em Aracaju - Sergipe. As informações foram coletadas em um questionário semiestruturado e os dados analisados através do SPSS. O estudo 2 investigou a influência da ameaça aos estereótipos na escolha profissional de jovens negros e brancos. Deste estudo participaram 296 adolescentes, entre 15 e 24 anos, alunos do ensino médio de três escolas da rede pública estadual em Aracaju- Sergipe. Procurou-se replicar o modelo da pesquisa de Steele e Aronson (1995), entretanto, no contexto escolar e relacionado às escolhas profissionais dos jovens quanto ao status atribuído a elas. Utilizou-se de um modelo quase-experimental, no qual manipulou-se a ameaça ao estereótipo através de um texto sobre a realidade das profissões por raça no Brasil para o “grupo ameaça”, enquanto o “grupo de não ameaça” não passou por esse procedimento. Ambos os grupos responderam a um questionário semiestruturado. Os resultados do estudo 1 indicam que os jovens, independentemente da cor de pele, percebem segregação racial das profissões; os jovens negros e brancos atribuem mais aos brancos as profissões de alto status e, quanto maior o status atribuído a ela, menor é a quantidade de negros; já os jovens negros escolhem mais profissões de alto status do que os brancos. No estudo 2 percebeu-se que os jovens negros na de condição de ameaça ao estereótipo tenderam a escolher menos profissões de alto status se comparado aos negros do grupo de não ameaça. Os brancos não se diferenciaram quanto a sua escolha por profissões de alto status segundo as condições de ameaça ou não ameaça ao estereótipo. Concluiu-se a partir dos dados que a realidade de segregação racial das ocupações profissionais ainda é uma barreira social a ser quebrada, pois o contexto reforça estereótipos sociais a respeito do negro; e para os adolescentes negros a ameaça aos estereótipos influencia negativamente na escolha por profissões de alto status, corroborando com a manutenção do status quo do embranquecimento das profissões de alto status social.

  • DIEGO ARAUJO PEREIRA
  • Da disease à illness: experiência de enfermidade de mulheres diagnosticadas com fibromialgia.
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 24/08/2018
  • Dissertação
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  • Todos nós nos defrontamos com a experiência da dor em algum momento de nossas vidas, mais do que um “fato fisiológico” a dor é um “fato da existência”. Quando essa dor se torna ininterrupta, desestrutura nosso cotidiano, compromete nossas relações sociais, é endereçada e assim afeta os outros, ela deixa de ser uma experiência privada e torna-se pública. Na tentativa de solucionar esse problema, milhares de pessoas recorrem diariamente à ajuda médica e levam aos consultórios não somente suas queixas físicas, mas toda repercussão afetiva, social e subjetiva que um estado de adoecimento provoca, e que compõem seu estado de saúde. No Brasil, 2,5% dessas pessoas são diagnosticadas com uma patologia chamada fibromialgia. Do ponto de vista biomédico (disease), a fibromialgia é caracterizada como uma síndrome que envolve dor crônica em musculatura esquelética, que acomete diferentes regiões do corpo, estando associada à fadiga, distúrbios do sono, e sintomas psicopatológicos, como ansiedade e depressão. No entanto, os sintomas assim entendidos não produzem lesões verificáveis, nem algum substrato anatomopatológico que evidencie a doença, e dessa forma não apresentam parâmetros laboratoriais que orientem tanto o diagnóstico quantos as intervenções, obrigando os médicos a se reportarem aos parâmetros clínicos fornecidos pela narrativa dos pacientes. Deparando-se com a singularidade do sofrimento humano, e não mais com um padrão universal de funcionamento humano. Por conta dessa característica, o diagnóstico da fibromialgia tem sido considerado controverso, e seu tratamento de difícil manejo, visto que o modelo biomédico não dispõe de muitas ferramentas para lidar com a dimensão subjetiva e experiencial do adoecimento.

    No presente trabalho buscamos compreender a fibromialgia, ou melhor aquilo que é designado enquanto tal pelo saber biomédico (disease), na perspectiva dos sujeitos que são diagnosticados (illness). Buscando compreender quais são os sentidos construídos a partir da experiência de adoecimento, e quais práticas de cuidado à saúde desenvolvem esses sujeitos. Dessa maneira, privilegiandoo diálogo com a vertente interpretativa da antropologia médica (GOOD, 1994; 1977; KLEINMAN, 1978; 1980; 1988; YOUNG, 1982), que considera o complexo saúde-doença-cuidado como culturalmente construídos e interpretados, o presente trabalho configurou-se numa pesquisa de abordagem qualitativa, que utilizando a entrevista narrativa individual e observação participante como técnicas de produção de dados, buscou compreender as experiências de enfermidade de pessoas diagnosticadas com fibromialgia, vinculadas ao Hospital Universitário, na cidade de Aracaju, Sergipe. Participaram desta pesquisa oito mulheres, das quais procuramos nos aproximar, através de suas narrativas, de suas experiências cotidianas, dos significados e das práticas de cuidado à saúde intersubjetivamente construídas em seus processos de adoecimento. Os aspectos fenomenológicos das experiências dessas mulheres se constituíram por condições de limitações físicas, comprometimentos afetivos, violência simbólica que impactam diretamente sobre suas identidades, relações sociais e atividades práticas do dia-a-dia, sendo vividos como um evento biográfico disruptivo. As dores e fadiga, colocaram-se como sintomas fundamentais destes adoecimentos, sendo responsáveis pela perda da capacidade laborativa, restrições na vida que as colocaram numa posição de dependência maior em relação ao outro. Relação que passa a ser conflitiva, na medida em que seus sintomas são desacreditados por aqueles com quem convivem e pelos profissionais de saúde. A experiência de dor e outros sintomas foi marcada sob o signo da invisibilidade e da deslegitimação, visto a ausência de algo concreto que pudesse evidenciar a doença, o que dificultou a construção de significados compartilháveis com o outro. O sofrimento colocado em suspeição, produziu nas pessoas desacreditadas uma experiência estigmatizante, gerando o rebaixamento da autoestima, a culpabilização, a produção de afetos depressivos, que vulnerabilizam as mulheres entrevistadas ao agravamento do adoecimento. Sob este último aspecto, revelou-se neste trabalho, o entendimento das desigualdades de gênero, como fator ou contexto de vulnerabilidade para as experiências de adoecimento. Pois os mandatos de gênero (PUJAL; MORA, 2014; MORA et al. 2017) destinados à estas mulheres acarretaram sofrimento, primeiro diante das exigências de cumprimento de um papel marcado pela injustiça e segundo pela falta de condições de possibilidade para sua realização. Dessa forma o presente trabalho constituiu-se num esforço de trazer luz às vivências que até então supunham-se sofridas, sem que no entanto soubéssemos sob quais contextos, circunstâncias e particularidades elas são modeladas e matizadas.

  • RENATA VIEIRA
  • A SEXUALIDADE NOS DISCURSOS DE IDOSAS FREQUENTADORAS DE UMA CASA NOTURNA EM ARACAJU, SERGIPE
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 23/08/2018
  • Dissertação
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  • O Envelhecimento pode ser entendido como um processo plural. Assim, cada sujeito tem uma maneira peculiar de lidar com esse movimento. Inúmeros estudos já foram realizados com temáticas relativas ao envelhecimento feminino e o presente trabalho tem como foco a sexualidade da mulher idosa, compreendendo como idosa a pessoa com idade de 60 anos ou mais. Inicialmente, foi feito um levantamento bibliográfico de artigos sobre esse tema em português nos últimos dez anos (2007-2017), no site do SciELO e nos periódicos eletrônicos do PePSIC, com o objetivo de averiguar o que vem sendo produzido sobre o assunto. Posteriormente, foi realizada uma pesquisa de campo a fim de compreender o sentido atribuído à sexualidade e os elementos que as mulheres idosas reconhecem como constitutivos dessa sexualidade. Participaram dessa etapa três mulheres com idade entre 61 e 70 anos. Essa pesquisa teve como instrumentos de coleta de dados o diário de campo e entrevistas pautadas na escuta psicanalítica. Apresentamos os resultados em três capítulos: o primeiro tem como foco o envelhecimento feminino, no segundo discute-se brevemente as relações entre sexualidade e envelhecimento, e o terceiro refere-se à pesquisa empírica. Nesse último são trazidas a experiência de campo, a análise das entrevistas, além da análise das minhas implicações em que são apresentados os aspectos transferenciais e contratransferenciais na condição de pesquisadora. Na discussão foram apresentados os discursos das mulheres relativos à sexualidade, sendo possível compreender que a vivência da sexualidade se relaciona com a história de vida de cada sujeito e que a idade não determina a finalização dos desejos; percebeu-se também que essas mulheres romperam com o silenciamento imposto por uma educação limitadora e se permitem viver a velhice criando estratégias para lidar com as trasformações oriundas dessa etapa de vida.

  • JOELMA GALVÃO DE LEMOS
  • O USO POLÍTICO DO DISCURSO DE ÓDIO NO BRASIL: UM ESTUDO DE CASO NO FACEBOOK (2016-2017)
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 22/08/2018
  • Dissertação
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  • O ódio assim como o amor fazem parte do processo psíquico de subjetivação do indivíduo e encontram-se nos vínculos afetivos que este estabelece ao longo da vida, bem como nas suas relações sociais. De acordo com Sigmund Freud (1920), a pulsão de vida (amor) e a pulsão de morte (ódio, agressividade) ocorrem de maneira simultânea, dificultando, muitas vezes, o seu estudo. A ambivalência com que essas pulsões se apresentam ao longo da vida do indivíduo demonstra como muitas vezes a pulsão de morte e seus derivados são usados a serviço da pulsão de vida. Contudo, nem sempre a pulsão de morte é usada a serviço da pulsão de vida. Muitas vezes o ódio pode ser visto em ações de agressividade e violência, nos discursos de ódio, com o intuito de humilhar, agredir e até mesmo defender o aniquilamento do outro. O discurso de ódio aparece de maneira mais frequente, em momentos de disputas políticas e ideológicas, como foi possível ver nas redes sociais on-line e nas ruas, no período do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff em 2016. Esse discurso parece ter conseguido uma maior visibilidade a partir das redes sociais on-line e foi desta para as ruas, voltando às redes, simultaneamente, uma vez que muitos indivíduos estão constantemente conectados com a rede, por meio de seus aparelhos eletrônicos e o acesso às redes sociais on-line. Este trabalho, por meio do estudo de caso, analisa alguns discursos de ódio postados no Facebook no período de afastamento e de algumas postagens que apresentam cenas de violência e massacre, que aconteceram em 2017. A dificuldade de alguns em lidar com o narcisismo das pequenas diferenças, com a ascensão de uma parcela de brasileiros a lugares antes tidos apenas como espaços de circulação das elites brasileiras e uma parte da classe média, parece ter fomentado e potencializado o discurso de ódio que já circulava, entre alguns indivíduos desses coletivos e foi capitaneado pelos organizadores e defensores do pedido de afastamento, com o intuito de conseguir um apoio de uma parcela da população e a legitimação deste processo político.

  • MARCELA DE CARVALHO SILVA
  • A TRANSEXUALIDADE E A PRÁTICA DA PSICOLOGIA CLÍNICA
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 20/08/2018
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa tem por finalidade analisar a prática de psicólogos(as) clínicos(as) frente à transexualidade. Trata-se de um estudo qualitativo, utilizando o Sociodrama como método de pesquisa interventiva, através da ação. Como critério de inclusão, todos os(as) participantes deveriam ter formação em Psicologia e um ano de experiência na área clínica, sem delimitação quanto à abordagem terapêutica. Contamos com a presença de 16 profissionais das seguintes abordagens: Psicanálise, TCC, PNL, Psicodinâmica, Psicodrama e Gestalt. Os dados foram coletados a partir do material registrado na vivência sociodramática. Os resultados foram avaliados através da análise de conteúdos e foi formado um júri composto por dois profissionais qualificados, tendo aproximação com a temática proposta, para a validação da presente pesquisa. Posteriormente, as categorias (01) A demanda pela temática; (02) Patologização x Despatologização e, por fim, (03) A prática clínica, foram criadas e nomeadas a partir das falas dos(as) participantes, tendo como base todo o referencial teórico. Com a formação e pós-graduações carentes no que se refere às questões de gênero e sexualidade, destaca-se a grande dificuldade de atender o público trans, constatando confusões entre orientação sexual e identidade de gênero. Com os avanços sociais e as novas posições de sujeito(a) na sociedade, as atualizações de teorias e práticas são extremamente necessárias para criar novas formas pensar e exercer a Psicologia, aproximando o diálogo entre a clínica e o social, dentro dos parâmetros éticos, respeitando as mais variadas identidades e subjetividades.

  • BEATRIZ ANDRADE OLIVEIRA REIS
  • PSICOLOGIA DA SAÚDE NO CONTEXTO DOS CUIDADOS PALIATIVOS: UM ROTEIRO DE ORIENTAÇÕES PARA A PRÁTICA DESSA ESPECIALIDADE NA ASSISTÊNCIA PALIATIVA
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 17/08/2018
  • Dissertação
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  • Ainda que a Psicologia da Saúde se mostre como uma área bem estabelecida, que tem definição e objetivos muito claros reconhecidos e apoiados pela Associação Americana de Psicologia (APA), é possível perceber lacunas relativas à clareza quanto o papel do psicólogo da saúde e seus modos de atuação, principalmente no que tange aos contextos específicos dos serviços de saúde. Sobre isso, entende-se que essa falta de clareza pode repercutir em prejuízos na qualidade dos serviços prestados pela especialidade em questão. O contexto dos Cuidados Paliativos (CP) é um exemplo onde as lacunas relativas à atuação dessa especialidade se fazem presentes, a exemplo da escassez de trabalhos que discutem tal prática, a falta de clareza quanto suas competências, a falta de sistematização de uma rotina e a indicação de estratégias que permitam a operacionalização eficaz das intervenções do psicólogo da saúde. Por essa razão, considera-se relevante o investimento em pesquisas que discutam os modos de atuação da Psicologia da Saúde a partir de contextos específicos, tais como o dos CP. Pensando nisso, esse estudo teve como objetivo propor um roteiro de orientações para a atuação do psicólogo da saúde no contexto dos CP. Para tanto, no primeiro estudo foi proposto quais seriam as competências relativas à Psicologia da Saúde nesse contexto específico e no segundo estudo foi apresentada a Prática Psicológica Baseada em Evidência (PPBE) como estratégia que proporciona o alcance dos meios de operacionalização da prática desse profissional. No terceiro estudo foi elaborado um roteiro de orientações para a atuação do psicólogo da saúde no contexto dos CP, com base nas competências propostas no primeiro estudo e nas fases da assistência paliativa. Ainda no terceiro momento, apresenta-se a estratégia de PPBE como sugestão para operacionalização das intervenções e elaboração de roteiros de orientação para a prática desse especialista em contextos ainda mais específicos da assistência paliativa. Por fim, considera-se como principal contribuição dessa pesquisa a oferta de referencial, escasso na literatura científica, que discute não só a atuação da Psicologia da Saúde, mas essa mesma atuação em um contexto específico, que corresponde aos CP.

  • LAÍS SANTOS
  • Sala de vídeo do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 17/08/2018
  • Dissertação
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  • A presente dissertação buscou investigar a relação entre características pessoais positivas e sintomas depressivos na adolescência, visando desenvolver um modelo preditor robusto capaz de sinalizar os principais aspectos relacionados ao desenvolvimento da depressão. Para isto, foram elaborados três estudos. No Estudo 1 foi realizada uma pesquisa sobre os principais aspectos teóricos do otimismo e sua aplicabilidade em saúde, bem como, intervenções na área da saúde associadas ao aumento dos níveis de otimismo. Por sua vez, no Estudo 2 foi realizada uma revisão integrativa da literatura de artigos empíricos que avaliaram a relação do otimismo e depressão entre adolescentes (10-19 anos). Observou-se que o otimismo se associou positivamente a outras características positivas (esperança e autoestima) e que ambas as variáveis se relacionaram negativamente a sintomas depressivos. Além disso, constatou-se que a maior parte dos estudos se originou nos Estados Unidos, corroborando outros achados presentes na literatura. Ademais, houve maior concentração de estudos entre os anos de 2011 a 2017, bem como, a medida mais utilizada para aferir o otimismo foi o Life Orientation Test Revised (LOT-R). Por fim o Estudo 3 investigou o modelo preditivo de características pessoais positivas (otimismo, autoestima, autoeficácia e autoconceito), bem como de variáveis sociodemográficas e escolares objetivando sinalizar quais os principais fatores preditores de sintomas depressivos entre adolescentes. Em resumo, os resultados mostraram que apenas as variáveis – sexo feminino, religiosidade acima da média, baixa popularidade, relação muito ruim, ruim ou neutra com os professores e apresentar baixos níveis de otimismo, autoestima e autoeficácia foram significativas para a predição de sintomas depressivos entre os participantes. Especificamente em relação ao otimismo, observou-se que o mesmo apresentou impacto seletivo semelhante à autoestima e autoeficácia indo de encontro à hipótese inicial. Sugere-se que o estudo do impacto de características pessoais positivas, pode auxiliar profissionais da saúde na compreensão dos fatores que se relacionam diretamente à depressão na adolescência. Recomenda-se que futuras pesquisas incluam outras características pessoais positivas e variáveis não avaliadas neste trabalho a fim de aumentar não apenas a compreensão teórica de tais construtos, mas também, potencializar a capacidade de explicação do modelo proposto.

  • INGRID SOLEDADE GUIMARÃES
  • A loucura na cidade: 30 anos da Reforma Psiquiátrica e 17 anos da lei antimanicomial no Brasil.
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 06/08/2018
  • Dissertação
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  • Este trabalho teve como objetivo discutir o momento atual do processo que se
    convencionou chamar de Reforma Psiquiátrica. Para além de um processo em
    desenvolvimento e de uma mudança de práticas e novas teorizações, o que se interessa
    aqui é pelos impasses que vêm ocorrendo na vida cotidiana. Com o questionamento:
    Qual a relação da cidade com a loucura (e vice-versa), após 17 anos da lei que
    reestrutura a assistência em saúde mental com serviços na comunidade?, o material da
    pesquisa foi colhido no terminal de integração rodoviária do Distrito Industrial de
    Aracaju (DIA), gerando outras questões e materiais a serem pesquisados. A
    investigação foi sendo direcionada ao se ir tomando conhecimento das relações no
    terminal e de personagens urbanos loucos como a Velha do shopping, a doida do DIA e
    Sindulfo, através de suas vivências com e na cidade de Aracaju, ao mesmo tempo em
    que Lima Barreto começou a ser uma referência histórica de tal relação, ao ser
    concebido enquanto um louco escritor de um diário em um hospício nos primórdios da
    assistência psiquiátrica brasileira. Engendrou-se, assim, uma busca pelo contexto
    histórico da relação loucura na cidade brasileira, evidenciando a importância do
    conhecimento da história para o entendimento dos impasses atuais, tanto relacionada ao
    contexto quanto às histórias pessoais. Neste sentido, considerou-se a dificuldade da
    obtenção de dados sobre a relação loucura na cidade, avaliando que, deste modo, os
    materiais da pesquisa seriam fragmentos, que foram sendo reunidos com o
    desenvolvimento e a escrita desta investigação, acarretando no envolvimento de três
    metodologias: a etnografia, a psicanálise e a forma ensaio. O texto de Freud (1937),
    Construções em análise, embasou uma construção em pesquisa que revelou uma
    perpetuação de condições indignas no trato com a loucura, mesmo em um processo de
    Reforma (se este for considerado apenas em sua nova forma, com o apagamento do
    passado e das histórias que representam suas relações), e o contexto geral de uma
    repetição. Por outro lado, a cidade em sua diversidade de lugares, saberes e práticas,
    com suas histórias e personagens urbanos, apresenta uma possibilidade do louco
    construir seu caminho no mundo, sendo a cidade, como apontou João do Rio trazido por
    Cunha (1990), o centro da loucura; acrescentando-se aqui que a loucura compõe a
    cidade.

  • MARIANA VALADARES MACÊDO DE SANTANA
  • Memórias de infância nas fotografias do (e sobre o) passado de pessoas trans
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 30/07/2018
  • Dissertação
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  • Com o objetivo de explorar a relação estabelecida entre pessoas trans e suas memórias da infância, elaboraram-se dois estudos qualitativos diversamente estruturados. No primeiro encontro, ao estarem diante de fotografias pertencentes ao seu acervo pessoal, os participantes foram convidados a contarem livremente a história de suas infâncias. Evocadas pelas imagens, as narrativas elucidaram afetos e lembranças outrora esquecidos, permitindo ao participante reviver experiências. Encontraram-se principalmente menções à brincadeira como um espaço privilegiado para as experimentações de gênero, assim como foram freqüentes relatos de interpelações nestes momentos. No segundo estudo, pediu-se aos participantes que tirassem até 12 fotos sobre suas memórias de infância a partir das rememorações feitas na primeira entrevista. Deste modo, buscou-se garantir autonomia aos sujeitos no processo de representar, através de imagens, esta época de suas vidas. Ao relatarem esta experiência, evidenciaram-se os sentidos produzidos para suas trajetórias de vida a partir da memória da infância. Além disso, observaram-se os discursos sobre a relação com o corpo e o seu papel na construção da identidade social trans.

  • LARISSA LEAL MOURA
  • Moda como expressão de identidade no mundo contemporâneo
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 19/07/2018
  • Dissertação
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  • A moda surgiu no Ocidente, na época da Renascença, onde desempenhava papel de distinção social, uma vez que as roupas não eram acessíveis a todas as classes e, consequentemente, pela forma como se vestia, era possível identificar a qual camada social aquele sujeito pertencia. Segundo Lipovetsky (2009), o que define o sistema de moda é a conjunção das lógicas do efêmero e da fantasia estética, que só encontrou espaço nas sociedades modernas. Anthony Giddens (1991) afirma que a era moderna se diferencia das demais, principalmente, por seu alto dinamismo, nunca se viu um ritmo tão acelerado de mudança social em outras épocas como ocorre na modernidade. Além disso, a amplitude e a profundidade das mudanças sociais são muito maiores, afetando as práticas sociais e os modos de comportamento, a chamada “modernidade tardia” é o momento atual, a fase mais acentuada de suas características. Na Psicologia, a moda tem papel significativo no que se refere à identidade, atuando entre o indivíduo e a sociedade, pois por meio do vestuário épossível expressar-se e se comunicar e, em muitos casos, ela funciona como símbolo de pertencimento. Ao se pensar na moda como expressão de identidade no mundo contemporâneo, a noção de identidade adotada foi a do sujeito pós-moderno de Stuart Hall (2006), que a considera fragmentada, múltipla, podendo ser contraditória entre si, rompendo com a visão de identidade única e permanente das sociedades tradicionais. Diante disto, inicialmente foi feito um levantamento bibliográfico de artigos sobre este tema na Psicologia, em português, nos últimos dez anos (2007-2017), no site do SciELO e dos periódicos eletrônicos do PePSIC com o objetivo de averiguar o que vem sendo produzido sobre este assunto. Na etapa posterior, foi realizada, uma pesquisa exploratória por meio de grupo focal com seis jovens adultos, realizado duas vezes, a fim de investigar a relação entre moda e identidade, como esta aparece no discurso deles sobre o modo que se vestem. Os dados foram trabalhados por meio de análise de conteúdo de Bardin (2016), definida por Moraes (1999) como uma metodologia de pesquisa usada para descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos”. Com base na fundamentação teórica, foram criadas as categorias posicionamento social, auto-expressão, valores/ideiais e gênero e sexualidade, articulando os resultados à reflexão central sobre moda e identidade no mundo contemporâneo. Percebeu-se que a noção de identidade não se limita apenas ao vestuário, mas ao próprio discurso apresentado pelos membros do grupo, que faziam uso de termos específicos da área da moda, estabelecendo uma espécie de conexão entre tais membros, apesar das distinções identitárias apontadas por eles mesmos. Por se tratar de grupo focal realizado com jovens detentores de algum conhecimento prévio sobre moda, foi possível perceber, também, reflexões sobre o uso da moda numa relação ambivalente, caracterizada pela busca de pertencimento em grupos específicos e pela diferenciação do sujeito, como forma de se posicionar política e socialmente. Na discussão, foram apresentados os aspectos transferenciais e contratransferenciais, desde a escolha do objeto de estudo, à composição do grupo e até mesmo em relação ao procedimento e ao andamento da pesquisa, bem como a minha participação enquanto pesquisadora.

  • LAIS ROCHA SANTOS
  • CRENÇAS E VIVÊNCIAS DA INFIDELIDADE NA CONTEMPORANEIDADE
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 20/06/2018
  • Dissertação
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  • O objetivo geral deste trabalho foi realizar uma análise sobre como a infidelidade conjugal tem sido percebida, pesquisada e vivenciada no contexto contemporâneo. Para isso foram realizados três estudos. O Estudo 1identificou de que forma o fenômeno vem sendo investigado no cenário científico nacional, a partir de uma revisão integrativa da literatura. Percebeu-se que a temática é pouco investigada, as publicações analisadas versam mais sobre causas, repercussões e fenômenos atrelados, principalmente às questões emergentes do cenário contemporâneo. O Estudo 2 analisou quantitativamente como a infidelidade conjugal tem sido percebida e vivenciada nas relações contemporâneas, de forma online, através de Instrumentos como Questionário sócio demográfico, Escalas e Inventário. O debate analisou também as proximidades e distanciamentos na questão dos gêneros em relação à prática, através das experiências infiéis e a partir dos principais constructos relacionados à satisfação sexual e conjugal dos participantes. Questões importantes ligadas ao fenômeno da infidelidade foram observadas, com destaque para as atreladas a conjugalidade, aspectos ligados à satisfação, sexual e conjugal, crenças prévias e pensamentos sobre o fenômeno e suas práticas, além da própria modernidade, seus reflexos nos relacionamentos e a questão do sexo facilitado. O Estudo 3 considerou as questões dos aspectos vivenciais atrelados ao fenômeno, na forma como se dão as crenças sobre a infidelidade, bem como percepção e vivência de sujeitos que viveram a infidelidade em seus relacionamentos. Foram 6 entrevistados e a partir dos relatos dos mesmos foi possível perceber que o estabelecimento de causas e preditores é um caminho muito perigoso, diminuto, que acaba por reduzir a multiplicidade de questões e fatores envolvida. Além de que alguns pontos apresentam-se bastante relevantes na discussão, como é o caso da satisfação, do contexto social e da forma como se dão as relações hoje, o mundo contemporâneo em sua multiplicidade de informações, estímulos e novas formas de se relacionar mediadas muitas vezes pelo meio virtual, são consideráveis.

  • FRANCIS FONSECA OLIVEIRA
  • ENTRELAÇANDO MASCULINIDADES E JUVENTUDES NO PORTAL DE PERIÓDICOS CAPES ENTRE 2000 E 2017
  • Orientador : CLAUDIENE SANTOS
  • Data: 28/02/2018
  • Dissertação
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  • Estudos masculinistas são estudos de matriz feminista sobre masculinidades, que analisam as relações de gênero e suas interseccionalidades. Na atualidade, há um aumento nas produções acadêmicas que problematizam as posições masculinas e o reforço de normas hegemônicas-homofóbicas-misóginas que trazem os debates para uma agenda pró-feminista. Objetivando analisar como masculinidades e juventudes estão sendo enunciadas nas produções científicas e que interseccionalidades acontecem entre elas, faz-se importante reconhecer as produções nos cenários local, regional e global. Para isso, compusemos dois capítulos de problematização sobre a temática das masculinidades juvenis. No primeiro, abordamos teoricamente os estudos masculinistas e as juventudes na atualidade utilizando-se de inspirações em diversas áreas do saber, como os Estudos Culturais e de Gênero na Psicologia Social Crítica. No capítulo dois, discutimos a construção do cenário contemporâneo por meio de um estado da arte dos estudos de masculinidades e juventudes constantes na plataforma do Portal de Periódicos CAPES, no período de 2000 a 2017. Os resultados encontrados apontam para uma crescente discussão dos estudos sobre jovens homens no Brasil e na América Latina, e que as produções são apresentadas, majoritariamente, em áreas das ciências humanas e sociais. As publicações encontradas (176) foram discutidas em seis categorias, que apontaram para uma discussão de gênero na construção das identidades masculinas sendo articuladas por diversas instâncias reguladoras sociais, palco para legitimação ou processos de ruptura da masculinidade hegemônica. Os trabalhos encontrados refletem uma discussão interseccional sobre reproduções discursivas da masculinidade hegemônica como modelo identitário juvenil que, performaticamente, fabrica hierarquizações sociais. A presença de múltiplas identidades masculinas juvenis e a maneira como elas se articularam nesses trabalhos mostram o esforço de estudos de matriz feminista na discussão sobre a pluralidade das masculinidades juvenis. Pelo tímido aparecimento de trabalhos na realidade local, propomos a necessidade de se pensar trabalhos dessa natureza, assim como a realização de pesquisas no contexto local sobre jovens e suas múltiplas experiências de masculinidades (inclusive trans) e interseccionalidades, em diversas realidades, no menor estado brasileiro.

  • EMILIA SILVA PODEROSO
  • Estereótipos dos suspeitos e ação policial: expressões e consequências.
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 06/02/2018
  • Dissertação
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  • Uma abordagem policial geralmente se inicia com a frase tradicional “Pare, é a polícia!” Todos os procedimentos que vêm a seguir são, em princípio, definidos como “medidas de segurança” aprendidas durante a formação profissional como “técnica de abordagem”, presente em praticamente todos os cursos e formação militar. Ainda que os procedimentos da abordagem policial estejam pré-definidos em manuais técnicos de formação, a definição de quem será abordado é uma questão aberta, influenciada por fatores interiorizados muitas vezes em processos automáticos, sem controle consciente, e que decorrem de uma representação do suspeito que afeta os julgamentos sociais. Com isso, este trabalho tem como objetivo analisar os estereótipos que os policiais militares do Estado de Sergipe possuem acerca do suspeito e suas implicações na atividade policial. A pesquisa foi composta por três estudos. O estudo 1 analisou os estereótipos que os policiais atribuem aos suspeitos considerando a sua cor da pele e estrato social. Os estudos 2 e 3, utilizando uma técnica de análise de processos automáticos de resposta, analisaram a decisão de tiro em suspeitos armados ou desarmados, brancos ou negros, de Policiais Militares em fase inicial de formação profissional e outros com dez anos ou mais de atuação profissional. Os resultados do Estudo 1 indicam que há uma associação entre pobreza e suspeição, por um lado, e entre cor da pele e pobreza, por outro. Os estudos 2 e 3 indicaram a presença de “shooter bias”, ou seja, a tendência a atirar mais rapidamente e com maior precisão em suspeitos armados de cor negra do que nos de cor branca; bem como a decisão mais rápida de não atirar em suspeitos desarmados de cor branca que de cor negra. Os resultados são discutidos à luz das teorias da psicologia social e cognitiva.

  • ANDRESSA ARAÚJO DE ARAÚJO
  • Surdez e o preconceito: uma análise a partir dos estudantes surdos e dos pais de surdos
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 09/01/2018
  • Dissertação
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  • Referir-se à surdez é, automaticamente, aludir ao preconceito. Afinal, os surdos, durante um longo período da história, não foram aceitos na sociedade; ao contrário, foram afastados e não tiveram atendidas suas necessidades sociais e educacionais. O presente estudo trata sobre a surdez e o preconceito e objetiva compreender a experiência do preconceito, sofrido por surdos universitários, durante o período escolar, na proposta inclusiva, bem como analisar a concepção dos pais de surdos acerca do preconceito sofrido pelos seus filhos. Para tanto, foram realizadosquatro estudos relacionados à temática surdez e preconceito. No Estudo 1, desenvolveu-se uma revisão sistemática, envolvendo os artigos que correlacionam o tema surdez e o preconceito, no período compreendido de janeiro de 2006 a dezembro de 2016, em duas bases de dados: SciELO e Pepsic. O objetivo fora identificar o que tem sido investigado e o que ainda precisa ser pesquisado acerca da temática e, a partir dai, desenvolver uma agenda de estudos para futuras pesquisas. Executaram-se análises bibliométricas e de conteúdo de 15 artigos, que preencheram os critérios de inclusão da pesquisa. Os resultados evidenciaram a necessidade de novos estudos na área. O Estudo 2 teve como objetivo compreender a experiência do preconceito vivenciado pelos surdos universitários, durante sua trajetória escolar, na proposta inclusiva. Para tanto, realizou-se um grupo focal com cinco surdos universitários e, para verificar os dados, utilizou-se a análise de conteúdo proposta por Bardin. Os resultados deste estudo revelaram manifestações de preconceito, através das sinalizações dos surdos, em relação à experiência escolar, até o Ensino Médio, tais como: a obrigação em oralizar em sala de aula; a ausência de intérpretes; bullying; violências verbais; discriminações e exclusões. A partir dos mesmos sujeitos, métodos de estudo e de análise, produziu-se um artigo (Estudo 3) sobre a Inclusão Escolar dos surdos, com o objetivo de compreender a experiência destes universitários, durante sua trajetória escolar, na proposta inclusiva. Os resultados demonstram que as políticas de inclusão não acontecem efetivamente: o que ocorre é a integração ou uma (pseudo) inclusão. Percebeu-se que as experiências de escolarização dos surdos foram determinadas por condições precárias de ensino, comprometidas pelas dificuldades de acesso destes à língua natural, pela falta de intérprete e pelo predomínio da língua portuguesa no ensino. Posteriormente, realizou-se um estudo pioneiro (Estudo 4) que buscou analisar o entendimento dos pais de surdos sobre o preconceito sofrido pelos seus filhos.Participaram oito pais de surdos, que concederam uma entrevista a partir de eixos temáticos, analisados através do software IRAMUTEQ. As conclusões deste estudo expuseram, por meio das falas dos pais, como são frequentes os atos de preconceitos sofridos pelos surdos, especialmente originados dos profissionais de saúde, pela família e pela escola. De acordo com os quatro estudos, conclui-se que, apesar dos avanços nas leis, visando, sobretudo, a tratamentos igualitários e sem preconceitos, observa-se como é comum a visão clínica terapêutica da sociedade com relação à surdez e, como consequência, os atos de preconceito.

