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Dissertações/Teses

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2022
Descrição
  • DIENE OLIVEIRA SANTOS
  • DOMESTICAÇÃO DAS PLANTAS NA MESOAMÉRICA: UMA ABORDAGEM MACROECOLÓGICA
  • Orientador : PABLO ARIEL MARTINEZ
  • Data: 30/08/2022
  • Dissertação
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  • A domesticação de plantas e animais é um dos processos mais fascinantes da evolução. Ela modificou
    profundamente a relação do homem com a natureza, trazendo grandes vantagens adaptativas à nossa espécie. Contudo, existem muitas perguntas a serem respondidas sobre os fatores bióticos e abióticos que permitiram a domesticação. Uma das principais perguntas se relaciona ao porquê de algumas espécies terem sido domesticas e outras não. Isto se deve a características biológicas das espécies (ex. rápido crescimento, baixa dispersão, plasticidade fenotípica) ou as condições climáticas do local? Sendo assim, o principal objetivo do presente trabalho é avaliar se espécies domesticadas foram domesticadas em locais climaticamente mais favoráveis para elas ou foram domesticadas em locais onde elas não podiam sobreviver e se reproduzir facilmente. Para abordar nosso objetivo utilizamos modelagens de nicho climático para três espécies da família Solanaceae da Mesoamérica e realizamos a sua projeção para 6000 anos (inicio da domesticação na Mesoamérica). A primeira espécie a ser modelada foi Capsicum annum var. glabriusculum, progenitor selvagem da pimenta. As outras duas espécies foram Physalis patula e Physalis pubecens, duas espécies silvestres utilizadas pelas comunidades, mas que nunca foram domesticadas. Observamos baixa adequabilidade climática para o progenitor selvagem da pimenta, ao passo que, as adequabilidades climáticas das espécies não domesticadas foram maiores. Assim, foi observado que a domesticação das espécies interessantes ao Homo sapiens pode ocorrer em ambientes não tão favoráveis à espécie, com a corroboração da nossa hipótese de que espécies podem ser domesticadas em regiões distantes do seu ótimo climático. Ao longo dos próximos 12 meses, expandiremos as nossas análises para mais espécies reconhecidamente domesticadas e aumentaremos o pool de espécies não domesticadas. Esperamos assim, conseguir contribuir para um melhor entendimento dos processos que permitiram a domesticação das plantas na Mesoamérica.

  • SAULO EMANUEL SANTOS VALENÇA
  • Contexto biofísico das adaptações térmicas em mamíferos: uma abordagem mecanística
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 30/08/2022
  • Dissertação
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  • Entender os padrões de organização e variação da biodiversidade é uma das questões chave em ecologia e biogeografia. A relação entre os aspectos morfológicos e fisiológicos dos animais com as temperaturas ambientais, incluindo como se dão as trocas de energia entre os organismos e o meio, têm sido foco de estudos e debates na ecologia, ecofisiologia e biogeografia há décadas. Contudo, ainda não estão totalmente elucidados os mecanismos que explicam o gradiente geográfico de características relacionadas ao balanço térmico dos organismos, como a massa corporal ou o isolamento térmico promovido pelo tegumento. Mais recentemente, uma abordagem que vem sido utilizada para investigar essas questões são os modelos mecanísticos, que buscam entender os padrões observados a partir de seus mecanísticos subjacentes, incluindo processos biofísicos e fisiológicos. Este trabalho busca abordar a questão da variação geográfica em atributos físicos ligados ao balanço térmico em mamíferos a partir de um modelo biofísico mecanístico. Investigamos como os atributos (massa e isolamento térmico promovido pela camada de pelos) atuam na troca de calor e definem os gradientes desses atributos entre mamíferos terrestres. Para a construção do modelo, foram utilizadas equações bem conhecidas que descrevem o papel dos atributos nos processos biofísicos de convecção, condução e radiação do corpo de um mamífero típico com forma elipsoidal com diferentes níveis de alongamento. Empregamos uma analogia da lei de Ohm de resistências elétricas, mas aqui expressando como as estruturas corporais atuam como resistores impedindo a perda de calor corporal. Para entender a contribuição relativa de cada atributo no fluxo energético, utilizamos uma abordagem baseada em cálculo diferencial. Por fim, empregamos uma abordagem meta-analítica a fim de avaliar as predições do nosso modelo, utilizando estudos com evidências empíricas de diferentes espécies de mamíferos distribuídos globalmente e em diferentes linhagens. Observamos que o aumento no isolamento térmico (comprimento do pelo) sempre confere uma vantagem na economia de energia. Entretanto, essa vantagem é excedida pelo aumento do tamanho do corpo para animais cada vez maiores. Além disso, a forma do corpo (i.e., se mais ou menos alongada) exerce um papel importante na contribuição relativa da massa e do isolamento térmico. A predição do modelo de prevalência de gradiente de tamanho corporal (regra de Bergmann) em animais maiores foi corroborada pelos dados empíricos através da meta-análise. Portanto, propomos o aumento da camada de pelo parece ser uma adaptação mais importante para mamíferos de pequeno porte, enquanto que o aumento da massa para os de grande porte. Nossos resultados reconciliam a regra de Bergmann e a visão alternativa de Scholander (relacionada ao papel do isolamento térmico), e podem contribuir para um melhor entendimento acerca dos mecanismos que atuam no gradiente geográficos de atributos físicos, além de fornecer um marco teórico para investigar possíveis efeitos do clima sobre as respostas adaptativas das espécies.

  • CLAYANE MATOS COSTA
  • Estudo dendroecológico de espécies arbóreas na floresta sazonal seca no estado de Sergipe
  • Orientador : CLAUDIO SERGIO LISI
  • Data: 26/08/2022
  • Dissertação
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  • As florestas sazonalmente secas são um importante regulador climático global, um dos principais impulsionadores da dinâmica global do sumidouro de carbono e prevê-se que sofram reduções futuras em sua produtividade devido às mudanças climáticas. No entanto, pouco se sabe sobre como a variabilidade climática interanual afeta o crescimento das árvores e como as respostas ao clima variam entre espécies com estratégias de crescimento distintas. Nesse estudo três espécies de um remanescente de floresta sazonalmente seca (Caatinga), Cedrela odorata, Ceiba glaziovii e Spondias cytherea, possibilitou: apresentar um procedimento comparativo do crescimento das três espécies por meio de imagens da anatomia macroscópica empregando o software PowerPoint; e, avaliou as respostas do crescimento de duas destas espécies quanto a sensibilidade destas em relação ao clima. Por meio da anatomia macroscópica notaram-se anéis verdadeiros, falsos e ausentes, também foi verificado que a mesma espécie coletada em dois locais distintos, ou mesmo duas espécies ocorrentes no mesmo local, apresentaram períodos de crescimento semelhantes. Foram obtidas cronologias de larguras de anéis de crescimento de C. odorata e C. glaziovii possibilitando resultados sobre a variabilidade de crescimento e sua correlação com fatores climáticos regionais (precipitação, temperatura) e globais (Temperatura do oceano e El Niño Oscilação Sul - ENOS). A precipitação mostrou-se o principal fator ambiental que estimulou o crescimento das árvores das duas espécies. A C. odorata apresentou maior sensibilidade de crescimento à variação interanual da precipitação. A temperatura da superfície do Atlântico Sul (TSA) se correlacionou positivamente com o crescimento de C. odorata, enquanto os ENSO se correlacionaram negativamente. Os resultados revelam um efeito dominante da precipitação no crescimento das árvores em florestas tropicais sazonalmente secas, sugerindo que existem diferenças nas estratégias de crescimento das espécies, sendo a C. odorata a mais sensível à seca que a C. glaziovii. Estes resultados também indicam que a C. odorata pode ser a mais vulnerável ​​aos efeitos deletérios do aumento nas futuras mudanças climáticas. Isso desta a importância de entender a sensibilidade das plantas presentes florestas sazonalmente secas quanto ao clima e é fundamental para direcionar medidas de conservação de florestas trópicas sazonalmente secas, bem como motivar, por exemplo, projetos sobre a dinâmica do carbono nessas regiões tropicais.

  • GABRIELLE DE SOUZA CARDOSO
  • COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DE UMA TAXOCENOSE DE SERPENTES EM REMANESCENTE DE MATA ATLÂNTICA DE UMA REGIÃO METROPOLITANA DO NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 26/08/2022
  • Dissertação
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  • A composição e estrutura de uma taxocenose são determinadas pela interação entre os processos ecológicos e os biogeográficos. A ecologia de serpentes e seus padrões de diversidade são refletidos nos seus atributos morfológicos e história natural, a partir de informações como dieta, uso de substrato e atividade diária. No presente estudo foram avaliados a composição e história natural, estruturação filogenética morfológica e os efeitos da urbanização de uma taxocenose de serpentes no município de São Cristóvão – SE, em um remanescente de Mata Atlântica circundado por matriz urbana. Foram registradas 27 espécies de serpentes na taxocenose, das quais maior parte possui alta plasticidade ambiental e ampla distribuição geográfica. Somados à baixa disponibilidade de estratos da vegetação, esses fatores influenciam na predominância de espécies que exploram substratos terrestres e generalistas quanto à dieta. Não foi possível observar influência direta da matriz urbana nos índices de semelhança biogeográfica e de diversidade filogenética, que possivelmente são determinados pelos agrupamentos espaciais do bioma. Pois, a composição e diversidade filogenética da taxocenose de São Cristóvão – SE é similar à de outras áreas de Mata Atlântica, incluindo áreas protegidas para conservação, e há maior similaridade biogeográfica com taxocenoses presentes na porção Norte do bioma. Sua estrutura morfológica apresenta influência da filogenia e ecologia em conjunto, sendo possível visualizar agrupamentos quanto ao uso do substrato, semelhante a padrões observados anteriormente nos biomas da Caatinga e do Cerrado. Os resultados obtidos evidenciam a importância de incorporar os processos históricos nos estudos sobre estrutura de taxocenoses de serpentes e de considerar áreas urbanas como objeto de estudo, permitindo compreender a biodiversidade e como as taxocenoses estão estruturadas em ambientes sujeitos a perturbações ambientais.

  • GABRIEL ALVES HOUGAZ
  • Incremento do tronco e fenologia de Cedrela odorata em um remanescente de Caatinga em Sergipe
  • Orientador : CLAUDIO SERGIO LISI
  • Data: 25/08/2022
  • Dissertação
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  • Estudos ecológicos da flora permitem compreender as interações entre as plantas e o ambiente, e a influência das atividades antrópicas sobre a vegetação. Aplicações da fenologia, dendrocronologia e as relações das plantas com o ambiente compõem estudos interdisciplinares importantes para populações e/ou comunidades vegetais. A fenologia permite observar o ciclo de vida e as fenofases das plantas, a dendrocronologia aliada com a anatomia identifica ritmos de crescimento relacionados com as variáveis ambientais. O presente estudo objetivou compreender as variações das fenofases de Cedrela odorata e o incremento radial do xilema secundário, determinando o ritmo de crescimento e sua relação com as variáveis climáticas. O estudo foi realizado em um fragmento de Caatinga situado em Canhoba, Sergipe. De janeiro/2020 a julho/2022, mensalmente, foram avaliadas fenofases em 15 árvores de cedro, através de observações visuais das copas e do acompanhamento dos incrementos em circunferência dos troncos com dendrômetros permanentes. Foram registrados os períodos das trocas foliares, floração, frutificação e dispersão de sementes e o índice de Fournier foi aplicado para quantificar essas fenofases. As faixas dendrométricas permitiram identificar e quantificar o ritmo de incremento dessa população. Foram verificadas presença de folhas durante abril-agosto e caducifolia entre setembro a março, por exemplo. Os incrementos dos troncos seguiram o mesmo período que ocorreram as chuvas na região (abril-agosto). Estas observações fenológicas e de incremento radial dos troncos tiveram relação direta com a disponibilidade hídrica ocasionada pelas chuvas.

  • RAYANNA HELLEM SANTOS BEZERRA
  • Morcegos e ectoparasitos em áreas verdes urbanas da Grande Aracaju, Sergipe: caracterização da comunidade, interação parasito-hospedeiro e rede ecológica
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 22/08/2022
  • Tese
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  • A urbanização ocasiona mudanças na paisagem, reduzindo os hábitats naturais e modificando a composição vegetacional, podendo influenciar a quantidade de recursos disponíveis para os animais, inclusive para os morcegos. Além dos morcegos, os ectoparasitos a eles associados também podem responder aos níveis de degradação do hábitat. Esse trabalho teve como objetivos caracterizar a comunidade de morcegos e ectoparasitos associados; bem como analisar o padrão da rede de interação parasito-hospedeiro em áreas verdes urbanas da Grande Aracaju, Sergipe. As campanhas foram realizadas mensalmente, durante duas noites consecutivas, entre setembro/2019 e fevereiro/2021. Para a captura de morcegos foram dispostas 10 redes de neblina no interior e borda dos fragmentos e os ectoparasitos coletados foram armazenados em álcool 70%. Para caracterizar a comunidade de morcegos em cada área foi obtida a abundância, riqueza, diversidade e composição de espécies. Para os morcegos parasitados obtiveram-se o índice de especificidade, as taxas parasitológicas e o nível de agregação dos parasitos. Foi verificada a influência do sexo do hospedeiro e da sazonalidade na taxa de prevalência e na intensidade média. Para gerar a rede de interação foram utilizados dados ponderados. Foi calculada a conectância, o índice de especialização, o aninhamento (wNODF) e a modularidade (wQ). A centralidade foi obtida a partir das métricas: grau relativo, centralidade por proximidade e centralidade por intermédio. Foram realizadas 599 capturas de morcegos (N=568) e 31 recapturas. Os morcegos mais abundantes nas três áreas foram Artibeus lituratus e Artibeus planirostris, o que pode estar relacionado à grande quantidade de plantas frutíferas utilizadas na arborização local. O maior valor de diversidade foi obtido para a SEFAZ (H’=1,78), seguida da UFS (H’=1,62) e Vila (H’=1,55). Foi observada diferença nesse índice apenas entre as áreas da SEFAZ e Vila (p=0,002), que pode estar associada a maior equitabilidade encontrada na área da SEFAZ e a dominância de A. lituratus na área da Vila. Em relação aos ectoparasitos foram coletados indivíduos pertencentes às famílias Argasidae (N=3), Nycteribiidae (S=1; N=26), Spinturnicidae (N=76) e Streblidae (S=13; N=849). Os ectoparasitos mais abundantes foram Trichobius costalimai e Megistopoda aranea. Para algumas interações houve influência do sexo do hospedeiro nas taxas de prevalência, sendo os maiores valores obtidos sobre as fêmeas que pode ser explicado pela maior suscetibilidade destas ao parasitismo decorrente do maior tempo de permanência nos abrigos. Para a sazonalidade, também foi observada influência da temperatura e precipitação sobre as taxas parasitológicas para algumas interações, sendo observado um aumento dessas taxas com o decréscimo da temperatura e o oposto para preicipitação. Essa influência pode ser decorrente das diferenças biológicas entre as espécies de parasitos. A rede de interação foi composta por 10 espécies de morcegos e 13 espécies de ectoparasitos. A conectância foi de 0,12, sendo considerada baixa. Para o índice de especialização, os valores obtidos para os ectoparasitos variaram de 0,50 a 1,00. Considerando a rede como um todo, o valor de especialização foi de 0,96, considerado alto. O aninhamento obtido para a rede foi considerado baixo (wNODF=1,47), já para a modularidade, o valor obtido foi considerado alto (wQ=0,74). Em relação às métricas de centralidade, o grau relativo variou de 0,5 a 1,0. Para a centralidade por proximidade, os valores obtidos variaram de 0,0 a 1,0 e para a centralidade por intermédio, todos os valores encontrados foram iguais a 0. O padrão modular observado pode ocorrer devido à história evolutiva dos morcegos e ectoparasitos envolvidos e alto índice de especificidade das interações.

  • AMADEU MANOEL DOS SANTOS NETO
  • FENOLOGIA DE ESPÉCIES DE MYRCIA DC [MYRTACEAE] EM UMA RESTINGA NO NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : JEAN CARLOS SANTOS
  • Data: 28/07/2022
  • Dissertação
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  • O ciclo fenológico das plantas é influenciado principalmente pelos fatores climáticos (e.g., temperatura, precipitação e fotoperíodo), mas os fatores bióticos também apresentam elevada importância. Atualmente, investiga-se uma nova vertente para os estudos fenológicos e eles apontam que as espécies de fato tendem a possuir fenologias similares à medida que são filogeneticamente relacionadas, hipótese mais conhecida como "Hipótese do Conservadorismo de Nicho". Assim, os objetivos do presente estudo foram descrever os padrões fenológicos reprodutivos das espécies de Myrcia DC (Myrtaceae) (1) que ocorrem simpatricamente em um remanescente de Restinga no litoral de Sergipe, e compreender como eles são influenciados pelos fatores abióticos (2) e se estão sob restrição filogenética (3). O estudo foi realizado em uma área da Restinga de Sergipe. Foram incluídas todas as espécies de Myrcia encontradas na área de estudo e pré-estabelecidas quatro fenofases reprodutivas (botões florais, flores, frutos imaturos e frutos maduros), com coletas semanais de dados ao longo de um ano. Os dados foram tratados com estatística circular. O teste de Watson-Williams foi utilizado para a comparação entre espécies e o sinal filogenético foi obtido através do Blomberg’s K, com uso da árvore filogenética proposta por Amorim et al. (2021) para o gênero. Foram amostrados 164 indivíduos de 10 espécies. Os eventos reprodutivos foram vizualizados ao longo de quase todo o ano, mas todas as fenofases foram sazonais, embora o comprimento do vetor médio tenha indicado baixa concentração em torno desses períodos. Os botões florais, flores, frutos imaturos e maduros foram concentrados nos ângulos 322°(±73°/23 de Novembro), 339°(±61°/10 de Dezembro), 15° (±61°/16 de Janeiro) e 56° (±63°/26 de Fevereiro), respectivamente. Todas as fenofases estão positivas e significativamente correlacionadas com a temperatura média, enquanto estão menos frequentemente correlacionadas com a precipitação. Não foi observado sinal filogenético significativo em nenhum atributo, indicando que as espécies não tendem a ter fenologias similares à medida em que são mais próximas. Muitos ecossistemas tropicais são climaticamente pouco restritivos, possibilitando às espécies a reproduzirem-se em qualquer período do ano. Sem fortes restrições, a segregação parcial ou total nos períodos reprodutivos pode ser uma resposta à competição, que tende a ser maior entre espécies próximas. Baseado nos resultados obtidos aqui, conclui-se que a fenologia das espécies de Myrcia são altamente influenciadas pelos fatores abióticos (temperatura e precipitação) e não pelas relações filogenéticas. O presente estudo também representa um avanço no conhecimento acerca do ciclo fenológico de espécies da flora de Sergipe, uma vez que se trata de um estudo raros para a região.

  • RANNA HEIDY SANTOS BEZERRA
  • Indução de defesa indireta em mandioca e sua ação sobre o comportamento de ácaros herbívoros e predadores
  • Orientador : BIANCA GIULIANO AMBROGI
  • Data: 24/02/2022
  • Tese
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  • As plantas de mandioca possuem diversos mecanismos de defesa contra a herbivoria, incluindo pilosidades, compostos cianogênicos, emitem COVs e segregam néctar extrafloral (NEF), porém poucos estudos têm abordado a indução de defesas indiretas e a sua influência nos segundo e terceiro níveis tróficos. Recentemente demonstramos que as plantas de mandioca emitem uma mistura de COVs induzidos que diferem qualitativa e quantitativamente quando submetidas à herbivoria de diferentes espécies, mas ainda não se sabe quais efeitos esses COVs podem causar aos herbívoros e inimigos naturais. Acreditando que a indução de COVs por herbivoria possui influência na atração de inimigos naturais e no comportamento do herbívoro, o presente trabalho propôs investigar os efeitos dos COVs induzidos pelo ácaro Mononychellus tanajoa em plantas de mandioca sobre o comportamento do ácaro predador Neoseiulus idaeus e dos ácaros coespecíficos, além de verificar se existe diferença na produção de NEF e nectários entre plantas sadias e submetidas à diferentes tipos de
    dano. Para realizar a indução de COVs, as plantas de mandioca foram submetidas a herbivoria de 500 ácaros durante 72h. Em seguida, foram realizados bioensaios de olfatometria para verificar as preferências olfativas dos ácaros herbívoro e predador. Para verificar a indução da secreção de NEF e nectários, as plantas foram submetidas separadamente aos danos causados artificialmente e pela herbivoria de 500 ácaros, além da aplicação exógena de cis-jasmona. Os ácaros herbívoros mostraram preferência por plantas não infestadas sobre o ar limpo e por plantas sadias em comparação às plantas infestadas. Os ácaros predadores preferiram plantas sadias sobre o ar limpo e plantas sob herbivoria de M. tanajoa em comparação às plantas sadias. Apesar de haver um pico na produção de NEF e no número de nectários das plantas submetidas ao dano mecânico no segundo dia e nas plantas submetidas à herbivoria no quinto dia, a ANOVA não mostrou diferença significativa entre os tratamentos analisados. Os estudos envolvendo as interações mediadas por COVs induzidos e a atração de inimigos naturais, bem como as respostas de defesa das plantas à diferentes agentes estressores podem ser importantes para adoção
    de medidas de controle biológico mais eficazes e sustentáveis.

  • MARIANA ANDRADE OLIVEIRA DE CARVALHO
  • ECOLOGIA E DIVERSIDADE DE TANAIDACEA (CRUSTACEA: PERACARIDA) EM DOIS CÂNIONS SUBMARINOS DO NORDESTE DO BRASIL.
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 18/02/2022
  • Tese
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  • Tanaidacea é uma ordem de Crustacea que habita sedimentos superficiais e faz parte da macrofauna bêntica. Ocorre em todos os ambientes marinhos, desde regiões intertidais até abissais. São abundantes em regiões profundas e pouco estudados em cânions submarinos havendo apenas trabalhos de descrição de espécies nessa região. Assim, o presente trabalho teve como objetivo contribuir para a ampliação do conhecimento dos tanaidáceos, verificando como essa comunidade está estruturada nos cânions São Francisco (SF) e Japaratuba (JP), na costa de Sergipe, Brasil. As coletas foram realizadas em duas campanhas em 2013, em triplicata, com auxílio de Box Corer, em 6 estações de coleta por cânion, em isóbatas que variaram entre 400 e 3000 m de profundidade, provenientes do Projeto MARSEAL. Foram utilizados nove gabaritos de 10x 10cm por réplica, com área total de 0.09 m 2 . Em laboratório o material foi lavado sobre peneiras de 300 μm e o sedimento retido nas peneiras foi triado. Os tanaidáceos foram morfotipados até o menor nível taxonômico possível. Foi identificado um total de 3498 indivíduos, distribuídos em 14 famílias e 147 morfo-espécies. Dentre estas, 145 são novas espécies para a ciência e 34 gêneros são novas ocorrências para o Brasil. Das 147 espécies, 123 ocorreram no cânion JP e 67 no SF, sendo apenas 43 comuns aos dois cânions. Typhlotanaidae apresentou o maior número de espécies, porém Tanaellidae obteve a maior densidade. A densidade geral variou de 11.11 a 2900 ind./0.09m 2 com média de 547.41 ± 542.58 ind./0.09 m 2 . Todos os índices ecológicos (densidade, riqueza, diversidade e equitatividade) foram maiores no cânion de JP, porém apenas riqueza foi significativamente diferente entre os cânions. As maiores densidades ocorreram nas profundidades intermediárias e decresceram em isóbatas mais profundas. A composição de espécies entre os cânions e entre as profundidades foi significativamente distinta. A diversidade beta foi elevada, sendo a substituição de espécies o principal mecanismo ecológico atuante na área. Análises de regressão múltipla verificaram que carbonato (Carb), tamanho médio de grão (Phi), salinidade (Sal), oxigênio dissolvido (DO) e grau de seleção do sedimento (SD) foram os fatores ambientais com maior influência na densidade de tanaidáceos. A diversidade foi correlacionada com temperatura da água (T) e Phi nos cânions JP e SF, com uma relação negativa de T em ambos os cânions. No entanto, Phi apresentou uma relação positiva com a diversidade no cânion JP e negativa no SF. A equitatividade dos tanaidáceos foi relacionada com Phi e fósforo orgânico em JP e em SF, com SD, DO, T e Phi. A riqueza sofreu influencia de diferentes variáveis nos cânions JP e SF. No primeiro, SD, DO e Sal foram relacionados negativamente com a riqueza, enquanto Carb foi relacionado positivamente. No segundo, a riqueza foi correlacionada negativamente com silte fino (TS) e T, enquanto Phi e argila muito fina (VFC) mostraram o padrão oposto. As variáveis ambientais que influenciaram as espécies de tanaidáceos nos cânions foram diferentes. No cânion JP, Phi e VFC foram os principais fatores ambientais estruturantes desta assembleia, enquanto que no SF, T e Sal apresentaram maior influência nas espécies de tanaidáceos. Não foi encontrada nenhuma relação entre a alta diversidade beta de tanaidáceos com uma maior heterogeneidade de habitat. O presente trabalho é o primeiro estudo ecológico e de estrutura da comunidade de tanaidáceos em cânions submarinos no Brasil e no mundo, ampliando o conhecimento de como esse grupo é influenciado por variáveis ambientais em águas profundas.

  • BRENO MOURA DA CONCEIÇÃO
  • Efeito da supressão vegetal e impacto do parasitismo na dinâmica parasito-hospedeiro em duas espécies simpátricas de Tropidurus de áreas de caatinga.
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 17/02/2022
  • Tese
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  • Relações parasito-hospedeiro representam componentes chave no estudo das dinâmicas populacionais, uma vez que, em comunidades naturais, parasitos podem causar impactos negativos e controlar populações de hospedeiros de forma semelhante aos predadores e às limitações de recursos. Esta relação pode sofrer alterações devido a mudanças nas condições ambientais em decorrência da remoção da cobertura vegetal. O presente trabalho procurou avaliar como perturbações ocorridas em diferentes intervalos de tempo, influenciam os principais descritores do parasitismo (prevalência, abundância média de infecção/infestação e intensidade média de infecção/infestação). Foram investigados também os efeitos das cargas parasitárias nos índices de condição corporal, lipossomático e gonadossomático em lagartos. Para isso foram utilizados, como modelos, lagartos do gênero Tropidurus (T. semitaeniatus e T. hispidus), coletados em seis áreas de Caatinga, três delas onde a vegetação foi suprimida há menos de cinco anos, e outras três, com supressão há mais de 20 anos. As áreas estão localizadas nos municípios de Canindé do São Francisco e Poço Redondo, ambas no Estado de Sergipe. Os lagartos foram amostrados em agosto e novembro de 2018 e junho de 2019, por busca ativa e com o uso de laços de fio dental presos na ponta de varas de pesca do tipo telescópica. Todos os ectoparasitos e endoparasitos foram coletados, identificados, no nível taxonômico mais baixo possível, e contabilizados, e os valores, utilizados para o calculo dos descritores de parasitismo. Hemoparasitos foram também investigados, porém nenhum parasito, dessa categoria, foi observado. Para cada lagarto foram também calculados os índices de condição corporal, lipossomático e gonadossomático, e associados às respectivas cargas parasitarias. A pesquisa foi estruturada na forma de dois capítulos, cada um voltado a responder uma das duas hipóteses levantadas: 1) Lagartos coletados em áreas cujas as perturbações (supressão da vegetação) ocorreram mais recentemente apresentarão valores mais elevados dos descritores de parasitismo quando comparados aos de áreas mais tardias; 2) Lagartos com maiores cargas parasitárias apresentarão alterações negativas mais expressivas nos índices de condição corporal, lipossomático e gonadossomático. O primeiro capítulo foi intitulado “Efeito da supressão vegetal na dinâmica parasito-hospedeiro em duas espécies simpátricas de Tropidurus” e o segundo “Impacto do parasitismo nos índices de condição corporal, lipossomático e gonadossomático de populações de Tropidurus semitaeniatus e T. hispidus na Caatinga.” Para T. hispidus o tempo decorrente após a supressão da vegetação não interferiu na prevalência, abundância média, intensidade média e na riqueza de endo e ectoparasitos. Para T. semitaeniatus as diferentes cronologias de supressão da cobertura vegetal não afetaram a riqueza, porém, as áreas que tiveram vegetação removida há mais de vinte anos apresentaram menores intensidade média e abundância média de endoparasitos. O histórico de retirada da vegetação explicou, parcialmente, as maiores abundância média e intensidade média de infecção por endoparasitos em T. semitaeniatus, uma vez que, mesmo entre as áreas que tiveram suas vegetações removidas há menos de cinco anos, havia variações nos descritores de parasitismo. No segundo capítulo, os resultados mostraram que as cargas parasitárias não apresentaram impacto negativo na condição corporal de machos e fêmeas de diferentes populações, nem no índice gonadossomático de machos T. semitaeniatus, e nenhum impacto em T. hispidus. Os índices lipossomáticos foram negativamente correlacionados, em machos e fêmeas de diferentes populações, em ambas espécies, mostrando que o parasitismo gera um custo dependente da carga parasitária. Por outro lado, o baixo impacto do parasitismo na condição corporal e no índice gonadossomático dos lagartos indica que o processo de coevolução hospedeiro-parasito propiciou um desenvolvimento de uma maior tolerância ao parasitismo.

  • ANTONIO BRUNO SILVA FARIAS
  • DIVERSIDADE DE LIBÉLULAS (INSECTA: ODONATA) EM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTICA DE SERGIPE
  • Orientador : JEAN CARLOS SANTOS
  • Data: 07/02/2022
  • Dissertação
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  • A Mata Atlântica tem experimentado uma drástica diminuição territorial ocasionada pela antropização, e infelizmente, isto tem impactado negativamente sua biodiversidade. Diante disso, é preciso conhecer urgentemente as espécies que compõem este ecossistema megadiverso, especialmente as diversidades locais (diversidade alfa), e em uma escala de paisagem, a diversidade regional (diversidade beta). Entre as espécies que habitam a Mata Atlântica, os odonatos/libélulas (Insecta: Odonata) se destacam, pois, além de serem excelentes preditores de alterações no ambiente e na comunidade de organismos, podem ser utilizadas como bioindicadoras de qualidade de ambientes aquáticos e terrestres. Nos últimos 10 anos, o conhecimento sobre as comunidades de libélulas tem aumentado através de listas de espécies, mas o conhecimento deste grupo para a região Nordeste do Brasil ainda é escasso. Portanto, os objetivos deste estudo foram: (a) inventariar a fauna de libélulas e (b) analisar a variação da distribuição das espécies em escala regional. Baseado nestes objetivos, este estudo se propõe a responder as seguintes questões: a) Quais são as espécies de libélulas que ocorrem na Mata Atlântica sergipana?; e b) Se os padrões de composição das espécies são caracterizados por aninhamento/nestedness ou por substituição/turnover? Espera-se que a substituição/turnover de espécies seja o principal fator que explique as diferenças na composição de odonatos entre os diferentes pontos amostrais, entre subordens (Zygoptera versus Anisoptera), bem como, entre ambientes lóticos versus lênticos. A amostragem dos adultos de libélulas ocorreu de forma ativa (puçá), por dois coletores, e foram realizadas em 45 pontos amostrais distribuídos entre sete sítios de remanescentes de Mata Atlântica de Sergipe. Cada ponto amostral foi percorrido por 100 metros nas margens dos corpos d’agua durante uma hora. Foram amostrados 1.468 indivíduos pertencentes a 66 espécies, e a estimativa foi de 77 spp ao todo. Também foram contabilizados 49 novos registros para Sergipe. Tem-se então, um acréscimo de 144% do número de espécies para o que era conhecido anteriormente da odonatofauna do estado. Os dois tipos de habitats aquáticos (lótico e lêntico) estudados não diferiram em relação à média de riqueza, porém, suas composições de espécies foram distintas, com grande parte dos Zygoptera associados a habitats lóticos, e as espécies de Anisoptera associadas a habitats lênticos. O índice de diversidade beta foi alto entre escalas locais e regionais, tipos de habitats e entre as subordens. Estes resultados indicam uma heterogeneidade ambiental e refletem as especificidades ecológicas dos odonatos. Este estudo é relevante por colocar em evidência a odonatofauna da Mata Atlântica nordestina, mais precisamente de Sergipe e, as informações contidas aqui, possuem o potencial de serem utilizadas para proteção e conservação ambiental e consequentemente das espécies de libélulas

2021
Descrição
  • RAFAELLA SANTANA SANTOS
  • Influência de formigas sobre a fertilidade do solo e a performance de plantas: uma abordagem cienciométrica e experimental
  • Orientador : LEANDRO DE SOUSA SOUTO
  • Data: 16/12/2021
  • Tese
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  • As formigas são organismos fundamentais na dinâmica dos diversos ecossistemas terrestres. Apesar de terem o histórico como pragas, o papel das formigas como engenheiras de ecossistemas tem sido cada vez mais evidente, especialmente por conta das atividades de bioengenharia no solo, que resultam em benefícios à comunidade vegetal. De forma geral, os benefícios às plantas são associados à melhoria da fertilidade do solo no entorno dos ninhos. Para as formigas cortadeiras, esse efeito no solo ocorre principalmente pelo descarte do resíduo orgânico resultante da degradação do material vegetal após ser parcialmente consumido pelas operárias. No entanto, os efeitos desse material ainda não são claros quando o assunto é o fitness de plantas, mesmo com as informações já disponíveis na literatura. Assim, o primeiro objetivo desse estudo foi verificar as principais tendências e lacunas dos estudos científicos que envolvam os efeitos das formigas no solo e na performance de plantas. Dentre as lacunas identificadas, destacamos o baixo número de estudos que abordam os efeitos das formigas no fitness de espécies vegetais. Com base nesse resultado, direcionamos objetivos experimentais deste estudo. Dessa forma, tivemos como segundo objetivo avaliar o efeito do resíduo de descarte da formiga cortadeira Acromyrmex balzani no desenvolvimento e na fisiologia da espécie herbácea pioneira Turnera subulata. E como terceiro objetivo buscamos analisar o efeito do resíduo de descarte de A. balzani na reprodução e na morfometria floral de T. subulata. Nossos resultados demonstraram que o resíduo de descarte da formiga cortadeira A. balzani beneficia plantas a nível individual, com valores significativamente maiores nos parâmetros de desenvolvimento e reprodução. Por fim, também identificamos mudanças nos traços florais, visto pelo maior tamanho e diferenças na forma de flores. Em suma, este estudo evidencia o importante papel das formigas como engenheiras de ecossistemas, e mostra a necessidade de estudos que avaliem o efeito das formigas no sucesso reprodutivo de plantas, incluindo os efeitos indiretos nas interações ecológicas entre solo, formigas, plantas e fauna associada.

  • EDUARDO PIRES BENDER
  • VALORAÇÃO EMERGÉTICA DO CARBONO ESTOCADO EM FRAGMENTO DE MATA ATLÂNTICA EM REGENERAÇÃO NO ESTADO DE SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 31/08/2021
  • Tese
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  • A contabilidade do capital natural das florestas tropicais do mundo é por vezes superestimada pelos métodos tradicionais de valoração, enquanto a nova corrente da economia ecológica aponta que estes valores estão subestimados com outros critérios e atributos abordados. As florestas tropicais prestam e fornecem diversos serviços ecossistêmicos para o bem-estar da humanidade, regulam funções do clima, disponibilizam água e abrigam espécies migratórias e nativas, estas novas categorias criam problemas, às vezes difíceis de serem valorados. Muitos estudos têm dado valores econômicos aos serviços ecossistêmicos das florestas com critérios e atributos de mercado, opção e de custo de oportunidade com grande grau de imprecisão, dado às características antropocêntrica na atribuição de valor de uso ou utilidade, existência e de sensibilidade balanceada aos produtos das florestas. Nosso estudo tem como objetivo contribuir com uma metodologia de valoração de atributos emergéticos da biomassa em um fragmento de floresta de Mata Atlântica do estado de Sergipe. O experimento mensurou por meio de medidas a campo e equações alométricas, a biomassa em pé e do solo (raízes), de 24 parcelas com aproximadamente 2500 m2, totalizando 5,8 hectares de floresta em vários estágios de regeneração. E com auxílio do modelo Century, foram estimados os estoques de carbono nos reservatórios e nos sumidouros da floresta, considerando um cenário de 40 anos de regeneração estável da floresta, com a finalidade de gerar valor ao capital natural da floresta. Nossas estimativas apontam que o valor de mercado dos créditos de carbono tem influência direta no potencial de manutenção da floresta em pé, em contrapartida a mudança do uso da terra, e que a valoração emergética nos contempla com informações preciosas sobre o valor biofísico consumido para a construção do ambiente natural. Por fim, concluímos que, ao adicionarmos o viés ecológico na estimativa de valoração, podemos mostrar que o valor gasto com a conservação é ainda maior do que o valor que está sendo pago; concluímos também que a manutenção da floresta em regeneração pode trazer ganhos econômicos atuais para a instituição, e em 40 anos esses ganhos podem ser ainda mais substanciais. Outrossim, e não menos importante, concluímos que o uso conjunto de abordagens distintas pode municiar os tomadores de decisão de organizações locais de informações complementares no processo de valoração do capital natural e dos serviços ecossistêmicos das florestas tropicais.

  • JOSEANE SANTOS CRUZ
  • MECANISMOS ENVOLVIDOS NA MANUTENÇÃO DE INQUILINISMO OBRIGATÓRIO EM NINHOS DE CUPINS
  • Orientador : ANA PAULA ALBANO ARAUJO
  • Data: 31/08/2021
  • Dissertação
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  • A defesa de recursos é uma característica marcante no reino animal. Ninhos de insetos eussociais facilitam a sobrevivência, manutenção e sucesso de suas colônias. Por outro lado, esses ninhos consistem em ambientes altamente atrativos para várias outras espécies. Cupins do gênero Inquilinitermes são inquilinos obrigatórios específicos de ninhos de Constrictotermes sp. (hospedeiros). Estudos sugerem que essa relação parece ser mantida via segregação espacial dos coabitantes dentro dos ninhos. No presente estudo, descrevemos como o sistema de coabitação Constrictotermes sp. x Inquilinitermes microcerus em Sergipe se difere daqueles já observados em outras regiões brasileiras. Adicionalmente, analisamos se os mecanismos envolvidos na coabitação estão relacionados à habituação de pistas ou evitação das colônias dentro dos ninhos. Para isso, bioensaios de agressividade e de escolha de odores (corporal e intestinal) foram conduzidos em pareamentos hospedeiro-inquilino provenientes de mesmo e de diferentes ninhos. Nossos resultados mostraram que os ninhos amostrados foram todos epígeos e que suas paredes escuras (onde os inquilinos se agregam) são uniformemente distribuídas, diferente do padrão observado em outras regiões. A coabitação apresentou maior probabilidade de ocorrência em ninhos com tamanho acima de 20,07 L. Não foram observados nenhum comportamento de agressividade entre hospedeiro e inquilino, sejam provenientes de mesmos ou de diferentes ninhos. Ambas as espécies morreram mais rapidamente quando mantidas em contato próximo entre si. A mortalidade interespecífica foi maior entre hospedeiros e inquilinos de ninhos distantes, do que entre aqueles provenientes de ninhos de um mesmo local. Os hospedeiros foram atraídos para o odor corporal dos inquilinos; enquanto esses mostraram atração para o odor intestinal e corporal do hospedeiro. Concluindo, nossos resultados sugerem haver reconhecimento hospedeiro-inquilino, porém sem agressividade. Este resultado poderia ser explicado por camuflagem de odores por parte do inquilino, assim como habituação de odores por parte do hospedeiro. Nossos resultados podem contribuir para uma melhor compreensão dos mecanismos envolvidos na coexistência de espécies na reduzida escala dos ninhos.

  • MAIARA PEDRAL DOS SANTOS
  • Estimativa dos estoques de carbono da biomassa em áreas de Caatinga de Pernambuco
  • Orientador : ALEXANDRE DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 30/08/2021
  • Dissertação
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  • A Caatinga faz parte do domínio das Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (FTSS) as quais possuem grande importância em função da prestação de serviços ecossistêmicos essenciais, como a preservação dos recursos hídricos e capacidade de sequestro e armazenamento de carbono. Além destes, também tem um importante papel socioeconômico relacionado à subsistência dos sertanejos. Estimativas sobre estoques de carbono na biomassa de Caatinga podem contribuir para tomadas de decisão ligadas a gestão de áreas remanescentes. Estudos em campo possuem alto grau de precisão, apesar de estarem limitados a pequenas escalas espaciais. Nesse sentido, uma alternativa é a utilização de modelos ambientais associados a Sistemas de Informação Geográfica. Nos últimos anos o Century vem sendo ajustado na busca de torná-lo uma ferramenta acurada para a melhor compreensão do funcionamento da Caatinga. Diante desse contexto, o presente trabalho teve por objetivos: (1) validar o modelo Century para utilização em escala regional; (2) espacializar os estoques de carbono da biomassa acima do solo por modelagem para áreas de Caatinga. No primeiro capítulo foi avaliado o desempenho do modelo previamente calibrado para a Caatinga. Os dados de entrada referentes a condições climáticas foram obtidos por meio da base TerraClimate. As informações de textura do solo, bem como de referência dos estoques de C da biomassa, foram disponibilizadas pela rede de estudos de C do nordeste e são provenientes de amostragens em três mesorregiões (Agreste, Sertão Leste e Sertão Oeste) do estado de Pernambuco. Houve correspondência entre os estoques de C na biomassa total modelados com os obtidos em campo em relação a parâmetros ambientais como precipitação, temperatura e classes de solo. Ao fazer uma análise por mesorregião, o modelo demonstrou melhor desempenho para simular os estoques de C no Sertão Oeste. No segundo capítulo os resultados modelados foram espacializados para três municípios (1 correspondente a cada mesorregião). O modelo foi configurado e processado pixel a pixel com parâmetros locais de clima, obtidos por meio da base TerraClimate, e de solo provenientes da base SoilsGrids. O mapa de carbono do IMAFLORA foi utilizado como referência para avaliação da qualidade dos dados gerados pelo modelo. O modelo apresentou uma boa performance, onde as diferenças dos estoques modelados em relação ao IMAFLORA foram inferiores a 5 t C ha-¹ em 65% da área avaliada.

  • ELLEN DA COSTA MALAQUIAS
  • Dieta e estrutura da rede trófica de morcegos em áreas verdes urbanas em Sergipe
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 27/08/2021
  • Dissertação
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  • A diversidade de características morfológicas e comportamentais dos morcegos refletem na variedade de hábitos alimentares e os papéis que desempenham nas comunidades. A sazonalidade, diferentes requerimentos energéticos e a urbanização podem afetar a dieta dos morcegos. Fatores como a mudança estrutural no habitat, maior exposição a predadores e poluição sonora e visual afetam o comportamento e o forrageio nesses ambientes, alterando as redes tróficas locais. Os objetivos dessa dissertação foram (1) analisar a dieta e a influência do sexo e precipitação no consumo dos itens; (2) caracterizar a estrutura da rede trófica dos morcegos. Morcegos foram capturados, em redes de neblina, entre setembro/2019 e agosto/2020 em três áreas verdes urbanas da região Metropolitana de Aracaju, Sergipe. Os itens alimentares consumidos foram identificados através da análise das fezes
    obtidas em campo. No primeiro capítulo é caracterizada a composição da dieta de cada espécie, a influência do sexo e pluviosidade nessa dieta (teste G e regressão logística simples, respectivamente) e o nicho trófico. Houve um predomínio no consumo de frutos de espécies comuns dos estágios pioneiros de sucessão, o que está relacionado com o estado de conservação dos ambientes urbanos. Identificou-se a relação gênero-gênero, com Artibeus spp. e Platyrrhinus lineatus consumindo frequentemente Cecropia spp., Carollia perspicillata se alimentando de Piper spp. e Sturnira lilium de Solanum spp. A dieta foi influenciada pelo sexo nas espécies mais frequentes em decorrência das necessidades nutricionais e energéticas na época reprodutiva. No geral, a precipitação não influenciou a composição da dieta das espécies, com exceção de P. lineatus em relação ao consumo de Cecropia pachystachya. Artibeus lituratus apresentou maior amplitude de nicho (B=5,53), com maior sobreposição com A. planirostris (Øjk = 0,88) e P. lineatus (Øjk = 0,76). No segundo capítulo foi analisada a estrutura de rede trófica da comunidade geral e de frugívoros e avaliada a robustez das redes à extinção das espécies. As redes tróficas de morcegos encontrados em áreas verdes urbanas exibiram estrutura com baixo aninhamento (maior participação de espécies generalistas) e maior modularidade, devido às preferências de determinadas espécies de morcegos a alguns itens alimentares (frugívoros). Uma baixa conectância e especialização intermediária refletem que os morcegos apresentaram interações com poucos itens alimentares. A espécie que apresentou maior conectância (A. lituratus) explorou apenas metade dos itens registrados na rede, normalmente os mais frequentes em áreas verdes urbanas. As redes tróficas se mostraram mais sensíveis a perda de espécies generalistas, pois são as espécies com maior variedade de ligações e que conferem à rede uma maior estabilidade.

  • JOANA PAULA BISPO NASCIMENTO
  • Hidrocondicionamento em sementes da Caatinga
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 27/08/2021
  • Tese
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  • O tratamento de sementes através de técnicas como o hidrocondicionamento ou ciclos de hidratação e desidratação (ciclos de HD) pode representar uma ferramenta importante para a produção de mudas mais tolerantes às condições ambientais adversas, proporcionando um maior sucesso do seu estabelecimento em áreas que necessitem de recuperação. Já está comprovado que a hidratação descontínua das sementes confere benefícios e maior tolerância aos estresses ambientais durante a germinação de sementes e o desenvolvimento inicial de plântulas de algumas espécies da Caatinga e acredita-se que esses benefícios podem se perpetuar no indivíduo adulto, porém, ainda não está claro como esse processo ocorre. Assim, o objetivo principal deste estudo foi elucidar os benefícios ecofisiológicos que essa técnica pode proporcionar à germinação de sementes e ao estabelecimento de mudas sob estresse, de espécies com ampla distribuição na Caatinga. Para isso, dividi esta tese de doutorado em cinco capítulos com objetivos específicos, que retratam o cenário dos estudos realizados com hidratação descontínua em sementes da Caatinga nas últimas duas décadas, a metodologia utilizada para proporcionar os ciclos de HD nas sementes, as respostas bioquímicas e os limites hídricos e térmicos apresentados por sementes tratadas e não tratadas e como os ciclos de HD interferem na germinação e desenvolvimento inicial de plântulas. Com os resultados deste estudo espera-se que o conhecimento dos mecanismos e benefícios que o hidrocodicionamento proporciona às sementes e plântulas possa servir de subsídio para o desenvolvimento de melhores práticas de manejo a serem empregadas na produção de mudas para a recuperação de áreas degradadas e programas de enriquecimento de espécies nativas da Caatinga.

  • ROSANA SOBRAL FLORESTA DE OLIVEIRA
  • VARIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DO ICTIOPLÂNCTON EM UM TRECHO DO BAIXO RIO SÃO FRANCISCO, NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 24/08/2021
  • Dissertação
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  • A grande diversidade de peixes reflete a variedade de modos reprodutivos existentes. Ospeixes migradores apresentam estratégia reprodutiva sazonal, marcada por ciclo reprodutivosincronizado ao período das chuvas. Essas espécies necessitam da rede hidrográfica conectada pararealizar a migração reprodutiva a montante, onde ocorrerá a desova. Ovos e larvas são levados pelacorrente e seu desenvolvimento ocorre no processo de deriva. Alterações antrópicas como osbarramentos interrompem as cheias naturais e a conectividade do rio com as lagoas marginais,resultando em falhas no recrutamento. O presente estudo tem como objetivo avaliar as mudançasespaço-temporais na densidade de ovos e larvas de peixes durante um ciclo hidrológico no Baixo SãoFrancisco. As coletas ocorreram em seis campanhas bimestrais durante o ano de 2017 em quatropontos amostrais (trecho entre as cidades de Propriá-SE e Porto Real do Colégio-AL), utilizando duasredes cônico-cilíndricas (superfície e fundo) com fluxômetro acoplado às bocas das redes e tempo deamostragem de 10 minutos com a embarcação parada. Foram coletados 79 ovos e 474 larvas. A maiordensidade de ovos ocorreu no mês de maio, coincidindo com maiores índices pluviométricos e de níveldo rio. A maior parte dos ovos estava em Clivagem, indicando que a desova pode ter ocorrido próximaao local de amostragem. Apesar de não haver diferença significativa, a densidade de ovos foi maior nasuperfície, que representa um padrão semelhante ao observado em outros estudos com ictioplâncton.Precipitação, turbidez e oxigênio dissolvido (R² = 0,74) foram os parâmetros ambientais que explicamjuntos as maiores densidades de ovos, isso confere proteção contra predadores visualmenteorientados, pois a água turva dificulta a predação e as maiores taxas de oxigênio são indispensáveispara o desenvolvimento do embrião. Todas as fases larvais foram registradas no presente estudo, comdestaque para a fase Larval vitelino. Taxonomicamente foram registradas quatro ordens, sete famílias enove espécies, além de seis morfotipos não identificados em nível específico. Megaleporinusobtusidens foi a espécie mais abundante e a única espécie migradora amostrada. As demaiscorrespondem a espécies sedentárias nativas e espécies não-nativas. As maiores densidades delarvas foram observadas na superfície, em P3 e nos meses de março e maio, padrão semelhante aoobservado para os ovos que indica a utilização do rio Itiúba como sítio de desova. Para as larvas de M.obtusidens, os parâmetros ambientais que juntos explicam as maiores densidades dessa espécie sãovazão, temperatura e precipitação (R² = 0,77), representando a percepção pelos adultos de sinaisambientais que servem como gatilho para a reprodução. Os resultados confirmam a redução deespécies migradoras na área, além de apontar para a importância do rio Itiúba como uma possível rotapara desova adotada pelos peixes desse trecho do Baixo São Francisco, reforçando o papel dostributários na manutenção das populações.

  • MAYANE ALVES ANDRADE
  • Macroecologia do comportamento: padrões espaciais e temporais da agressividade letal intraespecífica dos mamíferos
  • Orientador : PABLO ARIEL MARTINEZ
  • Data: 22/07/2021
  • Dissertação
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  • A macroecologia atua na descrição estatística de padrões em amplas escalas espaciais, temporais e taxonômica e na revelação dos seus processos subjacentes através de modelos mecanicísticos. Muitos desses padrões, que são relacionados ao tamanho corporal, traços de história de vida e uso do espaço, são bem documentados e têm se mostrado consistentes em diversos táxons, ambientes e regiões. Por outro lado, a macroecologia avanço pouco na identificação e entendimento dos padrões e mecanismos relacionados ao comportamento animal. A atual disponibilidade de dados comportamentais e a lacuna de conhecimento dessa área tornam a macroecologia comportamental um ramo interessante e promissor ao desenvolvimento de futuras pesquisas macroecológicas. A agressividade intraespecífica é uma característica bastante investigada em pesquisas de campo e laboratório, especialmente no grupo dos mamíferos. Também é um comportamento complexo e adaptativo, podendo ser resultante da ação de processos ecológicos (ex. fatores ambientais e sociais) e evolutivos (ex. relações filogenéticas) que atuam ao longo do tempo e do espaço. O avanço do conhecimento acerca desse comportamento ficou mais restrito a estudos em pequenas escalas, enquanto as questões em macroescalas permanecem não resolvidas. Nesta dissertação, descrevemos o padrão geográfico global e a dinâmica evolutiva da agressividade letal intraespecífica, bem como, os seus possíveis mecanismos subjacentes, utilizando mamíferos terrestres como modelo de estudo. No capítulo 1, utilizamos análises espaciais para avaliar o efeito, isolado e em conjunto, do recurso alimentar, do fotoperíodo, da organização social e da história filogenética na agressividade letal intraespecífica. No geral, observamos que regiões que estão em maiores latitudes estão associadas a um maior grau de agressividade letal intraespecífica. Além disso, identificamos que o efeito em conjunto dos fatores ambientais e filogenéticos exerce uma grande influência na determinação do comportamento letal agressivo ao longo do globo. No capítulo 2, utilizamos modelos evolutivos para caracterizar a dinâmica de diversificação da agressividade letal intraespecífica ao longo do tempo e analisar se existe associação evolutiva com o cuidado biparental. Observamos que altas taxas de diversificação da agressividade letal intraespecífica são recentes na linhagem dos mamíferos. Além disso, encontramos uma associação entre maiores níveis de agressividade letal e linhagens com a presença do cuidado biparental. Dessa forma, destacamos possíveis papeis que os componentes ambiental, social e histórico podem exercer na determinação dos amplos padrões espaciais e temporais da agressividade letal intraespecífica dos mamíferos. Por fim, destacamos a importância do fortalecimento e desenvolvimento da “macroecologia comportamental” na descrição de possíveis outros padrões comportamentais existentes e na identificação dos seus processos, leis físicas e biológicas que atuam em grandes escalas.

  • KATHLEEN MAHRA DA SILVA ALCÂNTARA CASTRO
  • Variação Morfológica em Anuros Arborícolas
  • Orientador : PABLO ARIEL MARTINEZ
  • Data: 09/07/2021
  • Dissertação
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  • O fenótipo é um dos atributos mais marcantes de qualquer organismo e varia amplamente ao longo da árvore da vida. Entender os processos evolutivos que determina essa variação é, portanto, um dos objetivos da biologia evolutiva. Fatores de desenvolvimento, neutros e determinísticos podem atuar ao longo da história evolutiva sobre os organismos, moldando os padrões de evolução fenotípica observados entre os clados. Entre os anfíbios, o clado Arboranea é um dos mais diversos (~934) e representa três das principais famílias de anuros arborícolas: Hylidae, Pelodryadidae e Phyllomedusidae. Além disso, o clado habita uma variedade de biomas, como florestas temperadas, trópicas e desertos. Também, os anuros arborícolas apresentam uma grande variedade de forma associada ao seu habitat e estilo de vida, tornando-os um bom grupo modelo para se analisar os processos evolutivos associadas a evolução morfológica. Assim, o objetivo dessa dissertação foi analisar os principais mecanismos que explicam a diversidade fenotípica de anuros arborícolas. Para isso, foi incorporado técnicas para reconstrução de modelos 3D, morfometria geométrica e métodos filogenéticos comparativos. A dissertação foi dividida em dois capítulos, no qual o primeiro se analisou as relações alométricas (forma e tamanho) de espécies de arboranas de climas secos e úmidos. Aqui, foi encontrado que espécies de ambientes áridos possuem uma relação alométrica mais intensa, onde espécies menores tendem a possuir um corpo mais globular do que espécies maiores, favorecendo a economia de água em regiões secas. No segundo capítulo, nós estimamos as taxas de diversificação morfológica e climática ao longo da filogenia a fim de entender a evolução da forma do clado. Neste capítulo, foi encontrado que as taxas de mudanças fenotípicas estão associadas as taxas de diversificação climática., indicando que a conquista de novos climas conduziu a variação fenotípica em algumas linhagens anuros arborícolas.

  • EDUARDO VINICIUS DA SILVA OLIVEIRA
  • Padrões espaciais e determinantes da diversidade taxonômica, filogenética e funcional de plantas nas Restinga brasileira
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 07/07/2021
  • Tese
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  • Dentre as consequências das interações dos organismos com o meio estão diversos padrões de coexistência de múltiplos organismos distintos no espaço ou padrões de comunidades. Desses padrões, aqueles relacionados a quantos e quais organismos compõem essas comunidades permanecem sendo debatidos. Essas duas questões são expressas em termos de diversidade e composição de espécies. Historicamente, esses estudos têm enfatizado a divisão por escalas espaciais, sobretudo localmente dentro da comunidade – ou diversidade alfa – e entre comunidades – ou diversidade beta. Recentemente, estudos sobre esses padrões têm contemplado diferentes aspectos da biodiversidade, além da abordagem tradicional baseada na taxonomia, mas incluindo suas relações evolutivas e suas características, ou seja, aspectos filogenéticos e funcionais. Contudo, ainda não há consenso sobre suas causas, especificamente quando envolvem grupos biológicos específicos em contextos ambientais específicos, seja pela sua complexidade inerente, seja pela escassez sistemática de informações sobre as espécies. Esse é o caso de plantas em ambientes costeiros tropicais, como a vegetação de Restinga. Neste estudo, desafiando diferentes tipos de lacunas de informação sobre as espécies de plantas litorâneas do Brasil, investigamos os padrões espaciais e os processos envolvidos na diversidade e composição dessas comunidades. No primeiro capítulo, após considerar o nível de conhecimento relativo à amostragem de plantas, investigamos os padrões geográficos e testamos diferentes hipóteses ecológicas para a variação na riqueza de espécies. Nossos resultados revelaram que, apesar das lacunas de conhecimento em mais de 3/4 da área, apontamos que a riqueza de espécies parece ser melhor explicada pela heterogeneidade de habitat, propriedades do solo e restrições de água. No segundo capítulo, investigamos os padrões de composição, avaliando regras de montagem dos padrões de estrutura funcional e filogenética das assembleias e o papel de diferentes preditores ambientais. Mostramos que, sob maior restrição hídrica, predominaram assembleias com espécies funcionalmente similares e pré-adaptadas as condições da Restinga. Em áreas associadas a ecossistemas megadiversos de florestas tropicais pluviais, a composição das assembleias tende a arranjos mais estocásticos ou com espécies mais distintas quanto as suas similaridades fenotípica e filogenética. Restrições de água foram os principais responsáveis em causar variação nesses padrões de estrutura filogenética e funcional. Por fim, no terceiro capítulo, avaliamos a contribuição relativa dos componentes da diversidade beta, i.e., substituição e aninhamento, se esses processos resultam de dispersão estocástica e que preditores ambientais respondem pelos padrões de dissimilaridade entre assembleias. Os padrões de diversidade beta taxonômica não correspondem a uma dinâmica estocástica, ao contrário dos padrões de dissimilaridade filogenética e funcional. A disponibilidade de água parece ser o fator determinante dos padrões espaciais de dissimilaridade dos três aspectos da diversidade beta. As três perspectivas avaliadas revelaram um padrão complexo de interação entre padrões regionais de diversidade – em que ecossistemas adjacentes doadores de espécies contribuíram de forma distinta – e diferentes graus de restrição à colonização de espécies devido a fatores ambientais, especificamente a disponibilidade de água. Nosso estudo foi o primeiro a descrever os padrões e determinantes das assembleias de plantas de Restinga, contribuindo para o entendimento da origem e dinâmica desse ecossistema e padrões em sistemas e contextos ambientais específicos. Apesar das lacunas de informações sobre a biodiversidade, essas limitações não devem impedir nossa capacidade de investigar esses padrões, em escala geográfica.

