UFS › SIGAA - Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas São Cristóvão, 25 de Outubro de 2020


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Banca de QUALIFICAÇÃO: DANIELA TELES DE OLIVEIRA
19/04/2017 15:14


Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DANIELA TELES DE OLIVEIRA
DATA: 26/04/2017
HORA: 14:00
LOCAL: Centro de Pesquisas Biomédicas/HU
TÍTULO: Biomarcadores hormonais e imunológicos associados às formas graves e complicações da Hanseníase.
PALAVRAS-CHAVES: Hanseníase, Hormônios, Imunologia, Reação hansênica e Incapacidade Física.
PÁGINAS: 70
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Medicina
RESUMO:

A Hanseníase é uma doença crônica, infecto-contagiosa, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. Este é transmitido por via aérea superior e infecta células fagocíticas da pele e as células de Schwann dos nervos periféricos. Apesar do tratamento clínico, os pacientes podem apresentar complicações inflamatórias, como as reações hansênicas e lesões em nervos periféricos, provocando incapacidade física. A doença pode apresentar diferentes perfis de respostas imunológicas que estão relacionadas com as suas manifestações clínicas. Embora se conheça sobre a resposta imune na hanseníase e também seja conhecido que os hormônios podem influenciar a evolução de infecções, ainda não há entendimento para gerar biomarcadores a fim de definir formas clínicas mais graves e complicações inflamatórias da doença. Diante disso, esse trabalho objetivou identificar biomarcadores hormonais e imunológicos associados às formas graves e complicações da hanseníase. A metodologia incluiu um estudo transversal de comparação de grupos baseado na coleta de dados clínicos e biomarcadores séricos (imunológicos e hormonais) de controles e pacientes com hanseníase. Além disso foi realizado um estudo prospectivo de acompanhamento mensal, durante o tratamento clínico e até um ano após a alta, a fim de avaliar o surgimento de episódios reacionais e/ou incapacidade física. Foram realizadas dosagem séricas de hormônios (ACTH, cortisol, IGF-1, GH e testosterona) e de citocinas (INF-ɣ, IL-12p70, IL-17A, IL1-β, IL-10 e TNF-α) e, em seguida, relacionados às formas clínicas (Indeterminada - HI, Tuberculóide - HT, Dimorfa - HD e Virchowiana - HV), classificação operacional (Paucibacilar-PB e Multibacilar-MB), presença de episódios reacionais e incapacidade física na hanseníase. Houve maior proporção de homens com MB (54,3%). Os pacientes MB também apresentaram maior freqüência de episódios de reação (44,4%) e incapacidade física (76,5%), em comparação aos pacientes com PB. Quanto à presença de hormônios circulantes foram encontrados níveis elevados de ACTH em MB (24.2±13.1 ng/ml; p= 0.002) e PB (23.5±14.9 ng/ml; p= 0.007) quando comparados aos controles (11.9±12.3 ng/ml). Níveis elevados de cortisol também foram detectados nos pacientes HT (12.1±4.7 µg/dl) em relação aos controles (8.4±2.7 µg/dl, p= 0.003), HD (9.02±4.8 µg/dl; p= 0.004) e os HV (8.9±2.7 µg/dl; p= 0.03). Os pacientes que apresentaram reação hansênica antes do tratamento tiveram níveis mais baixos de ACTH (19.7±10.3 ng/ml) e cortisol (8.5±3.9 ng/ml; p= 0.04) quando comparados com os pacientes sem reação. Foram obtidos níveis mais altos de IGF-1 nos pacientes HI (6.5±6.4 ng/ml) que nas demais formas (TT 3.03±3.5 ng/ml; BL 3.1±4.5 ng/ml; LL 3.6±2.5 ng/ml). Baixo valores de GH estiveram presentes em pacientes que apresentaram reação hansênica no diagnóstico (0.3±0.2 ng/ml) quando comparados aos que não apresentaram essa complicação (1.1±1.6 ng/ml; p= 0.02). Os pacientes com incapacidades físicas (graus 1 e 2) apresentam níveis mais baixos de IGF-1 (2.8±1.6 ng/ml), quando comparados aos que não apresentam essa limitação (grau 0, 4.5±2.7 ng/ml; p= 0.007). Níveis elevados de testosterona foram encontrados em homens acima de 50 anos com formas MB (6.58± 3.2 ng/ml) quando comparado aos homens com PB (4.21± 2.3 ng/ml) e com os controles (4.26± 0.8 ng/ml). Em relação à avaliação de marcadores imunológicos todas as citocinas avaliadas estiveram aumentadas nos pacientes, em relação aos controles, destacando INF-ɣ (79,02 ± 26,9 pg/ml), IL-10 (156,4 ± 53 pg/ml) e TNF-α (463,3 ± 160,6 pg/ml) que estavam elevadas nas formas virchovianas. Em relação à IL-17A, os pacientes com HT apresentaram níveis mais elevados (49,2 ± 10,5 pg/ml) quando comparados aos valores de pacientes com HV (40,7 ± 4,6 pg/ml). Já a IL1-β esteve elevada na forma HI (62,9 ± 16,3 pg/ml) quando comparada às formas mais graves da doença e aos controles. Por fim o aumento em INF-ɣ (97,1 ± 44,5 pg/ml, p = 0.02) e TNF-α (407,3 ± 82,08 pg/ml, p= 0.04) esteve relacionado, nos pacientes multibacilares, à ocorrência de episódios reacionais. E esta última, também, mais elevada nos pacientes com incapacidade física (354,3 ± 92,2 pg/ml, p = 0.04). Sugere-se que os marcadores acima descritos podem ser utilizados como preditores das formas graves e complicações da hanseníase e, assim, promover intervenções precoces a fim de evitar maiores danos aos pacientes.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1511959 - TATIANA RODRIGUES DE MOURA
Externo ao Programa - 3204497 - FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA
Externo à Instituição - MARISE DO VALE SIMON

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