2017
Descrição
  • ROZELIA DOS ANJOS OLIVEIRA SANTOS
  • O preconceito racial e discriminação contra o negro em crianças brancas e não brancas da cidade de Alagoinhas-Bahia
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 30/08/2017
  • Dissertação
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  • presente dissertação apresenta um estudo que teve o objetivo de analisar o preconceito racial e discriminação contra o negro em crianças brancas e não brancas da cidade de Alagoinhas-Bahia. Especificamente, verifica-se os estereótipos atribuídos aos grupos negro e branco; as preferências para os grupos branco e negro; e a discriminação racial. Para atingir esses objetivos procedeu-se a uma análise dos principais conceitos e pesquisas sobre o tema, assim como um estudo empírico que são apresentados em três capítulos, e ainda a introdução e as considerações finais. Na introdução apresenta-se os aspectos gerais sobre o fenômenos do preconceito na sociedade e fazemos a organização da dissertação. No capítulo I, aborda-se o preconceito e seus principais componentes. No capítulo II, discute-se a socialização do preconceito e o preconceito na infância. No capítulo III, apresenta-se os aspectos metodológicos do estudo empírico, que contou com uma amostra de 112 crianças com idades entre 5 e 12 anos. Nesse capítulo apresenta-se ainda os principais resultados e a discussão. Os resultados do estudo empírico ao nível dos estereótipos demonstraram que independentemente da cor da pele as participantes atribuíram mais traços negativos do que positivo ao negro do que ao branco; crianças mais novas atribuíram mais traços negativos ao negro do que as crianças mais velhas. Com relação as preferências as participantes demostraram preferência para o branco; e crianças mais novas mais do que as mais velhas escolhem o branco para irmão, amigo e dar o doce. Observou-se ainda que de maneira geral as participantes discriminam o alvo negro; crianças mais novas discriminariam o alvo negro comparativamente as mais velha. Esses resultados foram discutidos com base nas teorias da socialização do preconceito. E finalmente, nas considerações finais discute-se as implicações desses resultados para os estudos sobre o preconceito na infância e os apontamento para estudos futuros

  • DEISILUCE MIRON CAVALCANTE
  • MEDICAMENTO PSICOTRÓPICO: concepções do uso a partir das perspectivas do usuário que o utiliza e do profissional médico que o prescreve no contexto da atenção básica
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 25/08/2017
  • Dissertação
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  • A medicalização há muito vem se constituindo como um fenômeno social, tendo como base os princípios da racionalidade biomédica. Diante desse contexto, a presente pesquisa buscou investigar a concepção de usuários, familiares e profissionais de saúde a respeito do uso do medicamento psicotrópico, no processo terapêutico, no cenário da Atenção Básica. O estudo teve como cenário uma unidade de saúde da família (USF), da cidade de Aracaju. O método utilizado perpassa pelos pressupostos da pesquisa qualitativa, tendo como instrumento de investigação e coleta de dados a narrativa. Contou com a colaboração de 18 interlocutores, entre eles 10 profissionais, 6 usuários e 2 familiares. A coleta de dados aconteceu a partir da inserção da pesquisadora no campo, através das produções de diários de campo e narrativa dos participantes. A análise de dados foi realizada através da leitura/releitura dessas produções, interpretação e destaque de dados relevantes à questão de pesquisa. Com isso, pôde-se conhecer um pouco da realidade observada, tendo como destaque a presença das práticas medicalizantes. Percebeu-se que a USF, atualmente, se constitui como um dispositivo que contribui para o fortalecimento do processo da medicalização. No tange às concepções sobre o medicamento psicotrópico: os usuários percebem esse uso de modo ambivalente, considerando ser bom e ruim utilizá-lo como estratégia de cuidado, bom no sentido de redimir os sintomas, e ruim pelo aparecimento dos efeitos indesejáveis; os familiares veem o medicamento como algo muito bom, pois os ajudam a lidar com os problemas apresentados por seus parentes; e por fim, os profissionais, que apesar de ressaltarem os efeitos indesejáveis provocados pelo uso, veem o medicamento como necessário na contenção e controle dos sintomas que os usuários apresentam. Desse modo, o estudo trouxe uma discussão sobre esses aspectos, concluindo sobre a importância do planejamento de ações que possam contribuir para o estabelecimento de estratégias de cuidado, para além das práticas medicalizantes, que tragam benefícios aos usuários, seus familiares e para a rede de atenção à saúde e da articulação da rede de cuidado.

  • ALINE DA CONCEIÇÃO SOUZA COSTA
  • DIMENSÕES HISTÓRICAS E SOCIOCULTURAIS DO FUTEBOL E AS INTENSIDADES QUE O TORCER PROPORCIONA.
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 24/08/2017
  • Dissertação
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  • A pesquisa tem como objetivo discutir a respeito da intensidade do torcer confrontada com a modernização do futebol, através das principais torcidas do futebol sergipano. Com inspiração etnográfica na construção de dados, as noções de sujeito e objeto, pesquisador e pesquisado são colocadas em análise. A presente pesquisa não foi a primeira experiência com as torcidas de futebol, retomando a experiência anterior, tive a oportunidade de repensar sobre o meu olhar enquanto pesquisadora naquele momento, colocando em análise o lugar de saber-poder que produz verdades ao assumir o posto de sujeito do conhecimento, sendo esse o principal efeito da inspiração etnográfica. A discussão sobre a modernização do futebol e as disciplinas do torcer foi embasada pelo estudo de Michel Foucault sobre controle e vigilância, e as intensidades que o torcer proporciona pelo trabalho de Johan Huizinga que explana acerca do jogo enquanto elemento da cultura. Foi através dessas intensidades que percebi que havia sido afetada por esse ambiente do futebol e para discutir isso utilizei o trabalho de Jeanne Fravet Saad sobre ser afetado.

  • GEOVANNA SANTANA DE SOUZA TURRI
  • Crenças em Saúde, Teoria da Ação Planejada e Saúde do Homem: Predizendo a intenção de realização do Exame do Toque Retal.
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 17/07/2017
  • Dissertação
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  • A presente dissertação buscou investigar crenças e os demais construtos da Teoria da Ação Planejada (TAP), visando desenvolver um modelo capaz de identificar os principais preditores da intenção de realizar o Exame do Toque Retal (ETR). Para isto, realizou-se três estudos nesta dissertação. No Estudo 1 foi realizado um capítulo teórico sobre a TAP e sua aplicabilidade a comportamentos de saúde do homem, com ênfase no comportamento de realização do ETR. Seu intuito foi expor como as crenças em saúde que permeiam o comportamento masculino podem auxiliar a esclarecer a baixa procura por atendimento médico e reduzir índices de mortalidade. Este estudo evidenciou que ainda hoje há poucos estudos na literatura nacional e internacional sobre crenças de homens em relação ao câncer de próstata, bem como acerca de seus exames preventivos. No Estudo 2, procurou-seidentificar as principais crenças de homens acerca do ETR, comparando o padrão de respostas de homens que fizeram o exame em algum momento da vida e de homens que nunca o fizeram, a fim de identificar como o contato prévio (ou não) com o exame poderia influenciar as crenças acerca dele. Este estudo foi discutido com base no Modelo de Crenças em Saúde e constatou que os homens que já fizeram o ETR costumaram evocar mais termos voltados à suscetibilidade e gravidade do câncer de próstata, enquanto que os homens que não fizeram o ETR também destacou a suscetibilidade ao câncer de próstata e, também, os benefícios de realizar o ETR. Tais mostraram como cada grupo vê o ETR, possibilitando que profissionais da saúde possam intervir de modo pontual a depender da experiência anterior com o ETR. Já o Estudo 3 investigou o modelo preditivo da TAP (atitudes, normas e percepção de controle), visando identificar os principais preditores da intenção de realizar o ETR. Em suma, os resultados revelaram que as atitudes prevê melhor a intenção de homens que nunca fizeram o ETR, enquanto as normas preveem melhor a intenção de homens que já o realizaram. Já a percepção de controle pareceu funcionar junto ao público masculino independentemente de ter feito ou não o exame. Assim, entende-se que a TAP pode auxiliar os pesquisadores sociais e da saúde a entender os fatores únicos que induzem uma pessoa a engajar-se no comportamento de interesse. Logo, estudar a saúde do homem e as crenças que permeiam sua adesão a determinados comportamentos de saúde mostraram ser maneiras de ajudar a esclarecer a não procura por atendimento médico e melhorar os índices de mortalidade masculina por câncer de próstata.

  • GRAZIELA LINS SANTOS
  • Adolescência sobre controle: discernimento e desenvolvimento como relações de poder
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 13/07/2017
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa tem como objetivo discutir como as noções de discernimento e desenvolvimento presentes na PEC 171 se configuram como relações de poder na construção do adolescente infrator e como se atualizam com a teoria do capital humano. Para tal intento, utilizaremos um método de inspiração genealógica, tentando fazer uma pesquisa que não busque uma origem para os fatos estudados ou uma correspondência causal entre presente e passado, mas que se proponha a contar uma história que remonte aos campos de luta/poder que permitiram o surgimento dessas relações. Desse modo, será discutida a normalização do judiciário, enquanto meio para estudo do discernimento, bem como as novas concepções de infância e adolescência na legislação, que remetem a educação como meio de desenvolvimento. Por fim, associaremos as discussões feitas com as teorias do desenvolvimento e capital humano, as quais embasam e reforçam a necessidade de educação para um ser humano pronto e um país desenvolvido.

  • LUANA CRISTINA SILVA SANTOS
  • Condutas autolesivas e bullying em adolescentes de Sergipe
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 12/07/2017
  • Dissertação
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  • Sabe-se que contextos negativos ou estressores levam os indivíduos a procurar formas de lidar com eles, muitas Condutas autolesivas podem ser consideradas um problema de saúde pública por provocarem danos psicológicos e físicos importantes para vítimas, seus amigos e familiares. Entender esse comportamento ajuda a explicar o que facilita o engajamento das pessoas em outros comportamentos que trazem perigo a si mesmas, inclusive não saudáveis, como alcoolismo e dependência química, por exemplo. Vê-se que o comportamento autolesivo e o bullying são fenômenos que têm emergido e chamado atenção de pesquisadores, principalmente no período da adolescência e no contexto escolar, que têm sido apontado como local em que se observa a maior prevalência. Nesse sentido, o presente trabalho buscou investigar as possíveis relações entre condutas autolesivas e bullying em adolescentes sergipanos, cujos objetivos específicos são analisar as possíveis relações das condutas autolesivas e variáveis sociodemográficas. Foram realizados 3 Estudos: o primeiro estudo trata-se de um artigo teórico que conceitua, classifica e descreve as condutas autolesivas em relação aos períodos desenvolvimentais, principais fatores associados, formas de avaliação, tratamento/intervenção e prevenção; o segundo estudo se trata de um artigo empírico de rastreio e distribuição social do bullying em adolescentes sergipanos; por fim, o terceiro e principal estudo investigou possíveis relações entre condutas autolesivas e bullying, bem como entre condutas autolesivas e o perfil sociodemográfico de uma amostra do Estado de Sergipe composta por adolescentes. A presente dissertação, em geral, atendeu todos os objetivos. Primeiramente, agregou à literatura sobre condutas autolesivas, o que contribui para o estudo da temática ao reunir os principais achados da literatura. Em segundo lugar, com o rastreio do bullying no Estado de Sergipe, foi possível confirmar a prevalência do fenômeno por meio de uma escala de rápido diagnóstico, tornando possível usá-lo como variável no Estudo 3. Por fim, ao se identificar a ocorrência da prática autolesiva, bem como fatores precipitadores ou reforçadores do ato, tornou-se possível classifica-la a partir de grupos específicos da população, objetivo primordial do trabalho como um todo.

  • CATIELE DOS REIS SANTOS
  • Processo de enfrentamento de adultos após o Acidente Vascular Cerebral.
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 12/07/2017
  • Dissertação
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  • Objetivou-se com esta pesquisa, investigar o processo de enfrentamento e o impacto do AVC sobre a adaptação psicossocial na perspectiva da vítima. Para isso, este trabalho foi dividido em três capítulos. O primeiro trata-se de um capítulo teórico em que se buscou agrupar os aspectos teóricos acerca da teoria do enfrentamento. No segundo é trazido o Estudo 1 o qual objetivou descrever as repercussões psicológicas associadas à adaptação ao AVC indexadas em quatro bases de dados (Scielo, PEPSIC, Scopus e Science Direct). Foram analisados neste estudo, 33 artigos na íntegra com seus métodos, objetivos e principais resultados. No terceiro capítulo foi realizado um estudo empírico com o intuito de identificar as Estratégias de Enfrentamento utilizadas pelos pacientes acometidos pelo AVC e caracterizar o impacto do AVC na vítima dessa condição frente às limitações psicossociais impostas pela doença. Participaram 23 pessoas que sofreram AVC há pelo menos seis meses, que concederam uma entrevista a partir de eixos temáticos que foram analisadas através do Software IRAMUTEQ. Ao analisar os dados obtidos no estudo 1 percebeu-se que o AVC trouxe uma série de repercussões psicológicas na vida da vítima, sendo que as principais alterações encontradas foram: Ocorrência de ansiedade e depressão após o AVC, diminuição da Qualidade de Vida e aumento nos níveis de estresse pós acometimento do AVC. Os resultados do estudo dois referem a ativação de estratégias de enfrentamento com foco no problema, foco na emoção e Suporte Social. O uso delas foi visto com denotação positiva no ajustamento às sequelas e modificações da vida diária. No final, espera-se que o conhecimento acerca do enfrentamento do AVC possa ser aplicado à rotina de profissionais da saúde no manejo a vítimas do AVC.

  • KELYANE OLIVEIRA DE SOUSA
  • PROGRAMA DE HABILIDADES SOCIAIS NA ESCOLA: UMA FORMA DE COMBATE AO PRECONCEITO CONTRA A DIVERSIDADE SEXUAL.
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 08/06/2017
  • Dissertação
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  • Analisa-se a efetividade de um programa de habilidades sociais na redução do preconceito contra a diversidade sexual e de gênero em adolescentes. Participaram do estudo 22 adolescentes com idades entre 14 e 17 anos, alunos do ensino fundamental de uma escola pública localizada no município de Aracaju, Sergipe. Um desenho quase experimental de série temporal descontínua com pré-teste e pós-teste foi utilizado. No pré-teste verificou-se os níveis de habilidades sociais e de preconceito contra a diversidade sexual e de gênero dos adolescentes investigados. Em seguida, o tratamento experimental foi realizado através do treinamento de habilidades sociais voltado para questões sobre a diversidade sexual e, após uma semana do seu encerramento, executou-se o pós-teste, no qual os níveis de habilidades sociais e de preconceito contra a diversidade sexual e de gênero foram novamente aferidos. Os instrumentos utilizados no pré e no pós-teste foram: Inventário de Habilidades Sociais para Adolescentes e a Escala de Preconceito contra Diversidade Sexual e de Gênero. A intervenção contou com o total de 10 sessões semanais, de 50 minutos cada, com abordagem psicoeducativa e cognitivo-comportamental através de técnicas delineadas estrategicamente de acordo com o objetivo geral do estudo. Os resultados do pré-teste demonstraram que os jovens tinham um baixo desempenho no índice de frequência geral das habilidades sociais, assim como nas habilidades específicas relacionadas com a empatia, autocontrole, civilidade, assertividade, abordagem afetiva, desenvoltura social e nível moderado de preconceito contra a diversidade sexual e de gênero. Após a intervenção, os dados comparativos entre o pré e o pós-teste mostraram que houve redução significativa do nível de preconceito dos adolescentes e aumento significativo da frequência de emissão em três das seis subclasses de habilidades sociais, que foram: assertividade, abordagem afetiva e desenvoltura social.

  • CHRISTIANNE ROCHA GOMES
  • Educação Inclusiva de estudantes universitários surdos: uma análise a partir da trajetória escolar.
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 11/04/2017
  • Dissertação
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  • Diante do pequeno número de estudos no campo da educação inclusiva dos surdos, especificamente no ensino superior, da necessidade de disseminar pesquisas e conhecimentos sobre essa temática em todo território nacional e da escassez de estudos realizados por pesquisadores na área da Psicologia, o presente estudo teve como objetivo investigar a trajetória escolar de alunos surdos inseridos nos cursos do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de Sergipe – UFS, campus São Cristóvão, buscou conhecer e analisar a partir da trajetória escolar o processo de inclusão dos alunos surdos até o ensino superior, identificar como as redes sociais contribuíram ao longo da trajetória escolar com o processo de inclusão; como também, analisar a percepção dos estudantes surdos acerca dos desafios e possibilidades encontrados no ensino superior. Para tanto realizamos uma pesquisa qualitativa que coletou os dados por meio de entrevista semiestruturada, pela utilização de imagens e pela construção do Mapa de Rede, priorizando e valorizando o aspecto visual. A análise foi realizada através do método de análise de conteúdo categorial temática e a partir dela identificamos que a educação que tem sido ofertada nos moldes da inclusão não tem atendido de forma eficaz às peculiaridades linguísticas dos surdos. Ela vem apenas promovendo a convivência dos alunos entre si, mas não tem possibilitado o aprendizado dos surdos, sendo dessa forma um grande desafio para o surdo percorrer o ambiente institucional de ensino, regido prioritariamente por normas, princípios e características do mundo ouvinte. O ideal para o processo de ensino-aprendizagem é a escola bilíngue, espaço educacional propulsor do conhecimento para essa população. Torna-se necessário que desmistifiquem a surdez e a Libras, que considerem a possibilidade de não só o surdo ter que aprender a língua portuguesa, mas também ouvintes aprenderem a língua de sinais. Nesse processo é de suma importância identificar as redes sociais significativas para que políticas públicas sejam elaboradas, promovendo capacitação e orientação às pessoas e instituições que compõem essa rede. Averiguamos a necessidade de futuras pesquisas que busquem ampliar este estudo abrangendo outros cursos, universidades privadas, como também, investiguem os alunos surdos egressos do ensino superior. Por fim, presumimos que esta pesquisa será de suma importância para os estudos em Psicologia Social, em especial, para o Mestrado em Psicologia Social da UFS, em virtude da escassez de estudos com contribuições desta ciência para o campo da surdez. Além disso, poderá contribuir para o aprimoramento de ações que favoreçam a inclusão desses sujeitos, suscitando subsídios para a comunidade surda e para a Universidade como um todo, podendo servir de base para a elaboração de políticas públicas e intervenções, favorecendo a inclusão social do surdo.

  • ANA MÁRCIA DE ALMEIDA REZENDE
  • Violência contra a mulher nas relações íntimas de afeto: representações sociais de adolescentes
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 08/03/2017
  • Dissertação
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  • Este estudo teve por objetivo conhecer as representações sociais (RS) elaboradas por adolescentes sobre a violência contra a mulher nas relações íntimas de afeto, bem como possibilitou ter acesso às representações da violência nos próprios relacionamentos afetivos desses/as participantes. A pesquisa foi realizada com 22 adolescentes (11 moças e 11 rapazes) estudantes do ensino médio de escola pública da cidade de Itabaiana, interior de Sergipe. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de entrevista semi-estruturada, e analisados através da técnica de análise de conteúdo. Entre os principais resultados, revelou-se que os/as adolescentes possuem RS amplas e complexas sobre a violência contra a mulher nos relacionamentos afetivos, ora ancoradas em um posicionamento crítico e questionador da violência, e ora ancoradas nas ideologias de gênero e no patriarcado. As RS elaboradas pelos/as participantes objetivaram a violência contra a mulher como um fenômeno cotidiano, que acontece inclusive em suas próprias famílias, sendo eles/elas testemunhas de agressões de seus pais/padrastos contra suas mães. O estudo ainda apontou que os/as adolescentes sofrem violência em relações como o namoro e o ficar, havendo uma maior declaração das meninas como vítimas. De modo geral, esses/as jovens posicionam-se de forma contrária à violência que acontece em suas famílias e na sociedade, mas não conseguem elaborar RS fortes o suficiente para mobilizá-los no enfrentamento dessa situação em seus próprios relacionamentos afetivos. Portanto, os resultados apresentados nesse estudo apontam a importância de desenvolver trabalhos preventivos com a população adolescente, a fim de conscientizá-los acerca dos perigos da violência em relações como o namoro/ficar, que pode ser um preditor para a violência na vida adulta. Também torna-se relevante desenvolver um trabalho que questione as crenças e ideologias de gênero que ainda fazem-se presentes em suas RS, buscando o estabelecimento de relações baseadas na equidade.

  • LYNNA GABRIELLA SILVA UNGER
  • SINÔNIMO DE AMAR É SOFRER? JUVENTUDE, VIOLÊNCIA NAS RELAÇÕES ÍNTIMAS E OS PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO EM UMA REDE SOCIAL
  • Orientador : CLAUDIENE SANTOS
  • Data: 23/02/2017
  • Dissertação
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  • Neste estudo, interessadas na intersecção das redes sociais digitais e a violência de gênero entre os jovens – campos eleitos como ponto de partida e de reflexão, buscamos compreender como são constituídas e operam as práticas discursivas sobre a violência de gênero, especialmente nas relações de intimidade, a fim de visibilizar e (re)pensar os espaços cotidianos de luta na produção de verdades. Para tanto, nos debruçamos sobre autorrelatos de vivências abusivas compartilhados em um grupo no Facebook, no intento de analisar, à luz dos Estudos Culturais e dos Estudos de Gênero articulados aos caminhos teórico-metodológicos foucaultianos, como os sujeitos significam a violência experienciada em suas relações afetivo-sexuais, bem como, constroem e anunciam formas de ser e estar no relacionamento. Ao analisar os discursos que compõem o corpus desta pesquisa, desvelamos repetições (in)visíveis e dizíveis, por vezes naturalizadas, constituindo as verdades assumidas pelos sujeitos em suas relações. Destacamos as relações de poder que circunscrevem tais relações abusivas, as quais indicam tendências e enfatizam algumas práticas hegemônicas. Assim, as práticas discursivas anunciadas desvelam que esses sujeitos assumem posiconamentos que legitimam e reforçam a cultura patriarcal. Ao visibilizar a dinâmica das relações de poder, sobretudo instauradas pelas relações de gênero nos relacionamentos de intimidade, urge a necessidade de ressignificação daqueles sentidos que vêm nos aprisionando, há séculos, em uma naturalizada concepção hegemônica e opressora, que perpassam as relações afetivo-sexuais desenvolvidas na atualidade.
  • MOISÉS SANTOS DE MENEZES
  • “A VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA EM SERGIPE E O SERVIÇO SOCIAL: ENTRE O PROCESSO DE REVITIMIZAÇÃO E VIABILIZAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS E SEXUAIS PARA COM A POPULAÇÃO LGBT”.
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 16/02/2017
  • Dissertação
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  • A Violência Homofóbica é um fenômeno complexo e bastante comum na sociedade contemporânea. Tal realidade é constantemente alimentada pelos processos da revitimização, subnotificação e impunidade no trato com a homofobia. Todo esse contexto encontra-se frequentemente presente durante o atendimento profissional da população LGBT nos diversos órgãos de proteção e promoção aos seus direitos humanos e sexuais. A presente situação torna-se um desafio para o Serviço Social por ser uma profissão que busca a viabilização de direitos para todos os seus usuários, sendo as demandas da diversidade sexual e gênero problemáticas que perpassam por todos espaços sócio-ocupacionais necessitando de um atendimento humanizado capaz de viabilizar direitos e não revitimizar esses sujeitos. Buscando compreender melhor esse contexto o presente estudo tem por objetivo analisar as percepções dos profissionais de Serviço Social em relação ao atendimento da categoria profissional nos casos de violência homofóbica contra a população LGBT no estado de Sergipe. A pesquisa foi realizada com 10 (dez) assistentes sociais que atenderam LGBT vítimas de casos de violência homofóbica nas diversas políticas públicas do estado de Sergipe. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de entrevista semiestruturado, e analisados através da técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2011). Entre os principais resultados revelou-se que os profissionais de Serviço Social não se encontram preparados e capacitados para atender as demandas da diversidade sexual e de gênero, por diversos fatores como: 1) a ausência e ou carência de debates sobre esse assunto no seu processo de formação acadêmica e profissional 2) presença do preconceito e discriminação fortemente apresentados nos discursos desses sujeitos 3) descompromisso ou desresponsabilização do Estado brasileiro no trato com a homofobia entre outras. Em detrimento desse contexto, o atendimento dos profissionais de Serviço Social para com as demandas da população LGBT tem caminhado mais para o campo da revitimização do que da viabilização de seus direitos humanos e sexuais, cenário que reforça uma tendência conservadora e fundamentalista da categoria profissional, contraditória ao seu Projeto Ético-Político. Desta feita, observou-se a urgente necessidade de se debater temáticas sobre a diversidade sexual e de gênero dentro do Serviço Social, além de se realizar novos estudos sobre o assunto aqui em pauta, bem como promover ações de prevenção e sensibilização dos assistentes sociais em relação ao enfrentamento da violência homofóbica como uma das expressões da questão social a qual a todos compete combater.

  • VALDENICE PORTELA SILVA
  • A discriminação da mulher negra no setor industrial sergipano entre 2007 e 2014: Uma análise dos impactos da norma de responsabilidade social empresarial
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 15/02/2017
  • Dissertação
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  • Passados mais de 60 anos de conquistas dos direitos civis e da criação de leis antirracistas e antissexistas, ainda há diferenças no mercado de trabalho entre homens e mulheres e entre brancos e negros. No caso do Brasil, onde até pouco tempo atrás não havia reconhecimento oficial do racismo e ainda hoje do sexismo, novas expressões de preconceito grassam desde a abolição da escravatura. Esses “novos” preconceitos têm a marca da discriminação, ou seja, de restringir espaços e acessos a indivíduos e grupos minoritários nas relações de poder. O objetivo desse estudo é analisar os impactos da norma de responsabilidade social empresarial sobre a participação de mulheres negras (pardas e pretas) na indústria de transformação sergipana. Para tanto foram utilizados os Microdados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de 2007/2008 e 2013/2014. Chama atenção nos dados analisados, os vínculos formais das mulheres pretas são os que apresentam as remunerações substancialmente mais baixas (R$ 766,96) em relação às brancas (R$ 993,24), pardas (R$ 828,48) e aos vínculos formais dos homens brancos (R$ 1640,86), pardos (R$ 1.168,85) e pretos (R$ 1091,96). Este cenário pouco se alterou no período 2013/2014. As principais conclusões são: a) A indústria de transformação sergipana é predominantemente masculina e parda; b) As mulheres ganham menos dos que os homens, os negros menos do que os brancos e as mulheres pretas são as que recebem os menores salários em relação às demais grupos; e c) A norma de responsabilidade social empresarial incide apenas tangencialmente no cenário organizacional pesquisado, isso porque dentre as empresas no Brasil que aderiram à norma se associando ao Instituto Ethos, apenas 03 estão em Sergipe, são elas: ENERGISA, INFOX e INFRAERO.

2016
Descrição
  • DIEGO SANTOS GONÇALVES
  • Sexualidade e Cultura na Primeira Tópica Freudiana
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • O objetivo deste trabalho é discutir algumas relações que podem ser estabelecidas entre o tema da sexualidade e cultura a partir da obra de Freud, mais especificamente o período dessa obra que se convencionou chamar de “primeira tópica”, e que abrange os textos publicados por Freud antes da virada teórica dos anos 1920. A princípio, nós iremos mostrar como o tema da sexualidade foi desde o começo problematizado pela teoria psicanalítica freudiana em relação com a clínica – isto é, com a emergência, à época de Freud, de um número muito elevado de casos de neurose. Dentro dessa discussão iremos abordar a distinção clínica sugerida por Freud entre psiconeuroses e neuroses atuais, delimitando as especificidades dos quadros e as diferenças no manejo da excitação sexual em ambos. Em seguida, faremos um levantamento do desenvolvimento de uma concepção freudiana de sintoma, através das conferências introdutórias proferidas por Freud sobre o tema. No capítulo seguinte vamos nos deter sobre a construção de uma concepção freudiana de sexualidade, mais especificamente, sobre como essa concepção diferia em muito daquela partilhada pelo saber médico da época, como a orientação fisicalista de Freud a influenciou e como o desenvolvimento do conceito de narcisismo levou essa concepção ao próximo passo. Em nosso terceiro capítulo, nosso objetivo é o de estreitar os laços entre o tema da sexualidade e cultura, através da leitura de alguns dos textos sociológicos de Freud. Com esse fim em vista, faremos um exame minucioso de dois importantes textos da obra freudiana, Moral Sexual Civilizada e Totem e Tabu, de modo a evidenciar as relações entre clínica e cultura a partir do conflito entre demanda pulsional e o outro, representado pelos valores sociais. A seguir, faremos algumas observações sobre a sublimação enquanto destino pulsional valorável para a cultura, através de um exame da construção desse conceito e tomando como referência a figura do artista. Ao final, iremos tecer algumas considerações sobre os resultados do nosso trabalho, ao mostrar que não podemos pensar satisfatoriamente o âmbito clínico sem um amplo conhecimento dos fatores que condicionam uma determinada estrutura social.

  • CAMILA SANTOS DE FIGUEREDO LIMA
  • DO CABEÇO AO SARAMÉM: UM ENSAIO SOBRE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E ECONOMIA DA PRODUÇÃO SOCIAL EM UM MUNICÍPIO DO BAIXO SÃO FRANCISCO SERGIPANO
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • Este trabalho é fruto de reflexões acerca das condições que moldam, na modernidade, as relações do homem contemporâneo com o seu meio. Em um município do Baixo São Francisco sergipano, um lugar serve para a análise sócio-cultural da qual se encarrega esta dissertação, onde se privilegia o meio ambiente como palco de disputas e transformações deste espaço, que envolvem a força do capital sobre a dominação da natureza e dos recursos humanos que lá se alocam. Estamos falando do Novo Conjunto Habitacional Saramém, no município de Brejo Grande, em Sergipe, que tem sua formação há uma década e meia e se ergueu sobre um trágico acontecimento ocorrido ao fim da década de 90 no século XX: a invasão do mar à antiga ilha do Cabeço, no mesmo município, fazendo com que o Saramém fosse território para os seus desabrigados. Este trabalho se ocupa por esboçar elementos constitutivos das sociabilidades e modos de vida na Ilha do Cabeço, Brejo Grande/SE, em relação aos modos de vida e de produção material e simbólica presentes no século XXI no Conjunto Saramém, no mesmo município, sob o signo da promessa capitalista de “desenvolvimento, progresso e qualidade de vida”. Esta dissertação é fruto de um trabalho baseado na etnografia, não apenas da autora mas também por parte dos coautores que realizaram suas pesquisas no local e que estão, aqui, enriquecendo as reflexões e agregando informações a este trabalho. Também conta-se com o incomensurável auxílio do recentemente produzido laudo da pericial sob encomenda da Justiça Federal do estado de Sergipe, que teve como objetivo de esclarecer pontos decisivos em ação movida pela Associação do Povoado Cabeço, em Brejo Grande, contra a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF), sob a alegação de que a instalação da Usina Hidrelétrica de Xingó teria afetado drasticamente o fluxo natural do rio, ocasionando a perda de força das águas deste em detrimento da força do mar que o encontra na foz do rio São Francisco, onde se localizava a ilha do Cabeço. Para além da veridicidade desta alegação, poremos em questão o que estas ações de dominação, transformação e mercantilização dos recursos naturais e humanos pelo próprio homem acabam por moldar em níveis de sociabilidades em tempos de forte apelo ao capital.

  • LUCAS TEIXEIRA COSTA
  • Governamentalidade e Políticas Públicas de Assistência Social: Problematizando práticas no exercício de operador institucional.
  • Orientador : MANOEL CARLOS CAVALCANTI DE MENDONCA FILHO
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • Neste estudo pretende-se repensar os discursos hegemônicos no âmbito das políticas emergenciais do capitalismo – ligadas a assistência social nos últimos 30 anos de governo democrático - afinal são essas práticas que ao serem deslocadas de um compromisso efetivo com o atendimento as pessoas, que produzem ao invés da promoção dos direitos humanos, um exercício de vigilância do ordenamento legal através de uma série de saberes-práticas pautadas no controle estatístico das populações e prevenção de riscos socais. Dessa forma, será possível problematizar as práticas desenvolvidas no contemporâneo, que em nome da promoção de direitos humanos, dentro de um sistema de políticas públicas da assistência social, legitimam, através do ofício da Psicologia, práticas de saber/poder que efetivam o papel do Estado como controlador dos corpos e da população, portanto, no papel do exercício de uma biopolítica. Assim, a análise dessa problemática será realizada por cenários que serão descritos através de recortes extraídos de diários de campo através de ferramentas da análise institucional francesa. Tais recortes possibilitaram repensar as possíveis acomodações, imobilidades, inquietudes e resistências que ocorriam no contato com as pessoas atendidas no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS). Nesse sentido, as obras de Michel Foucault e René Lourau surgem como importante arcabouço teórico para problematizar essas questões que tangem o dia-a-dia da instituição. Noções como governamentalidade, biopolítica e implicação desenvolvidas em importantes obras destes autores tem servido para uma leitura crítica da prática institucional e seus modos de operacionalização sobre as pessoas e seus modos de sujeição.

  • ALINE ALVES MENEZES
  • “RIOS, PONTES E OVERDRIVES”: efeitos de subjetivação e modos de organização da comunidade “Pontal da Barra” em Sergipe
  • Orientador : LIVIA GODINHO NERY GOMES AZEVEDO
  • Data: 31/08/2016
  • Dissertação
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  • No percurso entre os municípios de Aracaju-SE e Pirambu-SE, paralelo ao boom imobiliário da região, efeito da construção da Ponte Construtor João Alves Filho inaugurada em 2006, residem centenas de famílias à beira da estrada com suas casas feitas de madeira e/ou palha de coqueiro. A região tornou-se foco de investimentos de empresas, principalmente de capital imobiliário, respaldados em projetos desenvolvimentistas, com interesse em terrenos habitados por sitiantes, ocupações ou comunidades tradicionais. Dentre esses últimos agrupamentos, destaca-se a comunidade Pontal da Barra, localizada no município de Barra dos Coqueiros, conhecida por muitos da localidade como “Ilha do Rato” - nome surgido como marca social associado às condições de vida local. Reconhecida como comunidade remanescente de quilombo no mesmo ano de construção da ponte, o local reúne histórias que envolvem deslocamentos ocasionados por processos de degradação socioambiental, embates com grandes construtoras, e contato com o poder público, empresas privadas, ONGs e movimentos sociais. Esse trabalho, por meio de narrativas surgidas a partir da experiência etnográfica, propõe apresentar algumas dessas histórias, discutindo sobre as repercussões nos modos de vida local - efeitos de subjetivaçãoprocesso possível quando a lógica de desenvolvimento, atualmente ressignificada sob o conceito de “desenvolvimento sustentável”, embasa ações do governo e de empresas. Além de pensar sobre as intervenções na referida comunidade, o relato aqui apresentado é também uma história das táticas criadas pelos seus moradores no intuito de enfrentar os acontecimentos. Podemos encontrar nessa pesquisa a narração de uma produção coletiva tecida a partir de relatos dos moradores - reunidas em diários de campo - fotografias, vídeos, notícias, artigos de jornais, documentos técnicos e jurídicos além de interlocuções com os teóricos, grupo de pesquisa e da própria pesquisadora.

