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Dissertações/Teses

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2024
Descrição
  • ELANE DA SILVA PLACIDO
  • A REVISÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO ROMANCE HISTÓRICO DE ANA MIRANDA E MARIA JOSÉ SILVEIRA
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 22/02/2024
  • Tese
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  • Esta tese analisa as obras Desmundo (1996), de Ana Miranda, e A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas (2002), de Maria José Silveira, ressaltando as estratégias narrativas do romance histórico exploradas para a revisão da violência contra a mulher no período colonial. Defendemos o ponto de vista de que essa revisão se desdobra como um exercício de reescrita do passado, proporcionado uma versão de empoderamento da mulher, presente nas ações das personagens femininas que transgridem a violência naturalizada pelos colonizadores. Na análise dos romances, daremos destaques para as estratégias narrativas de incorporação do discurso histórico e do posicionamento feminista das narradoras, que problematizam a construção desse gênero ao explorar técnicas pós-modernas de ficcionalização da história a partir da visibilidade do lugar de fala da mulher e do reconhecimento da importância da força do trabalho feminino para colonização do Brasil. Metodologicamente, propomos um debate acerca da relação entre literatura e a história, levando em conta os aportes Peter Burke (2005), Hayden White (1994), Linda Hutcheon (1991), Marilene Weinhardt (2011), Mary Del Priore (2016), entre outros/as; Quanto à análise das diferentes estratégias de controle do corpo da mulher, seguiremos as abordagens da crítica feminista de Simone Pereira Schmidt (2007), María Lugones (2019) e Heloísa Buarque de Hollanda (2018). Além disso, articulamos as reflexões sobre a decolonialidade e a necropolítica para identificar as ações de aniquilamento dos/as colonizados/as seguindo as proposições interpretativas de Aníbal Quijano (2005), Walter Mignolo (2017) e Achille Mbembe (2017), entre outros/as. Este trabalho está dividido em três seções. Na primeira, nossa meta é compreender as peculiaridades estruturais do romance histórico e como ele tem sido explorado pelas escritoras contemporâneas. Na segunda, analisamos o processo de criação a partir das intertextualidades de documentos oficiais e de textos literários do período colonial no entrelaçamento entre história e literatura. Na terceira, identificaremos as marcas feministas do processo de criação das duas narradoras, investigando como elas exploram a necropolítica para denunciar os diferentes tipos de silenciamentos impostos à mulher pelo colonizador como assédios moral e psicológico, cárcere privado, espancamentos, estupro e feminicídios a fim de controlar a família e o povoamento do país. Como resultado, esperamos identificar as particularidades do processo de criação de Ana Miranda e Maria José Silveira, contestando a naturalização da violência contra a mulher na história do Brasil para reforçar o espaço literário como um local de revisão histórica.



  • IASMIM SANTOS FERREIRA
  • Aos parasitas as batatas
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 21/02/2024
  • Tese
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  • Desde as primeiras letras na imprensa até os romances, Machado de Assis demonstra um interesse pelo parasitismo. Certamente pela leitura de Luciano de Samósata e de seu diálogo O Parasita. Não só se interessa pelo tema, mas também pelos recursos literários da tradição luciânica. Dessa soma de interesses surgem as “Aquarelas” (1859), conjunto de crônicas que apresenta os principais tipos parasitários no país. De Ressurreição (1872) a Memorial de Aires (1908), Machado não perde de vista os parasitas, os que se aproveitam das batatas ou benesses alheias. Por isso, nossa tese tem por objetivo apresentar panoramicamente os ecos do tema, os parasitas do corpo e os do espírito e da consciência nos romances; bem como analisar esse tipo social em Quincas Borba (1891). Para isso, valemo-nos de estudos acerca da personagem, da tradição luciânica e da crítica machadiana. Respectivamente, os principais são: Bakhtin (2002; 2010; 2011), Bergson (2007), Braith (2017), Candido (1970; 2014), Rosenfeld (2014), Segolin (1978), Brandão (2001), Frye (2013), Merquior (1972), Sá Rego (1989), Bosi (2002; 2006), Brayner (1979), Barboza (2022), Dixon (2020), Faoro (2001), Gledson (1991; 2003; 2006), Santiago (2006; 2015), Schwarz (1991, 2012). Em suma, as “Aquarelas” funcionam como uma bússola para a construção das personagens parasitas nos romances e estes são a mostra da expansão desse tipo social, sobre o qual o Bruxo do Cosme Velho não perdeu o interesse ao longo dos anos.

  • RAQUEL FERREIRA DA SILVEIRA
  • AS ADAPTAÇÕES DA CINDERELA SURDA E O VISUOLEITOR
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 21/02/2024
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa tem como objetivo propor reflexões acerca das adaptações do conto de fadas Cinderela e Cinderela Surda a partir do debate sobre intermedialidade e visuoleitor, a fim de atualizar os sentidos dessas transcrições. A Cinderela Surda significa uma representação de empoderamento da identidade surda e reforça a visibilidade da Língua Brasileira de Sinais – Libras e a sua cultura surda. Nas versões clássicas, as cinderelas são ouvintes e perdem um dos seus sapatinhos. Mas, na versão surda, ela esquece uma das luvas, que é encontrada pelo príncipe surdo, construindo um novo referencial identitário para os leitores surdos. Usou-se como embasamento teórico abordagens relacionadas à literatura surda desenvolvida por surdos e ouvintes. Entre eles, destaca-se a proposta de Claudio Mourão sobre o poder das mãos na construção da literatura surda e a especificidade do visuoleitor; as discussões metodológicas de Rachel Sutton-Spencer sobre a importância da intermidialidade na produção da literatura surda atual; as sugestões pedagógicas de Lodenir Karnopp sobre os processos de adaptações para o ensino de literatura surda. Quanto à questão da adaptação e da transcriação, serão retomados os debates propostos por Linda Hutcheon e Haroldo de Campos, respectivamente. Cada versão é sempre um diálogo entre autores, leitores e visuoleitores, uma vez que em todos eles ficam vestígios concretos na própria criação e adaptação. Por fim, pretende-se transcriar uma nova Cinderela Surda Contemporânea a partir da intermidialidade para privilegiar o imaginário do visuoleitor nesta nova versão.

  • JAKELLINY ALMEIDA SANTOS
  • TRAÇOS DE COLONIALIDADES NAS IDENTIDADES SOCIAIS DA GUINÉ EQUATORIAL: UMA ANÁLISE POTENCIALMENTE DECOLONIAL DA OBRA LITERÁRIA ‘YO NO QUERÍA SER MADRE’, DE TRIFONIA MELIBEA OBONO
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 20/02/2024
  • Dissertação
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  • Neste trabalho, que está inserido no campo da Linguística Aplicada, proponho analisar como as identidades sociais guinéu-equatorianas são representadas na literatura contemporânea e testemunhal banto-hispânica. Para isso, conduzi uma pesquisa documental e qualitativa, utilizei como corpus fragmentos da obra literária “Yo no quería ser madre: vidas forzadas de mujeres fuera de la norma”, escrita por Trifonia Melibea Obono (2019), da República da Guiné Equatorial. O livro é composto por 30 testemunhos de mulheres integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, que compartilharam suas vivências fóbicas em seu país. Diante disso, desenvolvi categorias de análise para construção de uma investigação congruente: I) Culpabilização do/a outro/a; II) Enfermidade contagiosa; III) Associação com o pecado; IV) Pessoas indignas de educar; V) Alternativas de cura. A partir dessa delimitação, dialoguei com epistemologias que possibilitaram compreensões heterogêneas sobre esse contexto hispânico do continente africano. Assim, acerca dos Estudos Identitários, recorri ao pensamento de Hall (2014; 2019), Butler (2003) e outros/as. Pensando em contemplar, especificamente, as identidades nacionais da Guiné Equatorial, apoiei-me nos estudos de Kessé e Romaric (2017), bem como nas pesquisas do campo político, literário e identitário desenvolvidas por Salvo (2003), Queiroz (2007), Ndongo-Bidyogo (1977), Mbaré Ngom (2008) e outros/as. Na área dos Estudos Decoloniais, dialoguei com Aníbal Quijano (2005), acerca da colonialidade do poder, Maldonado-Torres (2007), sobre a colonialidade do ser, e María Lugones (2008), com a colonialidade do gênero. No campo do Suleamento, trabalhei com Moita Lopes (2013), Silva Junior; Matos (2019) e outros/as. Além desses, com a intenção de ampliar os saberes identitários, recorri à Interseccionalidade e Performatividade Linguística com as intelectuais Hill Collins (2022), Akotirene (2019), Austin (1990 [1962]), Melo (2022) e outros/as. Por meio desses referenciais teóricos, coadunados ao corpus, observei que a orientação sexual dessas mulheres é associada a naturezas fóbicas, tais como enfermidades, ação demoníaca, satânica ou bruxaria. Notei que mecanismos são utilizados como alternativa de reversão da homoafetiva/homossexual dessas mulheres, a saber: a) ter relação sexual ou manter um relacionamento com um homem cis; b) gestar uma criança ou tornar-se mãe; c) condução ao curandeirismo ou igreja protestante; d) uso da violência psicológica, física e/ou sexual (também conhecido como estupro corretivo). Além disso, a sociedade movimenta-se, desde os setores governamentais aos privados, para limitar o acesso dessas pessoas aos direitos civis básicos, como educação e trabalho. Em detrimento dessas situações, diante da ocupação de um não espaço na sociedade, essas mulheres têm apenas duas alternativas além de constituir uma família heteronormativa: prostituição ou serviço militar. De certo, as identidades sociais que estão em trânsito nessa iterabilidade estão em fragmentação e as diferenças que elas performam em seus atos de linguagem são motivo de rejeição. Assim, com base nas análises, compreendi que as identidades das mulheres guinéu-equatorianas LBT+, segundo a obra literária que apresenta um microcosmo da sociedade, estão em conflito com a identidade nacional – cuja identidade representa a cultura de referência e que contempla em sua essência as colonialidades. Assim, performar heteronormatividades, segundo a norma regulatória do sexo, é um mecanismo de sobrevivência.

  • JOSÉ RAIMUNDO DOS SANTOS SANTANA
  • EXPLORANDO NARRATIVAS MULTIMODAIS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA EM INGLÊS: uma análise autoetnográfica da prática docente
  • Orientador : ANA KARINA DE OLIVEIRA NASCIMENTO
  • Data: 19/02/2024
  • Dissertação
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  • O presente estudo é uma pesquisa autoetnográfica que visa analisar as potencialidades e/ou limitações de um trabalho docente ancorado em práticas que envolvem narrativas multimodais digitais na educação linguística em inglês. Para a realização deste estudo, baseio-me, dentre outros, nos pressupostos teóricos que orientam a teoria dos letramentos – mais especificamente dos letramentos digitais (LANKSHEAR; KNOBEL, 2006, 2012,2016; LANKSHEAR; KNOBEL; CURRAN, 2013; NASCIMENTO; KNOBEL, 2017;ZACCHI, 2018; NASCIMENTO; SANTOS, 2020); dos estudos sobre decolonialidade (SOUSA SANTOS, 2018; WALSH, 2013; MATOS, 2019; REZENDE et al., 2020; MENEZES DE SOUZA; HASHIGUTI, 2022), multimodalidade (KRESS, 2010;DIONÍSIO, 2014; ZACCHI, 2016; FAÇANHA, 2018), educação linguística (MATTOS,2018; SIQUEIRA, 2018; ZACCHI, 2018; FERRAZ, 2018) e abordagem ecológica (REYES; IDDINGS; FELLER 2016; IDDINGS, 2018). Partindo do objetivo geral que é analisar as potencialidades e/ou limitações mencionadas, este trabalho tem por objetivos específicos: a) explorar os significados construídos pelo EU professor diante das oportunidades proporcionadas pela proposta de uma educação linguística em inglês; b)estabelecer conexões entre as histórias de vida do professor/pesquisador, a adoção de tecnologias digitais e o desenvolvimento de letramentos digitais no ensino de língua inglesa; c) discutir sobre os sentidos (des/re)construídos pelo EU professor diante da adoção de uma perspectiva decolonial, multimodal e de educação linguística em inglês no processo de elaboração de uma sequência didática; d) refletir sobre como minhas experiências pedagógicas e pessoais anteriores refletem em minhas escolhas e afetam a construção da sequência didática e e) identificar as contribuições do uso da abordagem ecológica na construção do trabalho proposto. O percurso metodológico da pesquisa inclui a construção e análise do processo de elaboração de uma sequência didática idealizada pelo pesquisador para uma escola pública localizada em um município no interior de Sergipe, utilizando a plataforma Storyjumper. Trata-se de uma investigação autoetnográfica, cujos dados são gerados por meio das minhas experiências com a sequência didática, registradas em um diário de campo multimodal criado por mim na plataforma supracitada, no qual os registros constantes, bem como a sequência didática são analisados com base na codificação de narrativas (SALDAÑA, 2009). Por meio deste estudo, constatei que o trabalho com as narrativas multimodais possibilitou identificar as representações, ideologias e colonialidades inerentes às minhas práticas pedagógicas enquanto professor de língua inglesa, assim como envolveu processos de des/re/construções e des/aprendizagens significativas durante a elaboração da sequência didática. Explorar os letramentos digitais, a multimodalidade e decolonialidade revelou-se desafiador diante das minhas limitações ao tentar conciliar teoria e prática; as imbricações e sobreposições das múltiplas identidades evidenciaram um entrave interno no fazer pedagógico; e a abordagem ecológica permitiu reconhecer minha interconexão com o ambiente circundante, como parte de uma rede de conhecimentos e saberes. Por fim, espero que esse estudo contribua para o avanço das discussões acerca do ensino de língua inglesa, a partir de uma perspectiva da educação linguística, da abordagem ecológica e da multimodalidade, bem como contribua para a ampliação do escopo da autoetnografia como metodologia de pesquisa em Linguística Aplicada.

  • JULIANA BARBOSA ALVES
  • NARRATIVAS DO EU: construção identitária de atores sociais surdos sob as lentes da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 19/02/2024
  • Dissertação
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  • O povo surdo, ao longo de sua história, como minoria linguística, sofre com a denegação de direitos e a luta pelo reconhecimento desses direitos é uma marca da comunidade surda. Por isso, o objetivo dessa pesquisa é refletir sobre as lutas por reconhecimento de atores sociais surdos, identificadas em suas narrativas do eu, no contexto mais amplo de sua vida educacional, como aspectos influenciadores das (re)construções identitárias e no estabelecimento de mudanças socioculturais efetivas para esta minoria linguística. Para compreender as realizações identitárias do povo surdo ao longo de suas trajetórias de vida, buscamos aporte na Análise Crítica do Discurso, ACD, cujo foco é estudar problematizações sociais e fomentar a denúncia de relações de poder que estabelecem desigualdades aos grupos vulneráveis (VAN DIJK, 2008) com enfoque na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, ASCD, que centra seus estudos nas mudanças social e cultural (PEDROSA, 2012, 2016, 2018). Atendendo ao caráter transdisciplinar da ACD (FAIRCLOUGH, 2012), dialogamos com os Estudos Surdos (PERLIN, 2016) e a teoria da Luta por Reconhecimento (HONNETH, 2009). O corpus é formado a partir das “narrativas do eu” de alunos surdos do curso Letras Libras da Universidade Federal de Sergipe das turmas de 2018 a 2022. Por se tratar de uma pesquisa de viés social, com aporte basilar na ACD, que ancora suas análises entre o linguístico e o social (PEDROSA, 2018), analisamos o corpus à luz da metodologia qualitativo-interpretativista (MAGALHÃES; MARTINS; RESENDE, 2017; NUNES, 2021), e da etnossociologia (BERTAUX,2010), seguindo o caminho metodológico sugerido na ASCD (CUNHA, 2021; PEDROSA, 2016, 2018). Para atender às análises linguísticas, utilizamos a Gramática Sistêmico-Funcional (FUZER; CABRAL, 2014), cuja perspectiva se centra no contexto social de uso da língua. Com os resultados, esperamos que os discursos dos atores sociais surdos de luta por reconhecimento, contidos em suas narrativas do eu, nos ofereçam condições de refletir sobre os processos de lutas que este povo passou (e passa) ao longo de sua história e sobre a construção e a reconstrução de suas identidades.

  • EMILY MARIA DOS SANTOS
  • Clorose ou doença das Virgens? Edição e glossário onomástico da tese médica do sergipano Antonio Garcia Rosa (1870)
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 16/02/2024
  • Dissertação
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  • A enfermidade Clorose foi registrada pela primeira vez em 1554 como “doença das virgens” pelo médico alemão Johanes Lange. Essa doença afetava principalmente mulheres na faixa dos 16 aos 24 anos e seus sintomas manifestavam-se pela ausência de menstruação, distúrbios alimentares e coloração esverdeada da pele, o que lhe designou popularmente outros termos como “doença verde” e “febre do amor” (King, 2005). O objeto de estudo dessa dissertação de Mestrado é a tese médica intitulada Chlorose, defendida em 1870 pelo sergipano Antonio Garcia Rosa (Japaratuba,1943-1977) para obtenção do título de médico pela Faculdade de Medicina da Bahia. Esse documento é uma das primeiras teses escritas no Brasil sobre a Clorose, em um período em que as publicações sobre a doença cresciam de forma significativa na europa, tornando-se referência para as faculdades de medicina no mundo (Carrilo, Bernal, Linares, 2010). Nosso primeiro objetivo consistiu na elaboração, no rigor da Crítica Textual (Cambraia, 2005; Spina, 1990), de uma edição diplomática. A partir da preparação filológica do texto, fundamentamo-nos na Teoria Sociocognitiva da Terminologia (Temmerman, 2000), que postula que os antropônimos científicos podem ser classificados como entidades, atividades e/ou guarda-chuvas, e reconhecendo que esses termos onomásticos não derivam apenas de uma natureza ontológica, mas também de uma perspectiva enciclopédica. Nosso segundo objetivo foi elaborar um glossário antroponímico para descrever categoricamente o conjunto de termos associados à produção científica da Clorose e estabelecer, de maneira intercategorial, as informações contidas nos módulos informativos das unidades terminológicas. Optamos por uma abordagem metodológica que consistiu na elaboração de um glossário seletivo, conforme proposto por Mateus (1995), apoiado em fichas terminográficas sócio-históricas (Teixeira, 2021; Teixeira, Marengo, Finatto, 2022; Santos, 2023). Para aprimorar nosso trabalho, utilizamos ferramentas computacionais, nomeadamente AntConc (Anthony, 2014) e TEXTQUIM (Finatto, 2010). Os desdobramentos, análises e conclusões finais da nossa pesquisa indicaram a necessidade de procedimentos descritivos visando adequar os termos às categorias cognitivas delineadas por Temmerman (2000).

  • ALINE DE SANTANA SANTOS
  • ARGUMENTAÇÃO NO PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL: análise de dois livros didáticos de Língua Portuguesa aprovados pelo PNLD/2019
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 08/02/2024
  • Dissertação
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  • O ensino de argumentação no Brasil tem sido direcionado aos anos finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, sobretudo em virtude do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e dos vestibulares, acarretando o distanciamento deste campo de estudo das práticas de linguagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental. No entanto, crianças pequenas já demonstram propensão para interações argumentativas em práticas cotidianas, por meio das quais começam a construir e utilizar seus primeiros argumentos. Tais práticas indicam para a escola que as crianças possuem bagagem cultural para argumentar e, por isso, é possível haver o aprimoramento de ações que favoreçam a ampliação e o desenvolvimento de suas capacidades argumentativas. Além disso, o trabalho com argumentação é um campo solicitado pela competência geral sete da Base Nacional Comum Curricular, que, na condição de documento normativo, estabelece direcionamentos para as práticas em sala de aula e, também, para a elaboração de currículos e de formulação de livros didáticos, considerados importantes instrumentos de efetivação das disciplinas escolares. Nesse contexto, esta pesquisa objetiva analisar alternativas favoráveis ao ensino de argumentação como prática social de linguagem a partir de materiais encontrados em dois livros didáticos de Língua Portuguesa. Entende-se que o ensino de argumentação nos anos iniciais é relevante por possibilitar o aprimoramento de capacidades argumentativas, o que pode ser iniciado com base nas proposições encontradas em livros didáticos de Língua Portuguesa que estejam vinculadas às práticas sociais de linguagem. Metodologicamente, esta investigação assume uma abordagem descritiva e interpretativista, de caráter documental e natureza qualitativa, que se fundamenta nos postulados da argumentação na interação e no modelo dialogal de Plantin (2008a). O corpus é composto por uma seleção de textos e atividades encontrados nos livros do 1º ano do Ensino Fundamental das coleções Ápis e Buriti Mais, do PNLD/2019, adotadas pelo Centro Educacional Unificado Monsenhor Francisco José de Oliveira (CEU), em Cícero Dantas/BA. Com o propósito de aprimorar o instrumento analítico, selecionou-se a unidade didática 16 da coleção Ápis, denominada Cartaz de campanha; a unidade didática quatro da coleção Buriti Mais, intitulada Eu gosto de animais, cujas perspectivas permitem visualizar possibilidades do ensino de argumentação. A análise foi guiada por um protocolo de análise argumentativa, construído por esta professora/pesquisadora, a partir de um protocolo destinado a avaliar obras didáticas dos anos finais do ensino fundamental da disciplina de matemática, de Couceiro (2020), e do Guia Digital do PNLD, publicado em 2019. Também são propostas complementações para possíveis adaptações e complementações das atividades didáticas, tendo como referência a perspectiva da argumentação interacional, assumida nesta pesquisa. Assim, espera-se que os resultados contribuam com propostas que auxiliem no planejamento de práticas pedagógicas destinadas ao desenvolvimento de capacidades argumentativas desde os anos iniciais, a fim de que possam ser ampliadas ao longo do processo de escolarização.

  • JOÃO VICTOR RODRIGUES SANTOS
  • Zorba, o livre? A importância da liberdade para o projeto literário-filosófico de Nikos Kazantzákis
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 06/02/2024
  • Dissertação
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  • Nikos Kazantzákis trata de temas universais em toda sua produção literária e filosófica: a morte, a angústia existencial e, sobretudo, a liberdade. Para buscá-la, um caminho seguido pelo autor cretense é o que passa necessariamente pelo valor dado ao corpo e à sua capacidade de significar e apreender o mundo. Nossa pesquisa tenciona debruçar-se sobre aquilo que nos soou como problemático na obra kazantzakiana: a busca pela liberdade. Desse modo, adotamos o seguinte questionamento como nossa questão central: qual o papel da busca pela liberdade para o projeto literário-filosófico de Nikos Kazantzákis? Buscamos investigar Vida e proezas de Aléxis Zorbás, sua obra mais popular e mais traduzida no Brasil, e investigar como podemos pensar a importância da liberdade para o projeto literário-filosófico do escritor, seja através da dança, seja através da tentativa de superação do niilismo. Assim, propomos uma leitura que reflita sobre as relações possíveis entre literatura e filosofia e que investigue Aléxis Zorbás como um arquétipo da liberdade. Adotamos um método bibliográfico exploratório, com foco na investigação literária de Vida e proezas de Aléxis Zorbás, recorrendo ao auxílio de textos críticos, comentadores e/ou teóricos sobre o autor e sobre o romance. Desenvolvemos nossas considerações sobre a questão levantada a partir das contribuições de estudiosas(os) como Brandão (1996, 2001), Bernardes (2004, 2010), Pizarro (2008, 2015), Sartre (2004) e Nietzsche (2016, 2020). Consideramos que, apresentando-nos à vida e às proezas de Aléxis Zorbás, Kazantzákis consegue nos revelar alguns dos elementos que limitam nossa capacidade criativa e, por conseguinte, nossa existência, provocando-nos à reflexão e à busca por liberdade, fazendo-nos ter consciência da responsabilidade que temos por nossas renúncias.

  • ROBSON SANTOS SILVA
  • A TOPONÍMIA DOS ASSENTAMENTOS RURAIS EM SERGIPE: DENOMINAÇÃO, MEMÓRIA E IDEOLOGIA
  • Data: 06/02/2024
  • Dissertação
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  • No processo de ocupação humana de espaços geográficos, a memória e a ideologia seconstituem e se materializam em atos como o batismo dos lugares. Ao analisar os itens lexicais que denominam os 236 Assentamentos Rurais de Reforma Agrária em Sergipe, reflete-se como tais processos se configuram no âmbito da atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, bem como os campos motivacionais que permitem (re)interpretar modi vivendi e cogitandi (n)desses aglomerados humanos. Como aporte teórico, toma-se a Toponímia Crítica, subárea da Onomástica, por meio de fundamentos teóricos emergentes que evidenciam relações identitárias e político-ideológicas, como atestam Vuolteennaho e Berg (2016) e Rose-Redwood eAldernan (2011), sem desconsiderar as contribuições de Dick (1990; 1998). Para a análise quali-quantitativa do corpus, que se deu via pesquisas bibliográfica e documental, composto pelos nomes oficiais e paralelos de 236 Assentamentos Rurais, procedeu-se, com base nas suas sócio-histórias, a identificação dos principais campos motivacionais que refletem uma linha ideológica de esquerda no movimento campesino nacional. As discussões giram em torno de conceitos como topofilia (Tuan, 2012); memória e identidade (Le Goff, 2013; Rossi, 2010; Candau, 2021); e religiosidade e fé (Netto, 2014).

  • JOÃO PAULO SANTOS ANDRADE
  • COLONIALIDADES NOS DICIONÁRIOS: QUANDO AS MARCAS DE USO NÃO SINALIZAM AS MARCAS DA COLONIZAÇÃO
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 05/02/2024
  • Dissertação
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  • As colonialidades perpassam pelos povos negros desde quando os europeus invadiram as terras da América e junto com eles, trouxeram diversas etnias africanas para que fossem escravizadas. Porém, as colonialidades não somente perpassam os negros, os brancos também são tocados por essas colonialidades, vide a branquitude que os prioriza. Os europeus foram os responsáveis por caracterizar e dividir as pessoas de acordo com seu fenótipo (QUIJANO, 2005), além da nomenclatura “negro” para diversas etnias, esses povos negros eram vistos como animais e inferiores a eles (FANON,2008). Entendendo esse contexto histórico, essa pesquisa se dispõe a analisar de qual maneira os dicionários monolíngues de língua espanhola de variação mexicana contribuem para a manutenção das colonialidades, principalmente a colonialidade da linguagem (VERONELLI, 2015). Três dicionários foram escolhidos para este trabalho: o dicionário da Real Academia Española em parceria com outras academias da língua de países que falam espanhol oficialmente (DLE), o Diccionario de Español de México (DEM), ambos dicionários online – e um terceiro dicionário impresso, o Diccionario de Mexicanismos (2014). Nestes dicionários, analiso as marcas de uso de 17 verbetes que tenham ligação com a população negra – estes verbetes foram retirados de sites mexicanos que tratam da temática. O dicionário tem muita importância para qualquer sociedade, e na obra lexicográfica estarão as experiências desse povo (LARA, 1990), levando em conta esse status que o dicionário tem na sociedade, como as marcas de uso são empregadas nos termos relacionados à população negra. De acordo com Vilarinho (2017), as marcas de uso vão condicionar o emprego de lexemas levando em conta a intencionalidade, logo elas são importantes para o consulente se inteirar se determinada palavra pode ser ofensiva. As análises foram dispostas em tabelas baseadas no modelo de Lafuente (2017) e estão relacionadas com textos teóricos sobre as colonialidades (QUIJANO, 2005; VERONELLI, 2015; CASTRO-GOMEZ, 2007), questões de linguagem e racismo (NASCIMENTO, 2019, SILVIO ALMEIDA, 2018). Os resultados apontam que as marcas de uso não estão alertando o consulente sobre o racismo presente nos verbetes de maneira eficaz, e que dessa maneira a falta delas auxilia na manutenção de colonialidades.

  • IASMIM SANTOS FERREIRA
  • Aos parasitas as batatas
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 05/02/2024
  • Tese
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  • Desde as primeiras letras na imprensa até os romances, Machado de Assis demonstra um interesse pelo parasitismo. Certamente pela leitura de Luciano de Samósata e de seu diálogo O Parasita. Não só se interessa pelo tema, mas também pelos recursos literários da tradição luciânica. Dessa soma de interesses surgem as “Aquarelas” (1859), conjunto de crônicas que apresenta os principais tipos parasitários no país. De Ressurreição (1872) a Memorial de Aires (1908), Machado não perde de vista os parasitas, os que se aproveitam das batatas ou benesses alheias. Por isso, nossa tese tem por objetivo apresentar panoramicamente os ecos do tema, os parasitas do corpo e os do espírito e da consciência nos romances; bem como analisar esse tipo social em Quincas Borba (1891). Para isso, valemo-nos de estudos acerca da personagem, da tradição luciânica e da crítica machadiana. Respectivamente, os principais são: Bakhtin (2002; 2010; 2011), Bergson (2007), Braith (2017), Candido (1970; 2014), Rosenfeld (2014), Segolin (1978), Brandão (2001), Frye (2013), Merquior (1972), Sá Rego (1989), Bosi (2002; 2006), Brayner (1979), Barboza (2022), Dixon (2020), Faoro (2001), Gledson (1991; 2003; 2006), Santiago (2006; 2015), Schwarz (1991, 2012). Em suma, as “Aquarelas” funcionam como uma bússola para a construção das personagens parasitas nos romances e estes são a mostra da expansão desse tipo social, sobre o qual o Bruxo do Cosme Velho não perdeu o interesse ao longo dos anos.

  • THIAGO DE MELO CARDOSO SANTOS
  • LETRAMENTOS DIGITAIS E LETRAMENTO RACIAL CRÍTICO: Uma análise dos materiais didáticos de língua inglesa do aplicativo “Estude em casa”
  • Orientador : ANA KARINA DE OLIVEIRA NASCIMENTO
  • Data: 05/02/2024
  • Dissertação
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  • A pandemia do vírus da covid-19 gerou um estado de emergência de saúde pública, levando a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC) de Sergipe a disponibilizar materiais didáticos digitais por meio do aplicativo "Estude em Casa", visando oferecer suporte à comunidade escolar no período de ensino remoto emergencial. Essa modalidade de ensino, a qual surgiu como medida emergencial necessária para atender a demandas educacionais imediatas, buscando minimizar os impactos negativos advindos do fechamento das escolas, suscitou questionamentos sobre sua eficácia. Esta pesquisa, por sua vez, questionou o potencial do aplicativo de viabilizar práticas de novos letramentos (LANKSHEAR; KNOBEL; CURRAN, 2013; KNOBEL; LANKSHEAR, 2014; LANKSHEAR; KNOBEL, 2018), com destaque para a análise dos letramentos digitais (JONES; HAFNER, 2012; TAKAKI; SANTANA, 2014; SULZER, 2018; NASCIMENTO; KNOBEL, 2017) e do letramento racial crítico (LADSON BILLINGS, 1998; FERREIRA, 2014; NASCIMENTO, 2016; BRASIL, 2018). Inserida no âmbito da Linguística Aplicada, que busca a inter/trans/INdisciplinaridade (ROTH; SELBACH; FLORÊNCIO, 2016) e considera que os problemas sociais transcendem as fronteiras do ensino de línguas e dos estudos da linguagem, esta pesquisa se enriquece com contribuições de estudos feministas, de raça, gênero, classe social e analisa as interseções entre essas áreas (CRENSHAW, 2004; AKOTIRENE, 2019; DAVIS, 2016; KILOMBA, 2019; FERREIRA, 2019) e a área de estudos da linguagem. Dentro desse escopo, esta pesquisa bibliográfica, documental e interpretativista (PAIVA, 2019; MOITA LOPES, 1994; SALDAÑA, 2009) tem como objetivo analisar de que forma os materiais didáticos digitais presentes no aplicativo "Estude em Casa" abordam práticas e/ou potencializam o desenvolvimento de letramentos digitais e letramento racial crítico no ensino de inglês. Para o levantamento e análise de dados, a pesquisa bibliográfica envolveu textos relacionados às temáticas em estudo; a análise documental abrangeu os materiais didáticos digitais para o ensino de língua inglesa fornecidos pela SEDUC e reunidos no aplicativo “Estude em Casa”; e a interpretação dos dados contou também com o registro de observações e reflexões em diário de campo. Os resultados apontam para uma abordagem superficial dos letramentos digitais e do letramento racial crítico nos materiais didáticos digitais, pois as oportunidades presentes nos materiais para o desenvolvimento desses letramentos dependem diretamente da intervenção do professor, o que se conecta à sua formação docente. Nesse sentido, os resultados da pesquisa destacam a necessidade de reestruturação nos cursos de formação docente para integrar tais discussões. Por fim, por meio desta pesquisa, espera-se contribuir para as investigações no campo dos novos letramentos, mais especificamente dos letramentos digitais e letramento racial crítico.

  • MARIA CAROLINE DOS SANTOS FONSÊCA
  • Análise e descrição do verbo volver(se): estudo com base em corpus e dicionários de língua espanhola
  • Orientador : ROANA RODRIGUES
  • Data: 05/02/2024
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma análise sintático-semântica e lexicográfica do verbo volver(se) em língua espanhola. Para tanto, foram tomados como base para o desenvolvimento desta pesquisa os pressupostos teóricos e metodológicos do Léxico-Gramática (Gross, 1968, 1975) e da Lexicografia (Haensch, 1982; Rey-Debove, 1984; Lara, 1990; Welker, 2004; Humblé, 2008; Barcia Rodríguez, 2016, Moreira; Araújo, 2017; Moreira, 2017 e Zavaglia; Nadin, 2018). A justificativa para o estudo de tal verbo está na multifuncionalidade apresentada pelo volver(se) no banco de dados intitulado Base de datos de Verbos, Alternancias de Diátesis y Esquemas Sintáctico-Semánticos del Español - ADESSE (García-Miguel et al., 2003; García-Miguel, 2012). Ademais, toma-se como referencial para a análise sintático-semântica o trabalho de Rassi e Vale (2013) para o português brasileiro e o trabalho de Borges (2014) e Rodrigues (2021) que desenvolvem uma pesquisa com base em corpus para a língua espanhola. A metodologia deste estudo se dividiu em dois momentos distintos: (i) análise sintático-semântica, em que em um recorte feito no Corpus del Siglo XXI (CORPES) para a região do México foram selecionadas, analisadas e classificadas sintático-semanticamente 200 construções com o verbo volver(se) e (ii) análise metalexicográfica nos seguintes dicionários: Diccionario de la Lengua española (DLE), Wordreference (Kellogg), Diccionario de mexicanismos de la Academia Mexicana de la Lengua (Academia Mexicana de la Lengua, 2010) e o SEÑAS: Diccionario para la Ensenanza de la Lengua Española para Brasileños (Universidad de Alcalalá de Henares, 2001) em que se observou a presença – ou ausência – dos usos de volver(se) identificados na análise sintático-semântica previamente realizada. A partir disso, obteve-se os seguintes resultados: (i) proposta de tipologia verbal para o volver(se) de acordo com o LG tendo 5 classes: Verbo Pleno (locativo, ação de enrolar/girar e reconciliação), Verbo-Suporte (verbo de pseudocopulativo), Verbo Operador causativo, constituinte de Construção gramatical e de Expressão Cristalizada. E (ii) os casos de volver identificados na análise sintático-semântica condizem em grande parte com os apresentados nas entradas dos dicionários, com exceções para casos específicos de provérbios e expressões cristalizadas. Ao fim deste trabalho pode-se afirmar que o mesmo pode contribuir para futuros trabalhos a nível descritivo da língua espanhola. Também vale mencionar o auxílio para/com estudiosos da língua espanhola, inclusive professores, na compreensão e consequentemente ensino do verbo volver(se). No que tange a análise metalexicográfica realizada há uma contribuição com relação a escolha e usos de dicionários como ferramenta didática no ensino de E/LE.

  • LUCIANA CORREIA ARAUJO
  • A Política Linguística da Universidade Federal de Sergipe: um estudo sobre sua abrangência e a inserção das comunidades linguísticas no contexto acadêmico
  • Orientador : ELAINE MARIA SANTOS
  • Data: 01/02/2024
  • Dissertação
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  • O tripé ensino, pesquisa e extensão dá a sustentação para as ações conduzidas pelas Instituições de Ensino Superior (IES), independente do contexto ser público ou privado. Autores como Santos e Almeida Filho (2012) destacam a existência de uma quarta dimensão universitária: a internacionalização. Para que possamos analisar o modo pelo qual as universidades se tornam internacionalizadas, é preciso um estudo preliminar sobre o que é internacionalização e as formas pelas quais ela pode ser percebida na instituição. Diante do exposto, esta pesquisa tem como objetivo investigar os processos de internacionalização desenvolvidos na Universidade Federal de Sergipe, com atenção especial sendo dedicada à análise da Política Linguística instituída a partir da Resolução Nº 35/2018/CONEPE, que foi desenvolvida de forma a abranger toda a comunidade acadêmica. Não há como pensar em internacionalização sem que uma análise da(s) política(s) linguística(s) possa(m) ser feita(s). Esse estudo relacionando internacionalização e política linguística pode também ser justificado pela necessidade de investigar os caminhos percorridos pela IES para que ocupasse posições de destaque no cenário atual a nível nacional e internacional. Esta pauta, dessa forma, tem grande relevância para manutenção e elevação dos bons resultados conquistados, além de auxiliar a identificar possíveis ações que podem contribuir para tornar a atual política mais atrativa, observando o quanto ela pode ser benéfica para a instituição e a comunidade na qual está inserida. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo exploratória, em decorrência do pouco referencial sobre a internacionalização na UFS e sua política linguística institucional. A pesquisa também se enquadra no tipo estudo de caso, por detalhar o caso da UFS e investigar as ações de internacionalização estabelecidas nesse contexto em específico. A revisão da literatura traz conceitos sobre internacionalização, política e planejamento linguístico e sistema de ranqueamento internacional, a partir de contribuições de teóricos tais quais Calvet (2007), De Wit (2020), Knight (2020), Morosini (2019), Stallivieri (2017, 2019), dentre outros que abordam essas temáticas. Como resultados preliminares, podemos comprovar a importância do estabelecimento de práticas de internacionalização abrangentes, que destaquem o papel da internacionalização em casa, de modo a ser possível incluir toda a comunidade acadêmica na busca pelo estabelecimento de uma postura internacional e intercultural nas atividades desenvolvidas. É possível, também, perceber que, mesmo tendo sido um avanço, a política linguística da UFS ainda precisa de ajustes, de modo a melhor guiar as ações das línguas estrangeiras/adicionais, e melhor inseri-las nos planos de internacionalização

  • CLAUDIANA DOS SANTOS
  • A INTERDISCURSIVIDADE NA AUTOAJUDA: IMBRICAÇÕES E DESDOBRAMENTOS NA COMPREENSÃO DO ETHOS LEITOR
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 25/01/2024
  • Tese
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  • Esta tese fundamenta-se nos campos dos estudos retóricos, discursivos e argumentativos. O ponto de partida desta investigação é o seguinte problema: em meio à relevância epistemológica da temática leitura, como compreender as imagens discursivas da leitura e o ethos de leitores investidos por valores historicamente associados às (inter)discursividades dos livros de autoajuda? Nessa direção, o objetivo geral do estudo é analisar como a interdiscursividade, na autoajuda, atua como estratégia discursiva e quais são os desdobramentos no ethos do leitor de livros do gênero. Para o dispositivo analítico selecionaram-se categorias fornecidas pelo arsenal teórico da Nova Retórica e da Análise de Discurso. Ademais, deu-se ênfase aos constructos de Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005), Amossy (2016, 2020, 2022), Maingueneau (2008a, 2008b, 2011, 2016, 2018), Galinari (2009), Meyer (1993, 2007) e Paveau (2017). Para o tratamento das práticas de leitura, o método buscou suporte em Alves e Rojo (2020), Orlandi (2003, 2008), Curcino (2020) e Rouxel (2012). A pesquisa caracteriza-se pela abordagem qualitativa. O arquétipo metodológico é constituído por três etapas. Realizou-se, inicialmente, a catalogação de títulos de livros com maiores índices de vendas entre os anos de 2010 a 2022. Em seguida, elaborou-se um modelo analítico de avaliação de leitores, com base na categorização de comentários digitais (Paveau, 2017). Na terceira etapa, implementou-se a coleta de experiências de leitura via questionário on-line. Nessas circunstâncias, perquiriram-se as análises de dois livros: Mais esperto que o diabo (Hill, 2014) e Nunca desista de seus sonhos (Cury, 2014). Com o apoio do software WebQDA efetuou-se a triangulação das fontes de dados (livros, comentários e questionários). Os resultados obtidos mostraram como as obras de autoajuda se sustentam nos campos discursivos que aludem aos espaços: religioso, pedagógico, medicinal (saúde), capitalista (neoliberal), psicológico e publicitário, logo, encontra-se respaldo para se afirmar que a interdiscursividade é uma estratégia discursiva fundante da arquitetura multissêmica do discurso de autoajuda e essa estratégia repercute no desdobramento de um ethos leitor dicotômico (orgulhoso/vergonhoso). Após a triangulação dos dados, constatou-se como as tópicas ligadas ao pathos (processos patêmicos) foram cruciais para a compreensão do ethos leitor orgulhoso, vergonhoso e flutuante, identificados a partir de espaços e lugares que apontam para a edificação moral e aperfeiçoamentos múltiplos. Esta pesquisa mobilizou análises que atestam a relevância dialogal entre disciplinas como a Análise de Discurso e os estudos retórico-argumentativos, além disso, foi possível contribuir com a enunciabilidade leitora e com a problematização de estereótipos, como o de que o “bom leitor” é aquele de obras relacionadas à “alta literatura”. Por intermédio dos valores encontrados nos discursos analisados, entendemos que há a apresentação de uma identidade dupla resultante da diferença relativa ao outro e uma identidade grupal. Observando a dimensão experiencial em Maingueneau (2018), entende-se que o ethos paradoxal da autoajuda gera confronto entre a imagem engendrada para esse leitor nas obras e a produzida pelo leitor real, assim, considera-se que o ethos leitor perpassa por uma intercorrência sêmica (efeitos de sentido inesperados) em virtude das estratégias interdiscursivas.

2023
Descrição
  • LUARA CARVALHO FONTES MENEZES
  • Pequena Coreografia da Escrita: entre as solidões de Aline Bei e Rainer M. Rilke
  • Orientador : FERNANDO DE MENDONCA
  • Data: 31/08/2023
  • Dissertação
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  • Publicada em 2021, a Pequena Coreografia do Adeus é a segunda obra de Aline Bei, sugerida, aqui, para uma análise que se fundamenta nos estudos sobre criação literária. Ao trazer à discussão um recorte da produção literária contemporânea, a presente pesquisa tem por finalidade compreender, num viés sobretudo estético, a forma com que a criação se manifesta como mola propulsora da construção narrativa da obra, ao investigar a relação metalinguística que esta possui com a correspondência do austríaco Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta (original de 1929). Além disso, a lente psicanalítica em muito contribuiu com as reflexões aqui levantadas, por Sigmund Freud (1944; 1999; 2006), Jacques Lacan (1998), Melanie Klein (1935; 1975) e demais autores evocarem as artes como uma forma de sublimação e compreensão da psique humana. Para além dos diálogos psicanalíticos estabelecidos, a teoria esboçada por Gaston Bachelard (2006; 2008) se estabelece aqui como um dos fios condutores mais significativos de leitura da obra, ao propor o Devaneio Poético, o retorno à infância e a solidão como caminhos para a criação artística. A emanação das reflexões deste estudo não aduz respostas fechadas e estanques, mas mobiliza e fomenta o conhecimento para acréscimo de perspectivas de leitura da obra de Aline Bei.

  • DANIELA CYNTHIA SOUZA DE SÁ
  • METÁFORA DISCURSIVA CRÍTICA: RELATOS DE MULHERES VIOLENTADAS
  • Data: 31/08/2023
  • Tese
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  • A violência contra mulheres é uma prática que se estabeleceu histórica e culturalmente na sociedade e que reverbera na contemporaneidade por meio de variados tipos de agressões, de discursos machistas, patriarcalistas e misóginos que perpassam através de práticas sociais, posicionando assimetricamente (em relação ao poder) homens e mulheres, as quais lutam por empoderamento na busca pela igualdade, ou seja, por uma mudança social. Nosso objetivo geral é analisar relatos de mulheres que foram violentadas, sobretudo, psicologicamente, configurados como metáfora discursiva crítica, tendo como principais bases teóricas Lakoff e Jhonson (2002), Charteris-Black (2004, 2006), Vereza (2010, 2017). Assim, o viés desta pesquisa está baseado nos estudos em Análise de Discurso Crítica (ADC) por meio de Chouliaraki e Fairclough (1999), Fairclough (2001, 2003, 2010), Magalhães (2017) na observância da manutenção da violência contra mulheres como prática social na contemporaneidade e na perspectiva contra-hegemônica da luta feminina em busca de mudanças através da linguagem. Este fenômeno está alinhado aos estudos do texto, na atualidade, de base sociodiscursivo-interacional da Linguística Textual (KOCH, 1999, 2002, 2009); Marcuschi (2008), Mondada e Dubois (2003) e às interações socioculturais propostas por Van Dijk (2002, 2012, 2017), trazendo o estudo de uma metáfora norteada pelo discurso como elemento preponderante à (re)construção dos sentidos de agressões contra a mulher. Questões que poderão nortear nosso trabalho: i) como as metáforas discursivas críticas são concebidas?; ii) por que trazer à luz um tipo de metáfora para elucidar a violência, sobretudo, psicológica, contra mulheres?; iii) quais elementos não discursivos colaboram para a análise desse tipo de metáfora?. Objetivos específicos: i) trazer à tona um tipo de metáfora norteada pelo discurso, a metáfora discursiva crítica; ii) revelar o modo como os relatos se configuram como metáfora discursiva crítica da violência contra mulheres; iii) analisar relatos a partir de fatores contextuais, discursivos, culturais; iv) extrair das análises possibilidades de potencialização para a promoção de mudança social. A hipótese está centrada na verificação dos relatos como o próprio lugar da violência, uma vez que esse gênero textual exerce uma função social de relevância quando mulheres violentadas apresentam publicamente cenas de agressões sofridas que servem de espelho para que outras mulheres se reconheçam em situação de abuso contínuo, construindo uma rede de apoio em grande escala para eliminar a síndrome do pequeno poder, na qual homens podem mais e mulheres, menos (ESPÍNOLA, 2018). Para tanto, metodologicamente, adotamos uma abordagem netnográfica ao realizarmos a coleta desses relatos de seguidoras anônimas na página pública da rede social Instagram @maselenuncamebateu ao longo de um ano (2020), observando sua relevância, pois nossa justificativa assevera a emergência temática no tocante à violência psicológica como uma violência velada, disfarçada e invisível, conforme estudos realizados por Hirigoyen (2006) e Schwab e Meireles (2017). Assim, os resultados de nossas análises fomentam uma visão mais nítida da violência psicológica; apontam relatos de mulheres violentadas como ecos do patriarcalismo, machismo e misoginia que asseguram a manutenção hegemônica do poder nas mãos de agressores; além de que tais relatos também são ferramentas linguísticas usadas para o fim da assimetria de poder entre homens e mulheres.

  • LORENA GOMES FREITAS DE CASTRO
  • "MAS VOCÊ NÃO TEM CARA DE AUTISTA": RELATO AUTOBIOGRÁFICO, DIAGNÓSTICO TARDIO E CAMPO DÊITICO
  • Data: 28/08/2023
  • Tese
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  • Este trabalho propõe um deslocamento da perspectiva neurotípica tanto na compreensão, quanto na escrita acadêmica, trazendo à luz relatos de autistas após diagnóstico tardio, em prol da subjetividade neurodivergente (BENEDETTO, 2020; ORTEGA, 2008). A partir do escopo teórico da Linguística Textual na contemporaneidade (KOCH, 2009; MARCUSCHI, 2012; CUSTÓDIO FILHO, 2009; CAVALCANTE; CUSTÓDIO FILHO; BRITO, 2014; CAPISTRANO JÚNIOR; LINS; ELIAS, 2017; LIMA; CASTRO, 2021), analisamos relatos autobiográficos de pessoas autistas que vindas de diagnósticos tardios (entre a adolescência e fase adulta) podem constituir ferramentas discursivas de combate ao preconceito, à opressão, promover o reconhecimento da neurodiversidade e o desenvolvimento dessas identidades (BENEDETTO, 2020; LACERDA, 2017; DONVAN; ZUCKER, 2017; GRANDIN; PANEK, 2021; BERNIER; DAWSON; NIGG, 2021). Para tanto, discutimos o fenômeno da referenciação mediante a (re)elaboração de objetos de discurso (MONDADA; DUBOIS, 2013), os quais apontam para a construção referencial de (id)entidades atípicas, além de um continuum antes-depois diante do contexto desse diagnóstico. Isso quer dizer que essas (id)entidades (re)constroem-se, indicando lugares de neurodissidências, e considerando, nesse processo, o antes como a ausência desse diagnóstico e o depois como a experiência de acesso ao diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista – TEA. A amostra conta com materiais que foram coletados exclusivamente através de questionário virtual (google forms). Justificamos nosso interesse diante da ausência de maiores conhecimentos a respeito dessa temática. Para isso, temos como objetivo geral analisar o modo como ocorre a (re)construção de (id)entidades atípicas a partir de relatos autobiográficos de autistas adultos com diagnóstico tardio e como específicos: (1) discutir os marcadores sociais contextuais dos participantes através de dados obtidos por meio de formulário digital; (2) identificar e descrever objetos de discurso em relatos, levando em consideração a neurodiversidade e (3) analisar os relatos autobiográficos escritos a partir do uso de processos referenciais, sobretudo, os do campo dêitico. Para além desses objetivos, defendemos a hipótese de que através de análise referencial desses relatos, confirmamos traços dissidentes, desconstruindo o questionamento capacitista “mas você não tem cara de autista!”. Reiteramos, portanto, que relatos neurodissidentes de autistas com diagnóstico tardio propiciam o (re)conhecimento da neurodiversidade dessas (id)entidades.

  • JOSÉ AUGUSTO SOUZA DOS SANTOS
  • DA CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DO ÓDIO CONTRA DOCENTES À INVASÃO DE COMPETÊNCIA: considerações pandêmicas A partir da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso.
  • Orientador : TAYSA MERCIA DOS SANTOS SOUZA DAMACENO
  • Data: 28/08/2023
  • Dissertação
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  • Ano civil de 2020 – Pandemia do Coronavírus Covid-19. Ano letivo de 2020 – interrupção abrupta do ensino presencial, a partir do mês de março. A grande propagação da pandemia gerou uma série de medidas restritivas e a educação foi apenas uma das muitas áreas atingidas. Os sistemas educacionais e seus profissionais precisaram adequar-se às novas alternativas de ensino: escolas fechadas, professores e estudantes em suas respectivas residências e as aulas virtuais inteligando a todos. Esse novo modo de ensinar motivou discursos de ódio nas mídias sociais, bombardeando a classe docente. Esta pesquisa analisará a construção de sentido em recortes de discursos de ódio veiculados na mídia digital social Facebook, especificamente na página Mídia Ninja, a partir de representação do discurso de atores socais, que desmerecem o profissional professor, verificando o impacto desses discursos na vida pessoal e profissional no decorre da pandemia da convid-19. A investigação sobre o discurso de ódio contra professores orientar-se-á no aporte teórico basilar de investigação concentrada nos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (ACD), assumindo uma postura decolonial para desnaturalizar as ações que ocasionam os discursos de poder (CHOULIARAKI e FAIRCLOUGH,1999; FAIRCLOUGH, 2008; DJIK, 2008; PEDROSA, 2013; RESENDE, 2019; WODAK, 2003), como também trabalharemos o conceito de ideologia a partir das leituras em THOMPSON (2011). Os caminhos metodológicos seguirão os passos de uma pesquisa qualitativa-interpretativista (PARDO, 2015; PEDROSA, 2014, 2016). A metodologia abordará especificamente os discursos evidenciados na mídia de massa e os usos dos discursos midiáticos (DIJK, 1985). O corpus foi constituído com 24 fragmentos que contemplam os objetivos geral e específicos. Para as análises dos discursos coletados, utilizaremos o sistema de avaliatividade (HALLIDAY, 1985). Com essa categoria de análise desenvolvida para analisar o discurso das aprovações ou desaprovações, analisamos os eventos de comunicações produzidas pelos atores sociais ou falantes envolvidos nos discursos. O acontecimento de julgamento ocorre porque os usuários de uma língua, em contato com seus interlocutores, expressam como se sentem em relação aos eventos de comunicação e pessoas neles envolvidos, mesmo que esta expressão esteja disfarçada em meio ao discurso (MARTIN, 2003).

  • JOSÉ AUGUSTO SOUZA DOS SANTOS
  • DA CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DO ÓDIO CONTRA DOCENTES À INVASÃO DE COMPETÊNCIA: considerações pandêmicas a partir da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso
  • Orientador : TAYSA MERCIA DOS SANTOS SOUZA DAMACENO
  • Data: 28/08/2023
  • Dissertação
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  • Ano civil de 2020 – Pandemia do Coronavírus Covid-19. Ano letivo de 2020 – interrupção abrupta do ensino presencial, a partir do mês de março. A grande propagação da pandemia gerou uma série de medidas restritivas e a educação foi apenas uma das muitas áreas atingidas. Os sistemas educacionais e seus profissionais precisaram adequar-se às novas alternativas de ensino: escolas fechadas, professores e estudantes em suas respectivas residências e as aulas virtuais inteligando a todos. Esse novo modo de ensinar motivou discursos de ódio nas mídias sociais, bombardeando a classe docente. Esta pesquisa analisará a construção de sentido em recortes de discursos de ódio veiculados na mídia digital social Facebook, especificamente na página Mídia Ninja, a partir de representação do discurso de atores socais, que desmerecem o profissional professor, verificando o impacto desses discursos na vida pessoal e profissional no decorre da pandemia da convid-19. A investigação sobre o discurso de ódio contra professores orientar-se-á no aporte teórico basilar de investigação concentrada nos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (ACD), assumindo uma postura decolonial para desnaturalizar as ações que ocasionam os discursos de poder (CHOULIARAKI e FAIRCLOUGH,1999; FAIRCLOUGH, 2008; DJIK, 2008; PEDROSA, 2013; RESENDE, 2019; WODAK, 2003), como também trabalharemos o conceito de ideologia a partir das leituras em THOMPSON (2011). Os caminhos metodológicos seguirão os passos de uma pesquisa qualitativa-interpretativista (PARDO, 2015; PEDROSA, 2014, 2016). A metodologia abordará especificamente os discursos evidenciados na mídia de massa e os usos dos discursos midiáticos (DIJK, 1985). O corpus foi constituído com 24 fragmentos que contemplam os objetivos geral e específicos. Para as análises dos discursos coletados, utilizaremos o sistema de avaliatividade (HALLIDAY, 1985). Com essa categoria de análise desenvolvida para analisar o discurso das aprovações ou desaprovações, analisamos os eventos de comunicações produzidas pelos atores sociais ou falantes envolvidos nos discursos. O acontecimento de julgamento ocorre porque os usuários de uma língua, em contato com seus interlocutores, expressam como se sentem em relação aos eventos de comunicação e pessoas neles envolvidos, mesmo que esta expressão esteja disfarçada em meio ao discurso (MARTIN, 2003).

  • DAIANE SANTOS RODRIGUES
  • Identidades raciais negras nos materiais didáticos de língua espanhola: um olhar decolonial
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 24/08/2023
  • Dissertação
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  • Apesar de vivermos em um país heterogêneo, ainda identificamos a existência de conflitos decorrentes da não aceitação da diversidade, seja de gênero, étnico-racial, de classe, dentre outras. Sabemos que grupos sociais que lutam pela igualdade de direitos estão adquirindo um grande destaque e mudanças significativas. Porém, mesmo com todas essas conquistas ainda nos deparamos com estereótipos e atitudes preconceituosas. Pensando em tratar essa temática e conscientizar os estudantes sobre o papel da diversidade na escola, essa pesquisa tem como objetivo verificar se os livros didáticos de língua espanhola contêm uma abordagem no que concerne à (re)construção e valorização de identidades sociais de raça. Partindo do pressuposto de que tais questões precisam ser trabalhadas no currículo escolar, é relevante que os professores e estudantes considerem as aulas de língua espanhola, como fórum de discussões sobre esses temas, para que reconheçam que há uma diversidade em seu entorno social, assim como a necessidade de luta pela igualdade de direitos. Destacamos que é pertinente que os professores de línguas saibam complementar os materiais didáticos e elaborem uma proposta pedagógica que contemple a valorização identitária e que seja próxima à realidade dos alunos. Para tal, a metodologia seguida é de cunho qualitativo e de base interpretativista. Dessa forma, este trabalho se fundamenta pelas veredas teóricas de Ferreira (2012); Freitas (2012); Hall (2006); Matos (2014, 2018); Moita Lopes (2003); Quijano (2005); Silva Júnior e Matos (2019); Walsh (2009), entre outros. É de grande destaque tratar sobre a diversidade, principalmente no país em que vivemos, multicultural, dando vozes e ouvidos às questões invisibilizadas pela sociedade, configurando as aulas de línguas estrangeiras com viés decolonial para que os estudantes reconheçam a importância da reconstrução e valorização identitária e a sua função social. Os resultados alcançados apontam que não há uma equidade entre as pessoas negras e brancas nos livros analisados, perpetuando a desigualdade racial negra e destacando a predominância de aparições e produções literárias realizadas com mais frequência por pessoas brancas.

  • ERIKA CRISTINA DOS SANTOS
  • HA REALMENTE DUAS VARIEDADES DE CLOROSE, UMA SIMPÁTICA E OUTRA IDIOPATICA?: Edição e glossário onomástico da tese médica de João Antonio da Silva Marques (1863)
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 24/08/2023
  • Dissertação
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  • A clorose era uma enfermidade humana que afetava, principalmente, meninas na adolescência ou na idade adulta jovem e foi classificada como uma doença de fundo psiquiátrico em diagnósticos médicos por muitos séculos (Marques, 1863). Ao longo dos séculos, a clorose recebeu outras designações como febris amatoria (do latim, " febre do amor") ou morbo virgineo (do latim, "doença das virgens"). O objeto de estudo dessa dissertação é a tese médica inaugural Ha realmente duas variedades de clorose, uma simpática e outra idiopática?, apresentada à Faculdade de Medicina da Bahia, em 1863, pelo sergipano João Antônio da Silva Marques (Laranjeiras, 1838-1894) para obtenção do título de médico. Nosso primeiro objetivo foi a elaboração, com base nos preceitos da Crítica Textual brasileira (Cambraia, 2005; Spina, 1990), da edição diplomática da Tese de Silva Marques. A partir da preparação filológica do texto, nos alicerçamos na Teoria Sociocognitiva da Terminologia (Temmerman, 2000) ao entender que os antropônimos científicos são termos que podem ser categorizados como entidades, atividades e/ou guarda-chuva. Compreendendo que esses termos onomásticos não decorrem somente de uma forma ontológica, mas também de uma enciclopédica, nosso segundo propósito foi construir um glossário antroponímico para descrever intracategorialmente o conjunto de termos relacionados à produção científica da clorose e estabelecer intercategorialmente as informações contidas nos módulos informativos das unidades terminológicas. A nossa opção metodológica foi pela construção de um glossário seletivo (Mateus, 1995) com base em fichas terminográfica sócio-históricas (Teixeira, 2021; Teixeira, Marengo, Finatto, 2022). Para auxiliar nosso trabalho, usamos a ferramenta computacional AntConc (Anthony, 2014). Os resultados, discussões e considerações finais da nossa pesquisa apontaram para a necessidade de procedimentos descritivos para a adequação dos termos às categorias cognitivas propostas por Temmerman (2000).

  • ANA CECILIA DOS SANTOS AZEVEDO
  • ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO E GORDOFOBIA MÉDICA: REPRESENTAÇÕES DE MULHERES NO TWITTER E NO INSTAGRAM
  • Orientador : TAYSA MERCIA DOS SANTOS SOUZA DAMACENO
  • Data: 23/08/2023
  • Dissertação
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  • Com as Revoluções Industriais e as modificações do papel da mulher na sociedade, o controle acerca do corpo feminino foi visto enquanto uma oportunidade única de segregação, comparação. Nesse âmbito, mulheres que não se integram aos padrões idealizados socialmente, como as mulheres gordas, sofrem, além de invisibilidade e de inacessibilidade, violências no dia a dia e nos mais variados contextos, como por exemplo, em consultórios médicos. Isto posto, situada nos Estudos Linguísticos, esta dissertação apresenta uma perspectiva transdisciplinar (Análise Crítica do Discurso, Sociologia para Mudança Social, Estudos Gordos e Linguística Sistêmico-Funcional). A metodologia de pesquisa adotada é qualitativo-interpretativista (PARDO, 2015). O objetivo geral da pesquisa é compreender como se configura a violência em mulheres vítimas de Gordofobia Médica, operacionadas pelo poder-hegemonia e pelo poder-autoridade, estabelecidas em relatos a partir da rede social Twitter e sinalizados pela hastag “#gordofobiamedica”. A análise crítica desses discursos foi motivada pela inquietação advinda do vislumbre de tais comentários nas mais diversas redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e Tiktok, porém, para nível de análise nosso corpus é constituído por vinte relatos transcritos, advindos da hastag #gordofobiamedica, no Twitter e no Instagram, e subdivido nas seguintes categorias de análise: Maternidade, Silenciamento e Inquietação. O trabalho foi endossado inicialmente pelas linhas teóricas da Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001, 2006) e traz uma abordagem em destaque para esse fim: a ASCD - Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso – (PEDROSA, 2012, 2013). Utilizaremos o conceito de Hegemonia (BAJOIT, 2008) para destacar como esta se representa em consonância à violência causada pelo princípio de estigma (GOFFMAN, 1985) e, assim, refletir sobre a importância acerca da luta antigordofobia e da despatologização do corpo gordo. Com esse foco, com base na sociologia do corpo (BRETON, 2007), compreenderemos como o estigma identitário é construído e caracteriza traços hegemônicos de poder, utilizados, com frequenta, para ridicularizar, desumanizar e violentar mulheres gordas. Os Estudos Gordos (JIMENEZ, 2020) deram o suporte necessário à conceituação e à problematização acerca da gordofobia, termo invisibilizado e, por inúmeras vezes, utilizados enquanto sinônimo de romantização da obesidade. Busca-se evidenciar como o discurso médico se configura enquanto um sistema perito (GIDDENS, 1991), assim, operacionando fichas simbólicas de encaixe e de desencaixe que materializam a violência simbólica enquanto verdade universal. Este trabalho, também, busca contribuir com o cenário atual de pesquisas nacionais sobre os Estudos Críticos do Discurso e sobre o Ativismo Gordo.