  • VIVIANE ANDRADE RIBEIRO
  • Distribuição Espaço-Temporal de Harpacticoida Sars, 1903 (Crustacea: Copepoda) nos Cânions São Francisco e Japaratuba na Margem Continental de Sergipe, Brasil
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 11/06/2021
  • Tese
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  • A ordem Harpacticoida (Copepoda) é composta por microcrustáceos, geralmente bentônicos, de ampla distribuição, podendo ser encontrados inclusive em regiões de mar profundo. Nesses ambientes, é comum a presença de cânions submarinos que apresentam características peculiares que influenciam diretamente as comunidades bentônicas. Com base nisso, o presente estudo teve como objetivo estudar a ocorrência e a distribuição espaço-temporal da comunidade de copépodes harpacticóides em dois cânions submarinos na margem continental de Sergipe, Brasil, relacionando-as com as variáveis ambientais. As amostras bióticas e abióticas foram provenientes de duas campanhas oceanográficas realizadas em março/abril (SED3) e outubro/novembro (SED4) de 2013, através do projeto “Caracterização Ambiental da Bacia de Sergipe-Alagoas”(MARSEAL), coordenado pela PETROBRAS/CENPES, no talude continental de Sergipe, nas regiões dos cânions São Francisco (C) e Japaratuba (E), em profundidades de 400, 700, 1.000, 1.300, 1.900 e 3.000 m. Em cada estação, as amostras de sedimentos foram coletadas em triplicata, com o auxílio de um box core para realizar as análises físico-químicas e biológicas. As amostras destinadas ao estudo da fauna foram recortadas em estratos de 0-2 cm e 2-5 cm. No laboratório, as amostras foram lavadas em peneiras de 300 μm e todo o material retido foi triado e, em seguida, identificado sob o microscópio-estereoscópio e microscópio ótico. Como resultados, foram registradas 40 novas ocorrências para margem continental de Sergipe, sendo 27 destes táxons, novos registros para costa brasileira. A comunidade de Harpacticoida foi composta por 87 espécies, 45 gêneros e 17 famílias. Ameiridae (24,36%), Pseudotachidiidae (19,27%), Aegisthidae (15,94%), Argestidae (14,93%) e Ectinosomatidae (13,65%) foram as famílias mais abundantes. Dos 2.968 exemplares identificados em ambos os cânions, os táxons que apresentaram maior abundância total foram: Sarsameira sp.1 (N=528), Pseudotachidius spp. (N=227), Argestes mollis (N=198), Cervinia bradyi (N=189), Bradya spp. (N=185), Anoplosomella sp. (N=168), Pseudotachidius coronatus (N=166) Dactylopusia sp. (N=123), Keraia longiseta (N=109) e Bradya scotti (N=104). Houve o predomínio de formas epibênticas e intersticiais não específicas. A presença dos harpacticóides foi significativamente mais abundante no estrato superficial de 0-2 cm (ANOVA, F=69,40, p=3,44e-10), confirmando os registros já existentes na literatura. Considerado a soma dos estratos, observou-se que os descritores ecológicos dos harpacticóides não variaram significativamente entre os meses amostrados. A análise multivariada de permutação detectou diferença significativa na composição da comunidade de harpacticóides entre os dois cânions (PERMANOVA, F=24,31, p=0,001). O cânion São Francisco foi representado por 616 copépodes harpacticóides adultos distribuídos em 59 táxons, sendo que 19 destes, não foram registrados no Japaratuba. No cânion Japaratuba, foram identificados 2.352 indivíduos distribuídos em 81 táxons, contudo 41 destes, não ocorreram na região do cânion São Francisco. A abundância, riqueza e índice de diversidade dos harpacticóides mostraram um padrão de distribuição não linear parabólico com o aumento da profundidade da água. A profundidade, a temperatura e o carbonato total foram os parâmetros ambientais que mais influenciaram na estruturação da comunidade de harpacticóide

  • DAVID PACHECO RIOS
  • ESTRUTURA POPULACIONAL DE CAMARÕES DO GÊNERO Macrobrachium (DECAPODA: CARIDEA: PALAEMONIDAE) E SUA RELAÇÃO COM OS SISTEMAS DE ACASALAMENTO
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 28/04/2021
  • Dissertação
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  • Camarões de água doce do gênero Macrobrachium são comumente encontrados em rios e lagos tropicais ao redor do mundo. Trata-se de um grupo notório por seu tamanho, diversidade morfológica, ecológica, e interessante história evolutiva como um clado transicional entre os ambientes marinhos e de água doce. Além disso, são importantes para a sustentação tanto das teias alimentares das comunidades nas quais se inserem, quanto de atividades econômicas, seja pelo extrativismo ou pela indústria multimilionária da Aquicultura ao redor do mundo. Contudo, relativamente pouco se sabe sobre a biologia e ecologia desse grupo, havendo uma clara concentração de informações nas espécies utilizadas em cultivo. Dessa forma, nesta pesquisa objetivou-se examinar os aspectos populacionais de algumas espécies do gênero Macrobrachium com ocorrência no nordeste do Brasil, como a presença de polimorfismo masculino e alguns parâmetros populacionais (dimorfismo, razão e maturidade sexual). Os resultados obtidos foram correlacionados aos modelos propostos sobre os sistemas de acasalamento para estes animais. Adicionalmente, os dados obtidos poderão ser utilizados como subsídio em projetos de cultivo, manejo e conservação para as espécies em estudo.

2020
Descrição
  • ÉDIPO PAIXÃO SILVA DE JESUS
  • BIOCIDAS ANTI-INCRUSTANTES ASSOCIADOS À NANOPARTÍCULA: EFEITOS NA SOBREVIVÊNCIA E CRESCIMENTO DO MICROCRUSTÁCEO MARINHO Mysidopsis juniae
  • Orientador : JEAMYLLE NILIN GONCALVES
  • Data: 28/07/2020
  • Dissertação
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  • A incrustação biológica em embarcações e demais estruturas marítimas é um problema para o setor, uma vez que pode elevar o consumo de combustível, reduzir a produtividade e facilitar a disseminação de espécies não-nativas. Tintas anti-incrustantes são utilizadas nas superfícies submersas de navios, barcos e estruturas aquáticas para impedir o assentamento e o desenvolvimento de organismos. Entretanto, as substâncias biocidas utilizadas podem gerar poluição nos ambientes aquáticos acarretando efeitos tóxicos adversos em organismos não-alvo. O composto 4,5-dichloro-2-octyl-isothiazolone (DCOIT), considerado um biocida “verde” e menos agressivo ao ambiente. Sendo assim, este estudo teve como objetivo investigar a toxicidade do DCOIT em combinação com a prata e a nanopartícula de sílica (SiNC), que maximizam e prolongam os efeitos do princípio ativo, no microcrustáceo marinho Mysidopsis juniae no intuito de (i) avaliar a toxicidade dos compostos em exposição aguda (96h); (ii) avaliar se os compostos podem causar retardo no crescimento (comprimento total e peso seco) do mísideo (7d); (iii) avaliar qual dos compostos selecionados apresenta menor toxicidade aos organismos-teste. Os resultados para o ensaio de toxicidade aguda mostraram que dentre os componentes ativos avaliados o DCOIT demonstrou ser mais tóxico que a Ag. Já o nanomaterial vazio (SiNC) foi menos tóxico do que quando associados aos componentes ativos (SiNC-DCOIT e SiNC-Ag), sendo que a combinação SiNC-DCOIT reduziu cerca de 2 vezes a toxicidade do DCOIT isolado, e a combinação da SiNC-Ag aumentou em 50 vezes a toxicidade da Ag. O composto SiNC-DCOIT-Ag mostrou menor toxicidade aguda do que o DCOIT na forma isolada e em combinação par a par. Nas exposições crônicas foi possível observar que o peso foi o endpoint mais afetado. Assim como na exposição aguda, a Ag teve sua toxicidade crônica aumentada (cerca de 14x) quando em combinação com o nanomaterial. Em comparação com a combinação SiNC-Ag foi possível observar que o SiNC-DCOIT-Ag foi até 10x menos tóxico. Além disso, foi possível observar que o DCOIT na forma isolada afetou o peso dos misídeos em concentração inferior (6 µg.L-1) ao composto SiNC-DCOIT-Ag (10,80 µg.L-1). Com isso, foi possível concluir que a combinação dos três compostos apresentou menor toxicidade tanto nos ensaios de toxicidade aguda quanto nos ensaios de toxicidade crônica de curta duração em comparação aos compostos ativos isolados, reforçando dados obtidos para espécies de ambientes temperados sobre o potencial uso do nanomaterial para redução de toxicidade a espécies não-alvo.

  • ANDERSON MENDONÇA CONCEIÇÃO
  • Densidade populacional, uso do espaço e dieta do roedor Kerodon rupestris (Mammalia: Caviidae) em uma área do alto sertão sergipano, Nordeste do Brasil
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • Kerodon rupestris é um roedor herbívoro especialista em áreas rochosas, com ocorrência na Caatinga e ainda pouco estudado. Objetivou-se caracterizar a densidade populacional, o uso do espaço e a dieta deste roedor em uma área de Caatinga (2.183 ha) em Sergipe. Estimou-se a densidade por amostragem de distância em quatro transecções lineares (entre 292-817m), e percorridas alternadamente pela manhã e tarde. O uso do espaço foi verificado através dos registros nos estratos (solo, rocha ou vegetação) no momento da detecção e sua variação foi testada por GLM. As classes de altura utilizadas na vegetação foram avaliadas por GLM. A dieta foi observada ad libitum na área das transecções pela manhã e tarde. A amplitude do nicho alimentar foi verificada pelo índice de Levin’s padronizado e a influência da precipitação na composição da dieta foi avaliada com uma regressão logística simples. Foram obtidas 612 observações de K. rupestris em 23.172m. O melhor modelo ajustado foi o Hazard-rate “simple polynomial”, com truncamento dos dados em 35m, para uma estimativa de 105,28 indivíduos/ha. Houve diferença no uso dos estratos (p=2,2-16), com 71% dos registros na rocha. Uma maior atividade deste caviídeo ocorreu para uma faixa de temperatura entre 27 e 37ºC, sendo que esta variável influenciou a atividade deste roedor (p= 2,987-8). Os mocós diferiram em relação ao uso dos estratos na vegetação (p= 0,001), com maior utilização do estrato próximo ao solo (N=28; 55%) e registros de uso de 10 espécies vegetais. Em relação a dieta, este roedor consumiu seis categorias vegetais (folha, folha caída, flor, flor caída, casca e caule), com alimentação baseada na categoria folha (56,5%), refletindo em uma baixa amplitude do nicho alimentar (Ba= 0,321). O nicho alimentar para o consumo das espécies refletiu uma dieta especialista (Ba= 0,209), com maior consumo de folhas de Encholirium spectabile (25,26%) e flores caídas de Cenostigma pyramidale (22%). Variações na alimentação podem ocorrer em função da disponibilidade de flores recém caídas no ambiente, sendo que a baixa precipitação na região foi relacionada ao consumo de folhas (p= 1,85-5) e a alta precipitação ao consumo de flores caídas (p= 2,82-5). A densidade obtida, superior ao registrado para o gênero, sugere que esse roedor se aglomera nos afloramentos rochosos e pode se comportar como uma população insular em busca de proteção física contra o clima e predadores. Dessa maneira, o mocó pouco se arrisca fora dos afloramentos e realiza suas atividades diárias, como forrageio, na vegetação associada a esse ambiente, consumindo principalmente as folhas coletadas na própria vegetação e flores recém caídas. O maior consumo destes itens alimentares pode ser favorecido pelo nível de água encontrado em seus tecidos, importante para sobrevivência nesse ambiente semiárido e climaticamente imprevisível, assim como nutrientes específicos como os carboidratos encontrados no néctar das flores.

  • IGOR SILVA DA HORA
  • Memória de hidratação no escuro de sementes: quando o fotoblastismo altera as respostas das sementes à hidratação descontínua para aumentar sua longevidade
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • O envelhecimento das sementes inicia logo após a maturação e dispersão das sementes pela planta mãe. Após a dispersão, as sementes são depositadas em bancos de sementes do solo, tornando-se expostas à diferentes fatores abióticos. Em ecossistemas semiáridos como a Caatinga, a luminosidade e ciclos de hidratação e desidratação (ciclos de HD) ocasionados pela irregularidade hídrica podem influenciar diretamente as características fisiológicas da semente como, por exemplo, a longevidade. Assim, objetivou-se avaliar o efeito dos ciclos de HD na longevidade de sementes de Cereus jamacaru DC. subsp. jamacaru (Cactaceae) em bancos de sementes do solo e como a luz pode interferir nessas mudanças fisiológicas promovidas pela hidratação descontínua. Amostras de solo e sementes foram coletadas em áreas de Caatinga. Tais sementes foram submetidas a 0 (controle, onde as sementes não passaram por nenhum ciclo), 1, 2 e 3 ciclos de HD. Os ciclos foram simulados em potes plásticos tampados contendo solo da Caatinga com 20 mL de água. Após os ciclos, as sementes foram colocadas nos bancos de sementes do solo durante os tempos de 0, 3, 6, 9, 12 e 15 meses. As sementes do tratamento luz foram hidratadas sob influência da luz, enquanto as sementes do tratamento escuro passaram por uma hidratação na ausência de luz. Os parâmetros germinativos avaliados foram germinabilidade e T50, além da quantificação de açúcares redutores e proteínas solúveis totais. A normalidade dos resíduos dos dados e a homogeneidade das variâncias foram obtidas através dos testes Shapiro-Wilk e Levene, respectivamente. Os resultados foram analisados através de Análises de Variância Fatorial, com as médias comparadas a posteriori pelo teste de Tukey, no software STATISTICA13.0, com α = 5%. Nas sementes recém-coletadas (tempo 0), os ciclos de HD promoveram um aumento na germinabilidade, enquanto o T50 não foi influenciado, sendo p<0,001 e p=0,094, respectivamente. Os compostos bioquímicos também sofreram influência dos ciclos nas sementes recém-coletadas. Quanto à longevidade, notou-se que a passagem por ciclos aumentou a longevidade das sementes, promovendo um aumento na germinabilidade (p<0,001) e uma diminuição no T50 (p<0,001), mesmo após um longo período de tempo no banco. Quanto a influência da luz na longevidade, percebeu-se que os ciclos de HD realizados no escuro promovem uma maior manutenção da viabilidade das sementes no banco. Desta forma, a longevidade das sementes é melhorada no ambiente com a ocorrência natural de ciclos de HD e, além disso, a ausência de luz durante os ciclos pode aumentar ainda mais a longevidade de sementes pertencentes ao banco.

  • JEFFERSON SAULO DA VITÓRIA LUDUVICE
  • Influência da vegetação ripária e do regime de chuvas na estrutura trófica de peixes em um riacho de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 28/02/2020
  • Dissertação
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  • A ecologia trófica da ictiofauna em um riacho pode estar relacionada à disponibilidade de recursos no ambiente, sendo esta disponibilidade influenciada por fatores como presença ou ausência de mata ciliar, vegetação aquática, regime fluvial, dentre outros. As características das espécies de uma comunidade indicam a sua adequabilidade às condições locais, sugerindo a atuação de filtros ambientais que selecionam as espécies de acordo com suas características. O objetivo do presente estudo foi verificar a influência da vegetação ripária e do regime de chuvas na estrutura trófica de peixes de um riacho de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil. Foram amostradas duas localidades (preservada e impactada) no riacho Tabocas em coletas bimestrais (março/2018 a Janeiro/2019) com o registro de 6.368 espécimes de 12 espécies, sendo nove nativas e três não nativas (Hyphessobrycon eques, Poecilia reticulata e Xiphophorus maculatus). A maior parte dos peixes coletados e analisados foram Characiformes de pequeno porte incluindo as abundantes e frequentes Astyanax fasciatus, Compsura heterura, Hyphessobrycon eques e Hyphessobrycon parvellus. Foram também capturados juvenis de espécies carnívoras de maior porte como Crenicichla sp. e Hoplias malabaricus. Foram consumidos 42 itens agrupados em 16 categorias, sendo Algas o item mais frequente na dieta das espécies. As espécies foram classificadas nas guildas tróficas onívoras, algívoras, invertívoras, insetívoras e detritívoras. Astyanax fasciatus apresentou dieta onívora e oportunista pelo elevado consumo de itens alóctones. A espécie H. malabaricus (Piscívora) não foi agrupada por apresentar distância de ligação maior que 0,5. As taxocenoses apresentaram-se estruturadas, havendo baixa sobreposição. A segregação de recursos foi verificada entre as espécies analisadas indicando que os recursos são limitantes e as espécies tendem a compartimentalizar seus nichos e evitar exclusão competitiva. As congêneres H. eques (não nativa) e H. parvellus (nativa) ambas onívoras não apresentaram sobreposição de nicho, o que pode significar a existência de competição por recursos entre essas espécies. A presença de H. eques também pode ter influenciado a mudança da dieta de outras espécies como C. heterura e S. heterodon que são comumente tratadas como onívoras, e apresentaram uma dieta algívora no presente estudo. Houve sobreposição par a par entre os dois Poecilidae (P. reticulata e P. hollandi), ambas detritívoras. Essa relação demonstra que estas espécies estão compartilhando recursos, não havendo competição entre as mesmas. Houve predomínio no consumo de itens autóctones em ambos os pontos e períodos. Apesar da maior contribuição dos itens autóctones, é importante ressaltar a significância dos itens alóctones no ponto preservado, assim como no período chuvoso. Isso foi observado através da dieta do lambari A. fasciatus, que se alimentou preferencialmente de itens alóctones no ponto preservado e no período chuvoso. Pelo fato de ser pelágico, apresentar maior porte que as demais espécies, formar cardumes e capturar presas preferencialmente na superfície, acredita-se que esses padrões levaram à segregação espacial em relação às demais espécies de menor porte, ficando a elas a ocupação da porção média e inferior do corpo d’água com alimentação de itens autóctones, com destaque para as algas. O ponto impactado apresentou teias maiores e mais complexas devido a falta de sombreamento, o que resultou em uma maior produtividade primária. Assim, a teia trófica é tipificada com mais espécies de algas e cadeias alimentares mais longas, baseadas na produtividade de algas. Em relação aos períodos, o chuvoso apresentou as maiores teias em relação ao período seco. A partir dos resultados obtidos, a hipótese que postula o destaque nas propriedades das teias tróficas no período chuvoso foi corroborada. Já a hipótese que tem como premissa teias maiores no ponto preservado não foi corroborada.

  • HAMILTON FERREIRA BARRETO
  • Perda de habitat e viabilidade populacional de primatas na Mata Atlântica brasileira
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 27/02/2020
  • Dissertação
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  • As atividades humanas são as principais ameaças à biodiversidade, especialmente a perda, degradação e fragmentação de habitats naturais, as quais vêm elevando as taxas de extinções. Entre os ecossistemas mais afetados estão as florestas tropicais, como é o caso da Mata Atlântica, que com cerca de 12% de cobertura remanescente, possui em torno de 50% das espécies ameaçadas do Brasil. Um dos grupos particularmente críticos neste cenário é o dos primatas, onde 17 dos 35 táxons ameaçados ocorrem no bioma, sendo a maioria endêmica. Uma abordagem para avaliar o risco de extinção, que é cada vez mais comum, inclui simulações computacionais que estimam como as populações de espécies ameaçadas podem responder às alterações. Uma dessas abordagens é a Análise de Viabilidade Populacional (AVP), que simula dinâmica populacional de espécies levando em consideração fatores determinísticos e estocásticos. O objetivo geral desse estudo é avaliar, através de simulações de dinâmica populacional, o efeito da perda de habitat sobre as populações de primatas em risco de extinção e endêmicos da Mata Atlântica brasileira. Foram selecionados 12 táxons de primatas endêmicos e ameaçados de extinção, categorizados como Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR). A AVP foi produzida de forma individual para cada espécie, com cenários para as suas respectivas populações baseados na área de cada fragmento de ocorrência, a fim de avaliar a viabilidade dessas populações dentro dos próximos 100 anos. Além disso, avaliamos como diferentes níveis de desmatamento afetaram as estimativas de populações viáveis. Para maioria das espécies (9 das 12), menos de 30% das suas populações serão viáveis. Cerca de 33% a 83% das populações inviáveis, dependendo da espécie, apresentarão probabilidade de extinção de 90% a 100% e serão extintas em menos de 60 anos. O número de populações viáveis não variou entre os cenários de desmatamento, mesmo em taxas mais pessimistas (0,14%/ano). Apesar dos resultados pessimistas para maioria das espécies, as projeções futuras podem ser ainda piores se forem considerados outras ameaças além do desmatamento e medidas de densidades populacionais mais realísticas. Apesar dos resultados demostrarem uma predominância de fragmentos muito pequenos, que são incapazes de manter populações viáveis, estes ainda podem ser essenciais para as espécies, atuando como ‘trampolins ecológicos’, favorecendo assim a movimentação dos indivíduos na paisagem. Além disso, fragmentos pequenos podem nuclear projetos locais de restauração florestal, com benefício potencial de tornar as populações maiores. De modo geral, nossos resultados apontam para uma situação cada vez mais crítica para as populações de primatas brasileiros, demandando medidas urgentes de conservação e recuperação das populações e seus habitats.

  • BELGRANO SANTIAGO DOS SANTOS REKOWSKY
  • ASPECTOS ECOLÓGICOS DE POLEIROS ARTIFICIAIS NA RESTAURAÇÃO DE ÁREAS PERTURBADAS DE MATA ATLÂNTICA EM SERGIPE
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 21/02/2020
  • Dissertação
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  • Medidas de restauração florestal atualmente se encontram em evidência diante do atual cenário de perturbação antrópica sobre os ecossistemas naturais. Os modelos de nucleação são métodos em crescente utilização, estabelecendo núcleos de diversidade que facilitam a chegada de espécies de plantas, as vezes com auxílio da fauna silvestre, acelerando o processo de sucessão ecológica. Dentre esses modelos, o uso de poleiros artificiais é empregado devido principalmente ao seu baixo custo e facilidade de implantação, se comparado com outros métodos. Ao conferir local de pouso para a avifauna, se promove a deposição de propágulos no local, possibilitando o estabelecimento de espécies de plantas e assistindo na regeneração natural. Florestas tropicais abrigam elevada proporção da biodiversidade terrestre, com forte influência em serviços ecossistêmicos globais. A Mata Atlântica é um dos biomas brasileiros considerados hotspot mundial de biodiversidade, sendo caracterizada como um bioma extremamente heterogêneo. Em virtude da ocupação humana no litoral do Brasil desde sua colonização, a Mata Atlântica foi majoritariamente reduzida a uma pequena fração de sua área de ocupação original. A fragmentação consiste em um grande desafio para a conservação deste bioma, principalmente na região Nordeste, considerando o estado crítico encontrado em relação a outras regiões. A necessidade de restauração é evidente, objetivando o restabelecimento dos processos ecológicos e serviços ecossistêmicos. Este projeto teve como objetivo avaliar os aspectos ecológicos da utilização de poleiros artificiais na restauração de duas áreas com perturbações antrópicas em diferentes estágios de sucessão em Mata Atlântica da região nordeste do Brasil. Foram avaliadas 24 parcelas nas duas áreas, divididas entre poleiros e controles, para os aspectos analisados: visitação por avifauna (1), chuva de sementes (2) e sazonalidade (3). A riqueza e abundância de aves, sementes e plântulas foram analisados através de análise de variância multivariada permutacional (PERMANOVA) enquanto os efeitos da sazonalidade foram analisados através de correlação de Spearman. O monitoramento de aves na borda dos dois fragmentos resultou na observação de 77 espécies pertencentes a 26 famílias, das quais 36 espécies, representantes de 15 famílias, foram observadas visitando os poleiros em 784 ocasiões no decorrer de 576 horas de observação. Não houve interação significativa entre o estágio de sucessão e a utilização dos poleiros, onde Tyrannus melancholicus e Pitangus sulphuratus foram responsáveis por mais da metade das visitas observadas nas duas áreas. Na chuva de sementes foram encontradas 1794 sementes de 64 espécies de plantas pertencentes a 24 famílias, das quais 1082 sementes de 54 espécies foram encontradas nos coletores sob poleiros. Assim como para avifauna, os dois fatores, sucessão e tratamento, não apresentaram interação significativa entre si. A sazonalidade apresentou correlações com pluviosidade negativas para avifauna e positivas para chuva de sementes com relação a riqueza e abundância, que para maior parte dos fatores avaliados não foram significativas.

  • JESSYCA ADELLE SILVA SANTOS
  • Mecanismos de tolerância à seca em sementes e mudas de Tabebuia aurea após exposição recorrente à hidratação descontínua
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 21/02/2020
  • Dissertação
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  • A hidratação descontínua consiste na exposição de sementes e plantas a períodos de hidratação seguidos da interrupção do suprimento hídrico, os quais simulam os eventos de seca e chuva que ocorrem naturalmente no ambiente. Esses eventos recorrentes de estresse estimulam uma série de mudanças morfológicas, fisiológicas e bioquímicas no organismo vegetal, que podem contribuir para o aumento da resistência ao déficit hídrico em momentos de seca prolongada, um fenômeno conhecido como rustificação. Esta dissertação de mestrado teve como objetivo compreender os mecanismos de resistência à seca em sementes e plantas de Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook.f. ex S. Moore (Bignoniaceae) submetidas a eventos recorrentes de hidratação descontínua. Para isso, foram abordados, em dois capítulos, os efeitos da hidratação descontínua na fisiologia das sementes, no crescimento, anatomia foliar, relações hídricas e concentração de solutos orgânicos compatíveis em plantas jovens de T. aurea submetidas ao déficit hídrico. O primeiro capítulo se apresenta em formato de artigo científico, o qual teve como foco a investigação dos mecanismos fisiológicos de defesa em sementes de T. aurea submetidas ao estresse hídrico após a passagem por ciclos de hidratação e desidratação (ciclos de HD). Além dos parâmetros de germinação [germinabilidade (%) e tempo para atingir 50% da germinação (T50)], foram avaliadas a concentração de solutos orgânicos compatíveis e a atividade de enzimas antioxidantes em sementes submetidas ao déficit hídrico pós-hidratação descontínua. Os dados obtidos a partir deste estudo sugerem que os benefícios conferidos pela hidratação descontínua no comportamento germinativo das sementes são resultado do aumento da atividade enzimática e supressão da biossíntese de proteínas, prolina e açúcares. O segundo capítulo por sua vez, teve como objetivo avaliar se a contínua exposição dos indivíduos à hidratação descontínua, da germinação ao desenvolvimento inicial, confere maior resistência à seca em plantas jovens de T. aurea. Assim, plantas originárias de sementes submetidas a 0, 1, 2 e 3 ciclos de HD foram expostas, durante 30 dias, a eventos de irrigação e suspensão hídrica, sendo avaliados, posteriormente, as alterações morfológicas, anatômicas e bioquímicas dessas plantas durante um período de seca prolongado. A passagem por eventos recorrentes de hidratação descontínua promoveu a redução do crescimento da parte área das plantas e a redução do número e tamanho dos estômatos, indicando uma resposta adaptativa para evitação à seca. Além disso, a análise do conteúdo de solutos orgânicos revelou um maior acúmulo de prolina e açúcares durante o período de suspensão hídrica em plantas tratadas com um maior número de eventos de hidratação descontínua, demonstrando o seu papel no aumento das repostas protetivas também em fases posteriores do desenvolvimento. A hidratação descontínua promove o aumento da resistência ao estresse hídrico em sementes de T. aurea através da modulação de programas protetivos durante a germinação e o desenvolvimento de caracteres xeromórficos nas plantas. Tendo em vista que os efeitos da hidratação descontínua durante a germinação são potencializados pela continuidade da exposição das plantas a esses eventos, este estudo traz evidências de que o fenômeno de memória hídrica pode ser prolongado nas plantas pela ação de estímulos ambientais, os quais são de fundamental importância no desenvolvimento de respostas adaptativas das plantas à seca.

  • JOSÉ LEILTON VILANOVA JÚNIOR
  • Influência de fatores históricos e ecológicos sobre a estruturação de uma taxocenose de lagartos em uma área de Caatinga hipoxerófila do Brasil.
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 21/02/2020
  • Dissertação
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  • Diversos elementos podem influenciar as dinâmicas dentro de uma taxocenose, sejam eles de natureza estocástica ou determinística. Do ponto de vista determinístico, a estruturação pode ser resultado da atuação de fatores contemporâneos e, também, um reflexo das diferenças na história evolutiva entre as linhagens que a compõem. Sendo assim, o objetivo deste projeto foi inventariar a riqueza e analisar a estrutura trófica e espacial de uma taxocenose de lagartos na Serra dos Macacos, Tobias Barreto, Sergipe e sua relação com fatores históricos e ecológicos. Os dados foram tomados entre os meses de março e setembro de 2020, em um total de quatro campanhas com duração de 14 dias, cada. Os lagartos foram capturados por meio de armadilhas (pitfalls e glue traps) e busca ativa. Para todos os indivíduos observados e/ou coletados foram registradas informações do microhabitat e os espécimes coletados tiveram seus tratos digestivos retirados para análise da dieta. Algumas características estruturais dos microhabitats ao redor das pitfalls foram mensuradas relacionadas à abundância das espécies capturadas. Foram registradas 16 espécies de lagartos, pertencentes a dez famílias. As espécies mais abundantes para a área de estudo foram A. ocellifera, T. hispidus e T. semitaeniatus. Apenas A. ocellifera e G. geckoides apresentaram relações significativas com algumas das variáveis ambientais avaliadas. A análise de pseudocomunidades indicou que a taxocenose está estruturada apenas para o nicho trófico, enquanto que a Análise de Componentes Principais filogenéticos detectou influência de ambos fatores ecológicos e históricos, sendo este último o mais proeminente em ambos nichos alimentar e espacial. Os resultados deste trabalho demonstram que diferentes linhagens de lagartos podem responder de formas distintas às pressões ambientais, denotando a importância de considerar ambos os fatores (ecológicos e históricos) nas interpretações sobre os determinantes para organização das taxocenoses. Dessa forma, o desenvolvimento de métodos filogenéticos que visem mensurar tais efeitos em escala local e sua utilização em diferentes comunidades são essenciais para elucidar os padrões que emergem da complexa sinergia entre fatores históricos e ecológicos, e assim facilitar a generalização e formulação de teorias mais consistentes em escalas maiores.

  • TARCÍSIO DOURADO SANTOS
  • Estrutura da rede de interações mutualísticas entre aves e plantas em uma área de Caatinga
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 21/02/2020
  • Dissertação
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  • Interações mutualísticas envolvendo animais e plantas são fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas, pois são responsáveis por prover serviços ecossistêmicos essenciais como a polinização e a dispersão de sementes. O conjunto destas interações forma uma complexa rede e a análise de sua estrutura é fundamental para o entendimento de processos que moldam essas interações na comunidade, além de fornecer ferramentas para a predição e respostas a possíveis mudanças ambientais. O objetivo do estudo foi caracterizar a estrutura da rede de interações mutualísticas entre aves frugívoras e plantas zoocóricas em uma área de Caatinga. A pesquisa foi desenvolvida no Monumento Natural Grota do Angico, situada no semiárido do estado de Sergipe, durante 12 meses. Os registros de interações foram feitos através de observações diretas utilizando transecções lineares e árvore-focal. A estrutura da rede foi analisada utilizando métricas tradicionais como conectância, aninhamento, modularidade, robustez e índice de importância das espécies. Foram registradas 160 interações entre 21 espécies de aves e 11 de plantas. A rede apresentou baixa conectância (C=26%), estrutura aninhada (NODF= 55.55) e modular (Q= 0,30). O alto índice de robustez e o padrão aninhado sugerem que possivelmente a rede seja resistente a perda de espécies. Contudo, o índice mostrou-se mais sensível a perda de espécies generalistas. Elaenia sp., Mimus saturninus e Cyanocorax cyanopogon foram as espécies de aves que apresentaram maiores índices de importância, consumindo uma maior diversidade de frutos. Por outro lado, Pilosocereus gounellei, Cereus jamacaru e Pilosocereus pachycladus foram as espécies vegetais mais importantes, reforçando o papel de espécies da família Cactaceae em manter a comunidade de aves em ambientes áridos e semiáridos. Portanto, devido à sua alta importância funcional em manter tanto a estabilidade da rede quanto a manutenção das espécies na comunidade, é recomendado atenção prioritária para tais espécies em programas de conservação.

  • ITALLO ROMANY NUNES MENEZES
  • DENDROECOLOGIA DE POPULAÇÕES DE CEDRELA ODORATA L. EM ÁREAS DE MATA ATLÂNTICA E CAATINGA NO ESTADO DE SERGIPE-BRASIL
  • Orientador : CLAUDIO SERGIO LISI
  • Data: 18/02/2020
  • Dissertação
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  • A dendroecologia é a ciência que recupera as informações ambientais pretéritas contidas nos anéis de crescimento das árvores. As séries de anéis datados (cronologias) são importantes para a compreensão de questões ecológicas relacionadas aos principais mecanismos que governam o crescimento secundário das árvores e a dinâmica das florestas. Estas análises direcionam para o entendimento de como as populações arbóreas são influenciadas pelas condições climáticas, mudanças atmosféricas, dinâmica florestal e distúrbios ambientais. Recentemente, pesquisas com espécies ocorrendo nas Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (Seasonally Dry Tropical Forests-SDTF) do Nordeste do Brasil (NEB) confirmaram a formação de anéis de crescimento e sua potencialidade para estudos dendroecológicos. Neste sentido, o objetivo da pesquisa foi comparar cronologias de populações de C. odorata presentes nas SDtF da Caatinga e Mata Atlântica em Sergipe, para fins de estudos dendroecológicos e dendroclimáticos, a partir das relações de respostas entre seus anéis de crescimento e variáveis climáticas; variáveis edafoclimáticas; e variáveis oceânicas. Foram coletadas amostras do lenho com trado de incremento (método não destrutivo) em árvores de cedro nos fragmentos florestais em Porto da Folha e Lagarto. Todo material coletado foi preparado e analisado no Laboratório de Anatomia Vegetal e Dendroecologia-LAVD. Os dados ambientais históricos foram adquiridos nas estações meteorológicas para cada município e regiões próximas; no banco da National Oceanic and Atmospheric Administration-NOAA e KNMI Climte Explorer. Foram utilizados testes estatísticos de Correlação; Regressão Linear Múltipla e Modelo Linear Generalizado. A cronologia das árvores de Porto da Folha teve extensão de 55 anos, enquanto as árvores de Lagarto tiveram por 114 anos. Na SDTF da Caatinga a população teve média etária de 35 anos. Na SDTF da Mata Atlântica média etária de 65 anos, sendo a população de cedro mais velha registrada para o NEB. Os crescimentos secundários das populações foram significativos e determinados pela precipitação no período chuvoso, porém com correlação negativa com as médias de temperaturas. A partir do índice SPEI e DHSolo, foi constatado o aumento de intensidade e frequência de secas que afetaram o crescimento das populações de cedros, principalmente a partir de 1980. Quanto à influência das temperaturas da superfície do mar, no período prévio a temperatura anual do Atlântico (TSA) afetou positivamente o crescimento dos cedros, porém no ano corrente a temperatura anual do Pacífico (ONI) foi correlacionada negativamente com o crescimento das populações, principalmente na Mata Atlântica. O crescimento é sensível a interferência térmica na teleconexão oceano-atmosférica coordenada pelos oceanos Atlântico e Pacífico. Os resultados demonstraram que C. odorata na Caatinga e Mata Atlântica estão adaptadas a marcante sazonalidade hídrica, mas o crescimento depende do período de disponibilidade hídrica no solo. Sendo assim, o conhecimento produzido foi de fundamental importância na avaliação como a espécie respondeu ao longo dos anos às mudanças climáticas, especialmente nas SDTF do Nordeste brasileiro.

  • JAILTON JORGE MARQUES DO SACRAMENTO
  • Além da defesa: soldados aumentam a eficiência de exploração de recursos pelo cupim Nasutitermes corniger
  • Orientador : ANA PAULA ALBANO ARAUJO
  • Data: 06/02/2020
  • Dissertação
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  • Animais bem informados podem prevenir riscos e minimizar os custos e tempo envolvidos durante o forrageio. Nos organismos eussociais, a performance da colônia é otimizada pela divisão de trabalho entre as castas (ex. operários e soldados). Nos cupins, houve um evidente aumento na proporção de soldados nas colônias durante a evolução dos hábitos de forrageio/nidificação. Apesar das evidentes especializações dos soldados para a defesa, estes são dependentes dos operários para alimentação e apresentam alto custo de produção para a colônia. Nesse trabalho, analisamos o efeito da presença de soldados nas decisões de forrageio do cupim Nasutitermes corniger. Bioensaios manipulativos foram conduzidos em laboratório para avaliar se os soldados: i) aumentam a atividade e intensidade de busca por fontes alimentares simultaneamente; ii) são mais eficientes no recrutamento de indivíduos do que operários previamente informados; e se (iii) promovem mais rápido e eficiente trade-off entre exploração e busca por recursos alimentares. Nossos resultados mostram que grupos com soldados não alteram seu padrão de caminhamento quando comparado a grupos sem soldados, porém realizam uma mais rápida exploração do ambiente. A quantidade de recursos foi determinante na intensidade de recrutamento, independentemente do acesso prévio dos indivíduos (soldados ou operários) à informação. O aumento da proporção de soldados também permitiu uma maior percepção das alterações da disponibilidade de recursos e redirecionamento dos indivíduos para explorarem fontes mais favoráveis. Assim, o aumento da proporção de soldados em colônias de N. corniger parece ser explicado não apenas por sua capacidade defensiva, como também pela sua eficiência na busca e exploração de recursos alimentares, o que pode contribuir para a diminuição dos custos na produção desta casta.

2019
Descrição
  • MARCOS LEANDRO DA CRUZ ROCHA
  • Plasticidade na produção de néctar extrafloral em Turnera subulata (Turneraceae) mediada por fatores abióticos e bióticos
  • Orientador : ANA PAULA ALBANO ARAUJO
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • As interações entre plantas produtoras de néctar extrafloral (NE) e artrópodes (principalmente formigas) têm sido tradicionalmente consideradas como um exemplo clássico de mutualismo. O balanço líquido dessas interações, no entanto, pode ser altamente condicional, variando de acordo com fatores bióticos e abióticos. Nesse estudo, analisamos se o arbusto ruderal Turnera subulata exibe plasticidade no investimento em defesa indireta, testando as hipóteses de que haveria maior produção de NE: (i) durante o estágio reprodutivo; (ii) sob ataque de herbívoros ou injúrias mecânicas e (iii) sob atividade de formigas associadas. Em todos os casos, analisamos se a variação em uma condição abiótica (estresse hídrico) poderia alterar a resposta na produção de NE por T. subulata. Experimentos manipulativos foram realizados em casa de vegetação. Inicialmente a produção de NE foi analisada em plantas de T. subulata nos estágios vegetativos e reprodutivos (N= 120 plantas). Em seguida, o efeito da herbivoria e da atividade das formigas foi testado em plantas no estágio reprodutivo (N= 180 e 120 plantas, respectivamente). Em todos os bieonsaios, a quantificação do NE foi realizada com o auxilio de microcapilares. Plantas sob estresse hídrico sempre produziram menor quantidade de NE do que plantas sem estresse. A produção de NE foi aumentada no estágio reprodutivo e sob herbivoria. Plantas sob herbivoria, em situações de estresse, foram mais parcimoniosas na produção de NE, respondendo apenas aos danos reais causados por herbívoros. Por outro lado, as plantas não responderam à remoção de NE por formigas ou realizada de forma manual. Nossos resultados demonstram que T. subulata pode modular a produção de NE de acordo com o contexto ecológico (variações de fatores bióticos e abióticos), minimizando os custos da defesa indireta de acordo com a Teoria da Otimização Defensiva.

  • ELISA CRAVO FERNANDES
  • EFEITOS DOS PROCESSOS BIÓTICOS E ABIÓTICOS NA DIVERSIFICAÇÃO DOS NEOSELACHII
  • Orientador : PABLO ARIEL MARTINEZ
  • Data: 28/02/2019
  • Dissertação
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  • Eventos de extinções e substituição de espécies são onipresentes na história evolutiva do planeta, sendo conduzidos por fatores bióticos e abióticos. O conhecimento sobre padrões evolutivos no ambiente marinho ainda é escasso, uma vez que a maior parte dos estudos é realizado no ambiente terrestre. Os Neoselachii, clado que se originou no período Carbonífero e enfrentou sua maior diversificação durante o Jurássico-Cretáceo, enfrentaram as três últimas grandes extinções. Nesse trabalho analisamos as taxas de especiação, extinção e diversificação para tubarões e raias a fim de avaliar se e como as três últimas extinções em massa influenciaram na diversificação do grupo aqui estudado a nível de clado e de ordem. Também avaliamos se mudanças ambientais e interações ecológicas afetaram as taxas de extinção das ordens de Neoselachii. Nossos resultados mostram que as extinções em massa não exerceram influência sobre as taxas de diversificação do grupo. Entretanto observou-se um aumento na taxa de extinção no final do Mioceno, coincidindo com eventos de extinções de fundo que ocorreram na época. Os dados obtidos através da análise de diversificação foram associados às alterações ambientais do período em questão e à diversificação de grupos potencialmente competitivos Delphinidae (Mammals: Odontoceti). Nós encontramos que a diminuição da temperatura e as oscilações do nível do mar provocaram um aumento nas taxas de extinção das ordens analisadas. Nossos resultados também indicam que a competição intraclado e intercalado influenciou negativamente as taxas de extinção. Entender como os fatores bióticos e abióticos afetam os organismos fornece informações importantes sobre a biodiversidade atual e sobre as consequências de futuros eventos que podem ocorrer. Portanto, o estudo de organismos extintos e atuais auxilia na predição de impactos de futuras mudanças ambientais. Sendo assim, espera-se que os resultados aqui apresentados ofereçam uma base para futuros estudos que permitam predizer como esse grupo reagirá em caso de novas extinções em massa.

  • MILENA GONÇALVES DA SILVA
  • Conexões tróficas e avaliação da sazonalidade na estrutura da ictiofauna associada a bancos de macrófitas no Baixo São Francisco
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 25/02/2019
  • Dissertação
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  • As macrófitas representam um importante habitat para a ictiofauna, pois são utilizados como sítios reprodutivos, zonas de forrageamento, refúgio contra predadores e berçário para os juvenis e espécies de pequeno porte. Além disso, fornecem maior superfície para os recursos alimentares devido à disponibilidade de substratos para presas e representam um dos fatores bióticos mais importantes para estruturação das comunidades de peixes. Este estudo objetivou analisar espaço-temporalmente a estrutura trófica da comunidade de peixes associados a bancos de macrófitas em um trecho antropizado do Baixo São Francisco sob influência da Usina Hidrelétrica Xingó. Amostragens bimestrais (abril/2015 a março/2016) padronizadas foram realizadas em quatro localidades através de quatro lances de arrastos (10 m de comprimento, malha 5 mm) próximo às margens com macrófitas aquáticas no período vespertino para captura de peixes. Os espécimes coletados nos arrastos foram anestesiados com eugenol, fixados (formol 10%) e conservados (álcool 70%). Em laboratório, cinco espécimes de cada espécie por ponto amostral e período foram selecionados para biometria e análise do conteúdo estomacal, no qual os itens alimentares foram identificados e quantificados volumetricamente. Na análise de dados, foi calculada a riqueza e diversidade de itens consumidos, a partir do Índice de diversidade de Simpson para caracterizar o espectro alimentar em cada ponto e período amostral. A proporção volumétrica de itens consumidos em cada uma das categorias taxonômicas foi obtida verificando se há diferença entre os pontos e períodos através da análise de similaridade ANOSIN (two-way), uma vez que as dissimilaridades foram visualizadas por NMDS e os itens responsáveis pela variação identificados no SIMPER. Também foi calculada a proporção de itens alóctones e autóctones, o Índice Alimentar (IAi%) dos itens consumidos por cada espécie e guildas tróficas de acordo com a similaridade na dieta das espécies a partir de uma análise cluster utilizando a média não ponderada de uma matriz de Distância Euclidiana. A partilha de recursos alimentares foi obtida de acordo com o cálculo das sobreposições alimentares e teias tróficas bipartidas foram construídas para dois limiares de ligação (LT=0,00 e 0,05). A maior parte dos peixes coletados e analisados foram Characiformes de pequeno porte incluindo as abundantes e frequentes Hemigrammus marginatus, H. brevis, Astyanax fasciatus e Phenacogaster franciscoensis. Outro destaque foi a presença de juvenis de carnívoras de grande porte (Serrasalmus brandtii, Crenicichla sp., Cichlasoma sanctifranciscense, Astyanax lacustris e Hoplias malabaricus) que recorrem às macrófitas em busca de alimento e se alimentaram das famílias de peixes mais abundantes. A maioria dos itens alimentares encontrados foram de origem autóctone, corroborando a importância das macrófitas como fonte de recursos para a comunidade de peixes nesse ambiente. Isso está relacionado à homogeneização dos pontos estudados pela remoção da vegetação marginal que influencia negativamente na contribuição de recursos alóctones. Foram observados padrões alimentares distintos para espécies abundantes a partir de variações nas estratégias de forrageamento, tendo H. brevis e P. franciscoensis alimentação voltada para itens de superfície e H. marginatus para o fundo. A espécie A. fasciatus não apresentou segregação espacial na alimentação e apresentou dieta onívora e oportunista por ter maior consumo alóctone. Dentre as guildas construídas (algívoros, invertívoros, insetívoros e onívoros), os algívoros tiveram mais destaque nas sobreposições principalmente envolvendo espécies invasoras (Oreochromis niloticus e Metynnis lippincottianus) com nativas. A segregação de recursos foi verificada entre as espécies analisadas indicando que os recursos são limitantes e as espécies tendem a compartimentalizar seus nichos e evitar exclusão competitiva. Os pontos menos impactados (3 e 4) apresentaram maior riqueza de espécies e consequentemente, teias maiores e mais complexas, assim como no período chuvoso. A partir dos resultados obtidos, verificou-se que as hipóteses que afirmam maior conectância e densidade de ligações nas teias tróficas do período chuvoso e nos pontos 3 e 4 foram corroboradas.

  • HOSANA HAUM BARROS MECENAS
  • EFEITO REPELENTE DO SUBSTRATO DE DESCARTE DE FORMIGAS CORTADEIRAS
  • Orientador : LEANDRO DE SOUSA SOUTO
  • Data: 22/02/2019
  • Dissertação
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  • Em uma colônia de formigas cortadeiras a produção de resíduos é constante e representa um risco adicional para sua manutenção. O fungo simbionte cultivado por formigas cortadeiras se degrada periodicamente devendo, juntamente com os demais resíduos produzidos, ser descartado em locais apropriados, distantes das áreas de alimentação e reprodução, a fim de reduzirem os riscos de contaminação, pois tais resíduos podem abrigar substâncias e microrganismos nocivos para toda a colônia. Desta forma, o descarte de resíduos é feito por meio de câmaras subterrâneas ou pela criação de montículos externos à colônia, dependendo da espécie. Estudos sugerem que, em virtude do odor e natureza do material envolvido, o substrato de descarte pode ser utilizado para impedir o ataque de formigas cortadeiras às plantas. Analisamos experimentalmente se este efeito repelente do substrato de descarte conserva-se em uma solução líquida. Para isso realizamos dois experimentos: primeiro, selecionamos 30 colônias de Acromyrmex balzani e 36 colônias de Atta opaciceps em campo e ofertamos a cada colônia 30 iscas confeccionadas com canudos e empanadas em polpa cítrica, sendo três tratamentos com 10 iscas para cada. Os tratamentos foram: 1 - “Cont” controle composto por iscas brancas embebidas em solução água/álcool 50%, 2 - “ExtAc” com iscas rosas embebidas em extrato do substrato de descarte de A. balzani com concentração de 20% p/v e 3 - “ExtAt” composto por iscas azuis embebidas em extrato com concentração de 20% p/v, com o substrato de descarte de A. opaciceps. As iscas ficaram disponíveis às colônias de A. balzani por 30 minutos e às colônias de A. opaciceps por 20 minutos, sendo contabilizado o tempo e a quantidade de iscas retiradas, comparados através de análise de sobrevivência e LME. No segundo experimento analisamos se discos de plantas pulverizados com o extrato do substrato de descarte inibiriam a alimentação do pulgão Lipaphis erysimi. Para tanto, realizamos 103 bioensaios em placas de petri de Ꝋ =150mm, com um disco de folha de couve manteiga (Brassica oleracea L. var. acephala) pulverizado com a solução controle (água/álcool) 50% e um disco de folha pulverizado com o extrato do substrato de descarte de A. balzani (20%) (n=49) ou do substrato de descarte A. opaciceps (n=54), dispostos um de cada lado e liberados 10 pulgões Lipaphis erysimi em cada placa, sendo utilizados no total 1.030 pulgões. Os bioensaios foram comparados através de análise binomial. Os resultados mostraram que houve efeito repelente à atividade de forrageamento das formigas, seja por resposta intraespecífica ou interespecífica. Além disso, para ambas as espécies, o extrato de colônias de outra espécie teve um efeito repelente significativamente maior do que o controle. Para pulgões, houve um efeitorepelente com os extratos de ambas as espécies. A tentativa de identificação da composição química dos extratos através de análise cromatográfica não foi elucidativa. Futuros estudos são necessários para verificar se os extratos pulverizados nas folhas em condições de campo têm o mesmo efeito observado nas iscas, bem como as possíveis substâncias causadoras do efeito, a duração do efeito (tanto para formigas quanto para pulgões), culturas a serem protegidas e outras pragas a serem repelidas, assim como outros efeitos.

  • FLÁVIA HENRIQUES E SOUZA
  • DIETA DE CERDOCYON THOUS (MAMMALIA: CARNIVORA) E SEU PAPEL COMO DISPERSOR EM ÁREAS DE CAATINGA DE SERGIPE
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 22/02/2019
  • Dissertação
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  • Cerdocyon thous é um canídeo de médio porte cujos hábitos alimentares indicam uma dieta generalista constituída por frutos, artrópodes e pequenos vertebrados. Na Caatinga, são poucos os trabalhos que retratam os hábitos alimentares desse carnívoro e não há dados sobre sua atuação como dispersor no bioma. Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo descrever a composição da dieta de C. thous e investigar o seu papel como dispersor de sementes na Caatinga do Alto Sertão Sergipano. O trabalho foi baseado na busca e análise das fezes desse canídeo em três áreas de Caatinga nessa região. Em laboratório, o material foi lavado e analisado em lupa estereomicroscópica. Os itens foram separados e identificados e foi calculada a frequência de ocorrência de cada item. Para os itens mais frequentes foi avaliada a influência da precipitação ao longo do ano na sua ocorrência através de uma Análise de Regressão Logística Simples. Para avaliar o papel de C. thous como dispersor, as sementes encontradas nas fezes tiveram sua viabilidade avaliada em testes de germinação, onde as sementes ficaram expostas às condições naturais e o número de sementes germinadas foi registrado diariamente. Como controle, sementes retiradas de frutos maduros foram expostas às mesmas condições ambientais. Ao final do experimento, foram determinados a germinabilidade, o tempo de germinação de 50% das sementes viáveis (t50), o índice de velocidade de emergência e o índice de sincronização. Em relação à dieta, esse canídeo se mostrou um predador generalista, consumindo principalmente artrópodes, frutos e pequenos vertebrados, sendo a ordem Coleoptera o item mais frequente. Foi encontrada variação no consumo ao longo do ano apenas para a ordem Orthoptera. A variedade de itens consumidos (S = 50) demonstra uma alta plasticidade na dieta da espécie na Caatinga. Os testes de germinação foram realizados para seis espécies e apenas Pilosocereus gounellei e Prosopis juliflora apresentaram diferenças entre tratamentos, sendo que na primeira a passagem pelo trato digestório diminuiu a germinabilidade e a velocidade de emergência, aumentou o t50, mas não interferiu na sincronização para a espécie, enquanto que para a segunda houve diferença apenas no t50. Apesar de não favorecer o comportamento reprodutivo das espécies, C. thous se mostrou um bom dispersor de sementes na Caatinga, uma vez que é capaz de mover as sementes da planta parental para locais que podem ser adequados para recrutamento e crescimento de plântulas e a maior parte das sementes excretadas por este animal foi encontrada sem danos aparentes.

  • JOSEANE DE FARIA CALAZANS
  • ESTRUTURA DA COMUNIDADE E USO DO MICROHABITAT POR PEQUENOS MAMÍFEROS EM RESTINGA NO ESTADO DE SERGIPE, NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 21/02/2019
  • Dissertação
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  • Os pequenos mamíferos exibem diferentes padrões de uso do microhabitat de acordo com as características intrínsecas das espécies e a disposição dos recursos requeridos. As diferenças neste uso têm sido amplamente relacionadas ao processo de coexistência nas comunidades, mas poucos estudos investigaram esses padrões em áreas de restinga. Este ecossistema ainda é pouco explorado em relação a sua mastofauna, sobretudo no nordeste do Brasil. Assim, o presente trabalho visa caracterizar a estrutura da comunidade de pequenos mamíferos em uma fitofisionomia de restinga no litoral de Sergipe e analisar como as espécies utilizam o microhabitat nessa localidade. Através do método de captura-marcação-recaptura, o levantamento de pequenos mamíferos foi realizado mensalmente, de setembro de 2017 até agosto de 2018, com a utilização de armadilhas Sherman e pitfall. Seis variáveis do microhabitat relacionadas aos recursos potencialmente utilizados pelas espécies foram mensuradas em todas as estações de captura. A similaridade na composição de espécies entre áreas de restinga e Mata Atlântica no estado de Sergipe foi avaliada usando o índice de Jaccard. O uso dos estratos verticais (solo e sub-bosque) foi comparado através de teste qui-quadrado e as associações das abundâncias das espécies com as características do microhabitat foram exploradas a partir de Análise de Redundância. Dez espécies foram registradas, sendo o marsupial Marmosops incanus e o roedor Rhipidomys mastacalis as mais abundantes. A composição de espécies é mais similar à área de Mata Atlântica adjacente do que a outra área de restinga no estado. Os resultados indicam que as espécies utilizam diferentemente os estratos verticais. Além disso, variações nas abundâncias dessas espécies foram associadas às características do microhabitat, mais especificamente ao adensamento do sub-bosque. Este último tende a aumentar a abundância de M. incanus e diminuir a de R. mastacalis. As abordagens utilizadas sugerem que as espécies exibem alguma plasticidade no uso do habitat e que o uso diferencial do estrato arbóreo para movimentação e forrageio pode ser um facilitador no processo de coexistência em área de restinga.

  • CRISTIANNE SANTANA SANTOS
  • Mecanismos envolvidos na tolerância à dessecação em sementes e plântulas de Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook.f. ex S. Moore (Bignoniaceae)
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 06/02/2019
  • Dissertação
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  • A tolerância à dessecação em sementes e plântulas é um aspectoimportante para o uso de espécies na regeneração ecológica, principalmente dasFlorestas Tropicais Secas. Sendo assim, no presente trabalho, foram analisados oslimites, aspectos fisiológicos e a relação da hidratação descontínua na tolerância àdessecação (TD) em sementes e plântulas de Tabebuia aurea. Primeiramente, foramanalisados o grau de TD das sementes e a resposta dessas a dessecação lenta e rápida emdiferentes teores de água (0, 0.75, 1.5, 2.25 e 3%) do teor de água das sementes recémcoletadas),além da influência da hidratação descontínua na TD de sementes de T. aureaque foram submetidas a 0, 1, 2 e 3 ciclos de hidratação e desidratação (ciclos de HD)em três tempos de hidratação (½ do tempo da primeira fase de embebição e ¼ e ¾ dasegunda fase da embebição). Já durante o desenvolvimento, foi avaliada a capacidadedas plântulas de tolerarem a dessecação em três diferentes tamanhos de radícula (0 a 2,2 a 5 e 5 a 10 mm). Além disso, também foi realizada a quantificação de açúcaresredutores e de proteínas totais em todos os tratamentos avaliados. As sementes eplântulas de T. aurea apresentaram uma alta TD, nos dois tipos de dessecaçãoavaliados, sendo observado um aumento no conteúdo de açúcares redutores com adiminuição do teor de água, nas sementes, bem como uma redução do conteúdo dessesaçúcares nas plântulas. A hidratação descontínua não promoveu um aumento da TD dassementes da espécie estudada. Contudo, ao passarem pelos ciclos de HD, foi observadoum aumento do conteúdo de proteínas nas sementes submetidas à dessecação rápida.Pode-se concluir que a alta TD apresentada pelas sementes e plântulas de T. aurea comradículas de até 10 mm está relacionada as alterações nos mecanismos bioquímicosimportantes na manutenção desta tolerância e que podem ser promovidas pelahidratação descontínua.

  • AYSLAN TRINDADE LIMA
  • Memória hídrica de sementes: implicações ecofisiológicas durante a germinação e o desenvolvimento inicial de espécies da Caatinga
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 05/02/2019
  • Dissertação
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  • Memória hídrica de sementes é a habilidade que as sementes apresentam em reter alterações fisiológicas ocasionadas pela hidratação descontinua durante o processo de embebição, podendo promover benefícios em parâmetros germinativos e de desenvolvimento inicial, como aquisição de tolerância ao déficit hídrico e produção de plântulas mais vigorosas. Este estudo visou compreender os efeitos dos ciclos de hidratação e desidratação (ciclos de HD) durante a embebição sobre a germinação de sementes de Senna spectabilis (DC.) H.S. Irwin & Barneby var. excelsa (Schrad.) H.S. Irwin & Barneby (Fabaceae) em condições de déficit hídrico e sobre o desenvolvimento inicial de plântulas de Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. (Fabaceae). Assim, esta dissertação foi dividida em dois capítulos em formato de artigo científico. O primeiro avaliou os efeitos dos ciclos de HD na germinação de sementes de S. spectabilis var. excelsa submetidas às condições de déficit hídrico. Neste capítulo, as sementes
    passaram por ciclos de HD (0, 1, 2 e 3 ciclos) correspondentes aos tempos X (6 horas), Y (16 horas) e Z (24 horas) de hidratação, determinados a partir da curva de embebição, com 5 horas de desidratação e postas para germinar em condições de estresse hídrico. A germinação foi avaliada nos potenciais 0,0; -0,1; -0,3; -0,6 e -0,9 MPa, obtidos com a utilização da solução de polietileno glicol 6000. Foram calculados a germinabilidade (%), tempo médio de germinação (dias) e tempo hídrico (MPa.d-1). Sementes de S. spectabilis var. excelsa são sensíveis aos baixos potenciais hídricos, porém, quando submetidas aos ciclos de HD no tempo Y (16 horas), há um aumento na tolerância às
    condições de déficit hídrico. Além disso, os benefícios observados nos parâmetros germinativos mostraram que S. spectabilis var. excelsa apresenta memória hídrica de sementes. O segundo capítulo objetivou avaliar o efeito dos ciclos de HD na germinação e no desenvolvimento inicial de plântulas de M. tenuiflora, avaliando a 8 hipótese de que sementes que passam pelos ciclos de HD produzem plântulas maiores e com maior acumulação de biomassa. Sementes de M. tenuiflora foram submetidas a 0, 1, 2 e 3 ciclos de HD. Foram avaliados parâmetros germinativos e de desenvolvimento inicial. Apesar da germinabilidade das sementes não ter sido alterada entre os tratamentos, sementes de M. tenuiflora que foram submetidas aos ciclos de HD germinaram em um menor espaço de tempo. Além disso, plântulas produzidas a partir de sementes que foram submetidas aos ciclos de HD apresentaram maior comprimento da parte aérea, maior diâmetro do caule e maiores valores de massa seca de folhas, caule e raízes. Os ciclos de HD proporcionaram o fenômeno da memória hídrica nas sementes estudadas, o qual pode apresentar implicações ecológicas, uma vez que sementes que foram submetidas à hidratação descontínua durante o processo de embebição produziram plântulas mais vigorosas e sementes mais tolerantes ao déficit hídrico.

2018
Descrição
  • DAVID CAMPOS ANDRADE
  • DIVERSIDADE DE MOSQUITOS (DIPTERA: CULICIDAE) NO BIOMA CAATINGA
  • Orientador : ROSELI LA CORTE DOS SANTOS
  • Data: 31/07/2018
  • Dissertação
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  • Os insetos da família Culicidae têm sido amplamente estudados desde o último século, devido ao hábito hematofágico que torna algumas espécies veiculadoras de doenças. Para alguns biomas são encontrados poucos estudos sobre a diversidade de mosquitos. Um deles é a Caatinga, bioma brasileiro caracterizado pelo alto déficit hídrico ao longo do ano. Este estudo está dividido em dois capítulos, o primeiro deles teve o intuito de unificar inventários existentes com o objetivo de averiguar as espécies de mosquitos adaptadas às restrições ambientais impostas pela Caatinga, analisando a composição e distribuição de espécies entre as comunidades. O capítulo dois trata da descrição de uma espécie do gênero Toxorhynchites Theobald 1901, subgênero Lynchiella Lahille 1904 que fora encontrada durante a execução do projeto "Mosquitos da Caatinga". Os levantamentos reuniram informações de inventários realizados em áreas de Caatinga de quatro estados brasileiros entre os anos de 2008 e 2014 nas seguintes áreas: Estação Ecológica Raso da Catarina (EERC) na Bahia, Monumento Natural Grota do Angico (MNGA) em Sergipe, Norte de Minas Gerais (NMG), Floresta Nacional do Açu (FNA), Estação Ecológica de Seridó (EES) e uma área particular conhecida por Sítio Areias (SA), essas três últimas áreas no estado do Rio Grande do Norte. As técnicas de coletas utilizadas foram variadas, incluindo coleta de ovos, larvas e adultos. Foi utilizado o particionamento da β diversidade e os seus índices de substituição (βJTU) e/ou aninhamento (βJNE) para verificar a dissimilaridade entre as comunidades. Foram registradas 81 espécies pertencentes a 14 gêneros para a Caatinga. As áreas com a maior riqueza foram NMG (S = 49) e MNGA (S = 30). As demais áreas apresentaram menores riquezas, sendo 26 para EERC, 17 em FNA e 11 na EES. Sendo 35 espécies compartilhadas e 46 ocorrências exclusivas. As áreas onde ocorreu o maior número de espécies exclusivas foram o NMG com 30%, seguido por MNGA e EERC com 11%. As comunidades demonstraram altas taxas de variação (βJAC =0.88), sendo o mecanismo de substituição o principal incriminado pelo padrão encontrado (βJTU =0.79, βJNE =0.09). Esse resultado pode ter relação com a ampla heterogeneidade ambiental do Bioma e as interações ecológicas de algumas espécies com seus criadouros específicos. As espécies com maior distribuição pertencem aos gêneros: Aedes, Anopheles, Psorophora, Haemagogus, Coquillettidiae e Mansonia, que são também de interesse médico. A espécie descrita no capítulo dois foi encontrada na EERC na Bahia. Trata-se de uma espécie fitotélmica tendo como reservatório bromélias, ela foi classificada como pertencente a um complexo de espécies aqui denominado Violaceus, sendo mais próxima morfologicamente da espécie Tx. mariae. O subgênero dessa forma passará a possuir 17 espécies atualmente catalogadas.