  • DANIELE CARVALHO CASTRO
  • O TRABALHO EM SAÚDE COLETIVA NO CONTEXTO DA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA: PRECARIZAÇÃO, CONFLITOS E SUBJETIVAÇÃO.
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 30/08/2016
  • Dissertação
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  • O problema da presente pesquisa consiste nos processos de subjetivação que permeiam as experiências do profissional em saúde coletiva frente a um modo de produção configurado pelo ideário capitalista de sociedade, tomando-se como analisador o fator precarização. O interesse pelo tema decorre das dimensões reflexivas relacionadas à experiência profissional da pesquisadora com as condições concretas de vida e de trabalho dos profissionais no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), em diferentes frentes de atuação: assistência e gestão. O trabalho tem inspiração etnográfica e o corpus de material analítico que subsidia o estudo consiste em uma espécie de arquivo contendo relatos acumulados sobre o tema durante o percurso de uma trajetória profissional de cerca de dez anos de atuação no SUS em Sergipe. Esse arquivo é produto de um exercício de campo que foi consolidado não propriamente como um diário de campo, mas muito mais como um registro de memórias sobre uma experiência de campo desenvolvida a partir da interação ou simples observação sistemática dos inúmeros e anônimos interlocutores dessa práxis. O trabalho apurou que o capitalismo, apesar de sua potencial densidade manipulatória, corresponde a uma tecnologia social que engendra, em termos de processos de subjetivação, reconfigurações afetivas e cognitivas múltiplas e provisórias frente às tensões vivenciadas pelos trabalhadores em razão da precarização.

  • KAREN MIRELA SALES VENANCIO
  • "HÁ QUANTO VOCÊ FAZ VIOLÊNCIA SEXUAL?": ANÁLISE DO ATENDIMENTO A ADOLESCENTES MENORES DE 14 ANOS, NA ÁREA DA SAÚDE.
  • Orientador : MARIA TERESA LISBOA NOBRE PEREIRA
  • Data: 30/08/2016
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivo analisar o funcionamento de um serviço de saúde à pessoa em situação de violência sexual, problematizando a admissão de adolescentes menores de 14 anos, com a queixa institucional de terem sido vítimas de estupro, sendo inseridas mesmo aquelas que afirmam ter tido relações sexuais com consentimento, ou seja, de ter ocorrido sua iniciação sexual. Neste sentido, propõe-se discutir o recrudescimento da questão da violência decorrente do aparelhamento institucional a essas adolescentes, diante da possibilidade de efetivação de um protocolo de atendimento do Ministério da Saúde, Ministério da Justiça e Secretaria de Políticas para Mulheres, para a inclusão do registro e da coleta de vestígios nos serviços de saúde, a fim de que possam servir de prova criminal para estupro. A discussão é realizada a partir das contribuições foucaultianas e da análise institucional, considerando as noções de história, violência, análise das implicações, bem como o papel do militante, na interface saúde-violência, a partir da experiência de atuação da autora como psicóloga em um serviço de referência estadual às vítimas de violência sexual, no âmbito da saúde. Esta pesquisa versa sobre contra-memórias e análise das implicações, em diálogo com algumas contribuições artísticas (mandalas e poesia), na tentativa de analisar como os discursos institucionalizados da saúde podem produzir a noção de vítima de violência sexual para essas adolescentes. O foco é justamente demarcar que apesar de ser amplamente divulgado como um espaço de enfrentamento de violência, um serviço de referência, por vezes, pode tornar-se um produtor daquilo que publiciza ser seu maior inimigo: um agressor, e mais especificamente, contra as adolescentes que expõem terem tido sua iniciação sexual, antes do período legalmente permitido.

  • BRUNO DE BRITO SILVA
  • Identidade social e Autoestima de travestis, homens e mulheres trans e transgêneros: A influência do apoio social
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 29/08/2016
  • Dissertação
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  • A presente dissertação de mestrado é composta por quatro estudos, sendo dois de caráter teórico e dois que possuem abordagem analítico-quantitativa com o objetivo de investigar a identidade social e a autoestima de travestis e homens e mulheres trans, bem como saber a influência e o papel da rede de apoio social, constituída pela família, pelos relacionamentos amorosos e pela comunidade LGBTT, na constituição destas. Os estudos 1 e 2 teorizaram sobre como se dão esses fenômenos psi em trangêneros, sendo aquele uma revisão sobre identidade social e apoio social e o segundo, uma revisão sistemática da literatura sobre autoestima com esta parcela populacional. Evidenciou-se a importância do apoio social para o bom desenvolvimento e boa formação da autoestima e da identidade social em pessoas trans. O estudo 3 adaptou e investigou evidências de validade e fidedignidade da Escala de Necessidade de Identificação Social (nID), oferecendo uma medida confiável e válida na mensuração do construto da identidade social. Por fim, no estudo 4, explorou-se as variáveis supracitadas e suas correlações em pessoas trans por meio de um questionário online que incluía escalas: do Questionário de Identidade corporal, do Questionário Juventude Brasileira, a nID, validada no estudo 3, da ESSS e a de Satisfação conjugal GRIMS. Foram 203 participantes de todas as regiões do país sendo que 34,8% travestis e mulheres trans. Verificou-se que quanto maior o apoio familiar maior a autoestima, assim como quanto maior o envolvimento na hormonoterapia, maior a idade e a satisfação com o suporte social, previram uma identificação social maior por parte dos participantes para com os grupos de pertença de identidade e expressão de gênero. Aponta-se para a necessidade de acolhimento dos modos de existência de transgêneros pela sociedade.

  • DENISE NUNES DE CAMPOS BUHLER
  • CONTROLE SOCIAL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL GARANTIR O CUMPRIMENTO DA DEMOCRACIA POLÍTICA NO SUS
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 26/08/2016
  • Dissertação
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  • O controle social do Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser considerado uma forma avançada de democracia, por determinar uma nova relação entre o Estado e a sociedade, de maneira que as decisões sobre as ações na saúde, devem obedecer prioridades e interesses comuns à comunidade. A questão que norteia esse estudo é a reflexão sobre a possibilidade de uma gestão participativa garantir de fato o cumprimento da democracia política no SUS, consolidando-se como prática efetiva. Com o objetivo de analisar como se expressa o controle social nos conselhos de saúde, decidimos recorrer às pesquisas já publicadas sobre o assunto, em que houvessem relatos de dados empíricos. Desta forma, foi possível construirmos um panorama sobre as atuações dos conselhos de saúde, no que tange ao controle social. A análise do levantamento de dados sobre o controle social, suscitou o questionamento de que, como pode uma proposta avançada, democrática, altamente politizada, ao ser colocada em prática, muito rapidamente ser envolvida por práticas que a própria proposta visa combater. Partimos então, para o entendimento da proposta do controle social, através do estudo sobre cidadania e democracia, e por outro lado, as condições de sua aplicação no Brasil. A pesquisa realizada nos mostrou que os conselhos de saúde, apesar da autonomia adquirida para propor e formar estratégias e atuar no controle e execução das Políticas de Saúde, em sua maioria ainda não conseguiu se apropriar de fato de tais práticas. Contudo, emerge a percepção de que, no que tange ao controle social, um caminho já está sendo feito, e embora em alguns casos, esse caminho mostre-se tortuoso, em outros podemos ver a busca por uma trajetória de comprometimento com a Saúde Pública e usuários em geral.

  • GABRIEL HENRIQUE PEREIRA DE FIGUEIREDO
  • HOMOFOBIA INTRAGRUPAL: A REPRODUÇÃO DE DISCURSOS E PRÁTICAS HETERONORMATIVAS EM GRUPOS GAYS.
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 22/08/2016
  • Dissertação
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  • Esse estudo objetivou compreender a homofobia entre gays, considerando a reprodução do discurso heteronormativo nos grupos de homens que se autoidentificam como gays. Inicialmente, foi realizada uma revisão sistemática da literatura sobre a identidade gay nos estudos sobre homofobia. Em seguida, um estudo empírico foi proposto. Utilizou-se de um formulário disponibilizado virtualmente, respondidos por 254 homens de todo o Brasil, que observou as características psicossociais; representação acerca das identidades gays; relacionamento intragrupal; pertencimento e reconhecimento da identidade gay e a internalização da homofobia. Os dados foram analisados pelo Software SPSS. Os principais achados revelaram a relevância da abertura da sexualidade na reprodução do preconceito entre gays, especialmente quanto às identidades não-normativas de gênero, idade, classe socioeconômica, padrão de beleza.

  • THATIANNE VASCONCELOS ALMICO CAJAZEIRA
  • CONVIVENDO COM O FILHO AUTISTA: O ENFRENTAMENTO DO CUIDADOR NAS DIFERENTES ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 19/08/2016
  • Dissertação
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  • Este estudo analisou, sob a ótica do principal cuidador, o processo de enfrentamento e as demandas de cuidador de um filho autista, considerando as diferentes etapas de desenvolvimento (infância, adolescência e adultez). Entrevistaram-se 37 cuidadores, sendo 15 cuidadores de crianças, 11 de adolescentes e 11 de adultos em Aracaju-SE. As idades variaram entre 24 e 72 anos, com 35 participantes do sexo feminino (96,6%). Foram utilizadas uma ficha de dados de identificação e uma entrevista aberta, gravada em áudio. O roteiro aberto de entrevista teve por base eixos como o cuidado, enfrentamento e estresse/estressores relativos ao cuidado. No Eixo Estressores buscou-se investigar a convivência diária com o filho e seu impacto na vida cotidiana, enquanto no Eixo Enfrentamento se investigou os modos de lidar com dificuldades na experiência de cuidar do filho autista. As entrevistas foram analisadas por meio do programa IRAMUTEQ, obtendo-se classes de léxicos que, quando agrupadas, indicaram as seguintes classes para o Eixo estressores: Estressores provenientes da convivência com o filho (18,4%); Apoio social e religioso como componente da experiência do cuidado (18,9%); Necessidade de entender a condição e tratamento do filho (26,1%) e O cuidado como estressor na rotina dos cuidadores (36,6%). Para o Eixo Enfrentamento: Enfrentando o impacto do autismo (38,7%); Enfrentando a rotina com o filho (23,7%) e Enfrentando a realidade com o filho autista (37,6%). O cuidado diário do filho autista foi apontado como um importante estressor pelos cuidadores dos três grupos, sendo que o cansaço físico e emocional afetou em particular o cuidado de adultos autistas. Frente aos desafios adaptativos, verificou-se a mobilização de estratégias de enfrentamento que foram comuns ou específicas a cada fase do desenvolvimento. Por fim, é importante que se fortaleçam as estratégias que tendem a ser mais adaptativas ao longo do desenvolvimento.

  • NAYARA CHAGAS CARVALHO
  • SOCIALIZAÇÃO PARENTAL E SEXISMO EM CRIANÇAS
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 04/07/2016
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa investigou o efeito da socialização parental das mães na expressão do sexismo em crianças de 6 e 7 anos de idade. Participaram da pesquisa 30 crianças e seus respectivas mães. Precedente a coleta foi solicitada às mães a autorização para a participação do(a) seu(sua) filho(a). A coleta possuiu duas etapas – uma realizada com as crianças e outra com as mães. Nas entrevistas conteve perguntas abertas e fechadas. Também foram aplicados o Inventário de Sexismo Ambivalente (Miguel, Valentim & Carugati, 2009) e o Questionário de Estilos e Dimensões Parentais desenvolvido por Glick e Fiske (1996) e adaptada para o Brasil por Formiga, Gouveia e Santos (2002) nas mães. Os resultados indicam que mães com sexismo mais flagrantes (ou hostis) tendem a produzir uma socialização parental mais sexista. Contrariando a nossa hipótese, não houve correlação entre os estilos parentais e a identidade de gênero das crianças. Contudo, encontramos que mães mais autoritárias e permissivas socializam seus filhos na direção do sexismo hostil. Estes resultados são discutidos à luz das teorias sobre socialização parental e do sexismo ambivalente

  • TEREZA CECÍLIA COSTA DO NASCIMENTO
  • Trabalho, Emprego e Precarização: Perspectivas de Estudos
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 27/06/2016
  • Dissertação
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  • A dissertação é composta por três estudos relacionados à temática da precarização do trabalho. No Estudo 1, foi realizada revisão sistemática envolvendo os artigos publicados sobre a precarização do trabalho no Brasil, entre os anos de 2004 e 2014, em duas bases de dados (Scielo e Pepsic), com o objetivo de identificar tendências e lacunas para a elaboração de uma agenda de pesquisa que estimule os pesquisadores. Foram realizadas análises bibliométrica e de conteúdo de 17 artigos que preencheram os critérios de inclusão na pesquisa. As apreciações realizadas contribuíram com um panorama sobre as tendências e lacunas de produção que envolvem a precarização do trabalho e apontaram perspectivas de estudos capazes de alargar a compreensão do fenômeno e seus impactos sobre o indivíduo enquanto ser psicossocial. O Estudo 2 consistiu na investigação da percepção de precarização do emprego junto ao corpo de enfermagem de um hospital do Estado de Sergipe. Para tanto, realizou-se nova validação do Inventário de Precarização Laboral (IPREL). O instrumento foi aplicado em 279 profissionais, apresentando índices psicométricos adequados quanto à validade e confiabilidade. A partir de Análise Fatorial de Eixos Principais, rotação oblíqua Promax, foram extraídos dois fatores (Higiene Ocupacional e Justiça – HO&J: α = 0,87; Relações de Trabalho - RT: α = 0,67) que explicam 19,09% da variância dos dados. Os escores médios demonstram que a amostra pesquisada não percebe como adequadas e seguras as condições de trabalho no hospital, nem como justas as trocas existentes na díade empregador/empregado (M = 1,5; DP = 0,52), ainda que acuse como razoáveis as práticas de gestão de pessoas e o cumprimento das responsabilidades trabalhistas (M = 2,0; DP = 0,51). Esse resultado corrobora a necessidade de intervenções junto aos participantes do estudo para minimizar/reverter o diagnóstico identificado. O Estudo 3 visou prioritariamente o exame da associação entre a precarização do emprego, o suporte social no trabalho e a retaliação organizacional na mesma amostra de trabalhadores do Estudo 2. Somente o fator HO & J da escala de precarização do emprego e o fator Percepção de Suporte Instrumental - SSINS da escala de suporte social no trabalho revelaram capacidade explicativa para os comportamentos de retaliação organizacional. Enquanto o fator HO & J abrange a oferta de condições materiais para o trabalho e a percepção de justiça nas trocas existentes na díade empregador/empregado, o SSINS está focado especificamente nos auxílios tangíveis que a empresa disponibiliza, como insumos materiais, técnicos, financeiros e gerenciais. Diante dessa situação, pondera-se que os aspectos concretos vivenciados no cotidiano do trabalho influenciam na ocorrência de comportamentos retaliatórios, do que se depreende a necessidade da instituição pesquisada avaliar se suas práticas organizacionais estão efetivamente fornecendo as condições necessárias para o bom desempenho dos seus trabalhadores e para a sua satisfação e bem-estar.

  • LILLIAN NATHALIE OLIVEIRA DA SILVA
  • O ESTATUTO SUPREMO DO DINHEIRO À LUZ DA TEORIA FREUDIANA
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 27/06/2016
  • Dissertação
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  • O trabalho propõe investigar o lugar privilegiado ocupado pelo dinheiro na economia psíquica, considerando seu estatuto supremo adquirido na maior parte das sociedades e épocas em que a vida humana se pôs em civilização. Trata-se de uma investigação de fenômenos sociais pelo viés psicanalítico, caracterizando-se numa pesquisa em psicanálise de método bibliográfico e leitura interpretativa, a partir da perspectiva teórica de Freud e de produções psicanalíticas no campo. Dedica-se ao estudo do dinheiro de um ponto de vista das pulsões originárias do sujeito, com explanação sobre a história, origem e evolução prática da moeda, bem como seu papel de supremacia nas civilizações industriais, perpassando os significados e representações no senso comum já estudados pela ciência psicológica e sendo analisados pela interpolação do sujeito do inconsciente, movido pelas pulsões e pelo desejo. Lê-se que o dinheiro não se constitui somente enquanto objeto com efeitos pulsional e representacional do sujeito, mas é detentor de uma capacidade estruturante sobre o psiquismo, se constituindo como cifra da própria constituição do ser. A presença de uma relação ambivalente do sujeito para com o dinheiro, em que o dinheiro se atrela a cenários de dominação e exploração humana é coerente com a impossível harmonia entre o humano e a vida civilizada. A lida do sujeito psicanalítico com o dinheiro não se faz cabível de equilíbrio e harmonia já que o dinheiro amoeda também os antagonismos pulsionais originários.

  • MARIA MÉRCIA DOS SANTOS BARROS
  • Significado do trabalho para famílias de trabalhadores rurais: Um estudo de comunidades que atuam no beneficiamento da castanha de caju no município de Itabaiana-SE
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 27/06/2016
  • Dissertação
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  • Este estudo objetivou identificar o significado do trabalho junto a trabalhadores envolvidos no processo de beneficiamento de castanha de caju nos povoados Carrilho e Taboca (SE). Adotou-se abordagem multimetodológica, com amostragem não-probabilística. No estudo 1, investigou-se 100 genitores e 100 filhos envolvidos no processo de trabalho com a castanha de caju. Utilizou-se um questionário sociolaboral, e o Inventário do Significado do Trabalho. Utilizaram-se análises descritivas (M, DP, f) e inferenciais (Cluster, teste t, X2, r) para o tratamento dos dados. Resultados indicaram que, no grupo de pais, formaram-se três clusters valorativos: 1) Dialético, 2) Otimista, e 3) Acrítico; e quatro descritivos: 1) Satisfeito, 2) Instrumental, 3) Conflitante, e 4) Desvalorizado. No grupo de filhos, formaram-se seis clusters valorativos: 1) Dialético, 2) Acrítico, 3) Otimista, 4) Reconhecido, 5) Indiferente, e 6) Acolhedor; e cinco clusters descritivos: 1) Conflitante, 2) Desafiador, 3) Satisfeito, 4) Penoso, e 5) Neutro. Em suma, os pais demonstraram visão otimista nos atributos valorativos, mas sentiram-se desvalorizados nos atributos descritivos. Já os filhos possuíam uma visão dialética do que o trabalho deva ser e como ele de fato é. No estudo 2, participaram 5 pais e 5 filhos (pertencentes ao estudo 1), por meio de entrevista semi-estruturada, com questões norteadoras, avaliadas a partir da Análise de Conteúdo. Resultados mostraram que os pais interpretam o significado do trabalho como árduo, cansativo, com precárias condições de trabalho e desvalorizado. Já os jovens pareciam alheios às dimensões negativas do trabalho e aos riscos a que estavam submetidos, naturalizando o fenômeno. Entretanto, pais e filhos afirmam que a atuação dos órgãos fiscalizadores é incongruente com a realidade dos povoados, ainda que os mesmos busquem coibir o abuso e a exploração infanto-juvenil. Enfim, parece não haver discursos improcedentes neste conflito ou mesmo soluções prontas.

  • CAMILLA LIMA DE ARAUJO
  • O papel do humor no racismo brasileiro
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 30/05/2016
  • Dissertação
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  • No Brasil, o racismo é frequentemente negado e confundido com formas de discriminação de classes sociais, peculiaridades que foram impressas em nossas relações no período escravocrata. O brasileiro, com a sua tendência de ser informal e cordial em suas relações, faz surgir no país uma forma específica de expressão do racismo onde o riso muitas vezes é utilizado como mediador ou catalisador nas suas manifestações. Posto isto, o presente estudo objetiva investigar o impacto do humor nas expressões de racismo no contexto brasileiro. No estudo 1 investigamos o efeito do humor nas expressões de racismo por meio um instrumento que investiga racismo implícito, sendo este The Police Officer’s Dilema (Correll, Park, Judd & Winttenbrink, 2002). No estudo 2 investigamos o impacto do humor nos processos controlados de resposta por meio da Escala de Racismo Moderno desenvolvida por McConahay, Hardee e Batss (1981) e adaptada para o Brasil por Santos, Gouveia, Navas, Pimente e Gusmão (2006). Os resultados do estudo 1 não apresentaram efeito do humor, sobretudo do humor racista, no racismo implícito dos participantes. No entanto, os resultados indicaram uma influência da cor da pele do suspeito sobre a decisão de atirar do participante, tanto na velocidade quanto na precisão. Os resultados do estudo 2 não apresentaram o impacto do humor nas expressões de racismo explícito. Os participantes apresentaram níveis de expressões próximos, sendo estas abaixo do ponto médio da escala que indica ausência de racismo explícito. Acreditamos que a apresentação do instrumento aos participantes num momento posterior ao priming normativo (as piadas) não possibilitou uma apreensão efetiva do intervalo cognitivo de duração da suspensão da norma antirracista.

  • LUIZA LINS ARAÚJO COSTA
  • O ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E JULGAMENTOS DE ESTUDANTES DE DIREITO
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 27/05/2016
  • Dissertação
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  • O objetivo desta pesquisa foi investigar o impacto da cor da pele e do estrato social do adolescente em conflito com a lei sobre representações sociais e julgamentos de estudantes de Direito. Participaram 102 estudantes, entre o quinto e o décimo período, de uma instituição particular de ensino localizada em Aracaju-SE. As idades variaram entre 20 e 62 anos (M = 27.9; DP = 8.06) e 54 era do sexo masculino (52,9 %). O estudo foi desenvolvido com um delineamento experimental. No instrumento, apresentamos um caso de ato infracional e manipulamos entre os grupos as variáveis cor da pele e estrato social do adolescente. Após a leitura do caso, os participantes foram questionados sobre qual ou quais das medidas socioeducativas previstas pelo ECA aplicariam ao adolescente em questão. O instrumento continha também itens sobre a representação social do adolescente em conflito com a lei, atitude frente à redução da idade de responsabilidade penal, explicações para a conduta infracional e representações do futuro do adolescente em conflito com a lei. Os resultados indicam que a internação, medida mais severa, é a mais aplicada pelos participantes (44,1%). Ao contrário do que previam nossas hipóteses, não houve diferenças significativas na aplicação das medidas em função da cor da pele e estrato social do adolescente e também não houve efeito dessas variáveis nas representações sociais. Contudo, identificamos uma representação objetivada por elementos do contexto como “Problemas na educação” e “Pobreza”, além de termos pejorativos (marginal, vagabundo) e essencialistas (infrator, criminoso) indicando uma visão da prática infracional enquanto condição definitiva para esses adolescentes. Com base na literatura e à luz dos resultados discutimos relações entre representações sociais, preconceitos e julgamentos no âmbito da Justiça da Infância e Juventude no Brasil.

  • ARIANE DE BRITO SANTOS
  • Estresse parental e práticas socioeducativas parentais em pais/mães de filhos com e sem diabetes mellitus tipo 1
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 30/03/2016
  • Dissertação
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  • Esta dissertação é composta por três estudos relacionados com a temática do estresse do parental. No Estudo 1 foi feita uma revisão sistemática de estudos empíricos nacionais que tiveram como foco o estresse decorrente da parentalidade e/ou da relação pais-filho. No Estudo 2 foi realizada a adaptação e validação da Escala de Estresse Parental – EEPa (Parental Stress Scale – PSS) para o português brasileiro, além da avaliação da validade concorrente da EEPa com a Escala de Estresse Percebido (PSS-14) e o Inventário de Práticas Parentais (IPP), e a comparação dos índices de estresse parental por sexo. No Estudo 3 foi avaliada a associação entre as práticas socioeducativas parentais e a intensidade do estresse parental (baixo e alto) em grupos de pais ou mães de filhos sem doença crônica e de filhos com diabetes mellitus tipo 1 (DM1). Os resultados do Estudo 1 forneceram um panorama do estado da arte em relação ao tema estresse parental na literatura nacional e evidenciam a necessidade de novos estudos na área. Os resultados do Estudo 2 apresentaram uma versão adaptada e validada da EEPa para o português brasileiro, como uma medida capaz de mensurar o estresse parental de pais e mães de crianças em geral. Os resultados do Estudo 3 explicaram a associação entre as práticas parentais e o estresse parental, e levaram a discussões acerca do impacto do estressor “doença crônica do filho”, especificamente, o DM1, no estresse e práticas parentais. Ao final, acredita-se que os resultados discutidos auxiliem na criação de estratégias de intervenção para pais/mães, que visem minimizar o estresse parental e os problemas de comportamento infantil, e promover saúde via relações familiares satisfatórias.

  • ARIANE DE BRITO SANTOS
  • Estresse parental e práticas socioeducativas parentais em pais/mães de filhos com e sem diabetes mellitus tipo 1
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 30/03/2016
  • Dissertação
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  • Esta dissertação é composta por três estudos relacionados com a temática do estresse do parental. No Estudo 1 foi feita uma revisão sistemática de estudos empíricos nacionais que tiveram como foco o estresse decorrente da parentalidade e/ou da relação pais-filho. No Estudo 2 foi realizada a adaptação e validação da Escala de Estresse Parental – EEPa (Parental Stress Scale – PSS) para o português brasileiro, além da avaliação da validade concorrente da EEPa com a Escala de Estresse Percebido (PSS-14) e o Inventário de Práticas Parentais (IPP), e a comparação dos índices de estresse parental por sexo. No Estudo 3 foi avaliada a associação entre as práticas socioeducativas parentais e a intensidade do estresse parental (baixo e alto) em grupos de pais ou mães de filhos sem doença crônica e de filhos com diabetes mellitus tipo 1 (DM1). Os resultados do Estudo 1 forneceram um panorama do estado da arte em relação ao tema estresse parental na literatura nacional e evidenciam a necessidade de novos estudos na área. Os resultados do Estudo 2 apresentaram uma versão adaptada e validada da EEPa para o português brasileiro, como uma medida capaz de mensurar o estresse parental de pais e mães de crianças em geral. Os resultados do Estudo 3 explicaram a associação entre as práticas parentais e o estresse parental, e levaram a discussões acerca do impacto do estressor “doença crônica do filho”, especificamente, o DM1, no estresse e práticas parentais. Ao final, acredita-se que os resultados discutidos auxiliem na criação de estratégias de intervenção para pais/mães, que visem minimizar o estresse parental e os problemas de comportamento infantil, e promover saúde via relações familiares satisfatórias.

2015
Descrição
  • ANA RAQUEL SILVA SANTOS ALVES
  • Qualidade de vida e suporte social em idosos: comparação entre participantes e não participantes de grupos de convivência
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • O aumento da expectativa de vida vem transformando o envelhecimento em uma questão social e de saúde pública, necessitando de várias ações no atendimento ao idoso, das quais citamos os grupos de convivência. Esses são espaços de socialização geracional e intergeracional que fortalecem a participação social e o cuidado integral à saúde, proporcionando o exercício da cidadania, a melhoria da qualidade de vida e o suporte social. Desse modo, a presente pesquisa tem como objetivo avaliar a qualidade de vida e o suporte social dos idosos participantes e não participantes dos grupos de convivência. A metodologia aplicada é o estudo quantitativo e comparativo entre esses idosos, com base na aplicação da escala de qualidade de vida World Health Organization Quality of Life para idosos (WHOQOL-OLD) e a Escala de Suporte Social reduzida (Suport Social Questionaire – SSQ-6). Os dados foram armazenados e analisados com o auxílio do software SPSS (Statistical Package for Social Science). Justifica-se o desenvolvimento desta pesquisa pela carência de estudos que relacionem qualidade de vida na velhice e os grupos de convivência, no âmbito de Aracaju/SE, mas também, como essas instituições influenciam no convívio familiar e social do idoso.

  • LAÍS ALVES DE OLIVEIRA LIMA
  • ENTRE CASTELOS, PROCESSOS E METAMORFOSES: UMA EXPERIÊNCIA URBANA NA ARACAJU DO PRESENTE
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • Nas ruas com seus habitantes, formas de vida emergem num cotidiano imprevisível ainda que a normatização busque a uniformização e a previsibilidade para a experiência. Foi andando sobre as tramas da cidade, buscando formas de vida que resistem às lógicas que impedem a proliferação da diferença, que uma escrita sobre produção de subjetividade na cidade se delineou. A escrita se fez em meio à vivência das ruas e das discussões que giram em torno dela, a partir da etnografia do espaço urbano registrada em diários de campo. Os encontros foram produzidos nas ruas com habitantes, passantes, pessoas que fazem da rua campo de trabalho. O contato com a urbe, suas relações e multiplicidade, revelaram um campo movente e conduziu o olhar sobre possibilidades de vida que se efetuam nas brechas de um modo de existir capitalístico, fazendo pensar tais vidas que resistem como vidas criadoras de si, como obras de arte. Franz Kafka aparece aí como o intercessor de uma escrita cheia de metamorfoses que busca narrar o vivido em contos como: Maria Feliciana, A ponte, A Menina Acrobata, A entrega de Sopa, A Mulherzinha e A Vidente. A partir das experiências na urbe foi possível observar que, mais que se conservar, a vida quer se expandir, gerar mais vida, impor a si uma nova direção. A escrita buscou novas formas de pensar o presente, criando linhas de fuga para problemas que emergem no cotidiano. O caminho está aberto, as discussões aqui são feitas de trajetórias que busca conduzir o olhar sobre o presente.

  • SARAH MONTEIRO DE CASTRO TAVARES FIGUEIREDO
  • "A face transgressora da piada: embates entre o riso e a censura"
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem por objetivo discutir o caráter transgressor da piada, concebendo-a enquanto um instrumento de crítica sócio-político-institucional, na medida em que nela encontramos a possibilidade de contestar, de forma dissimulada, as figuras de autoridade, a despeito das restrições sociais. O capítulo inicial, intitulado Uma breve história do riso em três tempos, tem como escopo apresentar a história do riso ao longo dos principais períodos históricos da humanidade, a saber, a Antiguidade greco-romana, a idade média e a modernidade. Ao longo dos séculos, o riso foi tema de incontáveis debates entre políticos e intelectuais no que tange a seus méritos na ordem sociocultural, sempre marcado por momentos alternados de exaltação e interdição. No segundo capítulo, cujo título é A piada e suas vicissitudes no discurso freudiano, nos propomos a investigar a problemática das piadas na vida e obra de Freud. Inicialmente, abordamos a herança cultural germânica e judaica, cuja influência mostrou-se decisiva para atrair o interesse do autor pela problemática em questão. Em seguida, apresentamos o estatuto das piadas na obra freudiana, destacando dois textos específicos relacionados àquela temática, a saber, Os chistes e sua relação com o inconsciente (1905) e O humor (1927). No terceiro capítulo, intitulado À prancheta camaradas: embates entre as piadas e a censura na contemporaneidade, analisaremos alguns exemplos contemporâneos que evidenciam essa relação. Destacamos, sobretudo, dois folhetins satíricos: o Pasquim e oCharlie Hebdo. Cabe salientar que ambos os semanários enfrentaram uma forte censura por parte de instituições mais conservadoras, notadamente, o governo militar e o fundamentalismo religioso.

  • DAYANNE SOUZA FIGUEIREDO
  • O ARROCHA: O “NOVO” RITMO NORDESTINO – Uma discussão sobre desvalorização social.
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • O presente trabalho versa sobre o ritmo musical genuinamente nordestino e de origem baiana, o Arrocha, inspirado na música brega, como também, sobre a sua vinculação a determinado segmento social, como por exemplo, classes trabalhadoras com remunerações menos favorecidas, tais como, feirantes, empregadas domésticas e pedreiros, tal como foi mencionado por alguns entrevistados. Por meio de uma pesquisa bibliográfica, tem-se como basilar, as obras de Vera Malaguti, Gilberto Freyre, Paulo Cesar de Araújo, Durval Muniz Albuquerque e Hermano Vianna, além da utilização de reportagens e páginas online para o desenvolvimento das entrevistas e pesquisa de campo. Para tanto, parte-se da definição do Arrocha descrita em uma página online que apresenta uma comparação deste ritmo com o Funk Carioca, visto que ambos são criticados por muitas pessoas, fato que podemos observar com facilidade em comentários disponíveis em redes sociais, mas, em contrapartida, têm um público significativo e atingem grande sucesso de vendas. Partindo da ideia de que o Arrocha é voltado para as classes populares, nesta pesquisa qualitativa, foi utilizada a pesquisa de campo com observações, entrevistas e fotografias, teve como objetivo desenvolver análises e discussões sobre que local o Arrocha ocupa na sociedade brasileira, suas convergências, divergências e os possíveis motivos das mesmas entre o Arrocha, o Funk Carioca e outros ritmos brasileiros, discutindo também os motivos da desqualificação, marginalização ou desvalorização dos mesmos por parte da sociedade e ainda possíveis vínculos entre tal desqualificação ao público a que se destina e que lhe garante tanto sucesso. Com a experiência da pesquisa, os dados produzidos explicitaram a relação entre o preconceito de classes disfarçados de preconceito musical ou estético, além de ressaltar a necessidade de maiores explorações científicas sobre a manifestação cultural, Arrocha.

  • LUIZ PAULO COSTA TEIXEIRA
  • POTÊNCIAS DE UM EMPIRISMO CEGO – JORNALISMO E RELAÇÕES DE PODER
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como objetivo colocar em análise a questão do poder e da ética relacionados ao jornalismo e a produção de subjetividade. A ideia é utilizar uma experiência foucaultiana possível num campo sempre muito debatido e presente nas análises "psi", mas pouco estudado por dentro, nas suas próprias lógicas teóricas e mercadológicas, pelas malhas de poder que atravessa e é atravessado. Busca-se entender primeiro resgatar como os teóricos do jornalismo tentaram explicá-lo ou enquadrá-lo como um poder por si, encarnado, historicamente, para depois localizar uma experiência de outro olhar possível sobre as práticas jornalísticas através da obra de Michel Foucault. O objetivo não é melhor explicar o jornalismo, mas arriscar um desencaminhar possível, tanto para os estudos do jornalismo quanto para manter vivo o pensamento de Foucault. O trabalho aposta também, posteriormente, nos escritos de Cláudio Abramo, que no Brasil foi um dos principais jornalistas e pensadores destas práticas. A ideia é mostrar em que momento o próprio jornalismo ousou sair dos próprios padrões, assumindo um risco para as próprias relações numa espécie de empirismo cego na própria prática. Finalmente, compara-se o desencaminhar possível do jornalismo nos anos 80 do século XX, na reabertura política do Brasil, com os caminhos tortuosos das práticas de hoje.