  • LUÍS MATHEUS BRITO MENESES
  • Jogos ficcionais em Silviano Santiago
  • Orientador : VALTER CESAR PINHEIRO
  • Data: 15/08/2023
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa demonstra como a coalizão e a colisão entre correlativos dialéticos — autobiografia e biografia; escrita e leitura; imagem e palavra; e vida e morte — na obra ficcional de Silviano Santiago, sobretudo em Mil rosas roubadas: romance (2014), são responsáveis pela construção de um jogo ficcional — um jogo que, no caso de nosso objeto principal, mobiliza a captura do real por meio daquilo que é “irreal” (LOPES, 2019). Melhor dizendo, por meio da transitoriedade inerente ao real, o que é, acreditamos, uma maneira do narrador de Mil rosas roubadas construir um “fato histórico” (BENJAMIN, 1985) nos próprios termos — um fato histórico a partir de invenções e justaposições. Esta pesquisa é, assim, uma maneira de identificar a sobreposição de camadas intermediárias (BARTHES, 2009) na ficção santiaguiana, que se apoia, entre outras coisas, em hibridismo literário, uso de imagens heterogêneas e tom ensaístico. Para examinar esses elementos, utilizamos trabalhos críticos e teóricos de autores como Georges Didi-Huberman (1998; 2011; 2013), Michel Foucault (1988; 1999; 2004; 2014), Roland Barthes (1972; 1979; 1981; 1984; 2004; 2015), Silvina Rodrigues Lopes (2019; 2021) e Walter Benjamin (1985; 2013; 2017), por exemplo. Ao mesmo tempo, espelhamos a obra ficcional na obra crítica de Silviano Santiago para identificar os pontos de vista comuns entre uma e outra e, por fim, embaralhá-las.

  • ELBA SILVEIRA CHAGAS SILVA
  • O DISCURSO ETARISTA SOBRE O SUJEITO FEMININO: EFEITOS DE SENTIDO DA ORDEM DO POLÍTICO E DO IDEOLÓGICO MOBILIZADOS PELA INSCRIÇÃO “#ATUALIZAPORCHAT” NO AMBIENTE DIGITAL
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 14/08/2023
  • Tese
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  • Esta pesquisa é embasada pela teoria da Análise de Discurso de linha francesa e tem como um dos principais estudiosos o filósofo e linguista Michel Pêcheux pela sua contribuição aos estudos do discurso. O corpus da pesquisa foi delimitado a partir de recortes de comentários na plataforma virtual do Facebook, a partir dos quais foi analisado o funcionamento das discursividades em torno do etarismo praticado em uma rede de filiações da cultura digital. Em Dias (2016), observa-se que a cultura digital trouxe maneiras, aspectos e categorias diferenciados quanto à percepção de como se dão a interpelação e a individuação dos sujeitos, pontuando a necessidade de discussão desses processos em todos os âmbitos da sociedade. Em Pêcheux (2014, p. 82), é dito que “todo processo discursivo se inscreve numa relação ideológica de classes”; dessa maneira, o objetivo principal da tese é compreender as formas de produção dos efeitos de sentido dos discursos em torno do sujeito feminino constituídos por dizeres sobre o etarismo, apontando o confronto de formulações discursivas de várias ordens, com base na exterioridade constitutiva que produz efeitos político-ideológicos. Ao longo das análises, trabalham-se, à luz da Análise de Discurso de filiação pecheutiana, os seguintes objetivos específicos: compreender, por meio do gesto descritivo e analítico, o movimento das ideias dos sujeitos em suas posições de leitor e de enunciador; demonstrar, através das sequências discursivas (SDs) analisadas, que os gestos de interpretação dos discursos são materializados por “deslizamentos de sentidos” e que o recurso à paráfrase e à polissemia contribui para a inscrição da língua na história, uma vez que a memória discursiva reformula e atualiza os dizeres que circulam nos ambientes sociais e, em particular aqui, na rede social Facebook; entender o caráter opaco dos discursos, levando o sujeito-leitor a perceber a não transparência da linguagem, numa perspectiva teórica que mostra que há sempre sentidos outros, reconhecendo a existência de vários tipos de “real” no processo de interpretação e compreensão do funcionamento dos dizeres; mostrar como os dizeres, inscritos nas materialidades discursivas em análises, se significam com base numa prática simbólica que interfere no real dos discursos, em virtude de uma exterioridade emanada dos já-ditos (interdiscursos), significando tanto o sujeito do dizer quanto os sujeitos leitores, bem como o mundo, além de outros objetivos mostrados ao longo do trabalho. Desse modo, utiliza-se como aporte teórico, além de Pêchuex (2010, 2014, 2015), o enfoque de Orlandi (2012, 2015, 2016), Maldidier (2003), Mazière (2017), entre outros estudiosos do discurso. A pesquisa está dividida em quatro momentos: no primeiro, apresenta-se um breve apanhado sobre a teoria da Análise de Discurso (capítulo 1); no segundo momento, traz-se o enfoque do método em AD (capítulo 2), no qual se baseia este trabalho; no terceiro capítulo, há uma breve discussão sobre o feminismo, e, por fim, o capítulo 4 contempla as análises dos recortes discursivos em circulação no Facebook, para assim se propor uma conclusão não única, mas aberta às possibilidades de outras interpretações, uma vez que há outras possibilidades de compreensão do funcionamento dos discursos que dependem das filiações e posições teóricas do analista.

  • EDUARDO MARQUES PINHEIRO
  • Interculturalidade e a práxis pedagógica dos participantes do Programa Residência Pedagógica de espanhol da Universidade Federal de Sergipe
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 09/08/2023
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa está situada no campo de estudos da Linguística Aplicada (LA), tendo como tema Interculturalidade e a práxis pedagógica dos participantes do Programa Residência Pedagógica de Espanhol da Universidade Federal de Sergipe. A pesquisa busca debruçar-se sobre a práxis pedagógica dos residentes nas aulas de espanhol e pretende constatar se na construção das atividades desenvolvidas em classe existe a intencionalidade de fazer valer a desconstrução de estereótipos envolvendo um ensino intercultural e decolonial associado à valorização das diversas identidades sociais, investigando se os materiais selecionados ou produzidos pelos residentes têm contribuído para o ensino intercultural, rompendo estereótipos nas aulas de espanhol. O estudo é do tipo participante e fez uso do método qualitativo e da abordagem interpretativista. Partindo de um olhar atento às problemáticas que têm surgido no ambiente escolar e suas causas, e como os pesquisadores em LA podem colaborar com suas resoluções, essa pesquisa se desenvolve a partir de três eixos epistemológicos: interculturalidade, decolonialidade e identidades sociais e suas discussões teóricas estão fundamentadas em Berlatto (2009), Brandão (1990), Candau (2003, 2008, 2016, 2020), Castells (2000), Cuche (1999), Fanon (1961), Freire (1996), Grosfoguel (2008), Hall (2006), Jacques (1998), Louro (2000), Maldonado-Torres (2007), Martínez Reyes (2003), Matos (2014, 2017, 2018, 2020), Matos e Paraquett (2018), Mendes (2022), Mignolo (2004, 2005, 2007, 2011, 2020), Paraquett (2007, 2010, 2012, 2018), Pascotto (2006), Quijano (1992, 1993, 2000, 2005, 2007), Santos (2010, 2014, 2022), Silva (2010, 2018, 2019), Silva e Vergara (2002), Walsh (2005, 2009), e outros. Com essa pesquisa pretende-se responder às seguintes questões: as discussões acadêmicas sobre a interculturalidade e decolonialidade têm ultrapassado os muros da academia e chegado ao “chão da escola”? e como essas discussões têm sido recepcionadas pelos alunos e professores da escola?. Dessa maneira, esse estudo visa contribuir com a formação de professores de língua espanhola, com o repensar das práticas pedagógicas em sala de aula, além de incentivar os envolvidos com o Programa Residência Pedagógica a refletirem sobre as necessidades de (re)construção de identidades no espaço escolar durante as aulas de espanhol. Os resultados alcançados nesta pesquisa apontam que temáticas interculturais e decoloniais chegam ao chão das escolas-campo, gerando um enriquecimento do saber de todos os envolvidos no processo de educação linguística do espanhol.

  • DERICK RAFAEL SANTOS CAVALCANTE
  • VIRGENS, VADIAS, ASSASSINAS, LOUCAS, LÚCIDAS E MÃES. UM ESTUDO SOBRE O ETHOS DA MULHER EM FILMES DE HORROR HOLLYWODIANOS
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 30/05/2023
  • Dissertação
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  • Tendo ciência do protagonismo e do destaque de personagens femininas no gênero cinematográfico do horror, a presente dissertação propõe analisar como são construídas as imagens discursivas – o ethos – de sete dessas personagens em cinco filmes hollywoodianos dos séculos XX e XXI. Como objetivos específicos, propomos: i) investigar como se dá a relação entre ficção e realidade social na representação das mulheres no universo cinematográfico do gênero; ii) refletir de que forma os diversos recursos presentes na linguagem cinematográfica cristalizam discursos e estereótipos em suas obras; iii) identificar estratégias verbais e não-verbais utilizadas em filmes de horror na construção da imagem discursiva da personagem feminina. Para isso, dentre outros, a pesquisa apropria-se de conceitos dos estudos das neoretóricas e da argumentação discursiva, como auditório (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005), ethos, estereótipos e clichês (ARISTÓTELES, 2005; AMOSSY, 2016, 2022; MAINGUENEAU, 2020). Além disso, apresenta o gênero cinematográfico do horror, por meio de Ponte (2011) e Carroll (1990); reflete sobre a história do lugar da mulher na sociedade, a partir de Rubin (1975) e Butler (1990); e busca compreender como os recursos não-verbais compõem a linguagem cinematográfica, por meio de Santana (2022). A metodologia da pesquisa se dá, sobretudo, pela etnografia de tela (RIAL, 2004), com a análise do texto verbal e não-verbal, a exemplo de figurino e iluminação, e de agentes externos (produção, direção etc). Como resultados revelam-se ethos femininos diversificados e plurais (às vezes contraditórios). Ethos fortes e resilientes de mulheres que superam seus obstáculos e prevalecem como vencedoras/heroínas ao longo da projeção; ethos assassinos e monstruosos que muitas vezes são construídos como indefesos para o público durante a narrativa; ethos de loucas e pecadoras, dentre outros. Ao mesmo tempo, nota-se uma mudança na construção da imagem discursiva de personagens femininas nas produções do horror ao longo dos anos, diminuindo o aparecimento de ethos negativos e estereotipados, devido aos novos ares e rostos igualmente plurais que estão assumindo as produções de horror, além dos estudos que influenciam diretamente na evolução do gênero.

  • MATHEUS SANTANA RIBEIRO
  • MAGISTÉRIO E ESPETÁCULO: OS SENTIDOS DE PROFESSOR NA SÉRIE DE TV “SEGUNDA CHAMADA”
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 26/05/2023
  • Dissertação
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  • A partir da análise do panorama histórico e social do acontecimento das primeiras transmissões da televisão brasileira, é possível perceber como professores ficcionais foram personagens dos produtos audiovisuais dessa mídia televisiva. Diante dessa perspectiva, entre os anos de 2019 e 2021, tem-se a série de TV da Rede Globo “Segunda Chamada” que propõe, na narrativa da primeira temporada, representar personagens de professores da rede estadual de São Paulo na modalidade de ensino denominada de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Partindo dos princípios e procedimentos teóricos e metodológicos da Análise de Discurso (AD) vertente francesa, como apontam os teóricos Michel Pêcheux (2014a, 2014b e 2015) e Orlandi (2020a e 2020b), esta pesquisa procura analisar os discursos verbais e não verbais dos personagens professores da referida série de TV, através da compreensão dos sentidos diante das condições de produção desses discursos, que existem nas relações entre os sujeitos que produzem por meio do discurso midiático televisivo. Dessa forma, este trabalho tem como referencial teórico de Dela-Silva (2004, 2008, 2011), Jost (2007, 2011), Bucci; Kehl (2004), Gregolin (2003) e Payer (2005) para mídias e discurso televisivo, enquanto que Costa (1995), Almeida (2006), Louro (1989, 2009), para o panorama histórico de docente no ensino brasileiro, e as considerações teóricas de materialidades significantes de Lagazzi (2009, 2015, 2020), Souza (2001) e Orlandi (1992, 1995). Esse caminho bibliográfico se articula com concepções da Análise de Discurso de discurso, interdiscurso, memória discursiva, formações ideológicas e imaginárias e formulações visuais. Os resultados da análise mostram sentidos de professor articulados com fios históricos, sociais e ideológicos à constituição do magistério brasileiro, uma aproximação ao discurso da maternidade (feminilização da profissão de professora), e por fim, a potencialização do fator midiático de espetacularização da profissão de professor, visando o estanque da memória discursiva da educação.

  • MONIQUE MARTINS PARENTE
  • A representação do feminino em 'A casa da coruja verde', de Alina Paim
  • Orientador : ANA MARIA LEAL CARDOSO
  • Data: 27/04/2023
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa se propõe a identificar a representação mítico-simbólica do feminino em A Casa da Coruja Verde, de Alina Paim, obra republicada em 2019 mantendo as características originais da publicação de 1962. A narrativa acompanha a jornada de Catita, menina residente no espaço interiorano brasileiro, e sua busca por conhecimentos e instrução formal ante espaços sociais característicos do sistema capitalista. Sob esse prisma, questionam-se quais são as possíveis significações dos elementos mitológicos e simbólicos invocados pela obra para representar o feminino em Catita, tendo em vista o diálogo com o horizonte de leitores da literatura infanto-juvenil. Estabelece-se como ponto de partida, então, investigar os referentes mítico-simbólicos no corpus que compõem a representação paimiana do feminino face à sociedade capitalista, enquanto elementos constitutivos da narrativa. Nesse processo, se dará a mitoanálise dos mitos comungados pela sociedade greco-romana e de representações simbólicas observadas no estudo dos arquétipos do feminino. Pretende-se, assim, relacionar as manifestações mítico-simbólicas e arquetípicas como um apelo ao maravilhoso que busca o envolvimento na literatura infanto-juvenil frente a questões sociais. A pesquisa considerará os mecanismos sociais preponderantes por meio dos quais ocorre o cerceamento intelectual e laboral do feminino, de modo a refletir a literatura paimiana em sua resistência à desigualdade de gêneros. Com isso, toma-se a hipótese da jornada mítica heroica, sendo Catita entendida enquanto personificação do feminino em busca de autonomia, como recurso para discutir o acesso feminino à educação e à compreensão dos engendramentos sociais que circundam o trabalho. Para tanto, será conduzida uma investigação qualitativa, partindo da pesquisa exploratória e biobibliográfica, cuja base teórico-metodológica se estruturará tomando como norte a abordagem do mito e do feminino nos estudos de Joseph Campbell (2013), Eleazar Mielietinski (1987), Clarissa Pinkola Estés (2018), entre outros; bem como as concepções de infância e de literatura infanto-juvenil segundo Nelly Novaes Coelho (2012), Regina Zilberman (2005) e Philippe Ariès (1986). Ademais, são eixos para a formulação dos problemas e hipóteses nesta dissertação a abordagem sócio-histórica do feminino proposta por Heleieth Saffioti (2013) e Michelle Perrot (2008).

  • NEILTON FALCÃO DE MELO
  • Imagens discursivas do professor em historiadores da educação e em entrevistas com moradores da cidade de Estância-Sergipe
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 25/04/2023
  • Tese
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  • Este trabalho insere-se na linha de pesquisa de Linguagem: identidades e práticas sociais e propõe-se a analisar a construção das representações docentes e do ethos do professor em entrevistas de moradores de Estância, na busca de identificar quais são essas imagens e como elas circulam nesta cidade. Em nossas análises, contrapomos representações docentes a ethos discursivo do professor. Essas imagens são construídas no discurso, no entanto, enquanto a primeira é construída a partir da representação que se faz do professor no corpus selecionado para compor nossa análise, a segunda corresponde à imagem de si que o professor cria por meio do seu discurso. Partimos da hipótese de que as representações docentes construídas de forma estereotipada por historiadores aparentam ter marcas potenciais nas representações docentes construídas por moradores da cidade de Estância, e isso pode levar à confirmação de que a sociedade cria representações docentes generalizadas ou distantes da realidade referente ao professor. Visto que o ethos discursivo é consequência de diversos fatores, tais imagens podem reverberar no ethos do professor. Adotamos como respaldo teórico os estudos sobre o ethos a partir de Aristóteles (1995; 2015) e Maingueneau (1993; 2008, 2013; 2015; 2016; 2018a; 2018b; 2020); para as análises das representações docentes, seguimos os estudos de Jodelet (2001) e Pêcheux (2014a; 2014b; 2015); para a noção de estereótipos, partimos de Amossy (2018a; 2018b) e também Amossy e Pierrot (2022). Trata-se de uma pesquisa qualitativa-interpretativista. O campo empírico da pesquisa são moradores da cidade de Estância. Participaram do estudo dez pessoas não professores e dez professores. O procedimento de coleta de dados deu-se por meio de entrevista estruturada, com perguntas construídas com base nas representações docentes depreendidas em obras de historiadores da educação. Os resultados sinalizaram que o professor sempre teve uma imagem discursiva não muito valorizada socialmente, de um modo geral, incluindo-se aí tanto os baixos salários quanto a falta de reconhecimento e respeito por sua profissão. Observamos que produções sobre esse tema ainda são pouco exploradas academicamente, possibilitando, assim, que esta pesquisa seja um aporte para análises gerais no âmbito dos estudos discursivos e retóricos e também para a análise da condição do professor na história do Brasil.

  • JOÃO PAULO SANTOS SILVA
  • ROSA DE INFINITA POESIA: ESTAS ESTÓRIAS
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 28/02/2023
  • Tese
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  • Guimarães Rosa (1908-1967), quando explica em correspondência ao seu tradutor italiano Edoardo Bizzarri seu projeto literário, confere à poesia, numa escala de 1 a 4, o valor de 3 pontos, o que explica a presença marcante do lirismo na sua prosa de ficção. Com efeito, em Estas estórias, cuja 1ª edição viria a lume postumamente em 1969, há narrativas que podem ser compreendidas como resultado dessa concepção literária, de modo que os experimentalismos poéticos presentes a partir de Sagarana – sobretudo com Corpo de baile e Grande sertão: veredas – são perceptíveis nessas narrativas, sob a perspectiva da dissolução dos gêneros, mormente através da presença marcante da poeticidade. Assim, a leitura desafiadora de Estas estórias, aliada ao fato de haver ainda hoje poucos estudos acadêmicos, se comparada às demais obras do autor, dedicados a destrinchar os meandros desses textos, constitui a força motriz deste trabalho, que pretende destacar a relevância das estórias às quais faltaram “a última demão” do autor (RÓNAI, 2015, p. 191), bem como inseri-las no rol da travessia poética operada pelo autor mineiro na sua prosa de ficção. Não obstante, ciente desse instigante desafio e com a ressalva do estágio de produção intermediária em que se encontravam essas novelas, pretende-se aqui esmiuçá-las na busca dos “3 pontos” da poesia mencionados por Rosa. Logo, este estudo guia-se por um instrumental teórico que privilegia as discussões em torno da poesia, da filosofia e da fortuna crítica rosiana, além de buscar amparo nos manuscritos do autor que estão sob a guarda do Arquivo IEB-USP desde 1973. Partiremos dos estudos da poesia e da prosa poética, a saber, Staiger (1977), Friedrich (1978), Hamburger (2007), Moisés (2012), Heidegger (2003), Rosenfeld (2015), além de ensaístas da obra rosiana, tais como Galvão (2000), Leonel (2000), Bosi (2007), Xisto (1991), dentre outros, a fim de analisar as estórias. Por conseguinte, “Bicho mau”, “Páramo”, “Retábulo do São Nunca”, “O dar das pedras brilhantes” e “Remimento” são lidos nessa perspectiva, de modo que os aspectos poéticos analisados, sejam nos manuscritos, sejam nos textos publicados postumamente, ainda que difiram em relação às obras publicadas em vida, têm relevância na tessitura das narrativas e refletem os princípios literários do autor.

  • TALITA SANTOS MENEZES
  • MULTIMODALIDADE EM ARTIGOS CIENTÍFICOS: IMPACTOS NA LEITURA DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 28/02/2023
  • Tese
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  • Este estudo apresenta uma discussão em torno da leitura do gênero textual artigo científico sob a perspectiva da multimodalidade na área dos estudos linguísticos. A pesquisa se desenvolve em torno do seguinte problema: a presença de recursos multimodais, principalmente os ilustrativos, em artigos científicos, gera impactos na leitura de estudantes universitários? Assumindo a multimodalidade como a integração entre modos de representação verbais e visuais na materialidade textual (MAYER, 2005), parte-se do pressuposto de que elementos gráficos, espaciais e, especialmente, ilustrativos – presentes na composição do artigo científico – podem ser capazes de auxiliar na compreensão. A ênfase dada à categoria ilustrativa justifica-se pelo uso de recursos associados à compreensão leitora que não se limitam a aspectos da superfície textual, mas lidam com formas específicas de sumarização de informações em formatos visuais. Esta investigação de campo baseia-se, fundamentalmente, em princípios ditados pela Teoria Cognitiva de Aprendizagem Multimídia (TCAM). Ademais, este estudo também reúne pressupostos teóricos sobre leitura, artigo científico, multimodalidade e elementos ilustrativos. A pesquisa foi realizada em um contexto pós-pandêmico e contou com a participação voluntária de 116 estudantes do primeiro período (2022.1) dos cursos de Letras Vernáculas e Letras Estrangeiras da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O método de procedimento adotado na coleta de dados foi o comparativo. Sendo assim, os participantes foram aleatoriamente divididos em dois grupos: Grupo A (n=58) e Grupo B (n= 58). O GA leu um artigo científico no qual havia três tipos de ilustrações (figuras, tabelas e gráficos) e GB leu o mesmo artigo, mas sem a presença dessas ilustrações. Após a leitura do material, ambos os grupos responderam a um questionário que avaliava: a) a experiência dos graduandos com a multimodalidade e a leitura de textos acadêmicos; b) a compreensão leitora dos estudantes sobre o conteúdo do artigo; e c) o perfil social e educacional dos participantes. O corpus de análise é constituído por esses 116 questionários, os quais foram submetidos à manipulação estatística e analisados de forma descritiva e inferencial. Foram identificados três resultados principais. O primeiro deles é o de que as três categorias de elementos multimodais costumeiramente adotadas na composição de um artigo científico são: elementos gráficos (fonte, cor, estilo, tamanho e sinais gráficos), elementos espaciais (recuo, entrelinha e posição na página) e elementos ilustrativos (figura, tabela, gráfico e quadro). Os dados sugerem, em segundo lugar, que, na categoria de ilustrações, há uma predominância no uso de figuras, e a distribuição desses elementos no artigo científico varia de uma seção para outra. Assim, foi observado que a seção de resultados e discussões é a que mais contém ilustrações, e que quadros, gráficos e tabelas só eram utilizados a partir da seção de metodologia, o que pode reforçar a função dessas ilustrações em sumarizar dados para melhor exposição. Em terceiro lugar, no que tange à compreensão de artigos com/sem ilustrações, não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos A e B. Ademais, observou-se que o grupo B teve uma média de acertos superior ao grupo A, e tal resultado sugere que a presença de ilustrações no texto A pode ter sido um fator desfavorável à compreensão dos participantes, contrariando o que dita a TCAM. Diante disso, foi discutido que demandas de leitura trazidas pelos participantes da educação básica, como também o impacto da pandemia na aprendizagem dos estudantes brasileiros são fatores que podem estar diretamente associados a esses resultados. À vista disso, o estudo sugere que a efetividade do princípio multimídia da TCAM, no contexto da comunidade acadêmica da UFS, pode estar sujeita ao nível de formação dos estudantes, aplicando-se apenas a universitários que já dispõem de habilidades específicas para a leitura de materiais multimodais.

  • JAMES ROCHA SMITH
  • LIVROS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA SOB UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL: DIFERENÇAS ENTRE BRASIL E ITÁLIA
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 27/02/2023
  • Dissertação
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  • A abordagem comunicativa intercultural para o ensino de línguas é impulsionada, mundo a fora, desde os anos de 1970, graças aos avanços nos estudos da Linguística Aplicada. Com isso, linguistas e editoras iniciaram mobilizações para a criação de materiais didáticos que levassem em conta o elemento cultural associado ao aprendizado de língua. No Brasil, durante a década de 1980, a produção de manuais didáticos de português brasileiro apresentou um crescimento considerável, com livros didáticos que encontramos até hoje em livrarias. Diante disso, o presente trabalho visa a analisar dois dos livros voltados ao ensino de PLE, utilizados no Brasil e na Itália, em contexto de imersão e de não-imersão, alinhados à abordagem comunicativa intercultural em suas práticas. Trata-se de uma pesquisa documental que busca depreender do corpus constituído pelas práticas pedagógicas indicadas nos dois recursos didáticos as propostas que tratam de aspectos culturais/interculturais. Por ser uma pesquisa qualitativa, os resultados podem servir de referência para outras investigações e práticas docentes que tenham interesse pela análise de livros didáticos de PLE em uso na contemporaneidade. Além disso, esta dissertação pretende apresentar reflexões que permitam colaborar com a escolha de materiais por parte dos professores que estejam à procura de livros que queiram promover o aprendizado de um novo idioma, o que inclui entender as características culturais, bem como os mecanismos que possibilitam produzir expressões linguístico-discursivas adequadas a cada situação comunicativa. Especificamente, observou-se que o livro publicado no Brasil propicia questionamentos sobre os aspectos culturais, por meio de momentos de discussão sobre a cultura brasileira. Por sua vez, o livro publicado na Itália, parece requerer um esforço maior do professor para a criação de momentos de discussão sobre a cultura brasileira. Em ambos, com maior relevância no livro brasileiro, a análise de termos que remetem a aspectos relativos a essa cultura tem um papel de destaque nos exercícios analisados. A partir das reflexões elaboradas, na continuidade da pesquisa, também será possível contribuir com a comparação com outros livros em circulação e com a organização didática de práticas que possam ser planejadas a fim de articular teoria e prática na análise e compreensão dos possíveis caminhos para o desenvolvimento da perspectiva intercultural seja efetivada no ensino de PLE.

  • MARTA DEYSIANE ALVES FARIA SOUSA
  • Protocolo para Anotação Linguística e Gerenciamento de Amostras Sociolinguísticas: O Caso da Amostra Deslocamentos 2019.
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 27/02/2023
  • Tese
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  • Bancos de dados linguísticos são ferramentas que propiciam aos pesquisadores acesso ágil a amostras de língua (textos orais ou escritos), cruzamento entre dados de diferentes regiões e um acervo linguístico de um determinado período e localidade, servindo não só a propósitos científicos, mas também didáticos (FREITAG; MARTINS; TAVARES, 2012; SILVA, 2015; GONÇALVES, 2019). Tanto no contexto brasileiro quanto internacional, a preocupação com a documentação e arquivamento de amostras sociolinguísticas pode ser explicada pela importância desses dados para o avanço das pesquisas na área (KENDALL, 2013), pelas demandas da Ciência Aberta quanto ao compartilhamento dos dados e pelos avanços tecnológicos em termos de armazenamento e anotação linguística (VANN, 2021). No entanto, assim como no exterior, no Brasil, empreendimentos nesse sentido têm-se dado no nível individual, sem padronização na metodologia, codificação e disponibilização de dados, o que dificulta a replicabilidade e consequente cotejamento de fenômenos variáveis entre diferentes bancos de dados. Ademais, não há amostras sociolinguísticas morfologicamente ou sintaticamente anotadas entre aquelas que já se encontram disponíveis online, assim como protocolos de armazenamento e gerenciamento dos dados e códigos para realização de análise estatística. Objetivamos com este trabalho, elaborar um protocolo de etiquetagem linguística nos níveis morfológico e de classe de palavras da Amostra Deslocamentos 2019 (FREITAG et. al, 2019) e descrever processos para buscas e para disponibilização da amostra em plataforma online seguindo os preceitos da Ciência Aberta. Nossa tese é a de que é possível utilizar recursos abertos e gratuitos para anotação linguística, buscas automáticas e compartilhamento de dados seguindo o paradigma da Ciência Aberta. Para defendermos essa tese: i) classificamos os erros da anotação linguística automática das ferramentas LancsBox e do spaCy em termos de erros do próprio etiquetador, erros ocasionados por transcrição e a não existência de erros, para o fenômeno linguístico variável de preenchimento de determinante antes de possessivo pré-nominal; ii) descrevemos o processo de busca e organização dos dados para o fenômeno estudado em cada um dos etiquetadores; iii) comparamos os dados do fenômeno nas ferramentas em entrevistas limpas (sem marcas contextuais e de oralidade) e sem limpeza; iv) descrevemos os procedimentos de arquivamento tanto dos dados gerados, códigos, como de procedimentos técnicos e éticos para divulgação da amostra. Pelo método de florestas aleatórias avaliamos a classificação dos erros para cada um dos etiquetadores. Os resultados evidenciaram que a acurácia do modelo para os dois etiquetadores foi maior em entrevistas com limpeza. Tanto para o contexto anterior quanto para os dados de determinantes, o modelo foi mais acurado para o spaCy. A partir do protocolo criado, adotamos ações para melhora nos procedimentos de revisão das entrevistas transcritas. Adicionalmente, criamos um padrão para o armazenamento dos dados e para a transcrição ortográfica, um organizador automático para os dados antigos e o site para a disponibilização da amostra.

  • RONNEY MARCOS SANTOS
  • O DISCURSO JORNALÍSTICO SOBRE A QUESTÃO DA PALESTINA: UMA ANÁLISE DISCURSIVA DO JORNAL FOLHA DE S. PAULO
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 27/02/2023
  • Tese
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  • A partir da Análise do Discurso, o trabalho investiga materiais jornalísticos que repercutiram a
    questão da Palestina no jornal Folha de S. Paulo. O foco na questão da Palestina deve-se,
    principalmente, ao fato de o conflito entre palestinos e israelenses, denominado conflito israelo-
    palestino, ao longo dos anos ter ganhado notoriedade na cobertura jornalística ocidental, o que
    consequentemente levou à circulação de discursos diversos, muitos dos quais atravessados pelo que
    Said (2007) chama de Orientalismo a serviço de um contínuo projeto imperialista do Ocidente em
    relação ao Oriente. Outro fator relevante, é que academicamente pudemos constatar a pouca produção
    de pesquisas que tratam dessa temática, sobretudo, no âmbito dos Estudos da Linguagem e, por isso,
    enxergamos a necessidade de trazer os pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso
    para refletir sobre esse tema. O trabalho está estruturado em quatro capítulos, sendo eles: I.
    “Fundamentos teóricos e metodológicos”; II. A questão da Palestina: um breve percurso histórico;
    III. “Análise do discurso jornalístico sobre a questão da Palestina na Folha de S. Paulo (1948): no
    calor do acontecimento”; IV. “Análise do discurso jornalístico sobre a questão da Palestina na Folha
    de S. Paulo (depois de 1948): atualidade e memória”. O corpus discursivo que compõe esta tese de
    doutoramento é formado por materiais jornalísticos que circularam no jornal Folha de S. Paulo em
    dois momentos distintos do conflito entre israelenses e palestinos. O recorte de tempo inicial é maio
    de 1948, quando da ocupação da Palestina pelos israelenses, em seguida recortamos dois momentos
    contemporâneos, julho de 2014 e maio de 2021, em que ocorreram fortes ataques na Faixa de Gaza,
    sendo o de julho considerado um dos mais sangrentos da história do conflito. Para a análise da
    materialidade coletada, mobilizamos algumas das principais noções da Análise do Discurso:
    formação discursiva, formação ideológica, interdiscurso, forma-sujeito do discurso (PÊCHEUX,
    2009 [1988]), silenciamento (ORLANDI, 2007). Além de propormos uma articulação teórica com os
    estudos de Gattaz (2002), Said (2007) e Pappé (2016) para entendermos a chamada questão da
    Palestina, o Orientalismo e o processo de limpeza étnica dos palestinos. Preocupamo-nos, em nossas
    análises, em entender como a circulação e o alcance desse discurso jornalístico contribuem para o
    silenciamento de um povo e o seu apagamento enquanto ideia de nação, evidenciando uma complexa
    rede de relações discursivas considerando a materialidade da linguagem em seu duplo aspecto
    indissociável: o linguístico e o histórico.

  • LETICIA CARVALHO ARAUJO
  • A argumentação nos livros didáticos de língua portuguesa sob a perspectiva da teoria polifônica da enunciação
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 27/02/2023
  • Dissertação
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  • A argumentação é uma atividade discursiva com potencial para promover a aprendizagem do raciocínio reflexivo e pode ser compreendida como prática social de linguagem, visto que pode estar associada aos pontos de vista, aos valores, às crenças, às ideologias daqueles que participam de uma interação argumentativa em determinada situação comunicativa. Assim, a argumentação faz parte do conjunto de ações humanas que exigem posicionamento e fundamentação das posições por meio de recursos aceitáveis que podem ser apresentados aos interlocutores. Nesta pesquisa, a investigação está circunscrita aos aportes da argumentação na língua na análise das atividades que permanecem presentes em dois livros didáticos Língua Portuguesa: Linguagem e interação e Se liga na língua, a fim de verificar o funcionamento dos recursos linguístico-discursivos que materializam a polifonia linguística e como são trabalhados em livros didáticos. Essa proposta se alinha aos documentos oficiais destinados à educação básica (OCEM, PCN, BNCC), que orientam o/a professor /a a direcionar o trabalho pedagógico de maneira a possibilitar aos estudantes conseguir avaliar criticamente textos e sentenças em circulação na sociedade. Concebe-se aqui que a análise dos elementos linguístico-discursivos auxilia na identificação das marcas constitutivas de posicionamentos e de contra-argumentos em variadas situações argumentativas dentro e fora da sala de aula. Desse modo, selecionou-se como referências as perspectivas de Ducrot acerca da argumentação na língua para auxiliar a analisar o tratamento dado pelo autor para alguns recursos linguísticos, sobretudo aqueles que podem atenuar ou marcar uma posição e encaminhar uma ideia para a sua conclusão, tal como tem sido aprofundado nos estudos da TAL. Também foi observado como o ensino de argumentação tem (ou não) favorecido esse tipo de trabalho proposto em dois livros didáticos utilizados por escolas de Sergipe. Os resultados indicam que os elementos linguísticos são parcialmente explorados nos exercícios didáticos, apesar de os autores reconhecerem a importância da formulação de enunciados mais ou menos subjetivos, com marcas de adesão ou distanciamento de quem os enunciou, quando a argumentação é mobilizada.

  • MARCELY MONTEIRO FARIA
  • Estrangeirismos e ideologias linguísticas: um estudo societal
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 27/02/2023
  • Dissertação
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  • Estrangeirismo é o uso de palavras de outras línguas em uma determinada comunidade linguística, a exemplo das palavras fake news ou lockdown, oriundas do inglês, mas também usadas pelos falantes brasileiros do português. Apesar de se tratar de um processo de renovação lexical, a entrada de estrangeirismos em uma língua costuma suscitar forte julgamento social, desencadeando atitudes tanto positivas quanto negativas. Para analisar essa dicotômica relação dos falantes com os estrangeirismos e identificar quais são as crenças e atitudes dos falantes brasileiros em relação aos estrangeirismos, o presente estudo se concentra em dois objetivos: primeiro, examina estudos que investigaram as condições sócio-históricas, política e ideológicas em que os estrangeirismos são introduzidos no português brasileiro; segundo, apresenta um estudo do tratamento societal dos estrangeirismos para captar as ideologias linguísticas subjacentes aos estrangeirismos que circulam em produções multimodais nas redes sociais. Para cada objetivo, seguindo a perspectiva de investigação de atitudes linguísticas por meio de evidências societais, um procedimento metodológico específico foi desenvolvido. Como primeiro movimento, foi realizado um levantamento bibliográfico de trabalhos científicos que exploraram a temática dos estrangeirismos nos últimos anos a fim de construir um panorama da realidade linguística, política, social e ideológica a qual o fenômeno está situado. Como resultado, conclui-se que, por um lado, o histórico de políticas linguísticas homogeneizantes que marcou a história do Brasil pode ter contribuído para afetar a aceitação dos estrangeirismos pelos falantes, enquanto, por outro lado, há o reconhecimento do apelo político e cultural que a língua inglesa alcançou, o que atribui ao uso de estrangeirismos um certo grau de prestígio. O segundo movimento consistiu na investigação das ideologias linguísticas subjacentes aos estrangeirismos no Brasil por meio de um estudo de tratamento societal tendo como corpus produções multimodais (memes, cartuns, tirinhas, etc.) coletadas em sites e redes sociais. Para análise desses dados, recorreu-se a um levantamento preliminar da metalinguagem de ideologias, em especial referentes ao purismo linguístico no Brasil, presentes em trabalhos acadêmicos. Com base nas ideologias identificadas em estudos prévios sobre estrangeirismos no Brasil (SILVA, MOURA, 2000; FARACO, 2001, 2004; RAJAGOPALAN, 2003; RAJAGOPALAN; SILVA. 2004. LACOSTE, RAJAGOPALAN 2005), foram identificadas seis ideologias linguísticas subjacentes aos estrangeirismos na amostra que constituímos, são elas: estrangeirismos em excesso; estrangeirismos como vício de linguagem; estrangeirismos vistos como colonização ou dominação ideológica; estrangeirismos dificultam a compreensão; estrangeirismos como escolha estilística e por fim estrangeirismos através do viés da naturalização. Em conjunto, os resultados dos dois momentos da investigação revelam pistas sobre o julgamento dos falantes, sinalizando para o prestígio social associado aos estrangeirismos, em especial da língua inglesa, no Brasil. Além disso, a análise dos materiais evidencia que os falantes possuem opiniões polarizadas em relação aos estrangeirismos e essas opiniões reverberam ideologias que denotam diferentes graus de consciência sociolinguística em relação aos estrangeirismos e conseguem demonstrar isso no uso que fazem da língua.

  • TATIANNE SANTOS DANTAS
  • “eu, autora – uma ficção sempre incompleta”: Elena Ferrante, frantumaglia e smarginatura
  • Orientador : FERNANDO DE MENDONCA
  • Data: 27/02/2023
  • Tese
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  • Este trabalho tem como intuito percorrer a obra da escritora italiana Elena Ferrante, com destaque para os livros de não-ficção La frantumaglia (2016), L’invenzione occasionale (2019) e I margini e il dettato (2021), mapeando a paisagem da escrita e do corpo desenhadas a partir das palavras frantumaglia e smarginatura. La frantumaglia é o título de uma coletânea de papéis, tésseras e cartas, em que Elena Ferrante começa o processo de construir um corpo para si própria através das suas narradoras. Frantumaglia, herança do léxico familiar da autora, é uma palavra do dialeto napolitano que tem parentesco com frantumare, verbo italiano que significa partir em pedaços. Frantumare, ainda, tem a mesma raiz etimológica de fractal, o latim fractus, que significa fração, quebrado. Ou seja, o caminho que a frantumaglia parece apontar é o de uma imagem que está aos pedaços e dentro de cada pequena parte contém o seu todo, como o fractal. Com smarginatura, por sua vez, o léxico materno de Ferrante encontra reflexo na palavra inventada por uma de suas personagens para descrever uma sensação de perda das margens do corpo e dissolução do eu nas pessoas e objetos ao seu redor. Em I margini e il dettato (2021), a autora faz uma relação direta entre a smarginatura e a escrita e é a partir do entrelaçamento entre a frantumaglia, a smarginatura e a poética dos seus livros, que abordo como a autora constrói um corpo que se apresenta, na escrita, em forma de fractal. Nesse percurso, estou em companhia de escritoras que conversam com as noções de Elena Ferrante que exploro na tese, com um singular destaque para Maria Gabriela Llansol. No que diz respeito ao aporte teórico, convoco Eliane Robert de Moraes (2017) em sua elaboração em torno da fragmentação do corpo na arte no século XX, assim como na noção de corpo e excrita proposta por Jean-Luc Nancy (2000, 2015). Para melhor compreensão do fractal com a mise en abyme conto com as proposições de Lucien Dallenbach (1977), Véronique Labeille (2011), Alain Goulet (2006), Mariângela Alonso (2017), entre outros, e, na Psicanálise, trago para o debate a elaboração feita por Jacques Lacan (1998) e Luce Irigaray (2017) no que concerne ao espelho, o olhar do Outro e a relação com a escrita. O aporte teórico da mise en abyme e da Psicanálise me auxiliam na construção do pensamento sobre a imagem do corpo a partir do espelho e a explorar as possibilidades de ir além dessa imagem com a aproximação entre a frantumaglia, a smarginatura e a forma fractal. Para dar esse passo, também trago a conversa fértil que Elena Ferrante tece com a crítica feminista, com destaque para Adrienne Rich (2017) e Eurídice Figueiredo (2013).

  • GILDETE CECILIA NERI SANTOS TELES
  • AS IDENTIDADES DO PROFESSOR DE INGLÊS NO ENSINO MÉDIO INTEGRAL EM ESCOLAS PÚBLICAS DO ESTADO DE SERGIPE EM TEMPOS NEOLIBERAIS
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 24/02/2023
  • Tese
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  • Essa pesquisa foi desenvolvida no período de 2019 a 2022 e buscou investigar quais identidades são esperadas, construídas e negociadas pelo professor de inglês inserido no Ensino Médio Integral (EMI) da rede pública estadual em Sergipe em tempos neoliberais, considerando a superresponsabilização do indivíduo e a competitividade como elementos essenciais de contextos guiados pelo neoliberalismo (LAVAL, 2019) e reconhecendo os processos que favorecem a perpetração do setor privado sobre a educação pública, em uma descentralização que abre espaço para sua privatização em diferentes níveis e formas. Desse modo, foram necessários aportes teóricos que excediam a Linguística Aplicada (ZACCHI, 2016) – campo em que estou inserida – para fundamentar sociopoliticamente questões históricas levantadas durante o texto, como o ensino integral e o neoliberalismo. Por meio de uma pesquisa qualitativa, que utiliza os documentos de implantação e manutenção do EMI em Sergipe (SERGIPE, 2016a; SERGIPE, 2016b; SERGIPE, 2016c; SERGIPE, 2016d; SERGIPE, 2016e; SERGIPE, 2021), questionário e entrevistas semi-estruturadas com professores de inglês em exercício no modelo pedagógico em questão reunidos em um grupo focal para análise de narrativas e triangulação de dados. Assim, busquei reconhecer características da agenda neoliberal na legislação e no meu ato de narrar-me e no dos docentes participantes com o intuito de novos modos de subjetivação serem trazidos à baila pelas condições de possibilidade (FOUCAULT, 2013a) não apenas do modus operandi, mas de resistência em uma Educação Menor (GALLO, 2002) que abre espaço para intercâmbio entre professores e pesquisadores, justificando a relevância desse estudo.

  • LETÍCIA SANTOS
  • ARGUMENTOS CORINGAS E A INFLUÊNCIA NA AUTORIA DE TEXTOS DISSERTATIVOS-ARGUMENTATIVOS: ANÁLISE DE REDAÇÕES DO SITE BRASIL ESCOLA
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 23/02/2023
  • Dissertação
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  • Esta dissertação propõe analisar se manuais comercializados por youtuber’s em redes sociais, e que apresentam modelos prontos de argumentação – os argumentos coringas -, comprometem a autoria de textos dissertativos-argumentativos de possíveis pré-vestibulandos, presentes na plataforma Brasil Escola. A pesquisa justifica-se pela preocupação com o uso desses argumentos coringas que, na nossa perspectiva, podem interferir na autoria e na argumentação dos alunos. A hipótese deste trabalho é que os discentes, hoje, utilizam argumentos coringas em redações porque são influenciados por essas explicações vindas da internet, já que são nativos digitais e, por isso, se apropriam desse aprendizado mais autônomo. Para sua realização, discutimos questões relacionadas à argumentação, à influência midiática e à noção de autoria, e utilizamos, para a análise, os estudos de autores como Perelman e Olbrechts-Tyeca (2005), Possenti (2002), Bakhtin (2003), dentre outros. Os resultados apontam que há uma similaridade entre os argumentos apresentados nesses manuais e os utilizados efetivamente nos textos dissertativos-argumentativos analisados, e que isso pode comprometer a autoria dos(as) vestibulandos(as).

  • ARETHA LUDMILLA PACHECO LIRA BARROS
  • AS REPRESENTAÇÕES DA POLÍCIA MILITAR NO SERTÃO: UMA LEITURA PELO MEIO
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 16/02/2023
  • Tese
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  • Esta tese investiga as representações da polícia militar do Sertão na Literatura a partir da análise dos romances Vidas Secas (2010), de Graciliano Ramos, Cabo Josino Viloso (2005), de Francisco Dantas, e Sargento Getúlio (2008), de João Ubaldo Ribeiro. As obras em tela apresentam personagens que atuam como policiais militares de baixa patente no espaço Sertão. A ambiguidade de sua caracterização é um aspecto de destaque, pois, à medida que agem de modo arbitrário, violento e corrupto, seu comportamento revela as vulnerabilidades que as condicionam: a precariedade da profissão, o perfil socioeconômico dos membros que ocupam os postos mais baixos da hierarquia militar e o processo de subalternização ao qual são submetidos. A hipótese que orienta esta tese, de cunho bibliográfico, pressupõe que a sociedade está subordinada a diversos processos de controle e formas de dominação. No que tange às ações militares, essas redes de poder presentes no tecido social ficam subsumidas devido à centralização da ideia de opressor/inimigo na figura do policial. Assim, o presente estudo investiga como as relações entre a polícia e os civis ou entre a polícia e o Estado, apresentadas nas obras apreciadas, desvelam as nuances do trabalho policial ao passo que falam sobre as estruturas de poder que também subjugam esses profissionais. Através do trabalho estético operado pela Literatura, que aborda a categoria policial em seu caráter complexo e despolarizado, é possível discutir a posição relativa de poder ocupada pelo policial militar de baixa patente que atua no Sertão. Para empreender essa discussão, foi feito um breve percurso histórico que explica parcialmente o modo como se configura o perfil militar na atualidade, seguida de uma análise que associa a teoria do romance, especialmente através de Bakhtin, aos estudos sobre poder e dominação.

  • GUSTAVO ARAGÃO CARDOSO
  • As interfaces do maravilhoso na obra Doze reis e a moça no labirinto do vento, de Marina Colasanti
  • Orientador : VALTER CESAR PINHEIRO
  • Data: 14/02/2023
  • Dissertação
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  • Este trabalho, que se insere na área dos Estudos Literários e na linha de pesquisa Literatura e Recepção do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe, analisa como o maravilhoso se apresenta nos contos de Marina Colasanti, observando que características eles resgatam dos contos tradicionais e em que medida rompem com a estrutura clássica promovendo inovação. Esta pesquisa de feição qualitativa busca examinar as interfaces do maravilhoso, mas também aspectos simbólicos e composicionais da obra Doze reis e a moça no labirinto do vento, corpus desta análise, de forma exploratória, por meio da compilação de conceitos, teorias e análises dos contos, mais detidamente dos contos “Doze reis e a moça no labirinto do vento” e “Um desejo e dois irmãos”. Nossa hipótese é que os contos de Marina Colasanti são maravilhosos de natureza feérica e que apresentam certa regularidade quanto à composição estrutural, contudo inovam quanto aos temas propostos, promovendo uma visão paródica da sociedade patriarcal ao retomar narrativas da tradição sob uma perspectiva crítica e conferir destaque a personagens femininas. O estudo, guiado por esse pensamento, propõe as seguintes inquirições: Quais interfaces do maravilhoso se manifestam nos contos de fadas de Marina Colasanti? Como essas interfaces se realizam na obra? Os contos da autora promovem alguma espécie de inovação no tocante à linguagem, à estrutura narrativa e à proposição temática quando comparados a contos tradicionais? Onde se encontram as rupturas e como elas se materializam nas narrativas? Estas perguntas norteiam o desenvolvimento das análises feitas, que não pretendem esgotar o entendimento do objeto, mas, ao menos, contribuir para que haja uma reflexão crítica e minudenciada acerca do maravilhoso na poética de Marina Colasanti, considerando para isso um variado referencial teórico e crítico composto por: Colasanti (1982, 2015) Coelho (2020), Todorov (2017), Perdigão (1993), Propp (1984, 2002), Adam (2009, 2011), Genette (2018), Eliade (2013), Campbell (2007), Patai (1982), Mielietinski (1987, 2019), Gotlib (2006), Hutcheon (1991) dentre outros.

  • YANN DIAS DA SILVA MAIA
  • A OBRA KAFKIANA EM RESIDENT EVIL: REVELATIONS 2: LEITURA, IMERSÃO E INTERATIVIDADE ATRAVÉS DOS GAMES
  • Orientador : FERNANDO DE MENDONCA
  • Data: 14/02/2023
  • Dissertação
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  • O presente trabalho busca investigar e analisar o jogo eletrônico Resident Evil: Revelations 2 (2015) e as suas relações com a obra e a vida do escritor Franz Kafka. Para isso, verificamos os pontos de convergência entre o game e a literatura do escritor supracitado, evidenciando os elementos visuais e textuais que compõem essas relações e que contribuem para a construção de uma nova narrativa que ressignifica o cânone literário no suporte digital-eletrônico. Em um primeiro momento, discutimos as propriedades de remidiação dos games (BOLTER & GRUSIN, 2000), bem como as particularidades da narrativa kafkiana (BLANCHOT, 2011). Em seguida, traçamos um diálogo com a teoria da adaptação (HUTCHEON, 2011) e com os fundamentos da intersemiose (PLAZA, 2013), pois consideramos imprescindível estabelecer uma consciência analítica que suporte satisfatoriamente a natureza do videogame como uma forma de arte essencialmente multimodal e interativa. Destarte, propomos uma análise temática da adaptação, levando em consideração elementos narratológicos do game, tais como espaço, tempo, enredo e personagens, com forte ênfase nas obras “Na Colônia Penal”, “Contemplação”, “O Veredicto” e “A Metamorfose”. Por fim, argumentamos sobre as influências do suporte digital-eletrônico para a formação de novas categorias de leitura, bem como sobre as posturas dos leitores/jogadores, que ressignificam o cânone literário na pós-modernidade.

  • KATHERINE DE ALBUQUERQUE MENDONÇA
  • A pluralidade poética de Mário Jorge: do concretismo a outras expressões poéticas
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 10/02/2023
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa está voltada para o estudo das obras do escritor sergipano Mário Jorge, na medida em que intenta investigar o seu fazer poético por meio dos livros Revolição (1968), Cuidado, silêncios soltos (1993), De repente, há urgência (1997) e A noite que nos habita (2003), uma vez que essas produções evocam elementos próximos das formas de construção do Concretismo. Por esse caminho de perscrutar pelos recursos estéticos e discursivos dos poemas mariojorgianos, defende-se a presença de aspectos concretistas na produção do poeta, chegando-se ao entendimento, também, de reconhecê-lo como disseminador do Concretismo em Sergipe. Assim, os estudos desenvolvidos pelos irmãos Campos e por Décio Pignatari sobre a teoria da poesia concreta (1975) norteiam a pesquisa nessa direção, verificando o plano tridimensional de leitura – palavra, som e imagem. Ademais, as questões dos movimentos de Contracultura investigadas por Maciel (1973) servem de base para que se possa compreender o conteúdo político e crítico presente nas criações de Mário Jorge, considerando que suas produções também são conhecidas pela forte tendência à crítica e ao protesto. Outro fundamento para essa pesquisa é o desenvolvido por Genette (2009) acerca dos paratextos editoriais, isto é, o que está para além do texto escrito nas edições das obras, no sentido de permitir ao leitor acessar outras informações sobre o autor e suas obras. Pela perspectiva do pensamento de Sant’Anna (1997), no tocante à relação poesia e ideologia, a aproximação entre as poesias de Mário Jorge e os movimentos artísticos ascendentes na década de sessenta, formula-se um teor social e político alinhado a uma elaboração estética de linguagem que provoca diálogo com os movimentos literários da época. Tornar essa perspectiva um objeto de estudo é repensar a existência de Mário Jorge no cenário da literatura brasileira, propondo um ângulo de análise crítica que vai além de definir como categoria da literatura local. Dessa maneira, a ênfase dada ao movimento concretista é um caminho, sobretudo quando se considera Mário Jorge um escritor inquieto: dissemina o Concretismo e, ao mesmo tempo, articula-se por outras dicções poéticas.

2022
Descrição
  • IVÂNIA NUNES MACHADO ROCHA
  • LENDO MULHERES: EMPODERAMENTO DE SERTANEJAS ATRAVÉS DE LEITURAS
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 20/12/2022
  • Tese
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  • Esta tese está situada nos campos dos estudos culturais e análise etnográfica, com ênfase na crítica literária e crítica feminista. Trata-se de uma pesquisa sobre recepção e empoderamento feminino a partir de um curso de leituras de obras de escritoras negras e/ou nordestinas ministrado para sertanejas de Irecê/BA, focando em seus processos de recepção, considerando os aspectos subjetivos das identidades femininas. O curso teve duração de 180 horas, com encontros presenciais e complementado por leituras prévias individuais e trocas pelas redes sociais, em um sistema colaborativo de aprendizagem. Para tanto, empregamos quatro eixos teóricos: a) gênero e feminismos; b) identidade, lugar de fala c) interseccionalidades entre gênero, classe, raça; d) leitura e letramento literário. Essa abordagem investigativa é relevante do ponto de vista da temática e dos sujeitos de pesquisa, já que trata de livros/textos e de autoras pouco conhecidas pelas sertanejas, por não serem obras canônicas, nem difundidas pelos meios midiáticos hegemônicos. O processo de recepção visou analisar narrativas pessoais das participantes e o impacto das leituras de textos de autoria feminina na formação crítica dessas mulheres, bem como o empoderamento e a mudança de horizonte de expectativa de gênero dessas sertanejas. As leituras críticas passaram pela subjetivação dos posicionamentos políticos das participantes em relação à condição feminina, de modo a combater racismos, sexismos e subalternidades naturalizadas na sociedade, mas questionadas nas obras selecionadas. A metodologia empregada foi a revisão da literatura mais a pesquisa de campo, numa perspectiva decolonial e desconstrutora, a partir da perspectiva feminista proposta por Djamila Ribeiro, Carla Akotirene, Joice Berth, Heloísa Buarque de Hollanda e outras. A estratégia principal utilizada para o desenvolvimento da pesquisa foi a realização do curso de extensão denominado “Lendo Mulheres”, que contou com a participação de 18 cursistas, e através de leituras de obras críticas, em que analisamos as implicações desses textos na vida das colaboradoras. Os resultados apontam para a efetiva transformação que leituras críticas podem operar em sertanejas, colaborando para a sua conscientização enquanto sujeitos do conhecimento e incentivando-as a assumirem seus lugares de fala enquanto mulheres, nordestinas e sertanejas, de maioria negra ou parda; além de empoderá-las, do ponto de vista do conhecimento, de modo a exercitarem a sua autonomia e sua busca por liberdade e condições existenciais mais favoráveis ao seu desenvolvimento humano e pessoal.

  • JOSEANA SOUZA DA FONSECA
  • AS INTERTEXTUALIDADES DO ESPAÇO LITERÁRIO EM FRANCISCO DANTAS E WILLIAM FAULKNER
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 19/12/2022
  • Tese
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  • Esta tese compara e explora a construção do espaço literário nos textos de Francisco J. C. Dantas e de William Faulkner. Para tanto, entrelaçam-se discussões teórico-críticas e hermenêuticas de obras literárias, num total de dois romances de cada autor, a saber: Cartilha do Silêncio (1997) e Uma Jornada como tantas (2019), textos do romancista brasileiro e Enquanto Agonizo (1930) e A Mansão (1959) obras do autor estadunidense. O recorte desta pesquisa incide sobre os contornos sociais e estéticos do espaço literário a partir de reflexões sobre os perfis identitários das personagens e sobre o trânsito por territórios regionais, familiares e psicológicos que atravessam o imaginário literário de cada autor. Congregamos neste estudo, abordagens teórico-metodológicas que perpassam conceitos sobre intertextualidades e espaço narrativo. Valemo-nos, para tanto, do pensamento de Carvalhal e Coutinho (2011), Lukács (2000), Brandão (2013), Foucault (2013), Dardel (2015) e Borges Filho (2017). Como proposição central desta tese, nosso anseio é a partir da estrutura eminente das narrativas de Dantas e de Faulkner validar as intertextualidades estéticas e sociais, bem como o vínculo relacional da condição humana com a condição espacial/o meio onde o indivíduo faz parte. Entre os apontamentos principais deste estudo comparatista, elegemos as tensões sociais entre as personagens e os espaços estéticos para interpretarmos a conjuntura social e econômica que os aprisionam a valores decadentes e excludentes de regiões marcadas pelo preconceito social e pela discriminação dos marginalizados em razão da segregação econômica. Para nossos estudos, as personagens de Dantas e de Faulkner são índices de um espaço agônico, no qual emergem homens e mulheres perdidos em devaneios e lamentos de um passado ameno e de um presente decadente.

  • ALZENIRA AQUINO DE OLIVEIRA
  • “ESSE DESCASO VAI CONTINUAR?” AS LUTAS POR RECONHECIMENTO DE UM POVO: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA E COMUNICACIONAL DO DISCURSO DO POVO SURDO DURANTE A PANDEMIA
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 14/12/2022
  • Tese
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  • Na segunda década do século XXI, o Povo Surdo ainda vive à margem da sociedade e por isso luta por reconhecimento e direitos. A sua primeira língua, a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, não é contemplada no currículo escolar, a acessibilidade comunicacional é garantida por lei, mas não se efetiva na prática. Tais condições reverberam em barreiras de acesso ao mercado de trabalho, aos serviços de saúde, às artes, à pesquisa, à informação, à participação efetiva na sociedade brasileira, ou seja, falta-lhe o exercício da cidadania, configurando-se como um problema social. Diante do contexto pandêmico, a partir de março/2020, essa situação se agravou. Enquanto as pessoas ouvintes foram bombardeadas com informações sobre o novo coronavírus, observamos que esse conteúdo e suas respectivas atualizações não chegavam às pessoas Surdas, pois, em sua maioria, não foram veiculadas em Libras. Os Surdos ficaram sem acesso às informações. Nesse contexto, este estudo busca atender às inquietações da pesquisadora em relação à acessibilidade comunicacional do Povo Surdo durante a pandemia. O objetivo geral é analisar criticamente, ancorados na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD), os discursos do Povo Surdo, em relação aos desafios de acessibilidade comunicacional enfrentados durante a pandemia covid-19. Busca-se também evidenciar, nessa conjuntura as reivindicações do Povo Surdo por seus direitos, o reconhecimento e o respeito a partir do seu protagonismo em vídeos sinalizados em Libras na plataforma YouTube, traduzidos e apresentados, neste texto, na modalidade escrita da língua portuguesa. Para isso, nos orientamos nos pressupostos da Análise Crítica do Discurso (ACD), por assumir postura inversa às ações que causam desigualdades sociais e exclusão (FAIRCLOUGH, 2001; VAN DICK, 2008; PEDROSA, 2013; MAGALHÃES 2017; CUNHA, 2021; IRINEU, 2021). Procuramos agregar contribuições teóricas distintas, pois a transdisciplinaridade na ACD advém de sua própria origem, de sua concepção de discurso, de seu caráter crítico, de sua visão dialética, e também de suas possibilidades metodológicas (BATISTA JR; SATO; MELO, 2018). Com esse fundamento, as pesquisas em ACD são guiadas por seu próprio objeto, é o caso desse trabalho. Os caminhos metodológicos seguiram as trilhas de uma pesquisa qualitativo-interpretativista, sem, contudo, desprezar aspectos quantitativos de representatividades em seus resultados. Ancorados na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (PEDROSA, 2014, 2016), agregamos os Estudos Surdos (SKLIAR e PERLIN, 1998, 2001; PESAVENTO, 2005; LOPES, 2007; STROBEL, 2006, 2008, 2009; SILVA, 2014; HALL; WOODWARD, 2014; FRANCO, 2014; ERNSEN, 2016; PEDROSA et al., 2021) e a Luta por Reconhecimento (HONNETH, 2003), aliados aos estudos do Sistema de Avaliatividade, da Gramática Sistêmico-Funcional (HALLIDAY, 2004; MARTIN e WHITE 2004) e à teoria dos Atores Sociais (VAN LEEUWEN, 2008). Para desenvolvimento dessa tese, assistimos a 122 vídeos em Libras, postados no canal Youtube de 09 IES (Instituições de Ensino Superior), protagonizados por atores sociais Surdos. Realizamos os procedimentos de tradução para a língua portuguesa na modalidade escrita para apresentação nesse trabalho. Após decisões metodológicas, baseadas nos critérios de relevância, homogeneidade e sincronicidade (BAUER e GASKELL 2008; BAUER e ARTS, 2008), constituímos O corpus com vinte e quatro fragmentos que contemplam os desafios de acessibilidade comunicacional dos Surdos durante a pandemia. Os resultados e análises da pesquisa, denotam que existem lacunas no processo de inclusão dos Surdos no âmbito da família, da escola e da sociedade de forma geral. Os atores sociais Surdos, por meio do discurso, revelam que nas estruturas das relações sociais de reconhecimento travam lutas constantes por direito à acessibilidade comunicacional em sua primeira língua e por respeito à sua cultura, por sentirem-se desrespeitados nas relações jurídicas e na comunidade de valores (solidariedade). Finalmente, enquanto pesquisadores embasados na ACD/ASCD, como pressuposto teórico, contribuímos, por meio dessa tese, com o registro de situações vivenciadas pelos Surdos durante a pandemia, e denunciamos sua situação desprivilegiada no tocante ao acesso à comunicação.

  • DANILLO DA CONCEIÇÃO PEREIRA SILVA
  • A LINGUAGEM CONTRA A DEMOCRACIA: REGISTROS DISCURSIVOS ANTIGÊNERO NA POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA MULHER, DA FAMÍLIA E DOS DIREITOS HUMANOS
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 12/12/2022
  • Tese
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  • Ao menos desde a última década, democracias liberais ao redor do mundo têm experimentado uma intensa atuação neoconservadora contra marcos institucionais, jurídicos e legislativos no âmbito da igualdade de gênero, da diversidade sexual e dos direitos sexuais e reprodutivos (PATERNOTTE; KUAR, 2017; CORREA, 2008, 2018). Tal fenômeno indicia processos de erosão democrática mais amplos, atrelados à radicalização do neoliberalismo como racionalidade econômica e modo de subjetivação (BROWN, 2019; COOPER, 2017). No Brasil, a ascensão da extrema-direita ao poder político, após as eleições presidenciais de 2018, significou uma intensificação da ofensiva antigênero (CORREA; KALIL, 2020). Diante desse cenário, esta tese tem como objetivo investigar o reenquadramento de sentidos sobre gênero e sexualidade na gramática de Direitos Humanos do Estado brasileiro, a partir da criação e atuação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Com base em uma análise entre eventos discursivos (AGHA, 2003; WORTHAM; REYES, 2014), são investigadas as ações semióticas performadas entre diferentes eventos políticos ligados ao Ministério, por meio de dados gerados a partir da observação analítica de sua produção documental, de situações de comunicação oficial e de mídias digitais, entre janeiro de 2019 e maio de 2022. Nesse sentido, dois movimentos interpretativos foram fundamentais. O primeiro deles consiste em produzir uma leitura genealógica (FOUCAULT, 1976) dos repertórios discursivos de dinâmicas seculares e religiosas atreladas à emergência da ofensiva antigênero, tanto nacionais quanto internacionais. O segundo está centrado em analisar como processos sociossemióticos de vinculação, retransmissão e enxertia (GAL, 2018, 2019, 2021) atuam na incorporação de registros (SILVESTEIN, 1987; AGHA, 2007) discursivos antigênero à linguagem de direitos humanos do Estado brasileiro sobre gênero e sexualidade. As análises realizadas permitem argumentar que parte considerável dos processos engajados na transformação de políticas antigênero em políticas de Estado no Brasil está centrada nos efeitos performativos de operações de linguagem específicas (AUSTIN, 1962; BUTLER, 1993, 1997). Elas dizem respeito à incorporação de registros discursivos (AGHA, 2007; GAL, 2018, 2019, 2021) antigênero à atuação do Ministério. Ou seja, à implementação de repertórios de signos, figuras metapragmáticas e tipificações sociais convencionalmente associadas a arenas discursivas culturalmente reconhecidas como vinculadas às ordens tradicionais de gênero e sexualidade à gramática política do Estado. Mais do que suprimir ou censurar a linguagem de direitos humanos, o que se dá é efetivação de um depuração metapragmática desses direitos, expurgando deles toda forma de contaminação com repertórios feministas sobre gênero, sexualidade, parentalidade e reprodução, regimentados por ordens de indexicalidade como autonomia, autodeterminação, livre orientação sexual e identidade de gênero. Os resultados da pesquisa permitem argumentar que a incorporação de registros antigênero aos registros de direitos humanos do Estado brasileiro, reflexivamente praticada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, produz uma crise indexical e política em torno dos repertórios sobre os quais políticas públicas de direitos humanos foram construídos na história da democracia brasileira, especialmente em sua relação com os movimentos sociais. Em termos performativos, os efeitos desses processos consistem em diferentes níveis e modalidades de institucionalização da desproteção social, da exposição à violação de direitos humanos e da desigual distribuição da violência, como resultado da ação sociossemiótica do Estado brasileiro.