  • RAFAEL FEITOSA GOUVEIA
  • Estoque e dinâmica de carbono em diferentes usos da terra na caatinga de Sergipe
  • Orientador : ALEXANDRE DE SIQUEIRA PINTO
  • Data: 31/07/2018
  • Dissertação
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  • O aquecimento global é um fato e têm como uma de suas principais causas a elevação nas concentrações de CO2, e de outros gases de efeito estufa (GEE), na atmosfera devido às ações antrópica. O uso da terra, associado ao desmatamento, são as principais fontes antropogênicas de GEE no Brasil e um questionamento surge deste cenário: como o uso da terra contribui para as variações nos estoques de C na Caatinga? Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar os estoques de C e N (solo, vegetação) sob diferentes coberturas vegetais e avaliar a dinâmica de C neste sistema utilizando modelo baseado em processos. Através de amostragem em campo foram estimados os estoques de C e N na vegetação (serapilheira, raízes e biomassa aérea) e também no solo em três profundidades (0-10, 10-20 e 20-30 cm) sob quatro diferentes usos da terra (caatinga densa, caatinga aberta, agricultura e pastagem) no município de Canindé do São Francisco, SE. Ao comparar os estoques de C na biomassa aérea, a caatinga densa apresentou valores significativamente maiores em relação à aberta. Entretanto, não houve diferença significativa entre os estoques de C do solo, apesar da tendência de maiores valores na vegetação nativa. Devido à grande variabilidade encontrada nas amostras de solo, os resultados devem ser interpretados com cuidado, pois podem induzir à conclusão de que o uso da terra não promoveu perdas de C do sistema solo-planta para a atmosfera. Mais estudos são necessários no semiárido para sustentar conclusões sobre os efeitos do uso da terra nos estoques de C da região.

  • MÔNICA APARECIDA PEDROSO
  • ESTRUTURA DA TAXOCENOSE DE MORCEGOS (CHIROPTERA) DO MÉDIO RIO MADEIRA, PORTO VELHO, RONDÔNIA: UMA ABORDAGEM ECOLÓGICA E METODOLÓGICA
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 30/07/2018
  • Dissertação
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  • Dentre a variedade de mamíferos que vivem na Amazônia, os morcegos destacam-se pela diversidade de espécies e por sua importância ecológica. Até o momento foram descritas 146 espécies para o bioma, no Brasil. Nesse sentido, pesquisadores de todo o mundo vêm buscando melhores formas de coletar dados ecológicos e taxonômicos sobre o grupo. O conhecimento atual que se têm sobre a ecologia de morcegos remete em métodos e formas de estudos funcionais, mas que ainda precisam ser discutidos. Atualmente o principal método utilizado para a amostragem de quirópteros é o de redes de neblinas, sendo que, a maioria dos estudos, utilizando redes a nível do solo, foram realizadas com mais de uma noite de coleta em um mesmo ponto, com o esforço de seis horas (18:00-00:00) mais comumente empregado. A importância ecológica dos morcegos e a necessidade de melhorias nos métodos de captura, nos motivou a realizar este estudo contendo dois capítulos, através do Programa de Monitoramento de Morcegos de Jirau, que ocorreu por um período de seis anos (2010-2015). O objetivo do capítulo 1 foi caracterizar a estrutura da taxocenose de quirópteros do Médio Rio Madeira, Rondônia, no que concerne à riqueza, composição e abundância de espécies, avaliando como essas métricas variam ao longo da paisagem ripária. Com um esforço de 9.020.160 h/m2 obtivemos um total de 4554 morcegos representantes de 66 espécies. Três espécies foram registradas pela primeira vez para o estado de Rondônia (Trinycteris nicefori Sanborn, 1949; Centronycteris maximiliani Fischer, 1829; Lampronycteris brachyotis (Donson, 1879) e uma (Chiroderma salvini) para o Brasil. Os frugívoros apresentaram a maior riqueza e abundância, seguidos dos insetívoros catadores e aéreos. A diferença em termos de abundância de espécies entre as margens esquerda e direita, foram significativas. A curva de rarefação apontou uma leve tendência para a estabilidade em Mutum margem esquerda e Caiçara margem direita, mostrando que novas espécies poderiam ser incrementadas caso houvesse o aumento do esforço de captura. A composição de espécies entre os módulos foi significativamente diferente, sendo a substituição e perda de espécies os mecanismos que moldaram de forma simultânea a estrutura da taxocenose de morcegos do Médio rio Madeira. O capítulo 2 buscou verificar a eficiência de aspectos metodológicos na captura de morcegos no que se refere a amostragens realizadas em noites consecutivas e a quantidade de horas amostrais em cada noite. Avaliando medidas de tendência central (medianas), ao invés de valores absolutos, diferenças significativas foram encontradas tanto em relação a abundância quanto a riqueza de espécies entre as três noites amostradas (1ª, 2ª e 3ª), com a primeira noite, sobressaindo-se em relação a segunda e terceira. Em outras palavras, há uma clara tendência de redução do sucesso de captura (riqueza e abundancia) ao longo de noites consecutivas em um mesmo local. Os nossos resultados mostraram ainda não haver ganhos significativos na riqueza que justifiquem a amostragem durante toda a noite, quando o intuito é acessar a diversidade local. No computo geral, apenas quatro espécies raras (D. glauca, U. magnirostrum, V. pusila, M. nigricans) foram acrescidas na segunda sessão, o que pode ter acontecido por simples acaso.

  • DINAMARTA VIRGINIO FERREIRA
  • MECANISMOS DETERMINANTES DA AGRESSIVIDADE INTERCOLONIAL EM CUPIM
  • Orientador : ANA PAULA ALBANO ARAUJO
  • Data: 27/07/2018
  • Dissertação
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  • O comportamento agressivo permite aos animais acesso aos recursos locais, podendo contribuir para oaumento do fitness. Uma estratégia para reduzir os custos envolvidos na defesa de territórios consistena redução de conflitos entre vizinhos. Esta redução na agressividade pode ser determinada, porexemplo, pelo aumento de encontros e consequente habituação aos vizinhos. Insetos sociais apresentamum eficiente sistema de reconhecimento que garante a coesão do grupo e a proteção de intrusos em seusninhos e territórios. Aqui, analisamos inicialmente o efeito da distância entre colônias e dadisponibilidade de recursos na agressividade e respostas às pistas químicas intercoloniais emNasutitermes aff. coxipoensis (Termitidae: Nasutitermitinae). Posteriormente, analisamos se aexposição prévia aos odores intercoloniais e o tipo de recurso consumido pelas colônias poderiam sermecanismos envolvidos na rmodulação da agressividade intercolonial. A manipulação de recursosalimentares foi conduzida em campo, onde ninhos com diferentes distâncias entre si foram mantidossem adição de iscas (controle) e com a adição de três ou 16 iscas de cana-de-açúcar/ninho, durante trêsmeses. Bioensaios de agressividade, bioensaios de trilha linear e em Y foram conduzidos considerandosetodas as combinações de colônias dentro de cada tratamento. O efeito da exposição prévia aos odoresintercoloniais e do tipo de recurso consumido sobre a agressividade intercolonial e escolha de pistas foitestado em laboratório. Nossos resultados mostraram que indivíduos mantidos sem adição ou comadição de três iscas/ninho exibiram maior número de lutas com seus vizinhos do que com indivíduos decolônias distantes. Indivíduos provenientes das colônias mantidas sem iscas (controle) seguiramdistâncias mais curtas nas trilhas lineares quando comparado às colônias com adição de iscas. Aagressividade intercolonial não foi influenciada pela exposição prévia aos odores intercoloniais e nempelo consumo de recursos similares. No entanto, indivíduos previamente expostos aos odoresintercoloniais foram mais atraídos para esses odores. Além disso, indivíduos provenientes de colôniasque usaram recursos similares exibiram um maior número de vibrações entre si do que indivíduosprovenientes de colônias que consumiram diferente tipo de recurso. Concluindo, nossos resultadosmostram que a agressividade intercolonial em N. aff. coxipoensis parece ser dependente da oferta derecursos. Nossos resultados podem contribuir para uma melhor compreensão do uso do espaço porcolônias de N. aff. coxipoensis e pode ser útil para explicações de padrões de coocorrência de espéciesde cupins em condições naturais.

  • HELON SIMÕES OLIVEIRA
  • DIVERSIDADE TAXONÔMICA E FUNCIONAL DE AVES NA MATA ATLÂNTICA FRAGMENTADA: PADRÕES E SEUS MECANISMOS
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 27/07/2018
  • Dissertação
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  • Os efeitos danosos causados pela fragmentação, vem sendo estudados em vários táxons e habitats diferentes, sendo a redução da área o efeito mais imediato. Contudo, outras vertentes da diversidade que não só a taxonômica, como a diversidade funcional, carecem de entendimento de como os aspectos da paisagem fragmentada podem afetá-las. Assim, nesse trabalho se propôs, avaliar os padrões emergentes da diversidade taxonômica e funcional de aves, medidas pela riqueza de espécies (S) e equabilidade de Pielou (J’), assim como pela riqueza funcional (FRic), uniformidade funcional (FEve), divergência funcional (FDiv) e dispersão funcional (FDis), ao longo de três gradientes de paisagem (área, isolamento e forma) em fragmentos de Mata Atlântica no nordeste brasileiro. Como esperado, a área se mostrou influenciar positivamente S e FRic e negativamente J’ e FDis. Embora ambas tenham sido positivas, a relação S-área apresentou valor de inclinação significativamente superior ao da FRic-área, indicando o surgimento de espécies de aves redundantes funcionalmente ao longo do gradiente. Essa mesma redundância é a responsável por FEve não apresentar relação significativa com a área. Foi identificado que a influência do isolamento e da forma sobre a diversidade de aves é um reflexo da área dos fragmentos, por existir correlação espacial entre as métricas de paisagem. Foi identificado, também, que a similaridade limitante aparenta maior influência como regra de assembleia na maioria dos fragmentos estudado e que está ganha força com a redução da área, de modo que os padrões emergentes das métricas de diversidade foram produzidos pela força da competição entre as espécies ao longo do gradiente de área. Com o aumento do desmatamento, as espécies de aves foram submetidas à interações competitivas mais fortes até que aquelas de menor fitness foram excluídas, resultando em maior FDis e J’, assim como, menor S e FRic nos menores fragmentos. Esses resultados demonstram que a redução do habitat não afeta só a riqueza de espécies mais também a diversidade funcional, diminuindo a resiliência das assembleias à eventos estocásticos assim como a gama de funções ecológicas exercidas pelas aves.

  • JOSÉ WEVERTON SANTOS DE SOUZA
  • Capitellidae (Annelida) na plataforma continental de Sergipe, nordeste do Brasil: estrutura da comunidade e do habitat
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 27/07/2018
  • Dissertação
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  • As comunidades biológicas apresentam padrões de abundância, riqueza, diversidade e composição determinados em função de filtros ambientais ou fatores estocásticos que podem ocasionar substituição ou aninhamento das espécies. Capitellidae é uma família de anelídeos marinhos (Polychaeta), comum na costa do Brasil, que habita diversos ambientes em decorrência da alta tolerância a gradientes ambientais e sobre a qual se tem poucas informações ecológicas. Neste estudo foi realizado um levantamento dos táxons de Capitellidae da Plataforma Continental de Sergipe (PCS) e verificada a variação espaço-temporal dos descritores ecológicos, buscando qual mecanismo (turnover ou nestedness) estrutura essa comunidade além de investigar como e quais variáveis ambientais influenciam nesta estruturação. Foram realizadas coletas durante os períodos seco e chuvoso (2001 a 2003) ao longo da PCS em três isóbatas (10, 20 e 30m), amostrando o sedimento com draga de arrasto e a água com garrafa de Van Dorn. O material sedimentológico foi conservado em gelo para análises granulométricas de teores de MO e CaCO3 e em formol 10% para a análise faunística. A comunidade de Capitellidae foi composta por 1.096 indivíduos distribuídos em 50 táxons agrupados em 13 gêneros e 11 morfotipos. Destes táxons, três são registros novos para ciência (Notomastus sp. 8, Scyphoproctus sp. 4 e Capitellidae sp. 7), cinco novos gêneros com ocorrência para o Brasil (Amastigos, Pseudoleiocapitella, Dasybranchetus, Neonotomastus e Mastobranchus) e 49 novas ocorrências para Sergipe. Quatro táxons se destacaram pela abundância: Notomastus hemipodus, Notomastus latericeus, Notomastus lobatus e Mediomastus sp. A composição das espécies entre as manchas de sedimento não variou significativamente em decorrência do alto compartilhamento de espécies. As manchas de cascalho abrigaram maiores abundância e riqueza (p < 0,05). Os parâmetros ambientais apresentaram oscilações temporais para as variáveis da água, estando o período chuvoso com as maiores temperatura e salinidade (p < 0,05). Espacialmente, as variáveis da água não apresentaram variação (p > 0,05). A textura do sedimento não apresentou variação temporal (p > 0,05), porém variou espacialmente (p < 0,05), diferindo a isóbata de 30m das demais quanto ao grau de selecionamento e tamanho do grão, percentuais de matéria orgânica e CaCO3 e teores de cascalho e silte. Já a estrutura da comunidade mostrou-se estável temporalmente sem flutuações para os descritores ecológicos (p > 0,05). Espacialmente, a abundância, riqueza, diversidade e equitatividade apresentaram um padrão crescente em direção às áreas mais profundas (p < 0,05). A composição da fauna variou tanto no tempo (p = 0,00; R = 0,08) quanto no espaço (p = 0,02; R = 0,12). Essas variações foram decorrentes dos mecanismos de substituição de espécies temporal TUR = 0,43; βNES = 0,08) e espacial (βTUR = 0,46; βNES = 0,25) que determinaram as altas diversidades β temporal (βJAC = 0,51) e espacial JAC = 0,72). A relação das variáveis ambientais com a fauna evidenciou as variáveis do sedimento como as principais estruturadoras das comunidades. A profundidade influenciou todos os descritores (p = 0,00); o grau de selecionamento do grão exerceu influência sobre a diversidade e equitatividade (p = 0,04); o tamanho do grão (p = 0,01) e o teor de CaCO3 (p = 0,005) influenciaram a abundância e o cascalho influenciou a riqueza (p = 0,02). Os resultados obtidos permitem inferir que a PCS é um ambiente com elevada riqueza de Capitellidae, que se distribui em fundos heterogêneos, ocasionando substituição de espécies ao longo do gradiente ambiental com aumento dos descritores em áreas mais profundas.

  • CAROLINE SILVA DOS SANTOS
  • Distribuição geográfica de Pyriglena spp. (AVES: THAMNOPHILIDAE): avaliando o efeito de clima, interação biótica e complexidade do habitat
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 26/07/2018
  • Dissertação
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  • Modelos de distribuição potencial são uma ferramenta importante para estudar a biogeografia e a conservação das espécies, pois ajudam a compreender os padrões de distribuição espacial dos organismos. No entanto, para que os modelos representem melhor as condições ambientais ideais para as espécies, é necessário incluir variáveis ambientais que tragam sentido biológico para os modelos, tais como interações bióticas e estrutura do habitat, além das variáveis climáticas comumente usadas. Desta maneira, neste estudo, pretende-se investigar a influência de quatro conjuntos de preditores que incluem variáveis climáticas, interação biótica e estrutura do habitat sobre a distribuição geográfica das aves do gênero Pyriglena. Essas aves habitam ambientes florestais no estrato de sub-bosque e estão incluídas na guilda trófica de seguidoras de formigas-de-correição. Além das camadas bioclimáticas, foram usadas uma camada de complexidade florestal gerada a partir de dois atributos combinados (cobertura florestal e altura do dossel) e uma camada adequabilidade ambiental de formigas-de-correição para gerar os modelos das aves. Os modelos foram desenvolvidos utilizando o algoritmo Maxent e o seu desempenho medido através das métricas TSS (True Skill Statistic) e AUC (Area Under the Curve). Os modelos das aves do gênero Pyriglena indicam maior influência do macroclima. A complexidade florestal também foi um preditor importante, sendo que essas aves ocorrem em áreas que sofrem pressões por conta dos processos de perda e fragmentação do habitat, e seus requerimentos de habitat apontam para necessidades de áreas com floresta madura e uma matriz complexa. A camada de adequabilidade de formigas teve baixa contribuição nos modelos, inclusive piorando seu desempenho, exceto para P. leuconota, que pode ser considerada mais especializada na guilda trófica de aves seguidoras de formigas-de-correição. Este estudo contempla áreas potencialmente adequadas a ocorrência das aves do gênero Pyriglena em larga escala espacial. Essas informações podem subsidiar estratégias de conservação para P. pernambucensis e P. atra que se encontram ameaçadas de extinção.

  • ERIVELTON ROSÁRIO DO NASCIMENTO
  • INFLUÊNCIA DO SINAL FILOGENÉTICO SOBRE ESTRUTURA FUNCIONAL DE ASSEMBLEIAS ECOLÓGICAS: UMA ABORDAGEM COMPUTACIONAL
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 20/07/2018
  • Dissertação
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  • Entender os mecanismos históricos-evolutivos que governam os padrões de coexistência em nível de espécies pode oferecer maior compreensão acerca da biodiversidade e ajudar a esclarecer questões centrais em ecologia sobre a diversidade, composição e distribuição das espécies. Entretanto, entender os padrões de coexistência de espécies sem considerar o efeito dos padrões evolutivos dos fenótipos dessas espécies pode ser inapropriado, já que a montagem de assembleias ecológicas resulta da interação entre processos ecológicos e evolutivos ao longo do tempo. Diante disso, buscamos investigar, através de simulações computacionais, como o modo evolutivo das características das espécies pode afetar a estrutura funcional de assembleias ecológicas. Especificamente, investigamos o efeito do sinal filogenético do atributo funcional no clado sobre o padrão de estrutura funcional de assembleias ecológicas em diferentes regras de montagem de assembleias (filtragem ambiental, similaridade limitante e estocasticidade). Além disso, avaliamos a performance estatística, através das taxas de erro do tipo I e II, das métricas de estrutura de assembleias NRI e NTI. Para isso foram simuladas 300 mil assembleias em três níveis de sinal filogenético (conservado, neutro e lábil), três padrões de ocupação de espécies e sobre três processos de montagem de assembleias diferentes. Esperamos que clados com traço filogeneticamente conservado determina assembleias de espécies com maior tendência a exibir padrões de agrupamento funcional, clados com traço filogeneticamente lábil resulta em assembleias com maior tendência a exibir um padrão de dispersão funcional. Por fim, clados com traço com evolução neutra ou seja, em que a característica evolui segundo o movimento Browniano - determina assembleias guiadas apenas pelas regras de assembleia (competição e filtro ambiental). Nossos resultados demonstraram que a forma como traço evolui não afeta a capacidade das métricas NRI e NTI em identificar de forma satisfatória os processos estocásticos na formação de assembleias. De forma qual, o NTI foi mais eficiente do que o NRI na identificação dos processos (filtros bióticos ou abióticos) envolvidos na formação das assembleias. No entanto, dependendo do nível do sinal filogenético pode haver maior tendência dessas métricas apresentarem erro do tipo II. Assim, sugerimos que essas métricas de estrutura de comunidades devam ser utilizadas de forma mais indiscriminada quando o traço avaliado assumir evolução através de movimento browniano servindo como um pressuposto quando aplicadas a estrutura funcional.

  • JÉSSICA CHAPELEIRO PEIXÔTO QUEIROZ
  • RESPOSTAS ECOFISIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DO PAJEÚ (Triplaris gardneriana Wedd.) SUBMETIDO AO DÉFICIT HÍDRICO
  • Orientador : CARLOS DIAS DA SILVA JUNIOR
  • Data: 28/02/2018
  • Dissertação
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  • A água é substância essencial à sobrevivência dos vegetais. Reduções em suadisponibilidade, causada por elevada demanda evaporativa e/ou por limitação nosuprimento, podem acarretar inúmeras alterações morfofisiológicas na planta. O biomaCaatinga, localizado no semiárido brasileiro, caracteriza-se por apresentar um regimeirregular de chuvas associado a elevadas temperaturas, ocasionando, portanto, situaçõesde deficiência hídrica aos vegetais que lá habitam. Ocorrendo naturalmente na Caatinga,especialmente associada ao Rio São Francisco, em várzeas inundáveis e encostasúmidas do pantanal matogrossense, o pajeuzeiro é uma árvore que tem importânciadestacada na ornamentação, medicina popular, fornecimento de madeira e restauraçãode áreas degradadas. Os mecanismos utilizados pelo pajeuzeiro para sobreviver emsituações de déficit hídrico ainda são escassos. Diante disto, o presente trabalho teve oobjetivo de investigar alterações fisiológicas e bioquímicas do pajeuzeiro quandosubmetido ao déficit hídrico, assim como sua capacidade de recuperação após areidratação, tendo esta acontecido quando a fotossíntese aproximava-se de zero. Paraisto, foi realizado um experimento em casa de vegetação, em delineamento inteiramentecasualizado, com quatro tratamentos de reposição de água perdida porevapotranspiração (T100 – controle; T50 – 50%; T25 - 25% e T0 – sem reposição), comseis repetições cada, avaliando-se a cada 7 dias durante 28 dias. Foram avaliados opotencial hídrico foliar (Ψw), teor relativo de água (TRA), tolerância protoplasmáticafoliar, trocas gasosas (gs, E, A e EUA), além da fluorescência da clorofila a. Para asanálises bioquímicas, analisou-se o teor de pigmentos fotossintéticos (Chl a, Chl b, Chltotal e carotenoides), proteínas solúveis, prolina livre e carboidratos. O Pajeuzeirodemonstrou ter sido afetado pelo déficit hídrico, com redução significativa em relaçãoao T100 no Ψw e TRA para o T0, T25 e T50. Além destas, também foram verificadasreduções significativas na condutância estomática (gs), transpiração (E), taxafotossintética (A), eficiência quântica do PSII (Fv/Fm), área e índice de performance(PIABS) nos tratamentos sob déficit hídrico. À medida que o déficit hídrico seintensificava, foi observado um aumento no percentual de danos de membrana, tendo oT0 apresentado o maior índice de danos em relação ao controle. A restrição nadisponibilidade de água também afetou significativamente a concentração de pigmentosfotossintéticos, com reduções para a chl a, b e total e incremento para carotenóides.Além disso, o déficit promoveu aumento significativo na concentração de proteínassolúveis para o T0 e T25 e de prolina livre para os três tratamentos com deficiênciahídrica. Para a concentração de carboidratos, houve incremento, porém nãosignificativo. O pajeuzeiro foi bastante afetado pelo déficit hídrico, porém demonstrouforte capacidade de recuperação de todos os parâmetros analisados após a reidratação, oque demonstra certo grau de tolerância da espécie. Portanto, a espécie Triplarisgardneriana utiliza o fechamento estomático, juntamente com a senescência e abscisãofoliar, como principal mecanismo para evitar a perda excessiva de água

  • TAMIRIS DA SILVA OLIVEIRA
  • ECOLOGIA ALIMENTAR DE MORCEGOS FRUGÍVOROS EM UMA ÁREA DE RESTINGA DO NORDESTE DO BRASIL E COMPORTAMENTO GERMINATIVO DE ESPÉCIES PIONEIRAS APÓS PASSAGEM PELO SISTEMA DIGESTÓRIO
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 27/02/2018
  • Dissertação
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  • Conhecer as interações tróficas dos morcegos frugívoros é fundamental para se entender o papel desses animais na organização dos ecossistemas. No presente estudo, a fauna de morcegos frugívoros e os itens alimentares que compunham a dieta das espécies na restinga do Nordeste do Brasil foram determinados. Também foi avaliada a similaridade na dieta dos quirópteros e a influência da sazonalidade e do sexo no consumo dos recursos. Subsequentemente, as espécies de plantas e sementes que passaram pelo trato digestório dos morcegos foram identificadas para a avaliação do comportamento germinativo (porcentagem, tempo médio de germinação, velocidade de germinação e índice de sincronização) das sementes de quatro espécies de plantas pioneiras (Cecropia pachystachya, Passiflora silvestris, Solanum asperum e Vismia guianensis). Sementes consumidas pelos morcegos Artibeus lituratus e Carollia perspicillata foram comparadas com sementes não consumidas (coletadas dos frutos). Entre outubro de 2016 e setembro de 2017, oito espécies de morcegos frugívoros foram capturadas e nove espécies de plantas identificadas em suas amostras fecais. A associação entre espécies com base no conteúdo da dieta mostrou que estas podem ser divididas em três grupos: especialistas em Cecropia (A. lituratus e A. planirostris), especialista em Solanum (D. cinerea) e generalista (C. perspicillata). Carollia perspicillata contribuiu com amostras de sementes durante todo o ano, tendo sua dieta influenciada pela sazonalidade. Entretanto, diferenças na dieta de machos e fêmeas dessa espécie não foram constatadas. Foi observada que a germinação de C. pachystachya foi significativamente beneficiada após a ingestão por A. lituratus. Sementes de S. asperum, P. silvestris e V. guianensis consumidas por C. perspicillata apresentaram efeitos neutros e negativos na germinabilidade em relação às sementes coletadas dos frutos. Os resultados do presente estudo indicaram que as espécies parecem adequar-se às diferentes condições de oferta de alimentos durante os períodos seco e chuvoso, modificando sua dieta ou deslocando-se para outras áreas onde possam consumir frutos de sua preferência. Além disso, uma mesma espécie de morcego pode produzir efeitos distintos no comportamento germinativo das sementes consumidas, assim como morcegos diferentes podem contribuir de forma diferenciada nas taxas de estabelecimento de plantas na restinga, principalmente nos estádios iniciais de sucessão.

  • CECILIA SILVA DA ROCHA PITA DE ALMEIDA
  • REFÚGIOS CLIMÁTICOS DE MAMÍFEROS MARINHOS
  • Orientador : PABLO ARIEL MARTINEZ
  • Data: 23/02/2018
  • Dissertação
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  • Compreender como o clima têm moldado a distribuição das espécies ao longo do tempoevolutivo tem sido o ponto central dos estudos biogeográficos. Isso porque as alteraçõesclimáticas afetam a sobrevivência dos indivíduos e, consequentemente, interferem naestrutura da comunidade. Sabemos que as condições climáticas variaram ao longo dotempo e espaço, sendo necessário o surgimento de locais denominados de refúgiosclimáticos. Estes, por sua vez, serviram como abrigo e proteção das espécies por mantercondições mais estáveis, permitindo a conservação e sobrevivência delas. No ambientemarinho, uma das mudanças climáticas mais marcante foi a última máxima glaciação(UMG, ~ 21.000-18.000 anos), o qual apresentou nível do mar mais baixo do que nopresente. Assim, tivemos como objetivos: (i) identificar os refúgios climáticos marinhosonde existiu a coocorrência de um alto número de espécies em três períodos de tempo(presente: 0ka, Holoceno médio a 6 ka e Pleistoceno a 21 ka); (ii) determinar quais fatoresecológicos e históricos caracterizam os refúgios. Baixamos dados de ocorrência de 110espécies de mamíferos marinhos do GBIF e de artigos específicos afim de ser feita amodeladem de distribuição das espécies (MDE) por meio do algoritmo Maxent atravésdo programa R v.3.2.2. Foram selecionadas quatro variáveis climáticas (média anual desalinidade na superfície do mar, média anual de temperatura na superfície do mar,amplitude anual de salinidade na superfície do mar e amplitude anual de temperatura nasuperfície do mar) que foram obtidas a partir do Modelo de Sistema ClimáticoComunitário (CCSM3). Os refúgios climáticos foram determinados como áreas queapresentaram riqueza de espécies acima do 90° percentil ao longo dos três intervalos detempo. A localização desses refúgios foi observadada em regiões temperadas acima daslatitudes 30˚, indicando que essas áreas apresentaram condições mais adequadas para amaioria das espécies. Os fatores ecológicos e históricos que determinaram os refúgiosforam testados com Mann-Whitney, utilizando uma significância de p<0,05. Os refúgiosestiveram relacionados com os fatores: ecológico como alta produtividade (p<0,001),históricos como alta profundidade (p<0,001) e a presença de espécies com a maior médiade tempo de divergência evolutiva (p<0,001), significando que os refúgios abrigaramlinhagem de espécies mais antigas do que as regiões de não refúgio. Para todos os fatorestestados, foi obtida diferença significativa (p<0,005). Além disso, os fatores, ecológico ehistóricos, serviram como bons preditores da riqueza de espécies no ambiente marinho.Vale destacar que esse trabalho é pioneiro em determinar refúgios para o ambientemarinho e em escala global, devendo ser mais explorado para outros táxons. Sugerimosque as áreas de refúgios identificadas aqui possam ser consideradas nas políticas deconservação das espécies de mamíferos marinhos pela capacidade que essas áreas têm deapresentar condições ambientais adequadas para manutenção das espécies. Em estudosfuturos, sugerimos que sejam usados a MDE como ferramenta para a escolha de novasáreas potenciais para preservação considerando que as mudanças ambientais sãofrequentes.

  • LAURA BARRÊTO DE PAULA SOUZA
  • Diversificação e evolução fenotípica em peixes Cascudos (Siluriformes: Loricariidae: Loricariinae)
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 22/02/2018
  • Dissertação
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  • Uma das causas da variação filogenética, temporal e espacial da riqueza das espécies sãoatribuídas aos processos de especiação e extinção diferencial das linhagens, chamado dediversificação. Existe também uma grande diversidade fenotípica entre as espécies que podeestar relacionada à diversificação. O desenvolvimento de métodos filogenéticos comparativospermitiu o estudo da diversificação e evolução de atributos das espécies. O objetivo do presenteestudo é investigar os padrões de diversificação e evolução de atributos de peixes Cascudos dasubfamília Loricariinae, e investigar se esses atributos estão correlacionados com as taxas dediversificação. Foi utilizada uma filogenia contendo 114 representantes de espécies dasubfamília e os atributos tamanho corporal, posição e largura de nicho climático de microhábitat(substrato), para avaliar as taxas evolutivas e relação entre esses diferentes eixos donicho das espécies e as taxas evolutivas da subfamília. As taxas de diversificação da subfamíliae dos atributos foram estimadas através do BAMM e foram realizadas análises de correlaçãofilogenética (STRAPP) a fim de detectar se os atributos estão moldando o processo dediversificação na subfamília. Foram realizadas também análises de disparidade ao longo dotempo (DTT) para explorar o padrão temporal de evolução fenotípica. A análise dediversificação mostrou que a subfamília possui altas taxas de diversificação. O tamanhocorporal apresentou taxas heterogêneas entre os subclados, apresentando um shift dediversificação no clado em que a espécie Paraloricaria agastor apresentou o menor tamanhodo clado. A posição de nicho climático apresentou um padrão heterogêneo de taxas dediversificação, apresentando um shift envolvendo seis espécies de Rineloricaria queconservaram sua posição de nicho. A diversificação da largura de nicho climático revelou opadrão mais heterogêneo, apresentando quatro shifts que ocorreram em clados que contémespécies com maiores larguras de nicho climático. Já as taxas de diversificação da posição elargura de micro-hábitat não apresentaram shifts. Os testes STRAPP revelaram não havercorrelação entre nenhum dos atributos considerados no presente estudo e a diversificação,mostrando que o processo evolutivo de Loricariinae parece ser independente dos atributosfenotípicos investigados. O DTT revelou que na maior parte da história evolutiva da subfamíliaas médias de disparidade dos atributos estudados evoluíram de forma neutra, porémapresentaram picos de disparidade fenotípica dentro dos clados no tempo mais recente. Osresultados mostram que provavelmente os Loricaríneos evoluíram através de uma radiação nãoadaptativa onde eventos vicariantes teriam promovido especiação alopátrica e as altas taxas dediversificação. De fato, acredita-se que a radiação dos peixes Neotropicais esteve intimamenterelacionada aos processos geológicos de formação de bacias (hipótese hidrogeológica). O DTTreforça essa conclusão, pois em boa parte da história evolutiva os atributos evoluíramneutramente, sem associação com a diversificação, como seria esperado em uma radiação nãoadaptativa. Entretanto, apesar de a subfamília ter evoluído sob radiação não adaptativa,processos de seleção divergente possivelmente ocorreram em espécies independentemente,promovendo disparidade significativa dos atributos dentro dos clados no tempo presente. Osresultados obtidos revelam uma história evolutiva peculiar para os Loricaríneos e um exemploraro de radiação não adaptativa nos Neotrópicos, que pode elucidar o entendimento dosprocessos que levaram a extraordinária diversificação dos peixes Neotropicais, ainda poucoconhecidos.

  • THIAGO D'AVILLA GOMES DE SOUSA
  • ETNOECOLOGIA DA PESCA ARTESANAL E PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE OS IMPACTOS À ICTIOFAUNA NO SUBMÉDIO E BAIXO SÃO FRANCISCO
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 21/02/2018
  • Dissertação
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  • Estudos com comunidades tradicionais têm demonstrado o importante conhecimento depescadores artesanais acerca de aspectos ecológicos e comportamentais dos peixes,representando uma precisa fonte de conhecimento local constituída sob aquisição, prática etransmissão entre gerações. O presente estudo teve como objetivo levantar o ConhecimentoEcológico Local de pescadores artesanais acerca dos impactos antrópicos ocasionados aictiofauna do Submédio e Baixo São Francisco, bem como obter informações que sinalizem opossível status de ocorrência das espécies. Expedições para coleta de dados foram realizadasem quatro áreas perfazendo um total de 75 dias de campo entre os meses de março e agosto de2017. Um total de 107 pescadores de 22 localidades dos Estados da Bahia, Pernambuco,Sergipe e Alagoas foram selecionados através do método bola de neve, e participaram doestudo por meio dos métodos de entrevistas livres, semiestruturadas, estímulos visuais e turnêguiada. Foi informado que importantes espécies migradoras foram extintas localmente, aexemplo do Pirá Conorhynchus conirostris (+20 anos), Surubim Pseudoplatystomacorruscans e Dourado Salminus franciscanus (+10 anos), bem como a redução das espéciesde Mandi na ÁREA 1 e sua provável extinção a jusante de Xingó. Espécies como Piau-Cutia Megaleporinus obtusidens e os Curimatás Prochilodus argenteus e P. costatus forammencionadas como raras devido à escassez de captura na última década. Espécies reofílicascomo Piau-preto Leporinus piau e Piau-manteiga Leporinus reinhardti atualmente apresentamimportante papel na economia local, mantendo populações viáveis possivelmente pelaexistência de tributários na região. Houve o aumento de espécies residentes como também deespécies não-nativas, a exemplo do Apaiari Astronotus ocellatus, Pacu-CD Metynnislippincottianus, Tucunaré Cichla monoculus, Tilápia Oreochromis niloticus ePescada Plagioscion squamosissimus (restrita à ÁREA 1), que se beneficiaram dasmodificações ambientais para o seu estabelecimento. Resultados do presente estudo foramcorroborados, evidenciando a importância da utilização do CEL de pescadores nos processosde tomada de decisão. A alteração na estrutura da ictiofauna foi relacionada principalmente àsbarragens (93%), como também a presença de macrófitas (27%), poluição (21%), pescapredatória (18%), ausência de chuvas (17%), piscicultura (15%) e desmatamento (12%). Aanálise de Similitude demonstrou alta expressão dos impactos ocasionados pelas barragens,bem como sua associação com espécies introduzidas e assoreamento. A análise multivariadade Escalonamento Multidimensional Não-Métrico (NMDS) e de Dissimilaridade (ANOSIM)demonstraram diferença significativa (p<0,001) da manifestação dos impactos na ÁREA 1 emrelação às demais, uma vez que a área está sob direta influência do maior número debarragens do rio São Francisco e forte pressão da produção comercial de O. niloticus emtanques-rede. A salinização foi evidenciada na ÁREA 4, o que tem contribuído para o avançode espécies marinhas e intensificado os prejuízos relacionados à pescaria. Todos estesimpactos desencadearam inúmeros problemas socioeconômicos às comunidades depescadores que têm a pesca artesanal como principal fonte de subsistência. Os pescadorestambém fizeram algumas sugestões para a conservação dos recursos pesqueiros e do rio SãoFrancisco. A problemática necessita da urgente atenção do poder público e de entidadescorrelatas para que medidas efetivas sejam tomadas na mitigação dos impactos à ictiofaunanativa do rio São Francisco.

  • ALYNE FONTES RODRIGUES DE MELO
  • TOLERÂNCIA AO DÉFICIT HÍDRICO EM MUDAS DE Enterolobium contortisiliquum (VELL.) MORONG (FABACEAE) PRODUZIDAS A PARTIR DE SEMENTES HIDROCONDICIONADAS PARA PROJETOS DE REGENERAÇÃO DA CAATINGA
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 21/02/2018
  • Dissertação
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  • O processo de embebição das sementes da Caatinga não ocorre de forma contínuadevido à escassez e irregularidade das chuvas, além das altas temperaturas. Porém, essahidratação descontínua pode favorecer a germinação e sobrevivência das plântulas nesseambiente. Este trabalho avaliou o efeito do hidrocondicionamento de sementes sobre agerminação, crescimento e parâmetros ecofisiológicos de mudas sob déficit hídrico.Após passar pelo processo de superação de dormência tegumentar com a imersão emácido sulfúrico por 60 minutos, as sementes de Enterolobium contortisiliquum (Vell.)Morong (Fabaceae) [tamboril] foram submetidas a 0, 1, 2 e 3 ciclos de hidratação edesidratação (HD) e colocadas para germinar, dando origem a plântulas que, após operíodo de aclimatação de 15 dias, foram submetidas a intervalos de suspensão de regade sete (E7) e quatorze dias (E14), tendo seu crescimento em altura e diâmetro e númerode folhas avaliados semanalmente. Quinzenalmente foi realizada a coleta de uma folhapara análise dos parâmetros ecofisiológicos, como teor relativo de água (TRA), acúmulode solutos (carboidratos, proteína e prolina). O potencial hídrico foliar foi medido aos45 dias e ao final do experimento, que correspondeu a 75 dias. A germinação foifavorecida pelo hidrocondicionamento com um e dois ciclos HD, cujas sementesapresentaram maior velocidade, sincronia e menor tempo para germinar. A altura dasplantas submetidas a 2C foi maior que as plântulas do tratamento controle. Apesar de,em situação de estresse hídrico, não ter havido diferença no crescimento, a passagempelos ciclos HD conferiu algum tipo de vantagem que se propaga da semente até a faseseguinte. A espécie demonstrou de uma forma geral capacidade de tolerância ao déficithídrico, ajustando-se osmoticamente, reduzindo potencial hídrico foliar e, assim,manteve o turgor das células. Em especial, as plantas 3C conseguiram, durante todo oexperimento, manter o TRA das plantas estressadas igual às plantas controle através doacúmulo dos solutos osmoprotetores. O presente estudo confirmou que ohidrocondicionamento das sementes favorece a germinação e o desenvolvimento inicialdas plântulas de E. contortisiliquum e pode ser utilizado como tratamento prégerminativopara utilização da espécie em projetos de recuperação da Caatinga

  • RAPHAELA AGUIAR DE CASTRO
  • Hidratação descontínua como estratégia adaptativa de sementes da exótica invasora Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit (Fabaceae)
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 21/02/2018
  • Dissertação
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  • A passagem de sementes por ciclos de hidratação e desidratação permite a manutenção da viabilidade de espécies em ambientes áridos e semiáridos, com vantagens na germinabilidade e aumento de tolerância a estresses abióticos. Se espécies exóticas invasoras possuírem essa estratégia adaptativa seria mais uma vantagem sobre as nativas no processo de invasão. Dentre as invasoras, na Caatinga, destaca-se a Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit. O objetivo deste estudo foi determinar se L. leucocephala possui memória hídrica nas sementes e avaliar se a hidratação descontínua confere maior tolerância aos estresses abióticos. Para tal, foi determinada a curva de embebição da espécie, onde foram determinados três pontos correspondentes aos tempos X, Y, e Z. Com esses tempos, as sementes foram submetidas aos ciclos de hidratação e desidratação com posterior análise de germinação sem estresse, apara avaliar a influência dos ciclos na memória hídrica, e sob estresses hídrico, salino (-0,1; -0,3; -0,6 e -0,9 MPa) e térmico (10 à 40 oC). Os resultados foram submetidos à análise de variância fatorial com três fatores (tempos de hidratação, ciclos de HD e potenciais osmóticos) e as médias comparadas a posteriori pelo teste de Tukey. Também foi realizada uma modelagem para determinar limites de potencias osmóticos e de temperatura para ocorrência de L. leucecephala. As sementes da exótica invasora não possuem memória hídrica, com baixa tolerância ao estresse hídrico. De acordo com a modelagem, sem passar pelos ciclos, a tolerância máxima de estresse hídrico é de -1,65 MPa. L. leucocephala é resistente à salinidade do solo e os ciclos aumentam a tolerância, nos maiores estresses, chegando a valores inferiores à -2,0 MPa, de acordo com a modelagem. L. leucocephala possui ampla tolerância a mudanças de temperatura, sem diferença de 15 à 35º C e influência positiva da passagem pelos ciclos na maior temperatura testada. A plasticidade de L. leucocephala, que não é prejudica com a hidratação descontínua e melhora desempenho após os ciclos de HD, sob estresse mais elevados de salinidade e de temperatura, ressalta a necessidade de controlar e erradicar a formação de seus bancos de sementes na Caatinga.

  • RAYANNA HELLEM SANTOS BEZERRA
  • Ectoparasitos de morcegos em área de restinga, Sergipe: uma análise ecológica e filogenética
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 21/02/2018
  • Dissertação
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  • A estruturação da comunidade de parasitos de morcegos pode ser influenciada pelasazonalidade, tamanho corporal, sexo, distribuição geográfica e história evolutiva dohospedeiro. Esse estudo teve como objetivo caracterizar a comunidade de ectoparasitosassociados a morcegos em área de restinga, Sergipe; bem como apresentar osdescritores parasitológicos e a associação do parasitismo com o tamanho corporal e sexodo hospedeiro. As campanhas de campo foram realizadas mensalmente, durante duasnoites consecutivas, entre outubro/2016 e setembro/2017. Para a captura de morcegosforam dispostas 10 redes de neblina no interior da mata e os ectoparasitos coletadosforam armazenados em álcool 70%. Para os morcegos parasitados obtiveram-se as taxasparasitológicas, o índice de especificidade e registraram-se as infracomunidades. Foiavaliada a influência do tamanho corporal do hospedeiro sobre a riqueza e abundânciade ectoparasitos através de regressão linear. Para os ectoparasitos mais abundantes foiverificada a influência do sexo do hospedeiro na taxa de prevalência, através do testequi-quadrado, e na intensidade média através do teste t. Para a influência dasazonalidade sobre as mesmas taxas foi realizado GLM. A relação entre a extensãogeográfica de ocorrência do hospedeiro e a riqueza de ectoparasitos foi avaliada pormeio de regressão linear. A fim de verificar se hospedeiros filogeneticamente maispróximos compartilham parasitos, foi realizado teste de Mantel. Os morcegosparasitados pertencem às famílias Phyllostomidae (N=163; S=11) e Vespertilionidae(N=3; S=2). Os ectoparasitos correspondem às famílias Spinturnicidae (N=131; S=1),Argasidae (N=30; S=2), Nycteribiidae (N=9; S=2) e Streblidae (N=260; S=13). Osectoparasitos mais abundantes foram Periglischrus iheringi e Trichobius joblingi. Asinfracomunidades registradas são compostas por espécies de diferentes gêneros. Nãohouve influência do tamanho corporal do hospedeiro sobre o parasitismo, o que podeestar associado à similaridade entre a massa corporal dos hospedeiros. A influência dosexo do hospedeiro na taxa de prevalência entre Artibeus lituratus e P. iheringi, sendoas fêmeas mais parasitadas, pode ser explicada pela maior suscetibilidade destas aoparasitismo decorrente do maior tempo de permanência nos abrigos. Em relação àsazonalidade, foram observadas diferenças nas taxas de prevalência e intensidade médiapara a associação entre Carollia perspicillata e T. joblingi, com maiores valores durantea época com temperatura menor. Essa influência pode ser decorrente das diferençasbiológicas entre as espécies de parasitos. Foi possível observar um aumento na riquezade ectoparasitos com o aumento da extensão geográfica do hospedeiro, o que pode serexplicado pelo fato de hospedeiros com ampla distribuição possuírem maiorprobabilidade de encontro com os parasitos. Não houve relação entre a proximidadefilogenética dos hospedeiros e o compartilhamento de parasitos, podendo estarrelacionado aos diferentes padrões biogeográficos das áreas. Esse trabalho trazinformações importantes relacionadas à interação parasito-hospedeiro, ressaltando anecessidade de mais análises envolvendo o tema a fim de compreender melhor osfatores que moldam essa relação.

  • DANILLO BARROSO SOUZA
  • COMPORTAMENTO SOCIAL DE Alpheus estuariensis (DECAPODA: CARIDEA: ALPHEIDAE) E DE SUA RELAÇÃO COM ESPÉCIES ASSOCIADAS AOS SEUS REFÚGIOS
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 20/02/2018
  • Dissertação
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  • Certos grupos animais constroem e mantém refúgios (tocas, ninhos etc) que lhes servemde proteção contra predadores, contra condições ambientais adversas como tambémcomo locais adequados para reprodução. A vida em refúgios pode não somente fornecerinformações acerca do comportamento social da espécie que o utiliza, mas tambémaspectos relacionados às interações ecológicas, uma vez que a construção destesrefúgios proporciona uma variedade de nichos que podem ser explorados por uma sériede outros organismos. Estudos sugerem a associação entre Salmoneus carvachoi eAlpheus estuariensis bem como entre este último e peixes gobídeos do gêneroGobionellus devido ao fato de estes já terem sido encontrados compartilhando osrefúgios de A. estuariensis. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi testar a hipóteseda monopolização econômica de recurso e a hipótese de monogamia utilizando A.estuariensis como modelo. Também, objetivou-se testar a hipótese de que S. carvachoié atraído quimicamente e visualmente por A. estuariesis. Por fim, foi testada a hipótesede que A. estuariensis é atraído quimicamente por Gobionellus stomatus e se este últimoé atraído visualmente por A. estuariensis, conforme já verificado em associações entregobídeos e alfeídeos. As amostragens foram realizadas em duas áreas localizadas noestuário do Rio Vaza-Barris, Nordeste do Brasil, de Agosto a Novembro de 2016. Aabundância média dos refúgios foi computada por meio de 30 réplicas aleatóriasutilizando uma estrutura quadrada de 1,44 m². Quanto aos experimentos, os testes deatração química foram realizados em um aparato experimental formado por uma câmaracentral e duas câmaras laterais que podiam ser escolhidos pelos organismos testados emfunção do tratamento realizado. Os testes de atração visual foram realizados emaquários formados por um compartimento central e dois laterais, um dos quais abrigavaA. estuariensis. Os camarões apresentaram uma distribuição aleatória em ambas asáreas. Machos e fêmeas encontrados juntos apresentaram uma baixa relação entre seustamanhos, sendo os machos maiores que as fêmeas. Além disso, o quelípodo dosmachos cresce proporcionalmente mais que o das fêmeas. A grande abundância derefúgios disponíveis no ambiente somados aos resultados já mencionados vai deencontro às hipóteses de comportamento de guarda e de monogamia. Não houve atraçãosignificativa em nenhum dos experimentos de A. estuariensis para com G. stomatus evice-versa. Entretanto, S. carvachoi mostrou-se atraído por A. estuariensis em ambos osexperimentos. Estes resultados, que contrastam com aqueles já verificados para algumasespécies de camarão da mesma família, gênero e até mesmo da mesma espécie,reforçam que Alpheidae pode ser utilizada como modelo no estudo sobre comocondições ambientais são capazes de modular o comportamento social de uma espécie.Além disso, a utilização dos refúgios construídos e mantidos por A. estuariensis e,consequentemente os benefícios adquiridos nesta atividade é a principal causa da coocorrênciade S. carvachoi e G. stomatus nas tocas deste camarão.

2017
Descrição
  • PHILIPPE CORREIA SOUZA CAMPOS
  • Morfometria Geométrica, Dimorfismo Sexual e Avaliação da Atratividade de Cratosomus flavofasciatus (Coleoptera: Curculionidae) ao Feromônio Sintético.
  • Orientador : BIANCA GIULIANO AMBROGI
  • Data: 24/02/2017
  • Dissertação
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  • O conhecimento sobre a biologia e o comportamento animal é fundamental para compreensão de como determinado organismo interage com o seu ambiente. A identificação do sexo dos indivíduos é um passo essencial na execução de estudos comportamentais. Um ponto integrante do comportamento animal é a comunicação, a qual pode ser intermediada por feromônios. Dentre os vários grupos, os insetos são os animais que mais utilizam os feromônios para desempenhar suas atividades fundamentais. Cratosomus flavofasciatus, um coleóptero da família Curculionidae, popularmente chamado de broca-da-laranjeira, é considerado uma das principais pragas do citros, apresentando grande ocorrência em pomares sergipanos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar características morfológicas que permitam a diferenciação sexual de C. flavosfaciatus e avaliar a atratividade de C. flavosfaciatus aos compostos sintéticos que compõem o feromônio de agregação dessa espécie e à suas plantas hospedeiras. Para verificar o dimorfismo sexual de C. flavofasciatus, primeiramente foi feito uma análise de morfometria geométrica utilizando 80 indivíduos adultos de cada sexo. Foram feitos 27 marcos anatômicos (landmarks) na região ventral em cada indivíduo. Os marcos anatômicos 2, 9, 10, 11, 18 e 21 foram os que mais contribuíram para a distinção entre machos e fêmeas, os quais representam a região do rostro, a porção final do abdômen e o final do tórax. Para confirmação do sexo, foi realizada também a retirada da genitália de ambos os sexos. Nas fêmeas foi possível o reconhecimento das seguintes estruturas: esternito VIII e bursa copulatrix. Já nos machos foi possível observar a espícula gastral e o edeago com par de parâmeros. A Anova de Procrustes demonstrou diferença significativa da forma (P < 0,001) e do tamanho (centróide) (P < 0,001) entre os sexos, porém não houve diferença da forma em relação ao tamanho (P = 0,229) bem como da forma em relação ao sexo em conjunto com o tamanho (P = 0,707). A análise de componentes principais demonstrou uma evidente diferenciação entre os sexos com base na região ventral da espécie. Os dois primeiros componentes principais explicaram 51,91% (PC1 + PC2: 39,56% + 12,35%) da variação da forma. A análise de discriminantes indicou diferença significativa (teste de permutação = 10000 permutações; P < 0,001) quanto ao dimorfismo sexual da forma da região ventral. A determinação do sexo em adultos de C. flavofasciatus através do último esternito abdominal é tão precisa quanto à dissecação da genitália. A resposta comportamental de C. flavofasciatus aos compostos feromonais sintéticos (mistura de 2-((1R, 2S)-1-metil-2-(prop-1-en-2-il)ciclobutil)etanol (grandisol), (E)-2-(3,3-dimetilciclohexilideno)etanol (álcool E) e (Z)-2-(3,3-dimetilciclohexilideno)etanol (álcool Z)) e para suas plantas hospedeiras Cordia curassavica (Maria-Preta) e Citrus sinensis (Laranjeira) foi avaliada por meio de testes olfativos realizados em um olfatômetro em “Y”. Ambos os sexos foram significativamente mais atraídos para os caules de C. sinensis (P < 0,05) que para o ar filtrado. Já os testes com caules de C. curassavica atraíram significativamente somente os machos (P = 0,02). Quando os insetos tiveram a oportunidade de escolher entre caules de C. curassavica e caules de C. sinensis, os machos preferiram os de C. curassavica (P = 0,01), já as fêmeas não apresentaram preferência significativa (P > 0,05). A combinação dos voláteis de C. curassavica e C. sinensis associadas ao feromônio sintético na concentração de 100ppm foi mais atrativa para ambos os sexos (P < 0,05) que para o controle (hexano juntamente com a planta hospedeira). Por outro lado, na concentração de 10ppm, somente a associação com C. curassavica atraiu apenas os machos (P = 0,009). Tais resultados podem ser utilizados como base para testes de campo, contribuindo para o desenvolvimento de um método ambientalmente seguro e eficaz para o monitoramento da broca-da-laranjeira.

  • ISAAC TRINDADE SANTOS
  • Diversidade beta taxonômica e funcional dos peixes de água doce do Brasil
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 24/02/2017
  • Dissertação
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  • Na primeira parte deste trabalho foi avaliada a relação entre as diversidades taxonômica e funcional, alfa e beta (TβD and FβD), dos peixes de nadadeira raiada (Actinopterygii) de água doce do Brasil, em três escalas diferentes. Avaliou-se a contribuição dos componentes da β-div – ‘turnover’ (substituição de espécies entre comunidades) e ‘nestedness’, ou aninhamento, (perda de espécies) – para os padrões observados, e se eles são influenciados por processos estocásticos ou determinísticos. Enquanto TβD teve altas taxas de ‘turnover’ (de 93 para 98%), FβD possuiu uma maior contribuição do aninhamento (70 - 80%). Os padrões de TβD foi maior do que o esperado ao acaso. Além disso, filtros ambientais e interações bióticas desempenham um papel maior para a formação e manutenção dos padrões de diversidade dos peixes de nadadeiras raiadas primários nos Neotrópicos. Na segunda parte deste trabalho avaliou-se como os padrões de beta diversidade são influenciados por ações humanas. Utilizando o ‘desastre da barragem de Bento Rodrigues’, na Bacia do Rio Doce como um modelo de caso, nós avaliamos as possíveis consequências de diferentes níveis de extinções locais de espécies para a β-div regional e riqueza funcional entre seis bacias vizinhas. Uma maior contribuição do nestedness (13-19%), levou a um aumento nos padrões de diversidade beta: de 0,75 para 081 (índice de dissimilaridade de Sørensen). A riqueza functional da Bacia do Doce também diminui de 69-36%. Graças ao padrão regional de compartilhamento de espécies entre bacias, as possíveis consequências das extinções de peixes incluem a diminuição na contribuição do turnover (87-81%). O desastre causou mudanças substanciais nos padrões regionais de β-div e riqueza funcional, devido a um processo conhecido como heterogeinização subtrativa. Estes resultados podem ser relevantes para ambos, a conservação local e visão geral de como distúrbios afetam a biodiversidade.

  • ARIVANIA SANTOS PEREIRA
  • FRUGIVORIA POR MORCEGOS (CHIROPTERA: PHYLLOSTOMIDAE) NA MATA ATLÂNTICA DO NORDESTE E PADRÕES GERMINATIVOS DE SEMENTES APÓS PASSAGEM PELO SISTEMA DIGESTIVO
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 23/02/2017
  • Dissertação
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  • A quiropterocoria tem sido apontada como o meio mais efetivo de dispersão nostrópicos, 549 espécies de plantas neotropicais já foram compiladas em análises dedispersão por morcegos. Entender os processos que interferem na escolha do item a serdisperso, bem como os mecanismos que atuam na efetividade da dispersão de sementes,são etapas imprescindíveis no avanço do entendimento das interações morcego-planta.Esse estudo se propôs a avaliar a ecologia alimentar de um grupo de Carolliaperspicillata, avaliando também o efeito da endozoocoria da referida espécie e dePlatyrrhinus lineatus nos padrões de germinação das principais espécies vegetais porelas consumidas. O estudo foi realizado em duas áreas de Mata Atlântica. A primeira,trata-se de um abrigo sob-rocha calcaria, habitada por morcegos da espécie Carolliaperspicillata no município de Laranjeiras-Sergipe. A segunda área, foi o campus daUniversidade Federal de Sergipe, que contempla um agrupamento de Platyrrhinuslineatus residentes a pelo menos cinco anos. As coletas das fezes para análise daendozoocoria por P. lineatus e C. perspicillata, e dieta deste último, foram realizadaspor meio de lonas plásticas estendidas abaixo dos agrupamentos das respectivasespécies, durante 72 horas/mês no período de um ano. Paralelamente, foram realizadasobservações fenológicas. Os testes de germinação foram realizados em condiçõesambientes e formados por dois tratamentos, um grupo controle e um grupo teste. Cadatratamento foi formado por quatro réplicas, com 400 sementes cada, por espécie. Foiconsiderado o tempo médio de germinação (TMG), o índice de velocidade dagerminação (IVG), a sincronia e a germinabilidade das sementes por tratamento. Notocante a frugivoria, foram obtidas aproximadamente 323.400 sementes, classificadasem 16 espécies e 12 famílias. As espécies sinzoocóricas encontradas representaram amenor parcela da amostra geral de sementes (n=5), que foi predominada por sementesendozoocóricas (n=11). Cinco dessas espécies (Annona montana, Syagrus coronata,Senna georgica, Aegiphila vitelliniflora e Chomelia obtusa), estão sendo reportadaspela primeira vez na dieta do grupo. As espécies com maiores números de sementesencontradas nos abrigos foram Piper amalago (n= 160.594), Solanum paniculatum(79.322) e Maclura tinctoria (60.691). Embora o número de sementes de P. amalagotenha sido consideravelmente maior, não foram observadas diferenças significativasentre o consumo dessas três principais espécies de modo geral, bem como nos distintosperíodos do ano. A riqueza de espécies vegetais na dieta, também não diferiu significativamente entre os períodos do ano. C. perpicillata manteve neutro os padrões germinativos da espécie M. tinctoria. Em P. amalago, a endozocoocoria também foi neutra para germinabilidade, porém o TMG, o IVG e a Sincronia das sementes do grupo teste foram significativamente menores do que as do grupo controle. À exceção da germinabilidade do grupo teste que foi maior que o controle, os parâmetros germinativos de S. paniculatum mantiveram-se neutros. Para P. lineatus, à exceção do TMG do teste, que foi significativamente menor que o grupo controle, não foram observadas diferenças significativas para S. paniculatum. C. perspicillata demonstrou aumentar significativamente a germinabilidade de S. paniculatum em relação P. lineatus. Os dados desse estudo evidenciam o papel funcional das referidas espécies de morcegos na efetividade da dispersão. Sugere-se a execução de estudos endozoocóricos com delineamentos experimentais concisos que contemplem a amplitude de variáveis que podem interferir no processo.