  • SAULO PEREIRA DE ALMEIDA
  • Tradução, adaptação e validação do Servant Leadership Questionnaire - SLQ (Escala de Liderança Servidora - ELSE)
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • O objetivo do estudo foi traduzir, adaptar e validar o Servant Leadership Questionnaire (SLQ) a fim de criar a Escala de Liderança Servidora (ELSE) para o uso no Brasil. Empreendeu-se um estudo psicométrico de corte transversal, com alunos e servidores efetivos e terceirizados da Universidade Federal de Sergipe, com mais de 18 anos, que possuíssem chefe imediato e estivessem trabalhando a no mínimo três meses na empresa atual. Utilizou-se um questionário sociodemográfico, a escala SLQ (traduzida e adaptada neste estudo), além de uma escala de satisfação com o trabalho (EST) e uma de liderança transformacional e transacional. Responderam aos instrumentos um total de 361 participantes, sendo 337 válidos (93%). Foram realizadas análises descritivas (médias, desvio-padrão e frequências) dos instrumentos utilizados e, para realizar a validade fatorial da ELSE, utilizou-se a Análise Fatorial Exploratória, com Fatoramento dos Eixos Principais e rotação Promax, além da avaliação da confiabilidade com o alpha de Cronbach (α). Para a análise de validade convergente, empregou-se a correlação de Pearson (r) entre as dimensões da ELSE e a Escala de Atitudes frente a Estilos de Liderança, que mensura os estilos de liderança transformacional e transacional. Para a análise preditiva, foi utilizada a Regressão linear em que, no modelo, as dimensões da ELSE eram variáveis independentes e a satisfação com a chefia (dimensão da EST) era a variável dependente. A análise de dados foi feita no Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 19.0. A solução final apresentou 3 fatores, totalizando 47,7% de variância explicada do instrumento, a saber: (a) Influência Visionária (α = 0,87; 9 itens), (b) Servidão (α = 0,88; 9 itens) e, (c) Intendência Organizacional (α = 0,83; 5 itens). Foi possível constatar a validade convergente da nova escala, que apresentou correlações moderadas e significativas com a liderança transformacional. A validade preditiva também foi confirmada, visto que as dimensões da nova escala explicaram 48% da variância explicada da satisfação com a chefia. As limitações do estudo referem-se a: falta de grupos comparáveis, baixo número de participantes e amostragem não-probabilística. Sugere-se para pesquisas futuras a investigação da estrutura fatorial encontrada neste estudo.

  • PRISCILLA DAISY CARDOSO BATISTA
  • ENTRE GESTAÇÕES/PARTOS HUMANIZADOS E A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: SUBJETIVIDADES EM MOVIMENTO
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivo a análise de práticas em saúde que sustentam a violência obstétrica como apropriação pelo saber-poder médico-científico dos corpos, dos processos reprodutivos e sexuais das mulheres durante suas gestações e partos. Tal apropriação assume especial configuração nos serviços de saúde, nos quais o discurso do risco incorporado por esse tipo de saber-poder adquire formas marcadamente centradas em fatores biológicos, patologizantes e fragmentários, configurando um modo singular de gestão dos riscos na gestação e parto, que ao invés de ampliação de autonomia, atuam produzindo corpos dóceis, no sentido utilizado pelo filósofo Michel Foucault. Busco ainda tecer relações dos conceitos de risco com práticas discursivas médico-hospitalares que, marcadas pela lógica da máxima produção de lucros no mínimo de tempo possível e embutidas do valor de verdade científica, legitimam-se nas intervenções sobre os corpos-das-mulheres-que-parem e atuam reforçando uma desapropriação das gestações e partos pelas mulheres. Ampliando o lócus da violência obstétrica para além do hospital, identificamos sua presença em algumas práticas de acompanhamento pré-natal, seja no setor público ou privado de saúde. Ressaltamos também conceitos de gênero, corpo, sexualidade e reprodução humana comuns em nossa sociedade que atuam na naturalização e perpetuação da violência obstétrica como violência de gênero contra mulheres que gestam e parem. Problematizamos ainda um certo entendimento de parto humanizado e suas capturas individualizantes, estatizantes ou mercadológicas, que tendem a leva-lo a um terreno no qual o protagonismo das mulheres ocorre de forma restrita. Ao tomar a bandeira da humanização do parto, movimentos sociais e políticas públicas conferem outros sentidos dando visibilidade a outras questões relativas à saúde das mulheres, sendo uma delas o problema da violência obstétrica; esta notoriedade, entretanto, precisa ser transformada em ações específicas a serem implementadas no sentido de não somente identificar e criminalizar quem pratica a violência obstétrica, como também de incorporar trabalhadores, gestores e usuárias dos sistemas de saúde de modo a exercerem seus protagonismos uns com os outros, apontando para relações de vínculo, responsabilização e partilha de decisões sobre os modos de gestar e parir. O percurso desta pesquisa fundou-se na pesquisa-intervenção, como metodologia na qual a relação entre objeto de pesquisa e pesquisador relacionam-se pela implicação, ou seja, pela capacidade de um produzir mudanças no outro. Assim, trago alguns relatos de experiências vividas como mãe, ativista do movimento pela humanização do parto (MPH), mulher, médica sanitarista, docente do curso médico, além de usuária do sistema de saúde; papéis que se misturam, se transformam e dialogam com a prática da pesquisa implicada, desenhando a pesquisa com compromisso social, ético e estético.

  • ELEN NAIARA BATISTA MADEIRO
  • SOBRE A IMAGEM-MOVIMENTO -OU- AS CARTAS QUE ENDERECEI A DELEUZE.
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • Esse trabalho busca estudar a taxionomia das imagens do cinema feita por Deleuze, considerando o cinema enquanto uma experiência que constrói seus sentidos. Qualquer significação fora dele é uma forma de mediação/ interpretação/ análise. Essa pesquisa percorreu um caminho que passou por um cinema que faz pensar e se encontrou com um cinema que pensa ele próprio. Encontrou também revoluções conceituais, rediscutindo percepções, afetos e ações e colocando em xeque uma consciência ancorada num sujeito. O meu trabalho não se propõe a ditar verdades sobre a obra de Deleuze em questão, nem sobre nenhuma outra. Me permito usar palavras despretensiosas, das que não almejam estatuto de verdade, das que não aprisionam os sentidos, das que mobilizam parceiros e admitem a possibilidade de não ser. É um trabalho que pretende a partir da minha experiência, que sim, é muito pessoal, abrir um campo de diálogo e possíveis compreensões com esse autor e obra tão enigmáticos quanto sedutores. Expor um modo de compreensão, uma significação peculiar criada para experimentar tal livro não aparenta ser um trabalho justo para um autor de tamanha repercussão e fama, ainda mais vindo de uma estudante de mestrado de uma universidade pública na capital do menor estado do Brasil. Mas é justo o trabalho a que me proponho, é apenas isso que será encontrado adiante. Sinalizo a dificuldade em lidar com o texto e em encontrar parcerias e referências (principalmente dentro da psicologia), ao longo da pesquisa descobri que a aflição não é só minha, e que por isso enche o trabalho de coletividade e cumplicidade. Juntamente com as dificuldades e escassez de referências e parcerias é que se criam os escapes. Para que a carência não se transmutasse em paralisia, em meio a conversas, encontros e orientações foi que eu (um eu múltiplo, atravessado por forças diversas) escolhi o formato de cartas para dar vazão a todas às inseguranças e potências que habitam essa pesquisa.

  • MICHELLE PRATA GALVÃO
  • Entre o narcisismo e a narrativa terapêutica: considerações sobre o herói contemporâneo.
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • A pesquisa em questão surgiu a partir da observação que o perfil dos protagonistas de séries televisivas de grande sucesso na última década é, à primeira vista, bastante distinto daquele que comumente associamos aos mocinhos da TV. São personagens contemporâneos descritos com frequência como complicados, infelizes e moralmente incorretos. Descrição que os distancia fortemente dos atributos comumente associados à palavra herói: grandeza, honra, força, caráter, sabedoria, destreza, valor, liderança. Com o intuito de compreender a possibilidade de emergência e de popularização desse novo perfil, além de averiguar se realmente há algo que distingue o dos heróis anteriores buscou-se traçar a trajetória do herói na história da humanidade, desde seu nascimento com o mito até sua atual consolidação. A fim de ilustrar o perfil de herói em questão, o trabalho apresenta análises de dois personagens contemporâneos que o materializam, a saber, Tony Soprano de Família Soprano e Walter White de Breaking Bad. Finalmente, a partir desses personagens controversos são feitas abordagens de aspectos marcantes dos processos de subjetivação contemporâneos, a saber, a narrativa terapêutica como discurso de subjetivação privilegiado e a valorização do narcisismo na constituição subjetiva.
    Palavras-chave: herói; contemporaneidade; narcisismo; narrativa terapêutica; processos de subjetivação.

  • CARLA FARO ALVES
  • A exibição de si no ambiente virtual: Uma Abordagem teórica feita em concordância com os escritos de Heinz Kohut.
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • O presente trabalho pretende estudar a exibição no ambiente virtual, por acreditar no seu parentesco com a avalanche de manifestações narcísicas do homem do agora. A nosso ver, essas manifestações são as principais responsáveis por um novo estilo discursivo amplamente presente nos meios de comunicação (nas redes sociais), que também encontram representantes no cinema e na televisão (os reality-shows e documentários da intimidade). Todos esses exemplos estão relacionados a um novo processo de estetização da existência e, por isso, são representantes de uma nova forma de ser sujeito e estar no mundo. Direcionaremos a nossa atenção, apenas, para o discurso de si no ambiente virtual e sua estetização existencial, a fim de compreendê-los no terreno da psicanálise. Para atender tal premissa, utilizaremos os escritos de Heinz Kohut sobre a Psicologia do Self e as mobilizações transferenciais propriamente narcísicas, as quais dizem respeito à ativação de estruturas arcaicas como: o self grandioso e imago parental idealizada. Por intermédio dessa conceituação teórica, proporemos que a exibição, no ambiente virtual, é a expressão do self grandioso, apreendido em sua grandiosidade, assim como temos a confiança de que o narcisismo, presente nas redes sociais, e também fora dela, seja subproduto dessa estrutura arcaica. Para melhor apreensão do que isso tudo significa, colocaremos essas manifestações em nível sintomático, não por acreditar que elas sejam necessariamente patológicas, mas porque esse artifício teórico as transfigura em fenômenos decifráveis por si mesmos. Partindo desse pensamento, procuramos entender tanto os laços mediados pelo facebook, assim como o que ele torna visível a respeito dos novos modos de subjetivação contemporâneo.

  • ALDO REZENDE DE MELO
  • PSICODRAMA E SEU DIONISISMO: PERCURSOS DE UMA CLÍNICA DESVIANTE
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • Esta dissertação tem como objetivo analisar recortes da trajetória de produção
    de práticas e conhecimento do Psicodrama, no que diz respeito a sua constituição
    ética, estética e política. Dar-se-á em forma de revisão bibliográfica e no acompanhamento
    cartográfico de um grupo de teatro terapêutico formado por psicólogos e músicos
    profissionais. Jacob Levi Moreno criou um método dissidente das correntes psicológicas
    hegemônicas do século XX, a partir de práticas de cuidado utilizando métodos teatrais
    associados a métodos psiquiátricos e psicológicos de cuidado em grupo, feito fora de espaços
    convencionais de exercício da clínica. Contextualizado no movimento estético pós-dramático
    europeu, de ruptura com a lógica do drama representativo, trabalhou nas ruas de Viena com
    prostitutas, crianças e criou um grupo de teatro experimental com enfoque terapêutico denominado
    Teatro da Espontaneidade. Contudo após sair da Europa para os Estados Unidos, teve a necessidade
    de adaptar seu método ao pragmatismo cientificista americano, abrindo margens ao que tem sido chamado
    de “aculturação” do Psicodrama. Progressivamente houve a perda de sua vertente estética, de sua força enquanto
    teatro pós-dramático, de sua força política de exercício de autogestão dos processos grupais com foco na sociatria,
    na transformação social e de sua ética dionisíaca, questionadora e disrruptiva com o status quo. Para tal, estabelecemos
    um paralelo entre a exclusão do dionisismo na polis grega com a invenção das tragédias e a exclusão do dionisismo do
    psicodrama com a sua adesão ao que Luís Cláudio Figueiredo (2004) chamou de “preocupação obsessiva com a produção
    de crenças válidas emergentes no século XVII”. Pensando essa perspectiva, nasceram algumas questões e problemáticas: tendo,
    as formas hoje conhecidas de “teatro terapêutico” se originado de práticas que se perpetuaram dentro de certo movimento não
    hegemônico da Psicologia e do Teatro do século XX (no caso do Psicodrama de Moreno, do Teatro Épico de Bertold Brecht e do
    Teatro da Crueldade de Artaud), seria ele, numa experiência específica a ser analisada num grupo atuante de teatro terapêutico,
    ainda uma possibilidade clínica transformadora para seus artistas-psicólogos? Seria possível um fazer clínico teatral, no seu sentido
    etimológico de produção de desvios e inclinações? Poder-se-ia pensar em uma clínica psicodramática dionisíaca? Para tanto, além da
    análise e costura teórica por dentro do psicodrama, fez-se necessário o enriquecimento da discussão na interface com autores de produções
    filosóficas que consideramos de caráter imtempestivo, dionisíacas por excelência. Usamos então o conceito deleuziano de “intercessores” e a
    noção de “espírito trágico” de Nietzsche para colocar o pensamento em movimento, problematizando e ventilando conceitos de criação e
    inventividade dentro de um possível resgate ético-estético-político no Psicodrama.
  • ANDREA DOS SANTOS DORIA
  • ERA UMA VEZ... UM CONTO NADA DE FADAS: ANÁLISE DA IDENTIDADE RACIAL DE CRIANÇAS QUILOMBOLAS E NÃO QUILOMBOLAS.
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • O objetivo dessa pesquisa foi analisar a influência dos contos de fadas na identidade racial de crianças quilombolas e não quilombolas. Dois estudos investigaram o tema. No Estudo I, verificou-se o perfil da identidade racial dos participantes. A amostra foi composta por 179 crianças brancas, não brancas e quilombolas, de ambos os sexos, de seis a dez anos. A identidade racial foi avaliada através da categorização, autocategorização e avaliação emocional da pertença.Crianças brancas se autocategorizam como brancas (98%), 46,2% das não brancas se autocategorizam como brancas e 53,8% como negras; e 69%das quilombola se autocategorizam como negras. As crianças não brancas gostam pouco/nada de sua pertença (56,3%), 66,1% dos quilombolas e 54,9% das brancas gostam muito/mais ou menosde sua pertença.Crianças brancas identificam-se fortemente e positivamente com seus grupos, enquanto as quilombolas apresentam maior identificação com o seu grupo étnico comparadas às não brancas. No estudo II, a influência dos contos de fadas com modelos brancos e não brancos sobre a identidade de crianças quilombolas e não quilombolas foi analisada em 56 crianças brancas, não brancas e quilombolas, participantes do Estudo I. Metade das crianças ouviu o conto na versão branca, e metadeo ouviu na versão negra. A identidade racial foi avaliada após a audição do conto. Verificou-se que as crianças brancas identificaram-se com seu próprio grupo a despeito da etnia dos modelos vistos durante a audição dos contos. A identificação com o próprio grupo aumentou nas crianças não brancas e quilombolas que ouviram o conto com modelos negros em comparação as que ouviram o conto com modelos brancos. Conclui-se que os contos de fadas com modelos negros em posição de valorização social influenciam positivamente a identidade racial das crianças quilombolas e não brancas.

  • DENISE DE SOUZA SILVA
  • A perspectiva dos cuidados paliativos e a questão da morte no contemporâneo
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 31/08/2015
  • Dissertação
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  • A morte é o que há de mais individualizador e ao mesmo tempo de mais igualitário na existência humana. O problema não é a morte, mas o fato de que o sujeito morre. Este trabalho se propôs a estudar a experiência da perspectiva dos Cuidados Paliativos, de modo a compreender como os sujeitos vivenciam a morte e o morrer. Para tanto, foi realizado uma incursão etnográfica num serviço de Cuidados Paliativos, o que possibilitou a vivência in loco do lidar cotidiano com a morte que se aproxima e a discussão sobre a morte e o morrer a partir dos sujeitos (profissionais, pacientes e familiares) e suas singularidades nesse tempo de espera particular – não sem, antes, retomar uma perspectiva histórica dessa temática. Em cada época há uma forma de morrer e um olhar sobre a morte. O discurso dos Cuidados Paliativos produz um jeito de morrer que atende as demandas desse tempo, embora seja uma tentativa de escapar da racionalidade neoliberal, é o modelo do pensamento científico e das tecnociências que permite a sua emergência. Como um modelo assistencial inserido no campo biomédico tem uma versão generalista de como lidar com a doença ou morte, no entanto o estudo evidenciou que quando o sujeito é confrontado com os fatos cruciais da vida emerge a sua singularidade.

  • TAYANE NASCIMENTO HUBER
  • DESENVOLVIMENTO DAS NORMAS SOCIAIS EM CRIANÇAS.
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 28/08/2015
  • Dissertação
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  • O presente estudo tem como objetivo investigar em que período do desenvolvimento da criança as normas sociais interferem na expressão do preconceito.E, com isso, identificar quando e como as crianças reconhecem as normas sociais antirracistas, e analisar como a aquisição dessas normas influenciam as variações de expressão do preconceito. A ideia central do trabalho é a de que o reconhecimento de regras/normas pelas crianças está ligado diretamente ao desenvolvimento moral e cognitivo e isso faz com que elas reconheçam as normas sociais antirracistas. Além disso, tem-se que as variações de expressão do preconceito pelas crianças estão ligadas ao processo de identificação e aceitação (internalização) da norma social antirracista. A fim de atingir esse objetivo investigou-se 80 crianças brancas de 5 a 8 anos de idade e ambos gêneros – a respeito do seu conhecimento sobre moralidade, normas sociais e preconceito. Algumas predições orientam esse trabalho: a) A partir dos sete anos de idade as crianças demonstraram com segurança o reconhecimento de regras gerais. Uma análise de Contingência (Qui-quadrado) demonstrou a confirmação parcial dessahipótese pois a compreensão sobre o que é moralmente correto já se apresente aos cinco anos de idade mesmo em situações intergrupais. b) As normas das próprias participantes (normas pessoais) para os grupos brancos e negros não se diferenciam das normas do grupo de referência (normas sociais) para esses grupos. Essa predição foi parcialmente confirmada tendo em vista que a percepção normativa dos participantes mais novos quando analisam o grupo dos negros diferencia-se da norma do grupo de referência. c) Participantes com idades superiores a sete anos de idade tenderão a discriminar o alvo negro na ausência da entrevistadora e não na presença. Uma ANOVA com medidas repetidas demonstrou que essa hipótese não foi confirmada, a discriminação do negro ocorreu independentemente da idade e da presença ou ausência da entrevistadora. Os resultados são discutidos a luz das teorias das normas sociais e do racismo na infância e, em conclusão, afirma-se que esta pesquisa apresenta uma colaboração para o desenvolvimento de teorias sobre norma social e a influência da norma nas formas de expressão do preconceito racial.

  • FELIPE CORRÊA MESSIAS
  • "A CONJUGALIDADE NA IGREJA EVANGÉLICA: “O AMOR EMPRESARIAL SANTIFICADO NO DISCURSO DA IGREJA UNIVERSAL”
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 24/08/2015
  • Dissertação
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  • A população evangélica apresenta um crescimento acelerado, o que aumenta a influência política e midiática desse grupo religioso. Com uma postura que delimita uma separação entre igreja e “mundo”, os fiéis buscam influenciar/converter o maior número possível de pessoas. Entre as denominações de maior sucesso está a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a qual, tendo iniciado a campanha no Brasil, já atua em mais de 80 países. Com um forte investimento midiático, a IURD investe em livros, programas de rádio, Programas de Auditório, Jornais (Impresso e na TV), Filmes, Séries, Reality Shows, etc.. Entre essas mídias, a Escola do Amor (Love School), um programa televisivo que tem também um canal no Youtube, destaca-se ao introduzir uma pedagogia no que se refere aos relacionamentos. Com lições sobre diversos aspectos da vida conjugal, tem como público alvo casados, namorados e solteiros. A Escola do Amor se tornou um sucesso, com milhares de usuários participando de eventos presenciais e também na internet. Apresentando um grande interesse pela vida sexual dos membros, a IURD utiliza a Escola do Amor para combater a crescente secularização da sociedade, a qual traz valores diferentes dos da igreja. O presente estudo visa compreender a maneira como os valores da IURD são transmitidos aos membros através do Love School, com um foco na maneira como esses ensinamentos e expectativas são passados de maneira muitas vezes sutil.

  • DANILDE FIGUEIREDO BARRÊTO
  • ENTRE CARTILHAS METODOLÓGICAS E INVENTIVIDADES DOS TÉCNICOS DO CRAS: A PRÁTICA DE FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS
  • Orientador : LIVIA GODINHO NERY GOMES AZEVEDO
  • Data: 12/08/2015
  • Dissertação
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  • O trabalho teve como objetivo analisar as concepções e as práticas de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários operadas por técnicos do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Buscou-se, a partir disso, refletir sobre o conjunto de forças que engendram tal ação e seus possíveis desdobramentos. Para tanto, foi utilizada como ferramenta de pesquisa a etnografia e tomou-se como instrumento de análise uma experiência de estágio extracurricular em Psicologia vinculado a Secretária de Assistência Social de Aracaju realizado de 2011 a 2012, a reinserção ao CRAS de Aracaju onde foi realizado parte do estágio, como também as concepções de cartilhas metodológicas a respeito dessa prática. Na ocasião, foram realizados diários de campo e entrevistas com os técnicos do CRAS. O fortalecimento de vínculos familiares e comunitários é traçado como proposta de ação para os técnicos do CRAS, o qual visa prevenir situações de vulnerabilidade e risco social no território. Por acreditar que as diferentes práticas sociais produzem objetos diversos, formatando-se como instrumentos de criação e/ou reprodução, as noções de vínculo, família, comunidade e fortalecimento, que muitas vezes são postas de forma totalizante, permanente e universal, foram questionadas nesse trabalho e desmembradas a fim de se refletir sobre o que pode ser produzido a partir dessas noções no âmbito do SUAS. Foram relatados também alguns desafios enfrentados pelos técnicos no entorno da prática de fortalecer vínculos, ressaltando o caráter inventivo dessa atuação.

  • ESTHER MAYNART PEREIRA MIKOWSKI
  • Pulsão de Saber: uma leitura na obra freudiana.
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 27/07/2015
  • Dissertação
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  • O tema deste trabalho é a pulsão de saber (Die Wissentrieb), impulso de investigar questões em torno do sexo e da sua própria existência que foi apresentada por Freud nos Três Ensaios sobre a Sexualidade. O objetivo geral foi retomar textos freudianos que sustentassem nossa hipótese de operacionalidade do conceito na sua obra. A revisão bibliográfica realizada no Capítulo I em torno da educação e da clínica apontou indicações de estudos sobre a sexualidade infantil, a teoria da pulsão, a transferência e a cultura. No Capítulo II, ao tratar dos principais textos sobre sexualidade infantil e teorias sexuais infantis, o caso Hans se tornou representativo pela investigação e pelas teorias empreendidas pela sua curiosidade. Já o Capítulo III foi uma breve revisão da teoria das pulsões proposta por Freud, dividida em dois momentos. Por fim, o Capítulo IV versou sobre as produções de conhecimento na cultura e o manejo clínico, propostos como destinos da pulsão de saber. Encontramos tanto nos textos tardios sobre a cultura como nos artigos sobre a técnica o caráter investigativo do sujeito. Sendo assim, entendemos que a psicanálise dá provas de um sujeito saber na clínica e na cultura o que faz da pulsão de saber operativa na obra freudiana.

  • REGIANE LACERDA SANTOS
  • Modos de subjetivação e saúde mental: a construção do corpo nos dispositivos CAPS II e CAPS AD em Vitória da Conquista
  • Orientador : MARIA TERESA LISBOA NOBRE PEREIRA
  • Data: 24/07/2015
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como proposta analisar a produção dos discursos que atravessam e constituem o corpo dentro das políticas públicas de saúde mental no município de Vitória da Conquista, tendo o Centro de Atenção Psicossocial II - CAPS II e no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas - CAPS AD utilizados como recorte. A problemática, gira em torno, do seguinte questionamento: como ocorre a produção dos modos de subjetivação e corpo na política pública de saúde mental, localizada enquanto dispositivo biopolítico? Para tal realizaremos uma discussão teórica a partir de algumas obras de Michel Foucault. Partindo da perspectiva de que os corpos são constituídos por emaranhados de questões discursivas atreladas a conjunturas biopsicossocial, econômicas e políticas, na qual o discurso produz práticas subjetivas e objetivas (modos de subjetivação) que produzem sujeitos e, portanto corpos, de maneira que a subjetividade pode ser entendida como processo que produz diferenciação dos corpos. O objeto-sujeito adotado na pesquisa são os regimes de verdade e no que concerne a estratégia metodológica elegemos a história oral, onde os procedimentos utilizados foram as narrativas cotidianas, seja em reunião de equipe, em oficinas terapêuticas, em assembleias, etc., como também lançamos mão de entrevistas semi-estruturadas. Como discursos que atravessam e constituem o corpo dos sujeitos inseridos nessa política atualmente temos a localização destes serviços enquanto instituições de saúde, e isto implica em uma estruturação por meio de diretrizes e normas da política nacional de saúde, bem como a perspectiva que reforma psiquiátrica ainda está em construção, dessa maneira as formas de cuidado em saúde mental podem ser repesadas, refeitas todos os dias, o que evidencia que os serviços substitutivos fazem parte de um processo em construção, e por fim, a tentativa de se evitar a repetição de uma lógica manicomial.

  • JOÃO SAMPAIO MARTINS
  • CAPS AD III Primavera: entre a cor cinza da técnico-burocracia e as cores vibrantes que articulam clínica e política.
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 23/07/2015
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como proposta analisar a relação oportuna da Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas (PAIUAD) com o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) Primavera, em Aracaju SE. A publicação desta política, em 2003, introduziu na máquina do Estado todo um ideário e um novo vocabulário que lhe dotaram de intensa força instituinte, nos interessando pensar como isso se implementa por dentro deste CAPS. O problema de pesquisa foi engendrado e analisado a partir de quatro ferramentas metodológicas: cartografia, genealogia, pesquisa documental e caderno-diário. O cotidiano de um serviço como este é permeado pela coexistência e permanente tensão de forças, de modo que a investigação desenvolvida neste trabalho buscou acompanhar os movimentos de algumas das linhas de força que compõe e atravessam este serviço para, assim, apontar práticas que se articulam ao saber/poder médico sanitarista, atualizando mecanismos biopolíticos de controle da população, e as práticas que escapam dessa captura produzindo outras formas de lidar com o uso e com usuários de álcool e outras drogas. Em linhas gerais, nossos achados apontam que quando o CAPS AD Primavera produz práticas de verticalização das relações, burocratiza seu fluxo interno e dispositivos de cuidados e funciona de forma enCAPSulada, ele limita os princípios e diretriz da PAIUAD e atualiza estratégias de poder do saber médico sanitarista. Numa direção contrária, quando as práticas neste serviço enfatizam a horizontalização das relações, a abertura para o território e articulação entre clínica e política, elas fortalecem os princípios e diretrizes da PAIUAD, bem como potencializam a produção da autonomia dos sujeitos e coletividades.

  • PRISCILLA CARLA CARVALHO DE MENEZES
  • UM ENCONTRO COM A ARTE EM ARACAJU: INTERVENÇÃO URBANA COM GRANDEZAS E MIUDEZAS
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 17/07/2015
  • Dissertação
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  • A partir do pressuposto da degradação das relações sociais e afetivas, fato perceptível nas cidades contemporâneas, visamos pensar uma diferente aproximação da cidade através da produção de uma intervenção de arte urbana com grandezas e miudezas na cidade de Aracaju para analisar as potencialidades e fraquezas do encontro da artista-pesquisadora com a arte no urbano e com a própria cidade que habita. A intervenção urbana seria produção de uma relação afetiva e singular com a cidade? Que sensibilidades, que imagens e que subjetividades podem ser produzidas nesse encontro? Trata-se de uma pesquisa-intervenção, que utiliza a metodologia cartográfica, cuja fundamentação encontra-se nas ideias de alguns pensadores tais como Gilles Deleuze, Félix Guattari, Espinosa.

  • ANDRÉ FILIPE SILVA MENESES
  • SEXO E RELIGIÃO: UM ESTUDO SOBRE PRÁTICAS SEXUAIS PRÉ-MARITAIS ENTRE JOVENS EVANGÉLICOS
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 18/06/2015
  • Dissertação
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  • O objetivo deste estudo foi, de forma geral, investigar a relação entre religiosidade e sexualidade em jovens pertencentes a igrejas evangélicas. Procurando entender, assim, a possível existência de algum tipo de crise pelo pertencimento religioso, que reproduz uma crença no impedimento de práticas sexuais antes do casamento, e a manutenção da atividade sexual, comportamento que fere tal crença, e de que forma essa possível crise é superada. A pesquisa quantitativa, um questionário online, foi realizada através de grupos em redes sociais e por e-mail, a fim de coletar dados bio-psico-socio-demográficos, informações concernentes ao seu pertencimento religioso, considerações sobre a sexualidade, se existe crise, e as formas de resolução desta. Participaram do estudo 184 jovens pertencentes a igrejas evangélicas, com idades entre 14 e 24 anos, sendo 75,5% do sexo feminino e 24,5% do sexo masculino. Foi utilizado um instrumento de 29 questões, autoaplicado e confidencial. Foram utilizadas escalas que tratam sobre Coping Religioso, Bem-Estar Sexual, Religiosidade, Resolução da Crise, entre outras medições. Os resultados indicam que a religiosidade se mostrou um fator protetivo para o atraso do início da vida sexual, com grande aparição, em contraponto, de jovens evangélicos solteiros que relataram manter uma vida sexual ativa e um convívio religioso. Jovens que se relacionaram sexualmente antes do casamento demonstraram menores índices de religiosidade e maiores índices de bem-estar sexual. Os dados sugerem que o início da vida sexual está fortemente relacionado a um melhor entendimento da própria sexualidade, como algo natural e possível, pela readequação da crença religiosa de que esta deve se manifestar somente após o casamento.

  • MARIANE MARQUES DE SOUZA SANTOS
  • POR UMA CLÍNICA DE(S)TERRITÓRIO NO CONTEXTO DO SUS: ITINERÂNCIAS DE UMA NARRATIVA CARTOGRÁFICA.
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 18/05/2015
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como objetivo analisar caminhos possíveis para uma prática clínica no/de território – não só “psi”, mas de corpos agenciadores – no contexto do SUS. A cartografia foi utilizada como método de pesquisa-intervenção. Trata-se de um método de estudo da dimensão processual da subjetividade e de seu processo de produção, cuja orientação do trabalho do pesquisador não se faz através de metas pré-definidas, estas são traçadas no percurso da pesquisa. Trabalhei de 2007 a 2015 em diferentes unidades do SUS – Unidades de Saúde da Família, Centros de Atenção Psicossocial, Hospital Geral e Maternidades –, que serviram de campo de pesquisa. Durante este período, cenas relacionadas à prática clínica no SUS foram registradas em cadernos de formação e, posteriormente, em diários de campo. As cenas foram revisitadas e transformadas em narrativas de experiências-questão que, ao acolherem o inesperado, expuseram um problema e forçaram a pensar. Com as experiências-questão, discutimos as contribuições do pensamento platônico e do cartesiano para uma forma de habitar nosso corpo e o mundo marcada pela relação dicotômica entre o homem e a realidade. Problematizamos a relação entre produção de subjetividade, capitalismo e a construção do indivíduo, ressaltando a conexão desses elementos no estabelecimento de condições para o surgimento da psicologia. Explanamos ainda diferentes composições do plano do poder: o poder disciplinar, a biopolítica e a biopotência. Abordamos a saúde como processo de produção, capacidade normativa da vida (Canguilhem) e capacidade plástica dos corpos afirmarem sua vontade de potência (Nietzsche). Concebendo a saúde nesses termos, discutimos amarras e potencialidades na relação entre Estado, SUS e capitalismo para criação de práticas produtoras de saúde no contexto do SUS. Diante do exposto, apostamos numa clínica forjada no movimento de corpos agenciadores, num processo de abertura às diferenças intensivas que pulsam em nós. Trata-se do manejo entre formas postas e forças que se insinuam criando novos contornos nos corpos, atravessando-os, inventando relações produtoras de saúde por expandirem a vida. Potencializamos esse processo por meio de uma prática clínica transdisciplinar no/de território. Uma clínica que se faz num território vivo, usado, experimentado, processual, tempo-espaço de uma expressão. Território também político, de conflitos e negociações. Clínica no território e clínica de território são indissociáveis. Queremos dizer com isso que a forma própria de a prática clínica no SUS se atualizar se faz por meio da possibilidade de habitarmos os paradoxos que a constitui. Testar até o limite suas fronteiras, e assim (des) construir territórios, operar passagens.

  • ELEONORA VACCAREZZA SANTOS DE FREITAS
  • A influência da cor da pele nas representações sociais sobre a beleza e a feiura.
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 08/05/2015
  • Dissertação
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  • Este trabalho traz contribuíções ao que concerne o estudo das representações sociais sobre a beleza e a feiura, pois embora já existam projetos que os trazem como objeto de análise, pouca relevância é dada a aspectos de desigualdades raciais a que remetem tais padrões estéticos. De modo que, o objetivo deste trabalho é analisar a influência da cor da pele nas representações sociais sobre a beleza e a feiura a partir de exemplares expostos na mídia televisiva brasileira. Para tanto se realizou dois estudos, do primeiro participaram 494 pessoas, residentes em cinco regiões do país, com média de idade 25 anos (DP=9 anos), que responderam a um questionário on-line no qual se indagava: “quando se fala em beleza/feiura no Brasil, que figura artística (ator, cantor ou apresentador) lhe vem à mente?”. Em seguida se solicitava quais características físicas do artista que acreditavam conferir beleza a ela. Um estudo confirmatório da cor da pele foi realizado junto a 60 pessoas com idade média de 30 anos (DP=9,85 anos) para validar a cor da pele dos artistas citados no estudo principal. A análise dos dados empregou estatística descritiva e inferencial, realizadas com o auxílio do software “SPSS for Windowsversão 19, além de análise textual por meio do software IRAMUTEQ. O segundo estudo foi observacional, no qual se analisou a programação das quatro principais emissoras de televisão aberta do Brasil (Globo, Band, Record e SBT), para contabilizarmos a presença de pretos na programação semanal desses canais. Alguns dos resultados indicam que independente dos grupos de cor de pele dos participantes, modelos brancos são mais apontados como referenciais de beleza. Em contrapartida, quando se refere a feiura, há o aumento de representações dos modelos pretos. A análise efetuada sobre a programação exibida nas principais emissoras do país, evidenciou a influência da mídia na difusão de padrões de beleza e a invizibilazação da estética negra, ao valorizar um tipo único de estética – branca e européia, fruto da atualização de proposições do século XX para legitimar a supremacia branca nos ditames dos padrões de belo e do não-belo.