  • JOSÉ DOMINGOS ANGELO SANTOS
  • NECROPOLÍTICA E VELHOFOBIA: UM DIÁLOGO SINDÊMICO A PARTIR DA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA E COMUNICACIONAL DO DISCURSO
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 22/11/2022
  • Dissertação
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  • O primeiro caso do novo coronavírus foi notificado em Wuhan, na China, no dia 17 de novembro de 2019, tendo sido noticiado para o mundo em dezembro daquele ano e declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a “Pandemia Mundial” no dia 11 de março de 2020. Com ela, ocorreram transformações drásticas nas rotinas das pessoas e, nesse novo cenário, vulnerabilidades passaram a ser intensificadas e vidas passaram a tornar-se matáveis. Assim, este trabalho objetiva discutir, com base nos Estudos Críticos do Discurso (ECD), ancorados na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD), as representações sobre o velho e o envelhecimento durante a sindemia da Covid-19, a partir de recortes de discursos de atores sociais bolsonaristas, Operamos, ao longo do texto, assente na compreensão da Covid-19 como sindemia, isto é, o entendimento dela como uma doença biopolítica (HARDT; NEGRI; 2001; GHIRALDELLI, 2020; 2021). Partimos, assim, de uma contextualização do campo, passando das origens da Análise de Discurso Crítica (WODAK, 2004; 2009; RESENDE; 2017; 2019) à mudança na nomenclatura para Estudos Críticos do Discurso (ECD) proposta por Van Djik (2018) e endossada por Cunha (2021), bem como do pressuposto de que o discurso é parte integrante das práticas sociais e que elas são mediadas pela linguagem (FAIRCLOUGH, 2003). A metodologia adotada é qualitativo-interpretativista, para a qual o trabalho do analista crítico envolve uma postura de observador do mundo (PARDO, 2015). Assim, analisamos um corpus constituído de 22 fragmentos de discursos de atores sociais bolsonaristas, versando sobre temáticas como o velho e velhofobia, Necropolítica, Economia e Vida, dentre outras, dispostas em macro e micro-temáticas, relacionadas às categorias sociodiscursivas como Capital, poder econômico, morte, etc. Tais fragmentos foram retirados da internet, de diferentes suportes – redes sociais, notícias de jornal, dentre outros, na tentativa de mapearmos a forma diluída pela qual a velhofobia se naturaliza discursivamente. Considerando o postulado da Análise Discursiva Textualmente Orientada (ADTO), as análises linguísticas são feitas a partir da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF), especificamente, a partir do Sistema de Avaliatividade e seus subsistemas (VIAN JR, 2010; GOUVEIA; 2009; GONÇALVES-SEGUNDO, 2011), alinhadas ao arcabouço teórico-metodológico supracitado. Ao longo do texto, demonstramos como a sindemia ajudou no endosso da velhofobia como uma prática naturalizada, além da vulnerabilidade dos velhos ser vista de forma positiva, do ponto de vista econômico. Evidencia-se, assim, a velhofobia como uma antropotécnica constituída discursivamente (BRUSEKE, 2011), assentada na banalidade do mal (ARENDT, 1999), cujo enfretamento deve-se dar, também, por via da linguagem. Como conclusões parciais, o trabalho evidencia o caráter diluído da necropolítica atrelado à velhofobia nas práticas sociais, perpassada pela influência do poder econômico e por ações biopolíticas que afetam o velho, acentuadas pela sindemia, acrescido de contribuições teóricas à Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD).

  • KEILA VASCONCELOS MENEZES
  • Monitoramento e identidade linguística: um estudo de palavrões em duas versões de uma obra literária itabaianense
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 26/10/2022
  • Dissertação
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  • O presente estudo propõe uma análise sociolinguística da obra “Feijão de Cego”, de autoria de Vladimir Souza Carvalho, sergipano, natural de Itabaiana, juiz, historiador, poeta, folclorista e escritor. A obra é um compilado de 33 contos cujas pistas linguísticas permitem associar a identidade de um povo. Na representação de uma comunidade em obras literárias, atua como um dos seus fatores o uso de aspectos linguísticos característicos (CHIAPPINI, 1995), e em “Feijão de Cego”, os palavrões são marcas linguísticas frequentes. Sabemos que um mesmo falante monitora seus usos linguísticos em virtude de seu interlocutor e de seus propósitos (BELL, 1984). Em nossa pesquisa, buscamos observar o monitoramento linguístico em uma obra literária, e como o autor manipula marcas linguísticas alvo de forte estigma social, de modo a responder a seguinte pergunta: Quais os efeitos do monitoramento linguístico na utilização de palavrões para a construção de identidades e personas sociais em “Feijão de Cego”? Para esta pesquisa, além da versão publicada e de edição única, tivemos o acesso à versão manuscrita, concedida pelo autor, o que nos permitiu observarmos o monitoramento linguístico a partir da comparação dos palavrões presentes nas duas versões da obra, seguindo o critério da frequência, e da correlação de tais marcas linguísticas aos aspectos sociais evidenciados pelo texto literário. Esse estudo é de natureza qualitativa e quantitativa e se alinha à perspectiva de análise sociolinguística, mais especificamente nos estudos que observam o estilo como construção social, e se centra nos conceitos de Eckert (1992, 2008, 2012), que propõe o estilo da persona como o fator mais expressivo para entender o significado da variação e as comunidades de prática como ponto de partida para a análise da variação estilística. Uma vez que as personas em “Feijão de Cego” são construídas através da ótica de um autor itabaianense e há onze contos cujo espaço narrativo se situa na cidade de Itabaiana-SE, além de termos acesso a estudos que tratam de palavrões típicos associados ao repertório dessa comunidade (FREITAG, SANTOS, SANTOS, 2009; SOARES, 2011) e de imagens construídas socialmente de Itabaiana e seus moradores (MENEZES, W.O., 2010; SANTANA, MARIANO, 2013; MENESES, 2015; CUNHA, MARIANO, 2017; MENEZES, 2018), tomamos Itabaiana como ponto de partida e buscamos identificar se há lexias e imagens sociais específicas que caracterizam as personas itabaianenses da obra em detrimento dos demais contos, localizados em outras cidades sergipanas. Os resultados apontam a construção de uma identidade sergipana, sobretudo interiorana, na obra estudada, não havendo aspectos sociais ou linguísticos específicos que diferenciem os contos itabaianenses dos demais. Na versão publicada da obra, em comparação à versão manuscrita, há uma atenuação dessa identidade local através da diminuição expressiva da frequência de palavrões de caráter mais regional. Além disso, a diminuição e/ou retirada de palavrões mais pesados, substituindo-os por lexias e termos menos estigmatizados, evidencia os efeitos de monitoramento linguístico que atuam não só na fala, mas também na escrita literária, onde há a busca por uma polidez linguística, de modo a aproximar-se de seu interlocutor (o público leitor).

  • GLÊYSE SANTOS SANTANA
  • FORMAÇÕES IMAGINÁRIAS E POSIÇÕES-SUJEITO NOS DISCURSOS ACERCA DO GRUPO CAIPIRA EM SERGIPE NO SÉCULO XIX (1885-1890)
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 31/08/2022
  • Tese
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  • No último quarto do século XIX, a Freguesia de São Paulo da Mata, localizada no agreste da Província de Sergipe, foi o epicentro de um movimento sociorreligioso que teve duração de cinco anos, intitulado nos periódicos e documentos eclesiásticos como “Os Caipiras”. Liderado pelo pároco Felismino Fontes (1848-1919), era constituído sobretudo por trabalhadores rurais, donas de casa e artistas (artesãos), embora possuísse, em suas hostes, homens letrados e até chefes políticos da região. Numericamente representativos - considerando-se a época e o espaço territorial -, chegaram a somar um quantitativo de mais de dois mil membros residentes em vilas, freguesias e povoados na região dos atuais municípios de Frei Paulo, Lagarto, Carira, Alagadiço, Itabaiana, Simão Dias, chegando até os limites do território baiano, nas proximidades de Serra Negra. Em decorrência de suas crenças, práticas e apoio incondicional ao padre Felismino, os Caipiras sofreram sanções como prisão, espancamento e perseguições por parte do estado e dos mandatários da região. O líder, após suspensão de ordem, foi exilado e internado em 1891, no Asilo São João de Deus em Salvador, por ordem do Arcebispo da Cúria Metropolitana da Bahia. Diante do exposto, esta tese, desenvolvida no campo das ciências da linguagem, mais especificamente sob o arcabouço teórico-metodológico da Análise do Discurso (AD) materialista, tem por objeto a análise das formações imaginárias e posições-sujeito que se apresentam nos discursos produzidos sobre o grupo sociorreligioso sergipano, os Caipiras, no período temporal de 1890 a 1903. Tomando por base diferentes materialidades significantes - epístolas produzidas pelo líder Caipira, notícias em periódicos e documentos religiosos – selecionou-se o corpus com o objetivo específico de responder às seguintes questões de pesquisa: Quem foram os Caipiras? O que o exame das epístolas felisminianas podem revelar acerca do arcabouço “teológico” do grupo Caipiras? Quais as posições-sujeito assumidas nesses escritos acerca do grupo Caipira? Quais as formações imaginárias que os sujeitos Caipiras constroem de si, de seus seguidores e de seus opositores? E, em contrapartida, como os Caipiras foram representados pelos seus adversários nos documentos eclesiásticos e em periódicos de época? Que aspectos relativos à formação sócio-histórico-ideológica brasileira podem estar diretamente relacionados ao combate do grupo Caipira? Para responder às questões propostas, construiu-se um dispositivo analítico, com base no método de batimento descritivo-interpretativo da AD, cujo corpus foi constituído por sequências discursivas dos diferentes domínios, as quais foram assim denominadas: SDE (sequência discursiva epistolar), SDC (sequência discursiva católica) e SDP (sequência discursiva dos periódicos). Após essa ação, mobilizando categorias da teoria do discurso em AD e, ainda, estudos históricos e sociológicos, seguiu-se a interpretação da materialidade discursiva. Por fim, aponta-se que as diferentes formações discursivas e as posições-sujeito, em relação aos Caipiras, estão diretamente relacionadas à idealização de um catolicismo autônomo que promoveu uma releitura das doutrinas proféticas litúrgicas e joaquimita, em torno dos debates do campo religioso brasileiro e das lutas políticas que marcaram o agreste e sertão sergipanos, em fins do século XIX.

    Palavras-chave: Os caipiras; Epístolas eclesiásticas; Análise do Discurso; Discurso religioso.

  • ALEXANDRO RODRIGUES CAJÉ
  • A cartilha de "Direitos e Deveres das/os Presas/os Estrangeiras/os": uma análise terminológica e sociocognitiva da tradução no par português-espanhol
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 30/08/2022
  • Dissertação
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  • Segundo os dados do governo federal (BRASIL, 2020), hoje, no Brasil, a população carcerária, em todos os regimes, é de 773.151 pessoas. Deste total, 2.784 são provenientes de outros países, com destaque especial para oriundos de países africanos e hispano-americanos. Mais de 60% desses detentos estão cumprindo pena no Estado de São Paulo (BRASIL, 2020). Com vistas a esclarecer os direitos e deveres da população prisional de origem não nacional, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, em 2015, produziu a primeira edição trilíngue (português-espanhol-inglês) da cartilha intitulada “Direitos e Deveres das/os Presas/os Estrangeiras/os”, que é o corpus da nossa pesquisa. O objetivo que conduziu este trabalho se centrou em descrever como as unidades terminológicas de maior frequência no par português-espanhol do corpus – como, por exemplo, pena, saída temporária, visita íntima etc - foram tratadas na tradução do texto técnico. O aporte teórico sob o qual nos alicerçamos teve caráter interdisciplinar e sitou-se no campo de estudos dos Marcadores Culturais (AUBERT, 2006; AIXELÁ, 2013; REICHMANN & ZAVAGLIA, 2014), das Teorias da tradução (VENNUTI, 1995; 2019; AUBERT, 1995; COSTA, 2005), da Linguística de corpus (BAKER, 1998; BERBER SARDINHA, 2000), da Lexicografia Bilíngue (ZAVAGLIA, 2005; 2006; ZAVAGLIA & ZAVAGLIA, 2000; DURAN & XATARA, 2008), da Lexicografia Computacional (ESCOBAR, 2006) e da Terminologia Sociocognitiva (TEMMERMAN, 2009, 2000). O processo de tratamento, tanto do nosso objeto de estudo quanto dos dados, contou com o uso de ferramentas computacionais como o Convertio.co, o TermoStat (DROUIN, 2010), o AntConc (ANTHONY, 2014), o OmegaT e o Heartsome TMX Editor 8.0. No tocante à problemática tradutória de unidades terminológicas que também ocupam status de marcadores culturais de especialidade (AIXELÁ, 2013), verificamos que as suas condições tradutológicas revelam de modo bastante claro os caminhos para o entendimento do locus de onde emana a implicação tradutória. Desse modo, ao considerar que o contraste estabelecido entre as línguas/culturas é um fator de visibilidade de vocábulos culturalmente marcados, as conclusões da pesquisa nos encaminham para afirmar que a dificuldade irrompe no significado que é atribuído à determinada expressão linguística no texto traduzido. Dessa forma, esta pesquisa contribuiu com a análise de materiais de cunho informativo para pessoas detentas de LE, pois, é um direito linguístico que cabe a elas, conforme Abreu (2016), e é de responsabilidade do estado garanti-lo. Por fim, como apenas o Estado de São Paulo produziu este tipo de material, seria de grande valia a sua expansão para outros estados que possuem população carcerária estrangeira.

  • NATÁLIA EVANGELISTA BARBOSA GUIMARÃES
  • Corpus manuscrito do Sergipe oitocentista: Edição e análise de um processo-crime de defloramento
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 30/08/2022
  • Dissertação
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  • Um processo-crime é o conjunto de documentos jurídicos que corporificam o andamento de uma queixa criminal, partindo do registro de uma denúncia e se estende até o momento da sentença ou do arquivamento do processo (TEIXEIRA, 2021; MARENGO, SOUZA, FONSECA, 2019; SOUZA, TEIXEIRA, OLIVEIRA, SANTOS, 2018). O corpus dessa pesquisa é um processo-crime de defloramento julgado à luz do Código Criminal do Império - de 1830. A demanda processual tem início no ano de 1878 e foi registrada na delegacia de polícia da cidade de Aracaju. Segundo constam nos autos, a ofendida, uma mulher solteira de 30 anos de idade, foi seduzida, sob promessa de casamento, ao cometimento de atos libidinosos por um soldado da Arma de Infantaria do Exército brasileiro, servindo no 28° Batalhão de Caçadores. O manuscrito que foi nosso objeto de pesquisa faz parte do acervo do Centro de Documentação Histórica do Arquivo Geral do Poder Judiciário do Estado de Sergipe e encontra-se acondicionado sob a cota Cx. 2543 (A1-M7-P11). Nosso objetivo esteve centrado na realização das edições fac-símile e semidiplomática e na análise codicológica e documental (CAMBRAIA, 2005; SPINA, 1990) do suporte manuscrito do processo para fins de composição do corpus diacrônico sergipano do Projeto 'Para a História do Português Brasileiro '(PHPB). As nossas conclusões apontam para uma necessidade de reflexão sobre normas de edição que consigam dar conta da edição de documentos jurídicos do passado por conta de sua natureza complexa, híbrida e terminológica (MARENGO, 2016).

  • ROGÉRIO TENÓRIO DE AZEVEDO
  • CONCEPÇÕES METODOLÓGICAS E ENSINO DE LÍNGUA INGLESA NA REDE MUNICIPAL DE ARACAJU: PERSPECTIVAS PÓS-MÉTODO
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 30/08/2022
  • Tese
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  • Este trabalho tem por objetivo analisar as concepções metodológicas de três professores de língua inglesa dos anos finais do Ensino Fundamental de escolas públicas municipais de Aracaju-SE a partir das perspectivas pós-método. A metodologia envolveu a aplicação de questionários e de entrevistas semiestruturadas. Para a análise, utilizo como referenciais teóricos os trabalhos de Kumaravadivelu (1994, 2001, 2003, 2008 e 2014). Os dados mostram que, ainda que as perspectivas pós-método no ensino de línguas datem do final dos anos 1990, não fizeram parte da formação inicial e/ou continuada dos professores participantes, embora suas concepções metodológicas, em parte, se aproximem dessas perspectivas. Adicionalmente, nota-se que outras teorias educacionais como os novos letramentos e suas vertentes (ZACCHI, 2008, 2014; OLIVEIRA, 2007; FAÇANHA, 2014; MENEZES DE SOUZA, 2011; MONTE MÓR, 2009) ainda não fazem parte do repertório dos docentes. Assim, não se vê uma discussão suficientemente aprofundada sobre o tipo de sociedade e o ideal de sujeito que os professores de língua inglesa querem formar, tampouco em relação a práticas específicas no campo do ensino de línguas. Em contrapartida, persiste a priorização do ensino de gramática e leitura como principais habilidades, embora já se possa notar a inserção de outros campos como a cultura. Com as restrições de ordem estrutural e pedagógica, bem como as decorrentes da pandemia de covid-19, os professores encontram como alternativa a mescla entre o que aprenderam em sua formação e adaptações feitas durante o processo de ensino. Os dados gerados indicam a necessidade de um processo contínuo de formação mais específico para professores de língua inglesa, que os habilite a elaborar estratégias, baseadas em um pragmatismo de princípios, capazes de contribuir para o alcance de objetivos pedagógicos condizentes com a formação de indivíduos conscientes e críticos, para além da educação linguística.

  • JANUÁRIA PEREIRA DA SILVA ROCHA
  • DIREITO LINGUÍSTICO E O SISTEMA INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS: ANÁLISE E PERSPECTIVAS DOS CASOS DE SOLUÇÕES AMISTOSAS NA COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS - 1970 – 2021
  • Orientador : RICARDO NASCIMENTO ABREU
  • Data: 29/08/2022
  • Dissertação
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  • O presente trabalho tem como objeto o Direito Linguístico no bojo do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (SIDH) via análise da temática nos casos de Soluções Amistosas processados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), no período compreendido entre os anos de 1970 até 2021. Nosso objetivo fundamental é entender como a CIDH tem operado na condição de mediadora de conflitos linguísticos, através dos casos resolvidos por meio de soluções amistosas entre Estados denunciados e indivíduos e/ou grupos denunciantes, nos procedimentos que fazem referência aos direitos linguísticos, seja como objeto principal ou incidental da demanda. Dividimos com Silva (2021), a hipótese de que a CIDH opera uma macropolítica linguística supranacional e de dimensões continentais, tendo o condão de difundir entre os Estados membros da OEA a ideia de que alguns direitos linguísticos gozam do estatuto de direitos humanos, como registrado no documento que nos serve de apoio, qual seja, a Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH). Desse modo, nessa pesquisa, tomamos como pressuposto o fato de a CIDH representar um importante agente operador de políticas linguísticas e mediador de conflitos linguísticos no continente americano. Nossa base teórica é sustentada por três pilares conceituais fundamentais. Primeiramente, a noção de conflitos linguísticos como conflitos sociais através de padrões de reconhecimento do Direito, a partir de Honneth (2003) e de Dubinsky e Davies (2018); em seguida, a noção de Direito Linguístico apresentada por Abreu (2016, 2019, 2020), Sigales-Gonçalves (2020), Silva (2019) e Silva (2020); e, por fim, os pressupostos da área da Política Linguística, por intermédio de autores como Calvet (2007), Lagares (2018), Ricento (2006) e Rajagopalan (2013). A metodologia utilizada seguiu uma abordagem quanti-qualitativa com procedimentos de natureza bibliográfica e documental que, no decorrer da pesquisa consistiu na delimitação de um corpus de análise extraído por meio do arquivo digital da CIDH, a partir do seu portal https://www.oas.org/es/CIDH/jsForm/?File=/es/cidh/soluciones_amistosas/default.asp. Após a busca exaustiva em um conjunto de 694 (seiscentos e noventa e quatro) informes de soluções amistosas, compreendidos no período de 1970 a 2021, dos quais 197 (cento e noventa e sete) diretamente extraídos da aba correspondente às Soluções Amistosas da CIDH e 497 contidos em Informes Anuais, foram encontrados 6 (seis) casos que faziam referência à temática do Direito Linguístico. A análise do corpus será pautada a partir das possibilidades de mapeamento e identificação: da tipologia do conflito linguístico enfrentado; dos países envolvidos que reconheceram amistosamente a violação do direito linguístico; dos indivíduos e/ou dos grupos minoritários que figuram enquanto denunciantes do objeto do conflito linguístico e da própria lógica da solução amistosa aplicada na resolução dos referidos conflitos.

  • ROSE HELLEN DE CARVALHO SANTOS
  • CONSTRUÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE INDÍGENA NOS LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA INGLESA
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 29/08/2022
  • Dissertação
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  • Recentemente, estudiosos e pesquisadores da Linguística Aplicada, assim como de outrasciências humanas, têm se dedicado a discutir sobre identidade. Muitas das pesquisas desenvolvidas nesse campo científico têm demonstrado a importância de discutir sobre as questões das identidades sociais de raça, etnia, classe social, sexualidade, gênero etc., tanto no âmbito da vida social quanto no âmbito escolar. Diante disso, o objetivo geral deste trabalho é analisar a construção e a representação das identidades dos povos indígenas em livros didáticos de Língua Inglesa do Ensino Médio aprovados pelo PNLD de 2018. Para tanto, serão analisados os materiais didáticos com base na perspectiva de uma linguística aplicada indisciplinar (MOITA LOPES, 2016) e transgressiva (PENNYCOOK, 2016), como também à luz dos novos letramentos, letramento visual e crítico (DUBOC, 2017; JANKS, 2014; JORDÃO, 2017; MENEZES DE SOUZA, 2011; MIZAN, 2012; ZACCHI, 2016), para perceber como as representações imagéticas e verbais presentes nessas obras didáticas buscam promover a visibilidade e a diversidade cultural dos povos originários. A pesquisa tem como base teóricos que discutem sobre identidade (BAUMAN, 1996, 2005; HALL, 1990, 1996, 2006, 2016; MOITA LOPES, 2002; CASTELLS, 2018), sobre livros didáticos (MENDES, 2012; SIQUEIRA, 2012; TÍLIO, 2012; FERREIRA, 2012, 2014; PARAQUETT, 2012), e sobre os povos indígenas (RIBEIRO, 1970; CUNHA, 2012; PAIVA, 2015; LAMAS; VICENTE; MAYRINK, 2016; SHOHAT; STAM, 2007; KRENAK, 2021; PATAXÓ, 2021). Realiza-se, então, uma pesquisa com abordagem qualitativa, com procedimentos bibliográficos e documentais. No decorrer do estudo, observou-se que, embora os autores das coleções tenham buscado construir e representar a identidade dos povos ameríndios, é perceptível que em alguns casos essa tentativa não é fruto somente de compreender a relevância de discutir temas da atualidade, mas também da necessidade de contemplar as exigências do edital do PNLD de 2018.

  • RAYANE ARAÚJO GONÇALVES
  • Aproximações e distanciamentos entre a parte escrita das avaliações de proficiência em português como língua estrangeira: Celpe-Bras e CAPLE
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 29/08/2022
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa, que se desenvolve na linha de descrição, análise e usos linguísticos, apresenta uma análise comparativa e correlacional, alinhada aos estudos da Linguística Aplicada (LA), com enfoque em exames de proficiência em língua portuguesa, buscando, a partir da área de descrição, observar o funcionamento desses exames, de maneira a colaborar para o entendimento do que caracteriza cada um deles. O estudo se desenvolve a partir da seguinte pergunta: há possibilidade de aproximação entre a parte escrita dos níveis de proficiência certificados pelos exames DEPLE, DIPLE, DAPLE e DUPLE, em Portugal, e pelo Celpe-Bras, no Brasil? Diante dessa indagação, descrevemos detalhadamente os aspectos relativos aos exames de proficiência, bem como apresentamos temas intrinsecamente relacionados a eles. O foco principal desta pesquisa se volta para a parte escrita dos exames (entendida como a parte de produção e interação escritas para os exames de Portugal), portanto, nosso corpus é composto por modelos de exames disponibilizados pelos órgãos responsáveis por eles, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Centro de Avaliação e Certificação Português Língua Estrangeira (CAPLE). Pautamo-nos na escolha de modelos das provas realizadas recentemente, considerando as adaptações feitas nos exames para o máximo de adequação a seus constructos teóricos, isto posto, restringimos nossa análise ao exame de 2019.1, em relação ao Celpe-Bras e, apesar de não estarem datados (pelo ano de cada edição, por exemplo), acreditamos que os modelos disponibilizados pelo CAPLE representam o formato atual das provas, sendo assim, mesmo que fossem os únicos disponíveis, também foram selecionados com esse critério. Dessa forma, enriquecemos nosso trabalho analítico inicialmente com um olhar individual sobre a parte de produção escrita dos exames de cada país, para, posteriormente, os aspectos encontrados serem comparados. Para sua realização, então, utilizamo-nos dos conhecimentos de Dell’Isola (2019), Schoffen e Martins (2016), Scaramucci (2000, 2004), e outros pesquisadores de Português como Língua Estrangeira, com enfoque em trabalhos acerca de exames de proficiência. Também expandimos nossa discussão com a ajuda de teóricos, como Diniz (2008, 2012, 2015) e Carvalho (2012) que se debruçam sobre as questões políticas que envolvem a língua. Os resultados apontam uma distinção clara em relação aos constructos teóricos, ao formato da parte escrita desses exames e à maneira de avaliar a proficiência em língua portuguesa, o que não nos impede de encontrar algumas semelhanças entre os níveis certificados por eles. Com esta pesquisa, esperamos contribuir para a visibilidade da área de estudos em PLE no estado de Sergipe, bem como possibilitar debates acerca dos exames de proficiência em português, problematizando questões políticas que atualmente podem estar sendo ignoradas por outros pesquisadores.

  • ERIKSON BRUNO MERCENAS SANTOS
  • Nós falaremos por nós: uma encruzilhada autoetnográfica sobre a construção da identidade negra a partir das comunidades tradicionais de terreiro
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 24/08/2022
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa, tem como objetivo identificar através das escrevivências as possíveis contribuições das Comunidades Tradicionais de Terreiro (CTTro) na construção da identidade negra contra hegemônica a partir de uma pesquisa de cunho autoetnográfico. As escrevivências são experiências negras que partem da coletividade como instrumento que registra uma nova consciência e um novo marco civilizatório, repensando a história sob uma ótica historicamente marginalizada pela colonização. Fala-se do local vivido e das encruzilhadas percorridas (EVARISTO, 2008). É importante salientar que, a escrita é o lugar para as denúncias e produções do não-dito descartadas pela ciência hegemônica (ANZALDÚA, 2000). As escrevivências referentes às CTTro, demandam uma metodologia fora das orientações elaboradas nas colonialidades, nos convidam a descolonizar as formas engessadas de métodos acadêmicos. É importante destacar que este trabalho situa-se na área da Linguística Aplicada Inter/Transdisciplinar, que tem como pressupostos uma transgressividade crítica focalizada em práticas e contextos sociais e suas problemáticas, viabilizando uma reconfiguração do pensamento e status quo de um novo mundo através de olhares não ocidentalizados (PENNYCOOK, 2006), tendo o anseio em dialogar com as dores coloniais, com o engessamento da identidade, afirmando ao mundo que vivemos em novos tempos, com práticas diversas e não homogêneas, e que a complexidade desperta um novo olhar (MOITA LOPES, 2009). Essa pesquisa também parte das possibilidades de uma Linguística Crítica Pós-Colonial (MUNIZ, 2016), com a qual é possível compreender a sociedade na qual estamos inseridos, sendo imprescindível se ater a relação entre identidade, língua e racialidade, na medida que esses três conceitos estão inseridos no contexto histórico e estrutural do projeto político da colonização, deste modo, sendo necessário aliar essa discussão a uma visão crítica e política. Pensar a identidade negra inserida nas CTTro a partir do lugar de etnógrafo possibilita desenvolver tecnologias contra coloniais para encarar a história de forma construtiva, emitindo e problematizando mensagens, referenciando epistemologias de terreiro e as vozes inseridas a marginalização para contrapor o que está posto pela colonização, saindo da perseguição à cura através da encruzilhada de Exú, numa ética preta e transgressora (RUFINO, 2019; NOGUEIRA, 2020). A metodologia de cunho autoetnográfico nesta dissertação, viabiliza, a partir das comunidades tradicionais de terreiro, ocupar o lugar daqueles que tem o que falar e apresentar, se distanciando das impressões do homem branco, portanto, se torna uma forma de denunciar uma história invisibilizada em uma ciência imperialista. A meu ver, as vivências de terreiro convocam a tomadas de consciência do ser negro em sua sociedade mascarada pela democracia racial, meritocracia e pelo estado laico de direito. O terreiro não se limita ao espaço físico, a sua dimensão é filosófica, linguística e cultural (SODRÉ, 2002).

  • THIAGO MACIEL GUIMARÃES
  • INUMANOS DEMASIADO HUMANOS: NORMAS, FANTASMAS E MÁQUINAS EM A DESUMANIZAÇÃO E EM A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS, DE VALTER HUGO MÃE
  • Orientador : JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
  • Data: 16/08/2022
  • Tese
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  • Neste estudo, empreendemos uma análise acerca do funcionamento das normatizações despóticas que aparecem no interior de dois romances do escritor português ValterHugo Mãe: a máquina de fazer espanhóis (2010) e A desumanização (2013). Tendo porguia os princípios do método fenomenológico-hermenêutico, buscamos uma conjugação entre a história, a teoria literária e a filosofia. O modo de compreensão teórica do significado da arte, segundo as elaborações de Georg Lukács (1965) e Friedrich Nietzsche (1880), foi também um esforço teórico-metodológico que permeou todo o exame. Começamos por explanar, no escopo da pesquisa, o valor anormal potencialmente representado pela literatura na sociedade humana e espelhado no gênero romance e nos trânsitos persistentes entre prosa, poema e poesia que se entrelaçam nele. Em seguida, abordamos a forma que a morte impulsiona as personagens principais para a construção de suas narrativas. Conjuntamente, ponderamos como as dinâmicas de silêncio e de silenciamentos (ORLANDI, 2007; SONTAG, 1967; FOUCAULT, 1970) são capazes de paradoxalmente exibir os desiquilíbrios e os despotismos nas sociedades retratadas nas obras. Nossos esforços seguiram orientados pela localização histórica feita por Michel Foucault (1975) relativa à construção dos anormais e da anormalidade humana por meio de discursos jurídicos e psiquiátricos, principalmente, do século XIX; relacionamos ainda como esses sentidos, em muito vigentes na contemporaneidade, estão presentes nos dois romances e afetam a percepção das personagens sobre si e os outros. Continuamos o percurso debruçados no exame das relações entre o Mesmo e o Outro (FOUCAULT, 1966) e as consequências apresentadas no ordenamento social nas histórias a partir do relato dos narradores. O trajeto culmina na atemporalidade dos fantasmas questionadores, recorrendo às elaborações de Jacques Derrida (1994). Depois, olhamos para os funcionamentos das máquinas despóticas que agenciam os desejos de outras máquinas, conforme a acepção de Gilles Deleuze e Félix Guattari (1975), para fazer ver a contribuição de Valter Hugo Mãe ao conjunto de máquinas críticas ao período de Salazar, além de investir na compreensão da perenidade dos modos do funcionamento de protofascismos ainda presentes em muitos contextos nas relações sociais atualizadas nos romances.

  • ANTÔNIO BATALHA DOS SANTOS JÚNIOR
  • A LOUCURA FALA EM FRONTEIRA, DE CORNÉLIO PENNA
  • Orientador : JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
  • Data: 10/08/2022
  • Dissertação
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  • Este trabalho analisa a loucura do narrador personagem em Fronteira (1935), de Cornélio Penna, considerando-a como um mecanismo empregado para falar da exploração das riquezas nacionais pelos estrangeiros, da opressão de mulheres, indígenas e lunáticos. A voz de um excluído da sociedade é a ferramenta discursiva empregada visando redimensionar a História oficial, oferece-nos, pois, uma outra leitura do passado brasileiro, desnaturalizam-se as violências responsáveis que cimentaram a sociedade de então, e a nossa. Com apoio de Engel (2001); Sontag (2007); e Foucault (2016; 2017), observa-se um pouco do passado da enfermidade mental e suas características, relacionando-os aos estudos históricos de Schwarcz e Starling (2018) e aos literários de Schwarcz (2019). Também se empregaram Blanchot (1957) e Foucault (2004), para entender a problemática da forma – a de um conjecturado diário – e parte da fortuna crítica do autor – Santos (2004; 2014; 2019) e Bueno (2015). Além disso, encontra-se em anexo uma entrevista com o cineasta, Rafael Conde, que dirigiu o filme homônimo deste livro, em 2008, sobre os romances cornelianos. Com isso, portanto, busca-se oferecer uma modesta contribuição ao horizonte de leitura já consolidado.

  • MARIA DA CONCEIÇÃO SANTOS
  • A obra ficcional de Sérgio Milliet: marcas autobiográficas na narrativa Roberto (1935)
  • Orientador : VALTER CESAR PINHEIRO
  • Data: 08/08/2022
  • Dissertação
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  • A autobiografia, conforme descrita neste trabalho, corresponde a um gênero textual ou literário que apresenta inúmeros contornos e desdobramentos, o que torna a tentativa de uma definição fixa algo escorregadio e flutuante. Sob esse viés, este gênero literário-discursivo é considerado, por muitos críticos, um gênero híbrido, tendo em vista seu caráter flexível no que diz respeito ao rompimento das amarras da referencialidade literária tradicional. Isto posto, esta dissertação busca identificar as marcas autobiográficas presentes na narrativa Roberto, por meio de uma investigação crítico-literária, como forma de busca memorialística e descoberta identitária de Sérgio Milliet. Entretanto, as discussões tecidas serão fundamentadas, para além das teorias apresentadas, no “pacto autobiográfico” de Philippe Lejeune, pois, embora a obra apresente inúmeros aspectos que associam Milliet a Roberto, a narrativa não é uma autobiografia, por razões que serão discutidas no trabalho. Em termos de estrutura, esta dissertação está dividida em três capítulos. No primeiro, apresentamos o perfil biobibliográfico de Sérgio Miliet. No segundo, à luz da obra A personagem de ficção, de Antonio Candido, faremos uma análise dos elementos constitutivos da narrativa Roberto, examinando a composição das personagens, do espaço e do tempo. Por fim, no terceiro e último capítulo, serão analisados os aspectos autobiográficos da narrativa, interseccionando ficção e realidade, objetivo maior deste trabalho. Este último capítulo subdivide-se em três seções, “Infância”, “Adolescência” e “Participação e engajamento político nos anos 1930”, a fim de que sejam nelas delineadas as marcas autobiográficas de Roberto de maneira mais organizada e precisa. Para respaldarmos as discussões deste capítulo, estabelecemos um diálogo entre a obra e os dois volumes do livro de memórias De ontem, de hoje, de sempre (1960 -1962).

  • GRAZIELE THAINÁ MACIEL LIMA
  • Um olhar sobre o ensino de Língua Portuguesa a partir das Gramáticas Virtuais/On-line
  • Orientador : ANA KARINA DE OLIVEIRA NASCIMENTO
  • Data: 07/07/2022
  • Dissertação
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  • Nesta dissertação, apresento a minha experiência como professora de Língua Portuguesa da educação básica, a partir da qual reflito acerca da visão de língua/linguagem e de multimodalidade presente em três gramáticas virtuais selecionadas: “Nova Gramática On-line”, “Gramática.net.br” e “Norma culta: língua portuguesa em bom português”. A autoetnografia, um dos vieses metodológicos escolhidos para esta pesquisa, possibilitou ampliar o meu olhar sobre o ensino de Língua Portuguesa a partir das Gramáticas Virtuais/On-line, às quais tive acesso no início da pandemia de COVID-19. Este estudo efetiva-se também a partir de pesquisa documental (GIL, 2002), qualitativa (ANDRÉ, 2004) e interpretativista (MOITA LOPES, 1994). Partindo dos pressupostos de que a percepção da história constitui e afeta a percepção do presente (MENEZES DE SOUZA, 2011) e de que a gramatização diz respeito ao processo de instrumentalização de uma língua na base de duas tecnologias: o dicionário e a gramática (AUROUX,1992), esta pesquisa teve como objetivo refletir sobre o fazer docente do professor de Língua Portuguesa, a partir da minha experiência autoetnográfica ao buscar incluir essas gramáticas em minhas práticas como professora de Língua Portuguesa. Além disso, identifiquei os conteúdos abordados nesses materiais e como eles são trabalhados, tendo em vista as novas preconizações da BNCC (BRASIL, 2017, 2019) para o ensino de Língua Portuguesa. Outrossim, verifiquei quais são os recursos multimodais (escrito, som, imagem, movimento, vídeo etc.) presentes nesses materiais e se eles são explorados para o ensino dos assuntos gramaticais. Tal levantamento foi feito com a finalidade de traçar um estudo sobre o ensino de gramática na prática considerando-se o estudante contemporâneo e de modo a proporcionar-lhe uma aprendizagem gramatical reflexiva. Além disso, apresentei sugestões práticas de ensino outras analisando formas diferentes de entender a noção de língua/linguagem e a multimodalidade no trabalho com a gramática. A partir dos dados levantados e de sua análise, concluo que a multimodalidade é inserida nessas gramáticas de modo muito tímido, quase sem aproveitar todos os recursos que o ciberespaço proporciona. A elaboração das sugestões de atividades me possibilitou constatar ser necessário e possível que o professor compreenda o ensino da gramática para além de fixação de regras, como ainda proposto na maioria dos atuais manuais de ensino de Língua Portuguesa. É preciso proporcionar ao aluno contemporâneo, inserido em uma cultura digital, um ensino da língua em uma perspectiva multimodal inserindo e explorando imagens e outros recursos disponíveis no ciberespaço, tais como gifs, memes, vídeos, chats, de modo que ele reflita como a sociedade é organizada e qual seu papel na reorganização dessa sociedade garantindo a justiça social.

  • DANIELLE SANTOS RODRIGUES
  • ESCREVER A MORTE PARA SOBREVIVER: UMA LITERATURA SUICIDA EM SÉRGIO SANT’ANNA
  • Orientador : JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
  • Data: 30/05/2022
  • Tese
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  • Esta tese analisa a produção contística do escritor carioca Sérgio Sant’Anna, de modo particular, as narrativas em que o suicídio se faz presente. Tal temática é abordada constantemente na obra desse autor, que em si é extensa. Em nossas leituras, elencamos, em 11 livros de contos, publicados entre 1973 e 2017, um total de 38 contos que tratam o suicídio de forma direta ou indireta, apresentando-o de diversas formas, como um elemento de efeito narrativo. Trabalhamos a ideia de que a morte autoinfligida, por ser um mistério, um tabu, possui uma força geradora de narrativas. Assim, é por meio do suicídio que muitos contos do autor nascem, se fazem vivos e impactantes. Nesse sentido, de modo específico, exploramos a vinculação entre suicídio, sobrevivência e salvação. Em alguns contos, há personagens-escritores angustiados diante da impossibilidade da escrita, eles escrevem para sobreviver, para se salvar do suicídio ou se salvar pelo suicídio. Assim é escrevendo sobre o matar-se, que o escritor se livra da morte anunciada pela temível página em branco. Para analisar este aspecto, embasamo-nos em Todorov (2011), Agamben (2018), Freud (1996), Carvalho (2003), e Duras (1994). De modo semelhante, na esteira da autoficção, o próprio Sérgio Sant’Anna escreve a morte para sobreviver, como é possível notar no conto “A barca da noite” (2003), em que narra sua própria tentativa de suicídio. Fazemos esta discussão a partir de Arfuch (2012), Bakhtin (2011), Klinger (2006), Prelorentzou (2017), Orthof (1996) e Sibilia (2015). Por fim, analisamos de que modo a escrita de Sant’Anna sobre o suicídio é índice de uma literatura que sobrevive após sucessivas crises de desmistificação (SONTAG, 2015). Para tanto, nos fundamentamos em Adorno (1970); Sontag (1967), Han (2019) e Murdoch (1972). A execução de nosso estudo se ampara em recursos metodológicos relativos à pesquisa bibliográfica. Fazemos uso predominantemente de conceitos das áreas de Teoria da Literatura e Literatura Comparada, da Filosofia e das teorias culturais, dado o caráter transdisciplinar de nossa temática. A abordagem é qualitativa e se estabelece por um estudo de caráter crítico-analítico e interpretativo.

  • JOSILENE DE JESUS MENDONÇA
  • Traços semânticos da referência à primeira pessoa do plural no português brasileiro: um estudo em tempo real
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 24/05/2022
  • Tese
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  • No português brasileiro, a forma a gente tende a codificar referentes de primeira pessoa do plural com um valor semântico mais genérico, herança de seu traço nominal, o que a caracteriza como uma forma emergente no subsistema dos pronomes pessoais. No entanto, estudos variacionistas desenvolvidos com amostras sociolinguísticas mais recentes têm evidenciado um aumento do uso de a gente em contextos de menor abrangência referencial, sinalizando seu encaixamento semântico no quadro dos pronomes pessoais. Nossa tese é de que a gente perdeu sua restrição semântica atrelada ao valor genérico, ganhando espaço nos contextos referenciais de menor amplitude, ocasionando uma inversão no valor referencial das variantes de primeira pessoa do plural. Para defendermos essa tese, analisamos, em uma perspectiva de mudança em tempo real de curta duração, os traços semânticos das variantes nós e a gente em duas amostras sociolinguísticas, constituídas em momentos distintos (2010 e 2018) na comunidade de prática Campus Professor Alberto Carvalho, da Universidade Federal de Sergipe, situado em Itabaiana/SE. Para análise da mudança nos traços semânticos da formas de primeira pessoa do plural, consideramos as variáveis semânticas i) amplitude do referente, ii) grupo referencial, iii) referência, iv) definitude/especificidade e v) inclusão do interlocutor. Além desses cinco traços, analisamos também as frequências de uso das variantes nós e a gente em função das variáveis estilísticas sequência discursiva e tipo de assunto. O resultado da análise em tempo real das frequências de uso das variantes nós e a gente evidencia que a expressão da primeira pessoa do plural está em processo de variação estável no período de tempo analisado. A análise das ocorrências de a gente em cada marco temporal mostra que a forma está aumentando sua frequência de uso em contextos de menor amplitude, para fazer referência a indivíduos, para codificar referentes com o traço semântico definido e em situações referenciais em que o interlocutor está excluído, o que evidencia um processo de especialização em função dos traços semânticos. Os resultados em função dos contextos estilísticos mostram que a forma a gente está aumentando sua frequência de uso em contextos de sequência discursiva narrativa e com assuntos particulares, o que corrobora com a especialização apontada pelos resultados em função dos traços semânticos. Os resultados confirmam nossa tese de inversão nos traços semânticos das variantes de primeira pessoa do plural, pois as análises evidenciaram um cenário de distribuição complementar entre as formas nós e a gente em função dos contextos referenciais.

  • ANDRÉIA SILVA ARAUJO
  • O uso variável dos pronomes tu, você e cê na função de sujeito: um estudo do padrão do comportamento referencial
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 23/05/2022
  • Tese
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  • As formas variantes tu, você e são utilizadas no português brasileiro tanto para se referir a referente determinado (interlocutor dêitico) quanto a referente indeterminado (a qualquer pessoa presente ou não no contexto comunicativo, incluindo o próprio locutor/falante). Os estudos variacionistas, desenvolvidos sobre esse fenômeno, analisam o tipo de referência como uma variável independente. No entanto, cada tipo de referência parece ter um comportamento de uma variável dependente, caracterizando-se como duas funções/regras de uso distintas para o fenômeno em questão, a saber: a referência determinada das formas variantes expressa a função de referência à segunda pessoa do singular e a referência indeterminada das formas variantes expressa a função de indeterminação do sujeito. Defendemos a tese de que os usos variáveis dos pronomes tu, você e estão relacionados à distinção do tipo de função referencial (determinada ou indeterminada), a qual interfere na proporção de distribuição das formas; sendo necessário que cada tipo de função referencial seja controlado como uma regra variável separada (dependente). A partir dos postulados teóricos da Sociolinguística Variacionista (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]; LABOV, 2008 [1972]) em interface com a Pragmática (BROWN, GILMAN, 1980; BROWN, LEVINSON, 2011 [1987]) e com a Teoria da Acomodação (BELL, 1984, 2001; GILES, COUPLAND, COUPLAND, 1991), objetivamos analisar o padrão de comportamento das variantes tu, você e com referência determinada e indeterminada no falar de universitários, em duas situações de coleta de dados: em entrevistas sociolinguísticas e interações. Compõem o corpus de análise entrevistas sociolinguísticas (amostra Deslocamentos-UFS/ITA (2018)) e interações conduzidas (amostra Rede Social de Informantes Universitários de Itabaiana/SE (2013)). Para cada uma das regras variáveis em estudo, controlamos os efeitos das seguintes variáveis independentes: i) grau de intimidade entre os interlocutores; ii) relações (as)simétricas quanto ao sexo dos interlocutores; iii) turno de fala; iv) período do curso; v) sexo do falante; vi) deslocamento social; vii) tipo de amostra; viii) tipo de sequência discursiva; ix) tópico discursivo; x) tipo de discurso; xi) paralelismo formal e xii) efeito gatilho. Identificamos 3209 ocorrências dos pronomes sujeitos tu, você e no corpus analisado. Os resultados gerais demonstram que a variante você é a forma mais utilizada, tanto na função de referência determinada quanto indeterminada nas duas amostras analisadas; favorecimento este que ocorreu, principalmente, pelo grau de escolaridade dos informantes e pelo ambiente focalizado (uma universidade), os quais favorecem a atuação da dimensão de poder que propicia o uso da forma de maior prestígio na comunidade dentre as três formas variantes. Constatamos que o tipo de amostra interfere na distribuição de ocorrências das formas analisadas em cada função referencial: os usos da variante tu ocorreram apenas na regra de referência determinada em interações conduzidas (na fala de homens, em sequências injuntivas, em tópicos sobre vivências pessoais, em situações interacionais entre íntimos). Tais resultados apresentaram significância estatística, indiciando que o tipo de coleta interfere na distribuição das variantes e que há a atuação de duas regras variáveis (de referência determinada e de referência indeterminada) nos usos das formas variáveis estudadas. Quando o tipo de amostra é de entrevistas, os usos das formas pronominais ocorreram indiferentemente do tipo de referência. Estes resultados contribuem para o panorama das mudanças no paradigma pronominal do português brasileiro, e sugerem para a importância da diversificação de tipos de amostras linguísticas em análises de processos variáveis pragmaticamente motivados.

  • THAÍS SANTOS MEDEIROS
  • Entre o ser e a linguagem: O itinerário ontológico em A Paixão Segundo GH
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 23/05/2022
  • Dissertação
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  • Esta dissertação de mestrado tem como principal objetivo estabelecer um diálogo entre A Paixão Segundo GH (1964), quinto romance da escritora Clarice Lispector e o pensamento filosófico. Dentre as possibilidades observadas, a vertente ontológica se mostra a mais potente fonte de aproximação ao texto clariceano, por esse demonstrar um profundo questionamento sobre a problemática do ser. De acordo com a ontologia proposta por Martin Heidegger (1927), por sua própria constituição, o Ser-aí (Dasein) é dotado da possibilidade de colocar questões. Tal investigação perpassa toda a obra da escritora Clarice Lispector, encontrando seu ápice em A paixão segundo GH. A questão do Ser é ponto central do romance, a se desdobrar durante todo o desenvolvimento da narrativa, numa perspectiva filosófica concretizada através do trabalho com a linguagem, característica escritural da autora. Para Benedito Nunes é a reflexão contida em um texto que possibilita analisar a literatura pelo viés filosófico. (NUNES, 1981). Apoiamo-nos numa abordagem que dissolve as fronteiras entre os textos filosóficos e literários numa abordagem interpelativa, uma vez que isso privilegia as possibilidades de sentido propostas na literatura. Desse modo colocamos em questão a possibilidade de um ‘pensamento clariceano’, que acontece não nos moldes da escrita filosófica, mas numa ‘literariedade pensante’.

  • FLÁVIO PASSOS SANTANA
  • A INTERTEXTUALIDADE COMO ESTRATÉGIA ARGUMENTATIVA: AS IMAGENS DISCURSIVAS DOS REALIZADORES DO 1º FESTIVAL DO M1NUTO DA UFS
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 09/05/2022
  • Tese
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  • O objetivo basilar deste trabalho consiste em investigar como a intertextualidade pode ser utilizada como uma estratégia argumentativa para a construção do ethos. Para tanto, analisei os curtas-metragens dos realizadores do 1º Festival do M1NUTO da UFS, que teve como tema Estação Vigilância. Assim sendo, alvitrei-me a: i) analisar as relações intertextuais utilizadas nesses curtas e como elas dialogam entre si; ii) observar como se dão os ethé de seus realizadores em torno do que se entende por Estação Vigilância; iii) discutir as principais abordagens teóricas acerca dos estudos da Retórica e Argumentação no que concernem ao ethos e, também, sobre as discussões que giram em torno da intertextualidade atualmente. Para isso, aglutinei interdisciplinarmente aportes teóricos de diversos campos do saber: A Retórica Clássica (ARISTÓTELES [384-322 a. C.] 2011); a Nova Retórica (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA [1958] 2005); a Linguística Textual (KOCH, 2002, 2009), (KOCH; ELIAS, 2009, 2006, 2016), (KOCH; CUNHA-LIMA, 2011), (GENETTE, 1986), (KOCH; BENTES; CAVALCANTE, 2008), (MOZDZENSKI, 2012, 2013); os Estudos da Argumentação (AMOSSY, 2005, 2018), (MAINGUENEAU, 2005, 2020); e a Linguagem Cinematográfica (XAVIER, 2012), (PADOVAN, 2001), (MARTIN, [1955] 2005), (METZ, 1972). Os corpora analisados são compostos por 7 dos 24 curtas-metragens do Festival. A partir da amostra, realizei um estudo de caráter qualitativo investigando sentidos produzidos nos planos e nos movimentos da câmera, conforme Moletta (2009) e Xavier (2012); utilizando o método analítico de Mozdzenski (2012), acerca do contínuo forma e função da intertextualidade, observei como se construiu o encaixamento do ethos por meio do ethos representado e do ethos representante (MAINGUENEAU, 2020). Mediante a análise, a minha hipótese foi constatada: o uso de intertextos se dá de forma eficaz quando utilizada na construção de sentidos em curtas-metragens, bem como cria uma imagem discursiva positiva e qualificada de seus realizadores, pois se mostram conhecedores dos clássicos do cinema, da política e da filosofia e, também, inovadores, no sentido de criar múltiplos sentidos por meio das diversas relações intertextuais apresentadas.

  • GILVAN SANTANA DE JESUS
  • O PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO DE 2018 SOB UM OLHAR DA ANÁLISE DE DISCURSO: ENTRE A PRISÃO DE LULA E O ATENTADO A BOLSONARO, LEGITIMIDADE E DEMOCRACIA EM DISPUTA NA IMPRENSA
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 29/04/2022
  • Tese
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  • Esta tese de doutoramento tem por objetivo central compreender como as eleições presidenciais de 2018 no Brasil são significadas na/pela imprensa. Para isso, a pesquisa toma como aporte teórico-metodológico a Análise de Discurso de tradição francesa, mais especificamente, de base materialista, que tem em Michel Pêcheux um precursor. Nossos gestos de interpretação particularizam esse processo eleitoral a partir da análise de 40 capas de diferentes veículos jornalísticos, em circulação no espaço digital/virtual, a respeito de dois importantes e decisivos acontecimentos da conjuntura política pré-eleitoral, a saber: a) a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida no dia 07 de abril de 2018; b) e o atentado ao então candidato à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro (à época, filiado ao PSL), ocorrido no dia 06 de setembro do mesmo ano. Os sentidos que estão em circulação nesse período, afinal, vão produzir ressonâncias discursivas (SERRANI, 1993) na maneira como a mídia jornalística repercutirá assuntos concernentes às eleições. O trabalho está estruturado em quatro capítulos, sendo um metodológico, um teórico e dois analíticos, respectivamente: I. “Construindo o método em Análise de Discurso: sobre a lógica disjuntiva que atravessa o processo eleitoral”; II. “Dispositivo teórico da Análise de Discurso: o lugar do outro na constituição do sujeito”; III. “A prisão de Lula como acontecimento discursivo: efeitos de sentido de cumprimento da democracia”; IV. “O atentado a Bolsonaro como acontecimento discursivo: efeitos de sentido de rompimento da democracia”. Esse movimento comparativo de análise entre os dois acontecimentos mencionados possibilitou-nos a observação de um cenário fortemente tomado por um antagonismo bilateral, fenômeno que, no Brasil, já vem se constituindo há algum tempo como um sentido evidente e que apaga uma possibilidade outra de os eleitores votarem. Dessa forma, nota-se como os efeitos de sentido de “bipolarização” e de uma “lógica disjuntiva” (PÊCHEUX, 2015) afetam a construção do processo eleitoral na mídia jornalística. Além disso, verificamos também como os sentidos de democracia estão, recorrentemente, em disputa: por um lado, a prisão de Lula é significada como o caminho legítimo e democrático a se percorrer, sendo construída, assim, como o desfecho esperado; em contrapartida, o atentado a Bolsonaro constitui-se como um acontecimento antidemocrático, que não apenas produz uma ruptura com os ideais democráticos do país como também sensibiliza o (e)leitor quanto a esse atentado, tendo em vista a “espetacularização” que o constitui (GREGOLIN, 2003). Nessa perspectiva, defendemos a tese de que a eleição de Jair Bolsonaro vai sendo construída, discursivamente, na imprensa, sob a mira do (e)leitor, como um caminho legítimo e democrático, tendo em vista o funcionamento de efeitos de sentidos de pré-construídos constitutivos da democracia brasileira, operando em nosso corpus discursivo. Com o desenvolvimento desta pesquisa, fornecemos meios para uma melhor compreensão do cenário político-eleitoral do Brasil atual, observando como a memória discursiva se atualiza, sempre na tensão entre algo que se repete e estrutura o processo eleitoral e algo que rompe, desliza e escapa ao domínio do sujeito (PÊCHEUX, 2015; ORLANDI, 2015).

  • DANIEL DA ROCHA SILVA
  • O DISCURSO DE RESISTÊNCIA EM RECORTES DE SOBREVIVENDO NO INFERNO (2018) DO RACIONAIS MC’S
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 27/04/2022
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objeto principal analisar o processo de produção de sentidos por meio
    de sequências discursivas em três materialidades: “Capítulo 4, versículo 3”, “Diário de um
    detento” e “Periferia é periferia (em qualquer lugar)”, do livro Sobrevivendo no inferno
    (2018), lançado pela Editora Companhia das Letras, que se tornou a versão impressa do
    álbum musical de mesmo nome, apresentado ao público em 1997 pelo grupo de rap
    paulistano Racionais MC’s em uma década marcada pela violência policial em comunidades
    periféricas. A obra foi escolhida em decorrência de apresentar marcas linguísticas que
    permitem ao analista de discurso interpretar tanto os não-ditos quanto os deslizes acerca do
    discurso de resistência, assim como os deslocamentos e permanências desse discurso. Então,
    de que modo o rap “denuncia” essa realidade? Enquanto questão norteadora, é sabido que o
    rap influencia seus seguidores a manterem uma vigilância constante diante das ações
    praticadas pelo Estado, pois representam sujeitos discursivos que resistem à falta de políticas
    públicas. Nesse sentido, o objetivo geral busca compreender, por meio da Análise de Discurso
    de perspectiva pêcheuxtiana, como o corpus aborda o discurso de resistência a partir das
    condições de produção dos anos 1990, marcado por chacinas que até os dias atuais levantam
    questionamentos acerca de seus executores; por conseguinte, os objetivos específicos são:
    levantar as condições de produção dos anos 1990; identificar a formação discursiva desses
    sujeitos interpelados ideologicamente e verificar de que modo acontece a resistência do
    sujeito discursivo à ideologia dominante de uma formação social capitalista. Assim, justifica-
    se por ser um grupo musical influente e que perpassa as diversas camadas socioeconômicas da
    sociedade, não sendo restrito apenas à periferia, fato que marcou o movimento do rap
    nacional e alcançou uma notoriedade alarmante para o ritmo, portanto, é a voz da periferia na
    mídia que adentra os diversos espaços sociais e atinge seus mais diversos agentes. Como
    nosso norte teórico é a AD, não se tem uma metodologia fixa e única, mas gestos de
    interpretação do analista de discurso no decorrer da pesquisa, do contato com o corpus e as
    categorias de análise. Para tanto, embasamos nosso trabalho no aporte teórico de seu principal
    autor: Michel Pêcheux (1995; 1997; 2020); além de Orlandi (2000; 2007; 2012), Maldidier
    (2017) e outros. Assim, consideramos algumas categorias que foram discutidos por Pêcheux:
    ideologia, formação discursiva, memória, acontecimento, interdiscurso, sentido, condições de
    produção e sujeito. Avaliamos, por “fim”, que o sujeito do discurso da periferia é clivado pelo
    discurso de resistência e, que, por sua vez, manifesta-se no rap dos Racionais MC’s,
    retratando o abandono vivido pelas comunidades das grandes cidades brasileiras.

  • GEOVANEIDE SANTOS DOS REIS
  • INSCRITOS E COLAGENS NAS CELAS DAS TRANSEXUAIS NO COMPLEXO PENITENCIÁRIO MANOEL CARVALHO NETO (COPEMCAN): UM ESTUDO DO ETHOS ARGUMENTATIVO
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 19/04/2022
  • Dissertação
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  • Esta dissertação de mestrado, cujo título é Inscritos e colagens nas celas das transexuais no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan): um estudo do ethos argumentativo, tem o objetivo geral de analisar a construção do ethos em inscritos e colagens de cunho religioso presentes em celas de transexuais numa penitenciária sergipana, a fim de revelar valores, crenças e expectativas presentes nos discursos de transexuais encarceradas, além de refletir sobre os estigmas que alimentam o preconceito de gênero, reforçam a exclusão de grupos minoritários e fomentam a criminalidade. O estudo, no que diz respeito ao processo de coleta de informações e definição de conceitos para construção e validação das análises, utiliza a pesquisa bibliográfica, a partir de referências em livros, jornais, artigos, dissertações e teses sobre o ethos argumentativo e a luta LGBTQIA+, a qual foi realizada entre 2020 e 2021. Ainda metodologicamente, trata-se de uma pesquisa quantitativa-qualitativa. Foram coletadas, para a composição do corpus, pela pesquisadora e por servidores adequadamente capacitados e instruídos do Complexo Penitenciário, mais de 20 imagens, obtidas por meio de fotografias da câmera de um aparelho celular, além de respostas oriundas de uma entrevista coletiva com as detentas. A análise baseou-se em teóricos da Argumentação Discursiva e da Retórica, como Aristóteles (2005, 2007), Amossy (2005), Maingueneau (2006), Reboul (2000); além de Goffman (2017), para o conceito de estigma, Gitahy (1999), com o estudo dos inscritos, e Cohen (1989) sobre colagens. Observou-se, por meio da análise, a construção de um ethos religioso que pode revelar a busca das oradoras para persuadir o auditório, modificando possíveis ethos prévios negativos relacionados ao seu histórico de criminalidade e mesmo à sua condição de transexuais, ainda, muitas vezes, julgada como pecaminosa e errada pela igreja e pela sociedade em geral, quanto revelar suas crenças, arrependimentos e busca por salvação, conforme os discursos religiosos a que têm acesso e que reproduzem em suas falas. Aliado a esse ethos religioso, revela-se um ethos crítico que denuncia as condições das transexuais encarceradas e pede por respeito e igualdade.