  • CAMILA MATOS
  • ANÁLISE DE RISCO ECOLÓGICO COMO FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL DO RIO SERGIPE
  • Orientador : ANDREA NOVELLI
  • Data: 22/02/2017
  • Dissertação
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  • Estudos de caracterização dos rios e suas comunidades biológicas são fundamentais para compreender o ecossistema e permitir o desenvolvimento de propostas de conservação. O semiárido brasileiro carece de estudos sobre seus ecossistemas fluviais, e muitos cursos d’água de importantes bacias hidrográficas permanecem sem estudos detalhados. Nesse contexto, o objetivo geral desse estudo foi avaliar o grau de degradação e o risco ambiental do rio Sergipe, um importante curso d’água parcialmente inserido na região semiárida do nordeste brasileiro, utilizando dados limnológicos, ecotoxicológicos e biológicos. Para isso, foram escolhidos sete pontos no eixo nascente-foz do rio Sergipe, onde foram feitas medidas in situ e coletadas amostras de água, sedimento e de organismos bentônicos. Foram realizadas duas campanhas de amostragem, uma sob influência do período de seca (abril de 2013) e outra sob influência das chuvas (agosto de 2014), permitindo uma análise espacial e temporal do sistema. Os parâmetros limnológicos foram submetidos a uma Análise de Componentes Principais (PCA) a fim de avaliar como estes dados organizam-se espacialmente. Para os estudos ecotoxicológicos, foram realizados testes de toxicidade crônica de curta duração com o peixe Poecilia reticulata, a fim de analisar a mortalidade e possíveis alterações na biometria dos indivíduos. Já os organismos bentônicos foram identificados e analisados através do cálculo de índices de diversidade. Por fim, foi desenvolvida uma Análise de Risco Ecológico (ARE) utilizando a abordagem da tríade, na qual dados de diferentes linhas de evidências (química, ecotoxicológica e ecológica) são integrados a fim de fornecer o risco ecológico final para o ambiente. Os resultados mostraram que o rio Sergipe encontra-se divido em três trechos distintos de caracterização das suas águas. No período de seca, a região de cabeceira, mais vulnerável por sofrer influência do clima semiárido e do regime intermitente, apresentou um nível de risco moderado, enquanto o trecho do médio rio Sergipe apresentou risco baixo. Já o alto Sergipe apresentou níveis de risco de moderado a elevado, sendo esta região a com maior concentração urbana e industrial na bacia. No período de chuvas, os níveis de risco foram menos críticos, provavelmente em decorrência de uma maior diluição do sistema. Estes resultados indicam a necessidade de mais estudos de monitoramento na região, a fim de estabelecer estratégias de remediação nos trechos mais impactados do rio.

  • MEGGIE KAROLINE SILVA NASCIMENTO
  • Avaliação da toxicidade dos hidrocarbonetos monoaromáticos BTX no microcrustáceo marinho Mysidopsis juniae
  • Orientador : JEAMYLLE NILIN GONCALVES
  • Data: 21/02/2017
  • Dissertação
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  • Os compostos orgânicos voláteis benzeno, tolueno e os xilenos (BTX) estão entre osprodutos químicos mais produzidos mundialmente e podem ser encontrados emdiferentes compartimentos ambientais. A contaminação de ambientes aquáticos poressas substâncias pode acarretar em efeitos tóxicos adversos em organismos dediferentes organizações biológicas. Diante disso, o presente estudo teve como objetivoavaliar a toxicidade dos BTX isolados e em misturas binárias por meio do teste detoxicidade aguda (96h) com o microcrustáceo Mysidopsis juniae. Para isso, osorganismos foram expostos às concentrações de BTX a fim de identificar os efeitos nasobrevivência, assim como estudar os modos de ação das substâncias em mistura com aaplicação dos modelos teóricos de concentração de adição (CA) e ação independente(IA). Nos experimentos com os compostos isolados foi possível perceber que o xilenofoi o mais tóxico (CL50 16,10±2,4mg.L-1) seguido por tolueno (CL50 38±5,3mg.L-1) ebenzeno (CL50 78,03±2,9mg.L-1). Quando em mistura binária foram observados desviosdos modelos de referência para CA em todos os experimentos realizados (razão dasdoses e antagonismo). Na exposição do xileno e benzeno o desvio que se enquadrou aosresultados foi o antagonismo, já a mistura de xileno e tolueno foi melhor explicada pelodesvio razão das doses onde a toxicidade foi causada principalmente pelo xileno, noexperimento com o tolueno e benzeno também foi observado um padrão de razão dasdoses, sendo que nesse caso o benzeno foi o maior responsável pela toxicidade. Logo,os hidrocarbonetos analisados foram tóxicos para o misidáceo, tanto isolados como emmisturas binárias, evidenciando a importância de estudos nessa temática que possamservir de suporte para avaliações e monitoramento dos ambientes marinhos, visto osriscos iminentes de contaminação deste meio e a ampla escala de utilização dessescompostos.

  • RANNA HEIDY SANTOS BEZERRA
  • VOLÁTEIS INDUZIDOS POR HERBIVORIA EM PLANTAS DE MANDIOCA E ATRATIVIDADE A ÁCAROS (ACARI: TETRANYCHIDAE: PHYTOSEIIDAE)
  • Orientador : BIANCA GIULIANO AMBROGI
  • Data: 21/02/2017
  • Dissertação
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  • As plantas constantemente liberam um conjunto de compostos orgânicos voláteis (COVs) para a atmosfera que pode diferir qualitativa e quantitativamente dos voláteis que são liberados quando são atacadas por herbívoros. A composição desses voláteis é específica, variando de acordo com a espécie de planta e do herbívoro, e com os estágios de desenvolvimento e condições dessas espécies. Os COVs são importantes na mediação de interações específicas, podendo atrair predadores e parasitoides, repelir herbívoros e mediar a comunicação entre plantas vizinhas e diferentes partes de uma mesma planta. A mandioca, Manihot esculenta, é uma planta nativa do Brasil, sendo cultivada em todas as regiões, destacando-se a região Nordeste, com importante papel na alimentação humana e animal, como matéria-prima para produtos industriais e geração de emprego e renda. Diversos estudos têm sido realizados com o objetivo de identificar os COVs induzidos por herbivoria e observar a sua influência no comportamento dos herbívoros e seus inimigos naturais, porém pouco se sabe sobre as emissões de COVs das plantas de mandioca e seu papel nas interações artrópodes-plantas. No presente estudo buscou-se identificar os voláteis induzidos pela herbivoria dos ácaros Mononychellus tanajoa, Tetranychus urticae e T. gloveri em plantas de mandioca, e como esses ácaros herbívoros e o ácaro predador Neoseiulus idaeus respondem aos conjuntos de COVs induzidos. Foram identificados 23 compostos (monoterpenos, sesquiterpenos, aldeídos, álcool, oximas, éster, indole e fenilpropanoide) liberados pelas plantas de mandioca sadias e submetidas à herbivoria. Plantas com herbivoria emitiram novos compostos que não foram liberados pelas plantas sadias. Foi encontrada diferença significativa na emissão de salicilato de metila pelas plantas com herbivoria de M. tanajoa e T. gloveri, e (Z)-3-hexen-1-ol pelas plantas com herbivoria de T. urticae, quando comparadas com as plantas sadias. Os compostos (Z)-β-ocimeno, 2-metil propanol oxima, 2-metil butanol oxima, indole, metil anthranilate e (E)-nerolidol foram induzidos apenas pela herbivoria de T. urticae e podem estar envolvidos na atração de N. idaeus, uma vez que o predador com experiência em mandioca preferiu significativamente as plantas infestadas com T. urticae em comparação às plantas sadias. Tetranychus gloveri com experiência em mandioca preferiu plantas de mandioca sadias em comparação ao ar limpo, demonstrando que a planta produz voláteis atraentes para os herbívoros. Pode-se concluir que após a herbivoria plantas de mandioca emitem COVs que diferem qualitativa e quantitativamente daqueles liberados pelas plantas sadias e a quantidade total emitida aumenta com a densidade de ácaros na planta. Apesar da emissão de COVs conhecidos por atraírem ácaros predadores pelas plantas infestadas com M. tanajoa e T. gloveri, N. idaeus não preferiu as plantas infestadas, sugerindo que o nível de indução não foi suficiente ou esses ácaros herbívoros não são atraentes para o predador.

  • JOSÉ ROBERTO VIEIRA ARAGÃO
  • ECOLOGIA DA MADEIRA E ASPECTOS ECOFISIOLÓGICOS FOLIARES DE QUATRO ESPÉCIES DE FLORESTAS TROPICAIS SECAS NO ESTADO DE SERGIPE
  • Orientador : CLAUDIO SERGIO LISI
  • Data: 15/02/2017
  • Dissertação
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  • As mudanças climáticas globais geram consequências severas em diversos níveis tróficos, emespecial às espécies vegetais arbóreas. Em regiões de Florestas Tropicais Secas (FTS) estesimpactos são extremos e ainda pouco estudados. Este trabalho avaliou como as condiçõesambientais (locais, regionais e globais), iminentes as mudanças do clima, influenciaram nadendroecologia, anatomia da madeira e ecofisiologia foliar de quatro espécies arbóreasocorrentes na FTS de dois locais em Sergipe, no Monumento Natural Grota do Angico, e emum remanescente de FTS na Fazenda São Pedro, município de Porto da Folha, Sergipe.Foram coletadas aleatoriamente amostras de madeiras e folhas de seis indivíduos de cadaespécie, Aspidosperma pyrifolium, Ziziphus joazeiro, Tabebuia aurea e Libidibia ferrea. Paracada indivíduo foram coletadas três amostras de madeira, duas destinadas a dendroecologia euma a anatomia da madeira. Folhas, das mesmas plantas foram coletadas nos dois locais, nosperíodos seco e chuvoso, e destinadas às análises ecofisiológicas. Dados de coleções sobre adistribuição das espécies (projeto SpeciesLink) foram utilizados na construção de modelos denicho ecológico (MNE). Dados climáticos históricos foram obtidos das plataformas doINMET, AGRITEMPO, estações estaduais, do projeto WolrdClim, e do NOAA. Osresultados das análises dendroecológicas mostraram formação de anéis de crescimento anuaisnas quatro espécies, que as cronologias de todos os táxons possuem relação significativa comeventos de chuva em ambos os locais, e alguns táxons tiveram as cronologias relacionadascom a temperatura da superfície do Oceano Atlântico (TSA) e eventos de ENOS, indicandodiminuição no crescimento das plantas acompanhando menores volumes de chuvas na últimadécada. O MNE mostrou diferentes respostas do nicho das espécies às variáveis ambientais(precipitação e temperatura) nas FTS, com correlações significativas com os dadosanatômicos e fisiológicos, e mostraram a ocorrência de grupos funcionais distintos entre ostáxons, se alteram em função das mudanças no clima. O presente estudo confirmou que, asquatro espécies no FTS possuem potencial dendroecológico de resposta ao clima, bem comoque MNE’s em consonância com a análise de traços funcionais (anatômicos e fisiológicos)podem ser uma solução viável para avaliação das respostas destes táxons a ambientes xéricos,além de servir como diagnósticos das mudanças climáticas globais futuras, vista sua altacorrelação com as modificações funcionais das espécies aqui avaliadas.

2016
Descrição
  • NATASHA MORAES DE ALBUQUERQUE
  • DENSIDADE E PREFERÊNCIAS DE HABITAT DE MAMÍFEROS EM UM FRAGMENTO DE MATA ATLÂNTICA NO NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 29/07/2016
  • Dissertação
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  • Mamíferos possuem papel fundamental na manutenção do meio em que vivem. Suas diversas interações ecológicas atuam como importantes reguladoras da diversidade das florestas tropicais. Uma comunidade de mamíferos “ecologicamente saudável” preserva um maior número de relações ecológicas, essenciais para a manutenção da biodiversidade. Neste sentido, estudos com parâmetros populacionais das espécies de mamíferos, como a densidade e suas relações com a estrutura do habitat, podem indicar o status de preservação da comunidade em uma determinada área, possibilitando a formulação de melhores estratégias para a conservação. As densidades de mamíferos são influenciadas por: (1) fatores intrínsecos, como biomassa e requerimentos de nicho; (2) relações ecológicas, como exclusão competitiva e predação; e (3) características do habitat, como estrutura e qualidade. O presente estudo teve como objetivo estimar a densidade de mamíferos de um fragmento de Mata Atlântica de Sergipe, e verificar suas relações com a estrutura do habitat. A área de estudo, a Fazenda Rio Fundo (FRF), é um fragmento de aproximadamente 800 ha de Restinga Arbórea, compreendendo uma grande variedade de habitats. Entre junho de 2015 e março de 2016, foram percorridos 401 km nos quatro transectos definidos, para amostragem de densidade de mamíferos arborícolas e de médio porte através do método de Transecção Linear e analisadas no software Distance. Para medir a diversidade vegetal e estrutura do habitat foram amostradas 11 parcelas (20 x 5 m), e registrados o CAP, altura de dossel e porcentagem de abertura de dossel. A composição florística variou entre as fitofisionomias, e diferenças significativas na altura de dossel (p=0,000002) e na abertura de dossel (p=0,03) entre os habitats – Grota, Rebrota e Tabuleiro. Foram registradas 96 visualizações de oito espécies de mamíferos, durante o censo. As espécies com maior número de registros foram Dasyprocta sp. (n = 29; 13,07 ind./km²), Callicebus coimbrai (n = 27; 12,76 ind./km²), Callithrix jacchus (n = 21; 29,95 ind./km²) e Sapajus xanthosternos (n = 11; 4,39 ind./km²). As outras quatro espécies observadas no censo tiveram um número de registro muito baixo (n ≤ 4) e não foram incluídas nas análises de densidade. Foi identificada uma preferência pelo habitat de Floresta Madura (Grota) para os mamíferos avaliados, com exceção de Dasyprocta sp. As diferenças nas densidades parecem estar atreladas a características estruturais, florísticas, de disponibilidade de recurso e dos requerimentos de cada espécie.

  • RAFAELLA SANTANA SANTOS
  • Lixo de formigas cortadeiras e o seu papel no desenvolvimento de plantas
  • Orientador : LEANDRO DE SOUSA SOUTO
  • Data: 29/07/2016
  • Dissertação
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  • O lixo de formigas cortadeiras é o material gerado da degradação do material vegetal após ser parcialmente consumido pelas operárias, juntamente com formigas mortas e resquícios do próprio fungo simbionte. É um material extremamente rico em diversos nutrientes e pode atuar como um importante insumo em solos tropicais, influenciando na diversidade e desenvolvimento de espécies vegetais. Além disso, por ser um material renovável, relativamente de fácil disponibilidade e coleta, pode ser um composto com alto potencial em cultivos orgânicos. Nesse estudo avaliamos a influência do lixo em duas situações distintas: i) como substrato para a produção de hortaliças e ii) na regeneração vegetal de parcelas recém desmatadas. Para alcance dos nossos objetivos, os experimentos foram divididos em duas etapas: na primeira, o lixo foi avaliado como componente na formulação de substratos para produção de mudas de alface (Lactuca sativa) e rúcula (Eruca sativa) em diferentes concentrações. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, formado por seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos consistiram em: Cont (Pinus sp. + fibra de coco + vermiculita (3:3:1 v/v)); substrato comercial - (Trop); lixo de formigueiros + substrato Cont, oriundo de duas espécies (Atta opaciceps e Acromyrmex balzani) em duas concentrações de 15% e 25% para cada uma das espécies testadas (AT15, AT25, AC15 e AC25), respectivamente. Todos os substratos foram submetidos às análises químicas para determinação de macro e micronutrientes. A influência do substrato no desenvolvimento das mudas foi avaliada pela altura, comprimento da raiz, diâmetro do caule, massa seca e número de folhas, em quatro períodos: aos 15, 20, 25 e 30 dias após a semeadura. Para segunda etapa do experimento, uma parcela de 10 m x 5 m foi instalada em uma área em regeneração. A parcela foi subdividida em 50 subparcelas de 1 m2 destas, 30 subparcelas foram selecionadas aleatoriamente para levantamento das espécies herbáceas presentes. Após isso, a vegetação original foi totalmente removida em toda a área da parcela. Posteriormente, no centro de cada uma das 30 subparcelas foi demarcado um quadrante de 30 cm x 30 cm, sendo 15 contendo uma mistura de solo com Atta opaciceps (25% de lixo), totalizando um litro; e 15 com 1 litro de solo (controle). Os quadrantes permaneceram no local por 150 dias, para serem recolonizados pela vegetação. Após esse período avaliou-se a riqueza, abundância, composição e biomassa seca das espécies herbáceas que colonizaram as parcelas. Os nossos resultados mostraram que as mudas de hortaliças nos tratamentos contendo lixo de formigas cortadeiras se desenvolveram tão bem quanto as do tratamento comercial nos atributos avaliados. Possivelmente, as maiores médias de crescimento das mudas no tratamento AT25 e AC25 devem-se às maiores concentrações de nutrientes presentes no material. O lixo também influenciou o desenvolvimento das espécies herbáceas, as parcelas que receberam lixo apresentaram maior biomassa (vigor) em relação ao grupo controle. Porém, não foi observada influência do lixo na diversidade das espécies entre os tratamentos. Nossos resultados sugerem que o lixo produzido por formigas cortadeiras pode ter aplicabilidades tanto para a produção de hortaliças, quanto para ser inserido em áreas que sofreram alguma perturbação, ressalvando mais um serviço ecológico fornecido pelas saúvas.

  • SAULO MENESES SILVESTRE DE SOUSA
  • USO DE DIFERENTES FITOFISIONOMIAS POR MACACOS-PREGO-DO-PEITO-AMARELO Sapajus xanthosternos WIED-NEUWIED 1820 EM FRAGMENTO DE MATA ATLÂNTICA, SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 29/07/2016
  • Dissertação
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  • Macacos-prego são considerados frugívoros-insetívoros, apesar de explorarem uma vasta gama de recursos alimentares. A disponibilidade de frutos é um aspecto-chave da ecologia desses primatas, influenciando diretamente na qualidade da área para as espécies, além de frequentemente ser o principal determinante do padrão de uso da área de vida dos grupos. Numa análise em nível populacional, entretanto, o padrão de ocupação de um fragmento por macacos-prego pode ser influenciado por um conjunto mais amplo de fatores, o que inclui parâmetros estruturais do habitat. O objetivo do presente trabalho foi descrever o padrão de uso de diferentes fitofisionomias por uma população de Sapajus xanthosternos num fragmento de Mata Atlântica, relacionando-o a aspectos estruturais e de disponibilidade de frutos do ambiente. A área de estudo fica no município de Itaporanga D’Ajuda (11º08’07”S, 37º18’43”W), no estado de Sergipe, doravante tratado por Fazenda Rio Fundo (FRF). O fragmento possui cerca de 800 ha de floresta nativa, associados a plantações de Eucalyptus sp. e bambus. Entre as formações florestais nativas, estão as fitofisionomias de Restinga arbustivo-arbórea (RE), Mata de tabuleiro (MT), e Restinga arbórea madura (FM) e secundária (FS). A coleta de dados foi realizada mensalmente entre março de 2015 e fevereiro de 2016. Os diferentes tipos de habitat da FRF foram comparados entre si em relação à disponibilidade de frutos, através do monitoramento fenológico de espécies arbóreas; e à sua estrutura, através da análise de seus valores médios de altura, DAP, densidade, taxa de cobertura do solo e composição florística de indivíduos arbóreos. A utilização dos diferentes tipos de habitat pelos macacos-prego, além da ocorrência de potenciais predadores da espécie, foi monitorada através de 31 armadilhas fotográficas, distribuídas entre os habitats. A FM e a FS são os habitats com maior altura de dossel e taxa de cobertura do solo da FRF, além de apresentarem um padrão de disponibilidade de frutos relativamente contínuo ao longo do ano. As áreas de RE e MT, por sua vez, são os habitats com os maiores índices de dominância na comunidade vegetal, e também os mais abertos e sazonais da FRF. De um esforço amostral de 1.444 armadilhas-dia, o macaco-prego foi registrado em 430 vídeos, em 39 visitas independentes. Nove dos 10 pontos amostrais fixos em FM ou FS receberam visitas da espécie-foco. Não foi obtido nenhum registro da presença dos macacos em MT ou em RE. Foi observado que na FRF as áreas de FM e FS representam habitats preferenciais para os macacos-prego-do-peito-amarelo. Essa preferência parece estar relacionada à maior altura de dossel e taxa de cobertura do solo dessas áreas. As vantagens conferidas por esses parâmetros referem-se tanto à disponibilidade de alimento, com à de suportes para a locomoção dos macacos e, por conseguinte, proteção contra predação. A principal ameaça enfrentada pela população de S. xanthosternos da FRF refere-se ao seu tamanho limitado que, por sua vez, decorre do tamanho reduzido e alto grau de isolamento do fragmento. A presença de vários pequenos fragmentos remanescentes na região, entretanto, possibilita a criação de corredores ecológicos, o que aumentaria a área total disponível para a manutenção do macaco-prego-do-peito-amarelo, colaborando para a conservação das populações da espécie do estado.

  • RODRIGO FARIAS DE CARVALHO TERRA
  • Uso de área e hábitos alimentares de Lontra longicaudis (Olfers, 1818) em uma área de Caatinga do Baixo Rio São Francisco, Sergipe/Alagoas, Brasil
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 28/07/2016
  • Dissertação
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  • A lontra neotropical Lontra longicaudis (Olfers, 1818) possui ampla distribuição,ocorrendo em grande parte da América Latina, do noroeste do México ao norte da Argentina eem todo território brasileiro. A maioria dos trabalhos sobre L. longicaudis no Nordestebrasileiro se limita a registros de ocorrência. Quanto à distribuição na região da Caatinga, nãose tem informações na literatura acerca da espécie. A dieta consiste basicamente de peixes ecrustáceos. Por consequência, L. longicaudis habita regiões associadas a sistemas fluviais. Éencontrada mais facilmente em áreas onde não há intensa atividade antrópica. Desse modo, otrabalho teve como objetivo identificar quais os parâmetros ecológicos que influenciam umapopulação de L. longicaudis em uma região de Caatinga: como as características das margens,no tocante ao tipo de substrato e ao nível de alteração antrópica, podem influenciar afrequência de uso; caracterizar os hábitos alimentares e verificar como a frequência dos itensalimentares varia ao longo do ano. O estudo foi realizado entre janeiro e novembro/2015, emum trecho de 10 km no Baixo Rio São Francisco, entre os municípios de Piranhas/AL, PoçoRedondo e Canindé de São Francisco/SE, na Zona de Amortização do Monumento NaturalGrota do Angico, área de Caatinga, onde estão presentes algumas comunidades ribeirinhas.As frequências de uso mensal das 83 latrinas identificas e categorizadas quanto ao tipo desubstrato e nível de distúrbio antrópico foram compradas à disponibilidade das margens nasmesmas categorias. Quatorze abrigos também foram descritos quanto aos substrato, distúrbio,estrutura e origem. As maiores frequências de uso de latrinas foram em afloramentos rochosose ilhas. As praias arenosas foram significativamente menos utilizadas quando sob nível dedistúrbio elevado. Praias rochosas foram evitadas. Ambientes com presença humana constanteforam significativamente menos utilizados. Quanto à dieta, a análise de 184 amostras de fezescoletadas mensalmente mostrou a presença majoritária de peixes, seguidos por crustáceos.Também foram identificadas aves. As principais famílias de peixes consumidas foramAnostomidae, Cichlidae, Loricariidae e Iguanodectidae; enquanto crustáceos foi Palemonidae.Foram menos importantes as famílias de peixes Erythrinidae e Serrasalmidae; para crustáceos,Atyidae. Não houve variação sazonal na composição da dieta de L. longicaudis. No entanto,Macrobrachium spp. foi significativamente mais frequente na estação seca, possivelmentedevido a variações na disponibilidade da presa.

  • KELLY ISADORA DE OLIVEIRA CORREIA
  • DIVERSIDADE TAXONÔMICA, FILOGENÉTICA E FUNCIONAL DE AVES EM GRADIENTES AMBIENTAIS NA CAATINGA
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 27/07/2016
  • Dissertação
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  • Diversidade biológica é um conceito amplo, profundo e multifacetado que descreve todavariabilidade de formas de vida em diferentes escalas espaciais, temporais e níveis deorganização. Mesmo entre espécies, a diversidade pode assumir distintos caráteres, incluindoo taxonômico, o evolutivo e funcional. Ecossistemas semiáridos como a Caatinga forampouco estudados sob uma perspectiva integrada da biodiversidade. A região possui altavariabilidade biótica e sofre intensa pressão de fatores abióticos e antrópicos. Com cerca de500 espécies conhecidas no bioma, as aves compõem um grupo biológico expressivo daCaatinga, com distintas linhagens evolutivas e características ecológicas. Este trabalhoobjetiva compreender os aspectos evolutivos e ecológicos da diversidade de aves da Caatingae seus determinantes ambientais. Especificamente, buscamos (i) sumarizar o conhecimentoexistente sobre as assembleias de aves do bioma, suas relações filogenéticas e diferençasecológicas (funcionais); (ii) investigar as inter-relações entre a diversidade taxonômica,filogenética e funcional, incluindo distintas medidas destas; (iii) avaliar os efeitos dediferentes gradientes ambientais (climáticos e estruturais) sobre essas diferentes dimensõesda diversidade; e (iv) avaliar os efeitos desses fatores sobre a diversidade funcional de traçosindividuais. Reunimos informações de 123 assembleias de aves da Caatinga a partir daliteratura disponível e utilizamos uma árvore filogenética das espécies e um conjunto detraços funcionais espécie-específicos para estimar a diversidade filogenética e funcional,respectivamente. Ainda, exploramos diferentes métricas de diversidade, a fim de entendersuas inter-relações e selecionar aquelas menos enviesadas pela riqueza e esforço amostral.523 espécies compuseram a diversidade regional da Caatinga. Os padrões de diversidadefilogenética e funcional foram coincidentes quanto à distribuição espacial e a hipóteseambiental, tendo o clima atual como fator principal. Entretanto, a diversidade de traçosfuncionais individuais divergiu qualitativa e quantitativamente da diversidade funcional total.Esses resultados reforçam a necessidade de intensificar os esforços amostrais na Caatinga,permitem compreender o efeito das condições ambientais na formação das assembleias deaves em termos ecológicos e evolutivos, e por fim, alerta para o problema de selecionar traçosecológicos para descrever a diversidade funcional.

  • JOANA PAULA BISPO NASCIMENTO
  • HIDRATAÇÃO DESCONTÍNUA DE SEMENTES COMO NOVA ALTERNATIVA PARA A PRODUÇÃO DE MUDAS DESTINADAS À RECUPERAÇÃO DE AMBIENTES DEGRADADOS NA CAATINGA
  • Orientador : MARCOS VINICIUS MEIADO
  • Data: 27/07/2016
  • Dissertação
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  • A hidratação descontinua de sementes em ambientes áridos e semiáridos, como aCaatinga, pode estar intimamente relacionada ao sucesso reprodutivo das espéciesvegetais, além de representar uma ferramenta importante para a produção de mudasmais tolerantes às condições ambientais, as quais poderão ser utilizadas com maiorsucesso na restauração de ambientes degradados. Assim, o objetivo deste estudo foideterminar os benefícios da hidratação descontinua em quatro espécies arbóreas daCaatinga, com potenciais para a recuperação de áreas degradadas, avaliando ocomportamento germinativo dessas sementes quando submetidas a estresse ambientais.Para isso, a curva de embebição das sementes das quatro espécies foi determinada eforam selecionados os tempos, X, Y e Z, aos quais correspondem à metade do tempo nafase I da embebição, ¼ do tempo da fase II e ¾ da fase II da embebição,respectivamente. As sementes foram então submetidas a 0, 1, 2 e 3 ciclos de hidrataçãoe desidratação (HD) e, logo após esse procedimento, postas para germinar sobcondições de estresses hídrico, salino e térmico. De modo geral a hidrataçãodescontínua foi benéfica à germinação das quatro espécies estudadas quando essasforam submetidas a, pelo menos, um dos estresses ambientais. Quando submetidas aoestresse salino, os ciclos de HD influenciaram de forma positiva a germinabilidade e otempo médio de germinação (TMG) de todas as espécies. Para o estresse hídrico, apenasa espécie P. nitens apresentou uma redução na germinabilidade e no TMG. Já quandoforam submetidas a temperaturas extremas as espécies apresentaram um padrão deresposta germinativa diferenciado, onde as espécies P. moniliformis e P. nitensapresentaram maior tolerâncias em todas as temperaturas extremas avaliadas. Concluiseque a passagem das sementes pela hidratação descontínua e que os ciclos de HD sãobenéficos para a germinação das sementes, pois conferem maior tolerância aos estressesambientais, podendo-se afirmar que essas espécies possuem memória hídrica.

  • MILLER JOSÉ MOURA SOUZA
  • IMPACTOS DA URBANIZAÇÃO E DO USO RECREATIVO EM ESPÉCIES BENTÔNICAS SUPRALITORAIS DE PRAIAS ARENOSAS TROPICAIS
  • Orientador : LEONARDO CRUZ DA ROSA
  • Data: 22/07/2016
  • Dissertação
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  • Com o avanço da urbanização em direção às praias, esses ecossistemas têm passado porintervenções antrópicas que tem como intuito, oferecer moradia, turismo e lazer. Entretanto,essas intervenções podem provocar alterações na biodiversidade desses ecossistemas.Mediante essa situação, os estudos tiveram como objetivos, avaliar os impactos provocadospelos diferentes graus de urbanização nas populações de O. quadrata Fabricius, 1787(Crustacea: Decapoda, Ocypodidae) e Bledius Leach, 1819 (Insecta: Coleoptera,Staphylinidae) ao longo de 14 praias arenosas do litoral de Sergipe (Capítulo 1), avaliar oefeito da intensidade do uso recreativo (número de frequentadores) sobre as populações de O.quadrata e Bledius spp. na praia de Aruanda (Capítulo 2), assim como avaliar através deexperimentos com diferentes frequências de pisoteio, o efeito real dessa atividade sobre aspopulações de Bledius spp. e O. quadrata, diagnosticando também o efeito recuperaçãodessas populações (Capítulo 3). Embora tenham sido observadas diferenças significativas naabundância de tocas de O. quadrata e Bledius spp. entre as 14 praias analisadas, os resultadosobtidos não apresentaram evidências concisas que corroborem com a hipótese de que oelevado grau de urbanização acarreta em uma redução na abundância dessas populações(Capítulo 1). Como esperado, o número de frequentadores foi significativamente maior nosetor "perturbado" em todos os meses de estudo na praia de Aruanda. Mesmo respondendo emsituações distintas, tanto o caranguejo O. quadrata quanto os estafilinídeos Bledius pp.sofreram efeitos negativos em relação ao pisoteio. Valores de abundância de tocas de O.quadrata foram significativamente menores no setor “perturbado” antes do carnaval(Janeiro/2015), enquanto que para a população de Bledius spp. menores valores deabundância foram observados no setor perturbado, durante (Fevereiro/2015) e após(Março/2015) o período de carnaval (Capítulo 2). O experimento realizado na praia doRefúgio mostrou que houve reduções significativas ao longo dos dias de experimento, tantona abundância de tocas de O. quadrata quanto na de Bledius spp. A redução nos valores deabundância de tocas aconteceu nas parcelas “Alta Frequência” e “Média Frequência”. Já paraa população de Bledius spp. houve uma queda significativa na abundância dessesestafilinídeos em todas as parcelas analisadas. O efeito recuperação foi observado com maisclareza para os coleópteros que para as tocas dos caranguejos (Capítulo 3). Os resultadosobtidos no presente estudo sugerem a utilização das populações investigadas como bonsindicadores de impactos antrópicos em praias. Além disso, sugerimos também a realização demais abordagens experimentais, para que assim possa ficar claro o efeito real das diferentesatividades antrópicas sobre as populações bentônicas.

  • EDUARDO VINICIUS DA SILVA OLIVEIRA
  • Dinâmica temporal e aspectos da vegetação em uma comunidade de Caatinga
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 20/07/2016
  • Dissertação
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  • O presente estudo foi conduzido em um fragmento de Caatinga antropizado no município de Poço Verde, Sergipe, com os seguintes objetivos: (i) avaliar a dinâmica temporal da estrutura,da composição florística e dos grupos ecológicos da vegetação lenhosa após quatro anos coma hipótese de redução da complexidade florística e estrutural com retrocesso do estágiosucessional; (ii) quantificar os estoques aéreos de biomassa e de carbono, avaliar a dinâmicatemporal destes estoques após quatro anos e analisar a relação da biomassa com a abundânciae riqueza, todos estes na vegetação lenhosa, com as hipóteses de redução temporal dosestoques e de correlações positivas entre biomassa-abundância e biomassa-riqueza; e (iii)analisar a estrutura, a composição florística e os estoques de biomassa e carbono docomponente herbáceo, buscando-se relacionar os resultados com a antropização do fragmento.Comparados com um estudo anterior (2011 - t0), os dados atuais (2015 - t1) foram obtidosatravés 30 parcelas de 20 x 20 m, medindo indivíduos com circunferência à altura do peito ≥ 6cm. As espécies foram classificadas quanto ao grupo ecológico através de um critériosubjetivo, a biomassa foi estimada através de equações alométricas e o estoque de carbonocom a seguinte relação: est.carbono = biomassa*0,47. Diferenças temporais significativas(α<0,05) foram testadas para a riqueza, densidade, área basal e estoque de biomassa (teste tpareado), para valor de importância e grupos ecológicos (x² de McNemar) e para diversidadeShannon-Wiener - H' (teste t de Hutcheson). As relações da biomassa com a abundância e ariqueza foram avaliadas por análises de regressão. Para as herbáceas foram utilizadas 30subparcelas de 1 x 1 m dentro das parcelas de 20 x 20 m. Coletas adicionais de espéciesvegetais férteis foram realizadas no entorno das subparcelas e a biomassa foi estimada atravésde coleta e pesagem das plantas nas subparcelas e a seguir multiplicada por 0,47 para estimaro estoque de carbono. Para a avaliação temporal da vegetação lenhosa, constatou-se umaumento de densidade (0,74%) e área basal (4,82%). O estoque de biomassa foi estimado em52,79 Mg.ha-1 em t0 e 54,93 Mg.ha-1 em t1 (0,53 Mg.ha.ano-1) e o de carbono em 24,81 Mg.ha-1 em t0 e 25,82 Mg.ha-1 em t1 (0,25 Mg.ha.ano-1). Alterações na composição florística eestrutura foram mínimas e o índice de H’ diminuiu de 3,33 para 3,30 nats.ind-1 e acomunidade manteve-se em mesmo estágio sucessional. Nenhum dos parâmetros avaliadosdiferiu significativamente entre os dois levantamentos (p>0,05), apontando que a comunidadese encontra estável no tempo. A biomassa não foi correlacionada com a abundância e ariqueza (p>0,05). Para a vegetação herbácea foram encontradas 80 espécies e 34 famílias. Asfamílias de maior riqueza foram Asteraceae, Malvaceae e Poaceae (sete espécies cada). Naárea das subparcelas foi encontrada uma densidade de 32,46 ind/m², uma área basal de 41,6m².ha-1 e um estoque de carbono de 108,45 kg.ha-1 numa biomassa de 230,76 kg.ha-1. Foiencontrado um índice de H’ de 2,42 nats.ind-1 e uma equabilidade de Pielou de 0,67. Osresultados apontam que a comunidade vegetal estudada não sofreu redução temporal de suacomplexidade florística e estrutural, com uma manutenção temporal de seu estoque debiomassa, contribuindo localmente para o armazenamento de carbono. Além disso, seminfluência da abundância e da riqueza, os estoques de biomassa podem manter-se inalteradosdiante de reduções nestes parâmetros. Considerando-se ainda que os impactos antrópicosregistrados causaram moderada influência na vegetação herbácea, acredita-se que aintensidade destes não tenham sido suficientes para configurar uma degradação. Acomunidade vegetal estudada tolera os atuais níveis de antropização, viabilizando o uso deseus recursos através de um manejo planejado, uma alternativa para a conservação.

  • TAIGUÃ CORRÊA PEREIRA
  • O desconhecido do pouco conhecido: o padrão espacial de riqueza e lacunas de conhecimento em plantas (Fabales: Fabaceae) na Caatinga
  • Orientador : SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • Data: 15/07/2016
  • Dissertação
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  • A biodiversidade é distribuída de forma heterogênea através do planeta Terra. Embora adiscussão sobre quais fatores determinam os padrões espaciais da biodiversidade continuecontroversa, o simples conhecimento dos seus componentes é um desafio ainda maior emalgumas regiões. Assim, conhecer o quanto ainda há para ser estudado ou descoberto éfundamental para a ciência, e a falta de conhecimento sobre a distribuição geográfica dasespécies é considerado um dos principais problemas enfrentados em estudos sobre abiodiversidade, especialmente em países “megadiversos” como o Brasil. O Bioma Caatingatem sido historicamente reconhecido com um dos menos conhecidos e valorizados quanto adiversidade biológica, devido à ideia equivocada de sua baixa diversidade e endemismo eelevado grau de antropização. Considerando a dominância da família Fabaceae na Caatinga,quanto à riqueza e abundância regional, investigamos o padrão espacial da riqueza de espéciesde Fabaceae no bioma, buscando determinar quais os fatores ambientais responsáveis pelavariação espacial da sua riqueza de espécies. Além disso, elaboramos um modelo estatísticoespacial de diversidade de Fabaceae na Caatinga a partir da estrutura espacial das assembleiasconhecidas e dos seus determinantes ambientais, a fim de estimar o déficit de conhecimentosobre a distribuição (déficit wallaceano) da Família na Caatinga. Obtivemos 220.781 registros,dos quais menos de 25% foram válidos. A partir desses registros, encontramos o total de 1.310espécies de 198 gêneros. A riqueza predita pelo modelo espacial variou de 92 a 283 espéciesao longo do espaço e foi melhor descrita pelo esforço amostral, aspectos do solo e topografia.A partir da medida de discrepância entre valores preditos e observados de riqueza de espécies,estimamos valores de déficit Wallaceano, chegando a 192 espécies em uma única localidade.O número total de espécies encontrado neste trabalho representa um incremento expressivo nariqueza conhecida de espécies da família na Caatinga. A seleção de fatores não climático comoprincipais preditores de riqueza indica maior influência da topografia e do solo na escalaregional. E também a importância do substrato no estabelecimento de comunidades vegetaisno semiárido. O déficit Wallaceano estimado evidencia uma deficiência crônica eespacialmente heterogênea no conhecimento da flora regional. A persistência de lacunas tãoexpressivas no conhecimento, somada a cobertura reduzida de áreas protegidas no Biomaevidencia um risco corrente de perdas significativas de diversidade biológica com sériasimplicações para a conservação do Bioma.

  • JACIELE DE OLIVEIRA DANTAS
  • EXISTE UM EFEITO DE BORDA NA CAATINGA? EVIDÊNCIA DE COMUNIDADES DE LIQUENS EM POÇO VERDE, SERGIPE
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 29/02/2016
  • Dissertação
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  • A destruição e fragmentação dos habitats para expansão de cultivos agrícolastêm contribuído com a perda de diversidade no mundo. Uma das principaisconsequências da fragmentação é a formação de bordas artificiais, quemodificam o microclima, desencadeando modificações em processosbiológicos. Essas alterações são consideradas efeitos de borda e podem tersua intensidade e magnitude aumentada a depender de fatores como distânciada borda, tamanho do fragmento, estrutura do dossel, tempo de corte, matriz egrupo taxonômico. Os fungos liquenizados são organismos sensíveis àsmodificações microclimáticas e bons preditores das perturbações antrópicas.Embora os efeitos de borda sobre os ec ossistemas florestais sejam bemestudados, as suas consequências para o bioma Caatinga ainda são poucoexploradas. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi investigar se a riquezae composição de espécies de liquens corticícolas mudam ao longo de umgradiente de borda-interior. O estudo foi realizado em um remanescentelocalizado na Fazenda Santa Maria da Lage , município de Poço Verde,Sergipe. Foram coletadas 972 amostras de liquens corticícolas distribuídas em80 forófitos em diferentes distâncias de bo rda (0 a 330 m da borda). Dess etotal, foram identificadas 182 espécies, distribuídas em 1 6 famílias e 57gêneros. As análises estatísticas mostr aram uma diferença significativa emrelação à composição de espécies de liquens entr e as distâncias no gradienteborda-interior. Por outro lado, não houve resultado significativo em relação àriqueza de espécies. Dentre os fatores abióticos, apenas o fator deluminosidade (transmitância difusa) obteve resultado significativo em relaçãoà riqueza de espécies de liquens corticícolas. O presente trabalho enfatiza aimportância do estudo de liquens em relação ao efeito de borda na Caatinga,reforçando a inclusão destes organismos em estratégias para conservação dabiodiversidade neste ambiente.

  • RAFAEL DE CARVALHO SANTOS
  • DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DE CAMARÕES PENEÍDEOS (CRUSTACEA: DECAPODA: DENDROBRANCHIATA) NA PLATAFORMA CONTINENTAL DE SERGIPE
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 26/02/2016
  • Dissertação
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  • O presente trabalho avaliou distribuição espaço-temporal das principais espécies de camarões marinhos explotados no estado de Sergipe (Xiphopenaeus kroyeri; Litopenaeus schmitti; e Farfantepenaues subtilis) em função dos fatores ambientais. Para tal, foram realizadas coletas mensais de setembro de 2013 à agosto de 2014 em nove estações de acordo com a batimetria local, sendo 3 arrastos de 15min nas profundidades de 5m, 15m e 30m. A captura dos camarões foi realizada com a utilização de um barco camaroeiro equipado com rede de arrasto de portas. Além do material biológico, em cada ponto também foram registrados os seguintes fatores ambientais: temperatura e salinidade (superfície e fundo), matéria orgânica, textura do sedimento e pluviometria. Os indivíduos foram transportados ao laboratório, identificados ao nível específico, sexados e mensurados quanto o comprimento da carapaça (CC). Fatores hidrológicos foram distintos quando comparados em relação ao tempo, já para as características do sedimento os resultados foram semelhantes entre os meses. Em relação ao espaço, apenas a salinidade de fundo e a medida de tendência central (Phi) demonstraram diferença. Dentre as espécies estudadas, X. kroyeri foi a mais abundante, seguida por F. subtilis e L. schmitti. Com exceção de F. subtilis, houve variação na distribuição temporal dos camarões durante o período de estudo. Todas as espécies demonstraram diferenças quanto a sua distribuição espacial, com as maiores abundâncias encontradas nos 5m e 15m, para X. kroyeri e L. schmitti e nos 30m para F. subtilis. Devido as massas de água não demonstrarem variação na região, a distribuição temporal dos indivíduos foi melhor explicada em função das relações dos ciclos sazonais de chuvas ou do ciclo de vida das espécies. Em relação ao espaço, fatores hidrológicos não demonstraram variação, logo as diferenças em relação à distribuição espacial foram melhor explicadas devido às características do sedimento, com X. kroyeri e L. schmitti associados a grãos finos, enquanto F. subtilis foi mais abundante em regiões de grãos mais grossos. Indivíduos das diferentes categorias reprodutivas demonstraram variações quanto sua abundância. Ambos os indivíduos com gônadas desenvolvidas e indivíduos imaturos foram encontrados ao longo de todo o ano, com a presença de dois picos. Em relação ao espaço, indivíduos com gônadas desenvolvidas foram encontrados em maior abundância nas regiões mais profundas, enquanto os imaturos foram mais abundantes próximos as áreas mais rasas (5m e 15m), reflexo do ciclo de vida e da área de ocorrência das espécies. Com relação à conservação das espécies, é possível afirmar que, apenas duas espécies estão sendo beneficiadas pela área delimitada pelo IBAMA

  • SONJA LUANA REZENDE DA SILVA
  • BIOLOGIA REPRODUTIVA E CRESCIMENTO DE CAMARÕES MARINHOS (DECAPODA: PENAEIDAE) NA PLATAFORMA CONTINENTAL DE SERGIPE
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 26/02/2016
  • Dissertação
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  • O presente estudo avaliou a biologia reprodutiva e crescimento dos camarões Xiphopenaeus kroyeri, Farfantepenaeus subtilis e Litopenaeus schmitti, na Plataforma Continental do Estado de Sergipe, de setembro de 2013 a agosto de 2014. As coletas dos camarões ocorreram mensalmente em nove transectos distribuídos nas profundidades de 5, 15 e 30 m, utilizando um barco camaroneiro equipado com uma rede "double rig". Os fatores ambientais (temperatura e salinidade da água, diâmetro e matéria orgânica do sedimento) também foram amostrados em cada transecto. A reprodução nas fêmeas foi determinada pela observação macroscópica das gônadas. Para os machos, os juvenis e adultos foram classificados por meio da observação do petasma e os reprodutivos foi associado com a presença da ampola terminal cheia. O período reprodutivo e de recrutamento foi determinado a partir da porcentagem de fêmeas reprodutivas e juvenis em relação ao total amostrado por mês. A relação entre a frequência de juvenis e fêmeas reprodutivas com os fatores ambientais foi testada por meio do Modelo Linear Generalizado. O crescimento individual de machos e fêmeas foi estimado pelo modelo de von Bertalanffy e a longevidade foi estimada usando esta fórmula invertida. Foram analisados 6418 indivíduos de X. kroyeri, 1076 de F. subtilis e 504 de L. schmitti. A razão sexual não diferiu da esperada (1:1) para X. kroyeri e L. schmitti, porém as fêmeas de F. subtilis foram mais abundantes que os machos (χ2 = 4,97, p<0,05). As três espécies se reproduziram continuamente durante o ano, sendo a maior intensidade para X. kroyeri de janeiro a maio/2014. Para F. subtilis o pico mais intenso ocorreu de setembro a novembro/2013 e de maio a agosto/2014. Para L. schmitti a maior intensidade reprodutiva ocorreu de setembro a novembro/2013, e a menor de janeiro a maio/2014. As maiores intensidades de recrutamento foram observadas de setembro a dezembro/2013 para X. kroyeri; de janeiro a maio/2014 para F. subtilis. As maiores e menores intensidades de recrutamento foram observadas, respectivamente, de março a julho/2014, e de outubro/2013 a janeiro/2014 para L. schmitti. A temperatura influenciou a reprodução das fêmeas de F. subtilis, e não mostrou nenhuma influência na reprodução de X. kroyeri e L. schmitti. O recrutamento de X. kroyeri e L. schmitti foi influenciado pela temperatura, porém o recrutamento de F. subtilis não foi influenciado. Machos (♂) das três espécies exibiram maiores coeficientes de crescimento (k) e menores comprimentos assintóticos (CC∞ = comprimento da carapaça) do que as fêmeas (♀): X. kroyeri (♂: CC∞ = 28,74 mm, k = 0,0081/dia; ♀: CC∞ = 30,79 mm, k = 0,0058/dia), F. subtilis (♂: CC∞ = 33,24 mm, k = 0,0063/dia; ♀: CC∞ = 42,49 mm, k = 0,0059/dia) e L. schmitti (♂: CC∞ = 32,48 mm, k = 0,0066/dia; ♀: CC∞ = 38,78 mm, k =0,0055/dia). A longevidade (anos) estimada para X. kroyeri foi de 1,55 (♂) e 2,15 (♀), para F. subtilis foi de 2 (♂) e 2,12 (♀), e para L. schmitti de 1,91 (♂) e 2,29 (♀). Portanto, outros fatores ambientais, como por exemplo, disponibilidade de nutrientes, proveniente das maiores épocas de vazão dos rios, pode estar influenciando a reprodução de X. kroyeri e L. schmitti e o recrutamento de F. subtilis na área amostrada, sendo necessários outros estudos que possam verificar essa influência. De acordo com os resultados obtidos, as espécies que melhor se enquadram ao período do defeso vigente, baseado no recrutamento, são L. schmitti e F. subtilis. Portanto, sugere-se que uma adequação no segundo fechamento da pesca, incluindo os meses de setembro e outubro protegeria o maior pico de recrutamento da espécie X. kroyeri e os maiores picos de fêmeas reprodutivas das espécies F. subtilis e L. schmitti.

  • LUANA MARINA DE CASTRO MENDONÇA
  • COMPOSIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DOS CRUSTACEA COMPONENTES DA MEGAFAUNA BÊNTICA NA PLATAFORMA CONTINENTAL DE SERGIPE
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 25/02/2016
  • Dissertação
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  • Os crustáceos são citados como grupo dominante em quase todos os ambientes de plataforma ao longo do litoral brasileiro, sendo também o grupo com maior volume de trabalhos realizados. No entanto, algumas plataformas brasileiras ainda têm sua carcinofauna precariamente desconhecida, como é o caso de Sergipe. Nesse sentido, esse trabalho visa contribuir para o conhecimento dos Crustacea, componentes da megafauna bêntica, da plataforma continental de Sergipe, bem como entender como as populações que compõe essa comunidade se distribuem espacial e temporalmente ao longo da plataforma. Os crustáceos foram coletados a partir de arrastos duplos com rede de arrasto pesqueiro em quatro campanhas amostrais entre 1999 e 2000, em 18 estações entre 36°32'W 10°36'S e 37°05’W 11°21’S distribuídas em seis transectos, nas isóbatas de 10, 20 e 30 m, totalizando 72 estações amostradas. Também foram coletados os parâmetros ambientais da água e do sedimento para cada estação. Os organismos foram identificados até o nível de espécie, utilizando literatura taxonômica específica, e analisados em termos de riqueza, abundância e biomassa e, a comunidade foi analisada a partir dos índices de diversidade, equitatividade, frequência de ocorrência e índice de importância relativa. A fauna de Crustacea esteve representada por 62749 indivíduos distribuídos em 71 táxons que somaram 199.97 kg de biomassa úmida e uma densidade de 77.81 ind./km². Os organismos coletados são representantes de 2 ordens, 4 infraordens, 25 famílias, 46 gêneros e 64 espécies. Dos grupos principais de Crustacea, Brachyura apresentou maior número de táxons com 39, seguido de Caridea com 12, Dendrobranchiata com 9, Anomura com 7, Stomatopoda com 2 e Achelata com 1. A comunidade estudada foi abundante e com uma riqueza considerável, mas a diversidade e equitatividade da fauna foram baixas, evidenciando a dominância das espécies X. kroyeri, N. schmitti, L. schmitti, F. schmitti e C. ornatus para a fauna de Crustacea da plataforma continental. A fauna variou em função do tempo e do espaço e os principais parâmetros abióticos que explicaram essas variações foram a profundidade, a temperatura e o tipo de fundo, principalmente os sedimentos mais grossos com altos teores de areia e cascalho. Dentre os Crustacea identificados, foram registrados pela primeira vez para a plataforma continental de Sergipe seis espécies, sendo 3 Brachyura (Allactaea lithostrota, Coryrhynchus riisei e Ericerodes minusculus), 2 Caridea (A. cf. packardii e A. intrisecus) e 1 Stomatopoda (Squilla brasiliensis).

  • CAMILLA SANTOS ALMEIDA
  • FORRAGEIO EM Nasutitermes aff. coxipoensis: COMPORTAMENTO E ESTRATÉGIAS EM RELAÇÃO À DISPONIBILIDADE DE RECURSOS
  • Orientador : ANA PAULA ALBANO ARAUJO
  • Data: 25/02/2016
  • Dissertação
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  • Uma gama de estratégias comportamentais e habilidades sensoriais permite aos animais minimizar os custos envolvidos na busca por alimento. Dentre os fatores envolvidos na variação dos custos de forrageio, a disponibilidade de recursos representa um papel central e é reconhecida por modular as áreas de uso dos animais. Algumas espécies de cupins exibem características que podem tornar o processo de forrageio ainda mais oneroso. Espécies do gênero Nasutitermes, por exemplo, apresentam gastos extras no forrageio, uma vez que além de construírem uma rede de túneis para acessar os recursos, ainda apresentam um elevado número de soldados, indivíduos troficamente dependentes. No presente estudo, avaliamos (i) o padrão de forrageio em Nasutitermes aff. coxipoensis (Termitidae: Nasutitermitinae), incluindo as estratégias de busca e o papel dos soldados; e (ii) analisamos se colônias desta espécie respondem à variação na disponibilidade de recursos. Experimentos manipulativos foram conduzidos em campo e em laboratório a fim de analisar o padrão de forrageio de N. aff. coxipoensis. Para isso, 35 ninhos foram transplantados em áreas de dunas, em Pirambu-SE. Foram estabelecidas sete parcelas em um contínuo de aumento da densidade de recursos (iscas de cana-de-açúcar). Testes em laboratório foram realizados a fim de analisar o papel dos sinais químicos (ex. feromônio de trilha) presente na glândula esternal de operários e soldados. Durante 10 dias consecutivos foram quantificados: o número de trilhas e de túneis, o comprimento total, o número de ramificações destes e a velocidade de construção dos túneis. Os dados foram analisados utilizando-se modelos lineares generalizados e modelos mistos. Nasutitermes aff. coxipoensis apresentou forrageio principalmente noturno. Soldados foram os primeiros indivíduos a iniciarem o forrageio, no entanto, em trilhas já estabelecidas, o número de operários foi sempre maior do que o de soldados. O número de trilhas ativas permaneceu constante ao longo do período de observação, enquanto o número de túneis aumentou de forma gradativa. Em grupos compostos por soldados e operários, os operários preferiram seguir os sinais de trilha dos soldados. O número de trilhas, o comprimento total e suas ramificações reduziram com o aumento da disponibilidade de recursos. A conversão de trilhas em túneis aumentou em locais com maior densidade de recursos. Nossos resultados sugerem que os custos envolvidos na produção de soldados de Nasutitermes aff. coxipoensis parecem ser compensados pelo seu papel decisivo no forrageio. Colônias desta espécie parecem otimizar o forrageio através de uma estratégia combinada de formação de trilhas e túneis. Em locais com baixa disponibilidade de recursos os cupins forrageiam preferencialmente em trilhas, evitando a conversão destas em túneis. Tal estratégia, ainda não foi relatada na literatura. Assim, N. aff. coxipoensis apresenta estratégias para otimização do forrageio, minimizando os custos envolvidos nesse processo. Os resultados deste estudo podem contribuir para a investigação de questões sobre evolução do comportamento de forrageio de cupins, assim como para desvendar os mecanismos envolvidos nos padrões de distribuição e estruturação de comunidades desses insetos.

  • NAYARA GOMES DA CRUZ
  • FORMIGAS ASSOCIADAS A Turnera subulata (TURNERACEAE): CUSTOS E/OU BENEFÍCIOS PARA PLANTA HOSPEDEIRA?
  • Orientador : ANA PAULA ALBANO ARAUJO
  • Data: 25/02/2016
  • Dissertação
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  • Interações ecológicas entre organismos são complexas, podendo apresentar resultados dinâmicos, os quais são dependentes do contexto ambiental. Plantas com nectários extraflorais atraem uma ampla variedade de espécies de formigas, em associações comumente consideradas mutualísticas. Nos ambientes tropicais a associação de plantas e formigas desempenha importante papel nas comunidades. Turnera subulata é um arbusto ruderal, amplamente distribuído em áreas antropizadas, que apresenta um par de nectários extraflorais na base de cada folha. Neste estudo, avaliamos se as formigas associadas a T. subulata: (i) variam espacialmente (entre locais) e temporalmente (ao longo do período do dia); (ii) respondem à simulação da presença de herbívoros e aos sinais de danos ocasionados em diferentes estruturas da planta hospedeira (caule e folha); (iii) reduzem as taxas de herbivoria; (iv) influenciam o crescimento vegetativo e sucesso reprodutivo da planta hospedeira, ao longo da sua fenologia. Os experimentos foram realizados em São Cristóvão-SE. Para o entendimento inicial do sistema estudado, foram selecionados indivíduos de T. subulata, nos quais realizamos simulações da presença de herbívoro e realização de injúrias no caule e folhas das plantas hospedeiras. O número total de indivíduos e de espécies de formigas associadas foi quantificado durante três períodos do dia. Foi quantificada a proporção de área foliar perdida e de folhas atacadas por sugador. Também foram realizados experimentos em que foram estabelecidas parcelas com e sem formigas. Em cada parcela foram transplantadas mudas de T. subulata que foram acompanhadas ao longo de seus estágios fenológicos. Foram feitas observações a fim de quantificar as medidas de crescimento vegetativo e investimento reprodutivo da planta hospedeira, assim como o número de folhas com danos por insetos sugadores e mastigadores; e o número de herbívoros. O número de visitantes associados a T. subulata foi quantificado durante três períodos do dia, durante 5min de observação/parcela. Em todos os casos, os dados foram analisados através de modelos lineares generalizados. Foram encontradas 21 espécies de formigas. A composição da assembleia de formigas apresentou variação significativa no espacialmente e temporalmente. As taxas de visitação e de predação pelas formigas foi maior no caule do que nas folhas das plantas. De forma geral, as taxas de herbivoria não foram correlacionadas com a associação/atividade das formigas, com exceção da proporção de área foliar consumida, que mostrou redução significativa em plantas onde as formigas defenderam as folhas. Os resultados mostraram que no estágio de maturação houve um trade-off entre crescimento x reprodução das plantas; sendo este favorável (ex.: maior reprodução) para as plantas que estavam em parcelas com formigas. Plantas sobre tratamento com formigas tiveram menor número de visitantes, incluindo predadores e parasitoides. O número de herbívoros sugadores foi significativamente reduzido na presença de formigas, durante o estágio de floração. Nossos resultados sugerem que os benefícios da associação podem ser dependentes de contexto. Além disso, podem contribuir para a compreensão dos mecanismos envolvidos nas interações facultativas entre formigas e plantas, e para o entendimento das redes de interações em comunidades.

  • ARTHUR OLIVEIRA DA CRUZ
  • USO DO ESPAÇO POR GRACILINANUS AGILIS (DIDELPHIMORPHIA) E WIEDOMYS PYRRHORHINUS (RODENTIA) EM ÁREA DE CAATINGA NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 24/02/2016
  • Dissertação
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  • Estudos sobre comunidades de pequenos mamíferos (roedores e marsupiais) demonstram diferentes padrões na utilização e seleção do espaço em relação à dieta, idade e sazonalidade, entre outros. Para avaliar estes padrões, a utilização de carretéis de rastreamento pode fornecer informações sobre a movimentação, estratificação vertical e o uso de abrigos e ninhos pelos animais. O presente trabalho teve por objetivo avaliar a área de uso e seleção de microhabitat por Gracilinanus agilis (Didelphimorphia) e Wiedomys pyrrhorhinus (Rodentia) no Monumento Natural Grota do Angico (MNGA), entre os municípios de Canindé de São Francisco e Poço Redondo em Sergipe. O estudo foi conduzido através da utilização de armadilhas Sherman, para a captura dos indivíduos, e de carretéis de rastreamento para a caracterização do movimento desses animais em duas áreas de caatinga arbustiva arbórea do MNGA entre dezembro/2014 e setembro/2015. Foram obtidos dados sobre a área de uso diário (AUD), tortuosidade do movimento (TORT), uso do estrato vertical (VU) e uso do solo (%SOLO) para cada indivíduo. A amostragem da seleção e disponibilidade de microhabitat foi realizada com dados de cobertura do solo e de copa e obstrução foliar vertical apenas para a seca. Foram avaliados 44 trajetos (27 de G. agilis e 17 de W. pyrrhorhinus), totalizando 2.451,42 m de linha rastreada. Não foram encontradas diferenças nas variáveis de movimento entre as estações seca e chuvosa para as duas espécies (p>0,0919). Machos e fêmeas de G. agilis e de W. pyrrhorhinus também não apresentaram diferenciação nessas variáveis (p>0,0643). Comparando-se as duas espécies, houve diferença apenas no uso do estrato vertical (p=0,0050). Apenas as fêmeas de W. pyrrhorhinus evidenciaram selecionar o microhabitat durante o movimento diário (p<0,0001). Em relação ao tamanho da área de uso (AUD), G. agilis apresentou, no geral, uma área maior que W. pyrrhorhinus. Baixos valores de tortuosidade (TORT) encontrados podem ser associados à baixa densidade populacional dessas espécies na área. A diferença na utilização do estrato vertical (VU) era esperada, uma vez que G. agilis é reportado como uma espécie escansorial enquanto W. pyrrhorhinus é preferencialmente arborícola. A ausência, no geral, de seleção do habitat pelas variáveis ambientais amostradas sugere que G. agilis e W. pyrrhorhinus podem estar realizando essa seleção na escala de mesohabitat.