  • RODRIGO MESQUITA DE JESUS
  • Produção de uma Escala de Competências em Consultoria de Gestão de Pessoas
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 30/04/2015
  • Dissertação
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  • A presente dissertação propõe a produção uma escala capaz de estabelecer as competências necessárias a um consultor em gestão de pessoas. Por ser um tema abstrato e de debate científico relativamente novo, não existe uma única definição que seja totalmente aceita. Contudo, podemos caracterizar competência como união dos conhecimentos, habilidades e atitudes que são demonstrados no desempenho profissional, conceito esse que busca unificar as duas correntes mais fortes do assunto: a corrente americana, que privilegia o estudo dos conhecimentos, habilidades e atitudes, e a corrente francesa, que foca nos aspectos situacionais, contextuais, do trabalho. No que se refere a consultoria, esta pode ser conceituada como conjunto de atividades de um agente interno ou externo à empresa, que se responsabiliza por auxiliar as empresas-clientes nas tomadas de decisões, participando do estudo 238 pessoas que obedeciam a alguns critérios, como ser estudante do último ano ou de pós-graduação de cursos correlacionados a consultoria; ser profissional formado em alguma área relacionada ao trabalho do consultor; ser consultor ou professor em gestão de pessoas; ou gestor empresarial. A amostra teve uma predominância de mulheres (75,6%), com média de idade de 32,19, com pós-graduação latu sensu (45,4%), e uma renda individual de mediana R$ 2.800. Realizada análise fatorial, obteve-se uma estrutura fatorial constituída por três fatores (KMO = 0,83; r² = 25,93%): F1: Práticas (17 itens, r² = 11,70%, α = 0,87); F2: Postura (8 itens, r² = 8,12%, α = 0,71); F3: Repertório Intelectual (6 itens, r² = 6,11%, α = 0,68). A partir dos resultados analisados, identificou-se que os fatores surgidos na análise fatorial exploratória fazem alusão às dimensões hipotéticas concebidas neste estudo, concluído que a escala validada apresentar bons indicadores psicométricos, atendendo a exigências da técnica estatística, conseguindo abarcar um leque de itens que versam sobre as principais características comportamentais, atitudinais e teóricas do consultor em Gestão de Pessoas. Este estudo contribui com profissionais da área, pois com a escala eles poderão constantemente avaliar sua própria atuação, bem como também ajudará gestores empresariais a mensurar os resultados alcançados por essa prática profissional na sua organização.

  • ERICKA EVELYN PEREIRA FERREIRA FONSECA
  • MULHERES EM SITUAÇÃO DE ABRIGAMENTO: UMA ABORDAGEM A PARTIR DA INSERÇÃO EM UMA CASA-ABRIGO
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 09/03/2015
  • Dissertação
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  • No presente estudo analisamos o funcionamento das casas-abrigo no contexto das principais políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres. Nos últimos anos, a questão da violência doméstica contra as mulheres deixou o espaço privado e ganhou o espaço público, principalmente com o advento da Lei Maria da Penha. Uma série de políticas públicas foram criadas para o enfrentamento do problema, em especial, para este trabalho, as casas-abrigo. Depois de fazermos um inventário das principais políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica e familiar, a casa-abrigo será abordada a partir da política nacional de abrigamento. Distinguiremos casa-abrigo e abrigamento, além de analisarmos o funcionamento de uma casa-abrigo no município de Aracaju, Sergipe. O trabalho divide-se em três capítulos. No primeiro, o debate será situado trazendo os principais aspectos da discussão em torno da violência contra as mulheres, as legislações e políticas públicas criadas para o enfrentamento do problema. No plano legislativo, pelo relevo de que se reveste, o principal foco será a Lei Maria da Penha. Também será trabalhado o papel que o discurso jurídico tem nesse contexto de combate à violência contra as mulheres. Na sequência, analisaremos a casa-abrigo como política pública de proteção às mulheres. Por fim, trará a experiência de inserção da autora em uma casa-abrigo de Aracaju. A abordagem é realizada a partir dos documentos oficiais sobre a casa-abrigo, da revisão da literatura e de entrevistas colhidas pela autora no contato com as trabalhadoras e dirigentes da casa-abrigo e, especialmente, da escuta das mulheres em situação de abrigamento. A pesquisa, produzida a partir dessa experiência de inserção, procurou analisar os limites e possibilidades do abrigamento de mulheres em situação de violência valendo-se da percepção apresentada pelas entrevistadas, especialmente as mulheres abrigadas e pelo próprio funcionamento do serviço no campo social e jurídico, sobretudo no que tange à efetiva ruptura com a violência doméstica. Embora seja inegável a importância da casa-abrigo em contextos extremos de violência, as entrevistas sinalizam que ela pode se tornar lugar de produção de invisibilidade e conformidade da abrigada, na medida que as mulheres são definidas e reguladas de acordo com normas institucionais nem sempre acolhedoras. Dessa forma, analisamos não apenas o modo pelo qual a representação da mulher é construída na casa-abrigo, mas também como ela é subjetivamente absorvida pela instituição. O cenário revela a necessidade de alargamento da política de abrigamento, criando alternativas à colocação da mulher em situação de violência na casa-abrigo. Ao mesmo passo, abre a discussão para a importância do aprimoramento da rede de proteção à mulher, que pode evitar o próprio abrigamento ou, no mínimo, reduzir consideravelmente a sua incidência.

  • LEILANE GABRIELA DE SOUZA BONFIM
  • Um diálogo entre Freud e Lacan fundamentado no caso "O pequeno Hans"
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 27/02/2015
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem por tema o caso clínico do pequeno Hans – comunicado por Freud em 1909 – e almeja trazer o diálogo entre esse teórico e Jacques Lacan, com as impressões e análises do caso. Especificamente, o estudo objetiva dispor sobre a questão da criança para psicanálise e abordar a problemática da fobia enquanto saída sintomática. Considerando a clínica com criança como prática contemporânea à psicanálise, realizou-se um estudo teórico, cuja dinâmica metodológica foi a pesquisa bibliográfica, utilizando-se, sobretudo, de textos de Freud e de Lacan. Por conseguinte, o trabalho se encontra estruturado em três capítulos. O primeiro traz a questão da criança para psicanálise, destacando como ela alcança o lugar de sujeito de desejo e de direito, tornando-se, portanto possível de ser analisada. Além disso, por fundamentar o capítulo seguinte, neste primeiro são trazidas algumas posições e funções assumidas pela criança na dinâmica familiar. No segundo capítulo, é desenvolvido o diálogo entre Freud e Lacan acerca do caso Hans, apresentando os fatos que acompanham o caso, a cronologia, os direcionamentos de Freud e as considerações de Lacan. São tratados alguns assuntos como a relação entre Hans e sua mãe, a questão da função paterna, assim como os complexos de Édipo e de castração em Hans. Por fim, o terceiro capítulo traz a fobia como saída sintomática, servindo a Hans como o meio possível para que ele se posicione no mundo e insira-se na ordem simbólica. Assim, são trabalhados temas que tangem à fobia, como a ansiedade, a angústia, a formação sintomática e suas perspectivas e no caso clínico específico, a aposta na função de suplência assumida pelo sintoma fóbico, diante da função paterna claudicante. Concluímos o trabalho apontando alguns direcionamentos para a relação existente entre a clínica infantil atual e o sintoma.

  • JAMESON THIAGO FARIAS SILVA
  • Um Drama Cibercultural
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 26/02/2015
  • Dissertação
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  • A condição cibercultural pode ser entendida como uma cultura de circunstâncias operadas por tipos específicos de tecnologia; tecnologias que perigam codificar o pensamento, exagerando a polarização das ideias num duplo frenesi ideológico, e tecnologias que possibilitam a mobilização das pessoas em nome de pautas ignoradas pelos espaços legitimados para o fazer político e a discussão de temas deixados de lado, ou adulterados, pelos meios tradicionais de produzir conhecimento e comunicação. Para o internauta,

    personagem conceitual caracterizado e definido pelas conexões que articula, é neste segundo sentido que se inserem a Mídia NINJA, o Episódio Cablegate, a Primavera Árabe e o Occupy Wall Street. O OWS, mesmo, é coerente em seu manifesto: de fato, formalizar
    a política da esquerda é endireitar-se, é tornar-se direita, é transformar esse tempo criador em espaço. Mas, sem um espaço formal e estabelecido, como pode o tempo fruir e frutificar? Aí reside o problema do internauta ou, ao menos, o seu fundamento, problema que o internauta tentará encaminhar e, mesmo, recolocar com a noção de parresía. Através dum uso muito particular e peculiar da mesma feito por Michel Foucault, a noção repensa a relação entre verdade, política e sujeito, colocando o problema do discurso verdadeiro não nas famigeradas condições de possibilidade da veridicção, mas na questão do real da filosofia, da sua realidade. O parresiasta é aquele que, fora do estatuto social ou institucional, faz valer sua própria liberdade e coragem ao falar. Levado ao extremo, o parresiasta é o que aceita morrer pela verdade: aceita morrer em nome da verdade, por ter dito a verdade e por ter a verdade no dizer. O que interessa a Foucault e ao internauta, com a parresía, não é um estudo das performances e do sentido dos enunciados neste ou naquele contexto
    cibercultural, mas um drama, uma dramática dos discursos, um modo de dizer e pensar que revele o contrato do sujeito falante à verdade que enuncia, sua maneira de se vincular à verdade do que diz. Uma leitura cibercultural da parresía; uma leitura de Foucault por um internauta. Este drama cibercultural, aqui presentificado na escritura burocrática de um trabalho de dissertação, é uma tentativa do internauta em resolver o problema que o acomete, o registro institucional dessa tentativa e o próprio internauta.
  • VITOR HUGO LIMA TEIXEIRA
  • Solos Mestiços: ciência, arte contemporânea e cinema.
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 24/02/2015
  • Dissertação
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  • Considerando que a ciência torna-se cada vez mais ciência dos acontecimentos, neste estudo perseguimos encontros entre campos do conhecimento que se produzem através da processualidade, das trocas, das interferências, da mistura, do não sabido. Um desses campos é a Psicologia Social. Trata-se de uma psicologia social que não se debruça sobre conceitos ou objetos já constituídos, mas que aposta em conceitos e objetos por vir. Aqui realizamos uma experimentação, uma composição entre ciência, arte e produção de subjetividade. Nada de formatos, de modelos predeterminados, mas a produção ocorre entre, os elementos se destroem e se recriam durante as apresentações. Trata-se de uma produção que é menos forma e mais performance. Produz a pesquisa/pesquisador em processo, utilizando experimentações, vivências, imagens artísticas, para produzirem desterritorializações, para apontarem linhas de fuga em prol da pesquisa/pesquisador. Deste modo, o envolvimento com a problemática da pesquisa pautada pelo pensamento da diferença é permeado de estranhamentos pela nova posição em que o pesquisador se coloca: o distanciamento do que é evidente, das certezas modernas, uma distância e perturbação das obviedades, onde o pesquisador “bifurcado-caleidoscópico-mosaico” descola as homogeneidades, provoca rupturas, abre mão das generalizações e totalizações, e adentra rotas que pouco tem de representação e mais tem de criação. Os solos que compõem este estudo estão necessariamente associados: arte-filosofia-ciência: trata-se de solos mestiços. Estes consistem em um espaço-tempo que oportuniza tensões e cruzamentos entre campos do conhecimento. Portanto, os solos mestiços constituem-se em um terreno produtor de tensões, um local propício ao intercâmbio entre distintas áreas, que através de interferências concomitantes entre elas possibilitam produções de novos cenários mistos, contrariando, deste modo, a suposta unidade científica que a epistemologia e filosofia modernas perseguiram durante o século XX. Esta dissertação não tem a pretensão de criar conceitos, mas de transmitir fluxos de ideias voltadas para produções de pensamentos e práticas que possibilitem interferências entre campos do conhecimento, apontando principalmente produções artísticas que rompem a ideia de conceitos, objetos e sujeitos naturalizados e dicotomizados. Um exemplo desta mestiçagem ocorre nas relações entre arte contemporânea e cinema. Esses campos passam cada vez mais a convergirem para lugares de interferências e criações entre-áreas, em rede. A trama que esta pesquisa se debruça é a que envolve as experiências estéticas a que o participador dos híbridos espaços artísticos contemporâneos de exposição/projeção está imerso diante das obras artísticas/digitais. Deste modo espiamos diversos encontros-desencontros-reencontros entre a ciência, a arte/cinema e a filosofia. A mistura, a mestiçagem, é, portanto o ponto forte desta pesquisa, que se critica e amplia não somente através das lentes viabilizadas pelo paradigma ético-estético deleuzo-guattariano e pela literatura que relaciona ARTISTA-OBRA-PARTICIPADOR, mas também através de Julio Cortázar, do Free Jazz, buracos, escadas, Cosmococas, Tekpix, Hermeto Pascoal, suco de mangaba, 30 anos, Cildo Meireles, MIMO, entre outros apoios errantes que surgiram como intercessores para o desenvolvimento do pesquisador, enquanto produtor de pensamento e de práticas que coloquem em jogo estas relações.

  • FERNANDA CALDAS RABELO DE OLIVEIRA
  • Há TANTA VIDA LÁ FORA": o território como espaço de cuidado aos usuários de álcool e outras drogas
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 23/02/2015
  • Dissertação
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  • O universo das práticas do uso abusivo de drogas é ligado a diversas forças intercessoras relacionadas às emergentes Políticas Públicas de Saúde, especificamente na interface entre a Atenção Básica e a Saúde Mental. Inserido neste campo temático com abordagem teórica, este estudo tem por objetivo propor articulações entre questões que envolvem o processo de desinstitucionalização e as práticas itinerantes de cuidado às pessoas que experienciam o uso problemático do álcool e/ou outras drogas, em situação de rua. Ultrapassando a ideia de um lugar físico, geográfico, e entendendo território como um conjunto de referências sociais, culturais e econômicas que delineiam o cotidiano e o projeto de vida do sujeito, uma das questões norteadoras do campo conceitual deste estudo é como ofertar e produzir cuidado no território dessas pessoas. Uma segunda problemática não menos importante é em que medida essas práticas itinerantes recaem ou podem recair numa estratégia de biopoder, agindo como controle da população e na formatação dos indivíduos. Dialogando com a genealogia do poder/saber proposta por Michel Foucault, podemos compreender as tecnologias de poder e os efeitos produzidos do saber-poder, bem como as relações de forças e dos mecanismos de controle que estão sendo utilizados nas práticas de atenção e cuidado aos usuários de drogas em vivência de rua. No entanto, pensamos como possibilidade de escape ao controle biopolítico um modelo de clínica itinerante no espaço habitado apostando na produção de modos de cuidado no contexto abordado. Assim, com base nas referências abordadas, identificamos como oportunidade de cuidado a proposta de uma clínica itinerante.

  • JAYANE PINHEIRO TRINDADE
  • Usuários de crack na contemporaneidade: Entre urubus diplomados e o canto dos sabiás.
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 23/02/2015
  • Dissertação
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  • A partir de uma perspectiva genealógica, o presente trabalho, de cunho teórico conceitual, aborda o atual campo da saúde mental, em específico, de álcool e outras drogas. O atual contexto, por vezes, é dominado por perspectivas criminalizante e medicalizante no que diz respeito ao uso e aos cuidados aos usuários de drogas. Diante disto, tivemos a pretensão de questionar tais práticas reducionistas a luz das análises do poder realizadas pela perspectiva genealógica de Michel Foucault, focalizando em específico, a função estratégica da Internação Compulsória hoje para usuários de crack em situação de rua, a exemplo das cracolândias nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro. Esta internação, prevista em lei, é uma medida tomada em casos pontuais e específicos, respaldada por ordem judicial, indicada quando a pessoa está pondo em risco sua própria vida ou a de terceiros e quando já se esgotaram todos os outros recursos de intervenção. A metodologia empregada foi à genealogia, com o intuito de compreender alguns jogos de força construídos ao longo da história e analisar como estes ainda operam e se atualizam no contemporâneo. A genealogia (Poder-Saber) de Michel Foucault busca analisar o aparecimento dos saberes, que se dá a partir de condições de possibilidades externas aos próprios saberes, ou seja, os situam como elementos de um dispositivo de natureza essencialmente estratégica. Foucault assinala há existência de uma rede de micro-poderes articulados ao Estado e que permeiam toda a estrutura social. Assim, procuramos analisar o poder partindo não do seu centro (Estado), mas a partir desses micro-poderes que permeiam a estrutura social, considerando suas relações com a estrutura mais geral do poder que seria o Estado. Para isso utilizamos algumas pesquisas e reflexões de Michel Foucault acerca do poder disciplinar e do biopoder. Partimos dessas reflexões na tentativa de entender outras possibilidades de ampliação das práticas referentes aos usuários de crack em situação de rua.

  • ISABELLA REGINA RIBEIRO DE OLIVEIRA
  • Juventude " pobre " e políticas públicas : a experiência profissional no campo da assistência social.
  • Orientador : MANOEL CARLOS CAVALCANTI DE MENDONCA FILHO
  • Data: 23/02/2015
  • Dissertação
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  • Este escrito traz como proposta, considerando as teorizações de Michel Foucault, tomar juventude pobre, aquela inserida nos diversos aparatos de políticas públicas a ela destinadas, como ferramenta analítica para pensar os ideias de proteção social, como a participação cidadã e a convivência social, tão difundidos atualmente por tais políticas. Através da análise de práticas corriqueiras efetivadas no transcurso do exercício profissional enquanto técnica em psicologia inserida na área da Assistência Social, no que diz respeito aos serviços, programas e projetos voltados à juventude, o que se busca é ver aquilo que não se vê habitualmente, realizar análise das práticas e dos discursos a partir das narrativas de registros mnemônicos de experiências vividas, em momentos diversos, enquanto estagiária e técnica em psicologia na área da assistência social, em dois Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) distintos, na capital e no interior do Estado de Sergipe. Para tanto, o texto percorre a trajetória, enquanto processualidade, de (des)construção das práticas, discursos e fazeres que constituem os “militantes” agentes de políticas públicas. O que se descortina, ao olhar além do horizonte, é a percepção de que embora nesses dispositivos, o discurso seja da promoção de autonomia, o que ocorre é a reprodução de práticas de controle daqueles historicamente considerados marginais. A inserção da juventude em tais programas e projetos, a partir do discurso que eles veiculam, possibilita a imposição de modos de fazer, regulam as condutas, configurando-se, dessa forma, enquanto prática de polícia, que operam criminalizando a pobreza, os pobres são concebidos como necessitados de intervenções especialistas que venham regular e tutelar suas vidas.

  • RENITON DE SANTANA SOUZA
  • Influências das relações afetivas para os atos de consumo na Cibercultura
  • Orientador : LIVIA GODINHO NERY GOMES AZEVEDO
  • Data: 19/02/2015
  • Dissertação
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  • O mundo atual vive a cibercultura. Um tempo onde a sociedade não somente se encontra dependente, em muitos aspectos, dos aparatos tecnológicos, como também leva consigo a marca da tecnologia digital em seu desenvolvimento e em sua cultura. As tecnologias digitais trouxeram consideráveis mudanças para a sociedade, por isso, este trabalho tem como objetivo fazer uma explanação acerca dessas mudanças no que concerne a relação entre os laços afetivos e os atos de consumo em função das novas possibilidades de comunicação e interação que as redes sociais proporcionam. Dessa forma, discorremos a respeito do universo que permeia as relações afetivas e o consumo dentro das redes sociais utilizando uma perspectiva interdisciplinar e uma pesquisa por meio de entrevistas e grupos de discussão. Assim, chegando a resultados que apontam que as tecnologias digitais se tornaram algo comum a maioria das classes econômicas, independente da idade, que essas tecnologias, incluindo as redes sociais, podem contribuir para sociedade, principalmente quanto ao acesso a informação, podendo também ser nocivo as pessoas, levando a perda da individualidade destas.

  • PAULA PEREIRA LIBÓRIO
  • "Estórias sobre democracia"
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 09/02/2015
  • Dissertação
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  • A pesquisa problematiza a democracia como forma de igualdade política. Em fragmentos descontínuos e específicos de estórias do interior mineiros, da Grécia Antiga e do mundo contemporâneo, busca-se compreender como a igualdade ofertada nos regimes democráticos mantem diferenças dos cidadãos em relação ao poder. Analisou-se o campo de força que compõe os ideais democráticos e as ferramentas governamentais de participação, como eles se propõe e se reproduzem.

    A estratégia de produção de conhecimento considerou a mútua implicação do problema, o modo de colocá-lo e as ferramentas conceituais utilizadas. Nesse processo, costurou-se afetações vivenciadas nos Colegiados Territoriais do sertão mineiro com referências teóricas e históricas sobre democracia e participação democrática, enunciando as relações de poder desse cenário. Boaventura Sousa, Eric Hobsbwan, Jacques Ranciere, Michel Foucaul foram alguns dos autores que contribuíram para análise produzida.

    Espera-se que a desnaturalização dos ideais igualitários da democracia provoque o leitor a reinventar espaços que ultrapassem o consenso obediente das formas instituídas.

  • TATIANE DE ANDRADE
  • "Da hipnose à psicanálise: clínica, ciência e política".
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 16/01/2015
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como objetivo resgatar a importância história dos conceitos de libido e transferência e seus devidos desdobramentos nos campos da clínica, da ciência e da política. Este intento se justifica na medida em que, ao lançar mão de tais conceitos, Freud opera uma transformação nas formas de entender e lidar com o adoecimento psíquico, circunscrito que estava aos limites da fantasia e da simulação. Para além desse fator, o pai da psicanálise alarga também o campo de alcance destes conceitos, visto que a libido terá papel preponderante no novo saber que se esboça ao afirmá-la como o “algo fundamental” que possibilita tanto a prática clínica por via da transferência quanto a formação do laço social. Para tanto construiremos nossa argumentação com o resgate dos antecessores da prática clínica freudiana - magnetismo animal, sugestão e hipnose - para daí fazer derivar a postulação do conceito de transferência, que não representará apenas uma evolução na técnica a qual repercutirá nos registros da clínica; mas, a um só golpe, promove também uma transformação no campo epistêmico, ao propor uma outra noção de realidade, agora psíquica, cujo princípio ordenador será aquele mesmo que figura como condição de possibilidade da transferência, a saber, a libido, questão essa de impacto no meio científico; e, por fim, chegaremos ao alcance ético dos conceitos de libido e da transferência os quais permitirão pensar a regulação do espaço social a partir das relações estabelecidas entre os diferentes sujeitos, propositura política por excelência.

  • ELAINE DE JESUS SOUZA
  • Diversidade sexual e homofobia na escola: As representações sociais de educadores/as da educação básica.
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 09/01/2015
  • Dissertação
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  • As representações que educadores/as possuem acerca das práticas homofóbicas influenciam a (des)construção de atitudes preconceituosas e discriminatórias que são manifestadas na instituição escolar e acabam ocasionando diversos outros tipos de violências em toda a sociedade. Dessa forma, o silenciamento e/ou a negação das múltiplas orientações afetivo-sexuais que permeiam a escola contribuem para o enaltecimento dos preconceitos. Todavia, é inegável que, na maioria dos casos, os/as docentes acabam se omitindo, ao invés de adotarem posicionamentos contrários a tais violências, devido à carência desses temas na formação docente e as normatizações socioculturais e religiosas que delimitam suas representações sociais. Assim, o principal objetivo dessa pesquisa qualitativa foi analisar as representações sociais de educadores/as acerca da diversidade sexual e da homofobia, visando compreender de que forma tais representações podem influenciar e/ou contribuir para a (des)construção de preconceitos e discriminações que perpassam o ambiente escolar. Por conseguinte, empregou-se o método de análise de conteúdo categorial temática e foi elaborado um instrumento constituído por entrevistas e questionários semiestruturados respondidos por 17 docentes de duas escolas da educação básica de um município de Sergipe. Os resultados obtidos evidenciaram que as representações sociais da maioria dos/as educadores/as são pautadas em inúmeras dúvidas e contradições acerca das temáticas diversidade sexual e homofobia devido ao desconhecimento em decorrência da carência desses temas na formação inicial e continuada, e a outras questões que impedem a busca de (in)formação, tais como as convenções religiosas, contribuindo com a manutenção dos preconceitos sutis e manifestos inseridos nas práticas homofóbicas que permeiam o espaço escolar. Bem como, a maioria dos/as docentes relatou situações de preconceitos e discriminações ocorridas na escola, tais como piadinhas, apelidos pejorativos, exclusões, ameaças, que compõem a homofobia indireta. Assim, comportamentos diferentes do padrão heteronormativo geram violências contra indivíduos que são ridicularizados, marginalizados e julgados no próprio ambiente escolar (e na sociedade de modo geral). Portanto, ao desvelar as representações sociais (concepções e vivências) de educadores/as acerca da diversidade sexual e homofobia, alerta-se para a necessidade de (in)formações precisas e atualizadas acerca de tais temas. Para que os/as docentes possam questionar os padrões heteronormativos, compreender, reconhecer e aceitar as identidades sexuais e de gênero, desconstruindo preconceitos e acolhendo efetivamente essa diversidade de indivíduos que integra a escola.

2014
Descrição
  • KAYSE LUIZA OLIVEIRA DE CARVALHO ALCÂNTARA
  • TENSÕES DISCURSIVAS EM UMA TRAJETÓRIA DE ESTUDOS SOBRE A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 27/11/2014
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como problema tensões na pesquisa a partir do conflito entre diferentes modos de ver e pensar um dado objeto; no caso específico deste estudo, o conflito entre formações discursivas sobre gravidez na adolescência. O interesse por esse tema surgiu da percepção da existência de discursos diferentes sobre a gravidez na adolescência e da vivência de conflitos no processo de pesquisa que para além dos conflitos existentes põem em questão o caráter de verdade. Tal percepção foi possível a partir da reflexão de uma trajetória de estudos, cujo cerne foram entrevistas feitas com mães adolescentes em 2007, na cidade de Recife, para monografia, que investigava sentidos da gravidez em adolescentes de classes populares. Nestas, percebi um conflito vivido enquanto pesquisadora que há alguns anos, subjetivada por um discurso de dominação, tentava encontrar o que ele afirmava, a saber: a gravidez na adolescência é uma experiência que gera danos. Esse coloca a gravidez na adolescência geralmente associada a fatores negativos tanto para a mãe quanto para o bebê e como um problema que necessita de atenção. Já outro discurso, que chamarei aqui de resistência, vê a gravidez com base na realidade de vida daquela adolescente, a fim de que se possa entender o surgimento de uma gestação naquele momento da vida, em todo seu contexto. Esse último discurso, parece reforçar noções de reconhecimento social, desejo e autonomia. A partir das noções de discurso, formações discursivas, modos de subjetivação, poder/resistência de Michel Foucault esse estudo tem como perspectiva tratar da pesquisa como historicamente determinada pela verdade de uma época. A fala das adolescentes entrevistadas mostra efeitos de subjetivação dos dois tipos de discurso que tornam a produção de conhecimento na forma de pesquisa como um campo de tensões que repercute nos modos de pensar e agir do pesquisador.

  • PATRÍCIA ELAINE SANTANA MOTA
  • UM ESTUDO SOBRE A COMPOSIÇÃO DO CONSTRUTO BEM-ESTAR NO TRABALHO
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 14/11/2014
  • Dissertação
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  • O dinamismo da vida moderna trouxe complexidade e ênfase ao trabalho, aliados à preocupação com o bem-estar. Há várias abordagens desse construto, seja pela perspectiva subjetiva, cognitiva, social ou laboral. O bem-estar no trabalho descreve a relação existente entre o sujeito e seu trabalho. Diversos autores propuseram estruturas para ele, com modelo teórico, dimensões e comprovações empíricas. Todavia, um modelo não havia sido testado empiricamente, composto pelas variáveis satisfação no trabalho (ST), envolvimento com o trabalho (ET) e comprometimento organizacional afetivo (COA). Essa dissertação objetivou testar empiricamente tal modelo teórico para bem-estar no trabalho (BET) composto por COA, ST e ET, a partir da realização de dois estudos. No primeiro,com o objetivo de analisar a dimensionalidade das escalas de cada variável - COA, ST e ET -, foram feitas análises fatoriais exploratórias por meio da análise de componentes principais. A amostra foi composta por 259 trabalhadores que nesse estudo responderam presencial e virtualmente aos instrumentos: Escala de Comprometimento Organizacional Afetivo (ECOA), Escala de Satisfação no Trabalho (EST), Escala de Envolvimento com o Trabalho (EET) e um questionário socioprofissional. Os resultados apontaram que ECOA e EET permaneceram unidimensionais, com 5 itens cada uma das escalas. A EST apresentou 4 fatores, congregando 15 itens ao todo. Notou-se relação significativa entre COA e o tipo de empresa em que trabalha, pois quem está alocado no âmbito privado está mais comprometido afetivamente que quem encontra-se em emprego público. Houve também significância entre COA e quantidade de funcionários da empresa, em que quanto menos funcionários a empresa tiver, maior o COA. Existiu ainda relação significativa entre ST e aumento salarial, de modo que quem obteve aumento sente-se mais satisfeito que quem não recebeu. O ET apresentou relação com aumento salarial, em que aqueles que não receberam aumento estão mais envolvidos com o trabalho do que quem recebeu. O segundo estudo foi composto por 206 respondentes, também trabalhadores, que responderam ao questionário online. Ao avaliar as estruturas fatoriais encontradas no estudo 1 para cada escala, mediante análise fatorial confirmatória, obteve-se ratificação das mesmas, contudo com a retirada de alguns itens. A ECOA e a EET permaneceram unidimensionais, porém, com 4 itens cada uma. A ST, após diversos ajustes recomendados nas análises, reuniu 12 itens distribuídos em 4 fatores. Realizou-se ainda modelagem por equação estrutural para verificar se as variáveis apresentadas pelo modelo teórico de BET confirmam-se empiricamente no modelo explicativo de BET. Os índices de ajuste apontaram a existência de BET, ficando o modelo com 20 itens distribuídos desigualmente em 3 variáveis. Portanto, os dados demonstram que quando o funcionário está satisfeito com o trabalho, sente-se envolvido com o mesmo e ainda se mostra comprometido afetivamente em relação à organização em que trabalha tende a apresentar bem-estar no trabalho. Sugere-se a elaboração de mais estudos, com populações específicas de trabalhadores, a fim de corroborar a influência destas variáveis na constituição do construto e, além disso, verificar correlações entre o BET e outros construtos.

  • BRUNA VASCONCELOS GONÇALVES
  • As Garotas (Des)Amélias: Acolhimento Institucional e Sexualidade.
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 11/11/2014
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa traz o estudo a respeito de práticas institucionalizadas que abrangem o tema da sexualidade em uma entidade de acolhimento para crianças e adolescentes, situada na cidade de Aracaju. Para elaboração da proposta, são utilizados relatos de experiência ocorridos no campo institucional mencionado. Estes, dão vida às garotas (Des)Amélias. Ao elencá-las enquanto possibilidade de problematização de práticas que envolviam a entidade de acolhimento pesquisada e para além dela, o trabalho indaga-se sobre os seguintes aspectos. Sejam eles: a relação entre sexualidade infantil e políticas de proteção à infância; o acolhimento institucional a partir de atualizações da repressão sexual; a sexualidade enquanto ferramenta de análise do acolhimento institucional, bem como a existência de outros modos de relação para além dos estabelecidos com a sexualidade e as práticas que a percorrem por aqueles que são dirigidos às instituições de acolhimento para crianças e adolescentes. Para pensar os referidos problemas de pesquisa, lançam-se olhares sobre leituras a respeito de políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes, a partir de autores que delineiam a história social da infância no Brasil. Também são lançados olhares sobre a história da sexualidade, percursos da psicologia, psicanálise, psiquiatria e sexualidade, bem como sobre os conceitos de gênero, repressão sexual, ética, moral, judicialização e institucionalização da sexualidade.

  • FERNANDA MAYRA MENDONÇA DE OLIVEIRA
  • "a natureza do parto e o parto natural"
  • Orientador : MANOEL CARLOS CAVALCANTI DE MENDONCA FILHO
  • Data: 02/10/2014
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como objeto o parto estudado a partir da análise do discurso. A partir de discursos colocados pelo movimento de humanização do parto passo a formular um questão: o que há por trás do interesse de uma política de saúde em resgatar o potencial inato das mulheres e estimula-las a não contarem com o aparato médico-farmacológico como forma de se descobrirem mais fortes neste momento de parir. Essa proposta me lembra a outros campos como o de auto-conhecimento e não com o campo da saúde. Por que eles estariam se encontrando na questão do parto? O objetivo é analisar a genealogia do parto, a trajetória de suas práticas, atravessamentos (bio)políticos e implicações afetivas, econômicas, estéticas, ecológicas. O método da pesquisa vai se basear nos conceitos de implicação e sobreimplicação que se refere à pesquisa em que as implicações do pesquisador são consideradas como o essencial do trabalho científico. A trajetória da análise acaba desdobrando as relações entre a proposta de parto humanizado e o ecologismo, didática do parto e pedagogia da gestação.

  • CLAUDIA MARA DE OLIVEIRA BEZERRA
  • TRADUÇÃO, ADAPTAÇÃO PARA LÍNGUA PORTUGUESA E VALIDAÇÃO DA ESCALA DE EXPERIÊNCIAS DISCRIMINATÓRIAS DOS NEGROS -EEDN
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 29/09/2014
  • Dissertação
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  • O presente estudo tem como objetivo apresentar o processo de tradução e validação, para o contexto brasileiro, da versão reduzida da Race-Related Stress (IRRS) – Escala de Estresse Racial (EER), que mensura os estressores sociais relacionados às experiências dos negros motivado pelo racismo. O estresse é um fenômeno resultante de contínuas avaliações de estímulo percebidos através de pressões do ambiente, psicológica e desajustes biológicos que necessitam de recurso de adaptação diante da situação estressora. Nota-se que o racismo e a discriminação fornecem um contexto favorável para a criação e manutenção dos eventos estressores. A escala original compreende três fatores relacionados ao Racismo Cultural (dez itens), Racismo Institucional (seis itens) e Racismo Individual (seis itens) analisados através da escala tipo Likert com cinco pontos, com os seguintes extremos: 0= Isto nunca aconteceu comigo e 4= Isto aconteceu e eu fiquei bastante chateado que versam sobre as declarações acerca das experiências dos sujeitos sobre o racismo. A etapa inicial de validação foi o processo de tradução, tradução reversa e analise semântica, atestado por 5 juízes. Inicialmente foi realizado o pré-teste com 15 estudantes de graduação, averiguando-se a compreensão e clareza dos itens. Participaram do estudo estudantes oriundos de diversos de cursos de graduação de universidades públicas e privadas do Estado de Sergipe, de ambos os sexos e idade variando entre 17 e 35 anos. Para distinguir os estudantes brancos e negros, utilizou-se um indicador de aproximação social de grupos sociais em virtude da cor da pele, possuindo com oitos pontos, pois a cor da pele configurou como critério principal para participar do processo de validação da escala de estresse racial (EER). Os estudantes que marcaram na escala de gradação o ponto mais próximo da cor da pele branca (< 4 pontos) encerraram sua participação na primeira etapa do estudo, que correspondeu às respostas as seguintes escalas: Escala de Estresse Percebido (Perceived Stress Scale-PSS 10), o Questionário de Saúde Geral, na versão abreviada (QSG-12) e um questionário voltado para os dados sociodemográficos. Os estudantes que responderam mais próximo da cor de pele negra na escala de gradação (> 4 pontos) continuaram respondendo a segunda etapa da pesquisa, composta por Index of Rac-Related Stress (IRRS) traduzida em português. Ao final do processo de coleta, o estudo contou com 220 estudantes de graduação que se autocategorizaram no grupo social dos negros e 200 que se autocategorizaram como inseridos no grupo social dos brancos. Estabeleceu-se como critério 10 participantes por itens da escala, perfazendo 220 sujeitos negros, com o objetivo de realizar o processo de validação com segurança. Em seguida, realizaram-se procedimentos de análise fatorial exploratória com rotação promax, análises de confiabilidade e das comunalidade, além da correlação item-escala. Nos resultados preliminares realizado com 100 sujeitos encontrou-se 3 fatores com Alfa de Cronbach entre 0,70 e 0,80 e cargas fatoriais variando de 0.30 a 0.82, ratificando a estrutura original. Em suma, sugere-se que a versão final da IRRS traduzida para o português e composta por 23 itens é adequada ao contexto das pesquisas brasileiras.