  • EDNA CAROLINE ALEXANDRIA DA CUNHA
  • A POESIA PRECURSORA DO MODERNISMO EM SERGIPE
  • Data: 31/03/2022
  • Tese
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  • Este trabalho tem por objetivo mapear os acontecimentos que contribuíram para a divulgação do Modernismo em Sergipe, no que se refere à produção poética, entre 1920 a 1930, no contexto de modernização de Aracaju, capital recém-instituída que ganhava ares de urbanização e embelezamento nas primeiras décadas do século XX. Nosso corpus é constituído das publicações nos jornais que circularam à época, dentre os quais destacamos para esta tese: O Estado de Sergipe, A República, Diário da Manhã, Gazeta de Sergipe, Diário de Sergipe, O Nordeste, Gazeta do Povo, Jornal do Povo, Sergipe-Jornal e o Boletim Liberal entre os anos 1922 a 1933. Consultamos também os jornais A Razão e O Piauhytinga, do município de Estância, entre os anos 1926 a 1930. Nossas fontes históricas incluem ainda a revista Renovação (1931-1934). A materialidade é composta por poemas modernos, divulgação dos eventos literários, manifestos, editoriais, artigos de opinião, entrevistas, cartões-postais, cartas, revistas inseridas na nova estética, fascículos, livros e, sobretudo, os poemas publicados pelos precursores da estética modernista em Sergipe. Para tanto, o trabalho está dividido em quatro partes. Na primeira parte descrevemos a movimentação dos idealizadores da poesia moderna em Sergipe que culminou com a realização da Noite de 29, evento que aderiu às ideias modernistas; na segunda parte situamos a recepção do espírito moderno entre os jovens poetas sergipanos que defendiam o pensamento novo; na terceira parte apresentamos a revista Renovação e o despontar da voz da mulher pela experiência da escrita criativa literária presente em cada edição deste periódico; por fim, na quarta parte reunimos a obra poética de Abelardo Romero e José Maria Fontes considerados pela crítica local como aqueles que, de fato, reverberaram a estética modernista em Sergipe. Estiveram favoráveis à nova estética: Heribaldo Vieira, Carlos Fontes, João Passos Cabral, Maria Rita Soares de Andrade e os poetas modernos Abelardo Romero e José Maria Fontes, sendo estes dois últimos os idealizadores da Noite de 29, logo, dedicamos leitura crítica para a obra poética de ambos os escritores. Dentre as obras que subsidiam o percurso de nossa investigação pela hemeroteca sergipana – tomando como ponto de partida o acervo do crítico literário, folclorista e pesquisador da História e Cultura sergipanas, Jackson da Silva Lima, estão: Poesia sergipana, uma antologia (OLYNTHO, 1988); Literatura sergipana (ARAÚJO, 1976); Vida literária (SOUZA, 1961); Jordão de Oliveira (RIBEIRO, 2006); Agremiações culturais de jovens intelectuais na imprensa estudantil (GILFRANCISCO, 2019); Revistas do IHGSE (1919-1951); História de Sergipe: República (1889-2000) (DANTAS, 2004); Álbum de Sergipe: 1820 a 1920 (SILVA, 1920); Álbum photographico de Aracaju (CASA AMADOR, 1931). Para aprofundar o diálogo entre o Ser e o Fazer poético na modernidade, trouxemos o pensamento de Hugo Friedrich, em Estrutura da lírica moderna (1978), caracterizando as transformações e rupturas estilísticas da poesia modernista. Com Émil Staiger (1997) ampliamos o debate sobre a lírica moderna entre estruturas, significações e a constituição da linguagem poética. Nesta perspectiva, Octavio Paz, em O arco e a lira (1982), levanos a pensar a poesia e o fazer poético por meio da leitura crítica de seus componentes, reunindo a linguagem, o ritmo e a imagem, consolidando a experiência poética pela presença/função da poesia. Com Alfredo Bosi, no livro O ser e o tempo da poesia (1977), apontamos a relação palavra-imagem na poesia. Além desses diálogos, a investigação sobre a poesia e o fazer poético prossegue com o repertório ensaístico proposto por Antonio Cicero, no livro A poesia e a crítica (2017), que torna evidente como as percepções poéticas são sempre originais, mediante o modo como o poeta sente o mundo à sua volta. Dessa forma, reconstruímos uma quantidade considerável de informações que indicam a participação de Sergipe no Modernismo – na compreensão dos eventos e seus desdobramentos, destacando tanto as rupturas artístico-literárias quanto as tentativas de cindir os modelos patriarcais defensores do passadismo obsoleto que resistiam às transformações socioculturais, consequências do advento do século XX.

  • RENATA FIGUEIREDO DE CASTRO
  • A Escola de Moças ou A Filosofia de Damas: tradução e estudo
  • Data: 25/02/2022
  • Tese
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  • L’École des filles ou la philosophie des dames, quando publicada, na França em 1655, teve sua edição censurada, confiscada e queimada. Jean L’Ange e Michel Millot, a quem a autoria foi atribuída, foram processados e condenados. Para Lachèvre (1920), que resgatou e estudou o processo, L’École des filles carrega status de primeira obra de língua francesa deliberadamente obscena. Por este caráter inaugural, o livro costuma ser comentado por estudiosos que pensam erotismo, libertinagem ou pornografia na França, como Muchembled (2007), Hunt (1999), DeJean (1999), Alexandrian (1993), assim como outras obras do século XVII obliteradas pela libertinagem filosófica dos romances do século seguinte, sob uma perspectiva estritamente histórica, já que antecede o que serão depois conhecidas como prosa libertina e prosa pornográfica. No entanto, além de seu aspecto histórico, L’école des filles, apresenta caraterísticas referentes às estéticas do Barroco e do Classicismo, estabelece diálogo com uma tradição de literatura erótica ocidental, aborda concepções filosóficas sobre o amor e representa mudanças de costumes relacionadas à sexualidade feminina. Em razão desses elementos, este estudo, de caráter bibliográfico, pretende defender que L’École des filles é uma obra literária situada em um período de transição estética, filosófica e sociocultural. Para tanto, a pesquisa faz um percurso histórico-literário dividido em três partes. Primeiro, com base em Lachèvre (1920), Muchembled (2007), Hunt (1999), DeJean (1999), Alexandrian (1993) e Darnton (1998), foi apresentado o histórico de produção, edição, censura e processo jurídico da obra. Ainda nesta parte, foram discutidos os peritextos considerando, sobretudo, seus gêneros a partir de Genette (2009), Costa (2014) e Moisés (2004); além de apresentadas algumas das principais edições da obra ao longo dos séculos. Uma vez que não há tradução de L’école des filles no Brasil, a segunda parte do estudo dedica-se à tradução integral da obra, seguindo a defesa da escolha da edição estudada e as reflexões pertinentes à tradução fundamentadas em Britto (2020) e em Oustinoff (2011). Já a terceira parte da pesquisa, dedica-se ao estudo da obra em seus aspectos estéticos e aspectos filosóficos que se interseccionam com os literários a partir de Casalaspro (2007), Legarde e Michard (2003), Goulemot (2000), entre outros. Para a discussão sobre os aspectos socioculturais relacionados à sexualidade feminina, são convocadas as filósofas Badinter (1985) e Federici (2018). O principal objetivo desse caminho é contribuir para que L’École des filles ou la philosophie des dames ocupe um lugar entre as obras literárias do século XVII, uma vez que representa esteticamente as transições filosóficas e socioculturais do período em que foi escrita.

  • JULIANA DOS SANTOS SANTANA
  • A IMPUNIDADE DOS FEMINICÍDIOS NAS NARRATIVAS DE ROBERTO BOLAÑO E SELVA ALMADA
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 24/02/2022
  • Dissertação
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  • O feminicídio, na sua definição mais abrangente, é o assassinato de uma mulher pela sua condição de gênero. Esse crime é reconhecido em muitos países da América Latina e no século XXI passou a fazer parte também do imaginário da literatura latino-americana. Partindo desse panorama, esta dissertação tem como meta comparar a representação dos feminicídios no romance 2666, de Roberto Bolaño, que retrata diversos crimes impunes praticados contra mulheres na cidade Santa Teresa, ficcionalização de Ciudad Juárez, no México, e em Chicas muertas, de Selva Almada, que resgata execuções de mulheres em que não houve a punição dos culpados no interior da Argentina. Pretendemos analisar como os narradores das duas obras literárias expõem a impunidade como uma das estratégias sociais de aniquilamento feminino. Para definirmos as estratégias narrativas usadas na representação da impunidade e do aniquilamento, seguimos as orientações de Mieke Bal (1990) e Silviano Santiago (2002) acerca de como o ponto de vista do/a narrador/a é construído nas duas obras. Metodologicamente, adotamos uma abordagem de análise a partir da teoria literária e das teóricas feministas latino-americanas, valendo-nos de conceitos como “feminicídio”, de Marcela Lagarde (2004, 2006, 2008), “violência sistêmica”, de Rita Segato (2013), “colonialidade de gênero”, apontado por María Lugones (2008, 2014), “aniquilamento simbólico”, proposto por Lourdes Bandeira e Maria José Magalhães (2019), e “tipologias do feminicídio”, de Julia Fragoso (2000, 2010). Esta dissertação está dividida em três capítulos. No primeiro, apresentamos uma seção preliminar sobre Bolaño e Almada e suas produções, desenvolvendo uma reflexão acerca do distanciamento das fronteiras literárias de suas narrativas para adentrarem nos horrores do feminicídio, levando em conta o conceito de literatura “pós-autônoma”, de Josefina Ludmer (2007). No segundo, buscamos elucidar, a partir de uma perspectiva feminista, sobre a misoginia da violência contra às mulheres no cenário latino-americano e como essa violência se insere nas obras, valendo-nos da interseccionalidade entre gênero, raça, sexualidade e classe. Por fim, no terceiro, exploramos como o narrador de 2666 e a narradora de Chicas muertas destrincham os crimes ressaltando a impunidade dos mesmos, partindo de discursos não-literários para confeccionarem narrativas que rompem com os limites do texto literário. Desse modo, destacamos a possibilidade de que, ao atravessar as fronteiras literárias, Bolaño e Almada nos proporcionam uma representação da impunidade do feminicídio que desnuda a perversidade misógina desse crime.

  • MARCOS PAULO SANTA ROSA MATOS
  • Funcionamento e posicionamento do discurso jurídico-constitucional acerca das línguas e dos direitos linguísticos no Brasil
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 23/02/2022
  • Tese
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  • No presente trabalho acadêmico, procura-se compreender – a partir do funcionamento do discurso jurídico-constitucional e do seu posicionamento no âmbito da América Ibérica – como o regime linguístico brasileiro se estrutura discursivamente, sobretudo, como constitui o Sujeito-Estado e o sujeito-cidadão. Para tanto, emprega-se o cabedal teórico-metodológico da Análise de Discurso de tradição francesa (AD), a partir do qual foi constituído o dispositivo analítico e articulado o processo de análise, bem como recorre-se às abordagens conceituais e relacionais da Política Linguística e do Direito Linguístico, como ferramentas teóricas necessárias para a descrição do corpus e a dessuperficialização dos objetos discursivos e dos processos discursivos analisados. O regimente linguístico é considerado como uma construção jurídico-política que se materializa discursivamente, especialmente por meio da regulação constitucional das línguas e dos direitos linguísticos. Os dispositivos da Constituição de 1988 que tratam explicitamente de matéria linguística são selecionados como objetos empíricos da análise, tomados na condição de sequências discursivas e remetidos às suas condições de produção, as quais envolvem, entre outros aspectos, a conturbada relação histórica entre o Estado brasileiro e a pluralidade linguística, marcada pela legitimação da Língua Portuguesa como idioma materno, nacional e oficial, e pelo silenciamento das línguas indígenas e de imigração. A análise das sequências discursivas é realizada a partir: i) dos efeitos de sentidos a elas atribuídos na elaboração das normas constitucionais (empreendida pela Assembleia Nacional Constituinte 1987-1988 e documentada em seu arquivo legislativo) e no processo de constitucionalização do ordenamento jurídico (por meio da publicação de leis que disciplinam e complementam o conteúdo normativo dos dispositivos constitucionais, de atos normativos que regulamentam essas leis, de decisões judiciais que interpretam e aplicam as normas jurídicas); ii) da comparação com outros regimes linguísticos no campo discursivo da regulação jurídico-linguística na América Ibérica, considerando suas formulações jurídico-constitucionais e os principais instrumentos normativos por meio dos quais se busca a implementação e a complementação dessas normas fundamentais. Nesse percurso, procura-se mostrar que: i) o domínio da Língua Portuguesa é um elemento constitutivo da nacionalidade brasileira, de modo que a gestão das questões linguísticas pelo Estado brasileiro produz um efeito de evidência segundo o qual o Povo brasileiro constitui uma comunidade-nação unida por uma língua única e comum (ou seja, a comunidade nacional é também uma comunidade linguística, e a identidade nacional se fundamenta em uma identidade linguística), promovendo-se o apagamento da heterogeneidade constitutiva de sua formação social por meio do silenciamento de sua pluralidade linguística; ii) o regime linguístico adotado pelo Estado brasileiro possui um posicionamento discursivo marcado pela contradição glotopolítica, articulando-se, de um lado, a partir de uma estrutura constituída historicamente pela orientação político-ideológica unitarista/rígida (que reconhece, protege e promove uma única língua – o Português) e, de outro, pelo deslizamento para uma orientação mais concessiva/flexível através de um processo de reconhecimento de línguas minoritárias e de grupos heterolíngues, que emergiu a partir da Constituição de 1988.

  • WILLAMIS DE SANTANA ALVES
  • COVID-19 NO BRASIL: OS EFEITOS DE SENTIDO EM TORNO DE JAIR BOLSONARO NO FACEBOOK
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 22/02/2022
  • Dissertação
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  • O novo Coronavírus apresenta e exige grandes desafios no atual contexto sociopolítico, econômico e cultural, inclusive para o atual presidente do país, uma vez que ele, enquanto autoridade máxima da nação, precisa tomar medidas com seus aliados a fim de combater a disseminação da doença. Nesse sentido, a mídia é afetada por essas medidas de enfrentamento político e pelo acontecimento da pandemia, o que faz circular diferentes efeitos de sentido em redes sociais, a exemplo do Facebook, os quais podem significar Jair Bolsonaro de diferentes modos. Diante de tais fatos, nosso estudo busca compreender, por meio da Análise de Discurso de perspectiva pecheutiana, de que forma Jair Bolsonaro é significado no decorrer da pandemia da COVID-19. A partir disso, nossos corpora selecionados dizem respeito a discursos em circulação em Fanpages (páginas específicas do Facebook para jornais, programas e instituições) do G1 (Portal de Notícias do Grupo Globo), do Jornal Nacional, do R7 Notícias e do El País Brasil, que propagaram, no decorrer da pandemia da COVID-19, diferentes efeitos de sentido acerca dos seguintes acontecimentos: a declaração de pandemia por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 12 de março de 2020; a saída dos ministros da saúde no Brasil, Luiz Henrique Mandetta em 16/04/2020, Nelson Teich em 15/05/2020 e General Eduardo Pazuello em 23/03/2021; e o alcance de 100 mil mortes pela doença no país em 08/08/2020. Em nossas análises, trabalhamos com categorias como: sujeito, ideologia, relações de sentido, interdiscurso, formação discursiva e condições de produção. Para tanto, baseamo-nos em abordagens de autores como Pêcheux (1990) e (1995), Orlandi (2000) e (2007), Althusser (1970), Maldidier (1997). Levando em consideração as análises iniciais, pudemos constatar que Jair Bolsonaro é considerado, em tais acontecimentos, enquanto uma ruptura institucional.

  • CLARA MARIA CORRÊA PEREIRA ANDRADE
  • EAD na Formação de Professores de Inglês: distanciamentos e aproximações
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 21/02/2022
  • Dissertação
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  • As práticas de ensino e aprendizagem estão passando por um processo de virtualização, que foi ainda mais acelerado pela pandemia da Covid-19. Devido às atuais circunstâncias, muitas são as discussões sobre a educação a distância (EaD), o que reforça a importância de dar a identidade correta a essa modalidade, que se difere do contexto educacional de ensino remoto emergencial vigente. O público-alvo para a análise são os graduandos de Letras Inglês da UFS na modalidade EaD. O objetivo geral da pesquisa é analisar a relação desses discentes com o ambiente virtual do curso e as possíveis maneiras pelas quais eles transgridem o sistema, buscando outras formas de interação que possibilitem uma aprendizagem mais colaborativa. Para isso, foi necessário discutir e ampliar os conceitos sobre distância (MOORE, 1989, 1993; TORI: 2017) e seus diferentes tipos e níveis que podem surgir durante a graduação. E também sobre as teorias que abordam a interação (MORIN. 1977; MORATO, 2004, MOORE; KEARSLEY, 2008) e a interatividade (SILVA, 2001, 2014; MATTAR, 2009) no processo de ensino e aprendizagem em ambientes virtuais (BRAGA, 2013; PALLOFF; PRATT, 2007). Além da interação com os recursos da plataforma, buscou-se compreender como ocorre a interação com o outro por meio desse e de outros recursos. E como as relações, os significados e a aprendizagem, principalmente de língua inglesa, são construídos pelos alunos durante os períodos. A metodologia foi pautada na abordagem qualitativa-interpretativista, com um caráter exploratório, e o levantamento de dados está circunscrito aos questionários online e às entrevistas gravadas. As reflexões e as considerações da pesquisa também foram construídas em conjunto com os graduandos, que colaboraram ao explanar sobre as suas experiências, práticas e vivências.

  • ELIENE FARIAS DA SILVA
  • O SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO (AOS PEIXES): UMA ANÁLISE RETÓRICO-LITERÁRIA
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 18/02/2022
  • Dissertação
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  • Padre Antônio Vieira (1608-1697) é considerado uma das personalidades mais significativas da história das nações portuguesa e brasileira e de suas respectivas literaturas do século XVII. De sua expressiva produção bibliográfica, escrita entre os anos de 1600 e 1700, resultaram obras proféticas como a História do futuro e a Clavis Prophetarum, uma vasta produção epistolar e mais de duzentos sermões, dos quais se destaca o Sermão de Santo Antônio (aos peixes), que constitui o corpus desta pesquisa de mestrado. Nesse sermão, o escritor luso-brasileiro insere, com certa frequência, figuras de linguagem como a personificação e a metáfora, razão pela qual o objetivo central desta pesquisa consiste em investigar as possíveis funções retórico-literárias dessas figuras no sermão abordado. Para tanto, num primeiro momento, são feitas reflexões sobre a Retórica, uma vez que é a teoria retórica que se adequa à análise e a interpretação dos escritos seiscentistas, devido à forma como eles foram estruturados pelo jesuíta-escritor. Em seguida, são feitas reflexões acerca do gênero ensaístico, para demonstrar como a prédica vieiriana é permeada por elementos do ensaio, o que caracteriza o sermão como gênero literário. Para alcançar os objetivos desta pesquisa, adotou-se como teoria de análise literária a Retórica secular greco-latina, ressignificada por Santo Agostinho a serviço da causa jesuítica. Finalmente, são apresentados os conceitos e a natureza dessas figuras, bem como suas funções retórico-literárias. O referencial teórico foi construído com base em autores como Aristóteles (2005), Alves (2015, 2016), Moisés (1990, 2012), Reboul (2004), Ramalho (2004, 2018), Tringali (1988, 2014), Silva (1984), além de outros textos da expressiva fortuna crítica de Antônio Vieira.

  • VICTOR RENÊ ANDRADE SOUZA
  • Monotongação dos ditongos decrescentes orais [oʊ̯], [eɪ̯], [aɪ̯] e [oɪ̯] na fala e na leitura em voz alta de universitários sergipanos
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 15/02/2022
  • Dissertação
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  • A monotongação dos ditongos decrescentes orais [oʊ̯], [eɪ̯], [aɪ̯] e [oɪ̯] é produtiva no português brasileiro e já foi amplamente investigada em dados de fala espontânea de diversas regiões dialetais do Brasil. De modo a contribuir com os estudos sobre monotongação de ditongos decrescentes orais em Sergipe, que ainda são incipientes (MOTA, 1986; JESUS; SANTOS; SANTOS, 2010), e com a compreensão do fenômeno no contexto de leitura em voz alta, no qual os condicionamentos do processo foram pouco explorados, propomos uma análise da monotongação dos ditongos decrescentes orais [oʊ̯], [eɪ̯], [aɪ̯] e [oɪ̯] na fala espontânea e na leitura em voz alta de universitários sergipanos, através de uma metodologia acústica, que ratifique nossa impressão de oitiva por meio de parâmetros pré-estabelecidos. Pretendemos, especificamente i) investigar se os condicionamentos do processo seguem a mesma tendência nos dois contextos estilísticos, dado o maior monitoramento na situação de leitura em voz alta e a interferência do ditongo ortográfico; e ii) explicar, através de informações acústicas, o porquê de o processo ser mais frequente em uns ditongos do que em outros. O corpus do presente estudo é constituído por entrevistas sociolinguísticas e leituras em voz alta realizadas com 12 estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A categorização dos ditongos foi realizada através da inspeção visual da transição formântica (BARBOSA; MADUREIRA, 2015; SILVA et al., 2019) por meio do espectrograma do Praat (BOERSMA; WEENINK, 2017). A análise está estruturada em três seções. Num primeiro momento, descrevemos o percentual de monotongação por ditongo e testamos a associação do processo com as variáveis independentes tradicionalmente controladas nos estudos anteriores. Na sequência, filtramos os contextos que ocorrem simultaneamente na amostra de fala espontânea e de leitura em voz alta e desenvolvemos uma análise comparativa. Por fim, analisamos os valores de F1 e F2 dos ditongos e monotongos com o objetivo de desvelar, a partir de uma explicação acústica, o porquê de alguns ditongos serem mais monotongáveis do que outros. A monotongação de [oʊ̯] foi a mais frequente (90%, n = 839), apresentando elevados percentuais em todos os ambientes linguísticos, com sensibilidade ao contexto de leitura em voz alta. A monotongação de [eɪ̯] apresentou percentual de monotongação de 59% (n = 746), com associação forte com o contexto seguinte ao ditongo constituído por tepe [ɾ] e por fricativas pós-alveolares [ʃ, ʒ], tanto na fala quanto na leitura em voz alta. A monotongação do ditongo [oɪ̯] foi pouco frequente, com percentual de 17% (n = 132), e isso pode estar relacionado à não palatalização da fricativa final na variedade sergipana, contexto propício à monotongação desse ditongo, conforme estudos realizados na região sul do Brasil (HAUPT, 2011; SILVEIRA, 2019). A monotongação de [aɪ̯] foi a menos frequente (14%, n = 176), apresentando maiores percentuais quando seguido de consoante fricativa pós-alveolar [ʃ], sendo o ditongo preservado nos demais contextos. Ao analisarmos os valores de F1 e F2, observamos que essas diferentes frequências do processo em função dos ditongos podem ser explicadas pela distância articulatória entre as vogais que os constituem. Os ditongos constituídos por vogais mais distantes do ponto de vista articulatório, [aɪ̯] e [oɪ̯], foram aqueles que mais preservaram a semivogal, em detrimento daqueles mais próximos, [oʊ̯] e [eɪ̯], que favoreceram o processo. A partir da análise, apontamos para a produtividade da metodologia acústica para a descrição de fenômenos fonológicos variáveis, tendo em vista a maior precisão conferida.

2021
Descrição
  • JOSÉ EDUARDO SANTOS TAVARES DE JESUS
  • PHILOMENA: UM OLHAR ARQUEOGENEALÓGICO SOBRE PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO/OBJETIVAÇÃO DA MULHER IRLANDESA NO SÉCULO XX
  • Orientador : MARIA EMILIA DE RODAT DE AGUIAR BARRETO BARROS
  • Data: 30/11/2021
  • Dissertação
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  • Entre os séculos XVIII e XX, as Lavanderias de Madalena, instituições ligadas a congregações católicas, foram instaladas em diversos países ao redor do mundo como casas de acolhimento, de reabilitação de mulheres caídas em desgraça: jovens vítimas de estupro, órfãs, prostitutas, meninas acusadas de aborto ou de infanticídio, mães solo. Na Irlanda, depois do reconhecimento da independência do Estado Livre Irlandês, em 1922, esses reformatórios passaram a cumprir uma função carcerária, punitiva, castigando, sobretudo, as mulheres que engravidavam fora do casamento, por a própria Constituição do novo Estado tornar a maternidade e o matrimônio inseparáveis. Uma dessas internas teve a sua vida retratada no filme biográfico Philomena (FREARS, 2013), objeto de nossa investigação. À luz da arqueogenealogia, o presente trabalho tem, como objetivo geral, analisar discursivamente o referido filme, a fim de observar a quais processos de subjetivação a protagonista é submetida, ao ter seu corpo objetivado de algumas maneiras. Quanto ao aporte teórico, como nosso objeto de estudo é produto da mídia cinematográfica, recorremos aos ensinamentos de Deleuze (2015), de Foucault (2021) sobre o dispositivo. Dessa forma, tratamos o cinema, nesta dissertação, como uma rede que interliga numerosos elementos de diferentes naturezas; capaz de manipular, dada a sua função estratégica, as relações de força, as produções de subjetividades, e, por conseguinte, a história do presente, com vistas, sobretudo, a uma normalização. Nesse sentido, uma vez observado o forte controle de discursos, de sujeitos, tanto no processo de criação do filme quanto no próprio desenvolvimento da narrativa, trazemos à tona a tese de Foucault (1996) acerca da existência, em todas as sociedades, de procedimentos de rarefação discursiva, dentre os quais destacamos a autoria; de rarefação dos sujeitos, a doutrina, as sociedades de discurso; afora os procedimentos de interdição, concernentes à parte do discurso que põe em jogo o desejo, o poder. Ademais, para investigarmos a relação entre discurso e religião, partimos, inicialmente, do conceito formulado por Bourdieu (2007): linguagem, veículo de poder, simbólico-estruturante, possibilitando criar e impor um sistema de práticas, de representações de mundo, sobre fiéis. Com efeito, o discurso religioso é concebido como aquele orientado à doutrinação. Apresentamos também as lições de Foucault ([1978] 2008; 2006) referentes à pastoral das almas, um poder de tipo religioso; à institucionalização do pastorado no âmbito do Cristianismo, acontecimento responsável pela implantação, pela Igreja, desse tipo de poder no Ocidente, mediante técnicas dominadoras dos sujeitos, principalmente por meio de sua sexualidade. Utilizamos ainda os postulados de Foucault ([1976] 2010; 2014) acerca do entrelaçamento de duas tecnologias de poder no interior das sociedades de normalização: (i) a disciplina, centrada no homem-máquina, funcionando com vistas às operações do corpo em sua relação com o trabalho; (ii) a biopolítica, focada no homem-espécie, atuante, no nível da massa, sobre um feixe de fenômenos coletivos, a fim de produzir uma população regulamentada. Desse mesmo filósofo, trabalhamos igualmente com a noção de racismo moderno, recurso presente nos Estados em que o biopoder se exerce, responsável pela permissibilidade do assassínio, seja direto seja indireto, dos degenerados, dos anormais, dos responsáveis pela mácula da raça. Finalmente, encerramos nosso estudo sobre os asilos de Madalena, trazendo à baila as discussões de Sixsmith (2013) em torno do funcionamento dessas instituições na Irlanda; as de Smith (2007) relativas à Arquitetura de Contenção da Nação.

  • THIAGO GONÇALVES CARDOSO
  • DA AGULHA AO PUNHAL: RECATEGORIZAÇÃO DA MEMÓRIA DISCURSIVA SOBRE MARIA BONITA À LUZ DA REFERENCIAÇÃO.
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 29/11/2021
  • Dissertação
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  • Esta dissertação origina-se não só do nosso diálogo com o cangaço no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI/UFS - 2014/2015), mas também das inquietações geradas no contato direto com diferentes fontes teóricas e, também, da paixão pessoal pela instigante personagem do sertão nordestino, Maria Bonita (FERREIRA; ARAÚJO, 2011). O interesse pelo tema insurge do incentivo para novas pesquisas debruçadas sobre as questões discutidas por Lima (2008), em sua tese de doutorado. Em função da relevância do cangaço do nordeste brasileiro para a constituição da história, cultura e identidade do povo do sertão, bem como da escassez de trabalhos acadêmicos sobre Maria Bonita no campo dos estudos da linguagem, no Brasil, elegemos tal objeto de discurso (MONDADA; DUBOIS, 2003) como foco desta pesquisa, partindo dos aportes teóricos da referenciação (LIMA, 2008; MARCUSCHI, 2008; KOCH, 2009; CAVALCANTE, 2011), e das memórias coletiva (HALBWACHS, 1990, 2003) e discursiva (CUNHA; TOMAZI, 2017), compreendidas no escopo dos estudos históricos e sociais. Nesse sentido, nossa problemática se insere nas possíveis inter-relações entre o processo da recategorização referencial (APOTHÉLOZ; REICHLER-BÉGUELIN, 1995), as políticas/lugares de memória (NORA, 1981; CLEMENTE; 2009), a construção da imagem mítica/popular de Maria Bonita e construção identitária das mulheres que têm representado a líder das cangaceiras na manifestação artístico-cultural “Grupo de Teatro e Xaxado Na Pisada de Lampião”, em Poço Redondo, sertão sergipano. Assim, o nosso objetivo geral consiste em investigar, à luz do diálogo entre teorias textual-discursivas, sociais e históricas, como a memória sobre Maria Bonita é invocada, apropriada e/ou glorificada (CLEMENTE, 2009) no imaginário mítico/popular, via o processo da recategorização referencial, por moradores da cidade de Poço Redondo/SE. Como específicos, propusemos: i) identificar estratégias de recategorização utilizadas pelos informantes na rememoração de Maria Bonita e ii) analisar as relações entre as políticas de memória e/ou lugares de memória e as diferentes expressões de recategorização do objeto de discurso Maria Bonita. Metodologicamente, adotamos a pesquisa de base qualitativa, descritiva e interpretativista (GIL, 2002; PRODANOV; FREITAS, 2013; MARCONI; LAKATOS, 2017; CAVALCANTE et al, 2016). O corpus é composto por quatro entrevistas semiestruturadas com as mulheres que representam Maria Bonita ao decorrer dos 24 anos de existência do grupo “Na Pisada de Lampião”, e uma com o seu líder e fundador. Os resultados obtidos pelas análises desta pesquisa apontam o objeto de discurso Maria Bonita sendo recategorizado dentro de três grandes imagens na memória dos entrevistados: i) a da guerreira, heroína (face mítica do poderio militar); ii) a de símbolo de força e resistência; iii) e a de símbolo da mulher sertaneja. Essas recategorizações são construídas de forma a glorificar a imagem da rainha do cangaço, tendendo a filtrar sua imagem de aspectos negativos, questão diretamente relacionada aos efeitos das políticas de memória e dos lugares de memória da cidade.

  • JOÃO PAULO FONSECA NASCIMENTO
  • RECATEGORIZAÇÃO DO OBJETO DE DISCURSO MARIELLE FRANCO NO CIBERESPAÇO: UMA ANÁLISE DE COMENTÁRIOS ON-LINE
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 28/10/2021
  • Dissertação
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  • Nos estudos contemporâneos, em Linguística Textual, concebe-se a noção de referenciação (LIMA, 2008; KOCH, 2009; CAVALCANTE et al, 2010; BENTES; FERREIRA-SILVA; ACCETTURI, 2017) como uma atividade discursiva de (re)construção de entidades ou objetos de discurso (MONDADA; DUBOIS, 2003). No interior dessa perspectiva de base sociocognitiva (KOCH; CUNHA-LIMA, 2011; VAN DIJK, 2012) e interacional, alinhamos este estudo, para explicitar a relação entre texto e referenciação. Sob tal ótica, o texto, como também o discurso, desenvolve-se em dado contexto situacional, mediante ações linguísticas, cognitivas e sociais. Com foco no estudo do fenômeno da recategorização referencial (APOTHÉLOZ; REICHLER-BÉGUELIN, 1995; LIMA, 2009; CUSTÓDIO FILHO, 2011), analisamos como o objeto de discurso Marielle Franco é recategorizado em comentários on-line em resposta a uma matéria postada no Facebook, na página do G1 Notícias, no dia 16 de setembro de 2019. Essa postagem fala sobre a institucionalização do 14 de março como o Dia dos Defensores de Direitos Humanos, com base na sanção da Lei Marielle Franco (Lei 8490/19 | Lei nº 8490). Escolhemos este corpus em razão da ressonância da execução da vereadora do Rio de Janeiro, filiada ao Partido Socialismo e Liberdade, no dia 14 de março de 2018. O nosso objetivo geral consiste em investigar estratégias linguístico-textual-discursivas, indiciadas (HANKS, 2008) na recategorização do objeto de discurso Marielle Franco em interações on-line. Como objetivos específicos, temos: (i) descrever essas estratégias a partir de comentários sobre a matéria publicada na página do G1 Notícias, no Facebook; e ii) identificar os efeitos de sentido engatilhados por meio do uso de expressões referenciais recategorizadoras. Assumimos esses objetivos devido à hipótese de que os anafóricos não desempenham, apenas, a função de coesão textual, mas também de potenciais produtores de efeitos de sentidos violentos, e isso se dá graças à ancoragem dos seus usos a modelamentos sociocognitivos (BENTES; MORATO, 2021). A natureza de nosso estudo é descritiva (PRODANOV; FREITAS, 2013), de caráter exploratório e faz uso do procedimento técnico documental indireto (MARCONI; LAKATOS, 2017). O corpus é composto por 37 capturas de tela, totalizando 78 comentários. Para a análise, selecionamos uma amostra de 35 comentários, em razão de os outros terem sido descartados, considerando os seguintes critérios de exclusão: (i) comentários que compartilham propagandas; (ii) comentários nos quais não há o fenômeno da recategorização referencial; e (iii) comentários com textos não verbais. Os resultados obtidos apontam que os sujeitos da pesquisa se utilizam das categorias religião, política, raça e gênero como estratégias modeladoras de suas recategorizações. A análise dos dados evidenciou a complexidade desse processo referencial não só reclamando a necessidade de se observar o anafórico essa como uma potente estratégia recategorizadora, mas também denunciando o seu valor violento, quando do seu uso, para recategorizar o que, para esses sujeitos, seria o não categorizável.

  • ANTONIO MARCOS DOS SANTOS TRINDADE
  • A POÉTICA DE DONA CAÇULA: AUTORIA FEMININA E UNIVERSO TEMÁTICO DO ROMANCEIRO SERGIPANO
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 14/10/2021
  • Tese
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  • Proponho, neste estudo, defender a tese de que o Romanceiro Sergipano (o livro O Folclore em Sergipe), recolha de romances tradicionais coligidos por Jackson da Silva Lima e por ele publicados em 1977, constitui uma grande rapsódia mestiça, cantada sobretudo por mulheres. Minha hipótese é, pois, de que o universo feminino, tanto na autoria da coletânea quanto em seu campo temático, é o que caracteriza estruturalmente essa coleta premiada de poesia popular ibero-brasileira. Através da análise literária (estética), verbovisual e vocal – isto é: através do estudo do plano literário das transcrições dos cantos, bem como da apresentação de algumas fotografias e da análise, dentre elas, de uma que apresenta uma performance, considerada por mim como a “forma” real do gênero –, pretendo mostrar que as intérpretes dos poemas, entre as quais se encontram predominantemente negras e morenas, embora também brancas e “pardas”, todas provenientes das mais variadas classes sociais, perfazendo um arco que vai de mendiga, prostituta e roceiras a funcionárias públicas, longe de serem apenas portadoras e transmissoras passivas da tradição, são antes verdadeiramente autoras dos poemas que cantam, deixando suas marcas estilísticas, sexuais e culturais nos modos pelos quais elas reconfiguram as sequências temáticas, caracterizam as personagens e conduzem as narrativas para o desfecho, constituindo esses passos o que estou chamando simbolicamente de “A poética de D. Caçula”, nome da intérprete que cantou o maior número de poemas para recolha. Para tanto, a partir dessa coletânea, formei um corpus poemático constituído por 51 versões de 10 romances, 5 da tradição ibérica mais 5 da tradição nacional. São eles: Juliana, O Conde da Alemanha, Leonora, Iria a Fidalga e A Moreninha (tradição ibérica), O Caso de João Alves Flor; Aninha; José e Maria; João e Maria e Marido Infeliz (tradição nacional). Minha abordagem, portanto, não é a histórico-filológica, comum nos estudos romancísticos, preocupada em encontrar as fontes dos arquétipos literários europeus desses cantos populares. Esse tipo de abordagem leva a ver as versões brasileiras dos romances como “erros”, no sentido de se distanciarem de seus modelos ibéricos. A abordagem que tenho em mira é a literária (poética), a qual, considerando as diferenças nas versões de quem os canta como marcas autorais, “errâncias criativas”, procura valorizá-las nas análises do conteúdo temático, do estilo e da estrutura composicional dos textos, a fim de compreendê-los em suas profundas relações com a cultura e a literatura brasileiras e com as coautoras, suas intérpretes. Assim, apoiando-me em vários/as autores/as, entre os/as quais R. Menéndez Pidal, Ria Lemaire, Alvanita Almeida Santos, Paul Zumthor, entre outros, pretendo defender a hipótese de que o romance tradicional de temática “novelesca” está relacionado indissociavelmente ao universo feminino, girando, desse modo, sempre em torno de conflitos referentes a questões de família – casamento, traições, amores frustrados etc. –, desempenhando um papel formativo (lúdico e paidético) ambíguo, na constituição identitária da mulher que o canta.

  • SORAYA CARVALHO SOUZA BILLER TEIXEIRA
  • Terminologia e Terminografia diacrônicas da Medicina Legal: Um estudo dos exames de corpo de delito de mulheres violentadas sexualmente no Sergipe oitocentista
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 24/09/2021
  • Dissertação
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  • A Medicina Legal é a Arte de aplicar os conhecimentos e os preceitos da Medicina às diversas questões do Direito, para esclarecê-los ou interpretá-los adequadamente (PEIXOTO, 1910;MAHON, 1801). O ato médico-legal ou perícia médico-legal é, portanto, uma sindicância que exige auditagem corporal, cabendo a realização de exames de corpo de delito por médicos peritos a partir de demanda de autoridades policiais e/ou judiciárias (ALBERTO FILHO,2020; FÁVERO, 1980). O objeto de estudo dessa dissertação de Mestrado são os exames de corpo de delito constantes nos processos-crime oitocentistas de defloramento registrados em Sergipe (SOUZA, 2020; SOUZA, MARENGO, 2020; MARENGO, TEIXEIRA, 2019;TEIXEIRA et al., 2019; SOUZA et al., 2018). O marco inicial de tal período se finca no ano de 1854, data da fonte remanescente mais antiga desse gênero discursivo. Tomando o aporte da Teoria Sociocognitiva da Terminologia (TEMMERMAN, 1997, 2000a, 2000b), da Socioterminologia (FAULSTICH, 2002, 2001; MARENGO, 2020; MARENGO et al., 2019) e da Terminografia (MARENGO, 2017; KRIEGER, FINATTO, 2004; KRIEGER, 2001; FINATTO, 2001; MACIEL, 2001), nosso objetivo central é a construção de uma ficha terminológica com viés sociocognitivo, que possibilite a construção de um glossário com os termos médico-legais extraídos do conjunto de autos de exames de corpo de delito realizados em mulheres vítimas de violência sexual em Sergipe no século XIX. Os objetivos secundários desse trabalho perpassam pelo cumprimento de duas das agendas do Projeto "Para a História do Português Brasileiro" (PHPB), do qual essa dissertação faz parte: a) a primeira consiste na confecção das edições fac-símile e semidiplomática do corpus, editado no rigor filológico e com normas de edição bem estabelecidas (CASTILHO, 2018); e b) a segunda se centra na (re)construção da História Social do Português Brasileiro, uma vez que é possível identificar normas de usos terminológicos em documentos escritos por agentes do campo do Direito e da Medicina, no século XIX (CALLOU; LOBO, 2020; ARRUDA, 2000). As edições semidiplomáticas foram realizadas por meio do software e-Dictor (PAIXÃO DE SOUZA, KEPLER, FARIA, 2013). Metodologicamente, após o preparo das edições, fizemos uso dos programas computacionais AntConc (ANTHONY, 2014) e TermoStat (DROUIN,2010) para auxiliar no processo de extração dos possíveis candidatos a termos médico-legais. Foram identificados 192 termos e suas variações. Aplicamos nossa ficha a 02 (dois) termos que consideramos bem relevantes: <defloramento>, por ser o mais representativo, pois além de ser o mais frequente, é o termo que nomeia a tipologia dos processos-crime com a qual estamos trabalhando; e <membro viril>, por ser a resposta mais frequente para o questionamento sobre qual seria o meio empregado para a prática do crime de defloramento. Ao estudarmos estes termos, foi possível conhecer sobre a macro e micro história social, não só dos conceitos dos termos, mas da própria sociedade sergipana oitocentista. Conforme foi apontado por Marengo (2016), a Terminologia Diacrônica consegue unir os estudos do sistema linguístico e a inter-relação com a história e a cultura. Dessa forma, nossa pesquisa constitui uma contribuição importante para os estudos diacrônicos e sócio-históricos de linguagens especializadas e dos discursos a elas conexos.

  • SOLANGE XAVIER CRUZ
  • O QUE É QUE A MODERN FAMILY TEM? AUTOETNOGRAFIA DE UMA PROPOSTA DE TRABALHO PARA AULAS DE LÍNGUA INGLESA
  • Orientador : MARLENE DE ALMEIDA AUGUSTO DE SOUZA
  • Data: 24/08/2021
  • Dissertação
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  • Nessa pesquisa, narro experiências vividas durante o processo de elaboração de uma Sequência Didática para as aulas de Língua Inglesa. Essas narrativas, de cunho subjetivo e, concomitantemente, reflexivo-teórico, têm por objetivo geral analisar e descrever o percurso de elaboração de uma Sequência Didática que visa problematizar as diferentes estruturas familiares da contemporaneidade a partir do primeiro episódio do seriado de TV Modern Family. Utilizei a autoetnografia como estratégia metodológica da pesquisa qualitativa, porque sua abordagem reconhece e acomoda a subjetividade e as vivências do pesquisador na pesquisa (ELLIS; ADAMS; BOCHNER, 2011; JONES; ADAMS; ELLIS, 2016.). Assim, como âncora teórica, essa pesquisa buscou referências nos estudos sobre os multiletramentos (COPE; KALANTZIS, 2016; DUBOC, 2011, 2015; KRESS, 2000; LANKSHEAR; KNOBEL, 2011), letramento crítico (MENEZES DE SOUZA, 2011, 2011b; CERVETTI; PARDALES; DAMICO, 2001; MONTE MÓR, 2000, 2014, 2015; JORDÃO, 2013), identidades (HALL; SILVA, 2000), gênero (COSTA; SILVERA; MADEIRA, 2012; FURLAN; MÜLLER, 2013; LOURO, 1997, 2000, 2008; SCOTT, 1995) e família (CACCIACARRO; MACEDO, 2018; CANIÇO et al., 2010; CASTELLS, 1999, GIMENO, 2001), que serviram de suporte para a elaboração dessa proposta pedagógica. Narrar esse percurso foi ao mesmo tempo um trabalho de autoconhecimento e ressignificação, entendendo a relevância de minhas experiências, meus saberes e fazeres como professora e pesquisadora. Meu propósito não foi estabelecer um modelo de prática a ser seguido, mas promover possíveis diálogos com outros professores e profissionais da educação, partindo do individual para outras experiências e saberes, a fim de expandir perspectivas e (des)construções de sentidos, em decorrência de uma avaliação crítica de nossas práticas.

  • ELLEN DOS SANTOS OLIVEIRA
  • JESUS CRISTO NO EPOS DO NEGRINHO DO PASTOREIO: DA LENDA À SÚPLICA AO NEGRINHO DO PASTOREIO (1959), DE FERNANDES BARBOSA
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 30/07/2021
  • Tese
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  • Esta tese de pesquisa analisa a presença de Jesus Cristo no epos do “Negrinho do Pastoreio”, um personagem lendário famoso no universo histórico, mítico e cultural na Literatura brasileira e estrangeira, e demais manifestações artístico-culturais, tais como cinema, teatro, artes plásticas, escultura, entre outras. Considerando o amplo repertório sociocultural que consagra o heroísmo do “Negrinho do Pastoreio”, para desenvolvimento da tese foi feito um mapeamento e análise das produções literárias publicadas entre 1857 a 1959, no Brasil, no Uruguai e na Argentina. Trata-se, portanto, de uma pesquisa histórica, documental e literária na qual foram utilizadas várias metodologias – Análise Literária, Análise Histórico-Literária, Crítica Genética, Literatura Comparada e Entrevistas – para o desenvolvimento de uma tese monográfica e teórica que tomou como objeto de análise a natureza do epos do “Negrinho do Pastoreio”, construída histórica e culturalmente de forma correlacional aos feitos redentores de Jesus Cristo, desde as primeiras manifestações da lenda até o poema épico em Súplica ao negrinho do pastoreio, de Fernandes Barbosa. Nesse poema épico, em especial, constata-se que por meio da imortalidade épica e dos referenciais míticos simbólicos da tradição judaico-cristã, e da participação do eu lírico-narrador do relato épico, o “Negrinho do Pastoreio” pode ser interpretado como uma metáfora de Cristo e do próprio autor.

  • LUCAS SANTOS SILVA
  • Análise acústica ou de oitiva? Contribuições para o estudo da palatalização em Sergipe
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 30/07/2021
  • Dissertação
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  • As realizações palatalizadas de /t/ e /d/, como em tia/ʧia ou dia/ʤia, configuram-se como um marcador dialetal no Português Brasileiro e ecentemente tem emergido na fala de sergipanos (SOUZA NETO, 2014 [2008]; SOUZA, 2016; CORRÊA, 2019). Contribuindo com a descrição da palatalização em Sergipe, e tendo em vista que processos fonológicos da fala podem ser transpostos para a leitura (PINHEIRO et al., 2017, SOUZA; SILVA; DE ARAÚJO JÚNIOR, 2020; FREITAG, 2020), o nosso objetivo geral é examinar características acústicas na palatalização de /t/ e /d/ na leitura em voz alta de estudantes de diferentes perfis geográficos da Universidade Federal de Sergipe (UFS), descrevendo as realizações em três níveis: oclusiva alveolar [t, d], oclusiva alveolar com efeito de aspiração [tʰ] e alveolopalatal [ʧ, ʤ]. Como referencial teórico, baseamo-nos nas perspectivas da sociofonética (FOULKES et al., 2010; GONÇALVES; BRESCANCINI, 2017), área que põe no limiar as áreas da Sociolinguística e da Fonética. Como método, nosso corpus de investigação é composto por 36 gravações de leituras em voz alta do texto Vida de Cinema, de Érico Veríssimo (2019), realizadas com alunos de graduação da UFS, campus Professor José Aloísio de Campos (São Cristóvão/SE), estratificados a partir de sua região de origem, em três deslocamentos: I) moradores da grande Aracaju (nascidos e criados); II) moradores do interior do estado (nascidos e criados) que se deslocam no movimento pendular para estudar na universidade; III) nascidos e criados no interior, mas que vieram morar na capital por causa da universidade. A categorização acústica do fenômeno foi analisada no PRAAT (BOERSMA; WEENINK, 2017). A partir de 831 dados, foram realizadas três análises: (I) comparação entre leitura e fala (comparativo entre os dados de fala espontânea [CORRÊA, 2019], com categorização de oitiva, e os dados de leitura em voz alta, com categorização acústica); (II) análise categórica (descrição do fenômeno em três níveis - oclusivas alveolares, oclusivas alveolar com efeito de aspiração e alveolopalatais); e (III) análise acústica (utilizada para analisar a duração do tempo do início de vozeamento - VOT - nos três níveis analisados). Na comparação entre leitura e fala, observamos maiores taxas de ocorrência de palatalização na leitura em voz alta (48.98%) do que na fala (12.75%), resultado associado aos critérios acústicos para a identificação do fenômeno, ao prestígio da palatalização na comunidade e ao fato da tarefa de leitura ser altamente monitorada e consciente pelos estudantes. Quanto à análise categórica, os resultados apontam que a produção de oclusivas aspiradas e alveolopalatais emerge, inicialmente, nos universitários da grande Aracaju e recém-chegados à UFS, e os contextos favorecedores para esta emergência são os das fricativas alveolopalatais (em contexto precedente), das vogais orais (em contexto seguinte), das sílabas tônicas e postônicas finais, dos sons desvozeados, seguindo a tendência de estudos prévios (BARBOZA, 2013; SOUZA NETO, 2014 [2008]; SOUZA, 2016; SILVA FILHO, 2018; CORRÊA, 2019). Em relação à análise acústica, as médias de VOT para as realizações desvozeadas analisadas foram de 31.5 ms para as oclusivas alveolares, 50.7 ms para as oclusivas aspiradas e de 80.0 ms para as alveolopalatais, com diferenças estaticamente significativas quando associadas à região dialetal do estudante, sexo/gênero, contexto seguinte e tonicidade. Com a proposta da análise acústica, os resultados sinalizam o estágio avançado para a consolidação das realizações alveolopalatais e os efeitos do deslocamento, do ambiente acadêmico e dos contextos fonotáticos específicos na emergência de usos linguísticos. Destacamos a limitação da amostra, sobretudo, no que diz respeito à assimetria dos contextos linguísticos analisados. A ampliação para contextos mais pareados pode ampliar o poder explanatório da emergência na palatalização em Sergipe.

  • JOSÉ RICLEBERSON VIEIRA ALVES
  • “A FORÇA QUE NUNCA SECA”: NARRATIVAS SOBRE PERFORMATIVIDADES DE PROFESSORAS/ES/IES DISSIDENTES DE ESCOLAS PÚBLICAS
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 02/07/2021
  • Dissertação
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  • O novo perfil da Linguística Aplicada Contemporânea, que se quer crítica, transgressiva (PENNYCOOK, 2006), INdisciplinar e mestiça (MOITA LOPES, 2006b), trata-se de um movimento de natureza interdisciplinar/transdisciplinar, cujos pesquisadores buscam a criação de inteligibilidades sobre problemas sociais a partir de uma perspectiva de linguagem que é entendida como performance (AUSTIN, 1990 [1962]) ou prática social (MOITA LOPES, 2006b) e que tem um papel central de modo a falar sobre o mundo atual. Por estar situado na transgressão, na INdisciplina e na mestiçagem, este estudo objetiva analisar, através de narrativas, como são construídas discursivamente as performances identitárias de professoras/es/ies dissidentes de escolas públicas. Dessa forma, esta pesquisa chama a atenção para a existência da relação indissociável entre as performances identitárias e as narrativas, pois as pessoas, ao se narrarem, podem reforçar e também recriar quem elas são (WORTHAM, 2000; MELO; MOITA LOPES, 2014). Apoiando-se numa perspectiva queer, as identidades não são entendidas, neste estudo, como pré-formadas, mas sim como performativas (BUTLER, 2019a [1990]; PENNYCOOK, 2004), visto que elas são produzidas na linguagem. Sendo assim, a performatividade (BUTLER, 2019a [1990]), como modalidade discursiva que constrói os sujeitos, é uma possibilidade de desterritorialização do caráter “natural” e “essencial” do gênero, implicando a estilização repetida dos corpos, sempre dentro dos sistemas de regulação (Butler, 2019a) e também na transformação e na subversão. Nesse sentido, a performatividade coloca em suspeita todas as performances de gênero, por serem ficcionais e por serem produzidas por meio de estilizações repetidas. Portanto, à luz de uma perspectiva queer e dos estudos pós-críticos em educação, adotei como metodologia a pesquisa (auto)biográfica, de natureza qualitativa interpretativista para a geração e interpretação dos dados, com destaque para as narrativas (ABRAHÃO, 2004) bem como para as entrevistas, narrativas e questionários como instrumentos de coleta de dados para a compreensão das trajetórias de vida de docentes/ies dissidentes, cujas performances de gênero resistem à produção da cisheteronormatividade no cotidiano escolar. Em vista disso, considero que este é um estudo performativo, pois ele inverte os insultos em um sentido político e de orgulho, à medida em que renarra modos de existir diferentemente da forma depreciada e essencializada que foram narrados no passado.

  • ALANA LOUISE ALMEIDA LIMA
  • O AMANHECER DA MODERNIDADE EM LÚCIA MIGUEL PEREIRA
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 18/06/2021
  • Dissertação
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  • O presente trabalho busca analisar de que modo o processo social da modernidade brasileira se articula com a forma literária do romance Amanhecer (1938), de Lúcia Miguel Pereira. Na obra, a jovem Maria Aparecida escreve um pequeno livro de memórias dos últimos dois anos de sua vida. Em suas reflexões convivem contraditoriamente valores tradicionais e modernos, que são revelados ao longo da narrativa a partir da interação da narradora-protagonista com os outros personagens do romance. Tendo em vista nosso objetivo de pesquisa, investigamos primeiramente aspectos da formação da literatura brasileira de modo a compreender como nossa literatura se formou e se organizou esteticamente diante das contradições históricas às quais o Brasil foi submetido. Em seguida, traçamos um panorama histórico do processo social dramatizado no romance com o propósito de apreender a conjuntura que engendrou o romance de 1930 e buscamos também situar brevemente a questão da autoria feminina nesse contexto. Apoiamo-nos também sobre teóricos e tendências diversas dos estudos literários que discorrem sobre a relação literatura-sociedade, tais como Vásquez (1978), Bakhtin (2014), Lukács (1978; 2000), Adorno (1970), Candido (1970; 2006), Schwarz (2000; 2002), além de estudos sobre narrador e personagens no gênero romance em Dal Farra (1978), Rosenfeld (1969; 1974), Adorno (1983), Candido (1974). Buscamos neste referencial teórico percursos e recursos metodológicos que nos instrumentalizem para análise do processo de internalização e formalização dos dados históricos externos transformados em elementos estruturantes de uma forma artística. Por fim, dedicamo-nos à análise do romance partir de leituras sob diferentes ângulos da narrativa no intuito de que essas leituras iluminem umas às outras de modo que a articulação entre a forma literária do romance e o processo social de modernização brasileira seja revelada. Avaliamos que a obra é atravessada por tensões diversas manifestadas nas relações ambíguas e contraditórias entre o passado e o presente, entre as personagens femininas e masculinas e, também, entre as personagens brancas, negras e mestiças. Essas tensões também se expressam nas oscilações de nossa protagonista, cujas posições não se firmam definitivamente. É a partir disso que se constrói a motivação da escrita de suas memórias: o intuito de Aparecida é fixar as coisas, que se mostram condenadas a se dissolver em novas dúvidas, o que ratifica a percepção de Bueno (2006) de ser essa obra uma das principais representantes do que ele denomina de “romances da dúvida” do final da década de 1930. Todas essas leituras convergem para a compreensão de que Amanhecer, mesmo em sua proposta que focaliza a sondagem intimista de sua narradora e personagens, formaliza em seus elementos constitutivos o processo de modernização contraditório pelo qual passava o país naqueles tempos, interiorizando, assim, aspectos sócio-históricos. Tal contradição se assenta em um processo que não rompe com as estruturas tradicionais, mas as reafirma com novas roupagens. Acreditamos que os resultados desta pesquisa possam contribuir para novas percepções nos estudos sobre o Romance de 1930 principalmente quanto às figurações das mulheres – enquanto narradora e nas personagens – e dos negros e mestiços, ainda pouco estudadas nas narrativas desse período.

  • DEBORA SIMÕES ARAUJO
  • O LUGAR DO GÊNERO DISCURSIVO NO CELPE-BRAS: o contraste entre reportagens em circulação no Sudeste e no Nordeste brasileiro
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 31/05/2021
  • Dissertação
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  • O Celpe-Bras é o exame oficial do Brasil que certifica a proficiência em português brasileiro como língua estrangeira, está dividido em uma parte oral e uma escrita, cujos textos de apoio são gêneros discursivos autênticos e midiáticos. Tendo em vista que o Brasil é um país de dimensão continental, este trabalho visa a identificar se há representação de todas as regiões do país no exame, logo surge o problema desta pesquisa, a saber: entender a relação entre o gênero preponderante encontrado no Celpe-Bras e a representatividade que esse gênero tem em relação à diversidade do português brasileiro. A partir disso, toma-se como objetivo investigar os impactos de um gênero discursivo presente no exame Celpe-Bras para entender as possibilidades de registro da diversidade do português brasileiro. Esta análise está pautada no conceito bakhtiniano de estilo e se dará por meio da comparação entre dois corpora, o que será realizado com base na metodologia quanti-qualitativa. A análise busca compreender a organização dos documentos oficiais do Celpe-Bras. Inicialmente, os corpora desta pesquisa são constituídos por reportagens retiradas do material de insumo do exame e de sites de jornais nordestinos. Assim, após separar todas as reportagens utilizadas nos mais de vinte anos do exame, foram coletadas reportagens de circulação nordestina com conteúdo temático similar, a fim de observar se, ao abordar as temáticas, os materiais se distinguem quanto ao estilo do gênero, com especial interesse pela representatividade do Nordeste nos insumos que compõem as provas. Trata-se de uma investigação documental que reúne e tem como aporte teórico os conceitos de exame de proficiência e tarefa, os quais são importantes para o entendimento de como o Celpe-Bras está estruturado (BROW, 2005; SCARAMUCCI, 2000, 2001, 2012; WIDDOWSON, 1991; ZANÓN, 1999). Para tratar do conceito de gênero discursivo, foram usados os trabalhos de Bakhtin (1997, 2016 [1952-1953]), Fiorin (2016) e Rojo (2005). A literatura mais específica sobre o estilo neste trabalho é formada principalmente por Bakhtin (2013 [1942-1945], 2016 [1952-1953]), Volóchinov (2017[1929]), Fiorin (2016) e Azevedo (2018). Como resultados, constatou-se o predomínio do gênero reportagem em relação aos demais gêneros discursivos presentes no exame. Ademais, foi averiguado que entre as reportagens presentes no material de insumo do Celpe-Bras e em circulação nordestina, doravante corpora desta investigação, há diferença entre os estilos que a compõe. Com relação ao estilo, este trabalho tomou como base analítica um uso linguístico específico, a voz passiva analítica, haja vista que o estilo do gênero corresponde aos usos linguísticos presentes nele. A diferença de estilos entre um mesmo gênero discursivo de regiões diferentes provocou a discussão deste trabalho em torno da limitação de gênero predominante no escopo do material de insumo das tarefas III e IV do exame Celpe-Bras.

  • JOÃO CARVALHO DE SOUZA JÚNIOR
  • ENTRE ECOS E REFLEXOS: UMA AUTO-ETNOGRAFIA DAS PERFORMANCES DE MASCULINIDADES ONLINE NO GRINDR
  • Orientador : MARLENE DE ALMEIDA AUGUSTO DE SOUZA
  • Data: 25/05/2021
  • Dissertação
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  • No mito de Eco e Narciso, Eco estava condenada a sempre repetir o comportamento alheio, desde as palavras até os desejos (CARVALHO, 1998). Certo dia, Eco encontrou Narciso que, por sua vez, já estava apaixonado por seu próprio reflexo na beira de um lago. Assim os dois experimentaram uma relação trágica. Eco, amaldiçoada, estava fadada a repetir o que ouvia de Narciso, que por sua vez, apaixonado por si mesmo, ouvia o que Eco repetia como uma extensão dessa paixão narcísica. Na vida social e acadêmica por vezes no encontramos entre esses ecos e reflexos: na posição de Eco, estamos fadados a ecoar discursos (FOULCAULT, 1982), como os das normas de gênero (MISKOLCI, 2016) e seus padrões de performances (BUTLER, 2003); enquanto isso, na posição de Narciso, discursos dominadores vão refletindo em nós modelos sobre como agir, moldando-nos desde os nossos comportamentos sexuais (BOURDIEU, 2012) até os nossos comportamentos acadêmicos (RAJAGOPALAN, 2010). Desta forma, nessa pesquisa autoetnográfica (ANDERSON, 2006), me coloquei na posição de um Eco/Narciso consciente da(s) sua(s) maldição(ões) mitológica(s) e que busca compreender os ecos e os reflexos dos discursos, dos padrões e das disciplinas sobre a minha própria performance online. Analisei os processos de construção das minhas performances em uma rede geossocial para homens que buscam por relações sexuais/afetivas com outros homens, o Grindr, ou seja, quais estratégias linguistico-semióticas eu utilizei para construir-me como um perfil desejável nessa rede. Busquei utilizar a Linguística Aplicada através de uma perspectiva mais indisciplinar (MOITA LOPES, 2006) e Queer (BORBA, 2015), atravessando limites acadêmicos sempre que se fez necessário na busca de melhor compreender como discursos heteronormativos refletem na língua e na linguagem e consequentemente ecoam nas nossas performances de gênero, que nesta pesquisa focou-se para esse fenômeno dentro do aplicativo Grindr. Entre ecos e reflexos, entre descrições e análises, pude constatar que na busca por aceitação em aplicativos de encontro como o Grindr, e influenciados por discursos e normas, nós, usuários desse tipo de aplicativo, tendemos a repetir determinadas performances que com o tempo vão contribuindo para o surgimento de padrões performativos aceitáveis e desejáveis, os quais ciclicamente vamos tentando nos encaixar, fazendo surgir homonormatividades, em processo de encaixe e desencaixe nesses padrões, que são sócio-histórico e discursivamente construídos.

  • FERNANDA GABRIELLE COSTA RODRIGUES
  • Variação na regência de complementos locativos de verbos de movimento na fala de universitários da UFS
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 27/04/2021
  • Dissertação
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  • Desde o latim, as preposições a, para e em variam na introdução dos complementos locativos de verbos de movimento do tipo de ir, vir, chegar e levar, como em “voltei à/na/pa ra a universidade”. No português brasileiro, esse fenômeno é associado à escolarização do falante, a preposição para é a mais produtiva, variando com em, e a está em processo de desuso, mas esse processo é mais lento em contextos muito escolarizados (MOLLICA, 1996; RIBEIRO, 1996; VALLO, 2003; WIEDEMER, 2008). A ampliação do acesso ao ensino superior no Brasil permitiu contatos entre estudantes de diferentes regiões, que reverberam na língua. Na Universidade Federal de Sergipe, os estudantes são provenientes de diferentes regiões do estado e da circunvizinhança, e essa diversidade configura-se como um fator dialetal que pode interferir na variação da regência de complementos locativos de verbos de movimento. Assumimos a perspectiva da Teoria da Variação e Mudança Linguística WEIREINCH; LABOV; HERZOG, 2006[1968]; LABOV, 2008[1972], 1978, 1994) para analisar a alternância de preposições na regência dos verbos de movimento. O corpus é a amostra Deslocamentos (2019/2020), composto por amostras coletadas com estudantes da Universidade Federal de Sergipe que compõem o banco de dados Falares Sergipanos (FREITAG, 2013). Controlamos os efeitos do deslocamento, tempo no curso e sexo (variáveis sociais) e de configuração do espaço, definitude, determinação, traço de permanência, narratividade do discurso, verbo e material interveniente (variáveis linguísticas), por meio de testes de associação e por análise de árvore de inferências condicionais, técnica aplicada para identificar padrões de comportamento linguístico semelhantes (FREITAG, PINHEIRO, 2020; FREITAG, et al. 2021). Foram identificados 1041 contextos de complementos locativos de verbos de movimento, dos quais 71% regidos pela preposição para, 24% pela preposição em e 5% pela preposição a. Os efeitos das variáveis linguísticas seguem os padrões identificados nos estudos anteriores, reforçando o caráter de mudança em curso do fenômeno. A análise da árvore condicional apresenta evidências da categorização das preposições para e em em domínios funcionais diferentes, constituindo-se como como estratégia de desambiguização para indicar a maior ou menor permanência em locativos em que não é possível inferir, pragmaticamente, o tempo de demora. Quanto aos efeitos dialetais, controlados por meio do deslocamento dos falantes, estudantes do interior, que vem para a universidade e voltam para suas casas diariamente, fazem maior uso da preposição em, com 26%. Já os estudantes que vieram do interior para morar na capital sergipana para estudar apresentam 22%, enquanto os estudantes da capital apresentam 20% de ocorrência da preposição em. Da comunidade externa à Sergipe, estudantes alagoanos apresentam comportamento linguístico similar ao padrão da capital sergipana, 19% de uso de em, enquanto estudantes baianos apresentam um comportamento divergente, 35% de uso de em, sugerindo um efeito de áreas dialetais para a dinamização da mudança.