  • VIVIANE SODRÉ MOURA
  • VARIAÇÃO SAZONAL E LONGITUDINAL NA ECOLOGIA ALIMENTAR DE Chiropotes sagulatus TRAIL, 1821 NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 22/02/2016
  • Dissertação
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  • Este estudo teve por objetivo avaliar variações sazonais e longitudinais no padrão de agrupamento e ecologia alimentar de um grupo de Chiropotes sagulatus, os cuxiús, na FLONA Saracá-Taquera, estado do Pará, Amazônia Brasileira. O grupo de estudo habituado, denominado Bacaba, foi monitorado entre Julho 2011 e Março 2012 (em todos os meses exceto Setembro) e Novembro 2014. Os dados comportamentais e de dieta foram coletados através do método de varredura instantânea, com duração de dois minutos e intervalo de 10 minutos, sendo coletadas amostras dos itens alimentares e realizada a contagem de indivíduos. O grupo Bacaba continha 67 indivíduos. Foram realizados 35 dias completos de observação e o orçamento de atividades foi Deslocamento (41,2%), Repouso (30,2%), Forrageamento (13,5%) e Alimentação (8,1%), Interações Sociais e Outros (6,9%). Foi realizado teste de Shapiro Wilk para a normalidade dos dados, o teste t de Student para os tamanhos de subgrupos e o teste z binomial para comparações de comportamento e dieta sazonal e longitudinal, além da similaridade de Jaccard para a composição taxonômica da dieta. Houve uma tendência para subgrupos maiores na estação chuvosa e no ano de 2011, mas a diferença não foi significativa. Deslocamento foi significativamente maior na estação chuvosa, quando os comportamentos de Alimentação e Forrageamento foram menores e as atividades de Repouso e Social foram significativamente maiores na estação seca. A dieta do grupo Bacaba apresentou alta ingestão de sementes para todo o período de estudo, e alta frequência de ingestão de sementes imaturas para as duas estações (59,9% estação seca e 47,7% estação chuvosa) com diferença significativa quando o item alimentar foi semente. Os itens partes florais e semente de fruto seco foram ingeridos apenas na estação seca. Todos os comportamentos apresentaram diferenças significativas entre anos, e foram mantidas as proporções dos itens alimentares na dieta mesmo com a baixa similaridade na composição taxonômica, mostrando a flexibilidade dos cuxiús para manter uma dieta de qualidade. As famílias mais importantes para a dieta do grupo foram Sapotaceae, Moraceae, Fabaceae, Chrysobalanaceae e Lecythidaceae, conhecidamente importantes para o gênero. Este estudo apresenta informações que reforçam os padrões comportamentais e de dieta para o gênero Chiropotes, corroborando a flexibilidade em sua ecologia alimentar e estratégia de forrageamento de maximização de energia.

2015
Descrição
  • THOMAZ DE FRANÇA E SILVA
  • IDENTIDADE E DIVERSIDADE GENÉTICA DE ESPÉCIES DE OSTRAS NATIVAS NO ESTADO DE SERGIPE
  • Orientador : EDILSON DIVINO DE ARAUJO
  • Data: 30/04/2015
  • Dissertação
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  • O cultivo de ostras “ostreicultura” é uma atividade pesqueira que vem crescendo no Brasil ao longo dos anos para suprir a demanda comercial local. Nos estuários brasileiros, duas ostras nativas apresentam a maior abundância populacional: Crassostrea rhizophorae e Crassostrea brasiliana e, por consequência, são as principais espécies exploradas. Devido à grande semelhança e por também apresentarem hábitos ecologicamente similares, as pequenas variações morfológicas entre as duas espécies prejudicam a identificação visual, tornando-se necessárias análises genéticas que possibilitem sua diferenciação. Tendo em vista o setor pesqueiro, a identificação das ostras cultivadas é essencial para o aumento da produtividade, além de possibilitar o uso sustentável e responsável dos recursos naturais. O transporte de um organismo para outro habitat, com finalidade econômica, pode desencadear diversos prejuízos para o ecossistema, portanto é preciso certificar que há fluxo gênico entre os locais para evitar tais danos ecológicos. O presente trabalho teve por objetivo diferenciar as espécies de Crassostrea por meio de amostras de DNA extraídas do músculo adutor da concha de 180 ostras coletadas em três estuários de Sergipe: São Francisco, Vaza Barris e Piauí-Real. Os níveis de variabilidade foram determinados através da amplificação de dois genes mitocondriais: DNA ribossomal 16S, para a identificação das espécies e citocromo oxidase I (COI), utilizado para identidade genética e diversidade populacional. Dos 156 indivíduos utilizados para a análise genética, 49 foram identificados como C. rizophorae e 107 como C. brasiliana, sendo que as duas espécies coocorreram nos três estuários analisados. C. brasiliana é mais frequente em locais de salinidade mais baixa e também junto aos sítios de ostreicultura. O marcador COI apresentou o mesmo nível de polimorfismo para as duas espécies e 14 haplótipos para C. rhizophorae, 12 haplótipos para C. brasiliana. O teste AMOVA detectou a inexistência de estruturação geográfica nas populações das duas espécies, devido ao baixo valor de fixação FST. De acordo com os dados obtidos, é possível afirmar que há grande fluxo gênico entre as populações das duas espécies de ostras nativas dos estuários analisados. A maior diversidade genética para C. brasiliana encontra-se no estuário do complexo fluvial Piauí-Real, podendo estar relacionada ao sentido Norte-Sul das correntes marinhas nessa região, que favorece a migração de larvas para estuários do Sul, entretanto dificulta o fluxo de haplótipos exclusivos do complexo Piauí-Real para estuários localizados ao Norte. Por outro lado, a maior diversidade para C. rhizophorae foi encontrada no rio Vaza Barris, devido a ausência de criatórios comerciais de ostras nativas neste estuário, sabendo que nos viveiros são cultivadas ostras da espécie C. brasiliana, por possuir melhor desempenho para fins comerciais. Dessa forma, podese concluir que, do ponto de vista genético, a translocação de ostras nativas entre os estuários analisados para cultivo, não afetaria as populações locais.

  • PEDRO GARGUR DOS SANTOS COROA
  • Influência do tipo e densidade do alimento na larvicultura do Pacamã Lophiosilurus alexandri Steindachner, 1876 (Siluriformes, Pseudopimelodidae)
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 27/02/2015
  • Dissertação
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  • O desenvolvimento de tecnologias é fundamental para aumento da produtividade na aquicultura. Um dos gargalos no cultivo de espécies nativas está na alimentação das larvas. O pacamã Lophiosilurus alexandri é uma espécie endêmica na bacia do rio São Francisco com grande potencial para aquicultura e atualmente apresenta status de conservação vulnerável. O objetivo do presente estudo foi avaliar o desempenho de pós-larvas de L. alexandri a partir de diferentes dietas (Artemia sp. e Panagrellus redivivus), concentrações (C300, C500 e C700) e frequências alimentares (F1, F3 e F6) em experimentos com duração de dez dias. Quando avaliado o alimento com melhor rendimento, Artemia sp. e Artemia sp. com P. redivivus apresentaram maiores taxas de sobrevivência, bem como maiores peso (F=371,13; p<0,05), comprimento (F=79,31; p<0,05) e taxa de crescimento específico (TCE) (F=105.97; p<0,01) do que pós-larvas alimentadas apenas com P. redivivus e pós-larvas sem fornecimento de alimento. A segunda etapa utilizou apenas Artemia sp. como alimento em função do melhor rendimento. A sobrevivência das pós-larvas não foi afetada pela concentração de presas e pela frequência alimentar, porém o peso (F=46,63; p<0,001), comprimento (p<0,05; F=38,398) e TCE (F=36,91; p<0,05) apresentaram diferenças significativas de forma crescente com o aumento da concentração de presas. A partir destes resultados, o melhor desempenho das pós-larvas de L. alexandri foi obtido a partir de uma alimentação diária com maior concentração de presas (C700). O cultivo de L. alexandri deve ser incentivado na bacia hidrográfica do São Francisco. A redução dos seus estoques naturais decorrente de ações antrópicas reforça a importância de programas de repovoamento na tentativa de restaurar as populações naturais e fazer com que volte a figurar dentre as espécies explotadas comercialmente na bacia do rio São Francisco.

  • RONY PETERSON SANTOS ALMEIDA
  • FORMIGAS E O CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO: COMPARANDO ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E RESERVA LEGAL (RL)
  • Orientador : LEANDRO DE SOUSA SOUTO
  • Data: 26/02/2015
  • Dissertação
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  • O Novo Código Florestal Brasileiro (NCFB) atualmente em vigor apresenta alguns pontos polêmicos em seu texto, em especial aqueles relacionados à redução ou substituição de Reservas Legais (RLs) e Áreas de Proteção Permanentes (APPs) por vegetação não nativa ou a compensação de uma dessas áreas pela outra, numa mesma propriedade. O NCFB portanto, considera essas duas áreas estruturalmente similares e passíveis de abrigar e conservar a fauna e flora regional. O presente trabalho visa analisar se RLs e APPs são, de fato, similares do ponto de vista ecológico, tendo como itens de analise a complexidade ambiental existente nos fragmentos e o uso de formigas como bioindicadores. Para tanto, foram realizadas coletas em seis áreas, sendo três consideradas como RL e três como APP. Em cada área foi feito um transecto e esse subdividido em 30 parcelas de 5 x 5 m, espaçadas 6 m. Em cada uma das parcelas foi medida a profundidade da serapilheira, contabilizada a densidade de árvores e medida a cobertura do dossel. Além disso, na área central de cada parcela foi retirada uma amostra de 1m² de serapilheira para analise da mirmecofauna (riqueza, composição e grupos funcionais). A riqueza de formigas, bem como de grupos funcionais foram testadas em resposta às variáveis ambientais por meio de modelos lineares generalizados (GLMs) e a composição entre as áreas verificada através da análise de similaridade (ANOSIM) e escalonamento multidimensional não-métrico (NMDS). Foram coletadas 116 morfoespécies de formigas, distribuídas em nove subfamílias e 42 gêneros. Não foi encontrada diferença na riqueza de espécies de formigas entre RLs e APPs e, dentre as variáveis ambientais analisadas, apenas houve relação positiva entre a riqueza e a porcentagem do dossel. Além disso, não houve diferença na composição de formigas nem na riqueza de grupos funcionais e estes resultados reforçam o texto atual do NCFB de que RLs ou APPs atuam de forma similar na manutenção da biodiversidade local. Desta forma, utilizar a APP no cômputo da RL (ou vice-versa) não implica na redução da diversidade local de formigas e consequentemente, prejuízo de suas funções ecológicas e de interações mediadas por espécies desse grupo já que essas áreas apresentam similaridade na sua estrutura e na diversidade de espécies.

  • ABEL FELIPE DE OLIVEIRA QUEIROZ
  • INDUÇÃO DE VOLÁTEIS EM Cocos nucifera (ARECACEAE) POR Brassolis sophorae (Linnaeus, 1758) (LEPIDOPTERA: NYMPHALIDAE) E BIOLOGIA DE Winthemia analis (Macquart, 1846) (DIPTERA: TACHINIDAE)
  • Orientador : BIANCA GIULIANO AMBROGI
  • Data: 26/02/2015
  • Dissertação
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  • As plantas apresentam diversas estratégias de defesa contra herbivoria. Muitas plantas, quando atacadas emitem compostos orgânicos voláteis que auxiliam na sua defesa, por meio da atração de inimigos naturais dos herbívoros ou repelindo diretamente o herbívoro. O coqueiro, Cocus nucifera, tem seu cultivo presente em todas as regiões do país, sendo predominante na região nordeste e apresenta uma grande importância social e econômica para o país. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo verificar a liberação de voláteis de C. nucifera induzidos pela herbivoria de lagartas de Brassolis sophorae e a resposta comportamental de Winthemia analis, parasitoide de lagartas de B. sophorae, aos compostos induzidos. Adicionalmente estudou-se a biologia de W. analis. Foram coletados, por meio do processo de aeração, voláteis emitidos por C. nucifera sob os seguintes tratamentos: 1 – planta sadia; 2 – planta com dano mecânico e 3 – planta sob herbivoria de lagartas de B. sophorae. Os voláteis coletados foram analisados quimicamente por cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM). A resposta comportamental do parasitoide aos compostos induzidos pela herbivoria das lagartas foi testada em um olfatômetro em “Y” e seu ciclo de vida foi registrado a partir de 79 larvas que emergiram de 28 pupas de B. sophorae. Os compostos nonanal, decanal e duas cetonas, geranil acetona e 6-metil-5-hepten-2-ona, foram identificados nas amostras de voláteis emitidos por C. nucifera 48h após a aplicação dos três tratamentos. O homoterpeno (E)-4-8-dimetil-1,3,7-nonatrieno (DMNT) foi encontrado somente nas amostras de voláteis emitidos por C. nucifera sob herbivoria de B. sophorae e com dano mecânico. A contribuição do DMNT foi maior nas amostras de planta sob herbivoria de lagartas de B. sophorae do que nas amostras de planta com dano mecânico. Os adultos de W. analis não foram atraídos pelos extratos obtidos da aeração de plantas sob herbivoria de lagartas de B. sophorae. A taxa de emergência dos adultos de W. analis foi de aproximadamente 73%. Foi possível verificar dimorfismo sexual alar por meio de morfometria geométrica (p<0,0001). A análise morfológica dos adultos de W. analis constatou a existência de uma característica no abdômen dos machos.

  • DANNYELLY SANTOS ANDRADE
  • EFEITOS DE BORDA SOBRE ASSEMBLÉIAS DE LIQUENS CORTICÍCOLAS CROSTOSOS EM ÁREA DE MATA ATLÂNTICA, NO NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 20/02/2015
  • Dissertação
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  • A fragmentação florestal e a destruição do habitat estão ameaçando muitas espécies em todo o mundo. Além da perda de habitat, a fragmentação diminui o número de espécies, alterando a composição de comunidades, causa mudanças microclimáticas, altera as taxas de mortalidade de árvores e aumenta o número de bordas florestais. A criação de bordas gera uma resposta primária rápida do ecossistema, a qual é conhecida como efeito de borda. Os efeitos de borda são diversos fenômenos físicos e biológicos associados a abruptos limites artificiais de habitat fragmentado. Entender as respostas das comunidades às modificações do ambiente pode ser bastante complexo em comunidades ricas em espécies. Assim, algumas dessas estimativas podem ser baseadas em características funcionais comuns entre diferentes espécies. Liquens são especialmente sensíveis ao impacto humano nos ecossistemas florestais. Por isso, podem ser usados como indicadores de qualidade do habitat. Desta forma, este trabalho tem como objetivo avaliar como a riqueza e composição de espécies liquênicas, assim como seus atributos funcionais, respondem à borda antrópica e interior florestal resultante da fragmentação florestal em remanescente de Mata Atlântica. O estudo foi realizado no Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco (RVSMJ), localizado no município de Capela, no estado de Sergipe. Foram coletadas 617 amostras de liquens corticícolas crostosos distribuídas entre as áreas de borda antrópica e interior. O trabalho de identificação permitiu o reconhecimento de 102 espécies, distribuídas em 40 gêneros e 14 famílias. Houve alta similaridade nas espécies entre borda antrópica e interior, mostrando que pouca foi a variação da composição nos ambientes estudados. Os resultados para riqueza entre borda e interior do fragmento mostraram uma maior quantidade de liquens no interior da floresta. Os fatores DAP e pH estiveram diretamente relacionados ao aumento de riqueza no interior da floresta. Foi demonstrado que atributos funcionais de liquens variam em relação à borda antrópica e interior de fragmentos florestais, e que estes podem ser utilizados como bioindicadores de efeito de borda, uma vez que, os liquens, assim como seus traços funcionais, são bastante sensíveis às alterações ambientais como as que acontecem em bordas florestais. Desta forma, nossos resultados mostraram algumas tendências importantes para a compreensão dos efeitos de borda sobre os liquens, demonstrando a importância de incluí-los em estratégias de conservação e contribuindo para o seu uso em monitoramento como espécies indicadoras de modificações ambientais.

  • JEANNE DOS REIS SILVA
  • INFLUÊNCIA DE FATORES AMBIENTAIS NA RIQUEZA E COMPOSIÇÃO DA MICOTA LIQUENIZADA EM ÁREA DE BREJO DE ALTITUDE E CAATINGA
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 20/02/2015
  • Dissertação
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  • Os liquens surgem a partir da interação simbiótica entre um fungo, o micobionte, e um ou mais componentes fotossintéticos, fotobiontes, que podem ser algas verdes e, ou cianobactérias. Este trabalho teve como objetivo comparar a riqueza e composição de liquens corticícolas crostosos em duas fitofisionomias, Caatinga e Brejo de Altitude, no semiárido brasileiro, verificando se a riqueza e composição de espécies destes liquens são influenciadas pelos fatores bióticos e abióticos, como luminosidade, pH da casca e diâmetro na altura do peito (DAP) do hospedeiro, e altitude. Para a coleta dos liquens, foram demarcados dois transectos de 300 m, um em cada área de estudo. Ao longo destes transectos foram demarcados pontos a cada 10 m, sendo 30 pontos para cada área, perfazendo um total de 60 pontos. Para cada ponto demarcado, foram adotados como critério de escolha do hospedeiro a maior proximidade do ponto e a presença de talos liquênicos na altura de 0,5 m até 1,50 m em relação ao solo no tronco da árvore. Foram analisadas a riqueza e composição de espécies para cada área. Ao todo, foram coletadas 576 amostras, totalizando 96 espécies de microliquens corticícolas. Não houve uma diferença significativa na riqueza entre as duas áreas. Com relação à composição de espécies, as áreas apresentaram diferença, porém com algumas espécies comuns para as duas áreas. Comparando a riqueza de liquens corticícolas com os fatores bióticos e abióticos, apenas o diâmetro à altura do peito (DAP) do hospedeiro selecionado, apresentou-se de forma significativa em relação à riqueza de espécies de liquens corticícolas. Relacionando a composição de espécies e os fatores bióticos e abióticos, tivemos elevação, DAP e fitofisionomias (local), abertura do dossel, e riqueza influenciando a composição. Desta forma, os resultados apresentados neste estudo visam contribuir para o conhecimento ecológico dos fungos liquenizados, assim como se torna subsídio para outras pesquisas que venham a aprimorar e enriquecer o conhecimento ecológico e liquenológico da Caatinga e Brejos de Altitude.

2014
Descrição
  • DANIEL ALVARES SILVEIRA DE ASSIS
  • REPRODUÇÃO DA ESPÉCIE NATIVA SERRASALMUS BRANDTII (LÜTKEN 1875) E DA INTRODUZIDA METYNNIS MACULATUS (KNER 1858) EM RESPOSTA À ALTERAÇÃO HIDROLÓGICA NO BAIXO SÃO FRANCISCO
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 31/07/2014
  • Dissertação
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  • Na região neotropical, os principais estímulos reprodutivos para peixes são pluviometria, temperatura e cheia dos rios. Modificações das características ambientais em consequência das ações antrópicas interferem diretamente na reprodução. O objetivo do presente estudo foi comparar a reprodução de Serrasalmus brandtii (nativa) e Metynnis maculatus (introduzida) e sua relação com a modificação hidrológica em uma área do Baixo São Francisco. Coletas bimestrais ocorreram de agosto/2012 a dezembro/2013 na calha principal do rio, entre Propriá (SE) e Porto Real do Colégio (AL) com redes de espera de distintas malhas. Dados de pluviometria, temperatura, cota e vazão do rio também foram obtidos. Os espécimes foram medidos, pesados e dissecados para caracterização do estádio de maturação gonadal, peso das gônadas, fígado e gordura celômica para cálculo do índice gonadossomático (IGS), hepatossomático e de gordura celômica. Uma porção do ovário esquerdo foi dissociada para cálculos de fecundidade e medição de ovócitos. Serrasalmus brandtii (109 fêmeas e 102 machos) não apresentou diferença significativa na razão sexual, diferente de M. maculatus (166 fêmeas e 259 machos), que apresentou 1.5 machos para cada fêmea (χ²: 20.3; p<0.05). A assincronia entre os sexos, ausência de picos reprodutivos e falta de correlação entre IGS e características ambientais observada para S. brandtii, indicam prejuízos procedentes da modificação hidrológica. O novo ambiente parece não ter sido uma barreira na sincronia (Spearman: 0.72; p<0.05) e no processo reprodutivo de M. maculatus. As pressões ambientais e a competição com espécies introduzidas podem ter resultado na maturação precoce de S. brandtii (fêmea: 105mm; macho: 92mm), devido aos prejuízos à sua população. Apesar da semelhança no tamanho do ovócito entre as espécies, a correlação positiva entre tamanho corporal e fecundidade absoluta (Pearson: 0.608; p<0.05) possibilitou um maior número de ovócitos para S. brandtii (U: 398; p<0.05), em virtude do seu maior porte. Ambas as espécies apresentaram estratégia oportunística, caracterizada pelo médio porte corporal e alto investimento reprodutivo, com desova parcelada, ovócitos pequenos e fecundidade relativa alta. A alta plasticidade de M. maculatus aliada à modificação fluvial facilitou seu estabelecimento. Medidas preventivas devem ser adotadas para minimizar seus impactos causados à fauna nativa.

  • NARA DE FARIAS COSTA
  • ASPECTOS ECOFISIOLÓGICOS DA CATINGUEIRA E DO PINHÃO-BRAVO EM UMA ÁREA DE CAATINGA DE SERGIPE
  • Orientador : CARLOS DIAS DA SILVA JUNIOR
  • Data: 31/07/2014
  • Dissertação
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  • A diferença de precipitação ao longo do ano é um problema recorrente que as plantas em campo precisam enfrentar, em decorrência dos momentos de déficit hídrico aos quais elas podem ser submetidas. Na Caatinga, esse problema é ainda maior, já que as chuvas são muito esparsas e irregulares, ocasionando meses a fio de estiagem. As plantas da Caatinga possuem diversas adaptações para suportar tais condições. Esse trabalho teve por objetivo avaliar parâmetros fisiológicos de duas espécies endêmicas da Caatinga, a catingueira (Poincianella pyramidalis) e o pinhão-bravo (Jatropha mollissima), em busca de descobrir que estratégias essas espécies adotam para sobreviver ao período de estiagem. Foram feitas duas coletas, uma na estação seca e outra na chuvosa, para avaliar parâmetros de relações hídricas, concentrações de solutos orgânicos e de pigmentos fotossintéticos, fluorescência de clorofila a e trocas gasosas. A catingueira demonstrou ter sido bastante afetada pela seca, com redução significativa nos seus parâmetros de relações hídricas, sobretudo no teor relativo de água, que atingiu valores abaixo de 60%, e nos índices de desempenho da fluorescência da clorofila a. O pinhão-bravo conseguiu manter a turgescência de seus tecidos alta, mas os índices da fluorescência e da fotossíntese líquida demonstraram que ele também foi afetado pelo déficit hídrico, uma vez que seus parâmetros fotossintéticos sofreram reduções bastante significativas.

  • GISELLE GOMES CONCEIÇÃO
  • DIVERSIDADE E COMPOSIÇÃO DA VEGETAÇÃO AO LONGO DE UM GRADIENTE SUCESSIONAL NA CAATINGA
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 30/07/2014
  • Dissertação
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  • A composição de espécies da vegetação de Caatinga em três estágios sucessionais foi caracterizada amostrando-se 20 parcelas, com 20x20m (400m²), em cada estágio.O stágio inicial corresponde a áreas abandonadas há cerca de 3 anos, no município de Poço Redondo; o estágio intermediário localiza-se no Monumento Natural Grota do Angico situado entre os municípios de Canindé do São Francisco e Poço Redondo, este local está em regeneração florestal a pouco mais de 20 anos; o estágio tardio pertence ao fragmento de Caatinga encontrado na fazenda São Pedro, Porto da Folha, que não sofre ação antrópica há mais de 60 anos. Todos os indivíduos do estrato arbustivo – arbóreo com CAP (Circunferência à altura do peito a 1,30m) > 6 cm tiveram sua circunferência e altura aferidas.O modelo de partição aditiva utilizado corresponde a seguinte fórmula:  = α + 1 +2, onde  é a diversidade total, αé a diversidade média dentro das parcelas, 1 é a diversidade entre as parcelas da mesma área, 2 é a diversidade entre as três áreas. Na área inicial foram identificadas 15 espécies pertencentes a 8 famílias e 15 gêneros. A densidade e dominância total encontradas nesta área foram equivalentes a 818,75 ind/ha e 0,89 m²/ha, respectivamente. A espécie com maior valor de importânciafoi Poincianella pyramidalis. O índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’) e o índice de equabilidade de Pielou (J’) foram, respectivamente, 0,72 e 0,61. A área intermediária apresentou 15 famílias, 25 gêneros e 25 espécies. A densidade total foi 1611,3 ind/hae a dominância total foi de a 3,31 m²/ha. P. pyramidalis foi à espécie que apresentou os maiores valores de densidade relativa, frequência, dominância e VI. O índice de diversidade foi 0,74 e o de equabilidade foi 0,53. Já na área tardia foram identificadas 22 famílias, 40 gêneros e 46 espécies. A densidade total foi 2741,3 ind/ha e a dominância total 13,02 m²/ha. Bauhinia cheilanthaapresentou o maior VI. Os índices H’ e J’ foram 1,07 e 0,64, respectivamente.Os resultados do GLM do modelo ANOVA confirmaram que as três áreas diferem entre si. Os gráficos obtidos a partir do NMDS mostraram a partir do ordenamento dos pontos que as áreas são diferentes em riqueza de espécies.A análise da partição aditiva da diversidade mostrou que o componente α foi o que menos contribuiu para a diversidade , porém o valor observado para tal componente foi superior ao esperado pelo modelo nulo. Já o componente 1observado foi inferior ao esperado pelo modelo, o que ilustra o agrupamento de espécies gerado pelo limite de dispersão das mesmas, o que dificulta a migração entre os remanescentes de Caatinga. O componente que melhor contribuiu para a diversidade  foi 2, evidenciando a importância da substituição das espécies ao longo do processo de sucessão.

  • CAROLINA SANTOS VIEIRA
  • ESTRATÉGIA REPRODUTIVA E A EXPRESSÃO DE CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS EM Serrapinnus heterodon EIGENMANN, 1915 (CHARACIDAE: CHEIRODONTINAE)
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 29/07/2014
  • Dissertação
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  • Regiões tropicais são geralmente associadas a variações na pluviometria e temperatura. Cenários como este influenciam os ciclos de vida das populações em ambientes sujeitos às oscilações dos fatores abióticos, e são frequentemente associados à reprodução em peixes. As estratégias reprodutivas adotadas pelas espécies estão intimamente ligadas à composição do ambiente e a história evolutiva dos grupos taxonômicos, levando em consideração suas capacidades adaptativas. Espécies com indivíduos adultos de porte reduzido e atributos reprodutivos peculiares exibem características de estratégias reprodutivas específicas. O desenvolvimento de caracteres sexuais secundários complementa a complexidade dos padrões reprodutivos exibidos dentre os grupos. Cheirodontinae são abundantes em ecossistemas lênticos e margens de rios, com espécies em sua maioria de pequeno porte, dos quais Serrapinnus heterodon faz parte. O presente estudo teve como objetivo avaliar a estratégia reprodutiva e a expressão de caracteres sexuais secundários em S. heterodon. Espécimes de S. heterodon (n=863; 431 fêmeas e 432 machos analisados) foram coletados entre abril/2012 e março/2014 no rio Poxim, São Cristóvão (SE). Indivíduos reprodutivos foram encontrados ao longo de todo período de estudo, com tamanhos mínimos de 24,36mm (fêmeas) e 22,61mm (machos). A estratégia reprodutiva da espécie foi caracterizada como oportunística. A relação entre os índices reprodutivos e os meses mostraram diferenças significativas (Fêmeas: IGS - H=212,5; IHS - H=114; K: H=268,2; p<0,05; Machos: IGS - H=124; IHS - H=81,46; K - H=223,9; p<0,05). A fecundidade absoluta foi estimada em 496,18±64,77 ovócitos e a fecundidade relativa em 0,23±0,04 mg-1, e ovócitos vitelogênicos com 378,35±5,54 m de diâmetro. Existiram diferenças siginificativas entre o IGS e a pluviometria quando correlacionadas às fêmeas, porém não significativas em relação aos machos. Foi observado um pico reprodutivo anual durante os meses de abril a novembro. A curvatura ventral do pedúnculo caudal e a glândula branquial foram observadas apenas em machos adultos. Ganchos ósseos foram registrados em machos adultos, como também em fêmeas adultas, porém em menor expressão. Fêmeas em desenvolvimento gonadal (ED) apresentaram ganchos na nadadeira anal (iii+4) e nas nadadeiras pélvicas (2+5). Fêmeas aptas à reprodução (AR) expressaram ganchos na anal (iii+5) e nas pélvicas (2+6). Machos ED exibiram ganchos na nadadeira anal (iii+7) e nas pélvicas (ii+7). Nos machos AR os ganchos foram encontrados na anal (ii+17) e nas pélvicas (ii+7). A expressão de ganchos (Fêmeas: Nadadeira anal - r=0,42; Nadadeiras pélvicas - r=0,22; p<0,05; Machos: Nadadeira anal - r=0,64; Nadadeiras pélvicas - r=0,51; p<0,05) e glândula branquial (W=5123; p<0,05), apresentaram valores significativos quando comparados ao IGS.

  • CLÉVERTON DE OLIVEIRA MENDONÇA
  • INFLUÊNCIA DE DIFERENTES ESTÁGIOS SUCESSIONAIS NA COMPOSIÇÃO E RIQUEZA DE LIQUENS NA CAATINGA
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 29/07/2014
  • Dissertação
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  • Os processos sucessionais em florestas tropicais seguem uma progressão de estágios durante os quais as florestas apresentam um enriquecimento gradual de espécies e um aumento em complexidade estrutural e funcional. Ações estocásticas resultadas do comportamento dos componentes das populações e espécies definem a sucessão florestal, onde fatores bióticos e abióticos em uma comunidade conduzem as estratégias ecológicas de diversidade de uma determinada comunidade de acordo com filtros ambientais locais e regionais. Os liquens são organismos que possuem uma complexa relação sucessional dentro da floresta, pois respondem a fatores espaciais e temporais, e ao mesmo tempo, são bioindicadores de qualidade ambiental. Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo analisar a riqueza e a composição de espécies de liquens corticícolas ao longo de um gradiente de sucessão florestal na Caatinga, e verificar a possibilidade da utilização de atributos funcionais de liquens como indicadores dos estágios de sucessão florestal neste tipo de vegetação. O trabalho foi realizado em três áreas de diferentes estágios sucessionais na Caatinga do Alto Sertão Sergipano, em dois municípios do estado. Foram coletadas 1460 amostras, distribuídas entre as áreas inicial, intermediária e avançada. Desse total, 119 espécies foram identificadas, compreendendo 17 famílias e 47 gêneros. A riqueza difere entre os estágios de sucessão, onde os maiores valores estão para o estágio inicial, seguidos pelo avançado e intermediário. Dentre os fatores ambientais amostrados, o pH do período chuvoso é o único que afeta a riqueza. Com relação à composição, há uma clara separação dos estágios, onde o estágio avançado se diferencia do inicial e intermediário e são influenciados pelos fatores pH, DAP, luminosidade, elevação. A diversidade beta é maior para o estágio avançado, que possui uma composição mais heterogênea em relação ao inicial e intermediário, os quais compartilham espécies entre si. Com relação aos atributos funcionais, é perceptível a variação da abundância e a correlação bioindicadora dos estágios de sucessão. Os resultados demonstram que a comunidade de liquens responde à sucessão natural e é influenciada por fatores bióticos e abióticos. Logo, espera-se que este trabalho venha contribuir para ampliar os conhecimentos ecológicos sobre os liquens na Caatinga, servindo como ponto inicial para pesquisas complementares e inovadoras que contribuam para a conservação deste bioma.

  • JOSÉ FRANCISCO GOMES DOS SANTOS JUNIOR
  • ANÁLISE FAUNÍSTICA DE BESOUROS ESCARABEÍNEOS (COLEOPTERA: SCARABAEIDAE: SCARABAEINAE) DO MONUMENTO NATURAL GROTA DO ANGICO, SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ANA PAULA COELHO MARQUES
  • Data: 28/07/2014
  • Dissertação
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  • O estudo da Caatinga é um dos maiores desafios para pesquisadores do nosso país. Atualmente existem “ilhas” preservadas de caatinga em toda sua extensão territorial original, e ambientes assim fragmentados acarretam em perda de biodiversidade. Trabalhos de análises faunísticas possibilitam avaliar impacto ambiental,sendo frequentemente realizados com insetos. No grupo de insetos bioindicadores, os escarabeíneos são detritívoros que se alimentam de fezes, carcaças e frutos em decomposição, auxiliando na ciclagem de nutrientes e demais serviços ecológicos. Portanto, objetivou-se realizar umaanálise faunística dos escarabeíneos que ocorrem na Caatinga do Estado de Sergipe. Foi estudada a variação na comunidade de escarabeíneos em áreas de Caatinga sob dois diferentes estágios de preservação (protegida e antropizada) e também a variação dos escarabeíneos em três tipos de iscas.O estudo foi realizado no MONA Grota do Angico, localizado no município de Poço Redondo, Sergipe, no período de Dezembro de 2012 a Novembro 2013, em duas áreas de Caatinga: protegida e degradada. Foram demarcados dez pontos em cada área, com 200 metros de distância de um ponto ao outro. Em cada ponto, foram colocadas três armadilhas de queda pitfall, com as seguintes iscas: fezes humanas, banana e fágado bovino. Foram amostrados 597 indivíduos distribuídos em doze espécies e onze gêneros. A espécie com maior amostragem foi Deltochilum verruciferumque correspondeu a 80% dos indivíduos, sendo o único táxon classificado como comum, ocasionando baixa equitabilidade no estudo. Malagoniellaastyanax punctatostriata e Canthon mutabilis tiveram, cada uma, apenas um exemplar coletado, durante todo o estudo na área inicial. Dichotomius nisusapresentou maior número de indivíduos amostrados na área inicial. A diversidade entre as áreas não se mostrou significativamente diferente pelo índice de Shanon, mas de acordo com o de Simpson, a área inicial teve uma maior diversidade. O Jackknife demonstrou que as duas áreas possuem valoresmenores que os estimados.As áreas não se diferenciaram em riqueza, porém a área intermediária,com 388 indivíduos, teve maior abundância de escarabeíneos que a área inicial, com 209 indivíduos coletados. Não houve correlação entre a pluviosidade mensal e a abundância de escarabeíneos. Com relação às iscas, sempre a isca de fezes apresentoumaior abundância e riqueza destes besouros, se comparada às iscas de banana e carne.

  • POLIANA SANTOS
  • AVALIAÇÃO DOS EFEITOS GENOTÓXICOS DOS CORPOS DE ÁGUA TEMPORÁRIOS DE UM PERÍMETRO IRRIGADO DO SEMIÁRIDO SERGIPANO, POR MEIO DO TESTE SMART EM Drosophila melanogaster (MEIGEN, 1830) E DO TESTE DO MICRONÚCLEO EM ANFÍBIOS DE Hypsiboas creptans (WIED-NEUWIED, 1824)
  • Orientador : SILMARA DE MORAES PANTALEAO
  • Data: 28/07/2014
  • Dissertação
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  • Na tentativa de resolver o problema das secas, que causam a perda da produtividade agrícola na zona semiárida brasileira, gerando fome, desemprego e êxodo rural, o Governo Federal tem implantado diversos perímetros irrigados públicos. No Estado de Sergipe, destaca-se o Perímetro Irrigado Califórnia, que foi planejado para ser o modelo de exploração racional de solo e água no semiárido nordestino. As principais culturas exploradas neste Perímetro, são acerola, banana, goiaba, manga, graviola, abóbora, aipim, amendoim, feijão de corda, milho, quiabo e tomate, com uma média de produção anual de 12.682, 34 toneladas. Visando atender essa demanda agrícola, agrotóxicos e fertilizantes são usados em excesso e sem qualquer acompanhamento técnico. Este Perímetro localiza-se no município de Canindé de São Francisco, no entorno da unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico. O uso excessivo de agrotóxicos nesta região pode contaminar o meio ambiente, causar sérios danos à saúde humana, colocar em risco de extinção as espécies selvagens do local e aquelas que habitam a unidade de conservação, podendo causar a perda da biodiversidade e, como último destino, podem alcançar os corpos de água próximos às plantações. Baseando-se nestes dados, o objetivo geral do presente estudo foi investigar a presença de agrotóxicos com efeitos mutagênicos em corpos de água temporários do Perímetro Irrigado Califórnia por meio de 2 testes: Teste SMART de asa em D. melanogaster, onde larvas foram tratadas com amostras de água de 6 diferentes pontos e o Teste do Micronúcleo, aplicado em eritrócitos de girinos da espécie Hypsiboas creptans, coletados em 3 corpos de água, entre 2013 e 2014. O Teste do micronúcleo mostrou frequência significativamente maior de micronúcleos nos girinos coletados em um dos corpos de água temporários do Perímetro Irrigado Califórnia (CD2) que da área de referência (Monumento Natural Grota do Angico). No Teste SMART observou-se aumento na frequência de manchas mutantes em células da asa de D melanogaster somente para um dos corpos de água (CD5). Os dados aqui apresentados são pioneiros na avaliação de efeito mutagênico de agrotóxicos em áreas de irrigação do semiárido sergipano e nos permitem concluir que há genotoxinas de diferentes fontes presentes no ambiente do Perímetro Irrigado Califórnia, com impacto sobre a água e a biota residente, trazendo enorme risco para os agricultores e suas famílias que convivem nesse ambiente

  • LAÍZE SANTANA DE SOUZA
  • INFLUÊNCIA DA ZONAÇÃO SOBRE A ESTRUTURA POPULACIONAL E BIOLOGIA REPRODUTIVA DE Uca leptodactylus (CRUSTACEA: DECAPODA: OCYPODIDAE) EM ESTUÁRIOS DO ESTADO DE SERGIPE
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 25/07/2014
  • Dissertação
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  • O presente trabalho investigou o efeito de diferentes estratos de maré sobre a abundância, tamanho, razão sexual, estrutura populacional, crescimento relativo, maturidade sexual morfológica, quantidade de fêmeas ovígeras e tocas reprodutivas em U. leptodactylus. Para tal, foram realizadas coletas mensais no período de Janeiro à Dezembro de 2013 em dois estratos do entremarés, nos estuários do rio Sergipe e rio Vaza-barris, utilizando-se um quadrado com área interna de 90cm², lançado dez vezes aleatoriamente em cada estrato. Para cada estrato mensalmente foram tomadas as medidas de temperatura do ar, temperatura do substrato, temperatura da água, salinidade e amostras do episubstrato, para a determinação do teor de matéria orgânica e composição granulometria. Em laboratório, os caranguejos foram sexados, medidos e conservados em álcool 70%. Os resultados obtidos mensalmente foram comparados estatisticamente entre estratos e estuários, observou-se semelhança nos fatores ambientais analisado entre os estratos, sendo a análise da abundância, tamanho, crescimento relativo e maturidade sexual divergente entre os mesmos estratos. A abundância e o tamanho dos caranguejos foram maiores nos estratos abertos de ambos os estuários, sendo o estuário do rio Vaza-barris mais abundante do que o estuário do rio Sergipe, que por sua vez apresentou caranguejos maiores. A razão sexual não apresentou diferença significativa entre os estratos para o estuário do rio Vaza-barris, porém apresentou para o estuário do rio Sergipe, onde no estrato aberto ocorreram mais machos e nos estratos vegetados mais fêmeas. A estrutura populacional apresentou 19 classes de tamanho de 0,5 mm, com distribuição modal de juvenis recentes para os estratos vegetados e de adultos para os estratos abertos. Os caranguejos juvenis e adultos apresentaram crescimento alométrico positivo entre a largura da carapaça e comprimento do própodo e largura do abdômen, separadamente para cada sexo. Os chama-marés dos estratos vegetados maturaram em tamanhos menores do que o observado para os estratos abertos de ambos os estuários, no estuários do rio Vaza-barris os machos e fêmeas maturaram com 6,18 e 5,26 mm e 4,94 e 4,91 mm de largura da carapaça nos estratos aberto e vegetado, respectivamente. No estuário do rio Sergipe os machos e fêmeas maturaram com 5,61 e 5,36 mm e 5,24 e 4,39 mm de largura da carapaça nos estratos aberto e vegetado, respectivamente. A semelhança nos fatores abióticos entre os estratos abertos e vegetados, e as divergências na abundância, estrutura populacional e biologia reprodutiva, levaram à consideração do comportamento reprodutivo de “lekking” para U. leptodactylus. As fêmeas ovígeras e tocas reprodutivas ocorreram prioritariamente nos estratos abertos, portanto essas áreas foram consideradas arenas reprodutivas, enquanto os estratos vegetados foram considerados áreas prioritárias no recrutamento.

  • DANIELLE DE SOUZA CARDOSO
  • CARACTERIZAÇÃO ANATÔMICA DA MADEIRA E POTENCIAL DENDROCRONOLÓGICO DE Schinopsis brasiliensis ENGL. (ANACARDIACEAE) NA CAATINGA SERGIPANA
  • Orientador : CLAUDIO SERGIO LISI
  • Data: 21/07/2014
  • Dissertação
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  • A Schinopsis brasiliensis Engl. (braúna) é uma espécie longeva com ampla distribuição nos domínios fitogeográficos da caatinga e cerrado. Por conta da exploração sem controle de sua madeira e da devastação ambiental que assola a caatinga, encontra-se atualmente ameaçada de extinção. Porém, é uma espécie que se destaca por possuir indivíduos com dimensões superiores às geralmente encontradas em outras espécies deste ambiente, e por isso foi classificada como de alta importância ecológica. Suas características biológicas e ecológicas enfatizam a necessidade de estudos sobre suas estruturas e reações às mudanças ambientais e climáticas, dentre estes os de anatomia da madeira e dendrocronologia. O estudo foi realizado com indivíduos de S. brasiliensis provenientes da Fazenda São Pedro, município de Porto da Folha/SE. Amostras de árvores e de madeiras de construção foram coletadas nos meses de junho e julho de 2013, através de método não destrutivo, e posteriormente foram armazenadas no Laboratório de Anatomia Vegetal e Dendroecologia da UFS, para preparo e análise dos dados. A madeira de S. brasiliensis apresentou cerne e alburno significativamente distintos estruturalmente (p<0,05), houve destaque para as características estruturais que tornam o cerne a região mais resistente e duradoura, justificando seu uso em construções rurais em áreas de caatinga. Apresentou anéis de crescimento delimitados por banda de parênquima marginal e/ou espessamento das paredes das fibras; vasos pequenos, com tiloses quando no cerne; raios formados por células procumbentes e quadradas que armazenam muitos cristais de oxalato de cálcio; e fibras curtas e grossas. A espécie foi passível de datação cruzada com 0,52 de correlação entre seus indivíduos vivos e 0,49 entre as árvores e madeiras de construção. Apresentou correlações positivas com a precipitação no início e final do período chuvoso e queda na taxa de incremento nos períodos mais quentes e secos do ano, coincidindo com a queda foliar e consequente interrupção das atividades metabólicas de formação de novas células xilemáticas. A análise dos anéis das madeiras de construção permitiu a inédita expansão de uma cronologia no Brasil, com a inclusão de 20 anos de medidas anteriores à formação do primeiro anel de crescimento da árvore mais velha amostrada na área de estudo.

  • ADILSON DE OLIVEIRA SILVA
  • Análise comparativa dos nichos espacial e alimentar de anuros em áreas de Caatinga e Mata Atlântica de Sergipe, Brasil
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 28/02/2014
  • Dissertação
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  • Características ambientais distintas podem afetar diretamente a estruturação das comunidades, pois oferecem recursos e condições variadas, o que permite que em cada área, grupos diferenciados de espécies se estabeleçam. Nesse estudo duas taxocenoses de anfíbios anuros foram analisadas entre outubro de 2012 e setembro de 2013, em duas áreas com diferentes graus de heterogeneidade ambiental, uma na Caatinga (Monumento Natural Grota do Angico – MNGA) e outra de Mata Atlântica (Refugio da Vida Silvestre Mata do Junco – RVSMJ), ambas no estado de Sergipe. Foram utilizadas informações sobre os nichos espacial e alimentar e suas relações com fatores ecológicos e históricos. Foram tomados 1.332 registros (999 - RVSMJ e 333 - MNGA) pertencentes a 28 espécies (22 – RVSMJ e 15 – MNGA, sendo nove comuns as duas áreas). A sobreposição de nicho espacial e alimentar foi relativamente alta em ambas as áreas. Nove tipos de microhábitats foram utilizados pelas espécies sendo os mais comuns, independente da área, solo (45,1%), água (23,7%) e folhiço (8,6%). As presas mais importantes das dietas foram Formicidae e Coleoptera em ambas as áreas. Os indivíduos da Mata Atlântica foram relativamente menores que os da Catinga sugerindo investimentos diferenciados em reprodução e crescimento entre as áreas. Os resultados obtidos sugerem que as taxocenoses de ambas as áreas são influenciadas por fatores históricos ou filogenéticos somente na utilização dos recursos espaciais. Suas dietas são fortemente influenciadas pelas disponibilidades de recursos que o ambiente oferece.

  • ANTHONY SANTANA FERREIRA
  • Interação predador presa, uma análise comparativa e experimental utilizando os lagartos de uma área de caatinga como modelo.
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 27/02/2014
  • Dissertação
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  • Na natureza ocorrem muitos tipos de interações entre as espécies, relações estas que podem ser tanto antagônicas quanto mutuamente benéficas. A relação predador-presa é um exemplo de interação consumidor-recurso, que organiza as comunidades biológicas em cadeias alimentares. Este trabalho teve por finalidade investigar a relação predador presa adotando lagartos de uma área de Caatinga como modelo, bem como a influência de fatores ambientais nesta relação. Para tal propósito, dados da dieta de lagartos tomados entre Janeiro de 2012 e Junho de 2013 foram trabalhados e avaliados em termos sazonais. Informações de um ano de coleta foram também comparados com a disponibilidade de presas presentes no ambiente. Além disso, foram quantificadas as frequências de predação através de um experimento com réplicas artificiais de lagartos em duas campanhas distintas Julho (período chuvoso) e novembro (período seco) de 2013 e pela ocorrência de indícios de quebra de cauda provenientes dos lagartos capturados no decorrer do estudo de uma área de Caatinga de Sergipe, o Monumento Natural Grota do Angico. Na avaliação geral, as espécies apresentaram dietas semelhantes, sendo Isoptera a presa mais importantes para A. ocellifera, G. geckoides, L. klugei e B. heathi e Formicidae para T. hispidus e T. semitaeniatus demonstrando uma alta eletividade de poucas categorias de recursos alimentares pelas espécies. O consumo de presas por cada espécie nos dois períodos foi semelhante em relação à frequência de categorias utilizadas, mas diferiram no tipo de presa. Não houve diferença entre a dieta das espécies e a disponibilidade, o que indica que a dieta refletiu a disponibilidade no ambiente. Variações entre os períodos foram verificadas em relação às freqüências de ataque as réplicas, sendo mais freqüentes no período seco. Em uma avaliação realizada por sítios, houve diferenças nas freqüências de ataques para o período chuvoso, o mesmo não tendo sido observado para o período seco e para avaliação geral (informações somadas dos dois períodos). As frequências de ataque variaram também em função dos sítios em que foram colocadas, sendo mais comuns no solo, e em relação aos tipos de predadores, mais freqüentes por aves no período chuvoso e por formigas no período seco. Em relação a posição em que o ataque ocorreu, o tronco e a cabeça foram os locais mais comuns, independente da categoria de predador. Quanto às freqüências de quebras de cauda, foram observadas diferenças apenas em relação aos sexos dos indivíduos, mais comuns em machos.

  • DANIELA DE VASCONCELOS BRITO
  • Comunidade de morcegos (Mammalia) em fragmento de Mata Atlântica de Sergipe: estrutura da comunidade e atividade temporal
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 27/02/2014
  • Dissertação
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  • A fragmentação da paisagem proporciona, entre outros, a ocorrência de borda nos habitats, inferindo em respostas diferenciadas dos morcegos a essa condição. O presente estudo analisou a estrutura da comunidade de morcegos em ambientes de borda e interior e caracterizou a atividade das espécies frugívoras em um fragmento de Mata Atlântica de Sergipe, no nordeste brasileiro. O estudo foi realizado no Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco (RVSMJ), município de Capela. As coletas ocorreram entre novembro de 2012 a outubro de 2013, sendo amostrados mensalmente a borda e o interior da mata em duas áreas na localidade, durante três noites consecutivas em cada área entre as 18:00 e 24:00 hs, utilizando-se dez redes de neblina. Com um esforço amostral de 116.640 h.m² foram capturados 96 morcegos pertencentes a 12 espécies, das quais Lophostoma brasiliense e Micronycteris schmidtorum correspondem a novos registros para o RVSMJ e para área de Mata Atlântica em Sergipe. Os parâmetros de riqueza, abundância e diversidade não exibiram diferenças entre a borda e o interior. No entanto, a composição de espécies diferiu entre esses ambientes e os representantes deste grupo apresentaram distintas sensibilidades à borda, indicando que os morcegos são afetados pela formação de bordas na localidade. Com relação à atividade, as espécies foram ativas já na primeira hora de coleta e permaneceram com a atividade contínua durante o período amostrado. Houve uma alta sobreposição no padrão de atividade entre A. lituratus e D. cinerea (Øjk = 0,813) e entre C. perspicillata e D. cinerea (Øjk = 0,734). O padrão de atividade da quiropterofauna do RVSMJ apresentou características relativamente comuns à relatada para morcegos frugívoros, porém a ausência de diferenças entre os horários e entre a atividade das espécies pode ser reflexo do baixo número amostral.
  • BRENO MOURA DA CONCEIÇÃO
  • ANÁLISE COMPARATIVA DOS NICHOS ESPACIAL E ALIMENTAR DE DUAS TAXOCENOSES DE LAGARTOS DE ÁREAS DE CAATINGA E MATA ATLÂNTICA DE SERGIPE
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 27/02/2014
  • Dissertação
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  • A avaliação dos processos que governam a estrutura das taxocenoses de lagartos requer diversas linhas de estudos, pois várias são as forças que podem coordenar os padrões na utilização de recursos. A nível intrapopulacional a variação no consumo de itens alimentares pode ser gerada através da especialização individual, este fenômeno é considerado um mecanismo que reduz a competição intraespecífica, pois populações com grande amplitude de nicho alimentar podem ser constituídas de indivíduos que usam diferentes subconjuntos de recursos disponíveis. O presente trabalho está dividido em dois capítulos. O primeiro comparou o uso do espaço e de alimentos de lagartos a condições contrastantes, e o segundo avaliou o grau de especialização individual utilizando duas populações de Tropidurus hispidus como modelo. O trabalho foi desenvolvido entre outubro/2012 a setembro/2013 em duas áreas, o Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco (RVSMJ), área de Mata Atlântica, e o Monumento Natural Grota do Angico (MNGA), área de Caatinga, ambas no estado de Sergipe. Foram utilizadas informações sobre os nichos espacial e alimentar e suas relações com fatores ecológicos e históricos. As taxocenoses investigadas não se mostraram estruturadas em relação ao uso dos recursos espaciais e alimentares. Maiores larguras e menores sobreposições de nicho (espacial e alimentar) foram observadas em geral para as espécies do MNGA. Variações na vegetação nos períodos de chuva e seca promovem diferentes oportunidades no uso de recursos para esta taxocenose e a alta diversidade e abundância de espécies geram pressões competitivas que causam maior diversificação no uso de recursos. No RVSMJ a grande quantidade de recursos disponível e as diferenças nos aspectos ecológicos das espécies evidenciam uma falta de competição que possibilitam uma alta sobreposição. A Influência da filogenia foi verificada apenas para o uso de microhábitats nas espécies do RVSMJ, mostrando diferenças históricas somente para os grupos mais basais (Scleroglossa x Iguania). Adequações as condições e recursos locais foram observadas para a espécie Tropidurus hispidus que mostrou diferentes amplitudes de nichos em cada área. O maior grau de especialização individual para as populações de Tropidurus hispidus ocorreu no MNGA onde esta espécie era mais abundante

  • DOUGLAS DE MATOS DIAS
  • Mamíferos de médio e grande porte em uma área de Caatinga de Sergipe e o nicho ecológico de Cerdocyon thous (Linnaeus, 1766)
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 21/02/2014
  • Dissertação
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  • Existem poucos estudos sobre a mastofauna da Caatinga, sendo que os primeiros realizados no bioma resultaram em informações sobre riqueza, distribuição e ecologia alimentar de algumas espécies. Em Sergipe, no nordeste brasileiro, esse bioma encontra-se fragmentado e o conhecimento sobre a mastofauna de médio e grande é limitado, com informações baseadas principalmente em inventários. Assim, este trabalho caracterizou, em uma área de Caatinga em Sergipe, a comunidade de mamíferos de médio e grande porte quanto à riqueza e uso do habitat, além de avaliar a influência da sazonalidade no número de registros e espécies e o nicho ecológico do canídeo Cerdocyon thous. O estudo foi realizado no Monumento Natural Grota do Angico (MNGA), uma área de 2.138 ha localizada entre os municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco. As amostragens foram realizadas em três habitats do MNGA: caatinga arbustiva arbórea, grota e mata ciliar. A metodologia utilizada incluiu parcelas de areia e armadilhas fotográficas e as amostragens foram realizadas entre novembro de 2012 a novembro de 2013 em campanhas mensais de oito dias consecutivos. Foram registradas dez espécies de mamíferos através de 571 registros, sendo 454 obtidos nas parcelas de areia e 117 fotografias; sendo a ordem Carnivora a mais representativa na área. Três espécies foram registradas ocasionalmente fora das amostragens padronizadas: Lontra longicaudis, Euphractus sexcinctus e Dasypus sp. Não houve diferença sazonal para o número de registros e riqueza. Kerodon rupestris e pequenos felinos diferiram quanto ao uso do habitat: o primeiro esteve mais relacionado à grota e o segundo a mata ciliar. No geral, a comunidade é constituída de espécies habitat generalista e o tamanho reduzido do MNGA e o grau de degradação do seu entorno, resultante da supressão da vegetação nativa para a prática agrícola, podem ter contribuído para a baixa riqueza observada. Cerdocyon thous apresentou valores mais elevados de frequência de ocorrência nos três habitats amostrados (Fxy > 0.23), demonstrando a sua capacidade de adaptação a vários habitats. Com relação ao nicho trófico, sua dieta foi classificada como onívora, predominando o consumo de artrópodes e frutos, sendo vertebrados consumidos em menor escala. Embora tenha consumido muitos itens (N = 32), C. thous concentra sua dieta em poucos itens, resultando em um valor baixo de amplitude de nicho. Essa espécie esteve constantemente ativa durante o período noturno, com poucos registros diurnos e estando inativa entre as 09:00-16:00 h.

  • LUCAS DE MELO FRANÇA
  • ESTUDO CRONOLÓGICO E PALEOECOLÓGICO DE MAMÍFEROS PLEISTOCÊNICOS DE SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 12/02/2014
  • Dissertação
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  • A quantidade de espécies de mamíferos pertencentes à megafauna (indivíduos com mais de 44 kg) Pleistocênica registradas para o estado de Sergipe ainda é baixa quando comparada com outros estados da Região Intertopical Brasileira - RIB. No presente trabalho foram analisados fósseis encontrados em afloramentos fossilíferos (do tipo tanque) nas localidades Fazenda Charco e Fazenda São José (município de Poço Redondo, Sergipe) e na Fazenda Elefante (município de Gararu, Sergipe). Este estudo descreveu novas peças de taxa já conhecidos para o estado como, por exemplo, Eremotherium laurillardi, Notiomastodon platensis, Smilodon populator, Mylodontidae e Toxodontinae, além de fazer o primeiro registro de Xenorhinotherium bahiense, aumentando o número de taxa conhecidos em Sergipe. Além da descrição e registro de fósseis, o presente estudo também forneceu datações absolutas e análises isotópicas para fósseis das espécies E. laurillardi e N. platensis, provenientes da Fazenda São José (Poço Redondo, Sergipe), contribuindo para o conhecimento sobre a cronologia destes megamamíferos na RIB, além de caracterizar suas paleodietas e o ambiente no qual viveram durante o Pleistoceno final. Os resultados indicaram que N. platensis ocorreu entre 12.125 até 19.594 cal yr BP, apresentando uma dieta pastadora (δ13C = -1.1 ‰ a 1.3 ‰), enquanto E. laurillardi ocorreu entre 11.084 até 13.581 cal yr BP, com dieta generalista (plantas C3/C4; δ13C= -7.7 ‰ a -3.3 ‰). Os valores de δ18O de N. platensis variaram entre 31.1 ‰ to 34.7 ‰, enquanto os valores de E. laurillardi variaram de 27.7 ‰ to 29.7 ‰, demonstrando que ambas as espécies habitam um local com altas temperaturas. A partir da reunião dos dados existentes para estas espécies nesta região, conclui-se que estas permaneceram com a mesma dieta ao longo dos últimos milhares de anos do Pleistoceno final, permitindo a interpretação de que a composição vegetacional da localidade também não variou durante este período.

2013
Descrição
  • HANNA ANGÉLICA SANTOS PINTO
  • CARACTERIZAÇÃO MORFOMÉTRICA DE ABELHAS URUÇU (MELIPONA SCUTELLARIS, LATREILLE, 1811) EM MELIPONÁRIOS DA REGIÃO NORDESTE
  • Orientador : EDILSON DIVINO DE ARAUJO
  • Data: 31/07/2013
  • Dissertação
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  • Esse trabalho teve o objetivo de identificar a estrutura morfométrica populacional em criações de Melipona scutellaris nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, que estão inseridos na área de ocorrência natural da espécie na região Nordeste do Brasil. Somado a isso foram avaliadas as possíveis diferenças nos níveis de estresse refletidos nas variações morfométricas em colônias criadas em caixas racionais e em cortiço, fornecendo informações que possam contribuir para o manejo adequado e conservação dessas abelhas nativas. O estudo foi desenvolvido no período entre março de 2012 e abril de 2013 abrangendo os Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde foram coletadas 645 operárias forrageiras provenientes de 110 colônias. A análise de agrupamento (UPGMA) foi realizada resultando em três grupos distintos através da determinação do ponto de corte. Foram realizadas as análises multivariadas MANOVA através de Variáveis Canônicas, onde foram calculados a distância de Procrustes e de tamanho do centroide. Os resultados dessa análise apresentaram divergência populacional entre Estados limitados por barreiras geográficas ou por grandes distâncias o que ratificou o que havia sido anteriormente observado nas análises de UPGMA. A variação entre as colônias dos cinco Estados, foi maior que as colônias dentro dos Estados, na maior parte dos casos, A abordagem de Morfometria Geométrica foi eficaz na identificação da origem das colônias transportadas para outros Estados, o que foi observado nas análises de validação cruzada onde houve mais de 70% de acerto na classificação. A abordagem de Morfometria Geométrica pode ser posteriormente utilizada para avaliar a introdução de colônias aparentadas dentro do meliponário, contribuindo, assim para o aumento da variabilidade genética da população de criação. As análises de Assimetria Flutuante foram realizadas, para avaliar o estresse entre criações em caixas racionais e cortiços, utilizando uma ANOVA de Procrustes, e apresentou assimetria flutuante tanto para forma, quanto para tamanho nas duas localidades estudadas, independente do material de criação. No entanto, as colônias criadas em cortiço apresentaram um índice de assimetria flutuante maior em relação às colônias de caixas racionais. Esses resultados mostram que o estresse presente no modo de manejo das caixas racionais é maior e tem maior influência no aparecimento de assimetria flutuante. Também foi possível observar, utilizando-se de uma análise MANOVA de Variáveis Canônicas, que o grupo formado pelas colônias criadas em cortiço apresentou maior variabilidade que as colônias criadas em caixas racionais do modelo INPA, o que sugere que o processo de divisão de colônias diminui a diversidade genética dos meliponários com a utilização de caixas racionais enquanto os cortiços são mais diretamente relacionados ao pool gênico das populações naturais. É possível concluir que apesar da colaboração na conservação de espécies de abelhas nativas, a meliponicultura ainda necessita ajustar seus procedimentos de manejo para não afetar o desempenho das colônias de criação, bem como conhecer a origem das colônias que são introduzidas no meliponário para evitar a diminuição da diversidade genética e o aparecimento de Assimetria Flutuante nas colônias dos meliponários.

