UFS › SIGAA - Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas São Cristóvão, 24 de Outubro de 2021


PPGL

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

Notícias

Banca de QUALIFICAÇÃO: JOSÉ EDUARDO SANTOS TAVARES DE JESUS
22/10/2021 08:03


Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JOSÉ EDUARDO SANTOS TAVARES DE JESUS
DATA: 27/10/2021
HORA: 15:00
LOCAL: https://meet.google.com/mhv-tati-mhx
TÍTULO: Philomena: processos de subjetivação da mulher mediante a objetivação do corpo
PALAVRAS-CHAVES: Discurso; Religião; Processos de Subjetivação; Asilos Madalena; Cinema
PÁGINAS: 80
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
SUBÁREA: Teoria e Análise Lingüística
RESUMO:

Entre os séculos XVIII e XX, as Lavanderias de Madalena, instituições ligadas, em sua maioria, a congregações católicas, foram instaladas, em diversos países ao redor do mundo, como casas de acolhimento, de reabilitação de mulheres caídas em desgraça: jovens vítimas de estupro, órfãs, prostitutas, meninas acusadas de aborto ou de infanticídio, mães solteiras. Na Irlanda, mais precisamente depois do reconhecimento da independência do Estado Livre Irlandês, em 1922, esses reformatórios passaram a cumprir uma função carcerária, punitiva, castigando, sobretudo, as mulheres que engravidavam fora do casamento, devido ao fato de a própria Constituição do novo Estado tornar a maternidade e o matrimônio inseparáveis. Uma dessas internas teve a sua vida retratada no filme biográfico Philomena (FREARS, 2013), objeto de nossa investigação. À luz da Arqueogenealogia, o presente trabalho objetiva analisar discursivamente o referido filme, a fim de observar a quais processos de subjetivação a protagonista é submetida, ao ter seu corpo objetivado de algumas maneiras. Quanto ao aporte teórico, como nosso objeto de estudo é produto da mídia cinematográfica, recorremos aos ensinamentos de Deleuze (2015), de Foucault (2021) sobre o dispositivo. Dessa forma, tratamos o cinema, nesta dissertação, como uma rede que interliga numerosos elementos de diferentes naturezas; capaz de manipular, dada a sua função estratégica, as relações de força, as produções de subjetividades, e, por conseguinte, a história do presente, com vistas, sobretudo, a uma normalização. Nesse sentido, uma vez observado o forte controle de discursos, de sujeitos, tanto no processo de criação do filme quanto no próprio desenvolvimento da narrativa, trazemos à tona a tese de Foucault (1996) acerca da existência, em todas as sociedades, de procedimentos de rarefação discursiva, dentre os quais destacamos a autoria; de rarefação dos sujeitos, a doutrina, as sociedades de discurso; afora os procedimentos de interdição, concernentes à parte do discurso que põe em jogo o poder, o desejo. Além disso, para investigarmos a relação entre discurso e religião, partimos, inicialmente, do conceito de Bourdieu (2007), qual seja: linguagem, veículo de poder, simbólico-estruturante, possibilitando criar e impor um sistema de práticas, de representações de mundo, sobre fiéis. Nessa perspectiva, o discurso religioso é concebido como aquele orientado à doutrinação. Em seguida, apresentamos as lições de Foucault ([1978] 2008; 2006) referentes à pastoral das almas, um poder de tipo religioso, caracterizado por ser benfazejo, sacrificial, individualizante e totalizador; à institucionalização do pastorado no âmbito do Cristianismo, acontecimento marcante da implantação, pela Igreja, desse tipo de poder no Ocidente, mediante uma série de técnicas que visam ao domínio dos sujeitos, principalmente por meio de sua sexualidade – exemplo delas é a confissão: produção de verdades do/sobre o indivíduo, em um testemunho contra si mesmo. Utilizamos também os postulados de Foucault ([1976] 2010; 2014) acerca do entrelaçamento de duas tecnologias de poder no interior das sociedades de normalização, são elas: (i) a disciplina, centrada no homem-máquina, funciona de modo a otimizar, no nível do detalhe, as operações do corpo em sua relação com o trabalho, a produzir indivíduos úteis, politicamente dóceis; (ii) a biopolítica, focada no homem-espécie, atua, no nível da massa, sobre um feixe de fenômenos coletivos, considerados em um longo período de tempo, a fim de produzir uma população regulamentada. Desse mesmo filósofo, trabalhamos ainda com a noção de racismo moderno, recurso presente nos Estados onde funciona o biopoder, responsável pela permissibilidade do assassínio, seja direto ou indireto, dos degenerados, dos anormais, dos responsáveis pela mácula da raça. Finalmente, encerramos nosso estudo sobre os asilos Madalena, trazendo à baila as discussões de Sixsmith (2013) em torno do funcionamento dessas instituições na Irlanda; as de Smith (2007) relativas à Arquitetura de Contenção da Nação.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3443837 - MARIA EMILIA DE RODAT DE AGUIAR BARRETO BARROS
Interno - 1308591 - JOCENILSON RIBEIRO DOS SANTOS
Externo à Instituição - ROSÂNGELA TENÓRIO CARVALHO

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