  • ALEXSANDRA DOS SANTOS BISPO
  • Entre o épico e o lírico: hibridismo na poesia de Leda Miranda Hühne
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 26/02/2021
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa estuda parte da produção poética de Leda Miranda Hühne, com o objetivo de mostrar que seus poemas longos configuram casos de hibridismo entre os gêneros lírico e épico. Para isso, empreende-se uma análise das obras Fim de Um Juízo (1986) e As Cantilenas do Rei-Rainha (1988) que revelam, entre outros aspectos, que sua poética faz-nos despertar para uma consciência sociopolítica mais crítica, permitindo-nos refletir sobre a violência das relações autoritárias como uma das marcas da sociedade brasileira. De outro lado, em termos estéticos, são visíveis em sua produção tanto a influência da poesia concreta quanto a unidade estrutural que, mesmo nos casos em que estejam presentes poemas individualmente intitulados, conferem à obra como um todo um princípio, meio e fim que dita a sequência da leitura. Assim, os poemas longos de Hühne, tal como será demonstrado, caracterizam-se pelo hibridismo entre o lírico e o épico e se inserem, inclusive, na trajetória do épico a partir do século XX, quando a presença do hibridismo é bastante relevante. Na área das expressões literárias, de forma geral, podemos observar um grande percentual de interpenetrações de gêneros. As abordagens teóricas que compõem esta pesquisa buscam, como fundamento, o diálogo entre estudos da crítica e da teoria literária, como os de Aristóteles (1973) e Staiger (1977); os do hibridismo, como os de Ramalho e Silva (2007); os do gênero épico, como os de Bowra (1950), Gancedo (2009), Silva (2007) e Ramalho (2007, 2013); e os do gênero lírico, como os de Frye (1957), Friedrich (1978), Paz (1982); dentre outros.

  • ELILIANE SANTOS FERREIRA
  • OS CORPOS DA VIA CRUCIS: O Efeito Cômico em Clarice Lispector
  • Orientador : FERNANDO DE MENDONCA
  • Data: 26/02/2021
  • Dissertação
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  • O objetivo desta pesquisa é abordar o corpo feminino e o efeito cômico na obra A via crucis do corpo (1974), compilação de contos de Clarice Lispector que carrega uma temática diferente de suas outras obras, e que por isso não teve a mesma aceitação crítica. Composto por treze contos, nos fala sobre temas como sexualidade na melhor idade, masturbação e traição. As classificações que recebeu, encobriram seu verdadeiro e real potencial, no entanto, o cenário diante dessa obra vem sendo mudado a partir das perspectivas críticas feministas e dos estudos de gênero. Abordaremos dois vieses presentes nesse texto lispectoriano, que serão o corpo das personagens femininas e o efeito cômico. Para a construção e argumentação do primeiro ponto, utilizamos autores como David Le Breton (2010) e Elódia Xavier (2007), enquanto para a construção do cômico partimos das concepções de Henri Bergson (2007) e Sigmund Freud (1905), alertando que tantos outros de tamanha importância ainda são acrescentados no decorrer da pesquisa, como Benjamin Moser (2009), Vilma Arêas (2005), Gérard Genette (2009) e outros. Esta pesquisa se vale de um método qualitativo, apoiando-se em fichamentos de cunho teórico para a leitura e análise dos treze contos. O intuito é mostrar que a relação corpo/cômico se dá no decorrer de todas as narrativas, buscando dar ênfase nos estudos dessa relação e da obra em questão, uma vez que notamos não haver reflexões prévias que aprofundem tais aspectos na referida obra.

  • JOÃO PAULO LIMA CUNHA
  • “KD O PAI DESSA CRIANÇA?!”: UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA E COMUNICACIONAL DO DISCURSO DE ATORES SOCIAIS PAIS DE CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN.
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 25/02/2021
  • Tese
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  • As pesquisas fundamentadas nos pressupostos dos Estudos Críticos do Discurso centram suas análises sobre uma problemática social que contenha a linguagem como fator determinante. Não basta ser um problema, é necessário que a linguagem esteja no cerne dele para que seja objeto de estudo. Sendo assim, a partir do acompanhamento de vídeos na plataforma do YouTube sobre o que é a síndrome de down (SD), verificamos que diversos comentários questionavam o exercício da paternidade. Diante disso, já que sou pai de uma menina com SD, refletimos sobre os diversos papéis sociais que são exercidos pelos pais. Ainda nos indagamos sobre como os discursos legitimam relações de abuso de poder, afetando o bem-estar social das crianças com SD. Isso nos motivou a buscar compreender como os pais estavam sendo representados no discurso. Por conseguinte, construímos um empreendimento crítico, transdisciplinar, de base qualitativo-interpretativista, fundamentado na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (PEDROSA, 2014, 2016), que associou os Estudos sobre Identidades de Bajoit (2006, 2008, 2009) aos estudos sobre o Sistema de Transitividade de Halliday (2004). Construímos assim o objetivo de compreender as múltiplas representações dos atores sociais pais de crianças com SD, operacionalizadas pelo sistema de avaliação ideológica, concretizadas no espaço midiático dos comentários de vídeos no YouTube, por meio da associação teórica entre as esferas identitárias e os processos verbais. Nessa perspectiva, defendemos a tese de que o ator social é constituído pela esfera identitária (atribuída, desejada e comprometida) e representado linguístico-discursivamente por processos verbais: fazer, ser, sentir, dizer, existir e comportar-se. Além disso, ser ator é ser resposta das diferentes tensões estruturais e das relações estabelecidas nas práticas sociais; é ter a capacidade também de questionar suas tensões (BAJOIT, 2006, 2008, 2009; PEDROSA, 2014, 2016). Para desenvolvermos essa tese, observamos 1.163 comentários, presentes em oito vídeos, postados no YouTube, que tratavam da SD. Assim sendo, selecionamos 150 comentários que utilizaram menções semânticas à paternidade para compor o corpus de análise. Como resultados, verificamos três categorias de atores (atores de identidade atribuída, de identidade desejada e de identidade comprometida) que se representam linguístico-discursivamente pelo fazer, sentir, ser, existir, dizer e comportar-se. Essas representações são operacionalizados pelo sistema de avaliação ideológica, instanciados sociocognitivamente pelas relações de abuso de poder (VAN DIJK, 1997; 2008; 2012), exprimindo discursos machistas, estereotipados (DESCHAMPS; MOLINER, 2009), naturalizados (FAIRCLOUGH, 2008; VIEIRA, 2017) e com relações assimétricas de poder (THOMPSON, 2002; DIJK, 2008). Ainda encontramos discursos comodificados (FAIRCLOUGH, 2008), colonizados (RESENDE, 2019) e glamourizados (SIFUENTES, 2017; 2018), tanto em relação ao pai quanto em relação às pessoas com SD. A pesquisa nos permite indicar a necessidade de mudança social acerca da problemática. Para tal, propomos práticas de letramentos, “aquisição discursiva”, influenciando ações futuras dos atores – por meio de peças publicitárias, leis, cursos de capacitação e ‘domínio’ das redes sociais, a fim de propor o controle discursivo, em uma contribuição efetiva para a conscientização e reflexividade crítica (GIDDENS, 1991; BAJOIT, 2006) dos envolvidos com o contexto das pessoas com SD. Por fim, nossa tese contribui com a evolução teórica e metodológica da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso, enquanto proposta dos Estudos Críticos do Discurso.

  • JOSEFA FELIX DO NASCIMENTO
  • OS COSTUMES COMO FONTES DAS POLÍTICAS E DOS DIREITOS LINGUÍSTICOS EM UMA COMUNIDADE CIGANA DE ITABAIANINHA-SE
  • Orientador : RICARDO NASCIMENTO ABREU
  • Data: 25/02/2021
  • Dissertação
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  • Abordando especificidades quanto aos costumes e à língua cigana no seio de uma comunidade de tradição oral, essa pesquisa tem por finalidade a análise dos modos por meio dos quais os planejamentos e os usos linguísticos adotados por esta fazem emergir políticas linguísticas praticadas e percebidas, amparadas em regras consuetudinárias, as quais se configuram como verdadeiras estratégias de resistência cultural e identitária da comunidade cigana para sobreviver a um entorno social que, em geral, os estigmatiza. Para tanto, a presente pesquisa de cunho linguístico-antropológico foi desenvolvida dentro da área de Estudos Linguísticos, numa perspectiva da Política Linguística (PL), ancorada nos estudos de Spolsky (2004), e dos Direitos Linguísticos (DL), com fundamentação nas conjecturas de Arzoz (2009), Abreu (2019) e Sousa Santos (2011), em torno dos usos sociais de uma língua cigana em território sergipano, em especial, no município de Itabaianinha. À vista disso, este estudo tem como objetivo geral investigar os usos e planejamentos linguísticos da língua dos ciganos em/de Itabaianinha, e, nessa conjuntura, toma-se como horizonte a necessidade de entender e debater as políticas linguísticas propostas pelo líder da comunidade como forma de resistência da cultura cigana e meio de defesa na convivência com os falantes da língua oficial e majoritária. Para tanto, a abordagem adotada para esse trabalho é predominantemente descritivo-etnográfica e no que diz respeito aos meios para obtenção das informações, a pesquisa classifica-se como bibliográfica e de campo (etnográfica). Assim, inicialmente, foi feito um desdobramento exploratório do referencial teórico, depois, pesquisa de campo e averiguação do que foi observado. E para isso, não foi ignorada a estratégia do estudo de caso que contribuiu para o entendimento dos pontos positivos e negativos para o não uso da língua cigana em meio a sociedade brasileira majoritária. Este trabalho de campo se baseou em relatos, entrevistas gravadas, observação e participação nas rotinas da comunidade, que, não obstante, reafirmou o olhar da antropologia e permitiu uma compreensão de como a comunidade estudada organiza suas práticas sociais e culturais em torno de uma língua própria, gerida através de políticas linguísticas internas à comunidade. Tendo como metodologia uma abordagem etnográfica, que requer uma investigação direta da pesquisadora junto à comunidade cigana. Foi necessário realizar o cadastro da pesquisa na Plataforma Brasil, para sua apresentação e para apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe. À guisa de conclusão, a presente pesquisa já é capaz de revelar, preliminarmente, alguns resultados que apontam na direção de que na comunidade cigana de Itabaianinha SE existem políticas linguísticas alicerçadas em normas consuetudinárias que regulam a vida da e na comunidade, tais quais: a. interdição do ensino da língua cigana aos falantes da língua portuguesa; b. uso do português para interação com os não ciganos em situações que extrapolam as rotinas internas da comunidade; c. uso alternado das línguas (português/cigana) nas situações envolvendo a intimidade familiar; d. uso da língua cigana em ambientes/situações restritas aos ciganos, tais quais cerimônias, reuniões comunitárias e ritos de passagem.

  • LIA NARA FIGUERÊDO DA SILVA
  • DIREITOS LINGUÍSTICOS E SUA PERMEABILIDADE NO SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: UM ESTUDO NO ÂMBITO DA CIDH
  • Orientador : RICARDO NASCIMENTO ABREU
  • Data: 25/02/2021
  • Dissertação
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  • Após a Segunda Guerra Mundial, o tema das conquistas das minorias assumiu, ao redor do mundo, uma marcante posição nos debates sobre o reconhecimento e a legitimação da diversidade cultural, sobretudo no que se refere às minorias linguísticas. Nessa perspectiva, propomos a análise das denúncias de violações de direitos linguísticos admitidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH, ao longo dos seus 50 anos de existência, com o objetivo central de identificar a noção de “direito linguístico” com a qual opera a CIDH no processamento das denúncias contra Estados-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA). Entendemos que o estudo dos direitos linguísticos demanda uma abordagem transdisciplinar, pela natureza desse campo, que se situa na interseção entre o Direito e a Linguística. Portanto, recorre-se, nesta pesquisa, a uma gama de referenciais teóricos que se coadunam para elaborar uma compreensão sobre os direitos linguísticos como direitos humanos. Dessa forma, julgamos ser fundamental para a análise empreendida a contextualização jurídica em termos de direito internacional público; para tanto, recorremos aos estudos de Piovesan (2013) e Ramos (2014). Quanto à metodologia, nesta pesquisa documental, consideramos que muitos conflitos linguísticos geradores das denúncias levadas à CIDH se explicam pela ação e/ou omissão deliberada dos Estados, em desfavor, principalmente, de comunidades indígenas, de imigração, de refugiados e demais grupos cujos idiomas, não raro, sequer são reconhecidos pelo Estado, tampouco gozam de estatuto jurídico no ordenamento daqueles países em que se encontram. Assim, compreendemos que, através das políticas linguísticas implementadas pelos Estados, criam-se ou resolvem-se conflitos linguísticos. Com vistas a desenvolver uma reflexão teórica sobre direitos linguísticos, recorremos às concepções de Abreu (2018, 2019, 2020), Skutnabb-Kangas e Phillipson (1995) e Arzoz (2009). Neste estudo, também nos interessam as teorias que versam sobre minorias linguísticas, de Varennes (2001), e sobre conflito linguístico, de Dubinsky e Davies (2018), além das relações entre língua e poder estabelecidas em Bourdieu (2008); em relação aos aspectos metodológicos dos estudos em Política Linguística, recorremos aos estudos de Ricento (2006). Esta pesquisa será composta pela análise realizada no conjunto de 54 (cinquenta e quatro) informes de admissibilidade que tratam de questões linguísticas, extraídos de um banco de dados com um total de 2891 (dois mil e oitocentos e noventa e um) casos admitidos pela CIDH, no período compreendido entre os anos de 1970 e 2019. Os resultados preliminares desta pesquisa são apresentados através do quantitativo de denúncias por violação de direito humano linguístico por Estado-membro da OEA; do quantitativo de denúncias de violação de direito humano linguístico a partir da posição do objeto da demanda – se principal ou incidental; como também através da classificação tipológica dos conflitos linguísticos e da exposição das normas de direito internacional de direitos humanos invocadas para admissibilidade da denúncia.

  • FABIANA DOS SANTOS
  • LOUISE MAY ALCOTT E ALINA PAIM: UMA LEITURA COMPARADA DA FORMAÇÃO DAS PROTAGONISTAS EM MULHERZINHAS (1868) E A SOMBRA DO PATRIARCA (1950)
  • Orientador : ANA MARIA LEAL CARDOSO
  • Data: 25/02/2021
  • Tese
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  • Esta pesquisa tem como objetivo analisar os romances Mulherzinhas(1868) de Louise May Alcott e A Sombra do Patriarca (1950) de Alina Paim. Partindo dos estudos de literatura comparada e do romance de formação, procurou-se estabelecer um diálogo entre as autoras, com a finalidade de refletir sobre como a inserção feminina na produção literária influencia na construção da figura da mulher na sociedade e suas representações. Esta análise se inicia pelos traços sociais e culturais que repercutem na produção escrita e leitura das obras. Neste processo de construção da escrita feminina, a mulher demonstra seus conflitos e desejos, frutos de suas experiências, oportunizando a representação de si mesma e a tomada de ciência de sua voz. Desta forma, construimos a hipótese de que a escrita feminina ilustra as condições sociais e culturais nas quais a mulher esteve e está inserida, possibilitando-nos uma comparação que construa um panorama da escrita do gênero e contribua para a conquista de um lugar de destaque. Sendo assim, a representação da mulher na Literatura tornou-se uma emergência e um objeto de análise significativo. Estes estudos resultam do reconhecimento da mulher como força de produção cultural na sociedade contemporânea. Além disso, os romances de Alcott e Paim apresentam características que se coadunam com a proposta do romance de formação (Bildungsroman), capaz de nos permitir uma leitura acerca dos dramas vivenciados pelas mulheres no que tange às relações socioculturais, independente de lugar e tempo. Ao enveredarmos na pesquisa sobre a formação dessas mulheres, demonstramos o processo de transformação que se opera nas protagonistas, tendo como base a educação e os elementos que estão relacionados a ela (leituras, escola, instituições religiosas, família, entre outros), propiciando uma reflexão sobre representação da figura feminina no texto e fora dele. Os discursos das autoras elencadas são a expressão literária do desejo de mudança real e, sendo elas mulheres instruídas, reivindicam transformações no plano social dominante. Entre as obras consultadas para a elaboração desta tese, destacam-se aquelas que tratam da crítica feminista defendida por Besse (1999), Xavier (1991;1998), Del Priore (2000), Dalcastagnè (2012), entre outras, que versam sobre a luta da mulher pelo direito à educação e por um espaço democrático, inclusivo. Esta perspectiva é reforçada pelos estudos sobre o Bildungsroman realizados por Pinto (1990) e Maas (2000), entre outros. Neste entendimento, procuramos demonstrar a inserção dos textos de Alcott e Paim na tradição dos romances de produção feminina, e de como as protagonistas se tornam exemplos do Bildung(formação) tanto social quanto cultural da mulher.

  • LIVIANE NASCIMENTO DOS SANTOS
  • As identidades e representatividades latino-americanas nos livros didáticos de língua espanhola do PNLD 2018
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 24/02/2021
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivo analisar como se constituem as identidades e representatividades latino-americanas nos projetos sugeridos pelos nove livros didáticos das três coleções do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2018 (Cercanía Joven, Sentidos en lengua española e Confluencia). O edital do PNLD (2018) assinala que os livros aprovados para compor a educação linguística na escola devem favorecer o contato dos alunos com as diversas variedades do idioma estrangeiro, as quais refletem a diversidade das comunidades de fala desse idioma, valorizando não somente a variedade padrão e a cultura peninsular. No entanto, algumas pesquisas (LESSA 2013, LIMA e VILHENA 2013) realizadas nesse contexto apontam para a predominância da hegemonia espanhola e a desvalorização das culturas latino-americanas na maioria dos livros. Dentro dessa conjuntura, torna-se relevante discutir se essa realidade ainda é recorrente nos materiais mais recentes a partir da análise das três coleções já citadas. Assim sendo, esse trabalho poderá contribuir para a valorização das culturas latino-americanas pelos livros didáticos e para que se construam identidades culturais não marginalizadas e inferiorizadas nas práticas de educação linguística de língua espanhola. A pesquisa está inserida no campo teórico da Linguística Aplicada, partindo das categorias epistemológicas de decolonialidade, interculturalidade, diversidade, identidade, cultura, pertencimento, hegemonia, silenciamento e estereótipo, segundo estudos de Canclini (2006); Castro-Gomes (2007); Escobar (2003); Fabricio (2006; 2017); Hall (2003; 2006); Laraia (2009); Lima, (2013); Matos, (2014); Mendes, (2012); Paraquett (2009; 2018); Pizarro (2005); Silva Júnior e Matos (2019); Siqueira, (2012); Walsh (2009); Zolin-Vesz, (2013), dentre outros, para descrever o modo como ocorre a representação das culturas latino-americanas nos projetos sugeridos pelos livros didáticos de espanhol das coleções aprovadas no PNLD 2018. A metodologia seguida é de natureza qualitativa, quantitativa (PRODANOV; FREITAS, 2013) e documental (GIL, 2002; CELLARD, 2008) por método descritivo e interpretativista (CELANI, 2005 e MOITA LOPES 1994). Os resultados finais revelam que as coleções analisadas contribuem positivamente para com a construção de identidades latino-americanas não marginalizadas, bem como há uma verificação de diversos aspectos culturais latino-americanos, frente à cultura peninsular, configurando-se em um comportamento não hegemônico por parte das coleções, que por sua vez assumem uma postura decolonial e suleada.

  • GARDÊNIA DIAS SANTOS
  • UM PALIMPSESTO DE VIOLÊNCIAS CONTRA A MULHER EM ELVIRA VIGNA
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 23/02/2021
  • Dissertação
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  • Esta dissertação analisa como a violência contra as mulheres está representada no romance Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (2016), de Elvira Vigna. Para tanto, buscamos destrinchar como as violências são constituídas na obra, considerando que, elas se manifestam a partir do aniquilamento simbólico, físico e sexual das mulheres. Nosso foco consiste, assim, em identificar como a autora, no transcorrer do texto, desvela a economia simbólico-patriarcal que sustenta a violência imposta pela identidade masculina opressora de João à narradora, às garotas de programa e à esposa, Lola. Diante desta perspectiva, partimos de uma abordagem baseada nas concepções desenvolvidas pela Crítica Feminista, visto que esta nos proporciona a efetivação do diálogo entre Literatura e sociedade, em especial, na medida em que rompe com o caráter discriminatório das ideologias que limitam o masculino e o feminino e propõe uma identidade de gênero híbrida e flexível como estratégia de sobrevivência. Tal quebra de parâmetros tradicionais é enfatizada pelos estudos feministas de H. B. de Hollanda (2018, 2019, 2020); L. Zolin (2009); E. Xavier e C. Gomes (2016-2018) e de L. Hutcheon (1991-1993), ao traçarem uma leitura crítica, política e estética acerca das desigualdades pautadas no gênero, decorrentes de um legado sócio-histórico que perdura. Diante do exposto, nosso subsídio teórico-metodológico explora conceitos como de “violência de gênero”, conforme R Segato (2003); “excesso de masculinidade”, trabalhado por L. Machado (1998-2010); “regulações e performances de gênero”, segundo J. Butler (2003-2014); “decolonização da violência de gênero”, proposto por M. Lugones (2014-2020); e de “lugar de fala”, de acordo com D. Ribeiro (2017); formulações estas que nos permitem questionar as normas regulatórias e as intersecções da violência de gênero contra a mulher. A fim de alcançarmos os objetivos suscitados, apresentamos, no primeiro capítulo, como as pautas do movimento feminista estão incorporadas na literatura de autoria feminina e de que modo são usadas como ferramentas de questionamento às ideologias de poder da sociedade patriarcal. No segundo, passamos a identificar o meio pelo qual se constroem os palimpsestos de violências e de identidades de gênero das personagens e, simultaneamente, como estes desenvolvem suas performances. Já no último capítulo, apontamos as estratégias de descolonização destes palimpsestos e das estruturas histórico-patriarcais abarcadas pela escritora no romance. Com esse intuito, defendemos a hipótese de que, ao trazer para o texto ficcional o olhar decolonizador de gênero, Elvira Vigna desconstrói os paradigmas machistas e desnuda as diversas formas de violência contra a mulher, principalmente, por meio de uma narradora astuta e sagaz que não perde de vista os medos, os limites e as inseguranças que circundam o universo competitivo masculino.

  • ANNA GABRIELLA CAVALCANTE MAMEDE DE ALMEIDA
  • Anna Gabriella e a autoetnografia: narrativas sobre a influência de Harry Potter e omovimento feminista no processo de construção identitária
  • Orientador : MARLENE DE ALMEIDA AUGUSTO DE SOUZA
  • Data: 22/02/2021
  • Dissertação
  • Mostrar Resumo
  • Observar minha construção de significados perante padrões que regulam o comportamento de
    mulheres despertou o interesse para esta pesquisa. Para isso, três itens da lista “Aprenda 10
    dicas para conquistar um homem” foram selecionados para me aprofundar no tema. A
    metodologia utilizada nesta pesquisa foi a autoetnografia (ONO, 2017) (ADAM; JONES;
    ELLIS, 2015), e objetivou propor uma reflexividade (ADAM; JONES; ELLIS, 2015) sobre
    como minha construção identitária influencia os três itens selecionados. Por buscar a
    aproximação entre pesquisadores, experiências culturais e leitores, a autoetnografia permite
    compartilhar narrativas pessoais para compreender como minhas relações sociais conduziram
    minha construção identitária. Assim, foram escolhidas duas perspectivas que foram
    importantes para minha identidade: a saga Harry Potter e o movimento feminista. Ao
    observar o papel de ambas as percepções na minha formação identitária, foi possível
    compreender de que forma as produções de significado sobre os três itens da lista “Aprenda
    10 dicas para conquistar um homem” são construídas por mim. Para observar o papel de
    Harry Potter na minha construção identitária, questões como a maneira que a experiência do
    leitor é capaz de desenvolver imaginação cívica (JENKINS, LAZARO, SHRESTHOVA,
    2020) a partir do consumo de mídias da cultura pop foram abordadas. Além disso, considerar
    a minha construção identitária feminista a partir dos movimentos desenvolvidos por mulheres
    no Brasil (TELLES, 1993) (PINTO, 2003) permitiu compreender que a busca por
    desestabilizar padrões comportamentais para mulheres surgiu porque os três itens da lista
    despertam emoções em mim. As reflexões finais demonstram que, apesar de tentar
    racionalizar os sentimentos despertados pelos três itens da lista selecionada, a questão
    emocional é muito latente perante situações de injustiça social.
    Observar minha construção de significados perante padrões que regulam o comportamento de
    mulheres despertou o interesse para esta pesquisa. Para isso, três itens da lista “Aprenda 10
    dicas para conquistar um homem” foram selecionados para me aprofundar no tema. A
    metodologia utilizada nesta pesquisa foi a autoetnografia (ONO, 2017) (ADAM; JONES;
    ELLIS, 2015), e objetivou propor uma reflexividade (ADAM; JONES; ELLIS, 2015) sobre
    como minha construção identitária influencia os três itens selecionados. Por buscar a
    aproximação entre pesquisadores, experiências culturais e leitores, a autoetnografia permite
    compartilhar narrativas pessoais para compreender como minhas relações sociais conduziram
    minha construção identitária. Assim, foram escolhidas duas perspectivas que foram
    importantes para minha identidade: a saga Harry Potter e o movimento feminista. Ao
    observar o papel de ambas as percepções na minha formação identitária, foi possível
    compreender de que forma as produções de significado sobre os três itens da lista “Aprenda
    10 dicas para conquistar um homem” são construídas por mim. Para observar o papel de
    Harry Potter na minha construção identitária, questões como a maneira que a experiência do
    leitor é capaz de desenvolver imaginação cívica (JENKINS, LAZARO, SHRESTHOVA,
    2020) a partir do consumo de mídias da cultura pop foram abordadas. Além disso, considerar
    a minha construção identitária feminista a partir dos movimentos desenvolvidos por mulheres
    no Brasil (TELLES, 1993) (PINTO, 2003) permitiu compreender que a busca por
    desestabilizar padrões comportamentais para mulheres surgiu porque os três itens da lista
    despertam emoções em mim. As reflexões finais demonstram que, apesar de tentar
    racionalizar os sentimentos despertados pelos três itens da lista selecionada, a questão
    emocional é muito latente perante situações de injustiça social.
    Observar minha construção de significados perante padrões que regulam o comportamento de
    mulheres despertou o interesse para esta pesquisa. Para isso, três itens da lista “Aprenda 10
    dicas para conquistar um homem” foram selecionados para me aprofundar no tema. A
    metodologia utilizada nesta pesquisa foi a autoetnografia (ONO, 2017) (ADAM; JONES;
    ELLIS, 2015), e objetivou propor uma reflexividade (ADAM; JONES; ELLIS, 2015) sobre
    como minha construção identitária influencia os três itens selecionados. Por buscar a
    aproximação entre pesquisadores, experiências culturais e leitores, a autoetnografia permite
    compartilhar narrativas pessoais para compreender como minhas relações sociais conduziram
    minha construção identitária. Assim, foram escolhidas duas perspectivas que foram
    importantes para minha identidade: a saga Harry Potter e o movimento feminista. Ao
    observar o papel de ambas as percepções na minha formação identitária, foi possível
    compreender de que forma as produções de significado sobre os três itens da lista “Aprenda
    10 dicas para conquistar um homem” são construídas por mim. Para observar o papel de
    Harry Potter na minha construção identitária, questões como a maneira que a experiência do
    leitor é capaz de desenvolver imaginação cívica (JENKINS, LAZARO, SHRESTHOVA,
    2020) a partir do consumo de mídias da cultura pop foram abordadas. Além disso, considerar
    a minha construção identitária feminista a partir dos movimentos desenvolvidos por mulheres
    no Brasil (TELLES, 1993) (PINTO, 2003) permitiu compreender que a busca por
    desestabilizar padrões comportamentais para mulheres surgiu porque os três itens da lista
    despertam emoções em mim. As reflexões finais demonstram que, apesar de tentar
    racionalizar os sentimentos despertados pelos três itens da lista selecionada, a questão
    emocional é muito latente perante situações de injustiça social.

    Observar minha construção de significados perante padrões que regulam o comportamento de mulheres despertou o interesse para esta pesquisa. Para isso, três itens da lista “Aprenda 10 dicas para conquistar um homem” foram selecionados para me aprofundar no tema. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi a autoetnografia (ONO, 2017) (ADAM; JONES; ELLIS, 2015), e objetivou propor uma reflexividade (ADAM; JONES; ELLIS, 2015) sobre como minha construção identitária influencia os três itens selecionados. Por buscar a aproximação entre pesquisadores, experiências culturais e leitores, a autoetnografia permite compartilhar narrativas pessoais para compreender como minhas relações sociais conduziram minha construção identitária. Assim, foram escolhidas duas perspectivas que foram importantes para minha identidade: a saga Harry Potter e o movimento feminista. Ao observar o papel de ambas as percepções na minha formação identitária, foi possível compreender de que forma as produções de significado sobre os três itens da lista “Aprenda 10 dicas para conquistar um homem” são construídas por mim. Para observar o papel de Harry Potter na minha construção identitária, questões como a maneira que a experiência do leitor é capaz de desenvolver imaginação cívica (JENKINS, LAZARO, SHRESTHOVA, 2020) a partir do consumo de mídias da cultura pop foram abordadas. Além disso, considerar a minha construção identitária feminista a partir dos movimentos desenvolvidos por mulheres no Brasil (TELLES, 1993) (PINTO, 2003) permitiu compreender que a busca por desestabilizar padrões comportamentais para mulheres surgiu porque os três itens da lista despertam emoções em mim. As reflexões finais demonstram que, apesar de tentar racionalizar os sentimentos despertados pelos três itens da lista selecionada, a questão emocional é muito latente perante situações de injustiça social.

  • VIVIANE SILVA DE NOVAIS
  • Variação na concordância verbal de terceira pessoa do plural na fala de universitários sergipanos
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 19/02/2021
  • Dissertação
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  • A concordância verbal de 3ª pessoa do plural (3PP) é um fenômeno em variação no português brasileiro (PB), cujas realizações, como os meninos brincam e os menino brinca, tendem a receber diferentes avaliações sociais: a primeira, chamada de concordância redundante por indicar pluralidade tanto no sujeito quanto no verbo, tende a receber avaliação mais positiva; a segunda, chamada de concordância dominante por haver indicação de plural somente no primeiro elemento, tende a receber avaliação mais negativa, como pode ser observado em diferentes fontes societais (como os instrumentos normativos, matérias e reportagens jornalísticas e memes compartilhados nas redes sociais). Contribuindo com essas evidências, resultados de pesquisas sociolinguísticas sobre a concordância verbal com dados orais no PB observam mais realizações da forma redundante na fala de pessoas com mais anos de escolarização (ANJOS, 1999; MONGUILHOTT, 2001; SCHERRE; NARO, 2007; ARAÚJO, 2014) e com certo status social, cuja variedade de língua adquiriu prestígio e se alinha ao que se convencionou chamar “norma culta”. Em um ambiente universitário, por exemplo, a norma culta, por hipótese, tende a ser mais recorrente (FREITAG, 2017a). Considerando a Universidade Federal de Sergipe (UFS), Campus Prof. José Aloísio de Campos, em São Cristóvão/SE, que propicia a integração do universitário ao ambiente acadêmico por meio de atividades de extensão, projetos e diversos espaços de ocupação, os estudantes têm ainda mais contato com essa norma de prestígio. O objetivo deste trabalho é descrever as realizações da concordância verbal de 3PP na fala dos estudantes da UFS, com base no aporte teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008[1972]), questionando se há associação entre o tempo de inserção e a integração dos estudantes com o uso da concordância verbal redundante. Nossa hipótese é a de que, embora a frequência dessa forma seja alta nos dados gerais por se tratar da fala de estudantes universitários, a concordância redundante será maior ao final do curso, como resultado de dois possíveis efeitos: maior integração desses estudantes à UFS e por ser uma variante de prestígio social. Temos como corpus a amostra Deslocamentos (2020), composta por 60 entrevistas sociolinguísticas com dados orais de estudantes da UFS. Foram considerados 2.364 contextos de realização, com predomínio da concordância redundante (97%). Apesar da baixa recorrência, o condicionamento do fenômeno variável é afetado pelos fatores estruturais posição do sujeito, tipo de verbo, animacidade do sujeito e saliência fônica, cujos efeitos já são consolidados na literatura. Os resultados apontam para o efeito da consciência de norma associada ao papel da universidade, já identificado em outros estudos na mesma amostra, decorrente de uma fala formal em ambiente altamente escolarizado.

  • VANESCA CARVALHO LEAL
  • Análise do gênero infográfico no Jornal Digital Folha de São Paulo com base nos pressupostos da retórica visual
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 19/02/2021
  • Dissertação
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  • A pesquisa apresenta uma análise linguística, associada aos estudos retóricos, em torno dos usos dos processos argumentativos na inter-relação estratégica entre os recursos verbais e visuais no contexto midiático, sob uma perspectiva ainda incipiente na área de descrição linguística. O estudo desenvolve-se a partir do seguinte problema: Como recursos visuais e verbais desempenham papéis e valores argumentativos nos infográficos no jornal digital Folha de São Paulo? Diante disso, objetiva descrever, à luz da Retórica Visual, os recursos verbais e não-verbais que contribuem para a construção argumentativa do gênero infográfico. O corpus de análise são 38 infográficos estáticos do jornal digital de maior circulação no país, Folha de São Paulo, especificamente, no período de agosto a outubro de 2018, período que compreende as eleições para presidência da república. Essa escolha se justifica pelo fato de remontar o nascimento da retórica, surgida a partir de aspectos políticos e da busca pelo poder, e são descritos a partir de análises da linguagem empregada nos textos, reguladas pelos princípios retóricos e argumentativos visuais. Dessa forma, a proposta de análise está baseada no estudo da Nova Retórica, de Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014). Este estudo apresenta-se como uma pesquisa quanti-qualitativa que reúne pressupostos teóricos a respeito da argumentação considerando os trabalhos de Alexandre Júnior (2005); Perelman (1977), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014). Com relação à literatura específica sobre retórica e argumentação visual, Kjeldsen (2012, 2013, 2015), Mateus (2016) e Roque (2009, 2012, 2016). E para abordar as pesquisas existentes sobre o infográfico foram adotados, como centrais, Colle (2004), Fogolari (2009), Lima (2015), Moraes (2013), Nascimento (2013) e Teixeira (2007, 2009). A pesquisa evidencia três resultados principais. O primeiro deles é que os infográficos estudados organizam-se, em sua maioria, em categorias gerais – exposição de dados estatísticos e, de modo mais específico – diagramáticos e de descrição por comparação. Os dados mostram, em segundo lugar, que não é o número de critérios técnicos composicionais que define o fator primordial para a promoção de efeitos retóricos no gênero, mas a articulação entre os elementos verbo-visuais. Por fim, os resultados apontam que os infográficos analisados depreendem em maior relevância de (1) o acordo prévio; (2) o argumento pragmático; (3) o julgamento de valor, reforçado por ligações de coexistência; (4) o efeito de presença, por meio das figuras de repetição e amplificação; e (5) toda argumentação propõe uma escolha seletiva dos recursos verbo-visuais que serão utilizados. Isso significa que, apesar de se tratar de um gênero tipicamente informativo, possui um viés argumentativo não esperado pelo auditório. Logo, o estudo servirá de referência para a consolidação de um corpo de pesquisas sobre argumentação visual, mais especificamente, verbo-imagética, bem como uma possível aplicação ao ensino para a leitura crítica do gênero. Ainda pode ser desenvolvido um trabalho sobre processamento cognitivo da leitura e compreensão no gênero infográfico.

  • PALOMA BATISTA CARDOSO
  • Efeitos linguísticos e paralinguísticos na inferência dos sentidos indicados por (eu) acho que em entrevistas sociolinguísticas
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 18/02/2021
  • Dissertação
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  • (Eu) acho que é uma construção gramaticalizada no português brasileiro como um modalizador epistêmico polissêmico, que pode indicar sentidos de certeza, dúvida e incerteza (GALVÃO, 1999; FREITAG, 2003; GONÇALVES, 2003). Estes sentidos são inferidos pelos falantes no contexto de interação, e os estudos descritivos apontam que existem pistas linguísticas associadas a cada um destes sentidos, como o tipo de complemento introduzido por (eu) acho que, tópico discursivo e o envolvimento do falante (direto, indireto) com o que se fala. No entanto, pistas paralinguísticas também podem auxiliar na inferência destes sentidos, como as pistas acústicas e de expressões faciais. Do ponto de vista acústico, dúvida e incerteza são caracterizados por uma alta média de frequência fundamental, maiores valores de intensidade, duração e presença de pausas silenciosas e preenchidas, ao contrário de certeza (SILVA, 2008; OLIVEIRA, 2011; ANTUNES; AUBERGÉ; SASA, 2014; ANTUNES; AUBERGÉ, 2015; FERNANDES; ANTUNES, 2017). Há também diferenças gestuais: Swerts (2003) sugeriu que certeza é caracterizado pela expressão facial neutra enquanto incerteza, pela contração da linha das sobrancelhas e boca. Ao contrair os músculos da face, os falantes demonstram expressões que segundo Ekman (2000) são importantes para a manutenção da interação. O objetivo deste trabalho é investigar o efeito de variáveis linguísticas, acústicas e expressões faciais para a inferência dos sentidos de (eu) acho que na amostra Deslocamentos 2020, composta por 30 entrevistas sociolinguísticas gravadas em áudio e vídeo, realizadas com estudantes de graduação na Universidade Federal de Sergipe. Identificamos 1038 ocorrências de (eu) acho que, que foram codificadas quanto ao sentido e analisadas quanto a variáveis linguísticas (ocorrência de acho que ou eu acho que, escopo, presença de modalizador, tópico discursivo, experiência do falante e polaridade), prosódicas (médias da frequência fundamental, intensidade e duração de (eu) acho que, duração de pausas silenciosas e preenchidas) e expressões faciais (considerando os movimentos dos músculos que indicam raiva, deboche, nojo, medo, felicidade, neutra, tristeza e surpresa, captados por um script em linguagem Python). Os sentidos de (eu) acho que têm associação com o escopo, presença de outros modalizadores, tópico discursivo e experiência do falante, corroborando os resultados de outros estudos descritivos. Para as pistas acústicas, análises de variância entre o sentido de (eu) acho que e as variáveis prosódicas sugeriram efeito somente da intensidade e da duração. Os sentidos foram diferenciados pela força do som e pelo prolongamento de (eu) acho que: ocorrências dessa construção mais fracas e mais longas foram caracterizadas como dúvida e incerteza. A análise das expressões faciais evidencia movimentos de contração da linha das sobrancelhas e da boca quando os sentidos inferidos para (eu) acho que eram dúvida e incerteza, diferente de quando o sentido inferido era certeza. Os resultados das análises sugerem que além de variáveis linguísticas, recursos paralinguísticos também são relevantes para a inferência dos sentidos de (eu) acho que, corroborando perspectivas a sistemaciticdade da língua para além do nível linguístico.

  • BRUNO FELIPE MARQUES PINHEIRO
  • Pistas linguísticas e paralinguísticas para os sentidos dos diminutivos
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 18/02/2021
  • Dissertação
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  • Nos termos da gramática normativa, convencionou-se que o diminutivo é o processo gramatical que se refere aos nomes derivados que, por meio de sufixos, denotam a noção de dimensão pequena em relação às suas palavras primitivas (OLIVEIRA, 1536; BARBOSA, 1822; SOARES BARBOSA; 1845, dentre outros). Entretanto, o processo de derivação nos diminutivos resulta não somente em ideia de pequenez: (i) os diminutivos expressam ideias associadas à emotividade (CUNHA; CINTRA, 1985; BECHARA, 2009, dentre outros), diminuindo situações de forma apreciativa ou depreciativa; (ii) como também existem diminutivos que caminham ou já estão em um processo de lexicalização (ROCHA LIMA, 1992; ROCHA; VICENTE, 2016). No português brasileiro, o comportamento do diminutivo vem sendo observado a partir de [x-inho] e [x-zinho] como variantes de uma variável linguística para compreensão do significado do diminutivo, destacando o efeito de variáveis estruturais relacionadas à expressão do sufixo. No entanto, ainda há poucas evidências da sistematicidade de padrões para a distinção entre diminutivos lexicalizados e afetivos, e entre a apreciação positiva e negativa; os valores são decorrentes da intuição e subjetividade do analista para avaliar, por meio de pistas contextuais (linguísticas e paralinguísticas), a valoração do diminutivo. A fim de ampliar o escopo de análise sobre o significado do diminutivo, consideramos o tipo de classificação do diminutivo (se é afetivo ou lexicalizado) + o tipo de apreciação (positiva ou negativa) para analisar o comportamento do fenômeno em 30 entrevistas sociolinguísticas documentadas em áudio e vídeo com estudantes universitários da Universidade Federal de Sergipe. A partir de 241 ocorrências, identificamos a associação dos fatores estruturais (base morfológica, sufixo, extensão silábica, classe), fatores estilísticos (tópico discursivo e envolvimento do falante), fatores suprassegmentais (recursos prosódicos) e fatores paralinguísticos (expressões faciais), ampliando o poder de explicação sobre o significado dos diminutivos. Foram realizadas duas análises independentes entre si: (i) variáveis estruturais e variáveis prosódicas (regressão generalizada de efeitos mistos); (ii) e uma análise com as variáveis semânticas e variáveis emocionais (com reconhecimento facial a partir do protocolo Action Coding Systems - FACs). Observamos que existe uma convergência entre os resultados de análises que tomam o sufixo como variável dependente. As variáveis base morfológica, sufixo, tonicidade, extensão e classe tem associação estatisticamente significativa com a distinção entre diminutivo lexicalizado e afetivo. No modelo de efeito misto, participante e item lexical como efeitos aleatórios apresentam forte interferência na classificação dos diminutivos em lexicalizados e afetivos. Esse resultado sugere uma espécie de parsing morfológico pleno: o falante realiza um processamento da palavra como o todo na interpretação semântica do diminutivo. Os efeitos das variáveis prosódicas não foram estatisticamente significativos na amostra, talvez pelo fato da restrição da amostra. Na análise do reconhecimento facial dos falantes, os resultados sugerem relação entre a expressão facial do participante e o tipo de apreciação associado ao diminutivo. Os resultados apontam que existem pistas linguísticas e paralinguísticas que atuam na diferenciação dos diminutivos, seja entre lexicalizados e afetivos, e entre apreciação positiva e negativa, contribuindo com evidências para análises intuitivas, como as apresentadas nas gramáticas. Destacamos a limitação da amostra, e uma testagem em larga escala pode ampliar o poder explanatório dos resultados.

  • IGOR GONÇALVES MIRANDA
  • A Ensaística Especular e Fantasmática de Italo Calvino
  • Orientador : FERNANDO DE MENDONCA
  • Data: 18/02/2021
  • Dissertação
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  • O texto que ora se apresenta é resultado da pesquisa cujo objetivo geral é revelar as imagens especulares e fantasmáticas do escritor Italo Calvino. Essas imagens são reveladas a partir de uma seleção de ensaios textuais e paratextuais que refletem, no passado e no futuro, o sentido de sua experiência literária. Um jogo de imagens é construído a partir da fragmentação de conjuntos de textos mais homogêneos, publicados entre as décadas de 1950 e 1980, são eles: as coletâneas de ensaios Assunto encerrado (2006), Seis propostas para o próximo milênio (1990) e Mundo escrito e mundo não escrito (2015), os prefácios da segunda edição de A trilha dos ninhos de aranha (2004) e da reunião de romances fantásticos Os nossos antepassados (2014), além dos posfácios de O castelo dos destinos cruzados (1991) e de Se um viajante numa noite de inverno (1999), doravante considerados pequenos ensaios. O recorte rastreia no discurso a especularidade e a fantasmagoria, aspectos que reúnem a heterogeneidade dos textos sob a mesma perspectiva. Para alcançar tal objetivo, cumpre-se e se apresenta um estudo teórico do gênero ensaio como poética das imagens da subjetividade. Os autores da teoria do ensaio são Montaigne (2016), Lukács (2018), Bense (2018), Adorno (2003), Starobinski (2018) e Aira (2018). Para o estudo da paratextualidade e do movimento editorial calviniano, considera-se Genette (2009), Barenghi (2010), Klein (2013) e Troiano (2015). Os autores que explanam a teoria das escritas de si (autorretrato, autoficção e autobiografia) e da especularidade (imagem do espelho e mise en abyme) são: Hall (2014), Beaujour (1980), Lejeune (2014), Colonna (2014), Gide (2013), Anker e Dällenbach (1975), Eco (1989), Hutcheon (1980) e Waugh (1984). A teoria do fantasma foi dividida em dois momentos: o primeiro envolve os aspectos da khorologia da memória e da hantologia fantasmática, a partir da filosofia da memória de Henri Bergson (1988; 2006a; 2006b) e de seus intérpretes Paiva (2005) e Fujita (2009); o segundo trata da dimensão coletiva e literária do fantasma, cujos autores são: Derrida (1994) e Guerreiro (2011). Na experiência literária de Calvino, ensaio e ficção andam inseparáveis e, portanto, sua autoimagem especular resplandece tanto em um como no outro. Os diferentes perfis do “Calvino escritor” se espelham nos ensaios ao modo do texto, e o movimento editorial, ou seja, o “Calvino editor”, produz as imagens fantasmáticas que perseguem e comprimem o passado e o futuro: trata-se de imagens da subjetividade dinamizadas no tempo. É nesse jogo autorreflexivo que reside o interesse desta pesquisa. A relação que o escritor mantém com as imagens de si é fantasmática, ou seja, não é conciliatória, no entanto, sempre o impele para a criação e recepção de novos textos que o desafiam, fato que permitiu demonstrar o processo de seu amadurecimento literário.

  • GABRIELA RODRIGUES BOTELHO
  • Os itens de língua espanhola no Exame Nacional do Ensino Médio a partir da perspectiva afrogênica
  • Orientador : DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS
  • Data: 09/02/2021
  • Dissertação
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  • Esta dissertação é resultado da pesquisa de mestrado que teve como objetivo geral analisar como as relações étnico-raciais são apresentadas nos itens de espanhol do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em relação as aplicações feitas entre 2010 e 2019. Essa discussão se insere no campo teórico da Linguística Aplicada voltada para pesquisas que atendam às demandas sociais e pensem os sujeitos e a linguagem como heterogêneos (MOITA LOPES, 2006). Assim, a análise se centra em nove itens que permitem debater a afrodescendência no mundo hispânico no âmbito das relações étnico-raciais, a partir de três catgorias: o texto base, o enunciado e as alternativas que compõem cada item. Trata-se de uma pesquisa qualitativa (FLICK, 2009), descritivo-interpretativista (MOITA LOPES, 1994) e de técnica documental (BARDIN, 1977). Dentre as justificativas para essa pesquisa pretendo colaborar com as discussões sobre as relações étnico-raciais no contexto da educação linguística em espanhol no Brasil e, sobretudo, no ENEM. A fundamentação teórica se divide entre as diretrizes da educação como: a Lei de Diretrizes e Bases da educação de 1996, as Orientações Curriculares para o Ensino Médio de 2006, a Base Nacional Comum Curricular de 2017 e as Diretrizes da Educação para as Relações Étnico-Raciais de 2013, além da Lei 11.465/2008, da Matriz de Referência (BRASIL, 2013) e Guia Para Elaboração dos itens do ENEM (BRASIL, 2010); os estudos decoloniais através de autores como: Lander (2005), Quijano (2005), Castro-Gómez e Grosfoguel (2007), Maldonado-Torres (2007), Mignolo (2007) e Walsh (2009); e os estudos étnico-raciais a partir de autores como: Bento (2002), Souza (2016), Almeida (2018), Gomes (2018), Bernardino-Costa (2018) e Walker (2018). Com base nos resltados foi possível constatar que dos nove itens analizados, em apenas três deles os textos apresentam uma perspectiva afrogênica e dois itens problematizam as relações étnico-raciais a partir do enunciado e das alternativas, desmonstrando a escassez de debate sobre da afrodescendência no mundo hispânico no contexto do ENEM.

  • JOILDA ALVES DE OLIVEIRA
  • "DA CONJURAÇÃO DOS VERSOS": A EXPRESSÃO POÉTICA FEMININA AFRO-BRASILEIRA DE CONCEIÇÃO EVARISTO
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 09/02/2021
  • Dissertação
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  • A produção literária de Conceição Evaristo a cada dia se torna mais comentada nos ambientes acadêmicos, seja nas dissertações, teses, ou artigos científicos. Suas obras vêm tornando-se mais conhecidas e são recorrentes objetos de pesquisa no campo dos Estudos Literários. A expansão do alcance de suas criações constitui um avanço para a consolidação do lugar de existência e de fala das obras de autoria feminina na literatura brasileira contemporânea. Este trabalho utiliza como objeto de pesquisa Poemas da recordação e outros movimentos, com o objetivo de analisar a figura feminina afro-brasileira expressa através da poesia brasileira contemporânea de autoria feminina. Intentamos estabelecer diálogo entre as questões estéticas e sociais que permeiam a poética de Conceição Evaristo. Na obra em questão serão identificadas as marcas da poesia contemporânea. Além de observar a imagem feminina da mulher negra que é constituída através da poética da autora. A análise de poemas atentará para a leitura dos procedimentos de linguagem, metaforização, ritmo e, em alguns casos, o prosaísmo; pois tais recursos se entrecruzam com temas ligados à memória, ao engajamento e à figurativização feminina. Serão destacados aspectos como: a correlação entre a obra de Evaristo e as poéticas contemporâneas; a singularização do “feminino” em Evaristo; e a abordagem de aspectos de relevância para a compreensão do lirismo e da memória, além dos procedimentos intertextuais e o diálogo possível entre lirismo e contexto social. Ao longo da obra, estão presentes poemas que dialogam com temas de destaque dentro do universo feminino afro-brasileiro como a opressão, o aborto, o papel social da mulher, a discriminação, a presença da mulher na literatura, entre outros. É notável o engajamento da mulher negra que coloca em debate as opressões sofridas por sua classe nos mais diversos âmbitos. Para o trabalho de pesquisa serão destacados alguns poemas da coletânea, que possui sessenta e seis poemas. As abordagens teóricas que compõem a pesquisa buscam o diálogo entre os estudos da crítica e da teoria literária, teorias sobre o gênero textual poema, a poesia brasileira contemporânea e algumas concepções dos Estudos Culturais. Entre os teóricos utilizados estão: Staiger (1997), com um estudo sobre o gênero lírico; Rezende (2014), que traz concepções sobre a poesia brasileira contemporânea; Duarte e Lopes (2020), estudiosos das obra de C. Evaristo; Álos (2011), com crítica referente à obra de Evaristo; e Bordini (2009), que tece reflexões sobre os Estudos Culturais. Com relação à análise da imagem da mulher negra nos poemas serão utilizados os estudos de Ribeiro (2017), que apresenta reflexões relativas ao lugar de fala direcionado à mulher afro-brasileira, e Evaristo (2009) com sua visão analítica sobre a literatura negra. A análise do corpus literário buscará refletir, à luz das teorias pertinentes, sobre a imagem da mulher afro-brasileira expressa através de poemas. Logo, busca-se analisar as questões estéticas presentes nos textos e sua relação com a figura feminina afro-brasileira, um processo de análise que suscita indagações de cunho sociocultural.

  • ÉVERTON DE JESUS SANTOS
  • CANTO GENERAL E LATINOMÉRICA: DA GEOGRAFIA À HISTÓRIA, DAS PÁTRIAS À TRANSNAÇÃO
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 09/02/2021
  • Tese
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  • “Amor América (1400)”, primeiro poema de Canto general (1950), epopeia escrita pelo chileno Pablo Neruda, vincula simbolicamente o ser americano com o amor; já “PátriAmérica”, poema em meados da epopeia Latinomérica (2001), do brasileiro Marcus Accioly, é uma declaração de integração do continente americano como pátria una. As duas obras centralizam o relato na América Latina, tratando-a como comunidade e estabelecendo diálogos entre seus países; assim, partindo dessa percepção, esta tese objetiva estudar a constituição do plano histórico das obras corpora quanto a seu conteúdo geográfico e histórico, por meio de categorias, elementos e quantidade de ocorrências, de modo a chegar a traços identitários indicativos da existência de uma transnação latino-americana, na qual a perspectiva de abertura e alargamento, bem como de união e partilha, se dirige para além das fronteiras nacionais. Para tanto, estabeleceu-se como campo teórico-crítico a Literatura Comparada, pois as relações culturais na América Latina têm se ampliado a partir do comparativismo, e promover o diálogo entre os poemas épicos faz parte do escopo deste estudo; ademais, como procedimentos metodológicos nesta pesquisa, que pode ser caracterizada como básica pura, com enfoque qualitativo e quantitativo e objetivo exploratório, foram adotados os seguintes: buscas de materiais – livros e textos acadêmicos – na internet sobre os poemas, os poetas e temas relacionados ao épico; leituras das epopeias, mapeamento e cálculo de quantidade de referentes, com a posterior divisão em categorias e a produção de quadros; além do estudo dos recortes – versos e estrofes – a partir de referencial levantado. Quanto à elaboração das análises, isso demandou a utilização de referenciais de diferentes vertentes teórico-críticas e áreas do conhecimento, como Geografia, História, Ciências Sociais, com foco em estudiosos/as e intelectuais latino-americanos/as, privilegiando um lócus de enunciação literariamente construído na região; além disso, fez-se uso de histórias da América Latina e do Brasil, de textos sobre a conquista, a colonização, a invenção do continente, a mestiçagem, as ditaduras, o subdesenvolvimento, a integração, além, claro, da Literatura e outros temas. Foi possível, por meio da operacionalização de conceitos como identidade, transnação, epos, heroísmo e anti-heroísmo, Pátria Grande, raça cósmica, povo, criar uma representação da latino-americanidade como sistema simbólico que, em Canto general e Latinomérica, é mobilizado para estabelecer a identificação entre os países a partir do compartilhamento de realidades históricas comuns (como a conquista, o sistema colonial e os regimes militares) e da contiguidade geográfica, como também se nota a inversão entre a posição dos vencidos e vencedores da História oficial, num revisionismo que coloca aqueles em evidência, especialmente heróis individualizados e o povo, o sujeito/herói coletivo, a quem os poetas, transfigurados nos eus líricos/narradores, ouvem e por quem falam. Com isso, sobressai o caráter de luta, resistência e esperança, que leva a pensar a América Latina, a partir de Neruda e Accioly, como uma união de nações, mas, sobretudo, como uma só pátria, uma transnação, que, para além dos projetos de integração, é expressa pelo signo da unidade geoistórica nas duas epopeias, daí nossa contribuição no sentido de valorizar tanto o gênero épico quanto as relações interamericanas pela Literatura.

  • JEANE CAROZO ROCHA
  • REPRESENTAÇÕES VERBO-VISUAIS DA CIDADE DE ARACAJU EM FOLHETOS DE CORDEL
  • Orientador : ALBERTO ROIPHE BRUNO
  • Data: 08/02/2021
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivo discorrer acerca de representações da cidade de Aracaju na Literatura de cordel, por meio de análises das linguagens verbo-visuais de seus folhetos, valorizando aspectos como: espaços, memórias, símbolos, personagens populares e personalidades. Para isso, foram escolhidos os folhetos de cordel História de Aracaju (2006), Aracaju ontem e hoje! (2014) e Aracaju como eu vejo (2014). A fim de alcançar tal objetivo, tomou-se como referencial teórico, na investigação e nas análises realizadas, quanto aos aspectos cultura, culturas erudita, de massa e popular, Lopes (1983), Laraia (1986), Burke (1989), Lara (2004), Arantes (2006), Correa, Correa e Anjos (2011); quanto à Literatura de cordel, por sua vez, Diégues Jr. (1975), Tavares (1998), Assaré (2000), Andrade (2005), Fortaleza, Viana e Viana (2005), Silva (2012), Morais (2013), Bento e Diniz (2014), Filho (2015), Melo (2016), Freitas, Nascimento e Freire (2017), Nascimento (2018) e Mendonça (2018); quanto ao elemento espaço, Dimas (1985); quanto à cidade de Aracaju, Cabral (1948), Alves (2003) e Alves e Schomacker (2013); quanto ao aspecto linguagens verbo-visuais na Literatura de cordel, Roiphe (2011, 2013); quanto à memória, Moisés (1974), e, por fim, quanto aos aspectos personalidades e símbolos, Silva (2014). No que se refere aos procedimentos metodológicos, trata-se de uma pesquisa qualitativa que recorreu às mais variadas fontes, tais como: artigos científicos, dissertações, folhetos de cordel, livros e teses, bem como visitas a bibliotecas, museus, pontos de venda de folhetos, caminhadas culturais em variados pontos da cidade de Aracaju que foram percorridos, além da participação em diversos cursos, minicursos e oficinas, tudo isso com o intuito de coletar informações acerca do objeto de pesquisa. Por fim, como resultados deste trabalho, fruto das análises dos elementos culturais, históricos, religiosos, turísticos e simbólicos dos folhetos, constatou-se a existência de uma representação da cidade de Aracaju no primeiro folheto de forma linear, ou seja, desde seu surgimento, passando por uma época de desenvolvimento, chegando aos dias atuais; segundo, da leitura simultânea das linguagens verbal e visual, do uso de figuras de linguagem como anáforas, gírias, metáforas e prosopopeia ou personificação e dos elementos relacionados acima, foi possível obter como resultado a montagem de uma representação de Aracaju partindo de folhetos de cordel considerados documentos autênticos e não por meio de livros didáticos como normalmente é feito; para terminar, trata-se de mais um estudo que teve a preocupação de contribuir com a permanência da Literatura de cordel no meio acadêmico, ratificando o valor dela a partir da demonstração dos seus principais aspectos, sobretudo no que tange à simultaneidade das leituras verbo-visuais que compõem os folhetos ainda não firmados e difundidos nos estudos da Literatura de cordel demonstrados nas análises das representações da cidade de Aracaju, como feito nesta pesquisa, fruto da criatividade dos poetas populares.

  • ANDRÉA MENDONÇA CUNHA
  • SAPATÃO, LÉSBICA, CAMINHONEIRA, LADY, BUTCH: O QUE VOCÊ QUEER? UMA ANÁLISE DA (DES)CONSTRUÇÃO DO ETHOS DA MULHER LÉSBICA EM CANAIS DO YOUTUBE
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 05/02/2021
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa tem o objetivo de analisar a construção de ethé lesbianos a partir do discurso da própria comunidade lésbica. Interessam-nos as relações de poder que atravessam a construção da lesbianidade e as estratégias que são mobilizadas pela sociedade para reafirmar a lógica binária de gênero, os padrões de feminilidade e a hetero-cis-normatividade que impõem uma corporeidade prévia e esperada da sapatão. Sendo assim, analisar os discursos da própria comunidade apresentou-se como um caminho para verificarmos se essa lógica hetero-cis, em alguma medida, é reproduzida ou questionada entre as lésbicas. Para tanto, selecionamos como corpora discursos em vídeos e em comentários veiculados por mulheres lésbicas no YouTube, visto que a plataforma mantém sua popularidade e influência, ainda que depois de mais de 10 anos de sua criação, e, portanto, atua na negociação de identidades, inclusive, daquelas descritas como subalternas. À luz dos estudos retóricos, neo-retóricos e discursivos, elencamos o conceito de ethos, definido, de forma geral, como a construção da imagem de si pelo orador/enunciador em seu próprio discurso, como elemento principal desta pesquisa, assim, consideramos Maingueneau (2001; 2008), Amossy (2013), Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014) e Aristóteles (2011) como os principais estudiosos para esta teorização. Por tocarmos em questões de gênero e sexualidade, recorremos a Louro (1997; 2018), Butler (2007; 2019) Halberstam (2008) e Foucault (2017), a fim de tratarmos de aspectos ligados à hetero-cis-normatividade e às suas relações de poder. Por meio da análise dos corpora, os resultados apontam para a recorrência de valores, lugares do preferível, lugares da quantidade e da qualidade, hierarquias e lugares-comuns na construção de um ethos estereotipado a respeito da lésbica. Vimos que essas estratégias persuasivas foram mobilizadas pelas youtubers, no vídeo 1, para confrontar a discriminação pautada na masculinidade ou feminilidade dos corpos lesbianos dentro da própria comunidade lésbica. Já no vídeo 2, deparamo-nos com o reforço, principalmente por meio dos lugares da quantidade e da qualidade, de uma performance e corporeidade lesbianas discriminadas em níveis de masculinidade ou feminilidade, sendo que elas assumem uma relação de hierarquia e aceitabilidade dentro de um padrão hétero-cis.

  • ELTON JÔNATHAS GOMES DE ARAÚJO
  • O QUE A PENUMBRA PERMITE VER: Uma leitura da coletânea de contos João Urso, de Breno Accioly
  • Orientador : VALTER CESAR PINHEIRO
  • Data: 27/01/2021
  • Dissertação
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  • Breno Accioly (Santana do Ipanema/AL,1921 — Rio de Janeiro/RJ, 1966) estreou no cenário literário brasileiro no final de 1944 com a coletânea de contos João Urso. A obra, muito bem acolhida pela crítica, recebeu diversos elogios em periódicos da época. Nomes como Mário de Andrade, José Lins do Rego, Lúcio Cardoso, Sérgio Milliet e Roger Bastide comentaram sobre a escrita do contista. Além disso, o volume foi laureado com os prêmios Graça Aranha, da Fundação Graça Aranha, e Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras. O alagoano, que se cercara de amigos renomados, como Graciliano Ramos, Lêdo Ivo, Mauro Mota e Gilberto Freyre, caiu no esquecimento com o passar das décadas. Ele lançou ainda mais quatro livros, Cogumelos (1949, contos), Maria Pudim (1955, contos), Dunas (1955, romance) e Os Cata-ventos (1962, contos), mas nenhum deles obteve tanto sucesso quanto a obra de estreia. É sobre João Urso (1944) que se debruça esta pesquisa. Compreendendo a importância da obra e de seu escritor na literatura nacional, investigam-se neste estudo as dez narrativas que compõem o volume. Faz-se necessário, no entanto, apresentar preliminarmente o perfil biobibliográfico do escritor, cuja notoriedade escapa ao leitor atual, e examinar, apoiando-se na tipologia estabelecida por Genette (2018), as quatro edições — e todo o aparato paratextual (capas, prefácio, dedicatórias e epígrafes) — que a obra ganhou até o presente. Para a análise das vozes narrativas, trabalho que constitui o segundo capítulo desta dissertação, recorre-se aos estudos de Friedman (2002), Leite (1987), Carvalho (2012) e Dal Farra (1978). Intenta-se, por fim, investigar, no conto “João Urso”, a focalização do espaço a partir do qual o narrador vê e apresenta o protagonista da narrativa. Esta leitura ampara-se nos estudos de Brandão (2013), Lins (1976), Blanchot (2011) e Gomes (2008).