  • MARLENE SILVA DE ALMEIDA PEREIRA
  • VIVENDO COM ESTRANHOS: AVALIAÇÃO POPULACIONAL E DA TÁTICA REPRODUTIVA DO BARRIGUDINHO POECILIA VIVIPARA BLOCH & SCHNEIDER, 1801 FRENTE A OUTROS POECILIIDAE NÃO-NATIVOS NA BACIA DO RIO SERGIPE
  • Orientador : MARCELO FULGENCIO GUEDES DE BRITO
  • Data: 31/07/2013
  • Dissertação
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  • O presente estudo teve como objetivo verificar a estrutura populacional e a resposta reprodutiva de Poecilia vivipara em localidades que se encontra em sintopia com Poeciliidae não-nativos Poecilia reticulata e Poecilia sphenops e comparar os resultados obtidos com a localidade onde há registro apenas da espécie nativa. Foram coletados 4.234 exemplares das três espécies, em três localidades na bacia do rio Sergipe, sendo no total 2.600 exemplares de Poecilia vivipara, 1.168 de Poecilia sphenops e 466 de Poecilia reticulata. Houve predomínio de fêmeas nas três localidades. Não foi detectada sazonalidade reprodutiva para nenhuma das espécies estudadas, provavelmente pelo fato de serem espécies oportunistas e terem encontrado condições propícias para reprodução durante todo o ano. Os resultados mostraram que P. vivipara apresentou diferenciação na tática reprodutiva em cada uma das áreas, dependendo da espécie competidora. Não foi encontrada correlação do tamanho das fêmeas com o tamanho dos embriões, entretanto, houve correlação positiva do tamanho das fêmeas com a quantidade de embriões. Dessa forma foi possível inferir que P. vivipara em sintopia com P. sphenops alocou seus recursos no tamanho dos embriões, possivelmente pelo fato da espécie invasora ser de maior porte. Entretanto, na localidade em que P. vivipara se encontrava com P. reticulata o investimento reprodutivo foi alocado em um maior crescimento da fêmea, gerando assim uma maior quantidade de embriões. Embora P. vivipara tenha mudado sua tática reprodutiva frente às espécies não-nativas, não foi constatada alteração na sua estrutura populacional, sendo assim considerada uma forte competidora.

  • EDUARDO SILVA NASCIMENTO
  • COMPORTAMENTO DE CHAMAMENTO E EVIDÊNCIA DE FEROMÔNIO SEXUAL EM Atheloca subrufella (HULST) (LEPIDOPTERA: PHYCITIDAE)
  • Data: 29/07/2013
  • Dissertação
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  • A traça-do-coqueiro, Atheloca subrufella (Hulst) (Lepidoptera: Phycitidae), é considerada uma importante praga na cultura do coco, principalmente na região nordeste do Brasil, que concentra mais de 70% da produção de cocos do país. Seu controle é difícil, pois sua lagarta se desenvolve no interior das flores e frutos do coqueiro, limitando a ação de agentes químicos. Com isso, a utilização de feromônio para manejo desse inseto se torna bastante promissora. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho foi verificar o comportamento de chamamento da traça-do-coqueiro, e determinar a função do feromônio sexual utilizado nesse processo. Foram avaliadas a posição de chamamento e o padrão e periodicidade da exibição desse comportamento. Os extratos foram obtidos de glândulas de feromônio de fêmeas virgens e a partir da aeração de machos e fêmeas. Os extratos foram analisados em cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM). A resposta comportamental de machos foi avaliada através de bioensaios utilizando um olfatômetro em Y. Através da análise do comportamento de chamamento, verificou-se que as fêmeas de A.
    subrufella possuem apenas uma posição de chamamento, e que esse comportamento tem um pico entre a segunda e quinta escotofases. A duração do chamamento e o número de chamadas não modificaram com o passar do tempo, no entanto, o início do chamamento foi antecipado nas fêmeas mais velhas, provavelmente para evitar competição com fêmeas mais novas. Os dados demonstraram que o melhor horário para realizar as extrações e testes comportamentais foi entre a 3ª e 7ª horas da terceira ou quarta escotofases. A partir da análise dos cromatogramas obtidos não foi possível verificar a presença de compostos feromonais da
    fêmea, o que foi corroborado com os resultados dos bioensaios, em que a resposta do macho não indicou a presença de feromônios sexuais. Sendo assim, se fazem necessários novos estudos para evidenciar a presença e elucidar a estrutura química de um possível feromônio sexual de Atheloca subrufella.

  • DANILO ESDRAS ROCHA CRUZ
  • FAUNA DE MOSQUITOS (DIPTERA: CULICIDAE) EM FRAGMENTO DE CAATINGA NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : ROSELI LA CORTE DOS SANTOS
  • Data: 26/07/2013
  • Dissertação
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  • A família Culicidae apresenta grande importância em saúde pública por ser composta de insetos em sua maioria hematófagos, os quais podem veicular diversas doenças para o homem e demais vertebrados. O conhecimento sobre a fauna de culicídeos, além de gerar informações sobre as espécies que compõem o bioma Caatinga, permite conhecer espécies vetoras de patógenos fornecendo importantes ferramentas em caso de eventuais surtos epidêmicos na região. O bioma Caatinga ocupa cerca 55% de toda a região Nordeste, representando 11% da superfície do Brasil, e detém a posição de bioma menos conservado em relação à área total. O presente trabalho objetivou realizar levantamento da fauna de mosquitos, bem como análise de aspectos ecológicos para as espécies de adultos em duas áreas de Caatinga e espécies de imaturos em três criadouros semipermanentes de solo. O estudo foi realizado no município de Poço Redondo, situado no alto sertão sergipano, na unidade de conservação Monumento Natural Grota do Angico, sob o domínio exclusivo de Caatinga. As coletas foram realizadas mensalmente em dois ambientes de Caatinga das 17 às 20 horas através de armadilha de Shannon para adultos, e em três criadouros de solo utilizando metodologia de concha para coleta de larvas. Para análise de aspectos ecológicos foram utilizados os índices de diversidade de Shannon, equitabilidade de Pielou, dominância de Berger-Parker e escalonamento multidimensional não métrico (NMDS) para composição de espécies. No total foram coletados 1788 espécimes entre adultos e imaturos, distribuídos em dez gêneros, Aedes, Aedomyia, Anopheles, Coquilettidia, Culex, Haemagogus, Mansonia, Ochlerotatus, Psorophora e Uranotaenia e 21 espécies. Os adultos somaram 583 exemplares, sendo 268 na Caatinga arbustiva e 315 na Caatinga arbórea, as espécies dominantes foram Mansonia (Man) indubitans e Ochlerotatus (Och) scapularis, a composição de espécies e a abundância não diferiram entre as áreas, no entanto a Caatinga arbórea apresentou maior riqueza de espécies. Em relação aos imaturos, no criadouro sede foi capturado maior número de espécimes (N=590), seguido do criadouro cancela (N= 436) e os menores valores no criadouro trilha (N= 179). A composição das espécies não variou entre as áreas, as espécies dominantes para imaturos foram Anopheles (Nys) albitarsis e Culex (Cx) chidesteri. A presença de espécies com importância vetorial, dentre elas algumas com capacidade de adaptação ao ambiente antropizado, aliada ao déficit de conhecimento sobre os mosquitos da Caatinga sugerem continuidade de estudos para evitar que quadros epidemiológicos possam se instalar na unidade de conservação Monumento Natural Grota do Angico

  • VIVIANE ANDRADE RIBEIRO
  • DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DE CHAETOGNATHA NA PLATAFORMA CONTINENTAL DE SERGIPE E DO SUL DE ALAGOAS
  • Orientador : GUSTAVO LUIS HIROSE
  • Data: 26/07/2013
  • Dissertação
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  • O presente trabalho investigou a ocorrência, a distribuição e os estágios de desenvolvimento sexual das espécies de Chaetognatha e as possíveis influências das condições hidrológicas sobre este grupo na plataforma continental de Sergipe e sul de Alagoas. Os materiais biótico e abiótico foram coletados em 18 estações distribuídas na plataforma continental, em dezembro (2001 e 2002) e junho (2002 e 2003), meses inseridos, respectivamente, nos períodos de estiagem e chuvoso da região. As amostras foram realizadas por meio de arrastos oblíquos, utilizando-se rede de plâncton, com 200 μm de abertura de malha. Em laboratório, as subamostras foram feitas com uma pipeta de Stempel. Os exemplares e seus estágios de desenvolvimento sexual foram contados e identificados. Todos os indivíduos foram preservados em formol a 4%. Oito espécies foram identificadas: Sagitta enflata, S. hexaptera, S. tenuis, S. bipunctata, S. hispida, S. serratodentata, Krohnitta pacifica e Pterosagitta draco. Os valores de densidade foram mais elevados no período chuvoso (4.713,12 ind.m-3) quando comparado com o período de estiagem (4.468,92 ind.m-3). Em ambos os períodos, evidenciou-se que a densidade foi maior nas estações mais próximas à costa. Os valores de densidade decresceram da isóbata de 10m (4.525,91 ind.m-3), para isóbata de 20m (3.497,70 ind.m-3) e 30m (1.158,44 ind.m-3). Dentre as espécies identificadas S. tenuis foi a mais abundante seguida por S. enflata, S. hispida, K. pacifica, S. bipunctata, P. draco, S. hexaptera e S. serratodentata. Em todas as amostras, houve o predomínio de indivíduos jovens. A espécie S. tenuis é classificada como indicadora de águas costeiras, enquanto S. enflata, S. hispida e K. pacifica são espécies de águas de plataforma. As espécies S. bipunctata, P. draco, S. hexaptera e S. serratodentata são características de águas tropicais oceânicas, tendo sido registradas nesta pesquisa nas isóbatas de maior profundidade, 20 e 30 metros. As variáveis ambientais que mais influenciaram na distribuição dos quetognatos foram: pH, oxigênio dissolvido, nitrito, fosfato e silicato. Pelos resultados obtidos neste estudo, pode-se observar que a ocorrência e a distribuição das espécies registradas na plataforma estão diretamente relacionadas às condições hidrológicas locais, a qual se caracteriza por possuir forte influência do aporte de água proveniente dos estuários e da massa de água predominante na região, Água Tropical, a qual está diretamente associada à Corrente do Brasil.

  • VALTER LEVINO HIRAKURI
  • A COMUNIDADE E DIETA DE PEQUENOS MAMÍFEROS EM UMA ÁREA DE CAATINGA NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : ADRIANA BOCCHIGLIERI
  • Data: 26/07/2013
  • Dissertação
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  • Considerando a influência do habitat na ocorrência das espécies e a ecologia alimentar como fatores importantes na dinâmica das comunidades, foi avaliada a relação entre os componen-tes do habitat e a riqueza e abundância de pequenos mamíferos e caracterizada a dieta das espécies em uma área de Caatinga no Alto Sertão Sergipano. O estudo foi realizado no Mo-numento Natural Grota do Angico (MNGA), utilizando-se o método de captura-marcação-recaptura (CMR) por meio de 100 armadilhas tipo Sherman®, dispostas em quatro sítios (caa-tinga hiperxerófila densa) de julho de 2012 a fevereiro de 2013. Adicionalmente, mensurou-se mensalmente as variáveis do habitat e a disponibilidade de invertebrados. Além disso, foram coletadas amostras de material fecal para a identificação dos itens alimentares consumidos. Foram capturados 24 indivíduos pertencentes a três espécies, sendo dois marsupiais (Gracili-nanus agilis, N = 17 e Didelphis albiventris, N = 1) e um roedor (Wiedomys pyrrhorhinus, N = 6); com uma taxa de recaptura de 25%. A riqueza desse estudo foi inferior ao descritos em outros trabalhos no bioma. Os sítios apresentaram alta similaridade em relação ao habitat de-vido a elevada quantidade de serrapilheira e as diferenças entre eles foram influenciadas por componentes como rocha, cacto e bromélia. Dentre as variáveis do habitat, apenas a quanti-dade de bromélias influenciou positivamente a abundância de G. agilis e não houve nenhuma relação destas com W. pyrrhorhinus. Foram coletadas 37 amostras de fezes, sendo nove de W. pyrrhorhinus (todas de indivíduos machos) e 28 de G. agilis (11 amostras de fêmeas e 17 de machos). Foram identificadas oito ordens de invertebrados consumidas pelas duas espécies (Hymenoptera, Coleoptera, Hemiptera, Lepidoptera, Blattodea, Orthoptera, Isoptera e Arane-ae), além do registro de polpa e sementes. Esse é o primeiro estudo sobre o hábito alimentar de W. pyrrhorhinus e G. agilis em área de Caatinga. As duas espécies apresentaram elevadas taxas de consumo de artrópodes e a composição da dieta do marsupial se apresentou similar aos demais estudos realizados em Cerrado; porém nesse estudo as proporções de consumo foram superiores. Dois novos registros de itens alimentares para G. agilis foram obtidos: Blat-todea e sementes de Pilosocereus gounellei (Cactaceae). Não constatou-se diferença na dieta entre os sexos de G. agilis, entretanto houve o maior consumo de Hymenoptera por machos e de Orthoptera pelas fêmeas. Além disso, nesse estudo, esse marsupial apresentou um hábito oportunista, consumindo os representantes das ordens que estavam mais disponíveis no ambi-

  • ARLEU BARBOSA VIANA JUNIOR
  • Relação entre a diversidade de cupins e as alterações existentes em áreas de Caatinga, Sergipe, Brasil
  • Orientador : ANA PAULA COELHO MARQUES
  • Data: 24/07/2013
  • Dissertação
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  • Os cupins podem ser considerados importantes indicadores para análises e monitoramento ecológico, principalmente para o bioma Caatinga. Diante disso, o trabalho visou analisar como a riqueza, a abundância e a composição de cupins respondem às alterações antrópicas, em três áreas de Caatinga, existentes no alto sertão sergipano. O estudo foi desenvolvido em dois municípios do Estado de Sergipe, onde três áreas com diferentes níveis de perturbação foram selecionadas, a saber: área A1 – pastagem; A2 – caatinga arbustiva; A3 – caatinga arbórea. Em cada área foram demarcados doze transectos de 65 x 2 m, no qual cada transecto consistia de cinco parcelas de 5 x 2 m, onde os cupins foram coletados em todos os microhabitats possíveis. Após a coleta, os cupins foram armazenados e devidamente etiquetados. Posteriormente à triagem, os cupins foram identificados em nível genérico e, sempre que possível, algumas amostras foram identificada em nível específico. Os cupins foram separados em grupos tróficos: xilófagos, humívoros, ceifadores e intermediários. Como variáveis ambientais, foram coletadas amostras de solo de cada parcela para posterior análises granulométricas e percentual de umidade e pH do solo. Foram coletadas 180 amostras de cupins, distribuídos em três famílias, doze gêneros e 16 espécies. A análise de variância (ANOVA) mostrou haver diferença significativa na riqueza (F = 10.50, gl = 2, p < 0.05) e abundância (F = 12.70, gl = 2, p < 0.05) média por transecto entre as áreas de estudo. A curva de acumulação de espécies, mostrou que a riqueza de cupins é afetada pelo grau de perturbação. Xilófagos foi o grupo mais abundante e a área A3 foi a única a apresentar todos os grupos tróficos. O gráfico de ordenação do NMDS não
    evidenciou clara separação entre a composição de cupins e a composição dos grupos tróficos, mas a análise de similaridade mostrou que as áreas possuem diferenças significativas em composição de espécies e de grupos tróficos. Todas as três variáveis ambientais analisadas (umidade, pH e granulometria) mostraram diferença significativa
    em algumas das áreas. A PCA mostra clara separação entre as áreas e a ANOVA do primeiro componente mostrou que as áreas são estatisticamente diferentes (F = 12.44, gl = 2, p < 0.001). Diante dos resultados aqui apresentados, concluiu-se que os cupins são bons indicadores da qualidade ambiental em áreas de Caatinga.

  • ROSINEIDE NASCIMENTO DA SILVA
  • Epífitas vasculares em resposta a fatores bióticos e abióticos em áreas de Caatinga
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 16/07/2013
  • Dissertação
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  • As epífitas, plantas vasculares que vivem sobre outros vegetais (forófitos) sem parasitá-los, desempenham funções importantes na manutenção de processos ecológicos em florestas e, geralmente são associadas à ambientes tropicais úmidos, onde o número de espécies e de indivíduos epifíticos pode ser alterado pelas condições do ambiente. Este estudo foi realizado com o objetivo de testar se características dos forófitos e fatores ambientais, como luminosidade, umidade, temperatura, altitude e cobertura vegetal, influenciam a riqueza e/ou a abundância de epífitas vasculares. Para isso, foram amostradas 25 parcelas fixas de 20 x 20 m em três áreas de Caatinga de Sergipe: Poço Redondo (área 1), Porto da Folha (área 2) e Poço Verde (área 3). As hipóteses testadas foram: I. a riqueza e a abundância das epífitas aumentam com o aumento da complexidade estrutural do forófito (altura, diâmetro, ramificação do tronco e aspereza do ritidoma); II. a riqueza e a abundância das epífitas aumentam com o aumento da luminosidade, da umidade e da altitude; e III. a riqueza e a abundância das epífitas aumentam com a redução da temperatura e da cobertura vegetal. Foram observadas 2.728 epífitas Bromeliaceae, sendo 1.588 Tillandsia recurvata (L.) L., 571 Tillandsia loliacea Mart. ex Schult. f., 406 Tillandsia streptocarpa Baker, 64 Aechmea aquilega (Salisb.) Griseb., 51 Tillandsia polystachia (L.) L. e 48 Tillandsia gardneri Lindl. Os 514 forófitos registrados pertencem a 29 espécies, sendo 4 Anacardiaceae, 9 Fabaceae, 3 Myrtaceae, 2 Meliaceae, 1 Apocynaceae, 1 Bignoniaceae, 1 Burseraceae, 1 Celastraceae, 1 Euphorbiaceae, 1 Malpighiaceae, 1 Malvaceae, 1 Nyctaginaceae, 1 Rhamnaceae, 1 Rubiaceae, 1 Sapotaceae e 2 espécies indeterminadas. A riqueza não diferiu entre os forófitos ou quaisquer de suas características analisadas. Por outro lado, a abundância diferiu significativamente para algumas variáveis. Por exemplo, quanto ao forófito, 873 epífitas concentraram-se em Poincianella pyramidalis (Tull.) L. P. Queiroz, 818 em Commiphora leptophloeos (Mart.) J. B. Gillett, 234 em Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. e 203 em Aspidosperma pyrifolium Mart. Além disso, a abundância de epífitas aumentou em função do aumento no diâmetro dos forófitos, especialmente nos ramificados e com ritidoma liso. Apenas a altura do forófito e a estabilidade do ritidoma não apresentaram efeitos significativos sobre a abundância. A luminosidade e a umidade não tiveram efeito significativo sobre a riqueza e a abundância de epífitas, que comumente exibem adaptações que contribuem para seu estabelecimento em ambientes mais áridos. Por fim, observou-se efeito contrário do que se esperava quanto à temperatura, uma vez que em altas temperaturas a abundância de epífitas aumenta e em maiores altitudes reduz-se tanto a riqueza quanto a abundância dessas plantas. Quanto a cobertura vegetal, não foi percebida influência deste fator sobre as epífitas. Com este estudo, observou-se que a riqueza e a abundância não diferem entre as áreas, considerando-se os forófitos, mas diferem por parcela, entre as áreas amostradas. Diferentes condições ambientais favorecem a abundância de epífitas, por isso, ressalta-se a necessidade de investigações complementares sobre as interações ecológicas entre as epífitas, seus forófitos e seus hábitats.

  • LÍVIA MARIA DE JESUS SANTOS
  • AVALIAÇÃO COMPARATIVA DA ECOFISIOLOGIA DO JUAZEIRO (Ziziphus joazeiro MARTIUS) EM DUAS ECO-REGIÕES DO ESTADO DE SERGIPE EM RESPOSTA A SAZONALIDADE
  • Orientador : CARLOS DIAS DA SILVA JUNIOR
  • Data: 13/03/2013
  • Dissertação
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  • Este trabalho teve o objetivo de avaliar as respostas ecofisiológicas do juazeiro (Ziziphus joazeiro Mart.) em condições de campo em duas eco-regiões do estado de Sergipe (Agreste e Sertão) em diferentes períodos sazonais (chuvoso e seco), com o intuito de compreender as estratégias de sobrevivência utilizadas por esta espécie às condições climáticas locais, com escassez de chuvas e elevados índices de temperaturas e radiação solar, para se verificar os possíveis identificadores de estresse. Para isto avaliou-se: fotossíntese, condutância estomática, transpiração, potencial hídrico de ramos caulinar, a fluorescência da clorofila a, os teores de pigmentos e o ajuste osmótico através do acúmulo de solutos orgânicos (carboidratos, prolina e proteínas). Durante o ano de 2012 a quantidade de precipitação foi abaixo da media no sertão. A taxa de fotossíntese (A) foi maior no agreste chuvoso e menor no Sertão no período de estiagem. A condutância estomática (gs) foi maior nos horários que o déficit de pressão de vapor (VPD) foi menor, mantendo uma taxa de assimilação e evitando a perda excessiva de água pela transpiração (E). O potencial hídrico (w) foi mantido no período de estiagem pelo controle estomático e pelo acumulo de solutos, principalmente carboidratos. O teor de clorofilas a e b foram menores no período seco. Em relação à fluorescência da clorofila a, verificou-se que os indivíduos apresentaram taxas dentro do normal, não indicando condição de estresse, embora no período seco no sertão tenha havido uma diminuição na eficiência do fotossistema II. Concluiu-se que esta espécie apresenta estratégias de sobrevivência eficientes, mantendo seu aparato fotossintético funcionando mesmo durante períodos de déficit hídrico, permanecendo com os tecidos hidratados através do controle estomático e do acumulo de solutos.

  • MARCELO DE MENEZES VILAS-BÔAS
  • Dinâmica reprodutiva de aves da Caatinga em uma área próxima ao Rio São Francisco
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 28/02/2013
  • Dissertação
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  • O período reprodutivo das aves compreende desde a busca por parceiros coespecíficos até o final dos cuidados parentais. Apesar de possuir grande potencial ornitológico, a Caatinga tem a sua avifauna pouco conhecida, especialmente no que se trata de estudos que envolvam comportamentos reprodutivos. Esse estudo teve por objetivo conhecer a dinâmica reprodutiva de aves em duas áreas de caatinga a diferentes distâncias do Rio São Francisco, para que fosse possível avaliar a sua importância na reprodução das espécies da região. Entre novembro de 2011 e outubro de 2012, foram monitorados 250 ninhos de 30 espécies de aves, que se encontraram ativos do mês de março ao mês de outubro. Foram capturadas 54 espécies com o uso de redes de neblina, para as quais as áreas amostradas apresentaram 35% de similaridade. As aves nidificantes tiveram preferência por plantas arbóreas como suporte para seus ninhos, assim como pela área da margem do rio, que apresentou fitofisionomia significativamente diferente da área de platô. O tamanho médio da postura nas áreas foi de 2,2±0,1 ovos/fêmea e foi considerado significativamente maior na área de platô. Foram encontrados 23 diferentes tipos de ninhos, com preferência para os ninhos do tipo-básico cesto, que se encontraram distribuídos de forma agregada na área de margem e aleatória na área de platô. A predação dos ninhos se mostrou significativamente maior na área de margem e mais alta no início da reprodução das espécies, decaindo em função do tempo amostral. A presença do Rio São Francisco e as diferentes fitofisionomias das áreas foram considerados os principais fatores na escolha do local de construção dos ninhos pelas aves locais. A área abordada foi considerada de fundamental importância para a atividade reprodutiva das espécies de aves da região, e estudos que subsidiem a sua conservação são extremamente importantes


  • SOFIA CERQUEIRA SCHETTINO
  • Uso dos recursos tróficos entre Melipona quadrifasciata e Melipona asilvai no alto Sertão Sergipano
  • Orientador : EDILSON DIVINO DE ARAUJO
  • Data: 27/02/2013
  • Dissertação
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  • Este trabalho teve o objetivo de identificar a melissoflora visitada por Melipona quadrifasciata e Melipona asilvai numa área remanescente de Caatinga, localizada nos limites do município de Poço Redondo, Sergipe, Brasil. No intuito de fornecer informações que possam contribuir para o manejo adequado destas abelhas nativas. O estudo foi desenvolvido no período entre março e novembro de 2012, na Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico. O monitoramento das colônias e a coleta das plantas com flores, para verificar o pólen e confecção das exsicatas, respectivamente foram realizadas mensalmente. Um total de 71 espécies de plantas em 47 famílias, que pode ser utilizado pelas referidas abelhas foram identificadas na área, e as famílias mais importantes foram Asteraceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Malvaceae, Myrtaceae e Verbenaceae. Para a identificação dos tipos polínicos presentes nas reservas de alimento das colônias de abelhas o método de Ertdman foi utilizado para confeccionar lâminas nas quais foram fotografados os tipos de pólen. Foram identificados 21 e 25 tipos de pólens, pertencentes a 13 famílias botânicas nas amostras de mel e pólen. Através do espectro polínico das amostras de mel e pólen obtidos mensalmente destas abelhas, foram identificados altos valores de sobreposição de nicho em períodos de oferta de recursos, sendo os tipos de pólen da família Fabaceae classificados como pólen dominante na maioria das amostras estudadas e também como mais representativos, sendo que os outros tipos de pólen foram classificados como pólen ocasional. Concluindo-se que estas coexistiram na área estudada e são especialistas quanto ao uso dos recursos florais.

  • ALINNY COSTA ARAÚJO DOS SANTOS
  • Padrão de forrageamento de Cebus flavius (Schreber, 1774) (Primates: Cebidae), em um fragmento de Mata Atlântica na Paraíba
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 27/02/2013
  • Dissertação
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  • O presente estudo teve como objetivo caracterizar o comportamento de forrageio de um grupo de macaco-prego-galego (Cebus flavius) de aproximadamente 69 indivíduos, em um fragmento de Mata Atlântica na Paraíba, e analisar possíveis variações neste comportamento entre as estações seca e chuvosa, e em relação à classe sexo-etária do animal. A coleta sistemática dos dados foi realizada mensalmente de janeiro a outubro de 2012. Para amostragem dos dados comportamentais foi utilizado o método Animal Focal com duração de 1 minuto, registro instantâneo a cada 10 segundos, e intervalos de 5 minutos entre as sessões. Em cada sessão foi registrado o tipo de Forrageio adotado (Manual, visual ou extrativo), o item alimentar forrageado, o tipo e tamanho dos substratos utilizados e o posicionamento do animal no estrato vertical da vegetação. Através do método “Todas as ocorrências” foram registradas os eventos de interações agonísticas relacionadas ao forrageio, aos quais foram analisadas sob forma de taxas por hora de observação. Obteve-se um total de 1436 amostragens completas de Animal Focal, as quais totalizaram 8616 registros comportamentais. Observaram-se diferenças significativas no padrão de forrageamento em relação ao sexo. As fêmeas apresentaram uma maior frequência de Forrageio manual, envolvido na busca por partes vegetais reprodutivas e não reprodutivas, no estrato médio e superior da vegetação, enquanto os machos investiram principalmente no Forrageio extrativo de presas, no estrato inferior da vegetação, sobre troncos e no solo. Variações também ocorreram em relação às classes-etárias. A frequência de forrageio extrativo, forrageio por presas e utilização de substratos de grande porte aumentou com a idade. Diferenças no padrão de forrageio também foram observadas entre as estações. Na estação chuvosa houve um predomínio no forrageio manual de partes vegetais não reprodutivas, no estrato médio e superior da vegetação, enquanto na estação seca houve um aumento significativo na utilização do solo pelos animais e no forrageio extrativo de presas e recursos exóticos. Durante a atividade de forrageio foi registrada uma taxa de 0,53 eventos de interações agonísticas/hora de observação, ocorrendo um acréscimo significativo dos conflitos na estação seca. Os resultados mostram a capacidade dos indivíduos do grupo em adequar o padrão de forrageamento a variação sazonal na disponibilidade de recursos, e as diferentes demandas energéticas relacionada às diferenças sexo-etária, enfatizando a flexibilidade comportamental ecológica característica do gênero Cebus

  • TACYANA DUARTE AMORA
  • Padrões ecológicos do sagui-do-nordeste Callithrix jacchus (Primates, Calitrichidae) em uma área de Caatinga no Alto Sertão Sergipano
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 27/02/2013
  • Dissertação
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  • O sagui do nordeste Callithrix jacchus é nativo do nordeste brasileiro, e pode ser encontrado desde regiões de Floresta Atlântica até áreas mais secas como a Caatinga. É uma espécie de primata amplamente estudada em outros biomas, mas as informações disponíveis para a Caatinga são extremamente limitadas. Este estudo visou fornecer dados sistemáticos sobre a ecologia da espécie neste bioma semiárido e contribuir para o entendimento das especializações adotadas frente às condições extremas do ambiente. Três grupos (G1, G2 e G3) foram monitorados no Monumento Natural Grota do Angico (Sergipe, Brasil) entre outubro de 2011 e setembro de 2012. Os dados de padrões comportamentais e de alimentação foram coletados para G1 e as áreas de vida descritas para os três grupos. Os dados comportamentais foram coletados através da amostragem Animal Focal (apenas os adultos) com sessões de cinco minutos e intervalo de cinco minutos entre elas, durante o período diário de atividades. A posição do grupo foi marcada com um GPS a cada focal e inserida em um grid virtual de 50 x 50 metros para obter a área de vida. Os membros do grupo G1 passaram a maior parte de tempo estacionários (36,26%), em forrageio (29,26%) e em deslocamento (17,17%) e menos tempo e se dedicando às atividades sociais (1,81%). Foram observadas variações consideráveis ao longo do ano na duração do período diário de atividades do grupo, mas um ajuste de tempo no orçamento de atividades revelou apenas uma ligeira variação no padrão do comportamento ao longo do período de estudo. Até certo ponto a dieta do grupo de estudo foi típica para C. jacchus, baseada primariamente no consumo de exsudatos de plantas e insetos, mas o consumo de recursos alternativos incomuns atingiram picos em alguns meses, com folhas contribuindo com 39,74% da dieta em dezembro, néctar com 30,81% em novembro e frutas tóxicas com 23,08% em agosto. Bromélias terrestres e cactos também foram inclusos na dieta. Os grupos foram relativamente pequenos em tamanho, de dois a oito indivíduos, mas inesperadamente ocuparam grandes áreas de vida – 14,94 hectares para G1, 41.16 ha para G2, e 26.15 ha para G3, áreas muito maiores que aquelas registradas para outros ambientes. No geral, os resultados obtidos no presente estudo reenfatizam o potencial adaptativo de C. jacchus para sobrevivência em condições extremas de clima e disponibilidade de recursos, com claras evidências da adoção de estratégias ecológicas alternativas na Caatinga em comparação à Floresta Atlântica.

  • IZABEL REGINA SOARES DA SILVA
  • Diversidade, distribuição espaço-temporal e co-ocorrência com predador de girinos de anuros em uma área de Caatinga no Alto Sertão Sergipano
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 26/02/2013
  • Dissertação
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  • Diversos mecanismos mediam a diversidade, riqueza, abundância e distribuição dos girinos nos corpos d’água. O objetivo do estudo foi caracterizar a composição de girinos de uma área de Caatinga no Estado de Sergipe e avaliá-la em relação ao uso temporal (períodos de ocorrência) e espacial (locais preferenciais dentro dos corpos d’água) nos açudes. Buscando ainda, compreender a influência de alguns parâmetros ambientais e de predadores, em potencial, sobre a abundância dos girinos. O estudo foi realizado no Monumento Natural Grota do Angico, no período de Setembro de 2011 a Agosto de 2012. A coleta dos girinos e predadores foi realizada em forma de parcela em nove açudes da localidade. Os fatores bióticos e abióticos foram coletados mensalmente nos açudes que possuíam água. Foram coletados 2117 girinos e 710 predadores. A diversidade alfa foi semelhante entre as lagoas e a beta foi considerada relativamente baixa. A maioria dos girinos teve amplitude de nicho espacial elevada mostrando um uso generalista do espaço e, as sobreposições espacial e temporal demonstraram uma segregação entre as espécies no uso de micro-habitat e dos períodos de ocorrência. Nenhuma das espécies apresentou relação entre suas abundâncias e os fatores físico-químicos e estruturais dos açudes. A riqueza e abundância estiveram relacionadas a pluviosidade. Girinos e predadores diferiram quanto ao uso do micro-habitat e apenas três espécies apresentaram correlação positiva com os predadores. Os resultados obtidos foram em alguns aspectos semelhantes a outros estudos realizados no bioma Caatinga e em áreas secas do país. Evidenciou-se a importância dos açudes na manutenção das populações locais e a necessidade de preservação dos mesmos. Estudos na Caatinga ainda perfazem um desafio aos pesquisadores, principalmente a cerca da anurofauna do Bioma, e estudos devem ser incentivados, tanto para que se possa conhecer mais sobre a biologia larval dessas espécies quanto para que se possa obter melhores estratégias de conservação para o grupo.A definir

  • ALINE ANJOS DE MENEZES
  • Resposta da comunidade de microliquens corticícolas a fatores ambientais em duas fitofisionomias
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 31/01/2013
  • Dissertação
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  • Fungos liquenizados ou, simplesmente, liquens, são resultantes da associação de fungos e algas e/ou cianobactérias. Possuem preferências a determinados fatores ambientais que podem estar relacionados à estrutura e diversidade do habitat, possibilitando sua ocorrência em vários substratos e ambientes. O objetivo desta pesquisa é analisar a riqueza e composição de espécies de microliquens em duas fitofisionomias (Cerradão e Carrasco) na Chapada do Araripe, Ceará, e verificar o efeito de fatores ambientais como a luminosidade, pH do substrato, altitude e DAP do hospedeiro na riqueza de espécies destes organismos. Foram testadas as seguintes hipóteses: (H1) As áreas de estudo se diferem quanto à composição e riqueza de microliquens corticícolas, (H2) Áreas com maior luminosidade e maior altitude possuem maior riqueza de microliquens corticícolas e (H3) Hospedeiros com menor pH e maior DAP possuirão maior riqueza de microliquens corticícolas. O estudo foi realizado em duas expedições de coleta entre 2011 e 2012, onde se utilizou da metodologia de escolha aleatória dos forófito (método oportunista não quantitativo) e de demarcação de um transecto de 200 m, com 10 pontos por área. Em cada ponto em um raio de 2 m, todos os forófito com o CAP entre 5–30 cm foram analisados, sendo coletados todos os microliquens ao longo de 1,5 m do tronco a partir do solo. Dentre as 1300 amostras coletadas, foram identificadas 189 espécies distribuídas em 60 gêneros e 17 famílias. Todas as espécies foram consideradas novos registros para o estado do Ceará, 11 espécies são registradas pela primeira vez para o Nordeste, 13 são novas ocorrências para o Brasil, além de uma espécie ser novo registro para a América do Sul e dez novas espécies descritas pela primeira vez para a ciência. Como parte dos resultados, o Carrasco se apresentou mais rico em espécies liquênicas que o Cerradão e apesar de demonstraram composições semelhantes. Referente às análises dos fatores ambientais, os dados de DAP não foram expressivos nas análises realizadas e nenhum dos fatores ambientais foi significativo em relação às fitofisionomias de estudo. Os fatores ambientais: altitude, pH, transmitância total e abertura de dossel obtiveram resultado significativo em relação à riqueza de espécies. Perante os escassos trabalhos sobre ecologia e levantamentos de espécies de microliquens corticícolas para o Nordeste, a presente pesquisa se faz relevante para conhecimento da micota liquenizada na região e no país.

  • AMANDA BARRETO XAVIER LEITE
  • Influência de fatores ambientais na riqueza e composição de espécies de liquens corticícolas em área de Brejo de Altitude e Caatinga
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 31/01/2013
  • Dissertação
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  • Os liquens são associações simbióticas entre um fungo, quase sempre do Filo Ascoycota, com uma ou mais espécies de algas ou cianobactérias. Este trabalho teve como objetivos (i) comparar a riqueza e composição de liquens corticícolas em duas fitofisionomias, Brejo de Altitude e Caatinga, no estado da Paraíba, (ii) verificar se a riqueza é influenciada pelos fatores bióticos e abióticos, luminosidade, pH da casca do hospedeiro e diâmetro à altura do peito (DAP) e (iii) analisar se esses fatores bióticos e abióticos, luminosidade, pH da casca do hospedeiro e diâmetro na altura do peito (DAP) diferem entre as áreas de estudo. Em duas fitofisionomias, Caatinga e Brejo de Altitude, no estado da Paraíba, foram demarcados cinco transectos de 100 m cada, paralelamente demarcados a cada 25m, distantes um do outro. Em cada transecto, foram demarcados pontos a cada 10 m, sendo 50 pontos para cada área. Em cada ponto foi amostrada a árvore mais próxima na qual foi observada a presença de talos liquênicos, na altura de 0,5m até 1m em relação ao solo. Foram analisadas a riqueza e composição de espécies para cada área. Ao todo foram coletadas 755 amostras, sendo 18 famílias, 44 gêneros e 121 espécies de microliquens corticícolas. A Caatinga obteve maior riqueza (74 espécies), com 50 espécies registradas para o Brejo de Altitude. Com relação à composição de espécies, as áreas foram bastante diferentes. Comparando a riqueza de liquens corticícolas com os fatores bióticos e abióticos, luminosidade (transmitância total e abertura do dossel), pH da casca e diâmetro à altura do peito (DAP) do hospedeiro selecionado, tais fatores apresentaram-se de forma significativa em relação a riqueza de espécies de liquens corticícolas. Para as áreas, apenas os fatores abertura do dossel e elevação não obtiveram a mesma significância. Os resultados aqui apresentados contribuem para uma pequena parcela do conhecimento ecológico desses microfungos, tornando este estudo um importante subsídio para outras pesquisas que venham a aprimorar e enriquecer a Liquenologia, bem como, fortalecer o conhecimento a respeito das fitofisionomias em estudo.

  • ÂNGELA CECILIA FREIRE COSTA
  • ENTOMOFAUNA ASSOCIADA A FASE DE IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS UTILIZANDO O MODELO NELDER
  • Orientador : GENESIO TAMARA RIBEIRO
  • Data: 10/01/2013
  • Dissertação
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  • Os insetos são um dos componentes importantes para o funcionamento e manejo dos Sistemas Agroflorestais, uma vez que podem atuar como decompositores de materiais, polinizadores e herbívoros potenciais das culturas. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a fauna entomológica associada à fase de implantação de Sistemas Agroflorestais utilizando modelo Nelder. A pesquisa foi realizada no Campo Experimental de Estudos Agroecológicos, pertencente ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe, na região dos Tabuleiros Costeiros, no município de São Cristóvão-SE. Foram analisados os insetos associados a oito Sistemas Agroflorestais: eucalipto + milho (SEM), eucalipto + feijão (SEF), teca + feijão (STF), teca + milho (STM), glirícidia + feijão (SGF), gliricídia + milho (SGM), leucena + milho (SLM) e leucena + feijão (SLF). As coletas mensais de insetos foram realizadas de fevereiro a setembro/2012, com auxílio de armadilhas pitfalls. Em todos os sistemas avaliados, os insetos da ordem Hymenoptera destacaram-se no período anterior à implantação dos Sistemas Agroflorestais, enquanto que os representantes da ordem Diptera foram mais expressivos no período posterior. Coleoptera foi a ordem com maior riqueza de famílias em ambos os períodos. A família Formicidae foi a mais representativa independentemente do período de coleta. Maior abundância de insetos foi observada após implantação dos Sistemas Agroflorestais. O SLF apresentou maior abundância de indivíduos, o SLM e SLF maior riqueza de famílias e o SEF maior diversidade de famílias de insetos. A composição de famílias de insetos foi altamente similar entre os Sistemas Agroflorestais avaliados. Os resultados obtidos indicam que o período chuvoso, a oferta de alimento disponível, a diversidade de espécies vegetais, a distância entre os sistemas e o método de coleta utilizado, influenciaram no levantamento da entomofauna associada à fase de implantação dos Sistemas Agroflorestais.

2012
Descrição
  • JANICE GOMES CAVALCANTE
  • FATORES ASSOCIADOS À ESTRUTURA DA COMUNIDADE DE LIQUENS CORTICÍCOLAS CROSTOSOS EM DUAS ÁREAS DE CAATINGA NO ESTADO DE ALAGOAS
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 27/07/2012
  • Dissertação
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  • Cerca de um quinto dos fungos encontrados na natureza estão em simbiose com algas e/ou cianobactérias, a maior parte destes fungos é do Filo Ascomycota, com alguns representantes Basidiomycota. A esta associação, considerada uma estratégia nutricional de sucesso, dá-se o nome de liquenização, e à estrutura formada neste processo, líquen. Nesta unidade biológica estável, o fungo é o micobionte e os organismos fotossintetizantes são os fotobiontes. A Caatinga é um bioma endêmico do semiárido brasileiro, dominado por tipos de vegetação com características xerofíticas e extratos compostos por gramíneas, arbustos e árvores. No Estado de Alagoas, a Caatinga ocupa uma área de 16.350km2 e, apesar de suas características extremas de temperatura e pluviosidade, abriga importantes grupos liquênicos ainda não devidamente estudados no Estado. Este trabalho foi realizado em duas áreas de Caatinga no sertão Alagoano, situadas no município de Santana do Ipanema. A primeira área é a R.P.P.N. Fazenda Cachoeira, na Serra da Tocaia, e a segunda é uma área antropizada, situada à 10 km do perímetro urbano, na Serra do Gugi. Os resultados do presente trabalho estão distribuídos em dois capítulos. O primeiro relaciona os grupos liquênicos registrados nas áreas de estudo, onde foram coletadas amostras de 60 forófitos hospedeiros, relaciona também dados ecológicos como elevação, diâmetro à altura do peito e pH da casca. Um total de 61 táxons foi identificado, distribuídos em 18 famílias e 34 gêneros. Destes, 01 é novo registro para a ciência; 08 representam novas ocorrências para a América Latina; 10 para o Brasil; 04 para o Nordeste e 49, para o Estado de Alagoas. No segundo capítulo, é apresentada a descrição de uma espécie nova para a ciência, Opegrapha caeruleohymeniata J.G. Cavalcante, Aptroot & M. Cáceres. O pioneirismo desta pesquisa e os dados levantados apontam para a necessidade de novos trabalhos na região que se mostra rica e inexplorada. Além disso, representa contribuição significativa para as pesquisas liquenológicas no país.

  • NATALIE DA MOTA SOARES
  • REGENERAÇÃO NATURAL EM UM REMANESCENTE DE CAATINGA SOB DIFERENTES NÍVEIS DE PERTURBAÇÃO
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 29/06/2012
  • Dissertação
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  • Estudos sobre a dinâmica da regeneração natural são de grande interesse científico, por serem essenciais na elaboração correta de planos de manejo e de tratamentos silviculturais, permitindo um aproveitamento racional e permanente dos recursos florestais. Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo estudar a regeneração natural em uma unidade de conservação do Semiárido Sergipano, investigando-se a capacidade de resiliência de três ambientes de Caatinga, sob diferentes níveis de intervenção antrópica. O presente estudo foi realizado em um remanescente localizado no Alto Sertão Sergipano, pertencente à unidade de conservação Monumento Natural Grota do Angico (MONA) - latitude 09º39'36" Sul e longitude 37º47'22" Oeste. Foram selecionadas três áreas, baseando-se no zoneamento ambiental do plano de manejo da UC: a Zona Primitiva (1.777,83 ha), que envolve os remanescentes mais conservados de Caatinga; a Zona de Uso Extensivo (49,93 ha), considerada uma zona de nível médio de degradação; e, por fim, a Zona de Recuperação (83,82 ha), uma área de Caatinga muito alterada, que deve ser futuramente recuperada para atingir um melhor estado de conservação. Para a realização dos levantamentos sobre regeneração natural, foram instaladas 15 parcelas de 2 x 20 m onde foram amostrados todos os indivíduos de espécies lenhosas (vivas), com diâmetro ao nível do solo (DNS) menor que 3 cm e altura mínima de 15 cm. Os levantamentos ocorreram nos meses de janeiro e maio de 2012, em que foram coletados os dados de espécie, altura e diâmetro dos indivíduos. Para a análise dos aspectos estruturais do estrato regenerativo, os indivíduos levantados foram estratificados em quatro classes de tamanho: Classe 1- indivíduos com altura variando de 0,15 m a 0,49 m; Classe 2- indivíduos com altura variando de 0,50 m a 1,49 m; Classe 3- indivíduos com altura variando de 1,50 m a 2,5 m e Classe 4- indivíduos com altura superior a 2,5 m. Para caracterizar os aspectos estruturais da regeneração natural, foram obtidos os valores de densidade, frequência e a regeneração natural total por espécie. Para avaliar a diversidade florística dos ambientes foram empregados os índices de Shannon-Weaver (H’) e de equabilidade de Pielou (J’), conforme Brower & Zar (1984). Ainda foi realizada uma análise para determinar o grau de similaridade florística entre os ambientes amostrados, através da comparação entre os mesmos, utilizando-se o índice de similaridade de Jaccard. No levantamento florístico, 18 táxons foram identificados ao nível de espécie, 2 em gênero e 1 ficou indeterminado. Ao todo, foram amostrados 333 indivíduos pertencentes a 14 famílias botânicas, 18 gêneros e 21 espécies. Analisando a totalidade das áreas estudadas, as famílias com maior riqueza de espécies no estrato regenerativo foram Fabaceae-Mimosoideae (4) e Fabaceae-Caesalpiniodeae (3), pois juntas apresentaram 31,3 e 33,3% das espécies levantadas no primeiro e segundo inventários, respectivamente. Os menores números de abundância relativa foram registrados para as espécies: Myracrodruon urundeuva, Schinopsis brasiliensis, Mimosa tenuiflora, Mimosa sp., Piptadenia stipulacea e Sp. (Indeterminada). De maneira geral, as espécies em fase mais avançada do ciclo vegetativo (Classes III e IV) foram pouco registradas em todo o levantamento, abrangendo apenas 19% dos indivíduos amostrados nos três ambientes durante a primeira avaliação. As espécies que apresentaram maiores valores de densidade absoluta em toda a amostragem foram: Commiphora leptophloeos , Poincianella pyramidalis, Jatropha mollissima e Bauhinia cheilantha. As espécies que apresentaram os maiores índices de regeneração natural (RNT%) foram: Bauhinia cheilantha (50,6%), Jatropha mollissima (38,2%), Poincianella pyramidalis (29,1%) e Commiphora leptophloeos (27,5%) no primeiro inventário; e Poincianella pyramidalis (30,3%), Bauhinia cheilantha (29,0%) e Commiphora leptophloeos (23,5%) no segundo inventário. A diversidade de Shannon-Weaver entre as ambientes estudados obtiveram-se os seguintes valores: H’(Zona Primitiva) = 1,21 nats.individuo-1; H’(Zona de Recuperação) = 1,8 nats.individuo-1 e H’(Zona de Uso Extensivo) = 1,99, na primeira avaliação; e H’(Zona Primitiva) = 1,35 nats.individuo- 1; H’(Zona de Recuperação) = 1,84 nats.individuo-1 e H’(Zona de Uso Extensivo) = 1,75, na segunda avaliação. Observando-se esses dados, nota-se que a diversidade da Zona de Uso Extensivo foi superior aos demais ambientes no primeiro inventário e a Zona de Recuperação no segundo. Embora aparentemente tenham ocorrido variações, a análise de variância (ANOVA) apontou que esses valores não diferem entre si, determinando uma homogeneidade entre a diversidade de espécies que ocorrem nas três zonas, tanto no primeiro, quanto no segundo inventário. Para a similaridade florística foi possível perceber a formação de dois grupos bem definidos, o primeiro grupo com as parcelas localizadas na Zona Primitiva e na Zona de Recuperação, e o segundo com as parcelas da Zona de Uso Extensivo. No presente estudo, concluiu-se que os níveis de perturbação antrópica não afetaram diretamente no processo de regeneração natural, caracterizados pela pelos parâmetros de densidade e distribuição das espécies nas classes de altura e na composição florística. As alterações da vegetação não foram diretamente proporcionais ao nível de perturbação, não sendo possível caracterizar algumas espécies como indicadoras da intensidade da perturbação.

  • LUCIANA ASCHOFF COUTINHO
  • Variação sazonal e longitudinal na ecologia do Guariba-de-mãos-ruivas, Alouatta belzebul (Primates, Atelidae), na fazenda Pacatuba, Paraíba.
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 27/06/2012
  • Dissertação
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  • O objetivo deste estudo foi caracterizar a ecologia comportamental de um grupo de guariba-de-mãos-ruivas, Alouatta belzebul, em um fragmento de Mata Atlântica localizado no município de Sapé, Paraíba, com finalidade de contribuir para a conservação desta espécie no Nordeste brasileiro. Visando alcançar o proposto, um grupo composto por 19 animais foi monitorado por sete meses (agosto a outubro de 2011 e janeiro a abril de 2012) em visitas mensais de cinco dias completos (dormida-dormida). Os dados comportamentais quantitativos foram obtidos através da amostragem de varredura instantânea com varreduras de um minuto de observação e intervalos de 10 minutos entre amostras. O método “todas as ocorrências” foi empregado para registro de atividades raras, principalmente as interações sociais. Baseado nos registros da amostragem de varredura foi observado que o repouso foi à atividade predominante (67,8% dos registros), seguido de alimentação (13,7%) e deslocamento (12,0%). Analisando sazonalmente estes comportamentos, notou-se que eles foram significantemente diferentes, com maiores proporções do repouso na estação seca e do deslocamento e alimentação na estação chuvosa. A dieta foi folívora-frugívora, complementada por uma pequena proporção de flores. O consumo de frutos e flores foi significantemente diferente entre as estações: a maior participação dos frutos e folhas ocorreu nas estações chuvosa e seca, respectivamente. O grupo ocupou uma área de vida estimada em 10,25 hectares. Mensalmente, o tamanho da área de vida foi pequeno quando comparado ao tamanho total do espaço utilizado pelos guaribas. O percurso diário médio foi de 573 m (amplitude: 276-1179 m), com percursos menores durante a estação seca e períodos de maior folivoria. Por fim, em comparação com os estudos anteriores realizados no mesmo sítio, notaram-se variações consideráveis em alguns parâmetros, como a composição da dieta, mas não em outros, como o tamanho da área de vida. Conclui-se, portanto, que a disponibilidade de recursos alimentares na área de vida dos animais foi considerado o fator preponderante para as variações no orçamento de atividade diárias, tamanho da área de vida e do percurso médio diário, composição da dieta do grupo e variações longitudinais no sítio de estudo.

  • DIOGO GALLO DE OLIVEIRA
  • "Análise da vegetação em um fragmento de Caatinga no município de Porto da Folha, Sergipe, Brasil"
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 26/06/2012
  • Dissertação
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  • O presente trabalho foi realizado em um fragmento de Caatinga com aproximadamente 50 ha, pertencente à fazenda São Pedro, localizada no município de Porto da Folha, Sergipe, objetivando conhecer a composição florística e a estrutura fitossociológica do componente herbáceo e arbustivo-arbóreo, verificar as relações fitofisionômicas do estrato arbustivo-arbóreo com outras áreas de Caatinga, bem como a existência de efeito de borda no fragmento estudado, com o intuito de gerar subsídios aos estudos de ecologia, conservação e recuperação de áreas degradadas na região. Deste modo foram testadas as seguintes hipóteses nulas: 1ª - não existe diferença na riqueza e estrutura da vegetação arbustivo-arbóreo do fragmento estudado em relação a outras áreas de Caatinga analisadas em Sergipe e no Nordeste; 2ª - não existe diferença na composição florística e estrutura fitossociológica do estrato herbáceo entre duas estações do ano (seca e chuvosa); 3ª - não existe diferença na composição florística e estrutura do estrato arbustivo-arbóreo entre borda e interior do fragmento de Caatinga estudado. Para testar a primeira hipótese foi realizada a amostragem da vegetação arbustivo-arbórea por meio de 25 parcelas, com 20x20m (400m²), distribuídas sistematicamente a intervalos de 141 m em duas direções perpendiculares entre cada parcela. Foram identificados e registrados todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com circunferência à altura do peito (CAP a 1,30m do nível do solo) ≥ 6,0 cm e analisadas a composição florística, a estrutura fitossociológica (densidade, frequência, dominância e valor de importância), a diversidade, além da distribuição espacial e similaridade florística. A riqueza de espécies e os parâmetros estruturais do componente arbustivo-arbóreo encontrados no fragmento estudado foram superiores à maioria dos levantamentos em outras áreas do domínio Caatinga, considerando-se as diferentes tipologias analisadas (Caatinga Caducifólia Espinhosa, Caatinga Caducifólia Não Espinhosa e Vegetação Estacional Decidual). Para testar a segunda hipótese foram realizadas duas amostragens do componente herbáceo para comparação, uma na estação chuvosa e outra na seca, em 25 subparcelas, com 1x1m (1m²), distribuídas sistematicamente dentro de parcelas de 20x20m, a uma distância de 10 metros, seguindo-se a angulação de 45º a partir do primeiro vértice de cada parcela. Foram mensuradas e identificadas todas as plantas vivas com caule/pseudocaule clorofilado, com ausência ou baixo nível de lignificação que não fossem plântulas de espécies lenhosas e analisadas a composição florística, a estrutura fitossociológica (densidade, frequência, dominância e valor de importância), a diversidade, além das formas de vida de Raunkiaer. A densidade, freqüência, dominância e valor de importância das populações herbáceas, bem como, a altura e o diâmetro das plantas foram menores na estação seca. A diversidade de espécies herbáceas registrada para o fragmento foi superior a maioria dos trabalhos realizados em outras áreas de Caatinga do Nordeste brasileiro, fato que possivelmente pode estar associado ao bom estado de conservação do fragmento estudado. A forma de vida predominante da vegetação foi o terófito, seguido do fanerófito, caracterizando um fitoclima terofítico-fanerofítico para a região da área de estudo. A análise dos padrões estruturais e de diversidade realizados apenas em duas estações distintas não são suficientes para conhecer, de forma aprofundada, a dinâmica ecológica do componente herbáceo da caatinga no fragmento estudado. Para testar a terceira hipótese foram selecionadas 24 parcelas de área fixa com 20x20 metros, sendo 12 demarcadas na borda e 12 no interior do fragmento, de modo sistemático, a intervalos de 141 m. Em cada parcela foram identificados e registrados todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com circunferência à altura do peito (CAP a 1,30m do nível do solo) ≥ 6,0 cm e mensuradas as variáveis dendrométricas para a realização dos cálculos de diversidade e estrutura, além dessas variáveis foi calculado o índice de área foliar por meio de fotos hemisféricas com a lente “olho de peixe” de 180º no centro de cada parcela. Foi utilizado o escalonamento multidimensional não métrico (NMDS) para verificar a existência ou não de diferença na composição de espécies entre as parcelas da borda e do interior. Para a determinação da similaridade florística entre as parcelas avaliadas nos diferentes ambientes, foi utilizada a análise de similaridade. Diferenças entre as variáveis ambientais amostradas (variáveis dependentes) em relação à localização das parcelas de borda e interior, (variável independente) foram testadas usando modelos lineares generalizados (GLM´s). As parcelas de borda apresentaram 1157 indivíduos e 43 espécies, enquanto as do interior, 1377 indivíduos e 42 espécies. A ordenação NMDS mostrou que não existem diferenças claras na composição de espécies entre os dois ambientes analisados (borda e interior). Os cinco parâmetros estruturais da vegetação analisados entre as parcelas localizadas na borda e no interior do fragmento (altura das árvores, diâmetro do fuste, área basal, número de indivíduos e índice de área foliar) não resultaram em diferenças estatísticas significativas. Em relação aos índices referentes à riqueza, diversidade de espécies e equabilidade verificou-se, também, que não existe diferença estatística significativa entre o ambiente da borda e do interior. As semelhanças fisionômicas e estruturais da vegetação na área de estudo, evidenciadas pela riqueza, abundância e distribuição das espécies nos diferentes locais (borda e interior), sugerem a existência de um padrão comum, relacionado possivelmente com a disponibilidade de recursos de forma igualitária (como luz, água e nutrientes), histórico de conservação da vegetação do fragmento, bem como pela heterogeneidade e complexidade ambiental da área, indicando que a comunidade arbustivo-arbórea do fragmento de Caatinga não é ecologicamente afetada pela presença das bordas.

  • PRISCILLA MORGANA FERREIRA GUIMARÃES DE FIGUEIREDO
  • COMPOSIÇÃO E RIQUEZA DE INSETOS ARBORÍCOLAS EM ÁREAS DE CAATINGA: EFEITOS DA HETEROGENEIDADE E COMPLEXIDADE AMBIENTAL
  • Orientador : LEANDRO DE SOUSA SOUTO
  • Data: 25/06/2012
  • Dissertação
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  • Não informado

  • SORAIA STÉFANE BARBOSA BARRETTO
  • MORFOLOGIA VEGETAL DE ESPÉCIES DA CAATINGA COMO SUBSÍDIO PARA ESTUDOS DE REGENERAÇÃO NATURAL NO SEMIÁRIDO SERGIPANO
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 19/06/2012
  • Dissertação
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  • O objetivo do presente trabalho foi caracterizar morfologicamente frutos, sementes e plântulas de espécies arbóreas, de ocorrência natural na região da Caatinga para fins taxonômicos, estudos de regeneração natural e recuperação de áreas degradadas. Foram descritas e ilustradas as características morfológicas de frutos, sementes e plântulas das espécies Crataeva tapia L., Capparis flexuosa L., Piptadenia viridiflora (Kunth) Benth., Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke., Maytenus rigida Moric. e Triplaris garderiana Wedd. Os frutos foram coletados no município de Porto da Folha, diretamente de árvores matrizes. Foram realizadas, inicialmente, avaliações das características morfométricas e descrição dos frutos e sementes. Para a caracterização da fase de plântula, as avaliações foram realizadas a cada dois dias, sendo consideradas germinadas as plântulas que apresentaram todas as estruturas essenciais normais (raiz primária, hipocótilo, cotilédones, epicótilo e protófilos abertos). O fruto de Crataeva tapia L. é do tipo anfissarcídio, carnoso, com endocarpo polposo e adocicado, envolvendo as sementes de formato reniformes. Capparis flexuosa L., possui fruto do tipo cápsula folicular, deiscente, e sementes envoltas por uma sarcotesta branca. As duas espécies apresentaram germinação do tipo epigeal. O fruto de Piptadenia viridiflora (Kunth) Benth. é um legume deiscente, simples, seco e glabro. As sementes são reniformes, cordiformes a oblongas e o embrião é do tipo axial, invaginado. Piptadenia stipulacea (Benth) Ducke. tem fruto do tipo legume, deiscente, simples, seco, glabro; as sementes são oblongas, lisas, altamente polidas, de coloração marrom escura, córneas, e o embrião é do tipo axial, invaginado. A germinação das duas espécies é do tipo epigeal. O fruto de Maytenus rigida Moric. é uma cápsula loculicida, deiscente, simples, carnosa e glabra; as sementes são globosas, com sarcotesta branca e adocicada e o embrião é do tipo axial. Já Triplaris garderiana Wedd. possui o fruto do tipo núcula, indeiscente, simples, seco, piloso e piramidal; as sementes são piramidais, lisas, altamente polidas, marrons claras; o embrião é do tipo axial, dobrado. A germinação das duas espécies é do tipo epigeal. Espera-se com os resultados obtidos, realizar a identificação imediata e segura destas espécies, fornecendo subsídios para estudos de regeneração natural em áreas de Caatinga, bem como na recuperação de áreas degradadas, pois muitos estudos ainda são dificultados por falta de informações referente às espécies nativas que ocorrem neste Bioma.