  • KHALIL DA COSTA SILVA
  • NORMAS SOCIAIS E EXPRESSÕES DO RACISMO EM CRIANÇAS
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 21/08/2014
  • Dissertação
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  • O presente trabalho teve como objetivo verificar o impacto da norma social antirracismo sobre a expressão das atitudes raciais das crianças. O racismo, embora condenado nas sociedades democráticas, tem sido verificado nos estudos realizados no âmbito das relações intergrupais. Pesquisas realizadas com adultos apontam que, em consonância com a norma antirracismo, os indivíduos inibem a expressão do racismo a nível explícito, contudo há evidências de que o preconceito e a discriminação racial persistem, sendo expressos de formas indiretas e sutis. Participaram do estudo 72 crianças brancas (43 meninos e 29 meninas), que foram distribuídas e três diferentes grupos em função da idade: 6-7anos, 8-10 anos e 11-12 anos. Foram verificadas as atitudes destas crianças diante dos grupos branco e negro e os parâmetros normativos que elas percebem nos adultos, nos amigos e nelas mesmas para interagir com estes grupos. As atitudes foram analisadas a partir de três instrumentos: uma escala de atitudes raciais-MRA, uma medida de distância social e um procedimento experimental no qual o impacto da norma antirracismo sobre o comportamento da criança foi manipulado pelas condições de presença/ausência de uma entrevistadora negra. Análises de contingência indicaram que os três grupos etários estudados reconhecem a presença da norma antirracismo, contudo reagem de forma distinta à presença da mesma. Uma análise de variância entre a idade das crianças e os escores obtidos na escala MRA revelou que as crianças entre 6 e 7 anos apresentam níveis elevados de preconceito explícito em comparação com os demais grupos. Em contraste, as crianças com mais de 8 anos de idade apresentam baixos níveis de preconceito explícito e níveis mais expressivos de atitude antirracismo. Comparações planejadas, entretanto, indicaram a presença de racismo sutil. Embora não avaliem o exogrupo (negros) de forma negativa, as crianças permanecem avaliando o endogrupo (brancos) de forma positiva. Os dados obtidos a partir da medida de distância social indicaram, após uma análise de contingência, maior sensibilidade à norma antirracismo nas crianças mais velhas. Entre 6 e 7 anos de idade, as crianças manifestam rejeição ao negro, entre 8 e 10 anos de idade elas apenas rejeitam o negro nas situações que envolvem maior grau de intimidade. Após os 10 anos, entretanto, há expressão de favoritismo pelo negro. Quanto ao procedimento experimental, análises de variância não revelaram efeito significativo da manipulação da norma, contudo foram verificados efeitos de interação entre idade da criança e do alvo de escolha (branco/negro), indicando níveis mais elevados de discriminação racial contra os negros os 6 e 10 anos e inibição do racismo após esta idade. Os resultados encontrados corroboram as considerações teóricas sobre as novas formas de expressão do racismo e sobre o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança e revelam que a inibição de suas formas explícitas, verificada nos adultos, começa a emergir na média infância.

  • AUREA MARIA PIRES RODRIGUES
  • APOIO INSTITUCIONAL: DISPOSITIVO NA PRODUÇÃO DE USUÁRIA CUIDADORA
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 05/06/2014
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como temática de estudo o Apoio Institucional, entendido como dispositivo e/ou estratégia, no campo da gestão em saúde coletiva, que visa ampliar a capacidade de análise e de intervenção dos coletivos, tensionando, modificando e produzindo práticas, a partir do fomento ao protagonismo e à coresponsabilidade, bem como da articulação e produção de redes. O objetivo é analisar o Apoio Institucional, naquilo que borra o instituído, possibilitando movimentos instituintes na produção de usuárias cuidadoras. Usuárias que integram um processo de cuidado em saúde, situado entre uma certa política da clínica e de tessitura de redes, cuja ênfase recai nos territórios existenciais dos sujeitos. O campo teórico/metodológico fundamenta-se no pensamento de autores como Foucault, Deleuze, Guattari, Simondon, Canguilhem e autores do campo da Saúde Coletiva, especialmente no que diz respeito à relação de coengendramento entre produção de saúde e produção de sujeito. A pesquisa foi realizada na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, referência em parto de alto risco, equipamento da rede de Urgência, Emergência e Hospitalar do Estado de Sergipe, entre setembro de 2012 e abril de 2013. A metodologia pauta-se na cartografia, como método de pesquisa-intervenção e de acompanhamento de processos de produção de subjetividade, como também em alguns conceitos-ferramentas da análise institucional. Foi utilizado um diário de campo para registro das vivências e, a partir desses registros, práticas instituídas, bem como movimentos instituintes, efeitos de um modo de operar o Apoio Institucional, foram analisadas e problematizadas. O Apoio Institucional, por sua vez, além de objeto, passou a ser dispositivo/ferramenta na produção da própria pesquisa. No acompanhamento do processo, pudemos ver e fazer ver que, ao mesmo tempo em que certas práticas repetiam-se no fazer cotidiano - produzindo corpos passivos frente ao poder/saber médico/hospitalocêntrico - análises coletivas, desse modo de fazer clínica, operaram como germes de novos modos de fazer clínica e de produzir corpos, apontando a possibilidade de usuárias produtoras de seu cuidado – usuárias cuidadoras.

  • FLORICELIA SANTANA TEIXEIRA
  • O fenômeno da despersonalização e suas relações com a infra-humanização e o preconceito
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 05/06/2014
  • Dissertação
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  • Este trabalho aborda um fenômeno pouco estudado na Psicologia Social, a despersonalização, que refere-se a concepção de que há seres humanos que não despertam interesse ao outro, que são considerados como “não indivíduos”, como não dotados de uma dimensão psicológica particular, tornando-os invisíveis aos olhos do mundo. Este trabalho parte da hipótese de que por meio de tarefas de formação de impressão, com o auxilio do Implicit Association Test (IAT), podemos obter a velocidade da resposta em milésimos de segundo durante a avaliação de um alvo e assim sugerir que quando o respondente associa um conceito a um atributo mais rapidamente, demonstra uma maior facilidade e sentido nesta relação. O processo de formação de impressão torna-se mais detalhado e complexo, quando há mais dispêndio de atenção e tempo em avaliar o alvo, ocorrendo a personalização do alvo. Nesse sentido, o tempo é compreendido como o principal indicador de personalização ou despersonalização. O objetivo do nosso estudo I foi apurar a despersonalização e as suas relações com a infra- humanização, o preconceito implícito, o preconceito explícito por meio de tarefas de formação de impressões com auxílio do programa IAT. Já no segundo estudo nos interessamos pela análise do impacto da discriminação racial no acesso à saúde, investigando o fenômeno da despersonalização como desencadeador dos erros de diagnóstico contra pacientes negros, encaminhados pelo SUS ou por convênios particulares, no atendimento médico. Os resultados do estudo I indicaram que há correlações significativas entre a despersonalização e a infra-humanização, r (49) = .32, p= .024, ou seja, o individuo que é despersonalizado também é infra-humanizado. A despersonalização não manteve correlações com o preconceito implícito, r(49) = .-12, p= .40, nem com o preconceito explicito r(49) = .07, p= .65. Não confirmamos nossas hipóteses principais do estudo II. No entanto, mesmo que estatisticamente não significativo, encontramos valores médios que demonstraram uma análise mais cuidadosa para a avaliação diagnóstica aos pacientes brancos de convênio Particular. Como em relação ao índice de erros de diagnóstico, das quatro patologias descritas pelos pacientes nos vídeos, os respondentes erraram menos para os pacientes brancos, independente de serem usuários do SUS ou possuintes de convênios particulares. Concluímos a presença do preconceito implícito em ambos os estudos, confirmando que estereótipos negativos ainda atuam, mesmo que de maneira inconsciente sobre as atitudes dos indivíduos, e por mais que eles não percebam conscientemente produzem ações de infra-humanização e despersonalizadas contra os negros.

  • ROBERTA CAMARA ROCHA MENEZES
  • PERSPECTIVA PROFISSIONAL EM PSICOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE FORMAÇÃO, AUTOEFICÁCIA E EMPATIA.
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 30/05/2014
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa trata da relação entre autoeficácia, empatia e formação em Psicologia Clínica para entender como essas variáveis influenciam a perspectiva profissional nessa área de atuação de estudantes concludentes do curso de Psicologia. A pesquisa foi realizada a partir de estudo online para respostas de estudantes de Psicologia de instituições públicas e privadas que estavam cursando o último ano da graduação, ou seja, o 9° ou 10º período. O instrumento de pesquisa foi composto de dois questionários adaptados e duas escalas padronizadas. Os questionários adaptados contém itens elaborados para este estudo ou adaptados da literatura que abordam a formação em psicologia clínica na graduação bem como questões abordando a perspectiva de futuro profissional em Psicologia e Psicologia Clínica. Participaram 199 participantes, 23,5% eram do sexo masculino e 76,5% do sexo feminino, de 15 Estados brasileiros e com idades entre 19 e 56 anos. A idade média para a amostra total foi de 25,5 anos (DP=5,73). Os resultados indicam que aqueles com maior autoeficácia na formação superior, tendem a ter maior perspectiva profissional em Psicologia Clínica (t=-3,30; p=0,00). Quanto à empatia, o grupo com maior empatia apresentou uma maior perspectiva profissional em Psicologia Clínica (t=-2,78; p=0,00) e, em relação à avaliação da formação, grupo que avaliou melhor a formação em Psicologia Clínica apresentou também uma maior perspectiva profissional em Psicologia Clínica (t=-7,34; p=0,00). Uma análise de regressão linear mostrou que a perspectiva profissional em Psicologia Clínica apresenta como preditores significativos a idade do estudante, a autoeficácia na formação superior e a avaliação da formação em Psicologia Clínica, com variância explicada de 38,4% (R²=0,384). Os preditores indicaram participantes mais velhos, com maior autoeficácia na formação superior e que avaliaram melhor a formação em Psicologia Clínica com maior peso para a variância explicada quanto à perspectiva profissional em Psicologia Clínica.

  • ANA PATRÍCIA DOS SANTOS CRUZ
  • "SEXUALIDADE, CONJUGALIDADE E GÊNERO NOS RELACIONAMENTOS DOS JOVENS DO AGRESTE SERGIPANO"
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 30/05/2014
  • Dissertação
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  • O objetivo deste estudo foi investigar o fenômeno de “fugir de casa” como modalidade de relacionamento afetivo entre os jovens do agreste sergipano. Este trabalho foi dividido em dois estudos, um de caráter exploratório quantitativo e outro de caráter analítico descritivo qualitativo. O Estudo I foi constituído de uma pesquisa tipo survey, faz parte de um projeto nacional chamado “Juventude Brasileira” e o instrumento de coleta de dados foi composto por 58 questões. A amostra foi composta por 168 adolescentes (66,1% do sexo feminino e 33,9% do sexo masculino), com idades entre 14 a 24 anos e média de 17,21 anos (DP=1,84 anos) estudantes de escolas públicas. Os resultados mostraram que os rapazes namoram em média com 1,65 pessoas (DP= 1,08), enquanto que a média de pessoas que as moças namoraram foi de 1,32 (DP= 0,69); os adolescentes do sexo masculino “ficaram” em média com 4,70 pessoas (DP= 4,48) e as do sexo feminino “ficaram” em média com 2,65 pessoas (DP= 2,66); com relação à iniciação sexual os garotos tinham em média 14,94 anos (DP=1,78), enquanto as garotas apresentaram uma média maior, ou seja, 15,63 anos (DP=3,24). O Estudo II tratou de um estudo de casos múltiplos a partir de dados levantados pelo estudo inicial. Foi utilizada uma entrevista semiestruturada com três participantes (de gerações diferentes) que tiveram a experiência de “fugir de casa”. As entrevistadas foram divididas em três faixas etárias: 18 anos, 21 e 32 anos. O roteiro da entrevista averiguou a vida afetivo-sexual das participantes, o(s) motivo(s) que as levou a tomar essa decisão e as consequências desse ato em suas vidas. Os resultados mostraram que o motivo da “fuga” da casa dos pais estava ligado à dificuldade de relacionamento que elas mantinham com os seus genitores e isso era demonstrado através da falta de diálogo entre os genitores e as entrevistadas; como também outro motivo apontado foi o desejo de ter mais liberdade e de experimentar uma forma diferente de viver daquela que tinham morando na casa dos pais. Com relação às consequências da “fuga” as entrevistadas informaram que o relacionamento com os genitores melhorou após elas terem fugido da casa dos pais, com também de uma forma geral as suas vidas melhoraram.

  • THIAGO SANTOS SOUZA
  • A inserção do psicólogo na educação básica de Sergipe: da formação à atuação profissional
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 30/05/2014
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  • No Brasil, a Educação constituiu-se como um dos primeiros campos para atuação profissional do psicólogo, quando estes começaram a sair dos consultórios clínicos e se inseriram nos espaços institucionais, incluindo as escolas. Essa inserção foi caracterizada, inicialmente, com o desenvolvimento de práticas clínicas tradicionais, cujas intervenções eram direcionadas aos alunos e, posteriormente, demarcada por proposições críticas que apontavam para a necessidade de um trabalho onde a dinâmica escolar, o processo educativo e as interações sociais fossem os objetos de intervenção, levando-se em conta os aspectos pedagógicos, culturais, sociais, institucionais e históricos na compreensão das questões educacionais. Ainda, dentre as questões relacionadas a essa inserção, a formação acadêmica constitui-se como uma das principais problemáticas, devido ao fato da área escolar e educacional ser consideravelmente negligenciada pelos cursos de graduação em Psicologia, não sendo oferecidos, geralmente, os subsídios e conhecimentos necessários para uma prática adequada ao contexto escolar. Contudo, após 50 anos de constituição deste campo de atuação, vê-se em alguns estados uma paulatina transformação das práticas tradicionais em práticas críticas. Nos últimos cinco anos, pesquisas no Brasil vêm sendo realizadas com o intuito de conhecer a realidade estadual dos psicólogos que trabalham nos contextos educacionais. Devido a essas questões o presente estudo teve por objetivo conhecer a atuação do psicólogo no contexto da educação básica no estado de Sergipe, buscando analisar a relação entre a atuação profissional destes com sua formação acadêmica, além de traçar um perfil profissional dos psicólogos escolares; investigar os fatores que motivaram a escolha dessa área de atuação; analisar as concepções existentes acerca do papel do psicólogo no contexto escolar; analisar as atividades desenvolvidas; e conhecer como os psicólogos avaliam as contribuições de sua formação acadêmica para sua atuação na educação. Esta pesquisa teve uma abordagem qualitativa, sendo realizada com 14 psicólogos que trabalham em escolas ou Secretarias de Educação do estado de Sergipe. Para a coleta dos dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas, cujos dados recolhidos foram tratados e analisados segundo a análise de conteúdo de Bardin, com o devido respeito às normas éticas de pesquisa. A partir das análises foi possível traçar uma caracterização dos psicólogos participantes, sendo estes predominantemente do sexo feminino, os quais em sua maioria (78,5%) atuam a menos de quatro anos nessa área. Além disso, foi encontrada a existência de dois tipos de concepções referentes ao papel do psicólogo na escola, as de caráter limitante (papel clínico e de resolvedor de problemas) e as de caráter facilitador (papel de parceiro e colaborador) à atuação profissional. Em relação a formação foi observado que 42% dos psicólogos avaliam positivamente a formação acadêmica recebida, afirmando terem sido instrumentalizados para atuar no contexto escolar. Ainda, os modelos de atuação identificados demonstram a existência de uma inicial transição de práticas de cunho tradicional para intervenções de caráter crítico, sendo grande parte destas desenvolvidas sob a concepção de que as demandas educacionais são produtos das interações sociais que ocorrem durante o processo de escolarização e devem ser direcionadas aos diversos componentes da instituição. Por fim, a partir das análises, conclui-se que apesar de ser um campo de atuação recente em Sergipe, é possível perceber avanços na forma de inserir-se e conceber a atuação do psicólogo no contexto escolar e educacional.

  • VANESSA ARAUJO SOUZA CÔRTES
  • Violência Doméstica contra as mulheres nas relações íntimas de afeto: influências das estratégias de coping e o impacto no bem-estar subjetivo
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 29/04/2014
  • Dissertação
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  • A violência é um fenômeno construído essencialmente no social. É complexo, controverso e multifacetado, que abrange todas as culturas em suas diferentes parcelas sociais, seja nos níveis públicos ou privados. Uma violência que atinge, prioritariamente, os níveis privados é a violência doméstica, em especial, contra a mulher. Essa pode ser definida como um ato de violência (ação ou omissão), que tem por base a questão do gênero e, que pode ter consequências biopsicossociais. Este tipo de violência é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma questão de saúde e social, principalmente, por ser caracterizada como uma manifestação das relações de poder históricas e culturalmente desiguais, que favorecem a dominação dos homens sobre as mulheres. Nos últimos anos, entretanto, com a divulgação da Lei Maria da Penha (L. 11340), houve um aumento do número de casos denunciados e noticiados na imprensa de mulheres que sofrem violência ou que foram mortas em decorrência desta. Todavia, esses índices ainda não condizem com a grave realidade, pois por diversos motivos muitas mulheres permanecem caladas e submissas, configurando-se como um problema crônico. Este trabalho tem por objetivo investigar a influência de diferentes estratégias de coping no modo de vivenciar a situação de violência doméstica nas relações íntimas de afeto e avaliar o impacto desta violência no bem-estar subjetivo das mulheres vítimas. Para isso, foi realizada pesquisa com abordagem multimétodo (qualitativa e quantitativa), com delineamento transversal tipo survey. A amostra foi composta por 486 mulheres sergipanas vítimas (49,3%) e não vítimas (50,6%) de violência doméstica nas relações íntimas de afeto, que acessaram a Delegacia da Mulher e os Centros de Referência da Assistência Social. Quanto ao instrumento foi composto por um questionário rastreador (contendo questões sobre os dados sociodemográficos e questões abertas acerca da violência doméstica) e por três escalas: World Health Organization Violence Against Women (WHO VAW), Escala de Bem Estar Subjetivo (EBES) e, Escala de Modos de Enfrentamento de Problemas (EMEP). Foram extraídos os resultados descritivos dos dados sociodemográficos comparando os dois grupos (mulheres vítimas e não vítimas), incluindo a análise do questionário rastreador e a análise fatorial das escalas WHO VAW e EMEP. Os resultados apontaram que o bem-estar subjetivo é maior nas mulheres não-vítimas do que não vítimas, ressaltando que as estratégias de enfrentamento pouco impacta na relação entre violência doméstica contra as mulheres nas relações íntimas de afeto e o bem-estar subjetivo.

  • DEISE FERNANDA PEIXOTO OLIVEIRA
  • "EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO EM RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL COMO DISPOSITIVO DE AMPLIAÇÃO DA CLÍNICA NUM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO"
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 21/03/2014
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem por objetivo mapear e analisar práticas que apontam na direção da efetivação de alguns dispositivos de produção de cuidado e de saúde, sobretudo da clínica ampliada, tomando como referência uma experiência de formação em Residência Multiprofissional em Saúde, realizada no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe, território que habitei intensamente durante 2 anos. Para tanto, embasa-se na noção de cuidado como encontro, atitude de abertura, pautada no estabelecimento do vínculo, no trabalho em equipe e na integralidade e transversalidade. O cuidado envolve diferentes tipos de tecnologias e distintos modos de operá-las. A saúde, por sua vez, é entendida como um estado no qual o sujeito é capaz de estabelecer normas, de criar modos de conviver com novas condições. A pesquisa inspira-se no método cartográfico, cujo desafio é desenvolver práticas de acompanhamento de processos inventivos e de produção de subjetividades e o objetivo, mapear a rede de forças a que está conectado o objeto ou fenômeno pesquisado, evidenciando seu movimento permanente. No processo de habitação do território há uma receptividade afetiva que envolve a não distinção entre sujeito e objeto, pesquisador e campo da pesquisa, teoria e prática. Destaca-se, a partir da vivência da residência multiprofissional, dispositivos de efetivação da clínica ampliada, analisando o modo como aquela produziu transformações e rupturas. A clínica é compreendida enquanto encontro de subjetividades, experimentação, produção que se dá no entre, na e a partir da relação, como prática de inclusão do sujeito e de seu contexto para além da enfermidade. A partir de uma perspectiva institucionalista afirma-se que a experiência de formação funcionou como dispositivo-analisador das práticas de efetivação da clínica no hospital. Formação percebida não como transmissão de conhecimentos, mas como “atitude” transdisciplinar, com potência para produzir aberturas a novas sensibilidades. A proposta da formação em residência multiprofissional proporciona a abertura a outros olhares e modos de fazer, ampliando as possibilidades de enxergar o usuário e a produção de saúde e de cuidado e contribui com a ruptura de especialismos e fragmentação dos saberes. Ao longo do texto são trazidas situações ilustrativas dos conceitos e temáticas discutidos.

  • ERIKA PORTO GRISI
  • "FRAGMENTOS E CORRESPONDÊNCIAS DE UMA FORMAÇÃO POR VIR"
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 03/03/2014
  • Dissertação
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  • As linhas que compõem esta pesquisa são formadas por partículas de história, fragmentos de experiência, potencializados pelo encontro com pensadores como Michel Foucault – de quem tomo as principais ferramentas para formular as questões deste trabalho –, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Jorge Larrosa e tantos outros que favorecem um olhar criador para os processos formativos. Encarar a formação como uma prática é também percebê-la sob a mesma condição que coloca Foucault para pensar a liberdade, uma vez que não se trata de ser definitivamente livre ou submisso, mas de admitir que a liberdade não é uma posse, mas algo que se constitui nas minúcias ordinárias da vida de uma estudante/professora/pesquisadora, em seu dia-a-dia sempre atravessado por resistências e relações de poder para com os outros e para consigo mesma; um fazer que reverbera a cada vez, um exercício constante, uma experimentação avaliada permanentemente.Inicialmente, problematizo a formação acadêmica a partir da noção de prática como relação (formulada por Paul Veyne a partir do pensamento de Foucault), passando à concepção de práticas de liberdade, também proposta desde o pensamento foucaultiano, para formular um primeiro questionamento: se a formação é uma prática, de que modo é possível fazer dela uma prática de liberdade?; em seguida, ainda percorrendo as trilhas sinalizadas por Foucault, proponho um olhar para a formação como experiência, ou seja, como aquilo de que saímos transformados, do que sucedem novas perguntas: se não se pode ensinar ou aprender uma experiência, então que uso podemos fazer dela na formação?; Se a experiência é um “caminho sem volta”, qual o sentido de narrá-la? Como fazê-lo?; por fim, dando curso a estes questionamentos e fazendo um uso circunstanciado das reflexões foucaultianas sobre a “escrita de si”, discuto a escrita como problema e procedimento, a partir do que sustento a eleição das estratégias narrativas construídas nos capítulos seguintes, isto é, o fragmento e a correspondência como estilos de escrita-pensamento da formação como estudante, professora e pesquisadora.

  • CARINA FEITOSA DOS SANTOS
  • ESCOLA E PRECONCEITO: RELAÇÕES RACIAIS NA ÓTICA DOS PROFESSORES
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 20/02/2014
  • Dissertação
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  • O presente estudo tem por objetivo analisar o racismo nas escolas a partir do posicionamento dos professores diante de sua manifestação e atribuições de responsabilidade por sua ocorrência. Mais especificamente, objetiva-se: a) observar como os professores concebem a manifestação de racismo nas escolas em geral e nas escolas em que atuam; b) obter, junto aos professores, relatos acerca da ocorrência de racismo nas escolas em que trabalham bem como verificar se eles se sentem pessoalmente responsáveis pela situação; c) verificar o posicionamento dos professores quanto a possíveis medidas para a modificação do quadro de racismo nas escolas como também, a quem é atribuída a responsabilidade por tais ações e; d) relacionar os dados obtidos com os seguintes fatores: idade, sexo, cor, etnia, escolaridade dos professores pesquisados, além de tempo decorrido desde a conclusão do último curso de formação, tempo de atuação como professor e participação em cursos de atualização. Estruturado em três capítulos, no primeiro, são abordadas as definições de preconceito, discriminação e racismo, a influência das normas sociais que pode levar ao que tem sido denominado “novos preconceitos” e “novos racismos” além de alguns aspectos sobre como o racismo tem se caracterizado no Brasil desde a abolição até os dias atuais. No segundo capítulo, são apresentadas considerações acerca do reflexo dos construtos anteriormente abordados no ambiente escolar. Destaca-se o papel atribuído à escola e ao professor na propagação e combate ao preconceito e ao racismo além de ações afirmativas voltadas para esse propósito, a exemplo da Lei 10.630/03. No terceiro capítulo, o método utilizado no presente estudo é descrito. A coleta de dados foi feita por meio de um questionário contendo questões abertas e fechadas, o qual foi aplicado a 69 professores da rede pública de ensino das cidades de Aracaju e Lagarto, Sergipe. Os dados foram submetidos a análises de frequência e análises multivariadas com auxílio dos softwares SPSS e IRAMUTEQ. De modo geral, observou-se que os professores apontam o preconceito como um fator que influencia as relações estabelecidas no ambiente escolar de uma forma geral, embora apontem para outros fatores ao refletir sobre a realidade da escola onde atuam. Reconhecem situações de tratamento diferenciado na escola tendo questões ligadas à cor da pele como um entre outros fatores para tal. Percebem-se pessoalmente ligados ao quadro descrito na pesquisa e defendem que o papel para que uma mudança seja possível é da sociedade como um todo.

2013
Descrição
  • NEDELKA INES SOLIS PALMA
  • FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA: CARTOGRAFANDO LINHAS MOLECULARES
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 19/12/2013
  • Dissertação
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  • Este é um exercício do pensamento provocado pela violência de algumas marcas que afetaram o sossego de um percurso formativo já estabelecido que recebemos quando optamos por profissionalizar um certo modo de cuidar dos outros, tornando-nos psicólogas e psicólogos. Tomar as marcas como disparadoras de um pensamento da formação em psicologia coloca em jogo alguns elementos produzidos pelo próprio plano em que essa perspectiva é construída. Isso do próprio plano produzir seus elementos é chamado de imanência, o que nos coloca na companhia dos pensadores da imanência como instigadores – Baruch Espinosa, Gilles Deleuze, Michel Foucault, Felix Guattari, Gilbert Simondon e Friedrich Nietzsche. Os filósofos da imanência teceram uma trama de conceitos para rachar as formas do instituído e penetrar no campo das forças, plano molecular onde tencionamos problematizar a formação em psicologia limitada às demandas do mercado de trabalho, cuja lógica neoliberal se expande a todas as esferas da vida, capturando a própria alma dos seres humanos no que podemos considerar como o perigo maior que ronda o presente. Esses conceitos, a filosofia os cria, mas apenas a arte é capaz de expressá-los. E a nossa dificuldade é inseri-los em um trabalho acadêmico: dai nosso cuidado com a escrita da pesquisa, o que nos leva a uma pesquisa da escrita, buscando, ensaiando, fabulando, invencionando artifícios para dar passagem ao que pulsa no entre da filosofia, da arte e da ciência, transversalisando-as. O intuito é problematizar a formação em psicologia enquanto práticas e discursos tradicionalmente comprometidos com normatizações – plano molar das formas instituídas – traçando esboços para uma cartografia do plano molecular, plano das fabulosas e terríveis linhas de fuga, as estrelas desta cartografia da formação das psicólogas e dos psicólogos. É a aventura do pensamento e se temos que nomear um objeto para esta pesquisa, então afirmamos que é o pensamento e sua relação com a vida e o que isso tem a ver com uma formação em psicologia. Concluímos que a formação nunca é apenas a produção de um profissional, mas subjetivações onde ficam incorporados modos de pensar, sentir e perceber o mundo e apostamos como estratégia de re-existência, uma formação como prática de si para a invenção de outros mundos onde a psicologia seja antes uma arte para a invenção de uma estética da existência apontando para a dimensão ética e política da vida.

  • GUSTAVO VILAS-BÔAS
  • CAMINHOS POSSÍVEIS: DA DESCONSTRUÇÃO DA DOENÇA MENTAL À PRODUÇÃO DE CIDADANIA NAS PRÁTICAS EM SAÚDE MENTAL
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 19/12/2013
  • Dissertação
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  • A reforma psiquiátrica brasileira, em consonância com as atuais políticas de saúde mental, aponta para a produção de cuidado enraizada no território do usuário, como meio de aumentar a sua autonomia e diminuir o número de internamentos em hospitais psiquiátricos. No cruzamento entre esta perspectiva das políticas públicas e algumas passagens da experiência na assistência em um CAPS, buscamos elucidar embates vividos entre usuários, profissionais de saúde e outros atores, diante do desafio de produzir saúde mental na cidade. Cidadania, saúde mental e loucura se entrelaçam com o controle promovido a céu aberto, numa dinâmica onde não existem os muros do hospital psiquiátrico que demarcam até onde a liberdade é cerceada. Através da narrativa de algumas cenas do cenário local, do resgate das políticas públicas brasileiras e da história produzida por Michel Foucault acerca da loucura e do nascimento da psiquiatria, procuramos assinalar resistências possíveis na experiência com o dito louco.

  • LIDIANE DE FÁTIMA BARBOSA GUEDES
  • ENSAIOS CARTOFOTOGRÁFICOS: USUÁRIOS DE DROGAS FOTOGRAFANDO CENAS DA VIDA
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 19/12/2013
  • Dissertação
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  • Na alquimia fotográfica: “a luz é necessária ao surgimento da imagem, mas é também o que pode fazê-la desaparecer, nos informa Phillipe Dubbois ( 1993,p.93). No cenário contemporâneo das sociedades capitalísticas ocidentais, os flashs dos fotógrafos midiáticos conjugados às produções discursivas hegemônicas jurídicas e científicas, dão luminosidade ao corpo dos usuários de drogas. Produção de imagem fotográfica do sujeito infame, na condição de corpo-drogado, corpo que contrasta com as outras imagens clichês enunciadoras do corpo belo, saudável e perfeito para ser consumido. A partir da teia de imagens clichês do contemporâneo, esta pesquisa de mestrado se compôs com outros fios desta teia imagética, com o objetivo de compor olhares, corpos, desvios e devires com os ditos sujeitos infames, corpos drogados. Na direção deste objetivo, realizamos encontros com usuários de drogas e outros moradores de um município do interior do recôncavo da Bahia. Os encontros com usuários de drogas (crack, maconha e álcool) foram guiados pela proposta de produção de fotografias realizadas pelos próprios usuários de drogas. Os primeiros passos de aproximação com os parceiros seguiram a direção: fotografar a partir do que era importante em suas vidas, mas em tempo, nos desviamos do risco da teia da representação e não confronto de imagens, que esta proposta poderia favorecer, e nos deixamos guiar por outra pista tensionadora das imagens clichês: produzir imagens fotográficas a partir da própria relação do usuário com as drogas. O corpo-drogado na mira da fotografia e do ‘olhar de si’, olhar atual/virtual. Para acompanhar o processo de composição de olhares e experimentação do pensamento com os parceiros deste estudo, investimos na cartografia como método de pesquisa-intervenção. O recurso tecnológico da câmera fotográfica funda a cartofotografia, dispositivo de subjetivação, produtor de rachaduras nas lentes que apontam modos estereotipados de produzir e ver as imagens dos usuários de drogas. Na composição do corpo teórico, fomos afectados pelos traços do pensamento dos filósofos da diferença, Espinoza, Deleuze, Guattari, Foucault, Nietzsche e afins.