2020
Descrição
  • JOSE MANOEL SIQUEIRA DA SILVA
  • Variação no preenchimento da posição determinante antes de possessivos pré-nominais: padrões dialetais e contatos
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 11/12/2020
  • Dissertação
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  • O português brasileiro varia quanto ao preenchimento da posição determinante em contexto de possessivo pré-nominal, como “ontem vi seu irmão” e “ontem vi o seu irmão”. Pesquisas com dados orais evidenciam que esse fenômeno é um marcador dialetal, com falantes das regiões Nordeste não preenchendo mais do que aqueles do Sul e Sudeste (SILVA, 1982; 1998a; 1998b; CALLOU; SILVA, 1997; CAMPOS JR., 2011; GUEDES, 2019; PEREIRA, 2017; SEDRINS et al.; 2019; SIQUEIRA, 2020b), além de que falantes de um dialeto, inseridos em uma nova comunidade, adotam o comportamento linguístico do novo grupo social quanto à variação (GUEDES, 2019). Como resultado das políticas de expansão na educação superior promovidas na última década no Brasil, a Universidade Federal de Sergipe (UFS), Campus Prof. José Aloísio de Campos, em São Cristóvão, SE, recebe estudantes que migram de suas comunidades para estudar. Esses estudantes vêm de variados lugares – como de estados vizinhos ou do interior do próprio estado – interagem entre si e têm contato com dialetos diferentes do seu, podendo adotar novas formas linguísticas em seu repertório, ou difundir formas de sua comunidade de origem. Com base nisso, neste trabalho, objetivamos descrever os usos do não preenchimento da posição determinante em contextos de possessivos pré-nominais na fala de estudantes da Universidade Federal de Sergipe, levando em conta a sua região dialetal de origem, aqui analisadas Alagoas, Bahia e Sergipe, e a sua integração na comunidade da UFS, questionando se o não preenchimento da posição determinante em contextos de possessivo pré-nominal é sensível ao fator dialetal e a integração na comunidade. Nossa hipótese é a de que o fenômeno apresenta distinção dialetal e os falantes tendem a adaptar o seu comportamento linguístico, de modo em que o número do não preenchimento será menor ao final do curso, como resultado da integração ao ambiente acadêmico e do contato entre diferentes variedades. Utilizamos como método o descritivo/inferencial e o aporte teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008), conciliando com aspectos espaciais e de contato (BRITAIN, 2006; 2008; 2019; CHAMBERS; TRUDGILL, 2004). Como corpus, utilizamos a amostra sociolinguística Deslocamentos (2019/2020), que conta com a fala de universitários da UFS, estratificada considerando seu acesso ao campus em termos de deslocamento, tempo no curso e sexo/gênero. Controlamos como preditoras da variação fatores extralinguísticos, como deslocamento, tempo no curso, índice de integração e sexo/gênero, e fatores linguísticos, como tipo de sintagma, tipo de possessivo, status informacional, função sintática, definitude e valor semântico. Os resultados apontam o predomínio do não preenchimento da posição determinante em contexto de possessivos pré-nominais, com 56% (1309/2326), associado ao gênero do possessivo quando masculino, flexionado no singular e plural, em sintagmas nominais e em sintagmas preposicionados com preposições que não contraem, em informações dadas e inferíveis, em sintagmas definidos, nas funções que não levam preposição e com valor semântico de pessoa. Os resultados dos fatores extralinguísticos evidenciam que a variação no preenchimento da posição determinante é sensível ao fator dialetal, com Sergipe e Alagoas predominando o não preenchimento, e Bahia predominando o preenchimento, e é sensível à inserção à comunidade considerando seu tempo de curso, na medida em que ao final do curso o predomínio do não preenchimento é menor.

  • JAILMA SIRINO SANTANA
  • O FAZER E O REFAZER DO CAMINHO: UMA LEITURA MITICOSSIMBÓLICA DA OBRA ANA Z., AONDE VAI VOCÊ? DE MARINA COLASANTI
  • Orientador : ANA MARIA LEAL CARDOSO
  • Data: 30/11/2020
  • Dissertação
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  • O presente estudo tem como principal objetivo realizar uma análise míticossímbolica da novela Ana Z. Aonde vai você?De Marina Colasanti, considerando as ações da protagonista Ana Z, a presença de objetos simbólicos e linguagem igualmente simbólica dispersos ao longo da narrativa que, ao nosso olhar, ilustram o ciclo narrativo da partida e retorno da personagem quanto a sua busca por identidade, assemelhando-se ao mito do herói estabelecido por Joseph Campbell: a jornada do herói mítico. Tal jornada inicia-se com a motivação da partida, seguindo-se da passagem pelo limiar dos dois mundos, em que precisa superar diversas provas ao longo até conquistar um ‘troféu’, isto feito, deve retornar ao lugar de origem, está presente em diversas literaturas. Para configurar a nossa proposta, seguiremos amparados pela mitocrítica de Mircea Eliade e Joseph Campbell, além dos estudos de E. Mielietinski. Nos baseamos também no que apresenta Nelly Novaes Coelho a respeito do mito e da linguagem simbólica nas obras de literatura infanto-juvenil. E consoante a essas teorias, procuramos também promover diálogos sobre os aspectos do inconsciente estudados por Carl Jung, sempre que possível. Almejamos alcançar o objetivo da pesquisa a partir de uma leitura simultânea entre teoria e obra, apresentando a narrativa e pontuando se as fases da Jornada do herói estão – ou não – presentes na novela Ana Z, Aonde vai você? Embora Marina Colasanti seja conhecida e suas obras infantojuvenis estudadas, acreditamos que a nossa pesquisa contribuirá para expandir a fortuna crítica da referida autora.

  • NAUAN SOUZA SILVA
  • A ÉTICA NO CAMPO MIDIÁTICO: INFLUENCIADORES DIGITAIS NA REDE SOCIAL INSTAGRAM
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 27/11/2020
  • Dissertação
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  • O uso de redes sociais está cada vez maior, gerando novas formas de renda como o surgimento de influenciadores digitais,youtubers, coaches etc., e consequentemente levantando questionamentos sobre a ética dos usuários de redes sociais. Nesta pesquisa, a mídia social em evidência é o Instagram e seus instagrammers, em especial cinco influenciadores digitais, cujos critérios de escolha foram a quantidade de seguidores e o fato de residirem em Aracaju. O presente trabalho tem por objetivo investigar sobre a ética dos influenciadores digitais com foco na sociedade maquínica (NOVAES, 2003) e na sociedade do espetáculo em que estamos inseridos nos dias atuais. E tem como base autores como Novaes (2003), que investiga sobre manipulação da ciência quanto ao homem e suas consequências; Butler (1990) e Pennycook (2006) com estudos sobre perfomatividade e identidade; Debord (1967) e Jenkins (2009), que abordam sobre a era da tecnologia e uso de mídias sociais de maneiras distintas; e Bauman (2018) e James (2014) que levantam teorias sobre a ética e moral na sociedade. Em suma o presente trabalho se propõe a investigar sobre a ética desse ator social que atua no âmbito digital e que tem influência sobre outras pessoas, em especial seus seguidores.

  • GISELA REIS DE GOIS
  • SOUTH AMERICA MI HIJA: UMA VIAGEM ÉPICA PELA AMÉRICA do Sul
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 29/10/2020
  • Tese
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  • Esta tese tem como objetivo analisar, criticamente e de forma inédita, o poema South America Mi Hija (1992), da estado-unidense Sharon Doubiago, a partir de dois focos principais: as características épicas da obra e a relevância da presença de notas explicativas no poema, que narra uma viagem realizada por uma mãe e sua filha pela América do Sul, que marca o encontro de ambas com o passado histórico e mítico e a busca por narrativas das mulheres que ficaram perdidas no percurso da História. A obra apresenta um paralelismo com a viagem vertical de Perséfone em direção ao mundo de Hades; a viagem de Deméter, que se desloca horizontalmente, procurando a filha; e a viagem da mãe e filha, que percorrem trechos do continente, verticalmente, do Norte ao Sul. Acerca das notas explicativas, a abordagem discorrerá sobre os dois sentidos dessa presença. Por meio de método qualitativo, primeiramente, será analisada, teórica e criticamente, a função das notas de promover a compreensão dos referenciais históricos e míticos – dentre outros – de epopeias. Em seguida, e mais especificamente no caso do corpus em análise, a abordagem discorrerá sobre a concepção criativa do poema e sobre a própria presença de referentes ligados à América do Sul. A base teórica principal para essa pesquisa é o estudo teórico e crítico de poemas épicos, como os realizados por Anazildo Vasconcelos da Silva, Bernard Schweizer, Christina Ramalho e Fabio Mario da Silva, dentre outros. Esses autores serão essenciais para a composição do primeiro capítulo, em que South America Mi Hija será analisada segundo as categorias presentes na poesia épica. No segundo capítulo, observarei como a viagem em South America Mi Hija permite que se conheça mais sobre os povos sul-americanos, visto que, por meio das personagens que assumem o papel de viajantes, o poema usa a pulsão da errância para questionar quais são as reais prioridades do indivíduo atual, tão pautado pelo consumismo capitalista e tão ausente de experiências imateriais. Ainda no segundo capítulo, será apresentada uma discussão sobre a relevância das notas explicativas para a compreensão dos referentes históricos, mitológicos, etc. de epopeias. Para fundamentar a abordagem e a análise das notas presentes em South America Mi Hija, recorrerei a Paratextos Editoriais, de Gérard Genette (2018) e As origens trágicas da erudição, de Anthony Grafton (1998). A hipótese que defendo é que tais referentes são dados imprescindíveis à leitura épica e à leitura da América do Sul. Por conseguinte, esse estudo procura contribuir com as pesquisas sobre a produção de poemas épicos de autoria feminina e a popularização deles. Espero, ainda, auxiliar nas discussões sobre as notas de rodapé em epopeias, dimensionando como tal paratexto pode ser relevante para o entendimento da concepção criativa e conhecimento sobre diferentes culturas, e, no caso da obra, sobre as mulheres e a América do Sul. Por isso, como uma das contribuições dessa pesquisa, planisférios sobre a jornada em South America Mi Hija foram feitos para melhor entendimento da obra e da geografia da América do Sul, configurando também a presença de um método quantitativo. A tese, primeira defendida no Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Sergipe, visa a configurar-se como fortuna crítica inaugural dessa obra de Doubiago no Brasil.

  • ALISSON FRANÇA SANTOS
  • Discurso, Mídia e Ensino: Processos de Objetivação/Subjetivação no Movimento Escolar do Brasil Contemporâneo
  • Orientador : MARIA EMILIA DE RODAT DE AGUIAR BARRETO BARROS
  • Data: 31/08/2020
  • Dissertação
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  • A presente pesquisa tem como objeto o discurso produzido pelo movimento escolar no Brasil contemporâneo. Para tanto, aludimos, inicialmente, a dois Projetos de Lei (doravante PL), cujas tramitações datam dos anos de 2015 a 2019, como partes das condições de emergência de um conjunto de enunciados desencadeados no ciberespaço. O primeiro, o PL 7800/2016, aprovado em votação pela Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE-AL) em 2015, mas suspenso em 2017, pelo Supremo Tribunal Federal (STF); o segundo, o PL 867/2015, submetido à Câmara dos Deputados em 2015, arquivado anos depois, em 2019. Tais projetos, a despeito de suas especificidades, propunham em comum o “combate à doutrinação”, a punição de professores “por propagação de conteúdo ideológico”. A nossa hipótese é a de que esses diferentes PLs se configuraram como um acontecimento que institucionalizaram os dizeres desse movimento, produzindo uma dispersão de seus enunciados na esfera digital, sobretudo, nas redes sociais. Por essa razão, investigamos o discurso em pauta na página “Escola sem Partido”, presente na plataforma virtual do Facebook. E, com o fim de nortear a nossa pesquisa, elaboramos algumas perguntas decorrentes da problemática apresentada, quais sejam: que saberes são mobilizados pelo discurso do Escola sem Partido e qual a historicidade desses saberes? Por meio dos saberes mobilizados pelo discurso em análise, quais práticas discursivas e não discursivas são perpetuadas? Finalmente, considerando o conjunto de práticas e a mobilização de saberes no discurso do Escola sem Partido, que regularidades podem ser encontradas nos diferentes enunciados examinados? Tais questões apresentaram-se como ponto de partida para a nossa pesquisa, a fim de compreendermos processos de objetivação/subjetivação produzidos pelo movimento escolar do Brasil contemporâneo, em que discurso, mídia e ensino estão conjugados. Para a realização deste trabalho, nossos corpora foram constituídos de dois materiais: o primeiro deles são os artigos 4º e 5º do PL. 867/2015, que tratam dos deveres do professor e do espaço de regulação desses dizeres em sala de aula. O segundo é composto de dez publicações coletadas da página “Escola Sem Partido” na plataforma virtual do Facebook, entre os anos de 2016 e 2019. A análise está fundamentada nos postulados de Michel Foucault ([1969] 2014, [1970] 2014, [1975] 2010), com contribuições de Deleuze (1996), Gregolin, (2015) e Milanez (2019), visando a uma perspectiva de análise “arquegenealógica” do discurso. Finalmente, a nossa pesquisa está amparada em uma abordagem de natureza qualitativa, visto que o interesse de nosso trabalho repousa no caráter subjetivo do objeto analisado.

  • DAYNARA LORENA ARAGÃO CÔRTES
  • Identidades sociorraciais nas escrevivências carolinianas
  • Orientador : JEANE DE CASSIA NASCIMENTO SANTOS
  • Data: 28/08/2020
  • Dissertação
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  • A pesquisa em relevo busca analisar os trajetos das protagonistas do diário Quarto de despejo (1960) e do romance Pedaços da fome (1963), ambos de Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Percorrendo a escrita caroliniana, destacamos os traços de semelhanças e de contrastes que envolvem a confecção das experiências sociorraciais em De Jesus e Maria Clara. Desse modo, a abordagem concentra-se no estudo da representação do cortiço e da favela, a partir das marcas identitárias empreendidas nos enredos. Logo, no tocante ao contorno comparativo, alicerçamo-nos nas reflexões de Sandra Nitrini (2010, 2018). Em menção à contextualização da produção da autora, inserida no âmbito da “literatura afro-brasileira” e da “literatura periférica”, trouxemos para a conversação Zilá Bernd (1988), Cuti (2010), Eduardo de Assis Duarte (2005, 2013) e Mário Augusto da Silva (2013). Para explicar as dimensões do corpo-espaço e do espaço-ambientação, entre outros nomes, foram fundamentais as pesquisas desenvolvidas por Elódia Xavier (2007), Lourdes Carril (2006), Luis Alberto Brandão (2013), Regina Dalcastagnè (2015), Osman Lins (1976) e Antonio Candido (1993). Diante disso, concluímos como a apreensão e a representação da cidade de São Paulo permanecem aliadas aos registros de mobilidade territorial por via das disparidades entre o núcleo urbano e as margens. Além disso, por meio da análise comparativa, como as obras em destaque espelham conflitos raciais, percebidos por meio de permanências (neo)coloniais entre personagens.

  • KAROLINE GANDOLPHO GARCEZ
  • A IDENTIDADE DO ALUNO-ADOLESCENTE NO AMBIENTE ESCOLAR E NAS REDES SOCIAIS
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 28/08/2020
  • Dissertação
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  • O estudo sobre os adolescentes está crescendo na sociedade atual. Pensando-se nisso, o presente trabalho está pautado no estudo sobre a identidade dos adolescentes, baseando-se na abordagem qualitativa-interpretativista, e busca compreender como se configuram as identidades do aluno-adolescente no ambiente escolar e nas redes sociais e de que forma elas se diferem ou se entrecruzam. Para isso, foi criado um grupo no whatsapp com os alunos de uma escola particular de Aracaju-SE, para debater sobre tópicos que fazem parte do seu cotidiano. Além disso, foram assistidas algumas aulas que abordavam sobre os mesmos tópicos discutidos no whatsapp. A identidade do adolescente é analisada utilizando autores como Bauman (2005, 2018) e Gee (2004) dentro do ambiente escolar, considerado um ambiente offline, e das redes sociais, consideradas um ambiente online. Uma análise é feita da conversa do whatsapp e das aulas assistidas utilizando-se as três noções de identidade de Gee (2004): a identidade real (a identidade do dia-a-dia, que de acordo com o próprio autor pode ser múltipla), a virtual (é a que se assume em ambientes virtuais, que pode ser totalmente diferente da identidade real) e projetiva (quando a pessoa projeta os valores e desejos no personagem virtual). Além disso, algumas adaptações foram feitas nesses conceitos para uma melhor compreensão das identidades nesse trabalho. Portanto, a identidade virtual seria quando os adolescentes a assumem quando podem ou precisam, mas que nem sempre é aceita; a identidade real seria a que eles demonstram no seu dia-a-dia; e a projetada pode ser considerada uma mistura entre a virtual e a real em certos momentos. Ao final do trabalho, é apresentada uma análise sobre as identidades de cada aluno adolescente participante da pesquisa com base nos conceitos acima expostos.

  • JOSEFA GILVÂNIA BARBOSA SOUZA RODRIGUES
  • TÍTULO: O PROCESSO DE INCLUSÃO DOS ESTUDANTES SURDOS NO INSTITUTO FEDERAL DE SERGIPE: uma análise sob a perspectiva da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 27/08/2020
  • Dissertação
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  • Quando consideramos as questões sociais que envolvem a comunidade surda e o acesso ao ensino no Brasil, vemos que, apesar dos avanços legais, ainda existem entraves para se efetivar a inclusão, seja na rede educacional pública ou privada. Por conta disso, no presente trabalho, nos propusemos a pesquisar o processo de inclusão dos estudantes surdos no Instituto Federal de Sergipe (IFS), no período de 2014 a 2018, através das ações afirmativas promovidas pela instituição e, principalmente, pela análise documental, abrangendo memorandos e decisões judiciais que tratam da contratação de Intérpretes de Libras, pelo IFS, para auxiliar os alunos. Pelo viés teórico da Análise Crítica do Discurso (ACD), procuramos compreender como as escolhas lexicais podem influenciar na compreensão do discurso, o qual pode evidenciar, nas entrelinhas, relações de poder, desigualdade social, cerceamento de direitos e disparidade entre a lei e as práticas institucionais. Nesta pesquisa qualitativo-interpretativa, nos valemos do legado teórico de autores ligados à Análise Crítica do Discurso, como Fairclough (1989, 1992, 2001, 2003, 2008), Van Dijk (1997, 2008), Wodak (2003, 2009), Magalhães (2001), Ramalho (2006), Resende (2009) e Pedrosa (2012). Também recorremos aos estudos sobre a comunidade surda e a Libras empreendidos por Gesser (2009), Dorziat et al. (2011) e Souza et al.(2014), entre outros. Seguindo o percurso metodológico, para a análise discursiva textualmente orientada do corpus, fizemos considerações de cunho linguístico e sociodiscursivo. A vertente linguística foi amparada pela Gramática Sistêmico-Funcional, com seu sistema de Avaliatividade; já o critério sociodiscursivo foi oportunizado pela Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD), corrente nacional da Análise Crítica do Discurso. Esse diálogo analítico permitiu criar uma ponte para debatermos as demandas inclusivas, reafirmando as necessidades dos surdos em relação a uma educação igualitária e enfatizando os estudos dos sujeitos, identidades, ideologias e tipos de poder. Os resultados da pesquisa demonstraram que, entre 2014 e 2018, a principal barreira enfrentada pelos surdos que estudaram no IFS, foi a comunicacional, abrangendo desde a ausência do Tradutor e Intérprete de Libras até a contratação deste após iniciadas as aulas, prejudicando esses discentes. Verificamos, também, que essa não contratação ou a morosidade em contratar e a dificuldade em manter o Intérprete na instituição foram ocasionadas por barreiras atitudinais de gestão, aliadas a barreiras legais advindas da União. Ao final, propomos algumas alternativas para o Instituto Federal de Sergipe procurar sanar ou minimizar os problemas com o fornecimento do Intérprete de Libras, profissional indispensável para o processo de ensino-aprendizagem dos surdos. A intenção, com isso, é contribuirmos para otimizar o processo de inclusão dos estudantes surdos no IFS e viabilizar a educação de qualidade a que eles têm direito.

    (Suplente Interno: DORIS CRISTINA VICENTE DA SILVA MATOS

    Suplente externo: GUIANEZZA MESCHERICHIA DE GÓIS SARAIVA MEIRA)

  • PATRÍCIA MATOS CORREIA
  • ATOS DE REFERENCIAÇÃO: RECATEGORIZAÇÃO ANAFÓRICA CORREFERENCIAL EM CHAPEUZINHO VERMELHO
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 25/08/2020
  • Dissertação
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  • A Referenciação, tem sido vista como um fenômeno textual-discursivo em permanente reelaboração de referentes. Partindo de um paradigma que trata de como a linguagem pode referenciar o mundo, a presente pesquisa, embasada em estudos atuais da Linguística de Texto (KOCH, 2009), tem por objetivo geral discutir como crianças, com oito anos de idade, do 3º ano do Ensino Fundamental, recorrem ao uso de anáforas correferenciais (APOTHÉLOZ, 2003), para renomear o objeto de discurso “Chapeuzinho Vermelho”. A hipótese deste trabalho é a de que as crianças de séries iniciais, em atividades escritas, utilizam-se, frequentemente, desse tipo de anáforas para recategorizar objetos de discursoconcebidos numa dimensão sociocognitivo-discursiva, e não numa dimensão de propriedade intrínseca das palavras” (CAVALCANTE et al, 2017, p. 96). Para isso, apresentamos três objetivos específicos: (1) identificar e analisar, em textos escritos dessas crianças, formas linguísticas que funcionam como anáforas recategorizadoras do objeto de discurso “Chapeuzinho Vermelho”; (2) mostrar que esse tipo de anáfora serve de pistas para a reelaboração desse objeto; (3) levar o(a) professor(a) dessas séries iniciais a ver os registros escritos das crianças de maneira contextualizada, a partir de parâmetros linguísticos e não linguísticos. É nessa perspectiva que a constante reelaboração dos objetos de discurso põe o ato de referir num processo de estabilização constitutivo das categorias do lugar e do mundo (MONDADA; DUBOIS, 2003) sob um olhar de linguagem como ação social e cognitiva em contexto interativamente constitutivo. Atrelado ao exposto, apresentamos uma metodologia em que informamos ao público sobre o corpus e critérios para a investigação de dados com base na linguística de corpus (GIL, 2002; PRODANOV; FREITAS, 2013; MARCONI; LAKATOS, 2017). A partir das análises do corpus, verificamos que o processo de recategorização correferencial não acontece apenas por mecanismos lexicais explícitos, mas também por meio de implícitos que envolvem questões cognitivas, sociais, culturais, conhecimentos prévios para alcançar os objetivos do escritor. Diante dos resultados com as análises, apuramos a importância do processo da referenciação para o ensino, de forma especial, para a produção escrita nas séries iniciais do Ensino Fundamental, levando a criança a escrever seu próprio texto.

  • IRIS SANTOS DE SOUZA
  • DO LINGUÍSTICO AO SOCIAL: análise crítica do discurso da pessoa idosa vítima de violência intrafamiliar
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 19/08/2020
  • Dissertação
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  • Diante do crescente amadurecimento populacional brasileiro e do surgimento da categoria social Pessoa Idosa, esse tema é relevante no cenário atual. Por essa razão, nosso trabalho apresenta algumas ponderações acerca do envelhecimento e seu impacto na dinâmica social, bem como discute os desafios que os(as) idosos(as) enfrentam para uma longevidade saudável, em meio à discriminação contra velhos(as) e a visíveis desigualdades sociais que agravam a violência intrafamiliar contra essa categoria, em especial, contra as mulheres velhas (Abreu, 2017; AZEVEDO, 2016; BRASIL, 2014; CAMARANO; PASINATO, 2004; CAMARANO, 2013; CAMARANO; KANSO; FERNANDES, 2014; Debert, 1997, 1999, 2003, 2012; FALEIROS; PENSO; MORAIS, 2009; HOOKS, 2015; Karpf, 2015; MOTTA, 1999, 2012, 2014; Nuland, 2006, SILVA, 2015, 2016). Nosso estudo analisou textual e sociodiscursivamente 22 oitivas da mulher idosa vítima nas relações familiares, em maio de 2019, coletadas na Delegacia de Atendimento ao Idoso e à Pessoa com Deficiência (DEAIPD) de Aracaju-SE. Assim, pudemos refletir sobre os conflitos familiares guiados pelas dissimetrias de poder e ideologias entre gêneros e gerações, com ênfase na violência psicológica (BOURDIER, 1989, 2019; THOMPSON, 2011). Para tanto, nossa pesquisa qualitativa teve suporte no aporte teórico da Análise Crítica do Discurso e suas categorias de análise assim como das Ciências Sociais, da Psicologia, da Antropologia e do Direito (BATISTA; SATO; MELO, 2018; DAMACENO, 2013; FAIRCLOUGH, 2001, 2012; HIRIGOYEN, 2019; MINAYO, 2002, 2005, 2010, 2012; PEDROSA, 2005, 2012a, 2013; PIMENTEL, 2015; RAMALHO; RESENDE, 2011; ramos, 2019; scarance, 2019; WODAK; MEYER, 2015). A partir dos nossos dados, observamos que a prática social da violência intrafamiliar contra a pessoa idosa atinge principalmente as mulheres velhas na forma da violência psicológica, no ataque à sua honra por meio de ameaças e insultos verbais.

    (Profa Dra. Guianezza Mescherichia de Góis Saraiva Meira – suplente externo// Prof Dr. Vanderlei José Zachi – suplente interno)

  • ALAN SILVA DAS VIRGENS
  • (Re)construção identitária dos graduandos em Letras/Inglês: a questão da fluência
  • Orientador : ANTONIO PONCIANO BEZERRA
  • Data: 12/08/2020
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa visa discutir questões acerca da identidade dos graduandos do curso de Letras/Inglês da Universidade Federal de Sergipe, Campus São Cristóvão – SE. Levar-se-á em consideração as teorias sobre formação e reconstrução de várias identidades ao decorrer do tempo e das experiências vividas. Para isso nos apoiaremos em teóricos como por exemplo Stuart Hall (2006) que defende a hipótese de que todo indivíduo reconstrói e desenvolve outras identidades que se sustentam devido à determinada contextualização. A dificuldade encontrada destaca-se no obstáculo entre teorizar as identidades pessoais, linguísticas e profissionais, discutindo como o estudante organiza suas inúmeras personas em torno da formação de uma identidade docente. Esta pesquisa será composta por um corpus estruturado pelas respostas dos estudantes por meio da aplicação de um questionário em pesquisa de campo, pois para Lakatos e Marconi (2017) a pesquisa de campo “(...) é que se utiliza com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos sobre um problema (...)” (p. 203). Por meio deste, concluímos que não há maior precisão em se discutir problemas e questões pessoais, se não por meio de relatos reais dos indivíduos. Esta pesquisa faz-se importante para um maior entendimento, em vias reais de uso e aprendizagem da língua inglesa, por nativos do português brasileiro, no âmbito acadêmico da graduação, percebendo a (re) construção da identidade de professores em formação, em relação aos processos de aquisição da segunda língua. O que pode colaborar para que professores e alunos desenvolvam práticas saudáveis, auxiliando na construção de uma futura identidade docente. Considerando que o trabalho de um professor não se dá de um dia para o outro, mas é sim, fruto de um processo cronológico, que Stein (2013) caracteriza como de ampla complexidade, o objetivo desta pesquisa é compreender como se dá um possível processo de adaptação ou readaptação destes alunos, analisando as possíveis mudanças identitárias, (comportamento em sala de aula, objetivos traçados e desenvolvimento da autonomia), para se alcançar a desejada fluência no idioma para a prática docente, neste caso, o Inglês como Segunda Língua. Entretanto, se faz relevante a discussão acerca do material didático investigando o papel que ele ocupa na vida do professor, abrangendo ainda a área da linguística aplicada, por fazer relação as metodologias do ensino de línguas estrangeiras. O processo metodológico se iniciará pela escolha da turma que será do primeiro ou segundo período do curso, e a mesma turma será acompanhada até o final da escrita da dissertação. Como geralmente os cursos de stricto sensu, na categoria mestrado, apresentam duração de dois anos, as turmas escolhidas serão analisadas por, no mínimo, dois períodos, que será tempo suficiente para perceber os processos de evasão, no curso, desenvolvimento pessoal/profissional, conquistas e a identidade do docente, em relação ao tempo de curso. Do mesmo modo, os veteranos também serão entrevistados para que seja relatada a experiência de quem permaneceu até a fase final do curso. Assim, poderemos analisar, a fundo, quais os processos identificatórios que sofreram mudanças. Serão aplicados dois questionários com objetivos distintos para se obter os dados de forma mais precisa e fiel possível. Traremos também outros autores como Celani (2001) e Lima (2009) que teorizam e discorrem assuntos pedagógicos sobre a formação profissional do docente de língua estrangeira, para que possamos formar um arcabouço teórico resistente e forte a ponto de nos permitir a análise sucinta dos dados coletados.

  • LÍVIA SANTOS FERREIRA
  • A construção da subjetividade em Macabéa: Uma leitura de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 04/08/2020
  • Dissertação
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  • O objetivo desse trabalho é fazer uma análise de como se dá a construção da subjetividade na personagem Macabéa, do romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, publicado em 1977. Essa análise partirá da recepção crítica da autora, utilizando autores como Nádia Battella Gotlib, Benjamin Moser, Youdith Rosenbaum, dentre outros, além do conceito de subjetividade, o que se dará através de observações nos campos filosófico e literário. Traremos a origem do conceito de subjetividade partindo dos filósofos pré-socráticos, entrando também na questão da subjetividade no Romantismo e em aspectos marcantes do romance moderno-contemporâneo. O romance sobre o qual nos detemos, que parte da narrativa sobre a nordestina Macabéa, a princípio é marcado pelo fluxo de consciência, que é uma característica dos escritos claricianos. Além do fluxo de consciência e da busca pela compreensão da existência humana, trazida pelo narrador Rodrigo S.M., o ontologismo e a incompletude da experiência humana são marcas da literatura de Clarice sobre o qual se erguem elementos da subjetividade. Fazemos uma análise a partir das características da escritora e dos seus textos, da metalinguagem, da epifania, da experiência interior até chegarmos à subjetividade de Macabéa, cruzando sua trajetória com a busca do narrador Rodrigo S.M. pela compreensão de si. Tomemos como auxílio teórico considerações de Márcia Lígia Guidin (2002), Anatol Resenfeld (1985), Jena Laura da Cunha Santos (2000), dentre outros.

  • MARIA CAROLINA DE MELO ROSA
  • Discursos sobre o aborto na França: processos de ressignificação no discurso feminista e no discurso religioso
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 17/06/2020
  • Dissertação
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  • Nessa pesquisa, interessamo-nos pelos discursos de dois grupos antagônicos produzidos entorno da passeata Marche pour la vie em 2019 cujo foco é a criminalização do aborto na França. No entanto, nosso objetivo ultrapassa a mera oposição entre o posicionamento discursivo e ideológico do grupo de organizadores do evento, declaradamente apoiados pela Igreja católica, e o grupo Witch Block Paname, associado à militância feminista. Analisamos como a mulher e a prática reprodutiva são significadas nesses discursos, o que nos permite compreender em que se baseiam os organismos que ameaçam os direitos das mulheres e como se dá a renovação do movimento feminista face a esses ataques. Para tanto, filiamo-nos à análise de discurso de orientação francesa, tendo como principal base teórica os escritos de Pêcheux e de Orlandi. Como em análise de discurso não há uma metodologia pronta, construímos um dispositivo analítico mesclando as categorias da teoria materialista do discurso com conceitos desenvolvidos pelos estudos feministas (, com destaque para a crítica ao androcentrismo, a noção de performatividade de gênero e para a domesticação dos corpos femininos. Em nossos resultados parciais, observamos como, de um lado, o discurso católico se mostra atravessado por discursos patrióticos, conservadores e normativos, que se pautam no androcentrismo para significarem o aborto como um crime e a maternidade como constitutiva da mulher. De outro lado, o discurso feminista observado nos enunciados do grupo Wich Block Paname representa uma nova identificação que surge no meio feminista associada a ressignificação da bruxa como símbolo de empoderamento feminino. Símbolo que é, ao mesmo tempo, reproduzido em meio a discursos anarquistas que questionam a autoridade do Estado e da Igreja.

  • ISABELA BATISTA DOS SANTOS
  • CORPOS D’MOÇAMBIQUE: PROSTITUIÇÃO E ASSIMILAÇÃO EM O ALEGRE CANTO DA PERDIZ
  • Orientador : JEANE DE CASSIA NASCIMENTO SANTOS
  • Data: 05/06/2020
  • Dissertação
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  • RESUMO

    Neste trabalho, ecoamos a voz de uma mulher negra moçambicana, a escritora Paulina Chiziane, e temos como objeto seu romance O alegre canto da perdiz, publicado em 2008, a partir do qual centramos na leitura das situações coloniais de opressão, marcos do colonialismo na vida das colonizadas e dos colonizados que são decisivos para seus destinos. Faremos, então, a análise da vida de personagens, em O alegre canto da perdiz (2010), almejando observar como as problemáticas da assimilação, da prostituição e de outras formas de violência se introduzem no universo literário de Chiziane, visto que são questões que fazem parte da sociedade moçambicana colonial. Para tanto, problematizamos em torno da constituição de sentidos sobre essas situações e a respeito do tom otimista diante de tantas desgraças na vida das personagens analisadas. Como aporte teórico, utilizamos autores – a exemplo de Albert Memmi (1967), Frantz Fanon (1968), George Balandier (2011), Homi K. Bhabha (2013) e José Luís Cabaço (2007) – que contribuem para embasar reflexões sobre a situação colonial, as imagens do colonizador e do colonizado, os estereótipos instaurados e as especificidades históricas e literárias de Moçambique. Posto isso, percebemos que a prostituição e a assimilação proporcionam destinos cruéis de apagamento de si mesmo e serviço pleno ao regime colonial, e, para sair disso, é necessária a tomada de consciência que, para as personagens analisados, vem após inúmeras perdas. Perante isso, notamos que Chiziane aborda que a resistência é o melhor caminho, haja vista que se entregar ao Sistema prolonga sofrimentos e subjugações, ao passo que resistir abre espaço para a liberdade.

    Palavras-chave: O alegre canto da perdiz. Colonialismo. Moçambique. Violência.

  • PEDRO SANTOS DA SILVA
  • NOMEAÇÃO NO BAIRRO JARDINS/ARACAJU-SE: DISCURSO E HISTÓRIA NO PROCESSO DE DETERMINAÇÃO DO SUJEITO
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • Este trabalho é sobre o processo discursivo e histórico da nomeação no Bairro Jardins/Aracaju-SE. O aporte teórico é da Análise do Discurso francesa com as noções de interdiscurso, formação ideológica, formação discursiva, memória e acontecimento discursivo para tratar do sujeito a partir de M. Pêcheux (1997) e E. Orlandi (2009) e de sua determinação histórica com C. Haroche (1992). Perguntamos como se dão os efeitos de sentido no processo histórico de nomeação do bairro. Em termos metodológicos, organizamos o corpus empírico selecionando um conjunto de diferentes mapas para análise com o trabalho de E. Guimarães (2005), o que possibilita discutir o método na construção do arquivo. Também tomamos como parâmetro o Quadro de Taxionomias Toponímicas de M. Dick (1990). O trabalho se justifica por ser um percurso de pesquisa que contribui em termos teóricos e práticos para o ensino da leitura, da escrita, da linguagem e do discurso a partir da nomeação de lugar. No primeiro capítulo, apresentamos um trajeto teórico para problematizar a determinação do sujeito pelo processo discursivo e pela história. No segundo capítulo, apresentamos um trajeto teórico/metodológico que mostra o percurso de construção do arquivo e do método discursivo. No terceiro capítulo, realizamos um percurso analítico que expõe os efeitos de sentido em funcionamento. Observamos que a posição do sujeito é determinada por diferentes discursos. Observa-se que a determinação se dá pela predominância do discurso eurocêntrico em relação de sentido com o discurso brasileiro, da colonização, da política, do patriarcalismo e do colonialismo. Vê-se nesse processo, a repetição histórica dos discursos sob o ponto de vista da classe dominante e a eternização do sujeito pela nomeação no Bairro Jardins.

  • LARISSA DOS SANTOS LIMA
  • A FUNÇÃO-MÃE NO CIBERESPAÇO: PROCESSO DE (DES) CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA NO FUNCIONAMENTO DISCURSIVO.
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • Os movimentos feministas têm se intensificado no Brasil a partir da década de 1970, quando o país vivia sob o regime ditatorial. Desde então, as discussões sobre feminismo são constitutivas do sujeito do discurso mulher, de modo que surgem novas formas de se significar e, consequentemente, de (des)construir sua identidade (PÊCHEUX, 1997). Nesse sentido, também a função-mãe se insere nesse processo, posto que, por meio do discurso, notam-se deslocamentos do sujeito. Observar isso no ciberespaço diz sobre o momento atual: os sujeitos do discurso são inseridos também nas redes sociais, onde podem ser produzidos efeitos de sentido outros, tornando-se, portanto, constitutivos dos discursos que aí circulam. À vista disso, a presente pesquisa objetiva compreender a constituição do sujeito do discurso mulher na função-mãe a fim de observar como se constrói ou desconstrói a identidade materna no instagram, por meio das seções “legenda” e “biografia”. Em se tratando de pesquisa qualitativa, a análise é pautada na relação entre Análise do Discurso francesa de linha pecheutiana, as discussões sobre gênero, as teorias feministas e a noção de heterotopia, pois toma-se o instagram como espaço heterotópico (FOUCAULT, 2009). Para tanto, são acionados autores da Análise do Discurso, como Pêcheux (2015; 2015; 1997; 1997), Orlandi (2015; 2012; 1997), Fernandes (2008) e Grigoletto (2005), dos estudos de gênero e das teorias feministas, como Butler (2003), Corrêa (2001), Costa (2005) e Sarti (2004), e da noção de ciberespaço e heterotopia, respectivamente, com Lévy (1999) e Foucault (2009). Os resultados demonstram que o processo de (des)construção da identidade materna não opera apenas apoiado em estratégias discursivas do sujeito influenciador digital, pois as repetições, os deslocamentos e as rupturas que culminam em uma outra identidade são efeito do imbrincamento entre a ideologia dominante, as teorias feministas e, também, o que é constitutivo desse sujeito, a saber: o que se objetiva atingir em vias profissionais, financeiras, de entrentenimento. Notadamente, tal imbricamento só pode ser materializado por meio do discurso e o sujeito não tem controle dos efeitos de sentido que se produz. No mais, os discursos analisados corroboram com a nossa hipótese de que o sujeito mulher na função-mãe é afetado pelas discussões feministas de modo a se contraidentificar com a formação discursiva patriarcalista, posto que não rompe completamente, mas já se inscreve em outras formações discursivas, tais quais de independência financeira, por meio da profissão, de tomada de posição influenciadora e de ressignificar a maternidade ao aprender com os filhos.

  • MARIANA AUGUSTA CONCEIÇÃO DE SANTANA FONSECA
  • ‘DEFLORAMENTO’ E ‘ESTUPRO’ EM PROCESSOS-CRIME DE ARACAJU (1890-1900): DESCRIÇÃO E ANÁLISE LÉXICO-SEMÂNTICA DA VARIAÇÃO TERMINOLÓGICA
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • Nossa investigação está inserida em um estudo linguístico de cunho histórico, através de processos-crimes de defloramento, os quais são documentos jurídicos instaurados para os casos de investigação de desvirginamento de jovens menores de 21 anos (QUEIROZ, 2017). Para tal estudo, conhecer os aspectos históricos é fundamental para que compreendamos a sociedade aracajuana nos séculos XIX e XX. Bem como, entender as questões relacionadas à legislação nos faz ter uma maior noção de violência sexual como uma violação aos direitos da mulher. Esta dissertação se assenta em um estudo sobre a competição léxico-semântica no uso dos termos jurídicos defloramento e estupro dentro de processos-crime do século XIX, da cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe. Nosso objetivo foi analisar e descrever o percurso histórico semântico-conceptual que esses termos sofreram no final do século XIX, no período correspondente ao primeiro momento histórico do Sergipe República (1889-1900). Essa pesquisa se insere no Projeto nacional Para a História do Português Brasileiro (PHPB) cumprindo a agenda da linha de Semântica Diacrônica. O fenômeno semântico de conceptualização de termos foi avaliado sob a ótica da descrição da semântica cognitiva (LAKOFF, 1987), mais especificamente da semântica de protótipos (ROSCH, 1978, LAKOFF, 1987) para que se entendessem os significados sociais dos termos concorrentes (FAULSTICH, 2000, 2001, 2002) estabelecidos pelos seus usos (MARENGO, SOUZA e FONSECA, 2019) frente à sua prescrição jurídico-criminal (BRASIL, 1890). Além disso, retomamos alguns pontos da lexicologia social (MATORÉ, 1954; CAMBRAIA, 2013) para explicar a relação língua, cultura e sociedade e, por fim, tomamos os pressupostos da socioterminologia histórica (MARENGO, 2016) para refletir sobre variação no âmbito das linguagens de especialidade (FAULSTICH, 2002). O corpus selecionado foi composto de um conjunto de processos-crime manuscritos que está alocado no Centro de Documentação Histórica do Arquivo Geral do Poder Judiciário do Estado de Sergipe, localizado em Aracaju, sob a cota Cx 2544 (A1-M7-P11). Após as análises, chegamos à conclusão de que a competição dos termos se volta para um uso praticamente exclusivo do termo 'defloramento' frente ao termo jurídico-criminal 'estupro' , que é o estabelecido nos instrumentos normativos jurídicos.

  • NATALIA LARIZZA SANCHES DE SOUZA
  • VARIAÇÃO DOS TERMOS JURÍDICOS DEFLORAMENTO E ESTUPRO EM PROCESSOS-CRIME DO SERGIPE IMPERIAL (ARACAJU, 1856-1889)
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • Processos-crime de defloramento são denuncias de crimes de estupro contra mulheres em que as várias partes envolvidas no litígio judicial ganham voz e, portanto, por meio de um escrivão, registram a língua e, consequentemente, apontam elementos culturais de uma determinada sociedade em sincronia (MATORÉ, 1953; MARENGO, SOUZA & FONSECA, 2019). O corpus dessa pesquisa é constituído de um conjunto de processos-crime de defloramento que foram registrados em Aracaju entre os anos de 1856 e 1889, correspondente cronológico ao período do Brasil Império. O trabalho que ora apresentamos se insere no Projeto nacional Para a História do Português Brasileiro (PHPB) cumprindo a agenda da linha de Semântica Diacrônica. Nosso foco está no fenômeno de conceptualização dos termos jurídicos defloramento e estupro e foram avaliados, sob a perspectiva variacionista da terminologia sócio-histórica (CAMBRAIA, 2013). Por meio da semântica de protótipos (ROSCH, 1978; LAKOFF, 1987) apontamos se constituíam os conceitos de tais práticas criminosas (BRASIL, 1830) e os seus possíveis significados sociais. Além disso, retomamos alguns pontos da lexicologia social (MATORÉ, 1954) que nos ajudaram a entender a relação estabelecida entre o léxico de uma língua e sua manifestação como cultura dentro do seio social (WIERZBICKA, 1996). Por fim, tomamos os pressupostos da socioterminologia histórica (MARENGO, 2016) para refletir sobre ass formas de variação no âmbito das linguagens de especialidade (FAULSTICH, 2002). Nosso corpus é um conjunto de processos-crime de defloramento, todos manuscritos, que faz parte do acervo histórico do Centro de Documentação Histórica do Arquivo Geral do Poder Judiciário do Estado de Sergipe, sob a cota Cx 2544 (A1-M7-P11). Após as análises, vimos que ainda não se pode tratar de diferenças conceptuais entre os termos 'estupro' e 'defloramento' (ALMEIDA, 2019) e que, apesar de o primeiro ser o crime estabelecido no código criminal da época (BRASIL, 1830), é a segunda forma que é amplamente usado e difundida na sociedade aracajuana da época do Império.

  • SAMUEL DE SOUZA MATOS
  • PROCESSOS REFERENCIAIS E ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVO-RETÓRICAS COMO INDÍCIOS DO ETHOS DISCURSIVO DO ATIVISTA LGBT
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • Na conjuntura dos movimentos sociais, o uso da linguagem faz-se evidente e relevante, constituindo uma prática social baseada em valores, crenças, ideologias e visões de mundo de grupos sociais específicos. Em diversas situações enunciativas, por meio do ethos, do logos, do pathos e/ou outras estratégias linguístico-discursivas, ativistas desses movimentos combatem discursos hegemônicos e lutam por mudanças sociais que lhes garantam mais direitos e oportunidades de participação cidadã. No que tange aos embates político-identitários e argumentativos do movimento LGBT contemporâneo, as pesquisas no âmbito acadêmico pouco privilegiam a análise de textos produzidos por seus ativistas e a construção do ethos discursivo (MAINGUENEAU, 2005, 2008; AMOSSY, 2018) desses sujeitos, sobretudo, na cidade de Aracaju/SE. Diante desse panorama, partimos da problemática da defesa da diversidade sexual e de gênero e da luta contra a LGBTfobia, no intuito de responder a seguinte questão de pesquisa: que ethos discursivo coletivo é indiciado por processos referenciais (MONDADA; DUBOIS, 2003) e estratégias argumentativo-retóricas no discurso do/a ativista LGBT de Aracaju acerca de suas ações político-identitárias? Nesse sentido, o nosso objetivo geral consiste em investigar como os processos referenciais e as estratégias argumentativo-retóricas indiciam a construção de um ethos discursivo coletivo do/a ativista LGBT de Aracaju, contribuindo, assim, para o diálogo entre a Linguística Textual (MARCUSCHI, 1983, 2008; BENTES, 2001; KOCH, 2009), a teoria da Argumentação Retórica (PERELMAN; TYTECA, 1996; FERREIRA, 2010; FIORIN, 2018) e os estudos sobre ativismos sociais (FACCHINI, 2003; MELO, 2013; MELO, 2016; GREEN et al, 2018; MENEZES, 2018). Para essa empreitada, assumimos as perspectivas sociocognitivo-interacional e retórico-discursiva dos estudos linguísticos e apostamos numa metodologia de base qualitativa, descritiva e interpretativista (GIL, 2002; PRODANOV; FREITAS, 2013; MARCONI; LAKATOS, 2017), a fim de analisar o corpus constituído (entrevistas abertas), o qual foi sistematizado em quatro motes temáticos referentes às ações político-identitárias de ativistas LGBT aracajuano/as: i) ser LGBT em Aracaju; ii) combate à LGBTfobia; iii) visibilidade trans e acompanhamento sócio-jurídico; iv) conscientização da diversidade sexual e de gênero. Os resultados obtidos pelas análises desta investigação apontam, por um lado, para a construção de um ethos individualista, desumano e violento de pessoas LGBTfóbicas, e, por outro, para a indicialidade de um ethos corajoso, justo e incansável do/a ativista LGBT de Aracaju, relativo a) à natureza de sua(s) existência(s); b) às suas lutas em prol dos direitos humanos da população LGBT em articulação com os órgãos públicos municipais e estaduais; c) à(s) sua(s) resistência(s) perante a LGBTfobia.

  • ALESSANDRA DOS SANTOS VIEIRA
  • A PREDOMINÂNCIA DOS DISCURSOS MÉDICO E NUTRICIONISTA: UMA INTERPELAÇÃO EM FORMA DE CARTAZES AOS USUÁRIOS DO RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO DA UFS (RESUN)
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 19/02/2020
  • Dissertação
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  • Segundo os pressupostos da AD – Análise de discurso de linha francesa, o propósito principal da ideologia é constituir indivíduos “livres” como sujeitos dependentes. Tendo em vista que somos sujeitos interpelados pela ideologia, inconscientemente submetidos a ela. Esta pesquisa buscou analisar os tipos de discursos que circulam nos corredores externos do restaurante universitário da UFS – RESUN, os quais interpelam os usuários. De acordo com a AD, passamos por dois tipos de esquecimento: o esquecimento ideológico, em que temos a ilusão de sermos a origem do nosso dizer, e o esquecimento da enunciação, no qual todo dizer já foi dito, sendo apenas retomado de maneiras diferentes. Dessa forma, ao longo desse trabalho, permearemos por categorias com as quais a AD trabalha, sendo elas: o interdiscurso, as memórias discursivas, as condições de produção, as formações discursivas, o bom sujeito e o mau sujeito, mostrando o sujeito de discurso em funcionamento. Quanto à metodologia, o trabalho procurou descrever a materialidade discursiva, ou seja, os cartazes, os quais se apropriam tanto do discurso imagético quanto do discurso textual. Em relação aos elementos constitutivos dos cartazes, esses estão plotados em quadros de madeira, pendurados por cordões de aço espalhados na área externa do RESUN. Os enunciados dos cartazes foram tratados como Recorte (R), ancorado no artigo de Eni Orlandi (1984), que trata da segmentação ou recorte. Para tanto, eles são divididos por temáticas, em que serão trabalhadas as seções: fila, higiene, discurso do saber e gestão. Uma vez que o trabalho recorre à noção de “sujeito do discurso”, essa será também nossa categoria de análise. Sendo assim, nos apropriamos dos fundamentos teóricos e metodológicos da Análise de discurso de linha francesa, conforme proposta por Pêcheux (1993, 2003, 2015), Orlandi (1997, 2008, 2015), Althusser (1998), entre outros autores. Como resultados obtidos, a análise nos permitiu verificar que os sentidos produzidos nos cartazes trouxessem consigo um “saber científico”, em sua grande maioria, nos quais predominam os discursos médico e nutricionista, envolvendo os usuários numa discursividade, a qual nos mostra o sujeito do discurso em funcionamento.

  • EDJANE BISPO DOS SANTOS
  • FIGURAS DE ARGUMENTAÇÃO E RETÓRICA NA CONSTRUÇÃO DO HUMOR EM MEMES
  • Orientador : MARCIA REGINA CURADO PEREIRA MARIANO
  • Data: 19/02/2020
  • Dissertação
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  • O objetivo desta pesquisa é compreender como a ironia e a intertextualidade utilizadas nos memes das páginas Barbie e Ken Cidadãos de Bem e Obras literárias com capa de memes genuinamente brasileiros podem agir enquanto estratégias de argumentação e retórica para persuadir o leitor. Tendo em vista os acontecimentos que permearam o cenário político, no âmbito nacional, nesses últimos anos, foram escolhidos dez memes produzidos e veiculados nessas páginas, no ano de dois mil e dezoito, mais especificamente entre abril e dezembro desse ano, cuja temática era a política, para compreendermos como a ironia e a intertextualidade podem auxiliar na produção de significados, inclusive do humor em memes da internet. Este é um estudo de cunho qualitativo e exploratório construído à luz das discussões feitas por Ferreira (2010), Mariano (2007), Fiorin (2014), Perelman e Tyteca (2005), Mosca (2001), Plantin (2008), Reboul (2004), entre outros teóricos que contribuem com o tema. Baseamo-nos também nas teorias de Koch, Bentes e Cavalcante (2007) a respeito das categorizações da intertextualidade.

  • MAIRA ESTELA SANTOS
  • O EU E O MUNDO: A PROSA INTROSPECTIVA E O FATOR SOCIAL EM O AMANUENSE BELMIRO
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 17/02/2020
  • Dissertação
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  • Neste trabalho analisamos como o escritor Cyro dos Anjos, com o romance O amanuense Belmiro, concilia, através de suas estratégias narrativas, a construção do protagonista e narrador da trama, com seus aspectos introspectivos, psicológicos, às questões sociais. O romance, publicado em 1937, traz as confissões íntimas a um diário pessoal do burocrata lírico Belmiro Borba. Nesse percurso, é possível apreender os aspectos psicológicos fundamentais para a construção da personagem, bem como o tratamento de fatores sociais através dos componentes estruturais do romance. Para proceder à análise, inicialmente, retomamos as posições críticas acerca do escritor com Candido (1989), Bosi (2006), Coutinho (2004), Lafetá (2000) e Bueno (2015), que situam a obra de Cyro dos Anjos numa posição equidistante e ambivalente no contexto de 1930, entre os romances intimistas e sociais. Em seguida, passamos à investigação das estratégias narrativas que possibilitam tal direcionamento a partir da análise do espaço e tempo romanescos. Para a investigação do espaço, utilizamos as contribuições de DaMatta (1997), Freyre (2004), Holanda (2014), Candido (2006), Bachelard (1978) e Lins (1976), a fim de elucidar como a composição dos espaços, principalmente a casa, a rua e a cidade, apresenta um significado social, bem como se conjuga com a personalidade introspectiva do protagonista do romance. No que se refere à abordagem do tempo, consideramos, como aporte teórico, os estudos de Pouillon (1974), Mendilow (1972), Ricoeur (2012), Auerbach (2002), Moisés (2006), Bergson (1999) e Bosi (2016), com o propósito de demonstrar como a configuração da trama, os conflitos entre passado e presente, cotidiano e memória, tempo cronológico e tempo psicológico estão em consonância tanto com a experiência social da personagem Belmiro Borba no contexto da década de 1930, sua carreira burocrática, seu testemunho das crises políticas, quanto com aspectos íntimos do protagonista, como a solidão, a timidez, a busca por evasão e a sua percepção do tempo como força desagregadora. Com tal percurso, será possível elucidar o relacionamento necessário entre a abordagem dos conflitos íntimos do homem com os aspectos sociais a partir da construção romanesca.

  • AUGUSTO PETRONIO PEREIRA
  • AS OFENSAS VERBAIS CONTRA MULHERES NO SERGIPE OITOCENTISTA: UMA ABORDAGEM LÉXICO-SEMÂNTICA
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 17/02/2020
  • Dissertação
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  • As ofensas verbais funcionam como uma chave de acesso à compreensão da estruturação hierárquica e social de uma dada comunidade, seja em tempos atuais ou pretéritos (SHOEMAKER, 2000). Desse modo, as ofensas verbais podem ser consideradas um subsistema terminológico da língua porque engloba vocabulário, meios, significados e grupos sociais envolvidos (BURKE, 1995; CARNEIRO, 2006). O escasso conhecimento sobre as ofensas verbais, principalmente em séculos passados, foi o que motivou o interesse para a execução desse estudo. Para tanto, tomamos como corpus de pesquisa processos-crime de ofensas verbais no Sergipe oitocentista, que foram recolhidos do acervo do Setor de Documentação Histórica do Arquivo Público do Poder Judiciário do Estado de Sergipe. Nosso foco foram as ofensas verbais proferidas contra mulheres. Nosso objetivo consistiu em mapear o léxico representativo das ofensas verbais proferidas contra mulheres no século XIX bem como (re)construir, por meio da semântica cognitiva (LAKOFF, 1987; SILVA, 2006), as conceptualizações geradas pelas ofensas por meio da sua constituição prototípica e categorial (ROSCH, 1976, 1978) que acabam por conformar Modelos Cognitivos Idealizados metafóricos (LAKOFF, 1987). Nosso trabalho está inserido no Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) vinculado à agenda de Semântica diacrônica. Após a análise dos dados, concluimos que as ofensas proferidas contra mulheres são construídas por meio de duas macrocategorizações (ROSCH, 1978) que atingem não só o valor individual da figura feminina como também seu decoro social. Os MCI metafóricos (LAKOFF, 1987; WIERZBICKA, 1992; ALMEIDA, 2018) estão assentados, basicamente, nas metáforas de orientação, personificação e ontológicas.

  • LUCIENE FEITOSA DA SILVA GOVEIA
  • O XEQUE-MATE DO NARRADOR DE FRANCISCO DANTAS
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 17/02/2020
  • Dissertação
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  • Esta dissertação compara as formas como os narradores exploram os recursos estéticos para descrever a decadência das famílias: “Barroso”, em Cartilha do silêncio (1997), e “Venturoso”, em Caderno de ruminações, de Francisco J. C. Dantas. A primeira obra retrata uma típica família patriarcal, que se esfacela após a morte do progenitor, segundo o ponto de vista de “D. Senhora”, “Arcanja”, “Remígio”, “Cassiano” e o agregado da casa-grande, “Mané Piaba”, que rememoram as derrocadas desse clã. Já a segunda, narra a história do proctologista Otávio Benildo Rocha Venturoso que se envereda pelo passado a fim de compreender os sucessivos fracassos como médico, empresário e na vida amorosa. Didaticamente, estruturamos este trabalho em três capítulos para traçar paralelos entre as técnicas narrativas das duas obras. No primeiro, dedicamo-nos às análises do narrador e o uso da “focalização ambígua”, conforme conceitos de Mieke Bal, Walter Benjamin e Silviano Santiago, já que os narradores deixam diversas pistas do quanto não devemos confiar no ponto de vista de um personagem, pois, em muitas passagens, a onisciência seletiva se opõe à onisciência múltipla. No segundo, a partir da focalização em “D. Senhora”, “Cassiano” e “Rochinha”, personagens considerados “estrangeiros” em suas famílias, investigamos a relação de aproximação ou afastamento que eles estabelecem com seu espaço social. Para tanto, recorremos às noções de hospitalidade e hostilidade, sofridas pelos que se sentem estrangeiros em sua própria família, como nos ensina Jacques Derrida. E, por fim, no terceiro, retomamos a questão do lugar de fala dessas personagens e seus deslocamentos ideológicos a partir do lócus de enunciação e suas contradições identitárias de acordo com Homi Bhabha e Stuart Hall. A partir dessas considerações, defendemos a hipótese de que as narrativas de Dantas promovem uma “literatura anfíbia”, termo cunhado por Silviano Santiago, por usar a “focalização ambígua” para dar o xeque-mate na decadência desses personagens fracassados em sua profissão e isolados em suas melancólicas memórias do passado. Com esta pesquisa, esperamos ampliar a fortuna crítica de Dantas, valorizando o intricado jogo de posições discursivas contraditórias de suas narrativas que tecem severas críticas à elite latifundiária de Sergipe.

  • CAMILA DOS SANTOS REIS
  • VARIAÇÕES TERMINOLÓGICAS DE ENFERMIDADES OCULARES NO PROJETO ATLAS LINGUÍSTICO DO BRASIL: UM ESTUDO LÉXICO-SEMÂNTICO DOS DADOS SERGIPANOS
  • Orientador : SANDRO MARCIO DRUMOND ALVES MARENGO
  • Data: 14/02/2020
  • Dissertação
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  • Um atlas linguístico é um instrumento que traz uma das riquezas de seu povo, o seu linguajar, aborda as variações linguísticas conforme os parâmetros espaciais, socioculturais e cronológicos, além de servir como uma maneira de guardar a memória sociolinguística de uma comunidade (CARDOSO, 2010). O Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALIB) busca documentar, descrever e interpretar a realidade do português brasileiro em uma interface com diferentes ramos do conhecimento organizado (PAIM, 2019). O presente trabalho está inserido no Projeto ALiB e realizou uma descrição e análise léxico-semântica das variações terminológicas médicas de enfermidades oculares a partir de dados orais previamente coletados e disponibilizados pelo ALiB, mais particularmente os dados da capital do Estado de Sergipe, Aracaju, bem como os de Propriá e Estância. Além disso, observamos as tipologias de variação terminológica (FAULSTICH, 2002) no campo semântico corpo humano (designação aferida pelo projeto nacional) no que tange à denominação de doenças oculares feita por informantes de duas faixas etárias, 18-30 e 50-65, de ambos os sexos, com escolaridade até a quarta série e com nível universitário (somente na cidade de Aracaju). Ao fim, comparamos os resultados com as denominações terminológicas dadas por profissionais médicos especialistas na área de oftalmologia que atuam/atuaram nas localidades indicadas. A metodologia para organização, classificação e análise de dados seguiu os critérios pré-estabelecidos e padronizados pelo Comitê Nacional do ALiB (2001). Após as análises, concluímos que as diferenças mais significativas se apresentam na variável escolaridade. Além disso, constatou-se que os especialistas, apesar de conhecerem as designações do vernáculo, não as utilizam em seus atendimentos médicos, o que dificulta a comunicação e o entendimento da enfermidade por parte dos pacientes.

  • EMILLY SILVA DOS SANTOS
  • ARGUMENTAÇÃO E CIBERFEMINISMO: diálogos sobre a produção de identidades generificadas
  • Orientador : ISABEL CRISTINA MICHELAN DE AZEVEDO
  • Data: 14/02/2020
  • Dissertação
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  • As primeiras décadas do século XXI foram marcadas por transformações de várias ordens na morfologia da sociedade. Como exemplo disso, temos o processo de expansão do ciberespaço e o advento da web 2.0, que elevou os modos de comunicação e interação a uma nova dimensão, que implicaram alterações em diversas práticas sociais, inclusive o fazer político (institucional e não institucional). Nesse contexto, o ciberespaço inaugura práticas de linguagem e transforma a realização de práticas já existentes que carecem de investigação. A nós, interessa especificamente o funcionamento do discurso argumentado no âmbito do ciberativismo feminista, uma vez que se trata do movimento político não institucional articulado de forma mais agentiva no espaço digital (GRILLO; OLIVEIRA; BUSCATO, 2018; CASTELLS, 2013). Com a expansão dos espaços de existência/vivência do ser humano, foram inauguradas novas formas de violência contra a mulher e, por conseguinte, de luta política e resistência. De igual modo, o exercício do argumentar, característico do discurso político, não permanece inalterado pelas práticas de ciberativismo. Desse modo, interessa-nos investigar a complexa argumentação mobilizada em torno da negociação da categoria mulher, no contexto do ativismo digital feminista. Para tanto, centraremos nossos esforços de pesquisa no entorno do maior levante feminista na web, produzido por brasileiras, a Primavera das Mulheres. Como aporte teórico-analítico, lançaremos mão de estudos em argumentação (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 1996); de gênero (BUTLER, 2018b); do poder (FOUCAULT, 1999); bem como dos estudos sobre fazer político não institucional e ciberativismo (BUTLER, 2018a; VEGH, 2003; CASTELLS, 2013). Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, na qual mobilizaremos práticas analíticas de níveis distintos, por entendermos que a argumentação centrada na identidade de gênero produz uma dispersão de marcas linguístico-discursivas. Por fim, por meio do uso do minerador de textos TermoStat Web 3.0, percebemos que, ao negociarem pautas políticas específicas, o movimento feminista produz para si uma terminologia própria, cujos termos são apropriados de outros campos semânticos e ganham uma conotação específica no uso das ativistas. Ainda, observamos que o discurso feminista se apresenta como um grande campo semântico e que abriga em si campos relacionados a diversas pautas do movimento. Isto é, no entrecruzamento de temáticas que compõem o discurso feminista, notamos a ocorrência de temáticas como transexualidade, processos de racialização, colonialidade, organização política, dentre outros. Na dimensão da argumentação, podemos perceber que, no contexto do ciberfeminismo, os acordos retóricos estão em constante renegociação, uma vez que se negocia sobre pautas ainda em formulação. O discurso argumentado do ciberfeminismo lança mão de fatos, verdades, bem como de valores e presunções, não aceitos ou reconhecidos como tais pelo discurso hegemônico. Há uma recorrência de argumentos pelo exemplo e pela ilustração, de modo que observamos um esforço na negociação de novas possibilidades de existência para a categoria mulher por meio de sentidos reconhecidos pelo corpo social. Apesar de observarmos a argumentação das ciberfeminista no contexto das diversas pautas que emergem, percebemos que elas raramente são mobilizadas isoladamente. A luta pelo discurso feminista travada em espaços não institucionais e, mais, em espaços de reprodução ilimitada, é propícia para o aliançamento de pautas diversas. Nessas locações, a política não exige um nome para a representação, mas abarca a representação de múltiplas existências invisibilizadas.