  • HIGOR DOS SANTOS VIEIRA
  • RECOMPOSIÇÃO VEGETAL, POR MEIO DA REGENERAÇÃO ARTIFICIAL, EM ÁREA CILIAR DO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 12/03/2012
  • Dissertação
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  • Apesar de existirem muitos fragmentos de vegetação no Semiárido, observa-se uma carência de técnicas para a recuperação daqueles que se encontram em processo de degradação. A maioria dos trabalhos sobre degradação está baseada na identificação de locais e graus de desertificação, sendo que práticas de recuperação são poucas, e quando realizadas, buscam apenas aspectos econômicos, deixando o ecológico em segundo plano. Neste contexto, o presente estudo foi realizado com o objetivo de avaliar o desenvolvimento de cinco espécies de plantas lenhosas da Caatinga sob diferentes regimes hídricos, em um trecho de mata ciliar do Alto Sertão Sergipano. Para isso, foi aplicado um método de recomposição vegetal artificial em um ambiente com alto grau de degradação, localizado no Monumento Natural Grota do Angico, município de Poço Redondo, Sergipe. O delineamento na implantação do experimento foi feito em blocos casualizados (DBC), em esquema fatorial com quatro repetições, utilizando o espaçamento 3x3 m entre as plantas. Em cada bloco foi efetuado o plantio de 40 mudas de Aspidosperma pyrifolium Mart., Erythrina velutina Willd., Geoffroea spinosa Jack., Myracrodruon urundeuva Allemão e Spondias tuberosa Arruda, sendo 8 indivíduos por espécie. Após três meses, realizou-se a divisão dos blocos em 8 áreas similares, as quais foram sorteadas. Com base nesse resultado, foram empregados dois tratamentos (com irrigação – C.I. e sem irrigação – S.I.) com 4 indivíduos por espécies em cada bloco. Com esses dados, avaliou-se a sobrevivência das mudas e as características de crescimento (altura, diâmetro à altura do colo e taxa de crescimento relativo). Foi constatado que a média geral de sobrevivência das espécies após 7 meses foi 91,22%. Duas espécies apresentaram sobrevivência superior à média geral, A. pyrifolium, com 96,8%, e S. tuberosa, com 93,7%. Erythrina velutina apresentou maior taxa de crescimento relativo em altura nos dois tratamentos (C.I. e S.I.), seguida de M. urundeuva (C.I.), que por sua vez teve desenvolvimento superior às demais espécies e tratamentos. Para a taxa de crescimento em diâmetro do colo, observou-se que a M. urundeuva (S.I.) apresentou maior TCR (29,30%), seguido do G. spinosa (C.I.) com TCR (27,52 %). No incremento em altura destacaram-se as espécies S. tuberosa (55,63 cm (C.I.) e 55,50 cm (S.I.)) e E. velutina (55,16 cm (C.I.) e 52,03 cm (S.I.)), que apresentaram desenvolvimento superior às demais espécies. Erythrina velutina (C.I. (19,0 mm) e S.I. (17,5 mm)) e Spondias tuberosa (C.I. (8,7 mm) e S.I. (9,3 mm)) apresentaram maiores valores absolutos para diâmetro do colo. Neste estudo, as espécies selecionadas apresentaram índices de sobrevivência e desenvolvimento inicial satisfatórios, sendo indicadas para a recomposição de vegetação ciliar na referida área.

  • FRANCINEIDE BEZERRA GONÇALVES
  • CHUVA DE SEMENTES EM REMANESCENTE DE CAATINGA NO MUNICÍPIO DE PORTO DA FOLHA, SERGIPE – BRASIL
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 12/03/2012
  • Dissertação
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  • As florestas tropicais secas apresentam uma grande diversidade biológica e estudos sobre os mecanismos de dispersão e chuva de sementes proporcionam informações valiosas sobre padrões de dispersão, entradas e saídas de diásporos que atuam no processo de regeneração natural em ambientes preservados e/ou degradados, assim como na abundância, distribuição espacial, densidade e riqueza de espécies. Portanto, objetivou-se com a realização deste estudo identificar as estratégias de estabelecimento de espécies vegetais quanto às síndromes de dispersão e caracterizar a chuva de sementes em um remanescente de Caatinga localizado no município de Porto da Folha, Semiárido sergipano, relacionando-a com o período seco e chuvoso, visando uma melhor compreensão das interações aí existente e sua dinâmica. Para a avaliação quali-quantitativa da chuva de sementes presente na área foram instalados 25 coletores (confeccionados em madeira), a 50cm acima do solo. Os coletores apresentavam formato quadrado com área amostral de 1m2, com 10 cm de profundidade, sendo utilizado no fundo destes tela sombrite. As avaliações foram realizadas mensalmente durante 11 meses. Foram contabilizadas 4.248 sementes, pertencentes a 40 táxons, dos quais foram identificados 28 ao nível de espécie, quatro ao nível de gênero e 12 classificados como indeterminados. As espécies identificadas pertencem a 17 famílias botânicas e são compostas por quatro hábitos vegetacionais: árvores, arbustos, herbáceas e lianas. A síndrome de dispersão predominante na área, considerando-se o número de espécies identificadas, foi a autocoria (32,5%), seguida da anemocoria (20%) e a zoocoria (17,5%). Quanto à densidade de deposição de sementes, a síndrome de dispersão predominante foi anemocoria (34,7%), sendo superior à autocoria (31,5%) e à zoocoria (4,3%). A chuva de sementes atua efetivamente na autoregeneração da comunidade vegetal, em virtude da riqueza e abundância de sementes depositadas durante os meses de avaliação, favorecendo os mecanismos responsáveis pela dinâmica de sucessão, além de contribuir na conservação e reabilitação de áreas próximas ao fragmento florestal observado ou outras áreas de Caatinga alteradas.

  • STEPHANE DA CUNHA FRANCO
  • ASPECTOS ECOLÓGICOS, REPRODUTIVOS E VOCALIZAÇÕES DE Leptodactylus latrans (STEFFEN, 1815), L. fuscus (SCHNEIDER, 1799) E L. troglodytes (A. LUTZ, 1926) (ANURA: LEPTODACTYLIDAE) DO MONUMENTO NATURAL GROTA DO ANGICO, POÇO REDONDO - SE
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 02/03/2012
  • Dissertação
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  • Apesar de todas as condições adversas, a Caatinga abriga uma comunidade diversificada de anuros e oferece uma notável oportunidade de estudo das adaptações desses organismos aos ambientes quentes e secos. O entendimento dos aspectos ecológicos e reprodutivos dos anuros é de fundamental relevância para o entendimento das interações entre as espécies e o ambiente. As populações de Leptodactylus latrans, L. fuscus e L. troglodytes foram estudadas entre setembro de 2010 e agosto de 2011 na Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico (MNGA) inserida no Bioma Caatiga em Sergipe. Foram amostradas três lagoas temporárias, um brejo, uma barragem e cem metros de margem do Rio São Francisco. As campanhas foram mensais com duração de até três noites consecutivas na seca e seis na chuva. Os objetivos do estudo foram avaliar como essas populações utilizam os recursos espaciais e tróficos disponíveis nesse ambiente árido; como se distribuem ao longo do ano e ainda, elucidar aspectos reprodutivos e sonoros das três espécies. A espécie mais abundante foi L. latrans (N=439). A frequência desses anuros não diferiu significativamente ao longo do ano. Os tipos vegetacionais e a vegetação aquática foram as variáveis estruturais que mais influenciaram na distribuição das espécies. Leptodactylus latrans e L. fuscus ocorreram em todos os sítios estudados, mas L. troglodytes não foi visto no sítio chamado de lagoa Estrada nem no trecho do Rio São Francisco, resultando uma alta sobreposição. Também houve uma alta sobreposição na escolha do tipo de substrato, sendo o solo o de maior preferência. Leptodactylus latrans foi encontrado flutuando dentro dos corpos d’água e a diferentes distâncias da água, porém não ultrapassando os 10m de distância. As espécies diferiram em massa, tamanho e forma. As dietas de L. latrans, L. fuscus e L. troglodytes foram avaliadas e a presa mais frequente para as três espécies foi Coleoptera e também foi a mais abundante para L. latrans e L. fuscus. Não foram encontradas diferenças significativas em relação à proporção numérica das categorias de presas. Os itens de maiores volume para L. latrans foram Anura e Coleoptera, para L. fuscus foram Coleoptera e Hymenoptera e para L. troglodytes foram Orthoptera e Mollusca. Baixas sobreposições foram verificadas para a dieta. As variáveis encontradas nas vocalizações apresentaram valores diferentes entra as espécies. A escolha dos habitats pode estar ligada a disponibilidade de sítios de vocalização e ovoposição, favorecimento de tocas subterrâneas e forrageamento, pois os Leptodactylus apresentam características comportamentais, fisiológicas e morfológicas adaptadas aos ambientes secos e imprevisíveis. As diferenças detectadas em volume, amplitude de nicho, distribuição e vocalização permitem a coexistência de L. latrans, L. fuscus e L. troglodytes no MNGA e a ampla variedade de presas consumidas é indicativa que esses animais são generalistas/oportunistas

  • HIGOR CÉSAR MENEZES CALASANS
  • AVALIAÇÃO MOLECULAR E MORFOMÉTRICA DE ABELHAS MANDAÇAIA (Melipona spp.) DA REGIÃO DA FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO
  • Orientador : GENESIO TAMARA RIBEIRO
  • Data: 02/03/2012
  • Dissertação
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  • No gênero Melipona, a abelha Melipona quadrifasciata é uma das espécies mais conhecida e está dividida em duas subespécies M. q. quadrifasciata e M. q. anthidioides. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a identidade das abelhas mandaçaia do litoral norte do Estado de Sergipe por meio de técnicas moleculares e morfométrica, e verificar a possível barreira geográfica representada pelo Rio São Francisco. A pesquisa foi realizada em uma área total 30ha subdividida em três fragmentos nos municípios de Piaçabuçu – AL, Brejo Grande –SE e Ilha da Criminosa – SE. Foram registradas 14 colônias de mandaçaia em Brejo Grande e coletados 10 espécimes de cada colônia. Nenhum ninho foi localizado na Ilha da Criminosa e em Piaçabuçu, o que reforça a hipótese de que o Rio São Francisco poderia está representando uma barreira geográfica para a dispersão das colônias. A distribuição espacial de ninhos em uma escala de 10ha, pode ser considerada como aleatória. Na morfometria foram utilizadas as asas dos espécimes coletados e de 3 outras amostras identificadas
    de M. q. quadrifasciata, M. q. anthidioides e M. mandacaia. Os dados foram submetidos a Análises de Agrupamento, Análise de Componentes Principais, Análise de Variáveis Canônicas, Análise de Variância de Procrustes e teste de correlação de matrizes. As análises dos dados morfométricos são congruentes e apontaram a M. q. quadrifascita como a identidade da espécie coletada. A análise de validação cruzada e a correlação de matrizes não apresentou significância, denotando grande similaridade intrapopulacional. O DNA total de cada amostra foi submetido a análise de PCR/RFLP (enzimas: Taq I, Vsp I e Mbo II), identificando um único padrão de haplótipos para a população de abelhas da foz, evidenciando a grande similaridade genética. É importante ressaltar que todos os ninhos estavam localizados em coqueiros que seriam condenados pela baixa produção ocasionada pelos danos decorrente de pragas, além da baixíssima oferta de outros locais para nidificação, o que configura altíssimo risco de extinção populacional.

  • ANNY CAROLYNE FERREIRA DE OLIVEIRA
  • FORMIGAS EPIGÉICAS EM RESPOSTA A UM GRADIENTE SUCESSIONAL EM FRAGMENTOS DE CAATINGA NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : GENESIO TAMARA RIBEIRO
  • Data: 02/03/2012
  • Dissertação
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  • O bioma Caatinga vem passando por um processo de modificação acelerado resultante do uso inapropriado dos seus recursos naturais. Essas modificações acabam provocando uma série mudanças na dinâmica das comunidades e se tornando um dos fatores que podem afetar direta ou indiretamente a riqueza e a composição da mirmecofauna. Neste trabalho foi verificado como heterogeneidade (riqueza de árvores), complexidade (densidade de árvores) ambiental e a concentração de nutrientes do solo influenciam na riqueza de formigas epigéicas em três fragmentos de Caatinga. As coletas ocorreram em quatro etapas distribuídas ao longo do ano (fevereiro, maio, julho, novembro) de 2011, em três áreas de Caatinga localizadas no Alto Sertão Sergipano. Inicial (INI) área utilizada como pastagem; Intermediário (INT) área em processo de regeneração natural a 4 anos; Tardio (TA) fragmento de Caatinga muito bem preservado, com presença de espécies arbóreas de grande porte. Para coleta da mirmecofauna foram delimitadas cinco parcelas (20 m x 50 m) em cada área, nas quais foram instaladas 10 armadilhas de queda tipo Pitfall contendo iscas de sardinha, respeitando uma distância mínima de 10m entre elas, totalizando 50 armadilhas/estágio. As armadilhas permaneceram expostas por um período de 48 horas. Foram coletadas 46.616 espécimes de formigas, distribuídas em seis subfamílias e 44 morfoespécies. Através da análise de escala multidimensional não-métrica (NMDS), as parcelas do estágio tardio foram isoladas das demais áreas, inicial e intermediário, mostrando que existe uma mudança na composição de espécies de formigas à medida que se avança no estágio sucessional. A riqueza de formigas epigéicas variou entre os estágios sucessionais (F= 11,78; p= 0,0003), sendo que as parcelas do estágio tardio apresentaram uma maior riqueza média de formigas em comparação com os demais estágios. Foi observada uma diferença significativa entre os gradientes sucessionais e os nutrientes do solo, com destaque para o estágio intermediário, o qual apresentou as maiores concentrações de (Na, K, P, CTC, Ca e Mg) em comparação com os demais estágios. Por outro lado, não houve diferença significativa ao avaliar a influência dos nutrientes do solo sob a riqueza e a composição de formigas epigéicas. Riqueza e densidade vegetal podem representar aumento de recursos disponíveis, tais como fontes alimentares e locais para nidificação, contribuindo pra o aumento na riqueza de espécies de formigas durante o processo de sucessão florestal.

  • ÉRICA DANIELE DE SOUSA SANTOS
  • EFEITO BOTTOM-UP SOBRE A COMUNIDADE DE ARANHAS AO LONGO DE UM GRADIENTE SUCESSIONAL EM ÁREAS DE CAATINGA
  • Orientador : LEANDRO DE SOUSA SOUTO
  • Data: 01/03/2012
  • Dissertação
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  • A dinâmica predador-presa regula a estrutura de diversas comunidades e pode ser afetada poralterações no hábitat em que esses organismos ocorrem. Efeitos bottom-up – ou efeitos basetopo– podem afetar negativamente a distribuição da comunidade de insetos arborícolas eassim comprometer a disponibilidade de recursos e abrigos para a comunidade de aranhas.Este estudo busca elucidar como as alterações na comunidade de plantas ao longo de umgradiente sucessional atua sobre a comunidade de aranhas em dois fragmentos de Caatinga noalto sertão de Sergipe. O estudo foi desenvolvido em duas áreas de caatinga: i) MonumentoNatural da Grota do Angico (MNGA) e ii) município de Porto da Folha-SE. As coletas foramrealizadas em quatro etapas para cada área, durante o período diurno, em intervalos bimestraisentre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, contemplando o início e o término dos períodos deestiagem e chuvoso. A captura dos artrópodes foi realizada com o auxílio de guarda-chuvaentomológico. Avaliou-se a influência do estágio sucessional sobre a abundância de insetosarborícolas e sobre a riqueza, abundância e composição de aranhas. Foram capturadas 675aranhas, destas 103 eram indivíduos adultos e o restante composto por imaturos. De acordocom as análises, pode-se concluir que o efeito bottom-up sobre a comunidade de aranhas foiapenas parcialmente confirmado. A riqueza e abundância de aranhas não foi afetada pelasucessão secundária ou pela abundância de presas (insetos arborícolas). Entretanto, acomposição de aranhas diferiu entre os estágios inicial e tardio. O efeito da variação climáticanão afetou a abundância e riqueza de aranhas. Nas parcelas do estágio inicial houve grandeabundância destes insetos, diminuindo para as outras duas áreas, porém esta variação não temnenhuma relação significativa com a abundância de aranhas. O fato de que a sucessãoecológica modifica a composição de espécies de aranhas demonstra que a manutenção econservação da vegetação nativa em fragmentos de Caatinga são de relevante importânciapara a manutenção da fauna de aranhas e outros artrópodes em uma paisagem marcada pelaregeneração da vegetação.

  • BRUNO BARROS DE SOUZA
  • MACROINVERTEBRADOS ASSOCIADOS À MACRÓFITAS AQUÁTICAS EM LAGOAS INTERMITENTES NO SEMI--ARIDO
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 01/03/2012
  • Dissertação
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  • Considerando a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da Caatinga, especialmente acerca de suas comunidades aquáticas, este estudo tem por objetivo avaliar a composição de macroinvertebrados associados a macrófitas aquáticas em lagoas intermitentes no semi-árido sergipano, bem como avaliar a composição e possíveis relações entre estas duas comunidades. As macrófitas encontradas neste trabalho foram Hydrocleys parviflora Seub. (Alismataceae) e Egeria densa (Hydrocharitaceae), localizadas em 3 lagoas na zona de amortecimento da Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico, entre os municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco. As coletas foram realizadas no período de junho a setembro de 2011. Neste período foram feitas as medições dos variáveis abióticas: O.D., pH, temperatura da água, salinidade, volume da lagoa, transparência, fosfato e nitrato. Foram Coletados Macroinvertebrados com amostrador tipo surber, de malha com 0,25 mm, identificados até o nível taxonômico de família. As variáveis abióticas apresentaram diferenças significativas entre as lagoas. Quanto à distribuição das macrófitas, observou-se uma relação de codominância em uma das lagoas, enquanto nas outras duas H. parviflora foi a espécie dominante. A biomassa seca média estimada da H. parviflora foi 64,84 ± 30,52 g m-² (n = 36), enquanto a E. densa, apresentou biomassa seca estimada 79,25 ± 30,27 g m-² (n = 18) sem variações significativas entre as lagoas. Os macroinvertebrados (4668 indivíduos) estão distribuídos em 31 famílias pertencentes a quatro classes: Gastropoda, Hirundinidae, Aracnidae e Insecta. A classe Insecta apresentou maior abundância (45,40%) seguida dos Hirundinidae (40,70%) dos indivíduos amostrados. A aplicação de Analise de Correlações Canônicas não encontrou relações significativas entre as características abióticas e a presença da maioria das famílias de macroinvertebrados. As lagoas apresentaram elevados teores de nutrientes o que indica um processo de eutrofização, porém a presença das macrófitas aquáticas, comum nos lagos naturais e artificiais no semiárido, sugere que seu papel funcional tem atenuado este processo. Não foram encontradas quaisquer relações entre a diversidade de macroinvertebrados e as diferentes espécies de macrófitas presentes. As macrófitas, contudo, influenciaram a homogeneidade das comunidades, amenizando as variações tanto em escala temporal, como em função de mudanças mais drásticas no ambiente físico. As lagoas com maior riqueza de macrófitas se mostraram mais estáveis que aquela em que ocorreu apenas uma espécie. Nestas lagoas ocorre o predomínio de espécies tolerantes à poluição, e uma grande proporção de predadores, principalmente, este último, uma resposta à grande oferta de presas

  • STEPHANIE MENEZES ROCHA
  • VARIAÇÃO SAZONAL E TEMPORAL NA ESTRUTURA E REPRODUÇÃO DE UMA TAXOCENOSE DE LAGARTOS EM UMA ÁREA DE CAATINGA DO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 01/03/2012
  • Dissertação
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  • Em ambientes de caatinga são frequentes eventos climáticos catastróficos que acabam por
    modelar a vida animal e vegetal neste bioma. Assim, este trabalho teve por finalidade
    avaliar como as espécies de lagartos do Monumento Natural Grota do Angico, Sergipe,
    respondem às variações ambientais em termos temporais e sazonais. Para isso foram
    utilizadas informações, tomadas entre janeiro de 2010 e dezembro de 2011, referentes à
    estrutura da comunidade e reprodução. Foram registradas 14 espécies de lagartos,
    pertencentes a oito famílias. Com relação à riqueza, foram verificadas pequenas
    modificações entre os anos e entre as estações estudadas. As abundâncias totais e de cada
    espécie de lagarto variaram tanto entre os anos, como também entre os sítios. Tropidurus
    hispidus prevaleceu nos sítios 2 e 3, enquanto que Cnemidophorus ocellifer no sítio 1, em
    ambos os anos estudados. As espécies mais abundantes em cada sítio no ano de 2010 se
    mantiveram no ano de 2011. Modificações em relação às estações seca e chuvosa nas
    abundâncias dos lagartos não foram evidenciadas. Os resultados das análises de
    correspondência canônica para os anos e para as estações mostraram uma associação entre
    a ocorrência dos lagartos e as variáveis ambientais (número de bromélias, proporção de
    rochas e de solo exposto e pluviosidade). No geral, quando considerada a diversidade dos
    sítios entre os anos e as estações, o sítio 1 foi o mais diverso, seguido dos sítios 3 e 2,
    respectivamente. Com relação à reprodução, ela foi contínua para C. ocellifer,
    Lygodactylus klugei e Tropidurus semitaeniatus e provavelmente esteja ligada à
    imprevisibilidade climática da caatinga. Já T. hispidus reproduziu sazonalmente,
    coincidindo com a estação chuvosa. C. ocellifer e T. hispidus apresentaram diferenças na
    atividade reprodutiva entre os anos, sendo estas relacionadas com mudanças na
    precipitação local. Quanto ao tamanho da ninhada, C. ocellifer e L. klugei produziram até
    dois ovos por vez, T. hispidus de dois a quatro ovos e T. semitaeniatus dois ovos por
    ninhada. Cnemidophorus ocellifer, L. klugei e T. hispidus apresentam múltiplas desovas.
    Por fim, o acúmulo de corpos adiposos em C. ocellifer não respondeu às flutuações na
    pluviosidade e em T. hispidus e T. semitaeniatus parecem ocorrer depois do período de
    maior precipitação dessa variável ambiental, porém nenhuma relação com a reprodução
    desses animais foi evidenciada.A DEFINIR

  • FÁBIO ANGELO MELO SOARES
  • COMUNIDADE DE MORCEGOS EM UMA ÁREA DE CAATINGA DO ESTADO DE SERGIPE
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 29/02/2012
  • Dissertação
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  • A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e estende-se por oito estados do nordeste e um do sudeste, cobrindo 735.000 km2. Apresenta como uma de suas principais características a alta temperatura média anual e evapotranspiração, baixa precipitação, em torno de 240 e 1500 mm, e baixa umidade relativa. A vegetação desse bioma é composta por plantas arbustivas, ramificadas e espinhosas, sendo adaptadas às condições adversas presentes nessa região. Devido a essas características estudos pretéritos apontavam a Caatinga como sendo uma área de baixa diversidade de espécies e endemismo. Entretanto, diversos estudos foram realizados e demonstraram uma alta diversidade em relação a fauna e flora. Estudos recentes reportam 143 espécies de mamíferos na Caatinga, onde mais da metade dessa riqueza é composta por morcegos. Esses animais representam 65% da mastofauna presente na Caatinga, e apenas uma espécie é considerada endêmica. Apesar do crescente avanço nos estudos com quirópteros nesse bioma, apenas 7% dessas áreas podem ser consideradas como minimamente inventariadas, havendo diversas lacunas no conhecimento desse grupo nessa área. Alguns dados relativos à reprodução, sistemática, dieta e distribuição dos morcegos foram fornecidos para poucas localidades. Em Sergipe são conhecidas 37 espécies de morcegos, onde poucas áreas foram estudadas. O presente trabalho visa contribuir com conhecimento da comunidade de morcegos na Caatinga de Sergipe, analisando aspectos ecológicos desse grupo em uma região relativamente pouco alterada, com características únicas e que apresenta um grande potencial para a conservação.

  • MÁRCIA CRISTINA TELES XAVIER
  • PALEOFAUNA E PALEOAMBIENTES DO PLEISTOCENO SUPERIOR NO MUNICÍPIO DE JAGUARARI, NORTE DA BAHIA
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 29/02/2012
  • Dissertação
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  • Estudos de reconstrução paleoambiental (vegetação e clima) são maisabundantes nas regiões Sul, Sudeste e Central do Brasil utilizando pólen depositado emsedimentos lacustres e turfeiras. Por outro lado, na região Nordeste, trabalhos análogossão mais escassos. A partir deste tipo de estudo é possível inferir sobre os processosecológicos associados às comunidades vegetais e animais. Neste trabalho buscou-seentender a dinâmica paleoambiental ocorrida em um afloramento fossilífero do tipo tanquelocalizado no município de Jaguarari, o qual faz parte da Microrregião de Senhor doBonfim – Centro-Oeste da Bahia, em domínio de Caatinga. Para tanto, coletou-se fósseisde mamíferos neopleistocênicos; solo e plantas para análises isotópicas (δ13C). A faunaidentificada é composta por 6 taxa: Eremotherium laurillardi; Notiomastodon platensis;Toxodontinae; Felidae; Panochthus greslebini; Equus (Amerhippus) neogeus.Interpretações paleoambientais das características ecológicas dos taxa sugerem que esteconjunto faunístico estava associado há um ambiente com predomínio de áreas abertas emassociação com fisionomias mais fechadas. Os resultados isotópicos apontam paraestabilidade vegetacional na região até o presente, sem troca de vegetação C3 para C4 noslocais estudados. A presença de fragmentos de carvão soterrados em várias profundidadesdo solo sugere a ocorrência de paleoincêndios durante todo o Holoceno, com a possívelinfluência de um clima mais seco para a região. Estes incêndios podem ser de naturezaantrópica, já que foram encontrados alguns vestígios de ocupação de populações antigas naregião. A dinâmica da vegetação observada para Jaguarari, até a profundidade de soloestudada, sugere tendência a uma vegetação arbórea dominante, desde aproximadamente15.000 anos AP. com retorno a um clima mais úmido e provavelmente similar ao atual. Aregião estudada, possivelmente, não sofreu modificação acentuada na vegetação no médioHoloceno, quando do estabelecimento de períodos mais secos, permanecendo com áreas devegetação de floresta. Durante os trabalhos de escavação dos fósseis, sentiu-se anecessidade de desenvolver um trabalho de Educação Patrimonial junto à população dopovoado de Lajedo II, para subsidiar ações de conservação dos sítios paleontológicos. Osresultados mostraram que esta ferramenta é um instrumento capaz de fornecer informaçõessobre patrimônio, noções de conservação, leis que normatizam estas práticas, as sançõeslegais previstas, como também, proporcionar a construção de novos conceitos e umaaprendizagem significativa na comunidade alvo.

  • MARINA MARQUES DE SANTANA
  • COMPORTAMENTO, DIETA E USO DO ESPAÇO EM UM GRUPO DE GUIGÓ-DE-COIMBRA (Callicebus coimbrai KOBAYASHI & LANGGUTH 1999) NO RVS MATA DO JUNCO, CAPELA-SE
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 29/02/2012
  • Dissertação
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  • Callicebus coimbrai é uma espécie de primata ameaçada de extinção por conta da contínua degradação de seus habitats naturais. Foi descoberta há pouco tempo e apesar dos avanços nos estudos com este primata, ainda se precisa saber mais acerca de sua ecologia. O presente estudo teve como objetivo avançar nosso conhecimento da ecologia da espécie, visando principalmente a sua conservação em longo prazo. Um grupo de guigós foi monitorado no Refúgio da Vida Silvestre Mata do Junco, no município de Capela. O grupo de estudo era composto inicialmente por um casal reprodutivo, um adulto, dois subadultos e um juvenil e foi monitorado de agosto a dezembro de 2011. Dados comportamentais quantitativos foram coletados em uma amostragem contínua de varredura instantânea, com amostras de um minuto coletadas em intervalos de cinco minutos. Em novembro, o adulto não-reprodutivo desapareceu e um par de gêmeos nasceu. Os animais passaram 34,6% do tempo descasando, 26,9% se alimentando, 22,4% em deslocamento, 6,9% interagindo socialmente, 4,7% vocalizando e 2,0% forrageando (2,5% outros). A dieta foi composta por frutos (62,9%), folhas (28,4%), sementes (5,0%) e flores (3,6%), com um total de 21 espécies exploradas. As espécies mais utilizadas eram das famílias Melastomataceae, Apocynaceae e Dilleniaceae. O consumo de frutos foi significativamente maior durante a estação chuvosa, enquanto o de folhas e flores foi maior durante a seca. Esta variação foi acompanhada por mudanças no padrão comportamental, com a alimentação e deslocamento sendo significativamente mais freqüentes na estação chuvosa, e o descanso maior na seca. A área de vida registrada durante o estudo foi de 8,7 ha, mas provavelmente foi subestimada devido à curta duração do estudo. De um modo geral, o comportamento do grupo de estudo foi típico do gênero Callicebus, embora foram encontradas algumas diferenças em relação aos estudos anteriores de C. coimbrai, como interações freqüentes com Callithrix jacchus. Os resultados re-enfatizaram a tolerância desses animais a fragmentação de habitas baseada em sua flexibilidade comportamental e capacidade de explorar recursos alternativos. O estudo contribuiu para a consolidação de uma base de dados sobre a ecologia de C. coimbrai visando garantir a conservação da espécie e dos ecossistemas que habita em longo prazo.

  • LUCIANA CALADO RODRIGUES
  • OS MICROLIQUENS CORTICÍCOLAS SOFREM ALTERAÇÕES AO LONGO DE GRADIENTES AMBIENTAIS NA CAATINGA?
  • Orientador : MARCELA EUGENIA DA SILVA CACERES
  • Data: 29/02/2012
  • Dissertação
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  • Liquens constituem um grupo bastante diversificado e são importantes componentes dadiversidade de florestas tropicais, pois atuam como organismos pioneiros na colonização deambientes terrestres e desempenham diversas funções nos ecossistemas. Entretanto, estudossobre a ecologia de liquens exclusivamente em áreas de Caatinga ainda são inexistentes. Opresente estudo, que foi realizado em uma Unidade de Conservação Estadual em área deCaatinga do estado de Sergipe, é o primeiro a investigar a composição de espécies de liquensneste local. Desta forma, a dissertação foi dividida em dois capítulos; o primeiro aborda olevantamento da micota liquenizada no Monumento Natural Grota do Angico e discute aocorrência de novos registros de liquens. Foram analisados 2.210 espécimes de liquens eidentificados 65 táxons, distribuídos em 14 famílias e 29 gêneros. Foram registradas 11 novasocorrências de liquens corticícolas crostosos para o Brasil, 09 para o Nordeste e 15 para oestado de Sergipe. O segundo capítulo trata da investigação de três hipóteses: (1) a de que hárelação positiva entre a riqueza de árvores e a riqueza de liquens; (2) que há uma relaçãopositiva entre a abundância de árvores e a abundância de liquens; e (3) que luminosidade,DAP, temperatura, pH e umidade afetam positivamente a diversidade e composição deliquens. Das variáveis analisadas, apenas abertura do dossel e DAP apresentaram relação coma riqueza de espécies de liquens. Os resultados sugerem que existe uma provável relaçãopositiva entre abertura do dossel e a abundância de liquens

  • DANIEL OLIVEIRA SANTANA
  • DIETA, DINÂMICA POPULACIONAL E ECTOPARASITAS DE Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812) (Testudinata, Chelidae) DO BAIXO SÃO FRANCISCO, POÇO REDONDO, SE
  • Orientador : SILMARA DE MORAES PANTALEAO
  • Data: 24/02/2012
  • Dissertação
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  • A população de P. geoffroanus da Unidade de Conservação Estadual Monumento Natural Grota do Angico (MNGA) (37°40’W; 09°39’S) foi estudada com relação a sua dieta, morfometria, taxas de crescimento e ganho de massa, estrutura e dinâmica da população e parasitas (sanguessugas). A amostragem dos espécimes foi realizada em campanhas mensais ao longo de um ano (entre janeiro e dezembro de 2011) por meio de busca ativa entre 07:00 e 13:00 h, utilizando-se mergulho livre. Com relação a dieta foram reconhecidas 32 categorias de itens alimentares. As presas com maior índice de importância relativa (IRI) foram da família Baetidae revelando uma fraca relação entre a abundância de presas no ambiente e a composição da dieta dos cágados e uma alta eletividade de poucas categorias de itens alimentares pela espécie. Os índices de eletividade (E) variaram para as diversas situações estudadas (e.g. tamanhos, sexo, estações). A comunidade de macroinvertebrados disponível no ambiente apresentou flutuações sutis entre as estações (seca e chuvosa). Machos e fêmeas não diferiram em tamanho, porém apresentaram formas distintas. Quanto às massas, machos e fêmeas não apresentarem diferenças significativas. Os jovens apresentaram uma taxa média de crescimento maior, quase o dobro, quando comparada com os adultos (machos e fêmeas). Os censos indicam a presença de pelo menos 77 indivíduos na população. A razão sexual total apresentou maior deslocamento a favor dos machos. Quanto a estrutura da população, pôde-se perceber a presença de indivíduos em todas as classes de tamanho, com a predominância de machos adultos. Das 77 capturas de P. geoffroanus realizadas foi constatada a presença de parasitas em 67 (87,0%). Com relação aos animais recapturados, dos 28 registros, 26 (92,8%) apresentaram reinfestação. Os parasitas observados eram sanguessugas da família Glossiphoniidae representadas por três morfotipos. Não foram verificadas diferenças nos números de sanguessugas que parasitavam jovens, machos e fêmeas e nem relação entre o tamanho do corpo dos quelônios e os níveis de infestação. Com relação ao posicionamento desses parasitos, as sanguessugas foram mais frequentes nas virilhas, provavelmente por estes locais apresentarem tegumento mais delgado, favorável a fixação, à proteção contra possíveis atritos durante os deslocamentos no ambiente aquático e contra a dessecação nos períodos de assoalhamento. Além das sanguessugas, foram observados endoparasitas (nematódeos) provenientes das amostras dos conteúdos estomacais e também de platelmintos (Monogenea; Polystomatidae), que se encontravam alojados na cavidade oral e faríngea, onde se fixavam através de múltiplas ventosas.

  • LETICIA SILVA MARTEIS
  • ASPECTOS DA CAPACIDADE VETORIAL E PERFIL DESUSCEPTIBILIDADE AO TEMEPHÓS DE POPULAÇÕES DE AEDESAEGYPTI (DIPTERA: CULICIDAE) DE DIFERETES REGIÕES DO ESTADO DE SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ROSELI LA CORTE DOS SANTOS
  • Data: 02/02/2012
  • Dissertação
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  • Estudos da ecologia de populações de Aedes aegypti são fundamentais para se conhecer ocomportamento e as adaptações apresentadas pela espécie de acordo com o ambiente em quevivem e que se evidenciaram durante o processo evolutivo em função das diferentes pressõesseletivas que as espécies enfrentam em seu ambiente de origem. Assim, este estudo teve comoobjetivo avaliar aspectos da capacidade vetorial e a resistência ao organofosforado temephósde populações de Ae. aegypti provenientes de diferentes regiões do estado de Sergipe. Alémda razão de resistência das populações ao larvicida, os parâmetros de desenvolvimento ereprodutivos observados foram duração do período imaturo, quantidade de pupas formadas ede adultos que emergiram, razão sexual, sobrevivência dos adultos em diferentes condições dealimentação, fecundidade das fêmeas, fertilidade dos ovos sob estressse climático, quantidadede sangue ingerido, tamanho dos espécimes e ocorrência de assimetria alar. Todas aspopulações de Ae. aegypti avaliadas apresentaram resistência ao temephós. A populaçãoproveniente de Neópolis, município com características climáticas favoráveis aodesenvolvimento da espécie, apresentou uma das menores razão de resistênicia ao larvicida emelhor desempenho das variáveis de desenvolvimento e reprodução avaliadas. Já a populaçãode Pinhão, originária da região do semi-árido, além de apresentar a maior razão de resistênciaao temephós, inclusive com valor discrepante em relação aos apresentados pelas demaispopulações, também foi a que exibiu maior perda nos parâmetros da capacidade vetorial, comexceção da variável viabilidade dos ovos em condição de estresse climático, para a qualapresentou o melhor desempenho. Assim, foram observadas variações em parâmetros dacapacidade vetorial que ora pareciam estar relacionadas às condições climáticas do ambientede origem das populações, provavelmente em virtude das adaptações desenvolvidas pelosindivíduos, ora relacionavam-se com os diferentes status de resistência ao temephósobservados

2011
Descrição
  • SIMONE MESQUITA BISPO SANTANA
  • VARIAÇÃO NA COMPOSIÇÃO ISOTÓPICA DO CARBONO E NITROGÊNIO DA MATÉRIA ORGÂNICA E BIOMASSA DA COROA FOLIAR DE Aechmea aquilega (SALISB.) GRISEB BROMELIACEAE EM CAATINGA, AGRESTE E MATA ATLÂNTICA DE SERGIPE
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 14/09/2011
  • Dissertação
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  • Estudos isotópicos para determinar os valores isotópicos do carbono foliar mostram que estes variam -10 a -28‰ do padrão PDB. Este estudo analisou a composição isotópica do Carbono e Nitrogeno foliar e a matéria orgânica acumalada na coroa foliar de Aechmea aquilega de três habitats: Caatinga (Poço Verde), Mata Atlântica (Pirambu) e em um área de transição mata-Atlantica – caatinga (Areia Branca). Em cada habitat foi coletado 4 bromélias que vivem em moita e 4 plantas isoladas em substratos do chão com o objetivos de avaliar a hipotese de facilitação da bromélia-tanque como acumuladora de matéria orgânica. As folhas e a matéria orgânica da coroa foliar foram secas em estufa ventilada, triturado, peneirado e as analises isotópicas do carbono, nitrogênio, teor de carbono e nitrogênio total foram realizadas no CENA-USP. Os resultados das analises de teor C:N e razoes isotópicas mostraram variações significativas do carbono e nitrogênio na coroa foliar, assim como na abundância total tanto na biomassa foliar como na matéria orgânica particulada. As plantas da Caatinga e Mata Atlântica assimilam carbono facultativamente, enquanto as bromélias do ecotono, Parque Nacional da Serra de Itabaiana responderam como CAM obrigatórias tanto quando em moitas como isoladas, assim como estas bromélias tem composição de origem autóctone provavelmente de áreas abertas-graminosa. A razão isotópica do N15 é 22 vezes mais enriquecido na biomassa foliar das bromélias da caatinga em relação às plantas das Areias Branca e 2,6 maiores que em habitat de Mata Atlântica, enquanto a matéria orgânica particulada em todos habitats foi enriquecida, porém a origem desta matéria orgânica necessita de explicações, todavia, o estudo apoiou a hipótese de facilitação no papel funcional da bromélia nos três habitats. De acordo com o estudo, foi observado que o sucesso adaptativo maior das plantas da caatinga quando associada a moitas o mesmo não foi verificado nos outros habitats. Nas Areias Brancas, o substrato arenoso-quartizoso é quente, altamente permeável, favorecendo a evaporação e déficit hídrico no verão o que sugere que haja uma condição de grande estresse, a qual essas bromélias-tanque estão bem adaptadas no solo e não nas árvores.

  • CRIZANTO BRITO DE CARVALHO
  • INFLUÊNCIA DA HETEROGENEIDADE AMBIENTAL NA DISTRIBUIÇÃO DOS LAGARTOS DE UMA ÁREA DE CAATINGA DE SERGIPE
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 06/04/2011
  • Dissertação
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  • A heterogeneidade ambiental pode promover um maior número de nichos disponíveis nos ambientes. Deste modo, o grau de complexidade estrutural dos ambientes pode afetar a diversidade e a distribuição das espécies. No presente estudo foi testada a hipótese de que a heterogeneidade de hábitat influencia a composição e distribuição dos lagartos, foi realizado na Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico – MNGA/SE entre janeiro e outubro de 2010. Foram adotadas campanhas mensais de cinco dias consecutivos e duas metodologias de amostragem (busca ativa e armadilhas de int erceptação e queda). Foram observados representantes de oito famílias, 12 gêneros e 13 espécies. Uma forte associação entre as variáveis ambientais selecionadas e a presença das espécies, nos sítios trabalhados no MNGA, foi observada, o que demonstra que a distribuição das espécies tem uma considerável relação com particularidades dos ambientes. Ameiva ameiva e Cnemidophorus ocellifer estiveram mais relacionadas a locais abertos, Acratosaura mentalis e Tropidurus hispidus a locais com bromélias e Tropidurus semitaeniatus a umidade. Gymnodactylus geckoides apresentou uma associação com as temperaturas do ambiente. Para Vanzosaura rubricauda
    não foi detectada uma variável que melhor explicasse a sua distribuição nos sítios. O MNGA apresentou maior similaridade com as áreas com baixas altitudes e pluviosidade (Seridó, Cariri, Cabaceiras e Cacimba), sendo representado por espécies de ampla distribuição e que vivem associadas a ambientes mais xéricos. Os resultados obtidos neste estudo podem fomentar estratégias à conservação das espécies de lagartos do MNGA bem como de outras associadas aos ambientes em que vivem

  • BRUNO DUARTE DA SILVA
  • USO DO ESPAÇO, DIETA, ATIVIDADE, MORFOMETRIA E REPRODUÇÃO DE Scinax pachycrus (Miranda-Ribeiro, 1937) E Scinax x-signatus (Spix, 1824) (AMPHIBIA; HYLIDAE) EM UMA ÁREA DE CAATINGA DO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : FABIO SANTOS DO NASCIMENTO
  • Data: 31/03/2011
  • Dissertação
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  • Espécies simpátricas podem coexistir se explorarem habitats ou microhabitats distintos, se utilizarem diferentes recursos tróficos e/ou forem ativas em períodos diferenciados. As populações de Scinax pachycrus e Scinax x-signatus co-ocorrem e foram estudadas na Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico entre Janeiro e Dezembro de 2010. O objetivo do estudo foi verificar como os congêneres partilham os recursos espaciais e alimentares. Informações sobre os períodos de maior ocorrência, ao longo do ano, horários de atividade e morfometria também foram trabalhados. As duas espécies diferiram em relação ao uso dos hábitats, microhábitats, alturas de empoleiramento, estrato predominante da vegetação nos locais onde foram encontradas, proporções numéricas e volumétricas de presas ingeridas, períodos do ano em que foram mais frequentes e nos horários de atividade. Scinax pachycrus foram mais frequentes em poças formadas ao longo de um riacho com predomínio do estrato arbustivo. Nesses locais foram observadas normalmente sobre as folhas de bromélias ou na superfície das rochas, ocupando poleiros um pouco mais altos que o seu congênere. Foram mais ativas entre as 18 e 20 h. Em relação à dieta, as principais presas utilizadas por S. pachycrus foram aranhas besouros e larvas de insetos. Pequenas diferenças nas proporções numéricas e volumétricas das presas ingeridas foram observadas entre os machos e as fêmeas dessa espécie. Já S. x-signatus foram mais observadas em lagoas, com predomínio de herbáceas, onde ocupavam principalmente o solo ou a superfície das rochas. Estiveram ativas principalmente entre as 20 e 23 h e os itens alimentares mais importantes para essa espécie foram larvas de insetos, coleópteros e ortópteros. Scinax x-signatus é ligeiramente maior que S. pachycrus, e ambas as espécies apresentaram fêmeas de maior porte que os machos. Diferenças no uso dos recursos espaciais, dieta, períodos de maior ocorrência, atividade e na morfometria parecem contribuir para a coexistência das espécies na área estudada.

  • JULIANA MARIA MOREIRA DUARTE
  • CHUVA DE SEMENTES E BANCO DE PLÂNTULAS EM UM FRAGMENTO FLORESTAL DE VEGETAÇÃO CILIAR NA REGIÃO DO BAIXO SÃO FRANCISCO, SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 30/03/2011
  • Dissertação
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  • As vegetações ciliares são todos os tipos de vegetação que margeiam nascentes, cursos d’água e reservatórios, independente de sua localização, composição florística e região de ocorrência. Elas desempenham diversas funções ecológicas, desde a proteção dos solos, manutenção da qualidade e quantidade da água e facilitação do fluxo gênico de diversos grupos de fauna e flora. Apesar da reconhecida importância das formações ciliares, o processo de destruição tem sido intenso e contínuo, resultando na fragmentação desses ecossistemas. Os mecanismos que a vegetação utiliza para sua regeneração são basicamente: a chuva de sementes, o banco de sementes do solo, o banco de plântulas e a rebrota de troncos e raízes. A chuva de sementes pode ser considerada como o mecanismo mais importante e o banco de plântulas representa a regeneração propriamente dita. Portanto o presente estudo foi realizado com o objetivo de caracterizar essas duas estratégias de regeneração em um fragmento de vegetação ciliar do rio São Francisco, em seu baixo curso, localizado no Assentamento Sambambira, Povoado Saúde, Município de Santana do São Francisco, Sergipe. Foram instaladas 25 parcelas de 20mx20m, onde foram realizadas coletas mensais para a chuva de sementes (em coletores de madeira de 1mx1m) e coletas trimestrais para o banco de plântulas (em sub-parcelas de 1mx1m) ao longo do ano de estudo. A avaliação dessas estratégias de regeneração é essencial para a compreensão da estrutura da comunidade vegetal, pois analisa o que entra de propágulos e o que está se estabelecendo no sub-bosque da floresta. Para a chuva de sementes, foram coletadas 16.739 sementes, sendo encontradas 82 morfoespécies pertencentes a 16 famílias. A densidade média encontrada foi de 58,12 sementes/m². Para o banco de plântulas foram amostrados 1.618 indivíduos, sendo encontradas 117 morfoespécies pertencentes a 24 famílias. A densidade média mensal foi de 16,18 plântulas/m². Os dados da pesquisa sugerem que o fragmento em questão encontra-se em processo inicial de sucessão secundária, em decorrência da maior parte das espécies arbustivo-arbóreas pertencerem ao grupo ecológico sucessional das pioneiras e da grande quantidade de propágulos produzidos, parecendo haver um nível significativo de auto-regeneração. A síndrome de dispersão predominante é a zoocórica, como esperado para formações úmidas. O fragmento apresenta diversidade do estrato regenerante considerada elevada e a chuva de sementes se mostrou como importante mecanismo, com potencial de ser utilizado em programas de recuperação de áreas degradadas na região.

  • FRANCISCO DE CARVALHO NOGUEIRA JUNIOR
  • ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO DE UMA VEGETAÇÃO RIPÁRIA, RELAÇÕES DENDROCRONOLÓGICAS E CLIMÁTICAS NA SERRA DOS MACACOS EM TOBIAS BARRETO, SERGIPE-BRASIL
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 25/03/2011
  • Dissertação
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  • Este trabalho foi realizado em domínio da caatinga numa área de 220 hectares de floresta localizada no Canyon da Serra dos Macacos, Município de Tobias Barreto, no período de 2009 a 2010. O objetivo do estudo foi diagnosticar a estrutura, composição e cobertura da vegetação para fins de conservação e realizar uma prospecção dendrocrológica das espécies arbóreas. A análise dos parâmetros climáticos foi estabelecida através de séries de 96 anos (1914 a 2010) para a precipitação e séries de temperatura de cerca de 50 anos (1967 a 2007). Os dados de temperatura foram calibrados com dados das Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) obtidos através do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Os dados de temperatura local tiveram uma amplitude térmica superior a 9ºC, diferente dos 6ºC descritos para o NEB (Nordeste Brasileiro) e apresentaram acentuada sazonalidade climática tanto para a precipitação quanto para a temperatura. O clima para a região de Tobias Barreto mostrou-se, principalmente, influenciado pelas anomalias nas TSM. Foram amostrados cerca de 12000 m2 de floresta divididos em três parcelas de 4000 m2. As parcelas foram distribuídas em um transecto linear de 1500 metros tendo como referência o leito do riacho Macacos na Toca da Onça nas altitudes de 360, 420 e 500 metros ao nível do mar. Foram determinados os parâmetros fitossociológicos da comunidade arbórea–arbustiva do dossel e herbácea do sub-bosque, riqueza de espécies e relações dendrocronológicas de espécies arbóreas formadoras de anéis de crescimento. A vegetação arbórea do “Canyon” possui dois estratos definidos de dossel e sub-bosque arbustivo e fitofisionomia com formação de vegetação ripária, com indivíduos de até 25 m de altura e Circunferência do Tronco (CAP) de até 160 cm. O estrato herbáceo no sub-bosque possui uma rica diversidade de bromélias (8) espécies de ocorrência na Mata Atlântica. A riqueza da composição floristica foi de 93 espécies. A estrutura vertical da vegetação em função da altura e CAP apresentou curvas de distribuição e abundância em “J” invertidos indicando que a comunidade atual está em estágio maduro ou estável de regeneração. O estudo fitossociológico determinou a dominância da família Fabaceae (Leguminosae - Caesalpinioideae, Mimosoideaee e Faboideae) compondo 17 espécies de caatinga. Os padrões estruturais das populações avaliados pelo Índice de Valor de Importância Fitossociologica e Índice de Cobertura Árbórea da comunidade do “Canyon” apresentaram uma distribuição espacial dependente da distância do riacho e associada ao comportamento de abertura do dossel, caracterizando a vegetação como riparia semidecidual. A análise da cobertura arbóreaarbustiva utilizando o Gap Light Analizer (GLA) demonstrou que a semidecidualidade, variou de 30 a 70% de abertura do dossel no mês fevereiro (estação seca) e um fechamento do dossel entre 80 a 90% no mês de setembro (estação pós-chuva). Na prospecção dendrocronológica da comunidade constatou-se que 10 espécies presentes na Serra dos Macacos formam camadas de crescimento. A análise de uma população de 86 indivíduos de Pseudobombax marginatum (Malvaceae), através da datação-cruzada das séries radiais de anéis de crescimento, resultou em uma cronologia com 83 séries para 51 indivíduos (2353 anéis), com valor de inter-correlação de 0,449 e sensibilidade média de 0,522, enquanto a quantidade de anéis ausentes foi inferior a 3,0%. A análise de componentes principais (PCA) explicou 64,58% para a cronologia Arstan da variância (ANOVA) do crescimento das plantas estimando a idade cronológica das árvores em até 62 anos na comunidade e 61,23% para a cronologia Residual. A formação dos anéis de crescimento anuais relacionou-se positivamente com a precipitação do ano corrente (entre abril e julho) e com a temperatura do ano anterior (setembro a novembro), bem como, com a caducifólia das espécies no período seco. A taxa de incremento médio anual das árvores de P. marginatum foi de 2,15 mm/ano, sendo que a população apresentou idade média de 27 anos. Este estudo estabelece pela primeira vez um modelo de predição de idade de espécie arbórea associado à sazonalidade climática no Nordeste do Brasil. A riqueza de espécies e ocorrência de espécies raras neste enclave de floresta na caatinga contribui significativamente aos objetivos de preservação e conservação deste bioma

  • WEDNA DE JESUS MACHADO
  • COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E ESTRUTURA DA VEGETAÇÃO EM ÁREA DE CAATINGA E BREJO DE ALTITUDE NA SERRA DA GUIA, POÇO REDONDO, SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 25/03/2011
  • Dissertação
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  • A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, destaca-se por apresentar uma grande diversidade de espécies vegetais, muitas das quais endêmicas e com adaptações à deficiência hídrica. Em locais de maior altitude dentro do bioma podem-se encontrar encraves de Mata Atlântica, denominados Brejos de Altitude ou Matas Serranas, que configuram áreas núcleo de relevante importância para a preservação da biodiversidade. O presente estudo foi realizado como o objetivo de caracterizar estruturalmente a vegetação da Serra da Guia, localizada no município de Poço Redondo, Sergipe, Brasil, por meio do levantamento florístico e fitossociológico de duas áreas, uma situada na base (Caatinga) e a outra no topo da serra (Brejo de Altitude), com coletas sistemáticas e mensais, realizadas em trilhas e em 30 parcelas fixas de 400 m2, durante o período de outubro/2009 a setembro/2010. No total, foram amostradas 365 espécies (82 famílias), sendo 216 espécies (58 famílias) na área de Caatinga e 257 espécies (70 famílias) na área de Brejo. Na Caatinga, as famílias com maior riqueza específica foram Fabaceae (30) e Euphorbiaceae (15), enquanto que no brejo foram Fabaceae (23) e Asteraceae (15). Na amostragem do estrato arbustivo-arbóreo, a riqueza total foi de 92 espécies, sendo que a área de brejo apresentou maior riqueza que a de Caatinga (71 e 47 espécies, respectivamente). A espécie mais abundante no brejo foi Eugenia cf. edulis (n=655, 18,39%) e na Caatinga foi Pityrocarpa moniliformis (n=159, 13,86%). As espécies que apresentaram o maior VI na Caatinga e no brejo foram Syagrus coronata e Guapira sp., respectivamente. A comparação entre as espécies dominantes ocorrentes na Serra da Guia demonstrou que apenas duas (Guapira noxia e Syagrus coronata) das 31 espécies destacadas são comuns às áreas amostradas, porém com abundâncias significativamente diferentes. Os valores dos índices de diversidade de Shannon-Weaver (H’) e de equabilidade de Pielou (J’) obtidos para a área do brejo (H’ = 3,13 nats.ind-1; J’ = 0,97) foram superiores aos da área de Caatinga (3,02 nats.ind-1; J’ = 0,78). Os testes estatísticos apontaram diferenças significativas tanto em relação ao índice de diversidade quanto em relação à riqueza e composição florística das áreas de estudo. O valor do índice de Jaccard (26,9%) indica que as duas áreas compartilham menos da metade das espécies vegetais. A Serra da Guia configura-se no primeiro Brejo de Altitude descrito e estudado no Estado de Sergipe, e a análise da similaridade entre as comunidades vegetais da Caatinga e do brejo demonstrou que, embora ocorrendo próximas, essas formações apresentam características florísticas, fisionômicas e estruturais bem distintas

  • ANA CECÍLIA DA CRUZ SILVA
  • MONUMENTO NATURAL GROTA DO ANGICO: FLORÍSTICA, ESTRUTURA DA COMUNIDADE, ASPECTOS AUTOECOLÓGICOS E CONSERVAÇÃO
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 24/03/2011
  • Dissertação
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  • Este estudo foi desenvolvido em uma área de Caatinga com 251ha, localizada no Monumento Natural Grota do Angico, em Sergipe, com o objetivo de determinar a composição florística, caracterizar a estrutura e os estágios sucessionais da comunidade. Foram coletadas as angiospermas nas parcelas e nas trilhas, e demarcadas 30 parcelas, em que as espécies lenhosas tiveram alturas e circunferências medidas e divididas em grupos ecológicos. Foram encontradas 174 espécies pertencentes a 46 famílias. O componente arbustivo-arbóreo é composto principalmente por indivíduos no estrato médio, sendo que as espécies pioneiras prevaleceram com maior número de indivíduos e com maiores valores de importância. Para testar a hipótese de que em áreas de Caatinga há um predomínio de espécies abióticas e que as fenofases reprodutivas de espécies lenhosas se concentrem no período chuvoso, alguns aspectos autoecológicos foram analisados, tais como: síndromes de dispersão, tipos de frutos e padrões fenológicos reprodutivos. A caracterização das síndromes e dos tipos de frutos foi baseada nos frutos coletados das angiospermas, já as fenofases foram determinadas com base no material florido e frutificado coletado de árvores e arbustos. A zoocoria foi o tipo de dispersão predominante. Os frutos mais comuns foram cápsula, baga e legume. As fenofases apresentaram-se dispostas em torno do período seco. Com o objetivo de disponibilizar informações a respeito da diversidade das plantas da Caatinga e facilitar o seu reconhecimento, foi elaborado um guia de campo das flores e dos frutos coletados na área de estudo. É esperado que a criação de Unidades de Conservação baseada em critérios biológicos seja eficaz na conservação da biodiversidade. Assim, teve-se como objetivos analisar as características da paisagem desse Monumento e identificar a existência de ameaças antrópicas. Algumas parâmetros como tamanho, formato e grau de isolamento foram confrontados com as principais ideias de Ecologia de Paisagem, já a identificação das ameaças foi baseada em observações de campo. Evidencia-se que o desenho do Monumento é adequado para a manutenção das espécies e que a criação de uma Área Protegida baseada no valor biológico mostra-se eficaz em áreas de Caatinga. Foram identificadas cinco ameaças em 2009: caça, queimada, desmatamento, pastoreio e plantas exóticas invasoras, sendo que a maioria foi reduzida em 2010

  • BETEJANE DE OLIVEIRA
  • CARACTERIZAÇÃO CITOGENÉTICA E MORFOMÉTRICA EM POPULAÇÕES DE Leptodactylus fuscus SCHNEIDER, 1799 E Leptodactylus latrans STEFFEN, 1815 (ANURA, LEPTODACTYLIDAE) EM ÁREAS DE CAATINGA DO ESTADO DE SERGIPE
  • Orientador : SILMARA DE MORAES PANTALEAO
  • Data: 24/03/2011
  • Dissertação
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  • O gênero Leptodactylus tem ampla distribuição geográfica e está presente nas mais diversas zonas climáticas e fisiográficas. Esse fato tem levantado questionamentos de caráter taxonômico, pois muitas espécies consideradas de grande distribuição geográfica têm mostrado tratar-se de duas ou mais espécies estreitamente relacionadas. As espécies Leptodactylus fuscus e Leptodactylus latrans, ambas de ampla distribuição, são encontradas no Estado de Sergipe no bioma Caatinga e pouco se conhece sobre a ecologia, biologia e diversidade inter e intrapopulacional em populações que ocupam este bioma exclusivamente brasileiro. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivos caracterizar através de dados citogenéticos e morfométricos as espécies L. fuscus e L. latrans de ocorrência em diferentes fragmentos de Caatinga do Estado de Sergipe. Os cariótipos das populações dos municípios de Carira, Poço Redondo e Tobias Barreto foram analisados, por meio de técnicas de coloração convencional, Banda C e Ag-RON. Os exemplares estudados apresentaram padrões citogenéticos bastante similares, sem evidências de marcadores espécie-específicos; porém, algumas variações de morfologia e bandas foram observadas quando comparadas aos cariótipos já descritos na literatura. Nas análises morfométricas, 21 caracteres foram analisados nas duas espécies, em cada uma das localidades, mostrando que as populações de L. fuscus não apresentaram diferenças significativas entre elas; contudo variações foram encontradas nas amostras de L. latrans, principalmente quanto ao tamanho dos espécimes coletados. Os dados analisados conjuntamente mostram que populações de L. fuscus não diferem citogenética e morfometricamente entre si e as variações morfométricas observadas em L. latrans podem ser devidas aos efeitos ambientais.

  • ERIVANIA VIRTUOSO RODRIGUES FERREIRA
  • COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA, ESTRUTURA DA COMUNIDADE E SÍNDROME DE DISPERSÃO DE SEMENTES DE UM REMANESCENTE DE CAATINGA EM POÇO VERDE – SERGIPE
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 24/03/2011
  • Dissertação
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  • O presente estudo foi realizado com o objetivo de conhecer a composição florística, a estrutura da vegetação, os tipos de frutos e as síndromes de dispersão de um remanescente de Caatinga, localizado na Fazenda Santa Maria da Lage, município de Poço Verde, Sergipe, Brasil. Foram feitas excursões mensais para coleta de materiais botânicos, para avaliação e identificação das espécies arbustivas e arbóreas com circunferência à altura do peito (CAP) > 6 cm, encontradas em 30 unidades amostrais de 400 m2 instaladas em uma área de 71,42ha, e para observação dos frutos. O material botânico coletado foi incorporado ao acervo do Herbário da Universidade Federal de Sergipe (ASE). Nas unidades amostrais foram avaliados a espécie vegetal, os parâmetros horizontais e verticais e observados as espécies com flores e frutos no período de outubro de 2009 a novembro de 2010. No fragmento de Caatinga estudado observou-se a ocorrência de 176 espécies, distribuídas em 119 gêneros e 47 famílias botânicas, sendo que 63 espécies, pertencentes a 33 famílias, foram encontradas nas unidades amostrais e participaram da análise estrutural da comunidade. As demais espécies foram coletadas em trilhas do fragmento e fazem parte da listagem florística apresentada neste trabalho. As famílias Euphorbiaceae e Fabaceae foram as que apresentaram o maior número de indivíduos em todas as parcelas estudadas. As espécies Psidium schenckianum, Cedrella fissilis, Poincianella pyramidalis e Manihot dichotoma apresentaram os maiores Índices de Valor de Importância e de Valor de Cobertura, sendo as espécies de maior importância ecológica para a área estudada. Entre as espécies encontradas nas unidades amostrais, 16,4% do total apresentaram apenas um indivíduo amostrado, comportando-se como espécies raras. A classe de altura que apresentou o maior número de indivíduos (73,3%) foi de 2,89m a 5,83m e considerando cada fuste da árvore como um indivíduo, a primeira classe diamétrica (├9,3cm) foi a que obteve maior número de representantes. Além disso, 41 espécies (14 famílias) frutificaram no período de realização deste trabalho e por meio das observações morfológicas e revisão bibliográfica caracterizou-se a síndrome de dispersão (autocórica, zoocórica e anemocórica). A maioria das espécies estudadas, 69,7% do total, apresentou frutos deiscentes e 67,4% apresentaram frutos secos. Além disso, verificou-se que 58,2% das espécies foram dispersas por autocoria, seguida de 23,2% por zoocoria e 18,6% dispersas por anemocoria. Comparado com outras áreas de Caatinga, a área de estudo apresentou uma alta heterogeneidade ambiental, refletindo-se na diversidade de espécies.