  • ERIKA CAVALCANTI MARQUES
  • "Influência da socialização organizacional percebida sobre o comprometimento organizacional: Um estudo de caso na Polícia Militar de Sergipe"
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 04/10/2013
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa versa sobre dois fenômenos psicológicos próprios das organizações: socialização organizacional e comprometimento organizacional. Mediante levantamento da literatura, considerou-se a socialização organizacional como um processo sócio-histórico fundamentado na cultura organizacional, e que ocorre à medida que o funcionário se relaciona com pares, superiores diretos e com clientes/usuários/cidadãos para os quais a organização funciona. Tal processo é contínuo com início na seleção de pessoal ou concurso público (a depender da natureza organizacional), operacionalizado por ações organizacionais e pela proatividade do funcionário para sua própria socialização. Quando de iniciativa organizacional, geralmente acontece com as seguintes estratégias: coletiva (grupo de novos funcionários) ou individual; sequencial (fases pré-estabelecidas) ou aleatória (sem estrutura prévia de atividades); serial (acompanhamento de funcionários mais experientes no cargo) ou disjuntiva (novos funcionários aprendem de forma independente); destituinte (desconsidera características individuais, investe na reconstrução de escolhas, opiniões, por exemplo) ou investidora (afirma as características pessoais); formal (informação ao funcionário sobre o momento de socialização) ou informal (inserção imediata do funcionário no cargo). O comprometimento organizacional, por sua vez, explica o motivo da permanência do funcionário na organização. É um fenômeno constituído por três dimensões: Afetiva (afeto/apego à organização), instrumental (avaliação dos custos-benefícios relativos ao desligamento da empresa e existência de perspectivas de absorção no mercado) e normativa (adesão às normas e objetivos organizacionais como uma obrigação perante a organização). O presente estudo teve como objetivo analisar a influência da socialização organizacional sobre o comprometimento organizacional dos servidores de quatro unidades especializadas da Polícia Militar do Estado de Sergipe. A metodologia consistiu na administração coletiva do Inventário de Socialização Organizacional (ISO), da Escala de Comprometimento Organizacional e de uma ficha de dados sociodemográficos a uma amostra de 270 policiais. A amostra foi constituída, preponderantemente, por Soldados e Cabos, com tempo médio de organização de 15,22 anos, do sexo masculino, média de 37 anos, com ensino superior incompleto ou completo, casados, dois filhos, renda individual média de R$4.020,40, desempenhando função operacional. Realizada análise fatorial exploratória do ISO, obteve-se uma estrutura fatorial constituída por três fatores (KMO=0,83; r2=33,12%): F1.Integração à organização-IORG-(sete itens, r2=23,01%, α=0,74): Percepção de integração aos objetivos corporativos e aos colegas de trabalho; F2.Domínio de procedimentos e atividades–DPA-(nove itens, r2=5,38%, α=0,78): Percepção de domínio da linguagem organizacional, normas e procedimentos de trabalho; F3.Proatividade e competência–P&C-(oito itens, r2=4,73%, α=0,78): Percepção de iniciativa própria na busca por informações e na persecução do bom desempenho laboral. Quanto ao comprometimento, os resultados indicaram excelente índice de confiabilidade para a escala utilizada, e escores médios da amostra, em cada base de comprometimento, denotando pouco comprometimento afetivo e instrumental e discordância quanto ao comprometimento normativo. Mediante análise de regressão múltipla, apresentaram-se como variáveis preditoras do comprometimento afetivo os fatores IORG e P&C, tempo na função e renda individual [F(4,233)=45,46; p<0,001], reunindo um bom percentual de variância explicada (44%). O preditor que mais contribuiu para a determinação do comprometimento afetivo foi o fator Integração à organização. Já para a base instrumental, os fatores de socialização organizacional não contribuíram na explicação, apenas a idade apareceu irrisoriamente como preditora, explicando 2% da variância do comprometimento instrumental [F(1,236)=5,55; p=0,02]. Por fim, para a base normativa, resultaram como preditores a idade, os fatores IORG e P&C, o tempo na função [F(4,233)=17,70; p<0,001]. Nesta equação de regressão, a variável de maior determinação é idade, ainda que o percentual de variância explicada pelos preditores em conjunto seja baixo (23%). Concluímos que a socialização organizacional influencia o comprometimento organizacional, uma vez que dois fatores da socialização organizacional (IORG e P&C) explicam pelo menos duas dimensões do comprometimento organizacional (afetiva e normativa). Este estudo contribui para a reflexão sobre a importância das estratégias institucionalizadas de socialização de novos funcionários, bem como a importância do incentivo à proatividade dos funcionários neste processo. Um processo bem sucedido de integração de novos funcionários contribui para o comprometimento organizacional e seus consequentes (satisfação no trabalho, diminuição de índices de absenteísmo e rotatividade, por exemplo), aspectos que as organizações tanto buscam.

  • MARCEL SANTIAGO SOARES
  • "SUBLIME ORDINÁRIO: SUBLIMAÇÃO, ELABORAÇÃO E COTIDIANO"
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 30/09/2013
  • Dissertação
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  • Este estudo debruça-se sobre como o engajamento em certos afazeres cotidianos e ordinários pode servir como suporte para a mudança subjetiva. Um novo trabalho, o curso de bordado, o interesse em tecnologia, a gastronomia, o esporte, a jardinagem, fotografia, quadrilha junina, reciclagem, pintura, decoração, muitos poderiam ser os exemplos. Exatamente por isso evitamos exemplificar do que tratamos por esses afazeres, posto que cada um deles pudesse escorregar em um determinismo que explicasse a mudança a partir das características próprias da atividade. Não desejamos investigar a ação, per se. Nossa hipótese, colocada aqui de forma simples, é investigar como essas ações cotidianas servem como suporte para uma modificação subjetiva, o que na linguagem psicanalítica seria traduzido como uma mudança no circuito pulsional e nos modos de investimento. Esta, por sua vez, é a definição que Freud dá ao conceito de sublimação, o qual, paradoxalmente, é usualmente exemplificado por figuras e ações excepcionais, como artistas e cientistas. Justificam-se, então, as perguntas: Quem é capaz de sublimar? A sublimação é possível em todos os planos da vida, até na ordinária e cotidiana? São essas questões que disparam nossas investigações. Para caminhar diante dessas inquietações dividimos nosso estudo em capítulos a fim de melhor abordar nosso objeto. O primeiro visa levantar as origens da sublimação, tanto no campo da filosofia estética como também no contexto cotidiano. Nosso segundo capítulo tem em vista deslocar a leitura da sublimação do universo do talento, realçando o sentido desta enquanto destino pulsional. O terceiro capítulo dedica-se a estudar a importância do Eu no processo sublimatório, tanto enquanto agente desta, quanto beneficiário dos seus resultados. Nosso quarto e último capítulo concentra duas questões distintas e convergentes: a primeira, a de saber se a elaboração, enquanto trabalho do Eu, tem alguma relação com a sublimação; a segunda, apresentar uma leitura da sublimação em três tempos: tempo de desligar, tempo de elaborar, tempo de reinvestir. Concluir-se-ia, deste modo, uma leitura da sublimação deslocada da dimensão do talento e, portanto, possível de ser reconhecida no cotidiano e no homem ordinário.

  • LIVIA ALVES FERREIRA
  • "De que corpo se trata em psicanálise?"
  • Orientador : ROGERIO DA SILVA PAES HENRIQUES
  • Data: 27/09/2013
  • Dissertação
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  • O trabalho consiste em fazer uma espécie de mapeamento do campo lacaniano, com o objetivo de pesquisar de que forma o corpo que aparece no ensino de Jacques Lacan repercutiu no discurso do analista na contemporaneidade. Mais do que desdobrar academicamente o texto lacaniano propriamente dito, o objetivo é analisar como aparecem os cortes e continuidades empreendidos por Lacan no trabalho de dois dos principais pós-lacanianos da atualidade: Colette Soler e Jacques-Alain Miller. Acreditamos que investigar de que forma estas correntes psicanalíticas contemporâneas apreendem a noção de corpo em psicanálise, a partir do ensino de Lacan, pode nos ajudar a pensar algumas das principais questões clínicas que se colocam na contemporaneidade.

  • LAIZE FONSECA OLIVEIRA
  • "PERFIL DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SERGIPE: DADOS DA CAPITAL E DO INTERIOR"
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 23/09/2013
  • Dissertação
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  • A violência sexual infanto-juvenil engloba tanto as situações de abuso sexual intra e extrafamiliar como as situações de exploração sexual nas quais a dimensão mercantil está nitidamente presente. Realizou-se uma pesquisa documental com 579 casos registrados nos anos de 2010 e 2011 do Serviço de Atendimento a Vítimas de Violência sexual de Sergipe (SAVVSS) e com 222 casos de inquéritos policiais da Delegacia de Atendimento aos Grupos Vulneráveis (DAGV). Objetivando caracterizar e analisar as situações de violência sexual contra crianças e adolescentes nestes locais. A caracterização dos casos registrados no SAVVSS aponta que 86,5% das vítimas são do sexo feminino, 56,5% são crianças (61,5% no interior e 32,1% na capital) e que 89,7% dos agressores são pessoas conhecidas da vítima, sendo 94,1% do total do sexo masculino. Entre estes agressores 31,4% caracterizam familiares das vítimas. Quanto ao local da agressão, é destacado que 62,2% sofreram na própria residência da família. Não houve diferenças significativas quanto à idade das vitimas no interior e capital, assim como não houve diferença quanto ao local da violência e quanto à caracterização dos agressores do interior e capital. Foi feita uma comparação também com relação ao fluxo de atendimento, procurando saber se as vítimas que saem da Delegacia seguem com o atendimento e o resultado aponta que dos 222 casos apenas 176 continuaram com o processo de atendimento e foram para o SAVVSS. Em geral, os resultados apontam para uma caracterização da violência sexual em Sergipe de acordo com o que aponta a literatura sobre outras áreas do país, tendo uma dinâmica semelhante entre interior e capital. Este estudo se caracteriza como o primeiro relacionando às estatísticas da violência sexual contra crianças e adolescentes nos últimos anos no Estado de Sergipe, dessa forma este trabalho virá a contribuir com estratégias de proteção infanto-juvenis no sentido de lhes garantir respaldo científico para ações intervencionistas.

  • BEATRIZ FRANCISCA SOUZA FONSECA
  • “POLÍTICAS DE SUBJETIVAÇÃO: um estudo acerca da política de relação com o Outro, na contemporaneidade”.
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 20/09/2013
  • Dissertação
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  • O estudo que embasa esta dissertação intentou traçar a política de relação com o Outro maquinada pelo modo de subjetivação capitalística. Por Outro entendemos a existência fabricada na relação com aquilo que produz efeitos nos corpos e nas maneiras de viver, o que é designado, por alguns autores, como outro. A relação com o Outro, nesta acepção, implica uma relação consigo, com o nosso próprio movimento processual de devir-outro. Partindo dos pressupostos de que os modos de subjetivação tramam distintos modos de relação com o Outro, e de que a forma como nos relacionamos com o Outro, na contemporaneidade, é forjada por aquela política singular de relação consigo, a pesquisa em pauta pensou os jogos de constituição, de operacionalização e de possíveis ultrapassamentos de tal política. O campo prático-conceitual que a agenciou se constitui, sobretudo, pelas ferramentas teórico-metodológicas da Filosofia da Diferença e por uma extensa rede de intercessores. O modo de pensar que esse campo anima implica uma prática de pesquisa ético-estético-política e, para operá-la, recorremos às orientações fornecidas pelo método da cartografia, modo de conceber a pesquisa e a relação pesquisador-pesquisado que visa o estudo da dimensão processual da subjetividade e de seu processo de produção. Sob esse viés, primeiramente, tratamos da política de produção do conhecimento que entusiasmou o estudo. Em seguida, percorremos o processo de produção e o modus operandi da política de relação com o Outro fabricada pela subjetivação dominante em nossos dias. Num terceiro momento, aventuramos cruzar estudos de teóricos que vislumbram possibilidades de ultrapassar a máquina capitalística. Inspirado nestes intercessores e nos movimentos que constituíram o processo de pesquisa, o estudo cogita que as chances de excedermos a política de subjetivação hegemônica e produzirmos políticas concorrentes de relação com o Outro se encontram justamente onde o aparelho capitalístico está/atua, em nosso diminuto e ordinário fazer, operar e viver cotidiano, restando-nos o desafio de criar maneiras de efetivá-las, continuamente, à medida que nos dispusermos a vivenciar o plano ético-estético-político e os tantos outros operadores de resistências que estão sendo e/ou poderão vir a ser inventados.

  • NAIARA FRANÇA DA SILVA
  • "REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ACERCA DO USUÁRIO DE CRACK NA PERSPECTIVA DE DIFERENTES ATORES SOCIAIS INSERIDOS NO CAPS."
  • Orientador : ANDRE FARO SANTOS
  • Data: 20/09/2013
  • Dissertação
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  • Pela velocidade com que o crack tem ganhado lugar na sociedade e por ser considerado, hoje, como um grande problema social, este trabalho tomou como objeto de estudo as representações sociais acerca do usuário de crack. O postulado da Teoria das Representações Sociais é apreendido pelas diversas áreas de conhecimento, tornando-se eixo de pesquisas importantes para a revelação da realidade, possibilitando a investigação de fenômenos com abrangência social, como a drogadição. Desse modo, a pesquisa buscou analisar as representações sociais acerca do usuário de crack atribuídas por usuários em acompanhamento, familiares e profissionais que os acompanham no CAPS. Pretendeu-se, ainda, analisar a relação entre essas representações e as práticas do serviço do CAPS no acompanhamento dos usuários de crack. O estudo com abordagem quanti-qualitativa foi desenvolvido de acordo com o referencial da Teoria do Núcleo Central. A pesquisa foi realizada em quatro CAPS, sendo três localizados no interior do estado de Sergipe e um na capital, Aracaju. Participaram do estudo trinta usuários de crack, trinta profissionais e vinte familiares. Para coleta de dados, elaborou-se um roteiro para uma entrevista aberta com temas norteadores. Foi utilizada ainda, a técnica de evocação livre. Para análise de evocações, os dados foram organizados e processados através do software EVOC. Para análise discursiva foi utilizado o software Alceste, desenvolvido por Max Reinert. Os resultados da pesquisa servirão como contribuição para estudos futuros na área da psicologia social e da saúde mental, visando um maior entendimento da substância psicoativa crack, suas implicações e repercussões.

  • MARCEL MAIA DE OLIVEIRA GOMES
  • O cuidado de si na redução de danos: uma análise histórica, política e ética, a partir de Michel Foucault.
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 23/08/2013
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa discute o cuidado de si enunciado nas estratégias de redução de danos direcionadas aos usuários de drogas. Tais estratégias intitulam-se potencializadoras de uma postura ética, pois possibilita a esses usuários de drogas tornarem-se, então, protagonistas de suas próprias ações, e adquirir liberdade em suas escolhas, em suas decisões de vida. A partir dessa afirmação, e em face ao pensamento de Michel Foucault, a pesquisa questiona se o cuidado de si da redução de danos seria condizente a uma dimensão ético-libertadora, ou a um imperativo moral do cuide-se no campo das práticas de saúde. As análises percorrem um caminho que compreende a articulação de três planos de investigação: um histórico, um político e um ético, construídos ao mesmo tempo em que se atravessam. A investida histórica apresenta as primeiras formulações de uma noção de medicina social na Alemanha, na França, na Inglaterra e no Brasil, bem como suas relações com a noção de polícia médica, práticas de militarização e biopolítica. No plano político são analisados dilemas traçados entre as instâncias jurídicas e da saúde ao tratar da questão das drogas. Em meio às discussões históricas e políticas, a pesquisa levanta a hipótese de que as práticas de redução de danos condizem a uma atualização da medicina social. O plano ético põe em questão os enunciados do cuidado de si presentes nas estratégias de redução de danos, contrapostas à articulação ética e política no pensamento de Foucault em sua pesquisa histórica da Antiguidade.

  • LÁZARO BATISTA DA FONSECA
  • Severinas Missiveiras: narrativas sobre a invenção da vida em um sertão contemporâneo.
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 16/08/2013
  • Dissertação
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  • Como no histórico poema cabralino, ainda hoje muitos Severinos – maridos, pais, filhos e irmãos – saem do Nordeste, motivados pelo sonho de prosperar na labuta e encontrar um sentido para suas existências, fugindo de um lugar como sendo de morte e indo em busca de outra vida. Porém, nesses novos tempos, o destino não é a cidade-capital, mas regiões distantes e quase inabitadas do país. Surge uma questão: se aos homens resta ainda essa possibilidade, às suas mulheres que aqui ficam, o que é reservado? E o que delas se espera? E o que elas esperam? Por meio de algumas narrativas, esse trabalho propõe discutir e problematizar os encontros de mulheres Severinas, nordestinas do sertão sergipano, com as novidades e vicissitudes que o trabalho de seus homens lhes propicia e as alterações que produz na vida do lugar e das pessoas. Como ocupam, se é que ocupam, aqueles territórios e que táticas inventam para melhor se colocarem neles. Como se enxergam nesses lugares e como neles fixam territórios, entre a falta do ente, a expectativa por seu retorno e as exigências que sua ausência presentifica.

  • MARCUS VINICIUS OLIVEIRA SANTOS
  • Modernidade e desamparo: reflexões a partir da teoria freudiana do social.
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 09/08/2013
  • Dissertação
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  • Este trabalho, como o próprio título sugere, tem como escopo discutir as relações entre a modernidade e o desamparo, à luz da teoria freudiana do social, isto é, a partir dos chamados textos antropológicos ou sociológicos que compõem a obra freudiana. Inicialmente, faremos uma apresentação acerca da modernidade, a partir de diferentes perspectivas, e, ademais, formularemos uma breve descrição do que compreendemos como oideário moderno, isto é, o conjunto dos principais pressupostos que definem a modernidade. Em seguida, discutiremos as relações estabelecidas entre a psicanálise, a modernidade e o modernismo, entendido como um movimento de crítica aos pressupostos modernos. Tentaremos, com efeito, problematizar o argumento segundo o qual haveria uma inflexão na leitura freudiana sobre a modernidade que produziria uma ruptura radical com o ideário moderno. Como queremos demonstrar, talvez fosse mais apropriado afirmar o caráter híbrido da teoria freudiana, na medida em que nela se misturam tendências antagônicas, indissoluvelmente entrelaçadas. Doravante, investigaremos o estatuto do desamparo no discurso freudiano. O nosso ponto de partida é a discussão do desamparo no registro biológico, a partir do Projeto de 1895. Ademais, trataremos do desamparo no registro social, enfatizando como tal condição seria resultante da falência da tradição e das concepções pré-modernas, notadamente no que tange ao declínio de uma figura protetora. Nessa concepção, vale dizer, o desamparo seria estrutural e inerente à inscrição do sujeito na modernidade. Abordaremos também a questão dos destinos do desamparo. No cardápio dos procedimentos de regulação do mal-estar indicados por Freud, as ilusões aparecem como uma das possíveis alternativas, ou seja, como um dos caminhos para a busca da salvação. Buscaremos, por fim, evidenciar que as ilusões compõem não apenas o arcabouço das ideias religiosas, mas também enunciados característicos de outras formas de visão de mundo (Weltanschauung), com destaque para alguns sistemas filosóficos.

  • ADRIANA SOUZA DA SILVA
  • A marca de lei no corpo: considerações sobre o registro da (in)utilidade no corpo de trabalhadores bancários.
  • Orientador : MARIA TERESA LISBOA NOBRE PEREIRA
  • Data: 31/07/2013
  • Dissertação
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  • O presente estudo objetiva enunciar as discursividades sobre o adoecimento do corpo do trabalhador acometido por LER/Dort e sua relação com os dispositivos de proteção social do Estado (benefícios acidentários e previdenciários) e contra o Estado (demandas administrativas e judiciais dos trabalhadores contra o INSS). Com isso, pretende identificar os relatos sobre a (in)utilidade do corpo do trabalhador acometido por LER/Dort presente nas publicações do INSS e, a partir dessas publicações, mapear os demais atores sociais que se presentificam nesses documentos no discursos sobre o conceito de corpo incapaz para o trabalho. Também se problematizam a relação entre trabalho, corpo e saúde na contemporaneidade a partir dos sentidos que se constroem nesse jogo discursivo e de que forma as diversas instâncias e dispositivos de Estado se atravessam na produção de sentidos sobre os sujeitos que são acometidos pelas LER/DORT e que se encontram numa situação de incapacidade para o trabalho. Na tentativa de demarcar as condições de possibilidade dessas discursividades, busca enfatizar as marcas de historicidade envolvidas nos aspectos de produção, circulação e consumo desses discursos. Partindo da pesquisa documental como estratégia metodológica, o trabalho pauta-se no olhar que assume a análise das práticas discursivas através da produção de sentidos. São utilizados como documentos as publicações do INSS em seu portal eletrônico que têm como assunto abordado as LER/Dort. Na análise dos documentos, observa-se a consolidação das publicações do INSS na produção de sentidos sobre as LER/Dort, mas também é enunciado o recente arregimento entre o Ministério da Previdência e Assistência Social e os Ministério da Saúde e Ministério do Trabalho e do Emprego. No que diz respeito à avaliação da incapacidade para o trabalho, ressalta-se a supremacia do olhar clínico sobre os exames físicos, o que indica possivelmente a importância dada ao perito previdenciário na produção de verdade sobre essa enfermidade. As medidas terapêuticas ainda são consideradas incipientes e o prognóstico é bastante desfavorável ao trabalhador. A reinserção profissional do trabalhador que foi acometido pelas LER/Dort e encontra-se apto ao retorno ao trabalho ainda é uma etapa conflituosa, o que tem demandado questões sobre a responsabilização pelo adoecimento e pela proteção social desse trabalhador. As ações judiciais entre trabalhador e empresa, trabalhador e INSS e empresa e INSS parecem estabelecer um campo conflituoso para garantia de direitos e proteção social para o trabalhador que é marcado como incapaz para o trabalho em virtude das LER/Dort.

  • MONIQUE DE JESUS BEZERRA DOS SANTOS
  • Nos Bastidores da Revolução dos Direitos e Deveres: A estranha natureza do Estado e das Políticas Públicas.
  • Orientador : MANOEL CARLOS CAVALCANTI DE MENDONCA FILHO
  • Data: 30/07/2013
  • Dissertação
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  • O presente trabalho é reflexo da busca pelo estudo dos problemas encontrados na prática diária de atuação profissional de uma funcionária da Política de Assistência Social em um Município do interior do Nordeste brasileiro. Inicialmente, esta se deu pela via da fundamentação de mais um determinismo, através de uma forma de culpabilização dos usuários da assistência por uma dita falta de iniciativa (ou conformismo) em busca da superação de sua condição de vulnerabilidade, o que entravaria o desenvolvimento social do país. No entanto, ao longo da pesquisa, o que nasceu como mais um relato de práticas de um funcionalismo público distante da lei e em defesa de uma maior intervenção do Estado, nessa trajetória de retomada dos problemas encontrados no campo, passou a ser visto sobre outro prisma. Passou-se a questionar quais significados poderiam emergir para essas práticas da técnica se fossem outros os problemas a observar. Agora, não mais caberia relatar o quanto a prática ou a “realidade” deixava de atender às exigências de uma comemorada lei. A legitimidade, ou seja, a “real validade” das lógicas presentes nesse movimento de normatização das vidas agora eram vistas pela pesquisadora face à intervenção da técnica. Para tornar possível o choque dessas forças aparentemente antagônicas entre pesquisadora e técnica – e porque não objetos de pesquisa – tomamos como proposta uma abordagem etnográfica e etnometodológica da rotina da técnica, registrando em diário de campo meses de sua atuação profissional. No presente documento essa escrita do diário é reaberta e mais uma vez dilacerada, transcorrido mais de um ano de distanciamento dos corpos de ambas (técnica e pesquisadora) com o campo pesquisado. Nessa nova escrita coube uma radicalização desse distanciamento, por assim dizer, onde a pesquisadora termina por buscar não o sentido ou a explicação para as coisas vivenciadas, mas apenas problematizar, sob outras implicações, os recortes dos acontecimentos uma vez descritos pelas mãos da técnica em seu diário de campo.

  • OTHON CARDOSO DE MELO NETO
  • ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE EM VULNERABILIDADE - PERSPECTIVAS DE FUTURO, TRABALHO E ESCOLA
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 24/05/2013
  • Dissertação
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  • O objetivo deste estudo teve como base investigar a forma como a perspectiva de futuro de jovens em condições de vulnerabilidade social é influenciada pelo clima e qualidade da escolaridade/formação, considerando o papel da autoestima. A pesquisa foi realizada em grandes escolas públicas de duas cidades (Aracaju e Itabaiana). Participaram do estudo 507 estudantes da rede pública de ensino, com idades entre 14 e 24 anos, 61,1% do sexo feminino e 38,9% do sexo masculino, com maiores probabilidades de viverem situações de vulnerabilidade. Foi utilizado um instrumento de 58 questões, autoaplicado e confidencial. Foram utilizadas escalas que tratam sobre Perspectiva de Futuro, Clima e Qualidade Escolar, além da escala de Autoestima de Rosenberg, entre outras medições. A média de idade dos jovens foi de 17,08 anos (DP=1,55 anos). Os resultados indicam que jovens que estudam em escolas do interior possuem melhor percepção sobre a instituição do que jovens que estudam na capital (t=-6,407;p=,000). Jovens estudantes na capital possuem níveis de autoestima mais elevada que aqueles que estudam no interior (t=-,677 ; p=,499), enquanto que, sobre os níveis de perspectiva de futuro, os jovens do interior possuem melhores índices (t=-1,951; p=,052). Uma ANOVA entre Perspectiva de Futuro e Clima e Qualidade Escolar mostrou que há relação entre maiores níveis de satisfação com a escola e melhores Perspectivas de Futuro (F=3,661; p=0,26), assim como jovens que consideram de boa qualidade suas escolas, possuem níveis de Autoestima mais elevados (F=7,234; p=,001). Uma análise de regressão linear mostrou que o Clima e Qualidade Escolar e a Autoestima explicam 18% (R²=0,182) dos níveis de Perspectiva de Futuro dos estudantes. Os dados sugerem que a qualidade da escola deve ser considerada sobre o grau de construção da perspectiva de futuro de um jovem, da mesma maneira como a autoestima e a renda.

  • RODRIGO DE SENA E SILVA VIEIRA
  • Estereótipos e preconceito contra os idosos.
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 26/04/2013
  • Dissertação
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  • Os idosos são um grupo cada vez mais representativo em nossa sociedade. Dados do IBGE mostram que, no ano 2000, havia 14,5 milhões pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, ou 8% da população. Em 2010, esses números subiram para 18 milhões, o que corresponde a 12% do total de brasileiros. O crescimento da população idosa viabiliza e intensifica o contato desses indivíduos com os demais grupos sociais, fomentando reflexões sobre o modo como o idoso é concebido e suas implicações nas relações que se estabelecem com ele. Grosso modo, existe uma visão ambivalente sobre essas pessoas em nosso país, onde são associadas positivamente à afetividade e a novos estilos de vida, mas negativamente à decadência e à invalidez. É de nosso interesse aprofundar o modo como essas crenças se organizam, assim como suas implicações no cotidiano. Este trabalho investiga os estereótipos e o preconceito contra os idosos, ou idadismo, fenômenos que possuem especificidades. Primeiramente, envolvem o trato com um grupo de que todos farão parte no futuro, diferentemente das relações observadas no racismo ou sexismo. Em segundo lugar, para além da manifestação aberta, o idadismo pode se camuflar em práticas socialmente aceitas, como a infantilização ou a superproteção dos idosos. Nossa investigação sobre o tema se deu a partir de 2 estudos: um deles averiguou o conteúdo e a organização dos estereótipos sobre os idosos através de um roteiro de entrevista estruturado, além do preconceito explícito por meio de duas escalas; o segundo analisou o preconceito implícito, ou não controlado, através de um experimento no computador. Os resultados apontam para uma fuga das declarações abertas de preconceito, em que a maior parte do conteúdo negativo expressado é atribuída à sociedade; entretanto, quando os respondentes não têm controle sobre suas atitudes, a manifestação do idadismo é clara.

  • PRISCILA FERREIRA MENDONÇA
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA LOUCURA, VIVÊNCIA DO PRECONCEITO E EXPECTATIVAS FUTURAS DOS PORTADORES DE TRANSTORNOS PSICÓTICOS
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 01/04/2013
  • Dissertação
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  • A incidência dos transtornos mentais no mundo, segundo dados da OMS (2001) é de 450 milhões de pessoas, sendo 5 milhões dessas brasileiros e 1 milhão acometidos pela esquizofrenia. Com a reforma psiquiátrica e a desinstitucionalização da “loucura”, supõe-se um aumento de contato com os indivíduos portadores de algum transtorno mental, devido aos esforços para reinserir socialmente esses sujeitos. Entretanto, a forma como os indivíduos que não são portadores percebem os que são, pode ser marcada por atitudes preconceituosas que podem gerar consequências maléficas para os últimos, influenciando a forma como eles mesmos se percebem. Partindo disto e baseando-se em estudos que apontam para uma visão social estigmatizada dos portadores de esquizofrenia e demais transtornos psicóticos, objetiva-se investigar as percepções dos portadores de transtornos psicóticos, usuários de CAPS, sobre a loucura, o transtorno que possuem, o processo de estigmatização a que são submetidos e suas expectativas futuras. Para tanto, foram entrevistados 25 portadores de transtornos psicóticos de dois CAPS de Sergipe. Os resultados apontaram que esses indivíduos percebem a sociedade como preconceituosa e se sentem marginalizados por ela, principalmente no aspecto de negação de oportunidades de trabalho. Além disso, percebem-se como incapazes, principalmente de trabalhar, visão esta compartilhada com a sociedade de modo geral, sugerindo uma possível interiorização dos estigmas pelos indivíduos estigmatizados. Entretanto, por outro lado, há uma tentativa de recusa dos estereótipos negativos que os acompanham, ao não se autoperceberem como loucos, atribuindo a estes um caráter de gravidade maior, mas reconhecendo que a sociedade assim os veem. Por fim, foi identificado que as expectativas negativas de futuro estão associadas a aspectos que lhes faltam em virtude do preconceito, pois para eles, um futuro melhor está associado a um pertencimento à sociedade, seja por meio do estabelecimento de relações afetivas – casamento – ou do trabalho – situações estas que percebem como improváveis de vivenciar no futuro.

  • JACKELINE MARIA DE SOUZA
  • "BULLYING: UMA DAS FACES DO PRECONCEITO HOMOFÓBICO ENTRE JOVENS NO CONTEXTO ESCOLAR"
  • Orientador : JOILSON PEREIRA DA SILVA
  • Data: 05/03/2013
  • Dissertação
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  • Entre as diversas formas de se compreender a violência escolar, atualmente vem se destacando uma forma específica denominada bullying. Conceitualmente, o bullying é definido como uma violência repetitiva, podendo ser física ou psicológica, direta ou indireta, que é estabelecida em uma relação desigual de poder entre pares, produzindo conseqüências negativas para o alvo. No presente estudo é feita uma aproximação desse fenômeno com a homofobia, sendo o bullying uma das formas de manifestação desse preconceito no âmbito escolar. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo geral analisar o bullying em jovens das escolas públicas de Aracaju, bem como, a relação de sua manifestação com a homofobia. Participaram 808 jovens com idade média de 14,9 anos (DP = 1,98), oriundos de 9 escolas da rede estadual da cidade de Aracaju-SE. O procedimento de coleta de dados ocorreu nas escolas, de forma coletiva e durante um período da aula cedido pelo professor. A coleta foi dividida em duas etapas: (1) entrega dos Termos de Consentimentos Livre e Esclarecidos (TCLE) aos alunos e explanação sobre a pesquisa; (2) no dia seguinte, retornava-se para recolher os TCLEs assinados pelos responsáveis e aplicação do questionário. Dentre os participantes, a maioria foi do sexo feminino (57%), pardos (52%) e afirmou pertencer a alguma religião (93%). Os instrumentos utilizados foram um questionário de bullying, escala de homofobia e o questionário de saúde geral (QSG). Para análise dos dados foi usado o software estatístico SPSS-19, utilizando a estatística descritiva e inferencial. Os resultados indicaram que, entre os participantes, 32% se definiram como alvos de bullying, 12% autores, 22% alvos/autores e 34% somente testemunhas. A homofobia foi descrita entre os alvos como responsável por 9% dos casos de bullying – somente entre os meninos essa porcentagem representou 22% dos casos; e entre as meninas 2%. Observou-se que o grupo de autores de bullying, apresentam maiores escores de homofobia, se diferenciando estatisticamente (p < 0,05) dos grupos de alvos. Em uma análise de regressão logística com as duas variáveis em destaque para compreender o bullying (sexo e homofobia), observou-se que o modelo mais adequado foi composto somente pelo sexo. Além disso, percebe-se que o bullying interfere no bem-estar psicológico dos sujeitos, sendo os grupos de alvo-autores e alvos os participantes com menor bem-estar, diferenciando estatisticamente dos demais.

  • ANA LUIZA SOBRAL OLIVEIRA
  • CIRURGIA BARIÁTRICA: FRAGMENTOS DA ANÁLISE DE UMA ESPERA.
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 25/01/2013
  • Dissertação
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  • Esse trabalho se propõe a analisar o tema obesidade e sua classificação mais extrema, a obesidade mórbida, além de suas formas de tratamento, com ênfase na cirurgia bariátrica, intervenção cirúrgica que surge para solucionar o problema da obesidade, assumindo, muitas vezes, um caráter mágico. Na contemporaneidade, o corpo assume papel central na vida do sujeito e é palco para modificações que visam um corpo saudável e perfeito. O discurso médico embasa esse contexto ao pontuar que o corpo ideal é o saudável, por proporcionar maior qualidade de vida ao sujeito e maior longevidade. Nesse cenário, o indivíduo obeso é um desviante, pois por não ter domínio sobre seu corpo para o alcance do saudável, ele se situa longe do limiar de normalidade que a medicina postula. Os tratamentos são a tentativa de reprogramar tal corpo, através de dietas, de exercícios físicos e, em casos mais graves, de medicamentos. A cirurgia bariátrica é indicada quando o tratamento convencional não teve sucesso e promete reduzir o IMC para uma faixa dentro da normalidade, melhorar as comorbidades e, consequentemente, a qualidade de vida do sujeito. A grande questão desse é o que leva o sujeito a procurar a cirurgia bariátrica. Inserimo-nos no programa de cirurgia bariátrica do Hospital Universitário da UFS para analisar na prática os processos ocorridos. Sob o referencial teórico-metodológico da Psicanálise e dispostos a escutar, exploramos o campo na sala de espera. As falas dos pacientes que aguardavam consultas com a equipe de preparação do programa, além de outros que por ali passavam, enriqueceram o trabalho. Chegamos à conclusão que o discurso médico pode desconsiderar o sujeito, suas expectativas e medos nesse processo, retirando dele sua implicação na decisão de realizar a cirurgia, à medida que acaba sugerindo ao sujeito uma forma de tratamento aparentemente mágica que cura a obesidade.

2012
Descrição
  • ANA CECILIA CAMPOS BARBOSA
  • "OS INSTITUTOS FEDERAIS: REFLEXÕES SOBRE A IFETIZAÇÃO A PARTIR DO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO REGIMENTO GERAL DO IFS"
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 14/12/2012
  • Dissertação
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  • O texto aborda uma discussão sobre a mais recente reforma no campo da educação profissional no Brasil, a ifetização. A criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia consistiu na reorganização da rede federal com a integração de CEFET, Agrotécnicas, Escolas Técnicas e Unidades vinculadas a Universidades de uma mesma região, processo que resultou no surgimento de 38 institutos. Utilizamos alguns conceitos da Análise Institucional como referencial teórico, como também um conjunto documental e bibliográfico, com o fim de desenvolver um panorama histórico para compor nossas análises. O estudo tem o objetivo de expor um trabalho reflexivo a respeito da institucionalização do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia, observando o processo de ifetização no nosso Estado por meio da elaboração do Regimento Geral do Instituto Federal de Sergipe, momento em que se encontrava o processo na época da elaboração da pesquisa. Foram discutidos os temas formação docente, programas especiais, participação da comunidade, integração e autonomia. Ao final, concluímos que apesar de ser um modelo que propõe uma ruptura com as reformas e práticas anteriores, muitos aspectos e tendências históricas se repetem no processo de institucionalização do Instituto.