  • ANA RITA DE CARVALHO SOUZA
  • Cartas de um Sedutor: sob uma santíssima pornografia
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 06/02/2020
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivo analisar as relações entre pornografia e sagrado em Cartas de um Sedutor (1991), da escritora paulista Hilda Hilst. Após 40 anos de escrita, Hilst se envereda pelo gênero pornográfico, de forma a ultrapassar as fronteiras dos códigos literários e morais, construindo um projeto de literatura em que “o desdobramento consequente e radical que sempre esteve no âmago dela, a questão do obsceno” (PÉCORA, 2018, p.12) se estende à relação metafórica do sagrado. É, sobretudo, nesse romance que podemos observar o caráter subversivo e profundo de seu projeto obsceno. Além disso, ao nos debruçarmos pelas sinuosidades das obras consideradas eróticas ou pornográficas, compreendemos que necessitaríamos de um arcabouço maior para dar conta dos temas que envolvem as questões em torno da sexualidade. Com isso, nossa análise se debruçou, a priori, nos estudos de Bataille (2014), Paz (2001), Eliane Robert de Moraes (2015), Lynn Hunt (1999), Paula Findlen (1999), Susan Sontag (2015) e Maingueneau (2010). Mais adiante, elencamos um panorama histórico de escritores e escritoras comumente alcunhados de pornográficos ou obscenos, de maneira a contextualizar e questionar o espaço do corpo e do sexo ao longo dos séculos a partir das pesquisas de Alexandrian (1993), Bueno (2004), Foucault (1988) e Luciana Borges (2009). Assim, empreendemo-nos no aprofundamento do gênero, a fim de reivindicar um espaço e dialogar sobre sua importância por meio de uma longa tradição de publicações de conteúdos ditos licenciosos. De mesmo modo, dedicamo-nos aos estudos a respeito do sagrado, especialmente no âmbito da literatura, em que também apresentamos alguns escritores que, ao longo de sua produção literária, construíram obras permeadas de certa experiência mística. Para tanto, recorremos aos trabalhos e escritos de Magalhães (2011), Mircea Elíade (1996), Kazantzákis (1961). A posteriori, discorremos acerca da tetralogia pornográfica de Hilst, por meio da fortuna crítica da escritora, cujos estudos de Pécora (2015), Blumberg (2015), Hansen (2015), Mendonça (2014), Diniz (2018), Borges (2009) e Leal (2017) foram imprescindíveis. Finalmente, retornamos ao romance em questão, Cartas de um Sedutor, para uma análise aprofundada e relevante aos temas atinentes ao pornográfico e ao sagrado, em que a relação imbricada, por vezes, reverte-se e subverte os códigos que os regem na cultura ocidental.

  • IASMIM SANTOS FERREIRA
  • AQUARELAS MACHADIANAS: pinceis luciânicos, cores brasileiras
  • Orientador : ALEXANDRE DE MELO ANDRADE
  • Data: 05/02/2020
  • Dissertação
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  • Este trabalho analisa a série de crônicas “Aquarelas”, de Machado de Assis, publicada no jornal O Espelho, 1859, correspondente à primeira fase machadiana. Nessa série, o autor discute o parasitismo por meio das cinco crônicas, exibindo tipos de parasitas mais proeminentes na sociedade brasileira. Machado extrai a temática do diálogo O Parasita, de Luciano de Samósata, autor que parte da sátira menipeia e une o diálogo filosófico à comédia. Suas contribuições para a literatura têm atravessado gerações, influenciando autores como Rabelais, Swift, Voltaire e Machado de Assis. Para analisarmos as aquarelas machadianas, amparamo-nos principalmente nos estudos de Bakhtin (2002, 2010, 2011), Brandão (2001, 2015), Julia Kristeva (1974), Sá Rego (1989). Nossa metodologia baseou-se na Literatura Comparada, perseguindo as orientações da estudiosa Sandra Nitrini (2015). Comparamos as crônicas ao diálogo de Luciano a fim de compreender a ampliação e atualização da temática do parasitismo pelo olhar do Bruxo do Cosme Velho.

  • MARGARIDA MARIA ARAUJO BISPO
  • IMAGENS DA AMAZÔNIA: UMA LEITURA DE COBRA NORATO
  • Orientador : ALBERTO ROIPHE BRUNO
  • Data: 05/02/2020
  • Dissertação
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  • Este estudo tem como objetivo investigar de que forma a personificação está presente em Cobra Norato, de Raul Bopp, e como as imagens, por meio da personificação suscitada da leitura, ajudam a compor o campo semântico existente na obra. Para tanto, o trabalho tem como fundamentação teórica os textos sobre a personificação de Guiraud (1960), Fontanier (1969), Moisés (1974), Brandão (1989), Turner (1996) e Lurker (1997), entre outros, além dos estudos de crítica literária de Massi (1998), Averbuck (1985), Buss (1978) e Cardoso (1999). O principal procedimento metodológico adotado foi a realização de uma pesquisa de cunho qualitativo e bibliográfico para mapear as principais personificações existentes no poema. Nessa direção, foram analisadas as quatro formas prioritárias de personificação encontradas na obra: a figuração feminina, a figuração territorial, a figuração mítica e a figuração erótica, que irão demonstrar como Bopp se utiliza das imagens para denunciar os problemas sociais existentes na Amazônia. Por fim, evidencia-se que a obra Cobra Norato demonstra o quanto Bopp contribuiu para a Literatura Brasileira, sobretudo no que se refere ao contexto modernista a que a obra está vinculada, e as análises empreendidas ressaltam a importância da personificação na concepção de imagem produzida a partir da leitura da obra corpus.


  • RAFAEL SANTOS DE SOUSA
  • AS INTERTEXTUALIDADES PÓS-COLONIAIS DO ESTUPRO EM SORRY, DE GAIL JONES
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 03/02/2020
  • Dissertação
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  • Esta dissertação tem o objetivo de analisar a violência colonial, representada no romance Sorry (2007), da escritora australiana Gail Jones, sob uma perspectiva pós-colonialista, ou seja, sob uma ótica analítica que busca revisitar e compreender os intertextos históricos da colonização a partir não do olhar hegemônico, mas daqueles que foram resvalados às margens sociais e geográficas. Particularmente, vamos nos deter nos casos dos estupros cometidos pelo personagem Nicholas Keene contra sua esposa, Stella e, especialmente, contra as garotas aborígenes Martha e Mary. Estes atos, somados às outras tantas formas de violência perpetradas contra os indivíduos indígenas da Austrália são por nós interpretados como o estupro colonial, isto é, um conjunto de violências sistematicamente aplicadas contra as populações tradicionais de países invadidos por empreitadas imperialistas. Inicialmente, analisamos as estruturas discursivas de poder colonial e de que maneira a autora as metaforiza e rasura, através da construção de seus personagens e a estrutura do foco narrativo. Com esse intuito, nos debruçamos sobre ideias caras à crítica pós-colonial como: representatividade e dupla subalternidade, propostas por G. Spivak; e entre-lugar e Terceiro Espaço, articulados por H. Bhabha. Em seguida, nos dedicamos a uma discussão sobre o estupro como uma ferramenta de dominação masculina sistêmica que se apresenta sob formas variáveis, dando ênfase à aniquilação do/a outro/a, conforme nos orienta P. Bourdieu e L. Machado. Por fim, apresentamos uma análise de aspectos estéticos do romance, nos atentando, principalmente, às referências paródicas e irônicas da narrativa de Jones, tomando como base os estudos da narrativa pós-moderna e da intertextualidade, articulados por L. Hutcheon e T. Samoyault. A obra australiana em análise retoma trechos de W. Shakespeare e o debate concernente ao Sorry Day, dia oficial em que a população australiana reconhece e pede perdão pela opressão sofrida pelos povos aborígenes. Portanto, defendemos a hipótese de que ao apresentar o estupro, o silenciamento e a opressão sofridos pelas personagens femininas dessa obra, a autora reforça seu compromisso com uma estética pós-moderna de revisão do passado colonial.

  • ROSIVANIA DOS SANTOS
  • OS CANTOS INDÍGENAS DE ELIANE POTIGUARA E DE GRAÇA GRAÚNA
  • Orientador : ALBERTO ROIPHE BRUNO
  • Data: 27/01/2020
  • Dissertação
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  • Este estudo busca analisar as etnopoéticas de Eliane Potiguara, em sua obra Metade cara, metade máscara (2004), e de Graça Graúna, em suas obras Canto Mestizo (1999) e Tear da Palavra (2007), avaliando de que forma os mecanismos da linguagem poética de ambas contribuem para a reafirmação das identidades indígenas e de que forma evidenciam alteridades. A investigação tem por objetivo também tecer um panorama sobre a literatura indígena brasileira contemporânea, examinando os conceitos, a função e o papel do escritor, além de somar-se a isso fazer um levantamento de autores e obras e, ainda, abordar sobre o ativismo das mulheres indígenas nas Letras. A opção pelos poemas de Potiguara e Graúna como objeto de estudo se deu por se perceber que há uma riqueza estética e particular preponderante em suas etnopoéticas, além de se acreditar que trazer as obras indígenas para o debate no espaço acadêmico seria uma maneira de contribuir para a visibilidade e a reverberação dessas vozes silenciadas, colaborando, assim, com a construção de um pensamento decolonial. Acerca da metodologia, trata-se de uma pesquisa ativista e intervencionista. Para tratar da literatura indígena, o trabalho fundamenta-se em estudos de Maria Inês de Almeida (2009), Janice Thiel (2012), Daniel Munduruku (2004, 2006, 2008, 2012a, 2012b, 2013, 2018a, 2018b, 2019), Graça Graúna (2013, 2014, 2015), Rita Olivieri-Godet (2017a, 2017b), Márcia Kambeba (2018a, 2018b), Cristino Wapichana (2012, 2018) e Julie Dorrico (2018). Contribuem para as abordagens referentes à identidade e à alteridade estudos de Zilá Bernd (1992) e Manuel Castells (1999). Como resultado desta investigação, percebe-se que os elementos que particularizam as etnopoéticas indígenas ainda não são reconhecidos da forma que deveriam ser por falta de estudos e divulgação; foi possível notar também que algumas pesquisas realizadas na área de literatura nativa ainda são concebidas partindo da percepção de uma poética ocidental, impossibilitando o acesso ao território cultural cosmogônico dos povos ancestrais.

  • SÉRGIO MURILO FONTES DE OLIVEIRA FILHO
  • STONER SOB O PESO DAS SOMBRAS
  • Orientador : JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
  • Data: 24/01/2020
  • Dissertação
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  • O objetivo deste trabalho é fazer uma análise comparada dos romances Stoner, do estadunidense John Williams, e Sob o peso das sombras, do brasileiro e sergipano Francisco José Costa Dantas. Nossa análise terá como foco a salvação dos protagonistas William Stoner e Justino Vieira por meio da literatura. Começamos fazendo um apanhado da fortuna crítica dos autores para apresentar suas principais características tendo em vista não só os romances estudados, mas suas obras como um todo. Em seguida, iniciamos nossa análise evidenciando a importância que a leitura e os livros têm na trajetória e na formação dos personagens. Para tanto, discutimos os aspectos do narrador (DAL FARRA, 1978; LEITE, 1987) e traçamos alguns paralelos entre o conceito de cultura (BOSI, 1992; EAGLETON, 2011) e a relação que a leitura guarda com as origens dos protagonistas. Passando para o campo da salvação, mostramos como a leitura muitas vezes funciona como um refúgio para as medíocres vidas que levam. Com esse intuito, embasamo-nos em Compagnon (2014), Eagleton (2010), Certeau (2014), Blanchot (2011), Goulemot (1996), Eco (2014) e Chartier (1996). No segundo capítulo, com o auxílio de Tzvetan Todorov (2014), Max Weber (2004), Michel Foucault (2013) e Nadja Hermann (2005), demonstramos como ocorreu a mudança do conceito de salvação do campo semântico religioso, isto é, da salvação da alma após a morte, para o campo semântico atual, em que pode significar tanto tirar de perigo como se manter seguro, entre outros possíveis significados. Retornamos então à análise dos romances para explicar a relação entre a vida que William Stoner e Justino Vieira levam e as leituras que fazem, já que estas modificam tanto suas visões de mundo (CANDIDO, 2011) quanto seus valores morais e éticos (COMPAGNON, 2009), salvando-os. Finalmente, debruçamo-nos sobre a escrita, pois ambos os personagens escrevem obras. Pensamos que isso também está relacionado à salvação dos protagonistas, principalmente na relação que essa escrita tem com a morte, a partir de Platão (2016) e Derrida (2015). Assim, esta pesquisa reflete sobre o poder de mudança e de expansão de horizontes que a literatura pode ter e sobre a importância de narrativas sobre personagens que estão longe de ser heróis.

  • IANE DA SILVA SANTOS
  • BNCC DE LÍNGUA INGLESA: MULTILETRAMENTOS
  • Orientador : MARILEIA SILVA DOS REIS
  • Data: 24/01/2020
  • Dissertação
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  • A partir da divulgação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em 2017, os olhos se voltaram para esse documento obrigatório que visa garantir os componentes curriculares necessários para a Educação Básica: a Língua Inglesa (LI) manteve-se como língua estrangeira obrigatória. O objetivo da presente dissertação é analisar quais as perspectivas da BNCC, de modo geral, levando em conta as metas de ensino-aprendizagem, especificamente, relacionadas ao ensino de LI, na perspectiva dos multiletramentos e da multimodalidade. Desta forma, são analisados os conteúdos escolhidos pela Base para o ensino do idioma estrangeiro e suas implicações sociais e de formação cidadã, além de comparações entre a Base e o os documentos oficiais anteriores, que continuarão servindo de parâmetros para a educação nacional. Depois dessa etapa, analisamos um livro didático de língua inglesa, observando se os conteúdos (descrição dos gêneros textuais abordados) e os ideais da BNCC já estão sendo contemplados e como esses poderiam ser modificados para atenderem melhor aos preceitos do referido documento. Na análise qualitativa utilizamos exemplos práticos do que ocorre na carreira docente da autora desta pesquisa, com o apoio de teóricos que discutem os diferentes tópicos que surgem ao se emergir nos detalhes da BNCC, como OLIVEIRA (etal., 2014), OLIVEIRA e DERING (2018), TAGATA (2017), COPE e KALANTZIS (2000), ARAÚJO e LARRÉ (2018), dentre outros autores. A partir desses teóricos discutimos temas, como a imposição da Língua Inglesa como única língua estrangeira obrigatória no currículo escolar, o letramento crítico no contexto de ensino da LI, os gêneros textuais no livro didático, os estudantes como sujeitos ativos no processo de ensino-aprendizagem e as perspectivas expressas no livro didático da referente disciplina. Os resultados evidenciam que a teoria dos multiletramentos está diretamenteinterligada com as novas necessidades da educação, pelo seu caráter inovador na perspectivade leitura e compreensão dos letramentos digitais, críticos, de mídia, dentre outros. O livro didático Voices Plus 3 se adequa a essa nova perspectiva essencial para a educação dacontemporaneidade, explorando diversos tipos de textos e suas interpretações, muitas vezesde cunho social, ao mesmo tempo que se preocupa com o ensino da língua inglesa e tentacontemplar os ideais da Base Nacional Comum Curricular, que institui ensino obrigatório delíngua inglesa na educação básica. Mesmo que o livro não consiga atender a todas asexpectativas quanto a realidade do ensino médio público, abarca a teoria dosmultiletramentos e das competências e habilidades exigidas no documento oficial daeducação, a BNCC. Assim, a pesquisa constatou que mesmo com a inovação de teorias e novosdocumentos, a educação ainda continua sendo desafiadora pela ausência de fatores externose materiais, além dos livros didáticos, que facilitariam e tornariam mais cativante o ensino delíngua inglesa nas instituições públicas e privadas.

  • MAYARA DOS ANJOS LIMA NASCIMENTO
  • “PROJETO BRASIL”, DE STELLA LEONARDOS: O ÉPICO NA FORMA DE CANCIONEIRO, ROMANCEIRO E RAPSÓDIA
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 23/01/2020
  • Dissertação
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  • A pesquisa proposta tem como objetivo estudar as obras Romanceiro do Bequimão (1979), Rapsódia Sergipana (1995) e Cancioneiro Capixaba (2000), que integram o “Projeto Brasil”, de Stella Leonardos. Tal projeto nasceu da intenção da autora de retratar o Brasil, com toda a sua diversidade histórica, mítica e cultural, por meio de poemas longos, cuja epicidade é visível. Para o cumprimento do objetivo, as análises dos textos foram embasadas nas discussões sobre a Literatura Épica e sua permanência no século XXI, com destaque para a visão do próprio povo brasileiro como herói do seu tempo, por saber, entre outros, driblar as adversidades existentes dentro de uma sociedade capitalista que não aprecia o populário como deveria. As obras de Leonardos e seu “Projeto Brasil” são, portanto, produções de grande valia para a reafirmação da identidade nacional e para a desconstrução de uma tradição épica que, tantas vezes, compreendeu o heroísmo como um atributo restrito às parcelas privilegiadas das sociedades retratadas. Sabe-se que o Brasil apresenta, em sua formação histórica e em seu desenvolvimento através dos tempos, disputas pelo poder que consolidam um cenário político e social conturbado, e, nesse sentido, o estudo do épico vem reforçar a necessidade de se manter viva a ludicidade, especialmente nos dias de hoje. Ressalta-se que os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa foram quantitativos e qualitativos. A parte quantitativa entra sob a forma de quadro, o qual, objetivamente, traz dados que colaboram para uma maior compreensão estrutural das obras; já o olhar qualitativo volta-se para a análise dos gêneros rapsódia, cancioneiro e romanceiro e sua relação com o épico literário. Como aporte teórico, por sua vez, são aproveitadas, para o estudo do épico, as contribuições de Silva e Ramalho (2007, 2013, 2015) e Neiva (2009); para o estudo dos gêneros, recorreu-se a Moisés (1974) e a Chamie (1970), que discutem sobre a escrita rapsódica; a Pidal (1973), a Ferré (2008) e a Salgueiro (1997), que escrevem sobre o romanceiro; e a Alencar (1994), que estuda o cancioneiro. Espera-se, com este estudo, colaborar para a fortuna crítica do gênero épico, principalmente no que se refere à adequação das epopeias do século XX, à linguagem e à realidade de seu tempo. Almeja-se, ainda, contribuir para o acervo de estudos acadêmicos voltados para valores imateriais das regiões brasileiras, as quais guardam riquezas histórico-culturais que ainda precisam ser desvendadas.

2019
Descrição
  • MOACIR DOMINGOS DA SILVA
  • GET UP, STAND UP: ANÁLISE DO DISCURSO DE RESISTÊNCIA NO REGGAE DE BOB MARLEY
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 30/08/2019
  • Dissertação
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  • Todo homem tem o direito de decidir seu próprio destino e, nesse julgamento, não há parcialidade. É assim que a música Zimbabwe de Bob Marley (BM) começa dando mostra da político-discursividade que caracteriza o discurso de resistência do reggae. O propósito deste trabalho é, pois, o de fazer uma análise descritivo-interpretativa das materialidades linguísticas nas músicas de BM que fazem parte do corpus selecionado, para poder identificar os elementos que comprovam o uso da linguagem para se opor, protestar e resistir, e, como objetivos específicos, falar das condições de produção que afetam o sujeito em suas práticas discursivas e apontar os efeitos de sentidos na dispersão dos enunciados e do discurso como um todo. A justificativa para tal empreitada encontra respaldo na relevância social do reggae que foi recentemente nomeado pela Unesco como um tesouro cultural global, o que implica na necessidade de trabalhos acadêmicos para que se possa conhecer melhor essa forma de uso da linguagem como discurso de resistência. O aporte teórico para a fundamentação desse trabalho tem como base, por um lado, a proposta de Pêcheux (2002), ao definir o discurso como estrutura e acontecimento, e, por outro lado, temos a descrição de Pêcheux (1995) sobre as modalidades de tomada de posição que caracterizam a forma-sujeito do discurso como “bom-sujeito” (primeira modalidade), “mau-sujeito” (segunda modalidade) e a terceira modalidade, que caracteriza o sujeito que se desidentifica com a forma do Sujeito universal. A metodologia segue os pressupostos de Pêcheux (1995,1997, 2002), e é complementada pelas propostas de trabalho de Orlandi (2001, 2007), principalmente através de Análise do discurso: Princípios e procedimentos (2000), no qual destaca-se o questionamento a respeito de que tipo de escuta o analista deve estabelecer para poder ouvir para lá das evidências, colocando o dito em relação ao não dito e, assim, poder apontar o discurso como palavra em movimento, como percurso a partir do qual se analisa o sujeito em sua prática social. Dentre os resultados proporcionados nesse trabalho, destaca-se a importância de se colocar em evidência questões sociais, raciais e históricas a respeito das desigualdades advindas do colonialismo com o sequestro e escravização de povos africanos. Nesse sentido, o discurso de resistência do reggae é caracterizado por uma mensagem de chamamento para a mobilização social contra a escravidão mental presente em processos culturais e ideológicos de padronização dos sentidos e da forma-sujeito do discurso e que, de forma mais abrangente, contribuíram historicamente para a sustentação de uma filosofia que divide a sociedade em cidadãos de primeira e de segunda classe.

  • DEBORAH DOS SANTOS
  • Por uma alfabetização linguística: o livro didático nos anos iniciais em Penedo/AL
  • Orientador : MARILEIA SILVA DOS REIS
  • Data: 28/08/2019
  • Dissertação
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  • No último relatório da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA/2016), divulgado em outubro de 2017, os resultados mostram-se desanimadores: em Sergipe, apenas 3,02% das crianças que estavam concluindo o terceiro ano obtiveram aproveitamento no nível 4 (desejável) de proficiência em leitura, e o Estado passou a ocupar o último lugar na classificação nacional. Em Alagoas, os resultados também não foram satisfatórios, sendo que apenas 4,46% dos estudantes avaliados estariam aptos para o quarto nível em leitura. Com base nesses diagnósticos, a presente dissertação tem por objetivo descrever e analisar o modo como a aprendizagem inicial da leitura se dá no livro didático Novo Girassol – Saberes e Fazeres do Campo – Letramento e Alfabetização no 1º ano, de Carpaneda e Bragança, adotado em escolas públicas de Penedo/AL, correlacionando-o à proposta de ensino e aprendizagem iniciais da leitura sugerida no Sistema Scliar de Alfabetização (Scliar-Cabral, 2013), abordagem de natureza não só linguística, mas também com base nos aportes das descobertas da neurociência, sendo um dos fundamentos a introdução de grafemas à criança, segundo os critérios de maior e menor complexidade cognitiva e perceptiva para a criança de seis anos. Os resultados evidenciam que a metodologia adotada no livro didático Novo Girassol – Saberes e Fazeres do Campo – Letramento e Alfabetização – 1º ano é antagônico aos avanços alcançados para uma alfabetização cientificamente fundamentada na neurociência e no reconhecimento de como se processa a leitura no cérebro humano. Acreditamos que nessa fase inicial da alfabetização é necessário que o alfabetizador tenha em mente os critérios para escolha dos grafemas de acordo com Scliar-Cabral em seu material “Fundamentos do Sistema Scliar de Alfabetização (2013), base metodológica desse trabalho: da simplicidade dos traços que compõem cada grafema, complexidade da sua articulação individual, relação biunívoca e dependente de contexto linguístico e regional variável (SCLIAR-CABRAL (2013, p. 139).

  • KATIANE SILVA SANTOS
  • MARCAS DE HESITAÇÃO NA FALA DE CRIANÇAS COM AUTISMO: CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS SOB O PARADIGMA TEXTUAL-INTERATIVO
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 27/08/2019
  • Dissertação
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  • Buscando referências de estudos sobre o fenômeno da linguagem concernentes ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), observamos uma quantidade escassa de publicações na área, especialmente, no que tange à hesitação, dado que, na grande maioria, o processamento discursivo, dentro desse espectro, é tratado com um olhar patologizante. Diante disso, o objetivo geral desta pesquisa é analisar, à luz da perspectiva textual-interativa, marcas de hesitação na construção de textos falados produzidos, em situações concretas de interlocução, por crianças com Transtorno do Espectro Autista. Em consonância com Marcuschi (1999, p. 159), adotamos, nesta investigação, a posição de que a hesitação “é parte da competência comunicativa em contextos interativos de natureza oral e não uma disfunção do falante”. Essas marcas se manifestam por meio de diferentes recursos, já que elas têm função cognitiva (KOCH, 2016) de ganhar maior tempo para o planejamento e verbalização do texto (visto aqui como um processo de interação social), no sentido de dar continuidade ao que está sendo dito. Como hipótese, apresenta-se o fato de que embora os textos produzidos na oralidade, em situações sociocomunicativas, por crianças com autismo revelem aspectos discursivos como a hesitação, a repetição e a interrupção, a construção do sentido fica evidente. Para tanto, procuramos observar o modo como essas crianças com TEA, em atividades sociocognitivo-discursivas, construíam textos falados na interação com profissionais envolvidos no processo comunicativo. A fim de realizar tal proposta, construímos um corpus a partir dos textos orais produzidos por essas crianças, tendo como suporte as observações feitas durante as nossas visitas ao Centro de Integração Raio de Sol (CIRAS); Tendo como base uma metodologia qualitativa, interpretativa e descritiva, observamos 10 crianças atendidas nesse Centro, dentre as quais foram escolhidas 5 com diagnóstico de TEA. Utilizamos como instrumentos a observação direta, anotações no diário de campo, questionários e gravação de áudio. As gravações foram transcritas e analisadas de acordo com as normas do Projeto de Norma Urbana Oral Culta do Rio de Janeiro. Para fundamentar este estudo, no que tange ao autismo, apoiamo-nos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), Orrú (2012; 2016), Klin (2006), Bosa (2006), dentre outros; no que se refere aos estudos textual-discursivos tomamos como alicerce as propostas analítico-descritivas em Linguística de Texto a partir das contribuições de Koch (2015; 2016), Jubran (2015; 2017), Lima e Santana (2016), Cavalcante (2017) e Marcuschi (2015. Os resultados finais da nossa pesquisa confirma o fato de que os textos falados, ou seja, produzidos na oralidade, em situações discursivo-interativas, por crianças com Transtorno do Espectro Autista, constroem sentidos, mesmo com as recorrências das marcas de hesitação. Um dos fenômenos mais interessantes da linguagem humana e um dos que mais interferem na construção de sentidos e compreensão de textos falados.

  • HIDER ARAUJO DE OLIVEIRA
  • AS PERCEPÇÕES DO MEDO E DA MORTE NOS CONTOS DE LYGIA FAGUNDES TELLES
  • Orientador : JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
  • Data: 20/08/2019
  • Dissertação
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  • Morte e medo se entrelaçam no cotidiano mundial há muito tempo e ganham os mais diversos contornos dentro da literatura. Por isso, nosso trabalho abordará essas duas temáticas dentro dos contos da escritora Lygia Fagundes Telles. O fim da vida, aqui, não será visto apenas por um viés sombrio, tenebroso, mas também como um acontecimento poético, além de um alívio diante das mais adversas situações da vida – no caso, em se tratando do suicídio. Já o medo será colocado como uma sensação própria do ser humano, rompendo as fronteiras de um simples temor e assumindo ainda a forma da precaução, do contato direto dos personagens com suas realidades e, consequentemente, suas limitações. Para fundamentar nossa pesquisa, recorreremos a teóricos como Zygmunt Bauman (2008), em sua abordagem tanto sobre a morte quanto a respeito do medo do inevitável; Josefina Ludmer (2002), ao falar, em O corpo do delito, sobre a relação entre delinquente e vítima – no caso da mulher –, além da visão sociológica de Karl Marx (2006), ao abordar que uma pessoa que tira a própria vida não é um exemplo de fraqueza, mas sim de total coragem em decidir seu próprio destino e da convicção de que nada mais lhe importa aqui na Terra. Esta pesquisa se justifica na percepção de que o medo pode ser o encontro do indivíduo com as suas mais profundas emoções e de que a morte, mais do que um mero acontecimento, é uma forma de aproximação entre o indivíduo e o seu eu, suas convicções pessoais, religiosas e, de certa maneira, seu ceticismo.

  • THAISE CRISTINA SILVA DO NASCIMENTO
  • DISCURSOS MIDIÁTICOS SOBRE AS POLÍTICAS PÚBLICAS CONTEMPORÂNEAS PARA O ENSINO DE LÍNGUA ESPANHOLA NO BRASIL
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 20/08/2019
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  • O presente estudo se propõe a apresentar uma análise discursiva de publicações veiculadas na internet, acerca das políticas públicas contemporâneas para a oferta de língua espanhola no ensino regular brasileiro, visto que as condições midiáticas reproduzem e cristalizam os discursos em funcionamento. O trabalho utiliza como aporte teórico-metodológico a Análise de Discurso de linha franco-brasileira, com a finalidade de compreender o modo como foi construído, pela mídia, os gestos políticos pela obrigatoriedade e facultatividade no seguinte recorte histórico: após a publicação da Lei nº 11.161/2005 e da MP 746/2016, Lei nº 13.415/2017. Como referencial teórico, a pesquisa trouxe as contribuições de autores como: Louis Althusser (1998), Michel Pêcheux (1997; 1999; 2010), Jacqueline Authier-Revuz (1990), Eni P. Orlandi (1996b, 1998, 2007, 2015), Alice Krieg-Panque (2010), Maria do Rosário F. V. Gregolin (2007), dentre outros autores que desenvolveram pesquisas sobre discurso e mídia. Na constituição do corpus empírico, o método considerou as manchetes encontradas em diferentes tipos de sites, significados como “grande imprensa”, além daqueles construídos como um jornalismo à margem dela. Em relação aos resultados obtidos, sobre a oferta obrigatória do ensino de língua espanhola (2005), a análise das formas e fórmulas discursivas verifica que a constituição do sujeito se dá a partir do entrecruzamento de discursos do novo, do jurídico-político, do escolar e pedagógico, do mercadológico e do trabalho, do quantitativo e do burocrático. Já os gestos analíticos tecidos a partir das publicações acerca da oferta facultativa (2016/2017) apresentam o enfrentamento de posições políticas, regulando e categorizando o ensino do espanhol através de um apagamento. Ao filiar-se à ideologia da política de “direita”, o sujeito é constituído pelo discurso do novo-positivo, da abertura e da democracia. Por outro lado, o sujeito, filiado à ideologia de “esquerda”, é constituído por um discurso de ordem pessoal, antidemocrático e mercadológico, na circulação de sentidos negativos para a facultatividade da oferta do idioma.

  • CRISTINA ANDRADE DOS SANTOS PASSOS
  • Professores de espanhol em atuação: aspectos da identidade profissional docente na contemporaneidade
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 13/08/2019
  • Dissertação
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  • A temática identidade profissional docente despontou como uma área distinta de pesquisa com investigações variadas no âmbito educacional. As contínuas negociações dos professores em sua prática diária e na interação com outros profissionais fazem parte do contexto sócio-histórico na contemporaneidade, caracterizado por mudanças aceleradas e constantes. Inserindo-se no âmbito da Linguística Aplicada, o presente trabalho tem como objetivo investigar a identidade profissional docente do professor de língua espanhola no contexto atual, ao buscar compreender como os professores se veem e se definem em relação ao seu trabalho e às condições de sua prática. A mudança na política educacional envolvendo a oferta do componente curricular espanhol resulta em nova (re)negociação, tanto no pessoal quanto no profissional, através de dilemas, repercussões, ou até mesmo, a resistência à mudança com ações para a permanência do ensino de língua espanhola. Como objetivos específicos, a pesquisa busca: a) contextualizar sobre a literatura referente ao conceito de identidade profissional docente, a fim de se entender as implicações na área de língua estrangeira, sobretudo os desafios lançados ao profissional; b) estabelecer um diagnóstico a respeito da língua espanhola, com a finalidade de levantar informações a respeito do atual cenário da política educacional, com a revogação da Lei 11.161/2005; c) verificar a identidadeprofissional do professor de língua espanhola a partir dos aspectos da profissão manifestados pelos próprios docentes. Para tecer as discussões, o referencial teórico considera o mote identidade no cenário da modernidade e da contemporaneidade através de autores como Bauman (2005), Giddens (2002), Hall (2006, 2012), Gee (2000), assim como os estudos sobre diferença de Silva (2012), alteridade de Bakhtin (2006) e a construção das identidades sociais e profissionais de Claude Dubar (2005, 2009, 2012), Nóvoa (1992, 1999) acerca da identidade docente. O modelo teórico-metodológico que se adota nesta pesquisa é de natureza qualitativa interpretativista por meio da aplicaçãode um questionário e levantamento bibliográfico. A análise dos dados revelou que há diferentes aspectos na identidade profissional dos docentes de espanhol, à medida que o processo identitário é ressignificado, a partir da visão acerca de si mesmo na profissão e das relações valorativas com outros sujeitos. A pesquisa concluiu que é fundamental a discussão a respeito da profissão de professor de espanhol para que a legitimação e o espaço profissional sejam refletidos no momento atual.

  • RICARDO ITABORAÍ ANDRADE DE OLIVEIRA
  • RESISTÊNCIA E ACONTECIMENTO EM A PESTE, DE ALBERT CAMUS
  • Orientador : CICERO CUNHA BEZERRA
  • Data: 13/03/2019
  • Dissertação
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  • O presente estudo tem por finalidade analisar o tema do acontecimento e suas relações com a linguagem, bem como com a concepção de resistência no romance A Peste, de Albert Camus. No que toca à estrutura do trabalho dividimos a sua organização, além da introdução e considerações finais, em três capítulos. No primeiro, trataremos, nos três tópicos que o compõem, dos seguintes temas: (a) as fronteiras entre literatura e filosofia em Camus; (b) o diálogo entre duas linguagens, uma poética e outra reflexiva, abordadas em um espaço literário particular, a saber, aquele da linguagem constitutiva do próprio texto ficcional; c) O terceiro tópico consiste na investigação do conceito de acontecimento que conduz o enredo de A Peste. No que se refere ao segundo capítulo, ele é composto em seus três tópicos pelas análises e correlações dos consecutivos assuntos: o enlace de estilos presentes na composição da obra em questão, seguido pela análise do uso da linguagem enquanto revestimento do arranjo do romance e, por fim, do romance-crônica tomado como veículo de expressão para o sentido social e metafísico que Camus lhe atribuiu. No que diz respeito ao terceiro e último capítulo deste trabalho, a ideia é perscrutar, através do âmbito da linguagem camusiana, o perfil de três personagens: Rieux, Paneloux e Tarrou, e de como se manifestam suas relações, respectivamente, com os temas do exílio e da separação, da crise da religião, e do amor humano constitutivos da ideia de resistência em A Peste. Para tanto, como marco referencial teórico, alguns autores nos serão de fundamental importância para a construção das noções de resistência, linguagem e acontecimento, tais como: Benedito Nunes (2010), Jacques Derrida (2014), David Lodge (2010), Luis Alberto Brandão (2013), Alfredo Bosi (2002) Gérard Genette (1972), Slavoj Zizek (2017), Gilles Deleuze (2017), François Zourabichvili (2016) e John Caputo (2010).

  • LUCIGLEIDE ARAUJO ALVES
  • O ASSÉDIO SEXUAL NO ROMANCE INDUSTRIAL DE AMANDO FONTES
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • Esta pesquisa analisa as diferentes formas de violência contra a mulher proletária no romance regionalista Os Corumbas (1933), que registra as normas de controle próprias de uma sociedade patriarcal. Os valores do corpo da mulher estão atrelados aos padrões idealizados de virgindade e maternidade. Entre os aspectos estéticos dessa obra, destacamos a forma como o espaço social é usado para delimitar os percursos das personagens femininas: a casa, a rua e a fábrica. O espaço industrial será explorado como local de assédio para mulheres que são vítimas tanto dos patrões como de colegas de trabalho. Com essa peculiaridade, o romance traz à to na a tragédia de uma família de retirantes que vê suas filhas perderem a virgindade sem se casar. Nesse espaço de valores machistas, as personagens Rosenda, Albertina e Caçulinha são assediadas e violentadas por homens que se aproveitam da frágil situação econômica da família para impor a exploração sexual como uma saída para sobreviverem. Metodologicamente, dialogamos com os conceitos de “dominação masculina”, de Pierre Bourdieu, para destacar os valores próprios da cultura patriarcal; a tipologia do “corpo feminino”, defendida por Elódia Xavier, para classificar os tipos de violência contra a mulher; as marcas sociais do assédio sexual de Lia Zanotta Machado, para identificar as justificativas sociais da violência sexual contra a mulher, e os estudos sobre violência de gênero na literatura brasile ira, de Carlos Magno Gomes, para mapear as marcas estéticas da obra de Fontes. Didaticamente, esta dissertação está dividida em dois capítulos. No primeiro vamos fazer uma releitura da fortuna crítica de Amando Fontes pelo olhar da fatalidade e comentar a forma como o narrador caracteriza o corpo da mulher no espaço social; e, no segundo, vamos detalhar como a violência sexual é imposta como uma forma de menosprezar o corpo da mulher diante dos padrões de classe e de gênero e evidenciar as consequências sociais do assédio sexual sofrido pelas operárias.

  • MARIA JULIANA DE JESUS SANTOS
  • OS TRAUMAS DA VIOLÊNCIA PATRIARCAL EM LYA LUFT
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • Esta dissertação objetiva identificar como as diferentes formas de assédio psicológico e sexual causam distúrbios emocionais nas personagens femininas do romance As parceiras (1980), de Lya Luft. A violência contra a mulher se confunde com a violência do patriarcado, ressaltada pelos casamentos fracassados de três gerações retratadas nessa obra: a avó, Catarina; a mãe, Norma; e a narradora, Anelise. Para tal proposta, exploramos uma abordagem feminista que revisa os textos literários a partir de conceitos interdisciplinares acerca da violência contra na mulher no espaço da família patriarcal. Metodologicamente, exploramos conceito s como “dominação masculina”, de P. Bourdieu, “excesso de masculinidade”, proposto por L. Machado, “corpo disciplinado”, de E. Xavier, e “relativização do estupro”, de C. Gomes. Este trabalho é composto por três capítulos que comentam a importância dos estudos feministas para uma revisão dos conceitos patriarcais e propõem uma interpretação das marcas psicológicas das personagens femininas como traumas da violência patriarcal. No primeiro capítulo, valorizamos a abordagem metodológica dos estudos feministas para descentrar os conceitos de identidade de gênero segundo C. Duarte e J. Butler. No segundo, trazemos à baila o conceito de paródia, de L. Hutcheon, e o de narrador pós-moderno, de S. Santiago, para analisar a intersecção entre a voz da narradora e a da sua avó, como uma dupla marca da estética pós-moderna: a metanarratividade e o engajamento político. No último, passamos a analisar o lugar de fala da mulher, proposto por G. Spivak e D. Ribeiro, para explorarmos a técnica usada pela narradora para dar voz às mulheres silenciadas de sua família, enquanto busca se encontrar no presente. Concluímos que os debates revisionistas propostos pelo feminismo são indispensáveis para a ampliação da interpretação dos sentidos da violência contra a mulher nos textos literários.

  • MICHELLE PEREIRA DE OLIVEIRA
  • UMA LEITURA HISTÓRICA E SOCIAL DO ABANDONO EM O SINO E A ROSA DE ALINA PAIM
  • Orientador : ANA MARIA LEAL CARDOSO
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • A prática do abandono de menores remonta desde a Antiguidade e durante muitos anos a criança foi condiderada como um ser inferior ao adulto, visto que sua vulnerabilidade tornava-a uma das principais vítimas da mortalidade, o que de certo modo levava muitas famílias a uma recorrente predisposição de desapegar-se delas. No que tange ao Brasil, a prática do abandono infantil se configura como uma entre tantas outras problemáticas sociais que resiste até os dias atuais, o que contrasta com o título de país em desenvolvimento (dado seu potencial econômico). Considerando esses aspectos, a presente pesquisa intentou traçar uma leitura histórica e social do abandono, tendo como objeto a obra O sino e a rosa (1965) da escritora brasileira, Alina Paim. Procuramos estabelecer um diálogo entre literatura e sociedade, partindo do pressuposto de que a literatura, através do jogo de linguagem, torna-se um instrumento de sutoconsciência e criticidade ao homem, e nesse sentido a arte pode nos servir para clarear a visão acerca dos problemas sociais, ajudando-nos a refletir, questionar e nos posicionar sobre estes. Assim, buscamos compreender como como a presente obra de Paim descortina a questão do abandono infantil. para tal compreensão apoiamo-nos em teóricos como: J. Derrida (2014), M.Foucault (1996), F. Angels (1984), O. Ianni (1999), M. Priori (1996), G. Bachelard (1979), entre outros; além de A. Bosi (1995) e A. Candido (2006) por entender que seus estudos iluminam a nossa perspectiva de leitura do abandono como fator social e sua representação na literatura.

  • MARTA GINÓLIA BARRETO LIMA
  • "O CONCÍLIO DOS DEUSES” DE OS LUSÍADAS EM VERSÕES ADAPTADAS DA EPOPEIA DE CAMÕES
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 27/02/2019
  • Dissertação
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  • Este estudo tem por finalidade analisar a presença d’“O Concílio dos Deuses” de Os Lusíadas em três versões da epopeia de Camões adaptadas para a narrativa e destinadas ao público infanto-juvenil: a de autoria de Rubem Braga e Edson Rocha Braga; a de Luiz Maria Veiga; e a de Ricardo Vale, com o objetivo principal de discutir a permanência ou não de peculiaridades épicas de Os Lusíadas nas adaptações em questão por meio do reconhecimento das formas de retextualização utilizadas pelos autores. Pretende-se, ainda, dimensionar a influência de adaptações do gênero épico nas práticas de leitura literária na infância e na adolescência. A reflexão, primeiramente, abordará a questão da leitura literária na escola, buscando compreender o “ser ou não ser” da literatura adaptada. Para tanto, analisaremos como as adaptações abordaram o episódio de Os Lusíadas selecionado, levando em consideração tanto os aspectos estéticos quanto o redimensionamento do conteúdo, com especial ênfase na presença dos deuses romanos na epopeia de Camões. A análise partirá da observação detalhada da obra original, para verificar, nas adaptações, os processos de redução do enredo do texto original e as possíveis interferências criativas, relacionando-os a diferentes formas de retextualização, tendo como base as contribuições teóricas e críticas de Marilise Rezende Bertin (2008), de Maria Alice Gonçalves Antunes (2007) e de Dell’Isola (2007). Considerações sobre o gênero épico, por sua vez, estarão sustentadas na Teoria Épica do Discurso, de Anazildo Vasconcelos da Silva, na obra Poemas épicos: estratégias de leitura (2013), de Christina Ramalho, além de Leo Pollmann (1973) e suas formulações sobre o épico e a epopeia camoniana. Também se destacam as contribuições de Maria do Rosário Mortatti Magnani (2001), que oferece uma reflexão sobre a formação do gosto literário; de Silvério Benedito (1997), que tece considerações críticas sobre a épica de Camões; e de José Cardoso Bernardes e Rui Afonso Mateus (2013), em sua obra Literatura e ensino do português. Pretendemos, com esta abordagem, contribuir para a formação de um corpus crítico sobre o fenômeno da adaptação literária e dimensionar como um dos principais segmentos do plano maravilhoso de Os Lusíadas ganha sentido em obras narrativas da literatura infanto-juvenil.

  • ELISAMA FERREIRA DE SOUZA
  • Gênero, identidade e videogames: representação feminina e distorções do e no sujeito social
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 26/02/2019
  • Dissertação
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  • Desde os primeiros lançamentos, os videogames se constituem como uma das formas de lazer e entretenimento amplamente utilizadas por indivíduos de diferentes faixas etárias e, até hoje, eles são um marco dentro da cultura digital. Também é sabido que o gênero feminino nos videogames nunca foi bem explorado, seja na forma de participação ativa de jogadoras, seja no modo de representação de personagens femininas (CARR, 2006; TAYLOR, 2009; SHAW, 2010, 2011). Atualmente, pode-se dizer que há certo progresso no pensamento social no tocante a questões que envolvem gênero e videogame, mas ainda cabe indagar de que modo essas transformações sociais realmente se desprenderam de noções androcêntricas iniciadas no passado para o atravessamento de noções de identidade, gênero e representação. Assim, esse trabalho tem como objetivo observar como é tratada a representação feminina no recém-lançado jogo Distortions, à luz das perspectivas teóricas sobre a leitura de imagens de Gunther Kress e Theo van Leewen (2006), além de perceber como jogadores e admiradores do supracitado jogo relacionam a representação ali feita com aspectos de construção de identidades e/ou como isso interfere na sua condição de sujeito social, baseando-se nas contribuições de estudiosos sobre a identidade como Hall (2015) e Castells (1999) e sua relação com investigações sobre os gêneros por Louro (2003), Butler (1990), Bento (2006) e outros. A escolha do corpus desta pesquisa parte do entusiasmo ao ver uma personagem principal feminina que foge aos padrões estereotipados sobre o gênero nos videogames, não havendo a representação de um corpo sexualizado e/ou coisificado, mas, mesmo assim, sem uma resposta para os efeitos do que essa nova imagem pode trazer para as identidades no cotidiano. Além dos já citados autores, essa pesquisa se apoia nas contribuições de Shaw (2010), Bryce, Rutter e Sullivan (2006), Cassell e Jenkins (1998) e Dovey e Kennedy (2006) para explicar a identidade e representação feminina nos jogos de vídeo. A metodologia adotada neste trabalho é do tipo qualitativo-bibliográfica, valendo-nos do próprio jogo como fonte para análise, bem como de questionários dirigidos a jogadores e de comentários extraídos da página oficial do jogo no Facebook. Por fim, há uma necessidade constante de se repensar como as representações do gênero feminino nos jogos são usadas e quais os sentidos que elas podem gerar sobre o social e sobre as identidades.

  • CÁSSIO AUGUSTO NASCIMENTO FARIAS
  • OS DESLOCAMENTOS AFRO-BRASILEIROS EM MARCELINO FREIRE
  • Orientador : JEANE DE CASSIA NASCIMENTO SANTOS
  • Data: 26/02/2019
  • Dissertação
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  • Este trabalho tem como objetivo analisar a mobilidade e a imobilidade das personagens afro-brasileiras nos contos de Marcelino Freire. Como objeto de estudo, selecionamos dezessete obras do escritor pernambucano que abordam o deslocamento ou o desejo de deslocamento das personagens afrodescendentes, a saber: “Uma história de amor que rolou”, de AcRústico (1995); “Troca de alianças”, de Angu de sangue (2005); “Esquece”, “Alemães vão à guerra”, “Vaniclélia”, “Nação zumbi”, “Caderno de turismo”, “Curso superior”, “Meu negro de estimação”, “Solar dos príncipes” e “Polícia e ladrão”, de Contos negreiros (2014); “Roupa suja”, de Rasif: mar que arrebenta (2014); “Vestido longo” e “Modelo de vida”, de Amar é crime (2015); “Ensaio sobre a dança”, “Ensaio sobre o prazer” e “Ensaio sobre a educação”, de Bagageiro (2018). A partir de tal recorte, intentamos descobrir como são representadas as identidades negras que conseguem ou não transitar por territórios hegemônicos. Adotamos como base metodológica a interdisciplinaridade proposta pela Geografia Crítica e pelos estudos culturais. Inicialmente, versaremos a respeito do contista pernambucano, fazendo um apanhado da fortuna crítica acerca de sua obra, em uma tentativa de delinear uma poética do deslocamento. Para tanto, buscaremos como base as reflexões de autores como Vasconcelos (2007), Teles (2017), Silva (2018), Rocha (2015), Souza (2012), Santana (2016), Walty (2005), Conde (2010), Leite (2016), Duarte e Fonseca (2011).Em seguida, discorreremos a respeito da interdependência que aproxima espaço, poder e identidade. Servirão de aporte teórico nesse momento os debates de Brandão (2013), Santos (2012, 2014), Gomes (2011), Said (1990,2011), Woordward (2010), Hall (1994, 2005, 2009) e Ribeiro (2017). Logo após, tentaremos contextualizar o modo como o centro e a periferiasão compreendidos na contemporaneidade,com o auxílio de estudiosos como Deleuze e Guattari (1997), Santos (2008), DaMatta (1979), Bauman (1999, 2001, 2004), Cruz (2015), Carril (2006), Diniz e Cardoso(2015) e Valladares (2005). No capítulo seguinte, por meio das observações de autores como Fernandes (2007), Almeida (2018), Nascimento (2016), Souza (2018), Ianni (2004), Munanga (1996), Gonzalez (1984), Carneiro (2011), Marcondes et al. (2013), Bem (2005) e Santos (2002), comentaremos acerca dos paradoxos que envolvem a fixidez e a mobilidade espacial e socioeconômica do afro-brasileiro em Marcelino Freire, tendo em vista a globalização e seus efeitos.

  • JONAS JANDSON ALVES OLIVEIRA
  • Futebol, performatividade e neoliberalismo: reconfiguração identitária do Manchester United diante do mercado e do novo Zeitgeist
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 25/02/2019
  • Dissertação
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  • No primeiro semestre de 2017, o Manchester United, time mais rico da atualidade (BBC, 2018), oficializou uma parceria com uma organização não-governamental do Reino Unido chamada Stonewall. O foco da união visava ao desenvolvimento de campanhas e ações em prol da causa LGBT no âmbito do futebol e almejava ainda a ampliação dessa atuação para a Premier League, a primeira divisão do campeonato inglês. Este trabalho busca analisar como a performatividade, oriunda da filosofia da
    linguagem, influencia os traços identitários que o clube cria e reconfigura ao longo do tempo. A escolha desse cenário teórico para o desenvolvimento da pesquisa lida com a perspectiva de Pennycook (2006) e Judith Butler, para quem a performatividade “pode ser compreendida como o modo pelo qual desempenhamos atos de identidades como uma série contínua de performances sociais e culturais em vez de expressão de uma identidade anterior (2014, p. 80). O objetivo maior desta dissertação é a análise de processos que levam essa equipe, um modelo de gestão dentro e fora do campo, para outros times ao redor do globo, a não mais se amparar numa identidade pré-formada, sendo esta performada no dia a dia e dialeticamente intermediada pelos discursos vigentes à época, ideia que pode ser absorvida pelo termo alemão Zeitgeist, o espírito do tempo.

  • THAÍS REGINA DE ANDRADE CORRÊA
  • A variação na realização de /t/ e /d/ na comunidade de práticas da UFS: mobilidade e integração
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 22/02/2019
  • Dissertação
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  • A dinâmica promovida pela expansão da educação superior no Brasil devido a políticas públicas implantadas, que modificaram a forma de ingresso, possibilitou que alunos de diferentes estratos sociais e de diferentes variedades dialetais ingressassem em um curso de graduação. Neste estudo, objetivamos observar a variação en tre a realização oclusiva versus arealizaçãopalatal das consoantes /t/ e /d/ em ambiente regressivo na fala de estudantes da comunidade de prática da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Mais avançado ou quase implantado em outras regiões, a variação na realização de /t/ e /d/ é um fenômeno incipiente que vêm ganhando espaço na comunidade de fala sergipana. Estudos anteriores de produção (SOUZA NETO, 2008; SOUZA, 2016) e de percepç&a tilde;o (FREITAG; SANTOS, 2016; ANDRADE; RIBEIRO, 2017) apontam para a direção da mudança da capital para o interior, neutralidade em relação à variante oclusiva e valoração positiva para a variante palatal. Para identificar a direção e a força da mudança linguística, assumindo como base teórica a Teoria da Variação e Mudança linguística (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]; LABOV, 2008[1972]; 1991; 2001), investigamos a variação na realização de /t/ e /d/ em uma amostra constituída na comunidade de práticas UFS, considerando os efeitos do deslocamento dos estudantes e do tempo de curso e a sua integração. Como método, reali zamos a documentação sociolinguística da comunidade com a gravação de 64 entrevistas com estudantes da UFS, estratificados quanto a seus deslocamentos: I moradores da grande Aracaju (nascidos e criados); II moradores do interior (nascidos e criados) do estado que se deslocam no movimento pendular para a Universidade; III nascidos e criados no interior, mas que vieram morar na capital por causa da Universidade; IV nascidos e criados em outros estados, mas que vieram morar em Aracaju por causa da UFS, sexo/gênero e o tempo de curso (início e fim). Por meio da ficha social, estabelecemos os parâmetros individuais de cada estudante quanto à integração (mobilidade, área do curso, vulnerabilidade, onde almoça, ocupação, com quem mora e inserção acadêmica). Foram selecionados 200 contextos de ocorrência do fenômeno (100 do início e 100 d o final da entrevista), totalizando 12.800 dados, cotejados aos fatores internos e externos. A realização oclusiva equivale a 73% do total, sendo a mais frequente na comunidade de práticas UFS. A realização palatal, variante inovadora na comunidade, está associada ao vozeamento, em posição postônica não final, seguida por glide, em contexto anterior de fricativas alveolares [s,z], seguindo o mesmo padrão de condicionamento encontrado em outros estudos sobre o fenômeno, em outras regiões do Brasil. Quanto aos fatores externos, a variante palatal é mais recorrente na fala de estudantes do final do curso, do sexo/gênero masculino. Na tabulação cruzada entre sexo/gênero e tempo de curso, embora homens e mulheres tenham aumentado a frequência de uso da variante palatal no final do curso, o aumento foi maior na fala das mulheres. Quanto ao fator geogr&aac ute;fico, a variante palatal ocorreu com maior frequência no deslocamento IV, constituído pelos estudantes que vêm de outros estados; na tabulação cruzada entre o deslocamento e o tempo de curso, há aumento da variante palatal nos deslocamentos I, II e IV no final do curso. Tais resultados sinalizam para o efeito da comunidade na dinamização da mudança. Há correlação entre o índice de integração à taxa de realização da variante palatal: quanto mais integrados à UFS, maior a taxa de realização de variante palatal. O maior tempo de inserção dentro de uma comunidade de práticas permite que o falante apresente maior engajamento e maiores chances de participação em eventos comunicativos, o que reflete, neste estudo, no incremento da frequência de uso da variante palatal.

  • CRISTIANE CONCEIÇÃO DE SANTANA RIBEIRO
  • Deslocamento geográfico e padrões de uso linguístico: a variação entre as preposições locativas em ~ ni na comunidade de práticas da Universidade Federal de Sergipe
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 22/02/2019
  • Dissertação
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  • As novas políticas públicas de democratização do acesso ao ensino superior causaram grandes transformações no cenário das universidades federais de todo o Brasil. Alunos de diferentes lugares e com diferentes perfis sociais, que antes não tinham condições de continuar seus estudos em nível superior, puderam cursar a graduação a partir de ações como a Lei de Cotas e o Sisu. Esse fato tem promovido a migração e a mobilidades de alunos para os centros universitários, o que promove contatos de diversidades sociais, culturais e linguísticas. A fim de estudar as mudanças linguísticas advindas destes contatos, este estudo considera a Universidade Federal de Sergipe como um espaço que aloca essas redes de contatos, uma grande comunidade de práticas: conjunto de pessoas agregadas em razão do engajamento mútuo em um empreendimento comum. Considerando este cenário social, a descrição de fenômenos de variação linguística nesta comunidade de práticas pode apontar indícios de acomodação dialetal, por convergência ou divergência, conforme postula a Teoria de Acomodação à Comunicação (GILES; COUPLAND; COUPLAND, 1987). O objetivo geral desse estudo é analisar as consequências das transformações no âmbito da migração, deslocamento e mobilidade geográfica de estudantes da Universidade Federal de Sergipe, considerando um traço linguístico específico, a variação entre as preposições locativas em~ ni em função do contato linguístico, promovidos pela mobilidade geográfica dos estudantes da UFS, descrevendo os padrões de uso das preposições locativas em~ ni quanto aos processos acomodativos associados às dimensões subjetivas e objetivas dos falantes. Estudos descritivos de orientação variacionista nas preposições locativas apontam que a variante ni é associada a falares rurais e quilombolas, de pessoas com menor escolarização e de maior faixa etária, o que apontaria para seu estigma. Assim, a presença desta variante na fala de universitários pode ser resultado de um processo de acomodação linguística. Como método, realizamos uma documentação sociolinguística da comunidade com a gravação de 64 entrevistas sociolinguísticas com estudantes da UFS estratificados quanto seus deslocamentos: i) moradores da grande Aracaju (nascidos e criados); ii) moradores do interior (nascidos e criados) do estado que se deslocam no movimento pendular para a Universidade; iii) nascidos e criados no interior mas que vieram morar na capital por causa da Universidade; iv) nascidos e criados em outros estados, mas que vieram morar em Aracaju por causa da UFS. Coletamos as coordenadas geográficas da residência de cada estudante da amostra para medirmos o deslocamento, como uma variável contínua (além do controle do tipo de deslocamento, como variável categórica) e visamos correlacionar a taxa de recorrência das preposições locativas em ~ni na fala de cada estudante, à distância, tipo de deslocamento e tempo do curso (início e fim de curso), a fim de desvelar o processo de acomodação à fala.

  • REBECA RODRIGUES DE SANTANA
  • Tipos de tipo em uma comunidade de prática universitária
  • Orientador : RAQUEL MEISTER KO FREITAG
  • Data: 21/02/2019
  • Dissertação
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  • Embora a palavra tipo seja prevista em dicionários como substantivo, no cotidiano encontramos diferentes usos, que permitem enquadrá-la também nas categorias de conjunção, preposição e marcador discursivo. Por não serem previstos em instrumentos normativos, estes usos inovadores de tipo, no senso comum, são classificados como gírias e atribuídos a contextos de fala mais informais; no entanto, a língua em uso não se refere apenas aos aspectos gramaticais, mas envolve também o estilo, que é “um agrupamento de recursos linguísticos que tem significado social” (ECKERT, 1996, p.4, tradução nossa). Neste trabalho, defendemos que estes usos inovadores, do ponto de vista linguístico, são legítimos e cumprem uma função social (a de pertencimento a um grupo), como preconiza a teoria sociolinguística, e regulares, como preconiza a abordagem construcional. Assim, o objetivo geral deste trabalho é descrever os diferentes usos de tipoe sua relação com o estilo dos falantes na construção de sua marca de pertencimento a um grupo. E os objetivos específicos são: i) caracterizar os usos de tipo quanto aos aspectos morfossintáticos, semânticos e discursivos, com base na abordagem de construções; ii) identificar os efeitos estilísticos de formalidade, de marca de identificação e de sexo/gênero entre falantes nos usos de tipo. Para tanto, tomamos como base teórica, fundamentalmente, a abordagem construcional (CROFT, 2001; TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013) e os modelos de estilo da sociolinguística (LABOV, 2008 [1972]; LABOV, 2001; BELL, 1984; BELL, 2001), como também realizamos a constituição de uma amostra de fala da comunidade de prática Grupo de Pesquisa em Educação Física, de modo a possibilitar a observação, além de fatores linguísticos para a descrição dos diferentes usos de tipo, também o fator social sexo/gênero e fatores estilísticos para a caracterização dos efeitos de formalidade e informalidade e de marcas de identificação do falante nesses usos. Foram desenvolvidos materiais para a coleta de dados (ficha social e roteiro de entrevista) e a realização de três tipos de coleta (gravação de reunião, entrevista sociolinguística e interação conduzida). Os áudios coletados foram transcritos e, concluída essa etapa, extraímos todos os tokens de tipo; classificamos todos esses tokens quanto às categorias especificadas e os submetemos a tratamento estatístico para identificação de padrões de recorrência type/tokenem relação a aspectos linguísticos e estilísticos.

  • JULIANA RIBEIRO CARVALHO
  • O ESPAÇO EM UM CORAÇÃO APERTADO, ROMANCE DE MARIE NDIAYE
  • Orientador : JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
  • Data: 15/02/2019
  • Dissertação
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  • Analisamos neste trabalho o romance Coração apertado (2010), da escritora francesa Marie NDiaye, sob a perspectiva da categoria espaço, no que tange a sua acepção no texto literário. Nele temos narrada, em primeira pessoa, a conturbada história de Nadia, francesa filha de imigrantes, que decide abandonar a periferia em que habitam seus familiares e antigos amigos para inserir-se no cenário do centro da cidade de Bordeaux, onde ela casa com um “verdadeiro francês” e passa a viver o contexto da elite bordalesa. O seu deslocamento no espaço se efetiva também como uma reconfiguração do tempo, visto que a personagem nega e deixa para trás o seu passado. O que acontece, porém, é que repentinamente tudo começa a mudar e a sua nova realidade surge fugaz, ameaçadora e monstruosa. A noção de espaço é nitidamente presente no livro, desde o seu título, e uma das perguntas que para nós ecoa durante toda a leitura é: de que modo os espaços são ocupados pelo indivíduo contemporâneo? Identidades distintas são, de fato, alvos de aceitação? Debruçamo-nos, portanto, nos aspectos espaciais presentes no texto, a fim de compreendermos como eles se efetivam na narrativa, assim como objetivamos compreender algumas facetas que compõem o perfil do sujeito contemporâneo. Tomamos por base os estudos de Luís Alberto Brandão (2013) a respeito do espaço literário e estabelecemos um percurso de análise do livro que, de certo modo, segue a trajetória experimentada pela protagonista do romance. Inclinamo-nos, portanto, inicialmente sobre o espaço da casa em que ela habita; em seguida analisamos o seu percurso pela cidade de Bordeaux; depois nos dedicamos à compreensão do espaço corpo e, por fim, voltamos o nosso olhar para o espaço da linguagem, que permeia todos os outros. No decurso desta análise, fundamentamo-nos, dentre outros, em estudos de Bachelard (1998), Barthes (1993), Certeau (1998), os quais nos possibilitam uma maior compreensão e algumas discussões a respeito dos espaços da casa e da cidade; em Freud (1919), Deleuze e Guattari (1996) e Kristeva que nos propiciam uma reflexão a respeito do ser estranho/estrangeiro e Hall (2005), cujas pesquisas sobre identidade são relevantes para a nossa análise; e José Luiz Fiorin (1996), a partir do qual nos fundamentamos para desenvolvermos a reflexão sobre o espaço da linguagem. Este estudo nos permitirá considerações sobre o papel exercido pela categoria espaço-temporal na literatura contemporânea, enquanto não somente pano de fundo, mas, inclusive, como personagem e agente de significações, e também nos possibilitará uma percepção de como esta categoria pode contribuir para a constituição desmascaramento do sujeito contemporâneo, deslocado e formado a partir de diversas identificações.