  • JULIANA CRISTINA AVILA GLASHERSTER DA ROCHA
  • DISTRIBUIÇÃO E DENSIDADE DE POPULACÕES DE CALLICEBUS COIMBRAI KOBAYASHI & LANGGUTH 1999, NA REGIÃO DO REFÚGIO DE VIDA SILVESTRE MATA DO JUNCO, SERGIPE
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 23/03/2011
  • Dissertação
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  • O guigó, Callicebus coimbrai, é um primata ameaçado de extinção, endêmico do Nordeste Brasileiro (Sergipe e Bahia) e tem sua distribuição geográfica caracterizada por níveis críticos de desmatamento e fragmentação de hábitat. O Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco, situa-se no município de Capela, Estado de Sergipe, Brasil e representa uma das iniciativas mais importantes para a conservação de C. coimbrai, embora ainda existam poucas informações sobre sua população local. O presente estudo objetivou a verificação da densidade populacional e distribuição de Callicebus coimbrai no Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco, além de diagnosticar a presença de populações de C. coimbrai em fragmentos próximos ao refúgio. O fragmento utilizado para o presente possui em torno de 522 ha de área florestada. A coleta de dados foi realizada entre março de 2010 e janeiro de 2011. O principal fragmento de floresta no refúgio (522 ha) foi pesquisado usando transecção linear, para a analise da densidade populacional, e a áudiotelemetria, para o mapeamento dos grupos. Playbacks também foram usados para verificar a presença da espécie em fragmentos próximos. Um total de 231.4 km foi percorrido durante a transeção linear, e os dados foram analisados usando o programa Distance. Usando a estimativa de tamanho de grupo, a densidade populacional de guigós foi estimada em 28.7 ind./km², enquanto para o outro primata presente na região, Callithrix jacchus, foi em 117.0 ind./km². Nenhuma preferência de habitat significativa foi observada para ambas as espécies, no entanto, os guigós foram observados significativamente em estratos mais altos na floresta, que Callithrix. Na áudiotelemetria, 268 de 342 playbacks receberam uma resposta (78.4% - taxa de resposta), e em muitos casos (n = 164), de dois a seis diferentes grupos de guigós responderam simultaneamente. Comparando esses resultados com pesquisas equivalentes em outros lugares, foi indicada uma população muito mais alta do que a estimada pela transecção linear. Esses resultados indicam a necessidade de desenvolver um procedimento padronizado para estimativa de parâmetros populacionais nesses primatas. Para o diagnóstico de novas áreas, imagens de satélite SPOT da área no entorno do refúgio foi analisada, e 16 fragmentos com potencial para ocorrência de guigós foram identificados. Guigós responderam ao playback em nove dessas áreas, no entanto a espécie não foi encontrada nos maiores fragmentos. A soma das áreas nesses fragmentos com novos registros da espécie, é de 382.5 hectares. Enquanto isto representa um importante avanço na distribuição das espécies, o estudo indica uma clara necessidade da implementação de estratégias efetivas para a manutenção da floresta local e sua fauna, em particular, Callicebus coimbrai.

  • LUCIANO DE ARAÚJO PEREIRA
  • ASPECTOS DA ECOLOGIA DE Lutzomyia longipalpis (DIPTERA:PSYCHODIDADE) EM ÁREAS DE TRANSMISSÃO DE LEISHMANIOSE VISCERAL NO MUNICÍPIO DE PAULO AFONSO - BA
  • Orientador : ROSELI LA CORTE DOS SANTOS
  • Data: 23/03/2011
  • Dissertação
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  • Nas Américas, Lutzomyia longipalpis tem sido incriminada como vetora da leishmaniose visceral em, praticamente, todas as áreas de ocorrência dessa parasitose. A pesquisa foi realizada no peridomicílio e no intradomicílio de três residências urbanas. As capturas semanais foram realizadas com armadilhas automáticas luminosas do tipo CDC, no período de dezembro de 2009 a novembro de 2010 no Centro da cidade, no bairro Centenário e na Vila Moxotó. Foram capturados 586 espécimes, pertencentes a três espécies: Lutzomyia longipalpis, Lutzomyia goiana e Lutzomyia sallesi. Os espécimes destas duas últimas espécies eram machos e as duas foram consideradas acidentais, enquanto Lutzomyia longipalpis foi considerada abundante e esteve presente em todas as estações de captura. Surpreendentemente o número de espécimes capturados foi maior no Centro da cidade em relação aos outros bairros. O Centro apresentou 79% dos espécimes capturados, o bairro Centenário respondeu por 15% e a Vila Moxotó, região mais periférica entre todas as estações de captura, teve apenas 6% do total de insetos capturados. A frequência de machos (57%) foi superior a de fêmeas (43%) e esta diferença na quantidade de machos e fêmeas foi igualmente observada nas três estações de captura. Em relação ao comportamento endofílico e exofílico: 92 espécimes foram capturados no intradomicílio (16%) e 494 no peridomicílio (84%). Em todos os locais de captura o percentual de espécimes capturados foi maior no peridomicílio. Os dados climáticos de temperatura e umidade relativa do ar foram obtidos com auxílio de um termohigrômetro digital e os valores de precipitação pluviométrica referentes a esse período foram obtidos junto à Estação Meteorológica da cidade de Paulo Afonso – BA. Apesar de já consagrado na literatura para flebotomíneos, a temperatura, a umidade relativa do ar e a precipitação pluviométrica não apresentaram valores estatisticamente significativos que justificassem relação desses fatores com a frequência dos flebotomíneos na cidade de Paulo Afonso – BA.

  • PAULA MARIA GUIMARÃES MARROQUIM
  • FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLOGIA DO ESTRATO ARBUSTIVO-ARBÓREO DE UM FRAGMENTO DE MATA CILIAR NA REGIÃO DO BAIXO SÃO FRANCISCO
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 23/03/2011
  • Dissertação
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  • As matas ciliares possuem elevada importância ecológica e são oficialmente protegidas, sendo consideradas Áreas de Preservação Permanente. A pressão pelo uso do solo, principalmente para expansão agropecuária e ocupação urbana, têm sido os principais obstáculos a sua conservação. No nordeste brasileiro, pouco se conhece sobre a sua composição, dinâmica e biodiversidade e, dessa forma, estudos mais aprofundados são necessários para definir como manejar as áreas degradadas, visando sua conservação. Este trabalho foi realizado com o objetivo de analisar a composição florística e a estrutura fitossociológica do estrato arbustivo-arbóreo de um fragmento de mata ciliar na região do Baixo Rio São Francisco. A área de estudo possui aproximadamente 15 ha e está localizada no Assentamento Sambambira, município de Santana do São Francisco, Estado de Sergipe. A pesquisa foi realizada pelo método de amostragem sistemática, utilizando-se 25 parcelas de área fixa de 400m² (20m x 20m), onde todos os indivíduos com circunferência à altura do peito (CAP) igual ou superior a 6 cm foram registrados, tendo seus diâmetros mensurados e alturas estimadas. As amostras de material botânico foram coletadas mensalmente durante 12 meses e levadas aos herbários da Universidade Federal de Sergipe (ASE) e do Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (MAC), onde foram identificadas e depositadas em suas coleções. Foram registradas 60 espécies, distribuídas em 42 gêneros e 20 famílias botânicas. As famílias com maior número de espécies foram Leguminoseae, incluindo as subfamílias Caesalpinoideae, Mimosoideae e Papilionoideae, Myrtaceae, Rubiaceae e Euphorbiaceae. A espécie que ocorreu em maior número foi Croton sonderianus Müll. Arg. (marmeleiro), com 1.342 indivíduos, apresentando o maior índice de valor de importância (IVI), destacando-se também em termos de dominância, freqüência e densidade. No estrato vertical intermediário observou-se 75,6% do total de indivíduos.

  • CARLOS ROBERTO DOS SANTOS SILVA
  • REPRODUÇÃO E USO DE HÁBITATS POR UMA TAXOCENOSE DE ANUROS DO RASO DA CATARINA, NORDESTE DA BAHIA
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 22/03/2011
  • Dissertação
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  • Entender os fatores que determinam a diversidade e a organização das espécies que compõem uma assembléia é o principal objetivo da ecologia de comunidades, e é importante para o desenvolvimento de estratégias efetivas para a conservação dos ecosistemas. São registrados para o Brasil 849 espécies de anfíbios anuros, destas 48 espécies estão registradas para essa região com feições típicas de caatinga, mas estudos específicos sobre a importância do ambiente na diversidade, reprodução e o uso de hábitat pelas espécies ainda são escassos. O objetivo do presente estudo foi investigar a influência do ambiente na riqueza e abundância de anuros, bem como no uso de hábitat e na utilização dos microhabitats para a reprodução em uma área de caatinga na região nordeste da Bahia. Foram estudadas através de busca audiovisual taxocenoses de anuros de três ambientes ao longo de oito meses, no período de março a outubro de 2010. Foram registradas dezessete espécies de anuros utilizando os dois corpos d’água e o interior da mata. A maior riqueza de espécies ocorreu no corpo d’água com maior Índice de Integridade Ambiental. A distribuição temporal e riqueza das espécies foram restritas principalmente à estação chuvosa. A maior riqueza de machos em atividade de vocalização ocorreu no mês de outubro, juntamente com o maior volume de precipitação. Foi possível observar que as características dos corpos d’água favorecem a abundância de algumas espécies. A similaridade no sítio de vocalização em cada corpo d’água demonstrou pouca sobreposição para este recurso. Houve maior sobreposição entre as espécies que vocalizaram apoiados no solo ou flutuando na água do que entre aquelas que vocalizaram empoleirados (Hylidae). Fato que pode estar relacionado, provavelmente, à menor possibilidade de partilha espacial, possibilitada pela posse de discos adesivos nos membros desta família, que lhes permite o uso do estrato vertical. Foram registrados para as 17 espécies seis modos reprodutivos, destes 64,7% das espécies depositaram seus ovos diretamente na água e apresentaram estratégias comportamentais relacionadas aos modos e o padrão temporal de reprodução. A presença de I.cf. ramagii na área de caatinga estudada favoreceu o registro de um modo reprodutivo pouco comum a ambientes áridos, por ser totalmente independente dos corpos d‘água.

  • FRANCIS LUIZ SANTOS CALDAS
  • HISTÓRIA NATURAL DE Phyllomedusa nordestina (ANURA: HYLIDAE) EM ÁREAS DE CAATINGA E MATA ATLÂNTICA SERGIPANAS
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 22/03/2011
  • Dissertação
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  • Estudos ecológicos recentes buscam verificar como os representantes de uma espécie reagem aos fatores ambientais (bióticos e abióticos) que lhes são impostos pelo ambiente. Populações de Phyllomedusa nordestina foram estudadas entre dezembro de 2009 e novembro de 2010 nas Unidades de Conservação Monumento Natural Grota do Angico (MNGA – Caatinga) e Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco (RVSMJ – Mata Atlântica), ambas no Estado de Sergipe. O objetivo do estudo foi avaliar como as populações dessa espécie (fase pós-metamórfica) de áreas de Caatinga e Mata Atlântica utilizam os recursos espaciais, temporais e tróficos disponíveis no ambiente, bem como a influência de alguns fatores abióticos e bióticos na distribuição espacial de suas larvas (MNGA). Phyllomedusa nordestina foram observadas em ambientes lênticos, ocupando caules de arbustos e herbáceas, em geral marginais aos corpos d’água. As áreas utilizadas eram normalmente abertas com predomínio de vegetação herbácea. As populações foram conservativas em relação ao uso do espaço, com pequenas variações provavelmente associadas às disponibilidades locais. São oportunistas em relação ao uso dos recursos alimentares, consumindo diversas categorias de presas. Diferenças foram observadas na extensão dos períodos reprodutivos, sendo maior na área de Mata Atlântica, possivelmente devido à maior disponibilidade de água. Phyllomedusa nordestina apresenta fêmeas maiores que os machos com espécimes do RVSMJ ligeiramente menores que os do MNGA talvez em razão de um maior investimento na reprodução na primeira área. Tolerância a alterações dos hábitas foi também evidenciada. Os girinos foram frequentes em corpos lênticos com substrato argiloso. O uso de corpos lênticos é conservativo nos representantes do subgrupo hypochondrialis e na área há um predomínio de substratos com essa característica. As larvas estiveram presentes entre os meses de abril e outubro, sendo mais abundantes em julho e maio, respectivamente. A ausência dos girinos de P. nordestina em alguns meses pode permitir o estabelecimento de outras espécies nesse período, minimizando a competição entre elas. As larvas de P. nordestina apresentaram distribuição agregada em quase todos os corpos d’água ao longo do ano. Aparentemente este padrão não é afetado pelas variações nos tamanhos dos corpos d’água, sendo resultante da ação conjunta de fatores bióticos e abióticos. Por fim, pequenas variações nos adultos foram percebidas em relação ao uso dos ambientes e na dieta, havendo geralmente uma tendência à retenção de aspectos fundamentais do nicho nos dois biomas. Para as larvas estudadas na Caatinga, as agregações podem ter atuado como importante recurso contra a predação

  • RAFAEL ALVES DOS SANTOS
  • ASPECTOS DA ECOLOGIA E BIO LOGIA REPRODUTIVA DE TRÊS ESPÉCIES SIMPÁTRICAS DE GEKKOTA EM UMA ÁREA DE C AATINGA DO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 22/03/2011
  • Dissertação
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  • A ecologia de três espécies de Gekkota, Phyllopezus pollicaris, Gymnodactylus geckoides e Lygodactylus klugei, foi estudada através de informações sobre microhábitat, período de atividade, dieta, morfometria, ecologia termal e biologia reprodutiva. O presente trabalho foi desenvolvido entre os meses de janeiro e outubro de 2010 na Unidade de Conservação Monumento Natural Grota de Angico – SE. Phyllopezus pollicaris foi mais comum em regiões com afloramentos rochosos, G. geckoides estavam normalmente sobre a serrapilheira, e L. klugei foi observado exclusivamente em troncos de árvores. Phyllopezus pollicaris e Gymnodactylus geckoides estiveram ativos principalmente durante a noite e Lygodactylus klugei durante o dia. Ao serem avistadas as três espécies estavam geralmente paradas e quando perturbadas corriam a procura de abrigo. Com relação à distribuição vertical no ambiente, as espécies noturnas foram observadas em poleiros mais baixos, o que provavelmente somada aos substratos utilizados, sejam estas as melhores condições para termorregulação. Já a espécie diurna preferiu regiões mais sombreadas, ocupando poleiros mais altos. No que se refere a dieta, as presas mais importantes para P. pollicaris e G. geckoides foram cupins e para L. klugei foram as larvas de inseto. Com relação a temperatura corpórea foram observados dois grupos distintos, um formado por P. pollicaris e G. geckoides, que foram ativos no período da noite, e apresentaram temperaturas mais baixas e utilizaram o contato com o substrato ou com o ar aquecido do ambiente para termorregular. E o segundo com a espécie diurna, L. klugei, que utilizou o deslocamento entre regiões com diferentes graus de exposição a luz do sol para manter a temperatura do corpo. A abundância das espécies foi influenciada pela temperatura do ar e a pluviosidade, é provável que estas variáveis climáticas interfiram no ciclo de disponibilidade de recursos do ecossistema e conseqüentemente no comportamento das espécies. Phyllopezus pollicaris, Gymnodactylus geckoides e Lygodactylus klugei não apresentaram dimorfismo sexual. As três espécies possuem reprodução contínua ao longo do ano, possivelmente influenciada pela imprevisibilidade dos regimes de chuva na Caatinga. E a produção de um número reduzido e fixo de ovos (P. pollicaris = 2 ovos; G. geckoides = 1 ovo; L. klugei = 2 ovos) pode ser uma condição adaptativa as características dos microhábitats utilizados.

2010
Descrição
  • ITAMARA BOMFIM GOIS
  • VARIABILIDADE GENÉTICA ENTRE E DENTRO DE POPULAÇÕES NATURAIS DE Zizyphus joazeiro MART. E Cassia grandis L.f., POR MEIO DE MARCADORES MOLECULARES
  • Orientador : ROBERIO ANASTACIO FERREIRA
  • Data: 25/08/2010
  • Dissertação
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  • O conhecimento da diversidade genética entre e dentro de populações naturais é de suma importância para a elaboração de estratégias de conservação in situ e ex situ, devido a fragmentação florestal que altera processos ecológicos essenciais à manutenção desta diversidade. Assim, este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a variabilidade genética dentro e entre populações de Zizyphus joazeiro Mart. e Cassia grandis L.f., por meio de marcadores moleculares, visando definir estratégias de coleta de sementes para a produção de mudas destinadas à recuperação de áreas degradadas. O estudo foi realizado em diferentes municípios localizados na região do Baixo São Francisco sergipano. As populações de Z. joazeiro foram amostradas em Santana do São Francisco, Canhoba e Canindé do São Francisco, enquanto as populações de C. grandis foram amostradas em Santana do São Francisco, Canhoba e Nossa Senhora de Lourdes. Para a avaliação da estrutura genética das populações foram utilizados os marcadores isoenzimáticos e o marcador de DNA-RAPD. A partir dos resultados observados pode-se inferir que devido ao processo de fragmentação florestal, causada principalmente pela ocupação humana na região do Baixo São Francisco, as populações estão estruturadas. No entanto, as espécies apresentam elevada diversidade genética intrapopulacional, ausência de endogamia e alelos raros e exclusivos. Estes resultados devem estar ligados, além do processo de fragmentação florestal, às características do agente polinizador das espécies estudadas (insetos), pois, como percorre pequenas distâncias, o fluxo gênico não é amplo, o que pode ocasionar a estruturação genética das populações. Assim, estratégias para a conservação da variabilidade existente, como coleta de material genético em todas as populações estudadas, devem ser adotadas.

  • ALINE CÂNDIDA RIBEIRO ANDRADE E SILVA
  • ASSEMBLÉIA DE ABELHAS EUGLOSSINI EM REMANESCENTES DE CAATINGA E COMPORTAMENTO DE NIDIFICAÇÃO DE EUGLOSSA MELANOTRICHA MOURE 1967 (HYMENOPTERA: APIDAE: EUGLOSSINI)
  • Orientador : FABIO SANTOS DO NASCIMENTO
  • Data: 23/08/2010
  • Dissertação
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  • As abelhas Euglossini formam um grupo monofilético e distinto da família Apidae. Essas abelhas apresentam grande diversificação ecológica e taxonômica, especificidade de hábitat e hábito peculiar de forrageamento na coleta de fragrâncias florais, além de não apresentarem uma colônia típica com uma rainha e operárias, exibindo diversas formas de comportamento de nidificação variando do solitário, comunal, semi-social ao primitivamente eussocial. Esses aspectos destacam os Euglossini como grupo-chave nos estudos sobre os efeitos da fragmentação de hábitats e nas investigações sobre a origem e evolução do comportamento eussocial. A fim de contribuir para os estudos dos aspectos ecológicos e comportamentais dessas abelhas, o presente trabalho tem como objetivos principais: i) descrever a diversidade, riqueza e abundância sazonal das abelhas Euglossini em remanescentes de Caatinga e ii) estudar o comportamento de nidifcação de Euglossa melanotricha. Foram coletados 627 machos, pertencentes a 16 espécies e quatro gêneros. No maior fragmento (Mata da Braúna - MB) foram coletados 259 indivíduos (16 espécies), no fragmento de tamanho médio (Mata do Cambuí - MC) foram coletados 161 indivíduos (8 espécies), e no menor fragmento (Mata da Pindoba - MP) foram coletados 207 indivíduos (7 espécies). O fragmento MB apresentou maior diversidade (H'= 1.93) e riqueza. Eulaema nigrita (41.63%), Euglossa carolina (13.30%), Eulaema (Apeulaema) marcii (13.56%) e Euglossa melanotricha (12.80%) foram as espécies mais freqüentes. Além disso, novas espécies foram adicionadas ao domínio de Caatinga e uma nova espécie foi amostrada. Os resultados sobre o comportamento de nidificação e organização social de Eg. melanotricha podem ser assim sintetizados: O compartilhamento de ninhos foi formado por fêmeas que permaneceram nos ninhos natais; a divisão de trabalho resultou da fêmea dominante permanecendo no ninho e da fêmea subordinada realizando atividades de maior risco; as subordinadas são fisiologicamente aptas à reproduzir e produzir; atos de oofagia e interações agonísticas evidenciaram a divisão reprodutiva mantida por traços comportamentais. A permanência das subordinadas nos ninhos natais pode ser uma estratégia de prevenção dos riscos de mortalidade na procura de novos ninhos, um reforço na proteção contra predadores e parasitas ou uma forma de cuidado maternal prolongado.

  • DANIELA LIMA DO NASCIMENTO
  • ASPECTOS DO COMPORTAMENTO DE FORRAGEAMENTO, RECONHECIMENTO COLONIAL E ANÁLISE DO PERFIL QUÍMICO DAS FORRAGEADORAS DE Melipona asilvai MOURE, 1971 (HYMENOPTERA, APIDAE, MELIPONINI)
  • Orientador : FABIO SANTOS DO NASCIMENTO
  • Data: 23/08/2010
  • Dissertação
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  • Como outros insetos sociais, as abelhas devem ter adaptações para sobreviver em diferentes ambientes. Existem muitas mudanças que interferem nas atividades internas e externas das colônias de abelhas, além disso, as abelhas precisam proteger suas colônias contra os parasitas, predadores e outros intrusos. Neste processo a capacidade das abelhas de reconhecer companheiras de ninho e não-companheiras é fundamental, e os hidrocarbonetos cuticulares desempenham um papel muito importante como pistas de reconhecimento. Este estudo foi realizado com a espécie Melipona asilvai (Moure, 1971) e teve os seguintes objetivos: analisar os hidrocarbonetos cuticulares das abelhas forrageadoras; observar o comportamento de discriminação de companheiras e não-companheiras pelas guardas; verificar a relação entre os perfis de hidrocarbonetos cuticulares e a eficiência do reconhecimento; e descrever alguns aspectos ecológicos do comportamento de forrageamento durante as estações seca e chuvosa. Neste estudo, bioensaios de reconhecimento foram feitos usando duas colônias discriminantes (companheiras) e duas colônias- fonte (não-companheiras de ninho). Os perfis químicos foram analisados com um sistema GC-MS e análise multivariada. As observações foram feitas para verificar a produtividade relativa, atividade de voo e a identificação do tipo de material trazido pelas forrageadoras. Além disso, a umidade e temperatura foram observados e as correlações entre esses fatores e a atividade de vôo foram testados. Observamos que as guardas rejeitaram significantemente mais não-companheiras de ninho do que companheiras. As análises químicas corroboram com estes bioensaios mostrando que o perfil de hidrocarbonetos de forrageadoras companheiras de ninho era diferente das nãocompanheiras. Além disso, os resultados mostraram que os fatores abióticos afetam tanto variáveis internas quanto externas.

  • CLEODON TEODOSIO DA SILVA
  • ECOLOGIA DO GÊNERO Biomphalaria PRESTON, 1910 (MOLLUSCA: PULMONATA: PLANORBIDAE) EM ÁREAS SEMIÁRIDAS DE SERGIPE, BRASIL
  • Orientador : ROSELI LA CORTE DOS SANTOS
  • Data: 12/03/2010
  • Dissertação
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  • A esquistossomose é um grave problema de saúde pública no Nordeste do Brasil. Em Sergipe, as maiores incidências são registradas no agreste e litoral. Na região do alto sertão sergipano as informações sobre a ocorrência de Schistossoma mansoni e dos moluscos hospedeiros são raras. Esta área tem grande importância devido à escassez de água durante a maior parte do ano e utilização de reservatórios hídricos públicos para todas as finalidades. Nesse âmbito, o presente trabalho buscou caracterizar os parâmetros ambientais, físicos, químicos e biológicos, associados aos caramujos do gênero Biomphalaria e suas implicações em reservatórios hídricos do alto sertão de Sergipe. As coletas foram realizadas no período de julho a setembro de 2009. Inicialmente, foi feito um levantamento piloto para determinação dos locais com ocorrência de Biomphalaria. Nestes reservatórios hídricos foi coletada água para análise de parâmetros físico-químicos: temperatura, pH, condutividade elétrica, turbidez, alcalinidade, dureza, amônia, nitrito, nitrato, cloretos, sódio e cálcio. Também foram realizadas análises colimétricas. Os caramujos coletados foram medidos e pesados e analisados quanto à taxa de infecção por cercárias. A única espécie de Biomphalaria registrada no alto sertão sergipano foi B. straminea, sendo identificada em 27 reservatórios hídricos entre os 62 pesquisados. Esta espécie foi encontrada nos municípios de Canindé de São Francisco, Gararu, N. Srª. da Glória, N. Srª. de Lourdes, Porto da Folha e Poço Redondo. B. straminea foi encontrado co-ocorrente a outros moluscos como Melanoides tuberculatus, Pomacea ssp., Drepanotrema ssp. e Physa ssp. Houve correlação entre os fatores físico-químicos, condutividade, dureza, cloretos, nitrito, íons sódio e cálcio com o diâmetro e peso nos reservatórios hídricos pesquisados, não sendo observada nenhuma correlação entre abundância e os parâmetros físico-químicos. Não foi identificado nenhum espécime infectado por S. mansoni, entretanto, diversos tipos de cercárias foram identificados. Todos os reservatórios hídricos com a presença de B. straminea apresentaram-se contaminados com coliformes fecais e são utilizados pela população o que indica que a população, apesar da baixa incidência da doença, está sujeita ao risco de contaminação por S. mansoni. Os resultados das análises realizadas nas áreas do alto sertão do Estado de Sergipe mostram que o B. straminea constitui-se em uma espécie extremamente tolerante à variabilidade dos fatores físico-químicos, o que torna difícil qualquer medida de controle ambiental do molusco baseada exclusivamente na manipulação de dados ecológicos.

  • ANDREZA CRISTINA DA SILVA ANDRADE
  • ASPECTOS DA ECOLOGIA COMPORTAMENTAL DE Dinoponera quadriceps (HYMENOPTERA, FORMICIDAE, PONERINAE)
  • Orientador : FABIO SANTOS DO NASCIMENTO
  • Data: 03/03/2010
  • Dissertação
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  • O gênero Dinoponera possui ocorrência restrita à América do Sul, nele estão contidas seis espécies, todas sem rainhas típicas. Nas formigas deste gênero não há divisão de castas, a reprodução é realizada por uma operária (gamergate) com ovários desenvolvidos. Os objetivos deste trabalho foram investigar a divisão de trabalho em Dinoponera quadriceps, enfatizando a ontogenia dos comportamentos e sua relação com a estrutura social da espécie. As colônias foram coletadas e mantidas em ninhos artificiais no laboratório de Entomologia da Universidade Federal de Sergipe. Foi construído um catálogo de comportamentos com 2688 atos comportamentais. O tempo de observação das colônias e as variações nas populações não foram suficientes para afirmarmos categoricamente que há polietismo etário, entretanto há fortes indícios que realmente acontece nessa espécie. A análise de cluster demonstrou que havia pouca fidelidade entre os grupos formados nas colônias. Os resultados sugerem que existe uma quantidade maior de operárias generalista, ou seja, aquelas que fazem de tudo um pouco, do que operárias especialistas

  • MARIA JEANNE D ARC PAULA DE LIMA
  • HIMENÓPTEROS SOLITÁRIOS COLETADOS EM NINHOS ARMADILHA EM REGIÃO DE CAATINGA, CARIRA-SERGIPE
  • Orientador : GENESIO TAMARA RIBEIRO
  • Data: 25/02/2010
  • Dissertação
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  • Para fazer um pré-levantamento da fauna de Himenópteros solitários da Caatinga de Carira, Sergipe, utilizaram-se ninhos armadilha confeccionados em cartolina preta, com orifícios de diferentes diâmetros: 0,6; 0,8; 1,0 e 1,2 cm. Os tubos foram agrupados em caixas e instalados em árvores a 1,5 m de altura, em áreas abertas e com boa cobertura vegetal. Durante o período de janeiro a novembro de 2009, foram coletados 35 ninhos, sendo que desse total houve emergência de 13 morfoespécies, sendo 5 morfoespécies de abelhas (Apidae: Centris sp., Paratetrapedia sp., Tetrapedia sp.; Megachilidae: Anthodioctes sp., Megachile sp.) e 8 morfoespécies de vespas (Chrysididae: Chrysis sp.; Crabronidae: Trypoxylon sp.; Vespidae: Ancistroceroides sp. 1, Ancistroceroides sp. 2, Ancistroceroides sp. 3, Ancistroceroides sp. 4, Ancistroceroides sp. 5, Stenonartonia sp. Abelhas e vespas preferiram ninhos de 0,8 cm de diâmetro e houve correlação positiva entre nidificação e índice pluviométrico. Esses resultados evidenciam a importância e necessidade de mais estudos ecológicos sobre os Himenópteros desta região

  • FABÍOLA FONSECA ALMEIDA GOMES
  • INTERAÇÃO ENTRE TROPIDURUS SEMITAENIATUS E TROPIDURUS HISPIDUS (SAURIA: TROPIDURIDAE) EM UMA ÁREA DE CAATINGA DO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 24/02/2010
  • Dissertação
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  • Espécies filogeneticamente próximas e que vivam em simpatria podem coexistir numa área desde que ocorram pequenas diferenças na utilização dos recursos espaciais, temporais e tróficos ou através da atuação de outros fatores como a predação e restrições fisiológicas que diminuam a competição de uma espécie sobre a outra. O presente trabalho foi estruturado na forma de dois capítulos, sendo o primeiro relacionado à forma com queTropidurus hispidus e Tropidurus semitaeniatus utilizam os recursos espaciais, tróficos e temporais, bem como os possíveis mecanismos que permitem a coexistência das duas espécies na área Já o segundo capítulo traz informações sobre a biologia reprodutiva dasduas espécies. O trabalho foi realizado na Unidade de Conservação Estadual Monumento Natural Grota de Angico (9º 41’S e 38º 31’W) entre dezembro de 2008 e novembro de 2009. Para a análise da partilha de recursos foi adotada a metodologia de busca ativa, com captura, marcação e recaptura dos lagartos em dois leitos de riachos e para a avaliação dadieta e da biologia reprodutiva os espécimes foram coletados em áreas diferentes daquelas anteriormente relatadas e encontram-se depositados na Coleção Herpetológica da Universidade Federal de Sergipe (CHUFS). Os lagartos foram geralmente encontrados parados sobre microhábitats rochosos e, com a aproximação do observador, corriam em busca dos mesmos abrigos (rochas). Com relação à distribuição vertical no ambiente, asduas espécies utilizaram posições semelhantes, normalmente abaixo dos 80 cm. Isto pode ser reflexo da pequena disponibilidade de poleiros mais altos nos locais. Tropidurus hispidus e T. semitaeniatus foram vistos normalmente em dias ensolarados, com um decréscimo em suas atividades nas horas mais quentes do dia, provavelmente de forma a evitar um superaquecimento e consequente morte. A forma de exposição ao sol ocorreu de modo equitativo entre as categorias (sol - mosaico - sombra) para as duas espécies, com uma discreta preferência por sol para T. semitaeniatus e uma discreta preferência por sombra para T. hispidus. No que se refere à dieta, a categoria de presa mais importante em termos de número foi formigas para as duas espécies seguidas de larvas de insetos para T. semitaeniatus e cupins para T. hispidus. Volumetricamente, os itens mais importantes para ambos os indivíduos foram as larvas de insetos seguidas por formigas. Correlações entre adisponibilidade de presas no ambiente e a dieta dos Tropidurus foram verificadas para os meses de seca, contudo nos períodos de maior pluviosidade Tropidurus semitaeniatus modifica seu hábito alimentar de forma a evitar competição interespecífica durante esse período. Uma forte relação também foi percebida quando se comparou a morfologia da cabeça de cada espécie com as dimensões das presas efetivamente consumidas pelos Tropidurus. Para T. semitaeniatus, a morfometria da cabeça sugere adaptação à ingestão de presas de maior largura, enquanto que para T. hispidus a adaptação é direcionada a presas de maior comprimento. Pequenas variações na disposição espacial, na morfologia dos aparatos tróficos e nas dietas, em alguns meses do ano, associadas a um controle dos números populacionais via predadores (em T. hispidus), são sugeridos como alguns dos prováveis mecanismos que permitem a coexistência das duas espécies na área de estudo. As espécies estudadas diferiram em tamanho, com T. hispidus possuindo maior porte. Provavelmente as diferenças estão relacionadas a distintas estratégias reprodutivas como defesa de territórios com tamanhos e posições diferenciados ou mesmo investimentos variados na produção de ovos. Tropidurus semitaeniatus geralmente produz até dois ovos por vez e T. hispidus seis. Os ovos mais volumosos estiverem presentes em T. semitaeniatus. O menor número de ovos em T. semitaeniatus pode ser adaptativo ao uso de fendas em rochas. Dimorfismo sexual também foi verificado para os Tropidurus, com machos sendo maiores que as fêmeas, independente da espécie. O maior porte dos machos pode favorecer a defesa de territórios e servir como um atributo de escolha adotado pelas fêmeas. Já as fêmeas direcionam mais energia para a produção dos ovos e menos para o crescimento. As espécies apresentaram reprodução contínua, possivelmente influenciada pela imprevisibilidade dos regimes de chuva na Caatinga. O maior acúmulo de reservas coincide com o período de menor pluviosidade. A maior eficiência na produção dessas reservas em forrageadores de espreita associados a custos mais baixos para sua manutenção podem ter contribuído para o resultado. Os meses com maior acúmulo de reservas precederam também o de maior proporção de indivíduos reprodutivos, com uma queda brusca no mês de abril (período chuvoso). Esta queda pode estar relacionada a um grande investimento na reprodução neste período pelas duas espécies ou pela diminuição dos itens alimentares mais utilizados pelas duas espécies no mesmo período.

  • PATRICIO ADRIANO DA ROCHA
  • DIVERSIDADE,COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DE COMUNIDADE DE MORCEGOS(MAMMALIA:CHIROPTERA) EM HÁBITAT DE CAATINGA E BREJO DE ALTITUDE EM SERGIPE
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 24/02/2010
  • Dissertação
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  • Os morcegos são amplamente distribuídos em todos os biomas brasileiros. Das 167 espécies conhecidas no Brasil, mais de 70 já foram registradas em áreas de Caatinga. Apesar da grande diversidade, os poucos estudos existentes sobre a quiropterofauna da Caatinga estão concentrados em algumas poucas áreas, gerando assim grandes lacunas de informação. Dentre as várias fitofisionomias existentes na Caatinga, uma das mais peculiares são os enclaves de florestas úmidas inseridas na região semi-árida, conhecidos como brejos de altitude. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar a estrutura das comunidades de morcegos em hábitats de caatinga e brejo de altitude da Serra da Guia, no estado de Sergipe, identificando e discutindo as diferenças entre elas. Para tanto, entre outubro de 2008 e setembro de 2009, foram realizadas três noites de coleta mensais em cada um dos ambientes. O esforço de 185.790 h.m² proporcionou a captura de 157 indivíduos de 12 espécies no hábitat de caatinga e 259 indivíduos de 14 espécies no brejo de altitude. Das 18 espécies coletadas no geral, destaca-se o primeiro registro de Lichonycteris obscura para o bioma Caatinga e o registro de Micronycteris sanborni, categorizada na IUCN como deficiente em dados. Oito espécies foram comuns a ambos os hábitats, porem apresentaram diferenças altamente significativas no número de indivíduos capturados. A espécie mais abundante na caatinga foi Glossophaga soricina (n = 54; 34%) e no brejo foi Carollia perspicillata (n = 95; 36%). Apesar de a família Phyllostomidae ter sido a mais representativa em ambas as áreas, a subfamília Glossophaginae foi predominante na caatinga, enquanto Stenodermatinae foi predominante no brejo. Os frugívoros foram a guilda mais abundantes no brejo (n = 233), e algumas espécies parecem ficar concentradas no mesmo durante a época seca, expandindo sua área de forrageio para a caatinga na época chuvosa. Já os nectarívoros foram mais abundantes na caatinga, em ambas as estações, sugerindo que mesmo na época seca, existe recurso suficiente para a manutenção dessa guilda.

  • GEZIANA SILVA SIQUEIRA NUNES
  • ESTRUTURA DE COMUNIDADES DE SERPENTES DA CAATINGA DE SERGIPE
  • Data: 23/02/2010
  • Dissertação
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  • A ecologia de comunidades estuda a diversidade de espécies ao nível regional ou mais amplo ainda, bem como estuda os modos como as espécies se agrupam em guildas para explorar recursos e as influências dos hábitats e microhábitats nesses agrupamentos. O objetivo do presente estudo é descrever os principais parâmetros ecológicos sobre comunidades de serpentes, tendo como área de estudo a Caatinga de Sergipe. São quatro os parâmetros ecológicos estudados: hábitats, riqueza de espécies, aspectos reprodutivos, dieta e uso do substrato. A intenção é contribuir para o conhecimento de comunidades da Caatinga, história natural das espécies e para a conservação ao nível regional. A dissertação está organizada em quatro capítulos. No capítulo I, são apresentados os ambientes disponíveis e os microhábitats associados na área de estudo, que podem ser utilizados pelas serpentes. Os ambientes caracterizados foram: o solo, os três estratos da vegetação – Caatinga arbórea, Caatinga baixa e estrato herbáceo –, os lajeiros e os ambientes aquáticos. Discute-se brevemente a inserção geográfica do ecossistema Caatinga no modelo dos domínios morfoclimáticos. No capítulo II é descrito o número de espécies numa comunidade de serpentes da Caatinga do Estado de Sergipe, Brasil. Foram registradas 34 espécies de cobras e coletados 119 indivíduos. São apresentadas as distribuições geográficas das espécies estudadas. No capítulo III são descritas as gônadas e os aspectos reprodutivos das serpentes da Caatinga do estado de Sergipe. Discute-se brevemente os modos e os ciclos reprodutivos das serpentes. No capítulo IV o estudo mostrou a análise dos substratos e as dietas de 34 espécies de serpentes da Caatinga de Sergipe. Na categoria fossoriais foram incluídas 4 espécies (12 %), terrícolas 17 (50%), subarborícolas 9 (26%), aquáticas 3 (9%) e arborícola 1 (3%). A dieta das espécies incluiu predominantemente anfíbios anuros e lagartos.

  • JULIO CESAR PEREIRA BORGES DE FARIA
  • ECOLOGIA DE TROPIDURUS SEMITAENIATUS (SPIX, 1825) (SAURIA:TROPIDURIDAE) EM UMA POPULAÇÃO DA CAATINGA DE SERGIPE
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 23/02/2010
  • Dissertação
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  • O presente trabalho é sobre a ecologia de uma população de Tropidurus semitaeniatus da Caatinga de Sergipe. Foram descritos os habitats, períodos de atividade, comportamentos de termorregulação, forrageio e dieta e alguns aspectos da biologia reprodutiva desse lagarto entre Julho e Setembro de 2009. Com relação ao habitat, três substratos são utilizados pelos lagartos: o solo, as rochas tipo “lajeiros” e o primeiro estrato da vegetação. O solo é formado por areias amarelas e é pedregoso, típico do domínio da Caatinga; a vegetação é composta principalmente por cactos, arbustos e bromélias. Embora Tropidurus semitaeniatus use estes três estratos, a preferência é pelas rochas, utilizada para abrigo e procura por presas. A atividade dos lagartos variou entre 07h00min e 16h30min. A proporção de indivíduos avistados pela manhã, ao meio-dia e pela tarde não variou em todas as observações, mas o número de indivíduos ao meio reduziu significativamente em relação à manhã e tarde em todas as observações. Os comportamentos observados de termorregulação foram com relação à posição do corpo em relação ao substrato, e os mais frequentes foram a cabeça erguida e o ventre e cauda encostados no substrato. Em relação à dieta os itens mais frequentes encontrados nos conteúdos estomacais dos lagartos foram coleópteros (60%), larvas não identificadas (66%) e formigas (70%). As atividades de caça não variaram significativamente entre os períodos manhã, meio-dia e tarde. As proporções dos movimentos corporais de caça não variaram significativamente entre os lagartos, mas em cada lagarto as proporções destes movimentos variaram significativamente entre as categorias cabeça para os lados (49%), salto para frente (32%), salto para os lados (12,5%) e movimento para trás (6,5%). A maioria dos exemplares de ambos os sexos não estavam reprodutivos e não houve diferenças significativas nos tamanhos corporais entre os sexos.

  • EDUARDO MARQUES SANTOS JÚNIOR
  • MAPEAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DOS FRAGMENTOS FLORESTAIS DA BACIA DO BAIXO RIO SÃO FRANCISCO EM SERGIPE E SUAS IMPLICAÇÕES A PARA CONSERVAÇÃO DE GUIGÓS (CALLICEBUS SP.)
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 23/02/2010
  • Dissertação
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  • A distribuição geográfica dos organismos em paisagens fragmentadas é uma das principais abordagens da biologia da conservação devido ao quadro de perda do hábitat em quantidade e qualidade. Em Sergipe, os remanescentes florestais dos biomas da Mata Atlântica e da Caatinga ainda abrigam uma importante diversidade biológica. Este trabalho teve o objetivo de quantificar e caracterizar os fragmentos de floresta da bacia do baixo rio São Francisco de Sergipe (BSF) avaliando-os quanto ao tamanho, a forma e distribuição sob o ponto de vista da conservação de populações de Callicebus ssp. Foram usadas técnicas de geoprocessamento para mapear a área de estudo onde se utilizou os programas SPRING 5.1.4 e ENVI 4.3 e imagens de satélite para estimar a quantidade de fragmentos existentes na região. Foi avaliada uma área de 679.210,30 ha, da qual 10,87% (73.850,70 ha) correspondem a 5.453 fragmentos. Os resultados obtidos através dos programas Patch Analyst 4 e Fragstats 3.3 sobre a forma e tamanho destes fragmentos indica uma média de tamanho para BSF de 13,54 (±72,14). Apenas 560 fragmentos possuem mais que 20,0 ha e estes possuem formas muito irregulares conforme indicam os resultados dos índices de forma médio (MSI = 2,55) e o índice ponderado pelo tamanho da área (AWMSI= 3,68) cujos valores ideais são iguais a 1,0. Os levantamentos de guigós foram realizados com a técnica do Playback para quantificar suas populações em 67 fragmentos. Ao todo 15 populações de guigós foram identificadas, das quais 13 são novas localidades de ocorrência. As populações concentram-se em três sub-bacias: Betume, Capivara e Curituba. A área dos fragmentos com presença de guigós totalizou 2.660,10 ha e variou de 2,63 ha a 1.069,0 ha. Através da análise de regressão logística realizada como o programa Spatial Analysis in Macroecology (SAM) foi possível verificar que as características da paisagem e a posição não determinam a presença/ausência de guigós nesses fragmentos (p: 0.4962>0,05). Essas informações são extremamente importantes no planejamento de conservação de longo prazo e como subsídios para estratégias de manejo na área de estudo não somente para Callicebus sp., mas para o ecossistema como um todo

  • RAONE BELTRÃO MENDES
  • CARACTERIZAÇÃO DA ESTRUTURA DE HÁBITAT AO LONGO DE UM GRADIENTE AMBIENTAL E ANÁLISE DE SUA INFLUÊNCIA NA DISTRIBUIÇÃO DAS ESPÉCIES AMEAÇADAS DE GUIGÓS (CALLICEBUS SPP.) DO NORDESTE BRASILEIRO
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 23/02/2010
  • Dissertação
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  • Callicebus é um dos gêneros mais diversos e complexos dentre os primatas Neotropicais (Infraordem Platyrrhini). Duas espécies do Nordeste do Brasil estão ameaçadas de extinção, principalmente por conta da redução e fragmentação de hábitat. A Conservação dessas espécies é dificultada pela falta de informação confiável sobre suas distribuições geográficas, e sobre a condição dos ecossistemas em que habitam. Para entender a atual distribuição das espécies mais ameaçadas (Callicebus barbarabrownae e Callicebus coimbrai) é preciso identificar os fatores determinantes, tanto bióticos (p. ex. interações intra e interespecífica, dinâmica populacional, disponibilidade de recurso) quanto abióticos (p. ex. umidade, temperatura, estrutura de hábitat). O objetivo deste estudo foi compreender quais fatores influenciam na distribuição geográfica de C. barbarabrownae e C. coimbrai na área de estudo, avaliando variáveis bióticas (espécies arbóreas) e abióticas (estrutura de hábitat), condicionados à disposição espacial dos fragmentos. Vistoriou-se 70 fragmentos na bacia do baixo Rio São Francisco sergipano, desde a Mata Atlântica à Caatinga. Callicebus estava presente em 16 sítios, dos quais 13 são novas localidades para o gênero. A estrutura do hábitat de nove (contendo ou não Callicebus) foi avaliada através da análise de agrupamento para variáveis bióticas, abióticas e bióticas/abióticas em conjunto, que revelou agrupamento distinto entre os fragmentos de Caatinga (56%; 94%; e 73% de similaridade, respectivamente) e Mata Atlântica (14%; 92%; e 50% de similaridade, respectivamente). Os fragmentos representando o Agreste (ecótono) se agruparam com os fragmentos de Mata Atlântica ou Caatinga, evidenciando o caráter transitório deste tipo de ambiente. A análise da estrutura espacial da distribuição do Callicebus revelou uma correlação positiva entre os fragmentos representando a Mata Atlântica (Moran’s I = 0,702 a 0,961) e Caatinga (I = -1,043 a -0,872), e uma correlação negativa entre esses dois conjuntos, com uma clara lacuna de aproximadamente 70 km da distribuição do gênero, coincidindo com o Agreste. Isso reforça a idéia de que as espécies C. barbarabrownae e C. coimbrai são distintas e endêmicas da Caatinga e Mata Atlântica, respectivamente. Essas descobertas reforçam a necessidade de desenvolvimento de estratégias distintas para a conservação e manejo para as diferentes populações dessas espécies, dado que as mesmas enfrentam condições ambientais diferenciadas em vida livre.

  • EVELLYN BORGES DE FREITAS
  • LEVANTAMENTO DAS POPULAÇÕES DE MAMÍFEROS E AVES EM UM FRAGMENTO DE CAATINGA NO ALTO SERTÃO SERGIPANO
  • Orientador : STEPHEN FRANCIS FERRARI
  • Data: 22/02/2010
  • Dissertação
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  • O principal objetivo deste estudo foi aumentar o conhecimento da biodiversidade do bioma caatinga, a ecoregião exclusivamente brasileira e que sofre constante degradação. A área de estudo, no município de Porto da Folha, Sergipe, apresenta evidências de degradação de habitat e pressão de caça, fatores que afetam diretamente as populações locais de fauna e flora. Durante o censo populacional, realizado nos meses de julho, agosto e dezembro de 2009, um total de 132,9 km foram percorridos em quatro trilhas que representam as principais áreas do fragmento. A aplicação deste método permitiu estimar a densidade de duas espécies – Callithrix jacchus (169,7 indivíduos/km2) e Kerodon rupestris (116,7 indivíduos/km2) – considerando que apenas dois avistamentos da espécie-alvo (Callicebus barbarabrownae) foram coletados. A presença de outros mamíferos, como o gambá-davirgínia (Didelphis albiventris) e o guaxinim (Procyon cancrivorous) foi registrada por visualização e outras evidências indiretas. Devido à escassez de registros para a espéciealvo, parâmetros populacionais foram estimados usando o método de playback onde as vocalizações dos animais são reproduzidas com o auxílio de um megafone, a fim de provocar uma resposta dos mesmos. Ao responder ao playback eles revelam a sua posição na floresta e permitem o mapeamento dos locais dos grupos através da triangulação. Este método foi aplicado entre setembro e novembro de 2009. O mapeamento das localizações foi analisado a fim de definir a área de ocupação dos guigós no fragmento e identificar as preferências de habitat. Dois grupos residentes foram identificados, além da presença de pelo menos um animal solitário. Com um total de 57 registros, o método de reprodução de playback se mostrou mais eficiente do que o procedimento de transecção linear, para o levantamento da população de Callicebus sugerindo que este deve ser o método escolhido para levantamentos, especialmente em pequenos fragmentos. Durante observações complementares, um total de 66 espécies de aves foi registrado no local em julho, agosto e novembro de 2009. As espécies numericamente dominantes na área de estudo foram os insetívoros (36,6%), seguidos dos onívoros (22,7%) e granívoros (16,7%) e o maior número de espécies foram registradas em habitats antrópicos. Além de fornecer os primeiros dados detalhados sobre os parâmetros populacionais e de preferências de habitat para Callicebus barbarabrownae, o presente estudo ressalva a importância dos procedimentos de reprodução de playback para o levantamento das populações de guigós

  • JUAN MANUEL RUIZ ESPARZA AGUILAR
  • DIVERSIDADE DA AVIFAUNA DA SERRA DA GUIA SERGIPE E BAHIA
  • Orientador : ADAUTO DE SOUZA RIBEIRO
  • Data: 22/02/2010
  • Dissertação
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  • O bioma Caatinga abrange nove estados brasileiros ocupando cerca de 800.000 km2 do nordeste onde a vegetação xerófita é dominante. A Floresta Atlântica pode penetrar no bioma Caatinga, no topo de serras e planaltos do semi-árido nordestino sempre acima de 600m de altitude formando relictos de florestas úmidas denominados de “Brejos de altitude”, constituindo refúgios para várias espécies desde anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Na região do Alto Sertão Sergipano, existe uma área estimada em 20 hectares pouco conhecida com características similares a um brejo de altitude. Está localizada na Serra da Guia entre os municípios de Poço Redondo (SE) e Pedro Alexandre (BA) a 750 m de altitude. Com o objetivo de contribuir ao conhecimento da avifauna da Caatinga, comparamos a diversidade regional e local de aves da Serra da Guia. A amostragem das aves foi realizada em dois pontos: Caatinga e brejo de altitude. As aves foram capturadas com redes de neblina (100m). De outubro de 2008 a setembro de 2009 foram feitas mensalmente seis sessões de captura: três na Caatinga, e três no brejo de altitude. Na Caatinga foram capturados 587 indivíduos pertencentes a 82 espécies. As espécies mais abundantes foram: Coryphospingus pileatus (92; 15,6%), Elaenia chilensis (86; 14,6%), Turdus amaurichalinus (24; 4%), Hemitriccus margaritaceiventer (21; 3,5%) e Columbina minuta (18; 3%). Em contrapartida na região de brejo foram capturados 392 indivíduos pertencentes a 65 espécies. As espécies mais abundantes foram: Basileuterus flaveolus (64; 16,3%), Turdus rufiventris (40; 10,2%), Turdus amaurichalinus (28; 7,1%), Sitassomus griseicapillus (23; 5,8%) e Elaenia mesoleuca (18; 4,5%). O valor do índice de diversidade Shannon-Wiener foi significantemente maior na área da Caatinga (H’=3,62) do que na área do brejo (H’=3,41; t = 2,66; gl = 140,57; P < 0,05). Os valores dos índices de Jaccard (49%) e Morisita-horn (31%) mostraram que as duas áreas compartilham menos da metade das espécies de aves. Das 98 espécies capturadas 13 espécies são endêmicas do Brasil. O brejo representa uma pequena área com condições e recursos diferentes da matriz de Caatinga do entorno. Este estudo conclui que há indicadores suficientes para conservação deste brejo como um habitat peculiar

  • PAULO AUGUSTO ALMEIDA SANTOS
  • COMPORTAMENTO ECOFISIOLÓGICO E BIOQUÍMICO DO UMBUZEIRO (Spondias tuberosa Arruda) SUBMETIDO À DEFICIÊNCIA HÍDRICA
  • Orientador : CARLOS DIAS DA SILVA JUNIOR
  • Data: 10/02/2010
  • Dissertação
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  • O umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda) é uma planta nativa da Caatinga que possui grande importância econômica para as comunidades que realizam a colheita de seus frutos, pois se constitui como a principal fonte renda para muitas famílias no período de frutificação. A Caatinga por ser um bioma localizado no semi-árido brasileiro, apresenta um regime irregular de chuvas aliado a altas temperaturas que resulta na ocorrência de deficiência hídrica ao longo do ano. O déficit hídrico provoca alterações na fisiologia das espécies vegetais, como diminuição do volume celular, redução no processo de crescimento, redução nas taxas de fotossíntese e condutância estomática, entre outras. Os mecanismos de resposta do umbuzeiro ao estresse hídrico e a sua recuperação após a reidratação, ainda são pouco estudados. Dessa forma, o presente trabalho teve por objetivo investigar as alterações no balanço hídrico, teores de solutos orgânicos foliares e trocas gasosas do umbuzeiro submetido a diferentes intensidades de déficit hídrico e a sua recuperação após a reidratação. Para investigar a resposta ao déficit hídrico, foi desenvolvido um experimento em casa de vegetação. As mudas foram obtidas a partir da germinação de sementes maduras de umbuzeiro, coletadas no município de Itapicuru/BA, produzidas em sacos de polietileno preto (10x20 cm), tendo como substrato terra vegetal (88% areia, 8% silte e 4% argila). As mudas ao atingirem a idade de 45 dias foram transplantadas para vasos com capacidade de 12 L, contendo solo da área de ocorrência natural da espécie na qual foram coletadas as sementes. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, consistindo de três tratamentos (T0 – plantas testemunhas mantidas aproximadamente na capacidade de pote; T1 – reposição de 50% da água perdida pela evapotranspiração diária e T2 – reposição de 25% da água perdida pela evapotranspiração) e cinco repetições por tratamento. Avaliou-se o potencial hídrico foliar, fotossíntese (A), condutância estomática (gs), transpiração (E), concentração interna de CO2 (Ci), déficit de pressão de vapor (DPV), temperatura foliar e teores de proteínas solúveis, açúcares solúveis, prolina, clorofila a, b e total. Para verificar possíveis alterações no pico de atividade fotossintética, foi realizado um curso diário das trocas gasosas, em intervalos de duas horas (entre 8 e 16h) após 12 dias do início da diferenciação dos tratamentos. A variação do potencial hídrico foi pequena em todos os níveis de reposição de água. As plantas dos tratamentos com déficits hídricos apresentaram reduções nos valores de fotossíntese, transpiração e condutância estomática. T2 apresentou valores de fotossíntese próximos a zero após 12 dias, enquanto T1 apresentou esses valores no 25° dia de avaliação. Os valores dos solutos orgânicos apresentaram oscilações durante o período experimental, mas não foi possível atribuir à restrição hídrica, pois esses resultados ocorreram em todos os tratamentos. O umbuzeiro apresentou comportamento isoídrico mantendo elevado potencial hídrico foliar durante o período de estresse hídrico. Com relação às trocas gasosas, as plantas do tratamento controle e com reposição de 50% da água perdida por evapotranspiração apresentaram os maiores valores de fotossíntese, condutância estomática e transpiração no horário de 8-10h. A partir disso, reduziram os valores em função do aumento do déficit de pressão de vapor e restrição da abertura estomática. As plantas com reposição de 25% apresentaram o pico de atividade de assimilação de carbono e trocas gasosas no horário de 8h, com valores bem inferiores aos demais tratamentos. As plantas do T2 apresentaram aumento dos valores das concentrações internas de CO2. O umbuzeiro exibe o pico de atividade das trocas gasosas no horário entre 8-10h, mas plantas com déficit hídrico apresentam uma antecipação nesse horário de maior atividade.

  • MARIO ANDRE TRINDADE DANTAS
  • MEGAFAUNA PLEISTOCÊNICA DA FAZENDA CHARCO, POÇO REDONDO, SERGIPE – INTERPRETAÇÕES PALEOAMBIENTAIS
  • Orientador : ANA PAULA DO NASCIMENTO PRATA
  • Data: 22/01/2010
  • Dissertação
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  • Já se conhecia para a Fazenda Charco a ocorrência de cinco taxa de mamíferos
    pleistocênicos: Eremotherium laurillardi, Catonyx cuvieri, Stegomastodon waringi,
    Palaeolama major, além de um Toxodontidae indeterminado. Novas coletas nesta
    localidade permitiram o registro de: Toxodon platensis, Pachyarmatherium sp. e Smilodon
    populator. Os objetivos deste trabalho foram o registro de novas ocorrências na localidade
    estudada, além da proposição de interpretações paleoambientais para a região de Poço
    Redondo. O material analisado foi coletado em janeiro de 2009 em um tanque
    (09°46’583”S, 37°40’634”W), localizado na Fazenda Charco, em área de Caatinga. A
    associação de taxa encontrados geralmente é associada a uma vegetação do tipo Cerrado,
    no entanto, estudos sobre as variações climáticas e vegetacionais da Caatinga nordestina,
    baseados em analises polínicas, indicam que este tipo de vegetação já existia há pelo
    menos 42.000 anos A.P. A diminuição das áreas de Caatinga aberta entre 15.500 a 11.800
    anos, graças ao aumento de precipitação, estabeleceu um período mais úmido e frio do que
    o atual, favorecendo o surgimento de corredores unindo as Florestas Amazônica e
    Atlântica. Esta composição faunística, associada a dados polínicos coletados na região
    Nordeste, permite uma nova interpretação, a de que a megafauna composta por mamíferos
    de grande porte, durante o Pleistoceno, viveu associada a áreas de Caatinga, com
    predomínio de áreas abertas, compostas por espécies herbáceas e arbustivas, em mosaico
    com áreas de bosques, próximo a corpos de água

  • SIDNEY FEITOSA GOUVEIA
  • ECOLOGIA ESPACIAL DE ANUROS DA CAATINGA
  • Orientador : RENATO GOMES FARIA
  • Data: 11/01/2010
  • Dissertação
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  • A compreensão do efeito dos componentes espaciais sobre comunidades biológicas e o padrão
    com que estas o exploram constituem abordagens complementares e nos aproximam do
    conhecimento mais amplo sobre os processos ecológicos espacialmente determinados.
    Anfíbios, pelas suas características, são excelentes modelos para se testar essas interações em
    diversos sistemas ecológicos. Pela sua conspícua dependência da água, esses organismos
    devem enfrentar grandes desafios à sobrevivência e à organização em ecossistemas onde esse
    recurso é escasso. Este trabalho foi dividido em dois capítulos com abordagens
    complementares de investigar como os componentes do espaço afetam uma comunidade de
    anuros no semi-árido brasileiro e como esses animais se relacionam com essa dimensão em
    escala local. Utilizando métodos multivariados e modelos de hipótese nula, foram exploradas a
    influência da heterogeneidade ambiental na diversidade local e a partilha de nicho
    microespacial nessa comunidade, buscando em fatores atuais e históricos sua influência. Foram
    registradas 18 espécies de 11 gêneros e seis famílias (Bufonidae, Cyclorhamphidae, Hylidae,
    Leiuperidae, Leptodacylidae e Microhylidae), todas comuns à Caatinga. As espécies
    distribuem-se de forma diferenciada entre ambientes lênticos e lóticos, apresentando um padrão
    típico dos anuros sul-americanos, indicando uma organização consistente em nível de hábitat.
    A diversidade de espécies em corpos d’água respondeu positivamente à heterogeneidade de
    habitat, tendo a quantidade de água e a arquitetura da vegetação e das margens como principais
    elementos estruturais. Em nível de microhábitat, as espécies não demonstram a mesma
    organização observada entre hábitats, entretanto apresentam aspectos de uso de microhábitat
    preservados ao longo da história evolutiva das espécies. Os resultados apontam padrões de
    diversidade, distribuição local e interações que ajudam a compreender a ocupação da Caatinga
    pelos anfíbios em distintas escalas.

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