  • LEOMIR CARDOSO HILÁRIO
  • "Razão e sociedade: da Crítica do Poder à potência da crítica."
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 14/12/2012
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivos, por um lado, investigar as relações entre Foucault e a Escola de Frankfurt e, por outro, discutir o legado desta corrente de pensamento através da reflexão acerca de sua vitalidade para o tempo presente. Num primeiro momento, analisamos os elementos centrais da crítica realizada por Axel Honneth, em Crítica do Poder, ao pensamento de Michel Foucault, articulando-a com sua análise da obra do chamado “círculo interno” da Escola de Frankfurt, principalmente, Adorno e Horkheimer. Desta maneira, entendemos que Honneth opera uma aproximação do pensamento foucaultiano à linhagem crítica frankfurtiana com ênfase em deficiências comuns que apontam para uma filiação entre os autores e, ao mesmo tempo, para sua insuficiência na análise da sociedade contemporânea. No segundo momento, partimos criticamente do ponto de vista defendido por Axel Honneth segundo o qual Foucault e Habermas podem ser compreendidos como desenvolvimentos rivais das idéias e questões propostas pela primeira geração da Escola de Frankfurt. Indicamos também que os pensamentos de Adorno/Horkheimer e Foucault se configuram em linhas paralelas de abordagem da sociedade moderna, mantendo pontos de distanciamento, ao mesmo tempo em que convergem no que se refere a uma análise radical que afirma a indissociabilidade entre crítica, razão e sociedade. Por fim, buscamos concluir nossa travessia focalizando a teoria social frankfurtiana e o papel que a aporia desempenha em sua montagem, tanto no que se refere à questão da crítica da razão tal qual Habermas a formula e no que tange à práxis social emancipatória da maneira como Lukács a compreende. Procuramos, então, encaminhar estas duas críticas através do eixo comum do deslocamento da aporia: ela deixa de ser o obstáculo da crítica ou a responsável pela danificação da reflexão crítica, sendo assim necessário que a superemos de alguma forma, e passa a ser concebida como a condição de possibilidade do exercício crítico, como a potência da crítica.

  • DENISE FREITAS BRANDÃO
  • "VOCÊ QUER SER PROFESSOR? UM ESTUDO SOBRE O INTERESSE DE LICENCIANDOS EM PEDAGOGIA PELA PROFISSÃO DOCENTE"
  • Orientador : MARIA BENEDITA LIMA PARDO
  • Data: 28/09/2012
  • Dissertação
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  • O presente estudo teve por objetivo analisar as representações sociais que estudantes de licenciatura em Pedagogia têm acerca da profissão docente e o interesse dos mesmos em relação ao futuro exercício profissional. Utilizou-se a teoria das representações sociais e contribuições da Psicologia do Trabalho para contextualizar a temática abordada no âmbito da Psicologia Social. A pesquisa foi realizada com 120 estudantes do curso de Pedagogia Licenciatura da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e utilizou para a coleta de dados um questionário próprio, auto-aplicável, com questões fechadas, semi-fechadas e abertas referentes ao tema do estudo. O questionário visou aos objetivos secundários de: identificar as representações que esses estudantes de licenciatura em Pedagogia tinham acerca da profissão de professor; descrever como os mesmos avaliavam a escolha do curso de formação que estavam realizando; e explorar o interesse desses estudantes em relação ao exercício da docência. Os dados foram tratados com análise estatística e de conteúdo. Os resultados mostraram que, em geral, os estudantes avaliavam a figura do professor como sendo de grande importância para a sociedade, porém reconheciam que há uma desvalorização social da profissão e que o professor é de certo modo impotente para realizar a mudança necessária na sociedade, embora tenha ao mesmo tempo um importante papel a cumprir para a transformação social. Destaca-se, na avaliação da escolha do curso, que fatores relacionados ao conteúdo (significado) do trabalho tenderam a ser critérios adotados para tal escolha, enquanto fatores ligados ao contexto da profissão (desvalorização social, remuneração, sobrecarga de trabalho), foram mais frequentemente atribuídos como justificativas para insatisfação com a opção de curso realizada. A maioria dos participantes relatou que pretende exercer a docência, porém, foi evidenciado baixo interesse por uma atuação mais duradoura nessa atividade. Os estudantes também se dividiram em seus planos para logo após a formatura, entre a atuação na Educação Básica, a continuidade dos estudos e o exercício de uma função técnica. Outro resultado obtido foi que a avaliação de aspectos relacionados à profissão docente tendeu a ser mais positiva dentre os alunos que pretendiam exercer a profissão de professor, dentre os que se descreveram mais satisfeitos com a escolha do curso, e dentre os que perceberam de modo positivo a experiência tida na função de professor. O estudo apontou para a necessidade de melhoria das condições de trabalho da profissão de professor a fim de favorecer o ingresso e a permanência dos estudantes na carreira docente.

  • GUILHERME FERNANDES MELO DOS SANTOS
  • "Residentes Universitários da UFS: Dinâmicas identitárias, estereótipos e ambivalência"
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 26/09/2012
  • Dissertação
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  • A partir do entendimento de que as identidades se forjam dinamicamente no cotidiano dos indivíduos, em meio às condições sociopsicológicas e políticas, adotamos neste trabalho a perspectiva teórica da psicologia social, que considera a identidade social como uma parcela da auto-enunciação de si relacionada à percepção de pertença aos grupos sociais, juntamente com significados emocionais associados a essa pertença. Este trabalho analisa aspectos relativos às dinâmicas de constituição e conteúdos identitários entre estudantes residentes universitários da Universidade Federal de Sergipe por meio de dois estudos, inicialmente seguindo um roteiro estruturado de entrevistas e posteriormente através de encontros na modalidade de grupo focal. O primeiro estudo teve por objetivo principal investigar como os residentes universitários processavam as suas construções identitárias e especificamente buscou-se verificar qual a dimensão identitária seria mais evidenciada, a individual ou a coletiva, qual a importância do pertencimento social (ser residente) para as construções identitárias dos participantes da pesquisa, qual o nível de satisfação associado à pertença social, quais as representações que os residentes têm de sua pertença social e por fim, quais metaestereótipos em relação ao grupo de pertença são apreendidos pelos residentes no contexto universitário. Os resultados desse estudo indicaram a grande capacidade dos sujeitos pesquisados em significar para si um autoconceito ligado à dimensão individual, em detrimento da possível consideração da dimensão coletiva das identidades. Foi notado também, pouco destaque nas formulações de autoconceito dos participantes da pesquisa em relação à categoria identitária “residente/residente universitário”, sendo que a mesma, além de pouco prevalente é também pouco ou quase nada saliente entre os mesmos. Além do mais, foi verificado que, para aqueles que associam suas identidades ao reconhecimento do pertencimento social, o nível de satisfação em relação às suas identidades é ambivalente. Foi possível verificar também que havia sido formado entre os pesquisados um quadro representacional em relação à pertença social que não favorece a produção identitária vinculada ao pertencimento social ao grupo dos residentes universitários, esse quadro inclui ainda a apreensão dos metaestereótipos em relação ao grupo produzidos no contexto universitário. O segundo estudo teve por objetivo verificar se em contextos onde possivelmente o pertencimento social ao grupo dos residentes universitários estrutura posicionamentos políticos, os participantes recorreriam à pertença social “residente universitário” com maior prevalência e saliência no fomento de suas declarações. Os resultados desse estudo indicam que, em situações específicas, os residentes universitários passam a usar a categoria social ao qual fazem parte nas suas construções identitárias com o objetivo claro de legitimar as demandas e angariar recursos (materiais e simbólicos) para o grupo. O reconhecimento dos contextos sociais, nos quais, as dinâmicas identitárias se processam. A percepção do preconceito e da discriminação que advêm do estabelecimento de uma identidade social pouco valorizada faz com que os indivíduos não editem suas pertenças identitárias, ao passo que em momentos de disputas políticas por melhores condições para o grupo de pertença, a afirmação da identidade social se faz urgentemente necessária na legitimação das demandas relacionadas ao bem estar do grupo.

  • FERNANDA HERMINIA OLIVEIRA SOUZA
  • "Todos precisam de uma família? O acolhimento insititucional e os discursos que o sustentam"
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 14/09/2012
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa investiga, a partir do referencial psicanalítico, o lugar que a família ocupa tanto nas políticas públicas voltadas à proteção à infância e à adolescência quanto no discurso daqueles que operam tais políticas, com destaque para as instituições de acolhimento institucional ou abrigos. A pesquisa identificou um modelo específico de família, família nuclear, como regulador das relações entre crianças, funcionários das instituições e Estado, a despeito do surgimento de novas formas de vínculo parental e da impossibilidade de se reproduzir o modelo familiar no ambiente institucional. A análise histórica revelou que o modelo familiar nuclear passou a se constituir como modulador das relações sociais. Esse modelo, centrado na tríade pai-mãe-filho, parece ser referência para a constituição das instituições de acolhimento e aparece como dimensão imaginária, que serve de núcleo de sustentação da lei e do funcionamento institucional. Tendo em vista o papel da família nuclear na estruturação da sociedade e do indivíduo, analisam-se as novas modalidades de configuração familiar e como elas indicam o declínio da família nuclear. Em seguida, duas possibilidades para a compreensão da vinculação afetiva no ambiente institucional são apresentadas: uma vertical, baseada na reprodução da filiação pelo modelo nuclear; outra, horizontal, baseada no vínculo fraterno.

  • ELDER MAGNO FREITAS SANTOS
  • "Processos de Subjetivação de Pessoas que Vivem com HIV/AIDS: considerações acerca de um grupo de adesão ao tratamento"
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 31/08/2012
  • Dissertação
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  • A epidemia de AIDS completa 30 anos desde a sua divulgação no início dos anos 1980. De lá para cá, modelos de enfrentamento da epidemia surgiram como respostas a sua disseminação e a um imaginário social e psíquico marcados pelas figuras da morte, pela culpabilização e pela estigmatização das pessoas afetadas pela doença. Diante desse quadro, outros modos de saber e de intervenção se organizaram reforçados pela própria dinâmica da epidemia, da mobilização social e do surgimento das terapias antirretrovirais que indicaram a necessidade de se pensar um sistema de cuidados específico para as pessoas que vivem com HIV/AIDS (PVHA) que vai além do tratamento da doença. Tais reformulações são condensadas na noção de “promoção à saúde” que representa uma ampliação do olhar sobre a política assistencial das PVHA sintetizada pelas ideias de empoderamento e vulnerabilidade. O objetivo dessas reformulações, não obstante a ampliação do acesso aos insumos ligados à prevenção e ao tratamento da doença, visa combater o preconceito e a discriminação sociais que ainda assujeitam as pessoas que vivem com HIV/AIDS e assim impulsionar práticas de atenção à saúde que, para além de fazer dos sujeitos alvos de intervenções, disparem processos de subjetivação a partir de valores como cidadania e qualidade de vida. Assim, a presente pesquisa tem como objetivo compreender como está se dando os processos de subjetivação das PVHA, no contexto de um “grupo de adesão ao tratamento” no município de Aracaju, a partir do confronto entre suas narrativas, o imaginário social e psíquico em torno da AIDS e os discursos institucionais vigentes. A análise das narrativas do grupo de adesão e dos sujeitos que vivem com HIV/AIDS mostrou a dupla importância da problematização e da consolidação da política de promoção à saúde voltada ao sujeito que vive com HIV/AIDS, na medida em que a mesma se inscreve em modelos de inteligibilidade da doença e de sociedade marcados pelo discurso moderno de controle e segurança associados ao discurso da prevenção. Nesse sentido, formas de pensar a política assistencial e a própria clínica psicanalítica reproduzem processos de sujeição em torno da culpa, da vitimização e da instrumentalização política que sustentam o lugar da AIDS como doença do outro a ser governado. Mas, ao mesmo tempo, o “grupo de adesão” indica a potência afetiva e crítica de um grupo, formado pela proteção e marcado pelo negativo da doença, que resiste a tais sujeições em nome da busca de um comum que não recaia em uma lógica identitária, a amizade.

  • FERNANDA DE OLIVEIRA NUNES
  • "SIGNIFICADO DO TRABALHO PARA AGENTES DE LIMPEZA E COLETORES DE ARACAJU/SE"
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 06/08/2012
  • Dissertação
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  • O significado do trabalho é um constructo estudado desde a década de 1980 por diversas áreas do conhecimento, como a Psicologia, Enfermagem, Administração e Economia, devido à grande influência que exerce e sofre, concomitantemente, na vida dos indivíduos, nas organizações, na sociedade e cultura em geral. Além desta amplitude e dinamismo conceitual, pesquisadores o compreendem como um fenômeno com múltiplas e, às vezes, contraditórias facetas: pode ser significado como ‘desgastante’ e ‘fonte de realização pessoal’ ao mesmo tempo. As facetas do significado do trabalho podem ser valorativas (significação do trabalho a partir da percepção de como o mesmo deveria ser) e descritivas (de como realmente é). Objetivou-se a compreensão do significado do trabalho e sua centralidade para 358 agentes de limpeza e coletores de uma empresa terceirizada da Prefeitura Municipal de Aracaju/SE, a partir do levantamento e hierarquia dos fatores descritivos e valorativos. Foi utilizado o Inventário do Significado do Trabalho, validado no Brasil, além de questão sobre centralidade do trabalho e dados sócio-demográficos. A amostra foi composta por trabalhadores do sexo masculino (92,2%), com ensino fundamental incompleto (60,5%), solteiros/divorciados (47,8%), sem filhos (28,9%), em média: 33 anos (DP=9,60), 34,82 meses de empresa (DP=42,52) e renda individual de R$617,03 (DP=R$141,13).Os dados foram submetidos a análises estatísticas paramétricas e não-paramétricas e apresentaram como resultados: predominância da função instrumental do trabalho na descrição (FD3 – Sobrevivência Pessoal e Familiar)e na expectativa (FV5 – Sobrevivência Pessoal e Familiar) do significado do trabalho para a amostra geral (FD3=4,34 e FV5=4,51) e para a subamostra de agentes de limpeza (FD3=4,34 e FV5=4,53). Vivência de justiça no trabalho (FD2=3,36) mostrou-se menor que a expectativa (FV2=4,59) para todos os sujeitos. A centralidade relativa do trabalho (11,7%) apresentou-se abaixo da centralidade relativa da família (79,6%). Acredita-se que a especificidade ocupacional da amostra, as mudanças no mundo do trabalho e o lapso temporal entre a presente pesquisa e a pesquisa que originou o IST corroboraram com a inconstância de quatro fatores do modelo teórico de significado do trabalho. O estudo cada vez mais aprofundado do significado do trabalho e seus instrumentos, especialmente para esses trabalhadores, dos quais cada vez mais dependem a saúde e o bem-estar de todos os seres vivos, possibilita ações mais eficazes na gestão organizacional e favorece melhorias na qualidade de vida no trabalho, na saúde do trabalhador, na produtividade e no desempenho.

  • VIRGINIA CAROLINY SILVA ALEXANDRE
  • "Ladainhas e Mulherancias: um estudo sobre saúde e vida cotidiana"
  • Orientador : MARIA TERESA LISBOA NOBRE PEREIRA
  • Data: 03/08/2012
  • Dissertação
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  • Este trabalho se propõe a discutir sobre o cotidiano de mulheres e o cuidado com a saúde a partir da noção de ladainha. O ladainhar se constitui como um processo de práticas de cuidado e de resistência das mulheres no cotidiano. A pesquisa foi realizada durante um ano e meio no povoado de Areia Branca em Aracaju, e seis meses na cidade de Ottawa, no Canadá. No que concerne ao povoado de Areia Branca, os objetivos foram relacionados ao contexto de saúde em um processo de transição de uma área considerada interiorana para uma mais urbanizada, provenientes dos investimentos da prefeitura de Aracaju e de especulações imobiliárias na conhecida “zona de expansão urbana” da capital. Neste processo de pesquisa buscou-se estudar as práticas de saúde e de atendimento na Unidade Básica de Saúde do povoado bem como sua relação com a comunidade local. Foram realizadas visitas domiciliares juntamente com as Agentes Comunitárias de Saúde, participação nas reuniões da equipe do Programa de Saúde da Família, em alguns atendimentos de pré-natal e no grupo de gestantes. No Canadá, o objetivo da pesquisa também foi relacionado aos cuidados em saúde, sendo o campo de trabalho uma Clínica Medica ligada ao Centro Católico de Imigração, atendendo principalmente refugiados recém chegados ao país. Foram realizadas visitas ao Abrigo e à Clinica Médica; participação nas entrevistas médicas; e nas reuniões do Conselho de Imigração de Ottawa. A pesquisa adotou uma perspectiva etnográfica fortalecendo a noção de ladainha e de mulherancias, quando referida no trabalho a partir dos registros feitos nos diário de campo. Processos de transição, recomeço e reinvenção da vida são encontrados na pesquisa tornando-os assim foco da análise que estão relacionadas às contribuições de autores como Michel de Certeau; Michelle Perrot; Michel Foucault; Marcel Detienne e Jean-Pierre Vernant, entre outros. Neste sentido a saúde passou a ser pensada a partir de práticas de resistência das mulheres e as noções de “ladainha e mulherancias”, passaram a compor a trajetória de analise na pesquisa. Entre estes lugares, Areia Branca e Ottawa, foi possível fortalecer e inter-relacionar práticas diferenciadas de pesquisa que possuem semelhanças quando pensadas a partir da noção de ladainha. Esta noção aproxima os lugares o os compõem como campo de pesquisa, fazendo surgir uma derivação da ladainha, que é seu processo de movimento, percurso, peregrinação, colocada no trabalho como mulherancias. Este trabalho mostrou que mesmo em contextos distintos, as mulheres persistem em suas ladainhas, garantem um cuidado à saúde e percorrem diferentes trajetos de acordo com suas necessidades.

  • THALITA CARLA DE LIMA MELO
  • DO CONTROLE SOCIAL NO CONTEMPORÂNEO:Algumas inquietações acerca do trabalho social realizado em um CRAS do interior de Alagoas"
  • Orientador : MANOEL CARLOS CAVALCANTI DE MENDONCA FILHO
  • Data: 25/06/2012
  • Dissertação
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  • O presente texto circula em torno da problemática do controle social no contemporâneo, tomando a política pública de Assistência Social como um dispositivo potencialmente atualizador do panoptismo, e a Proteção Social Básica, executada em certo Centro de Referência da Assistência Social – CRAS -, como uma tecnologia, por excelência, da vigilância e regulamentação da vida. Nesse contexto, coloca-se em análise a experiência da pesquisadora enquanto técnica de psicologia no CRAS de uma cidade do interior de Alagoas, no período de 2008 a 2010. Para tal, foram elaboradas duas narrativas. Uma, que descreve os caminhos percorridos pela psicóloga dentro da máquina estatal, apresentando o modo pelo qual essa experiência se constituiu como a problemática de pesquisa. E outra, que expõe três casos de atendimentos realizados nesse CRAS, escolhidos a partir do contrassenso identificado entre a proposta de Proteção Social Básica de cunho preventivo, protetivo e proativo que deveria ser executada e a efetivação das práticas que lá se estabeleceram. Práticas estas, fundamentalmente de controle e judicialização da vida. Visto que, ao deixar de realizar atividades coletivas de cunho socioeducativo e de inserção produtiva, tal CRAS acabou por fortalecer uma relação direta com o Conselho Tutelar do Município. Ao atender casos de violação de direitos, engendrou certa aproximação com o sistema judiciário e passou a executar práticas de orientação e vigilância junto às famílias envolvidas. Essa discussão é fundamentada conceitualmente a partir do pensamento de Michel Foucault, Jacques Donzelot e Robert Castel. Pensadores que tratam de questões relacionadas às tecnologias de controle sobre a vida, ao trabalho social como dispositivo de regulação e à emergência da questão social como um problema relacionado ao campo socioassistencial e ao sistema de proteções do Estado. Por fim, fala-se do processo de pesquisa e do impacto causado pela preocupação com o fazer-escrita no modo de produzir a pesquisa.

  • MAICON BARBOSA SILVA
  • "Tormentas urbanas: Escritas, errâncias e conversas fiadas na cidade"
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 20/04/2012
  • Dissertação
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  • O texto se tece como modo de pensar e de se inventar a experiência urbana. Uma escrita heterogênea se coloca no trabalho, povoada por rupturas e fragmentos, desviando-se das tentativas de homogeneização direcionadas para uma síntese dialética das diferenças imanentes ao texto.

  • JOÃO PAULO MACHADO FEITOZA
  • Implicações das categorizações profissionais e de cor da pele no preconceito.
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 05/03/2012
  • Dissertação
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  • O preconceito tem ocupado grande espaço nas discussões sobre as relações interpessoais, sendo abordado por grande número de pesquisadores da psicologia social desde o século passado. Ainda hoje, muito se discute a respeito do que causa e como é a dinâmica de funcionamento deste fenômeno. Muito embora as diversas abordagens teóricas e níveis de análise em psicologia social tenham se empenhado para desvendar esses problemas, pouco tem sido feito na direção de reconhecer o efeito deste fenômeno nas relações entre trabalhadores. As poucas pesquisas identificadas nessa área estabeleceram como foco as relações raciais. Novas formas de preconceito decorrentes das categorizações sociais têm sido recentemente estudadas por esses pesquisadores. No Brasil, em determinadas instituições educativas públicas, as relações de trabalho são alvo de freqüentes conflitos observados informalmente pelos funcionários e algumas poucas vezes, registrados em relatórios de ouvidoria desses órgãos. É possível que a cor da pele não seja o único estímulo por trás do preconceito nestas situações ocupacionais. Este trabalho hipotetiza que parte desses conflitos surgem em função do preconceito racial entre trabalhadores de cor da pele branca e negra, todavia outra parte derivaria de um preconceito profissional, possivelmente originado da categorização social das funções de trabalho. Considerando a necessidade de testar essa hipótese, a presente pesquisa teve o objetivo de verificar a influência dupla e simultânea da categorização profissional e da cor da pele no preconceito implícito e explícito direcionados a funcionários de uma universidade pública. Para alcançar esse objetivo, empreendeu-se pesquisa utilizando a técnica do Implicit Association Test com configurações clássicas e emocionais, assim como escalas de preconceito profissional e de cor da pele. Os dados encontrados permitiram verificar indícios da influência simultânea dessas variáveis na manifestação de preconceito implícito. Observou-se no estudo 1 resultados semelhantes à literatura na confirmação de preconceito contra negros. Porém no estudo 2, observou-se apenas preconceito direcionado por Negros para alvos funcionários com cor da pele escura e, no estudo 3 obteve-se correlação entre as medidas utilizadas, implicando na validação da técnica utilizada. Conclui-se que os que exercem profissão de funcionários e têm cor da pele escura tendem a ser alvos de preconceito.

  • SAULO SANTOS MENEZES DE ALMEIDA
  • "Análise do autoconceito e autocontrole de crianças a partir da identidade social"
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 28/02/2012
  • Dissertação
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  • O preconceito, ainda que de forma sutil, continua presente na sociedade e isso tem ainda afetado os negros, numa sociedade que já não quer se mostrar tão hostil, mas ainda com o preconceito sutil arraigado nos discursos e nas atitudes. O preconceito racial é, pois, uma construção de atitudes depreciativas e hostis contra grupos marginalizados socialmente, sabendo que o termo “grupo racial” é definido por atitudes sociais, e não somente pela biologia ou aparência. Neste sentido, a presente pesquisa busca questionar como as crianças, que também são participantes de um meio social, respondem a essas questões do preconceito e aos processos identitários, e até que ponto o autocontrole e o autoconceito destas crianças são acometidos. O Autoconceito é um produto da interação entre a pessoa e seu meio ambiente, durante seu processo de construção social, e o Autocontrole é uma forma de controlar o próprio comportamento, geralmente em situações conflituosas, de acordo com padrões definidos pela sociedade. Para tanto, foram analisadas 100 crianças de duas escolas públicas do interior de Sergipe, com idade entre 11 e 12 anos, sendo 47 meninos e 53 meninas. Os instrumentos utilizados dentro de uma compreensão bioecológica foram o questionário de investigação do racismo e as escalas de avaliação do autoconceito e autocontrole. Os resultados mostraram que as crianças buscam uma maior identificação com a categoria de cor “branca”, valorando os estereótipos a partir deste padrão, e o autoconceito e o autocontrole mostraram-se com níveis baixos. Assim, faz-se pensar em processos de branqueamento, numa tentativa de valorização de si e do grupo através de uma aproximação do grupo mais valorizado socialmente.

2011
Descrição
  • EDER AMARAL E SILVA
  • URBANESAS ERRANTES: EXPERIÊNCIA E TEIMOSIA NOS RISCOS DA CIDADE
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 09/12/2011
  • Dissertação
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  • A história que atravessa as urbanesas se desenrola em torno do desencontro entre EXPERIÊNCIA eCOTIDIANO na cidade.

  • SELMA SILVA DE ARAUJO
  • REFLEXÕES SOBRE AS QUEIXAS DE ADOECIMENTO DE MÃES DE ADOLESCENTES AUTORES DE ATOS INFACIONAIS
  • Orientador : MARCELO DE ALMEIDA FERRERI
  • Data: 23/09/2011
  • Dissertação
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  • A centralidade do trabalho é o Discurso da Proteção Integral, o qual se reveste em política de assistência destinada à criança e ao adolescente, partindo do ponto de partida de que a partir de queixas, foram identificados adoecimentos de mães de adolescentes que respondem em juízo pela autoria de atos infracionais. As questões foram abordadas a partir de uma série documental produzida pela instância policial e jurídica, à medida que a dupla mãe/filho percorre o sistema, dando prossegmento ao julgamento do ato. Esta série, em seu conjunto, dá forma ao Processo Judicial.

  • TAISA BELEM DO ESPIRITO SANTO ANDRADE
  • "PRODUÇÃO DE SAÚDE E O TRABALHO NO CONTEMPORÂNEO: CARTOGRAFANDO MODOS DE TRABALHAR E VIVER EM CAPS DE ARACAJU/SE"
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 12/08/2011
  • Dissertação
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  • O objetivo do trabalho foi dar visibilidade o campo inventivo do trabalho do campo em saúde, prtindo de experiências vividas enquanto trabalhadora-pesquisadora na rede de Saúde Mental do Município de Aracaju, utilizando-se de ferramentas conceituais permeadas pelas contribuições de Foucault e Deleuze, com estratégias de dominação e liberdade, se deparando com diversos mods de experiências de co-gestão.

  • GRAZIELA MARIA DA SILVA GATTO
  • A RELAÇÃO/TENSÃO ENTRE MOVIMENTOS SOCIAIS E ESTADO NO PROCESSO DE IMPLNTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MULHERES
  • Orientador : MARIA TERESA LISBOA NOBRE PEREIRA
  • Data: 05/08/2011
  • Dissertação
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  • A definir

  • FRANCIS DEON KICH
  • SINGULARIDADES EM NARRATIVAS DE TRANSEXUAIS: ENTRE A PERFORMANCE E A NORMA
  • Orientador : ELDER CERQUEIRA SANTOS
  • Data: 28/07/2011
  • Dissertação
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  • Este estudo almeja discutir a problemática dos gêneros a partir das percepções de pessoas que vivenciaram suas transformações. Foram investigados os modos de constituição das narrativas de transexuais em Aracaju, tomando como referência os discursos socialmente legitimados acerca da sexualidade. Para tanto, a categoria transexual foi abordada de modo a ultrapassar a noção baseada em uma lógica que naturaliza a sexualidade separando corpos sexuais em oposições binárias: masculino x feminino, homossexual x heterossexual, homem x mulher. A pesquisa foi de natureza qualitativa, tendo como método, a história oral, e técnicas de coleta de dados, a entrevista semiestruturada e o discurso livre. São analisados dois casos de pessoas autoidentificadas como transexuais. A análise dos dados coletados buscou destacar o caráter de apropriação singular dos códigos socialmente compartilhados. Mesmo com uma sociedade baseada em modelos binários de sexualidade, estratégias de resistência são impetradas pelos sujeitos cuja a consequência é a produção de singularidade. Nesse sentido, compreendemos que a norma nem sempre conforma os indivíduos, tampouco percepções individuais fogem totalmente da norma. Existe um processo de negociação entre percepções singulares e normas sociais que produz os lugares dos sujeitos que, por sua vez, produzem discursos próprios.

  • EDUARDO MAURICIO DA SILVA BOMFIM
  • ALGUMAS CONSIDERAÇÕES AERCA DA RELAÇÃO PENSAMENTO E POLÍTICA: REPRESENTAÇÃO E DIFERENÇA A PARTIR DE GILES DELEUZE E MICHEL FOUCAULT
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 28/06/2011
  • Dissertação

  • RÔMULO MARCELO DOS SANTOS CORREIA
  • O SILÊNCIO DE NARCISO: AS IMPLICAÇÕES DO ESPETÁCULO E DO SIMULACRO DO NARCISISMO CONTEMPORÂNEO
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 27/06/2011
  • Dissertação
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  • ALINE OLIVEIRA BELEM
  • VARIAÇÕES SOBRE COMUNIDADE NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: UMA ANÁLISE GENEALÓGICA
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 16/06/2011
  • Dissertação

  • KLECIA RENATA DE OLIVEIRA BATISTA
  • ENTRE TORCER E SER BANIDO, VAMOS NOS (RE)ORGANIZAR: UM ESTUDO PSICANALÍTICO DA TORCIDA TROVÃO AZUL
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 27/05/2011
  • Dissertação

  • ALAN MAGNO MATOS DE ALMEIDA
  • CONCEPÇÕES DE PROFESSORES DA REDE PUBLICA DE ENSINO SOBRE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO CONTEXTO ESCOLAR
  • Orientador : MARIA BENEDITA LIMA PARDO
  • Data: 15/04/2011
  • Dissertação
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  • FLORA ALICE SANTOS ALMEIDA
  • MONOPARENTALIDADE E RESILIENCIA: UM ESTUDO COM MULHERES CHEFES DE FAMILIAS DE BAIXA RENDA
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 15/04/2011
  • Dissertação

  • MARCELA FLORES CARDOSO SOBRAL
  • "REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E PRATICAS DOS PSICOLOGOS NO CRAS DE SEGIPE"
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 23/02/2011
  • Dissertação
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  • Este trabalho analisa as relações entre representações sociais e práticas sociais, enfocando a atividade profissional do psicólogo num contexto de atuação específico e de inserção recente, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Investigamos especificamente tanto as representações sociais que os psicólogos têm dos usuários quanto as representações que os usuários têm dos psicólogos e suas relações com as práticas destes profissionais nos CRAS de Sergipe. Para tanto foram realizados dois estudos: um com 27 psicólogos que atuam em CRAS e outro com 20 usuários deste serviço. No primeiro estudo utilizamos um questionário e no segundo uma entrevista estruturada. Os resultados revelaram, no primeiro estudo, a existência de uma dissociação entre as práticas declaradas pelos profissionais e a percepção das práticas de outros psicólogos, o que nos permitiu inferir a prática real adotada pelos profissionais de psicologia. Percebemos ainda que os sujeitos que possuem uma representação mais psicologizante dos usuários apresentam maior coerência entre representações e práticas e mais percepções negativas em relação ao trabalho no CRAS. No segundo estudo foi possível evidenciar que a representação da psicologia mesmo em contextos diferenciados de atuação ainda está mais vinculada à atuação do psicólogo na área clínica como um solucionador de problemas psicopatológicos e que tem como prática fundamental a conversa, a orientação e o conselho. Tais representações apresentam relação tanto com a percepção dos usuários sobre as práticas dos psicólogos como com a prática real adotada pelos psicólogos no CRAS. Estes resultados são discutidos à luz da Teoria das Representações Sociais e das suas relações com as práticas sociais.

2010
Descrição
  • ADRIANO VALÉRIO DOS SANTOS AZEVÊDO
  • PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DE PSICOLOGIA SOBRE A FORMAÇAO DO PSICOLOGO SOCIAL COMUNITARIO
  • Orientador : MARIA BENEDITA LIMA PARDO
  • Data: 10/12/2010
  • Dissertação

  • ROSELI MARIA RODELLA DE OLIVEIRA
  • DO PRAZER A MORTE: A NOÇÃO DE GOZO NO ESTUDO DE FENOMENOS SÓCIO-CULTURAIS.
  • Orientador : EDUARDO LEAL CUNHA
  • Data: 09/09/2010
  • Dissertação
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  • GICELI CARVALHO BATISTA FORMIGA
  • A GESTAO DA REDE DA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL E O PROCESSO DE CONSOLIDAÇÃO DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO MUNICIPIO DE ARACAJU: PRÁTICAS INSTITUÍDAS E ENSAIOS INSTITUINTES.
  • Orientador : MARIA TERESA LISBOA NOBRE PEREIRA
  • Data: 27/08/2010
  • Dissertação

  • HELMIR OLIVEIRA RODRIGUES
  • CINEMA, HISTORIA E PSICOLOGIA: PRODUZINDO UMA HISTÓRIA DO PRESENTE.
  • Orientador : KLEBER JEAN MATOS LOPES
  • Data: 13/08/2010
  • Dissertação
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  • MICHELLE MENEZES WENDLING
  • DUAS VERSÕES DO DESEJO:LACAN,DELEUZE & GUATTARI
  • Orientador : DANIEL MENEZES COELHO
  • Data: 12/07/2010
  • Dissertação
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  • SANDRA RAQUEL SANTOS DE OLIVEIRA
  • MODOS DE APARECIMENTO E OCULTAÇÃO DAS RELAÇÕES ENTRE SABER E POLITICA NO CAMPO DE PRÁTICAS DA PSICOLOGIA JURIDICA LIGADOS AOS DISCURSOS DE HUMANIZAÇÃO.
  • Orientador : MANOEL CARLOS CAVALCANTI DE MENDONCA FILHO
  • Data: 09/07/2010
  • Dissertação
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  • SARA RAQUEL VIEIRA DE ARAUJO
  • REPRESENTAÇÕES ACERCA DA DINÂMICA DE GRUPO EM CONTEXTO DE TREINAMENTO,DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO(TD&E)-INQUIETAÇÕES.
  • Orientador : MARLEY ROSANA MELO DE ARAUJO
  • Data: 17/06/2010
  • Dissertação
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  • LWDMILA CONSTANT PACHÊCO
  • IDENTIDADES: INTERFACES ENTRE RELIGIÃO E NEGRITUDE
  • Orientador : DALILA XAVIER DE FRANCA
  • Data: 18/05/2010
  • Dissertação
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  • ARIANE BRUM DE CARVALHO
  • PROCESSOS DE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO EM CAPSAD
  • Orientador : LILIANA DA ESCOSSIA MELO
  • Data: 07/05/2010
  • Dissertação
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  • BRUNO CERQUEIRA GAMA
  • POLITICAS DO SI MESMO-POR UMA AUTONOMIA ENQUANTO FUNÇÃO EM TEMPOS DE BIOPODER.
  • Orientador : JOSE MAURICIO MANGUEIRA VIANA
  • Data: 07/05/2010
  • Dissertação
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  • CLAUDIA ALVES POCONÉ
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE A MORADIA E O DIEITO À MORADIA PARA TECNICOS SOCIAIS E BENEFICIÁRIOS DE PROJETOS HABITACIONAIS NO BARRIO SANTA MARIA
  • Orientador : MARCUS EUGENIO OLIVEIRA LIMA
  • Data: 23/03/2010
  • Dissertação
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