  • CARLA CORREIA DE ALMEIDA
  • A LEITURA SOB A ÓTICA MIDIÁTICA: UMA BREVE REFLEXÃO PELA ANÁLISE DE DISCURSO
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 06/02/2019
  • Dissertação
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  • O sujeito frequentemente é atravessado por discursos pautados na ideologia do fracasso escolar devido à dificuldade em desenvolver habilidades de ler e compreender textos. Esse discurso de fracasso com as habilidades leitoras circula na sociedade, nos meios acadêmicos, na mídia, enfim é uma discursividade que se baseia em técnicas ou habilidades escolares, ou mesmo na cognição, mas que não considera a historicidade e as formações discursivas e ideológicas constitutivas do sujeito enquanto leitor e que atravessam a questão. Este trabalho pretende abordar os efeitos de sentido produzidos por materialidades discursivas que tratam o tema “Leitura” em alguns exemplares da Revista Veja e da Revista Conhecimento Prático de Língua Portuguesa entre os anos de 2000 a 2017, fazendo um contraponto entre essas discursividades e analisando a construção do sujeito- leitor que elas trazem. Intentou-se desenvolver um trabalho analítico, refletindo sobre o conceito de sujeito, pensado por Michel Pêcheux, após as leituras das obras de Althusser e Lacan, e trabalhado por Eni Orlandi, bases teóricas deste estudo. O objetivo é compreender como a forma sujeito leitor é produzida no discurso dessas mídias, além de analisar as formações ideológicas que formam tal materialidade. Assim, observa-se também, como dispositivo teórico-analítico, as formações discursivas e ideológicas que constituem tais discursividades, além das relações de paráfrase e polissemia que elas põem em funcionamento. A questão central é analisar o corpus por meio dos recortes, observando as formações discursivas e ideológicas que são produzidas no fio discursivo da mídia citada sobre a forma sujeito e como a forma sujeito- leitor é construída. Os procedimentos metodológicos foram baseados em uma revisão bibliográfica, possibilitando a reflexão sobre o conceito de sujeito que pertence à AD e levando em conta a análise do corpus. Dessa forma, a reflexão sobre as formações ideológicas que constituem a forma sujeito – leitor nessas revistas- uma de massa, outra voltada aos interessados pela área- podem nortear os pontos principais na relação com as problemáticas encontradas na compreensão da leitura. No corpus analisado, as três materialidades são atravessadas por formações ideológicas tradicionais da educação que, mesmo tentando buscar caminhos inovadores, com novas teorias, o discurso é sempre pautado como tendo um culpado, no caso, ou o aluno, ou o professor, ou a escola. Não há uma colocação embasada na exterioridade, na qual são consideradas as condições de produção que faziam parte do início da instituição escolar e, com isso, do ensino- aprendizagem que não foi para todos com as mesmas condições. O sistema de produção e reprodução das classes sociais também foi levado para a educação. E os discursos anteriores vão se reproduzindo em uma relação parafrástica em que a mesma ideologia sempre é reformulada. Por isso, é relevante essa observação pelo viés discursivo, para que se possa compreender esses discursos predominantes, pois é o discurso da classe dominante. Dessa forma, observando essa relação sócio- histórica, é possível repensar tais discursos e compreender os gestos de leitura de outra forma, transformando as práticas na escola e na sociedade.

2018
Descrição
  • FABIOLA DOS SANTOS LIMA
  • "DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DO SURDO NO BRASIL”: uma análise crítica e discursiva das representações dos atores sociais sobre a temática do Enem 2017.
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 19/12/2018
  • Dissertação
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  • Diante da desigualdade social que assola a comunidade surda, esta pesquisa tem por objetivo analisar criticamente as manifestações discursivas presentes nas páginas, no Facebook, do INEP, do MEC e da Folha de S. Paulo sobre o tema da redação do ENEM 2017, a saber, “Desafios para a Formação Educacional dos Surdos no Brasil”, tendo como ponto de partida as representações discursivas dos atores sociais e as impressões avaliativas dos internautas sobre a temática. Para isso, estudos surdos, Análise Crítica do discurso (ACD) (FAIRCLOUGH, 2001), dialogando com as contribuições de Van Leeuwen (1998) sobre a Representação dos Atores Sociais e com os estudos de Thompson (2002) acerca dos modos de operação das ideologias, foram primordiais. Para darmos conta da análise linguística, considerando que, para a ACD, a análise deve ser textualmente orientada, foram utilizados os estudos sobre Avaliatividade, especificamente o Subsistema da Atitude, pois as avaliações dos internautas sobre a temática da redação do ENEM 2017 foram alvo de análise. A pesquisa segue a metodologia qualitativa-interpretativa, e o corpus é composto por 60 comentários do Facebook, a partir da divulgação do tema da redação do ENEM, em 05 de novembro de 2017. Os comentários foram retirados da página, no Facebook, do MEC (Ministério de Educação e Cultura), órgão responsável pela Política Nacional de Educação, do INEP (Instituto Nacional Anísio Teixeira), que tem por função organizar e elaborar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e da Folha de São Paulo, uma das grandes mídias jornalísticas do país. A pesquisa traz à baila como os internautas dessas páginas posicionaram-se diante do tema, que traz como protagonista a comunidade surda, e procuramos evidenciar se, nas práticas discursivas dos internautas, a inclusão social é manifestada e como se dão as relações sociais ideológicas.

  • ALDILENE VIEIRA PINTO
  • ENTRE O SACRO E O POLÍTICO, A SUBJETIVAÇÃO DE MARCELO DÉDA
  • Orientador : MARIA EMILIA DE RODAT DE AGUIAR BARRETO BARROS
  • Data: 30/08/2018
  • Dissertação
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  • Esta dissertação consiste em uma análise discursiva de três pronunciamentos do ex-governador Marcelo Déda (doravante MD): o primeiro refere-se à sua posse enquanto governador do Estado, em 01 de janeiro de 2007, marco do início de seu primeiro mandato; o segundo, à comemoração da formatura dos alunos do Instituto Luciano Barreto Júnior, em 18 de janeiro de 2011, um diálogo com jovens estudantes concluintes; o terceiro, à solenidade da lei de sansão do Proinveste, em 2013, ano de seu falecimento. Examinamos esse corpus à luz da Análise ‘Arquegenealógica’ do Discurso, ancorada em Foucault (1977; 1978; 2008; 2013a; 2013b; 2013c; 2014), a partir de cujas teorias investigamos a interface entre o discurso religioso e o político; o discurso do poder/saber, do poder/verdade; o cuidado de si. De igual modo, utilizamos a Análise do Discurso de orientação francesa (mais adiante, AD), tomando como base os ensinamentos de Orlandi (2013), consoante a qual estudamos as maneiras de significar, as posições distintas ocupadas pelo nosso sujeito da pesquisa, a formação imaginária, a memória discursiva, o intradiscurso, o interdiscurso. Adotamos, assim, um viés da história, por assumirmos os pressupostos teóricos de Foucault (2014), o qual rompe com a perspectiva linear da história, julgando-a como um gesto de interpretação. Nosso objetivo principal é, pois, refletir sobre a subjetivação do ex-governador Marcelo Déda, discutindo, a partir dos pronunciamentos elencados, sobre como tal processo ocorre, considerando os seus laços com a política, a religião, a história. Quanto aos objetivos específicos, procuramos examinar o conceito do termo política, seu surgimento, a sua tênue relação com a religião. Da mesma forma, pesquisamos os conceitos atinentes à AD. Estudamos também os sentidos de uma pesquisa arquegenealógica, abordando os seus conceitos centrais. Buscamos ainda compreender o conceito de verdade, enquanto uma configuração histórica, com a consequente produção de efeitos reguladores de poder. Como recurso metodológico de análise do corpus selecionado, inicialmente, nós transcrevemos os pronunciamentos, conforme a proposta de Marcuschi (2006), advinda da Análise da Conversação, pautada em princípios empíricos, destacando descrições e interpretações qualitativas. Após a transcrição, efetuamos quatro recortes discursivos: o discurso verdadeiro; o discurso do/sobre o saber/poder; o discurso da/ sobre a saúde; o discurso religioso, considerando a incidência deles no todo examinado. A partir desses recortes, trazemos à baila sequências enunciativas, ao longo de todo o trabalho, tentando relacionar o arcabouço teórico e o nosso objeto de análise. Como resultado das nossas análises, verificamos o modo como o poder produziu um saber necessário; como MD, atravessado pelos discursos da religião, da verdade, produziu um saber político.

  • CARLA VANESSA SANTOS ANDRADE
  • AS IMAGENS DO SAGRADO NA OBRA A CORRENTEZA: UMA LEITURA MÍTICOSIMBÓLICA
  • Orientador : ANA MARIA LEAL CARDOSO
  • Data: 29/08/2018
  • Dissertação
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  • A pesquisa objetiva resgatar/analisar as imagens do sagrado na obra A correnteza, da romancista sergipana Alina Paim, a partir da visão míticosimbólica. Ao lermos o corpus ficamos instigados a estudar tais imagens que parecem permear/estruturar a busca de identidade da protagonista Isabel, que parece experienciar a metanóia, termo cunhado por Carl G. Jung, e que se refere ao processo de expansão da consciência, da conquista da Totalidade. A recuperação da noção de Totalidade é um dos acontecimentos mais importantes do século XX e corresponde, segundo Cavalcanti (2005, p. 11), “a uma verdadeira revolução, pois funda uma nova ética, uma nova visão do homem e gera novos valores”. Na verdade, o ser humano passa a ser o artífice de si mesmo e o único responsável pelo mundo que cria. A pesquisa encontra-se apoiada por renomados teóricos no campo das Ciências das religiões e dos estudos do mito tais como: Joseph Campbell, Mircea Eliade, Raissa Cavalcanti, Gilbert Durand, Maria Zina Abreu, entre outros. Do ponto de vista da psicanálise dialogaremos com Rudolf Otto e Carl G. Jung. Os estudos deste último evidenciam que a psique é uma memoria ancestral hereditária que abrange a consciência e o inconsciente em busca da unidade, sob cuja forma se apresenta o espirito; além disso, destacam a importância dos arquétipos do inconsciente coletivo na dinâmica intrapsíquica das artes, servindo-se dos mitos para interpretar os símbolos e as imagens, metaforicamente, representadas nestas.

  • MARIA JOSE DOS SANTOS
  • REFERENCIAÇÃO E INTERTEXTUALIDADE: diálogos possíveis entre textos distintos na recategorização de um mesmo objeto de discurso
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 24/08/2018
  • Dissertação
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  • O fenômeno da referenciação assume uma visão interativa e sociocognitiva, uma vez que aprodução de sentidos é uma construção dinâmica, realizada por sujeitos sociais nas suaspráticas discursivas, de modo que os referentes são concebidos como objetos de discursoelaborados e reelaborados nessas práticas. Diante disso, esta investigação objetiva analisar asrelações anafóricas, entre textos distintos, presentes em oito entrevistas orais de moradoresdos municípios de Poço Redondo e de Nossa Senhora da Glória do Estado de Sergipe arespeito da reconstrução do objeto de discurso, Lampião. Partimos da hipótese de que éatravés do diálogo entre os textos distintos de sujeitos, também, diferentes que é possível aconstrução do ponto de vista sobre a recategorização da figura de Lampião confirmada pormeio do uso de expressões referenciais de cada entrevistado. Além disso, quandoinvestigamos situações de interação diferentes das habitualmente analisadas, será possívelencontrarmos outras possibilidades de manifestação das estratégias textual-discursivas, ainda,não devidamente abordadas pelas pesquisas convencionais. Dessa maneira, esta pesquisainvestigou, à luz de uma abordagem sociocognitivo-interacional da Linguística Textual,manifestações textual-discursivas, entre as quais destacamos o gênero relato em diversassituações de interação. Para tanto, decidimos analisar textos ou discursos específicos (dediferentes sujeitos) que dialogam entre si, evocando o mesmo objeto de discurso(MONDADA; DUBOIS, 2003). O nosso arcabouço teórico-metodológico está alicerçado nosestudos de Koch (2009), Koch, Bentes e Cavalcante (2008), Cavalcante (2016), CustódioFilho (2011, 2015), Costa (2007), Lima (2008, 2018), Hanks (2008), Van Dijk (2012), dentreoutros de igual importância. Por conseguinte, evidenciamos, a partir de nossa análise, que osrelatos distintos dos entrevistados mostraram, em diferentes situações discursivo-interativas,possíveis diálogos entre si, no tocante à recategorização de um mesmo objeto de discurso pormeio das relações intertextuais, pois os relatos apresentaram diversos fragmentos com vozesde outros já ditos, contribuindo para a progressão textual.

  • IARA MELO DOS SANTOS
  • MEMÓRIA COLETIVA E ETHOS DISCURSIVO: A IMPORTÂNCIA DO ATO DE ARGUMENTAR EM RELATOS DE PESCADORES
  • Orientador : GERALDA DE OLIVEIRA SANTOS LIMA
  • Data: 23/08/2018
  • Dissertação
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  • Nas diferentes maneiras de expressar textos, consideramos que os seres humanos, nas suas práticas sociodiscursivas, utilizam-se deles não só para se comunicar, mas também para se colocar diante do mundo. Em Gararu/SE, cidade ribeirinha banhada pelo Rio São Francisco, muitos pescadores constroem e reconstroem, interativamente, suas histórias de vida, considerando a relação que há entre eles e o rio, visto que suas experiências fazem com que eles deem opiniões, revelando, assim, seus posicionamentos. Nesta pesquisa, propomo-nos a analisar como a memória coletiva, evidenciada a partir das experiências e vivências desses pescadores, aponta para a construção do ethos discursivo na enunciação. Para tanto, recorremos ao argumento pragmático como via de avaliação favorável ou desfavorável sobre as causas e consequências da realidade as quais se apresentam nos relatos. Considerando a situação e/ou a dinâmica argumentativa, vemos que o pathos fundamenta todo e qualquer discurso (o logos); enquanto o ethos se associa a uma postura enunciativa capaz de agir sobre o pathos. A partir da técnica do argumento pragmático como um tipo de argumento que se baseia na experiência de vida, apresentamos como hipótese o fato de que os pescadores, ao retratar a realidade que vivenciam por meio de suas histórias, argumentam desfavoravelmente sobre a realidade atual, buscando modificar o ethos prévio. Este trabalho está definido sob pressupostos teórico-metodológicos de estudiosos da memória e da argumentação retórica, como Halbwachs (2006); Bosi (2003 e 1994); Nora (1993); Isquierdo (2002); Weiduschadt e Fischer (2009); Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005); Reboul (2004); Ferreira (2010), Amossy (2005) e Maingueneau (2005; 2008). O corpus foi constituído por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com onze pescadores residentes no referido município. Como resultado, percebemos que quando o pescador traz à memória coisas do passado o ethos prévio se confirma, era uma época farta, abundante, cheia, rica, então o exagero se fazia presente, quando trata da realidade atual busca construir um ethos que fuja das causas e consequências desfavoráveis percebidas pelos atos de alguns pescadores.

  • ISOLINA BÔTO CORRÊA
  • Indícios de autoria e estilo na produção textual dos alunos do Ensino Médio da Eja
  • Orientador : ANTONIO PONCIANO BEZERRA
  • Data: 20/08/2018
  • Dissertação
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  • Tanto na escola como em sala de aula, o trabalho de incluir os alunos da EJA ao processo de ensino-aprendizagem é complicado e lento, já que são muitos aspectos de vida, de idade, de vivência, de históricos escolares, de ritmos de aprendizagem muito variados. Isso tudo reflete de forma não tão facilitadora na sala de aula durante as produções textuais dos alunos. Diante da aversão que muitos alunos têm da escrita e a dificuldade que o professor tem em tornar o aluno um sujeito autor, foi o que nos motivou a pesquisar sobre esse tema e como isso responder a duas inquietações que norteiam todo professor de Língua Portuguesa, principalmente, os que trabalham com a EJA: Quais os indícios de autoria e estilo nos textos dos discentes do Ensino Médio na modalidade EJA no que diz respeito ao posicionamento discursivo? Como está sendo desenvolvido o trabalho para a construção de uma escrita reflexiva e com autoria em textos dos discentes do Ensino Médio, modalidade EJA? Sendo assim, segundo um ponto de vista linguístico-discursivo, o presente trabalho tem como proposta investigar nos textos de alunos do ensino médio, modalidade EJA os prováveis indícios de autoria e estilo e o processo evolutivo do posicionamento dos discentes com relação à escrita, tendo como parâmetro os objetivos específicos que colaboram para a construção do corpus desse trabalho são: i. analisar teorias sobre indícios de autoria e estilo; ii. Analisar como os indícios de autoria e estilo apresentam-se nos textos e o processo evolutivo do posicionamento dos discentes com relação à escrita; iii. refletir sobre a mudança de paradigma da linguagem escrita em decorrência da consciência e inserção dos educandos nas práticas sociais de produção de leitura e escrita sobre a visão dos fenômenos da linguagem. Como ponto de partida nos apoiamos nas concepções teóricas de Bakhtin (2003) sobre gênero discursivo, enunciação e sobre a relação do sujeito/linguagem como um fenômeno social, histórico em diálogo, com Possenti (2002a, 2001a, 2001b[1998]) sobre indícios de autoria e estilo na produção textual dos alunos do ensino médio da Eja, segundo um ponto de vista linguístico-discursivo.

  • LARA EMANUELLA DA SILVA OLIVEIRA
  • A narrativa digital em Língua Espanhola: Leitura e produção de sentidos
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 18/07/2018
  • Dissertação
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  • O texto, inclusive o literário, passou por grandes transformações depois que as Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC) surgiram e mudaram o cenário tanto de produção quanto de leitura. A literatura ganhou um suporte diferente e migrou do livro para a tela do computador. Com isso, ela adquiriu uma interface interativa que pode ser hipertextual e ou hipermídia. Tendo em vista esses fatores, essa pesquisa versa sobre a narrativa digital e quais as dificuldades e desafios encontrados para a realização deste tipo de leitura. Questionou-se o que é a narrativa digital e como os alunos conseguem significar o que estão lendo em textos relativamente fragmentados. Com intuito de responder a essas questões, além de um levantamento bibliográfico, usou-se como fonte para a obtenção de dados instrumentos como o questionário, a entrevista e o Blog Mucho Gusto, desenvolvido especialmente para a execução deste trabalho. A pesquisa se realizou com alunos do 6º período dos cursos de Letras Português/Espanhol, da Universidade Federal de Sergipe. Foram utilizados como referencial teórico os conceitos de Bakhtin (1992b, 1997), Coscarelli (2009, 2012), Soares (2000, 2008, 2012) entre outros.

  • VIVIAN ARAUJO FONTES RIBEIRO
  • ESTRATÉGIAS DE PRESERVAÇÃO DE FACES NO CIBERESPAÇO: ASSÉDIO SEXUAL EM CENA
  • Orientador : LEILANE RAMOS DA SILVA
  • Data: 11/04/2018
  • Dissertação
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  • Nos estudos pragmáticos, toda interação verbal face a face é intrinsecamente ameaçadora, pois os falantes, ao entrarem em contato uns com os outros, promovem o desequilíbrio das faces e fazem uso de estratégias para protegê-las. Dessa forma, os interlocutores adotam estratégias de preservação de face, uma vez que a preocupação com a imagem social é claramente observada nos indivíduos. A preservação de face ocorre por meio do que se reconhece em Linguística como “estratégias de polidez”, utilizadas para impedir, atenuar ou reparar eventuais ameaças à face do locutor ou do interlocutor, com o propósito de manter o equilíbrio nas relações interpessoais. Este estudo busca refletir sobre as estratégias de preservação de face, acusação e polidez linguística nas falas e nos comentários online sobre o caso que envolveu o ator José Mayer Drumond, 67 anos, e a figurinista Susllem Meneguzzi Tonani, 28 anos. Analisam-se, então, o comportamento linguístico e o modo como as estratégias de construção de face se materializam nas interações, com o objetivo de investigar as acusações de motivação machista como preservação de faces. Tal análise se constitui a partir dos seguintes questionamentos: i) As matérias jornalísticas sobre o referido fato veiculam efeitos polidos? ii) Os discursos dos jornalistas, de José Mayer e das pessoas que comentaram veiculam também efeitos polidos? iii) Como são estruturados esses efeitos? iv) Como o ator José Mayer utilizou as estratégias de polidez para efetivar sua nota de esclarecimento e manter a imagem de si diante de uma polêmica? v) Até que ponto os leitores das matérias que fizeram comentários online conseguem conciliar harmonicamente a preservação de si e o respeito ao outro? Para dar conta de tal proposta, recorre-se ao aporte teórico do modelo de polidez de Brown e Levisnson (2011 [1987]) e nas reformulações feitas por Kerbrat-Orecchioni (2006). Dá-se vez, também, a trabalhos como o de Armengaud (2006), Pinto (2001), Paveau e Sarfati (2006), os quais lidam com grandes teorias da Linguística e, especificamente, com a Pragmática. De modo geral, os resultados obtidos na análise apontam para uma maior utilização de estratégias de polidez pelo ator, pois precisa manter um equilíbrio nas relações pessoais estabelecidas com o público. Já a figurinista mostra que quer desconstruir a face dele, sem a necessidade de preservar a dela. Da mesma forma, alguns comentários online mostram a indignação com a denunciante por não ter denunciado o ator antes ou por ter interrompido a denúncia que houvera feito, visto que os comentadores não têm necessidade de suavizar a ameaça a sua face.

  • JOSÉ RAFAEL SANTANA VALADÃO
  • O Expressionismo em Angústia, de Graciliano Ramos
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 28/02/2018
  • Dissertação
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  • Angústia (1936), terceiro romance escrito por Graciliano Ramos, é certamente o que mais chama a atenção, tanto pela estranheza das descrições, quanto pela extrema carga psicológica. Sua configuração estética é peculiar. Partimos da hipótese de que o romance dialoga com a arte expressionista, principalmente no aspecto descritivo da realidade e no estado melancólico e doentio do narrador-personagem. Diante de tal peculiaridade, o objetivo desta dissertação é analisar de que forma o Expressionismo, em seus aspectos ideológicos e estéticos, se faz presente em Angústia. As opressões causadas pela vida na capital, fruto de frustrações amorosas e financeiras, tornam-se os elementos fundamentais para a construção de um universo literário problemático e fragmentado. Dialogamos, portanto, com pinturas de Edward Munch, Oskar Kokoschka, entre outros, com o propósito de fazer uma análise comparativa das telas com algumas das imagens que aparecem na obra supracitada de Graciliano Ramos. Diante de tal desafio, utilizaremos o suporte teórico de alguns estudiosos e filósofos, como, por exemplo, Rosenfeld (1972), Aristóteles (2011), Schopenhauer (2005), Freud (2010), Bueno (2006), Candido (2006), Nunes (2000), além de outros comentadores de Graciliano Ramos e do Expressionismo.

  • RAMON DIEGO CÂMARA ROCHA
  • CHÃO DE MENINOS: O ESPAÇO LITERÁRIO NA NARRATIVA MEMORIALISTA DE ZÉLIA GATTAI
  • Orientador : CICERO CUNHA BEZERRA
  • Data: 28/02/2018
  • Dissertação
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  • A pesquisa em relevo trata de analisar, por meio do livro Chão de meninos, da autora baiana Zélia Gattai, como a interiorização do universo ficcional, apoiada em uma tratamento estético com a linguagem, gerou espaços de fronteira entre a literatura e o gênero autobiográfico, refletindo sobre o espaço do literário no universo composicional de sua narrativa. Para isso, dividiremos nossas reflexões em três partes integradas que constiuirão o todo de nosso pensamento. No primeiro capítulo, intitulado As bifurcações do espaço literário, procuramos demonstrar não só a importância da literatura enquanto guardiã do não-dito, como criação de um espaço literário no cerne do texto autobiográfico, expandindo os limites de composição estética e refletindo sobre determinados enquandramentos institucionais, tanto do texto autobiográfico, quanto do literário. Neste direcionamento e, valendo-nos do arcabouço teórico da filosofia e da teoria literária, apoiaremo-nos em autores que se debruçaram sobre esse tema, a exemplo de Phillippe Lejeune, Pierre Bourdieu e Leonor Arfuch. Já no tocante ao estudo desses textos em si, tomaremos como metodologia uma abordagem hermenêutico-fenomenológica desse espaço de criação, dialogando com autores como Maurice Blanchot, Hans George Gadamer, Martin Heidegger, entre outros. Ainda neste primeiro momento de nossos questionamentos, veremos também como a reorganização do mnemônico se deu nessa nova produção, em especial na literatura brasileira. Neste âmbito, autores como Alfredo Bosi e Antonio Candido também nos servirão de base, ao refletirmos sobre certos aspectos memorialistas em nossa literatura. No segundo capítulo, intitulado O espaço literário nas narrativas de memória, discutiremos como algumas produções memorialistas no Brasil, dando ênfase à da escritora baiana, constuíram um espaço literário no cerne de sua expressão verbal, através de um tratamento estético do vivido. Aqui lançaremo-nos à memória enquanto matéria de nossa percepção do mundo, atrelada a uma construção estético-espacial do narrado. Para uma melhor compreensão dessa disposição composicional valeremo-nos de autores como Henri Bergson, Benedito Nunes, Antonio Cândido e Luiz Costa Lima, entre outros. Já no terceiro e último capítulo, Firmando-nos em um chão de meninos, veremos como se manifesta o espaço literário na narrativa de Chão de meninos, debruçando-nos, de forma mais enfática, sobre a obra de Zélia e evidenciando sua composição narrativa em uma estética fronteiriça, entre o literário e o autobiográfico através da espacialização de suas lembranças no seio de sua expressão verbal. Nesse sentido, autores como Luís Alberto Brandão, Henri Bergson, e Paul de Man serão essenciais nesse percurso.

  • WALESKA DA GRAÇA SANTOS
  • Representação feminina nas HQs e construção de identidade: a personagem Wonder Woman como símbolo de empoderamento feminino
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 28/02/2018
  • Dissertação
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  • No processo de construção de identidades, os meios de comunicação e entretenimento atuam como ferramentas que contribuem para a formação do indivíduo. Estes meios são responsáveis por refletirem estereótipos que compõem a sociedade, e muitas vezes a forma subjetiva exposta por esses canais de comunicação reproduz um olhar unilateral acerca da sociedade, o que em muitas ocasiões privilegia o olhar daqueles que detêm o domínio da palavra. Dentre as tantas categorias coisificadas e/ou apagadas por esses meios estão as mulheres. Os estereótipos femininos, apesar de muitos, não são tão diversificados, pois em geral as mulheres são representadas como a mãe, a esposa, a donzela em perigo, a amante, dentre outros, todos criados para estabelecer o local da mulher na sociedade. A luta por visibilidade feminina não é recente e uma das motivações desse luta deve-se à forma como as mulheres são representadas na mídia. O presente trabalho tem por objetivo analisar e discutir a forma como as mulheres são representadas no gênero HQ (Histórias em Quadrinhos); para tanto, analisaremos a personagem Mulher Maravilha, que, apesar de vista como símbolo de empoderamento feminino, carrega várias marcas da visão masculina sobre a mulher. O desenvolvimento das análises propostas por esse trabalho seguirá perspectivas teóricas tais como a Análise Crítica do Discurso, de Fairclough (2012), a Teoria Multimodal do Discurso, de Kress e Van Leewen (2001) e Van Leewen (2005). A leitura das imagens que compõem o gênero analisado também usará o aporte do Letramento Crítico.

  • JOÃO PAULO SANTOS SILVA
  • GRAÇA NO DESSOSSEGO: NAS VEREDAS DA COMICIDADE E DO RISO
  • Orientador : JACQUELINE RAMOS
  • Data: 27/02/2018
  • Dissertação
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  • Em Grande sertão: veredas (1956) o tom sério da narrativa se mescla com o aparecimento de elementos cômicos que, apesar de esparsos, participam da estruturação da narrativa. Este estudo analisa de que forma se dão as manifestações da comicidade, tais como procedimentos, técnicas, estruturas cômicas, chistes, bem como a representação do riso nesse romance, de Guimarães Rosa, buscando relacionar esses elementos com o enredo. Para tanto, partiremos de um instrumental teórico sobre o cômico e o risível, a saber, Aristóteles (2008), Bergson (2007), Freud (1977), Jolles (1976), Propp (1992), Minois (2003), além das discussões críticas de Candido (1990), Galvão (1986), Nunes (2013), Utéza (1994) e Hansen (2000). Ademais, a função desempenhada pelos processos cômicos presentes nessa narrativa nos permite compreender o papel da comicidade nas suas distintas formas no romance rosiano. Assim, foi possível discutir as relações entre o sério e o cômico, bem como o constante alívio de tensões. As recriações linguísticas rosianas, conforme as discussões de Freud (1977), derivam em prazer em momentos de tensão, suscitando um alívio, o que permite não só que o leitor prossiga na leitura, como também que a narrativa, porque densa devido às tensões das batalhas dos jagunços, flua com momentos de distensão. Ainda a funcionalidade vai além disso: a relativização de valores e de comportamentos que repensam a lógica usual do mundo talvez seja o mais recorrente. Nesse caso, apontam nossas análises, o cômico decorre de uma inversão da lógica cultural e concorre para a superação de preocupações metafísicas pela via do riso.

  • MAIANE VASCONCELOS DE BRITO
  • DISCURSO DO SUJEITO SURDO SOBRE SUA EDUCAÇÃO: contribuições da Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso
  • Orientador : CLEIDE EMILIA FAYE PEDROSA
  • Data: 27/02/2018
  • Dissertação
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  • A educação do surdo enfrenta, atualmente, uma difícil definição no que diz respeito ao modelo que melhor atenda às necessidades educacionais do aluno com surdez no Brasil. A relevância desta pesquisa reside em evidenciar as discussões acerca do assunto protagonizadas pelos sujeitos surdos no que se refere à modalidade de ensino que contempla melhor sua comunidade. Para isso, objetivamos analisar os discursos dos surdos sobre o papel da escola especial, da inclusiva e da bilíngue, dentro do contexto mais amplo da política educacional inclusiva e da influência dessa conjuntura de transformação social para a constituição dos sujeitos e suas identidades. Nesse sentido, esta investigação situa-se na Análise Crítica do Discurso (ACD) (FAIRCLOUGH, 2001; 2003), mais especificamente na Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso (ASCD) (PEDROSA, 2012; 2013; 2014; 2016), além de que a referida abordagem dialoga fortemente com a Sociologia para a Mudança Social – SMS – (BAJOIT, 2006). Para darmos conta da análise linguística, pré-requisito para uma análise em ACD, nos debruçamos sobre a Linguística Sistêmico-Funcional (ALMEIDA, 2010) e em seu sistema de avaliatividade para trabalharmos com seus subsistemas de atitude e gradação, visualizando, nos discursos dos surdos, como eles avaliam os processos educacionais por meio da discussão da temática. Da SMS, classificaremos as identidades e os tipos de sujeitos que se constituem através do trabalho de gestão relacional de si. Nossa pesquisa é caracterizada pelo tipo qualitativo-interpretativo, utilizando vídeos de surdos do canal YouTube com o propósito de coletarmos os dados. O corpus é constituído por 7 vídeos que resultaram em 17 recortes discursivos a serem analisados, nos quais os surdos se posicionam frente à escola especial, à inclusiva e à escola bilíngue para surdos. Com efeito, a pesquisa levanta uma discussão em torno das modalidades de ensino para surdos e de qual parâmetro deve ser seguido para que o processo de aprendizagem para essas comunidades seja pleno, entre a inclusão defendida pela lei e por muitos especialistas ou o bilinguismo, método defendido unanimemente, por proporcionar de fato uma inclusão social e política do povo surdo.

  • CRISTIANE SILVA SANTOS
  • ANÁLISE DISCURSIVA DAS NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA AS LICENCIATURAS
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 27/02/2018
  • Dissertação
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  • São grandes as transformações sociais, políticas e econômicas pelas quais o Brasil tem passado nos últimos anos e obviamente com reflexos em todas as áreas da sociedade. Na educação escolar, campo de formação dos indivíduos, essas mudanças são “propostas” através da legislação que regulamenta o ensino e apresenta um discurso de atendimento às novas demandas sociais. No conjunto da legislação sobre formação de professor na Educação Básica, foram aprovadas e homologadas em 2015 as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para as Licenciaturas. Esse documento propõe uma política de formação e de valorização do magistério em um contexto político e econômico que contradiz a própria legislação e, por isso, é pertinente uma análise discursiva do documento e dos sentidos produzidos a partir da sua publicação. Assim, essa pesquisa tem como objetivo principal desvelar os sentidos presentes no funcionamento do discurso da formação de professores nas DCNs utilizando a instrumentação teórica da AD francesa. Utilizamos como aporte teórico Pêcheux (1990, 2010, 2014, 2015), que funda a teoria de leitura não subjetiva e alicerça o discurso como materialidade histórica acessada através dos textos; Althusser (1998); Orlandi (2000, 2014, 2015); Foucault (2007) como também os estudos que envolvem o campo da educação, voltados para formação do professor e para as bases que fundamentam a legislação educacional em vigor, dispostos por Libâneo (2010, 2012) e outros autores, cujas críticas contribuem para elaboração do nosso trabalho. Selecionamos como objeto de análise o discurso sobre a formação do professor, presente nas Novas Diretrizes Curriculares Nacionais. Para atender ao objetivo de nossa pesquisa, utilizamos a metodologia de pesquisa qualitativa, especificamente a Análise do Discurso francesa, cujo objetivo é compreender o funcionamento dos discursos no objeto já citado buscando neles os efeitos de sentido. Para atender ao objetivo de nossa pesquisa, selecionamos como corpus as sequências discursivas contidas na Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015 e elaboramos as questões a seguir para nortear nossa análise, quais sejam: a) Como se apresenta a proposta de formação de professores nas novas diretrizes? b) Em que contexto essas DCNs foram/estão sendo apresentadas? c) Quais são as posições-sujeito ocupadas pelos interlocutores? d) Que formações discursivas/ideológicas estão envolvidas nessas propostas? e) Quais efeitos de sentido presentes nas propostas/políticas da concepção atual de docente? Constatamos a retomada de “já ditos” em propostas que se colocam como solução para atender as novas demandas sociais da profissão docente e que se relacionam a outros discursos fortemente influenciados pela concepção da política neoliberal do capital, manifestos pela formações discursivas do mercado, representadas pelas posições-sujeito de quem detém o poder para instituir as normativas do ensino e disciplinar os indivíduos.

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  • ÉRIKA RAMOS RIBEIRO
  • FEMINISMO E EMPODERAMENTO: DISCURSOS CONTRA-HEGEMÔNICOS EM PROPAGANDAS DE COSMÉTICOS PARA MULHERES
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 27/02/2018
  • Dissertação
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  • A figura feminina historicamente foi (e ainda é) considerada submissa ao homem, prevalecendo como característica social a supremacia masculina na sociedade patriarcal. Entretanto, através dos movimentos feministas, que se iniciaram no século XIX, mas tiveram maior apoio a partir do século XX, houve uma significativa contribuição da emancipação e evolução da mulher como cidadã pública, modificando seu papel e condição econômica e política. Considerando-se então toda a discussão sobre a problemática social do comportamento da mulher e sua condição inferior sob a dominação masculina, este trabalho busca analisar discursos contra-hegemônicos presentes em algumas propagandas de cosméticos para mulheres, ou seja, compreender a maneira como o ser feminino está sendo retratado sob a ótica da mídia. A publicidade, através das propagandas, constitui um discurso construído a partir de vários outros discursos, saberes, crenças e práticas, que trazem orientações, conselhos e imposições, portanto é um espelho da sociedade que reflete e reafirma a lógica vigente. Numa nova configuração social, a mulher não pode ser vista apenas sob o enfoque de mãe e dona de casa. A mulher moderna busca direitos e empoderamento, que pode ser compreendido como uma noção de pessoas guiando suas próprias vidas, fazendo suas escolhas, tendo controle dos seus destinos. Para tal estudo, três propagandas compuseram a corpora desta pesquisa: duas do ano de 2016, das empresas Avon e Quem disse, Berenice?, e outra, de 2017, da empresa de cosméticos Natura. Em todas, observou-se a representação da mulher como um indivíduo livre com direitos a escolhas. Para tal resultado, buscou-se como metodologia a Análise do Discurso de Linha Francesa, pautando-se em Michel Pêcheux (1988, 1990, 1997), e outros referenciais teóricos, como Helena Brandão (2009), Eni Orlandi (1995, 2000, 2007), Raymond Williams (1973, 2011), Branca Moreira Alves e Jacqueline Pintaguy (1891), Céli Regina Jardim Pinto (2004).

  • RICARDO DANTAS SOARES
  • O papel dos jogos eletrônicos no processo educativo de jovens alunos
  • Orientador : VANDERLEI JOSE ZACCHI
  • Data: 26/02/2018
  • Dissertação
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  • Muito se discute sobre o papel dos jogos eletrônicos na vida de jogadores na sociedade atual. Sabemos que são instrumentos lúdicos presentes no ambiente familiar. No entanto, questionamos se eles contribuem para o conhecimento e aprendizagem de jogadores. Por isso, este trabalho tem por objetivo investigar conhecimentos que os jogadores estão adquirindo ao jogar. O público-alvo para análise são jogadores-estudantes do ensino médio de uma escola privada de Aracaju. Identificamos que os jogadores analisados afirmam aprender vocabulário da língua inglesa enquanto jogam, ainda que este não seja seu objetivo, o que lhes facilita as jogadas e a leitura de textos escritos em língua inglesa. Suscitou daí o questionamento: será que os jogos eletrônicos somente ensinam vocabulário da língua inglesa? Para definir o caminho da pesquisa, delimitamos as seguintes perguntas: até que ponto os jogos eletrônicos possibilitam a aprendizagem cultural e a formação social dos jogadores? De que forma os jogos eletrônicos estimulam conhecimento e aprendizagem para a vida real dos jogadores? Para dar alicerce aos questionamentos, nosso aporte teórico considera as discussões sobre aprendizagem e letramento em jogos (GEE, 2007a, 2007b, 2005, 2004), educação e escolarização (ANDREOTTI; SOUZA, 2007), práticas educativas em jogos (SQUIRE, 2006) e aprendizagem (WIRTH; PERKINS, 2008), dentre outros autores. A metodologia abordada está delimitada nos estudos em análise qualitativa (NEVES, 2006), enquanto que o levantamento de dados está circunscrito a entrevistas gravadas e questionários escritos. Pode-se perceber, no contexto dos envolvidos, aprendizagens sobre questões de conteúdos escolares e, ao mesmo tempo, formações educativas, como a superação de problemas de humor, timidez, além de conscientização ética e social.

  • MAYARA MENEZES SANTOS
  • VILHENA, COLONO ILUSTRADO: A FRONTEIRA ENTRE O LITERÁRIO E O HISTÓRICO NO ESTILO CLÁSSICO PORTUGUÊS
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 23/02/2018
  • Dissertação
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  • A natureza do ensaio própria da escrita colonial brasileira é tradicionalmente vinculada ao caráter histórico, documental e descritivo, porém é inegável a dimensão estético-literária das cartas-narrativas e dos cronicões que nos convidam a compreender os desejos e as esperanças de alguns personagens no “viver em colônias”. A flexibilidade desse gênero expressa uma relação entre pensamento à palavra, de experiência a observação. Nesse sentido, analisaremos um testemunho no qual há a existência de duas linhas engenhosas – literatura e história - do saber reconhecíveis no texto, uma subordinada à outra, visando compreender o caráter que modelava as narrativas portuguesas e influenciava as primeiras produções no Brasil. Daremos destaque ao professor de grego Luís dos Santos Vilhena, um intelectual português que cultivava os padrões estéticos da antiguidade clássica, e que deixou seu testemunho na narrativa intitulada Recopilação de Notícias Soteropolitanas e Brasílicas (1802). Como um pensador do Reformismo Ilustrado, Vilhena antecipou a crise do Sistema Colonial e, ao mesmo tempo, realizou um diagnóstico social, político e econômico, apresentando propostas de reforma na Colônia. Por outro lado, nas notícias e descrições das Capitanias da Bahia de Todos os Santos, verificam-se a alusão ao mundo clássico, principalmente ligado a mitos, heróis e eventos gregos, latinos e romanos, bem como nomes de poetas e filósofos, estabelecendo relações entre estes e pessoas comuns e ilustres de seu tempo. Centrado nessa dualidade, nesse trabalho propomos, inicialmente, um diálogo entre História e Literatura, entendendo que, até o século XVIII, considerava-se a matéria literária um recurso nos relatos históricos, para, em seguida, compreender a história cultural entre a metrópole e a colônia ditadas por ideias iluministas. Para alcançar esses objetivos, faz-se necessário o estudo das edições e da recepção do manuscrito de Vilhena. Feito isso, realizaremos o levantamento e a apreciação dos elementos ficcionais que compõem o próprio discurso ilustrado, cujas produções de sentidos coexistem em seus mecanismos metafóricos, que remetem ao caráter híbrido do gênero ensaístico. Para essa análise histórico-literária, baseada em Antônio Candido (2005), será utilizada a 1ª edição do Acadêmico Braz do Amaral (1921). Com isso, buscamos nos esquemas alegóricos resgatar a ficcionalidade das cartas-narrativas na formação da Literatura Brasileira, que por meio de um discurso literal figurado orna, mas desvela os sentidos das coisas, dos homens e dos reais acontecimentos naquela época, permitindo, dessa forma, uma reflexão de valores e sentimentos através do instrumento literário.

  • LUCIARA LEITE DE MENDONÇA
  • QUATRO REPRESENTAÇÕES DE ZUMBI DOS PALMARES EM CORDEL ÉPICO
  • Orientador : CHRISTINA BIELINSKI RAMALHO
  • Data: 23/02/2018
  • Dissertação
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  • Partindo da ideia de que, na pós-modernidade, o gênero épico recebe um novo olhar, que também sugere a extensão ao cordel, investigaremos a representação mítico-histórica de Zumbi dos Palmares face ao diálogo entre o épico e o cordel na abertura de alternativas para a inserção de outros discursos (os silenciados) na História. Em vista disso, o tema deste trabalho é o estudo da representação épico-heroica, em cordel, de Zumbi dos Palmares, acompanhado de reflexões sobre a inserção desse herói na historiografia da nação e o modo como ele aparece retratado nas diversas obras literárias. A pesquisa tem por finalidade enfocar o tratamento histórico e mítico dado à figura heroica de Zumbi dos Palmares em poemas de cordel que construam a representação desse herói, configurando-se, por isso, como expressões de uma épica popular. Para isso, a discussão será desenvolvida em três etapas. Na primeira etapa, exploraremos as questões ligadas à incorporação de Zumbi dos Palmares à historiografia. Nessa etapa, refletiremos sobre a inserção de Zumbi dos Palmares na História (AUGEL, s/a; MOURA, 1972; REIS, 2004; GOMES, 2011; SANTANA, 2012; ARAÚJO, 2015), considerando os deslocamentos dos discursos hegemônicos. Refletiremos, principalmente, sobre as transformações que levaram o discurso histórico a ser renovado para recuperar os sujeitos esquecidos da história, aqueles que passaram a ter o espaço negado. No segundo momento, destacaremos os aspectos teóricos sobre a literatura de cordel e o gênero épico. Sinteticamente, faremos um estudo sobre a teoria épica e as categorias do épico, articulando as aproximações entre o gênero épico e a literatura de cordel. Inicialmente, consideramos o estudo do referencial teórico contido em História da epopeia brasileira (2007), de Anazildo Vasconcelos da Silva e Christina Ramalho, e Poemas épicos: estratégias de leitura (2013), de Christina Ramalho, de modo a se apresentar uma síntese das categorias teóricas épicas formuladas para, em seguida, relacioná-las ao próprio gênero cordel (PEREGRINO, 1984; CAVIGNAC, 2006; CURRAN, 2003; LUCIANO, 2012; ZUMTHOR, 2010). Na última etapa, analisaremos as obras selecionadas Zumbi, um sonho da igualdade (s/a), da escritora sergipana Josineide Dantas (Gigi), Zumbi dos Palmares Herói negro do Brasil (2007), de Fernando Paixão, Zumbi símbolo de liberdade (2008), de Antônio Carlos de Oliveira Barreto e Zumbi dos Palmares Em Cordel (2013), de Madu Costa, que contemplam a figura de Zumbi dos Palmares, com vistas à confluência entre o estético e o ideológico, ou seja, à relação dos aspectos estruturais que aproximam o cordel da poesia épica, ao mesmo tempo em que é construída a representação do heroísmo. O terceiro momento, portanto, se refere ao estudo do heroísmo épico presente nas obras escolhidas, pois o enfoque reconhece a dupla condição existencial do herói: a histórica e a mítica. Levaremos em consideração as seguintes questões: como Zumbi é descrito?; que eventos históricos são enfocados?; como se dá a inserção de Zumbi no plano maravilhoso? Há diferenças entre as obras no âmbito do registro histórico?; como a voz narrativa se configura?; como se configura o aparato linguístico em cada poema? A questão final será: cada um desses poemas em cordel pode ser considerado uma manifestação épica popular?

  • CLAUDIANA DOS SANTOS
  • A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO-LEITOR EM PROJETOS DE LEITURA: RESSIGNIFICAÇÕES A PARTIR DAS INSTÂNCIAS IDEOLÓGICAS
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 22/02/2018
  • Dissertação
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  • Desde a redemocratização, os estudos sobre a leitura no Brasil se desenvolvem sob diferentes perspectivas. Esta pesquisa tem por objetivo compreender a constituição do sujeito-leitor, na atualidade. Para realizar essa abordagem, selecionamos projetos de leitura, reportagens e documentos que circulam em instâncias ideológicas do espaço econômico, jurídico, religioso e do ensino. Com o aporte teórico-metodológico da Análise de Discurso de linha francesa, realizamos o estudo discursivo da forma sujeito-leitor. O referencial teórico é subsidiado por Michel Pêcheux (1995;1997; 2015); Eni P. Orlandi (2003; 2007; 2008; 2015); Maria do Rosário V. Gregolin (2006); S. Possenti (2003); José H. Nunes (1992; 2003), Helena H. Brandão (2012) e Eduardo Guimarães (1996; 2013). O percurso de análise é construído sob as seguintes categorias: discurso, forma-sujeito, ideologia, interdiscurso, formação discursiva, condições de produção, corpus, arquivo e recorte. Quanto à abordagem, a pesquisa apresenta um viés qualitativo e para a composição do corpus empírico, adotamos a pesquisa documental. No tocante aos resultados obtidos, o método identificou que na instância do econômico, os sentidos retomam o modo de funcionamento do sujeito do capitalismo, visto que há premiações e reconhecimentos financeiros pelo trabalho de leitura. Na instância do jurídico, o sujeito-leitor é constituído a partir de um modelo que retoma a memória de punição, o saber que provém da submissão às normas. Na instância do religioso, há o apagamento da construção do percurso de leitura e um trabalho de disciplinarização do sujeito-leitor. Na instância do ensino, especificamente nos objetivos do PNLL, identificamos os sentidos de um “discurso oficial” que garante o liberalismo da leitura, visando a formação de uma sociedade leitora. Em todas as instâncias, há o funcionamento de formações discursivas que retomam a prática pedagógica. Os sentidos operam na disseminação de uma cultura que valoriza e incentiva a leitura, desconstruindo o imaginário de uma sociedade que “não gosta de ler”. Sendo assim, a constituição do sujeito-leitor ocorre na dispersão dos diferentes tipos de leitura.

  • EDNA CAROLINE ALEXANDRIA DA CUNHA
  • OS IMPASSES AMOROSOS NA CRÔNICA DE PAULO MENDES CAMPOS
  • Orientador : CARLOS MAGNO SANTOS GOMES
  • Data: 22/02/2018
  • Dissertação
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  • Este trabalho se propõe a leitura intertextual da crônica de Paulo Mendes Campos, quando parte da solidão da alma humana para narrar os impasses amorosos entre homem e mulher em contextos que remetem a uma época de transformações socioculturais, entre as décadas de 1950 a 1960, especificamente. Trata-se de textos cuja poeticidade se revela pelo mosaico de formas híbridas entre ensaio, aforismo e poema em prosa. Desse modo, o narrador lírico-filosófico que há em Campos recorta seu fazer poético também para descrever o movimento do amor ao desamor. Entendemos que abordar a complexidade do tema amor a partir do texto literário é considerar o poder de representação que há na escrita criativa, sobretudo, diante da leveza do gênero crônica que fala ao leitor em seu cotidiano. Davi Arrigucci compreende a ambiguidade da crônica na formação de um narrador-cronista deslocado. Para discutir o modo como vão sendo constituídas as relações amorosas neste cenário, investigamos o olhar poético e cético de Campos a fim de compreender as influências do meio na constituição do sujeito, mediante o deslocamento e a descentralização das identidades fragmentadas, conforme Stuart Hall. Para os diferentes conceitos sobre o amor, enfatizamos as teorias em Zygmunt Bauman e a ideia de amor líquido. Além disso, amparamos nossas análises pela perspectiva da intertextualidade, conforme Perrone-Moisés e Samoyault, cujo método amplia as significações das crônicas analisadas, permitindo travessias de fronteiras entre forma e sentido. Logo, pela intertextualidade é possível preencher as leituras anteriores, pois, os textos nunca estão completos e apontam a relação semântica para uma mesma palavra. Assim, no capítulo 1, descrevemos a crônica híbrida entre jornalismo e literatura no momento que revela a carreira dupla de Campos. Assim, delineamos sua postura como sujeito-leitor e traços da escrita a fim de questionar suas crônicas quando parte da solidão para os desencontros amorosos entre casal. No capítulo 2, contextualizamos especificidades das crônicas de Campos pela abordagem das rupturas afetivas entre amantes, ao mesmo tempo que descrevemos o livro O amor acaba, objeto de nossas análises. No capítulo 3, desenvolvemos um recorte intertextual pela literatura brasileira, pois, considerando que os textos são inacabados, entendemos que dialogando com outros textos da tradição ampliamos os conceitos para os impasses amorosos em Campos, e assim, apontamos um viés literário à consciência crítica do referido cronista.

  • EDILENE OLIVEIRA DA SILVA FEITOSA
  • A CONSTRUÇÃO DO SUJEITO DA ESCRITA EM INSTRUMENTOS LINGUÍSTICOS:GRAMÁTICO X LINGUISTA
  • Orientador : WILTON JAMES BERNARDO DOS SANTOS
  • Data: 20/02/2018
  • Dissertação
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  • Neste trabalho, buscamos analisar discursos presentes em instrumentos linguísticos, como manuais de redação oficial, de redação jornalística e materiais do ensino. A fim de compreendermos a constituição do sujeito da escrita nesses instrumentos, consideramos discursividades históricas e ideológicas: a implantação da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB, 1959) e o processo de redemocratização, com a instauração de novos documentos para o ensino, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1997). Para tanto, utilizamos como arcabouços teóricos, textos de M. Pêcheux (1990; 1983) e de E. Orlandi (2012; 2009; 2008; 2000; 1999) contemplando os princípios da Análise de Discurso. Do ponto de vista da história das ideias Linguísticas, trabalhamos a partir de S. Auroux (1992; 1998) com o conceito de gramatização e com E. Guimarães (1996) sobre a gramatização no Brasil. O objeto de análise são as posições ocupadas pelo sujeito da escrita, são os discursos em circulação em peças selecionadas nesses instrumentos: capas, folhas de rosto, sumários, apresentações, orelhas, notas e introduções. A construção do corpus empírico foi a partir de trabalhos propostos por Bernardo-Santos (2016) acerca das regiões periféricas dos volumes. As análises e discussões realizadas nos levaram a compreender posições ideológicas diversas e em embates com exterioridades discursivas que afetam o sujeito e o fazem funcionar ora do lugar (posição) do gramático tradicional, ora do lugar do linguista, ora do religioso, do jurídico, do político. Contudo, de acordo com as análises, as posições gramático e linguista prevalecem na construção do sujeito da escrita.

  • ELBA SILVEIRA CHAGAS SILVA
  • IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF: ESPETACULARIZAÇÃO E LEGITIMAÇÃO NA MÍDIA DA VEJA
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 08/02/2018
  • Dissertação
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  • No espaço midiático, há uma disputa de forças políticas e ideológicas que intervém diretamente no processo de formação discursiva dos sujeitos que são afetados por uma exterioridade discursiva da língua. De acordo com Filho (2003), política e mídia se relacionam desde a metade do século passado. Portanto, a politização da mídia não é um fato novo, o que vem a ser novidade é o fato de surgir uma nova maneira de tratar as informaçães/acontecimentos sob a égide da espetacularização. Diante disso, esta pesquisa desenvolveu-se por meio do método qualitativo-interpretativista, fazendo uma análise vertical dos recortes discursivos e relacionando-os ao contexto sócio-histórico, procurando trabalhar os sentidos inscritos na opacidade da linguagem. As análises versam sobre o acontecimento do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e seu corpus é constituído por cinco edições da Revista Veja, dos anos de 2015 e 2016 – período em que se deu a produção de discursos que contribuíram de forma significativa para a aceitação, legitimação e concretização do fato histórico-discursivo – o Impeachment. Partindo da ideia de Gregolin (2003), que destaca a mídia como sendo a responsável por exercer a função de porta-voz dos interesses coletivos do povo, através do confrontamento com agentes políticos, mostramos neste estudo qual o limite dessa confrontação, pois os discursos são atravessados por Formações Discursivas (FDs) que representam ideologias, e estas exercem a interpelação dos sujeitos. Hoje, mais do que nunca, a mídia integra discursos políticos à sua prática discursiva ao reportar acontecimentos, e isso interfere no curso da história, no modo de agir e pensar do leitor/telespectador, tendo em vista que os fatos são passíveis de inúmeras interpretações. As análises que são feitas neste trabalho seguem a vertente da Análise do Discurso de linha francesa (AD), e as reflexões acerca do objeto são alicerçadas pelas ideias de estudiosos como Pêcheux e Fuchs (1975), Gadet e Hak (2010), Orlandi (2009; 2012), Brandão (2012), Gregolin (2003), Piovezani e Sargentini (2016), assim como outros teóricos. Diante das análises, compreendemos que a revista em seus discursos se lançou na tarefa de naturalizar o Impeachment com investidas constantes de interpelação/assujeitamento. O sujeito enunciador refletiu práticas ideológicas advindas de interdiscursos que se filiavam a determinadas posições ideológicas, demonstrando parcialidade ao tratar do assunto Impeachment. De acordo com a AD, uma das variáveis para que haja esse efeito de sentido é a existência da relação de forças que regulam o pensamento dos sujeitos por meio dos Aparelhos Ideológicos de Estado, como podemos atestar em Althusser (1985). A partir da formação discursiva da Veja, percebemos que, através do silenciamento de outros discursos, a revista manteve uma postura de ultradireita, atendendo a interesses de uma determinada classe, e não demonstrou posição de neutralidade ao abordar fatos da política brasileira, objetivando desgastar a imagem pública de Dilma e do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual ela é filiada. O campo midiático politizado atuou com seus discursos docilizando “os corpos”, por meio da produção de mecanismos de controle, como mostra Foucault (1987).

  • SAMUEL SANTOS
  • O DISCURSO MIDIÁTICO ACERCA DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA
  • Orientador : FABIO ELIAS VERDIANI TFOUNI
  • Data: 31/01/2018
  • Dissertação
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  • A qualidade da educação básica pública brasileira tem sido significada como uma calamidade, seja pela mídia, pelas pesquisas (avaliações em larga escala) ou pelo pronunciamento de atores sociais (GUSMÃO, 2010). Essa temática é cada vez mais recorrente nos discursos sobre educação, no país. A presente pesquisa tem por escopo compreender como os elementos discursivos, presentes no campo midiático, significam a qualidade da educação pública de base do Brasil. Para o desenvolvimento desse estudo situamos-nos em teoria e metodologia da Análise do Discurso no Brasil, de matriz francesa, focando nos estudos de Orlandi (1998, 2008, 2009, 2012 e 2014), Althusser (1998), Brandão (2012), Pêcheux (1997, 1999), Courtine (2003, 2014) e demais autores que desenvolveram pesquisas acerca do discurso e mídia e também sobre qualidade em educação. O corpus desse trabalho é constituído por notícias, recortadas do ano de 2016, de três sites: Uol, Último segundo- IG e Portal da Unicamp, que evidenciam os discursos expostos na mídia em volta da questão. Diante do corpus coletado, as seguintes perguntas da pesquisa nortearam o desenvolvimiento analítico: a) Como a mídia trata e encaminha essa questão da qualidade da educação básica brasileira? b) Quais ideologias atravessam essa questão? c) Quais discursos são proferidos? d) Qual (is) causa (s) e solução (ões) é (são) apontada (s) pelo campo midiático acerca dessa questão? Os resultados obtidos da nossa investigação apontam que o conceito de qualidade, assim como os discursos sobre educação, no Brasil, são fortemente interpelados pela ideologia capitalista neoliberal. Diante disso, podemos notar que sujeitos enunciadores, educação e o termo “qualidade” são constituídos a partir dessa ideologia, em que, o que está em jogo é a educação para fins mercadológicos e, sobretudo, o reestabelecimento da abordagem neoliberal fortalecendo o discurso sobre a qualidade total na educação. Além disso, as avaliações em larga escala são significadas como parâmetros determinantes para medição da qualidade em educação e que ao sujeito professor, implicitamente, delega-se a maior parcela de culpa pelo fracasso na educação básica. Os discursos que atravessam o foco temático dessa pesquisa significam também a educação básica como o suporte da estrutura educacional, já que é fundamental para a sustentação das demais instâncias educativas.

2017
Descrição
  • TARCIZIO REIS DE JESUS
  • O USO DO CINEMA COMO RECURSO MULTIMODAL NO ENSINO DE LÍNGUA ESPANHOLA
  • Orientador : MARIA LEONIA GARCIA COSTA CARVALHO
  • Data: 31/08/2017
  • Dissertação
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  • Tendo em vista a complexidade inerente à nova configuração da sociedade pós-
    moderna, mudanças no âmbito do ensino de Línguas Estrangeiras (LE) estão cada vez
    mais em evidência. As relações entre diferentes culturas no mundo globalizado pedem
    uma nova perspectiva de ensino, voltada para a realidade de novas formas de
    letramento. Este trabalho se propõe a analisar a multimodalidade do cinema, visto que
    este é um produto constituído por várias formas de linguagem, mostrando assim um
    caráter multissemiótico que pode apresentar para o aluno não só a língua-alvo, como
    também alguns aspectos culturais. Para entender melhor como se dão as relações entre
    identidade e língua no contexto de globalização, buscou-se aporte teórico em Castells
    (1999, 2000), Giddens (1991, 2002), Stuart Hall (2002, 2006) e Ortiz (2003), levando
    em consideração os efeitos globalizantes nos trânsitos de identidades local e global.
    Para entender os gêneros discursivos, recorreu-se a Bakhtin (2003). Sobre as
    multissemioses presentes nos textos contemporâneos, recorreu-se às perspectivas
    apontadas pelo New London Group, em que Rojo (2013) alinha-se para uma discussão
    acerca da necessidade de aplicação da teoria dos multiletramentos no contexto de
    globalização, assim como também sugerem as OCEM (2006) sobre o ensino de Línguas
    Estrangeiras contextualizado. Sobre a proposta de uso do cinema em sala de aula,
    recorreu-se ao modelo sistemático de Napolitano (2013) e Almeida Filho (2008). Para
    entender a linguagem cinematográfica e o percurso histórico do cinema, buscou-se
    suporte em Costa (2009), e nas teorias de Eisenstein (2002), Bazin (1991) e Martin
    (2005). A partir da análise do filme “Todo sobre mi madre”, foi possível notar que os
    sentidos gerados pelos discursos que compõem o cinema, pressupõem um letramento
    voltado para a multimodalidade, que contemple as multissemioses, e no caso do ensino
    de Línguas Estrangeiras, uma forma de aproximar-se de outras culturas.
    .

  • MARCUS VINÍCIUS LIMA ARIMATEA PRADO SANTOS
  • A POÉTICA PRIMORDIAL DE MANOEL DE BARROS
  • Orientador : AFONSO HENRIQUE FAVERO
  • Data: 31/08/2017
  • Dissertação
  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação visa reconhecer e analisar determinadas acepções da poética de Manoel de Barros, como a linguagem infantil e as metáforas radicais que emprega. Trabalhando as imagens conhecidas em sua poesia, a da criança e a do homem primitivo, pretendemos uma associação entre as duas, bem como desenvolvê-la a ponto de revelar como Manoel de Barros constrói uma poesia que emula, deliberadamente, a fala dos povos primitivos.

  • ANTONIELLE MENEZES SOUZA
  • A trajetória mitopsicológica da personagem Joana em "Perto do coração selvagem", de Clarice Lispector
  • Orientador : ANA MARIA LEAL CARDOSO
  • Data: 30/08/2017
  • Dissertação
  • Mostrar Resumo
  • A TRAJETÓRIA MITOPSICOLÓGICA DA PERSONAGEM JOANA EM PERTO
    DO CORAÇÃO SELVAGEM, DE CLARICE LISPECTOR
    O presente trabalho objetiva analisar a trajetória mitopsicológica da personagem Joana a
    partir da obra Perto do coração selvagem (1944) de Clarice Lispector. Observamos que
    a literatura gesta inúmeros mitos, em sua grande maioria, pertencentes ao inconsciente
    coletivo, para assim expor de maneira artística a realidade. A ficção introspectiva dos
    romances e contos da escritora, acentua-se por meio da sondagem interior do ser
    humano transformando-se muitas vezes em uma busca microscópica. Desse modo, com
    o intuito de desvendar esta misteriosa galáxia interior, utilizaremos como suporte
    teórico os estudos de Carl Gustav Jung, no que tange às implicações psicológicas
    relativas embutidas na jornada do herói. Seguiremos baseados também na teoria de
    Joseph Campbell, que trata do herói mitológico para explicar o monomito: partida,
    iniciação e retorno, além do conceito de heroína a partir de Annis Pratt, consubstanciada
    na teoria campbeliana. Observamos que na poética de Clarice Lispector eclode o mito
    do herói, bem como o trilhamento pelo caminho tortuoso do ego ao vivenciar o processo
    de individuação, que implica a necessidade de introspecção e autoanálise, morte e
    renascimento simbólicos. Estes que terão a função de traduzir o inconsciente coletivo e
    individual da protagonista com vistas a questionar e tornar o espaço da mulher em
    sociedade mais inclusivo e igualitário, considerando o seu poder transformador. Desse
    modo, dialogaremos com as teorias juguianas na tentativa de mostrar como esse
    arquétipo se presentifica na construção da identidade da personagem Joana auxiliando-a
    no processo de desenvolvimento, expansão e transformação da consciência.
    A TRAJETÓRIA MITOPSICOLÓGICA DA PERSONAGEM JOANA EM PERTO
    DO CORAÇÃO SELVAGEM, DE CLARICE LISPECTOR
    O presente trabalho objetiva analisar a trajetória mitopsicológica da personagem Joana a
    partir da obra Perto do coração selvagem (1944) de Clarice Lispector. Observamos que
    a literatura gesta inúmeros mitos, em sua grande maioria, pertencentes ao inconsciente
    coletivo, para assim expor de maneira artística a realidade. A ficção introspectiva dos
    romances e contos da escritora, acentua-se por meio da sondagem interior do ser
    humano transformando-se muitas vezes em uma busca microscópica. Desse modo, com
    o intuito de desvendar esta misteriosa galáxia interior, utilizaremos como suporte
    teórico os estudos de Carl Gustav Jung, no que tange às implicações psicológicas
    relativas embutidas na jornada do herói. Seguiremos baseados também na teoria de
    Joseph Campbell, que trata do herói mitológico para explicar o monomito: partida,
    iniciação e retorno, além do conceito de heroína a partir de Annis Pratt, consubstanciada
    na teoria campbeliana. Observamos que na poética de Clarice Lispector eclode o mito
    do herói, bem como o trilhamento pelo caminho tortuoso do ego ao vivenciar o processo
    de individuação, que implica a necessidade de introspecção e autoanálise, morte e
    renascimento simbólicos. Estes que terão a função de traduzir o inconsciente coletivo e
    individual da protagonista com vistas a questionar e tornar o espaço da mulher em
    sociedade mais inclusivo e igualitário, considerando o seu poder transformador. Desse
    modo, dialogaremos com as teorias juguianas